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domingo, 3 de abril de 2011

FOLHA: “A GENTE SÓ APOIAVA E FINANCIAVA A DITADURA”

01.04.2011
Do blgo CLOACA NEWS


O que a falácia da ditabranda revela

Por Marco Aurélio Weissheimer, da Carta Maior

Em um editorial publicado no dia 17 de fevereiro de 2009, o jornal Folha de S. Paulo utilizou a expressão “ditabranda” para se referir à ditadura que governou o Brasil entre 1964 e 1985. Na opinião do jornal, que apoiou o golpe militar de 1964 que derrubou o governo constitucional de João Goulart, a ditadura brasileira teria sido “mais branda” e “menos violenta” que outros regimes similares na América Latina.

Como já se sabe, a Folha não foi original na escolha do termo. Em setembro de 1983, o general Augusto Pinochet, em resposta às críticas dirigidas à ditadura militar chilena, afirmou: “Esta nunca foi uma ditadura, senhores, é uma dictablanda”. Mas o tema central aqui não diz respeito à originalidade. O uso do termo pelo jornal envolve uma falácia nada inocente. Uma falácia que revela muita coisa sobre as causas e consequências do golpe militar de 1964 e sobre o momento vivido pela América Latina.

É importante lembrar em que contexto o termo foi utilizado pela Folha. Intitulado “Limites a Chávez”, o editorial criticava o que considerava ser um “endurecimento do governo de Hugo Chávez na Venezuela”. A escolha da ditadura brasileira para fazer a comparação com o governo de Chávez revela, por um lado, a escassa inteligência do editorialista. Para o ponto que ele queria sustentar, tal comparação não era necessária e muito menos adequada. Tanto é que pouca gente lembra que o editorial era dirigido contra Chávez, mas todo mundo lembra da “ditabranda”.

A falta de inteligência, neste caso, parece andar de mãos dadas com uma falsa consciência culpada que tenta esconder e/ou justificar pecados do passado. Para a Folha, a ditadura brasileira foi uma “ditabranda” porque teria preservado “formas controladas de disputa política e acesso à Justiça”, o que não estaria ocorrendo na Venezuela. Mas essa falta de inteligência talvez seja apenas uma cortina de fumaça.

O editorial não menciona quais seriam as “formas controladas de disputa política e acesso à Justiça” da ditadura militar brasileira, mas considera-as mais democráticas que o governo Chávez que, em uma década, realizou 15 eleições no país, incluindo aí um referendo revogatório que poderia ter custado o mandato ao presidente venezuelano.

Ao fazer essa comparação e a escolha pela ditadura brasileira, a Folha está apenas atualizando as razões pelas quais apoiou, junto com a imensa maioria da imprensa brasileira, o golpe militar contra o governo constitucional de João Goulart.

Está dizendo, entre outras coisas, que, caso um determinado governo implementar um certo tipo de políticas, justifica-se interromper a democracia e adotar “formas controladas de disputa política e acesso à Justiça”. A escolha do termo “ditabranda”, portanto, não é acidental e tampouco um descuido. Trata-se de uma profissão de fé ideológica.

Há uma cortina de véus que tentam esconder o caráter intencional dessa escolha. Um desses véus apresenta-se sob a forma de uma falácia, a que afirma que a nossa ditadura não teria sido tão violenta quanto outras na América Latina. O núcleo duro dessa falácia consiste em dissociar a ditadura brasileira das ditaduras em outros países do continente e do contexto histórico da época, como se elas não mantivessem relação entre si, como se não integrassem um mesmo golpe desferido contra a democracia em toda a região.

O golpe militar de 1964 e a ditadura militar brasileira alimentaram política e materialmente uma série de outras ditaduras na América Latina. As democracias chilena e uruguaia caíram em 1973. A argentina em 1976. Os golpes foram se sucedendo na região, com o apoio político e logístico dos EUA e do Brasil. Documentos sobre a Operação Condor fornecem vastas evidências dessa relação.

Recordando. A Operação Condor é o nome dado à ação coordenada dos serviços de inteligência das ditaduras militares na América do Sul, iniciada em 1975, com o objetivo de prender, torturar e matar militantes de esquerda no Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e Bolívia.

O pretexto era o argumento clássico da Guerra Fria: "deter o avanço do comunismo internacional". Auxiliados técnica, política e financeiramente por oficiais do Exército dos Estados Unidos, os militares sul-americanos passaram a agir de forma integrada, trocando informações sobre opositores considerados perigosos e executando ações de prisão e/ou extermínio. A operação deixou cerca de 30 mil mortos e desaparecidos na Argentina, entre 3 mil e 7 mil no Chile e mais de 200 no Uruguai, além de outros milhares de prisioneiros e torturados em todo o continente.

Na contabilidade macabra de mortos e desaparecidos, o Brasil registrou um número menor de vítimas durante a ditadura militar, comparado com o que aconteceu nos outros países da região. No entanto, documento secretos divulgados recentemente no Paraguai e nos EUA mostraram que os militares brasileiros tiveram participação ativa na organização da repressão em outros países, como, por exemplo, na montagem do serviço secreto chileno, a Dina. Esses documentos mostram que oficiais do hoje extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) ministraram cursos de técnicas de interrogatório e tortura para militares chilenos.

Em uma entrevista ao jornal O Estado de São Paulo (30/12/2007), o general Agnaldo Del Nero Augusto admitiu que o Exército brasileiro prendeu militantes montoneros e de outras organizações de esquerda latino-americanas e os entregou aos militares argentinos. “A gente não matava. Prendia e entregava. Não há crime nisso”, justificou na época o general. Humildade dele. Além de prender e entregar, os militares brasileiros também torturavam e treinavam oficiais de outros países a torturar. Em um dos documentos divulgados no Paraguai, um militar brasileiro diz a Pinochet para enviar pessoas para se formarem em repressão no Brasil, em um centro de tortura localizado em Manaus.

Durante a ditadura, o Brasil sustentou política e materialmente governos que torturaram e assassinaram milhares de pessoas. Esconder essa conexão é fundamental para a Folha afirmar a suposta existência de uma “ditabranda” no Brasil. A ditadura brasileira não teve nada de branda. Ao contrário, ela foi um elemento articulador, política e logisticamente, de outros regimes autoritários alinhados com os EUA durante a guerra fria. O editorial da Folha faz eco às palavras do general Del Nero: “a gente só apoiava e financiava a ditadura; não há crime nisso”.

Não é coincidência, pois, que o mesmo jornal faça oposição ferrenha aos governos latino-americanos que, a partir do início dos anos 2000, levaram o continente para outros rumos. Governos eleitos no Brasil, na Venezuela, na Bolívia, na Argentina, no Paraguai e no Uruguai passam a ser alvos de uma sistemática oposição midiática que, muitas vezes, substitui a própria oposição partidária.

A Folha acha a ditadura branda porque, no fundo, subordina a continuidade e o avanço da democracia a seus interesses particulares e a uma agenda ideológica particular, a saber, a da sacralização do lucro e do mercado privado. Uma grande parcela do empresariado brasileiro achou o mesmo em 64 e apoiou o golpe. Querer diminuir ou relativizar a crueldade e o caráter criminoso do que aconteceu no Brasil naquele período tem um duplo objetivo: esconder e mascarar a responsabilidade pelas escolhas feitas, e lembrar que a lógica que embalou o golpe segue viva na sociedade, com um discurso remodelado, mas pronto entrar em ação, caso a democracia torne-se demasiadamente democrática.
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Fonte:http://cloacanews.blogspot.com/

A opinião pública, entre o velho e o novo

03.04.2011
Do blog de Altamiro Borges


Reproduzo artigo do sociólogo Emir Sader, publicado em seu blog no sítio Carta Maior:

- A decadência irreversível da velha mídia e o surpreendente surgimento
de novas modalidades de formação democrática da opinião pública.

Atribuem à internet – sua velocidade, seu caráter interativo, sua “irresponsabilidade” (“Qualquer um pode escrever...”, tipo Cansei) – a decadência da imprensa escrita. Claro que isso tem parte da verdade. Quem lê no dia seguinte o que já tinha ido na internet no dia anterior – às vezes lê nos jornais 2 dias depois de ter lido na internet -, tem uma sensação de tempo perdido, de notícia requentada, de um mundo superado pela rapidez virtual.

Além de que a internet, nas suas distintas modalidades, supera um dos problemas que permitiu o monopólio privado de algumas famílias, que pretendiam ser donas da formação da opinião pública, porque o investimento necessário para publicar um jornal ou uma revista é muito grande, enquanto que na internet é bastante pequeno ou quase nenhum.

A internet tornou-se assim um forte instrumento de democratização na circulação de informações, rompendo a fonte única e homogeneizadora das agências, assim como na interpretação dos fatos. A agenda nacional passa a ser disputada à velha mídia pelas novas formas, pluralistas, de expressão midiática, na internet.

Mas a razão de fundo da decadência irreversível da velha mídia está na sua falta total de credibilidade. A ponto de que atacaram implacavelmente o governo Lula e chegaram ao final de 8 anos com apenas 4% de rejeição do governo e 87% de apoio, o que vale também para medir a capacidade de influência da velha mídia sobre o povo brasileiro.

O melhor sintoma da decadência irreversível da imprensa escrita está na ausência dos jovens entre seus leitores, projetando a desaparição dessa modalidade de imprensa em um futuro não muito distante – porque se tornará inviável economicamente, depois de se tornar politicamente intranscendente.

Quando o jornal da ditabranda, dos carros emprestados à Oban e do “espectro do comunismo” me propôs escrever o artigo principal da página 3 em um domingo – em um reconhecimento claro que jornalistas seus tinham cometido graves erros que aumentam ainda mais a falta de credibilidade do jornal -, eu respondi que não me interessava. Que um artigo escrito em um blog, multiplicado pelos que os reenviam, mais seus ecos nos twitters e nos facebooks, além do twitcam, consegue muito mais leitores que um artigo em um jornal. Além de chegar aos jovens e aos setores dinâmicos da sociedade.

Pesquisas mais recentes feitas pelo próprio jornal demonstram como seus leitores hoje são, em sua grande maioria, tucanos (os petistas abandonaram a leitura do jornal), dos grupos A e B, que representam a minoria da sociedade, com ausência absoluta de leitores jovens. Para a empresa interessa, porque são setores de maior poder aquisitivo, o que chama publicidade, mas se distanciaram ainda mais do Brasil real.

