domingo, 27 de março de 2011

Deputada defende tarifa social em conta de água

27.03.2011
Do blog de Josué Nogueira, do DIÁRIO DE PERNAMBUCO


A deputada estadual Isabel Cristina (PT) defende a criação de uma tarifa social rural para as contas da Compesa, a exemplo do que é cobrado pela oferta de energia elétrica.

Na opinião da parlamentar, o benefício contribuirá para regularizar o abastecimento, além de acabar com o drama vivido pela população rural dos 146 municípios pernambucanos que pertencem ao Semiárido.

Segundo Isabel Cristina, a medida contribuirá com o programa Água para Todos, do governo federal, para acabar com a dependência de carros pipas, além de garantir a gestão da água.
“A tarifa social seria a forma de garantir que a água ofertada chegue a toda população”, adverte.

A petista defende que o programa Água para Todos além de construir adutoras, também construa ramais a fim de atender as pequenas localidades que ficam no seu no entorno.
Dessa forma, acredita a parlamentar, a oferta do produto chegará a um maior número de pessoas.
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/vidaurbana/nota.asp?materia=20110327135314

Despedida: Professor da UFPE assassinado é sepultado no Recife

27/03/2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR


Imagem: Alcione Ferreira/DP/D.A.Press

Foi enterrado no Cemitério de Santo Amaro, no Recife, sem a presença dos pais, o corpo do professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Élio Meneses Pacheco, morto aos 47 anos. A ausência dos pais da vítima se deu pela falta de condições emocionais para que eles participassem da celebração. Em silêncio, cerca de 50 pessoas acompanharam o último adeus ao professor, mas não quiseram se pronunciar. Por conta do avançado estágio de decomposição do corpo, não houve velório.

Apenas a tia de Élio Meneses, a médica Denise Pacheco Uchoa, que vive no estado do Texas, nos Estados Unidos, falou com a imprensa e pediu compromisso e celeridade com as investigações. "Acho que foi alguém conhecido, porque ele nunca abriria uma porta para um desconhecido. Peço que a imprensa não esqueça o caso. Não sei como anda a justiça brasileira, porque faz tempo que deixei de viver aqui, mas confio que a justiça será feita", declarou. Entre os colegas de trabalho que estiveram na celebração, estava o reitor da UFPE, Amaro Lins, que não escondeu a emoção e, chorando, resumiu apenas a imagem do professor como sendo uma "referência para todos nós pelo compromisso que ele tinha com a universidade".

Élio Meneses foi dado como desaparecido durante nove dias e foi localizado apenas na última quarta-feira (23), quando seu corpo foi registrado como desconhecido, no Instituto de Medicina Legal, no Recife. O corpo havia sido localizado no bairro da Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes e, pela marca na cabeça da vítima, a suspeita mais forte é que ela tenha sido atingida por um tiro. O caso está sendo investigado pela delegada Gleide Ângelo, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Com informações do repórter Raphael Guerra
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/vidaurbana/nota.asp?materia=20110327135314

Partido Novo chega querendo ser diferente

27.03.2011
Do blog de Josué Nogueira, Diário de Pernambuco

novoParece nome de operadora de celular. A logomarca lembra a da Honda.

Mas trata-se de mais um partido político em gestação. Chama-se Novo e surge com a marca desses novos tempos.

Não se baseia em mobilizações populares, nem tem ligação com entidades de classe, estudantes ou categorias profissionais.

Também não é liderado por algum dissidente de legenda conhecida que busca um partido para chamar de seu.

É na internet (www.partidonovo.org.br) que o Novo divulga seus ideais e propostas. Por meio a web que a sigla também espera angariar apoio para conseguir o registro na Justiça Eleitoral.

O aparecimento do Novo foi motivo de matéria publicada neste domingo no Diario. Entrevistei, inclusive, seu presidente, o executivo João Dionísio Amoedo. Leia no link abaixo:

Novo surge para ser diferente

Enquanto o Congresso ressuscita a reforma política com promessas de melhor ordenar a atuação de partidos e ocupantes de cargos eletivos, a sociedade busca caminhos próprios para participar da vida pública. Criar um partido pretensamente sem os vícios e as mazelas vistas nos 27 existentes no país é a intenção do grupo de 181 pessoas que há pouco mais de um mês fundaram o Novo. A legenda surge com a proposta de imprimir eficiência à gestão pública priorizando controle de despesas, metas e planejamento e qualidade de equipe. E sublinha que nenhum dos seus idealizadores tem a política como profissão.

Segundo o site da sigla, os fundadores são de dez estados, atuam em 35 diferentes áreas profissionais da sociedade civil. Há engenheiros, advogados, estudantes, médicos, economistas e donas de casa. A maior parte é oriunda do Sudeste. Do Nordeste, há apenas um nome – um administrador do Rio Grande do Norte. Ainda longe das ruas, o Novo se apoia na comunicação virtual parase fortalecer e, principalmente, angariar as 500 mil assinaturas de apoio necessárias ao seu registro no Tribunal Superior Eleitoral.

Com estatuto elaborado e diretório nacional definido, o partido tem como presidente e vice os engenheiros civis, João Dionísio Amoedo e Marcelo Lessa Brandão, ambos de 48 anos. Membro do Conselho de Administração do Itaú-BBA e da João Fortes Engenharia, Amoedo explicou, em entrevista (ao lado), que o Novo é resultado da inquientação de um grupo de amigos que tentava um caminho para colaborar com a sociedade. Segundo ele, após analisar alternativas, conclui-se que a criação de um partido que buscasse a eficiência da gestão seria a contribuição mais viável.

Gestado no mesmo período em que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, preparava-se para criar uma legenda que pudesse lhe garantir plataforma para voos mais altos, o Novo rechaça qualquer indício de personalização. Enquanto o PSD já aparece como o ´partido de Kassab`, a sigla presidida por Amoedo quer ser lembrada por ideias. ´A gente quer criar um partido de ideias e não de pessoas`, disse.

O Novo não conta ainda com representantes nos estados, mas já tem sede em Brasília – condição exigida para se tornar um partido. O símbolo da legenda guarda semelhança com logomarcas de produtos conhecidos. Segundo Amoedo, a imagem de modernidade passada no site foi pensada para mostrar a quem não tem afinidade com a prática política que o partido é, de fato, diferente.

Entre as novidades do estatuto da sigla algumas se destacam: suplentes e vices serão escolhidos em convenção de modo independente da candidatura ao cargo principal; o filiado eleito para cargo no Legislativo não poderá se candidatar a mais de uma reeleição consecutiva.

