sábado, 7 de maio de 2011

Garimpagem na Net: Le Monde

07.05.2011
Do blog DoLaDoDeLá
De Marco Aurélio Mello

por Dario Pignotti, no Le Monde *

No início da década de 1980, centenas de milhares de brasileiros cantaram em coro “O povo não é bobo, abaixo a rede Globo!”, quando a corporação na qual se apoiou a ditadura militar censurou as mobilizações populares contra o regime militar, utilizando fotonovelas e futebol para tentar anestesiar a opinião pública. Hoje, um segmento crescente do público brasileiro expressa seu descontentamento frente o grupo midiático hegemônico.

Medições de audiência e investigações acadêmicas detectaram um dado, em certa medida inédito, sobre as relações de produção e consumo de informação: a credibilidade da rede Globo, inquestionável durante décadas, começa a dar sinais de erosão. Contudo, é possível perceber uma diferença substantiva entre a indignação atual e o descontentamento daqueles que repudiavam a Globo durante as mobilizações de três décadas atrás em defesa das eleições diretas.

Em 1985, José Sarney, primeiro presidente civil desde o golpe de Estado de 1964, obstruiu qualquer pretensão de iniciativa reformista relativa à estrutura de propriedade midiática e ao direito à informação, em cumplicidade com a família Marinho – proprietária da Globo, da qual, aliás, era sócio. O atual chefe de Estado, Luiz Inácio Lula da Silva, parece disposto a iniciar a ainda pendente transição em direção à democracia na área da comunicação.

No início de 2009, no Fórum Social Mundial realizado na cidade de Belém, Lula convocou uma Conferência Nacional de Comunicação. A partir daí, mais de 10 mil pessoas discutiram em assembleias realizadas em todo o país os rumos da comunicação e definiram propostas para levar para a Conferência, realizada de 14 a 17 de dezembro, em Brasília.

“É a primeira vez que o governo, a sociedade civil e os empresários discutem a comunicação; isso, por si só, já é uma derrota para a Globo e sua política de manter esse tema na penumbra (...). O presidente Lula demonstrou estar determinado a instalar na sociedade um debate sobre a democratização das comunicações; creio que isso terá um efeito pedagógico e poderá converter-se em um dos temas da campanha (de 2010)”, assinala Joaquim Palhares, diretor da Carta Maior e delegado na Conferência.

O embate entre Lula e a Globo poderia ser resumido como uma disputa pela verossimilhança, um bem escasso no mercado noticioso brasileiro. Ao participar quase que diariamente de atos ou eventos públicos, o presidente dialoga de forma direta com a população, estabelecendo um contrato de confiança que contrasta com a obstinação dos meios dominantes em montar um discurso noticioso divorciado dos fatos que, às vezes, beira a ficção.

Lula configura um “fenômeno comunicacional singular; o povo acredita nele, não só porque fala a linguagem da gente simples, mas porque as pessoas mais carentes foram beneficiadas com seus programas sociais; isso é concreto, o Bolsa Família atende a 45 milhões de brasileiros que não prestam muita atenção ao que diz a Globo”, observa a professora Zélia Leal Adghirni, doutora em Comunicação e coordenadora do programa de investigação sobre Jornalismo e Sociedade da Universidade de Brasília.

“Por que Lula ganhou duas vezes as eleições (2002 e 2006), uma delas contra a manifesta vontade da Globo? Por que Lula tem uma popularidade de 80%?”, pergunta Adghirni, para quem “as teorias de comunicação clássica que estudamos na universidade não são aplicadas ao fenômeno Lula. Desde a teoria da ‘agulha hipodérmica’ até a da ‘agenda setting’, dizia-se que os meios formam a opinião ou pautam o temário do público, mas com Lula isso não ocorre: os meios de comunicação estão perdendo o monopólio da palavra”.

Por outro lado, como se sabe, a construção de consensos sociais não se galvaniza só com mensagens racionais ou versões críveis da realidade, também é necessário trabalhar no imaginário das massas, um território no qual a Globo segue sendo praticamente imbatível. A empresa do clã Marinho controla o patrimônio simbólico brasileiro: é a principal produtora de novelas e detém os direitos de transmissão das principais partidas de futebol e do carnaval carioca.

Frente à gigantesca indústria de entretenimento da Globo, o governo é praticamente impotente. Não obstante, a imagem do presidente-operário provavelmente ganhará contornos míticos em 2010, com o lançamento do longa-metragem Lula, o Filho do Brasil, que será exibido no circuito comercial e em um outro alternativo (sindicatos e igrejas). O produtor Luis Carlos Barreto prevê que cerca de 20 milhões de pessoas assistirão à história do ex-torneiro mecânico que se tornou presidente, o que seria a maior bilheteria da história no país.

O balanço provisório da política de comunicação de Lula indica que esta tem sido errática. Em seu primeiro mandato (2203-2007), impulsionou a criação de um Conselho de Ética informativa, iniciativa que arquivou diante da reação empresarial. Após essa tentativa fracassada, o governo não voltou a incomodar as “cinco famílias” proprietárias da grande imprensa local, até o final de sua primeira gestão.

Em seu segundo governo – iniciado em 1° de janeiro de 2007, Lula nomeou Hélio Costa como ministro das Comunicações, um ex-jornalista da Globo que atua como representante oficioso da empresa no ministério. Mas enquanto a designação de Costa enviava um sinal conciliador aos grupos privados, Lula seguia uma linha de ação paralela.

Em março de 2008, o Senado, com a oposição cerrada do PSDB, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, aprovou o projeto do Executivo para a criação da Empresa Brasileira de Comunicações, um conglomerado público de meios que inclui a interessante TV Brasil, para a qual, em 2010, o Estado destinará cerca de US$ 250 milhões. O generoso orçamento e a defesa da nova televisão pública feita pelos parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) indicavam que Lula havia decidido enfrentar a direita política e midiática. Ao mesmo tempo em que media forças com a Globo – ainda que não de forma aberta -, Lula aproximou posições com as empresas de telefonia (interessadas em participar do mercado de conteúdos e disputar terreno com a Globo) e algumas televisões privadas, como a TV Record – de propriedade de uma igreja evangélica.

A estratégia foi tomando contornos mais firmes no final do mês de outubro quando Lula defendeu, durante uma cerimônia de inauguração dos novos estúdios da Record no Rio de Janeiro, o fim do "pensamento único" capitaneado por alguns formadores de opinião (em óbvia alusão à Globo) e a construção de um modelo mais plural. Dias mais tarde, o mesmo Lula afirmava: “Quanto mais canais de TV e quanto mais debate político houver, mais democracia teremos (...) e menos monopólio na comunicação”.

Com um discurso monolítico e repleto de ressonâncias ideológicas próprias da Doutrina de Segurança Nacional (como associar qualquer objeção à liberdade de imprensa empresarial com ocultas maquinações “sovietizantes”), o grupo Globo lançou uma ofensiva, por meios de seus diversos veículos gráficos e eletrônicos, contra a incipiente tentativa do governo de estimular o debate sobre a atual ordem informativa, que alguns definem como um “latifúndio” eletrônico.

O primeiro passo neste sentido, assinala Joaquim Palhares, foi “esvaziar e boicotar a Conferência Nacional de Comunicação, retirando-se dela, dando um soco na mesa e saindo impestivamente para tentar deslegitimá-la”, movimento seguido por outros grupos midiáticos. O segundo movimento consistiu em articular um discurso institucional para fazer um cerco sanitário contra o contágio de iniciativas adotadas por governos sulamericanos como os da Argentina, Equador e Venezuela, orientadas na direção de uma reformulação do cenário midiático.

A Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) “temem que o que ocorreu na Argentina se repita no Brasil; eles veem essa lei como uma ameaça e começaram a manifestar sua solidariedade com a imprensa da Argentina”, afirma Zélia Leal Adghirni. O receio expresso pelas entidades representativas dos grandes conglomerados midiáticos é o seguinte: se o descontentamento regional contra a concentração informática ganha força junto à opinião pública brasileira, poderia romper-se a cadeia de inércia e conformismo que já dura décadas e, quem sabe, iniciar-se um gradual – nunca abrupto – processo de democratização.

O inverso também se aplica: se o Brasil, liderado por Lula, finalmente assumir como suas as teses do direito à informação e à democracia comunicacional, é certo que essa corrente de opinião, atualmente dispersa na América Sul, poderá adquirir uma vertebração e uma legitimidade de proporções continentais.

(*) Dario Pignotti é jornalista e doutor em Comunicação pela Universidade de São Paulo. O artigo foi publicado em dezembro do ano passado.
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Fonte:

Convenção do PSDB termina sem acordo e explicita divisão

07.05.2011
Do portal VERMELHO

A convenção do PSDB de São Paulo, realizada neste sábado, expôs ainda mais a falta de rumo e unidade dos tucanos. Divididos e em profunda crise, eles não conseguiram chegar a um acordo sobre a vaga de secretário-geral da sigla e adiaram para quinta (12) a eleição do novo diretório estadual. No evento, enquanto José Serra reconhecia a crise na legenda, Geraldo Alckmin negava. O partido também não foi capaz de afinar o discurso sobre a possibilidade de uma fusão com o DEM ou de aliança com o PSD.

Numa estratégia para tentar demonstrar união, os dois principais líderes da legenda no estado, Serra e Alckmin, chegaram lado a lado ao encontro partidário. Mas, depois de iniciado o evento, ficou evidente o racha na legenda.

O atual secretário-geral do PSDB-SP, Cesar Gontijo, que é apoiado pelo deputado federal José Anibal, não aceitou abrir mão da cadeira para acomodar o deputado federal Vaz de lima, que é aliado do ex-governador José Serra.

Os tucanos só concordaram na indicação do deputado estadual Pedro Tobias para presidir o diretório. Com isso, a reunião realizada neste sábado na Assembleia Legislativa paulista foi encerrada antes do previsto, e a decisão final, adiada para quinta.

