terça-feira, 5 de abril de 2011

Diario Político

05.04.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Por Marisa Gibson
mgibson@dabr.com.br


Mitos eleitorais

Considerado imbatível no Recife, o passe do deputado federal e ex-prefeito João Paulo (PT) está sendo veladamente disputado por todos os partidos, tanto da oposição como da base governista, que têm interesse direto na sucessão do prefeito João da Costa (PT). Responsável por três vitórias consecutivas do PT no Recife, suas duas eleições em 2000 e 2004, e a de João da Costa, seu ex-afilhado político, em 2008, João Paulo tem recebido muitas sondagens mas até agora não deu indicações seguras de que vai, de fato, mudar de partido. Sua estratégia continua sendo a da vitimização que pode ou não lhe render frutos eleitorais. Agora, imbatível mesmo nenhum político é. Muitas vezes o que acontece é a ausência de um adversário à altura ou até mesmo a falta de um desejo de mudança do eleitorado. O ex-governador Miguel Arraes, por exemplo, arrastava multidões e foi derrotado em 1998 por Jarbas Vasconcelos, que ganhou a eleição para o governo do estado com uma diferença superior a 1 milhão de votos. Com essa vitória, Jarbas passou a ocupar o posto de imbatível, mas não conseguiu eleger seu sucessor em 2006 e quando voltou para disputar em 2010 o que seria seu terceiro mandato como governador, teve uma votação insignificante, 14% dos votos válidos, quando seu adversário, Eduardo Campos, que concorreu à reeleição atingiu a marca inédita de 82% dos votos válidos. Agora, o arrasa-quarteirão é Eduardo, que poderá eleger ou não seu sucessor. Tudo dependerá das circunstâncias e da qualidade dos adversários. Para a sucessão na Prefeitura do Recife em 2012 é evidente que nenhum partido tem um candidato forte para concorrer com João da Costa. Daí o cerco a João Paulo, cuja fama de imbatível sensibiliza a todos. Mas os ciclos políticos se esgotam e se fecham.

Preocupado

A sucessão na Prefeitura do Recife - uma das vitrines do PT -, que envolve o prefeito João da Costa e o deputado João Paulo, preocupa o ex-presidente Lula. Ele já andou conversando sobre o assunto com lideranças petistas.

Mais otimista

No Palácio das Princesas, os desentendimentos internos do PT são vistos por outra ótica: os petistas brigam mas, na hora da onça beber água, terminam se unindo em torno do que interessa às tres lideranças do partido, Humberto Costa, João Paulo e João da Costa.
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/04/05/politica2_0.asp

PRESIDENTE: Dilma recebe homenagem de milicos após determinar fim das comemorações anuais do golpe

05.04.2011
Do BLOG DA FOLHA
Do iG
Postado por Valdecarlos Alves


Após ter determinado o fim das comemorações anuais nas Forças Armadas do golpe de 31 de março de 1964 e em meio à polêmica sobre a criação da Comissão da Verdade, a presidenta Dilma Rousseff recebeu nesta terça-feira, em Brasília, quatro condecorações dos comandantes militares. Por seu passado de militante de grupos guerrilheiros durante o Regime Militar (1964-1985), Dilma tem relações tensas com setores das Forças Armadas.

A data simbólica para os militares era celebrada no calendário oficial do Exército anualmente. No site da Força, o 31 de março constava da lista de datas comemorativas (hoje são 23), mas foi retirado este ano. Na ordem do dia nos quartéis do País, comandantes costumavam fazer discursos exaltando o movimento que resultou na ditadura.

Na quinta-feira passada (31 de março), foi cancelada de última hora a palestra do general-de-exército Augusto Heleno, então diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia, sobre “A contrarrevolução que salvou o Brasil”, por determinação do ministro da Defesa, Nelson Jobim, cumprida pelo comandante do Exército, general Enzo Peri. Como Jobim já era ministro de Lula e as comemorações nunca foram proibidas, a ordem é atribuída a Dilma. De acordo com José Genoino, assessor especial do Ministério da Defesa, “Jobim conduziu com as Forças Armadas um trabalho para que não houvesse comemorações nem retaliações no dia 31 de março”.
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Fonte:http://www.blogdafolha.com.br/index.php/materias/19150-dilma-recebe-homenagem-de-milicos-apos-determinar-fim-das-comemoracoes-anuais-do-golpe-de-64

Conseguirá Macabu absolver Dantas, o herói da Época ?

03.04.2011
Do CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim


Esta semana o Superior Tribunal de Justiça decidirá se o Juiz Adilson Macabu tomou a decisão certa: sepultar a Operação Satiagraha.

Clique aqui e aqui para ver como a Satiagraha pode virar um conjunto vazio com as 783 liminares de Dantas no STJ e a inclinação do Juiz Macabu de achar que ele, coitadinho, tem razão.

Dantas é um perseguido, um coitadinho, que vive sendo extorquido – foi o que ele disse na reportagem da Época que não conseguiu escondê-lo, apesar de todos os esforços.

O argumento de Dantas – que o juiz Macabu parece inclinado a sacramentar – é que a Operação Satiagraha se valeu de funcionários da ABIN.

Como diz a Carta Capital, na pág. 18, essa tese “já foi demolida várias vezes”.

Mas, não tem importância.

Dantas, o passador de bola apanhado no ato de passar bola, insiste.

Ele é um especialista em transformar a Justiça num território de seus interesses – pessoais e empresariais.

E por que o ínclito delegado Protogenes Queiroz precisou usar funcionários da ABIN ?

Vamos à gênese da patranha.

Quando o ínclito delegado Paulo Lacerda foi designado para a ABIN, o sucessor – Luiz Fernando Corrêa –, aquele que, até hoje, não achou o áudio do grampo, se comprometeu a manter as condições para que a Operação continuasse.

Paulo Lacerda tinha dito a Protogenes que a Satiagraha era uma Operação que o Presidente Lula se empenhava em prestigiar.

E disse a Corrêa, também.

Qual não foi a surpresa de Protogenes quando viu que o Correa – cadê o áudio do grampo, Dr Correa ? – tirou a escada do Protogenes.

Com a equipe que sobrou, Protogenes não prenderia um ladrão de galinha.

A quem recorrer ?

A quem a Lei recomendava: à ABIN.

Como formula a Carta, numa pergunta que o Dr Adilson Macabu, com autoridade ministerial, poderia responder:

“Por que a Operação Satiagraha incomoda tanto ? Por que ela precisa ser espicaçada de forma exemplar, a ponto de não restar nenhum vestígio de sua existência ?”

Só que a revista Época – que não conseguiu esconder o Dantas – colocou uma pedra no sapato do STJ e do Dr Macabu.

