domingo, 17 de abril de 2011

Na Quaresma, brasileiros consomem mais pescado e têm dicas de escolha do peixe

18.04.2011
Do BLOG DO PLANALTO, em 16.04.11

A ministra da Pesca e Aquicultura, Ideli Salvatti, numa feira em Manaus avalia a qualidade do pescado de água doce. Foto: Secom/MPA/Arquivo

Com o fim do período da Quaresma – que compreende 40 dias após a quarta-feira de cinzas – os brasileiros se preparam para comprar o pescado que levarão à mesa no feriado da Paixão de Cristo, sexta-feira (22/04). É justamente neste período que o consumo aumenta em 15% em relação aos demais meses do ano. A ministra da Pesca e Aquicultura (MPA), Ideli Salvatti, vem se empenhando para que o Brasil aumente o consumo per capita de peixe. Em 2010, o consumo de pescado era cerca de nove quilos por brasileiro e, em 2011, deve atingir a marca de 10 quilos por habitante. A meta é chegar 12 quilos por pessoa, conforme prevê a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para auxiliar os brasileiros na escolha do pescado nesse período de maior consumo o MPA divulgou algumas dicas que vão das características e aparência dos produtos à obrigatoriedade do uso de luva descartáveis para seu manuseio em estabelecimentos comerciais:

PESCADO FRESCO
– Os peixes frescos possuem pele firme, bem aderida, úmida e sem a presença de manchas; os olhos devem ser brilhantes e salientes; as escamas devem ser unidas entre si, brilhantes e fortemente aderidas à pele; as brânquias (guelras) devem possuir cor que vai do rosa ao vermelho intenso, ser brilhantes e sem viscosidade; odor característico e não repugnante; livre de contaminantes (como areia, pedaços de metais, plásticos, combustíveis, sabão e moscas).

PESCADO SECO – O “pescado seco” é dessecado de forma apropriada sem adição de sais. O “pescado salgado seco” é dessecado inteiro e tratado com sal (cloreto de sódio). Ele deve estar armazenado em local limpo, protegido de poeira e insetos; Ausência de mofo, ovos, ou larvas de moscas, manchas escuras ou avermelhadas, limosidade superficial, amolecimento e odor desagradável.

PRODUTOS CONGELADOS
– Os produtos congelados devem ser conservados sempre a temperaturas inferiores a -18ºC e resfriados abaixo de 0ºC. No caso de produtos resfriados ou congelados, preste atenção se há poças de água no freezer e a presença de produtos molhados. Esses fatores podem indicar que o freezer foi desligado ou teve a sua temperatura reduzida, o que pode comprometer a qualidade do produto, causando sua deterioração. Os peixes já fatiados e industrializados só devem ser adquiridos se estiverem carimbados com o selo do SIF (Serviço de Inspeção Federal).

PESCADO ENLATADO – o pescado em conserva é armazenado em recipientes herméticos, podendo ser vendido nas seguintes categorias: “Ao natural” – é o pescado armazenado com salmoura fraca, adicionada ou não de temperos; “Em azeite ou em óleos comestíveis”: é o pescado armazenado em azeite de oliva ou outro óleo comestível, adicionado ou não de temperos.

Os rótulos ou embalagens devem apresentar informações obrigatórias, como identificação da origem, prazo de validade, instruções para uso, quando necessário, o Selo de Inspeção Federal (SIF).

CUIDADO COM AS EMBALAGENS – A embalagem deve conter o nome do produto; lista de ingredientes em ordem decrescente de quantidade, isto é, o ingrediente que estiver em maior quantidade deve vir primeiro, e assim por diante; conteúdo líquido (quantidade ou volume que o produto apresenta); identificação da origem (identificação do país ou local de produção daquele produto); identificação do lote.

PRAZO DE VALIDADE: o dia e o mês para produtos com duração mínima menor do que três meses e o mês e o ano para produtos com duração superior a três meses; instruções para o uso, quando necessário. Selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), Serviço de Inspeção Estadual ou Municipal. No caso de produtos importados, as informações devem estar em português.

Os produtores de pescado embalado devem ainda declarar a rotulagem nutricional obrigatória com as seguintes informações: valor energético, carboidratos,proteínas, gordura totais, gorduras saturadas, gordura trans, fibra alimentar e sódio.

O MPA reforça ainda que é necessário observar a limpeza e a higienização dos instrumentos de trabalho do peixeiro e o local de manipulação dos pescados para garantir a escolha de um bom pescado.

O Blog do Planalto deixa à disposição do internauta uma receita de fácil preparo.

Moqueca de peixe com molho de camarão – serve seis pessoas

Ingredientes:

1 kg. de badejo em postas( ou arraia, garoupa, cavala ou pargo)
suco de meio limão
1 cebola média em rodelas
2 pimentões verdes
3 tomates
1/2 kg. de camarão médio limpo
4 tabletes de caldo de camarão
1 vidro de leite de coco(200 ml)
2 colheres (sopa) de coentro picado
1 colher (sopa) de azeite-de-dendê

Modo de preparo:

1. Lave bem o peixe, regue com suco de limão e reserve
2. Pique a cebola, os pimentões, os tomates em pedacinhos e reserve
3. Em uma panela grande ou frigideira de fundo largo, ponha metade do peixe, dos legumes reservados e dos camarões
4. Coloque dois tabletes de caldo de camarão esfarelados e salpique metade do coentro
5. Repita as camadas na mesma ordem
6. Acrescente os tabletes de caldo esfarelado restantes, o leite de coco e salpique o coentro
7. Cozinhe em fogo baixo por aproximadamente 20 minutos, em panela parcialmente tampada para que o molho fique bem apurado
8. Se necessário, acrescente 1/2 xícara (chá) de água
9. De vez em quando mexa cuidadosamente para não quebrar o peixe e para que os tabletes de caldo de camarão possam dissolver e temperar uniformemente
10. Acrescente o azeite-de-dendê
11. Prove os temperos e adicione sal, se necessário
12. Sirva a seguir.

Inflação: a mesma desculpa de sempre!

17.04.2011
Do site de Carta Maior
Por Paulo Kliass*


Para um leitor desatento das páginas de economia dos grandes meio de comunicação, aparece como um consenso generalizado a “necessidade inescapável” de, mais uma vez, aumentar a taxa oficial de juros.

Nos próximos dias 18 e 19 de janeiro reúne-se a diretoria do Banco Central, sob a presidência de Alexandre Tombini, para realizar o primeiro encontro do Comitê de Política Monetária (COPOM) no mandato da Presidenta Dilma. Como ocorre em todo evento a cada 45 dias, figura em pauta a definição da taxa oficial de juros - a SELIC, atualmente no patamar de 10,75% ao ano.

O mercado financeiro está em plena agitação, como sempre. Mas as apostas agora ganham em expectativa, uma vez que existe uma incerteza generalizada quanto à capacidade de Dilma Roussef manter seu compromisso à época da campanha eleitoral de reduzir a taxa de juros vigente em nosso País e trazê-la para níveis mais, digamos assim, “civilizados”... Ou seja, os desejos pesados do capital financeiro se manifestam por meio da divulgação de consultas e relatórios de empresas e indivíduos que têm interesse na continuidade dessa política monetária irracional e irresponsável. Para um leitor desatento das páginas de economia dos grandes meio de comunicação, aparece como um consenso generalizado a “necessidade inescapável” de, mais uma vez, aumentar a taxa oficial de juros.

O argumento evocado pelos agentes que operam no mercado financeiro é o de sempre: os riscos apresentados pelas informações disponíveis a respeito da economia de que a meta de inflação anual escape do controle governamental. Não custa aqui recordar alguns elementos básicos para compreender a essência de tal raciocínio. O regime atual de estabilidade macroeconômica pressupõe a existência de uma meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) . Hoje em dia ela está fixada em 4,5% ao ano, com uma margem de tolerância de 2% para cima ou para baixo. Ou seja, enquanto a inflação estiver situada entre 2,5% e 6,5% ao ano, a situação estaria dentro do intervalo esperado. Assim, caso haja uma tendência de elevação dos preços superior a tal meta anual, a solução usada até o momento tem sido, fundamentalmente, a de aumentar a taxa SELIC, de forma a promover uma elevação generalizada dos juros na economia e se obter como resultado uma redução no volume de consumo agregado, do conjunto da sociedade.

