segunda-feira, 25 de abril de 2011

Desmantelada na Alemanha quadrilha que vendia crianças latinas a pedófilos

25.04.2011
Do OPERA MUNDI, 15.04.11
Por Redação | São Paulo


A polícia alemã anunciou nesta sexta-feira (15/04) que desmantelou uma rede internacional de tráfico de crianças procedentes da América Latina. Camuflada como organização humanitária, a quadrilha vendia os menores a pedófilos, de acordo a agência de notícias Efe, que cita o jornal local Berliner Morgenpost.

Dois dos membros do grupo, que vivem em Berlim, foram presos nesta semana no aeroporto de Munique quando tentavam entrar no país com um menino costarriquenho de cerca de dez anos. Eles foram detidos após a polícia comprovar a falsidade dos documentos pessoais da criança, de nacionalidade brasileira.

Os acusados ocultavam suas verdadeiras intenções sob a fachada de uma organização humanitária fundada por um deles para ajudar as crianças que perderam suas famílias no terremoto que devastou o Haiti em 2010.

"As crianças eram atraídas a Berlim com o argumento de que teriam uma vida melhor. Alguns deles são órfãos", declarou uma fonte policial, sem especificar quantos menores foram vítimas da rede. O policial disse que as crianças eram trocadas entre pedófilos e depois de três meses, retornavam aos países de origem com "danos psíquicos inimagináveis".

Um dos homens é um alemão nascido em Berlim, e o outro é um cidadão sueco com residência recente na capital alemã. Os dois já foram apresentados perante o juiz de instrução, e o Escritório de Investigação Criminal de Berlim busca agora reunir mais informações sobre a estrutura da quadrilha para encontrar os demais membros.

Medidas

Segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas), a Alemanha ocupa o primeiro lugar em casos de pedofilia, seguida dos Estados Unidos e do Brasil. Para tentar reverter o quadro, o governo alemão iniciou em abril a discussão de uma reforma na legislação, que prevê alterações para combater a pedofilia na Internet.

Uma das modificações previstas é a concessão de uma licença que permita que a Justiça tire do ar os sites que façam qualquer referência a pedofilia, em vez de bloquear as páginas, como acontece atualmente. Para os defensores da proposta, o simples bloqueio não serve os propósitos da luta contra a pedofilia on-line, pois há formas de burlar esse bloqueio.

Na Alemanha, os criminosos sexuais têm direito legal a psicoterapia. Ao lado de Reino Unido, Dinamarca, Suíça e Suécia, é um dos países que oferecem aos pedófilos a opção de castração química – forma temporária de castração ocasionada por medicamentos hormonais. Nesses países, esse tratamento é feito apenas de forma voluntária e administrada por um especialista.
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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticia/DESMANTELADA+NA+ALEMANHA+QUADRILHA+QUE+VENDIA+CRIANCAS+LATINAS+A+PEDOFILOS_11263.shtml

Wikileaks: Impunidade no governo Uribe fortaleceu paramilitares na Colômbia

25.04.2011
Do OPERA MUNDI
Por Paulo Pastor Monteiro | Redação


A Colômbia aprovou, em 2005, a Lei de Justiça e Paz, medida que teve como objetivo acabar com a atuação dos paramilitares devido às inúmeras acusações de assassinato, corrupção e tráfico de drogas. Uma série de documentos publicados pelo Wikileaks, porém, revela os bastidores do processo de julgamentos dos paramilitares e indica as brechas que permitiram a reorganização e a continuidade destes grupos.

O diretor da Comissão Colombiana de Juristas (CCJ), Gustavo Gallon, afirmou que o processo de julgamento dos paramilitares não iria resolver o problema provocado pela AUC (Autodefesas Unidas da Colômbia), grupo que reunia os paramilitares. A acusação aparece em despacho de abril de 2006, escrito pelo embaixador William Wood.

“Gallon disse que a política de segurança vai beneficiar somente criminosos e apenas determinados indivíduos, o processo de desmobilização [dos paramilitares] é fraco, 99 % deles não serão punido por seus crimes”, consta na mensagem.

Para Gallon, que fez tais afirmações em um encontro com o senador Jack Reed, a desmobilização dos paramilitares não era algo para ser “levado a sério”. Ele disse que, entre 2002 - ano que em começou o acordo de cessar fogo com o governo - até 2005, os paramilitares “violaram diversos pontos do acordo, incluindo o assassinato de mais de 2.500 pessoas”.

As críticas da CCJ são dirigidas ao governo do então presidente Álvaro Uribe (2002-2010), no qual o atual presidente, Juan Manuel Santos, era ministro da Defesa. Gallon afirma que um decreto assinado por Uribe impede que sejam abertos novos processos judiciais contra os paramilitares desmobilizados. Além disso, aponta que o governo pretende processar “apenas 1% dos 29 mil que se desmobilizaram”.

Wood conclui o despacho dizendo não “concordar muito” com a opinião de Gallon e avalia que a Lei de Paz e Justiça foi aperfeiçoada.

Colômbia preferiu negociar com paramilitares

Um outro despacho com data de junho de 2006 apresenta o relatório de uma conversa entre Sergio Caramagna, da OEA (Organizações dos Estados Americanos), com o embaixador William Wood. Segundo o documento, Caramagna disse à embaixada que nada “havia unido tanto” os líderes da AUC como o julgamento da Lei de Paz e Justiça.

O representante da OEA expõe uma divergência entre Luis Carlos Restrepo, uma das principais forças do partido governista, que foi indicado por Uribe para manter o diálogo com a AUC, e o ministro da Justiça, Sabas Pretelt. O ministro criticou Restrepo por ter oferecido aos paramilitares “promessas que o governo não poderia cumprir”.

Outro trecho descreve a pressão exercida pelos paramilitares. Caramagna narra uma conversa com Vicente Castaño, uma das lideranças da AUC. Ele explica que, de acordo com Castaño, caso “o processo falhasse” os grupos poderiam se reorganizar, inclusive praticando sequestros para pressionar o governo. Porém, Castaño avisa que a reação “poderia ser evitada” se os paramilitares fossem reconhecidos politicamente pelo Estado.

Ressurgimento de grupos armados

Em mais uma mensagem, de junho de 2006, o embaixador Milton Drucker faz um relatório sobre a entrega de armas dos paramilitares e constata que há uma preocupação com um possível desvio dessas armas. De acordo o despacho, enquanto em processos de desarmamentos a média mundial é de 2:1 (dois combatentes para cada arma devolvida), alguns grupos como o “Bloco Central Bolívar” chegavam a apresentar uma taxa de três ou até quatro combatentes por arma devolvidas.

O embaixador reproduz o aviso de que os paramilitares poderiam se reorganizar, caso o governo não estabelecesse políticas de prevenção. “Analistas afirmam que as estruturas econômicas e políticas dos paramilitares permanecem ativas e, se governo colombiano não fornecer a segurança necessária nas principais regiões [de atuação dos grupos armados], eles podem se reorganizar”, diz Drucker.

A continuidade da ação dos paramilitares é tema de um despacho de fevereiro de 2007, escrito pelo embaixador John Creamer. Na mensagem, o diplomata descreve a existência de novos grupos armados que surgiram “na sombra dos paramilitares”. Ele, baseado em informações da OEA e do governo colombiano, explica que existem cerca de 21 grupos, com cerca de três mil membros, sendo que os paramilitares representavam quase 20% desse total.

