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terça-feira, 26 de abril de 2011

Ampliação de bolsas para o exterior terá como alvo o doutorado e a “graduação-sanduíche”

26/04/2011
Educação
Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

Brasília
O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse hoje (26) que o plano de expansão de bolsas de intercâmbio deverá mirar o doutorado e a “graduação-sanduíche”, na qual o aluno estuda metade do curso no país e o restante em uma instituição estrangeira. O anúncio foi feito hoje pela presidenta Dilma Rousseff durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Segundo ela, a intenção é conceder 75 mil bolsas até o fim de 2014.

Segundo Haddad, atualmente o Brasil envia para o exterior cerca de 6 mil estudantes do ensino superior. A decisão da presidenta de ampliar esse número de bolsas foi a partir de um diagnóstico de custos feito pelo Ministério da Educação (MEC). Em reunião, o MEC sugeriu que o alvo das bolsas fosse no doutorado em áreas estratégicas como engenharia e física e na “graduação-sanduíche”.

“Na avaliação da Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior], a 'graduação-sanduíche' tem forte impacto no sistema educacional brasileiro porque não é só um indivíduo beneficiado, ele volta para a sua instituição antes da conclusão e os efeitos benéficos dessa forma de bolsa estão sendo muito apreciados pelo sistema”, disse Haddad.


Edição: Aécio Amado
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-04-26/ampliacao-de-bolsas-para-exterior-tera-como-alvo-doutorado-e-%E2%80%9Cgraduacao-sanduiche%E2%80%9D

Cientistas testam missão tripulada para Marte no sul da Espanha

26.04.2011
Da BBC BRASIL
Por Rebecca Morelle

Da BBC News


Teste realizado em Rio Tinto, na Espanha (BBC)

Cientistas querem avaliar condições de viagem para humanos

Uma região inóspita no sul da Espanha está servindo de área de testes para uma eventual missão a Marte por causa de sua semelhanças à superfície do Planeta Vermelho.

''Isso aqui é Marte na Europa'', diz Gernot Groemer, do Fórum Espacial Austríaco. Olhando em volta é fácil dizer o porquê: o cenário é totalmente vermelho, exceto por algumas paisagens verdes que acabam entregando o jogo.

Rio Tinto, no sul da Espanha, é uma antiga área de mineração que com sua formação geológica e química é surpreendentemente similar a Marte.

Gernot Groemer, pesquisador da Universidade de Innsbruck, da Áustria, explica: "Nós temos um mineral aqui chamado jarosita, que é exatamente idêntico ao que existe em Marte''.

O que faz do local um cenário ideal para se testar tecnologia que poderá um dia ser utilizada em Marte.

Superfície da região de Rio Tinto, na Espanha (BBC)

Superfície de Rio Tinto, na Espanha, se assemelha a Marte

Um dos artefatos que está sendo utilizados é um simulador de roupa espacial chamado Aouda.X.

A roupa espacial faz uso de sistemas de apoio à vida a bordo e se vale de computadores de última geração especialmente concebidos para proteger os astronautas das condições hostis de Marte.

Temperaturas baixíssimas, um ambiente nocivo e um constante bombardeio de radiação mortal são apenas alguns dos horrores a que um ser humano estaria sujeito em Marte.

Amostras

Em Rio Tinto, a equipe está investigando se seria possível em uma futura missão a Marte coletar amostras sem contaminá-las de alguma forma.

''Este é um grande tema na astrobiologia. Quando nós procuramos traços de vida extinta ou de vida ainda existente em Marte, se nós encontrarmos algo, precisamos realmente nos assegurar de que essa substância é nativa e que ela não veio de 'carona' da Terra'', afirma Groemer.

Além dos potenciais astronautas, estão sendo testados também veículos ao longo do terreno rochoso vermelho, entres eles um protótipo chamado Eurobot.

Phillippe Schoonejans, chefe do escritório de robótica da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), conta que o modelo é um robô que conta com dois braços e visão estéreo e que ele é um ''robô com características humanas, mas capaz de fazer coisas que são difíceis demais de serem feitas ou então muito perigosas ou muito chatas para serem realizadas por astronautas''.

Futuro

A possibilidade de realizar uma missão tripulada a Marte ainda é cercada de dúvidas e ceticismo. Ainda que algumas agências especiais tenham expressado interesse em realizar expedições com humanos, ainda não foram feitos planos definitivos.

Sonda espacial testada em Rio Tinto, na Espanha (BBC)

Cientistas também estão testando sondas espacias

Cientistas dizem que é preciso começar a planejar desde já, caso tenhamos planos de ir a Marte.

Scott Hovland, um cientista da ESA, afirma acreditar que ''diante da tecnologia que temos hoje em dia, nós somos capazes''.

"Mas ainda há a necessidade de desenvolver novas tecnologias. Precisamos de métodos melhores para levar as pessoas para lá, com sistemas de propulsão mais poderosos, para encurtar a duração da viagem. Esse tipo de coisa. Mas estou certo de que ainda durante nosso tempo de vida, haverá uma boa chance de ver algo assim acontecer'', afirmou Hovland.

Germet Groemer afirma que é impossível prever como vai ser a tecnologia daqui a 20 ou 30 anos. ''Mas seja lá como forem os microchips, seja qual for a camada de proteção da roupa roupa espacial, estou certo de que...grandes idéias e procedimentos podem ser definidos agora, e é isso que estamos fazendo neste lindo lugar. Isto é um ensaio para a maior jornada já feita por nossa civiliação''.