Está lá, na época, das Organizações (?) Globo, com todas as letras:

Dantas é quem irrigava de grana o valerioduto.

A grana ia para o PSDB, para o PSDB de Minas, para o PT – ia para todo mundo.

A grana de Dantas é infinita.

Tem 1001 advogados.

Tem até advogado que emprega o filho do Dr Macabu.

Ele tem dinheiro para irrigar 1001 valeriodutos.

Vai ser interessante assistir ao SUPERIOR Tribunal de Justiça absolver Dantas – porque é disso que se trata – na semana em que uma importante (?) revista semanal publica relatório da Policia Federal que incrimina Dantas dos pés à cabeça.

Viva o Brasil !


Paulo Henrique Amorim


Em tempo: amigo navegante Stanley Burburinho II (como se não bastasse o I …) envia essa despretensiosa colaboração aos Ministros do SUPERIOR Tribunal de Justiça (observe-se que a revista Época omite a empresa Telemig, central na irrigação de grana no valerioduto):

Depoimentos do mensalão reforçam elo entre Daniel Dantas e Marcos Valério


LUCAS FERRAZ

FELIPE SELIGMAN

DE BRASÍLIA


Depoimentos inéditos de executivos e autoridades portuguesas testemunhas no processo do mensalão revelam que o publicitário Marcos Valério intermediou um negócio na Europa de interesse direto do banqueiro Daniel Dantas.


Valério e Dantas são apontados, respectivamente, como operador e um dos financiadores do esquema de corrupção de congressistas.


A relação entre esses dois personagens nunca foi explicada pelas investigações e foi sempre negada por ambos.


À Justiça, porém, as testemunhas portuguesas revelaram que Valério foi a Portugal em 2004 participar das negociações da venda da Telemig Celular, à época controlada por Daniel Dantas.


Marcos Valério sempre alegou que esteve no país para expandir seus contratos de publicidade. Já Dantas afirmava que nunca contou com a ajuda do publicitário para vender a tele mineira.


Portugueses


Miguel Horta e Costa, então presidente da Portugal Telecom, admitiu que a Vivo (controlada pelo grupo português e pela espanhola Telefónica) já queria adquirir a Telemig e contou que o “interessante era o conhecimento que ele [Marcos Valério] tinha” da empresa.


Já António Mexia, então ministro de Obras de Portugal, disse que conheceu Valério como sendo uma pessoa que tinha “conhecimentos do ponto de vista empresarial” da Telemig. “[Ele] conhecia a imagem da empresa, e no contexto de alguém que poderia contribuir, para se perceber, via racional ou não, na junção das companhias’”, afirmou à Justiça.


A viagem e a negociação da venda da telefônica ocorreram em 2004. A compra da Telemig pela Vivo foi fechada em 2007.


Segundo a CPI dos Correios, que investigou o caso, a intermediação de Valério no negócio renderia propina para o PT e o PTB. A negociação também interessava diretamente ao banqueiro, dono do grupo Opportunity.


Valério viajou a Portugal com Emerson Palmieri, tesoureiro informal do PTB. O publicitário, contudo, esteve sozinho com as autoridades portuguesas, como confirmam os depoimentos.

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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/politica/2011/04/03/conseguira-macabu-absolver-dantas-o-heroi-da-epoca/

Sumiu dinheiro que o Dantas mandou para a Globo

05.04.2011
Do CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Dantas x Rainha do PiG - um duelo de titãs


Saiu no Blog Amigos do Presidente Lula:

Banco de Daniel Dantas diz que seu “mensalão” foi para a Globo


Quando os tubarões brigam, o povo ganha.


O Opportunity, banco de Daniel Dantas, emitiu nota considerando idiota a reportagem da revista Época, ao considerá-lo fonte de pagamentos ao governo, no chamado “mensalão”, pois desde que o governo Lula assumiu, o seu banco não teve mais a “generosidade” encontrada no governo FHC, e precisou enfrentar as barras da lei.


Dessa vez, e só desta, temos que concordar em parte com Dantas. A CPI dos Correios apurou que a Telemig Celular e a Amazônia Celular, pagou R$ 152 milhões às empresas de Marcos Valério. A Brasil Telecom, R$ 4,7 milhões. Se esse dinheiro foi para políticos, não foi para o governo Lula (hostil às investidas de Dantas), e sim para a bancada de Dantas, no Congresso ou nos estados.


Mas o curioso é o final da nota: “Na Telemig, segundo informações prestadas à CPI do Mensalão, a maioria dos recursos eram repassados as Organizações Globo. Por isso, a apuração desses fatos fica fácil de ser feita pela Época.”


Se o “mensalão” da Telemig foi para a Globo, alguém não contabilizou todo o valor.


A CPI apurou R$ 122,3 milhões pagos pela Telemig para as empresas de Marcos Valério, entre 2000 e 2005.


Os pagamentos para o Grupo Globo, apurados pela CPI, no mesmo período, foram de R$ 7,4 milhões.


Tem R$ 114 milhões de diferença, não contabilizados.


Então ou a Globo apresenta voluntariamente sua planilha dos recebimentos da DNA e SMPB para dirimir dúvidas, ou o Ministério Público precisa pedir a quebra do sigilo bancário e contábil das empresas das Organizações Globo para encontrar essa diferença.


Clique aqui para ler “PF incrimina Dantas no mensalão. Nem Época conseguiu esconder”.

E aqui para ler “Será que Macabu vai absolver Dantas na semana em que até a Época, da Globo, o incrimina ?”.

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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/04/05/sumiu-dinheiro-que-o-dantas-mandou-para-a-globo/

Ex-prefeito do Recife e deputado federal será bem-vindo no PMDB caso decida romper com o PT

05.04.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Por Aline Moura
alinemoura.pe@dabr.com.br


De braços abertos para João Paulo

O PMDB estadual abriu as portas para o ex-prefeito e deputado federal João Paulo (PT). Não houve convite oficial ao petista, como fizeram o PCdoB e o PDT, mas as lideranças do partido estão acompanhando com interesse as movimentações do ex-prefeito. A expectativa é saber se João Paulo vai optar pelo caminho da ruptura, como fez Jarbas Vasconcelos (PMDB) no início da década de 1990, ao romper com o ex-governador Miguel Arraes e se aproximar da oposição. A avaliação é que, no PT, João Paulo perdeu o espaço político, tanto para disputar a Prefeitura do Recife no próximo ano, como o governo do estado em 2014. O PMDB, nesse caso, poderia ser uma saída. Estaria longe da influência do governador Eduardo Campos (PSB) e daria flexibilidade para que João Paulo continuasse na base da presidente Dilma Rousseff (PT).