Serra e Alckmin

Sem sintonia, o governador Geraldo Alckmin e o candidato derrotado à Presidência José Serra discursaram no evento e deixaram o local antes do fim das negociações pelos cargos de direção. Enquanto José Serra preferiu admitir a crise que o partido atravessa, inclusive "em nível federal", cobrando unidade, Geraldo Alckmin preferiu dizer que "há fragmentações", mas que culpá-lo por isso é "maquiavelismo".

"Existe uma crise no PSDB, por que negar? Mas o que querem de nós, até o eleitor do PT, é que saibamos fazer oposição. O problema não é divisão no partido, mas honrar os votos que recebemos. O maior risco que as oposições correm é perder tempo com disputas fantasmas. Cadê o PSDB, como um todo, defendendo suas ideias?", disse Serra.

Ele minimizou a saída de seis vereadores do partido na capital paulista. "Foi um episódio localizado o encaminhamento dessas pessoas no diretorio da capital. É normal na vida partidária que existam desentendimentos e desenlaces desse tipo."

Serra ainda completou dizendo que as fofocas desanimam a militância. "A lógica do fuxico, das intrigas, desanimam quem votou em nós, enfraquecem o ideal", declarou.

Sem citar nomes, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin alfinetou o prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab, dizendo que a "proliferação de partidos" e a "proximidade com as benesses dos governos" é prejudicial.

Alckmin chamou as divisões dentro do partido de "fragmentações", desmentindo o colega. "Não há crise no PSDB, o que existe é o PSDB resistindo. Eu sinto é ânimo do PSDB!", declarou.

O governador de São Paulo aproveitou para dizer que é "inacreditável" responsabilizá-lo pelo mal estar entre seus apoiadores e os de Serra. "É inacreditável, é maquiavelismo de quem quer abalar as oposições", disse, para então criticar veladamente um aliado de Serra, Kassab. "De Gaulle dizia que a França era difícil de governar pela quantidade de partidos que era tão grande quanto a quantidade de queijos", disse.

O ponto em que os dois caciques foram convergentes foi quanto à necessidade de manter o ideal da sigla e de defender o voto distrital. Dentro da entratégia de forçar uma aproximação, eles trocaram afagos no palanque. "Só quero que o governo do Alckmin dê certo, não porque eu goste do Geraldo, e eu gosto dele, mas por São Paulo", afirmou. Alckmin instou o partido a combater o que chamou de fofocas. "Falou mal do Serra, falou mal de mim", disse.

Fusão

De acordo com o portal R7, alguns dos maiores caciques do PSDB de São Paulo admitiram a possibilidade do partido se fundir ao DEM, pelo menos depois das eleições municipais de 2012. O único a descartar foi Serra.

O primeiro a falar sobre o tema foi o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman (PSDB), que chegou a comparar a fundação do PSD (do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab) com a do PSDB, partido que se originou do PMDB em 1988. Ele disse que “em toda história de partido há grupos insatisfeitos”.

Sobre a fusão com o DEM, ele disse que “não é nada para agora, isso seria uma hipótese que não é apropriada para ser discutida nas eleições municipais”. “Depois das eleições municipais, sim (...) A conjuntura econômica, política do pais levar a isso (...) Mas agora está fora da nossa pauta”, disse.

Outro que não descartou a possibilidade foi o senador paulista Aloysio Nunes, para quem a junção pode mesmo a ocorrer, mas “não a curto prazo”. Foi o mesmo que disse o deputado federal José Anibal, que negou a fusão imediata entre os dois partidos, mas admitiu essa possibilidade para depois das eleições de 2012. “Ai será uma nova realidade. Mas essa ideia é muito associada ao enfraquecimento da oposição, e nós não estamos fracos.

Aliança com PSD

Apesar das críticas veladas de Alckmin, durante o evento, alguns tucanos defenderam uma alinça do PSDB com o recém-criado PSD. O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) foi um dos que pautaram a aproximação com o partido do prefeito Gilberto Kassab, nas eleições municipais de 2012.

O tucano disse considerar a nova sigla uma aliada, apesar da aproximação entre Kassab e a presidente Dilma Rousseff."Eu não considero o PSD nosso adversário. Fundamento é do nosso campo", afirmou o senador.

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), também avaliou como possível a aliança para as eleições gerais de 2014. O senador ponderou, contudo, que antes é necessário aguardar uma melhor definição dos rumos da nova sigla. "Uma aproximação eleitoral é possível", disse o tucano, ao chegar para a convenção estadual. "Nós não sabemos que partido será o PSD, se será oposição ou governo."

Apesar do aceno, Alvaro Dias criticou a criação da nova sigla. "Eu não vejo que o PSD seja uma lição em matéria de identidade programática", disse. "O Brasil não precisa de novos partidos e de novas siglas. O Brasil não precisa de siglas, porque já tem siglas demais."

Kassab fala em "independência"

Longe da convenção, Kassab afirmou, neste sábado, em Teresina, onde esteve para fundar o PSD no Piauí, que o seu partido adotará uma linha de independência política pela miscigenação e o número de adesistas.

"Vamos conviver com uma transição, aqueles que apoiaram a presidenta Dilma continuam. Aqueles que não apoiaram terão liberdade para dar apoio em alguns momentos ou não dar apoio, de acordo com sua convicções", afirmou Kassab, ainda numa linha liberal.

Para ele, "a prioridade zero é fundar o partido e depois disputar as eleições em 2012. (…) O partido é independente pela peculiaridade da sua formação. No ano seguinte às eleições presidenciais, não tem sentido um partido nascer com uma visão de trazer incoerência com seus membros. No Piauí, por exemplo, uns membros tiveram conduta na eleição presidencial e outros membros outra conduta. Então vamos conviver com esta transição. Cada um segue as suas convicções", acrescentou.

Com agências

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Fonte:http://vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=153687&id_secao=1

BLOG DO IRINEU MESSIAS: Teologia do espetáculo

BLOG DO IRINEU MESSIAS: Teologia do espetáculo: "07.05.2011 Da Revista CartaCapital, 04.05.11 Antonio Luiz M. C. Costa Ao beatificar João Paulo II em tempo recorde, o sucessor Ratzing..."

Teologia do espetáculo

07.05.2011
Da Revista CartaCapital, 04.05.11

Ao beatificar João Paulo II em tempo recorde, o sucessor Ratzinger apela ao show e à nostalgia para tentar frear a decadência e o esvaziamento da Igreja. Foto Filippo Monteforte/AFP

Matéria publicada na edição 644, que começou a circular na sexta-feira 29.

A beatificação a toque de caixa de Karol -Wojtyla, o papa João Paulo II, será celebrada em 1º de maio, meros seis anos após seu falecimento, apesar de muitas resistências dentro da própria Igreja. “Sou contra e prevejo que a história não verá com bons olhos João Paulo, que ignorou a pior crise na Igreja desde a Reforma”, disse o padre Richard McBrien, teólogo da Universidade Notre Dame de Nova York. “A beatificação de João Paulo por seu sucessor soa incestuosa e tem afinidade com o hábito de deificar os próprios ancestrais”, declarou o historiador católico Michael Walsh.

Foi política a decisão de não esperar os habituais cinco anos para iniciar o processo, apoiar-se num “milagre” arrancado a fórceps e ignorar as objeções, em especial as fundadas nas obscuras manobras financeiras do Vaticano em sua gestão e a negativa do papa polonês a investigar e punir padres e bispos pedófilos. Principalmente o corrupto padre mexicano Marcial Maciel, líder da Legião de Cristo, que abusou de menores (inclusive dois de seus próprios filhos ilegítimos), mas manteve a boa vontade da Igreja arrecadando rios de dinheiro de milionários mexicanos, boa parte dos quais fluiu para os bolsos da Cúria Romana. O papa polonês protegeu-o até o fim e o próprio Ratzinger teve de esperar subir ao trono papal para discipliná-lo.

Outro de seus protegidos foi o arcebispo estadunidense Paul Marcinkus, que João Paulo II promoveu à chefia do Banco do Vaticano e ao terceiro cargo mais importante na Igreja antes que se envolvesse até o pescoço no escândalo da falência do Banco Ambrosiano (do qual já fora diretor), seguido pelo assassinato disfarçado em suicídio do seu presidente, Roberto Calvi, que teria financiado a dissidência polonesa a pedido do papa. Queima de arquivo, que não se sabe se deve ser atribuída à Máfia ou a setores da própria Igreja.

Trata-se de santificar não a duvidosa virtude de Karol Wojtyla, mas a virada conservadora que promoveu. João XXIII e Paulo VI haviam conduzido a Igreja à modernização e reaproximação com a sociedade laica e com outras igrejas e religiões-, processo subitamente freado após a morte nunca devidamente esclarecida do efêmero João Paulo I e a eleição do polonês identificado com a luta contra o comunismo. Foram congelados os debates sobre contracepção e o papel da mulher na Igreja. Quando o cardeal de Sevilha, José María Bueno, reuniu-se com ele e insistiu em que sua consciência lhe impunha insistir na questão do celibato e da escassez de sacerdotes, Wojtyla foi brutal: “E minha consciência de papa me impõe expulsar sua eminência de meu escritório”.

Joseph Ratzinger, jovem teólogo convidado por João XXIII para participar do Concílio Vaticano II, esteve de início do lado da modernização, apoiando a revisão do celibato e do primado absoluto do papa, que defendia ainda em livros publicados nos anos 70. Elevado a cardeal- por Paulo VI em 1977, não se soube que mudasse de opinião antes de 1981, quando foi escolhido por João Paulo II para chefiar a Congregação para a Doutrina da Fé, sucessora do velho Tribunal do Santo Ofício da Inquisição, para comandar a repressão à dissidência. Ratzinger decepcionou seus ex-amigos progressistas e reprimiu a Teologia da Libertação, mas satisfez seu superior e seu círculo e foi recompensado com a sucessão.