O embaixador informa também que a liderança desses novos grupos era exercida por ex-membros dos paramilitares, os quais tinham uma posição intermediária na hierarquia dos antigos grupos.
Diferente da AUC, de acordo com informações relatadas pela embaixada, essas novas organizações são bem equipadas, mas “dispersas” e não apresentam “qualquer política de organização ideológica comum”.

De acordo com o despacho, Creamer conversou com o general Jesuz Gomez Lopez, responsável por combater as novas organizações. Segundo o militar, esses grupos não se tornariam uma “ameaça nacional”, mas eram difíceis de serem combatidos porque os seis “ex-amigos militares” lhe passavam informações e, por terem muito dinheiro, conseguiam corromper várias instituições do governo.

Porém, Creamer diz que, para os colombianos, não havia muito diferença entre os “novos grupos” e a AUC. A semelhança está no fato de que ambos se dedicam ao combate ao tráfico, além de agirem nas mesmas regiões. Um deles usa o mesmo símbolo da Águias Negras, antigo grupo paramilitar, “para instigar o medo na população”.
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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticia/WIKILEAKS+IMPUNIDADE+NO+GOVERNO+URIBE+FORTALECEU+PARAMILITARES+NA+COLOMBIA_11465.shtml

Abril: Governo começa a pagar o salário dos servidores nesta terça-feira

25.04.2011
Da FOLHA DE PERNAMBUCO
Por Hayla

O salário do mês de abril dos servidores públicos do Governo do Estado começa a ser efetuado nesta terça-feira (26). A Secretaria de Administração (SAD) informa que os aposentados e pensionistas receberão o salário no primeiro dia. Na quarta-feira (27), serão pagos os salários dos servidores ativos da Secretaria de Educação e, na quinta(28), dos demais servidores. A folha deste mês é de R$ 542 milhões e 218 mil contracheques estão incluídos no calendário.

Com informações da assessoria

TABELA DE PAGAMENTO DOS SERVIDORES - MÊS: ABRIL/2011

DIA/MÊS

ÓRGÃOS/SECRETARIAS

26 de abril

Governadoria do Estado, Vice-Governadoria, Secretaria Especial da Casa Militar, Procuradoria Geral do Estado, Secretaria Especial de Assessoria ao Governador, Secretaria de Administração, Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária, Secretaria da Fazenda, Secretaria da Casa Civil, Secretaria Especial de Imprensa, Secretaria Especial Cultura, Secretaria Especial da Mulher, Secretaria Especial de Esportes, Secretaria Especial de Articulação Social, Secretaria de Desenvolvimento e Articulação Regional, Secretaria Especial de Juventude e Emprego, Controladoria Geral do Estado, Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Secretaria de Ressocialização, Secretaria de Planejamento e Gestão, Secretaria de Saúde, Secretaria de Defesa Social (Polícia Civil),Secretaria de Defesa Social (Corpo de Bombeiros e Polícia Militar), Secretaria de Educação/CPM, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, Secretaria de Transportes, Secretaria das Cidades, Secretaria de Recursos Hídricos e Energéticos, Secretaria de Turismo, DER, DETELPE, FUNASE, FUNDARPE, UPE, FIDEM, CONDEPE, HEMOPE, ITEP e IRH,FEPPA, Pensões Especiais, Pensionistas de Prefeituras e Pensionistas.

(inativos)

27 de abril

Secretaria de Educação/CPM

28 de abril

Governadoria do Estado, Vice-Governadoria, Secretaria Especial da Casa Militar, Procuradoria Geral do Estado, Secretaria Especial de Assessoria ao Governador, Secretaria de Administração, Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária, Secretaria da Casa Civil, Secretaria Especial de Imprensa, Secretaria Especial de Cultura, Secretaria Especial da Mulher, Secretaria Especial de Esportes, Secretaria Especial de Articulação Social, Secretaria de Desenvolvimento e Articulação Regional ,Secretaria Especial de Juventude e Emprego, Controladoria Geral do Estado, Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Secretaria de Planejamento e Gestão, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, Secretaria de Transportes, Secretaria de Saúde, Secretaria de Turismo, Secretaria das Cidades, Secretaria de Recursos Hídricos e Energéticos, Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Secretaria de Ressocialização, Secretaria da Fazenda, Secretaria de Defesa Social (Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Militar e Polícia Civil), Médicos Residentes, DER, DETELPE, FUNASE, FUNDARPE, FUNAPE, FACEPE, UPE, FIDEM, CONDEPE/AGPLPS, HEMOPE, ITEP, IPA, PERPART, CEHAB, EMPETUR, CPRH, AD/DIPER, ATI, Distrito Estadual de Fernando de Noronha e IRH (funcionários).

(ativos)


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Música pode retardar Alzheimer, diz estudo

25.04.2011
Da BBC BRASIL

Cérebro (arquivo)

Área do cérebro ligada à música também está associada às memórias mais vívidas

Estudos feitos nos Estados Unidos indicam que pacientes com Mal de Alzheimer talvez possam retardar o desenvolvimento da condição por meio de musicoterapia.

O pesquisador Petr Janata, da Universidade da Califórnia, monitorou a atividade cerebral de um grupo de voluntários enquanto ouviam música e concluiu que a região do cérebro associada à música também está associada às memórias mais vívidas de uma pessoa. A área do cérebro parece servir de centro que liga música conhecida, memórias e emoções.

Seu estudo foi publicado na edição online da revista científicaCerebral Cortex e será incluído na edição impressa da revista, ainda neste ano.

Segundo Janata, a revelação pode ajudar a explicar por que música pode despertar reações fortes em pessoas com o Mal de Alzheimer.

A região ativada durante o experimento, o córtex pré-frontal (logo atrás da testa), é uma das últimas áreas do cérebro a se atrofiar à medida em que a doença progride.

"O que parece acontecer é que uma música conhecida serve de trilha sonora para um filme mental que começa a tocar em nossa cabeça", disse o especialista.

"Ela traz de volta as lembranças de uma pessoa ou um lugar, e você pode de repente ver o rosto daquela pessoa na sua mente".

"Agora podemos ver a associação entre essas duas coisas - música e memória".

Estimulante

Trabalhos anteriores de Janata já haviam indicado que música serve como um potente estimulante no resgate da memória.

De forma a aprender mais sobre o mecanismo por trás desse fenômeno, ele reuniu 13 voluntários (estudantes da Universidade da Califórnia) para um novo estudo.

Enquanto os voluntários ouviam trechos de 30 canções diferentes em fones de ouvido, Janata monitorou a atividade em seus cérebros com um exame de ressonância magnética (fMRI).

Para aumentar as chances de que os estudantes associassem ao menos algumas das canções com lembranças do passado, o pesquisador selecionou músicas que foram sucesso no período em que cada voluntário tinha entre oito e 18 anos de idade.

Depois de ouvir cada trecho, os participantes responderam perguntas sobre a canção, entre elas, se a música era conhecida, se era boa e se estava associada a algum acontecimento, incidente ou lembrança.

Logo após o exame de ressonância magnética, os voluntários completaram um questionário sobre o conteúdo e a vividez das lembranças que cada canção familiar havia despertado.

Os questionários revelaram que, em média, cada participante reconheceu entre 17 e 30 trechos. Desses, cerca de 13 eram moderadamente ou fortemente associados com uma lembrança autobiográfica.