O jornal é muito chato, desinteressante, requentado, com cronistas que pararam nos ano 90, jurássicos, que se negam a acreditar que o país mudou, parecem todos iguais, repetem velhões chavões. Alguns jovens de idade, envelheceram prematuramente, incorporaram um ceticismo decadente, que chega rapidamente ao cinismo. Ficaram com os velhos tucanos como leitores, gente sem interesse e sem influência. Dai que tenham um caderno que se pretendem cultural que não é lido por ninguém, nem por eles mesmos.

Eu respondi à oferta que prefiro escrever aqui, propondo que a direção do jornal – que me ligou diretamente – mandasse um texto com suas opiniões, com o compromisso que seria publicado integralmente – o que eles não fazem -, mas que teriam que receber as opiniões dos leitores – interatividade a que eles não estão acostumados. Claro que não mandaram, odeiam a internet, estão irremediavelmente auto-excluidos do futuro da formação democrática da opinião pública.

Mas a velha mídia ainda constitui uma espécie de Exército regular - pesados, caros, lentos -, enquanto nós agimos com métodos de guerrilha, de estocadas, valendo-nos da mobilidade, da surpresa, da criatividade, do humor. Essa a grande batalha democrática entre o velho - que tenta sobreviver, com grandes dificuldades - , e o novo – que busca, com enormes esforços – criar os espaços democráticos e pluralistas que o novo Brasil requer.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/04/opiniao-publica-entre-o-velho-e-o-novo.html

Islândia, um país que pune os banqueiros responsáveis pela crise

03.04.2011
Do site da Carta Maior, em 26.03.2011


A grande maioria da população ocidental sonha desde 2008 em dizer "não" aos bancos, mas ninguém se atreveu a fazê-lo. Ninguém, excepto os islandeses, que levaram a cabo uma revolução pacífica que conseguiu não só para derrubar um governo e elaborar uma nova Constituição, mas também enviar para a cadeia os responsáveis pela derrocada econômica do país. Crise financeira e econômica provocou uma reação pública sem precedentes, que mudou o rumo do país. O artigo é de Alejandra Abad.

Na semana passada, nove pessoas foram presas em Londres e em Reykjavik (capital da Islândia) pela sua responsabilidade no colapso financeiro da Islândia em 2008, uma profunda crise que levou a uma reação pública sem precedentes, que mudou o rumo do país.

Foi a revolução sem armas da Islândia, país que hospeda a democracia mais antiga do mundo (desde 930), e cujos cidadãos conseguiram mudar com base em manifestações e panelas. E porque é que o resto dos países ocidentais nem sequer ouviram falar disto?

A pressão da cidadania islandesa conseguiu não só derrubar um governo, mas também a elaboração de uma nova Constituição (em andamento) e colocar na cadeia os banqueiros responsáveis pela crise no país. Como se costuma dizer, se você pedir educadamente as coisas é muito mais fácil obtê-las.

Este processo revolucionário silencioso tem as suas origens em 2008, quando o governo islandês decidiu nacionalizar os três maiores bancos - Kaupthing, Landsbanki e Glitnir - cujos clientes eram principalmente britânicos, americanos e norte-americanos.

Depois da entrada do estado no capital a moeda oficial (coroa) caiu e a Bolsa suspendeu a sua atividade após uma queda de 76%. A Islândia foi à falência e para salvar a situação o Fundo Monetário Internacional (FMI) injectou 2.1 bilhões de dólares e os países nórdicos ajudaram com mais de 2.5 bilhões de euros.

As grandes pequenas vitórias das pessoas comuns

Enquanto os bancos e as autoridades locais e estrangeiras procuravam desesperadamente soluções econômicas, o povo islandês tomou as ruas, e com as suas persistentes manifestações diárias em frente ao parlamento em Reykjavik provocou a renúncia do primeiro-ministro conservador Geir H. Haarde e do governo em bloco.

Os cidadãos exigiram, além disso, a convocação de eleições antecipadas, e conseguiram. Em abril, foi eleito por um governo de coligação formada pela Aliança Social Democrata e Movimento Esquerda Verde, chefiado por uma nova primeira-ministra, Johanna Sigurdardottir.

Ao longo de 2009, a economia islandesa continuou em situação precária (fechou o ano com uma queda de 7% do PIB), mas, apesar disso, o Parlamento propôs pagar a dívida de 3.5 bilhões euros à Grã-Bretanha e Holanda, um montante a ser pago mensalmente pe as famílias islandesa durante 15 anos com juros de 5,5%.

A mudança trouxe a ira de volta dos islandeses, que voltaram para as ruas exigindo que, pelo menos, a decisão fosse submetida a referendo. Outra nova pequena grande vitória dos protestos de rua: em março de 2010 a votação foi realizada e o resultado foi que uma esmagadora de 93% da população se recusou a pagar a dívida, pelo menos nessas condições.

Isso levou os credores a repensar o negócio, oferecendo juros de 3% e pagamento a 37 anos. Mesmo se fosse suficiente, o atual presidente, ao ver que o Parlamento aprovou o acordo por uma margem estreita, decidiu no mês passado não o aprovar e chamar de volta os islandeses para votar num referendo, para que sejam eles a ter a última palavra.

Os banqueiros estão fugindo atemorizados

Voltando à situação tensa de 2010, enquanto os islandeses se recusaram a pagar uma dívida contraída pelos os tubarões financeiros sem os questionar, o governo de coligação lançou uma investigação para resolver juridicamente as responsabilidades legais da fatal crise econômica e já havia detido vários banqueiros e executivos de cúpula intimamente ligados às operações de risco.

Entretanto, a Interpol, tinha emitido um mandado internacional de captura contra o presidente do Parlamento, Sigurdur Einarsson. Esta situação levou os banqueiros e executivos, assustados, a deixar o país em massa.

Neste contexto de crise, elegeu-se uma Assembleia para elaborar uma nova Constituição que reflita as lições aprendidas e para substituir a atual, inspirada na Constituição dinamarquesa.

Para fazer isso, em vez de chamar especialistas e políticos, a Islândia decidiu apelar directamente ao povo, soberano, ao fim e ao cabo, das leis. Mais de 500 islandeses apresentaram-se como candidatos a participar neste exercício de democracia direta de redigir uma Constituição, dos quais foram eleitos 25 cidadãos sem filiação partidária, que incluem advogados, estudantes, jornalistas, agricultores, representantes sindicais.

Entre outros desenvolvimentos, esta Constituição é chamada a proteger, como nenhuma outra, a liberdade de informação e expressão, com a chamada Iniciativa Islandesa Moderna para os Meios de Comunicação, um projeto de lei que visa tornar o país um porto seguro para o jornalismo de investigação e liberdade de informação, onde se protejam as fontes, jornalistas e os provedores de internet que alojem órgãos de informação

Serão as pessoas, por uma vez, para decidirão sobre o futuro do país, enquanto os banqueiros e os políticos assistem (alguns da prisão) à transformação de uma nação, mas do lado de fora.

Tradução para o português: Vermelhos.net

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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17600

JURAMENTO DE HIPÓCRATES OU DE HIPÓCRITAS?

03.04.2011
Do blog Náufrago da Utopia

Deveriam ser todos como Hipócrates...
"Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higéia e Panacéia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue...

...Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda...

...Conservarei imaculada minha vida e minha arte..."

Declaração solene que os médicos tradicionalmente fazem ao se formarem, oJuramento de Hipócrates era miseravelmente atraiçoado por médicos que serviam à ditadura de 1964/85.

O caso do atitista Olavo Hanssen -- assassinado pelos torturadores em 1970 e apresentado no laudo médico como suicida -- que relatei brevemente no artigo Olavo, Eremias, Juarez e os outros mártires nos legaram uma missão, motivou o companheiro Luiz Aparecido, militante histórico do PCdoB e preso político que foi muito torturado pelos militares, a escrever-me o seguinte:
...mas havia muitos como Shibata...
"...tambem fui levado para o Hospital Militar do Cambuci depois de 17 dias de torturas intermitentes para, segundo meus algozes, me operar dos rins, pois estava ha dias urinando puro sangue e urrando de dor. Fiquei lá uns 10 dias, quando abriram minha barriga, cujo corte esta comigo até hoje e me disseram que tinham retirado um dos meus rins que estava esmagado de tanta porrada. Voltei para a Oban/DOI-Codi costurado e ainda todo arrebentado.
Não é que só agora depois de minha doença na medula que me deixou quase paralitico descobri a verdade. No Hospital Sarah em Brasilia, fizeram uma xecagem geral em mim e descobriram que eu tinha os dois rins. Só que um ficou necrosado dentro de mim desde 1973.

Resultado que conclui depois deste exame do Sarah. Meus algozes, me abriram, não encontraram nada nos rins a não ser lesões e costuraram de novo e ficaram c om uma desculpa na ponta da lingua. Se eu morresse nas torturas, que continuaram, poderiam dizer que foi por complicações na 'operação' desnecessaria que fizeram".
A cumplicidade dos médicos com os torturadores é conhecida por todos que passamos pelos porões.
...cúmplices das práticas hediondas.

Quando estive próximo de enfartar aos 19 anos de idade, no Doi-Codi/RJ, houve um que me fez rápido exame, entupiu-me de calmantes e deve ter aconselhado os militares a não abrirem a mala de ferramentas comigo durante alguns dias (pois fui despachado logo em seguida para São Paulo e mandaram junto a recomendação de não me torturarem tão cedo).

Outros companheiros denunciaram a cumplicidade de médicos inclusive na aferição da intensidade das torturas que eles poderiam suportar.

E houve a produção em série de atestados de óbito fraudulentos, como o de Hanssen. O mais célebre foi o do chefe do Instituto Médico Legal de SP, Harry Shibata, dando Vladimir Herzog como suicida.

Shibata foi também acusado de instruir os Torquemadas sobre como poderiam torturar suas vítimas sem deixar marcas.

