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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Lei antiracismo é fascista, sr. Noblat?

04.04.2011
Do blog TIJOLAÇO
Por Brizola Neto


O racismo é crime, pela Constituição. Será que a Constituição é "fascista do bem"?
Hoje, em sua coluna em O Globo, o jornalista Ricardo Noblat diz que aqueles que defendem a punição do Sr. Jair Bolsonaro são os “fascistas do bem”.

O Sr. Ricardo Noblat aborda a questão como se a atitude do sr. Bolsonaro tivesse se restringido à homofobia. Embora seja absurdo discriminar alguém por sua opção sexual, não é por essa razão que o Sr. Bolsonaro precisa ser punido pela Câmara dos Deputados.

Porque a homofobia foi saída estúpida e “esperta” de Bolsonaro para tentar descaracterizar o ato de racismo que praticou.

A cantora Preta Gil perguntou-lhe o que faria se o filho dele, Bolsonaro, se apaixonasse por uma negra.

E foi diante disso que Bolsonaro teve sua explosão racista.

Não sou – e não somos, os 20 deputados que representamos contra Bolsonaro – ” a patrulha estridente do politicamente correto” 9…) ” opressiva, autoritária, antidemocrática” que “em nome da liberdade, da igualdade e da tolerância, recorta a liberdade, afirma a desigualdade e incita a intolerância”.

Dizer que alguém tem o direito de agir de forma racista e não ser punido não é “patrulhar”. É defender a Constituição brasileira – aquela mesma que o Sr. Bolsonaro jurou cumprir e respeitar, ao tomar posse . Lá está escrito, em seu art.5º, inciso LXII, textualmente:

“a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei”

E a lei, a 8081/90, diz, específicamente:

ART. 20 – Praticar, induzir ou incitar, pelos meios de comunicação social ou por publicação de qualquer natureza, a discriminação ou preconceito de raça, cor, religião, etnia ou procedência nacional . Pena: reclusão de 2 a 5 anos.

O que fez o Sr. Jair Bolsonaro no programa CQC?

Ele tem o direito de ser contra cotas, contra gays e pode até ter um pensamento racista. Direito dele. Pode até expender estas opiniões, lamentáveis e desumanas, em diálogos privados. Mas não pode praticar atos racistas nos meios de comunicação. Está na lei.

Um deputado não pode praticar o que a lei proíbe, e foi isso que o sr. Bolsonaro fez. Se o colunista Noblat acha que a lei antiracismo é fascista – e achar isso é um direito democrático – que o diga, claramente.

Agora, se não é isso que pensa e se está mal-informado sobre a representação por quebra de decoro parlamentar que fizemos ingressar na Câmara – neste caso, o texto está aqui para ser lido – não pode chamar de fascistas, ainda que do “bem”, os que pedem o cumprimento da Constituição e da lei.
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Fonte:http://www.tijolaco.com/lei-antiracismo-e-fascista-sr-noblat/

Nota de risco do Brasil melhora: Agência eleva nota de risco do Brasil

04.04.2011
Do blog ESQUERDOPATA
Por MARIANA SCHREIBER
DE SÃO PAULO


A agência de classificação de risco Fitch Ratings elevou a nota soberana de crédito do Brasil nesta segunda-feira de BBB- para BBB. É a primeira elevação desde maio de 2008, quando a Fitch reconheceu o Brasil como grau de investimento -- espécie de selo de segurança para quem investe em títulos do país. Faltam ainda oito níveis para o nível máximo da agências, AAA.

Segunda a Fitch, a elevação da nota do Brasil reflete a elevação da capacidade de crescimento sustentável do Brasil para algo entre 4% e 5%. Para 2011, a agência projeta expansão de 4%.

Entenda o que é "rating" ou nota de risco

A agência também destaca que a transição de governo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva para a presidente Dilma Rousseff foi suave, com manutenção do consenso sobre a responsabilidade macroeconômica.

Além disso, destaca o relatório da Fitch, a nova administração tem mostrado sinais de maior contenção dos gastos públicos, que, juntamente com as perspectivas de crescimento saudável, deve permitir uma melhora da dívida pública.

"A trajetória de crescimento do Brasil a médio prazo deve se manter relativamente forte devido à dinâmica de consumo doméstico, que são sustentados pela diversidade econômica do país, uma grande e crescente classe média e um ciclo positivo de investimento", disse Shelly Shetty, diretora sênior e chefe de notas soberanos da América Latina na Fitch.
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Fonte:http://esquerdopata.blogspot.com/2011/04/nota-de-risco-do-brasil-melhora.html

Demitidos por 3 tuitadas: A “Folha” acha que jornalista é servo da gleba?