Mas afinal, por que tanta preocupação assim com a inflação, poderão perguntar alguns? Pois é, a coisa é mais complicada do que aparenta. Vamos aos poucos. De acordo com os dados preliminares do Censo 2010, a nossa pirâmide populacional apresenta por volta de 26% de pessoas com até 16 anos de idade. Isso significa dizer que 50 milhões de brasileiros, do total de 191 milhões, nasceram após 1994. A conclusão é que aproximadamente 1 em cada 4 brasileiros nasceu após o advento do Plano Real. Trata-se de uma parcela importante de nossa gente, para quem a normalidade cultural e comportamental inclui o sentido de viver em um ambiente social e econômico de preços estáveis. Para essa geração, inflação baixa e sob controle é o padrão. Porém, são crianças e jovens adolescentes, a grande maioria deles ainda dependentes dos pais e da família para efeito de assegurar a renda para a sobrevivência e o consumo.

Já os demais 141 milhões de indivíduos experimentaram, de uma forma ou outra, os períodos anteriores ao Plano Real e sentiram em sua própria pele os efeitos perversos de viver em um ambiente de preços em constante elevação acelerada e mesmo de hiperinflação. A história é longa e tortuosa – fiquemos nas últimas 5 décadas. Depois do golpe militar de 1964, a reforma monetária de 1967, com a perda de 3 zeros do “cruzeiro” da época e a criação da nova moeda - o “cruzeiro novo” ( na verdade, as cédulas antigas ganharam um carimbo com o novo valor e novo nome). Logo após, em 1970 o “cruzeiro novo” ganha cédula nova e vira simplesmente “cruzeiro”. Em 1986, após 16 anos de inflação elevada e perda do valor da moeda, o Plano Cruzado cria a moeda de mesmo nome – o “cruzeiro” perdia 3 zeros e cada 1.000 “cruzeiros” passavam a valer 1 “cruzado”. Em 1989, nova reforma monetária e cada 1.000 unidades do recente “cruzado” passavam a valer 1 ”cruzado novo”, nova moeda criada naquele momento. Pouco mais de um ano depois, no início de 1990, com o Plano Collor, a reforma monetária reintroduz o nome “cruzeiro” para a nossa moeda, sem perdas de zeros. E em agosto de 1993, o então recente “cruzeiro” vê-se transformado em “cruzeiro real”, para logo em seguida efetivar-se a transformação no nosso atual “real” por meio das tabelas de conversão da Unidade Real de Valor (URV). Ufa!

Ora, é mais do que compreensível o receio da maioria da população com relação a eventual volta aos cenários pré 1994. Quem viveu sob a égide do crescimento diário dos preços e sofreu as conseqüências de tal processo reconhece a importância do ambiente de estabilidade de preços.

Principalmente, aqueles que vivem de remuneração de seu próprio trabalho ou de aposentadoria e têm menor capacidade de se proteger da perda contínua do valor monetário do dinheiro guardado fora da esfera financeira.

Apenas a título de comparação: entre 1995 e 2010, a média da inflação oficial (IPCA) foi de 7,6% ao ano. No período mais recente, entre 2003 e 2010, a média anual caiu para 5,7%. Porém, nos 4 meses que antecederam o Plano Collor (dez/89 a mar/90), a inflação acumulada superou a marca de 700%. Apenas nos 31 dias daquele março ela foi de 82%. Já nos 12 meses que antecederam ao Plano Real, a inflação acumulada foi superior a 5.000%. Realmente, a diferença para os tempos atuais é enorme e significativa!

Por mais contraditório que possa parecer, o fenômeno da inflação é carregado de forte abstração. Ou melhor, encerra em si mesmo uma contradição: o elemento real/concreto, ao mesmo tempo em que explicita um aspecto ideal/abstrato. O concreto refere-se ao efeito gerado pelo crescimento dos preços em si mesmo, à capacidade de transformar o montante da moeda em mercadoria, ao volume das compras que podem ser efetuadas a cada momento com aqueles recursos. É a sensação bem objetiva que a sabedoria popular denomina como “sentir no próprio bolso” as conseqüências da inflação. É palpável, é real. Os preços do pão, do leite, do ônibus, da gasolina, da batata, do tomate, do telefone, da televisão, do aluguel sobem. Tudo aumenta de preço. E, mais uma vez, a sabedoria popular explica melhor com a imagem da “falta de salário no final do mês”.

No entanto, a inflação é também sintetizada por um número, por um índice. E tal movimento implica um elevado grau de abstração. Na verdade, busca-se a síntese de um fenômeno generalizado de elevação de preços no conjunto da economia para algo que se expressa sob a forma de um x % ao ano, de um y % ao mês e, às vezes, até mesmo de um z % ao dia. E aqui reside um aspecto essencial: esse de conglomerar, adensar num único número um fenômeno carregado de significados que tangenciam o econômico, o social, o cultural.

O fato é que cada indivíduo, cada família ou cada empresa apresenta um padrão de consumo diferenciado. E isso também varia de acordo com as características regionais (a cesta de consumo de uma família no Sul ou no Nordeste), com as características de renda (padrão de consumo da chamada classe A versus a classe C, por exemplo), com o tipo de empresa considerada (compradora de matérias-primas, mais intensiva em capital ou trabalho, etc). E a lista das diferenças é praticamente inesgotável: moradia própria ou pagamento aluguel; veículo próprio ou uso de transporte público; família morando em ambiente urbano ou rural; consumo nas regiões metropolitanas das capitais ou em pequenos municípios do interior; matrícula dos filhos em escola pública ou privada; uso de serviços de saúde do SUS ou pagamento de plano de saúde privado; etc, etc, etc.

Assim, quando se depara com o número “oficial” da inflação do período, cada agente econômico vai se sentir mais ou menos identificado com aquela referência. Exatamente por ser uma média, tal índice opera como se fosse uma abstração. Para tentar mapear o comportamento de forma mais específica e detalhada, aos poucos foi sendo desenvolvido um conjunto amplo de indicadores que buscam dar conta de tal diversidade de situações. E quem se atrever a correr atrás vai se deparar com uma verdadeira sopa de letrinhas, tanto para as siglas dos índices (em geral começam com a letra “I”...) como para as instituições que os elaboram. Alguns exemplos:

INPC (IBGE) – Índice Nacional de Preços ao Consumidor (1 a 6 salários mínimos)
IPC (FIPE/USP) – Índice de Preços ao Consumidor – município de São Paulo
IPC (FGV) – Índice de Preços ao Consumidor
IPC - S ( FGV) – Índice de Preços ao Consumidor - semanal
IPCA (IBGE) – Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (1 a 40 salários mínimos)
IPCA – 15 (IBGE) - Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (entre dias 15 de cada mês)
IGP - DI (FGV) – Índice Geral de Preços - disponibilidade interna
IGP - M ( FGV) - Índice Geral de Preços - mercado
ICV - SP (DIEESE) – Índice de Custo de Vida – município de São Paulo.
INCC (FGV) – Índice Nacional da Construção Civil
IPA (FGV) - Índice de Preços por Atacado
IPA - M (FGV) - Índice de Preços por Atacado - mercado


Como a apuração de cada índice resulta em um número diferente para a inflação do período, dependendo do indicador utilizado há perdas ou ganhos relativos. É conhecido o fato dos contratos das prestadoras de serviços públicos pós privatização terem sido reajustados pelo IGP-M, que apurava índices mais elevados do que a inflação oficial e dos reajustes salariais. Resultado: transferência de renda da maioria da população para um grupo restrito de empresas privadas.