E ajudou, ainda, a acobertar a queima de arquivo no caso do delegado Sérgio Fleury, testemunha perigosa (sabia demais) e descontrolada (seria viciado em cocaína e estaria chantageando empresários que haviam sido cúmplices da repressão e até atuado como torturadores voluntários): recebeu e cumpriu a ordem de Celso Telles, delegado-geral da Polícia Civil, de produzir um atestado de óbito evasivo sem nem mesmo tocar no cadáver de Fleury,

Luiz Aparecido: rim necrosado desde 1973
Para encerrar, eis um caso emblemático extraído da ótima reportagem Assistência médica à tortura (que relaciona vários outros na mesma linha e cuja íntegra está disponível no site Direitos Humanos na Internet):
"O estudante Ottoni Guimarães Fernandes Júnior, de 24 anos, preso no Rio em 1970, também declarou na 1ª Auditoria da Aeronáutica:

...que, dentre os policiais, figura um médico, cuja função era de reanimar os torturados para que o processo de tortura não sofresse solução de continuidade; que durante os dois dias e meio o interrogado permaneceu no pau-de-arara desmaiando várias vezes e, nessas ocasiões, lhe eram aplica­das injeções na veia pelo médico a que já se referiu; que o médico aplicou no interrogado uma injeção que produzia uma contração violenta no intestino, após o que era usado o processo de torniquete..."
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Polícia agora teme a mistura mortal de cocaína e adrenalina

03/4/2011
Do MSN NOTÍCIAS
Por Plínio Delphino, estadao.com.br


Nova mistura feita por criminosos pode tornar a cocaína mortal. Pela primeira vez, o Departamento de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc) apreendeu carga de adrenalina líquida produzida em laboratório. O material foi recolhido dia 16 de março em um dos quartéis-generais do tráfico em Jacareí, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo.

A polícia apreendeu 100 quilos de cocaína e 378 quilos de insumos, como lidocaína e ácido bórico, além de 2 litros da adrenalina líquida. Dois homens foram presos. Segundo a polícia, todo o material, avaliado em R$ 5 milhões, seria distribuído em cidades do litoral norte de São Paulo e no Vale do Paraíba.

Uma das hipóteses da polícia é que a adrenalina seria misturada à cocaína para, na ótica dos traficantes, obter maior lucro. Com menos cocaína, a combinação manteria sensações provocadas pela droga, como taquicardia, aumento das pupilas e sudorese. Para especialistas, o usuário teria de injetar a solução na veia.

O risco de enfarte e parada cardiorrespiratória é tão alto que assusta os médicos. Até 5 ml de adrenalina são usados para reativar os batimentos de vítimas de parada cardíaca, segundo Elisaldo Araújo Carlini, professor de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo e idealizador do Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas. 'O coração com 70 a 80 batimentos por minuto exposto a certa dose de adrenalina pode chegar a mais de 130. Adicionando cocaína, pode causar danos gravíssimos, como fibrose ventricular, que provoca parada cardiorrespiratória. A mistura é devastadora.'

O delegado Wagner Giudice, diretor do Denarc, disse que nenhum policial do departamento havia visto tal tipo de apreensão. 'Traficantes misturam vários ingredientes na droga para lucrar. O produto a ser adicionado à cocaína varia conforme a quadrilha.' Segundo Giudice, lidocaína e ácido bórico são usados frequentemente. 'Mas a adrenalina nos causou surpresa.'

Segundo Carlini, a adrenalina é um hormônio produzido pelo organismo em situações de perigo ou estresse. 'Aumenta os batimentos cardíacos e a pressão arterial, visando a aumentar o fluxo de sangue aos músculos e também dilata as pupilas. Isso ocorre em situações em que é preciso lutar ou fugir, por exemplo.'

O toxicologista Anthony Wong considera descabida a mistura de cocaína com adrenalina. 'Não faz sentido. Só se o traficante quiser matar o cliente. A adrenalina não dá as sensações de grandeza e sociabilidade.'
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Fonte:http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/artigo.aspx?cp-documentid=28234214

Pensão é um dos principais ralos da Previdência

03.04.2011
Do MSN NOTÍCIAS
Por Edna Simão, estadao.com.br


Diante da dificuldade política de promover uma grande reforma, o governo federal mapeou, com ajuda de especialistas, os principais ralos a tapar na Previdência Social - tanto da iniciativa privada quanto do serviço público - para garantir a sustentabilidade das contas no longo prazo. Um dos ajustes urgentes é estabelecer critérios para a concessão de pensões por morte.

Segundo especialistas, também é fundamental discutir a fixação de idade mínima e a criação do fundo de previdência complementar para os servidores públicos. Além disso, é preciso debater a redução da diferença de idade para solicitação da aposentadoria entre homens e mulheres e os setores urbano e rural.

Com base em experiência de outros países, analistas da área acreditam que é fundamental levar em conta o número de filhos, valor da pensão e a idade para a liberação da pensão por morte. No Brasil, não há nenhum tipo de restrição. A pensão é paga à família do trabalhador quando ele morre, independentemente do tempo mínimo de contribuição. O benefício só deixa de ser pago quando o pensionista morre, se emancipa ou completa 21 anos (no caso de filhos ou irmãos do segurado) ou acaba a invalidez (caso de pensionista inválido).

A avaliação é de que, se houver vontade política, uma alteração como essa seria mais simples de ser implementada do que uma grande reforma, pois depende apenas de lei ordinária (maioria simples no Congresso).

Generoso. Segundo o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Paulo Tafner, o regime brasileiro é muito generoso na comparação internacional. Ressaltou que essa despesa tem crescido ano a ano e já representa um terço dos gastos previdenciários. Na avaliação do especialista, existem países que pedem, por exemplo, tempo de contribuição mínima e, no caso da viúva (ou do viúvo), exigem um período mínimo de casamento.

Além disso, nem sempre o pensionista recebe o valor integral e há estabelecimento de uma idade máxima para que filhos recebam o benefício. 'O governo poderia estudar a adoção de algumas dessas restrições', afirmou.

O ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, disse que, apesar do consenso dos especialistas, não há sinalização do governo federal para que sejam promovidas mudanças. 'O que posso defender junto ao governo é que haja modificações', afirmou.

Ainda na previdência dos trabalhadores privados, os especialistas mostraram que em vários países do mundo foi adotada a idade mínima para aposentadoria, com desconto no valor caso haja pedido de antecipação de recebimento do benefício. Essa poderia ser uma alternativa ao fator previdenciário, criado em 1999. A presidente Dilma Rousseff já adiantou às centrais sindicais que não é possível extinguir o fator previdenciário, sem que haja um instrumento substitutivo.
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Fonte:http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/artigo.aspx?cp-documentid=28234248

Governo nega ter feito 156 nomeações e promoções depois de demissão de Sócrates

03.04.2011
Do site do jornal português O PÚBLICO
Por Lusa


Secretário de Estado da Presidência diz que notícia do Diário de Notícias é falsa

O secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros disse hoje que apenas uma nomeação foi feita após a demissão do primeiro-ministro, explicando que todas as 156 nomeações e promoções publicadas após essa data foram assinadas antes.

Desde a demissão de Sócrates foram publicadas em Diário da República 156 nomeações (Daniel Rocha (arquivo))

“É completamente falso” que tenham sido feitas 156 nomeações depois de 23 de Março, disse à Lusa o secretário de Estado João Tiago Silveira, negando que, apesar de demissionário, o Executivo de José Sócrates tenha contratado e promovido aqueles 156 funcionários.

Segundo a edição de hoje do Diário de Noticias, após o chumbo do PEC4 no Parlamento, foram publicadas em Diário da República 85 nomeações e 71 promoções, numa média recorde de 12 nomeações diárias, sendo o Ministério da Administração Interna o que contou com o maior número.

“Foi feita apenas uma nomeação depois do dia 23 de Março, a do coordenador nacional de saúde mental, um cargo não remunerado e cuja nomeação se justifica por a saúde mental ser uma das prioridades do plano nacional de saúde que se entendeu que não deveria ser colocada em risco”, explicou o governante.

Segundo João Tiago Silveira, as nomeações publicadas em Diário da República após 23 de Março “foram todas” alvo de despachos assinados antes dessa data e, “como é hábito”, foram publicadas semanas depois.
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Fonte:http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/governo-nega-ter-feito-156-nomeacoes-e-promocoes-depois-de-demissao-de-socrates_1488090

Tucanos não se entendem sobre como escolher candidato em 2014

03.04.2011 Do BLOG DE JAMILDO Por Denise Motta, no iG O presidente nacional do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra (PE), afirmou ao final da reunião de governadores tucanos em Belo Horizonte que a legenda deseja fazer prévias para escolher o presidenciável tucano em 2014. Guerra negou que caberá ao conselho político escolher quem será o candidato de 2014 ou ainda se irá ocorrer prévias ou não. A proposta do conselho foi anunciada hoje durante a reunião dos caciques tucanos. “O Aécio defendeu muito as prévias e hoje muita gente defende e a gente tem que começar a dar fundamento às prévias. Tivemos problemas legais naquela época, porque não podíamos fazer publicidade e as prévias, sem publicidade, a gente não ia longe. Nem tinha financiamento previsto na lei. Agora a gente pode aprofundar isso e devemos aprofundar. É uma questão que o partido já resolveu. O partido deseja fazer prévias”, afirmou o tucano. Guerra também destacou que “antes de ter prévia temos que fazer um trabalho de filiação, de recadastramento para que a gente tenha filiados de fato. Os filiados podem votar em uma decisão de prévias. Essa questão de prévias já tem aprovação antiga, na base de um estudo do Lavareda”, disse referindo-se ao cientista político Antonio Lavareda, responsável por estudos para embasar os rumos dos tucanos. Contradição tucana Contrariando o presidente do PSDB, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, defendeu que a discussão passe pelo conselho político e por uma discussão com a sociedade. Questionado se o conselho político deve influenciar na decisão, Alckmin foi reticente. Primeiro disse que o conselho político servirá para uma discussão ampla, incluindo a decisão sobre quem disputará a Presidência da República pelo PSDB em 2014. Depois, ele afirmou que ainda é cedo para discussão da sucessão da presidenta Dilma Rousseff (PT). Alckmin ainda defendeu o nome do ex-governador de São Paulo José Serra para presidir o conselho político. “É um ótimo nome, mas essa é uma discussão a ser feita lá na frente”. **** Fonte:http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2011/04/03/tucanos_nao_se_entendem_sobre_como_escolher_candidato_em_2014_96790.php

Pacto pela Vida: Em Tacaratu, Wilson Damázio diz que bandidos correram da região metropolitana para o sertão