Músicas que estavam associadas a lembranças mais importantes foram as que provocaram as respostas mais emotivas.

Mais tarde, comparando os questionários com as imagens registradas pelo exame de ressonância magnética, Janata descobriu que o grau de importância da lembrança era proporcional à quantidade de atividade no córtex pré-frontal do estudante.

O experimento confirmou a hipótese de Janata de que esta região do cérebro associa música e memória.

Segundo Janata, lembranças de canções importantes do ponto de vista autobiográfico parecem ser poupadas em pessoas com o Mal de Alzheimer.

Tendo isso em vista, um dos objetivos do especialista é usar suas pesquisas para desenvolver terapia baseada em música para pessoas que sofrem da condição.

"Equipar pacientes com tocadores de MP3 e listas personalizadas de canções", ele especula, "pode talvez ser uma estratégia efetiva e econômica para melhorar sua qualidade de vida"

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Brasil é 3º país onde mais se crê em Deus, diz pesquisa

25.04.2011
Da BBC BRASIL

Devotos nepaleses rezam em homenagem ao líder religioso Sathya Sai Baba, em Katmandu (AP)

Segundo pesquisa, 51% dos entrevistados acreditam com 'entidade divina'

O Brasil foi o terceiro país em que mais se acredita em "Deus ou em um ser supremo" em uma pesquisa conduzida em 23 países.

A pesquisa, feita pelo empresa de pesquisa de mercado Ipsos para a agência de notícias Reuters, ouviu 18.829 adultos e concluiu que 51% dos entrevistados "definitivamente acreditam em uma 'entidade divina' comparados com os 18% que não acreditam e 17% que não tem certeza".

O país onde mais se acredita na existência de Deus ou de um ser supremo é a Indonésia, com 93% dos entrevistados. A Turquia vem em segundo, com 91% dos entrevistados e o Brasil é o terceiro, com 84% dos pesquisados.

Entre todos os pesquisados, 51% também acreditam em algum tipo de vida após a morte, enquanto que apenas 23% acreditam que as pessoas param de existir depois da morte e 26% "simplesmente não sabem".

Entre os 51% que acreditam em algum tipo de vida após a morte, 23% acreditam na vida após a morte, mas "não especificamente em um paraíso ou inferno", 19% acreditam "que a pessoa vai para o paraíso ou inferno", outros 7% acreditam que "basicamente na reencarnação" e 2% acreditam "no paraíso, mas não no inferno".

Nesse mesmo quesito, o México vem em primeiro lugar, com 40% dos entrevistados afirmando que acreditam em uma vida após a morte, mas não em paraíso ou inferno. Em segundo está a Rússia, com 34%. O Brasil fica novamente em terceiro nesta questão, com 32% dos entrevistados.

Mas o Brasil está em segundo entre os países onde as pessoas acreditam "basicamente na reencarnação", com 12% dos entrevistados. Apenas a Hungria está à frente dos brasileiros, com 13% dos entrevistados. Em terceiro, está o México, com 11%.

Entre os que acreditam que a pessoa vai para o paraíso ou para o inferno depois da morte, o Brasil está em quinto lugar, com 28%. Em primeiro, está a Indonésia, com 62%, seguida pela África do Sul, 52%, Turquia, 52% e Estados Unidos, 41%.

Criação X evolução

As discussões entre evolucionistas e criacionistas também foram abordadas pela pesquisa do instituto Ipsos.

Entre os entrevistados no mundo todo, 28% se definiram como criacionistas, acreditam que os seres humanos foram criados por uma força espiritual como o Deus em que acreditam e não acreditam que a origem do homem viesse da evolução de outras espécies como os macacos.

Nesta categoria, o Brasil está em quinto lugar, com 47% dos entrevistados, à frente dos Estados Unidos (40%). Em primeiro lugar está a Arábia Saudita, com 75%, seguida pela Turquia, com 60%, Indonésia em terceiro (57%) e África do Sul em quarto lugar, com 56%.

Por outro lado, 41% dos entrevistados no mundo todo se consideram evolucionistas, acreditam que os seres humanos são fruto de um lento processo de evolução a partir de espécies menos evoluídas como macacos.

Entre os evolucionistas, a Suécia está em primeiro lugar, com 68% dos entrevistados. A Alemanha vem em segundo, com 65%, seguida pela China, com 64%, e a Bélgica em quarto lugar, com 61% dos pesquisados.

Descrentes e indecisos

Entre os 18.829 adultos pesquisados no mundo todo, um total de 18% afirmam que não acreditam em "Deus, deuses, ser ou seres supremos".

No topo da lista dos descrentes está a França, com 39% dos entrevistados. A Suécia vem em segundo lugar, com 37% e a Bélgica em terceiro, com 36%. No Brasil, apenas 3% dos entrevistados declararam que não acreditam em Deus, ou deuses ou seres supremos.

A pesquisa também concluiu que 17% dos entrevistados em todo o mundo "às vezes acreditam, mas às vezes não acreditam em Deus, deuses, ser ou seres supremos".

Entre estes, o Japão está em primeiro lugar, com 34%, seguido pela China, com 32% e a Coréia do Sul, também com 32%. Nesta categoria, o Brasil tem 4% dos entrevistados.

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Britânico dá 5 dicas de como fazer sucesso no YouTube

25.04.2011
Da BBC BRASIL

BBC

TomSka ganha milhares de libras por mês, com anúncios em seus vídeos

Aprender com os erros dos outros e evitar o "roubo" de conteúdo são dicas fundamentais para ter sucesso com vídeos na internet. É o que diz Tom Ridgewell, um inglês de 20 anos que já conseguiu 55 milhões de visitas em seu canal no YouTube.

Ridgewell, mais conhecido como TomSka, possui dúzias de vídeos publicados, como pequenos curtas-metragens de comédia e desenhos animados. Ele ganha milhares de libras por mês, graças à renda proveniente dos anúncios em seus vídeos.

Em entrevista à BBC, o inglês deu cinco dicas de como fazer sucesso - e dinheiro - com vídeos na internet.

1) Aprenda com os erros dos outros. TomSka diz que assistir a muitos vídeos na internet é fundamental para saber o que faz sucesso e o que não faz. Para ele, mais importante ainda é aprender os erros daquilo que não funciona.

"É isso que realmente separa os homens dos meninos", diz.

2) Corte o que é desnecessário. Para o inglês, bons vídeos devem ir diretamente ao ponto e não "enrolar" o internauta.

"Se a coisa legal em seu vídeo é um filhote de gato levando um tombo, mostre somente o filhote de gato levanto o tombo".

3) Produza vídeos com bom áudio. Segundo TomSka, não importa a câmera que você usar: se o som for ruim, você perderá o seu público.

Uma dica que o inglês dá é comprar um microfone e gravar o som na pós-produção, quando o vídeo é editado. "É mais fácil do que conseguir uma câmera que tenha um bom microfone acoplado", afirma.

4) Use conteúdo "virgem". Para TomSka, "roubar" músicas de artistas conhecidos impede um vídeo de fazer sucesso, já que o YouTube exclui conteúdos que violem direitos autorais. "Assim, ninguém vai conseguir financiá-lo, e você não vai ter nenhum dinheiro", diz.

"Se você tiver um amigo em uma banda, ou se você estiver em uma banda, use esta música", afirma o inglês.