Pré-candidato do PMDB à Prefeitura do Recife, ainda que não assumido, o deputado federal Raul Henry negou conversas preliminares com João Paulo. Ele afirmou, em entrevista ao Diario, que a sigla não poderia montar uma estratégia para 2012 em cima de hipóteses, esperando qualquer decisão do ex-prefeito. ´Estamos trilhando nosso caminho. Não cabe a gente ficar especulando fora da nossa área específica`, explicou Henry. Nem todos da legenda e de outros partidos da oposição, contudo, pensam da mesma forma.

Informações de pessoas próximas ao senador Jarbas Vasconcelos dizem que o PMDB não poderia falar abertamente sobre o interesse por João Paulo, porque a legenda poderia se fragilizar, caso o ex-prefeito insista em permanecer no PT. Mas as conversas sobre a aproximação com o ex-prefeito existem.

Jarbas e João Paulo sempre tiveram boa relação, o que provocou desgastes entre o petista e o PSB. Não seria nada do outro mundo, portanto, que os dois se aliassem. ´Houve um estremecimento entre o senador e João Paulo no ano passado, quando o petista foi coordenador de campanha de Dilma Rousseff e reuniu prefeitos do PMDB no seu escritório. Aquilo incomodou Jarbas, porque os prefeitosjá tinham aderido ao palanque de Dilma. Não precisava que João Paulo viesse a reuni-los. Mas isso não seria um empecilho`, declarou outra fonte em reserva.

Esse influente personagem da oposição diz que João Paulo tem de trilhar o caminho da ruptura ou enterrar o futuro político. Isso porque o petista anda de forma independente em relação a Eduardo Campos, rompeu com João da Costa, não tem o controle do partido, mas não abre mão de permanecer na base de Dilma Rousseff. ´Se ele viesse para o nosso lado, Raul poderia negociar com ele. Agora, o próprio João Paulo tem que decidir a vida dele. Tem que decidir se quer ou não romper, porque todo mundo sabe que, se João da Costa não for candidato à reeleição, João Paulo nunca seria um nome escolhido por Eduardo, nem pelo PT`, analisou, pedindo anonimato.
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/04/05/politica1_0.asp

Estágio // Busque na hora certa

03.04.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO


O estágio representa ao estudante uma boa oportunidade de conhecer o mercado de trabalho. Para quem deseja buscar seu espaço e, claro, seu novo estágio, é importante correr atrás das vagas oferecidas nas agências de emprego e nos banco de dados das empresas - que disponibilizam este recurso também na internet.

De acordo com Fernanda Diez, consultora e gerente de marketing da Trabalhando.com, o estudante deve ficar atento, caso deseje realizar seu primeiro estágio. Pois, em muitos casos, alguns chegam cedo ou tarde demais para concorrer a vaga. ´O pior dos casos é quando o estudante já está no final do curso e as empresas não querem mais contratá-los. O ideal para o estudante seria entrar num estágio no primeiro ano da faculdade`, explica.

E foi por insistência que a estudante do 3º período de engenharia civil da UPE Marina Macedo de Abreu conseguiu seu primeiro estágio. A universitária revela que desde o começo do curso cadastrava seu currículo nos sites das construtoras de Pernambuco. ´Cheguei a receber umnão em algumas seleções, mas isso não me desmotivou. Fui atrás e consegui ser aprovada no estágio numa construtora já no final do meu 2º período da faculdade`, conta.

Mas a motivação de Marina poderia ter sido ´barrada` por questões técnicas. As empresas estabelecem em qual período da faculdade o estudante pode participar de uma seleção de estágio. Por outro lado, existe também uma regulamentação das universidades a respeito dos cursos e quais os períodos o universitário pode encarar sua primeira experiência profissional. ´Em uma universidade particular, por exemplo, o estudante do 1º período de administração já pode estagiar. Numa instituição de ensino pública ele só está autorizado a partir do 3º`, revela a coordenadora de estágio do IEL Sandra Claudino.

Segundo Sandra, o período no qual o estudante está autorizado a estagiar vai depender mais da própria universidade do que do contratante. ´É uma questão muito flexível. Mas as faculdades particulares tendem a autorizar os estudantes ainda nos primeiros períodos. Além disso, os cursos sequenciais (2 anos de duração) já entram no mercado no 1º período`, afirma.

Observadas as restrições de cada curso, o estudante deve correr atrás, segundo a consultora de RH da JBV Maíra Guerra, para garantir enquanto pode seu lugar no mercado de trabalho. ´O universitário pode não ter o conhecimento técnico no 1º período do curso, mas se ele mostrar disposição no estágio vai ter um grande crescimento profissional na empresa`, completa. (T.A.)

Saiba Mais

Confira o período mínimo de contratação de alguns cursos, de acordo com a demanda do mercado de trabalho

Administração de empresas
1º período

Ciências da computação
3º período

Ciências econômicas
2º período


Cursos superiores sequenciais (como recursos humanos ou administração)
1º período

Direito
3º período

Engenharia civil
3º período

Engenharia química
3º período

Jornalismo
3º período

Licenciaturas (cursos de formação de professores)
3º período


Fonte: Instituto Euvaldo Lodi - IEL/PE
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/04/03/admitese3_0.asp

INFORMAÇÕES SIGILOSAS: O melhor de WikiLeaks

05.04.2011
Do OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
Por Leneide Duarte Plon, de Paris

"A questão do equilíbrio entre o poder do Estado e o contrapoder exercido pelos cidadãos é legítima e dificilmente contestável quando se trata de Estados totalitários. Mas é menos evidente quando se trata de Estados democráticos."

A frase é do ex-embaixador francês no Senegal, o escritor Jean-Christophe Rufin, num artigo publicado originalmente no jornal Le Monde e reproduzido na publicação fora de série Le meilleur de WikiLeaks (O melhor de WikiLeaks), lançada na França pelas Edições Le Monde. Rufin se pergunta se é legítimo questionar e pôr em risco as instituições democráticas fruto da livre expressão da vontade popular, como o fez WikiLeaks, o polêmico site criado pelo australiano Julian Assange. "A partir de que patamar se passa da mobilização útil à ameaça contra o contrato social?" escreve o escritor.

A dificuldade de exercer plenamente o contrapoder em relação a Estados democráticos foi colocada em praça pública pelo site WikiLeaks no caso da divulgação de documentos secretos originários de embaixadas americanas referindo-se à política de países como a França, a Grã-Bretanha e o Brasil, entre muitos outros.

"Desejável e problemática"

Depois de várias semanas publicando e analisando o conteúdo de diversos dos famosos telegramas, o jornal Le Monde – um dos cinco órgãos de imprensa (com o espanhol El País, o inglês The Guardian, o americano The New York Times e o semanário alemão Der Spiegel) que publicaram e analisaram os documentos recebidos pelo fundador do site – deu a seus leitores acesso a uma seleção de alguns dos telegramas secretos com a publicação da revista Le meilleur de WikiLeaks, na qual, além de alguns dos mais polêmicos telegramas, o debate é enriquecido com análises e artigos contraditórios.