Entrevista com João Dionísio Amoedo – presidente do Novo

joao dionisio

Como e por que surgiu o Partido Novo?Na verdade, somos um grupo de amigos que já vinha com a ideia há dois ou três anos de fazer alguma coisa na linha mais social para poder contribuir de forma efetiva. Concluímos que seria muito mais efetivo fazer alguma coisa para melhorar a gestão pública do que propriamente partir para uma atividade com alguma Ong ou instituição de caridade. Depois de algumas tentativas, há mais ou menos um ano, a gente concluiu que o melhor mecanismo era tentar, de fato, formar um partido político. Trazer pessoas que não têm participado da atividade política de uma forma muito atuante e procurar pessoas que quisessem fazê-lo, inclusive participar da gestão pública. A bandeira principal seria atuar na melhoria, na eficiência da gestão pública.

Por que tanta ênfase ao fato de não ter políticos e de não querer político no partido?É uma característica do partido. Ele nasceu com 181 fundadores e nenhum deles é político. Num segundo momento, é óbvio que o partido vai se formar por políticos. Hoje vamos trazer pessoas que não atuam na vida pública e se tornarão os políticos do partido. Provavelmente, vai ter espaço para que pessoas que hoje atuam na vida política e que tenham os mesmos ideais e princípios (do partido) se juntem ao Novo. Acho que a gente vai ter, lá na frente, grupos de pessoas dos dois lados. No primeiro momento, o fato de não ter políticos incentiva as pessoas que nunca participaram a ter uma atuação mais efetiva no processo. A segunda coisa é que como a gente quer criar um partido de ideias e não de pessoas, entendeu que se tivesse um político mais forte seria identificado com um partido de x, y ou z. Quer dizer, ficaria um partido de alguém e não das ideias, que é o que a gente quer.

Como o Novo chegará às ruas, ao eleitor comum?Acho que há um desafio grande: esse processo para o partido ser registrado, o recolhimento das 500 mil assinaturas de apoio. Começamos esse processo há um mês. Como não temos estrutura e pessoas com experiência no mundo político, pensamos, inicialmente, numa divulgação via internet, rápida e simples. A gente também começou algumas ações experimentais nas ruas, com equipes de divulgação dos conceitos e das ideias do partido. Fizemos isso no Rio e em São Paulo e a ideia é ampliar. Uma das cidades, inclusive, vai ser Recife. Vamos abordar agora algumas comunidades e grupos específicos a exemplo de faculdades, explicando as ideias. Entendemos que isso é necessário.

Já tem algum balanço de assinaturas?No final da próxima semana, a gente começa a ter algum número preciso. Temos enviado fichas para várias pessoas em todo o país, mas ainda não temos o retorno desse pacote.

A cara do site e a forma de trabalho sugerem sofisticação. O partido não pode ser visto como antipático ou elitista?Acho que não. O resultado disso foi feito ainda por um grupo muito pequeno de pessoas e demandou muito trabalho. A gente teve uma grande preocupação com a qualidade do processo, até porque temos como bandeira eficiência e qualidade. No link ‘fale conosco’, temos respondido quase todas as perguntas que nos chegam no mesmo dia.

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Fonte:http://blogs.diariodepernambuco.com.br/politica/?p=11857

Rede de Justiça Ambiental divulga carta de apoio a Fernanda Giannasi

25.03.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha

O Viomundo denunciou quinta-feira, 24 de março, as pressões para tirar a engenheira de segurança Fernanda Giannasi, auditora fiscal do Ministério do Trabalho e Empregro, da fiscalização do amianto.

Hoje, 25 de março, a Rede Brasileira de Justiça Ambiental divulgou carta de apoio a Fernanda Giannasi, por conta das agressões e intimidações que ela vem sofrendo. Segue, na íntegra, a carta.

Rio de Janeiro, 25 de março de 2011.

À Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR)
A/C Exma. Srª. Ministra-chefe Maria do Rosário Nunes
A/C Programa Nacional de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos (PPDDH)
A/C Ouvidoria-Geral da Cidadania

Ao Ministério do Trabalho e Emprego
A/C Exmo. Sr. Ministro de Estado Carlos Lupi

Ao Ministério de Justiça
A/C Exmo. Sr. Ministro José Eduardo Cardozo
A/C Departamento de Polícia Federal


Ao Ministério Público Federal

A/C Exmo. Sr. Procurador-Geral da República Roberto Monteiro Gurgel Santos

À Secretaria de Políticas para as Mulheres
A/C Exma. Srª. Ministra Iriny Lopes

Exmos.

O amianto, comprovadamente cancerígeno e responsável direto pela morte de muitos trabalhadores envolvidos em seu processamento, foi banido em 66 países e em quatro estados, vários municípios e capitais brasileiros. Apesar disso, o Poder Executivo federal não tomou ainda posição definitiva contra o uso e o comércio da fibra nacionalmente, mesmo após a decisão histórica do Supremo Tribunal Federal (STF), que, em 04/06/2008, confirmou a lei de banimento em São Paulo, modificando jurisprudências anteriores, que impediam que Estados legislassem de maneira mais restritiva do que a União.

O país é um dos maiores produtores, consumidores e exportadores de amianto do mundo, que é utilizado em quase três mil produtos industriais, dentre os quais telhas e caixas d’água que são destinados, sobretudo, às populações mais carentes e, portanto, mais expostas e vulneráveis aos riscos de contaminação.

Frente a essa perversa situação, a Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (ABREA) e poucas pessoas altamente comprometidas e qualificadas lutam para denunciar essa agressão à saúde e à vida – especialmente a dos mais pobres –, mas sofrem, por isso, constante isolamento, amordaçamento, ameaças, intimidações, perseguição e tentativas de criminalização, como já foi demonstrado no relatório “Na Linha de Frente: Defensores dos Direitos Humanos no Brasil de 2002-2005”, elaborado pelas organizações Justiça Global e Terra de Direitos (http://fdcl-berlin.de/fileadmin/fdcl/Publikationen/relatoriodefensores2005.pdf, leia no Viomundo antigo), também em anexo.

A esses últimos fatos, soma-se uma longa história de ameaças e agressões sofridas por Fernanda Giannasi em função de seu engajamento profissional e social ao lado das vítimas do amianto. Foram vários processos criminais, civis e administrativos impetrados por empresas que vêm explorando e manufaturando produtos de amianto, ao longo das últimas três décadas, e que constituíram poderoso lobby, somente comparado ao do tabaco, em tamanho e poderio econômico, e que se apresentam como Instituto Brasileiro do Crisotila (IBC). Consideramos que o fato do IBC deter o estatuto de OSCIP – Organização Social de Interesse Público - afronta o marco regulador que criou a figura de OSCIP.