Uma sofisticação importante foi a elaboração dos índices que incorporam os produtos importados e a pesquisa dos preços no atacado. Assim, por exemplo, pode-se avaliar se a inflação em um certo momento tem determinantes externos importantes, como a alta no preço do petróleo, do minério de ferro, da soja e outras bens chamados “commodities” no mercado internacional, sobre os quais a demanda brasileira não tem nenhuma capacidade de atuar – a não ser por meio da taxa de câmbio. Ou então, pode-se captar alguma tendência de elevação futura quando os preços no atacado apresentam alta. Isso significa que os insumos serão processados ou os estoques vendidos já num patamar de preços mais elevado, quando chegarem na ponta para o consumidor final.

E as diferenças continuam: a FGV divulgou que o IGP-DI para 2010 ficou em 11,3%. Mas a o IBGE informou que a inflação medida pelo IPCA para o mesmo período ficou em 5,9%. Por um lado, mais perdas para quem vive da remuneração de seu trabalho. Por outro, maior pressão do mundo financeiro sobre o governo para aumentar a taxa de juros na reunião do COPOM.

E termino com a pergunta que não quer calar: mas afinal, no frigir dos ovos, qual foi mesmo a inflação do Brasil ao longo do ano passado?

Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.
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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4922&alterarHomeAtual=1

"O ser humano é um ser paradoxal, são e doente: nele vivem o santo e o assassino."

17.04.2011
Do BLOG DA MARGARETE

Leonardo Boff
Teólogo, filósofo e escritor
Adital

Esta frase é de F. Nietzsche e quer dizer: o ser humano é um ser paradoxal, são e doente: nele vivem o santo e o assassino. Bioantropólogos, cosmólogos e outros afirmam: o ser humano é, ao mesmo tempo, sapiente e demente, anjo e demônio, dia-bólico e sim-bólico. Freud dirá que nele vigoram dois instintos básicos: um de vida que ama e enriquece a vida e outro de morte que busca a destruição e deseja matar. Importa enfatizar: nele coexistem simultaneamente as duas forças. Por isso, nossa existência não é simples mas complexa e dramática. Ora predomina a vontade de viver e então tudo irradia e cresce. Noutro momento, ganha a partida a vontade de matar e então irrompem violências e crimes como aquele que ocorreu recentemente.

Podemos superar esta dilaceração no humano? Foi a pergunta que A. Einstein colocou numa carta de 30 de julho de 1932 a S. Freud: "Existe a possibilidade de dirigir a evolução psíquica a ponto de tornar os seres humanos mais capazes de resistir à psicose do ódio e da destruição”? Freud respondeu realisticamente: "Não existe a esperança de suprimir de modo direto a agressividade humana. O que podemos é percorrer vias indiretas, reforçando o princípio de vida (Eros) contra o princípio de morte (Thanatos). E termina com uma frase resignada: "esfaimados pensamos no moinho que tão lentamente mói que poderemos morrer de fome antes de receber a farinha”. Será este o nosso destino?

Por que escrevo isso tudo? É em razão do tresloucado que no dia 5 abril numa escola de um bairro do Rio de Janeiro matou à bala 12 inocentes estudantes entre 13-15 anos e deixou 12 feridos. Já se fizeram um sem número de análises, foram sugeridas inúmeras medidas como a da restrição da venda de armas, de montar esquemas de segurança policial em cada escola e outras. Tudo isso tem seu sentido. Mas não se vai ao fundo da questão. A dimensão assassina, sejamos concretos e humildes, habita em cada um de nós. Temos instintos de agredir e de matar. É da condição humana, pouco importam as interpretações que lhe dermos. A sublimação e a negação desta anti-realidade não nos ajuda. Importa assumi-la e buscar formas de mantê-la sob controle e impedir que inunde a consciência, recalque o instinto de vida e assuma as rédeas da situação. Freud bem sugeria: tudo o que faz criar laços emotivos entre os seres humanos, tudo o que civiliza, toda a educação, toda arte e toda competição pelo melhor, trabalha contra a agressão e a morte.

O crime perpetrado na escola é horripilante. Nós cristãos conhecemos a matança dos inocentes ordenada por Herodes. De medo que Jesus, recém-nascido, mais tarde iria lhe arrebatar o poder, mandou matar todas as crianças nas redondezas de Belém. E os textos sagrados trazem expressões das mais comovedoras: "Em Ramá se ouviu uma voz, muito choro e gemido: é Raquel que chora os filhos e não quer ser consolada porque os perdeu” (Mt 2,18). Algo parecido ocorreu com os familiares das vítimas.

Esse fato criminoso não está isolado de nossa sociedade. Esta não tem violência. Pior. Está montada sobre estruturas permanentes de violência. Aqui mais valem os privilégios que os direitos. Marcio Pochmann, em seu Atlas Social do Brasil, nos traz dados estarrecedores: 1% da população (cerca de 5 mil famílias) controlam 48% do PIB e 1% dos grandes proprietários detém 46% de todas as terras. Pode-se construir uma sociedade de paz sobre semelhante violência social? Estes são aqueles que abominam falar de reforma agrária e de modificações no Código Florestal. Mais valem seus privilégios que os direitos da vida.

O fato é que em pessoas perturbadas psicologicamente, a dimensão de morte, por mil razões subjacentes, pode aflorar e dominar a personalidade. Não perde a razão. Usa-a a serviço de uma emoção distorcida. O fato mais trágico, estudado minuciosamente por Erich Fromm (Anatomia da destrutividade humana, 1975) foi o de Adolf Hittler. Desde jovem foi tomado pelo instinto de morte. No final da guerra, ao constatar a derrota, pede ao povo que destrua tudo, envenene as águas, queime os solos, liquide os animais, derrube os monumentos, se mate como raça e destrua o mundo. Efetivamente ele se matou e todo os seus seguidores próximos. Era o império do princípio de morte.

Cabe a Deus julgar a subjetividade do assassino da escola de estudantes. A nós cabe condenar o que é objetivo, o crime de gravíssima perversidade e saber localizá-lo no âmbito da condição humana. E usar todas as estratégias positivas para enfrentar o Trabalho do Negativo e compreender os mecanismos que nos podem subjugar. Não conheço outra estratégia melhor que buscar uma sociedade justa, na qual o direito, o respeito, a cooperação e a educação e saúde para todos sejam garantidos. E o método nos foi apontado por Francisco de Assis em sua famosa oração: levar amor onde reinar o ódio, o perdão onde houver ofensa, a esperança onde grassar o desespero e a luz onde dominar as trevas. A vida cura a vida e o amor supera em nós o ódio que mata.
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Viva o povo brasileiro

17.04.2011
Do site de Carta Maior, em 07.01.11
Por Luiz Marques

O povo brasileiro deu prova de elevada consciência política em face da solapa da mídia empresarial, que fabricou crises à exaustão sempre apresentando o país à beira de um iminente colapso. A unção da primeira mulher ao cargo máximo da nação não foi contradita por uma maioria parlamentar hostil.


No pleito de 2002, a resposta veio com o bordão “Lulinha, paz e amor”: o antídoto para romper o isolamento dos críticos do projeto conservador. A “paz”, porém, não nasceria da criminalização das mobilizações sociais para evitar turbulências na ordem estabelecida. Essa ignomínia autoritária pertence aos tucanos. Vide o sem-terra assassinado pelo rifle de Yeda Crusius no Rio Grande do Sul, os professores espancados pelos cassetetes de José Serra em São Paulo, os petroleiros ameaçados pelos tanques de FHC no Rio de Janeiro. O “amor” prenunciava o diálogo aberto com as lideranças populares, os novos conselhos, a reformatação dos existentes e o incentivo à participação cidadã na confecção de políticas públicas como um meio de superar a rarefação da atmosfera social produzida pelas políticas neoliberais (Gerson Almeida, “É a democracia, senhores!”, Carta Maior, 23/12/2010).