03/04/2011
Do blog de Rodrigo Vianna, "Escrevinhador"
Por Rodrigo Vianna

Semana passada, eu estava na porta do Hospital Sírio-Libanês, cobrindo a morte de José Alencar para a TV Record. No mesmo horário, dois jornalistas (um da “Folha” e outro do “Agora” – diário que também pertence ao grupo “Folha”) trocavam impressões sobre a cobertura jornalística do fato. Ressalte-se: trocavam impressões usando contas particulares do twitter.

Foram demitidos!

Nesse domingo, a “ombudsman” da “Folha” tocou no assunto. Ela transcreveu o diálogo no twitter que acabou levando à demissão:

Repórter da Folha: “Nunca um obituário esteve tão pronto. É só apertar o botão.”
Repórter do Agora: “Mas na Folha.com nada ainda… esqueceram de apertar o botão. rs” (risos)
Repórter da Folha: “Ah sim, a melhor orientação ever. O último a dar qualquer morte. É o preço por um erro gravíssimo.”

Suzana Singer, que foi minha chefe e a quem respeito, preferiu não dar os nomes dos jornalistas. Imaginou (presumo) que assim os “preservaria”. Como se a história já não estivesse na internet…

Na mesma coluna, a “ombudsman” dá a opinião sobre o caso:

Um diálogo ruim, de todos os pontos de vista. É insensível jogar na cara do leitor que há obituários prontos à espera do momento de publicação. Não faz sentido um jornalista criticar, publicamente, um site da mesma empresa. E não deixa de ser desagradável lembrar um problema recente -a divulgação errada, pela Folha.com, da morte do senador Romeu Tuma.

Êpa! Peraí. Desde quando a “Folha está preocupada com a “sensibilidade” do leitor. A “Folha” é o jornal que publica ficha falsa em primeira página, e que abre espaço para relato sem provas de que Lula teria falado em “currar” um garoto na prisão. E a Suzana acha que os leitores ficariam “sensíveis” se soubessem que jornalistas preparam obituários com antecedência?

Outra coisa: a Suzana acha “desagradável” lembrar um “problema” recente? Desagradável pra quem? Pros leitores? Ou pro jornal? O mundo jornalístico sabe que o jornal ”matou” o Tuma antes da hora, ajudando assim a eleger o Aloysio.

Na verdade, na crítica de Suzana, a única justificatica plausível é essa: “Não faz sentido um jornalista criticar, publicamente, um site da mesma empresa.”

É isso que interessa na demissão: um recado para outros jornalistas – calem a boca! É atitude de velhos senhores de engenho. Se os empregados se reúnem para reivindicar melhores condições de trabalho, o “patrão” nem discute. Chama o capataz e manda dar uma surra nos líderes da “baderna”. Pra servir de exemplo!

Sob todos os aspectos, a demissão dos jornalistas parece-me absurda: os dois foram “punidos” por expressar, em perfis no twitter, a opinião pessoal. Ok, eles trabalham na “Folha”. Mas a relação não é (ou não deveria ser) do servo com o senhor proprietário da gleba. O jornalista, fora do horário de serviço, e longe das páginas que pertencem à família Frias, é um cidadão que pode e deve expressar suas opiniões e impressões. O jornalista vende sua força de trabalho, não o cérebro!

E há mais um ponto estranho. A ombudsman parece incomodada com o fato de a troca de tuitadas ter revelado um “segredo”: jornais, revistas, TVs e sites de internet preparam previamente obituários de personalidades importantes.

Ora, isso é tratar o leitor feito débil mental. É evidente que os jornais preparam isso tudo com antecedência. O leitor minimamente esclarecido sabe – ou intui – essa verdade. Ou alguém acha que tudo se materializa minutos depois da morte (na TV e nos sites) por mágica? Além do mais, se havia leitores que não sabiam, agora eles já sabem: jornais, sites, TVs e rádios preparam obituários – mas não querem que você, leitor, saiba disso!

O jornal que tenta calar a “Falha” (site de paródias da “Folha”, tirado do ar por medida judicial), o jornal que chamou ditadura de “ditabranda”, o jornal que é o mais vendido do país, é um jornal que demite profissionais que dão opinião no twitter.

A “Folha” acha que jornalista é servo da gleba? Não chega a espantar.

Aqui, você lê a versão de Carol Rocha – uma das jornalistas demitidas. O outro demitido foi Alec Duarte, da “Folha”.