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Vargas Llosa no Cone-Sul: entre elogios e bordoadas

26.04.2011
Do portal OPERA MUNDI, 22.04.11
Por Denise Mota | Montevidéu

É necessário estar atento aos ditames do relógio quando o encontro é com Mario Vargas Llosa. Às sete em ponto da noite, como combinado, o vencedor do Nobel de Literatura 2010 se materializava, na semana passada, frente às poucas dezenas de jornalistas credenciados para o que foi seu primeiro compromisso público no Uruguai, o penúltimo destino de uma visita que Llosa empreende pelo Cone Sul e que terminará na Argentina, onde foi convidado –sob polêmica—para inaugurar a Feira do Livro de Buenos Aires.

De antemão, a editora Alfaguara –casa que publica o mais recente livro do autor, O Sonho do Celta, e que organizou a viagem do peruano a Montevidéu—avisa que ele se apresenta no país “na qualidade de escritor” e que, portanto, perguntas de teor político não são bem-vindas. A tentativa tão vexatória quanto ingênua de cercear o que Llosa possui de mais marcante –e intrigante—em sua faceta pública resulta inócua: depois de 20 minutos de morna conversa com a imprensa local, dispara: “De jeito nenhum votarei na senhorita Keiko Fujimori. Significa a ressurreição de uma das ditaduras mais cruéis e mais corruptas que já tivemos na história do Peru”.

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Sobre O Sonho do Celta, romance histórico que chega ao Brasil em maio, nenhuma palavra. É que Llosa, apesar de mencionar repetidamente os dissabores que o prêmio sueco vem lhe causando (disse, elegantemente, que se vê tão assediado que não tem tempo de trabalhar, pelo menos não no seu ritmo, “que costuma ser bastante sistemático e disciplinado”), pode se reservar hoje, mais do que nunca, o direito de falar do que deseja. E o que mais vem lhe exigindo elaboração mental são três fatores: as eleições em seu país, que chegam ao segundo turno em 5 de junho; o desenvolvimento de um novo livro, o ensaio A Civilização do Espetáculo, e a polêmica que se desencadeou em torno de sua figura, no meio político e cultural argentino, depois de haver sido convidado para dar início ao evento literário mais importante daquele país.

Em Montevidéu que o recebeu algo deslumbrava. Na capital uruguaia, recebeu o título de “visitante ilustre” e cumpriu uma agenda apertadíssima, participando de compromissos prestigiosos como proferir a Lectio Inauguralis (aula que dá início ao ano letivo) da Universidade Católica do Uruguai, e encontrar-se com a prefeita da cidade. Sua presença, no entanto, não deixou de refletir as conflituosas reações suscitadas pelas posturas neoliberais defendidas pelo escritor - como acontece com Llosa em todas as partes do mundo, alvo de elogios ilimitados, mas também de bordoadas.

Efe
Vargas Llosa em entrevista coletiva em Montevidéu

“A esse senhor não se deve fazer o favor de atacá-lo nem de lhe jogar ovos podres porque, provavelmente, é o que mais lhe convém”, atacou Eduardo Galeano --filho pródigo da capital uruguaia— em entrevista ao jornal Tiempo Argentino, um mês antes de o peruano chegar a Montevidéu. “A melhor publicidade que pode ter algo ou alguém, seja um produto ou uma pessoa, é a proibição”, avaliou, sobre o rechaço ao escritor de Pantaleão e as Visitadoras presente em setores da sociedade argentina, por conta de suas constantes críticas ao kirchnerismo.

Na terra do autor de As Veias Abertas da América Latina, o Nobel preferiu se ater à política de seu próprio país e afirmou que Keiko Fujimori nunca se distanciou do governo de seu pai, Alberto --com quem Llosa concorreu e perdeu nas eleições presidenciais de 1990--, senão que defendeu esse regime ao longo do tempo. E que no último dia 5 de abril (quando se completaram 19 anos do autogolpe perpetrado por Fujimori, em 1992) a peruana havia celebrado a data.

À imprensa local, a candidata tem garantido que uma manobra semelhante “não se repetirá”, mas que o ato de seu pai havia se dado em um momento “excepcional”. Para Llosa, com a vitória da filha de Fujimori, “os ladrões e os assassinos que foram condenados pelos tribunais civis, em julgamentos impecáveis, passariam a governar o Peru novamente”. E enfatizou: “Isso, sem lugar a dúvida, não quero para meu país”.

Sobre Ollanta Humala, afirmou que o apoiaria sempre e enquanto mantivesse em atos o que vem garantindo em palavras: que seu modelo de esquerda se espelhará mais na moderação do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva do que no do venezuelano Hugo Chávez. “De todos os modos, as velhas ideias sempre estão aí”, ressaltou, em alusão ao programa de governo oficial que o ex-militar registrou junto ao tribunal eleitoral de seu país.

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Dias depois de deixar o Uruguai, o escritor abandonaria as ressalvas para afirmar categórico, em Buenos Aires, que votará em Humala. “E vou pedir aos peruanos democráticos que façam o mesmo.”

A história vem se mostrando arredia às escolhas ideológicas de Llosa, mas o autor de rosto anguloso, vestimenta clássica e impecável, cabelo prateado dividido infalivelmente a um lado da cabeça –imagem que mantém há muitos anos e que está imortalizada na maioria dos registros fotográficos que tem o intelectual de 75 anos como tema—também continua o mesmo no que diz respeito a suas preferência políticas e as avaliações que faz da contemporaneidade.

“Creio que esta é a primeira vez que no Peru ninguém questiona o resultado eleitoral, estão todos de acordo em que se expressou a vontade popular. Naturalmente, os resultados não são do meu gosto, porque não votei em nenhum dos que terminaram finalistas. Votei em [Alejandro] Toledo (presidente peruano entre 2001 e 2006). Mas a democracia é isso”.

Seu projeto editorial em gestação espelha essa sorte de resignação compulsória, de desgosto ativo do autor com relação às mudanças que o século 21 vem impondo aceleradamente sobre alguns dos pilares do pensamento tradicional para a compreensão das dinâmicas sociais. Se politicamente Llosa está sendo obrigado a dobrar à esquerda –ainda que “sem alegria e com muito temores”, como afirmou esta semana na Argentina, com relação ao voto declarado em Humala--, intelectualmente se ocupa de analisar os novos fetiches da sociedade da informação.

