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quinta-feira, 31 de março de 2011

Marine Le Pen: de salto alto, extrema-direita francesa avança e 'repagina' discurso contra imigrantes

29/03/2011
Do OPERA MUNDI
PorLamia Oualalou | Enviada especial a Paris


Em 14 de março, um dia de sol e tempo bom, mais de 15 barcos, com cerca de 1,4 mil pessoas, desembarcaram na ilha italiana de Lampedusa, atual porta de entrada para milhares de imigrantes ilegais do Norte da África. A presidente do partido de extrema-direita francesa Frente Nacional (FN) Marine Le Pen, que visitava a localidade, não poderia ter encontrado cenário melhor para seu discurso contra a imigração ilegal. “Empobrecidas, Europa e França não têm mais condições de hospedar todos os imigrantes”, disse aos jornalistas. “Eu tenho compaixão por estas pessoas”, garantiu, “mas ‘nosso barco’ está muito frágil. Não podemos carregar mais pessoas, senão vamos afundar.”

Na França, o discurso de Marine agrada a muitos. Menos de uma semana após a viagem à Lampedusa, no primeiro turno das eleições locais de 20 de março, mais de 15% dos eleitores escolheram candidatos da FN. “Não é pouca coisa, especialmente para uma eleição que era pouco favorável ao partido”, afirmou ao Opera Mundi Christophe Forcari, jornalista do jornal Libération e autor do livro Le Pen, o último combate. No segundo turno, domingo (27/03), a FN confirmou o bom desempenho. “Isso significa que o potencial de Marine Le Pen para as próximas eleições presidenciais é muito alto", alertou Forcari.

Efe (27/03/2011)

Marine Le Pen deposita seu voto nas eleições regionais na cidade de Henin-Beaumont

As pesquisas de intenção de voto, publicadas desde o início de 2011, confirmam que a nova líder da extrema-direita deve figurar no segundo turno da eleição, previsto para abril de 2012. Segundo o instituto Harris, em enquete do início de março, Marine superaria até mesmo o presidente Nicolas Sarkozy e a secretária do Partido Socialista, Martine Aubry, com 23% dos votos. Seria um resultado superior ao do pai, o líder histórico da FN Jean-Marie Le Pen, que surpreendeu em 2002 ao chegar ao segundo turno com Jacques Chirac, ultrapassando o socialista Lionel Jospin.

A ascensão de Marine começou naquele ano. Formada em Direito, ela abriu seu próprio escritório. Mas por causa do sobrenome, não conseguiu muitos clientes e acabou pedindo emprego ao pai. Em 21 de abril de 2002, quando foi anunciado que Le Pen tinha chegado ao segundo turno, a FN se viu sem uma figura destacada para defender o partido na mídia. Acabaram enviando Marine e a tímida política surpreendeu. Em poucas horas, ela se tornou a nova estrela de um partido dominado por Bruno Gollnish, até então o único herdeiro político de Le Pen.

Início da mudança na FN

Até 2007, Marine trabalhou para construir sua legitimidade eleitoral por meio de eleições locais, escolhendo a cidade de Henin-Beaumont, devastada pelo desemprego. Com o objetivo de seduzir um eleitorado popular, ela testou um novo discurso de cunho social. Deu certo. A filha de Le Pen achava que a FN precisava mudar de estratégia para atrair as vítimas da crise econômica. Ela também mudou fisicamente e na vida pessoal: emagreceu 15 quilos, cortou os cabelos, trocou o guarda-roupa e se divorciou. Todas as revistas de celebridades lhe dedicaram matérias de capa. Marine ficou famosa.

"Paradoxalmente, a chegada de Le Pen ao segundo turno em 2002 traumatizou Marine e toda uma geração de militantes da FN", explicou o sociólogo Sylvain Crépon na Universidade Paris-X-Nanterre. "Quando viram que a maioria da população se mobilizou contra Le Pen, permitindo a reeleição de Chirac com 82% dos votos, eles perceberam que seu líder nunca seria presidente”. Os jovens ativistas pareciam estar cansados de Le Pen. Nascida em 1968, Marine se distanciou de temas tradicionais de extrema-direita.