O embaixador dos Estados Unidos na França, Charles Rivkin, por exemplo, se mostra totalmente contrário à divulgação por entender que "a confidencialidade é um elemento intrínseco da diplomacia e a divulgação de documentos secretos coloca em risco a segurança de pessoas no mundo todo".

Em seu artigo, Timothy Garton Ash, historiador e professor de estudos europeus da Universidade de Oxford, escreveu que "a divulgação dos telegramas americanos é, ao mesmo tempo, desejável e problemática". Mas termina seu texto dizendo que aposta que "o governo americano deve se arrepender amargamente de sua decisão bizarra de confiar toda uma biblioteca diplomática recente a um sistema informático militar tão bem protegido que um jovem de 22 anos pode copiá-lo facilmente num CD de Lady Gaga".

Princípios fundadores da democracia

Aurélien Colson, professor de Ciências Políticas na França e respeitado pesquisador do segredo e da transparência na diplomacia, escreve, no artigo intitulado "Em direção de um novo equilíbrio entre segredo diplomático e direito de saber?", que ao divulgar os telegramas diplomáticos do Departamento de Estado destinados a permanecerem secretos, WikiLeaks poderia invocar os pais da diplomacia e da democracia americana. Ele afirma em seu artigo:

"Entre a independência de 1776 e a Constituição de 1787, George Washington, Benjamin Franklin, George Mason e outros republicanos estabeleceram como princípio a recusa do segredo nas negociações internacionais. Essa recusa traduzia uma rejeição americana dos hábitos da diplomacia europeia de então, que costumava fazer acordos obscuros e tratados secretos em nome de monarcas que não tinham que dar contas de seus atos."

Nesse caso, não é o criador de WikiLeaks quem deveria ser julgado, mas sim Barack Obama e Hillary Clinton, que com a diplomacia do segredo traem os princípios fundadores da democracia americana.

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Fonte:http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=636IMQ005

Vida de concurseiro além dos estudos

03.04.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO

Por Tércio Amaral
tercioamaral.pe@dabr.com.br


Amores, promoções e nomeações imprevistas são exemplos de que uma seleção pública pode mudar sua rotina


A engenheira Adriana Cardoso está na Secretaria de Administração há um ano e já foi promovida a gerente. Foto: Lucas Oliveira/Esp DP/D.A Press
Pode parecer até clichê. Mas afirmar que a preparação para um concurso público se restringe aos estudos nos bancos escolares passa longe da realidade vivenciada pelos concurseiros. Mudança de cidades, ascensão profissional dentro do funcionalismo público, namoros, casamento e até ´nomeações` imprevistas são algumas das histórias daqueles que sonham, vivem ou correm atrás da disputada vaga no serviço estatal.

O casal Filipe Borgiani e Danielle Simões é um destes que teve os destinos ´cruzados` por conta de uma seleção pública. Felipe é natural de Piracicaba, São Paulo. Com formação na área de tecnologia, ele se inscreveu, em 2010, no concurso público da Secretaria de Educação de Pernambuco para o cargo de coordenador do curso técnico de informática. Aprovado, mudou de cidade. Na Escola Técnica Estadual Agamenon Magalhães (Etepam), no Recife, conheceu a professora Danielle Simões, do curso de design, e se apaixonou.

´Muita gente se surpreende por eu ter ficando raízes em Pernambuco. Não tenho um familiar por aqui e já estou noivo`, declara Felipe. Segundo ele, Danielle também participou da mesma seleção, mas concorrendo ao cargo de professora. ´É uma experiência enriquecedora. Por conta dessa seleção, estou conhecendo outra cultura. O povo aqui é muito receptivo`, diz o paulista, que atualmente também cursa o mestrado em ciência da computação na UFPE.

O concurso do qual o casal participou em 2001 foi destinado ao preenchimento de vagas temporárias. Ou seja, após o vencimento, o contrato deverá ser encerrado. Perguntada sobre a possibilidade de Felipe voltar a São Paulo, a noiva foi enfática: ´Não existe essa possibilidade. A troca de alianças do noivado foi na quarta-feira (30). Ele vai trabalhar é no Recife`, brinca Danielle. De acordo com a professora, a experiência desse concurso vai ser guardada para sempre. ´Ele trabalha num setor diferente do meu. Fomos nos conhecendo e por acaso aconteceu.`

Mas além dos amores, outras histórias fazem parte da vida do concurseiro. Algumas podem até mudar alguns preconceitos do leitor quanto ao funcionalismo público. Pois bem, a antiga ideia de que um emprego estatal é sinônimo de mordomia e estagnação profissional passa longe da trajetória da engenheira eletrônica Adriana Cardoso, formada em 1999 pela Universidade de Pernambuco.

Concursada da Secretaria de Administração do estado, onde começou a carreira pública em 2010, Adriana é sinônimo de sucesso profissional. Lotada inicialmente na função de analista administrativa, ela foi promovida a gerente de infraestrutura já em setembro do mesmo ano. ´Minha experiência na área de engenharia abriu esse caminho`, conta. Quem pensa que a história de Adriana para por aqui está muito enganado: em março deste ano, ela assumiu o posto de gerente geral de infraestrutura. ´As pessoas acham que serviço público não tem trabalho, mas há muito espaço para quem deseja crescer profissionalmente. É uma área que vale a pena crescer por mérito próprio`, garante.

Já a pedagoga Vanessa Vieira, 31, vê o concurso público como boa alternativa rumo à estabilidade financeira. Estudando para os certames há 10 anos, ela foi efetivada ´por acaso` numa seleção da Prefeitura do Recife. ´A seleção para agente de sáude ambiental, em 2001, era para preencher cargos temporários. Só que, de tanta renovação, foi aberto um processo e acabamos sendo efetivados`, afirma.

O sonho de Vanessa é conquistar uma vaga nos tribunais. Depois de ter concluído sua graduação em pedagogia, em 2010, ela promete se ´entregar de corpo e alma` ao novo desafio. A concurseira, que hoje frequenta cursos preparatórios ainda brinca. ´Sempre vejo meus colegas de faculdade na área de ensino. Falamos que professor ganha muito pouco e é aquela brincadeira`, diz sorrindo.

