domingo, 10 de abril de 2011

MÚSICOS DA OSB NÃO QUEREM EXECUTAR MARCHINHAS MARCIAIS

10.04.2011
Do blog NÁUFRAGO DA UTOPIA

Agravou-se neste sábado (9) a crise da Orquestra Sinfônica Brasileira.

Como Élio Gaspari bem relatou em sua coluna dominical, os antecedentes foram os seguintes:
"...o presidente da fundação que a sustenta, economista Eleazar de Carvalho Filho e o maestro Roberto Minczuk informaram aos seus 85 músicos que passariam por um processo de avaliação individual.

Em fevereiro, reunidos em assembleia, 56 músicos da OSB anunciaram que não se submeteriam à avaliação.

Eleazar de Carvalho foi em cima de seus peões, acusando-os de 'difamar e denegrir a reputação da Fundação OSB', lembrando-lhes que 'atos de insubordinação são passíveis de punição'.

O doutor usou linguagem das galés de Cesar... funcionou a ideia de que 'anda quem pode, obedece quem tem juízo'. Deu errado.

Eleazar de Carvalho e Roberto Minczuk foram surpreendidos por um boicote liderado pelos pianistas Nelson Freire e Cristina Ortiz, bem como pelo maestro Roberto Tibiriçá.

Na quinta feira, depois de demitir 32 músicos, Carvalho trocou de partitura e, numa carta, disse 'ter sido levado' a demiti-los e propôs uma negociação para 'salvar uma grande instituição'.

,,,[A] permanência no cargo (...) do maestro Minczuk tornou-se tão difícil quanto a execução da Sétima Sinfonia de Gustav Mahler".
Confirmou-se o prognóstico do veterano jornalista, com o qual costumo concordar, salvo quando desanda a escrever bobagens sobre a luta armada contra a ditadura de 1964/85, confiando cegamente no entulho autoritário, como se fosse a tábua dos dez mandamentos...
Mal, Minczuk, muito mal. A
OSB não é a fanfarra da Vila Militar

De qualquer forma, Gaspari acertou em cheio na sua avaliação de que o autoritário Minczuk se desqualificou totalmente para a função que ocupa.

Isto ficou mais do que evidenciado ontem: tão logo Minczuk entrou no palco para, sob estridentes vaias de metade da platéia carioca, reger os instrumentistas daOrquestra Sinfônica Jovem, eles dignamente se retiraram, deixando-o sozinho com suas batutas. Bem feito!

O concerto foi cancelado. O programado para hoje também.

Espera-se que, amanhã, alguém com mais poder e um mínimo de sensatez indique a porta da rua para Carvalho e Minczuk, pois salta aos olhos que tal serventia da casa é o primeiro passo para a solução do impasse.

Para os cinéfilos, o óbvio paralelo é com Ensaio de Orquestra (1979), um dos filmes mais amargos e questionáveis do genial Federico Fellini -- na verdade, uma parábola sobre o que ele considerou ser um movimento pendular da sociedade.

Os músicos de uma orquestra se rebelam contra o maestro autoritário e o expulsam, mas excedem-se tanto na demolição da velha ordem que acabam à beira da destruição.

Aí, face ao caos que ameaça a todos tragar, a alternativa acaba sendo a volta da autoridade... que logo reassume suas feições atrabiliárias e despóticas.

Torçamos para que os músicos da OSB façam melhor na vida real, depois desta admirável demonstração de resistência ao autoritarismo que estão dando.

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Fonte:http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2011/04/musicos-da-osb-nao-querem-saber-de.html

O legado da pesquisa social da Fundação Joaquim Nabuco

08.04.2011
Do BLOG DE JAMILDO
Por Alexandrina Sobreira de Moura
Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco
Professora da UFPE
Especial para o Blog de Jamildo


Em tempo de mudanças, costuma-se recriar instituições, desconsiderando o seu legado. O Instituto Joaquim Nabuco, fundado por Gilberto Freyre em 49, criou, nos anos 60, as bases para estudos pioneiros como “Rios da Carnaúba” e “Rios do Açúcar”. Pesquisadores como Gilberto Osório, Mário Lacerda, Manoel C. de Andrade e Rachel Caldas anteciparam análises dos espaços delimitados pelas bacias hidrográficas.

Essa dimensão constitui hoje parâmetro fundamental para a Política Nacional de Recursos Hídricos.

Nos anos 80, é criado o Instituto de Pesquisas Sociais que demarcou sua atuação no âmbito das Ciências Sociais Aplicadas.

Ao tempo em que dava continuidade a uma agenda de pesquisa social, com trabalhos como a situação dos boias-frias ou a construção dos lagos de Sobradinho e Itaparica, o INPSO ingressa no debate acadêmico. Sediou o Encontro Nordeste de Ciências Sociais e torna-se sócio fundador, da Associação Nacional de Pós Graduação em Pesquisa Social.

Criou o Departamento de Ciência Política que estimulou a pós-graduação de seus pesquisadores e o intercâmbio de professores, entre eles Guillermo O´Donnel, Thomas Skidmore, Boaventura Santos e Ernesto Laclau. Foram introduzidos temas sobre gênero, desenvolvimento urbano e estudos populacionais que produziram trabalhos de referência, de que é exemplo o estudo sobre Migração para Manaus. Esses enfoques se alinharam com o objetivo da Fundação MacArthur (EUA), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e do Fundo das Nações Unidas para População, que convidaram a Fundaj para realização de projetos.

Recursos foram captados também pelos pesquisadores junto a Fundação Ford, Fundação Interamericana, Banco Mundial e o Instituto de Pesquisas de Desenvolvimento do Canadá.

No Brasil, projetos continuam com o apoio do CNPq, da Facepe e do Ipea, sem esquecer as inúmeras parcerias com a Sudene. O INPSO ampliou sua articulação por meio de eventos, como o IV Congresso Afro-brasileiro, a Assembléia Geral do Conselho Latino Americano de Ciências Sociais- Clacso, o Seminário Internacional sobre Transição Democrática.

Difícil escapar da dicotomia entre perdase ganhos, ao resgatar uma trajetória de 60 anos.

Por um lado, foi lamentável a extinção da Escola de Governo, canal importante para aliar pesquisa à formação de gestores.

Por outro, ressalta-se o ingresso por concurso público de 30 pesquisadores, ampliando a capacidade intelectual e institucional da Fundaj. Entretanto, nem sempre o desenlace das atividades coincide com o programado.

A partir de 2002, novas perspectivas se abriram com maiores dotações de recursos, gerando efeitos paradoxais: ao mesmo tempo em que se garantiu a pluralidade de projetos, identificou-se fragmentação temática e restrição da abordagem regional.

O expressivo aporte financeiro não se refletiu no aumento da produtividade; ainda que se deva mencionar realizações importantes como: o 14º. Encontro de Ciências Sociais do Norte Nordeste; 40 Anos do Golpe 64; 200 Anos da Imprensa no Brasil; a Semana Brasil-França e a comemoração do Centenário de Joaquim Nabuco.

Em tempos de mudança, é preciso valorizar a pesquisa social da Fundaj, mas também indagar-se em que patamar os resultados se situam.

Parâmetros de comparação com entidades afins importam para a demonstração de competências e correção de rumos. Não se trata de defender um gerencialismo cujos padrões de avaliação impeçam a criatividade, mas de garantir, sobretudo, o compromisso com a governança pública.

Com certeza, a face do legado da pesquisa social da Fundaj não ficará perdida nos espelhos do passado.
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Fonte:http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2011/04/08/o_legado_da_pesquisa_social_da_fundacao_joaquim_nabuco_97432.php

Eles têm medo da verdade: Militares fazem abaixo-assinado pedindo cancelamento de "Amor e Revolução"

10.04.2011
Do site NATELINHA, do UOL NOTÍCIAS
Da Redação

http://natelinha.uol.com.br/img/pag/315x265/img20110409161633.jpg

A novela "Amor e Revolução" vem rendendo na internet, apesar de a audiência ainda estar aquém do esperado na TV.

Desta vez, um portal militar resolveu fazer um abaixo-assinado contra a novela de Tiago Santiago, que aborda o período da ditadura militar no Brasil.

Os donos do site querem que a trama seja proibida de ir ao ar no SBT.

No texto, os autores dizem que "é óbvio que o governo federal através da comissão da verdade, recém criada, está participando do acordo em exibir a novela Amor e Revolução no SBT. Parece-nos que se trata de um acordo firmado com o empresário Silvio Santos, visando o saneamento do Banco Panamericano do próprio empresário. As forças armadas não devem permitir, dentro da legalidade, que tal novela seja exibida, pelos motivos óbvios abaixo declarados. Convém salientar que as forças armadas já se manifestaram negativamente a respeito da novela Amor e Revolução".

E completam: "sendo assim, o efetivo da forças armadas, tanto da ativa como inativos e pensionistas, vêm respeitosamente através desse abaixo assinado, como um instrumento democrático, solicitar do digno Ministério Público Federal, representado acima, providências em defesa da normalidade constitucional, vista o cumprimento da lei de anistia existente, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal. Nestes termos pede deferimento em caráter urgentíssimo".

Procurado pelo NaTelinha, o novelista Tiago Santiago falou sobre o protesto: "Achei despropositado, porque a novela é respeitosa com as Forças Armadas, mostrando herói militar e oficiais democratas, a favor da legalidade. Em diversos trechos da novela, há menções favoráveis a militares, evidenciando que nem todos participaram do golpe e da violenta repressão à oposição".

Santiago também comentou sobre a ideia de que a novela foi feita após o saneamento do banco Panamericano: "o argumento de que a novela teria qualquer coisa a ver com o saneamento do Banco Panamericano também não procede. A proposta partiu de mim para o SBT e não vice-versa. Comecei os trabalhos antes de saber que havia qualquer problema com o Banco e antes de saber também que a Dilma seria eleita presidente".

