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segunda-feira, 14 de março de 2011

Governo escolheu projetos para o PAC Mobilidade

14.03.2011
Do BLOG DA FOLHA
Postado por José Accioly


Questionado sobre quais projetos de mobilidade urbana para a Copa que contemplarão a Região Metropolitana do Recife (RMR), o governador do Estado, Eduardo Campos (PSB), disse que tem até o dia 3 de abril para consolidar as propostas. Porém, o socialista afirmou que o governo já fez algumas escolhas. As propostas que serão beneficiadas não foram detalhadas e serão apresentadas, em Brasília, ao Governo Federal, em abril, para pleitear recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de Mobilidade Urbana.

"Existe um ranking dos projetos e contam ponto os que tem projeto-executivo, licenciamento. Até o dia 30 vamos ver o que tem pronto. Há projetos que estão ficando prontos, mas precisam de reparos. Já temos as escolhas gerais, fizemos o mapeamento do que é prioritário do ponto de vista metropolitano e também do Recife", respondeu Eduardo Campos.

Kassab

O governador do Estado não quis comentar sobre o andamento das conversas que vem tendo com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) - que pretende criar um novo partido, o PDB, para, no futuro, fundir com o PSB. Cogita-se uma possível aliança entre os dois. Amanhã (15) acontece a convenção partidária dos Democratas, onde o paulista deve selar seus próximos passos. "Só falo depois do dia 15", disse Eduardo Campos.
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Fonte:http://www.blogdafolha.com.br/index.php/materias/18365?task=view

Pela primeira vez, "Todos por Pernambuco" terá eixos temáticos

14.03.2011
Do BLOG DA FOLHA
Postado por José Accioly

O governador do Estado, Eduardo Campos (PSB), reuniu-se esta manhã (14) com todo o secretariado, no Palácio do Campo das Princesas, para traçar as estratégias finais da nova caravana do Todos por Pernambuco, que começa na próxima quinta-feira (17), em Petrolina. Neste ano, a novidade é a divisão do programa em seis eixos temáticos, que servirão como uma espécie de filtro para os encontros em plenárias todas as tardes.

A população, representantes sociais e entidades se manifestarão nas salas temáticas, organizadas pelo Governo. O resumo dos encontros será abordado nas reuniões, que contarão com a presença do socialista. Cada encontro será conduzido por um secretário.

Os seis eixos temáticos são: Educação e Cultura, Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Sustentabilidade, Desenvolvimento Social, Saúde e Segurança. Todas as três cidades-polos (Petrolina, Araripina e Salgueiro), que dão o pontapé inicial do novo programa, receberão as seis salas temáticas.

Os eixos correspondem aos dez objetivos estratégicos traçados pelo Governo do Estado ainda no primeiro mandato. Eles foram compilados e resumidos em seis temas. Nas palavras do governador, a nova edição do Todos por Pernambuco é um programa de ausculta da sociedade. Equipes do Governo do Estado já estão nas áreas que receberão o programa.

"Todos receberam o caderno do governo e o questionário. Neles, a população vai colocar as prioridades para cada eixo estratégico para região e município. No final, vamos consolidar o novo mapa de estratégia e fazer o PPA (Plano Plurianual) para os próximos quatros anos, com o olhar e sentimento da sociedade pernambucana, crescendo a legitimidades da demanda", resumiu Eduardo campos.

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Procurador diz que Barbosa afirmou ter feito outros repasses a deputada

14.03.2011
Do BLOG DA FOLHA
Postado por José Accioly, Do G1


O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse nesta segunda-feira (14) que, em depoimento na última sexta ao Ministério Público Federal, Durval Barbosa disse ter feito outros repasses de dinheiro à deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF), além daquele que aparece em um vídeo divulgado no último dia 4.

No último dia 10, o procurador pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito para investigar a deputada.

Barbosa é o pivô do escândalo de corrupção que ficou conhecido como mensalão do DEM de Brasília. No vídeo, gravado em 2006, Jaqueline Roriz e o marido aparecem recebendo um maço de dinheiro de Barbosa, à época diretor da Companhia de Desenvolvimento do Planalto Central (Codeplan), durante o governo de Joaquim Roriz, pai da deputada.