Os conflitos continuaram a espocar, agora abordados sob o ângulo do trabalho. A diferença é que incorporaram-se na agenda da acumulação as demandas de inclusão societária e controle administrativo transparente, como ilustram os programas que aspiram ser assimilados às políticas de Estado: o Bolsa Família, o ProUni e os instrumentos criados pela Controladoria-Geral da União para coibir a malversação do erário nas duas pontas, a dos corruptos e a dos corruptores. Essa profissão de fé no bem comum, autêntica declaração de guerra às práticas patrimonialistas, foi ressaltada no discurso de posse de Dilma Rousseff: “Serei rígida na defesa do interesse público. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. A corrupção será combatida permanentemente, e os órgãos de controle e investigação terão todo o meu respaldo para atuarem com firmeza e autonomia”.

Ética da responsabilidade
Para alguns, o chamado lulismo promoveu a conciliação de classes para contemplar a burguesia. Mas o que aconteceu é que, de 2002 a 2010, a renda dos 10% mais pobres cresceu seis vezes mais (72%) que a renda dos 10% mais ricos (11,2%), segundo dados do Ipea. As privatizações do patrimônio público foram interrompidas e os serviços públicos aperfeiçoados. Os ajustes fiscais trocados por gastos sociais. O Estado tornado indutor do desenvolvimento sustentável para extirpar as discrepâncias sócio-regionais. A integração latino-americana revigorada com o rechaço à Alca, que só atende as ambições geopolíticas dos EUA. O Mercosul empoderado pela aprovação do Estatuto da Cidadania. Nada que caracterize uma “direitização” ou legitime a retórica pemedebista da “despolarização”, como se houvesse política sem polarização e democracia sem dissenso. De resto, o PT manteve a posição programática de enfrentamento sistemático ao neoliberalismo.

Para outros, o petismo teria abandonado os preceitos ideológicos de origem e se institucionalizado. Com o que, o PT deixou de ser um “partido de massas” para converter-se em um “partido de notáveis” controlado por centros individuais de decisão, de acordo com as categorias formuladas na entrada dos anos 50 por um clássico da sociologia política, Maurice Duverger. A presença do PT na institucionalidade esvaziou os núcleos de base e afrouxou os vínculos com os movimentos sociais, é vero. No entanto, não se depreende daí que apagou a rebeldia. Ou o socialismo. Conceito usado com moderação porque a proposta de um novo sistema econômico não constitui uma bandeira de luta. O feudalismo deu lugar à modernidade quando esta não tinha nome. Ninguém mobilizou-se, à época, contra o antigo regime e a favor do “capitalismo”. Mobilizou-se contra as desigualdades insuportáveis. Há que se retirar a carga dramática que conduz, do fetichismo dos rótulos, ao sectarismo.

O que se incrimina na compreensível metamorfose do PT é o fato de que as suas próprias atribuições institucionais na esfera estatal obrigaram-no a adotar uma “ética da responsabilidade”, de modo a medir as consequências políticas e jurídicas de cada ato no quadro de um Estado democrático (e social) de Direito. Deve-se olhar a floresta, para além da árvore. O reconhecimento da realidade não equivale à aceitação de sua imutabilidade. É, antes, o requisito para assumir um papel protagonista nas mudanças, ao invés de se refugiar em um vanguardismo abstrato. O cálculo é obrigatório para que atitudes voluntariosas não ponham em risco, seja a estabilidade da economia, seja a governabilidade política. Como proceder diferente, sem alijar-se do embate concreto nas circunstâncias dadas?

Aferrar-se à “ética da convicção”, para a qual valem apenas os princípios e não o resultado das ações, seria incompatível com a atividade política. Tão somente as crenças religiosas podem guiar-se por normas de conduta alheias à opinião pública e aos dispositivos constitucionais. À exceção dos grupos marginais na competição política (très républicain de conviction et très aristocrate de tempérament), nenhum partido com uma inserção social relevante pode pautar-se pela pura subjetividade, sem dimensionar o dia seguinte. Não por fazerem “parte do sistema”, mas para incidirem na grande política com o propósito de modificar as estruturas de dominação. “Temos de recriar a nossa cultura política. Não significa renunciar a princípios, abdicar de sua ideologia, mas colocar o patamar de disputa em um nível superior”, resumiu Tarso Genro (Zero Hora, 31/12/2010).

Consciência política
As eleições de 2010 demonstraram o discernimento político adquirido por enormes parcelas do eleitorado. Conferiram ao PT a maior bancada federal, 88 deputados, cacifando-o para assumir o que era exclusividade do PMDB, que somou 79 cadeiras: o comando da “Casa dos Comuns” (de incomuns aumentos nos vencimentos). As vertentes do descarado entreguismo, PSDB e DEM, elegeram 53 e 43. O PV, da candidatura que reivindicava a “terceira via”, 15. O PSOL, 3. O PSTU, nenhum. Conquanto dissidências internas provocassem o surgimento de duas outras agremiações, o PT mantém-se como a principal corrente de esquerda, com capilaridade em todas as regiões. Considerando a votação do PSB, que colocou 34, do PDT, 28, e do PC do B, 15, os “anjos tortos” recrudesceram em densidade e identidade no tocante às funções clássicas do Estado, o que é de bom augúrio.

O PT também passou de 8 para 14 senadores. Em contrapartida, a oposição de direita sofreu uma contundente derrota. O PSDB, que detinha 16 postos, caiu para 11. O DEM, que possuía 13, despencou para 6. Os números escancaram o revés que se abateu sobre o reacionarismo “sem noção”. Como os Projetos de Lei aprovados na Câmara precisam passar pelo crivo senatorial, em uma clara demasia, conclui-se que os eleitores facilitaram os trâmites ao aposentar algumas raposas da política, “um pouco de homens, outro pouco de instituição”, parafraseando Machado de Assis no conto O velho Senado: Tasso Jereissati (CE), Arthur Virgílio (AM), Marco Maciel (PE), José Carlos Aleluia (BA) e César Maia (RJ). A “turma do contra”, na espirituosa expressão veiculada na campanha para destacar o facciosismo cheio de raiva dos demotucanos ao longo dos dois mandatos de Lula.

O povo brasileiro deu prova de elevada consciência política em face da solapa da mídia empresarial, que fabricou crises à exaustão apresentando o país à beira de um iminente colapso. A unção da primeira mulher ao cargo máximo da nação não foi contradita por uma maioria parlamentar hostil. Embora a zona de compromissos da composição vitoriosa situe-se em terreno movediço, descortinam-se novas possibilidades para o governo da União, cuja estratégia consiste em sedimentar a revolução democrática em curso, sem permitir retrocessos. Como declarou a presidenta eleita na fala inaugural: “Venho consolidar a obra de Lula... quero convocar a todos a participar do esforço de transformação... sob a égide dos valores republicanos”. Explica-se a ênfase: o republicanismo é o paradigma contemporâneo do processo de democratização, capaz de recuperar o espaço público para o exercício da liberdade, inspirar a virtude cívica no engajamento das questões públicas, expandir as referências sociais universalizadoras e projetar uma imagem do futuro.

O Congresso (alvo a ser priorizado pelas pressões populares, vale sublinhar) pode contribuir para que as lutas travadas em ramos isolados transcendam o economicismo e exprimam-se com uma feição política, com força para elaborar leis que valham para a sociedade inteira. Não há automatismo, no caso, conforme já revelou a experiência em matérias específicas. Apesar da histórica disposição reativo-flexível do Legislativo para negociar com o Executivo, seria temerário contar a priori com uma rede de apoio sujeita ao lema “é dando que se recebe”, franciscano na aparência e fisiológico na essência. A política não se limita ao humor oscilante dos plenários institucionais e ao particularismo da troca de votos governamentais por emendas executadas. Depende de “um movimento de classe visando à realização dos interesses dos trabalhadores sob uma forma geral”, para evocar um pensador importante e ainda atual (Carta de K. Marx a F. Bolte, 23/11/1871).