As onipresentes redes sociais, a instituição do e-mail e das mensagens de texto como meio de comunicação essencial, a valorização (considerada excessiva pelo autor) da cultura de massas, a desmitificação da literatura como ferramenta para a formação do pensamento, ou como meio de atingir uma compreensão mais elaborada do homem e seus conflitos, são elementos que estarão presentes em seu próximo lançamento literário, do qual já tem terminada uma primeira versão, mas que ainda não o deixa “muito contente”.

“O espetáculo em geral, a diversão, o entretenimento parecem ter se convertido em valores centrais”, comenta. Seu ensaio tratará de analisar “os efeitos que isso tem nos campos que tradicionalmente estão relacionados com a vida cultural”, fenômeno “muito interessante, novo e que afeta pela primeira vez e do mesmo modo tanto os países desenvolvidos como os chamados países do Terceiro Mundo”.

Comemora a “impossibilidade” de que se estabeleçam mecanismos de censura, tendo em vista o alcance imediato e sem fronteiras da internet e o acesso amplo ao registro e à transmissão de fatos proporcionada pelas tecnologias audiovisuais. Mas acrescenta que, ainda que os avanços tenham sido “extraordinários”, nem tudo são flores.

Sobre o incontornável e-mail, por exemplo, afirma: “Dizia-se que os monitores haviam ressuscitado a arte da correspondência, algo que estava quase extinto. No entanto, quando vejo como se comunicam os jovens, às vezes dá para ficar um pouco horrorizado com o empobrecimento atroz da linguagem”.

Quanto à proliferação dos meios de comunicação e da consequente diminuição do caráter formal da expressão, Llosa se ressente da perda de poder da literatura, seja como veículo de ideias, seja como arte que alguma vez possuiu a capacidade de influenciar decisões e modelar comportamentos, já que deve competir com muitas outras formas de entretenimento.

“Ainda que existam muitos mais leitores do que no passado, e acho que essa sim é uma realidade estatisticamente demonstrada, provavelmente a literatura significa muito menos para quem lê hoje do que significava no passado.”
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MP dos Hospitais Universitários gera debate sobre privatização na saúde

26/04/2011
Educação Política Saúde
Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

Brasília
– A dicussão, na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados, sobre a Medida Provisória 520, que cria a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), gerou debates sobre a privatização na saúde pública.

Pelo texto da MP, assinada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último dia de mandato, o objetivo é apoiar a prestação de serviços médico-hospitalares, laboratoriais e de ensino e pesquisa nos hospitais universitários federais.

O diretor dos hospitais universitários do Ministério da Educação, José Rubens Rebelatto, alegou que, com a criação da Ebserh, os hospitais universitários vão passar a atender exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e que, portanto, não haverá privatização.

“O capital total será da União e os recursos públicos serão gerenciados por instituição pública”, disse, durante audiência pública na comissão. Ele destacou que é preciso regularizar a situação de cerca de 28 mil profissionais de saúde terceirizados, distribuídos atualmente nos 46 hospitais universitários do país.

Já o coordenador-geral da Federação de Sindicatos de Trabalhadores em Educação das Universidades Brasileiras (Fasubra), Paulo Henrique dos Santos, lembrou que o próprio texto prevê uma subsidiária para a Ebserh e, portanto, uma abertura para o que chamou de “interesses privatistas”.

“A educação não tem como ser tratada como mercadoria. O hospital universitário não pode atender à lógica de mercado”, disse Santos. A MP institui o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) na contratação de pessoal, que será selecionado por meio de concurso público.

O representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Gervásio Foganholli, expressou preocupação diante da possibilidade de criação da Ebserh. Ele avaliou que há um discurso “até convincente” de melhorar a qualidade do ensino e do atendimento de pacientes. “Mas temos alguns exemplos de que isso não tem dado certo”, afirmou.

Outro problema apontado pelos participantes da audiência pública foi a perda de autonomia por parte das universidades, uma vez que quem vai passar a defender as prioridades na contratação de profissionais de saúde será a empresa.

Para o representante do Departamento de Segurança e Saúde do Trabalho do Ministério do Trabalho, Fernando Vasconcelos, a MP precisa ser mais debatida e ir além dos interesses dos servidores e dos trabalhadores de saúde.

“Temos que saber se a proposta permitirá avanços na qualidade da gestão, na perspectiva de modernizar. E não apenas se trata de uma modalidade pública ou privada”, disse.

Edição: Lana Cristina
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-04-26/mp-dos-hospitais-universitarios-gera-debate-sobre-privatizacao-na-saude

FHC admite possibilidade de fusão entre PSDB

26.04.2011
Da FOLHA.COM
Por SAMY ADGHIRNI
DE SÃO PAULO

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu nesta terça-feira que existe a possibilidade de fusão entre o PSDB e o DEM, mas ressaltou que as conversas são "preliminares".

"Existem propostas nesse sentido. São aspectos delicados. Acho que o mais importante é manter a coesão dos partidos e, desde logo, dizer: aconteça o que acontecer, vamos nos manter unidos com certos objetivos maiores. Não sei qual a tendência, se vai haver fusão ou não", afirmou FHC.

Alckmin afasta Afif de secretaria e abre espaço para o DEM
PSDB ensaia movimentação para evitar novas baixas
Secretário de Kassab, Walter Feldman deixa PSDB

Adriano Vizoni - 18.abr.2011/Folhapress
FHC admitiu que existe a possibilidade de fusão entre o PSDB e o DEM, mas ressaltou que as conversas são 'preliminares'
FHC admitiu que existe a possibilidade de fusão entre o PSDB e o DEM, mas ressaltou que as conversas são 'preliminares'

Ele, no entanto, negou relatos de que se reuniria amanhã com lideranças do PSDB para discutir a eventual fusão com a outra grande sigla oposicionista.