E concluiu: "enfim, achei uma iniciativa despropositada, que interessa apenas aos criminosos, torturadores e assassinos, que violaram as Convenções de Genebra, nos chamados ’anos de chumbo’ da ditadura militar".

A colaboradora de Tiago Santiago em "Amor e Revolução", Renata Dias Gomes, também falou com o NaTelinha. Ela comentou que "felizmente a ditadura e a censura acabaram e hoje a gente pode contar uma história sem medo. Ou deveria poder"

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Fonte:http://natelinha.uol.com.br/noticias/2011/04/09/161512.php

Eduardo anuncia R$ 170 milhões em obras no Agreste Setentrional

08.04.2011
Do BLOG DA FOLHA
Postado por Valdecarlos Alves


O governador Eduardo Campos esteve hoje (08) em Santa Cruz do Capibaribe, a 187 km do Recife, para comandar a oitava reunião plenária do Todos por Pernambuco 2011 e anunciar mais de R$ 170 milhões em investimentos naquela região. Realizado na Escola Estadual Padre Zuzinha, o seminário reuniu 1.087 pessoas de 276 entidades que foram apontar as obras e ações prioritárias até 2014.

Cerca de 20 pessoas puderam colocar suas prioridades para o governador, que acompanhava todos os pronunciamentos atentamente. Após os discursos dos deputados federais presentes, dos senadores Humberto Costa e Armando Monteiro, e do prefeito Toinho do Pará, Eduardo falou por cerca de 30 minutos. Agradeceu a participação e ressaltou aimportância dos seminários para o planejamento do Governo.

“O Todos por Pernambuco é o momento da escolha. Uma escolha que poderia ser feita dos gabinetes, mas que resolvemos fazer na rua, ouvindo os jovens, as pessoas de boa idade, enfim, todos que quiserem contribuir. Assim, vamos construir políticas públicas que remodelem o Estado. Foi o povo que nos escolheu, então o povo agora vai escolher com a gente.

Antes da plenária, Eduardo anunciou, em entrevista coletiva, a implantação de um batalhão da Polícia Militar em Santa Cruz e um reforço de 80 PMs, o equivalente a quase 30% do efetivo que hoje atua na 3ª. CIPM, que abrange o município. “O Agreste Setentrional, além de ser bastante povoado, recebe uma grande população flutuante por conta do Polo de Confecções. Por isso, tem que estar preparado para atender não só o povo que vive na região, como também os compradores que vem de fora”, justificou.

Outra boa notícia foi para a cidade de Surubim, que vai receber uma cimenteira. O governador assinou junto com a construtora St. Enton a Ordem de Serviço para a construção da fábrica. A empresa vai investir R$ 140 milhões de reais e gerar 350 empregos diretos e outros 750 indiretos. A fábrica abrirá com capacidade para produzir 600 toneladas de cimento/dia e depois ampliará a sua linha para 2 mil toneladas/dia. Com infomações da assessoria do Palácio.
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Fonte:http://www.blogdafolha.com.br/index.php/materias/19265?task=view

Militante do movimento de moradia Gêge é absolvido por juri popular em SP

10.04.2011
Do site da CAROS AMIGOS
Por Paula Salati

O processo é visto por muitos como um caso de perseguição para criminalização dos movimentos sociais. O proprio promotor do caso atestou a inocência do militante.

Depois de quase nove anos de espera, o líder do Movimento de Moradia Centro (MMC), Luiz Gonzaga da Silva, o Gêge, teve finalmente sua liberdade sentenciada. No final da terça-feira, dia 05 de abril, o militante foi absolvido em júri popular no Fórum Criminal da Barra Funda, na cidade de São Paulo. A notícia foi recebida com aplausos e gritos de ordem e comemorativos pelos familiares, amigos, militantes e políticos que estiveram presentes.

“Estou saindo desta acusação por que não devo nada a ninguém. Nesses regimes considerados ‘democráticos’, você nunca sabe quem é o seu inimigo”, declarou Gêge no final do julgamento, referindo-se ao caráter político de sua acusação. O líder disse também que a vitória foi de todo o movimento de moradia e que não recuará em suas lutas, mas que tem preocupações com a sua integridade física daqui para a frente, dado os anos de perseguição.

Horas antes do júri anunciar sua decisão, o promotor Roberto Tardelli, responsável pela acusação, já havia atestado a inocência do militante. Ele afirmou que a possível condenação de Gegê era “temerária, pois pela Constituição, ele não poderia ser condenado”.

Durante os dois dias de julgamento, que aconteceram em 4 e 5 de abril, a sessão no plenário esteve lotada e contou com representantes de diversas entidades e organizações que apoiavam Gêge. A freira e advogada Michael Mary Nolan, que acompanhou todo o processo, fez uma declaração emocionada sobre a decisão do júri: “Foram anos de muito sofrimento. Hoje o sol volta a brilhar e a esperança nasce outra vez”.

Para o estudante de Direito e membro do Comitê Lutar Não é Crime, Aldo Cordeiro, o recuo do Ministério Público está relacionado com a mobilização dos movimentos sociais. Ele afirma também que o homicídio em um dos acampamentos do Movimento de Moradia no Centro de São Paulo (MMC) foi utilizado pelo aparato policial e judicial como forma de criminalizar o movimento por moradia.

O caso

Gêge foi acusado de ser cúmplice de um homicídio que ocorreu no dia 18 de agosto de 2002 em um acampamento pertencente ao MMC, entidade filiada à Central de Movimentos Populares (CMP), localizado na Vila Carioca, na Avenida Presidente Wilson.

O crime foi cometido por um visitante do acampamento que, depois de uma discussão, atirou em um morador. Os relatos de testemunhas mostraram que os dois homens eram contrários ao MMC, que tinha como liderança o Gêge. Segundo relatos, o acampamento tinha regras tiradas coletivamente em Assembléia que incomodavam os traficantes de drogas locais e outros adversários.

Por mais que não houvesse provas materiais contra Gêge, ele foi perseguido durante anos e o verdadeiro autor do crime demorou a ser procurado e investigado. Para muitos, a incriminação injusta de Gegê representou uma clara perseguição política ao militante, já que era figura pública do movimento de moradia.
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Fonte:http://carosamigos.terra.com.br/

Polícia investiga morte de modelo brasileira em Portugal

10.04.2011
Do portal ÚLTIMO SEGUNDO
iG São Paulo


Segundo jornal português, hematomas e arranhões no corpo de jovem que caiu de prédio em Lisboa levantam hipótese de homicídio

A modelo Jennifer Viturino, na capa da edição de fevereiro da revista portuguesa "J".

A polícia de Portugal investiga a morte da modelo brasileira Jennifer Viturino, 17 anos, que caiu do 15º andar de um prédio em Lisboa, na sexta-feira.

Segundo o jornal português "Correio da Manhã", a polícia encontrou um suposto bilhete deixado por Jennifer, no qual dizia que tinha decidido se suicidar.

Porém, a família não reconheceu a letra da modelo na carta. Além disso, hematomas e arranhões espalhados pelo corpo de Jennifer levaram à polícia a levantar a hipótese de homicídio.

De acordo com o "Correio da Manhã". Jennifer morava em Portugal há vários anos com a família e namorava o português Miguel Alves da Silva, herdeiro de uma fortuna ligada à aviação.

Foi do apartamento do empresario, localizado em uma das torres do Centro Comercial Vasco da Gama, que a jovem caiu pela janela.

Em entrevista ao jornal português, Miguel Alves da Silva não quis comentar o caso, mas disse que os dois já não namoravam "há muito tempo".
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Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/policia+investiga+morte+de+modelo+brasileira+em+portugal/n1300046941992.html

A Guerra na Líbia: uma nova erupção da rivalidade imperialista

10.04.2011
Do portal OPERA MUNDI, em 04.04.2011
Por Nick Beams | Sydney

O conflito econômico e interesses estratégicos das potências imperialistas rivais não têm sido, desde a década de 1930, no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) tão abertamente perseguidos como estão sendo na guerra contra a Líbia.

Todas elas proclamam suas “preocupações humanitárias” pelas vidas dos civis líbios e a chamada “responsabilidade de proteger”. Mas sem véu humanitário pode esconder os dentes à vista.

Os Estados Unidos, o qual, agora foi revelado, tinham agentes ativos da CIA na Líbia bem antes da aprovação da resolução 1973, tomou a iniciativa de lançar o ataque, afim de antecipar-se à França e ao Reino Unido. Eles, por sua vez, sem dúvida, viram a fraqueza da economia americana como uma oportunidade para reverter a derrota estratégica que sofreram por causa de Suez em 1956.

E os EUA têm um outro rival em sua mente. É demonstrar a Pequim que não importa o quão rápido o crescimento das relações econômicas da China com a África – o comércio entre os dois aumentou mais de 40% em 2010 – e não importa qual a influência política e investimento o dinheiro chinês possa trazer, o militarismo americano ainda é capaz de fazer valer seus interesses através de intervenção militar e com "mudanças de regime".

Há divisões entre as potências europeias. O conflito sobre quem iria assumir o controle da operação após os ataques iniciais dos EUA foi motivado em parte pela preocupação da Itália que, a menos que a OTAN estivesse no comando, a Inglaterra e a França seriam colocadas fora do acesso aos “novos” recursos valiosos de petróleo da Líbia.