Leia outros textos de Radar da Mídia

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Fonte:http://www.rodrigovianna.com.br/radar-da-midia/folha-acha-que-jornalista-e-servo-da-gleba.html

Táxi é mais vantajoso que carro próprio

04.04.2011
Do site do Estadão.com
Por Luiz Guilherme Gerbelli e Roberta Scrivano - O Estado de S.Paulo

Para distâncias de até 20 quilômetros, mesmo em cidades como São Paulo, uso do táxi é a alternativa mais econômica

Andar de táxi reduz o estresse e o gasto com locomoção. Para distâncias curtas de até 20 quilômetros ao dia, mesmo nos grandes centros, o uso de táxis sai mais barato do que ter seu próprio carro. Embora reconheçam a vantagem, especialistas em finanças pessoais recomendam cálculos sob medida para que cada um saiba se vale mesmo a pena ou não.

"O que deve-se fazer é colocar todos os gastos com carro e com táxi na ponta do lápis", afirma Mauro Calil, educador financeiro.

Luís Carlos Ewald, professor da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ) e especialista em orçamento familiar, lembra, porém, que há uma série de benefícios em não ter carro que não podem ser mensurados. "O motorista não perderá mais tempo procurando vaga para estacionar, por exemplo", pontua Ewald. "Não tomará mais multas e poderá falar ao celular enquanto está no engarrafamento", completa.

Para fazer a comparação dos custos palpáveis e descobrir qual das duas opções sai mais em conta, porém, o motorista deve listar todas as despesas com um veículo próprio, como a prestação do financiamento, estacionamento, combustível, licenciamento, seguro e IPVA. Depois disso, todos os gastos devem ser somados.

O resultado passa a valer pela quantidade de anos do financiamento. Quando o empréstimo for quitado, o cálculo precisa ser refeito, subtraindo o valor da prestação.

Na outra ponta, Mauro Calil recomenda que o motorista utilize um táxi "religiosamente durante uma semana" como parte da rotina. O intuito é descobrir exatamente de quanto será o gasto. O valor total deve ser multiplicados por 52 (quantidade de semanas no ano) e, em seguida, comparado com a opção de compra de um veículo.

Custo. Em São Paulo, o custo do táxi é um dos mais altos (se não o mais alto). Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a bandeirada comum custa R$ 4,10, depois, por cada quilômetro rodado, o preço é de R$ 2,50. Uma hora parado no trânsito custa R$ 33.

"Em distâncias curtas, o táxi vira vantagem em 90% dos casos. Se você optar pelo táxi, é possível negociar um desconto com o taxista", garante Calil.

A constatação de que o táxi é mais vantajoso do que o carro próprio também consta em diversos livros de finanças pessoais. O que contém uma das explicações mais interessantes e completas está no livro O guia prático de finanças pessoais, escrito por Robert Zentgraf, professor de finanças da Ibmec do Rio de Janeiro.

Custo

R$ 2,50
é o valor cobrado por quilômetro rodado em São Paulo

R$ 4,10
é o preço da bandeira 1

R$ 33
é o preço da hora do táxi parado e com o taxímetro ligado
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Fonte:http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110404/not_imp701288,0.php

Os mercenários de Folha e Globo e o “direito” de discriminar

04.04.2011
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

A parte que mais choca do quarteto de impérios empresariais que controla quase toda a comunicação no Brasil são os mercenários contratados para assassinar reputações e induzir preconceitos de todos os tipos, sobretudo raciais, de classe e regionais.

Dois dos pistoleiros mais asquerosos dos grupos Globo e Folha são, respectivamente, Ricardo Noblat e Fernando de Barros e Silva. São sujeitos ridiculamente preconceituosos que se julgam próceres do pensamento liberal moderno… Ou melhor, tentam se passar por isso.

No primeiro dia útil da semana, tal qual cavalaria, os dois mercenários vêm em socorro do deputado fascista Jair Bolsonaro a fim de reverterem o sentimento da sociedade de que um político desse jaez não pode ser um representante do povo no Poder Legislativo.

Abaixo, reproduzo dois textos indignos, desonestos, mentirosos, fascistas, irresponsáveis e, talvez, até criminosos.

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FOLHA DE SÃO PAULO

FERNANDO DE BARROS E SILVA

4 de abril de 2011

Fala tudo, Bolsonaro!

O deputado Jair Bolsonaro é um tipo fascistão. Truculento, homofóbico, lida mal com as diferenças e os valores democráticos. Os gays, em particular, parecem deixá-lo “maluca” de raiva.

Sabe-se que indivíduos muito hostis ou agressivos, que se sentem ameaçados pela existência de homossexuais, costumam ser enrustidos. O ódio projetado no outro é apenas um sintoma, uma defesa contra si mesmo. Mas quem seria eu para suspeitar que existe uma “Jairzona” enjaulada na alma do capitão? O ser humano é complexo.