A desconstrução dos preconceitos e a melhoria das condições de vida da população são frutos dessa marcha civilizatória. A empreitada remete à afirmação da soberania do Brasil, ao fortalecimento das relações exteriores Sul-Sul e às reformas tributária e política, bem como à erradicação da pobreza e à qualificação da saúde, da educação e da segurança. Tarefas que exigem a solidariedade ativa do estadista que desceu a rampa do Planalto com 87% de apreciação positiva e 2,2% de negativa (Sensus, 29/dezembro). Os adversários são os mesmos, aliás, muitos ora do lado de dentro do balcão. Como Lula, a política precisa retornar às ruas pelo “direito a ter direitos”, a fim de compensar a previsível malemolência da vice-aliança na busca de soluções definitivas para os problemas estruturais. Não se trata de apostar na radicalidade, senão de prestar o necessário amparo ao governo Dilma.


Luiz Marques é professor de Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4921&alterarHomeAtual=1

Eduardo Campos e seus milhões

17.04.2011
Da FOLHA DE PERNAMBUCO
Escrito por Paulo Fonseca
ARTHUR CUNHA

A uma etapa do seu encerramento, o programa Todos por Pernambuco já visitou 11 municípios de três regiões pernambucanas: Sertão, Agreste e Zona da Mata. O périplo terminará com o ato do Recife, que contemplará todas as cidades da Região Metropolitana, ainda sem data marcada. Nas incursões que fez ao Interior, o governador Eduardo Campos (PSB) procurou conciliar as participações nos seminários com inaugurações, vistorias e anúncios de obras. Trata-se de uma estratégia para privilegiar uma agenda positiva, em detrimento de questões políticas.

Segundo o próprio Eduardo, os anúncios mais emblemáticos foram os das construções da Adutora do Agreste e de quatro barragens para evitar enchentes na Mata Sul. Parte dos recursos para os empreendimentos já está garantida. O desafio é viabilizar o restante.

Anunciada na passagem por Caruaru, a Adutora do Agreste tirará do racionamento 1,6 milhão de pernambucanos de 69 municípios e 80 localidades. O eixo principal da obra, que começará na Estação de Tratamento de Água (ETA) de Ipojuca dos Britos, em Arcoverde, seguirá até Gravatá. Desse eixo, sairão os diversos ramais a serem desenhados com os mesmos traçados das estradas que dão acesso aos municípios. Em 2006, a estimativa era que a adutora custasse R$ 1,6 bilhão. Esse valor aumentou para R$ 2 bilhões, dos quais R$ 1,3 bilhão o Estado já tem garantido no PAC 2. Os recursos serão liberados quando o Governo apresentar o projeto executivo da obra, que encontra-se em fase de formatação, ao custo de R$ 16 milhões.

“Esse projeto terá três etapas. A primeira delas estará pronta em julho. Em agosto, lançaremos o edital para início da primeira etapa, que vai até Belo Jardim. Quero começar as obras em dezembro deste ano”, explicou o secretário estadual de Recursos Hídricos e Energéticos, João Bosco Almeida, adiantando que, com R$ 1,3 bilhão do PAC 2, o Estado executará quase 70% da obra até o final de 2013. “O governador tratará de conseguir o restante, possivelmente mediante um aditivo ao contrato com a União”, detalhou João Bosco. Por isso, a Adutora do Agreste só deve ser completamente finalizada em 2014.

As quatro barragens da Mata Sul fazem parte do Programa de Contenção de Cheias da Mata Sul, que prevê a construção de outras cinco barragens. Ao todo, os empreendimentos têm estimativa de custo de R$ 860 milhões. No seminário de Vitória de Santo Antão, na última terça-feira, o governador assinou o decreto para desapropriação de 2.880 hectares para construção das barragens da Mata Sul. Os trabalhos estão programados para terem início em novembro deste ano. Eles devem durar entre 12 e 18 meses.

AGENDA POSITIVA

Com a série de anúncios que pomoveu durante o programa Todos por Pernambuco, Eduardo Campos terminou por se manter em evidência em uma agenda positiva. Episódios como os assassinatos do apresentador de TV, Luciano Pedrosa, e da estudante Fernanda Matheus, que chocaram Pernambuco, até foram comentados pelo governador, mas coube o secretário Wilson Damázio (Defesa Social) prestar os esclarecimentos. Nos bastidores, a informação é a de que o socialista, de olho em 2014, pretende fortalecer ainda mais sua imagem, saindo de Pernambuco com uma aprovação maior.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-politica/632184?task=view

Alvo de queixas, estradas melhoram

17.04.2011
Da FOLHA DE PERNAMBUCO

Além da pauta relacionada ao setor hídrico, o Governo do Estado aproveitou o Todos por Pernambuco para realizar ações na área de Transportes, sobretudo, por ser um setor onde há muitas reclamações. Ao todo, o governador Eduardo Campos (PSB) inaugurou seis pavimentações, vistoriou uma obra em andamento e contratou outra. Em Petrolina, no dia 17 de março, o socialista entregou a pavimentação das estradas vicinais do Projeto Pontal e os acessos a Fazenda Timbaúba (12 quilômetros), maior empreendimento agro-industrial daquela cidade - onde trabalham cerca de 1.500 pessoas -, ao distrito de Urais (20 quilômetros) e às Vilas N3 e N5.

Em Santa Filomena, no dia seguinte, Eduardo Campos inaugurou a PE-625, que liga os municípios de Santa Filomena e Santa Cruz, no Sertão do Araripe. Orçada em R$ 24,7 milhões, a estrada, de 40 quilômetros, benificiará 26 mil pessoas. O percurso, que antes era de duas horas, passará a ser feito em 30 minutos. Em Buíque, o governador vistoriou as obras da PE-270. A rodovia conta com um investimento de R$ 29 milhões e terá 77 quilômetros.

Em Quixaba e Ingazeira, Eduardo entregou duas pavimentações acordadas na primeira versão do Todos por Pernambuco, em 2007. Trata-se da PE-329 e da PE-283, que dão acesso às duas cidades. O Governo aplicou R$ 15 milhões na primeira para asfaltar 15 quilômetros, indo até Carnaíba.

Foram investidos R$ 8,3 milhões na segunda, com 18 quilômetros de asfalto. Em Garanhuns, durante a plenário do Todos por Pernambuco, o socialista assinou uma ordem de serviço, no valor de R$ 5,5 milhões, para pavimentação de um trecho de 8,6 quilômetros da PE-187, que ligará Palmerina à BR-424. Os investimentos são da ordem de R$ 498 mil. O prazo de conclusão da obra é de um ano.

EDUCAÇÃO

O segmento de Educação também foi contemplado na caravana. Eduardo Campos inaugurou a Escola de Referência Senador Nilo Coelho em Dormentes, onde estudarão cerca de dois mil estudantes. As instalações contarão com quadra coberta, laboratórios, refeitório e biblioteca. O gestor também deu a ordem de serviço para construção da Escola Técnica Estadual de araripina. A unidade terá 12 salas de aula e oito laboratórios. Serão oferecidos cursos na área de gestão de negócios, informações e comunicações.

Em Garanhuns, Eduardo percorreu o recém-construído prédio onde estudarão os 40 primeiros alunos do novo curso de Medicina da Universidade de Pernambuco (UPE). A bancada federal destacou mais de R$ 1,7 milhão, para construir 16 salas de aula e laboratório. Além disso, outros R$ 2 milhões, estão sendo alocados na construção de um bloco exclusivo para o novo curso, cujas aulas iniciam em agosto próximo.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-politica/632185?task=view

"Está claro que o consenso de Washington já morreu"

17.04.2011
Do site CartaMaior



Em entrevista ao jornal Página/12, o ministro da Economia da Argentina, Amado Boudou, diz que está se abrindo um novo cenário para o debate da economia mundial. Alguns dos elementos desse debate, acrescenta, apareceram na reunião dos ministros do G-20 e na assembleia conjunta do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. Entre eles, destaca-se o debate sobre a regulação de capitais especulativos e a adoção por parte dos Estados de políticas ativas para promover a inclusão social. "As principais potências do mundo estão assinando o atestado de óbito do Consenso de Washington", resume.