O Reino Unido que, em conjunto com a França, tinha dividido o continente africano, no início do século XX, está olhando muito para além da Líbia. Como secretário do Exterior, William Hague, disse numa recente conferência em Londres: “A Inglaterra tem uma ambiciosa política externa, que visa construir nossa reputação e influência no mundo, e apoiar nossa economia”, acrescentando que “as nações da África”, eram uma área estratégica de interesse britânico. Sua importância foi indicada pela observação de Hague que os recentes acontecimentos no Norte de África e do Oriente Médio “já estavam definidos para ultrapassar a crise financeira de 2008 e 9/11” como os acontecimentos mais importantes do início do século XXI.

A definitiva erupção do banditismo imperialista e o surgimento de conflitos abertos e as rivalidades não é apenas o resultado de imediatas considerações. Em última análise, é a expressão política de vastas mudanças nas placas tectônicas da economia mundial que estão perturbando as relações políticas estabelecidas entre as grandes potências desde o final da Segunda Guerra Mundial.

A extensão da transformação econômica que ocorreu foi indicada em números recentes sobre a produção industrial mundial. Estas mostraram que, em 2010, a China ultrapassou os Estados Unidos como o país mais importante do mundo industrial, com 19,8% da produção global em comparação com 19,4% dos EUA. Os EUA assumiram o topo da posição de fabricação em 1895, após três décadas de desenvolvimento econômico dinâmico no rescaldo da Guerra Civil Americana, e mantida através de todas as turbulências econômicas do que se seguiu nesses 100 anos, mesmo subindo para cerca de 50% do total mundial no final da guerra.

A rápida ascensão da China, especialmente ao longo da última década, tem sido recebida com crescente hostilidade por parte dos EUA.

Mas, a mudança na relação EUA-China não é a única mudança significativa. Em 2000, os principais países industrializados do mundo – Europa ocidental, os EUA e o Japão – foram responsáveis por 72% da produção. Enquanto este índice ficou abaixo dos 80% em 1990, este ainda não significava uma mudança qualitativa. Isso foi desenvolvido na próxima década.

Em 2010, esses países representaram pouco mais da metade da produção industrial do mundo. A mudança na produção foi para o chamado Bric – Brasil, Rússia, Índia e China. Em 2000, eles foram responsáveis por 11 por cento da produção industrial global. No ano passado, sua participação mais que dobrou para 27%.

Estes dados apontam para a origem das divisões na votação da Resolução do Conselho de Segurança da ONU de 1973, que autoriza a intervenção militar contra a Líbia. A resolução foi votada em 10 a zero, com cinco abstenções, Brasil, Rússia, Índia e China (os Brics), mais a Alemanha.

Pós-guerra, a política na Europa tem como premissa a colaboração da França e da Alemanha. Agora, os antagonistas em duas guerras mundiais têm discordado, como as potências emergentes Bric divergem das potências capitalistas mais velhas. É claro que esta divisão não se opõe a acordos sobre outras questões no futuro, mas indica crescentes tensões geopolíticas, que, como a história do século XX demonstra, inevitavelmente leva a uma guerra inter imperialista.

As profundas mudanças nos fundamentos da economia global e as tensões geopolíticas tem produzido destaque, mais uma vez, na presciência de análise de ênin em sua obra, O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo.

Publicado em 1916, nas profundezas da Primeira Guerra Mundial, O Imperialismo explicou que o socialismo era uma necessidade histórica como o único meio de acabar com a ameaça à civilização representado pela guerra imperialista. Lênin estava escrevendo em oposição direta às teorias do líder socialdemocrata alemão Karl Kautsky. Kautsky, que forneceu a fundamentação teórica para a socialdemocracia alemã para apoiar o seu “próprio” governo na guerra, afirmou que a guerra não surgiu organicamente do capitalismo. Consequentemente, as potências imperialistas seriam capazes de regulamentar os seus assuntos de modo a evitá-lo.

Tal estado de "ultraimperialismo" nunca poderia ser permanente, Lênin explicou, porque qualquer acordo entre as potências imperialistas em um ponto, seria inevitavelmente interrompida em outro, por causa do desenvolvimento desigual do capitalismo histórico. E essa ruptura do equilíbrio econômico anterior colocariam em marcha uma nova luta política e militar rumo às colônias, esferas de influência, recursos, de mercado e uma nova guerra mundial.

Quando nos aproximamos do 100º aniversário da eclosão da Primeira Guerra Mundial, em meio a uma das mais profundas mudanças da economia global na história do capitalismo mundial, a análise de Lênin é mais relevante do que nunca. A ofensiva militar contra a Líbia, e os apetites imperialistas que a motivou, apontam para o fato de que a guerra imperialista está de volta na agenda histórica. A classe trabalhadora só pode responder a essa terrível ameaça, na medida em que é politicamente rearmado com as lições de política e estratégica das imensas experiências do século XX, e que leva à luta para o programa da revolução socialista mundial.


*Artigo publicada originalmente pelo World Socialist Web Site e traduzido pelo Diário Liberdade.
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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/opiniao_ver.php?idConteudo=1435

Militares chilenos condenados por crimes na ditadura

09.04.2011
Do site de CARTA MAIOR


Os militares foram condenados com 10 anos de cadeia pelo homicídio, em outubro de 1973, durante a ditadura de Augusto Pinochet, de um funcionário do FMI, dois turistas argentinos, um militante da direita chilena, um estudante universitário e outro cidadão chileno. Os condenados sequestraram as vítimas do lugar onde dormiam, levaram-nas para um centro de detenção e, em seguida, simularam uma tentativa de fuga para assassiná-las.

Os três membros da Escola de Suboficiais do Exército foram declarados responsáveis pelos homicídios de Ricardo Montecinos Slaughter, funcionário do Fundo Monetário Internacional, e do casal Carlos Adler Zulueta e Beatriz Díaz Agüero, dois turistas argentinos. As outras vítimas foram Víctor Garretón Romero, militante do direitista Partido Nacional; Jorge Salas Pararadisi, estudante universitário, e Julio Saa Pizarro, cirurgião dentista.

Segundo a sentença, as vítimas foram detidas enquanto dormiam em seus apartamentos da Torre 12 de San Borja, um prédio localizado em pleno centro de Santiago, no dia 16 de outubro de 1973, por membros da Escola de Suboficiais do Exército, e levadas para o centro de detenção da Casa da Cultura de Barrancas, em Pudahuel. No dia seguinte, foram levadas para os arredores do túnel do Prado, onde se ordenou que saíssem correndo para simular uma fuga. Foram então assassinados.

A ONU solicitou informação sobre caso, ainda em 1976, pelo fato de um funcionário do FMI estar entre as vítimas. A pena imposta pelo juiz Jorge Zepeda, em primeira instância, é de 10 anos sem atenuantes para Gerardo Urrich, Juan Ramón Fernández e René Cardemil.

Tradução: Katarina Peixoto
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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17668&editoria_id=6

Ollanta Humala vence 1° turno da eleição no Peru

10.04.2011
Do site de CARTA MAIOR


Segundo as primeiras pesquisas de boca de urna, o candidato da esquerda, Ollanta Humala, obteve mais de 30% dos votos e deverá disputar o segundo turno previsto para 5 de junho.

O segundo lugar é disputado por Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, e pelo ex-ministro Pedro Pablo Kuczynski, que, segundo as pesquisas de boca de urna, obtiveram cerca de 20% de votos cada, com uma ligeira vantagem para Keiko.

De acordo com a empresa Ipsos Apoyo, Humala tem 31,6%, contra 21,4% de Fujimori e 19,2 do liberal Pedro Pablo Kuczynski. Outro instituto, CPI, deu 33% para Humala, 22% para Fujimori e 19% para Kuczynski. Outro ainda, Datum,m apontou os seguintes números: Humala 33,8%, Fujimori 21,3% e Kuczynski 19,5%.

As pesquisas de boca de urna, segundo advertiram seus próprios realizadores, costumam ter margens de erro de até mais de três por centro, de acordo com os índices históricos. O diretor de Ipsos Apoyo, Alfredo Torres, explicou que nas pesquisas de boca de urna, quando a vantagem não supera a casa dos três pontos, deve-se considerar como um empate técnico.

Os candidatos presidenciais Ollanta Humala, Keiko Fujimnori e Pedro Pablo Kuczynski, foram os três primeiros aspirantes à presidência do país a votar na manhã deste domingo. Enquanto isso, a votação desenrolou-se em ordem em todo o país, sem que fossem registrados incidentes de grande importância, conforme informaram as autoridades eleitorais.

O primeiro dos candidatos a votar foi o nacionalista Ollanta Humala, que o fez na sede da Universidade Ricardo Palma, no distrito de Santiago de Surco, onde chegou acompanhado por sua esposa Nadine Heredia. Humala foi saudado por um grupo de simpatizantes e escutou também algumas hostilidades – ainda que menores – de eleitores dos outros candidatos.

A direitista Keiko Fujimori também votou cedo e entrou na fila como uma eleitora comum na sua seção eleitoral em um colégio localizado também em Santiago de Surco. Já o liberal Kuczynski, conhecido popularmente como PPK, foi o terceiro candidato a votar. Ele compareceu ao Colégio San Augustin no distrito de San Isidro, de onde se retirou sem fazer declarações em meio a declarações de apoio.

O ex-presidente centrista Alejandro Toledo e o ex-prefeito de Lima, Luis Castañeda, votaram por volta do meio dia. Antes de votar, os candidatos presidenciais mantiveram a tradição de tomar o café da manhã com jornalistas peruanos, oportunidade que aproveitaram que fazer os clássicos a que os eleitores votassem massivamente e em paz.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17674&editoria_id=6

Sistema criminal trata diferente ricos e pobres, afirma De Sanctis

07.04.2011
Do blog AMIGOS DO PRESIDENTE LULA


O desembargador Fausto Martin De Sanctis, que atuou no caso Castelo de Areia, recusou-se ontem a falar sobre o julgamento do STJ que anulou os grampos da operação, mas disse que o sistema criminal do país vive uma situação de "dualidade de tratamento" entre ricos e pobres.