Fora dos corredores estagnados do Vaticano, porém, os ventos continuaram a soprar. Abriu-se ainda mais o abismo entre uma Igreja cada vez mais conservadora e exigente e a sociedade civil dos países católicos, cada vez mais laica e menos interessada nas opiniões do papa sobre moral e pecado. Até 2005, as falhas morais da Igreja e seu crescente esvaziamento e irrelevância no Ocidente foram até certo ponto mascarados pelo colapso do bloco soviético e o carisma pessoal de Wojtyla. O renascimento da Igreja na Europa Oriental e o entusiasmo gerado pelas visitas de João Paulo II pelo mundo permitiam a seu círculo acreditar que estavam no caminho certo.

Com o frio e rígido Ratzinger, as ilusões não se sustentam. Escândalos por muito tempo abafados vieram a público, mostrando que a Igreja não está à altura do que prega – em muitos casos, nem sequer à altura do que a sociedade laica considera decência comum. As tentativas do Vaticano de favorecer partidos conservadores e pressionando contra o uso de preservativos e a legalização do aborto e da união homossexual têm acabado quase sempre em fiascos humilhantes. As viagens e os pronunciamentos de Bento XVI mal atraem- uma fração do interesse e entusiasmo despertado por seu antecessor.

O Vaticano é hostil aos exorcismos das igrejas carismáticas populares, mas sente a mesma necessidade de espetacularização. A apressada multiplicação de beatificações e canonizações tenta suprir o déficit de interesse, distribuindo santos a comunidades e grupos de interesse que não os tinham. Paulo VI fez 11 canonizações em 15 anos; João Paulo II estabeleceu um recorde histórico com 113 em 25 anos, inclusive o controvertido fundador da Opus Dei e a canonização coletiva de 25 fanáticos cristeros que lutaram contra o governo laico do México nos anos 1920 e 1930. Bento XVI fez nada menos de 34 nos primeiros seis anos. Na Páscoa, tentou reanimar o interesse dos fiéis, respondendo perguntas na televisão, cuidadosamente escolhidas. Com a beatificação de João Paulo II, pretende despender o que resta de seu capital de carisma e reunir 300 mil fiéis. Mas aos poucos esse espetáculo se banaliza.

Não são tempos fáceis para a Igreja Católica. Foi deixada por 50 mil alemães e 53 mil austríacos em 2009 e por 180 mil alemães e 87 mil austríacos no ano seguinte. Não se trata do abandono tácito de quem simplesmente deixa de comparecer às missas, mas de pedido formal de baixa, enviado a autoridades civis de forma a encerrar o pagamento de contribuições à Igreja (1,1% da renda, até o limite de 200 euros anuais) e pesa de fato nos bolsos das paróquias e dioceses. Desde 1990, 1,78 milhão de alemães ormalizaram sua apostasia, mas o salto recente nos números está relacionado aos escândalos de pedofilia: é nas dioceses mais afetadas que o êxodo é maior.

Em países onde a filiação formal à Igreja não tem consequências civis, o número dos que saem batendo a porta e exigem o registro formal de sua opção é menor, mas cresce explosivamente. Na Bélgica, foram 66 casos em 2008, 380 em 2009 e 1,7 mil em 2010. Em Portugal, uma comunidade criada no início de 2010 para trocar informações sobre o “desbatismo” no Facebook tem mais de 3 mil participantes, centenas dos quais já cobraram o certificado das paróquias – e, se estas o recusaram, se queixaram ao bispo. Na Argentina, a comunidade Apostasía Colectiva tem mais de 4 mil integrantes.

Na Espanha, a Igreja, temerosa das consequências políticas da queda nas estatísticas formais sobre número de fiéis, alegou que seus livros de batismo não são arquivos sujeitos à Lei de Proteção de Dados. Conseguiu que a Suprema Corte e o Tribunal Constitucional a isentassem da obrigação de atender a tais pedidos, no mesmo país no qual outrora fazia da excomunhão a mais terrível das ameaças. Mas os -apóstatas, com ou sem certificados, são milhares. Tentaram organizar uma “procissão ateísta” e uma campanha pelo uso de preservativos na Semana Santa de 2011, proibidos pelo governo de Madri, pressionado por um abaixo— assinado- de 100 mil conservadores.

Apesar do renascimento do fundamentalismo e do fanatismo em várias partes do mundo cristão, muçulmano e hindu, desde os anos de Ronald Reagan e João Paulo II, mais espetacularmente nos anos de Bush júnior, as últimas décadas veem crescer atitudes que vão da simples indiferença ante a religião organizada ao ateísmo militante. Em dezembro de 2010, o estudo de um grupo de matemáticos dos Estados Unidos indicou que a religião organizada tende a desaparecer até 2050 em pelo menos nove países: Austrália, Áustria, Canadá, República Tcheca, Finlândia, Irlanda, Holanda, Nova Zelândia e Suíça.

Mesmo na arquicatólica Polônia, a frequência à Igreja caiu de 60% nos últimos dias do regime comunista para 45% nos dias de hoje. Nos EUA, as pessoas sem religião são o único grupo religioso em crescimento em todos os 50 estados. E mesmo “ter uma religião” pode não significar muita coisa além de um rótulo social para ocasiões como casamentos e funerais. Na Inglaterra e em Gales, 61% dizem que têm uma religião, mas apenas 29% se dizem religiosos. Só 48% dos 53,5% que se dizem cristãos (ou seja, 25,7% dos ingleses) acreditam que Jesus foi de fato o filho de Deus e ressuscitou dos mortos.

Uma pesquisa Ipsos de abril de 2011 em 23 países encontrou que, em média, apenas 19% acreditam em céu e inferno (4% na França, 5% na Espanha e Alemanha, 10% no Reino Unido, 12% na Rússia, 15% no México, 21% na Itália, 28% no Brasil, 41% nos EUA). Para outros 23% a existência cessa com a morte, 26% não têm opinião, 2% acreditam no céu mas não no inferno, 7% creem em reencarnação e 23% em alguma vida após a morte que não o céu e inferno cristãos. Na maioria dos países da Europa Ocidental, a crença definida em um Deus ou Ser Supremo varia de 18% (Suécia) a 28% (Espanha), e o ateísmo explícito, de 28% (Espanha) a 39% (França). Só a Itália destoa, com 50% de teístas e 13% de ateus (no Brasil, respectivamente, 84% e 3%).

A opção por sistemas de crenças -pessoais “faça você mesmo” ou pela pura e simples irreligiosidade está crescendo, em que pese o fervor de organizações como a Fraternidade Muçulmana, a Opus Dei ou a Westboro Baptist Church. Na maioria dos países ricos e em pelo menos alguns dos “emergentes”, como Rússia, Coreia do Sul, China e Argentina, caminha-se a médio prazo para sociedades nas quais não só a prática religiosa, como também a identificação formal com a religião organizada, será minoritária. Mas também parece bem possível que essas minorias se mostrem mais exaltadas do que a média dos religiosos de hoje. A aposta do Vaticano de Joseph Ratzinger parece ser em uma Igreja capaz de manter influência política (e arrecadar recursos financeiros) por meio de um rebanho pequeno, mas monolítico e militante.

Aponta para isso a indiferença para com as defecções de setores liberais e de -esquerda da Igreja – do teólogo Hans Küng ao ex-frade Leonardo Boff – combinada com os esforços extremados para atrair dissidências pequenas, mas ferozmente hostis à modernidade laica. Um exemplo é a Fraternidade São Pio X, do falecido arcebispo Marcel Lefebvre, rompida com o Vaticano desde 1988. Para tentar reincorporar seus 500 sacerdotes e alguns milhares de fiéis, o papa Bento XVI permitiu, em 2007, a celebração da missa tridentina em latim e anulou a excomunhão de seus quatro bispos, incluindo o britânico Richard Williamson, que nega o Holocausto, defende a autenticidade dos Protocolos dos Sábios de Sião e se associa a neonazistas. Nem por isso foi acatado por esses dissidentes, que continuam a ordenar seus próprios sacerdotes e exigir que o Vaticano declare inválidas as missas vernáculas de Paulo VI celebradas desde 1969 e repudie o Concílio Vaticano II e os gestos ecumênicos em relação a outras igrejas e religiões, inclusive o judaísmo.

Mais recentemente, Ratzinger abriu as portas a dissidentes tradicionalistas da Igreja Anglicana inconformados com a ordenação de mulheres e bênção a uniões homossexuais dentro de sua igreja, incorporando uns 900 fiéis ao custo de prejudicar o relacionamento do Vaticano com o protestantismo e o arcebispo de Canterbury – e de aceitar algumas dezenas de padres casados e com família, embora exija o celibato dos que se formaram no catolicismo. A Igreja se encolhe e a instituição que moldou a civilização ocidental pouco a pouco se transforma em uma entre muitas seitas reacionárias e intolerantes.

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Fonte:http://www.cartacapital.com.br/internacional/teologia-do-espetaculo-2

Preservação ambiental e justiça social global

07.05.2011
Da Revista CartaCapital
Por Pedro Estevam Serrano*

A comunidade científica se divide ao apontar que as mudanças climáticas vêm da interferência humana ou do ciclo natural da Terra. Mas não há dúvidas de que o homem acelerou o processo. Foto: Fabrice Coffrini/AFP

Desde que o conceito de preservação ambiental surgiu pela primeira vez, o entendimento sobre o que é sustentabilidade passou por significativas transformações. Inegável, por conseguinte, que a discussão atual é mais madura e abrangente que a travada no despontar dessas preocupações.

Ressentimo-nos, contudo, de avançar em vertentes indispensáveis ao desenvolvimento do debate ambiental: as dimensões sociais da proteção ao meio em que vivemos.