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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/04/03/admitese1_0.asp

Greve na afiliada da TV Globo em Sergipe

04.04.2011
Do blog de Altamiro Borges

Reproduzo artigo de Jacson Segundo, publicado no sítio da Federação Nacional dos Radialistas (Fitert):

Em protesto à maneira como vem sendo dirigida a TV Sergipe – afiliada da Globo no Estado – os funcionários da emissora fizeram uma paralisação nesta segunda-feira (4) exigindo melhorias nas condições de trabalho e a saída do diretor da TV, Paulo Siqueira. Por conta do movimento dos trabalhadores, o programa matinal "Bom Dia Sergipe" não foi ao ar e, em seu lugar, a empresa acabou transmitindo o "Bom Dia Pernambuco".

A paralisação, que começou por volta das 8h, só terminou após uma reunião de sindicalistas com alguns sócios da empresa. A suspensão da atividade não significa, porém, que o movimento acabou. O presidente do Sindicato dos Radialistas de Sergipe, Fernando Cabral, afirma que a mobilização está grande e novos protestos podem acontecer.

Os sócios da empresa têm até a próxima quarta-feira (13) para dar uma resposta às reivindicações dos trabalhadores. “Não queremos mais o Paulo Siqueira. Queremos que se respeite a convenção coletiva, como o pagamento de banco de horas, e também respeito aos dirigentes sindicais”, diz Fernando Cabral, que considerou a paralisação um marco na luta pela libertação dos trabalhadores do Estado.

A emissora é ligada ao ex-governador e ex-deputado federal Albano Franco, do PSDB. Um de seus filhos e sócio da empresa, Ricardo Franco, fez críticas ao presidente da TV, Paulo Siqueira. Em reunião com os sindicalistas, ele afirmou que Paulo teria gasto R$ 120 mil na reforma de sua própria sala, quando o custo previsto era de R$ 20 mil.

Ao mesmo tempo em que o presidente da TV tem esse tipo de gasto elevado em seu próprio benefício, os trabalhadores da empresa tiveram gratificações cortadas. A equipe de jornalismo também teve suas diárias para viagens suspensas. Além disso, os funcionários reclamam de assédio moral constante na emissora. Com um discurso de enxugamento da empresa, Paulo Siqueira já demitiu 42 funcionários (incluindo dirigentes sindicais) em sua gestão, que tem menos de um ano.

A decisão pelo protesto desta segunda foi tomada em assembleia dos trabalhadores realizada na sexta-feira (1°). Além do Sindicato dos Radialistas e dos Jornalistas, também apoiaram o movimento entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Sindicato dos Gráficos.

Histórico

Um dos demitidos de Paulo Siqueira, em 2010, foi o dirigente sindical e radialista Jorge Eduardo Lima Araújo. A arbitrariedade da demissão foi reconhecida pela 1ª Vara de Justiça de Sergipe, que ordenou a reintegração do funcionário ao quadro da empresa, o que acontece em 15 de março deste ano.

O atual diretor da TV Sergipe já causou problemas no Piauí, onde foi administrador da TV Rádio Clube de Teresina S/A e promoveu mais de 60 demissões, segundo o Sindicato dos Radialistas do Piauí. “Em dois momentos reunidos com a direção e a assessoria jurídica da nossa entidade sindical, ele (Paulo Siqueira) se mostrou arrogante, prepotente e debochado, rindo e zombando do povo hospitaleiro e ordeiro do Piauí”, relatam, em nota, os coordenadores do sindicato do Piauí, Val Morais e J. Filho.
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Fonte:

Previdência demite 120 servidores que cometeram fraude

05.04.2011
Do BLOG DA FOLHA, via via Estadão.com
Postado por José Accioly


O Ministério da Previdência vai promover uma faxina e demitir pelo menos 120 servidores públicos por envolvimento em fraudes. As irregularidades estão relacionadas ao repasse de informações sigilosas a terceiros e inclusão de dados falsos no sistema para facilitar a liberação irregular de benefícios como pensão por morte, aposentadoria por tempo de serviço e salário-maternidade (pago a empregadas domésticas e contribuintes individuais na ocasião do parto).

Somente no ano passado, segundo estimativa feita pela Corregedoria do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), as fraudes causaram um prejuízo de R$ 137 milhões aos cofres públicos. Esses golpes inflaram o déficit do INSS, que no ano passado chegou a R$ 44 bilhões.

Além de ter de investigar servidores envolvidos em fraudes, a Previdência tem outro problema: as brechas na legislação. No caso das pensões por morte, como não há restrição para liberação, um segurado pode iniciar o pagamento da contribuição pouco antes da morte e garantir aposentadoria vitalícia à esposa. Há casos em que foi efetuada a contribuição por apenas um mês.

"As fraudes são recorrentes com a ajuda de servidores. Existem situações que a contribuição do segurado acontece depois da morte", explicou o consultor jurídico do ministério Luiz Fernando Bandeira de Mello. Outra "fraude legal" é a adoção de netos e outros parentes com até 18 anos por avós para garantir o recebimento da pensão.
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Fonte:http://www.blogdafolha.com.br/index.php/materias/19139-previdencia-demite-120-servidores-que-cometeram-fraude

Maia espera “sinal verde” de comissão especial para pôr em votação relatório do novo Código Florestal

05/04/2011
Política
Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil


Brasília - O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), afirmou hoje (5) que só vai colocar em votação o projeto de lei que altera do Código Florestal Brasileiro quando tiver “sinal verde” da comissão especial conciliatória criada para aprofundar o debate sobre o assunto.

“O meu compromisso é colocar a reforma do Código Florestal em votação, em plenário, assim que tiver o sinal verde da comissão especial”, disse Maia. Hoje, cerca de 20 mil agricultores de vários estados fizeram uma manifestação, em Brasília, pedindo a imediata votação do relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que deve ser entregue esta semana.

Em reunião, hoje, com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, Maia pediu que o governo adie a entrada em vigor do Decreto 7.029/2009, que obriga os produtores a averbarem as reservas legais. Segundo ele, se o prazo for prorrogado, haverá espaço para uma discussão mais ampla sobre as mudanças no Código Florestal.

“Fiz um pedido para que tenhamos um pouco mais de tempo para a discussão do Código Florestal”, afirmou Maia. Ele defende que o decreto não comece a vigorar a partir de junho. “Não queremos e não podemos fazer o debate dessa matéria espremidos pelo decreto.”

Edição: João Carlos Rodrigues
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-04-05/maia-espera-%E2%80%9Csinal-verde%E2%80%9D-de-comissao-especial-para-por-em-votacao-relatorio-do-novo-codigo-florestal

EL PAÍS: Como respeitar a inteligência do leitor

05.04.2011
Do site do Observatório da Imprensa
Por Washington Araújo

Entre 7/4/2001 e 31/3/2011, o jornal espanhol El País publicou nada menos de 3.085 matérias em que o Brasil é protagonista ou em que é referido, seja por suas políticas públicas, seja por sua cultura, sua economia, seja por seus eventos e também por seus desafios. Publicou editoriais sobre os êxitos do país no campo da mobilidade social, festejou os triunfos de o país ser escolhido para sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2014, além de não deixar ao sereno a escolha da cidade do Rio de Janeiro para receber os Jogos Olímpicos de 2016 – batendo não apenas Tóquio e Chicago, mas também Madri. E acompanhou com notável interesse a trajetória política de Luiz Inácio Lula da Silva, em especial nos meses que antecederam sua eleição de presidente do Brasil.