Folha - Como o sr. avalia a decisão do STJ que anulou os grampos da Castelo de Areia?

Fausto De Sanctis - Não posso falar sobre esse caso concreto, mas posso falar sobre o sistema criminal de um modo geral. Em várias situações o Supremo Tribunal Federal já legitimou interceptações após denúncias anônimas e prorrogações de interceptações por longos prazos.

A Justiça tem um compromisso, pois ela serve de estímulo ou desestímulo para outros órgãos de poder. Não se pode comprometer a imagem da Justiça como uma Justiça dual, que trata diferentemente pobres e ricos.

O grande desafio do Judiciário brasileiro é reafirmar o princípio da igualdade e não fazer reafirmações que passam de forma concreta a ideia de que o crime compensa para alguns. A dualidade de tratamento já foi discutida no passado e os países desenvolvidos já superaram essa fase. Mas parece que o Brasil não superou.

Qual será a repercussão desse julgamento para outros casos que tiveram interceptações após denúncias anônimas?

Não posso falar desse julgamento, mas é nítido para juízes criminais, Ministério Público, Polícia Federal e advogados o desestímulo institucional já existente. Tudo o que é feito é sempre interpretado de maneira favorável às teses provenientes daqueles que lucram muito com elas.

Não existem direitos sem deveres, mas parece que os deveres não são exigidos ou são muito bem flexibilizados em determinadas situações, o que é inconcebível.

O subprocurador que representou o Ministério Público no julgamento disse ser preciso reavaliar os cuidados nas apurações. O sr. concorda?

Não falo do fato concreto, mas acontece que há uma total desorientação da jurisprudência com relação aos trabalhos de apuração, porque a jurisprudência sempre permitiu interceptações por tempo indeterminado, denúncias anônimas e ações controladas.

A partir do momento em que determinados casos vieram à tona, e não estou falando da Castelo de Areia, a jurisprudência simplesmente vira e interpreta com rigor tal que não se tem como investigar ou processar, pois tudo leva à prescrição, à nulidade ou à inépcia da denúncia. Na Folha
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Fonte:http://osamigosdapresidentedilma.blogspot.com/2011/04/sistema-criminal-trata-diferente-ricos.html

Banco de Daniel Dantas diz que seu "mensalão" foi para a Globo

10.04.2011
Do blog AMIGOS DO PRESIDENTE LULA,em 05.04.2011


Quando os tubarões brigam, o povo ganha.

O Opportunity, banco de Daniel Dantas, emitiu nota considerando idiota a reportagem da revista Época, ao considerá-lo fonte de pagamentos ao governo, no chamado "mensalão", pois desde que o governo Lula assumiu, o seu banco não teve mais a "generosidade" encontrada no governo FHC, e precisou enfrentar as barras da lei.

Dessa vez, e só desta, temos que concordar em parte com Dantas. A CPI dos Correios apurou que a Telemig Celular e a Amazônia Celular, pagou R$ 152 milhões às empresas de Marcos Valério. A Brasil Telecom, R$ 4,7 milhões. Se esse dinheiro foi para políticos, não foi para o governo Lula (hostil às investidas de Dantas), e sim para a bancada de Dantas, no Congresso ou nos estados.

Mas o curioso é o final da nota: "Na Telemig, segundo informações prestadas à CPI do Mensalão, a maioria dos recursos eram repassados as Organizações Globo. Por isso, a apuração desses fatos fica fácil de ser feita pela Época."

Se o "mensalão" da Telemig foi para a Globo, alguém não contabilizou todo o valor.

A CPI apurou R$ 122,3 milhões pagos pela Telemig para as empresas de Marcos Valério, entre 2000 e 2005.

Os pagamentos para o Grupo Globo, apurados pela CPI, no mesmo período, foram de R$ 7,4 milhões.

Tem R$ 114 milhões de diferença, não contabilizados.

Então ou a Globo apresenta voluntariamente sua planilha dos recebimentos da DNA e SMPB para dirimir dúvidas, ou o Ministério Público precisa pedir a quebra do sigilo bancário e contábil das empresas das Organizações Globo para encontrar essa diferença.
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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2011/04/banco-de-daniel-dantas-diz-que-seu.html

Sede bilionária de Aécio Neves faz 1 ano e já está em reforma

10.04.2011
Do blog AMIGOS DO PRESIDENTE LULA


A Cidade Administrativa, a sede do governo de Minas Gerais,construida por Aécio Neves (PSDB) completou um ano no mês passado já submetida a reformas.

O conjunto de prédios, que foi projetado por Oscar Niemeyer e custou mais de R$ 1 bilhão, é a principal obra do governo do hoje senador Aécio Neves (PSDB).

Foi inaugurado pelo tucano em 4 de março de 2010, menos de um mês antes de ele deixar o cargo para disputar o Senado. O local recebe o nome de Tancredo Neves (1910-1985), avô de Aécio.

Os 13.500 servidores que trabalham no complexo ainda convivem com os operários e com máquinas pesadas que continuam no local.

O piso do prédio onde despacha o governador Antonio Anastasia (PSDB) tem rachaduras e passa por reforma, obrigando quem circula por lá a desviar pela grama.

Nos outros prédios, o piso também apresenta defeitos. Há ainda várias interrupções nas calçadas do complexo devido a obras. Entulhos e pilhas de materiais de construção estão por todo lado.As rachaduras são foco de uma das quatro investigações do Ministério Público sobre a Cidade Administrativa. A Promotoria apura se foi usado material de qualidade inferior ao previsto.

Outra investigação apura se os preços pagos na obra foram superiores aos do mercado, indicando superfaturamento. O inquérito aponta irregularidades no edital, como restrições excessivas que reduziriam a concorrência.A Promotoria também investiga a denúncia de um empresário que foi inabilitado após vencer uma licitação de restaurante no complexo.

Ele diz que a empresa que ficou com a concessão tinha acerto com outra para lotear espaços do governo mineiro. A investigação apura se houve participação do Estado no eventual esquema.

Uma quarta investigação analisa, entre outras supostas irregularidades, a compra de móveis idênticos com preços diferentes.

A previsão era ter 16.500 pessoas no local até outubro de 2010, mas o governo tucano agora só promete atingir esse total em junho.Com isso, o governo prorrogou até o fim deste semestre a redução de jornada de trabalho para seis horas por dia, criada para facilitar a adaptação ao local, que fica a 20 km do centro de BH.Informações Folha tucana
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Quem passou o número do celular da senhora coragem, para a Folha tucana?

08.04.2011
Do blog OS AMIGOS DA PRESIDENTE DILMA


A mulher que ligou para o 190 e avisou, em tempo real, o assassinato de Dileone Lacerda Aquino, 27 anos, baleado por dois soldados no cemitério das Palmeiras, em Ferraz de Vasconcelos (Grande SP), no dia 12 de março deste ano, sentiu-se traída pela Polícia Militar.

"A corregedoria prometeu me preservar --e eu acreditei", disse ela ontem, por telefone,ao jornal Folha de São Paulo

"Eu não acredito mais. Uma coisa que aconteceu em março. Falaram que iriam me preservar. A prova de que isso não é verdade é que eu estou falando com vocês jornalistas nesse momento", disse a senhora ao jornal.

Essa é polícia do Serra/Alckmin. Liberou a gravação do telefonema para a Tv, e o número do celular para o jornal do PSDB

É de arrepiar a gravação do telefonema que uma mulher corajosa fez para a Polícia Militar no último dia 12.

Ela tinha ido visitar o túmulo do pai num cemitério em Ferraz de Vasconcelos (Grande SP), quando viu um policial militar retirar um homem do carro oficial e assassiná-lo com um tiro no peito.

A cena, chocante, é de apavorar qualquer um. Muita gente, numa situação dessas, fingiria que não viu nada e tentaria sair dali o mais rápido possível. Mas não. A senhora sacou o telefone, ligou para a Polícia Militar (190) e descreveu o que estava vendo.

Só isso já seria coragem mais que suficiente. Mas não parou por aí. Um dos soldados da PM envolvidos foi até a mulher enquanto ela falava com o 190.

Ela então diz, aparentemente sem pestanejar: "O senhor que estava naquela viatura ali? O senhor que efetuou o disparo?" Antes, num lance de inteligência, avisou que na outra ponta da linha estava um policial.

O militar no cemitério desconversa, diz que estava socorrendo o rapaz. "É mentira, eu não quero conversar com o senhor", responde a mulher. Os dois PMs acabaram presos.

Um ato de bravura desses, numa realidade violenta como a nossa, merece todos os elogios. Além de tudo em Ferraz, lugar distante do centro, onde a população é ainda mais vulnerável, tanto à ação de bandidos quanto aos desmandos de alguns policiais violentos.

Um relatório da polícia mostra que grupos de extermínio formados por PMs mataram 150 pessoas na capital entre 2006 e 2010.

A senhora foi incluída no programa de proteção a testemunhas, mas a Folha sabe o endereço , o nome e o telefone da senhora. Será que a vida dessa senhora vale alguma coisa?
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Fonte:http://osamigosdapresidentedilma.blogspot.com/2011/04/quem-passou-o-numero-do-celular-da.html

Licença ambiental só vale quando a obra é do PAC? Obra do tucano opera sem licença ambiental

09.04.2011
Do blog AMIGOS DO PRESIDENTE LULA


Inauguradas há um ano, as novas pistas da marginal Tietê estão sem licença ambiental de operação, que não foi sequer pedida. Pela lei, o documento dá o sinal verde para empreendimentos que geram impacto no ambiente. A falta dele, na prática, revela que várias das exigências consideradas fundamentais pela Prefeitura de São Paulo não foram cumpridas.