"Se tem reunião marcada eu não estou sabendo", brincou o ex-presidente.

As declarações forem feitas durante evento no Instituto FHC que debateu a situação política e econômica na Venezuela e recebeu várias lideranças de oposição ao presidente Hugo Chávez.

Mas o ex-presidente deixou claro que sua preocupação mais urgente é a debandada nas fileiras tucanas, em especial a saída do ex-deputado Walter Feldman do PSDB para o PSD, recém criado por Gilberto Kassab.

"Eu acho lamentável a saída de qualquer pessoa, sobretudo de uma pessoa importante. No momento nós devemos fazer um esforço pela coesão. Faço até mesmo um apelo. Não é o momento de ampliar divisões", disse o presidente de honra da PSDB.

"Se quisermos ter um objetivo maior, como têm os venezuelanos hoje, que é de voltar a ter uma situação em que o PSDB possa exercer um papel construtivo na república, temos que estar unidos", afirmou, numa referência à próxima disputa presidencial de 2014.

Segundo ele, "esse esforço implica em que as várias tendências do partido entendem que tendências são normais, que opções por pessoas são normais. O que não é normal é ruptura", acrescentou.

O ex-presidente não discursou durante o evento, mas elogiou os participantes do encontro, em especial a liberdade de tom dos jovens oposicionistas venezuelanos, que fizeram duras críticas a Chávez.

FHC disse que, ao contrário dos jovens venezuelanos, prefere ser cada vez mais prudente com declarações públicas e brincou com a polêmica gerada pelo recente artigo publicado na revista "Interesse Nacional", no qual defendeu que o PSDB desistisse dos votos do "povão" para investir na nova classe média.

"Passei a ser cautelosíssimo. Pensei que ninguém fosse ler", disse, arrancando gargalhadas do auditório.

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Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/poder/907631-fhc-admite-possibilidade-de-fusao-entre-psdb-e-dem.shtml

Forsoft 2011 abre inscrição para formação profissional de jovens de comunidades pobres

25/04/2011 -
Cidadania
Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro
– As empresas que desejarem ser madrinhas de jovens de comunidades pobres têm até 15 de maio para se inscrever no curso gratuito de formação profissional de programadores em software (programas de computador) Forsoft Rio. O projeto é uma parceria entre o Ministério da Ciência e Tecnologia, por meio do programa de promoção da excelência do software brasileiro Softex, a prefeitura do Rio de Janeiro e a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação, Software e Internet regional Rio (Assespro-RJ).

O coordenador-geral do projeto, Ricardo Saur, disse hoje (25) à Agência Brasil que o novo Forsoft 2011 vem com a experiência dos erros e acertos do curso que foi lançado de forma experimental há cinco anos, por iniciativa do então ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, com a ideia de ser um modelo nacional de aprendizagem.

A proposta foi levada ao governo à época pela Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), que se incumbiu do gerenciamento do projeto até o ano passado. Os investimentos envolvendo recursos públicos e privados somaram R$ 8 milhões. No Forsoft 2011, a gestão passa a ser feita pela Assespro-RJ.

Saur disse que um dos erros contornados foi a adoção apenas do ensino a distância. A nova metodologia, já testada no Forsoft 2010, mescla aulas presenciais, com professores de tecnologia da informação (TI) em sala, com aulas virtuais.

A presença de monitores durante as quatro horas de aula diárias que são ministradas de segunda a sexta-feira, totalizando 20 horas por semana, foi, na opinião de Saur, o elemento importante para os ganhos em termos de aprendizado. “O aprendizado foi lá para cima”, disse. Ele afirmou ainda que uma frustração da primeira edição do Forsoft foi suprida agora: os futuros programadores vão receber aulas de inglês técnico. “É fundamental noções de inglês para um bom programador”.

Um acerto incorporado desde o início do projeto foi a obrigatoriedade, pelas empresas madrinhas, de recrutamento dos alunos ao fim do curso, afirmou. Ele também destacou a evolução do material de ensino para a melhor qualidade do aprendizado . “Outra coisa interessante foi o material desenvolvido. Esse foi um grande sucesso”, disse.

A gestão do modelo levou os organizadores a aprender o que fazer e o que não deveria ter continuidade. Outra descoberta foi que o curso em comunidades pobres não poderia ultrapassar a duração de seis meses, em função do elevado índice de evasão. “Curso de um ano em comunidade carente é um risco, porque a evasão é muito alta”, disse.

O material a ser usado no Forsoft 2011 é propriedade do MCT. O projeto é direcionado para alunos de nível médio que tenham concluído o curso ou estejam no último ano. Os alunos poderão se inscrever no portal da prefeitura carioca, em data ainda a ser anunciada. A edição do ano passado teve 90 vagas, com três turmas de 30 alunos. O número de inscrições chegou a mil estudantes. O Forsoft 2010 formou 62 programadores, dos quais mais da metade foram contratados. “As oito empresas que foram as madrinhas querem repetir [a participação] este ano”.

Ricardo Saur disse que a meta, em 2011, é atender 150 alunos. O Forsoft contribui para diminuir o problema de escassez de mão de obra para o setor de TI no país, na medida em que apresenta um novo modelo de capacitação. “O cara que entra no curso já entra competindo por um lugar na empresa”. A participação gera também benefícios para a sociedade. “Você vê como aquilo mexe com a vida deles [alunos, da comunidade, da família”.

Saur enumerou, entre as principais vantagens para as empresas da contratação de alunos do Forsoft, o empenho do futuro programador e a qualidade do ensino. “A média de comparecimento é 94% por hora de aula”. O Forsoft 2011 começará no dia 13 de junho e vai até 15 de dezembro.