Segundo Gurgel, os outros pagamentos que Jaqueline Roriz teria recebido de Barbosa seriam uma retribuição pela atuação dela na campanha eleitoral para governador do Distrito Federal em 2006.
Na ocasião, Jaqueline Roriz integrava a coligação que apoiava a candidata Maria de Lourdes Abadia (PSDB). José Roberto Arruda (DEM), um dos adversários de Abadia, ganhou a eleição. No ano passado, ele foi cassado e preso após o escândalo do chamado mensalão do DEM.

"Os recursos se destinariam a uma retribuição a Jaqueline Roriz por uma atuação na campanha eleitoral e, digamos, por não fazer campanha efetiva em favor da candidata da coligação a que ela integrava (Maria Abadia)", afirmou o procurador-geral. "Ele (Durval) fez referência a que teriam havido outros pagamentos. Na verdade, tudo isso será objeto de investigação. O depoimento dele não é particularmente rico em detalhes", disse Roberto Gurgel.

Leia a matéaria completa aqui.
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Fonte:http://www.blogdafolha.com.br/index.php/materias/18377-procurador-diz-que-barbosa-afirmou-ter-feito-outros-repasses-a-deputada

O homem do poema inesquecível

14.03.2011
Da FOLHA DE PERNAMBUCO
Por Paulo Carvalho

Nova Aguilar e Massangana relançam, hoje, na Cultura, a obra “Joaquim Cardozo: poesia completa e prosa”

Certa vez escreveu Carlos Drummond de Andrade sobre o poeta pernambucano Joaquim Cardozo: “Se me perguntassem: ‘O que distingue o grande poeta?’, eu responderia: ‘Ser capaz de fazer o poema inesquecível’. O poema que adere à nossa vida de sentimento e reflexão, tornando-se coisa nossa pelo uso. Para mim, Joaquim Cardozo, entre os muitos títulos de criador, se destaca por haver escrito o longo e sustentado poema ‘A nuvem Carolina’, que é uma de minhas companhias silenciosas de vida”.

A citação de Drummond, assim como uma de “suas companhias silenciosas de vida”, encontra-se, pois, na obra “Joaquim Cardozo: poesia completa e prosa”, que as editoras Nova Aguilar e Massangana relançam, hoje, às 19h, na Livraria Cultura.

Com projeto gráfico renovado, o título traz desde o primeiro livro de poesia do engenheiro-poeta, “Poemas”, de 1947 (ano de seu aniversário de 50 anos), até as últimas produções, como “O interior da matéria”, de 1975. São contemplados ainda a produção de contos e de ensaios sobre literatura, arte, arquitetura e urbanismo.

Em texto de apresentação, o organizador Everardo Norões ressalta que Cardozo é dono de um dos mais importantes legados da cultura brasileira do século XX. “Sua obra literária, enfeixada neste livro, representa apenas parte da construção mental do poeta-engenheiro, cuja genialidade pôde abarcar desde a refinada linguagem literária à compreensão das mais avançadas conquistas da ciência e da arquitetura modernas. Na gênese de sua obra - nas formas dos gestos e da poesia, ou na poesia das formas - havia em Joaquim Cardozo a irreprimível obsessão da beleza aliada à intuição de que o ímpeto criador que dele se apossara, quase como uma doença, resvalaria serenamente rumo a uma dimensão cósmica”, comenta o crítico.

Como aponta Antônio Houaiss, em texto compilado na longa Fortuna Crítica da edição relançada hoje (composta ainda por comentários de personagens como João Cabral de Melo Neto, Evaldo Coutinho, Félix de Athayde, Gilberto Freyre, Jorge Amado e o já citado Drummond, entre outros), Cardozo evoca sua vivência no Recife sem atribuir aos objetos regionais poetizados características do pitoresco e exótico, mas de elementos concretos para uma “vivência poética autêntica e definida”.