“As principais potências do mundo estão assinando o atestado de óbito do Consenso de Washington e agora se abriu um debate sobre qual economia vem aí”, disse o ministro da Economia da Argentina, Amado Boudou, em uma entrevista telefônica ao jornal Página/12, desde os Estados Unidos, onde participou dos debates da reunião de ministros de Finanças do G-20 e na Assembleia Anual de Primavera do FMI e do Banco Mundial. Boudou definiu nestes termos a discussão que se deu entre os membros do G-20 no marco da assembleia do FMI. Um dos temas centrais em debate foi a alta de preços das commodities. “Se as potências querem diminuir a fome nos países pobres devem ajudá-los a gerar emprego”, enfatizou Boudou.

Com respeito ao novo índice nacional de preços ao consumidor, precisou que será realizada uma nova pesquisa de gastos e que o resultado será utilizado para os bônus ligados ao CER (Coeficiente de Estabilização de Referência, que ajusta mediante a variação do índice de preços ao consumidor os contratos do mês em curso).

Como se situa hoje a experiência econômica argentina frente ao debate econômico mundial?

O debate sobre o modelo que estamos implementando na Argentina há sete anos está instalado no mundo. As principais potências do mundo estão assinando o atestado de óbito do Consenso de Washington. Uma ideia que começou a morrer em Mar del Plata, quando o Mercosul, pelas mãos de Néstor Kirchner, disse não à proposta da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas). O tema que a Argentina vem puxando é sobre um modelo de inclusão em escala internacional. Nesta reunião vimos que há cada vez mais países somando-se a esse debate. Mesmo dentro do FMI há aqueles que defendem que as crises em países como Egito ou Líbia têm a ver com o abandono da questão social.

Em reuniões anteriores já vínhamos conversando com distintos países sobre a necessidade de se somar aos informes anuais dos organismos, nos quais só aparecem dados macroeconômicos, outros elementos relacionados com registros sociais, trabalhistas e educativos. Nesta oportunidade, fechamos um acordo para defender essa proposta na reunião do Fundo. Espanha, África do Sul, Austrália, Brasil e Argentina mantiveram um discurso uniforme.

Com que argumentos defenderam esse critério de ampliar os elementos de avaliação?

Dizendo que é muito importante incorporar na discussão variáveis que não tenham a ver somente com o aspecto financeiro, mas também com questões sociais e relacionados ao trabalho. É indispensável incorporar variáveis educacionais na análise. Isso tem a ver com o crescimento do capital humano, com um dos principais problemas que os países enfrentam no mercado de trabalho que é a criação de trabalho para os grupos populacionais mais jovens que se incorporam ao mercado. Se não se investe em educação, se não se criam postos de trabalho, se não há mobilidade social, os crescimentos não são sustentáveis. Hoje está claro que o Consenso de Washington está morto e que está surgindo um mundo mais multipolar, que abre espaço para novas discussões.

Em que ponto está a discussão sobre o preço das commodities?

Há uma tentativa de que haja estoques de reserva para baixar os preços nos momentos de maior alta. Nós dizemos que, se há uma alta volatilidade de preços, isso não tem a ver com a economia real, mas sim com a especulação financeira. Aí, sim, estamos de acordo em trabalhar pela regulação de derivativos e fundos. De nenhuma forma pode-se apresenta, como desculpa para intervir no mercado de commodities, a fome, que já existia antes desta tendência. Podemos trabalhar em transferência tecnológica com os países pobres. As grandes economias fracassaram em colaborar com a criação de emprego nestes países, que é a única forma de erradicar a fome. É um argumento hipócrita das potências pedir que regulemos o preço das commodities para salvar os países pobres da fome.

Qual é sua opinião sobre o documento do FMI que voltou a falar sobre a inflação na Argentina?

Chama a atenção que se fale sobre os preços na Argentina como se esse fosse o principal problema que viemos tratar aqui. O problema é o déficit fiscal dos Estados Unidos, que este ano voltará a ser de 10% de sue PIB. O problema é sua forte taxa de emissão monetária. Há ainda os problemas da dívida de muitos países que até bem pouco tempo eram apontados como modelos. Hoje o problema da dívida no mundo é mais grave do que quando a região mais afetada era a América Latina. Seguirão aparecendo países que não poderão suportar seus passivos.

E com respeito à recomendação de baixar o gasto público na América Latina?

A discussão sobre se é preciso tirar o pé do acelerador esteve presente. A incorporação de mais e maiores consumidores na região não é totalmente benvinda no Norte. Eles pensam que isso eleva o preço das commodities. Querem que tenhamos menores taxas de crescimento. Essa é uma ideia que encontra eco em países como Chile, Colômbia e México. A ideia de utilizar recursos para criar fundos anticíclicos não tem sentido, porque os ativos que poupássemos perderiam valor no momento de uma crise. Nós dizemos que esse é o momento de acelerar mais, porque precisamos incluir a toda a sociedade. Quando falam de baixar o gasto, falam de ajuste. O que dizemos é que é importante diferenciar a qualidade do gasto público. E essa qualidade do gasto público é uma das bases do êxito do plano kirchnerista. Em 2002, o gasto em infraestrutura foi de 2 bilhões de pesos e este ano vamos superar a casa dos 60 bilhões de pesos. Isso é investimento para o crescimento. Por outro lado, um ajuste em nossos países não vai frear o preço das commodities, como afirma o documento do Fundo. E isso não vai permitir que solucionemos o que estamos solucionando. Estamos indo bem assim e não vamos mudar.

O governo argentino aceitará a volta das revisões periódicas exigidas pelo FMI aos seus membros em seu regulamento?

Algum dia voltaremos a cumprir o artigo quatro. A presidenta decidirá quando é o momento adequado. Mas nossa relação com o FMI sempre terá a ver com os aspectos técnicos. As decisões políticas são tomadas na Argentina. A fortaleza da presidenta para tomar decisões em momentos difíceis, quando todos diziam que era preciso seguir com a ortodoxia, demonstrou que temos que fazer aquilo que pensamento que é o melhor para o país. Ajudamos as empresas a manter os investimentos, os consumidores com planos de compra, mantivemos os controles aos capitais especulativos. Vemos muitos países que hoje estão mal por não seguir no caminho correto e outros que crescem e não geram emprego. Aqui o tema é que Washington tem uma burocracia de 50 anos que tenta manter sua influência para seguir vigente, depois que mostrou sua imperícia. Falam da fome na África de um modo muito cômodo desde a capital do império.

Já analisaram as recomendações do FMI para o novo índice de preços nacional?

O Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos) recebeu essas recomendações. Nesta semana já vamos trabalhar sobre o tema. Mas é importante ressaltar que se trata de um trabalho muito importante e que vai levar tempo. O índice nacional vai substituir o atual que só leva em conta a área metropolitana. Vai ser um trabalho de fundo, com intervenção das províncias para que surja um índice com um forte consenso. É preciso fazer um novo levantamento do gasto dos argentinos, que variou significativamente graças ao bom momento econômico que vive o país há sete anos. O índice servirá para o CER e para todos os contratos do país.

Tradução: Katarina Peixoto

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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17696

Estadão dá o exemplo de como agir de maneira desonesta em um título

17.04.2011
Do blog ACERTOS DE CONTAS


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O Estadão deu um claro exemplo de como ser desonesto com o título de uma matéria: TV Brasil contrata blogueiro por R$ 660 mil sem licitação.

Está se referindo ao contrato anual pela produção e apresentação do programa Brasilianas, apresentado por Luis Nassif na TV Brasil.

Para começar, é preciso deixar claro que Nassif é um dos maiores jornalistas econômicos do Brasil, e tem passagens por várias emissoras, e mesmo seus críticos reconhecem a sua capacidade. É um dos poucos jornalistas que entendem de economia.

O título tenta depreciar de toda forma o jornalista, colocando como se estivesse contratando o mesmo como blogueiro, tentando confundir com processos semelhantes que apareceram anteriormente, como o blog de Maria Betania. Simplesmente tenta-se esconder do título o fato de Nassif ser um âncora e comentarista com larga experiência e conhecida competência.

Não fala claramente que é um contrato anual, e que Nassif receberá R$ 55 mil mensais, pela produção e pela apresentação do programa.