A polêmica envolvendo esse personagem de almanaque tomou, no entanto, outro rumo. Discute-se se ele, com suas palavras, praticou o crime de racismo e os limites da liberdade de expressão no país.

Preta Gil lhe perguntou: qual seria sua reação se um de seus filhos namorasse uma negra? E ele: “Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Meus filhos foram muito bem educados. Não viveram em ambiente como lamentavelmente é o seu”.

Digo logo: um país em que Bolsonaro não fosse eleito deputado tenderia a ser um lugar melhor. Mas pretender cassá-lo ou condená-lo por racismo em função dessa fala me parece um grande equívoco.

Não só porque seria a melhor maneira de transformá-lo em vítima. Mas, sobretudo, porque o que ele fez foi apenas manifestar a sua opinião. Grosseira, retrógrada, mas que representa uma parcela da sociedade.

A liberdade de expressão nos garante a possibilidade de falar o que quisermos (nos limites da lei), mas também nos obriga a ouvir o que nos desagrada.Bolsonaro incitou o racismo? E se ele fosse um negro e dissesse que não gostaria de ver sua filha casada com um branco? Seria racista?

Devemos ser bastante restritivos em relação a atos racistas. Mas seria bom que fôssemos também mais elásticos e liberais em relação às palavras. Temos deficit de cultura democrática. Deixem Bolsonaro falar. Ele é o seu maior inimigo.
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GLOBO.COM

Ricardo Noblat

O fascismo do bem

4 de março de 2011

Imaginem a seguinte cena: em campanha eleitoral, o deputado Jair Bolsonaro está no estúdio de uma emissora de televisão na cidade de Pelotas. Enquanto espera a vez de entrar no ar, ajeita a gravata de um amigo. Eles não sabem que estão sendo filmados. Bolsonaro diz: “Pelotas é um pólo exportador, não é? Pólo exportador de veados…” E ri.

A cena existiu, mas com outros personagens. O autor da piada boçal foi Lula, e o amigo da gravata torta, Fernando Marroni, ex-prefeito de Pelotas. Agora, imaginem a gritaria dos linchadores “do bem”, da patrulha dos “progressistas”, da turma dos que recortam a liberdade em nome de outro mundo possível… Mas era Lula!

Então muita gente o defendeu para negar munição à direita. Assim estamos: não importa o que se pensa, o que se diz e o que se faz, mas quem pensa, quem diz e quem faz. Décadas de ditaduras e governos autoritários atrasaram o enraizamento de uma genuína cultura de liberdade e democracia entre nós.

Nosso apego à liberdade e à democracia e nosso entendimento sobre o que significam liberdade e democracia são duramente postos à prova quando nos deparamos com a intolerância. Nossa capacidade de tolerar os intolerantes é que dá a medida do nosso comprometimento para valer com a liberdade e a democracia.

Linchar Bolsonaro é fácil. Ele é um símbolo, uma síntese do mal e do feio. É um Judas para ser malhado. Difícil é, discordando radicalmente de cada palavra dele, defender seu direito de pensar e de dizer as maiores barbaridades.

A patrulha estridente do politicamente correto é opressiva, autoritária, antidemocrática. Em nome da liberdade, da igualdade e da tolerância, recorta a liberdade, afirma a desigualdade e incita a intolerância. Bolsonaro é contra cotas raciais, o projeto de lei da homofobia, a união civil de homossexuais e a adoção de crianças por casais gays.

Ora, sou a favor de tudo isso – e para defender meu direito de ser a favor é que defendo o direito dele de ser contra. Porque se o direito de ser contra for negado a Bolsonaro hoje, o direito de ser a favor pode ser negado a mim amanhã de acordo com a ideologia dos que estiverem no poder.

Se minha reação a Bolsonaro for igual e contrária à dele me torno igual a ele – eu, um intolerante “do bem”; ele, um intolerante “do mal”. Dois intolerantes, no fim das contas. Quanto mais intolerante for Bolsonaro, mais tolerante devo ser, porque penso o contrário dele, mas também quero ser o contrário dele.

O mais curioso é que muitos dos líderes do “Cassa e cala Bolsonaro” se insurgiram contra a censura, a falta de liberdade e de democracia durante o regime militar. Nós que sentimos na pele a mão pesada da opressão não deveríamos ser os mais convictamente libertários? Ou processar, cassar, calar em nome do “bem” pode?

Quando Lula apontou os “louros de olhos azuis” como responsáveis pela crise econômica mundial não estava manifestando um preconceito? Sempre que se associam malfeitorias a um grupo a partir de suas características físicas, de cor ou de origem, é claro que se está disseminando preconceito, racismo, xenofobia.