Por mais absurdo que pareça, o estágio em que nos encontramos permite vislumbrar tais dimensões como degraus inerentes ao tratamento comprometido com o problema, mas experimentamos certa hesitação quando se trata de percorrer esse mesmo trajeto. E a razão para isso é historicamente conhecida: incluir o enfoque social implica em atentar contra interesses há muito consolidados, que servem à manutenção de um status quo ofensivo à própria noção de humanidade cidadã que começamos a construir.

A despeito do senso comum que vem sendo difundido, a comunidade científica não é coesa em torno das causas das mudanças climáticas que nos assolam. Existe um grupo que considera os movimentos de aquecimento da atmosfera como decorrentes da própria trajetória da Terra ao longo das eras, algo vinculado aos ciclos geológicos que intercalam, de tempos em tempos, resfriamento e calor. Um outro grupo, por sua vez, aponta o ser humano como o catalisador dessas mudanças, o verdadeiro responsável pelo início do atual ciclo de aquecimento. No entanto, para ambos os grupos, não restam dúvidas quanto ao papel de protagonista do homo sapiens na aceleração das transformações, por sua influência no meio ambiente, cada vez maior e mais impactante, seja como agente preponderante ou auxiliar das mutações.

É sobre essa convicção científica que se assenta a necessidade de introduzir as dimensões jurídicas e sociais do debate ambiental, a partir da compreensão de que o conceito jurídico de cidadania global pressupõe que sejam equacionados os desequilíbrios sociais existentes atualmente. Em outras palavras, mais assertivas: não há como se falar em equilíbrio ambiental no planeta sem antes debatermos os meios de superar as desigualdades sociais existentes na geopolítica global.

A ONU (Organização das Nações Unidas), um dos organismos internacionais que podem atuar decisivamente para o equilíbrio sociopolítico e ambiental, produziu em 2009 um estudo sobre desastres climáticos no mundo ocorridos entre 1975 e 2007 (“Risk and Poverty in a Changing Climate”, ou “Risco e Pobreza em Mudanças Climáticas”). A esperada conclusão foi que as populações dos países pobres e de governos instáveis ou com instituições menos sólidas sofrem mais danos —e mais profundos e permanentes— resultantes de desastres climáticos do que as populações de países desenvolvidos. A combinação de instituições frágeis, desigualdades sociais e baixo nível de desenvolvimento amplia as consequências das calamidades.

Ora, se a ação do homem é relevante para acelerar os processos de aquecimento global e os desequilíbrios ambientais e se as nações menos desenvolvidas sofrem acentuadamente mais com esse quadro, é preciso atuar em duas frentes de maneira concomitante: trabalhar no desenvolvimento tecnológico e social para mitigar os efeitos da ação do homem sobre o meio ambiente; e, de forma especial e mais urgente, alterar os padrões de consumo no mundo.

A primeira frente é abordada com frequência e muita propriedade pela maioria esmagadora dos ambientalistas, em propostas de ação que vão desde identificar novas fontes de geração de energia limpa, formas de diminuição do ritmo de crescimento populacional e até otimização dos detritos para obter o mínimo possível de lixo ao final da cadeia produtiva. A segunda frente, no entanto, é menos levantada. Há um problema de justiça distributiva no mundo, e a verdade é que não temos como consumir todos no padrão das nações desenvolvidas, porque manter esse padrão e ritmo é perpetuar as implicações sociais nocivas, detectadas pelo estudo da ONU, nos países em desenvolvimento e não desenvolvidos. Em essência, se o ideal de desenvolvimento igualitário entre primeiro e terceiro mundo for realizado, se todos consumirmos no padrão médio de consumo da população primeiro-mundista, os recursos naturais do globo deixarão de existir.

Não podemos mais travar o debate ecológico sem absorver o inescapável prisma social. Da mesma forma, pensar as políticas ambientais doravante é ter de modificar os níveis de consumo do mundo globalizado. Buscar mecanismos de frear a degradação ambiental sem avançar sobre como iremos redistribuir a renda e o consumo mundiais é refletir sobre parte do problema, produzindo uma ideia de sustentabilidade injusta e não cidadã. Porque não podemos mais, como humanidade cidadã, permitir que o hiperconsumo nos países desenvolvidos se dê à custa da miséria dos subdesenvolvidos.

O jornal britânico Daily Mail publicou, em 2010, pesquisa que evidencia essa desproporção de consumo. Em média, as mulheres britânicas têm 12 peças de roupa que não são usadas há anos. Juntar todos os guarda-roupas femininos do Reino Unido resulta em R$ 14,3 bilhões (5,4 bilhões de libras) inutilizados. O exemplo do guarda-roupa feminino serve também para os homens, pois o nível do consumo mundial hoje em dia não é veleidade exclusiva a um dos gêneros, é difundido a quaisquer que sejam os sexos, preferências sexuais, profissões, faixa etária etc. Muito do que consumimos é composto de produtos que não vamos usar. E isso se dá à custa da fome nos rincões mais pobres do mundo —na Ásia, na África, na América Latina, no Brasil, ao menos quando pensamos a distribuição dos patamares de consumo na geopolítica global face a um ecossistema de recursos naturais limitados.

Se não imbuirmos o debate ambiental com a perspectiva de redistribuição de renda e consumo no mundo, se não buscarmos equilíbrio do ser humano com o uso dos recursos ambientais e também com os demais seres humanos, estaremos buscando um modelo de preservação ambiental que, mais uma vez na história, privilegiará os de sempre. Adotando políticas de pura e simples interrupção nos níveis de crescimento de consumo, sem que junto sejam produzidas formas de mitigação nas desigualdades deste mesmo consumo, estaremos condenando a maior parte da humanidade a pagar com a fome pela manutenção dos recursos naturais necessários ao sustento do consumo irracional dos povos privilegiados. Destarte, estaremos distante do que se pode entender por cidadania global.

Debater como controlar o aquecimento global e outras questões que impliquem na preservação da vida no planeta é, portanto, rediscutir as relações sociais e de poder no plano internacional. Devemos estancar os padrões de consumo global, redistribuindo pelo globo seus patamares, através de políticas compensatórias do primeiro mundo ao terceiro, de molde a equalizar o consumo global em patamares mais igualitários e menos agressivos ao meio ambiente. Sustentabilidade real não há sem justiça social global.

Pedro Estevam Serrano é advogado e professor de Direito Constitucional da PUC-SP,mestre e doutor em Direito do Estado pela PUC-SP.
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Fonte:http://www.cartacapital.com.br/sociedade/preservacao-ambiental-e-justica-social-global

Kassab e PCdoB se juntam e fundam o Demo-Comunismo. Vade retro!

07.05.2011
Do blog ACERTOS DE CONTAS
Por Pierre Lucena


O DEMO-Comunismo

A política brasileira é uma verdadeira piada de mau gosto. Dois anos atrás o PCdoB esculhambou o Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, até onde não podia mais. Participou da vergonhosa campanha de Marta Suplicy, que inclusive chegou a apresentar comerciais preconceituosos sobre a possível orientação sexual do prefeito.

Pois agora, seduzido e abduzido pelo Prefeito, resolveu fazer parte de sua gestão, indicando o Secretário de Organização do partido, Tadeu Ribeiro, para a pasta da Secretaria Especial da Copa. Nada contra as alianças políticas, mas ir trabalhar com aquele que você criticava pouco tempo atrás não é algo saudável para a democracia.

Na ótica “comunista”, a desDEMOmonização de Kassab teria acontecido quando o Prefeito resolveu fundar o PSD, que na prática é um saco de gatos de políticos que só querem mesmo é se agregar a algum projeto de poder. Como se Kassab de uma para a outra tivesse se tornado um cara “avançado”. Digo “avançado” porque na cabeça do míope ideológico (seja de esquerda ou direita) só é avançado quem está do lado dele.

No fundo sou até a favor de partidos como esse, que na prática só representam mesmo uma legenda para que as pessoas possam resolver o problema burocrático de se candidatarem. Como os partidos no Brasil, sem nenhuma exceção, não representam pensamento algum, Kassab está prestando um grande serviço para o país desmoralizando o sistema partidário.

Políticos de pensamento contemporâneo como Marina Silva, Eduardo Campos, Aecio Neves e Cid Gomes estão provando que o que importa mesmo são as pessoas, e não a “força política” que representam. Já que todos os partidos foram contaminados pelo pragmatismo de alianças bizarras, nada melhor do que escolhermos pessoas para nos representar e administrar a coisa pública.

E dentro dessa nova perspectiva, Kassab e o PCdoB fundam a mais nova ideologia.

É o DEMO-Comunismo.

Vade retro!

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Fonte:http://acertodecontas.blog.br/politica/kassab-e-pcdob-se-juntam-e-formam-o-demo-comunismo-vade-retro/#more-53533http://acertodecontas.blog.br/politica/kassab-e-pcdob-se-juntam-e-formam-o-demo-comunismo-vade-retro/#more-53533

Chuvas: Dilma promete a Eduardo bancar metade das barragens na Mata Sul de Pernambuco

07.05.2011
Do blog ACERTO DE CONTAS, 05.05.11
Por Marco Bahé



Mata Sul de Pernambuco

Tô trabalhando ainda. Por isso, vou apenas colar o release que recebi da Secretaria de Imprensa do Estado, por considerar a informação importante. Deixo a análise para vocês:

Dilma telefona para Eduardo e fecha Parceria para construir barragens

As cinco barragens que vão livrar a população da zona da mata sul de Pernambuco do drama das enchentes vão ser construídas em parceria pelos governos estadual e federal. O anúncio foi feto às 20h50 desta quinta-feira (05/05) pelo governador Eduardo Campos depois de conversar com a presidenta Dilma Roussef e combinar a partilha dos investimentos meio a meio entre os dois governos.

“A presidenta telefonou e garantiu cerca de R$ 320 milhões que correspondem a 50% do custo das obras e da desapropriação. Nós entraremos com a outra metade. É muito importante que a presidenta tenha mostrado seu compromisso com Pernambuco na hora que estamos precisando”, afirmou Eduardo.