Efe (24/03/2011)

Diante do “fenômeno Marine”, a direita do UMP de Sarkozy relança as palavras de ordem da FN


Desde 2002, confirmam as pesquisas, a FN é o partido mais votado pelos operários – os mesmos que, há 20 anos, votavam maciçamente em comunistas socialistas – e por isso, precisa refletir suas preocupações. De acordo com a plataforma de Marine, o FN deve ser um “partido de direita, nacional, social e popular” e não um grupo de extrema-direita. Ao defender idéias sociais, ela procura atrair os eleitores de todas as origens. De acordo com o instituto de pesquisas Sofres, entre os eleitores de Marine, 23% dizem que estão próximos da extrema-esquerda e 36% se dizem sem preferência política. É uma pista para entender porque alguns não se identificam mais com o discurso dos partidos de esquerda após o colapso do comunismo e das batalhas fratricidas entre socialistas.

A estratégia da FN é fazer um trabalho de base, “como o Partido Comunista Francês em sua grande época”, explicou Forcari. Seus militantes estão presentes nas feiras todos os domingos, e não apenas antes das eleições. Eles distribuem panfletos e convidam para reuniões. "Isso é ainda mais impressionante considerando que o partido não tem dinheiro”, completa o jornalista. Essa presença nas ruas mudou a imagem do FN.

Novas bandeiras

Enquanto o partido se dizia historicamente católico, Marine defende os valores republicanos, sendo que em primeiro lugar o laicismo, contra a “islamização da sociedade francesa”. Para ela, as orações dos muçulmanos nas ruas – provocadas pela falta de mesquitas – são comparáveis a uma “nova forma de ocupação”, como a dos alemães durante a segunda guerra. A candidata também virou porta-bandeira das mulheres e dos direitos dos homossexuais, em um partido conhecido pelo machismo e homofobia. Segundo ela, o Islã é hoje o principal perigo para as liberdades civis. "Ela se inspira fortemente na extrema-direita holandesa, que é liberal e xenófoba ao mesmo tempo, algo impossível antes", explica Crépon.

Outro tema novo é a defesa dos funcionários públicos, antes resistentes às teorias da FN. Marine abandonou a visão liberal ou mesmo “thatcherista” do pai para defender a "restauração de um estado forte” e uma política de obras públicas. Por esta mesma razão, ela defende o serviço público, denunciando a desaparição de escolas e hospitais, um argumento até então defendido prioritariamente pela esquerda.

Efe (26/03/2011)

O "fantasma" da imigração ilegal assusta a Europa e vira munição para partidos como a FN


Enquanto isso, Marine transformou a FN em um partido mais respeitável aos olhos da população. Ela não tolera qualquer deslize como os do pai, que classificou as câmaras de gás de Hitler como um "detalhe da história". Esse novo posicionamento causou descontentamento nos antigos quadros do partido, como Roger Holeindre, veterano da guerra da Indochina e da Argélia. “Marina não sabe nada sobre a nossa história e não representa nossas idéias", disse o político ao abandonar o partido. Porém, o posicionamento de Marine agrada os jovens, que a elegeram como nova presidente do partido com quase 67% dos votos.

Novas metas

Marine tinha dois grandes projetos: por um fim à demonização do partido e oferecer uma imagem de competência. O primeiro teve sucesso. “Ela conseguiu quebrar o cordão sanitário em torno da FN", disse Crépon. Na semana passada, o UMP (União por um Movimento Popular), partido de Sarkozy, estava dividido quanto à estratégia para o primeiro turno das eleições locais: barrar ou não o caminho da FN e pedir votos para os socialistas. Há dez anos, 22% dos eleitores da direita tradicional afirmavam que poderiam votar na FN nesse tipo de situação. Hoje, a proporção passou a 43%. "Isso significa que estamos passando de um voto de protesto ao de adesão", analisou Forcari.

No entanto, o objetivo de Marine, que é convencer o eleitor sobre a capacidade de gestão da FN, está longe de ser concretizado, pois o partido continua a atrair poucos quadros. "Vemos isso nos debates. Quando o programa de governo é mencionado, ela fica incomodada”, disse Crépon. É por isso que Marine, diferentemente do pai, não é contra uma aliança com a direita e pode propor uma união contra a esquerda.