Edição: Aécio Amado
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-04-25/forsoft-2011-abre-inscricao-para-formacao-profissional-de-jovens-de-comunidades-pobres

A sociedade quer opinar

26.04.2011
Do blog de Rodrigo Vianna


Parte da sociedade civil está se mobilizando para garantir que a população possa decidir os rumos da reforma política que está sendo debatida pelos parlamentares. Reportagem da TV Inesc debate a questão, mostrando a iniciativa que reivindica uma democracia mais participativa.

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Blog do Mello: por que Ali Kamel não publicou no “JN” a agenda do terror?

26.04.2011
Do blog de Rodrigo Vianna

Do Blog do Mello

O Jornal Nacional de hoje não deu uma palavra sobre as reportagens de Chico Otavio e Alessandra Duarte publicadas em edições do jornalão das Organizações Globo.

Talvez porque sejam boas, bem feitas e com denúncias que não interessam ao doutrinador da Opus Dei (sei que ele só fez o curso, mas falo de ideologia e não de religiosidade).

Os repórteres de O Globo (os da TV Globo ficaram vendo Xuxa) tiveram acesso à agenda que estava no bolso do sargento Guilherme Pereira do Rosário, o agente que deixou que explodisse em seu colo a bomba que era para causar um pandemônio no show do Dia do Trabalhador de 1981, que vai completar 30 anos no próximo domingo, que ficou conhecido como a Bomba do Riocentro.

Na agenda, nomes e telefones de agentes da repressão, gente insatisfeita com a entrega do poder aos civis.

Na segunda metade dos anos 70, o governo Geisel determinou a desmobilização da máquina de torturar e matar nos porões do regime, que mudou de direção, indo da brutalidade para ações de inteligência, com a reestruturação dos DOIs. Descontentes com as mudanças, sargentos como Rosário, sobretudo os paraquedistas arregimentados anos antes pela repressão, transformaram-se em braços operacionais de grupos terroristas de extrema direita. Rosário e sua turma foram buscar na ação clandestina, fora da cadeia de comando, o poder gradativamente perdido.

Da comunidade de informações, a caderneta de telefones de Guilherme do Rosário trazia, por exemplo, o nome de Wilson Pinna, agente da Polícia Federal aposentado. Entre 1979 e 1985, Pinna trabalhava no Dops, na coleta e análise de informações. Era um dos que, por exemplo, iam a assembleias, protestos, comícios e outras reuniões para ver quem dizia o quê. Pinna chegou a, por exemplo, coordenar a análise de informações do movimento operário da época.
(…)
Aposentado da PF em 2003, Wilson Pinna foi exonerado, em 2009, de cargo comissionado que ocupava na assessoria de inteligência da Agência Nacional de Petróleo (ANP), após ter sido acusado pela Polícia Federal como o autor do falso dossiê contra o então diretor do órgão, Victor de Souza Martins, irmão do então ministro da Comunicação Social, Franklin Martins. Pinna foi denunciado na 2ª Vara Federal Criminal do Rio pelos crimes de interceptação telefônica ilegal e quebra de sigilo fiscal.[Leia a íntegra das reportagens aqui e aqui]

No trecho que destaquei em negrito está a explicação do motivo de Kamel não levar ao ar uma reportagem sobre o assunto. O JN comprou como verídica a armação contra o irmão de Franklin Martins (o alvo de Kamel e da Globo). ===

Confira o restante do artigo no “Blog do Mello”

Leia outros textos de Outras Palavras

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Bloco Minas Sem Censura: Jatinho de Aécio não viaja em céu de brigadeiro

26.04.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Por Conceição Lemes

O senador Aécio Neves (PSDB) faz aniversário em 10 de março. Dizem os astrólogos que os 30 dias anteriores à data correspondem ao nosso inferno astral. O do ex-governador mineiro parece estar fora de época. Começou na madrugada do dia 17 de abril, quando foi parado por uma blitz no Leblon, Rio de Janeiro, e se recusou a fazer o teste do bafômetro. E tudo indica não deve terminar tão cedo.

Pelo menos é a leitura pessoal da entrevista que fiz com Bloco Minas Sem Censura (MSC), criado em 2011, mas gestado desde 2003. Ele é resultado da união das bancadas do PT, PMDB, PCdoB e PRB na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O MCS tem 23 deputados num total de 77. O Bloco tem um site, que só divulga o que pode comprovar. Nos últimos dias, até furos jornalísticos deu. E novidades estão a caminho. Confira a entrevista.

Viomundo — Para quem acompanha Minas Gerais apenas pela “grande imprensa”, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) é tudo de bom. O genro que muita mãe sonha ter: bonitão, charmoso, fala mansa, bem-sucedido, boa família. E o político que muitos imaginam na presidência da República devido à versão de que ele fez uma gestão primorosa como governador do estado de 2003 a 2010. O teste do bafômetro carimbou essa imagem pública? Até que ponto o episódio abre brecha para que se conheça de verdade o que foram os oito anos de Aécio como governador de Minas?

Minas Sem Censura — O episódio recente, no Leblon, Rio de Janeiro, deixou o eleitor dele e admiradores perplexos e decepcionados. Pela possibilidade de estar embriagado no trânsito, pela recusa ao teste do bafômetro, pelo tratamento privilegiado quando autuado e, principalmente, pelas revelações posteriores sobre o Land Rover e outros carros de luxo. Revelações que abrem suspeitas sobre ocultação de patrimônio, o que seria crime fiscal.

As tentativas da assessoria e de seus amigos de dissimular os fatos só pioraram a percepção do ocorrido. Ele foi pego às 3h58 da madrugada de domingo em circunstâncias bem óbvias. Tentaram fazê-lo de vítima, como se as críticas fossem invasão de privacidade. Ora, um ex-presidente da Câmara de Deputados, ex-governador de Minas e senador da República se envolve em duas ocorrências policiais definidas como gravíssimas, dirigindo um carro de uma empresa de rádio mineira, que foi transferida para sua propriedade no apagar das luzes de 2010, e ainda reivindica tratamento privativo? O cidadão comum, mesmo aquele que o admira, ficou decepcionado. Afinal, a rua não é sala VIP de aeroporto.