5) Construa sua comunidade. TomSka afirma que ter muitos amigos no YouTube e fazer constantemente novas relações é fundamental para chegar ao topo. "Tenha um monte de pessoas falando a seu respeito", diz.

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Casal é assassinado em Cruz de Rebouças e crime é repleto de mistérios

25.04.2011
Do blog INFORME PE

Um duplo homicídio rodeado de mistérios marcou este domingo (24.4) em Abreu e Lima. Severino Rosa da Silva, de 45 anos, e sua esposa, Cremilda Gomes da Silva, de 39, foram às vítimas. Eles bebendo em um bar, próximo a residência, quando tudo se desenrolou.

Acompanhados dos três filhos, dois meninos, um de cinco e outro de 14 anos, além de uma de 17 anos, que estava com o seu namorado, eles decidiram sair do bar e ir à casa de um homem identificado pela garota de 17 anos como “Irmão”, a quem ela aponta como autor dos homicídios.

Este homem também morava perto da casa da família que fica na Granja São José, na Estrada Velha de Pitanga, em Cruz de Rebouças. Com base em relatos da filha à polícia, depois de um tempo na casa de “Irmão”, todos voltaram à residência da família, menos Severino.

Pouco tempo depois, então, “Irmão” foi até a residência e avisou a Cremilda que seu marido queria falar com ela, na casa dele. Quando a mulher saiu, depois de andar pouco mais de 200 metros, foi surpreendida por disparos de arma de fogo.

O namorado da garota saiu da casa para ver o que teria acontecido e deu de cara com o assassino e a mulher no chão. “Irmão” o ameaçou, disse que se o menino socorresse a mulher ele o mataria. Depois disso o homem fugiu.

Então o genro pegou Cremilda e colocou dentro de casa. Em seguida viu Severino, na rua, também ferido. O resgatou e colocou também dentro da residência. Depois disso, o genro do casal saiu para pedir ajuda, e, segundo a polícia, não retornou. O casal morreu pouco tempo depois.

Segundo a adolescente de 17 anos, o homem identificado como “Irmão” tinha uma relação amorosa com a sua mãe. Ele teria sugerido à mulher que fugissem, mas ela se negava.

Do Folha Digital, com informações de Alexandre Ferreira
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Ônibus vão deixar de subir para o Bairro de Jardim Paulista Alto

25.04.2011
Do blog PAULISTA EM 1° LUGAR
Postado por Francisco Marques


Os ônibus da empresa Itamaracá deverão deixar de circular no bairro de Jardim Paulista Alto ainda esta semana, tudo porque as avenidas do bairro, as quais os ônibus precisam trafegar, estão cheias de buracos e por isso estão danificando os coletivos.




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Salário, inflação e uma idéia de jerico

25.04.2011
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

Além do problema do real sobrevalorizado, comentado nesta página na sexta-feira, há outro vetor econômico que há que comentar porque também apresenta distorção: a inflação e a sua relação indissociável com os níveis de atividade econômica e emprego.

Não recomendo que se dê muita bola para o que diz a grande imprensa sobre economia. Ao menos sem analisar e checar o contraponto de cada vírgula de suas teses. Quem deu ouvidos a ela no âmbito da crise econômica internacional, por exemplo, deu com os burros n’água.

Só para não deixar tal afirmação assim, solta, explicito que quem demitiu em massa no fim de 2008, sob as catastrofistas previsões midiáticas, pagou indenizações altíssimas e teve que recontratar os empregados logo depois, não tendo poupado nem um centavo.

E olhem que este blog avisou…

Todavia, o jornal Folha de São Paulo publicou um editorial ontem que precisa ser muito bem avaliado porque contém um quê de fundamento. Para simplificar, segue, abaixo, o texto. E, a seguir, os comentários sobre ele.

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FOLHA DE SÃO PAULO

24 de abril de 2011

Editoriais

Empregos no azul

Leitura correta de estatísticas mostra solidez da oferta de postos; problema agora é o efeito da escassez de mão de obra na pressão inflacionária O nível de emprego segue bem, muito bem. O problema é outro.

Na última semana, foram divulgados números aparentemente contraditórios sobre o comportamento do emprego. De um lado, o Ministério do Trabalho mostrou que em março foram criadas 92.675 mil vagas com carteira assinada, bem aquém do verificado nos meses anteriores. Já o IBGE divulgou um forte crescimento da ocupação -incluindo vagas formais e informais- e uma nova redução da taxa de desemprego, que ficou perto de 6% em março (ajustada para fatores sazonais).

A contradição é apenas aparente: a economia continua firme. Os dados do ministério merecem qualificações. A forte desaceleração em março, diante das 281 mil vagas abertas em fevereiro, decorre de fatores atípicos: a semana do Carnaval, que caiu em março, dificulta uma leitura clara do mês.

Considerando o primeiro trimestre, a economia gerou pouco mais de 175 mil colocações por mês, em média. Trata-se de um ritmo ainda forte e apenas um pouco aquém da média próxima de 200 mil vagas mensais observada em 2010. É provável que em abril o resultado volte a ser robusto.

Os dados do IBGE não deixam dúvida sobre o dinamismo do mercado de trabalho. Além do desemprego perto do mínimo histórico, a ocupação total, com ou sem carteira, continuou em alta acima dos 2% anuais. É uma variação superior à da população ativa, que cresce entre 1% e 1,5% ao ano.

A massa nominal de salários (que agrega a variação do emprego com a do rendimento) cresceu 12,5% nos 12 meses encerrados em março -um ganho real de 6%, descontada a inflação. No segundo semestre há concentração de dissídios salariais, e espera-se forte ganho real, entre 3% e 5%, para a maior parte das categorias.

A economia, portanto, segue firme, impulsionada pelo crescimento do emprego e da renda, o que é positivo. Mas há riscos importantes. Crescem as evidências de escassez de mão de obra, qualificada ou não, em vários setores.

O mercado de trabalho apertado é hoje uma fonte importante de pressões inflacionárias, especialmente no setor de serviços, cujos preços crescem acima de 8% ao ano. Se antes era baixo o risco de reindexação mais generalizada da economia, ou de ideias como gatilhos salariais, agora já não é.

O histórico de atrelamento da economia à taxa de inflação não permite desvios de conduta. Se a inflação chegar a 7% ou 8% -não seria essa a trajetória atual, no cenário do Banco Central-, não é inconcebível que apareçam, por exemplo, pressões por reajustes salariais semestrais. Todos sabem aonde isso vai e como termina.

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Se você não ouviu nenhum burburinho sobre “gatilho salarial” é porque não se interessa por economia. Mesmo que não seja o sindicalismo que fala no assunto, já há gente tendo essa idéia de jerico, porque a situação do Brasil hoje é diametralmente diferente daquela do tempo da inflação descontrolada.

Gato escaldado tem medo de água fria. Por isso, lembrando da gritaria inútil que fizeram no início deste ano por conta do reajuste do salário mínimo após anos de reajustes bem acima da inflação, teme-se que, de fato, alguém possa estar pensando em reindexar a economia.

Quem acompanhou a implantação do Plano Real sabe que uma das razões de ter funcionado, ao menos no início, foi a URV, a Unidade Real de Valor. Foi uma idéia incrível que atacou justamente o ponto da economia que impedia a queda da inflação, o efeito inercial.