01.04.2011 Do BLOG DE JAMILDO O primeiro compromisso do governador Eduardo Campos nesta sexta-feira, 1º de abril, no Sertão de Itaparica, ocorreu no município de Tacaratu, a 436 km do Recife, onde inaugurou o sistema de abastecimento d’água que tira do racionamento uma população de 17 mil pessoas de 13 comunidades da sede de Tacaratu e do distrito de Caraibeiras. Acompanhando a comitiva em seu primeiro dia, na quinta-feira, o Blog de Jamildo já havia relatado as reclamações em torno da área de segurança. Nesta sexta-feira, durante a solenidade, o governador aproveitou para anunciar que vai dobrar o número de policiais existentes na cidade e informar a chegada de um novo delegado de Polícia. A decisão foi tomada depois que o governador recebeu denúncias de alguns crimes ocorridos na cidade nos últimos dias. “Como estamos apertando o cerco aos bandidos na Região Metropolitana e Agreste, eles terminam correndo para o Sertão. Mas não vamos deixar que isso aconteça. Desde ontem o secretário de Segurança Pública, Wilson Damázio, está com seu pessoal mobilizado para capturar esses marginais e colocá-los atrás das grades”, finalizou o governador, sob os aplausos da população. A obra de recursos hídricos é uma parceria do Governo do Estado com a Codevasf e custou cerca de R$ 11,3 milhões. “É com muita alegria que volto à esta cidade para trazer uma obra que foi objeto de luta de muitos. Estamos tão perto da água, com o Rio São Francisco, e com tanta sede. Esse é um primeiro passo para a construção de melhores dias para esta cidade, para que ela cresça e dê maiores perspectivas à sua juventude”, declarou o governador durantes discurso no palco armado ao lado da Igreja de Nossa Senhora da Saúde, padroeira da cidade. Na solenidade de inauguração estiveram presentes o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, o senador Armando Monteiro, além de deputados federais, estaduais, secretários estaduais e prefeitos da região. Gestor anfitrião, José Adauto enalteceu o “ineditismo do Governo do Estado, que sempre traz boas novidades para Tacaratu”. “A chegada da água significa mais conforto para as famílias, desenvolvimento para cidade e economia para a nossa administração. Gastamos uma fortuna com a contratação de carros-pipa”. O prefeito calcula uma economia de 60% sobre os R$ 20 mil mensais pagos pelo serviço. Para solucionar o problema da falta de água, a Compesa construiu duas estações elevatórias e um reservatório apoiado com capacidade para 60 m3 de água e implantou 40 quilômetros de adutora em ferro variando entre 150 a 200 mm, para transportar água do Rio São Francisco até o município. Destes, 26 mil metros foram implantados entre Jatobá e Caraibeiras; 14 mil metros de Caraibeiras para Olho D’água do Bruno; e, 5.958 metros de Caraibeiras para Tacaratu. Também implantou cerca de cinco mil metros de rede de distribuição. **** Fonte:http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2011/04/01/em_tacaratu_wilson_damazio_diz_que_bandidos_correram_da_regiao_metropolitana_para_o_sertao_96739.php

Dilma quer 'Água para Todos' no Nordeste

02.04.2011 Do BLOG DE JAMILDO Da Agência Estado O governo vai lançar o programa Água para Todos, voltado para o semiárido nordestino, como uma das âncoras do plano de erradicação da miséria. Apesar do corte de R$ 50 bilhões no Orçamento, a presidente Dilma Rousseff garantiu aos ministros da área social que o governo investirá na construção de 800 mil cisternas, além de adutoras e pequenos reservatórios para atender 5 milhões de famílias até 2014. "Depois do Luz para Todos, vamos ter o Água para Todos", afirmou a presidente, numa referência ao programa de energia elétrica lançado em novembro de 2003, no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ideia também foi exposta por Dilma em conversa com dirigentes de seis centrais sindicais, no último dia 11, no Palácio do Planalto. Com lançamento previsto para maio, o Água para Todos é inspirado no programa de mesmo nome, adotado pelo governador da Bahia, Jaques Wagner (PT). "É uma coisa fantástica. Conseguimos levar água para mais de 2 milhões de pessoas", disse Wagner. "A presidente conversou comigo sobre o projeto e nossos técnicos estão trabalhando com o Ministério da Integração Nacional." Atualmente, diversas organizações não governamentais (ONGs) já investem na construção de cisternas no Brasil, principalmente na Região Nordeste, mas Dilma quer ampliar o trabalho. O projeto Um Milhão de Cisternas, por exemplo, é uma iniciativa adotada pela Articulação do Semiárido (ASA), ONG que reúne 700 entidades da sociedade civil. "Não podemos depender apenas da iniciativa dessas entidades", insistiu Dilma, segundo relato de um ministro. "O governo precisa entrar nisso." ***** Fonte:http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2011/04/02/dilma_quer_agua_para_todos_no_nordeste_96749.php

Ainda a reforma política

02.04.2011 Do site de CartaCapital Por Marcos Coimbra* Se não precisar de mais tempo, a Comissão Especial do Senado para a reforma política concluirá seus trabalhos na terça-feira 5, quando a última reunião prevê a sistematização dos trabalhos e a apresentação das conclusões. Louve-se o empenho com que José Sarney cumpriu o compromisso de constituí-la e lhe dar condições de funcionamento. Quando indicou alguns dos nomes mais conhecidos do Senado, garantiu que a comissão não seria apenas mais uma. Seus 15 integrantes são uma espécie de elite da Casa, com dois ex-presidentes da República, ex-governadores de diversos partidos e lideranças respeitadas. Sentindo-se no dever de dar uma satisfação à opinião pública, todos se esmeraram no cumprimento da agenda, de forma a não frustrar as expectativas de que tirariam a reforma do papel. Dos estudos e discussões da comissão sairá um anteprojeto, que ainda terá de ser apreciado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado antes de ser submetido ao Plenário. O resultado irá depois para a Câmara, onde outra comissão com objetivos semelhantes está funcionando (em ritmo menos acelerado). É muito chão pela frente. Até subir à sanção presidencial, seu texto ainda passará por várias mudanças. Embora isso seja verdade, o caráter ilustre da comissão pode inibir as discussões ao longo de sua tramitação. É natural, por exemplo, que os nove senadores do PSDB tenham dificuldade de votar contra uma proposta defendida por Aécio Neves. Ou que os quatro do PP sejam contrários a algo que Francisco Dornelles aprovou exercendo a presidência. E que os quatro do DEM rejeitem as teses de Demóstenes Torres. O mesmo talvez não aconteça no PMDB e no PT, maiores e mais heterogêneos. Ainda assim, os três peemedebistas e os três petistas que a integram são figuras respeitadas em seus partidos, contra as quais nem todos seus pares quererão ficar. Será, portanto, um anteprojeto mais pesado que de costume. Contando com a simpatia de Sarney, que funcionou como o 16º integrante da comissão e que se sente corresponsável por ele, mudará na CCJ, mas dificilmente no fundamental. E no Plenário tampouco deverá sofrer grandes alterações. Ou seja, o que sair da comissão será parecido ao que chegará à Câmara. Daí em diante, é arriscado especular, mas é provável que muitas de suas características permaneçam. É por isso que se deve lamentar que a comissão tenha preferido correr com seus trabalhos a se aprofundar na consideração das matérias. Compreende-se que quisesse responder prontamente à missão, mas não era necessária tamanha velocidade. O que ela ganhou votando, de 15 a 31 de março, mudanças tão drásticas quanto as que aprovou? Nessas três semanas, a comissão reescreveu nosso sistema político. Mudou coisas que tínhamos desde os anos 1930, como o voto proporcional em lista aberta, e acabou com outras mais recentes, como a reeleição. Encurtou os mandatos no Executivo. Mexeu na vida dos partidos, nas eleições, no modo como fazemos política desde quando nos tornamos o país que somos hoje. Se permanecer como está, o anteprojeto, em quase todos os casos, irá de encontro ao que preferem as pessoas. O voto em lista fechada, por exemplo, é uma instituição que muito dificilmente será assimilada pelo eleitor. Sua desaprovação nas pesquisas só não é maior por ser pouco conhecido e de difícil explicação. E quando serão implantadas as novidades? Ninguém imagina que, vingando o fim da reeleição, já valerá para as próximas eleições municipais. E nem para as eleições presidenciais e de governador de 2014. É quase certo que a ampla maioria de que o governo dispõe no Congresso não subtrairá da presidenta Dilma Rousseff o direito de concorrer, se quiser, a um segundo mandato. E o voto em lista fechada nas eleições de vereador de 2012? Ele contraria de modo frontal as movimentações em curso, pois inverte a lógica que essas disputas adquiriram nos últimos anos, especialmente nas grandes cidades. Apenas para ilustrar: a atual Câmara de Vereadores de Belo Horizonte tem representantes de 19 “partidos”, a maioria dos quais inexistentes na vida real. Onde aplicar a ideia de listas partidárias, se os partidos são ficções? A comissão escolheu o caminho de mudar tudo. Com tanta gente experiente, deve saber o que faz. De fora, no entanto, não parece ser a melhor opção. *Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi. Também é colunista do Correio Braziliense. **** Fonte:http://www.cartacapital.com.br/politica/ainda-a-reforma-politica

Trabalhadores de Jirau afirmam que estão sendo vigiados pela Polícia

03.04.2011 Do site da revista CAROS AMIGOS,m 25.03.2011 Por Danilo Augusto Além de acusarem a empresa Camargo Corrêa de superexploração, os trabalhadores da usina hidrelétrica de Jirau, no estado de Rondônia (RO), estão sofrendo outro problema. A força policial está tratando os operários da obra como bandidos. Alojados em abrigos improvisados, eles afirmam que estão sendo vigiados pela Polícia. Na última semana, após dias de tensão e ameaças de greve, os 21 mil profissionais que trabalham na construção da usina – de responsabilidade da Camargo Corrêa – realizaram uma manifestação e exigiram, entre outras coisas, melhores salários. Desde então, o clima está tenso na região. O integrante do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Rondônia, Altair Donizete de Oliveira, reforça a afirmação dos trabalhadores. Ele relata que a força policial, com a conivência governador do estado, Confúcio Moura (PMDB), está sendo usada para reprimir os trabalhadores. “Veja a falta de controle da situação. O governador pediu para os trabalhadores ficarem no canteiro de obras, que iria mandar ônibus para buscá-los. Dez minutos após a saída do governador, a Polícia chegou e disparou bala de borracha e gás lacrimogêneo em todo mundo, inclusive em mulheres.” A Camargo Corrêa afirma que vai encaminhar os funcionários para seus estados de origem. O jornal Folha de S. Paulo acompanhou, no último sábado (19), a tentativa de embarque de 150 operários em um avião fretado até Belém (PA). Porém, com um atraso de mais de oito horas, os funcionários foram informados que teriam de esperar do lado de fora do aeroporto. Muitos ficaram irritados com a situação. O fato foi suficiente para a Polícia Federal mandar reforço ao aeroporto. **** Fonte:http://carosamigos.terra.com.br/index/index.php/noticias/1541-trabalhadores-de-jirau-afirmam-que-estao-sendo-vigiados-pela-policia