Bolsonaro deve ser criticado tanto quanto qualquer um que pense e diga o contrário dele. Se alguém ou algum grupo sentir-se ofendido, que o processe por injúria, calúnia, difamação. E que peça na justiça indenização por danos morais. Foi o que fizeram contra mim o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Mas daí a querer cassar o mandato de Bolsonaro vai uma grande distância.

Se a questão for de falta de decoro, sugiro revermos nossa capacidade seletiva de tolerância. Falta de decoro maior é roubar, corromper ou dilapidar o patrimônio público. No entanto, somos um dos povos mais tolerantes com ladrões e corruptos. Preferimos exercitar nossa intolerância contra quem pensa e diz coisas execráveis.

E tudo em nome da liberdade e da democracia…

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Prossigo com meus comentários sobre o assunto. Começo pelo segundo texto, de Noblat. É de uma indigência mental sem precedentes comparar uma brincadeira de Lula feita em privado e vazada acidentalmente com a cruzada que trava Bolsonaro contra negros e homossexuais.

Lula é um humanista, que propôs e fez leis e promoveu medidas para diminuir a discriminação no Brasil. A brincadeira dele, há muitos anos, não difere da que a maioria dos homens heterossexuais – e até dos homossexuais – faz em privado. É diferente de fazer campanhas públicas contra homossexuais.

Não há um time de futebol ou boteco em que amigos tomam uma “geladinha” num happy-hour em que não se faça alguma piadinha com homossexualidade. É um hábito brasileiro que, aliás, tem que acabar. Mas difere muito de promover a discriminação, como faz Bolsonaro.

É como a alusão a Lula ter citado “loiros de olhos azuis”. Alguém já ouviu falar que loiros de olhos azuis são discriminados? Quem tem esse biotipo domina a propaganda e é chamado de pessoa “bonita”, enquanto que negros são excluídos da propaganda e chamados de “feios”.

Até parece que é preciso fazer leis para proteger pessoas de ascendência nórdica de continuada discriminação. É piada.

A lei que criminaliza o racismo foi criada para impedir o malefício que palavras causam aos negros. Eles são colocados à parte, têm piores empregos, salários e são excluídos dos ambientes sociais das classes altas justamente por conta das palavras que os atingem.

Já o incentivo retórico à discriminação de homossexuais, causa violência contra eles. Os jovens que andam espancando homossexuais – às vezes até a morte – começaram a odiá-los estimulados por palavras como as que Bolsonaro proferiu em uma concessão pública de tevê.

Como o ser humano tem gradações de capacidade de separar idéias ruins de atos ruins, ou seja, capacidade de não passar da agressão verbal para a agressão física, foi necessário tipificar a discriminação no código penal, ainda que só a discriminação racial.

O que Noblat e Barros e Silva fazem com seus textos tortos é incentivar a adição na sociedade do combustível que move os atos de violência e segregação contra homossexuais, negros, nordestinos e os demais alvos de preconceito. É o que chamam de “liberdade” para discriminar.

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Revisão histórica: Ditadura “militar” e hipocrisia civil

04/04/2011
Do blog de Rodrigo Vianna, "Escrevinhador"
Por Izaías Almada


Muitos artigos, depoimentos, lembranças e até mesmo novas revelações e denúncias preenchem esses dias os blogs, sites, jornais e revistas da esquerda brasileira e não só, com referências ao nefasto golpe civil/militar de abril 1964 no Brasil. Golpe de estado, como tantos outros naquela época e particularmente na América Latina, induzidos, apoiados e sustentados pelo governo dos Estados Unidos com sua paranoia de polícia do mundo.

Insisto em utilizar a terminologia “golpe civil/militar”, pois há uma tendência, consciente ou não, em definir a ruptura da legalidade no Brasil em 64/68 como apenas uma quartelada militar. Na verdade, essa quartelada efetuada por um grupo de militares na altura é o lado, talvez, mais aparente do iceberg, mas por debaixo do movimento de tropas nas ruas, um aparatoso e gigantesco esquema econômico negociado em escritórios de grandes empresas brasileiras e multinacionais, com malas cheias de dinheiro, ajudou a facilitar as coisas para aqueles que ainda não tinham muita convicção na vitória golpista. Ou cuja convicção ideológica e organização políticas não eram suficientemente fortes para defenderem o governo de João Goulart.

Passados 47 anos é possível ver e avaliar com maior clareza aquele período. Até porque muitos dos personagens envolvidos nos dois lados do conflito já deram testemunhos de parte daquilo que se passou, em especial alguns documentos desclassificados pelo Departamento de Estado norte americano ou entrevistas de ex-ditadores como Geisel, Médici, Figueiredo e outros menos votados, sendo possível ver como nesses momentos funcionam a propaganda, a contrainformação e a venalidade de uma imprensa dócil, servil e impatriótica.