O que jogou o país na hiperinflação, também, foi a guerra entre preços e salários que se estabeleceu, criando um sistema de auto-alimentação inflacionária no qual os salários subiam por conta dos preços, gerando novos aumentos de preços por conta dos aumentos de salário…

Naquela época, porém, o gatilho salarial era inevitável. O empresariado defendia que não houvesse gatilho sob a argumentação mentirosa de que o “mercado” se encarregaria de adequar a massa salarial. Era falso, porque havia mais mão-de-obra do que emprego.

Hoje, a situação é muito diferente. A escassez de mão-de-obra que cita o editorial da Folha, é real. As empresas, aliás, estão “roubando” empregados umas das outras. Empregados de todos os níveis. De executivos a “peões de obra” estão sendo seduzidos por ofertas da concorrência de seus empregadores.

Nessa situação, quem não ofertar condições atrativas aos seus empregados corre o risco de perdê-los e, depois, de não conseguir preencher a vaga sem pagar ao novo empregado o que negou ao antigo.

A reindexação da economia, neste momento, seria um desastre. Para regular o mercado haveria que lhe dar um choque que fatalmente jogaria o país em uma recessão e ressuscitaria a velha guerra entre preços e salários.

Espera-se, pois, que os agentes econômicos tenham juízo. Tanto empresários que andam maquiando produtos (diminuindo a quantidade nas embalagens e mantendo o preço) quanto sindicalistas que possam estar pensando em recuperar perdas salariais.

A economia, hoje, está muito diferente. Tem que ser gerida com sintonia fina porque cada medida pode gerar efeitos auto-multiplicadores imprevisíveis. E, neste momento, não há perdas salariais, há ganhos. Com inflação e tudo. O mercado de trabalho está aquecido.

Espera-se que política e economia se mantenham bem distantes uma da outra. O país agradece.

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Dennis: Negro, enfermeiro, vencedor!

25.04.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha, em 24.04.11
Por Luana Diana dos Santos

A semana que passou foi de muita festa por aqui. Dennis, meu irmão mais velho, concluiu a graduação. Se antes tínhamos um técnico de enfermagem na família, agora temos um Enfermeiro. Para minha mãe, Dennis é um Doutor.

Assumo a minha tietagem. Dennis é apaixonado pela profissão que escolheu. Com entusiasmo, fala dos pacientes que pode auxiliar, principalmente dos idosos. Com indignação, expõe a precariedade do serviço de saúde no município em que trabalha. Com pesar, conta as histórias das mulheres agredidas por seus companheiros, dos viciados em crack, dos alcoólatras e dos jovens vítimas de armas de fogo. Nesses casos, a conversa nunca chega ao fim. Sempre o interrompo. Meu espírito não suporta tantas mazelas.

Foram quatro anos e meio para terminar a faculdade de Enfermagem. Dennis estudou a vida inteira em escola pública. Logo que concluiu o ensino médio, optou pelo curso técnico. Por vocação e pela certeza que a remuneração permitiria pagar as mensalidades em uma Universidade particular. A vida acadêmica foi dividida entre os plantões durante a noite, as aulas à tarde e os trabalhos aos finais de semana. Uma verdadeira luta!

Dentre os 50 formandos, Dennis era o único negro. E ainda há quem jure que vivemos numa democracia racial. Como? No Brasil, o número de estudantes negros matriculados no ensino superior não ultrapassa a casa dos 4%. Quando falamos dos cursos ligados à área da saúde, como Medicina, Odontologia e Enfermagem os dados são ainda mais perversos. Os afro-brasileiros correspondem a 0,8 e 1% do corpo discente. Se por um lado a maioria das vagas nas Universidades são ocupadas por brancos, filhos da classe média e oriundos de escolas particulares, no lado oposto está a juventude negra: grande parte é proveniente de famílias pobres, ingressam em cursos considerados “de menor prestígio social”, em horário noturno, e assim como o Dennis, em instituições privadas.

Durante a colação de grau, Dennis chorava copiosamente. Parecia uma criança. O lenço não foi suficiente para conter as lágrimas. Restou esquecer as regras de etiqueta e usar as mãos para secar o rosto. Enquanto isso eu questionava o porquê daquele choro que parecia não ter fim. Será que ele se lembrou dos que disseram que a faculdade não é para preto? Talvez tenha se recordado da professora que, “sem intenção de ofender”, afirmou ter dificuldades de enxergá-lo após uma queda de luz. Pode ser que tenha vindo em mente o amigo que, ao vê-lo vestido de branco, perguntou em tom de deboche se ele era pai de santo. Não. Acho que ele pensou na paciente que não aceitou ser atendida por um negro.

Minhas tentativas de descobrir o motivo de tantas lágrimas foram em vão. Acredito que nunca saberei. “Só quem sente, sabe”. Contudo, essas suposições evidenciam o caráter ardiloso e dissimulado do racismo brasileiro. Ao ascender socialmente, o negro não está imune à discriminação racial. Dessa forma, fica claro que associar o preconceito como resultado das diferenças entre classes sociais não passa de mera falácia. No imaginário popular, homens e mulheres negras tem um lugar pré-estabelecido na sociedade, e quando deixam de ocupar papéis subalternos, são vistos com desconfiança ou como sujeitos “fora do lugar”. Exemplos não faltam. Para ficar somente na esfera pública, relembro o assassinato do jovem boxeador Tairone Silva, morto por um policial militar em Porto Alegre no mês de março. Em Salvador, o vice-prefeito Edvaldo Brito já foi parado quatro vezes em blitz desde que assumiu o cargo. Policiais soteropolitanos precisavam saber o que um negro fazia num carro oficial.

Mas nem tudo está perdido. Desde a segunda metade dos anos 90, com a participação ativa do movimento negro, presenciamos um crescente debate em torno da necessidade de ações afirmativas que propiciem a inclusão e a permanência de afro-descendentes em Universidades, principalmente nas públicas. A aprovação do sistema de cotas em algumas instituições, a implementação da Lei 10.639/03, a criação de órgãos como a SEPPIR e o aumento expressivo de Núcleos de Estudos sobre a população negra nos campos das Ciências Humanas e Sociais fazem parte desse momento histórico. Embora não tenha agradado a todos, a sanção do Estatuto da Igualdade Racial em 2010 também deve ser vista como um sinal de novos tempos.

Na formatura, Dennis era exceção. Como o Ariano Suassuna, sou uma “realista esperançosa”, e por isso creio que um dia finalmente alcançaremos a democratização do acesso ao ensino superior. Caminhamos lentamente para que isso aconteça, bem sei. Importa é que os passos sejam firmes, cheios de esperança e coragem. Dennis é um vencedor, assim como tantos jovens que entenderam que poderiam alçar voos mais altos e romper com processo de invisibilidade e marginalização a que foi impelida a população negra desde que pisou em solo brasileiro. É chegada a hora de enxugar as lágrimas e exigir o que nos é de direito: a igualdade de participação e de escolha.

Parabéns, Dennico!