A conversa telefônica do governador com a presidenta durou 28 minutos. Dilma ouviu atentamente as explicações de Eduardo e se mostrou solidária com o sofrimento dos pernambucanos. “Vamos trabalhar juntos para reduzir os riscos de que isso volte a acontecer”, frisou.

As barragens que serão construídas já tiveram parte significativa dos trabalhos prévios adiantados pelo governo do estado. Foi feita a topografia para identificar a localização precisa e elaborados os projetos de engenharia para construção. Duas delas terão processo licitatório iniciado em junho. As outras três serão contratadas em licitações abertas em novembro. “Todo o planejamento está concluído e temos condições de ter duas barragens construídas antes do próximo inverno e as outras três no primeiro semestre de 2013”, disse Eduardo à presidenta.

São as seguintes as barragens:

  1. Barragem Panelas 2 – Com capacidade para acumular 17 milhões de m³, será construída no Rio Panelas, afluente do Una, no trecho que corta o município de Cupira. Custo estimado de R$ 35 Milhões
  2. Barragem Gatos – No município de Lagoa dos Gatos, custará R$ 15 milhões. Será construída no Riacho dos Gatos, um afluente do Rio Panelas, que deságua no Piranji, tributário do Una. A capacidade de acumulação é de 6,3 milhões de m³
  3. Barragem Serro Azul – É a maior e a mais cara das 5 obras previstas. Poderá acumular 380 milhões de m³ de água e custará R$ 480 milhões. Ficará no Rio Una em Palmares
  4. Barragem Igarapeba – Será construída no Rio Piranji, afluente o Una, com custo estimado em R$ 46 milhões . A capacidade de acumulação é 42,5 milhões de m³. O município é São Benedito do Sul
  5. Barragem de Barra de Guabiraba – No município de Barra de Guabiraba, construída a montante do município, custando R$ 30 milhões. A capacidade de acumulação é 16 milhões de m³.
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Fonte:http://acertodecontas.blog.br/atualidades/dilma-promete-a-eduardo-bancar-metade-das-barragens-na-mata-sul-de-pernambuco/

No olho da rua: filme aborda desemprego e relações de trabalho

07.05.2011
Do blog FAZENDO MEDIA, 05.05.11
Por


No olho da rua: O único filme brasileiro que foi selecionado, em 2010, pelo Festival Internacional de Montreal (Canadá) para participar da Competição Mundial de Primeiros Filmes e do Festival Internacional Del Nuevo Cine Latinoamericana de Havana (Cuba) – Seção Operas Primas. Estreante em longa-metragem, o cineasta Rogério Corrêa, junto com um elenco que conta, entre outros, com Murilo Rosa, Leandro Firmino da Hora, Pascoal da Conceição e Gabriela Flores, conta uma história a respeito do desemprego no Brasil, a desvalorização do trabalhador e a flexibilização das relações de trabalho.

Na trama, um metalúrgico do ABC Paulista, Otoniel Badaró, 38 anos, é demitido depois de 20 anos trabalhando na mesma fábrica. Com um filho pequeno e a esposa grávida, passa a buscar perspectivas para a sobrevivência diante do desmoronamento da única fonte de sustento da família. O filme estreia em São Paulo e no Rio de Janeiro dia 13 de maio.

O diretor Rogério Corrêa faz cinema desde os anos 1970 e tem no seu currículo mais de 30 curtas e médias metragens. Entre elas, Roças (1975), Tem coca-cola no vatapá (1977), Os Queixadas (1978), Negra noite (1985), Ícaro (1987), Carpinteiros do mar (2005), Duplo território (2009). Corrêa conversou com a Caros Amigos a respeito do novo filme, suas influências, dificuldades e próximos projetos. Confira:

Caros Amigos – Por que a escolha do tema das relações de trabalho e do desemprego para a sua primeira longa-metragem? O que o fez mudar da primeira ideia de fazer um documentário para a elaboração de uma ficção?

O trabalho sempre foi um tema que me interessou muito. Meu primeiro filme, feito ainda na ECA-USP, chama-se ROÇAS, e é sobre as roças comunitárias do município de Barreirinhas, no Maranhão, em 1975. Eu acompanho o movimento sindical há muito tempo. Em 1978 eu fiz um documentário chamado OS QUEIXADAS, que tem como tema a greve dos trabalhadores da fábrica de cimento Perus, em 1962. Neste filme os trabalhadores qua haviam feito a greve reconstituiam o movimento através de um laboratório de memória, ou seja, eles representavam as cenas que haviam vivido realmente.

Acho que o movimento trabalhista é responsável pelo avanço político e social da sociedade. Se não fossem os sindicatos estaríamos trabalhando 18 horas por dia ainda hoje, em condições de escravidão. Eu sempre quis fazer uma ficção mas fui buscar na realidade elementos para construir uma história verossímil.

Caros Amigos – Como se inspirou para a escolha da trama? Como desenvolveu a pesquisa sobre o tema do filme?

Comecei a pensar na história em 1999, quando o número de motoboys na cidade aumentou muito, fruto da falta de emprego para os jovens que chegavam na idade de se profissionalizar.
Comecei a conversar com pessoas que estavam nesta situação e depois entrevistei sindicalistas, economistas e sociólogos que estavam pensando sobre esta situação. A partir daí surgiram os personagens e a trama do argumento.

Caros Amigos – O que definiu a escolha das características do personagem principal, encenado por Murilo Rosa? Existe uma analogia com a sua própria vida?

Murilo interpreta OTON, um metalúrgico, pois percebi que esta era a categoria que mais estava sofrendo o desemprego estrutural. O setor metalúrgico foi o que mais se informatizou, robotizou, e tirou funções do homem passando para as máquinas. A analogia com a minha vida vem do aspecto que o produtor cultural é um cara que está sempre tendo que encarar o trabalho temporário, pois raramente tem trabalho fixo. É uma pessoa que não tem a menor estabilidade e vende o almoço para comprar o jantar.

Caros Amigos – Por que a escolha da cidade de São Paulo?

São Paulo é a minha cidade, embora não tenha nascido aqui. É também a cidade do trabalho, das oportunidades. E se está faltando emprego aqui é sinal que o resto do país também sofre a mesma situação. Ela é o melhor microcosmo para falar do universo do trabalho e da sobrevivência.

Caros Amigos – A profissão do protagonista é justamente de uma das categorias que durante os anos 1980 mais conseguiu se mobilizar para reivindicar por direitos trabalhistas, organizar greves, lutar contra a ditadura, etc. No filme você retrata a tentativa de organização do setor dos metalúrgicos hoje em dia, como você vê o movimento dos trabalhadores na atualidade?

O setor dos metalúrgicos foi o de maior força sindical e foi determinante para reestabelecer a democracia, prova é que fez o presidente da República e muitos outros políticos influentes.
Mas hoje é a atividade que mais sofre concorrência da robotização e a falta de espaço na fábrica leva a categoria a ser temerosa nas lutas por avanços sociais.

Caros Amigos – Como você avalia a produção cinematográfica brasileira nos últimos tempos? E o incentivo público para esse tipo de produção cultural?

O cinema brasileiro está atrás da ampliação de seu público, pois qualidade sempre teve. Nesta busca obsessiva pelo espectadores a produção traz filmes de grande valor e outros nem tanto, como qualquer cinematografia. O filme é arte enquanto está sendo realizado mas vira produto assim que fica pronto. Produto tem que vender, senão a produção para. E esta cobrança para vender é que aflige o cineasta e muitas vezes ele não consegue satisfazer.

Sou favorável a todos tipos de cinema onde o realizador mantenha sua honestidade. Com exceção da indiana, o incentivo público é adotado por todas as cinematografias, a norte-americana inclusive. Mesmo o cinema francês e o espanhol, que produzem grandes filmes ao lado de outros comerciais, têm o apoio do estado, e porisso podem revelar grandes filmes vez ou outra.

Caros Amigos – O custo total do filme foi de 940 mil reais. Quais as maiores dificuldades que enfrentou para filmar o longa com esse orçamento?

Fizemos o filme contando os tostões mas não posso me queixar de ter faltado algo. Fiz o filme que queria, com a equipe e o elenco que queria. Dinheiro é bom mas quando é demais cria compromissos que pesam sobre a criação.

Caros Amigos – Quais são seus próximos projetos?

Meu próximo projeto se chama “Meu lado daqui, seu lado de lá”, um drama romântico passado em São Paulo, tendo como pano de fundo a luta pela recuperação dos rios que cortam a cidade.

(*) Entrevista publicada originalmente na página da Caros Amigos.

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Fonte:http://www.fazendomedia.com/no-olho-da-rua-filme-aborda-desemprego-e-relacoes-de-trabalho/

1º de maio: Artigo com poesias e fotos lembra a história da data que marcou o dia dos trabalhadores

07.05.2011
Da REVISTA CAROS AMIGOS, em 29.04.11
Por Cecilia Luedemann

125 vezes Maio !

Artigo com poesias e fotos lembra a história da data que marcou o dia dos trabalhadores em todo o mundo e que, em 2011, completa 125 anos. Confira.

Com Vladimir Maiakovski, poeta de todos nós, aprendemos a dizer: “Meu Maio”. Caminhando em seus versos, como nas ruas do mundo, nos encontramos na praça pública no dia 1º de Maio, para ouvir e gritar as nossas palavras de ordem, para lutar por nossos direitos como se faz há 125 anos:

maio2A todos
que saíram às ruas
de corpo-máquina cansado,

A todos
Que imploram feriado
às costas que a terra extenua –
Primeiro de Maio!

Meu mundo, em primaveras,
derrete a neve com sol gaio.
Sou operário –
este é o meu maio!

Sou camponês - Este é o meu mês.
Sou ferro –
eis o maio que eu quero!