Sobre a ligação profunda com sua terra, o Recife, e o desenvolvimento de uma poética suprarregional também aponta Norões que nada no “poeta da dignidade humana” foi regionalista ou folclórico. Se foi no Recife, que Joaquim Cardozo formou-se engenheiro, iniciou sua produção poética, e onde conviveu com intelectuais e artistas como Gilberto Freyre, Vicente do Rego Monteiro, Cícero Dias e Benedito Monteiro; foi através de livros e revistas estrangeiros que acompanhou, passo a passo, as novidades literárias dos centros culturais, tendo a oportunidade de “ultrapassar os limites de sua província para assimilar um modernismo independente, ‘mais ausente que participante.’”

Segundo Norões, a junção do onírico e do real numa “equação poética perfeita” é uma das principais características da obra de Cardozo (poeta que carrega aquilo que Drummond definiu como a “sutil e subterrânea influência”, que une Simbolismo e Parnasianismo ao Pós-Modernismo). “Na sua múltipla visão, ele ousou ir fundo no seu conhecimento das coisas, não apenas da lógica da ciência, mas seguindo o itinerário de uma metafísica sentida e pressentida dentro da tradição do filósofo italiano Giambattista Vico, para quem a poesia conseguia realizar o que há de mais sublime: atribuir às coisas insensatas sentidos e paixão”.

Ainda de acordo com Everardo Norões, o apelido atribuído por Manuel Bandeira, de poeta bissexto (ou seja, de produção rarefeita) seria injusto. Cardozo não produzia pouco, pelo contrário, estava a todo momento criando novos poemas. A questão é que não se preocupava em publicá-los e muitas vezes sequer em registrá-los. “Foi graças à iniciativa de um círculo de amigos que suas obras foram publicadas. Também foi graças ao zelo de alguns de seus admiradores que grande parte de sua obra, de engenheiro-poeta, a quem nada do humano foi indiferente, pode ser preservada”, escreve.

Enfim, temos aqui a mais recente mobilização para preservar e sistematizar a produção desse pernambucano de muitos talentos (e talvez não seja tarde para lembrar: Cardozo foi responsável pelo cálculo estrutural da construção da cidade de Brasília, assim como conhecia 15 idiomas estrangeiros, entre os quais o japonês). Um livro para tratar como uma companhia silenciosa de vida.

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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-programa/625333-o-homem-do-poema-inesquecivel

E se os EUA puserem as mãos em Assange?

14.03.2011
Do blog de Altamiro Borges


Reproduzo artigo de John Pilger, traduzido pelo Coletivo VilaVudu e publicado no sítio Outras Palavras:

Quando EUA e Grã-Bretanha procuram pretexto para invadir mais um país árabe rico em petróleo, a hipocrisia é sempre a mesma. Gaddafi é “louco” e têm as mãos “sujas de sangue”. E EUA e Grã-Bretanha, autores de uma invasão que matou um milhão de iraquianos; que sequestraram e mataram em nosso nome, esses, são sãos, não sou loucos, nunca viram sangue e querem ser, mais uma vez, árbitros da “estabilidade”.

Mas alguma coisa mudou. A realidade não é mais exatamente como o poder diz que é. De todas as espetaculares revoltas que agitam o mundo, a mais espetacular é a insurreição do conhecimento, disparada por WikiLeaks. A idéia não é nova.

Em 1792, o revolucionário Tom Paine advertiu seus leitores na Inglaterra de que o governo acreditava que “o povo pode ser engambelado e mantido em estado de supersticiosa ignorância, por qualquer bicho-papão”. Os direitos do homem, de Paine, foi considerado tão perigosa ameaça ao controle pela elite, que Paine foi preso, acusado de “conspiração perigosa e traiçoeira”. Esperto, Paine fugiu para a França.

A coragem e o calvário de Tom Paine foram citados pela Fundação Sydney Peace, no prêmio australiano de Direitos Humanos, Medalha de Ouro, que a Fundação deu a Julian Assange. Como Paine, Assange é homem que não serve a nenhum sistema e está ameaçado de ter de enfrentar um júri secreto, instrumento perverso há muitos anos abandonado na Inglaterra, mas ainda em uso nos EUA.

Se for extraditado para os EUA, provavelmente desaparecerá no mundo kafkiano que gerou o pesadelo que ainda existe na baía de Guantanamo e que, agora, já praticamente condenou Bradley Manning, sem julgamento, sem qualquer prova de que teria vazado documentos para WikiLeaks, acusado de crime capital.