Viomundo – O que vem a ser o Bloco Minas Sem Censura?

Minas Sem Censura – É a união das bancadas parlamentares estaduais, de quatro partidos, prevista regimentalmente na Assembléia Legislativa (ALMG). Ou seja, é um bloco institucional. O Minas Sem Censura (MSC) é composto pelo PT, PMDB, PCdoB e PRB. Seus líderes e vice-líderes oficiais são: Rogério Correia (PT), Antônio Júlio (PMDB), Gilberto Abramo (PRB), Paulo Lamac (PT), Ivair Nogueira (PMDB) e Ulisses Gomes (PT). O MSC tem 23 deputados estaduais (num total de 77), sendo 11 do PT, 8 do PMDB, 2 do PCdoB e 2 do PRB.

Viomundo –Como, quando e por que surgiu?

Minas Sem Censura – Na verdade, o Bloco é resultado de oito anos de resistência política, do acúmulo programático das disputas pelo governo do estado em 2002, 2006 e 2010 e do entendimento de que Minas carece de um projeto de desenvolvimento, com distribuição de renda. Esses 23 deputados são bem distribuídos no estado, a maioria é experiente. A constituição do Bloco incentivou os diretórios dos partidos e suas bancadas federais a se unirem também. Tal movimento é inédito em Minas.

Viomundo – O “sem censura” é uma resposta política ao silêncio que Aécio impôs à mídia mineira?

Minas Sem Censura – Não só à mídia. Mas ao silêncio de várias outras instâncias, como o Tribunal de Contas do Estado, o Ministério Público Estadual, o Tribunal de Justiça, a própria Assembleia Legislativa, os meios acadêmicos… Ainda que nessas instituições existam pessoas dispostas a resistir, suas lideranças e dirigentes sempre se afinaram com o projeto pessoal de poder de Aécio. Em conseqüência, ficou parecendo para o Brasil que Minas é uma ilha de prosperidade. O que é falso. O caso mais gritante é o da nossa Assembleia Legislativa, que se tornou homologatória das ordens do governo, sem autonomia.

No caso específico da mídia mineira, a distribuição de verbas de publicidade tem servido à compra da adesão ao governo. No caso da nacional, a despeito de gastos do governo com publicidade, a adesão é mais ideológica. O perfil neoliberal e privatista de Aécio é bem visto por essa mídia nacional.

Viomundo – Aqui em São Paulo o ex-governador José Serra (PSDB) “pedia a cabeça” de jornalistas que ousavam perguntar algo que não estivesse no script acertado com a sua assessoria. O que aconteceu em Minas com os jornalistas “desobedientes”?

Minas Sem Censura – Vários documentários, denúncias do Sindicato dos Jornalistas, relatos formais e informais de repórteres e empresários de comunicação demonstraram o tacão disciplinador de Aécio. Muitos “desobedientes” foram demitidos, outros transferidos. Isso fez com que a autocensura se tornasse prática comum nas redações. Aqui, algumas empresas jornalísticas aderiram – ideologicamente! — ao projeto de poder pessoal dele.

Agora, ele não usou apenas o tacão disciplinador como forma de impor adesões. Ele conseguiu principalmente a adesão da elite empresarial do estado para o projeto de recolocar Minas com peso no cenário nacional, sob o argumento de que isso seria conseguido com sua eleição à presidência da República.

Aécio Neves é produto de circunstâncias bem identificáveis. Herdou um governo caótico, o de Itamar Franco, que por sua vez foi vítima da herança de dois governos tucanos: a do governador Eduardo Azeredo (1995-98), que legou a Itamar um estado “quebrado”; e a do FHC (1999-2002), que prejudicou Minas o quanto pode enquanto esteve na presidência da República.

Aí, o então governador “nadou de braçadas”. Aécio surge nesse contexto e monta, para si, uma poderosa máquina de produção e posicionamento de imagem. Tudo isso orientado para seu projeto pessoal de poder.

Viomundo – No site de vocês é dito que se vive em Minas “um atípico estado de exceção”. É dito ainda que Aécio adotou práticas que constrangem também juízes, procuradores, promotores, conselheiros, movimentos sociais, intelectuais, acadêmicos e pesquisadores etc. Que práticas são essas?

Minas Sem Censura – Isso inclusive inspirou o nosso nome. Não é um estado de exceção típico, como ocorreu na Alemanha nazista, com a suspensão formal de direitos universais. Mas um estado de fato de exceção, onde o poder econômico do governo compra a adesão ou impõe o terror da distribuição discriminatória de recursos.

As más práticas já denunciadas: dificuldades de tramitação de pedidos de suplementação orçamentária para instâncias que deveriam ser mais autônomas, alocação discricionária de recursos para prefeitos, profusão de consultorias contratando mão de obra nas universidades (para suas pesquisas e relatórios pouco produtivos), interferência na eleição das direções de várias instituições. Um exemplo bem elucidativo: enquanto Lula acatava a indicação do “primeiro” da lista tríplice para a titularidade da Procuradoria Geral da República, Aécio nunca optou por esse caminho em relação ao Ministério Público Estadual.

Viomundo – Se o Bloco tivesse de selecionar três fatos ou obras do governo Aécio, vendidos como exemplos de probidade e gestão competente mas que não correspondem à verdade, o que destacaria?

Minas Sem Censura – Vamos lá.