Ecos daquele movimento continuam refratários a uma sociedade brasileira verdadeiramente democrática, quer em documentos de empedernidos e pequenos grupos militares, mas também nos comentários de analistas saudosos da quartelada e de uma sociedade civil que continua com sua boa dose de hipocrisia, aquela mesma hipocrisia que se calou durante vinte anos diante das prisões, torturas e desaparecimentos de cidadãos brasileiros que combateram o regime repressivo e ditatorial.

A recente campanha eleitoral que levou a candidata Dilma Rousseff à presidência da nação deixou à mostra as garras de um fascismo não tão adormecido assim. Não foi difícil identificar, nos vários setores civis da sociedade brasileira contemporânea, seja nos poderes executivo, legislativo e judiciário, e vários de seus porta-vozes nos meios de comunicação, a irresistível e subliminar tentação de quebra da legalidade. E pelo visto dessa vez os novos militares brasileiros não se sensibilizaram com os cantos das sereias entreguistas e antidemocráticas.

Não se deve isentar moral e ideologicamente os civis que fundamentaram o golpe e o sustentaram economicamente, inclusive com o perverso e criminoso financiamento de centros clandestinos de prisão e torturas. A revisão e denúncia da hipocrisia de certo cinismo civil é também tarefa indispensável na construção da democracia brasileira.

Izaías Almada é escritor, dramaturgo, autor – entre outros – do livro “Teatro de Arena: uma estética de resistência” (Boitempo) e “Venezuela povo e Forças Armadas” (Caros Amigos).
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Fonte:http://www.rodrigovianna.com.br/colunas/reflexoes/ditadura-militar-e-hipocrisia-civil.html

Mundo louco: Os pais que “escolhem” filhos

02/04/2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
na Folha.com
DE SÃO PAULO


Advogada diz que entrou com recurso para reaver trigêmeas

A advogada de um casal de Curitiba (PR) que teve trigêmeas, mas não queria uma das crianças, disse que os pais lutam na Justiça para reaver as três meninas. Os pais correm o risco de perder a guarda dos bebês.

“[As trigêmeas] estão abrigadas por ordem judicial. Os pais entraram com todos os recursos possíveis e imagináveis para tentar reaver as meninas”, afirmou Margareth Zanardini em entrevista na rádio Band News Curitiba. Ela não revelou detalhes do processo.

As crianças são fruto de fertilização in vitro (técnica em que o óvulo já fecundado é colocado no útero da mãe) e nasceram prematuras em 24 de janeiro, na Maternidade Nossa Senhora de Fátima.

Na unidade, o casal tentou abandonar uma das crianças. –que estava com insuficiência pulmonar. Os pais perdem o risco de perder a guarda das meninas.

Funcionários da instituição disseram à Band News que médicos e psicólogos tentaram convencer o casal a ficar com as três crianças, mas não conseguiram.

Ainda segundo a rádio, a maternidade não aceitou que os pais levassem só duas das trigêmeas e acionou o Conselho Tutelar. O caso foi para o Ministério Público Estadual, e os bebês estão num abrigo.

Segundo a advogada do casal, Margareth Zanardini, as trigêmeas passaram um mês na UTI e não chegaram a ir para a casa dos pais.

O ginecologista Karam Abou Saab, que implantou os embriões na mãe, disse à Folha que nunca viu um caso como esse. “É inédito um casal recusar filhos que se propôs a ter”, afirmou.

Segundo ele, a fertilização in vitro tem 40% de chance de sucesso, e cerca de 2% podem resultar em três ou quatro bebês. Saab disse que informou o casal sobre o método de tratamento.

A Folha contatou o Ministério Público, que não quis comentar o caso. A Maternidade Nossa Senhora de Fátima também foi procurada, mas disse que não havia ninguém disponível para falar.

Para a presidente da Comissão da Criança e do Adolescente da OAB-PR, Marta Tonin, há casos em que os pais entregam os filhos para adoção e se arrependem.

“A Justiça vai ter que concluir se houve abandono ou se os pais se arrependeram e poderão cuidar das filhas.”

Para Tonin, o caso serve de alerta a casais que procuram tratamento de fertilidade: “Têm de estar atentos a todas as consequências possíveis”.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/mundo-louco-os-pais-que-escolhem-filhos.html

Não, não somos racistas

03.04.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha

Página do Orkut denunciada pela leitora Carla.