Na primeira hora do golpe de 1964, "Folha" defendeu o MOMENTO PROPÍCIO a uma ditadura

02.04.2011 Do blog AMIGOS DO PRESIDENTE LULA Editorial do jornal Folha de São Paulo em 3 de abril de 1964: Como se vê, a "folha", mesmo quando ainda havia ampla articulação pública para confinar o golpe de 1964 na deposição de Jango e retomar o caminho institucional vigente desde a constituição de 1946, o jornal já achava o momento propício a uma ditadura militar. Isso derruba a tese dos defensores do jornalão, de que teriam apoiado o golpe, defendendo a "democracia" (segundo o jornal, "ameaçada por Jango"), e de que o golpe é que teria tomado rumos diferentes em direção à ditadura. A gênese da "ditabranda": escalada de mentiras para enganar a nação, endurecendo o regime passo-a-passo até chegar à ditadura. Enquanto a ditadura era urdida nos bastidores (o golpe dentro do golpe) após derrubarem Jango, o jornal Folha de São Paulo serviu para preparar o terreno, como se observa no editorial. O jornalão propagandeava, como se fosse fato, um falso "retorno à normalidade democrática". A nação era enganada nas páginas dos jornais com a idéia de que tudo não passou de uma crise militar, resolvida politicamente com a derrubada de Jango, e que consumado o fato, tudo estava seguindo a normalidade institucional após estes eventos. A mentira era evidende, pois como explicar a deposição por militares, de governadores eleitos que não renunciaram, como Miguel Arraes? Isso reduzia resistências ao golpe, tanto internacionais, como no Congresso, como na sociedade, e permitia que a ditadura fosse se instalando como uma "ditabranda" até chegar a ditadura, com a cumplicidade dos jornais que "amaciava" o noticiário. O jornalão publicou uma enorme mentira no editorial acima, bajulando os golpistas das Forças Armadas. No dia 2 (véspera desta edição), o general Costa e Silva havia criado uma aberração alienígena ao próprio papel constitucional das Forças Armadas, o comando supremo da "revolução": uma junta militar composta pelo próprio general como homem-forte, o brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo (Aeronáutica), o vice-almirante Augusto Rademaker (Marinha). Não é preciso mais do que dois neurônios, para entender que os próprios militares golpistas chamavam o golpe de "revolução", e a palavra "revolução" no contexto de um golpe de estado militar é uma clara ruptura institucional, ao contrário do que o editorial da "folha" levava o leitor a ser enganado. Também é óbvio que, se a deposição de Jango foi militar e não pelo Congresso, quem era o poder de fato naquele momento era a junta militar. Ao Congresso cabia tentar negociar com a junta militar o que seria "permitido". Se os militares golpistas depuseram o presidente, poderiam depôr qualquer senador, deputado, governador, como aconteceu de fato. Mesmo assim, o jornalão, escreveu cinicamente a enorme mentira: "O Brasil pode orgulhar-se de estar livre de 'pronunciamentos', de quarteladas, de juntas militares que se instalam no governo e dele não querem mais arredar-se". A manobra foi útil para os golpistas alcançarem o poder sem resistência. E o jornalão funcionou como "relações públicas" desse golpe, na escalada rumo a ditadura. JK e seu partido, o PSD, acabaram negociando apoio para a tomada do poder pelo general Castelo Branco, dando um verniz de restabelecimento da ordem institucional. Os parlamentares acreditavam ser ele mais comprometido com a legalidade constitucional, que apenas completaria o mandato até as próximas eleições. Ledo engano: Castelo Branco foi, inicialmente, o cavalo de tróia para aniquilar resistência dos moderados a um projeto de poder de uma ditadura que duraria 21 anos. **** Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2011/04/na-primeira-hora-do-golpe-de-1964-folha.html

TSE nega arquivar ação por caixa 2 em campanha do tucano Beto Richa no Paraná

02.04.2011 Do blog AMIGOS DO PRESIDENTE LULA O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou, na última quinta-feira, agravo regimental movido pelo diretório municipal do PSDB de Curitiba, que alegava a decadência do processo eleitoral que pede a cassação das candidaturas de Beto Richa (PSDB), hoje governador do Paraná, e Luciano Ducci (PSB), atual prefeito da cidade, nas eleições para a prefeitura da capital em 2008, por conta do escândalo conhecido como Comitê Lealdade. A campanha do PSDB de 2008 é investigada por caixa 2 no financiamento do comitê, fundado por candidatos a vereador do PRTB que decidiram da disputa para apoiar Beto após seu partido optar pela coligação com o PTB, do então candidato a prefeito Fábio Camargo. Vídeos exibidos pelo programa Fantástico, da TV Globo, mostraram os ex-candidatos recebendo dinheiro, cerca de R$ 1,6 mil para cada, para a campanha tucana, mas esses recursos não constam em nenhuma prestação de contas daquela eleição. Com a decisão, o processo retorna à juíza Fabiana Silveira Karam, da 1ª Zona Eleitoral de Curitiba, para a fase inicial, suspensa liminarmente pela ex-presidente do TRE, Regina Fortes, de produção de provas, oitiva dos réus e das testemunhas e toda a instrução processual. O caso estourou em junho de 2009. Naquele mesmo mês, os partidos de oposição à prefeitura de Curitiba ingressaram com a ação. Em novembro daquele mesmo ano, houve uma alteração na legislação que estabeleceu prazo de 15 dias após a diplomação para processos de caixa 2 em campanha. O PSDB, então, alegou pressa do processo. O caso chegou ao TSE e, por decisão da presidente do TRE na época, todo o processo ficou suspenso até a decisão do TSE sobre a intempestividade do processo. Em decisão monocrática de outubro de 2010, o ministro Aldir Passarinho negou o recurso dos tucanos, considerando que o processo é anterior à mudança na lei, decisão confirmada ontem, no julgamento do agravo regimental pelo pleno do Tribunal. Assim, o caso volta à 1ª Zona Eleitoral de Curitiba. Uma possível condenação de Richa e Ducci, pouco alterará a situação dos cargos que os dois ocupam hoje, segundo uma das advogadas dos partidos que movem a ação, Carla Karpstein. Beto Richa (PSDB) não poderá ser cassado do cargo de governador, já que sua diplomação não foi contestada no novo prazo de 15 dias, e, dificilmente, o caso será concluso, com todas as possibilidades de recurso, até o fim do mandato de Ducci na prefeitura. "Mas uma eventual condenação pode complicar a tentativa de reeleição deles", disse.Terra **** Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2011/04/tse-nega-arquivar-acao-por-caixa-2-em.html

Grupos rivais disputam controle do palácio presidencial na Costa do Marfim

02/04/2011 Do portal OPERA MUNDI Agência Brasil Brasília Violentos confrontos na Costa do Marfim, entre simpatizantes de Alassane Ouattara – reconhecido internacionalmente como o vencedor do pleito presidencial de novembro passado – e tropas fiéis ao líder do governo marfinense, Laurent Gbagbo, foram registrados neste sábado (02/04) na cidade de Yamoussoukro, capital do país. É o terceiro dia de combates entre os grupos rivais, que disputam o controle do palácio presidencial. O paradeiro de Gbagbo é desconhecido. No oeste do país, em Duekoue, pelo menos 800 pessoas teriam sido mortas na última semana. Já na capital, testemunhas afirmam ter ouvido tiroteios pesados e bombardeios no centro da cidade, onde os grupos rivais disputam a base militar de Agban. No entanto, pouco se sabe sobre a situação na cidade. Há informações até de que os soldados que guarnecem a base estariam lutando entre si. O controle da televisão estatal, RTI, parece ter sido recuperado pelos simpatizantes de Gbagbo. O canal levou ao ar um comunicado lido por um soldado, ao lado de dezenas de integrantes das Forças de Defesa e Segurança (FDS, fiéis a Gbagbo, no qual ele convocava tropas de todo o país a defender as instituições do Estado. "As FDS, no sentido de reafirmar a sua determinação e garantir o seu dever soberano de proteger o povo, a propriedade e as instituições da República da Costa do Marfim", diz a nota, convoca "todo o pessoal das Forças Armadas" a se juntar às cinco unidades baseadas em Abidjan [principal cidade do país]. Na sexta-feira (01/04), os Estados Unidos fizeram um apelo para que o presidente Laurent Gbagbo deixe imediatamente o poder, de modo a evitar o agravamento da situação no país. "Nos preocupamos com a violência atual e pedimos para que Gbagbo deixe o poder imediatamente", disse o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Mark Toner. Toner também fez um apelo para que os militares estrangeiros já presentes na Costa do Marfim ajudem a manter a ordem. "Pedimos para que a Onuci [missão das Nações Unidas na Costa do Marfim], as tropas da ONU e as francesas adotem todas as medidas para a proteção de civis e impeçam saques", disse. Forças francesas dizem que levaram 500 estrangeiros, inclusive 150 franceses, para um campo militar após terem sido ameaçados por saqueadores em Abidjan. Tropas da ONU e francesas controlam o aeroporto da cidade. Acredita-se que as forças de Ouattara controlem 80% do país. Muitos militares trocaram de lado e passaram a apoiar o presidente reconhecido. Gbagbo, porém, ainda teria o apoio da Guarda Republicana, das forças especiais e de milícias armadas. Vários organismos internacionais já pediram que Gbagbo deixe o poder, incluindo a ONU, o bloco das nações do Oeste da África e a França. Desde que a crise começou na Costa do Marfim, a violência forçou o deslocamento de 1 milhão de pessoas e levou à morte de ao menos 473 marfinenses, segundo a ONU. **** Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticia/GRUPOS+RIVAIS+DISPUTAM+CONTROLE+DO+PALACIO+PRESIDENCIAL+NA+COSTA+DO+MARFIM_10935.shtml

Exposição Mulheres, Artistas e Brasileiras terá mais um turno de visitação no Planalto