Perguntamo-nos em nome de que interesse público o IBC denunciou a Auditora à Comissão de Ética do Ministério do Trabalho e Emprego?

Nas mais recentes ações em busca da criminalização de seu trabalho, encontram-se as reiteradas tentativas de removê-la de sua função na auditoria-fiscal na Superintendência Regional do Trabalho em São Paulo, como o processo ajuizado pela SAMA, do grupo empresarial ETERNIT, na 14ª. Vara Federal de Brasília (Processo 53186-06.2010.4.01.3400), em anexo, que busca “AFASTAR A AUDITORA FISCAL DO TRABALHO ‘FERNANDA GIANNASI’ DA FISCALIZAÇÃO DA AUTORA NO TOCANTE ÀS OPERAÇÕES CONCERNENTES AO AMIANTO” e que, felizmente, teve no dia 18/03/2011 a tutela antecipada indeferida.

Responsáveis por 65% da produção nacional, e pela exportação de amianto “in natura” para a Ásia, as empresas Transportadora Cortes Ltda. e Cortes Armazéns do Guarujá buscaram também afastar Auditora-Fiscal de sua função, para que pudessem livremente agir ao arrepio da lei paulista que proíbe o amianto.

Em primeiro momento, obtiveram êxito junto à Justiça Federal de Santos, que determinou que a engenheira se abstivesse de inspecionar as dependências da empresa, por seu envolvimento social na luta pela erradicação da fibra cancerígena, e alegando “a falta de parcialidade em suas ações”. Contudo, tal decisão foi reformada no Tribunal Regional Federal da 3ª. Região de São Paulo (Decisão 7642/2010 em AGRAVO DE INSTRUMENTO nº 0000023-72.2010.4.03.0000/SP impetrado pela União), em anexo.

Não satisfeitas com as derrotas obtidas nas instâncias superiores do Judiciário, as empresas dedicadas à exportação do amianto buscaram novamente amparo na primeira instância da Justiça Federal de Santos, que solicitou à Polícia Federal que instaurasse inquérito (IPL nº. 5-1217/09-DPF/STS/SP) para apurar possível desvio de conduta da servidora pública por “abuso de poder”. Infelizmente, a autoridade policial local, Dr. Cassio Luis Guimarães Nogueira, foi levado a erro pelas empresas impetrantes e indiciou a servidora, mesmo informado sobre a decisão do Tribunal Regional Federal.

Restou patente que mesmo não obtendo total êxito, as empresas teriam o indiciamento como trunfo contra a conduta ilibada da servidora, que tem constantemente comprovado os atos ilícitos cometidos por estas empresas.

Resta agora ao Ministério Público Federal de Santos analisar a conclusão do inquérito policial e decidir se denuncia ou não a servidora. Se isto ocorrer, Fernanda Giannasi terá mais uma vez de ir ao Juízo para se defender das injustas e levianas acusações do lobby do amianto, ávido por manter a servidora e fiscal longe de suas atividades.

Tempo, energia e recursos são consumidos, desviando Fernanda Giannasi de seu trabalho irrepreensível na auditoria-fiscal e na gerência do projeto de erradicação do amianto no Estado de São Paulo.

Diante dessas ameaças, nós, entidades e pessoas reunidas na Rede Brasileira de Justiça Ambiental:

Esperamos que o Ministério do Trabalho respalde a servidora Fernanda Giannasi, no sentido de garantir a continuidade de seu trabalho, que dignifica a sua profissão e dá pleno sentido à fiscalização pública quando denuncia o amianto e as empresas que destroem a saúde dos trabalhadores e das suas famílias.

Solicitamos à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) que acompanhe com atenção o caso, disponibilizando todos os meios e mecanismos necessários à proteção de Fernanda Giannasi, bem como se faça mais presente em questões ligadas ao impacto de amianto, urânio, mercúrio, agrotóxicos e outros agentes e atividades que afetam profundamente pessoas e comunidades do entorno dos empreendimentos que os utilizam ou exploram, em seu direito elementar ao meio ambiente saudável e equilibrado.

Pedimos à Polícia Federal que, fiel à sua missão constitucional, instaure os procedimentos necessários para que seja feita uma investigação sobre as ameaças denunciadas aqui, no sentido de identificar seu(s) autor(es) e assegurar a devida proteção à cidadã Fernanda Giannasi, recorrendo, se necessário à Interpol, que já foi avisada da existência destas cartas anônimas, que ferem a dignidade da pessoa humana.

Solicitamos ao Ministério Público Federal, em sua condição de guardião da democracia, a apuração dos fatos relatados e as devidas providências no encaminhamento, acompanhamento e solução do caso.

Frente a certas empresas e certos setores sociais tão interessados na perpetuação do uso do amianto, que não hesitam em recorrer à manipulação de pesquisas, à chantagem do emprego e da eliminação de postos de trabalho, à criminalização dos que questionam o amianto e à violência, reafirmamos aqui nosso compromisso pelo total banimento do amianto e a nossa total solidariedade para com Fernanda Giannasi e as vítimas deste mortífero produto.

Rede Brasileira de Justiça Ambiental (RBJA)

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/rede-de-justica-ambiental-divulga-carta-de-apoio-a-fernanda-giannasi.html

Estados Unidos: O macaco na gaiola

27.03.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
10/3/2011, Charles Simic, New York Review of Books, Blog
Tradução do Coletivo da Vila Vudu


EUA: O neopessimismo

Nem lembro quando ouvi, pela última vez, alguém se manifestar com genuíno otimismo sobre o futuro dos EUA. Descontem-se os políticos, os donos de bancos de investimento e os generais, porque esses são pagos para oferecer garantias para qualquer coisa, apesar da economia que degenera nos EUA e das guerras suicidas em que o país está envolvido, e os narcisistas de sempre, acostumados a dar as costas aos sofrimentos dos nossos irmãos de destino nos EUA.

Até há bem pouco tempo, os anunciadores do apocalipse eram raros entre meus amigos e conhecidos. Sempre houve desses em maior número entre os mais velhos, cuja vida já acumulava considerável carga de tragédias e desilusões, o que bastava para que nos convencêssemos de que aquele pessimismo sombrio não seria aplicável a nós, os mais jovens.