Se fracassar o apelo que Assange apresentou à corte britânica contra sua extradição para a Suécia, o mais provável é que lhe seja negada a liberdade sob fiança e que seja mantido incomunicável até o julgamento secreto. A acusação construída contra Assange já foi descartada por um procurador em Estocolmo, e foi ressuscitada – quando um político de direita, Claes Borgstrom, manifestou-se publicamente a favor da “culpa” de Assange. Borgstrom, que é advogado, representa hoje as duas mulheres envolvidas. Seu sócio é Thomas Bodstrom, também advogado, que foi ministro da Justiça na Suécia em 2001, implicado na entrega de dois refugiados egípcios inocentes a um esquadrão de seqüestros da CIA, no aeroporto de Estocolmo. A Suécia, depois, foi condenada a pagar indenização aos egípcios e pagou, por terem sido torturados.

Esses fatos estão documentados em relatório do Parlamento da Austrália em Canberra, publicado dia 2 de março. Denunciando o erro judiciário gigantesco que ameaça Assange, o relatório denuncia, na palavra de especialistas e seguindo padrões da justiça internacional, o comportamento de vários funcionários do governo sueco, que teriam sido considerados “altamente impróprios e repreensíveis e desqualificariam qualquer alegação de julgamento justo”.

Ex-diplomata australiano, Tony Kevin, expôs os laços muito próximos que ligam o primeiro-ministro da Suécia, Frederic Reinheldt, e Republicanos da direita dos EUA: “Reinfeldt e [George W] Bush são amigos” – disse ele. Reinhaldt atacou Assange publicamente e contratou Karl Rove, ex-assessor de Bush, como conselheiro. Se for extraditado para a Suécia, Assange corre risco gravíssimo de ser, em seguida, extraditado da Suécia para os EUA.

O inquérito e as conclusões da investigação conduzida pelo governo da Austrália foram ignorados na Grã-Bretanha, onde, hoje, se prefere sempre a farsa mais negra.

Dia 3 de março, o jornal Guardian anunciou que a produtora Dream Works, de Stephen Spielberg, prepara-se para produzir um thriller político, nos moldes de "Todos os homens do presidente", a partir do livro WikiLeaks: Inside Julian Assange’s War on Secrecy [WikiLeaks: A guerra pessoal de Julian Assange contra o sigilo].

Perguntei a David Leigh, co-autor do livro, com Luke Harding, quanto Spielberg havia pago ao jornal Guardian pelos direitos de filmagem e o que ele, pessoalmente, pensava fazer. “Não tenho ideia” – foi a estranha resposta do “editor de reportagens investigativas” do Guardian.

O jornal Guardian nada pagou a WikiLeaks pelo inestimável pacote de telegramas. Assange e WikiLeaks – não Leigh ou Harding – são os autores do que o editor de Guardian, Alan Rusbridger, apresenta como “um dos maiores furos jornalísticos dos últimos 30 anos”.

O Guardian já disse que não precisa mais de Assange, para nada. É item descartado que não tem lugar no planeta Guardian. O editor de Guardian é negociador duro. E atrevido. No livro autolaudatório do Guardian, a extraordinária coragem de Assange foi apagada. É apresentado como um ninguém, ridículo, um australiano “meio diferente”, com uma mãe de “cabelo crespo”, gratuitamente ofendido como “grosseirão” e de “personalidade doentia”, classificável no “espectro do autismo”. Como Spielberg lidará com essa infantilóide tentativa de assassinato de reputação?

No programa Panorama da BBC, Leigh repetiu maledicências sobre Assange ser indiferente à vida das pessoas cujos nomes aparecem nos vazamentos. Quanto à acusação de que Assange teria denunciado uma “conspiração de judeus”, depois da qual sobreveio uma catarata de imbecilidades de internet, de que seria agente do Mossad, o próprio Assange respondeu. Disse que “era acusação falsa, em espírito e nas palavras”.