02/04/2011 Cultura Lourenço Canuto Repórter da Agência Brasil Brasília – A exposição Mulheres, Artistas e Brasileiras, que desde o dia 24 de março está aberta à visitação no segundo andar do Palácio do Planalto, terá mais um turno de visitação. Agora, o público poderá também conferir a mostra das 18h às 20h, além do horário convencional das 10h às 16h, até o dia 5 de maio, nos dias úteis e nos finais de semana. Só hoje (2), 446 pessoas visitaram a exposição, que é gratuita. O acervo é composto por obras do século 20, de artistas que se destacaram na luta pela emancipação e inserção da mulher no movimento cultural. São expostas obras de Tarsila do Amaral e Anita Malfatti, pela contribuição que tiveram para a conquista do voto popular feminino, a partir de 1934. Os organizadores do encontro ressaltam que elas “deram uma sólida e constante contribuição para a participação da mulher na arte brasileira”, de acordo com inscrição exposta na entrada da exposição. São dezenas de quadros, muitos das primeiras décadas do século passado, que integram o acervo da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil, do Museu Nacional do Conjunto Cultural da República, do Museu de Arte Brasiliense, do Museu Nacional de Belas Artes, do Museu Nacional Castro Maya, Museu da República e Museu de Arte Brasileira, instituições responsáveis pela preservação do patrimônio cultural brasileiro. Cerca de um quarto das obras, na entrada da exposição, retratam a imagem de mulheres. São pinturas, esculturas, obras em cerâmica, desenhos, gravuras, fotografias e tapeçarias. Há trabalhos de Tarsila do Amaral, Djanira, Anita Malfati, Georgina de Albuquerque, Noêmia Mourão, Collete Pujol, Lygia Pape, Mira Schendel, Tomie Ohtake, Edith Behring e Renina Katz. Edição: Talita Cavalcante **** Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-04-02/exposicao-mulheres-artistas-e-brasileiras-tera-mais-um-turno-de-visitacao-no-planalto

O que selou o destino de Agnelli para que ele perdesse o comando da Vale

03.04.2011
Do site do Estadão
Por Adriana Fernandes, Karla Mendes, Lu Aiko Otta e João Domingos - O Estado de S.Paulo

Segundo fontes ouvidas pelo 'Estado', a demissão do executivo foi motivada principalmente pela parceria entre o Bradesco e Banco do Brasil

Oficializada na quinta-feira pelo conselho de administração, a saída de Roger Agnelli da presidência da Vale foi comemorada no Palácio do Planalto e no Ministério da Fazenda. O saldo final da disputa em torno do comando da mineradora revela que Agnelli, 51 anos, vai sair depois de um desgaste político sem precedentes imposto pelo governo.

Sai porque defendeu a empresa das ingerências partidárias, sai porque não teve "jogo de cintura" - como admitem até seus aliados -, mas sai sem que essas sejam as verdadeiras razões de sua queda.

Na semana passada, a reportagem do Estado ouviu dois diretores da Vale e um ex-funcionário, três ministros, quatro parlamentares e dois advogados do sistema financeiro. Em comum, todos mantêm relacionamento direto com a mineradora e todos são ou foram (nos dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva) intermediários de conversações e negociações da empresa com o governo.

O estoque de trombadas políticas entre Agnelli e o Planalto é significativo, mas a síntese que melhor explica a queda do executivo é esta: os interesses empresariais do Bradesco, a partir da crise de 2008 e da parceria com o Banco do Brasil, definiram o destino de Agnelli.

"Genuinamente, o Bradesco não queria a saída de Agnelli, mas pesaram os interesses empresariais (do banco) e, então, ele topou", resumiu um executivo da Vale que pediu, assim como as demais fontes ouvidas, para não ser identificado.

Após essa mudança de posição do Bradesco, o governo passou a reclamar em público, e num tom cada vez mais agressivo, da gestão Agnelli. Procurado pela reportagem, o Bradesco afirmou: "O Bradesco declara que são improcedentes todas as ilações colocadas".

Agnelli foi tachado de "financista", de só querer "cavoucar minério para exportar", mas sem pagar impostos na proporção do lucro auferido. O governo vê na briga sobre royalties a disposição "financista" do gestor Agnelli, que "esticou a corda numa interpretação tão dura que deixou as prefeituras sem benefícios reais". Foi acusado de dirigir a Vale "como se ela fosse uma empresa estrangeira", de ser "turrão e pavão", de não negociar e de não investir na industrialização do minério.

No meio da semana passada, com o destino de Agnelli selado, um ministro avaliou assim o efeito da queda: "Só o fato de trocar, mostrar que aquilo não é um emirado, já é bom. Até nos Emirados Árabes a permanência no poder tornou-se incerta".

Ao ser questionado sobre o desgate imposto à maior empresa privada brasileira e ao executivo, o ministro acrescentou: "Demissão em empresa privada é um pé na bunda. Pode até passar um talquinho antes, se for o caso."

Aliado do BB. Os advogados ouvidos pela reportagem trabalharam no bastidor de associações como Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e CNF (Confederação Nacional das Instituições Financeiras). Eles e mais dois ministros e três dos quatro parlamentares entrevistados fizeram o mesmo retrato sobre a movimentação do banco antes, durante e depois da crise financeira mundial.

Didaticamente, eles descreveram assim o perfil do sistema financeiro: "No Brasil existiam três tipos de bancos, os públicos, os privados (nacionais e estrangeiros) e o Bradesco". A ironia por trás da definição serve para lembrar que, tradicionalmente, o Bradesco sempre manteve filiação com as associações do sistema, mas com uma trilha própria de atuação e foco em um ponto.

"O que sempre mobilizava o Bradesco era a crítica aos bancos estatais e públicos pela facilidade que eles têm para pegar dinheiro e se financiar no Tesouro Nacional. Mas quando o Itaú e o Unibanco anunciaram a fusão (novembro de 2008), o Bradesco se aliou ao BB, o maior banco brasileiro", descreveu a fonte.

A decisão estratégica multiplicou os interesses do Bradesco junto ao governo - de negócios em cartões de crédito ao Banco Postal, passando pela associação até para explorar investimentos na África.

As duas instituições, que disputaram por anos a liderança no sistema financeiro nacional, passaram a ser parceiras em um setor cada vez mais competitivo e com players internacionais do porte do HSBC, Santander e outros. A parceria chega a causar ciúmes no outro grande banco oficial, a Caixa Econômica Federal. Na área de cartões de crédito, o Bradesco se uniu com o BB no lançamento da bandeira Elo, voltada para as classes C e D.

Em 15 de março, o Bradesco firmou memorando de entendimentos como BB para "verticalizar" a nova bandeira de cartões.

Em agosto do ano passado, outro memorando juntou BB, Bradesco e o segundo maior banco comercial privado de Portugal, o Banco Espírito Santo (BES), presente em 18 países e quatro continentes. A holding coordenará futuros investimentos envolvendo a aquisição de participações em outros bancos e o estabelecimento de operações próprias no continente africano.

Em agosto do ano passado, o BB anunciou parceria na empresa OdontoPrev, que já tem o Bradesco entre os sócios, ingressando no ramo odontológico de seguros. O BB, Bradesco e o Santander também vão compartilhar os terminais eletrônicos.

Banco Postal. Atualmente, a exclusividade de uso do Banco Postal, da estatal Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), está nas mãos do Bradesco. Em 2001, o banco pagou R$ 200 milhões pelo serviço - desembolsa mais cerca de R$ 360 milhões ao ano por participação dos Correios na quantidade de transações realizadas nas agências do Banco Postal. O faturamento mínimo estimado para o Bradesco nesse segmento é de R$ 1 bilhão.

O negócio financeiro da ECT vai ser licitado novamente neste ano e, agora mais do que nunca, o Bradesco evita confrontos com o Planalto, articulando, ao mesmo tempo, uma solução negociada para a escolha do substituto de Agnelli na Vale. A ideia é escolher um "homem da mina", e não "um financista" - o nome mais cotado é Tito Martins, atual diretor de Operações de Metais Básicos. No Planalto, todas as fontes tratam Tito como um "nome cotadíssimo", mas que "não está 101% decidido".

Enquanto não decide o sucessor de Agnelli, o Bradesco trabalha para manter o Banco Postal nas suas mãos. O edital diz que só podem participar bancos com ativos de R$ 21,6 bilhões e patrimônio líquido de R$ 2,16 bilhões, no mínimo. Com essas condições, podem participar do leilão BB, Itaú, Bradesco, Caixa, Santander, HSBC, Votorantim, Safra, BTG Pactual, Banrisul, BNP Paribas e Citibank, conforme levantamento da consultoria Austin Rating.

Advogados que analisaram o edital dizem que o item 5.1.11.1 pode favorecer o Bradesco ao estabelecer que o valor total estimado para repasse à ECT, pelo período inicial de um ano, referente às transações bancárias, será de R$ 337,3 milhões. Como o Bradesco já opera o Banco Postal, é mais fácil para a instituição cumprir a regra do que um entrante.

Procurando cadeira. Depois da decisão do Bradesco de fechar a parceria com o BB, uma declaração dada durante a campanha eleitoral do ano passado, quando os candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) disputavam o segundo turno da sucessão, funcionou como a dose fatal de veneno político que transformou Agnelli em "inimigo do PT". Apesar do bom relacionamento mantido com o governo Lula ao longo do primeiro mandato, as lideranças petistas passaram a chamar Agnelli de "tucano".

Sem a blindagem do Bradesco - que não queria mais se desgastar no apoio ao executivo que o próprio banco botou no comando da Vale, em 2001 -, o ano eleitoral de 2010 foi pródigo em atitudes que exibiram Agnelli em rota aberta de colisão com o governo. O tratamento cordial que existiu quase até o fim do primeiro mandato de Lula, quando Agnelli conviveu com Dilma no Conselho de Administração da Petrobrás, foi trocado por farpas e estocadas em público que beiraram a grosseria.

Em junho, na pré-campanha eleitoral, o presidente da República inaugurou a terraplanagem da futura Usina Siderúrgica de Aços Laminados do Pará (Alpa) e disse que a governadora Ana Júlia Carepa (PT) precisou "encher o saco de Roger (Agnelli)" para que a Vale decidisse fazer o investimento de R$ 5,8 bilhões. Do alto de um palanque, Lula disse que a Alpa evitaria que a Vale "só exportasse minério para o chinês produzir brinquedo para vender para nós". Segundo a Vale, a usina entrará em operação em 2014, produzindo 2,5 milhões de lâminas de aço por ano.

Em outubro, entre o primeiro e o segundo turnos, quando Serra parecia que podia endurecer a disputa com Dilma, Agnelli voltava de uma viagem à Africa e, na Zâmbia, criticou a tentativa de o governo aparelhar a Vale: "Tem muita gente procurando cadeira. E, normalmente, é a turma do PT. Em toda a eleição acontece isso". A mensagem foi lida, no governo, como apoio declarado ao candidato tucano. Depois disso, definiu um senador da base governista, "a relação Agnelli-Planalto encaroçou de vez".