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WikiLeaks: O plano de Washington para constranger o governo brasileiro usando a mídia

03.04.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha, "Vi o Mundo"

Tradução do Coletivo da Vila Vudu

WikiLeaks

Viewing cable 09BRASILIA1435 –

Excerto do item CONFIDENCIAL do telegrama 09BRASILIA1435
A íntegra do telegrama não está disponível.
Tradução de trabalho, não oficial, para finalidades didáticas.

ASSUNTO:
Estratégia para Engajar o Brasil na “Difamação de Religiões”[1]

1. (C) RESUMO: A posição do Brasil na questão da “difamação de religiões” na comissão de Direitos Humanos da ONU reflete a conciliação entre as objeções do país à ideia (objeções baseadas num conceito do que sejam Direitos Humanos) e o desejo de não antagonizar os países da Organisation of the Islamic Conference (OIC) com os quais tenta construir relações e que o Brasil vê como importante conjunto de votos a favor de o Brasil conseguir assento permanente no CSONU. À luz da argumentação a favor da abstenção do Brasil, proponho abordagem de quatro braços, envolvendo aproximação com os altos escalões do Ministério de Relações Exteriores; uma visita a Brasília, para pesquisar meios de trabalhar com o governo do Brasil, nessa e noutras questões de direitos humanos; outros governos que possam conversar com o governo do Brasil; e uma campanha mais intensa pela mídia e mobilizando comunidades religiosas a favor de não se punir quem difame religiões . FIM DO RESUMO.

Contexto: “Quando Direitos Humanos e ambição de chegar ao Conselho de Segurança entram em choque”.

2. (SBU) Essa embaixada levantou várias vezes a questão dos votos do Brasil no Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais do Ministério das Relações Exteriores. A última vez foi com a chefe do Departamento Ministra Glaucia Gauch. O Brasil nunca discordou de um único argumento dos que apresentamos em outros encontros.

A resposta sempre foi a mesma: o conceito de difamar religiões é repugnante. Repugna aos valores e princípios do Brasil e é inconsistente com a legislação brasileira e a legislação internacional. Por isso o Brasil não pode aprovar e não votará a favor de resolução que proíbe que se puna quem difama religiões. O Brasil abstém-se de votar.

3. (C) Perguntada sobre por que o Brasil não vota contra a resolução, dado que a considera absolutamente inadmissível, Gauch respondeu que o país entende que a abstenção é suficiente. Na opinião do Governo do Brasil, o país assume posição baseada em princípios, mas também prática, porque não interessa ao país ofender os países da Organização da Comunidade Islâmica, sobretudo os mais poderosos como Iran, Egito, Turquia e Arábia Saudita, países com os quais o Brasil tenta aprofundar relações.

É opinião dessa embaixada que o que mais interessa à política externa do Brasil é conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Como resultado, o Governo do Brasil prefere não antagonizar países e grupos de países cujos votos podem ser valiosos numa futura eleição.

Abordagem de quatro braços

4. (SBU) À luz dessa realidade complicada, proponho abordagem de quatro braços no caso do Brasil, sobre essa questão. Antes de qualquer das etapas e movimentos, deve-se declarar o compromisso dos EUA com o diálogo e a cooperação, e nosso empenhado esforço para manter o Brasil como um líder e um parceiro nessa questão.

Encontros de alto nível: Ao abordar os mais altos níveis do Ministério de Relações Exteriores, é essencial persuadir o Brasil a mudar seu voto e a trabalhar conosco a favor da “Difamação de Religiões”, até chegarmos a uma solução de conciliação. Telefonema da Secretária de Estado dos EUA ao Ministro Amorim das Relações Exteriores, logo depois da recente carta enviada por ela, demonstraria a importância que os EUA damos a essa questão. Também se deve abordar o vice secretário-geral do MRE ministro Antonio Patriota; e o subsecretário Burns deve abordar a subsecretária para assuntos políticos, embaixadora Vera Machado (que supervisiona questões de direitos humanos e política das organizações internacionais), o que muito ajudaria a aumentar a importância do tema na cabeça dos brasileiros (sic).

Só as abordagens nos níveis inferiores dificilmente conseguirão modificar a abordagem “em cima do muro” [orig. Brazilbs hands-off approach] dos brasileiros sobre o assunto.

Um Diálogo sobre Direitos Humanos: Uma visita dedicada exclusivamente a essa questão, seria, na minha opinião, de pouco efeito, porque o Brasil aceita as premissas de nossa objeção. Ao mesmo tempo, uma discussão mais detalhada dos nossos pontos de vista e de nosso plano de ação, com níveis operacionais e político do MRE seria valiosa.