Relativamente novo – surgiu em 4 de maio de 1976, com 180 mil exemplares de tiragem –, El País pode festejar não sua longevidade, sua história em lustrosos números redondos (50, 60, 70, 100, 150 anos), mas, sim, seu apurado faro para a notícia, para dar furos, para levar a sério conceitos basilares do jornalismo, conceitos que em outras publicações – como, infelizmente, em grande parte dos jornais brasileiros – nada mais são que chavões, slogans publicitários, tema de campanha para angariar novos assinantes. Começou, portanto, a circular e a construir sua fama como celeiro de bons jornalistas ao mesmo tempo em que a Espanha fazia sua transição do regime ditatorial para o democrático.

Compromisso pétreo com o leitor

El País vê a si mesmo como "um jornal global, independente, de qualidade e defensor da democracia pluralista". O jornal espanhol se caracteriza pelo grande destaque a informações de âmbito internacional, de cultura e de economia e, obviamente, sobre a Espanha. E não apareceu na cena editorial para ser apenas mais um. Foi além, sendo o primeiro jornal a adotar um Manual de Redação (por eles chamado Libro de Estilo) e implantou o cargo de Defensor do Leitor – que aqui no Brasil achamos melhor cognominar com uma palavra mais simples e próxima da língua de Camões, ombudsman.

Poderia ficar por aqui, mas é importante destacar que El País aprovou um documento chamado Estatuto da Redação, com a missão de regulamentar as relações profissionais entre a redação, a direção do jornal e também a empresa editorial que o sustenta. Abdicou logo cedo de ser uma ilha editorial para ser fonte e caixa de ressonância de vários continentes ao firmar projetos de colaboração com jornais de prestígio em seus países, como Le Monde (França), La Reppublica (Itália),Süddeutsche Zeitung (Alemanha), The Daily Telegraph (Reino Unido), The International Herald Tribune e The New York Times (EUA).

Mas nem sempre a história de um jornal pode ser construída apenas pela adoção de atitudes e posições consideradas corretas em seu tempo. Alternar sol e chuva, calmaria e tempestade, concede a um jornal o direito de saborear isso que chamamos de fonte de autoridade moral. Com El País não foi diferente.

Pois bem, foi durante a tentativa de golpe de 23 de fevereiro de 1981, levado avante pelo tenente-coronel da Guarda Civil Antonio Tejero, aproveitando a instabilidade política e as incertezas que cercavam o país. Com os tanques do exército nas ruas de Valência e com o governo e todos os membros raptados no Congresso, antes mesmo que a TV espanhola conseguisse divulgar a mensagem do rei Juan Carlos condenando o golpe, El País chegou às ruas com uma edição especial com a manchete "El País com a Constituição". E foi o primeiro jornal a marcar posição pela democracia, convocando a população a seguirem juntos. Tais compromissos com a democracia levaram El País a contribuir para a vitória espetacular do PSOE nas eleições de 1982, oferecendo completo apoio ao governo de Felipe González.

Desde então, o jornal vem conquistando admiradores (não apenas leitores ou assinantes) mundo afora. A forma como faz seu leitor entender que seus compromissos estatutários foram redigidos para serem levados a sério, e que estes não estão no balcão de negócios a conectar a área editorial com a comercial, tem sido clara, muito clara. El País é o jornal que com maior propriedade atualmente pode dizer que tem compromisso pétreo com o leitor, compromisso sagrado e sempre acima das lealdades circunstanciais aos governos de plantão, ao empresariado melhor aquinhoado nas Bolsas de Valores.

Para formar opinião própria

Há que se ter em mente que El País inundou seus títulos e suas manchetes com o nome "Lula" no período eleitoral. El País percebeu, ainda em 2002, que o metalúrgico Lula tinha tudo para ser notícia porque representava um vigoroso contraponto da esquerda em um mundo com forte tendência para a direita. E, é obvio, por ser Lula dono de uma história no mínimo incomum, singular – rara, enfim. Há quem realce também a predileção pela publicação do nome de Lula na imprensa espanhola e na francesa devido à sonoridade que carrega, facilitando rapidamente sua imediata repetição nas chamadas jornalísticas.

El País – e grande parte da vistosa imprensa internacional – cobriu com generosos espaços a vitória de Lula nos dois turnos da eleição presidencial de 2002. Registro aqui algumas das manchetes escolhidas por El País naquele outubro a novembro de 2002 e aproveito para citar manchetes de primeira página do jornal Folha de S.Paulo, nas mesmas datas, de forma que o leitor possa formar sua própria opinião sobre o tema deste artigo:

** 1º de outubro

El País: Lula está a um só ponto de ganhar no 1º. turno no Brasil

Folha de S.Paulo: Dólar cai 3%, mas mercado ganha – FHC alerta para "passo no escuro"

** 3 de outubro

El País: Lula revive seus tempos de líder sindical – Trabalhadores e empresários vestem Lula

Folha de S.Paulo: Lula mantém 49%, Serra vai a 22%

** 4 de outubro

El País: Lula promete manter a autonomia ante os EUA para defender os interesses do Brasil – O guerrilheiro que pôs a gravata em Lula

Folha de S.Paulo: Indústria prevê pior ano desde 99 – Serra é mais atacado que Lula no debate

** 6 de outubro

El País: Lula põe à prova sua nova imagem de moderação – O esquerdista Lula, favorito nas eleições de hoje

Folha de S.Paulo: Garotinho disputa com Serra 2º lugar; Lula segue na frente

** 7 de outubro

El País: Lula conseguiu maioria absoluta

Folha de S.Paulo: Lula X Serra – Projeção aponta segundo turno

** 8 de outubro

El País: Lula: Tivemos a maior vitória de um partido de esquerda na América Latina" e "Lula busca aliança com seus rivais para ganhar no 2º turno do Brasil

Folha de S.Paulo: Oposição sai fortalecida das urnas

** 9 de outubro

El País: A esquerda de Lula ganhou em 24 dos 27 estados do Brasil

Folha de S.Paulo: Eleitor troca 47% dos deputados

Concisão e faro jornalístico

Acredito que foi uma amostragem significativa do quanto a palavra Lula abriu a maioria das manchetes – tenhamos em conta que estas foram publicadas antes, durante ou depois do primeiro turno. No segundo turno de 2002, El País enveredou pelo mesmo caminho. Estas são algumas das principais manchetes dos dois jornais:

** 28 de outubro

El País: Lula arrasa com 61,2% dos votos

Folha de S.Paulo: Lula Presidente – Metalúrgico é o primeiro líder de esquerda a ser eleito no país

** 3 de novembro

El País: O que Lula tem que fazer

Folha de S.Paulo: Dívida infla investimento no Brasil

** 8 de novembro

El País: Lula, outro Allende?