Esse nível de embate levou Agnelli até a tratar, em público, e com sete meses de atraso, de um assunto que irritou Mantega. "Demiti assim como contratei. Não consultei ninguém", afirmou, numa entrevista, referindo-se aos diretores Demian Fiocca (indicação de Mantega) e Walter Cover (indicação do ex-ministro José Dirceu), demitidos da Vale em abril de 2009.

Tapa na cara. Lula, que dizia no início do seu governo ter "paixão" por Agnelli, começou a criticá-lo insistentemente a partir de agosto de 2007, data em que a empresa encomendou cinco supercargueiros em estaleiros da China e da Coreia. Lula disse a vários assessores que a decisão da Vale havia sido "um tapa na cara", pois seu governo havia patrocinado uma política de ressurreição da indústria naval.

Para Lula, ao optar por fazer os supercargueiros na Ásia, Agnelli impediu a geração de milhares de empregos no Brasil. Os navios - dois deles devem entrar em operação até o início do ano que vem - deverão medir 360 metros de uma ponta a outra, com capacidade para transportar 400 mil toneladas de minérios.

O governo ficou tão impressionado com a encomenda que foi atrás de estudos comparativos. Ficou sabendo, por exemplo, que o maior porta-aviões do mundo, o Enterprise (EUA), mede 342 metros de ponta a ponta e que os dois maiores navios de passageiros da Royal Caribean têm 350 metros. Eles são capazes de transportar até 5 mil passageiros e 2,5 mil tripulantes. Os navios da Vale são maiores do que o porta-aviões e os navios da Royal Caribean.

Colaboraram Vera Rosa, Eugênia Lopes, Denise Madueño, Christiane Samarco, Andrea Jubé, Renato Andrade e Rui Nogueira.
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Fonte:http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110403/not_imp701004,0.php

O preconceito e sua voz

01.04.2011
Do blog de José Roberto de Toledo
Por Jose Roberto de Toledo

Jair Bolsonaro (PP-RJ) vive em um eterno 1º de abril. Seu auto-engano é um estado mental. Sua “revolução” é permanente. Seu preconceito racial e homofobia, indeléveis. Mas ele não é o único.

Eleito por seis mandatos consecutivos, Bolsonaro gasta pouco em suas campanhas eleitorais. Declarou menos de R$ 200 mil em despesas no ano passado, cerca de R$ 1,63 por eleitor. Renderam-lhe 120.646 votos. Sai barato porque o eleitorado é cativo.

Grande parte das proposições de Bolsonaro na Câmara dizem respeito a militares, especialmente da reserva e seus pensionistas, além de policiais militares e bombeiros. É sua retribuição ao eleitor.

O deputado não perde oportunidade de questionar ações contra a homofobia (como a distribuição de material condenando o preconceito em escolas públicas), e criticar regimes como o cubano. Não porque são ditatoriais, mas porque são de uma ditadura com ideologia diferente da sua.

Também combate as tentativas de reparação aos crimes cometidos pela ditadura militar no Brasil.

De olho no eleitorado que se impressiona com esse tipo de ação, Bolsonaro compra polêmicas, como quando propôs mudar o regimento da Câmara para fixar um crucifixo no plenário, logo atrás da mesa diretora, dentro do enquadramento das câmeras de TV.

Bolsonaro parece às vezes transtornado, ao estilo Jânio Quadros, mas é um gesto calculado. Ele é fiel a seu público e coerente em suas ações. Por isso, se não for cassado, é bem capaz de aumentar sua votação em 2014 às custas de quem tem preconceito contra negros e homossexuais.

O eleitorado de Bolsonaro é crescente. Ele teve 20 mil votos a mais em 2010 em comparação a 2006 (quando já tinha somado 11 mil novos eleitores em comparação a 2002). Seu patrimônio e ajuda financeira do partido também crescem.

O PP, através do seu comitê financeiro único e do diretório nacional, foi o único mantenedor da campanha eleitoral de Bolsonaro no ano passado, além do próprio deputado.

Em campanhas passadas, nenhuma empresa aparece nos registros de doadores. Apenas raras pessoas físicas, como o senador Francisco Dornelles (PP-RJ). É possível que os doadores interessados em elegê-lo tenham doado o dinheiro ao partido para não serem identificados.

Isso combinaria com o tipo de preconceito velado que predomina no Brasil. Bolsonaro serve de porta-voz a um grupo que comunga muitas das suas convicções. Embora nem todos tenham coragem de expressá-las.

Mais importante do que discutir a pessoa, é condenar as ideias que ela propaga. Sozinho, Bolsonaro é apenas um bufão. Em conjunto, os “bolsonaros” representam a intolerância e a incapacidade de aceitar as diferenças, o que é sempre uma ameaça à democracia.
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Fonte:http://blogs.estadao.com.br/vox-publica/2011/04/01/a-voz-do-preconceito-e-da-intolerancia/

Blogagem Coletiva pela Abertura dos Arquivos Secretos da Ditadura Militar

31.03.2011
Do BLOG DO MELLO

Recebi comentário do Tiago Aguiar e passo adiante, com uma ressalva: Bolsonaro é um medíocre que não vale a grita que estão fazendo com ele. Culpa têm a Band e o CQC por darem voz a esse cretino.

Caro Mello. Eu gostaria de pedir a sua ajuda e contribuição na seguinte campanha: 3ª Blogagem Coletiva pela Abertura dos Arquivos Secretos da Ditadura Militar. Sei que já estás contribuindo, mas se eu puder ao menos divulgar aqui na caixa de comentários, já é um bom começo. Se puderes dar qualquer força a mais...

Esta luta é de todos nós!

Estamos agindo com conjunto, procurando alimentar a hashtag: #DesarquivandoBR Será difícil emplacar nos tt, mas o Bolsanaro merece uma homenagem em seus momentos de glória. O povo precisa saber de tudo sobre o que ele defende!

@NiDeOliveira71: Retomando a campanha pelo desarquivamento do Brasil | http://bit.ly/et8qzd #desarquivandoBR

@paduafernandes: Desarquivando o Brasil II: Investigando a OAB | http://bit.ly/gokhBa #desarquivandoBR

@_mdcc: O inatual: é urgente produzir memória | http://bit.ly/gJ5GcI #desarquivandoBR

@camilofabiano: “Necessidade de saber” | http://bit.ly/eEdxhC #desarquivandoBR

@t_aaguiar: "O homem de Ferro e de Flor" | http://t.co/QPefnnS #desarquivandoBR

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Fonte:http://blogdomello.blogspot.com/2011/03/blogagem-coletiva-pela-abertura-dos.html

As tipificações penais no "unicão" ou "mensalão"

02.04.2011
Do blog de Luis Nassif
Por Wittmann

Não existiu mensalão? É assim que querem brincar?! Tudo bem. Ninguém pode ser acusado de mensalão, não consta no Código Penal. Então vou ficar no que o Codex põe como CRIME.

Primeiro esta história de financiamento de campanha. Simular com estatal a prestaçao de serviço e receber por isso nada tem a ver com um, digamos mero crime eleitoral. Roubava-se o Estado (estatais), usava-se um laranja (Marcos Valério), e entregava-se o dinheiro ao PT (Delúbio). Este último ajudava quem pedia. Mas ajudava com que? Ora, com dinheiro: tá ai o pagamento. QUEM NEGA? Mas não era mensal, saem correndo os petistas de carteirinha a bradar. Podia ser pagamento único? Podia. Vamos mudar o nome, então, para UNICÃO.

E a questão política? Ora, quem pegava dinheiro com o Delúbio ficava devendo a alma (se tivesse, é claro). Mesmo os do PT, com suas brigas intestinas, ficavam subordinados a mão que agraciava. Ou os 50 mil para pagar TV a cabo tinham como exclusivo fim a cor dos olhos do nosso grande constitucionalista? Por falar nele e no Código Penal, a denúncia é corrupção passiva e peculato, além de lavagem de dinheiro (que é prevista em legislação penal extravagante).

Podia listar os demais, acusando-os pelos crimes previsto no Código Penal, e não simplesmente Mensalão, mas isso não muda nada. Uma quadrilha se organizou para sangrar o erário, ficar com uma parte - afinal charutos e vinhos bons custam caro, nem os esquerdolóides conseguem ficar sem - e repassar o resto a políticos, anotando tudo e depois cobrando a fatura.

PS - Os negacionistas do mensalão estão parecendo com aqueles outros negacionistas. Querem que prova, um holerite com data do quinto dia útil.
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Fonte:http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/as-tipificacoes-penais-no-unicao-ou-mensalao#more

PF: Dantas é a grana do valerioduto. Época não consegue esconder

02.04.2011
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Eis aí a foto que faltou à reportagem do Escosteguy

Saiu na revista Época:

A pedido do ministro Joaquim Barbosa, a PF desvendou um dos mistérios mais estranhos do governo Lula: a relação do banqueiro Daniel Dantas com o PT. Antes de chegar ao poder, os líderes do partido sempre combateram a gestão de Dantas à frente do grupo que coordenava os investimentos dos principais fundos de pensão do país. Quando Lula assumiu, Dantas estava envolvido numa briga aberta para manter o controle desses investimentos, sobretudo da Brasil Telecom, um gigante do mercado de telefonia. O PT passou, então, a emitir sinais conflitantes sobre que lado assumiria nessa disputa. Alguns integrantes do governo articulavam para derrubá-lo, enquanto outros hesitavam em tomar lado. Em depoimento à PF, Dantas disse que, em meio a esse cenário ambíguo, foi convocado pelo então ministro da Casa Civil, José Dirceu, para uma reunião no Palácio do Planalto.


Segundo Dantas, o encontro deu-se no dia 4 de maio de 2003. Na reunião, Dirceu teria dado sinal de uma oportunidade de conciliação com Dantas e encarregado o então presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, de manter diálogo com o banqueiro. Onze dias depois, Carlos Rodemburg, sócio de Dantas, encontrou-se com Marcos Valério e Delúbio Soares no hotel Blue Tree, em Brasília, na suíte do tesoureiro do PT. De acordo com o depoimento do sócio de Dantas, Delúbio disse que o partido estava com um “deficit” de US$ 50 milhões – e pediu dinheiro. Não foi dito abertamente, mas o subtexto era evidente: se Dantas pagasse, teria ajuda do governo para se manter à frente de seus negócios.