Difícil descrever, difícil, mais ainda, imaginar, o sentimento de isolamento, de sítio, em que Julian Assange vive. De um modo ou de outro, já está pagando o preço de ter exposto a fachada da rapacidade do poder. O carrasco, aqui, não é a extrema direita, mas o liberalismo, a casca fina de pseudo liberalismo dos que se fazem de defensores do direito de informar.

O New York Times merece lugar à parte, por ter assumido que censurou e continuará a censurar os telegramas. “Levamos todo o material para a direção do jornal” – disse Bill Keller, o editor. – “A direção do jornal nos convenceu de que seria prudente editar algumas das informações”. Em artigo de Keller, Assange é pessoalmente ofendido. Na Columbia School of Journalism, dia 3 de fevereiro, Keller disse, com todas as letras, que o público não espere a publicação de novos telegramas”. Poderia causar uma “cacofonia”. Falou o cão de guarda do sistema.

O valente Bradley Manning é mantido nu, em quarto iluminado vigiado por câmeras 24 horas por dia. Para Greg Barns, diretor da Aliança dos Advogados da Austrália, não são infundados os temores de que Julian Assange “acabe torturado numa prisão de segurança máxima nos EUA”. Quem será julgado por esse crime?
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/03/e-se-os-eua-puserem-as-maos-em-assange.html

Wikileaks:Merval e Mainardi: com Serra e os EUA

09/03/2011
Do blog de Rodrigo Vianna

Mainardi e as colunas a serviço de Serra; o animal ao lado não é Merval Pereira

Não havia muitas dúvidas de que Merval Pereira e Diogo Mainardi fizeram de suas colunas (em “O Globo” e “Veja”) um espaço aberto a serviço de Serra, durante a campanha de 2010.

Mas não se sabia que eles cumpriram também o papel de correia de transmissão entre o serrismo e os EUA.

Textos publicados por Maria Frô eMiguel do Rosário no blog Gonzum mostram as relações estreitas entre os jornalistas e o Consulado dos EUA no Rio. Tudo baseado em telegramas do wikileaks, repassados com exclusividade a um grupo de blogs (entre os quais se encontra esse Escrevinhador).

Aqui, a tradução dos telegramas no blog da Maria Frô

WikiLeaks

246840/ 2/2/2010 19:13/ 10RIODEJANEIRO32/ Consulate Rio De Janeiro/ NCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY
Excertos dos itens “não classificados/para uso exclusivamente oficial” do telegrama 10RIODEJANEIRO32.

A íntegra do telegrama 10RIODEJANEIRO32.

A íntegra do telegrama não está disponível.

ASSUNTO: Ideias sobre possíveis candidatos a vice-presidente para José Serr


RESUMO. 1. (SBU) Observadores políticos e atores do PSDB no país entendem que há possibilidade de candidato do PSDB à presidência (na dianteira, nas pesquisas de intenção de voto) convidar a candidata Marina Silva, do Partido Verde, para sua chapa, como vice-presidente. Embora pareça pouco provável, nesse ponto, que Marina Silva aceite esse papel, muitos creem que, pelo menos, ela apoiará Serra num eventual segundo turno contra a candidata do PT Dilma Rousseff. Apesar de a hipótese Marina não estar descartada, analistas do PSDB veem, como cenário mais provável, que o governador de Minas Gerais, Aecio Neves (PSDB) venha a completar a chapa com Serra, como candidato à vice-presidência, apesar de Neves já ter declarado publicamente que concorrerá ao Senado. Mas, com a vantagem de Serra encolhendo nas pesquisas recentes, ressurge a especulação de que Serra possa renunciar a favor de Neves como candidato do PSDB. Até aqui, Serra é o candidato mais provável, e muitos dos nossos interlocutores declararam que uma chapa Serra-Neves seria o melhor caminho para Serra enfrentar com chances de sucesso os esforços do presidente para traduzir sua popularidade pessoal em votos para Dilma Rousseff, na sucessão. FIM DO RESUMO.