1) “Déficit zero” – Se verdade, significaria o equilíbrio entre receitas e despesas. Só que o professor Fabrício Oliveira comprovou que foi um simples exercício de “contabilidade criativa”. Nada mais é que do que a manipulação de rubricas variadas, de forma a produzir resultados artificiais de equilíbrio fiscal, que não são verificáveis no caixa do governo. Além, claro, de arrocho salarial e restrição de recursos para saúde e educação, a ponto de não cumprir os “mínimos constitucionais” exigidos para essas áreas.

2) “Choque de gestão” – Além do falso “déficit zero”, o choque se completa com a intrusão de ferramentas gerenciais privadas nos processos de gestão públicos, como se estas fossem curar todos os males da máquina administrativa . Aí, vem os técnicos e criam “ilhas de excelência”, ou seja, algumas políticas públicas restritas, apenas para que sirvam de propaganda de êxitos que são, na prática, questionáveis e muito parciais.

Ao final, o estoque da dívida real do estado cresceu de 33 bilhões, em 2003, para 59 bilhões de reais em 2011. Mantêm-se as fortes desigualdades regionais que caracterizam Minas e cresce a desindustrialização no estado. O próprio Itamar, hoje aliado de Aécio, se refere ao choque de gestão como “uma conversa fiada”. O artigo crítico do professor Fabrício Oliveira (Choque de Gestão: verdades e mitos) pode ser encontrado em http://migre.me/4kShA.

3) Centro Administrativo – Desnecessário e na contramão da tendência mundial contemporânea de descentralização. Mais de R$ 1,5 bilhão foi gasto para produzir uma obra destinada a criar uma imagem “Kubitschek” de empreendedor, desenvolvimentista e de jovialidade para o pretenso candidato à presidência da República. Arquitetos e engenheiros estimam que em aproximadamente 15 anos idêntica quantia será gasta em manutenção, adaptação e correção do projeto estrutural. Aliás, a pressa da inauguração expôs falhas e deficiências da obra, que já estão sendo investigadas.

Viomundo – Nos últimos dias, vieram a público o teste do bafômetro, a estranha frota de carros de luxo da rádio, a história do jatinho… Que medidas pretendem adotar em relação a esses fatos?

Minas Sem Censura — Exercendo nossas atribuições constitucionais estamos investigando esses e outros fatos. Serão acionadas outras instâncias que têm atribuição de apurar os mesmos fatos. O “jato familiar” tem custos. Quem banca?

Mas isso é apenas a ponta do iceberg. Há, por exemplo, o aluguel para o grupo Fasano, de um megaedifício do Instituto de Previdência dos Servidores Estaduais de Minas Gerais (IPSEMG), na região mais valorizada da cidade, por R$15 mil mensais. Só que o próprio processo de licitação registra pesquisa que aponta para um valor de mercado de até R$ 200 mil reais por mês. Tem o problema das contas públicas, que não batem nos “mínimos constitucionais” para a saúde e a educação. Tem crime eleitoral na eleição de 2010. Tem a negligência na cobrança de royalties de mineração…

Antes, a máquina de propaganda de Aécio divulgava a realização de programas e a alocação de recursos federais, como se fossem estaduais. Hoje somos o contraponto a essa manipulação.

Viomundo – O Bloco também tem um blog?

Minas Sem Censura – Não temos blog. Temos um site. Há um blog fake que leva nosso nome. Foi criado para confundir. Ou seja, alguém registrou o “domínio” para evitar que usássemos o nome Minas Sem Censura em um blog.

Conseguimos registrar o www.minassemcensura.com.br para o site, Facebook e Flicker; para o Twitter, @MGsemcensura. Esses são os veículos eletrônicos oficiais. Juntando o mailing do Bloco, dos deputados, diretórios dos partidos, militantes e ativistas, estamos atingindo mais de 900 mil endereços eletrônicos validados (sem Spam) em todo o Brasil. Teremos ainda impressos e outros materiais de divulgação de nosso trabalho. Todo esse esforço visa a divulgar a identidade do Bloco Minas Sem Censura: somos pró-Dilma, pró-desenvolvimento de Minas, com distribuição de renda e, óbvio, de oposição ao projeto neoliberal tucano para as Alterosas.

Viomundo – Também nos últimos dias, o site do Bloco trouxe em primeira mão alguns fatos em relação a Aécio, certo? O que destacariam?

Minas Sem Censura – Sim, é verdade. O fato mais importante até agora é a história detalhada da Rádio Arco-Íris e seus automóveis de luxo. Trata-se de uma bem fundamentada informação que abre a suspeita da prática de ocultação de patrimônio, o que seria crime fiscal. Outras evidências estão a caminho. Aliás, um deputado estadual tucano, João Leite, em nota oficial reconhece que há dinheiro público alocado na tal Rádio. Ou seja, configura-se uma irregularidade insanável.

Expusemos, em primeira mão, as imagens “printadas” das ocorrências policiais referentes à carteira apreendida, à multa por recusa ao teste (com a devida presunção da embriaguês ou drogadição), às multas por excesso de velocidade. Denunciamos a censura ao site do Detran MG (na sexta, dia 22), da seção em que vinham as citadas ocorrências. Revertemos mais essa operação abafa.

Denunciamos também o caso IPSEMG/Fasano, a manipulação da prova de avaliação de um programa específico do governo de Minas, que trazia um ataque direto a Lula numa das questões da prova (que resultou na anulação do teste). Denunciarmos a retirada do ar da respectiva página eletrônica. Enfim, há muitos outros temas gerais e específicos que divulgamos em primeira mão.

Temos fontes sérias, uma assessoria coletiva do Bloco que pesquisa e checa informações, as assessorias dos próprios deputados. Evidentemente, preservamos as fontes, até porque são pessoas que, depois de oito anos de opressão, se sentem mais livres para colaborar com o bloco de oposição.

Viomundo – O site do Bloco tem recebido crédito pelos “furos” jornalísticos?

Minas Sem Censura – Às vezes não, às vezes relativamente (risos).