*Luana Diana dos Santos é Historiadora e Professora da Rede Estadual de Educação de Minas Gerais.

luanatolentino@yahoo.com.br
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/a-vitoria-de-dennis-negro-enfermeiro-vencedor.html

O império de Washington subiu no telhado

25.04.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Por Alfred W. McCoy e Brett Reilly, no TomDispatch
Tradução do Coletivo da Vila Vudu

“Em mundo multipolar de novas potências, com Pequim, Nova Delhi, Moscou, Ancara e Brasília”…

O ‘império’ dos EUA, de autocratas, aristocratas e ditadores militares, subiu no telhado

Num dos mais bem-vindos movimentos das forças da história, a justaposição de dois extraordinários eventos deixou a nu a arquitetura do poder global dos EUA, e todos afinal podem vê-la. Em novembro do ano passado, WikiLeaks fez chover sobre o mundo quantidades diluvianas de telegramas diplomáticos, recheados dos mais abusivos comentários formulados por diplomatas dos EUA sobre governantes de todo o planeta, da Argentina ao Zimbabwe, e estampados nas primeiras páginas dos jornais. Em seguida, poucas semanas depois, o Oriente Médio explodiu em manifestações pró-democracia e contra ditadores, muitos dos quais aliados íntimos dos EUA, alianças sobre as quais os telegramas publicados por WikiLeaks não deixam dúvidas.

De repente, viu-se o esqueleto da ordem mundial construída pelos EUA e que depende significativamente de líderes nacionais que são “elites subordinadas” fiéis a Washington, mas que, de fato, não passam de bando sortido de autocratas, aristocratas e militares ditadores. Quando se viram os aliados, viu-se também a lógica mais ampla, que quem não visse jamais conseguiria explicar, que preside todas as decisões de política exterior dos EUA ao longo de meio século.

Por que a CIA se arriscaria, em 1965, no auge da Guerra Fria, em operações como derrubar líder prestigiado como Sukarno na Indonésia, ou por que encorajaria o assassinato do católico Ngo Dinh Diem em Saigon em 1963? A resposta – à qual afinal se chega agora, graças às publicações de WikiLeaks e ao “despertar árabe” – é que nos dois casos tratava-se de subordinados selecionados por Washington, os quais, de repente, se insubordinaram e tornaram-se descartáveis.

Por que, meio século depois, Washington trairia todos os seus princípios democráticos declarados e apoiaria o presidente do Egito Hosni Mubarak contra milhões de egípcios nas ruas, só para, quando já não havia como mantê-lo no comando, indicar para substituí-lo, pelo menos no primeiro momento, o seu chefe de segurança Omar Suleiman, conhecido como chefe dos serviços de tortura que eram arrendados aos serviços de tortura de Washington? A resposta é que os dois eram também subordinados selecionados por Washington, que serviam bem aos interesses dos EUA em estado considerado chave no Oriente Médio.

Em todo o Grande Oriente Médio, da Tunísia e Egito ao Bahrain e Iêmen, manifestantes democráticos, nas ruas ameaçam varrer do mapa todas as elites subordinadas, consideradas crucialmente necessárias para manter o poder dos EUA. Sempre foi assim: todos os impérios modernos dependeram de delegados que traduzissem o poder global em termos de controles locais. Mas, quando aquelas elites locais começaram a dar sinais de interesse em implantar agendas próprias, o colapso dos impérios começou a aparecer nas cartas.

Assim como as “revoluções de veludo” que varreram o leste europeu em 1989 tocaram as trombetas do fim do império soviético, assim também as “revoluções do jasmim” que se espalham pelo Oriente Médio podem bem estar sinalizando o começo do fim do poder global dos EUA.

Militares no comando

Para entender a importância das elites locais, é preciso considerar os primeiros dias da Guerra Fria, quando uma Casa Branca desesperada procurava alguma coisa, qualquer coisa, que tivesse qualquer mínima chance de deter o que Washington via como sentimento pró-comunistas e antiamericano no mundo. Em dezembro de 1954, o Conselho de Segurança Nacional reuniu-se na Casa Branca e traçou uma estratégia para domar todas as forças nacionalistas mais poderosas que se constituíam, naquele momento, em todo o mundo.

Na Ásia e na África, meia dúzia de impérios europeus que até então haviam garantido a estabilidade da ordem global por mais de um século estavam-se pulverizando, dando origem a cem novas nações, muitas das quais – do ponto de vista de Washington – suscetíveis de serem cooptadas pela “subversão comunista”. Na América Latina, o problema era o avanço da oposição de esquerda, entre as massas urbanas que não paravam de crescer e entre os camponeses sem terra.

Depois de examinar as “ameaças” que se formavam contra os EUA na América Latina, o influente Secretário do Tesouro George Humphrey declarou aos seus colegas do Conselho de Segurança Nacional que todos parassem “de falar tanto em democracia” e cuidassem, imediatamente, de “apoiar ditaduras de direita que tivessem políticas pró-EUA”. Foi quando, em momento de brilhante insight estratégico, Dwight Eisenhower interrompeu, para observar que Humphrey dizia, de fato, que todos passassem a raciocinar em temos de “Tudo bem, se for o nosso filho da puta”.

É momento histórico para nunca esquecer, porque o presidente dos EUA acabava de articular, com clareza cristalina, o princípio constitutivo do sistema de dominação global que Washington implementaria daquele dia em diante e pelos 50 anos seguintes: trocar qualquer princípio democrático por uma dura realpolitik de apoiar qualquer líder que apoiasse os EUA. E assim se construiu uma rede planetária de líderes nacionais (muitas vezes também nacionalistas) dispostos a por as necessidades de Washington acima de qualquer necessidade local.

Durante a Guerra Fria, os EUA favoreceram ditadores militares na América Latina, ditadores aristocráticos no Oriente Médio e uma mistura de democratas e ditadores na Ásia. Em 1958, golpes militares na Tailândia e no Iraque repentinamente viraram os holofotes para os militares do Terceiro Mundo, exibindo-os como forças às quais os EUA poderiam recorrer e com as quais poderiam contar. Foi quando o governo Eisenhower decidiu trazer líderes militares estrangeiros para treiná-los nos EUA e, assim, facilitar “o gerenciamento” das forças de mudança geradas pelo desenvolvimento daquelas nações emergentes. Dali em diante, Washington faria jorrar ajuda militar para cultivar os exércitos dos aliados e possíveis aliados em todo o planeta, ao mesmo tempo em que “missões de treinamento” seriam usadas para construir laços cruciais entre militares dos EUA e oficiais dos exércitos em todo o mundo; e, onde as elites subordinadas não parecessem suficientemente subordinadas, para ajudar a identificar líderes alternativos.

Nos casos em que presidentes civis se insubordinassem, entraria em ação a CIA, promovendo golpes que poriam no poder governos militares confiáveis – substituindo o primeiro-ministro do Irã Mohammad Mossadeq, que tentou nacionalizar o petróleo iraniano, pelo general Fazlollah Zahedi (então o jovem Xá) em 1953; o presidente Sukarno, pelo general Suharto na Indonésia na década seguinte; e, claro, o presidente Salvador Allende pelo general Augusto Pinochet no Chile em 1973, para citar apenas esses três casos.

Nos primeiros anos do século 21, a confiança de Washington nos militares nos seus estados-clientes só aumentou. Os EUA entregavam 1,3 bilhões de dólares ao ano ao Egito, como ajuda militar, e investiam só 250 milhões de dólares em programas de desenvolvimento econômico do país. Resultado disso, quando as manifestações populares sacudiram as bases do regime no Cairo em janeiro passado, os EUA imediatamente pensaram em uma “transição pacífica” com troca de generais. Nas palavras do New York Times, “investimento de 30 anos que rendeu bons dividendos, quando generais dos EUA e agentes de inteligência conheciam todos os nomes cogitados para formar um novo governo, amigos e colegas com os quais trabalharam e serviram”. “Transição pacífica”, no Egito, com apoio do exército, para manter a ditadura militar.