O título poderia fazer referência ao fato da TV Brasil contratar o jornalista. Obvio que isto pode ser questionado, mas o título de uma matéria diz muito do texto.

Como se vê, quando se quer detonar alguém, essa turma é implacável.

E cá prá nós, do que a TV Brasil apresenta até hoje, o programa de Nassif é um dos poucos que se salva.

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Fonte:http://acertodecontas.blog.br/atualidades/estado-d-o-exemplo-de-como-agir-de-maneira-desonesta-em-um-ttulo/

Plano de fusão com PSDB ganha força dentro do DEM

17.04.2011
Do BLOG DE JAMILDO
Por João Bosco Rabello, do Estadão

Com 33 deputados federais e, por ora, dois senadores, o Partido Social Democrático (PSD) deixa de ser um projeto político e se consolida como novo ator no cenário político nacional. Mais sete deputados são esperados pelos fundadores da legenda nos próximos dias e até o DEM considera iminente a adesão do governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo.

A adesão de Colombo é considerada a certidão de óbito do DEM, cuja fusão ao PSDB se tornaria inevitável. Com apenas um governo estadual, o do Rio Grande do Norte, e já menor do que a dissidência que originou o PSD, o DEM tem nos tucanos sua única perspectiva de poder político.

Nesse ritmo, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, calcula que até setembro o PSD terá 50 parlamentares. Mesma estimativa do tesoureiro e estrategista do DEM, Saulo Queiroz, que neste final de semana acertou sua filiação com Kassab.

Os mentores do PSD não estão preocupados com as críticas à falta de cara do partido - "nem de centro, nem de direita, nem de esquerda", como (não) definiu Kassab. Sustentam que a cara existe - e é a do velho PFL, cujo projeto de renovação deu com os burros n"água.

A indefinição - se situação ou oposição - atende às conveniências do PSD e do governo nesse momento. O primeiro ganha número por não condicionar adesões a perfil ideológico; o segundo avalia que reduz sua dependência da atual base aliada com uma nova opção de alianças pontuais no Congresso.

Recomeço

Os demistas históricos - aqueles com origem no PFL - avaliam hoje que o projeto de modernização do extinto partido, idealizado pelo seu presidente de honra, Jorge Bornhausen, foi um erro estratégico a que foram levados por orientação de marqueteiros. Ao mudar o nome e entregar a direção a políticos jovens como Rodrigo Maia (RJ), apagaram a memória de sua participação no processo de redemocratização junto com Tancredo Neves e Ulysses Guimarães. Trocaram esse passado por uma nova imagem, apegados aos velhos conceitos de direita e esquerda. Por isso, sustentam, o PSD será necessariamente uma reafirmação da doutrina liberal, um PFL adequado aos novos tempos.

Alvo comum

Novo no pedaço, o PSD tem como alvo o mesmo eleitor classe média emergente que o governo Dilma quer fidelizar e a cuja conquista o ex-presidente Fernando Henrique condicionou a sobrevivência da oposição. Os criadores do PSD juram de pés juntos que essa é a meta e não a adesão ao governo. É pagar para ver. Passaporte "verde"

O governo e o relator da reforma do Código Florestal, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), acreditam na votação do projeto na quarta-feira imediatamente após o feriado da Semana Santa. O relatório, que desagrada profundamente os ambientalistas, acabou virando passaporte de Rebello para a vice-liderança do governo na Câmara, devolvendo visibilidade ao ex-presidente da Casa e ex-ministro de Estado.

Coligações

PT e PMDB querem votar após a Semana Santa o fim das coligações nas eleições proporcionais, ponto de consenso que parece resumir até aqui a reforma política. Valeria, pois, já para as eleições de 2012, com apoio da oposição, já que apenas partidos menores, como PR, PC do B, PTB e PSC não se entusiasmam com a medida, que põe fim ao balcão de negociações nas campanhas pelo tempo de propaganda no rádio e TV.
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Fonte:http://interatividadejc.uol.com.br/erro2/erro.php

Lula e Zapatero reafirmam amizade durante encontro na Espanha

16.04.2011
Do BLOG DA FOLHA,via portal TERRA
Postado por Valdecarlos Alves


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, se reuniram neste sábado em Madri, num encontro em que reafirmaram o compromisso de manter relações de amizade "fortes e frutíferas". Zapatero, recém-chegado de sua visita à China e Cingapura, falou também com Lula sobre os resultados da viagem, onde se encontrou com a presidente Dilma Roussef no Fórum Econômico de Boao, considerado o "Davos" asiático.

Outra das questões que Lula e Zapatero abordaram foi a agenda política na América Latina e os recentes eventos do norte da África, onde se proliferaram revoltas populares contra os regimes centralizadores. Ambos já tiveram vários encontros bilaterais quando Lula ainda era presidente da República, nos quais destacaram "a amizade" que une ambos.

Lula recebeu nesta sexta-feira o 3º Prêmio Libertad Cortes de Cádiz, concedido pelo Prefeitura da cidade espanhola de Cádiz (sul). A homenagem lhe foi concedida por "seu trabalho constante contra a pobreza e a exclusão social e seu trabalho para estender esse trabalho de paz e justiça a toda região ibero-americana".

Sapatero recebeu Lula na porta do palácio de La Moncloa, sede oficial da presidência do governo espanhol, onde posaram para as fotos antes de sua reunião. Em seu discurso de agradecimento, Lula recordou que o Brasil se converteu na sétima potência econômica mundial, "dando um salto qualitativo em prol da justiça social".
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Fonte:http://www.blogdafolha.com.br/index.php/materias/19495-lula-e-zapatero-reafirmam-amizade-durante-encontro-na-espanha

FHC perde a noção e desafia Lula a disputar uma eleição contra ele

17.04.2011
Do blog ACERTOS DE CONTAS

A coluna de Monica Bergamo na Folha de hoje, mostra o triste lado do ser humano. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso desafia Lula a disputar uma eleição contra ele, como se não tivessem mais nada a fazer da vida.

Tenho todo o respeito do mundo por FHC, mas não cabe a um ex-presidente ficar se expondo desta forma. Fica a impressão de que tem uma inveja doentia de Lula.

E cá prá nós, FHC só ganha eleição para Lula no condomínio dele. Gostaria de imaginar um possível resultado, caso os dois disputassem a próxima vaga ao Senado por Pernambuco.

Segue o trecho da coluna.

TERCEIRO ROUND
Fernando Henrique Cardoso volta a disparar. Em entrevista ao jornalista Alexandre Machado em seu programa “Começando o Dia”, que estreia na rádio Cultura FM, na segunda, desafia Lula para disputar uma eleição contra ele. Diz que o petista, “lá de Londres, refestelado em sua vocação nova [de palestrante]“, se “dá o direito de gozar” de FHC. “Ele se esquece que eu o derrotei duas vezes. Quem sabe ele queira uma terceira. Eu topo.

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Fonte:http://acertodecontas.blog.br/politica/fhc-perde-a-noo-e-desafia-lula-a-disputar-uma-eleio-contra-ele/

O pior não é o bafômetro, mas o ‘abafômetro’

17.04.2011
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

Não vejo maiores problemas em o senador Aécio Neves dirigir com a habilitação vencida. Um homem ocupado, ex-governador de Estado, certamente dirige muito pouco e pode, sim, ter se esquecido de renovar o documento. Isso até já me aconteceu.

É mais grave um senador da República tomar uma dose a mais do que o permitido por lei, mas tampouco acho que seja um caso muito grave. A lei é draconiana e um gole a mais pode dar problema. Ele poderia não estar embriagado, mas ter tomado um gole a mais.

O caso se agrava por um legislador se recusar a fazer o teste do bafômetro. Aí é muito mais feio. Se o abuso do álcool fosse brando, certamente teria feito o teste. Sendo um abuso pequeno, as pessoas entenderiam. A recusa parece dever-se a um abuso maior.