Anunciada no final de 2008 pelo então governador José Serra (PSDB), a ampliação das marginais custou por volta de R$ 1,3 bilhão, segundo o governo do Estado, com a promessa de se fazer o "maior projeto de compensação ambiental" do mundo. A situação atual, porém, ainda está longe disso.

Segundo o Agora, a Dersa, órgão do governo estadual responsável pela obra, não entregou os projetos das quatro passagens exclusivas de pedestres e ciclistas, por exemplo. Tanto a Dersa quanto a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo dizem que o pedido de licença das pistas da marginal só poderá ser solicitado após a conclusão das obras.
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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2011/04/licenca-ambiental-so-vale-quando-obra-e.html

Bomba: Época revela que a AGU, sob Gilmar Mendes, advogou para Daniel Dantas

09.04.2011
Do blog AMIGOS DO PRESIDENTE LULA


"No dia 4 de abril de 2002, a Anatel e a Advocacia-Geral da União (AGU) deram entrada a uma petição, na 31a Vara Cível da Justiça Estadual do Rio, principal foro onde TIW, fundos e Opportunity terçavam armas. Na petição, a Anatel e a AGU requeriam a admissão como assistentes do Opportunity na questão. Ao ser admitidas no caso, o processo seria transferido automaticamente da Justiça Estadual do Rio para a Justiça Federal."
Esse trecho acima a revista Época deixou escapar, e é a verdadeira notícia-bomba sem querer, em meio a reportagem desta semana, cujo foco era apenas o lobby de Dantas sobre FHC na ANATEL.

Para se situar na notícia: Gilmar Mendes foi Advogado Geral da União de 31 de janeiro de 2000 até 20 de junho de 2002, e o texto descreve uma manobra jurídica dos advogados de Daniel Dantas, com ajuda da AGU, para retirar um processo de um tribunal em que estavam perdendo a causa.

A notícia bomba leva à pergunta que não quer calar:

O que fazia a AGU de Gilmar Mendes, se metendo a advogar como assistente de um grupo PRIVADO (justamente o Opportunity), em uma empresa PRIVATIZADA, fora do interesse da União?

Segue o texto do trecho da reportagem da revista Época, onde mostra a AGU ingressando em uma manobra jurídicra do interesse do Opportunity:
...Em 2002, Dantas dedicava um lugar especial de suas atenções à Anatel. Por lei, qualquer mudança no controle das empresas de telefonia precisava ser previamente aprovada pela agência. Ter aliados – e, sobretudo, não ter inimigos – em posições influentes na Anatel era um trunfo para quem disputava o comando de empresas com faturamento na casa dos bilhões de reais. Na Anatel, a procuradoria-geral era um local estratégico para Dantas. O motivo era uma briga que ele travava com os fundos de pensão de empresas estatais e com a empresa canadense TIW pelo controle da Telemig Celular e da Amazônia Celular, duas empresas privatizadas pelo governo FHC em 1998.

O litígio entre Opportunity e TIW começara depois do leilão de privatização. Os canadenses haviam desembolsado mais de US$ 380 milhões na compra de duas empresas, acreditando que teriam participação em sua gestão. Após o leilão, descobriram que, apesar de ter 49% das ações, não teriam ingerência nas decisões das companhias, em virtude de uma complexa estrutura societária atribuída a Dantas. Apesar de deter menos de 1% do capital total, era o Opportunity que controlava as empresas, por intermédio de outra empresa chamada Newtel, cujos sócios eram o Opportunity e os fundos de pensão, mas não os canadenses. No meio da disputa entre os canadenses e o Opportunity, os principais fundos de pensão mudaram de direção e se aliaram à TIW. Eles queriam dissolver a Newtel e destituir o Opportunity do comando das empresas. Iniciou-se em 2000 uma batalha na Justiça Estadual do Rio de Janeiro que mobilizou alguns dos principais escritórios de advocacia do país e gerou mais de 30 ações. No meio desse imbróglio, a TIW e os fundos conseguiram algumas vitórias parciais. Uma liminar da Justiça do Rio lhes assegurava, temporariamente, o comando do conselho de administração da empresa holding da Telemig.

No dia 4 de abril de 2002, a Anatel e a Advocacia-Geral da União (AGU) deram entrada a uma petição, na 31a Vara Cível da Justiça Estadual do Rio, principal foro onde TIW, fundos e Opportunity terçavam armas. Na petição, a Anatel e a AGU requeriam a admissão como assistentes do Opportunity na questão. Ao ser admitidas no caso, o processo seria transferido automaticamente da Justiça Estadual do Rio para a Justiça Federal. Elas afirmavam que a dissolução da Newtel, pretendida pela TIW e pelos fundos de pensão, provocaria mudança no controle acionário das empresas – e que isso só poderia ser feito com a anuência prévia da agência. Argumentavam também que a dissolução da empresa poderia provocar desordem administrativa, com prejuízo na prestação de serviços...
Época "amarelou" e não mostrou o dinheiro que as Organizações Globo receberam do valerioduto

É preciso lembrar também, que a revista da Editora Globo mudou de assunto em relação à semana passada, fugindo de dar explicações, depois de Dantas desafiá-la a mostrar o dinheiro recebido através das agências de Marcos Valério pelas Organizações Globo.

Esta semana, a reportagem veio retratando Daniel Dantas como lobista e não como criminoso. Sacrifica a imagem de FHC, revelando passagens constrangedoras mas, nas entrelinhas, a reportagem serve ao jogo de Dantas, ao repetir a tese que é apenas dos advogados de Dantas de que a operação Satiagraha teria sido ilegal:
... delegado Protógenes Queiroz, recorreu a métodos ilegais de operação (usou, por exemplo, agentes da Agência Brasileira de Inteligência para fazer escutas telefônicas à revelia da direção da PF), foi afastado do caso e condenado, em novembro do ano passado, pela Justiça Federal à pena de prisão por crime de violação de sigilo funcional e fraude processual.
Nenhuma decisão da justiça, até agora, dá direito à revista de escrever o que escreveu, como se fosse verdade factual. Pelo contrário, todas as decisões anteriores validaram a operação, e Protógenes só foi condenado (e ainda recorre) justamente pela intromissão de uma equipe da TV Globo na gravação do flagrante do suborno.

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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2011/04/bomba-epoca-revela-que-agu-sob-gilmar.html

Leia na íntegra, a nota enviada pelos verdes ao Blog da Folha

10.04.2011
Do BLOG DA FOLHA
Postado por Valdercarlos Alves


PACIÊNCIA TEM LIMITE. HORA DE MOSTRAR QUEM É QUEM!

Por não ter argumentos convincentes para justificar seus ataques, o deputado Daniel Coelho, mais uma vez tenta confundir e enrolar.

A Célula Verde é um movimento de militantes do PV/PE, atuante há mais de 10 anos. Entre inúmeros componentes, destacam-se: Renê Patriota (médica, advogada e candidata a senadora 2010, com mais de 124 mil votos), Vicente Roque (fundador do sindicato dos advogados de Pernambuco e vice-presidente da Federação Nacional dos Advogados - Região Nordeste), Adalberto Arruda (advogado e economista), Clóvis Cavalcanti (professor, ecologista e pesquisador social), Antônio Monteiro (índio Boró, professor), Bento Bezerra (cardiologista, cientista social e candidato PV/PE a deputado estadual 2002), Carolina Elói (advogada, diretora do Instituto Verde e candidata PV/PE a deputada federal em 2010), Graça Vasconcelos (arquiteta, artista plástica e candidata do PV a vereadora do Recife em 2008), Lourdes Tenório (líder do movimento em prol da preservação da Lagoa do Araçá na Imbiribeira e fundadora da associação dos amigos da Lagoa do Araçá), Raimundo Reis (advogado e empreendedor social), Ladelço Gomes (coordenador da Federação das associações dos moradores de bairros), Fernando Araújo (odontólogo, economiário e candidato do PV a vereador do Recife em 2004), Marisa Caruso (empresária e fundadora da Associação dos Moradores de Pina, Boa Viagem e Setúbal - APBS), Cristina Henriques (diretora da APBS), Jacilene Duarte (enfermeira, líder do movimento pela regulamentação da profissão dos instrumentadores cirúrgicos e candidata PV/PE a deputada estadual 2010), Tiago Duarte (ambientalista e técnico em informática), Maria Clenice Viana Valadares (militante dos movimentos ecológicos, empreendedora social e candidata PV/PE a deputada estadual em 2002), Valnira Cavalcanti (advogada), Gustavo Carvalho (médico), Pollyana Alves (administradora), Sheyla Mafra (militante do combate à homofobia).

Segue em anexo publicação ilustrativa, mostrando a trajetória de lutas da Célula Verde em defesa da democracia e das causas sócioambientais.

1. Em mais uma nota grosseira e sem consistência, o deputado Daniel Coelho apenas bradou que tudo é "mentira" e deixou o pai entregue à própria sorte. Não fez a sua mínima defesa. É triste. Realmente é difícil defender o comportamento agressivo, as ameaças e os xingamentos do seu genitor e da violenta turma que ele leva para tumultuar reuniões. O evento foi gravado. E se o deputado, que desafia a tudo e a todos, achar conveniente divulgar, basta pedir e encaminharemos as provas constrangedoras para a imprensa. Como os diversos casos de desrespeito e agressões estão na Comissão de Ética, temos evitado divulgar tantas baixarias em respeito ao público. Mas não dá para aceitar mais tantas mentiras, violências e distorções!

2. Coelho esteve na Convenção de 2010. Mas, mesmo possuindo uma enorme militância paga, desta vez não levou ninguém. Foi apenas com o pai pegar carona no sucesso do evento. Mesmo em dia de chuva e copa do mundo o auditório do centro de convenções ficou lotado, com mais de mil filiados e simpatizantes, que apoiaram o palanque de Marina Silva e as pioneiras candidaturas majoritárias do Estado. Boicotou sim, mas perdeu.