Em outros locais no Oriente Médio, Washington, desde os anos 1950s, sempre acompanhou a preferência britânica por aristocratas árabes, cultivando aliados como um Xá (no Irã), vários sultões (Abu Dhabi, Oman), vários emires (Bahrain, Kuwait, Qatar, Dubai), vários reis (Arábia Saudita, Jordânia, Marrocos). Em toda essa região vasta e volátil, do Marrocos ao Irã, Washington cortejou regimes monárquicos aos quais ofereceu alianças militares, sistemas de armas norte-americanos, apoio da CIA para a segurança local, paraíso seguro nos EUA para o dinheiro daquelas monarquias, e favores especiais às elites locais, entre as quais estudo e formação acadêmicas para os príncipes e nobres, com livre acesso às universidades norte-americanas ou escolas de formação de militares do Departamento de Defesa em todo o planeta.

Em 2005, a secretária de Estado Condoleezza Rice fez patético resumo de todo esse trabalho: “Há 60 anos, os EUA procuram a estabilidade à custa da democracia no Oriente Médio. Não conseguimos nem uma, nem outra”.

Mas, antes, funcionava…

Os EUA não são a primeira potência a construir poder imperial baseado em laços pessoais com líderes locais. Nos séculos 18 e 19, a Grã-Bretanha reinou sobre os oceanos (como os EUA depois reinariam nos céus), mas, em terra, como todos os impérios passados, tudo sempre dependeu de alianças locais que servissem de representantes locais, para o controle direto, local, das sociedades humanas, sempre mais voláteis que céus e mares. Não fosse assim, como, em 1900, uma nação insular, de apenas 40 milhões de almas, com exército de apenas 99 mil soldados, comandaria um império global de 400 milhões de seres humanos, quase um quarto de toda a humanidade?

De 1850 a 1950, a Grã-Bretanha controlou suas colônias formais mediante uma extraordinária rede de aliados locais – dos chefes das ilhas Fiji e sultões da Malásia a maharajas indianos e emires africanos. Simultaneamente, mediante elites subordinadas, os britânicos controlavam um “império informal” ainda mais amplo, que incluía imperadores (de Pequim a Istanbul), reis (de Bangkok ao Cairo) e presidentes (de Buenos Aires a Caracas). No auge, em 1880, o império informal britânico na América Latina, Oriente Médio e China era maior, em população, que as colônias formalmente ligadas à ‘metrópole’ na Índia e na África. Todo esse gigantesco império global, sobre cerca de metade de todos os seres humanos sobre o planeta, dependeu, sempre, de frágeis laços de cooperação com as elites locais.

Mas repentinamente, depois de 400 anos de ininterrupta expansão imperial, os cinco maiores impérios europeus de ultramar foram varridos do mapa, em apenas 25 anos de descolonização. Entre 1947 e 1974, os impérios belga, britânico, holandês, francês e português sumiram da Ásia e da África, dando lugar a uma centena de novas nações, das quais mais de 50 são hoje estados soberanos. À caça de explicação para mudança tão rápida e tão radical, muitos especialistas concordam com Ronald Robinson, historiador do império britânico, autor de famosíssima frase: “quando somem os seus governantes indígenas, os impérios morrem”.

Durante a Guerra Fria que coincidiu com essa era de rápida descolonização, as duas superpotências globais voltaram aos mesmos métodos e usaram com regularidade suas respectivas agências de espionagem para manipular os governos dos novos estados independentes. A KGB da URSS e suas agências delegadas, como a Stasi na Alemanha Oriental e a Securitate na Romênia forçaram uma uniformidade política entre os 14 estados satélites soviéticos na Europa do Leste e desafiaram os EUA, em todos os estados leais aos norte-americanos no Terceiro Mundo. Simultaneamente, a CIA monitorou de perto a lealdade de seus presidentes, autocratas e ditadores nos quatro continentes, com golpes, suborno e penetração nos serviços de segurança nacionais e, sempre que necessário, derrubaram governos inconvenientes.

Numa era de sentimento nacionalista, contudo, a lealdade das elites locais mostrou-se assunto mais complexo do que se esperava. Muitas daquelas elites eram arrastadas por lealdades conflitivas e muitas vezes por sentimentos arraigados de nacionalismo, o que obrigava os EUA a vigiá-las de perto. Aquelas elites eram tão criticamente importantes e qualquer insubordinação implicava questões tão amplas, que a CIA passou a trabalhar rotineiramente em operações clandestinas para ‘mantê-las em rota’, operações que geraram algumas das maiores crises da Guerra Fria.

Ante o crescimento da crise em seu sistema global de controle no mundo de depois da II Guerra Mundial, restaram poucas alternativas a Washington, além de trabalhar com fantoches locais os quais – mesmo que em posições mais fracas – ainda tentavam maximizar o que viam como interesse nacional de suas nações (tanto quanto viam como seu interesse mais diretamente pessoal). Mesmo no auge do poder global dos EUA, nos anos 1950s, quando a dominação norte-americana ainda não enfrentava desafios graves, Washington foi forçada a barganhar com alguns líderes locais, como, por exemplo, Raymond Magsaysay nas Filipinas, o ditador sul-coreano Syngman Rhee e com Ngo Dinh Diem no Vietnã do Sul.

Na Coreia do Sul, nos anos 1960s, por exemplo, o general Park Chung Hee, então presidente, condicionou o uso de tropas de seu país a bilhões de dólares para investimento – primeiro passo do que seria depois o “milagre” econômico sul-coreano. No processo, Washington pagou e obteve o que mais queria: 50 mil soldados e mercenários coreanos, para sua guerra no Vietnã, cada dia mais impopular.

No mundo pós-Guerra Fria

Depois de derrubado o Muro de Berlim em 1989, o que marcou o fim oficial da Guerra Fria, Moscou rapidamente perdeu seus estados-satélites, da Estônia ao Azerbaidjão, à medida que estados leais aos soviéticos saltavam do barco imperial que naufragava. Para Washington, que se sentiu “vitoriosa” e já se preparava para ocupar o lugar de “única superpotência” no planeta, começaria ali processo idêntico, mas um pouco mais lento.

Ao longo das duas décadas seguintes, a globalização gerou um sistema multipolar de potências emergentes em Pequim, Nova Delhi, Moscou, Ancara e Brasília – ao mesmo tempo em que um poder desnacionalizado e corporativo reduzia a dependência das economias em desenvolvimento, que deixavam cada dia mais de depender de um único estado, por mais ‘imperial’ que quisesse ser. Com sua capacidade para controlar elites pelo mundo cada dia menos efetiva, Washington teve, então de encarar a concorrência política e ideológica do fundamentalismo islâmico, dos sistemas de regulação da União Europeia, do capitalismo de Estado chinês e de uma onda crescente de nacionalismo econômico na América Latina.