Sou terra –
O maio é minha era!

maio3

O ano um do Dia Internacional do Trabalhador, acontece em 1866, nos Estados Unidos, quando a Federação Americana do Trabalho e os Cavaleiros do Trabalho, apresentam a proposta de redução da jornada de trabalho aprovada em assembleia:

A partir de hoje
nenhum operário
deve trabalhar
mais de oito horas por dia.
Oito horas de trabalho!
Oito horas de repouso!
Oito horas de educação!

maio4

Depois das oito horas, os operários abandonam as máquinas e saem às ruas, junto às centenas de milhares de trabalhadores de todo país. Em cada um dos estados, a luta persiste até chegarem ao acordo por oito horas de trabalho, ou por 10 horas com aumento de salário. Mas, na maioria dos estados, os patrões reagem com a violência policial ou de grupos de direita armados, como os “Defensores da Ordem”.

Mas, foi em Chicago que a história do 1º de Maio ficou marcada. Eu estava lá, vi e ouvi tudo. Você também há de se recordar. Nós estávamos lá, e participamos da luta de classes, e pelo 1º de Maio na conquista do nosso direito às oito horas de trabalho.

maio6

Em Chicago, coração da indústria norte-americana, a luta é mais sangrenta. Os operários, muitos deles organizados em partidos e sindicatos anarquistas e socialistas, decidem eliminar a interminável jornada de 14 a 16 horas por dia. Os poderosos patrões de Chicago declaram no Chicago Times a sua opinião sobre a reivindicação operária:

A prisão e o trabalho forçado
são a única solução possível para a questão social.
O único jeito de curar os trabalhadores do orgulho
é reduzi-los a máquinas humanas,
e o melhor alimento que os grevistas podem ter é o chumbo.

maio7

Os sindicalistas, August Spies e Albert Parsons, são marcados.

maio8maio9

No jornal Mail, os patrões decidem acusar publicamente August Spies, anarquista que dirige o jornal Arbeiter Zeitung para os milhares de trabalhadores de origem alemã e Albert Parsons, líder sindicalista, fundador da Central Union, e diretor do jornal operário Alarm:

Circulam livremente nessa cidade
dois perigosos cafajestes,
dois canalhas que querem criar desordens.
Um se chama Spies, o outro Parsons.
Vigiai-os, segui-os;
considerai-os responsáveis
se acontecer alguma coisa.
E se algo suceder, eles que paguem por isso.

O 1º de Maio de Chicago se inicia com uma greve vitoriosa. Sábado, fábricas, lojas, transportes, tudo está parado. Milhares de trabalhadores marcham junto com a Federação Americana do Trabalho e os Cavaleiros do Trabalho pela avenida Michigan até a praça Haymarkert.

maio10

Os imigrantes italianos, irlandeses, alemães, poloneses e russos, identificam-se por suas roupas tradicionais. Homens, mulheres, crianças acompanham a manifestação. A Guarda Nacional espalha-se entre as esquinas e no alto dos edifícios. Na praça, oradores fazem seus discursos em diferentes línguas. Parsons também fala, junto com sua esposa e sua filha Lulu, de sete anos. Se os patrões não cedem, decidem manter a greve. E todos voltam, unidos, decididos e em silêncio para suas casas.


maio11
2 de Maio, domingo a organização da greve se amplia. O movimento segue forte. Os patrões têm um plano: colocar a polícia nas ruas para atacar os trabalhadores, prender os grevistas e perseguir os sindicalistas.

3 de Maio, segunda-feira, a polícia atira contra os operários em frente à fábrica McCormick Harvester. O resultado da repressão policial: seis mortos, 50 feridos e centenas são levados para a prisão.


maio12

Spies convida os trabalhadores para uma manifestação contra a repressão, no jornal Arbeiter Zeitung e denuncia:


maio13

A guerra de classes começou. Quem pode negar que os tigres que nos governam estão ávidos do sangue dos trabalhadores. Melhor a morte que a miséria.

Parsons defende uma manifestação pacífica na noite do dia seguinte. Todos devem levar os filhos. Ninguém poderia imaginar o que iria acontecer...

4 de Maio, terça-feira, 7h30 da noite.

maio15

A praça Haymarket está lotada de grevistas em luto. Spies, Parsons e Sam Fielden falam sobre a necessidade de manter a greve pelas oito horas.

No final da manifestação, todos são surpreendidos pela violência de 180 policiais que espancaram centenas de trabalhadores.

De repente, uma bomba explode entre os policiais. 60 são feridos e outros morrem logo em seguida. Era o sinal esperado para o massacre.maio17

A ordem é enviar mais policiais para a repressão em massa. Ninguém escapa: homens, mulheres e até mesmo crianças. A praça fica ensanguentada. Nunca se descobriu a quantidade exata de mortos, pois a ordem foi fazer enterros clandestinos.

É decretado Estado de Sítio. O objetivo dos patrões e do governo: destruir a liderança e derrotar o movimento pelas oito horas de trabalho.

maio18

Inicia-se a caçada aos grevistas. Bandidos são contratados para invadir e destruir a casa dos trabalhadores, espancar os maio19familiares, ameaçar quem continuasse a greve. Dedo-duros infiltram-se no movimento grevista e indicam os lutadores mais aguerridos para serem acusados pelo atentado à bomba.

A farsa tinha sido montada para levar à julgamento os oito líderes: August Spies, Sam Fielden, Oscar Neeb, Adolph Fischer, Michel Schwab, Louis Lingg e Georg Engel e Albert Parsons.

21 de junho de 1886. Durante o julgamento, a farsa é desmontada. As provas e as testemunhas são falsas. Mas, a justiça é comandada pelos patrões. Os oito líderes do movimento pelas oito horas já estavam condenados antes de chegar ao tribunal. Um dos jurados dá a sentença:


Que sejam enforcados.
São homens demais desenvolvidos,
demais inteligentes,
demais perigosos
para os nossos privilégios.

maio20

9 de outubro de 1886. Sentença final.
Cinco são condenados à morte: Parson, Engel, Fischer, Lingg e Spies.
Dois são condnados à prisão perpétua: Fielden e Schwab.
Um é condenado à quinze anos de prisão: Neeb.

maio01

Neeb é o primeiro a falar, depois de ouvir a sentença, e pede para ser condenado à morte, como seus companheiros, pois não pode ser mais inocente que os outros, já que todos são completamente inocentes:

"Cometi um grande crime, excelência. Eu vi os balconistas desta cidade trabalhar até 9 ou 10 horas da noite. Lancei um apelo para a organização da categoria e agora eles trabalham até as 7 horas da noite; aos domingos, estão livres. E isso é um grande crime".

Em seguida, Spies desafia a injustiça dos poderosos:

"Se com o nosso enforcamento vocês pensam em destruir o movimento operário – este movimento do qual milhões de seres humilhados, que sofrem na pobreza e na miséria, esperam a redenção -, se esta é sua opinião, enforquem-nos. Aqui terão apagado uma faísca, mas lá e acolá, atrás e na frente de vocês, em todas as partes, as chamas crescerão. É um fogo subterrâneo e vocês não podem apagá-lo".

Lingg defende a honra da classe trabalhadora:

"Permiti que vos assegure que morro feliz porque estou certo de que centenas, milhares de pessoas a quem falei recordarão minhas palavras".

Parsons, grande orador, fala por mais de uma hora sobre os ideais socialistas para os operários:

"Arrebenta a tua necessidade e o teu medo de ser escravo, o pão é a liberdade, a liberdade é o pão. A propriedade das máquinas como privilégio de uns poucos é o que combatemos, o monopólio das mesmas, eis aquilo contra o que lutamos. Nós desejamos que todas as forças da natureza, que todas as forças sociais, que essa força gigantesca, produto do trabalho e da inteligência das gerações passadas, sejam postas à disposição do homem, submetidas ao homem para sempre. Este e não outro é o objetivo do socialismo".

11 de novembro de 1886. Enforcamento dos líderes grevistas.

maio29

Spies, Engel, Fischer e Parsons são levados para o pátio da prisão para serem enforcados. Lingg suicidou-se na cadeia. Não se acovardam e nem se deixam silenciar diante da morte.

Spies desafia:
Adeus, o nosso silêncio será muito mais potente do que as vozes que vocês estrangulam!

Engel grita:
Viva a anarquia!

Fischer murmura:
Eis o dia mais feliz da minha vida.

Parson é enforcado antes que termine a frase:
Deixem-me falar com o meu povo...

Os operários carregam os restos mortais dos mártires de Chicago. Manifestações pelas oito horas de trabalho se intensificam de Chicago para todo o país e dos Estados Unidos para o mundo. Mas, os trabalhadores nunca se esqueceram da injustiça cometida e exigem a libertação dos inocentes e a condenação dos responsáveis pelo enforcamento dos companheiros.

Apenas em 1892, o governador de Illinois reconhece o assassinato de Estado, anula a sentença, liberta os três prisioneiros e acusa de infâmia o juiz, os jurados e as falsas testemunhas.

maio30

maio31

Em 1889, A Federação Americana do Trabalho propõe que o dia 1º de Maio seja o dia de greve geral pela redução da jornada de trabalho, em memória à luta dos oito companheiros de Chicago. E nesse mesmo ano, um congresso internacional de trabalhadores, na França, decide transformar o dia 1º de Maio em data fixa para manifestação internacional de todos os trabalhadores pela redução da jornada de trabalho para oito horas, dentre outras reivindicações.

Nos Estados Unidos, os oito de Chicago são sempre lembrados no May Day. Todos nós, que lá estivemos junto com nossos companheiros do passado, pela herança de suas lutas, e herdamos as suas conquistas, lembraremos, nas praças, desses 125 anos de luta do 1º de Maio junto com nossos atuais companheiros e companheiras.

maio32

Em homenagem aos 125 anos do 1º de Maio e aos 140 anos da Comuna de Paris, encerramos com o poema de Brecht escrito entre os anos 1948 e 1949 para a peça Os dias da Comuna. Suas lições não perderam a atualidade...