Há algum tempo, ainda se encontravam otimistas inveterados, idealistas e até alguns realistas Niebuhrianos [1] ; hoje, só se encontram pessoas de todas as idades e contextos, sempre ansiosas para contar como tudo vai terrivelmente mal e, em registro mais pessoal, como a vida pessoal e familiar degringolou – e como lhes parece difícil, não só pagar as contas, mas, também, entender como o país que conheciam tornou-se tão completamente irreconhecível.

Considere-se o assalto aos direitos dos trabalhadores pelo novo governador do estado de Wisconsin, Scott Walker e um grupo de senadores, sem qualquer discussão com a sociedade. A mesma abordagem espalha-se para outros estados dos EUA. Nesse país irreconhecível para os próprios norte-americanos, professores, sindicalistas, homens, mulheres e crianças, os desempregados e os desesperados são a causa de déficits insustentáveis; e prevalece uma filosofia de cão-que-devora-cão; e há quem espere que essa filosofia algum dia devolva a grandeza aos EUA.

Hoje, deve ser difícil para quem ofereça jantar aos amigos nos EUA, conseguir que todos não façam outra coisa, ao longo de todo o jantar, além de repetir, uns aos outros, a quantidade espantosa de estupidezes e mentiras que todos ouviram pelas televisões ou leram nos jornais. À medida que o jantar avança, então, vai ficando cada vez mais difícil evitar que se desinteressem da comida, da bebida e do jantar, envolvidos todos no triste jogo de disputar quem ouviu a maior estupidez, a mais completa sandice, da imprensa.

Sei que, quando me reúno com amigos, todos fazemos esforço consciente para falar de outros temas que não sejam filhos ou netos, reminiscências do passado e filmes a que assistimos, mas ninguém consegue, por muito tempo. E todos frustramos e entristecemos uns os outros, voltamos cada um para sua casa, incomodados e frustrados cada um consigo, como se sofrer pelo que está sendo feito contra nós não fosse assunto adequado à polidez das relações sociais.

Nessa atmosfera de ansiedade e histeria crescentes, na qual as causas verdadeiras e a escala do desespero nacional dos norte-americanos são deliberadamente ocultadas e encobertas pelo e no establishment político e pela imprensa-empresa, não surpreende que o que mais cresce sejam a confusão e a fúria, por todos os lados.

Como qualquer um que tenha viajado pelo país e conheça os EUA por conversar com os norte-americanos já sabe, os norte-americanos não são só mal informados; são doloramente ignorantes sobre praticamente todas as coisas que afetam a vida.

Como seria bom se o presidente Obama falasse aos norte-americanos e nos dissesse que o déficit é provocado, principalmente, pelas guerras que lutamos no Afeganistão e no Paquistão, pelas centenas de bases militares que os EUA mantemos pelo planeta, pelos vergonhosamente baixos impostos que se cobram dos ricos, pelo ‘resgate’ de Wall Street. Como todos sabemos, não há sequer uma mínima chance de que isso algum dia aconteça.

Pelas contas do presidente Obama, dizer a verdade aos cidadãos comprometeria sua campanha de reeleição, porque, se disser a verdade, ele não conseguirá arrecadar os bilhões de dólares de que precisa para reeleger-se. O tipo de gente que tem esse tipo de dinheiro e concordará em doá-lo para a campanha eleitoral sabe muito bem o que eleitores bem informados em democracia que funcione diriam a e fariam contra aquele tipo de gente, desde que os eleitores soubessem, com clareza, que eles, não nós, rasparam as caixas do Tesouro dos EUA e reduziram esse país à miséria, para enriquecimento deles, não dos EUA nem dos eleitores.

Não há dúvidas de que o presidente Obama e seu partido farão o que puderem para esconder a verdade e oferecerão soluções atraentes – como o programa de assistência à saúde, que não só não aumenta a cobertura, mas é mais vantajoso para as empresas médicas que para os cidadãos doentes, e pouco reduz os custos médicos.

O presidente Obama e seu partido contam com que essas medidas enganarão a maioria dos eleitores que não cuidam de procurar melhor informação sobre os detalhes. Além disso, são medidas que sinalizam claramente para os endinheirados que nada os perturbará muito gravemente.

Quanto aos norte-americanos que continuam a repetir que há algo fundamentalmente errado numa democracia que não se preocupa com a desigualdade sempre crescente, que denunciam a loucura galopante das aventuras militares infindáveis em que os EUA meteram-se no Afeganistão, que veem a miséria em que vivem os doentes e os desempregados, que veem o sofrimento dos mais pobres, sempre tão perto, tão à vista… Esses serão tratados como incapazes de avaliar com objetividade a realidade. E são lembrados de que, com o outro partido no poder, as coisas seriam ainda piores.

O motivo pelo qual os pessimistas e desesperançados multiplicam-se nos EUA é que todos desonramos a inteligência, o que esse país aprendeu da história, cada vez que nos recusamos a admitir que a corrupção é a fonte de todos os nossos males.

Não é preciso grande esforço mental para perceber que não há forças políticas ativas nem em Washington nem nas pequenas comunidades, nem em lugar algum, capazes de corrigir as ilusões em que os EUA afundam-se, de que os EUA seriam os guardiões do mundo. Qualquer ideia de boa solução que surja, sempre será avaliada pelos lucros que traga a um ou outro grupo de interesses – e correspondentemente bombardeada, se não trouxer os lucros imediatos com que contam e dizem merecer.

Diz o ditado, que o macaco se coça com a chave com que poderia abrir a gaiola que o prende. Há quem ache engraçado, há quem ache triste. Desgraçadamente para os EUA, somos o macaco na gaiola.

NOTA

[1] Karl Paul Reinhold Niebuhr (1892-1971) foi teólogo norte-americano, conhecido comentarista de assuntos públicos. Orador poderoso e escritor sedutor, já foi descrito como o mais influente ator da política interna nos EUA nos anos 1940s e 1950s. É autor da teoria da “guerra justa”.

Seus escritos têm sido citados como importante influência no pensamento de muitos políticos dos EUA, entre os quais Jimmy Carter, Madeleine Albright, Hillary Clinton, John McCain e, recentemente, Barack Obama. O próprio Obama já reconheceu a influência do pensamento de Reinhold Niebuhr em seu pensamento. De fato, o motivo real pelo qual Obama interessou-se pelo pensamento de Niebuhr parece ser a ideia de combinar uma compreensão realista da política e da natureza humana, com um idealismo de inspiração religiosa [NTs, com informações de Wikipedia].
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/estados-unidos-o-macaco-na-gaiola.html

Pepe Escobar e a Líbia: Dividir, governar, arrancar petróleo

27.03.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
24/3/2011, Pepe Escobar, Asia Times Online


Sem romper o nevoeiro da guerra, é impossível entender o que realmente se passa na Líbia.