3. Coelho sempre gozou de muitos privilégios no PV. Teve generoso destaque nos Programas Partidários. Queria 30% do Guia eleitoral. Mas foi contra o projeto de 2010 e ficou isolado. Em suas propagandas, NUNCA colocou os dados da majoritária (traição e irregularidade eleitoral), mesmo assim, apareceu no guia mais do que merecia. Temos as provas.

4. Fez dobradinhas extra-partidárias SIM. No Recife, com deputados do PMDB, PSC e PP e em Paulista com um deputado do PTB - apenas para citar alguns. Temos provas e muitas testemunhas.
Incitou e patrocinou mais da metade dos candidatos a deputado Federal do PV a não colocarem a chapa majoritária em suas propagandas.

5. Ofereceu vantagens SIM. E continua a oferecer, pois faz politica assim. Em Olinda, Petrolina, Jaboatão, São Lourenço e Paulista.

6. Contratou milhares de cabos eleitorais em Recife e fez a maior propaganda visual do Estado, com cavaletes por todo canto, poluindo as ruas. Gastou muito para se eleger. Mesmo assim, precisou de cerca de 50% dos votos do PV para completar o quociente eleitoral. Em vez de atacar, deveria agradecer muito ao partido e aos demais candidatos da chapa.

7. A tentativa individualista de ocupar o cargo de Líder da Oposição, sem discutir com ninguém do PV, foi uma frustrada manobra para dobrar o número de assessores na Assembléia e receber mais verbas de gabinete, para fazer a velha política. Mas não foi aceito por vários deputados de oposição, que o criticaram fortemente na imprensa. As provas estão no noticiário.

8. A ata da reunião que ele faltou foi assinada por sua assessora Betânia Advíncula (ex-secretária de Finanças, afastada da função por não apresentar prestação de contas e estar inadimplente com o Conselho Fiscal), a quem se presta ao papel de sua porta voz para levantar factóides na imprensa contra Marina Silva ( Veja: http://bit.ly/gfHI0X ), com o intuito de agradar Zequinha Sarney e Penna, que está há 12 anos na presidência do PV e a quem ele sempre se referiu como ditador.

Os ataques grosseiros do deputado e de seu pai visam barrar o crescimento do PV e a força de Marina Silva, que tem o apoio de quase vinte milhões de eleitores. Mais de 903 mil em Pernambuco. Coelho Filho, Sarney Filho e uma turma obscura querem controlar o PV e evitar o processo de democratização ( Veja: 1. http://bit.ly/gUQUiG 2. http://bit.ly/fImRnD ). Mas não vão conseguir. O povo não é bobo e nós estamos aqui para denunciar e alertar.

Movimento Célula Verde
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Fonte:http://www.blogdafolha.com.br/index.php/materias/19285-leia-na-integra-a-nota-enviada-pelos-verdes-ao-blog-da-folha

Folha viola direitos dos jornalistas

10.04.2011
Do blog de Altamiro Borges
Por Altamiro Borges


Na semana passada, no 7 de abril, foi festejado o Dia do Jornalista. Houve atos comemorativos e festanças em vários pontos do país e até discursos na Câmara Federal. A própria mídia patronal fez questão de festejar a data.

Na mesma semana, porém, a diretoria do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo participou de uma mesa-redonda na Delegacia Regional do Trabalho (DRT) para discutir "o permanente desrespeito que o Grupo Folha promove contra os direitos trabalhistas dos funcionários".

Entre as irregularidades praticadas pela famíglia Frias, proprietária dos jornais Folha e Agora, o sindicato listou quatro bem graves:

1- A empresa mantém parte dos jornalistas como "frilas fixos", sonegando o direito ao registro em carteira de trabalho, com o agravante de que paga remuneração mensal inferior ao piso salarial da categoria constante na Convenção Coletiva de Trabalho;

2- Ela também obriga parte dos profissionais a se constituir como "pessoa jurídica" para prestar serviços à empresa. A lei sobre terceirização impede o uso desta prática em atividade-fim, mas o Grupo Folha viola a legislação. "A disseminação dos PJs visa reduzir os direitos trabalhistas - como férias, 13*, descanso semanal remunerado", denuncia a entidade;

3- O Grupo Folha não usa mecanismos de controle da jornada, mas determina o horário de entrada dos jornalistas. Com isso, cria uma situação em que o funcionário tem horário para entrar, mas não para sair. E o pior: não paga as horas-extras devidas;

4- De quebra, a empresa ainda pratica os terriveis "pescoções", jornadas de até 14 horas diárias ocorridas às sextas-feiras no fechamento da edição de domingo, que chega às bancas na tarde de sábado. "A jornada é ilegal (o máximo permitido em lei, para qualquer categoria, são dez horas diárias), não remunerada, e com frequência não se respeita o intervalo inter-jornada para quem trabalha no sábado".


Como se observa, é muito cinismo - ou pura provocação - a mídia patronal ainda comemorar o Dia dos Jornalistas! E o pior, como sempre repete Mino Carta, editor da revista CartaCapital, é que ainda tem muito jornalista no Brasil que adora chamar o patrão de "companheiro".
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/04/folha-viola-direitos-dos-jornalistas.html

A nova carreira de Lula

06.04.2011
Do portal OPERA MUNDI
Por Alessandra Correa


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou nesta semana a Washington, o primeiro destino de um roteiro agitado nos próximos dias, que inclui México, Grã-Bretanha e Espanha e faz parte de sua nova profissão: a de palestrante.

Nesta quarta-feira, Lula será a atração principal do Fórum de Líderes do Setor Público da América Latina e Caribe, promovido pela Microsoft na capital americana. A uma plateia de 120 pessoas, vai falar sobre o caminho do Brasil no aprimoramento da educação.

A assessoria do ex-presidente não diz quanto ele vai receber pela participação no evento. Houve quem falasse em US$ 500 mil. Em sua primeira palestra remunerada, feita no mês passado no interior de São Paulo, a convite da LG, estima-se que Lula tenha recebido até R$ 200 mil.

A carreira de palestrante é administrada pela empresa LILS (suas iniciais) Palestras, Eventos e Publicações, criada no mês passado ao lado do amigo Paulo Okamotto (que detém 2% de participação). Segundo seus assessores, além do objetivo financeiro, com a nova carreira Lula pretende também usar sua popularidade no Exterior para "promover o Brasil".

Lula chegou a Washington na noite de segunda-feira, em um avião cedido pelo empresário Josué Alencar, filho do ex-vice-presidente José Alencar e presidente da Coteminas. Hospedado na residência do embaixador Mauro Vieira, aproveita a passagem pela capital americana para fazer contatos e também um pouco de turismo.

Na manhã desta terça-feira, recebeu o presidente do BID (Banco Inter-americano de Desenvolvimento), Luis Alberto Moreno, em um encontro que, segundo seu assessor, busca "estreitar laços". Para a tarde, depois de repassar o texto da palestra, o plano era ver as cerejeiras às margens do rio Potomac, cartão-postal da cidade neste início de primavera. À noite, um jantar promovido pela Microsoft.

A próxima parada do ex-presidente é Acapulco, onde na sexta-feira vai falar sobre a crise econômica e a experiência do Brasil em uma conferência da Associação de Bancos do México. Na semana que vem, segue para Londres, onde sua agenda inclui um encontro com o historiador Eric Hobsbawm e uma palestra para investidores europeus a convite da Telefônica. Depois, ruma à Espanha, para receber o Prêmio Liberdade Cortes de Cádiz, na cidade de mesmo nome. A agenda no país ainda não está totalmente fechada, mas Lula espera poder incluir uma partida do Barcelona ou do Real Madrid.
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Fonte:http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/eua/

Peru: com slogan 'a esperança vai vencer o medo', Humala tenta repetir o Lula de 2002

10.04.2011
Do portal OPERA MUNDI, em 04.04.2011
Por Jacqueline Fowks, Lima

Imediatamente após uma pesquisa mostrar que o candidato da coalizão de esquerda Ganha Peru liderava as intenções de voto para as eleições peruanas, a Bolsa de Valores de Lima caiu mais de 5%. O temor expressado pelo mercado com a dianteira de Ollanta Humala Tasso, 48 anos, é semelhante ao verificado em eleições em outros países latino-americanos, como a do ex-presidente Lula.

E as incertezas da elite econômica no Peru com Humala não são a únicas semelhanças com a eleição brasileira em 2002: com um discurso mais leve e endereçado aos mais pobres, Humala parece ter eliminado a imagem de radical e conquistado um eleitorado fiel. O candidato inclusive divulgou o documento “Compromisso com o Povo Peruano”, nos moldes da “Carta ao Povo Brasileiro” de Lula. Nele, falou o que os investidores queriam ouvir.

Efe (01/04/2011)

Mudança aconteceu até no visual de Humala, que deixou de lado a camiseta vermelha e adotou o branco

Humala prometeu mudanças sem afetar a estabilidade econômica e política, propondo um “pacto político” entre todas as forças do país para “consolidar o crescimento e distribuir a riqueza no país”. De fato, não nega o crescimento registrado no Peru nos últimos anos – só em janeiro a economia cresceu 10,2% –, mas critica a concentração de renda. Humala garante ainda que “as decisões do Banco Central serão independentes e que não defenderá a volta de reeleições consecutivas”.

A posição é oposta à apresentada em 2006, quando perdeu no segundo turno para o atual presidente, Alan García. Naquela ocasião, o esquerdista propunha a estatização da economia e a revisão de acordos econômicos já assinados. O neoliberal García ganhou com 52,6% dos votos – Humala teve 47,375 %.