À PF, Dantas disse que se negou a pagar. Procurado por ÉPOCA, Dantas confirmou, por meio de sua assessoria, o que afirmara em seu depoimento – inclusive o pedido de “ajuda” de Delúbio. E deu suas razões para não ter aceitado a oferta: “O Opportunity (banco comandado por Dantas) era gestor do fundo de investimentos que abrigava recursos do Citigroup. O banco americano foi consultado. A decisão do Citigroup foi informar que não tinha como ajudar”. Também afirmou que, depois de Rodemburg informar Delúbio da negativa, passou a ser perseguido pelo governo.


Dois anos depois, não se sabe por que, a Brasil Telecom, empresa ainda controlada por uma subordinada de Dantas, celebrou dois contratos com a agência DNA, de Marcos Valério, cada um deles no valor de R$ 25 milhões. Os depoimentos dos funcionários da Brasil Telecom à PF revelam que os contratos foram fechados em poucos dias, sem que ninguém da área de marketing soubesse dos motivos das pressa, nem sequer que serviços seriam prestados. Semanas depois, sobreveio o escândalo do mensalão. Apenas R$ 3,6 milhões foram efetivamente repassados às contas de Marcos Valério. Ao rastrear o dinheiro, a PF verificou que os recursos chegaram a doleiros paulistas – e ainda não descobriu a identidade dos beneficiários finais. Para os investigadores, os destinatários foram indicados pela turma do PT e do publicitário Marcos Valério. Na resposta que enviou por meio de sua assessoria, Dantas omitiu a existência desses contratos. Afirma o relatório: “Os contratos (…) foram celebrados apenas com o objetivo de conferir a fachada de legalidade necessária para a distribuição de recursos, na forma de doações clandestinas ou mesmo suborno, negociados ao longo de dois anos entre os representantes dos grupo Opportunity e do Partido dos Trabalhadores, sempre com a indelével intermediação do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza”.

Navalha

A revista Época fez o que pôde para poupar o Daniel Dantas, aquele passador de bola apanhado no ato de passar bola.

Convém não esquecer que Diego Escosteguy, autor da reportagem. vem da revista VEJA, aquele detrito de maré baixa.

Escosteguy é da geração que presidiu a Veja, quando publicava reportagens a quatro mãos – duas delas, do Dantas – para dizer que o presidente Lula e o ínclito delegado Paulo Lacerda tinham conta secreta em paraíso fiscal.

(As outras duas eram de Marcio Aith, que foi assessor de imprensa do Padim Pade Cerra na campanha de 2010.)

Escosteguy saiu desse ninho.

A Época e Escosteguy pintam e bordam, têm gráficos, tabelas, setas, integrais e derivadas para desviar o foco.

Mas, o relatório da Polícia Federal tem foco e enfiou o dedo no câncer.

Dantas é o mentor (com caixa baixa, amigo revisor. Com caixa alta é outro, de que se tratará a seguir).

Dantas é o financiador.

Dantas é o pai do mensalão.

Primeiro, vamos esclarecer que a reportagem da Época comprova o que Mino Carta sempre disse.

Mensalão, não.

Mesada mensal, não.

O crime é outro: caixa dois de campanha, cobertura ilegal de déficit de campanha – chame como quiser.

Mas, não é mensalão.

O “mensalão” do Dantas começa com Eduardo Azeredo, governador de Minas.

Dantas “comprou” a Cemig – quando Azeredo era Governador – e inventou o Marcos Valério.

(Depois, o Itamar Franco recomprou a Cemig e botou o Dantas e a Elena Landau para correr. Hoje, o Itamar prefere não tocar no assunto – pelo menos com esse ansioso blogueoiro.)

Em julho de 1998, foi a privatização do Fernando Henrique.

Aquela sopa no mel.

Foi quando houve o “momento Péricles de Atenas” do Governo Cerra-FHC: “se isso der m… estamos todos no mesmo barco”.

A partir daí, começa a jorrar dinheiro da Telemig Celular (do Dantas) no duto do Marcos Valério.

E o dinheiro do Dantas no valerioduto – através de contas fajutas de publicidade – cresce exponencialmente.

Jorra dinheiro da Telemig e da Brasil Telecom, que o FHC deu de presente ao “brilhante”.

E é daí que sai a grana para o PT.

O PT quebrou na campanha de 2002.

E Dantas queria voltar a mandar na Previ, na Petros e na Funcef – que o Farol de Alexandria e o ACM tinham dado a ele numa bandeja.

A matéria do Escosteguy e da Época não toca em Telemig.

(Pelo menos na versão online.)

A matéria do Escosteguy e da Época tem foto de todo mundo, mas não tem foto do Dantas.

A matéria do Escosteguy e da Época concede ao Dantas – e só a ele – o “direito de resposta”.

É quando Dantas conta aquela história de sempre: foi “perseguido”, “extorquido”, coitadinho.

Naquele jantar no Tramvia, em Santa Cecília, em São Paulo, exibido no jornal nacional, quando ele suborna um agente da Polícia Federal, também ali se percebe que os enviados de foram extorquidos, eram perseguidos.

(E foi tal cena edificante que o ex-Supremo Presidente Supremo do Supremo, Gilmar Dantas (*) ignorou, ao dar o segundo HC Canguru ao Dantas – no prazo record de 48 horas ! Viva o Brasil !)

Mas, como se percebe, o relatório da Policia Federal deve ser uma coisa, a matéria do Escosteguy e da Época, outra.

O Escosteguy e a Época tentam incriminar o presidente Lula.

Não conseguem chegar lá.

Isso, porém, não significa que o PT não tenha sido soterrado pela grana do Dantas.

Delubio, José Dirceu, José Mentor (aquele que enterrou a CPI do Banestado – êpa ! – e agora, ao lado do Senador Delcídio Amaral, tem um projeto para “deslavar” dinheiro de quem lavou com o Dantas).

O PT tá lá.

Com a mão no valerioduto.

Entalado.

Especialmente o PT de São Paulo.

Então, como diz este ansioso Conversa Afiada, o PT tem que se acertar com o Daniel Dantas – especialmente na hora de readmitir o Delúbio.

Outra consideração a fazer sobre o texto do Escosteguy e da Época: não foi o Zé Eduardo Cardozo quem fez essa investigação.

Logo ele, o Zé, que trabalhou para Dantas – até entre os amiguinhos o Berlusconi.

Não vai ser agora que o Zé vai posar para a história como o papagaio de pirata do encarceramento do Dantas.

(O Zé é chegado a um papagaio de pirata).

Não daria tempo.

Isso é trabalho que vem de antes.

Vem da Operação Satiagrajha e de seus desdobramentos exigidos pelo corajoso Juiz Fausto De Sanctis (hoje devidamente promovido a julgar litígio de velhinho com o INSS – Viva o Brasil !).

Terá sido por isso que o presidente Lula disse no encontro histórico com blogueiros sujos que ia concluir no Governo dele a investigação sobre Dantas ?

Escosteguy e a Época integram o minueto do PiG (**) para esconder o Dantas debaixo do tapete.

Não adianta.

Dantas tem um encontro marcado com o Ministro Joaquim Barbosa.

E aí, como diria o Joe Louis, ele pode correr, mas não pode se esconder.



Este ansioso blogueiro convida o amigo navegante a ler o que escreveu em 11 de setembro de 2008, neste ansioso blog:

11 de setembro de 2008


por Paulo Henrique Amorim


Máximas e Mínimas 1436


Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista


“O sol é o melhor desinfetante.”


(Autor anônimo)


. Por que Daniel Dantas não foi indiciado entre os 40 ladrões do mensalão ?


. Aquele processo no Supremo Tribunal Federal, em que o relator Ministro Joaquim Barbosa fez um trabalho de que todos os brasileiros se orgulharam.


. Mas, Dantas, aquele que botava grana no valerioduto, Dantas escapou.


. Escapou ?, caro leitor.


. Se é o que ele pensa, pode começar a ficar preocupado.


. Ou insistir para que o Sistema Dantas de Comunicação, onde se distingue um lobbista que edita a “publicação” de nome Conjur, continue a “desestruturar” o Ministro Barbosa.


. Clique aqui para ler sobre o “Sistema Dantas de Comunicação” e o contrato assinado entre o dono da Conjur” e a empresa de Dantas, de onde saiu uma grana mole, mole.


. Um passarinho pousou aqui na janela e me contou o seguinte.


. Há várias ações derivadas dos crimes do mensalão.


. A denúncia da primeira ação chegou ao Supremo e ao Relator ANTES da conclusão dos trabalhos da CPI do mensalão.


. O Procurador Geral da República propôs a ação ANTES do fim da CPI.


. A CPI, como se sabe, tentou até os 45 minutos do segundo tempo poupar Dantas.


. Sob a proteção da bancada liderada pelo senador Heráclito Fortes e com a mão de gato do Presidente da CPI, senador do PT Delcídio Amaral, e do relator do PMDB, Osmar Serraglio, quase que Dantas consegue ficar de fora do relatório final.


. Agora, vem aí outra ação.


. Quem está nela, ao lado de Dantas, é o Ministro José Dirceu.


. Trata-se da ação de número 2474.


. Dantas, esse é o teu número: 2474.


. A denúncia se prepara na Procuradoria Geral da República e, quando chegar ao Supremo, será entregue ao ministro Joaquim Barbosa para que a relate.


. Barbosa relatará TODAS as ações que derivarem do mensalão.


. Dantas, você gosta de Boxe ?


. Você já leu a Joyce Carol Oates ?


. Manda comprar na Amazon (clique aqui) e leva para ler no PF Hilton, quando você voltar para lá.


. Dantas, tinha um lutador muito esperto, muito rápido, muito ágil, o Billy Conn, que ia enfrentar o Joe Louis. Na véspera da luta, Conn disse que ia “bater e correr” – “hit and run”. Joe não se perturbou e respondeu: você pode correr, mas não pode se esconder (“you can run, but you can’t hide”).


. Dantas, você pode correr e se esconder sob as asas do Supremo Presidente, nas brechas da CPI dos teus amigos no Congresso, na vala comum da Veja e da IstoÉ, contratar a proteção da Folha (da Tarde *) e do PiG, mas, não adianta: você não pode se esconder.


. Dantas, você tem um encontro marcado com o Ministro Joaquim Barbosa.

(*) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/04/02/pf-dantas-e-a-grana-do-valerioduto-epoca-nao-consegue-esconder/