A Operação Alvorada da Odisséia só está acontecendo porque os 22 membros da Liga Árabe, em votação, aprovaram a imposição de uma zona aérea de exclusão sobre a Líbia. A Liga Árabe – sempre apresentada rotineiramente nas capitais ocidentais como irrelevante, antes dessa decisão – não passa de instrumento da política externa da Casa de Saud.

A “decisão” da Liga Árabe foi incentivada pela promessa de Washington de proteger os reis/xeiques/oligarcas do Conselho de Cooperação do Golfo, contra a ação das aspirações democráticas dos respectivos cidadãos – que só aspiram a alcançar os mesmos direitos democráticos pelos quais lutam seus ‘primos’ do leste da Líbia.

Trata-se de exatamente o mesmo Conselho de Cooperação do Golfo que aprovou que a Arábia Saudita invadisse o Bahrain para ajudar a dinastia do sunita al-Khalifa a esmagar o movimento pró-democracia. A gangue do Conselho de Cooperação do Golfo é considerado pelo ocidente como “os nossos filhos-da-puta”, enquanto o coronel Muammar Gaddafi – segundo a narrativa ocidental – é terrorista que passou por curso intensivo e agora já é bandido-assassino.

O Conselho de Cooperação do Golfo inclui conhecidos campeões da luta pela igualdade: Arábia Saudita, Bahrain, Kuwait, Qatar, Omã e os Emirados Árabes Unidos. Quem primeiro votou a favor da zona aérea de exclusão foi o CCG; depois, a Arábia Saudita, cachorro grande, mediante chaves-de-braço & propinas prometidas, arrancou a aprovação pela Liga Árabe (Síria e Argélia, por exemplo, eram seriamente contra).

Para o oportunista secretário-geral da Liga Árabe Amr Moussa, que já está concorrendo à presidência do Egito, foi ótimo negócio. Recebeu ordem de Riad, ao mesmo tempo em que dava uma polida no próprio currículo, para mostrar em Washington.

Para a Arábia Saudita foi também ótimo negócio: chance perfeita para que o rei Abdullah livre-se de Gaddafi (há rixa insanável, legendária, entre os dois, desde 2002), e chance perfeita para que a Casa de Saud dê uma mão a Washington.

A Operação Aurora da Odisseia não tem meta clara. O presidente Barack Obama disse várias vezes que a coisa só acabará com a partida de Gaddafi (“Gaddafi tem de sair”). A isso se chama “mudança de regime”. Ou nos termos da nova doutrina de duas garras, de Obama, é “o braço dos EUA” (que se estende em socorro dos que se oponham aos “governos do mal”); governos que não sejam muito do mal, casos do Bahrain ou do Iêmen, são estimulados a fazer simples “alteração de regime”.

O problema é que “mudança de regime” não é coisa que a Resolução n. 1973 tenha autorizado.

A Operação Alvorada da Odisseia é a primeira guerra africana do mais novo comando militar do Pentágono do outro lado do mundo – o AFRICOM. Em pouco tempo, virará a primeira guerra africana do Tratado da Organização do Atlântico Norte (OTAN). Embora vendida como “missão limitada”, a Alvorada da Odisseia – só para impor e manter uma zona aérea de exclusão – custará, no mínimo, 15 bilhões de dólares/ano. Os membros da Liga Árabe deverão pagar parte substancial da conta – porque o único estado que enviará forças militares é o Qatar (dois jatos Mirage).

O circo que se vê armado hoje só tem a ver com a “transição” da guerra, do comando do Pentágono na África – cuja base está em Stuttgart, Alemanha, porque nenhum dos 53 países africanos dispôs-se a recebê-la –, para o comando do Pentágono na Europa, também conhecido como OTAN.

A OTAN já interveio na Somália em 2010 – para onde levou, por avião, milhares de soldados de Uganda. Agora está conduzindo a Operação “Escudo do Oceano” ao largo do chifre da África. E antes da Alvorada da Odisseia já pusera a Líbia sob vigilância 24 horas/dia, no foco de seus aviões equipados com Sistema Aéreo de Alerta e Controle [ing. Airborne Warning and Control System, AWACS] – ativos há quase dez anos na já velha Operação Active Endeavor.

No grande quadro, o papel combinado dos tentáculos globais do Pentágono são parte da Doutrina da Total Dominação [ing. Full Spectrum Dominance], que visa a impedir que qualquer nação em desenvolvimento, ou bloco de nações, estabeleçam alianças de relações preferenciais com China e Rússia.

China e Rússia estão entre os quatro principais países BRICSs, com Brasil e Índia. Esses quatro países abstiveram-se na votação do CSONU. Só 48 antes da correria para obter essa resolução, Muammar Gaddafi havia ameaçado que, se fosse atacado pelo ocidente, transferiria os sumarentos contratos de fornecimento de petróleo para companhias da Rússia, Índia e China.

Guerra por comissão

A oposição líbia é uma colcha de retalhos de tribos inamistosas entre elas, o bem-intencionado movimento de jovens, desertores civis e militares do regime de Gaddafi, ativos patrocinados pela CIA (como o sinistro ex-ministro da Justiça Mustafa Abdel-Jalil), islamistas relacionados (e não relacionados) com a Fraternidade Muçulmana e monarquistas tribais senussi. A tribo senussi é a principal na área de Benghazi; a maioria dos “rebeldes” de keffiah & Kalashnikovs são senussi, como era o rei Idris, derrubado pela revolução de Gaddafi em 1969.

O conselho transicional da Líbia chama-se agora “governo interino” – embora ainda comprometido, segundo palavras dele, com uma Líbia não dividida. Mas não se pode excluir a divisão do país – porque a Cyrenaica, historicamente, sempre viveu às turras com a Tripolitania. Se Gaddafi conseguir organizar uma maioria tribal que o apóie, seu regime não cai.

Todos os olhos estarão postos numa “marcha verde” anunciada pela poderosa tribo al-Warfalla, a maior da Líbia, de um milhão de almas; desertaram da oposição e, agora, farão praticamente qualquer coisa para convencer Gaddafi de sua lealdade.

Nada assegura que o Movimento 17 de fevereiro, força política que esteve à frente da revolta na Líbia, com plataforma democrática de respeito aos direitos humanos, estado de direito e garantia de eleições limpas, terá o controle político em ambiente de pós-era Gaddafi.