Diante do “fenômeno Marine”, a direita acaba relançando as palavras de ordem da FN. Em 2009, Sarkozy convocou um debate sobre a "identidade nacional” e há um mês, um sobre o lugar do Islã na sociedade francesa. Uma tática que pode disseminar as ideias da FN na sociedade. “Nesse caso, os franceses sempre preferem o original à cópia”, argumentou Marine.

As forças de esquerda, por sua vez, parecem paralisadas. "Marine é um sintoma, ela demonstra nossas fraquezas”, admitiu o socialista Jean-Christophe Cambadélis em um artigo no Le Monde. O partido não elaborou, porém, nenhuma estratégia para voltar a atrair o eleitorado popular. Seus líderes preferem expor suas divisões por meio de eleições primárias que devem acontecer em três meses. O candidato mais forte parece ser Dominique Strauss-Kahn, atual presidente do FMI (Fundo Monetário Internacional). Um currículo que dificilmente poderá convencer a classe operária que o PS ficou mais sensível à causa dos mais pobres, afetados pela globalização e as consequências sociais na França.
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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/perfil/MARINE+LE+PEN+DE+SALTO+ALTO+EXTREMADIREITA+FRANCESA+AVANCA+E+REPAGINA+DISCURSO+CONTRA+IMIGRANTES_165.shtml

O debate com os alunos da ECA e o Dia da Mentira

31.03.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Por Luiz Carlos Azenha


Hoje estive em minha alma mater, a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

Soneguei a informação de que não fui exatamente um aluno-modelo. Aliás, talvez minhas notas nem tenham refletido isso. O fato é que quando ingressei na ECA eu já era jornalista em exercício, no fim dos anos 80. Fiz parte do curso entre Bauru (onde eu era editor de local do Jornal da Cidade) e São Paulo. Quando comecei a trabalhar em TV, em 1980, continuei levando a faculdade aos trancos e barrancos. Mais tarde, decidi levar o curso a sério, pedi demissão da Globo e me mudei definitivamente para São Paulo. Eu me formei em 1985, mas antes de colar grau fui nomeado correspondente da TV Manchete em Nova York e só fui colar grau sozinho, na sala do diretor da ECA, em fevereiro de 1987.

Enfim, uma verdadeira novela que não cabia no debate. Falamos sobre as perspectivas diante dos futuros jornalistas.

De minha parte, considerando a data, recomendei aos estudantes a leitura de três livros:

1964: A Conquista do Estado, de Rene Armand Dreifuss, que descreve os bastidores da quartelada cívico-militar de triste memória. Demonstra de forma insofismável como empresários brasileiros, com apoio de executivos americanos e, especialmente, da mídia, criaram na minúscula classe média de então o clima para justificar o golpe. O objetivo não declarado: promover o arrocho salarial e dar “segurança jurídica” aos investidores estrangeiros. Ah, sim, o fantasma do comunismo comedor de criancinhas foi a justificativa para implantar a barbárie.

Cães de Guarda, da Beatriz Kushnir, que demonstra clara e limpidamente como as grandes empresas de mídia tiveram relações carnais com o regime, como “adaptaram” as redações para receber os censores e, no caso do Grupo Folha, como um jornal foi entregue a agentes, alcaguetes e outros tipos ligados à repressão.

O que resta da ditadura, organizado por Vladimir Safatle e Edson Teles, que mostra os resquícios do regime militar que persistem ainda hoje na sociedade brasileira.

Enfim, é para que os futuros jornalistas saibam que o apartheid social em que vivemos não brotou por acaso, que ele foi promovido e defendido, às vezes com métodos arbitrários e violentos, por muitos dos que hoje se dizem amantes da liberdade de expressão.