A mídia diz apenas que Aécio se recusou a usar o bafômetro. Ora, cadê o jornalismo? Em que estado os policiais que pararam o senador relatam que ele estava para chegarem ao ponto de pedirem o teste? Em que velocidade ele dirigia? Cadê o relato dos policiais?

Grave mesmo, nesse caso, é o uso do “abafômetro” midiático, instrumento que só funciona para políticos tucanos.

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Aécio Neves tem habilitação apreendida em blitz da Lei Seca no Rio

Assessoria diz que senador não sabia que documento estava vencido.
Tucano também se recusou a fazer teste do bafômetro, diz governo do RJ.

Bernardo Tabak Do G1 RJ 17/04/2011 11h51

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) teve a carteira de habilitação apreendida por estar com o documento vencido e por se recusar a fazer o teste do bafômetro numa Operação Lei Seca na Avenida Bartolomeu Mitre, no Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Aécio foi parado na blitz na madrugada deste domingo (17). As informações são da Secretaria de Estado de Governo do Rio.

De acordo com a Secretaria de Governo, Aécio Neves foi multado. O senador não teve o carro apreendido, pois apresentou um condutor habilitado, e foi liberado.

A assessoria de imprensa de Aécio Neves informou que o senador não sabia que a carteira de habilitação estava vencida. De acordo com a assessoria, o tucano tinha saído da casa de amigos e voltava para sua residência, no Leblon, com a namorada.

Ainda segundo a assessoria, os policiais reconheceram o senador e solicitaram a documentação, que foi imediatamente apresentada. Quando os policiais alertaram que a habilitação estava vencida, Aécio Neves disse que não sabia que estava vencida.

A recusa do teste de bafômetro é considerada uma infração gravíssima, representa 7 pontos na carteira e vale multa de R$ 957. Dirigir com a carteira de habilitação vencida também é uma infração gravíssima e representa 7 pontos. A multa de R$ 191,54.

Confira a nota na íntegra:
“A assessoria de imprensa do senador Aécio Neves informa que:

Na noite deste sábado para domingo (17-04-11), o senador Aécio Neves jantou nas redondezas de seu apartamento no Rio de Janeiro.

Ao retornar à sua residência, foi abordado durante blitz policial quando foi constatado o vencimento da validade do seu documento de habilitação como motorista.

Em respeito à legislação vigente, o senador entregou a habilitação ao agente e, seguindo as orientações recebidas, providenciou um condutor habilitado – um taxista que se encontrava no local – que dirigiu seu veículo até sua residência a poucos quarteirões.

Com relação às notícias veiculadas sobre o uso ou não do bafômetro, essa assessoria informa que, uma vez constatado o vencimento do documento de habilitação e providenciado outro motorista para condução do veículo, o mesmo não foi realizado.

O senador cumprimentou a equipe policial responsável pelo profissionalismo e correção na abordagem feita aos motoristas durante a blitz.”

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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/04/o-pior-nao-e-o-bafometro-mas-o-%E2%80%98abafometro%E2%80%99/

Preços baixos atraem brasileiros às universidades de Portugal

17.04.2011
Da BBC BRASIL
Por Jair Rattner
De Lisboa para a BBC Brasil


Arquivo pessoal

Elisianne Soares faz mestrado na Universidade de Lisboa

Diversos brasileiros estão indo a Portugal para estudar em universidades do país, principalmente devido aos preços das mensalidades e acomodação, em geral mais baratos do que nas instituições privadas do Brasil.

“No Brasil, pelos quatro anos do curso, morando em uma república, eu iria gastar perto de R$ 40 mil. Aqui em Portugal, o curso vai sair por 3 mil euros (cerca de R$ 6,9 mil), e o que eu pago para me manter é muito menos do que pagaria lá”, diz Thiago Mourão, natural de Campo Mourão (PR), que deixou o curso de jornalismo do Ceumar, em Maringá, para estudar na Universidade Nova de Lisboa, onde está no segundo ano.

“Como eu tenho o estatuto de igualdade de direitos entre portugueses e brasileiros, consegui uma bolsa de 180 euros por mês, um lugar numa residência universitária, onde pago 80 euros por mês, e as refeições na cantina da universidade saem por 2,50 euros. Os livros aqui são mais baratos e eu gasto ao todo 450 euros (R$ 1.050) por mês”.

Para a cearense Elisianne Campos de Melo Soares, que faz mestrado em Cultura e Comunicação na Universidade de Lisboa, a decisão de ir para Portugal também foi tomada na ponta do lápis.

“Havia um mestrado que me interessava na Universidade Federal da Bahia, mas seria mais caro. Era mais de R$ 1,5 mil por mês. Aqui em Lisboa, eu pago 1,2 mil euros (R$ 2.750) por ano”.

Em Portugal desde setembro, o objetivo da brasileira é, depois de terminar o mestrado, fazer o doutorado em Portugal.

Sem portugueses

Na mais tradicional faculdade de direito de Portugal, a da Universidade de Lisboa, o advogado Emanuel Anderson Martins, que veio de Curitiba, vive uma situação peculiar: ele não tem colegas portugueses.

“Há dois mestrados na faculdade, o científico e o profissionalizante, e os portugueses só querem o profissionalizante. No curso de Ciência Política, do mestrado científico, só há brasileiros na classe”, diz.

Arquivo pessoal

Thiago estuda Jornalismo na Universidade Nova de Lisboa

Martins é advogado trabalhista, com um escritório na capital paranaense. Ele afirma que um dos problemas no Brasil é o número pequeno de vagas em relação à demanda, além das linhas de pesquisa pouco diversificadas.

“Se formos para uma faculdade de qualidade, como a PUC de São Paulo ou o Mackenzie, a mensalidade mais barata fica entre R$ 2,5 mil e R$ 2,8 mil, o que daria mais de R$ 40 mil pelo curso. Em Portugal, há excelentes universidades e o país é uma referência para o desenvolvimento do direito brasileiro. Pelo curso inteiro vou pagar 3,5 mil euros, o que dá perto de R$ 8 mil”.

Dificuldades

A professora cearense Lídia Maropo, que fez o doutorado em Portugal e dá aulas de Teoria da Comunicação em faculdades portuguesas, diz que muitos brasileiros vão ao país europeu despreparados.

“Aqui em Portugal, uma boa parte da bibliografia é em inglês. Muitos brasileiros que chegam não falam nem leem em inglês. Eles ficam perdidos nas aulas”, afirma.

“Há alunos bons e outros despreparados, com uma desinformação muito grande, que não teriam condições de fazer mestrado no Brasil”.

Entre as vantagens que Lídia aponta em Portugal, está a possibilidade de ter contato com a bibliografia mais recente. “Eu recebi uma bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia, de Portugal, e tinha uma verba para a compra de livros. No Brasil, comprar de livros de fora é muito caro”.

Na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, cujo MBA é considerado um das melhores da Europa, o número de brasileiros é menor.

“Temos critérios extremamente seletivos, queremos sinalizar a qualidade”, diz o diretor para Assuntos Internacionais, Amaro de Matos, que estudou na USP e na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.

Segundo Matos, metade dos alunos de mestrado da faculdade são estrangeiros, mas apenas 7,5% vêm do Brasil.

“Fazemos parte da rede CEMS, na qual só entra a melhor escola de administração do país. Atraímos não só brasileiros, mas alunos da Europa Oriental, e até da Ásia”. Uma das características do MBA da Nova é que o curso é dado todo em inglês.

Em relação às outras escolas da rede, Matos indica o custo para o aluno como uma grande vantagem. “Nas licenciaturas cobramos 900 euros por ano (R$ 2,1 mil) e nos mestrados 2,2 mil euros por semestre (R$ 5,1 mil)”, afirma.

Financeiramente, esta pode ser uma das mais baratas da rede. “Na escola da Dinamarca, os alunos da União Europeia pagam zero, mas os de fora pagam o custo real que é de 15 mil euros por ano. Nós cobramos o mesmo de todos os alunos, seja holandês, dinamarquês, português ou brasileiro”.

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Fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/03/110315_portugal_estudantes_jr.shtml