O ocidente dará preferência a liderança que fale inglês e conheça bem as capitais europeias, além de Washington. Se possível, um fantoche maleável. O petróleo pode corromper qualquer nova liderança até o âmago. Acrescente-se a isso as apimentadas notícias sobre a al-Qaeda no Maghreb Islâmico [ing. al-Qaeda in the Islamic Maghreb (AQIM)] – mais um front de combate da CIA – com um máximo de 800 jihadis, que já estaria apoiando os “rebeldes”. Que ninguém se surpreenda com virada à Armageddon nesse cenário. – A queda de Gaddafi tem potencial para produzir mais um Afeganistão ou outro Iraque.

O acordo ao qual chegaram Obama, o primeiro-ministro britânico David Cameron e o francês Nicolas Sarkozy é que a OTAN desempenhará “papel protagonista” na Alvorada da Odisseia. Tradução: para todos os efeitos, é guerra da OTAN. A liderança política ficará com um “comitê de controle” de ministros de Relações Exteriores – um clube anglo-francês-norte-americano com borrifos de Liga Árabe. Espera-se que se encontrem em breve, em Bruxelas, Londres ou Paris.

Obama telefonou ao primeiro-ministro da Turquia Recep Tayyip Erdogan e aparentemente convenceu-o sobre o arranjo – embora, em discurso ao seu partido governante, Partido Justiça e Desenvolvimento, Erdogan tenha dito que a Turquia “jamais apontará uma arma contra o povo líbio”.

O ministro francês Alain Juppe disse que, dado que nem todos os membros da coalizão militar são membros da OTAN, “essa, portanto, não é operação da OTAN”. Que ninguém se engane: é.

Essa guerra “é da OTAN, não é da OTAN” não é exatamente o que Sarkozy mais queria – uma plataforma “heroica” que salve sua reeleição em 2012. Mas a motivação ocidental, acima de tudo, tem sabor de petróleo. Se não se conta a Arábia Saudita, a Líbia é o mais espetacular pedaço de mundo com que podem sonhar os dependentes de petróleo de todo o ocidente: um posto de gasolina gigante no meio do deserto, sem ninguém por perto, que fiscalize.

A parte das reservas realmente já conhecidas e exploradas de petróleo e gás, da Líbia, estão na Cyrenaica “rebelde”. Petróleo e gás respondem por 25% da economia, 97% das exportações e 90% da renda do governo. Sarkozy – além de todo o ocidente – teme guerra muito longa. A França quer que termine logo. Diferente de Alemanha, Grã-Bretanha e Itália – que já estão lá –, a França saliva à espera de um gordo pedaço da carniça-petróleo.

Nada há, absolutamente nada, de humanitário, no atual cassino em que se converteram a União Europeia e a OTAN. A única coisa que conta é garantir posição certa na era pós-Gaddafi – bonança de energia, primazia geoestratégica no Mediterrâneo e no espaço do Sahara-Sahel, gordos, sumarentos contratos no negócios da “reconstrução”.

Mudança de regime ou balkanização?

E a correção moral do ocidente somar-se-á a isso. Se você vende petróleo, compra armas e dedica-se a esmagar a al-Qaeda, moralmente, no ocidente, está tudo bem. Se matar seu próprio povo, não aos milhares, só às dúzias, também, tudo bem.

Assim a Arábia Saudita se safará, praticamente sem escoriações, no clima de contrarrevolução atual: a Casa de Saud está movendo todos os cordões para esmagar todas as medidas de aspiração democrática em todo o Golfo Persa.

Quanto aos regimes que matam talvez milhares de seu próprio povo – e têm petróleo, e ameaçam vender seu petróleo aos russos ou aos chineses –, seu destino é guerrear contra uma resolução-Tomahawk da ONU.

As forças da contrarrevolução estão unidas ao ocidente, como gêmeos xifópagos ligados pelo quadril. Os militares da Arábia Saudita continuarão dentro do Bahrain. O Conselho de Cooperação do Golfo legitima a guerra do ocidente contra a Líbia. Na Líbia, o ocidente dividirá para governar e escapará carregando o petróleo. A grande revolta árabe de 2011 estará acabando, em grande crash, derrubada nas areias do deserto?
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/pepe-escobar-e-a-libia-dividir-governar-arrancar-petroleo.html

O Brasil e as usinas nucleares

27.03.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Por Heitor Scalambrini Costa (hscosta@ufpe.br)

Professor Associado da Universidade Federal de Pernambuco

Eletricidade nuclear e as tarifas

Os impactos do desastre nuclear na central de Fukushima, no Japão, devem ter efeito imediato nos preços das centrais projetadas no mundo e no Brasil. A exigência de sistemas de segurança mais eficientes e uma alta no preço dos seguros tendem a encarecer ainda mais a eletricidade nuclear.

Os custos de uma usina nuclear crescem proporcionalmente com o nível de confiabilidade e segurança exigidos. Quanto menores forem os investimentos na confiabilidade e segurança do suprimento energético, maior será a exposição aos riscos das catástrofes naturais, das falhas humanas e das falhas mecânicas e elétricas que podem ocorrer na instalação. Após este acidente no Japão, especialistas confirmam a necessidade de novos esforços tecnológicos para aumentar a segurança das instalações.

No Brasil, verifica-se que as condições de financiamento de Angra 3 são controversas, já que a Eletronuclear assumiu uma taxa de retorno para o investimento entre 8% e 10% – muito abaixo das praticadas pelo mercado, que variam de 12% a 18%. Somente uma taxa de retorno tão baixa pode viabilizar a tarifa projetada de R$ 138,14/MWh anunciada pelo governo federal para essa usina. A operação a baixas taxas de juros revela o subsídio estatal à construção de Angra 3. Os subsídios governamentais ocultos no projeto dessa usina nuclear são perversos, porque serão disfarçados nas contas de luz. Se isso se verificar quem vai pagar a conta seremos nós os usuários, que já pagamos uma das mais altas tarifas de energia elétrica do mundo.

Ainda no caso de Angra 3, a estimativa de custos da obra, que era de R$ 7,2 bilhões em 2008, pulou para R$ 10,4 bilhões até o final de 2010, de acordo com a Eletronuclear. Isso sem contar os R$ 1,5 bilhão já empregado na construção e os US$ 20 milhões gastos anualmente para a manutenção dos equipamentos adquiridos há mais de 20 anos. Desde 2008, o custo de instalação por kW desta usina subiu 44%, de R$ 5.330/kW para R$ 7.700/kW.