Folha de S.Paulo: Pacto começa com crítica à falta de agenda e elogios

** 9 de novembro

El País: Lula anuncia pacto nacional contra a pobreza, a inflação e a corrupção

Folha de S.Paulo: Bush vence e ONU ameaça Iraque

O encadeamento cronológico das manchetes de El País conta uma história com início, meio e fim. As próprias manchetes são exemplos de concisão e faro jornalístico. Algumas colocam em apenas três palavras parte da angústia de quem analisa o processo democrático na América Latina: "Lula, outro Allende?"

Ridicularizando presidentes

O jornal espanhol é, certamente, o melhor jornal a escrever sobre o Brasil. E qualquer estudante de Jornalismo que se proponha pesquisar o olhar da imprensa sobre o Brasil no período 2003/2010 não poderá, em hipótese alguma, deixar de pesquisar os arquivos de El País. É que o periódico espanhol, beneficiado com olhar de quem se encontra longe geograficamente mas próximo jornalisticamente, conseguiu publicar extensas reportagens sobre o Brasil com regularidade, se não diária ao menos semanal e ao longo de período – em termos jornalísticos – tão longo.

Por outro lado é curioso (a palavra que achei!) notar que a recíproca não é verdadeira: a imprensa brasileira dificilmente encontra algum valor-notícia em que o presidente do governo espanhol, José Luiz Rodrigues Zapatero, esteja envolvido. Não obstante seu, vamos dizer, ostracismo na imprensa brasileira, é fato que Zapatero tomou medidas bastante impactantes não apenas para a sociedade espanhola mas também para a cena internacional: deu início ao "processo de paz com o ETA", autorizou a retirada das tropas espanholas do Iraque, enviou tropas ao Afeganistão, promoveu a articulação pela formação da "Aliança de Civilizações", procedeu a legalização do matrimônio entre homossexuais, aprovou a lei "antitabaco", propôs uma nova regulamentação para os imigrantes e fez a reforma de "Estatutos de Autonomia", como o a Catalunha.

A invisibilidade de Zapatero deve-se ao fato de que para nossa grande imprensa notícia mesmo é o que tem os Estados Unidos como protagonista, seu presidente (sejam os anteriores, Bush pai e Bush filho, seja Barack Obama), suas ações de governo em geral. China, França e Reino Unido também estão sempre nas graças de nossas editorias internacionais. A Argentina entra pela porta da cozinha porque é nosso principal vizinho geográfico. A Venezuela e a Bolívia frequentam nosso noticiário pelo viés de que, se há de ridicularizar alguém, por que não presidentes como o coronel Hugo Chávez e o ex-cocaleiro Evo Morales?

O melhor jornal da atualidade

Ah... e tem o Irã. O país persa só passou a ser pautado quando caiu nas graças do Itamaraty, Lula visitou Teerã e Ahmadinejad visitou Brasília. Historicamente um país dado a violar os direitos humanos de suas minorias – como é o caso dos 300 mil bahá’ís que lá vivem –, a imprensa pauta o Irã apenas como forma de espinafrar a política brasileira para relações exteriores adotada desde 2003.

O grau de independência conquistado por El País é também temido pelo país dos aiatolás iranianos. É que em 31 de dezembro de 2010 o Irã bloqueou o acesso à página na internet de El País. Motivo? El País reproduziu no dia anterior (30/12) um telegrama da embaixada dos Estados Unidos no Azerbaijão, datado de 11 de fevereiro de 2010 e divulgado pelo WikiLeaks, no qual o diplomata Rob Garverick dá conta de contatos com uma fonte iraniana, cuja identidade é protegida. O telegrama informa que o chefe dos Guardas da Revolução, Mohamed Ali Jafari, deu uma bofetada em Ahmadinejad depois de uma discussão "quente" no Conselho Supremo de Segurança Nacional, em janeiro de 2010, sobre como lidar com os protestos que se seguiram às polêmicas eleições de junho de 2009. Durante a reunião, segundo o relato da fonte iraniana, Ahmadinejad surpreendeu os outros membros do Conselho ao assumir "uma posição surpreendentemente liberal", afirmando que "as pessoas sentem-se sufocadas" e defendendo que a solução para reduzir a tensão podia passar por conceder mais liberdades, "incluindo mais liberdade de imprensa".

Não nos consta nem aqui nem alhures que o site de jornal brasileiro tenha sido honrado com o bloqueio ao acesso de suas páginas por parte do ditador iraniano. Mas o do El País foi.

Há muito deixei de ser mero leitor do jornal espanhol. Hoje sou mais que isso, sou admirador do jornalismo ali praticado. Vasculho suas páginas sempre predisposto a encontrar ótimos textos, excelentes artigos de opinião, boa diagramação, notável acervo fotográfico. O que me conquistou não foi, com absoluta certeza, quaisquer de suas campanhas publicitárias. Foi esse sentimento de ter em mãos e ao alcance dos olhos um jornal que respeita a inteligência do leitor, que se abstém das questiúnculas e das miudezas da política cada vez mais paroquial levada às folhas de nossos principais jornais (e revistas semanais) que me fez referi-lo como o melhor jornal da atualidade.

Bom mesmo será o dia em que tivermos acesso diário a uma caprichada edição em português de El País. Enquanto isso... contentemo-nos com o que temos: uma vista d’olhos e não mais que isso e já passamos a ter a impressão de que lemos o jornal pelo período de toda uma semana.

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Fonte:http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=636IMQ002

Haiti admite que precisa de ajuda internacional para julgar Baby Doc

05.04.2011
Da Agência Brasil, via Agência Telam, em 29/03/2011

Brasíli
a – O governo do presidente do Haiti, René Préval, pediu ajuda internacional para julgar o ex-presidente haitiano Jean-Claude Duvalier (1971-1986), conhecido como Baby Doc. Duvalier é acusado de violação de direitos humanos, desvio de recursos públicos e corrupção. Baby Doc já está em processo de julgamento na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

O ex-presidente está internado em um hospital de Porto Príncipe, capital haitiana, depois de reclamar de dores no peito. Baby Doc retornou do exílio em janeiro, dois meses antes da realização do segundo turno das eleições presidenciais no Haiti. Para especialistas internacionais, o ex-presidente pretende voltar ao cenário político do Haiti.