A mudança também aconteceu no visual: Humala já não veste vermelho e sim, branco, ou trajes formais, a exemplo dos ex-presidentes García e Toledo. Tampouco atacou verbalmente nenhum dos candidatos, apesar de o slogan “a esperança vai vencer o medo” ser exaustivamente repetido em seus comícios.

Frente à tentativa da imprensa e dos concorrentes de atrelá-lo ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, negou qualquer ligação com o líder da Venezuela, de passado militar como Humala. Em 2006, Chávez o apoiou explicitamente, inclusive liderando comícios em praça pública.

"Votarei em Humala não por ser militante, mas pelas reação contrária de certos setores, como o de comunicação, à sua candidatura. Em 2006, votei nele pelo mesmo motivo. Além disso, é o único que irá investigar o governo García, o que seria uma importante mensagem contra a corrupção e a cultura da impunidade. Porém, não entendo quando diz que não está com Chávez ", disse ao Opera Mundi o eleitor Luis Ancajima , 41 anos, estudante de Filosofia.

Efe (03/04/2011)

Toledo (e) e Keiko (d) são os candidatos com mais chances de acompanhar Humala no segundo turno

O eleitorado de Humala se concentra entre as camadas mais humildes da sociedade peruana, conforme mostra uma pesquisa do instituto Ipsos Apoyo. Trinta e um porcento da classe E, a mais pobre, vota no candidato, assim como 33% da classe D. Somente 6% da classe A escolherá Humala no próximo domingo.

Obstáculos para Humala

De acordo com a socióloga peruana Paula Muñoz, da Universidade de Austin, em 2006 Humala teve apoio “nas províncias [estados] abandonadas pelo modelo econômico”, e também onde “as políticas neoliberais tiveram benefícios”. No entanto, como verificado nas eleições daquele ano, a forte campanha dos meios de comunicação foi um dos motivos para a derrota para García. Nessa eleição, Humala espera amortecer a forte rejeição des setores como esse.

O candidato do Ganha Peru ainda tem três temas controversos em sua trajetória como militar. Uma denúncia por violação dos direitos humanos durante o combate ao Sendero Luminoso em 1992; a convocação de uma rebelião militar – ao lado do irmão, Antauro – no quartel de Locumba em 2000 no dia em que Vladimiro Montesinos, ex-assessor Fujimori fugiu do Peru e o levante popular convocado por Antauro na virada do ano de 2005, que resultou na morte de seis pessoas, sendo duas delas policiais. Durante esse motim, Humala atuava na Coreia do Sul, após ocupar posto similar na França, durante o governo Toledo.

Giovanna Peñaflor, diretora do instituto de pesquisas Imasen e analista política, insiste que o fato de ser militar reflete de forma positiva e negativa sobre Humala, porque o eleitor pode o enxergar como “uma pessoa que conhece o país, além de transmitir força e caráter”, mas também pode significar “autoritarismo.”

Jacqueline Paiva

Últimas pesquisas para a eleição presidencial no Peru

“Nesse momento, o lado positivo se destaca. Ele é o único candidato que aparece em público com a esposa e os filhos, sendo que um deles é recém-nascido. Sua imagem foi suavizada aos olhos dos eleitores”, explicou a analista política ao Opera Mundi. Além disso, o perfil político teve papel na aceitação de Humala. “Antes ele representava a esquerda radical, agora é uma esquerda moderada”, concluiu Giovanna.

O sociólogo peruano Julio Cotler concorda com a diretora do Imasen. “Ele se deu conta que com extremismo, não vai ganhar. O Peru não passa por um momento de grande dificuldade, que poderia beneficiar um extremista. Humala também entendeu que não bastava mudar a imagem, mas todas as propostas.”

Para o politólogo peruano Alberto Vergara, em entrevista a uma emissora local, “Humala conseguiu se afastar da imagem de militar e jogou com a carta da moderação, ao se aproximar de setores como a Igreja. Desmitificar o autoritário militar lhe rendeu resultados”.

De acordo com todas as pesquisas de intenção de voto, Humala deve passar para o segundo turno em primeiro lugar, um feito inimaginável no começo da campanha. Neste domingo (03/04), três institutos consolidaram a tendência de crescimento e liderança. O Ipsos Apoyo o coloca com 27,2%, seguido por Keiko Fujimori (20,5%), Toledo (18,5%), Pedro Pablo Kuczynski (18,1%) e Luis Castañeda Lossio (12,8%), ex-prefeito de Lima.

Resta saber quem será seu adversário em 5 de junho.

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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/perfil/PERU+COM+SLOGAN+A+ESPERANCA+VAI+VENCER+O+MEDO+HUMALA+TENTA+REPETIR+O+LULA+DE+2002_166.shtml

Ditadura Militar, 47 anos depois, a Anistia perpétua

10.04.2011
Do blog ACERTOS DE CONTAS


por Raphael Tsavkko*

para o Acerto de Contas

A Ditadura Militar no Brasil durou exatos 21 anos, de 1º de Abril de 1964 (o dia da mentira no Brasil, razão pela qual os militares apontam o dia anterior, 31 de março como dia do Golpe) até 15 de janeiro de 1985 e, durante este período de grande repressão política, 380 pessoas foram mortas (uma boa parte de guerrilheiros de esquerda anti-Ditadura, mas muitos estudantes ou simplesmente cidadãos que não apoiavam o regime), entre as quais 147 continuam desaparecidos e nada se sabe sobre o destino de seus corpos.

Apesar de ser conhecida como Ditadura “Militar”, esta não teria se sustentado sem o amplo apoio de milhares ou milhões de civis que defenderam e apoiaram ativamente o regime e sua repressão. Parte significativa da população brasileira era (e ainda é) formada por conservadores, por indivíduos ligados às igrejas Católica e evangélicas que, na época, temiam que o país pudesse se tornar um regime comunista.

Hoje sabe-se que tanto o golpe quanto o regime consequente foram financiados pelos EUA em uma aliança regional entre ditaduras na América Latina chamada de Plano Condor, ou seja, uma rede gerenciada pelos EUA que mantinha ligação efetiva e constante entre os países da região que estavam (ou logo estariam) sob regimes ditatoriais, promovendo a manutenção do status quo e dando apoio logístico e financeiro à derrubadas de regimes democráticos, como o Chile de Salvador Allende, derrubado por Augusto Pinochet em 11 de setembro de 1973.

Durante os chamados “Anos de Chumbo”, milhares de brasileiros e brasileiras foram vítimas de tortura sistemática e prisões arbitrárias, inclusive mulheres grávidas e, em alguns casos, crianças, filhos dos presos políticos, assistiam às sessões de tortura. Não se sabe ao certo o número de crianças traumatizadas durante o período.

Além da tortura institucional, existiam grupos de extermínio apoiados extra-oficialmente pela estrutura civil-militar do Estado, como o Comando de Caça aos Comunistas (CCC), grupo cuja finalidade era a de caçar e matar supostos comunistas, especialmente em áreas pobres e favelas.

Pela esquerda, foi organizada às pressas uma resistência armada formada por diversos pequenos grupos compostos majoritariamente por estudantes universitários que praticavam assaltos à bancos (expropriações) para financiar suas ações, dentre elas o sequestro de personalidades e embaixadores estrangeiros. Estes grupos jamais foram grandes u muito fortes e boa parte destes foram desmantelados depois de intensa perseguição, prisões e torturas, além de exílios forçados.

Carlos Marighella e Carlos Lamarca, respectivamente líderes da Aliança Libertadora Nacional (ALN) e Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) foram dois dos grandes líderes guerrilheiros durante os anos 60 caídos em combate contra o exército e a polícia brasileira.

Durante os primeiros anos da década de 70 a Guerrilha do Araguaia, comandada pelo PCdoB (Partido Comunista do Brasil), se tornou célebre, ainda que o despreparo e as condições locais tenham impedido qualquer grande sucesso do grupo que foi quase todo preso ou morto pelo Exército brasileiro até 1974. Pelo menos 50 guerrilheiros mortos no Araguaia permanecem desaparecidos até hoje.

Durante o período que se conhece no Brasil como o da abertura, no final dos anos 70 e começo dos 80, em que a guerrilha tanto urbana quanto rural já havia sido quase totalmente dizimada e durante o momento em que as Forças Armadas começavam a sentir que não poderiam mais se manter no poder – aumento significativo da inflação, aumento significativo da dívida externa brasileira, crise econômica mundial devido à crise do petróleo no mesmo ano, processos de re-democratização em países vizinhos -, foi promulgada a Lei da Anistia.

Em 28 de agosto de 1979, o então ditador, João Figueiredo, promulgou a lei 6.683, conhecida como Lei da Anistia que virtualmente “desculpava” os militares e civis pró-regime que haviam matado e torturado durante o regime de exceção, já prevendo o fim próximo da Ditadura e a possibilidade de processos contra os criminosos.

Militares e civis que haviam torturado e matado centenas de brasileiros em paus de arara, com choques elétricos, afogamento, espancamento dentre outras técnicas passaram automaticamente a serem inimputáveis, ou seja, jamais poderiam ser alcançados pela lei de um regime democrático e julgados por seus crimes.

Crimes como o cometido contra a família de Amélia Telles e Criméia Almeida, presas e torturadas enquanto a segunda encontrava-se grávida. Criméia Almeida ainda teve o marido, André Grabois, e o sogro, Maurício Grabois, assassinados pela Ditadura e criou seu filho sozinha. A filha de Amélia Telles foi presa, aos 5 anos de idade, junto com a mãe e por anos carregou danos psicológicos pela situação a que foi submetida e à sua família.

O Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, responsável pela tortura de Criméia e Amélia, dentre outras centenas, foi o único militar a ser processado e condenado, em 9 de outubro de 2008, passando a ser considerado oficialmente um torturador, ainda que a pena não acarretasse prisão ou pagamento de multa, sendo apenas declaratória.