A título de comparação, a energia da hidrelétrica de Santo Antônio, foi negociada a uma tarifa de R$ 79/MWh, a hidrelétrica de Jirau, o preço foi de R$ 91/MWh (ambas no Rio Madeira), a hidrelétrica de Belo Monte (Rio Xingu), o preço foi de R$ 78,00/MWh, e o resultado do primeiro leilão de energia eólica no Brasil deixaram o MWh em torno de R$ 148. Bem mais reduzido que o apontado pela Empresa de Planejamento Energético (EPE), que usou um preço mais alto da energia eólica para justificar a suposta viabilidade econômica da opção nuclear.

O custo das usinas nucleares que se pretende construir até 2030, duas no Nordeste e duas no Sudeste é enorme, da ordem de R$ 10 bilhões cada uma. Valor este que poderá ser acrescido de 20 a 40% até o final da obra, como tem se verificado comumente, no caso de grandes obras em realização/realizadas no Brasil. As tarifas previstas para a eletricidade nuclear gerada nestas novas instalações são incertas, de cálculos não transparentes, mas que certamente afetará de maneira crescente a tarifa da energia elétrica no país.

A história do nuclear mostra que esta sempre foi e continua a ser, mesmo com a nova geração de reatores, uma indústria altamente dependente de subsídios públicos. Isto significa que quem vai pagar a conta da imensa irresponsabilidade de se implantar estas usinas em nosso país e na nossa região, será a população de maneira geral, e em particular os consumidores, que pagarão tarifas cada vez mais caras.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/o-brasil-e-as-usinas-nucleares.html

Colunista da Folha ataca o próprio jornal

27.03.2011
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarãesxu

O colunista da Folha de São Paulo Clóvis Rossi foi um dos críticos mais ferozes do governo Lula. Além da criminalização daquele governo, insultava os seus simpatizantes, taxando-os de “descerebrados” e “idiotas de plantão”, entre outros mimos.

Neste domingo, porém, em sua coluna na página A2 da Folha, Rossi descreveu perfeitamente o comportamento político da grande imprensa ao desmontar a tese que ela tem vendido de que o recente voto do Brasil na ONU favorável ao envio de relator de direitos humanos ao Irã significaria ruptura com a política externa do governo Lula.

Como se não bastasse, o colunista casado com uma militante tucana “de carteirinha” e que trabalhou como poucos pelo PSDB desde 2003, reconhece o êxito da política externa do governo anterior.

O mais importante, porém, é a qualificação que Rossi faz de que a grande imprensa conservadora estaria querendo mandar na política externa do Brasil apesar de ter perdido a eleição.

Como todos sabem, os quatro cavaleiros midiáticos do apocalipse (Globo, Folha, Estadão e Veja) passaram os últimos oito anos querendo impor mudanças à política externa do governo Lula. Aliás, a própria Folha, dois dias antes da coluna de Rossi, foi pelo mesmo caminho em editorial que viu “Mudança e Coerência” na política externa de Dilma.

A coluna de Rossi é imperdível porque condena inquestionavelmente a posição do seu empregador, o que se torna um fato político que nunca acontece. Abaixo, reproduzo, primeiro, editorial da Folha do último dia 25; em seguida, a tal coluna de Rossi.

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Folha de São Paulo

25 de março de 2011

Editoriais

editoriais@uol.com.br

Mudança e coerência

O voto do Brasil no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (CDH), a favor de uma investigação sobre violações humanitárias no Irã, coaduna-se com a correção de rumo imprimida por Dilma Rousseff na política externa. A presidente, mesmo antes de assumir, já sinalizara que será menos transigente nessa matéria do que foi o seu antecessor.

A decisão significa uma inflexão bem-vinda no posicionamento brasileiro dos últimos anos, tanto sob Luiz Inácio Lula da Silva quanto sob Fernando Henrique Cardoso. O país havia votado só uma vez (em 2003), na ONU, contra o regime dos aiatolás.

O contraste é tanto mais perceptível sob a luz do histórico recente. Em junho de 2010, o Brasil proferiu um dos dois votos (entre 15) contra sanções ao Irã no Conselho de Segurança da ONU, por conta de seu programa nuclear. No final do mesmo ano, absteve-se de condenar no CDH punições medievais como o apedrejamento a que foi sentenciada Sakineh Ashtiani, decisão depois criticada por Dilma.

O atual voto não significa, no entanto, que o Brasil tenha rompido com o regime de Mahmoud Ahmadinejad. O apoio a uma investigação especial sobre a situação dos direitos humanos no país persa se traduz obviamente em uma crítica, mas não chega a representar uma condenação expressa.

A soberania iraniana não está sob ameaça, o que ajuda a explicar por que o Brasil não se absteve na votação sobre o país, agora, como fez no Conselho de Segurança quanto ao ataque à Líbia. A visita de um relator da ONU, apesar de incômoda para iranianos, não impede novas negociações, como prefere a diplomacia brasileira.

Não resta dúvida de que uma investigação sobre direitos humanos no Irã é necessária. Relatório apresentado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, revela que a repressão intensificou-se, com prisões e torturas.

O diplomata apontou “aumento dramático” das execuções neste ano. Após as contestadas eleições de 2009, mais de 2.000 ativistas foram encarcerados. Estimam-se ao menos 500 presos políticos.

A investigação aprovada ontem, mesmo que termine obstruída pela autocracia iraniana, reforça a mensagem de que o Brasil não mais se rende a alinhamentos automáticos nem a palavras de ordem geopolíticas quando se trata de violações de direitos humanos.

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Folha de São Paulo

27 de março de 2011

CLÓVIS ROSSI

Irã é ponto fora da curva

SÃO PAULO - São prematuras as notícias da morte da política externa Lula/Amorim. É verdade que, na quinta-feira, o Brasil votou contra o Irã, pela primeira vez em pelo menos oito anos, no caso da designação de um relator especial para investigar violações aos direitos humanos no país persa.

Mas é um acontecimento pontual demais para que se possa enxergar nele uma mudança abrangente e/ ou permanente.

Primeiro, porque não estavam em jogo sanções ao Irã. É até possível que o foguetório em torno de uma mudança profunda se deva ao fato de que causa certa confusão, em um país pouco atento à política externa, jogar na mesma sentença Brasil, Irã e Nações Unidas.

O voto do Brasil a favor do Irã foi no Conselho de Segurança, quando se debatia a imposição de sanções por causa do programa nuclear iraniano -sanções afinal aprovadas. O voto contra o Irã foi no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, no qual se debatia um passo prévio a eventuais sanções, qual seja, a investigação de violações aos direitos humanos.