A jornalista haitiana e porta-voz do ex-secretário-geral das Nações Unidas, Michèle Montas, alertou que sem a ajuda internacional há dificuldades de promover um julgamento “sério” de Baby Doc.

A Justiça analisa um pedido de orhttp://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-03-29/haiti-admite-que-precisa-de-ajuda-internacional-para-julgar-baby-docganizações não governamentais para que Baby Doc seja proibido de deixar o Haiti e tenha os horários de visitas limitados no hospital onde está em Porto Príncipe. O advogado do ex-presidente, Reynold Georges, descreveu o pedido como um "abuso de autoridade."
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-03-29/haiti-admite-que-precisa-de-ajuda-internacional-para-julgar-baby-doc

Mídia retoma a artilharia contra Lula

05.04.2011
Do blog de Altamiro Borges


Numa ação que parece combinada, a mídia demotucana volta à carga, com artilharia pesada, contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Num jogo maroto, ela continua bajulando a presidenta Dilma Rousseff, que de “poste” virou “estadista”, mas rosna contra o seu “padrinho” e “tutor”. Abatido um, a outra ficará mais vulnerável e entrará, logo na sequência, para a linha de tiro.

Nesta nova ofensiva, como nas anteriores, coube a uma revista semanal disparar o primeiro tiro. Desta vez, a missão ficou a cargo da Época, que publicou matéria “requentada” e apimentada sobre o chamado “mensalão do PT”. O mesmo Diego Escosteguy, que se projetou com seus factóides na Veja e foi agraciado com prêmios pelo Instituto Millenium, é o autor do “reporcagem”.

Insinuações maldosas do bolsista da Millenium

Como já demonstrou Miguel do Rosário, o texto “traz aquela linguagem entre barroca e cínica que se tornou marca registrada nas reportagens sobre o mensalão. A matéria, com base no relatório da Polícia Federal enfim concluído, traz uma ou duas novidades, aos quais, porém, são tão ansiosa e descaradamente aditivadas com molho velho que perdem todo o sabor. A imagem que me vem é a de uma sopa guardada há semanas na geladeira, a qual lançamos uma cenoura cortada para que pareça fresca”.

Diego Escosteguy não apresenta qualquer prova sobre a existência do “mensalão”, que teria comprado votos de parlamentares. O que o relatório da PF indica é que houve “caixa-2” na batalha eleitoral de 2002, o que inclusive já foi reconhecido pelo próprio PT. Apesar disso, o jornalista da Millenium insiste em suas insinuações maldosas. “Era uma vez, numa terra não tão distante, um governo que resolveu botar o Congresso no bolso”. Ele até mereceria a abertura de um processo por danos morais!

“Una solo voz” da mídia golpista

“Lendo a matéria até o final, o que vemos é que a PF desmente a tese do mensalão, visto que aponta apenas 28 parlamentares como receptadores de recursos de Marcos Valério. Como se pode botar um Congresso de 513 deputados ‘no bolso’ dando dinheiro a somente 28 dentre eles? Sem contar que a maioria pertencia à base governista e muitos receberam quantias irrisórias, como o professor Luizinho, que virou "mensaleiro" após um assessor sacar R$ 15 mil do valerioduto”, aponta Miguel do Rosário.

Na prática, a “reporcagem” da revista Época, assim como várias similares da Veja, não visa esclarecer o leitor. Não tem qualquer compromisso jornalístico ético. Seu objetivo é político. No momento, a matéria serve para deflagrar uma nova ofensiva contra o ex-presidente Lula, com o intento de desconstruir a sua imagem. Isto fica mais patente com a “repercussão” do texto requentado nos jornalões, que entraram em campo logo na sequência. A ofensiva é articulada – “una solo voz”, como se diz na Venezuela.

Estadão defende processo contra Lula?

Em editorial nesta terça-feira (5), intitulado “Um golpe para Lula”, o Estadão escancara a manobra. O alvo é o ex-presidente. “A Polícia Federal levou nada menos de seis anos para confirmar que o esquema petista de pagamentos ilícitos a políticos conhecido como mensalão, trazido à tona em 2005, não é uma ‘farsa’ de que fala cinicamente o ex-presidente Lula, mas um fato objetivo, documentado e que não comporta mais interpretação”. Neste caso, o convicto Estadão defende a abertura de processo contra Lula?

O jornalão da oligarquia parece defender esta hipótese. Para a decrépita famiglia Mesquita, o mensalão existiu e Lula é o culpado! “A investigação não deixa em pé nenhuma dúvida sobre a origem do dinheiro usado para comprar políticos venais e reforçar as finanças da companheirada... Claro que Lula poderá alegar que não teve nada com isso (...), mas a volta do mensalão ao noticiário é um golpe para a pretensão do ex-presidente de sair por aí desmoralizando a denúncia que marcou para sempre o seu governo”. Ao final do editorial, o jornalão ainda “aconselha” a Justiça a se pronunciar de imediato e fala até em “condenação exemplar”.

Folha aposta nos reflexos futuros

Já a Folha trilha o mesmo rumo golpista. Ela preferiu não se expor abertamente no editorial e repassou a tarefa ao seu colunista de plantão, Fernando de Barros e Silva. O texto é idêntico ao editorial do Estadão, como se fosse escrito conjuntamente na mesa de um restaurante de luxo dos Jardins. “A versão de que o mensalão havia sido uma ‘farsa’, uma obra de ficção arquitetada pela ‘imprensa golpista’, se tornou uma ladainha nas hostes petistas”. Para ele, o relatório da PF é conclusivo e condena Lula.

Mesmo reconhecendo que “não há, a rigor, nada que seja propriamente novo e impactante na peça da PF divulgada pela revista Época”, o colunista insiste em reafirmar que a imprensa estava certa nas denúncias contra o ex-presidente e que Lula se valeu do sucesso do seu segundo mandato para ofuscá-las. Ele só deixa de registrar que o ex-presidente foi reeleito em pleno tiroteio – o que confirma que a mídia golpista foi derrotada nas eleições de 2006.

Mídia armada e de prontidão

Mas pouco importa que o relatório da PF não apresente “nada de novo” ou que a mídia tenha sido derrotada nas urnas. Para o colunista da Folha, o importante são os reflexos futuros. “É difícil avaliar, por ora, quais serão as implicações legais deste relatório. Politicamente, no entanto, a PF jogou uma pá de cal nesta farsa de salão que o PT quis impingir ao país”. Como se nota, a mídia continua em prontidão, treinada e armada. Atira para matar em Lula e deu uma trégua à Dilma. Mas não será por muito tempo!

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/04/midia-retoma-artilharia-contra-lula.html