TODOS OU NINGUÉM

Bertolt Brecht
(Peça teatral Os dias da Comuna- 1948-49)

1
Escravo, quem vai te libertar?
Aqueles que estão no fundo mais fundo,
Camarada, vão te ver.
E ouvirão o teu grito:
Os escravos vão te libertar.
Ninguém ou todos. Tudo ou nada.
Sozinho ninguém pode se salvar.
Fuzis ou correntes.
Ninguém ou todos. Tudo ou nada.

2
Faminto, quem vai te alimentar?
Se quiseres um pedaço de pão
Junta-te a nós, nós que temos fome
Deixe que te mostremos o caminho:
Os que têm fome vão te alimentar.
Ninguém ou todos. Tudo ou nada.
Sozinho ninguém pode se salvar.
Fuzis ou correntes.
Ninguém ou todos. Tudo ou nada.

3
Quem, vencido, quem te vingará?
Tu, que fostes golpeado
Junta-te às fileiras dos feridos
Nós em todas nossas fraquezas,
Camarada, vamos te vingar.
Ninguém ou todos. Tudo ou nada.
Sozinho ninguém pode se salvar.
Fuzis ou correntes.
Ninguém ou todos. Tudo ou nada.

4
Quem, perdido, que se atreverá?
Quem sua miséria não mais suporta
Pode, deve se juntar com aqueles
Que por necessidade cuidam
Para que seja hoje e não amanhã.
Ninguém ou todos. Tudo ou nada.
Sozinho ninguém pode se salvar.
Fuzis ou correntes.
Ninguém ou todos. Tudo ou nada.

* Referências:

Livros:
CARTILHA DO NPC: " 2 séculos de lutas operárias"- Rio de Janeiro :Núcleo Piratininga de Comunicação, 2011.

DEL ROIO, José Luiz. 1º de Maio: cem anos de luta (1886-1986). Rio de Janeiro : Global /Oboré/Centro de Memória Sindical, 1986.

Sites:
Chicago Anarchists on Trial
Library of Congress: "American Memory" Project

The Haymarket Riot of 1886 (Chicago Public Library)

Museu de Historia de Chicago
Enciclopédia eletrônica do museu de história de Chicago

Famous Trials
The Haymarket Riot Trial
(State of Illinois v.Albert Spies, et al.) 188
****
Fonte:http://carosamigos.terra.com.br/

EQUADOR: Boca-de-urna dá vitória total a Rafael Correa

07.05.2011
Do blog TIJOLAÇO
Por Brizola Neto


Os resultados recém divulgados de três pesquisas de boca-de-urna apontam uma vitória completa do presidente equatoriano Rafael Correa sobre os setores conservadores naquele país.

Em todas as dez perguntas submetidas ao “sim ou não” dos equatrorianos, o “sim” defendido por Correa venceu: desde a reforma do Poder Judiciário, do sistema bancário e do controle dos meios de comunicação à proibição do jogo comercial, da morte dos touros nas populares touradas do país e a criminalização de manter empregados sem o devido registro junto à previdência social e o enriquecimento ilícito ou não justificado.

É mais uma incontestável vitória do presidente Rafael Correa (veja aqui um ótimo documentário sobre ele), ainda um desconhecido em nosso próprio continente, mas que vai se consolidando como um dos maiores e mais populares líderes de esquerda latinoamericanos.

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Fonte:http://www.tijolaco.com/boca-de-urna-da-vitoria-total-a-rafael-correa/

“Tapacurá rompeu!” O boato de 1975 assustando o Recife em 2011

07.05.2011
Do blog ACERTOS DE CONTAS, 05.05.11

Avenida Guararapes: o povo entrou em desespero com o boato de que a barragem de Tapacurá havia se rompido.

por Hilário Júnior*
do blog Metheoro.net

Na última semana as notícias sobre a chuva em Pernambuco não são nada animadoras.
Primeiro, em JUNHO do ano passado várias cidades de Alagoas e Pernambuco foram atingidas por chuvas torrenciais que arrasaram as mesmas.

Estive em Barreiros, como relatei na época para o Programa Happy Hour da Astrid Fontenelle no GNT, a cidade parecia saída das imagens do terremoto no Haiti. Quase 1 ano depois o que acontece? Palmares, Barreiros e Água Preta são novamente invadidas pelas águas.

Perguntado na televisão (Taí uma coisa, adoraria que a Globo permitisse o embate entre seus jornalistas e as autoridades, ficar sempre passivos na maior parte do tempo é dose) o que estava sendo feito para “salvar” milhares de pessoas (por baixo, mais de 70 mil) da força do Rio Una, o Secretário de Recursos Hídricos (que precisa de uma Fono e de um Media Trainning URGENTE) disse:

Conseguimos a aprovação do projeto para a construção das barragens no Rio… o que… o que (é, ele gaguejou) devem estar prontas em 2013

Isso mesmo, 2013. São no mínimo mais 3 invernos até la. No mínimo mais 3 enchentes. No mínimo mais algumas dezenas de pessoas morrendo, milhares ficando desabrigadas e cidades inteiras arrasadas… mas este post não é sobre Água Preta, Palmares e as chuvas… é sobre o CAOS instaurado no Recife na tarde de hoje, 05 de Maio de 2011 e que a imagem abaixo explica por si só:

Clique na imagem para ampliar

Tudo começou ainda ontem a noite, quando um filme do Cine PE (Festival de Cinema de Pernambuco) teve sua exibição interrompida no meio para que a organização desse um aviso: O Governo do Estado pedia para o festival encerrar as atividades mais cedo na noite de ontem, pois voltaria a chover forte e as ruas ficariam alagadas. Mesmo com a produção do evento pedindo para “não haver pânico”, o contrário foi alcançado com diversas pessoas saindo correndo do Centro de Conveções de Pernambuco.

No dia de hoje, por volta das 12h, chegou as repartições públicas em Recife a notícia de que o expediente seria reduzido (até as 16h) por que a maré começaria a subir, e as ruas possivelmente ficariam alagadas. A partir daí, o boato começou a se espalhar e chegou aos Trending Topics do Twitter…

As comportas de Tapacurá e da Barragem de Carpina foram abertas e a cidade vai ser toda alagada“.

Tapacurá rompeu. Fujam do Recife“.

Deus ajude aos meus parentes em São Lourenço da Mata (cidade na rota do rio capibaribe, que corta toda a cidade do Recife e que ironicamente é onde está sendo construído o estádio da Copa) pois a barragem de carpina transbordou“.

E assim por diante. Várias e várias mensagens, uma atrás da outra, muitas sem sentido que fizeram com Tapacurá fosse parar nos TT’s BR e ficasse la por mais de 4h seguidas. Com esse reflexo, e claro, junto a total falta de capilaridade do Governo do Estado de Pernambuco (@governope) e Prefeitura da Cidade do Recife (@recifeweb) nas redes sociais, fizeram com que o boato se alastrasse para além do Twitter.

Por volta das 16h shoppings e lojas da cidade anunciaram o encerramento das atividades. Faculdades, escolas e universidades idem. Pessoas foram liberadas dos seus trabalhos e ônibus e o trânsito ficaram impossíveis. Por volta das 16h30 a maré de fato começou a subir e o canal da principal Avenida do Recife, a Agamenon Magalhães, transbordou, só corroborando para que o boato se transformasse em “verdade”.

Às 17h, @KarolNogueira divulgou em seu twitter que pessoas estavam comprando pão em uma padaria da cidade onde ela estava para estocar por causa da “enchente”. Minha tia, que tem 70 anos e não usa internet ou sabe o que é twitter direito, me ligou e falou:

- Tu ta em Recife?
- Não.
- Ainda bem, deu na internet que Tapacurá rompeu e que vai alagar tudo.

Só por volta das 17h o Governador Eduardo Campos começou a dar entrevista nas diversas rádios, Ao Vivo, para tranquilizar a população que se tratava de um boato. Às 19h15 o Secretário de Recursos Hídricos, junto com sua péssima dicção e traquejo, apareceram no NETV (jornal local da TV Globo) com imagens e fotos do local, para “tranquilizar” a população também.

E os perfis no Twitter dos orgãos? O que faziam onde tinha surgido o boato, ou seja, no twitter?

O do Governo do Estado só fez UMA postagem sobre o ocorrido -> https://twitter.com/#!/governope/status/66184316044058624

O da Prefeitura fez mais alguns, mas todos com muito tom de propaganda, querendo dizer que a prefeitura estava a postos e fazendo algo -> https://twitter.com/#!/recifeweb

Note que em ambos os casos, quando acabou o “horário do expediente”, as atualizações também pararam. Ou seja, se alguém estiver por aí ainda desnorteado com as notícias não vai ter nenhum tipo de atualização ou resposta rápida por parte dos dois orgãos. Afinal, “as pessoas não usam computador no trânsito”. ERRADO: O Twitter é móvel, perto de 200 mil pessoas em Recife acessam a internet via celular e uma fração destas usam o twitter (para não dizer todas). Onde está a prefeitura para aproveitar esse momento e essa oportunidade? E o governo do estado?

O único orgão público que apareceu mostrando alguma pro-atividade em desmentir o boatos foi o da@Compesa que além de desmentir todos os boatos das barragens, explicou o funcionamento das mesmas, respondeu as pessoas que perguntavam diretamente a eles e pedia para as pessoas darem RT (repassarem) as informações. O problema é que a Compesa tem um número limitado de seguidores: pouco mais de 800.

Qualquer bom gerente de comunicação SABE que em ambientes de crise, os canais de informação abertos, ágeis e com respostas afinadas são sine qua non para se lidar com boatos e afins. Neste caso, os orgãos falharam. E falharam feio. Internet não é lugar de brincadeira. Recife é uma das cidades mais conectadas do Brasil, a prova disso foi o boato sair da esfera da rede e ganhar as ruas com uma velocidade assustadora, onde estão os recursos humanos e financeiros para se dar uma resposta rápida a população em um ambiente “rápido” como a internet? Será que perdidos nas mãos da burocracia?