É claro que a reação do governo iraniano foi furibunda, como só podia ser. Regimes que se creem a encarnação da palavra de Deus não podem tolerar que se duvide do que quer que digam, sobre a bomba ou sobre direitos humanos.

Mas a explicação da embaixadora Maria Nazareth Farani Azevêdo, a representante do Brasil perante o escritório da ONU em Genebra, é simples e coerente: “Há suspeitas de violações? Há. O país colabora com o Conselho? Não. Então, cabe uma investigação”.

Além desses aspectos factuais, há uma lógica para dizer que é no mínimo improvável qualquer mudança de fundo na política externa: Dilma Rousseff é herdeira dela. E recebeu um país com mais relevância internacional do que antes.

Faz sentido mudar só para agradar a oposição, que, convém não esquecer, perdeu a eleição?

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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/03/colunista-da-folha-ataca-o-proprio-jornal/

Emprego e renda no Polo Farmacoquímico

27.03.2011
Do jornal FOLHA DE PERNAMBUCO
Por ANDRÉ CLEMENTE

Após Suape se consagrar como celeiro de vagas, agora é a vez de Goiana

Várias empresas já anunciaram instalações em cidades pernambucanas. E mais. Já colocam o Estado como o que mais oferece perspectivas positivas de crescimento. Fora o boom econômico que Pernambuco exibe com o Complexo de Suape, é em Goiana, município localizado na Mata Norte do Estado - que receberá o Polo Farmacoquímico de Pernambuco - onde os ares de desenvolvimento estão em alta. O Polo inclui investimentos aproximados de R$ 1,5 bilhão do governo e das próprias empresas, com a criação de mais de três mil postos de trabalho.

A expectativa da população é que a geração de empregos, obviamente, benefecie a população local e isso já anda acontecendo. Morador de Goiana/PE, Isaías dos Santos trabalhava como pedreiro na cidade, mas a falta de emprego o levou a atuar nos últimos quatro anos como aplicador de herbicida. Estava desempregado há sete meses. “Me inscrevi na Agência do Trabalho de Goiana, no curso de formação de ajudante de pedreiro. Antes de concluir as aulas, fui chamado para as obras da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás). Estou nas obras há cinco meses, entrei como ajudante de pedreiro e já fui promovido, hoje sou meio oficial de pedreiro. E fazendo o que gosto”, destaca Isaías. “Pretendo fazer outros cursos no Centro de Vocação Tecnológica (CVT), de ferreiro e encanador, para poder ser aproveitado para trabalhar em todas as etapas da obra”, completa.

“Empresas âncoras do esquema do Polo, como Hemobrás, Vita Derm e Lafepe, já anunciaram necessidades e Goiana contempla, ainda, obras de infraestrutura já em planejamento”, esclarece o presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Ad Diper), Márcio Stefanni. O que isso interessa? Emprego e, em alguns casos, de imediato.

Segundo o prefeito de Goiana, Henrique Fenelon, a amplitude do projeto gerava dúvidas de como a população do entorno do Polo poderia se beneficiar desta Indústria que será âncora na Mata Norte. “Hoje, a preocupação é qualificar trabalhadores da região para trabalharem na Hemobrás. A capacitação é um projeto (investimento de programas da prefeitura e do Governo do Estado) que terá verba destinada partindo de R$ 1 milhão. Cento e cinquenta profissionais já estão em curso e estamos trabalhando na divulgação dessas capacitações para a população se informar na Secretaria de Desenvolvimento da Prefeitura e na Escola Técnica de Goiana sobre as vagas para atender o Polo. Espera-se treinar mais 500 este ano, no mínimo”, explica Fenelon.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/edicao-de-hoje/628193-emprego-e-renda-no-polo-farmacoquimico

Vereadores preocupados com reforma

27.03.2011
Da FOLHA DE PERNAMBUCO
Por MANOEL GUIMARÃES

Formação de chapas dependerá das mudanças feitas na legislação eleitoral

As constantes especulações sobre a Reforma Política têm mexido com a cabeça dos vereadores dos 184 municípios pernambucanos. Pontos como o fim das coligações - aprovado recentemente na comissão do Senado Federal - e o voto em lista fazem parte das preocupações dos representantes do povo. Embora o número de assentos nas câmaras municipais aumente em boa parte das cidades, a formação das chapas dependerá de quais matérias serão aprovadas pelo Congresso Nacional até o final de setembro, prazo limite para que uma lei vigore na eleição de 2012.

De acordo com o presidente da União de Vereadores de Pernambuco (UVP), Biu Farias (PSB), existe uma preocupação da classe sobre a maneira como vem sendo conduzida a Reforma Política. “A reforma tem que ser feita como foi a lei da Ficha Limpa, ou seja, de baixo para cima, saindo dos movimentos sociais, do povo, até chegar ao Congresso Nacional. E não o contrário. Afinal, o vereador é o político mais próximo do povo. Nós temos que ser ouvidos. Vamos percorrer este Brasil para debater e levar grandes propostas para que o País melhore seus representantes”, disse o socialista.

Na análise do vereador de Salgueiro, Antônio Pires (DEM), a formação de chapas vem sendo adiada em função das discussões em Brasília. O democrata é defensor de uma revisão na parte das coligações. “Para ser prefeito, senador, governador ou presidente, você tem que ter pelo menos um voto a mais que os outros candidatos. Por que não é assim também para deputado e vereador também não é assim? Fui o terceiro vereador mais votado da minha cidade, e quase não me elegi, porque candidatos do prefeito foram puxados pela coligação. É preciso olhar esses aspectos”, sugeriu Pires.

Para o vereador de Serra Talhada e vice-presidente estadual do PTC, Antônio Rodrigues, a eleição para vereador no Interior é uma questão “muito delicada”. “Em Serra Talhada, somos dez vereadores de oito partidos diferentes. Poucos partidos atingem o coeficiente eleitoral, principalmente no Interior, onde isso não funciona. Talvez o voto em lista ajude, mas nesse caso só quem chegaria a se eleger seria aquele que tem dinheiro. O fim das coligações vai complicar”, observou Rodrigues.

Outro preocupado é o Sargento Alberes (PSDB), vereador de Camaragibe, que gostaria de um prazo maior para a discussão. “Acho que o sistema eleitoral deveria continuar como está, com as coligações e sem o distritão, o chamado voto da verdade. A gente tem convidado a população a discutir o assunto, mas ela não têm dado ênfase ao debate, infelizmente”, lamentou o tucano.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-politica/628076?task=view