Viomundo – Qual a política do site do Bloco?

Minas Sem Censura – Antes de mais nada, o MSC é propositivo. O que nos une é a identidade com a política de desenvolvimento, distribuição de renda. Queremos isso para Minas. O estado carece da mais básica política industrial, por iniciativa própria. O que temos aqui foi herdado de governos anteriores ou é reflexo do governo Lula. O minério de ferro de nosso subsolo está se formando há três bilhões de anos. Logo, não foi o “choque de gestão” que o colocou lá.

O MSC também recebeu delegação do povo mineiro para ser oposição, que é fiscalizatória e programática. Por isso denunciamos a censura aqui instalada.

Fazemos isso de maneira republicana e ética. Só divulgamos e debatemos fatos que podemos comprovar. Rejeitamos a invasão da esfera íntima de quem quer seja. Assim como rejeitamos também o uso do direito à “privacidade”, como meio de encobrir malfeitos públicos. O que fulanos e beltranos fazem ou deixam de fazer na esfera íntima não nos interessa, a menos que repercuta em direitos de terceiros, no patrimônio público, no desacato às leis e às instituições do estado.

Aécio está abusando do pleito de direito à privacidade para turvar outros assuntos. Ele não está preocupado com sua fama de “boa vida”, como a ele se referiu o tucano paulista Alberto Goldman, mas com os desdobramentos dos fatos seguintes ao episódio da ocorrência policial no Leblon: carros de luxo, uso de jato particular e algumas relações empresariais problemáticas.

Viomundo — O atual líder do Bloco, Rogério Correia, é do PT, partido que na política mineira tem alianças formais e informais com os tucanos. Exemplo disso é a eleição para a prefeitura de Belo Horizonte, em 2008, cujo acordo para formação da chapa teria sido sacramentado entre o ex-prefeito Fernando Pimentel (PT-MG), atualmente ministro de Desenvolvimento, e Aécio. Como fica esse relacionamento agora?

Minas Sem Censura – A aliança de 2008 é controversa e dividiu o PT e a base de Lula. Agora, foi feita uma reunião do Bloco com deputados federais, direções partidárias e lideranças municipais dos quatro partidos. Algo inédito para a oposição mineira. Chegou-se a um acordo de se esforçar para que a aliança com o perfil do MSC seja reproduzida onde for possível em 2012. No caso de BH, a orientação é construir uma tática comum. A política de alianças fica para ser discutida no momento adequado. O PMDB deve apresentar candidato, o PCdoB também, o PT ainda vai discutir o tema. Mas há um grande consenso: nada de aliança formal, informal ou disfarçada com o PSDB. A idéia é acumular forças em 2012 para 2014.

Viomundo – No site de vocês há a seguinte frase de Guimarães Rosa: Minas, são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais. O que o Bloco pretender fazer para que muitos conheçam as mil faces das Gerais, inclusive aquelas que muitos gostariam de deixar embaixo do tapete?

Minas Sem CensuraÉ exatamente isso. Por meio de uma grandiosa máquina de posicionamento de imagem e medidas intimidatórias, numa conjuntura favorável, Aécio criou o mito de que ele seria a única face de Minas.

Nunca foi assim antes. Candidatos a prefeito que ele apoiou, perderam várias eleições municipais em 2004 e 2008, na maioria das cidades importantes do estado. Mesmo em BH, 2008, junto com Fernando Pimentel, quase que seu candidato, Marcio Lacerda, perdeu a eleição para o PMDB. Gastaram mais do que se gastou em São Paulo, capital, para evitar a derrota em BH.

Aécio também manteve uma relação ambígua com o governo Lula durante anos. Exemplo: ele nunca quis testar seu real prestígio e liderança, apoiando com sinceridade Serra em 2002, Alckmin em 2006 e Serra novamente em 2010. Ele nunca teve coragem de medir força diretamente com o PT e Lula.

Hoje, ele é um, entre 81 senadores. E no Senado, quem chegou lá, não foi pelo brilho dos olhos. E ainda teve o azar de perder um aliado fiel, o Elizeu Rezende, que faleceu. É visto com desconfiança pelo grão-tucanato. O PSDB e os aliados estão em crise, definhando. O governador Anastasia vai ter de escolher: governa um estado com finanças precárias ou permanece à disposição do artificial posicionamento de imagem do “pobre menino rico”. Quem se sentia intimidado, começa a superar essa condição. Além disso, ele se vê às voltas com indícios de ocultação de patrimônio. Reciclar o projeto “Aécio 2010″ para 2014 não será fácil.

O MSC, por seu turno, segue em suas missões. O movimento social está mais revigorado. Os prefeitos e prefeitas de Minas já têm canal de interlocução direta com o governo Dilma. Ou seja, o jatinho de Aécio não viaja em céu de brigadeiro.

Meu twitter: @conceicao_lemes, siga à vontade.

PS do Viomundo: O Bloco do MSC é composto pelos seguintes deputados estaduais de Minas Gerais:Rogério Correia (PT), Gilberto Abramo (PRB), Ivair Nogueira (PMDB), Paulo Lamac (PT), Ulysses Gomes (PT), Adalclever Lopes (PMDB), Adelmo Carneiro Leão (PT), Almir Paraca (PT), André Quintão (PT), Antônio Júlio (PMDB), Bruno Siqueira (PMDB), Carlin Moura (PCdoB), Carlos Henrique (PRB), Celinho do Sinttrocel (PCdoB), Durval Ângelo (PT), Elismar Prado (PT), José Henrique (PMDB), Maria Tereza Lara (PT), Paulo Guedes (PT), Pompílio Canavez (PT) , Sávio Souza Cruz (PMDB), Tadeuzinho Leite (PMDB)

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/entrevistas/bloco-minas-sem-censura-jatinho-de-aecio-nao-viaja-em-ceu-de-brigadeiro.html