Porém, até hoje nenhum militar foi punido e os arquivos relativos àquele período permanecem fechados, secretos, impedindo que as famílias dos 147 desaparecidos possam enterrar seus entes queridos e saber da verdade.

Em Abril de 2010 o Supremo tribunal Federal tornou ainda mais difícil a abertura do arquivos e a punição dos torturadores ao julgar a validade da Lei da Anistia e garantir a eterna impunidade daqueles que, em nome do Estado, torturaram e mataram.

Porém, na véspera do natal de 2010, a Corte de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) julgou e condenou o Brasil no caso conhecido como “Guerrilha do Araguaia”, em que sobreviventes da guerrilha, dentre eles Amélia Telles e Criméia Almeida, processavam o país, tentando obrigá-lo a reparar as vítimas da Ditadura e revogar a Lei da Anistia.

O governo brasileiro, até o momento, não tomou conhecimento da sentença. Não importa a pressão que façam os ativistas de Direitos Humanos e mesmo representantes da Corte.

Desde a chamada re-democratização, em 1985, diversos grupos lutam para garantir o direito das vítimas da Ditadura, buscando reparação financeira, condenação aos criminosos, abertura dos arquivos e manter viva a memória histórica nacional. Online, há também uma grande mobilização permanente de blogueiros que buscam dar publicidade a casos de vítimas, pressionam com abaixo-assinados e com blogagens coletivas para manter viva a memória.

Durante a semana em que se comemora o Golpe, centenas de blogueiros e tuiteiros fizeram intensa campanha pela abertura dos arquivos da Ditadura, exigindo justiça e reparação.

Um dos grupos mais ativos na busca pela verdade e pela abertura dos arquivos, o Grupo Tortura Nunca Mais, de São Paulo, vem promovendo exumações no cemitério de Vila Formosa, na Zona Leste da cidade de São Paulo, onde acredita-se estão enterradas as ossadas de diversos militantes de esquerda assassinados pela Ditadura.

A justiça brasileira, mesmo antes da decisão do STF a favor da Anistia, vem dificultando a procura por corpos de desaparecidos, ao mesmo tempo em que o exército demonstra extrema má vontade em buscar pelos corpos de guerrilheiros ainda hoje enterrados em valas comum na região do Araguaia, no centro do país.

Por outro lado, o governo brasileiro, hoje com uma ex-presa política e ex-guerrilheira como Presidente, Dilma Rousseff, pouco se movimenta no sentido de abrir os arquivos ainda secretos da Ditadura. Durante a discussão no STF sobre a anistia Dilma Rousseff, ainda Ministra de Minas e Energia, declarou acreditar se tratar de “revanchismo” a tentativa dos grupos de direitos humanos de revogar a Lei e deu total apoio à decisão.

O então Presidente Lula, por sua vez, elevou o tempo para que arquivos secretos sejam divulgados para o público, tornando impossível para os sobreviventes terem acesso mesmo a seus processos em tribunais militares enquanto viverem.

O PNDH3, o Terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos, que abarcava um conjunto de medidas a serem tomadas pelo governo federal na implementação dos Direitos Humanos dos brasileiros – dentre eles a Comissão da Verdade – foi sumariamente mutilado e descaracterizado, ao ponto de quase abandono completo.

As últimas ações do governo federal foram todas no sentido de não entrar em confronto com as Forças Armadas e, por outro lado, de confrontar os sobreviventes e vítimas da Ditadura e negar-lhes seu direito e o direito de toda a população brasileira, de conhecer e passar a limpo seu passado.

Passados 26 anos da re-democratização, o passado do país ainda está envolto em uma cortina preta de segredos e mentiras e os ativistas se perguntam: Até quando?

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* Raphael Tsavkko é jornalista e blogueiro, mestrando em Comunicação (Cásper Líbero) e bacharel em Relações Internacionais (PUCSP). Também é editor do blog The Angry Brazilian

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Fonte:http://acertodecontas.blog.br/artigos/ditadura-militar-47-anos-depois-a-anistia-perpetua/#more-53037

ABDUÇÃO DO ESPÍRITO CRÍTICO UFPE: sobre feudos, patrimonialismo e conveniência da burocracia

10.04.2011
Do blog ACERTOS DE CONTAS

A Universidade Federal de Pernambuco vive uma eleição para reitor diferente das demais. Ao invés do tradicional debate e articulação de antigos grupos de lideranças departamentais, esta eleição apresenta discussões importantes sobre o dia a dia da Universidade e também sobre a estrutura arcaica de funcionamento da instituição.

E falar na estrutura enraizada na reitoria e em alguns centros, é falar no tradicional jogo de poder estabelecido por pequenos grupos de poder, que se revezam na UFPE desde a sua fundação.

Independente dos grupos que se sucederam, todos eles apresentam uma característica em comum: a submissão aos interesses dos grupos de influência nos setores, os chamados “Feudos da UFPE”.

Estes grupos têm como principal interesse manter seu status quo nos departamentos, através de suas relações, quase sempre patrimonialistas, e algumas vezes familiares. A eles não interessa mudança de paradigma institucional, muito menos o fim da burocracia e da desordem institucional, pois isto ajuda na manutenção do sistema medieval de relações.

O mais impressionante é que até hoje ninguém na UFPE havia se disposto a mostrar as relações patrimonialistas por trás destes grupos. A eles não interessa discutir porque as obras não concluem, porque a insegurança no campus é crescente, porque o estudante é tratado com indiferença, porque o técnico-administrativo não é tratado com respeito ou ainda porque o professor não consegue sua progressão funcional em função da burocracia.

Nesta eleição de reitor, tenho me concentrado em conversar diretamente com as pessoas, ao invés de me submeter a estas relações atrasadas de poder, onde cargos são partilhados, ou mesmo interesses particulares são tratados. Felizmente não serei obrigado a partilhar com os feudos a estrutura da UFPE, pois a idéia é justamente ter uma mudança de paradigma que faça com que a Universidade avance em questões fundamentais, como o fim da discriminação institucional com alguns centros, em particular o CFCH, CE e CAC.

E por falar no CFCH, vale a pena ler o relato do Professor Peter Schroder, que fala do “patrulhamento ideológico” a que está sendo submetido por me apoiar. Na verdade este patrulhamento tem muito pouco de ideológico, sendo muito mais de manutenção do patrimonialismo dos grupos de influência, que tomam o espaço público como se fosse seu. A questão ideológica serve apenas como maniqueísmo eleitoral, tentando desqualificar aquele que está disposto a levantar a poeira entulhada debaixo do tapete do feudalismo. Ou ainda porque em alguns centros o dinheiro jorra abundantemente, enquanto em outros os banheiros se assemelham aos de presídios.

Ninguém se pergunta, por exemplo, por que o CFCH apresenta o prédio caindos aos pedaços e em reforma há anos, com os elevadores eternamente quebrados, enquanto a Propesq aparenta ser um palácio ainda mais luxuoso que o Gabinete do Reitor.

E o que a burocracia tem a ver com estes grupos?

A burocracia excessiva é o motor que auxilia na manutenção patrimonial destes feudos. Ela justifica a demora na solução de problemas, fazendo com que soluções pouco discutidas sejam levadas a cabo, como a distribuição de salas para novos docentes. A burocracia ajuda ainda na distribuição de recursos, fazendo com que centros pouco voltados ao mercado sofram ainda mais com a falta de recursos. Faz também com que os processos sejam pouco transparentes, escondendo as diferenças de tratamento entre os amigos e os não tão amigos do rei.

E podemos nos perguntar: onde está o movimento estudantil nesta discussão?

Atualmente na UFPE o Movimento Estudantil passa por uma grave crise. A parte saudável, que defende interesses legítimos dos estudantes, voltou-se para seus cursos, cansada da disputa suja que virou o Diretório Central dos Estudantes. Outra parcela, que serve como escritório avançado de partidos políticos, está mesmo interessada em pequenas porções de auxílio, como ônibus para congressos da UNE e na emissão de carteirinhas de estudante, como forma de manter a fração partidária no Movimento Estudantil. Conheço este tipo de grupo de perto, pois convivi com eles no movimento estudantil quando Presidente do DCE, e sei que no fundo o interesse dos estudantes é a última coisa que importa. Não possuem mais do que meia dúzia de pessoas na Universidade, mas no dia da eleição trazem um exército de militantes de outros lugares, lembrando o processo eleitoral de cidades do interior do Estado.

E nesta pisada patrimonialista a UFPE tem vivido há décadas. A burocracia e o interesse destes feudos fez com que o espírito crítico sumisse na UFPE.

Com a discussão sendo levantada, o que importa para estes grupos é a manutenção do seu feudo, custe o que custar. Tenta-se intimidar técnicos-administrativos com a perda de funções; discute-se forma de pressionar os estudantes no dia da votação, como se fossem massa de manobra; propaga-se uma pesquisa feita por um feudo, cometendo até o erro infantil de divulgar a mesma com margem de erro errada; ou ainda cria-se uma onda de boatos para desqualificar o adversário. Vale salientar que o boato varia de lugar para lugar.

É neste vale-tudo eleitoral que a UFPE irá votar no dia 26 de abril. E com o desespero da perda de poder destes grupos, onde o mérito é apenas um detalhe, a tendência é a baixaria, os ataques pessoais e o patrulhamento aumentarem ainda mais.

Não esperavam que aparecesse alguém que tivesse coragem e disposição, não se ajoelhando ou virando vassalo neste sistema arcaico de relações

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Fonte:http://acertodecontas.blog.br/economia/ufpe-sobre-feudos-patrimonialismo-abduo-do-esprito-crtico-e-convenincia-da-burocracia/