A abordagem mais efetiva (e, no longo prazo, mais valiosa para os interesses mais amplos do Governo dos EUA) poderia incluir a questão atual na pauta de um novo diálogo regular sobre direitos humanos, ideia que o próprio MRE (pelo emb. Patriota) propôs recentemente. O contexto mais amplo de um esforço para trocar ideias e para encontrar vias pra trabalharmos mais próximos do Governo do Brasil no campo dos direitos humanos nas organizações internacionais (tratando também, talvez, de outras das preocupações dos países chaves, incluindo o Irã e a Coreia do Norte, questões sobre as quais o Brasil sempre se abstém) criariam um fórum ideal para discussões e para conseguir que o governo do Brasil apóie o plano de ação proposto pelos EUA. Essa abordagem ampla seria atraente para os brasileiros, interessados em construir parcerias com os EUA, que ajudarão a validar o desejo de que o Brasil passe a ser visto como líder internacional. Essa abordagem seria mais bem recebida que abordagem focada, dirigida só à questão da difamação de religiões.

Abordagem por outros países: Desde que chegou ao cenário internacional, o atual governo do Brasil tem tido grande cuidado para não alinhar suas políticas às políticas dos EUA. O Brasil tem em alta conta o que considera como sua posição “de ponte” entre países em desenvolvimento e países desenvolvidos, por causa de sua disposição de falar com todos os países. Minha opinião é que essa posição tende a limitar o peso das opiniões dos EUA dentro do Governo do Brasil. Porque o Brasil vê-se ele mesmo como se fosse líder no bloco dos países latinoamericanos, esses países pouco conseguirão influenciar as ideias do governo do Brasil. O mais provável é que ouçam outros países que consideram ‘independentes’ [aspas no orig.] dos EUA, como África do Sul, Rússia, China, Índia e França.

Ganhar o apoio para nossa posição de alguns membros da Organização da Conferência Islâmica, especialmente do Egito, Turquia e outros ‘independentes’[aspas no orig.] influentes seria muito importante para que consigamos influenciar o voto do Brasil a favor da difamação das religiões. Em geral, abordagens feitas por qualquer outro país que apóie ação proposta pelos EUA servem como prova da natureza colaborativa de nossos esforços e podem ser úteis.

Aumentar a atividade pela mídia e o alcance das comunidades religiosas parceiras: Até agora, nenhum grupo religioso no Brasil assumiu a defesa da difamação de religiões. Mas o Brasil é sociedade multirreligiosa e multiétnica, que valoriza a liberdade de religião. Um esforço para difundir a consciência sobre os danos que podem advir de se proibir a difamação das religiões pode render bons dividendos. Grandes veículos de imprensa, como O Estado de S. Paulo e O Globo, além da revista Veja, podem dedicar-se a informar sobre os riscos que podem advir de punir-se quem difame religiões, sobretudo entre a elite do país.

Essa embaixada tem obtido significativo sucesso em implantar entrevistas encomendadas a jornalistas, com altos funcionários do governo dos EUA e intelectuais respeitados. Visitas ao Brasil, de altos funcionários do governo dos EUA seriam excelente oportunidade para pautar a questão para a imprensa brasileira. Outra vez, especialistas e funcionários de outros governos e países que apóiem nossa posição a favor de não se punir quem difame religiões garantiriam importante ímpeto aos nossos esforços.

Essa campanha também deve ser orientada às comunidades religiosas que parecem ter influência sobre o governo do Brasil, quando se opuseram à visita ao Brasil do presidente Ahmadinejad do Irã, em novembro. Particularmente os Bahab e a comunidade judaica, expandidos para incluir católicos e evangélicos e até grupos indígenas e muçulmanos moderados interessados em proteger quem difame religiões [sic]. [assina] KUBISKE

[1] Há matéria da Reuters sobre o assunto, de seis meses antes desse telegrama, em http://www.reuters.com/article/2009/03/26/us-religion-defamation-idUSTRE52P60220090326, em que se lê: “Um fórum da ONU aprovou ontem resolução que condena a “difamação de religiões” como violação de direitos humanos, apesar das muitas preocupações de que a condenação possa ajudar a defesa da livre expressão em países muçulmanos (sic)” [NTs].

PS do Viomundo: Na época em que foi feito esse comunicado, a Organização das Nações Unidas (ONU) estava para votar uma resolução condenando a “difamação de religião”. Os EUA eram contra. Defendiam que não deveria ser considerado crime difamar religiões e queriam mudar o voto do Brasil, que era pela abstenção. No dia 26 de março de 2009, a ONU aprovou a resolução condenando a “difamação da religião”, como uma violação dos direitos humanos. Desde 1999, essa questão vai e volta à pauta da Comissão de Direitos Humanos da ONU.

Leia aqui a entrevista de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, aos internautas brasileiros.

Veja aqui Julian Assange explicando o WikiLeaks.

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