Na medida em que o poder de influência dos EUA declinava, as tentativas de Washington para controlar suas elites subordinadas locais pelo mundo começaram a falhar, algumas vezes espetacularmente. O caso mais espetacular de fracasso desse tipo foi o golpe tentado para depor Hugo Chavez da Venezuela, fracasso, de fato, retumbante, em 2002. Outro caso, a tentativa de tirar da órbita soviética a Georgia do aliado Mikheil Saakashvili em 2008. E, isso, sem falar na nêmesis de Washington, Mahmoud Ahmadinejad, que enfrentou tentativa de golpe nas eleições de 2009 no Irã e lá continua, até hoje. Onde, antes, sempre bastaram os golpes da CIA ou muito dinheiro, foi necessário, no governo Bush, toda uma massiva invasão militar, com guerra, para tirar do posto um único adversário, ditador ex-aliado que, de repente, começara a criar problemas, Saddam Hussein. E mesmo assim, os EUA viram bloqueados seus planos para “troca de regime” na Síria e no Irã, quando esses dois estados contribuíram para criar uma guerrilha devastadora contra as forças dos EUA, dentro do Iraque.

Do mesmo modo, apesar dos bilhões de dólares consumidos em ajuda externa, Washington ainda não conseguiu controlar o presidente que os próprios norte-americanos puseram no poder no Afeganistão, Hamid Karzai, que, em resposta memorável aos enviados norte-americanos que não lhe davam sossego, disse que “Se querem um fantoche para chamar de parceiro, nada feito. Se querem um parceiro, sim, podemos conversar.”

Depois, no final de 2010, WikiLeaks começou a publicar aqueles milhares de telegramas diplomáticos dos EUA que abrem via ampla, sem qualquer controle ou censura, para que se veja, ‘ao vivo’, o enfraquecimento do poder de Washington, que já não domina o sistema de poder delegado que construiu e no qual muito investiu durante 50 anos. Ao ler aqueles documentos, o jornalista israelense Aluf Benn do jornal Haaretz, viu “a queda do império americano, o declínio de uma superpotência que comandou o mundo com seu exército e supremacia econômica.” Nunca mais, escreveu ele “os embaixadores dos EUA serão recebidos nas capitais do planeta como ‘altos comissários’. São vistos hoje como o que hoje são: burocratas cansados, que consomem seus dias ouvindo tediosamente o que não querem ouvir, cada interlocutor empenhado em seu discurso próprio, sem jamais conseguirem convencer os interlocutores locais sobre quem é a superpotência e quem é o estado-cliente.”

É verdade. O que os documentos publicados por WikiLeaks mostram é um Departamento de Estado que labuta para manter um sistema global indisciplinável, de elites locais cada dia mais insubordinadas; um Departamento de Estado que usa de todos os meios – que se serve da mais pura intriga tentando recolher informação e inteligência, de gestos de amizade para tentar obter alguma solidariedade, de ameaças para obrigar a cooperar e que desperdiça bilhões de dólares para comprar uma influência que nunca é suficiente. No início de 2009, por exemplo, o Departamento de Estado instruiu suas embaixadas em todo o mundo a agir como polícia imperial para recolher informação sobre líderes locais, inclusive “endereços de e-mail, números de telefones e faxes, impressões digitais, fotos, DNA e imagens SCAN da íris”.

Não há evidência mais clara de que, como qualquer subgovernador de colônia periférica, o Departamento de Estado depende hoje de informação de algibeira para incriminar adversários, do que a ordem, do Departamento de Estado à embaixada do Bahrain, para que reunisse detalhes sórdidos sobre os príncipes coroados do reino, que os comprometessem aos olhos de uma sociedade islâmica. Textualmente: “O que sabemos que incrimine os príncipes? Algum deles bebe álcool? Usa drogas?”

Com arrogância de quem foi enviado do império até anteontem, os diplomatas dos EUA ainda se autoconsideram senhores de todo o poder e descartam “os turcos neo-otomanos que aparecem pelo Oriente Médio e os Bálcãs”. Ou supõem que conheçam todas as fraquezas das elites subordinadas, como, por exemplo, “a loura voluptuosa que presta serviços de enfermagem ao coronel Muammar Gaddafi”, ou o “medo pânico” que os golpes militares inspiram ao presidente do Paquistão Asif Ali Zardari, ou sobre os 52 milhões de dólares “de fundos roubados” na conta do vice-presidente Ahmad Zia Massoud, do Afeganistão.

Mas, à medida que sua influência declina, Washington está descobrindo que muitos de seus aliados selecionados a dedo nas elites locais ou se tornam cada vez menos controláveis ou cada vez mais irrelevantes, sobretudo no estratégico Oriente Médio. Em meados de 2009, por exemplo, o embaixador dos EUA na Tunísia relata que “o presidente Ben Ali… e seu governo perderam qualquer contato com o povo tunisiano” e dependem “da polícia para controlar o povo”, ao mesmo tempo em que “a corrupção cresce nos círculos mais íntimos do poder” e “aumentam os riscos de instabilidade do regime, para o longo prazo”. Pois mesmo assim, o enviado dos EUA só recomenda que Washington “desconsidere a crítica popular” e passe a confiar “na sinceridade das informações que se obtêm nos altos círculos” – exatamente a mesma política que não produziu reforma alguma, até que as ruas derrubaram o ditador, apenas 18 meses depois dessa informação ‘de inteligência’.

Assim também , no final de 2008, a embaixada dos EUA no Cairo temia que “a democracia egípcia e os esforços de defesa dos direitos humanos estão sendo sufocados”. Mas, como disse a própria embaixada, “nada parece sugerir que se venha a assistir a complicações para os interesses regionais dos EUA, no caso de os laços entre EUA e Egito virem a ser gravemente enfraquecidos”. Quando, poucos meses depois, Mubarak visitou Washington, a Embaixada do Cairo insistiu para que a Casa Branca “restaure o senso de calorosa amizade que tradicionalmente caracterizou a parceria EUA-Egito”. E por isso, em junho de 2009, apenas 18 meses antes de Mubarak ser derrubado, o presidente Obama saudou seu ditador tão útil como “aliado confiável, um pilar de estabilidade e bonança na Região”.

Enquanto a crise na praça Tahrir no Cairo só fazia crescer, um respeitado líder da oposição, Mohamed ElBaradei, reclamava amargamente que Washington “está empurrando todo o mundo árabe na direção da radicalização, com essa política inábil de apoiar a repressão”. Depois de 40 anos de domínio dos EUA, o Oriente Médio, disse ele, não passava de “um punhado de estados fracassados que nada acrescentam à humanidade ou à ciência” porque “as pessoas são ensinadas a não pensar nem agir e, consistentemente, recebem educação inferior.”

Dado que não há guerra global capaz de simplesmente varrer do mundo um império, o declínio de uma grande potência sempre é lento, doloroso processo de esgotamento. Além das duas guerras dos EUA no Iraque e no Afeganistão, que se aproximam de alguma coisa que mais parece derrota que vitória, o capital do império vê-se atacado por grave crise fiscal, a moeda do reino perde valor de troca, e aliados de muito tempo constroem laços econômicos e até militares com a rival China. A tudo isso, impossível não acrescentar a possível perda de leais delegados em todo o Oriente Médio.

Há mais de 50 anos, Washington aproveita-se de um sistema global de poder baseado em elites locais subordinadas. Esse sistema facilitou a expansão da influência norte-americana por todo o mundo, com surpreendente eficácia e (em termos relativos) satisfatória economia de forças. Hoje, esses aliados leais já mais se parecem império desconexo, ou estados abertamente insubordinados. Make no mistake, como gosta de dizer o presidente Obama, que ninguém se engane: o fim de meio século de laços do velho tipo, indica, claramente, que Washington subiu no telhado.

Veja aqui um exemplo de tucanos que rastejaram diante de Washington

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