Pelo que sei, o perfil do Governo do Estado no Twitter é terceirizado, feito por uma agência de propaganda da cidade. ERRADO. Uma ferramenta de comunicação estratégica como esta deveria estar nas mãos da secretaria de comunicação, atrás de uma equipe com agilidade e conhecimento dos meandros da rede. Um boato destes é neutralizado em questão de minutos com a publicação de fotos ao vivo do local; Vídeos e mensagens diretas para as pessoas que estão falando na internet.

Mas para os gestores da comunicação pública da Prefeitura e do Governo, tais ferramentas são apenas depositórios de releases e espaço para propaganda infundada.

Dia 05 de Maio de 2011, segunda década do século XXI, dia em que um boato de 1975 dominou a cidade, congestinou o trânsito, esvaziou o comércio e nos deu o real poder da internet no Brasil e em nossa cidade. Espero que alguém (ou alguéns) aprendam com isso.

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* Hilário Júnior é publicitário, analista de mídias sociais e editor do blog Metheoro.net

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Fonte:http://acertodecontas.blog.br/midia/tapacura-rompeu-o-boato-de-1975-assustando-o-recife-em-2011/#more-53495

O envolvimento secreto da TV Globo com o SNI após o atentado do Riocentro

07.05.2011
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

O ditado popular diz que o peixe morre pela boca.

Algum tempo atrás, a TV Globo fez um site "Memória da Globo", onde tenta apagar a má imagem em alguns episódios golpistas, e sobre seu colaboracionismo com na sustentação da ditadura.

No site, ela se apresenta como "vítima da repressão", dizendo que a redação da emissora fora "ocupada" por militares (supostamente do SNI), para abafar a apuração do atentado do Riocentro.

Então por que ela não dá os nomes dos "repressores" que "ocuparam" a redação? ... Leia tudo aqui.
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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2011/05/o-envolvimento-secreto-da-tv-globo-com.html

Democratizar comunicação para democratizar o Brasil

07.05.2011
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

Reproduzo o teor da palestra que proferi ontem no Encontro dos Blogueiros Progressistas do Rio de Janeiro.

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Boa noite, senhoras e senhores.

Na semana que se encerra, estudo do IBGE revelou que o Rio de Janeiro é um dos dois Estados que ultrapassou São Paulo em termos de riqueza relativa. Como paulista, reconheço que tal fato condiz perfeitamente com o espetáculo de organização e de competência que desaguou nesta edição carioca dos encontros estaduais de blogueiros progressistas. Aceitem, portanto, meus cumprimentos, senhoras e senhores organizadores deste evento.

Democratizar a comunicação para democratizar o Brasil. O tema da palestra encerra possibilidades inesgotáveis. Supõe, primeiro, e com grande propriedade, que nem um, nem outro (comunicação e país) são democráticos. E não são. Se este país AINDA não é totalmente democrático, a comunicação arca com grande parte da culpa.

A comunicação concentrada e antidemocrática que este país ainda tem em pleno século XXI é, ao mesmo tempo, causa e efeito da falta de democracia que nos aflige, ao povo brasileiro.

Definitivamente, ainda não somos um país efetivamente democrático. Não é democrático um país em que um jornalista que assassinou uma garota cheia de sonhos pelas costas, como fez um ex-diretor de Redação de uma das pragas midiáticas que infestam este país, jamais tenha sido punido; não é democrático um país em que os que têm maior instrução formal, se cometerem crime, desfrutam de “prisão especial”, quando, na verdade, supostamente deveriam ter pena maior por terem maior condição de discernir entre o que é certo e errado; não é democrático um país em que o décimo mais rico da população concentra pelo menos metade da riqueza.

E, se alguém perguntar como chegamos a isso, a resposta, fatalmente, será a de que a comunicação viabilizou a tragédia. Ainda durante esta semana ficamos sabendo que, entre 1964 e 1985, no período em que vigeu a ditadura militar, a concentração de renda brasileira, que nada honrosamente figura entre as dez piores do mundo, experimentou um crescimento brutal.

E o que é pior: demorou ainda uma década, após o fim da ditadura, para que essa chaga começasse a diminuir. Foi só partir de 1998, ao fim do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, que o Brasil começou a trilhar de volta o caminho de desigualdade. Ou seja: perdemos cerca de 35 anos para começarmos a nos recuperar de uma tragédia que só se materializou graças à ajuda inestimável justamente da comunicação, da imprensa.

Se fosse “só” isso, não seria tão trágico. O problema é que, além de ajudar a tornar o Brasil um país mais injusto, a comunicação de meados do século passado ainda viu acontecer um imenso roubo de recursos públicos que foram graciosamente doados a legítimos gangsters, que, com o dinheiro dos impostos dos espoliados, erigiram os impérios de comunicação que configuram concentração ainda maior do que a da renda.

Recentemente, pudemos ter a dimensão de quanto dinheiro público os ditadores enterraram nas empresas de comunicação de algumas poucas famílias. Umas das multinacionais que vieram explorar a privataria que se abateu sobre o Brasil na última década do século XX, a Portugal Telecom, vendeu a sua parte no portal de Internet UOL. O preço de um quarto daquela “maravilha” foi de nada mais, nada menos do que 350 milhões de reais.

Um simples portal de internet, portanto, vale coisa de 1,5 bilhão de reais. E é uma parte ínfima da gigantesca e monstruosa hydra em que se constitui a imprensa golpista que ajudou a tornar o país ainda menos democrático do que era quando os militares deram o golpe, nos idos de 1964.

Sim, para democratizar realmente o país haverá que democratizar a comunicação. A comunicação antidemocrática levou os brasileiros a cometerem erros como o de elegerem um Collor, por exemplo. Só ampliando as fontes de informação e o espectro de opiniões é que a sociedade poderá dispor de subsídios para tomar decisões cruciais como a de em quem votar, ainda que tenhamos melhorado muito graças ao método de tentativa e erro.

Mas ainda falta muito.

Nesse aspecto, a internet, que tantos gols vem marcando, está democratizando a comunicação independentemente da urgente democratização dos meios tradicionais, com destaque para a comunicação televisiva, a cereja do bolo comunicacional, que não pode mais produzir um nível como esse de propriedade cruzada daqueles meios. Cada internauta, blogueiro, tuiteiro, ao criar um perfil na rede se torna um meio de comunicação.

Haverá maior democratização da comunicação do que cada cidadão poder ser um meio de difusão em potencial de informações, idéias e propostas? Os encontros estaduais de blogueiros que se espalham pelo Brasil, reunindo centenas de pessoas, simbolizam a nova era que se descortina e finalmente nos vêm dando o meio de democratizar a comunicação para democratizar o Brasil. Antes tarde do que nunca.

Muito obrigado pela atenção.

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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/05/democratizar-comunicacao-para-democratizar-o-brasil/

Bornhausen diz a Aécio para se aliar a Kassab

07.05.2011
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA,05.05.11

O ex-presidente do DEM e braço direito de Gilberto Kassab na articulação do novo PSD, Jorge Bornhausen, aconselhou o senador Aécio Neves (PSDB) a buscar uma interlocução direta com o prefeito para viabilizar seu projeto eleitoral em 2014.

Ele e Aécio conversaram informalmente em Minas em duas oportunidades. Depois de participarem de um jantar na noite de segunda-feira em Uberaba, na casa do deputado Marcos Montes (DEM-MG), ainda almoçaram juntos na casa de outro amigo em comum no dia seguinte. A avaliação no PSD é que Aécio, hoje, está no primeiro lugar da fila de candidatos tucanos à Presidência. Bornhausen vê espaço para o PSD apoiar o tucano.

Um parlamentar que testemunhou os dois encontros e observou a dupla relata ter se deparado com um Aécio "paz e amor" em relação ao PSD. Não por generosidade, observa ele, mas por inteligência política, dada a inconveniência de combater algo que evoluíra da simples ideia de se criar um novo partido para um fato consumado.

Na conversa, Bornhausen falou que o PSD era resultado de uma mudança geracional que está se dando no cenário político partidário e arriscou uma sugestão: "Você tem que abrir a porta dos que são da sua geração. Tem que preparar o terreno para a frente e conversar com o Eduardo Campos (governador de Pernambuco e presidente do PSB), com o Sérgio Cabral (governador do Rio de Janeiro, do PMDB), com Eduardo Paes (prefeito da capital fluminense, do PMDB), e com Kassab".

Trincheira. Aliados de Aécio já se movimentam para assegurar ao ex-governador mineiro canais de interlocução e espaço no PSD. A musculatura adquirida pela agremiação criada por Kassab surpreendeu tucanos em Minas: três deputados federais e quatro estaduais já anunciaram que migrarão para o PSD. A expectativa é que prefeitos e vereadores façam o mesmo em breve. Porém, todos os parlamentares que optaram pela nova legenda estão no arco de apoio de Aécio.

"Seremos uma trincheira para Aécio no novo partido", afirmou o deputado estadual Neider Moreira (PPS), que ocupa o cargo de vice-líder do governo Anastasia na Assembleia Legislativa. "Em Minas José Serra não encontra espaço", disse outro futuro integrante do PSD.

Aecista de primeira linha, o secretário-geral do DEM, deputado federal Marcos Montes (MG), disse Estado que pretende ajudar na interlocução entre Aécio e Kassab. Do jantar na casa dele participaram também Anastasia, o secretário de governo e principal articulador político de Aécio, Danilo de Castro, além do futuro presidente da Vale, Murilo Ferreira. Quando lançou o PSD em Belo Horizonte, Kassab elogiou Aécio.Estado
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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2011/05/bornhausen-diz-aecio-para-se-aliar.html