Abaixo, dica da @tassiarabel no twitter com artigo que Roberto Marinho escreveu em 1984 sobre o golpe, publicado no blog do vereador Carlos Bolsonaro. E, mais abaixo, o documento imperdível publicado pelo Conversa Afiada do dia em que O Globo fez deduragem explícita, iscando o alto comando do Exército contra intelectuais brasileiros.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/o-debate-com-os-alunos-da-eca.html

Casa própria, o grande sonho de consumo

31.03.2011
Da FOLHA DE PERNAMBUCO
Por Marcela Alves


Estudo garante que população ambiciona adquirir novos imóveis, mesmo que 70% dela já tenha uma habitação quitada

Desde que o potencial econômico de Pernambuco despontou e tornou-se celeiro de grandes investimentos, o setor habitacional do Estado ampliou para atender uma demanda que só tem perspectivas de aumentar. Dados contidos numa pesquisa que analisou a pretensão dos recifenses em adquirir imóveis, dão conta de que 28% dos entrevistados têm interesse de comprar um imóvel em até um ano. Desse total, 57,3% querem comprar casas e 26,4% preferem adquirir apartamentos. Ter uma segunda residência é a pretensão de 48,9% dos consultados. O curioso é que 70% dessas pessoas já possuem uma habitação quitada.

Segundo o economista do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau (IPMN), responsável pela pesquisa, Djalma Silva Guimarães Júnior, o aquecimento do mercado imobiliário e, consequentemente, a procura do consumidor por novos imóveis estão diretamente ligados ao aumento da renda e o crescimento da economia nacional e local. O pesquisador garante que essa afirmação pode ser constatada a partir do movimento dos contratos de financiamentos para a aquisição do imóvel próprio. Essa facilidade é utilizada, principalmente, pelas classes C e D, parcela da população que a pesquisa aponta como responsável por 50% da demanda atual de compra de imóveis no Estado.

“As empresas devem estar atentas ao que esse público deseja. Pois, se pensarmos em termos quantitativos, eles representam a maior parte da população. Como o Brasil tem uma renda concentrada, isso não é proporcional. No entanto, a participação desses grupos no consumo já é comemorado por vários segmentos empresariais, que percebem o aumento do número de consumidores e vê a economia crescer”, comentou Djalma Guimarães.

Apesar das classes de renda mais baixa representarem um grande número de usuários do segmento imobiliário, o crescimento do mercado habitacional foi gerado por todos os segmentos. Para o economista, a tendência é que, pelo menos nos próximos três anos, o mercado imobiliário continue bem aquecido. “Cerca de 47% das intenções de compra que nós registramos, só estão previstas para os próximos dois anos. Esse período significa curto prazo, em termos de construção civil”, explicou o economista.

A pesquisa ainda aponta que 3,7% da população paga a moradia por meio de financiamentos e que 25,2% vive de aluguel. Em relação à compra de imóveis, o relatório constata que o consumidor prefere imóveis novos. Quando sua intenção de compra é por imóveis usados, o consumidor opta por aqueles com menor tempo de uso. Outro dado relevante está relacionado à estratégia de negociação: cerca de 36,7% preferem contatar o proprietário, enquanto uma porção menor (6,8%) entra em contato com a imobiliária ou procura o imóvel pela internet.

De acordo com Djalma Guimarães, essa pesquisa, inédita até então no Estado, é um serviço de grande utilidade, sobretudo para as empresas que trabalham em função deste mercado em expansão. “A partir dessas informações, as empresas podem formular novas estratégias para se aproximar do público”, concluiu. O IPMN pretende acompanhar o mercado e realizar um nova pesquisa no próximo trimestre.

PERFIL

Durante a elaboração da pesquisa, que entrevistou 818 pessoas de todos os níveis sociais, observou-se que as casas são os tipos de imóveis preferidos da classa C, os apartamentos são a principal opção da classe média. Já as casas de praia e de campo são desejos da classe A para a segunda moradia.

De modo geral, entretanto, o perfil da nova habitação procurada pelo público recifense tem três quartos, dois banheiros e uma vaga na garagem. Quanto às regiões com maior índice de preferência estão Boa Viagem e Casa Forte, somando 11,2% das intenções. No entanto, merece destaque o bairro de Casa Amarela, com 6,9%.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-imoveis/627741-casa-propria-o-grande-sonho-de-consumo