NO RIO, ANALISTAS DISCUTEM ALTERNATIVAS PARA A VICE-PRESIDÊNCIA

2. (SBU) Em almoço privado dia 12 de janeiro, o importante colunista político da revista Veja Diogo Mainardi disse ao cônsul dos EUA no Rio de Janeiro que a recente coluna [de Mainardi] na qual propõe o nome de Marina Silva como vice-presidente na chapa de Serra foi baseada em conversa entre Serra e Mainardi, na qual Serra dissera que Marina Silva seria a “companheira de chapa de seus sonhos”.

Naquela conversa com Mainardi, Serra expôs as mesmas vantagens que, depois, Mainardi listou em sua coluna: a história de vida de Marina e as impecáveis credenciais de militante da esquerda, que contrabalançariam a atração pessoal que Lula exerce sobre os pobres no Brasil, e poriam Dilma Rouseff (PT) em desvanagem na esquerda, ao mesmo tempo em que ajudariam Serra a superar o peso da associação com o governo de Fernando Henrique Cardoso que Dilma espera usar como ponto de lança de ataque em sua campanha. Apesar disso, Mainardi não acredita que Marina associe-se a Serra, porque está interessada em fixar sua própria credibilidade, concorrendo, ela mesma, à presidência. Mas Mainardi disse que crê – como também Serra – que Marina Silva pode bem vir a apoiar Serra num eventual segundo turno contra Dilma.

3. (SBU) Em plano mais realista, Mainardi disse ao cônsul que o governador de Minas Gerais Aecio Neves dissera a Mainardi, no início desse mês, que Neves permanecia “completamente aberto” à possibilidade de concorrer como candidato a vice, na chapa de José Serra. (Nota: Dia 17/12/2009, Neves declarou oficialmente encerrada a discussão sobre sua pré-candidatura à presidência e mostrou interessem em concorrer como vice-presidente [referido em outro telegrama. FIM DA NOTA).

Apesar das declarações públicas de que concorrerá ao Senado, Mainardi disse que Neves planeja esperar um cenário no qual o PSDB, talvez à altura do mês de março, convide Neves para compor a chapa, com vistas a aumentar a chance do partido contra Dilma. As ambições pessoais de Neves e seu desejo, intimamente ligado àquelas ambições, de não atrapalhar o PSDB nas próximas eleições, levariam Neves a compor a chapa, ao lado de Serra – na opinião de Mainardi.

É a mesma opinião de Merval Pereira, colunista do jornal O Globo, o maior do Rio de Janeiro, que se reuniu com o Cônsul dia 21/1. Pereira disse ao cônsul que tivera uma conversa com Neves na véspera, na qual Neves dissera estar “firmemente comprometido” a ajudar Serra fosse como fosse, inclusive como vice-presidente, na mesma chapa.

Na opinião de Merval Pereira, uma chapa Serra-Neves venceria. Pereira disse também acreditar que não só Neves aceitará a vice-presidente de Serra, mas, também, que Marina Silva também apoiaria Serra num eventual segundo turno.
(…)

Leia outros textos de Plenos Poderes
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Fonte:http://www.escrevinhador.com.br/

Lula na Al Jazeera: brasileiro não tem mais vergonha de mostrar o passaporte

14/03/2011
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim


Depender menos dos Estados Unidos e da Europa

Amigo navegante, antes de assistir a esse vídeo histórico do Nunca Dantes num evento da Al Jazeera, no Catar, faça uma curta navegação por três posts que ajudam a relevar o papel de Lula como transformador de paradigmas brasileiros.

Primeiro, veja como os tucanos vendem a rapadura e tiram o sapato para o diplomata de terceira linha dos Estados Unidos.

Depois, dê uma olhada na distância abismal que separa Celso Furtado do Farol de Alexandria.

E aqui para ler, na Carta Capital, o estudo em que o professor Wanderley Guilherme dos Santos, antes de assumir a Casa de Ruy Barbosa, enfatiza as mudanças paradigmáticas que o governo Nunca Dantes produziu.

Feita esta breve navegação, assista ao vídeo da Al Jazeera.

O Nunca Dantas explica que se aproximou do Oriente Médio para que o Brasil e o Oriente Médio dependam menos dos Estados Unidos e da Europa.

O Nunca Dantes lembra, também, que foi-se o tempo em que brasileiro – especialmente da elite branca e separatista, no caso da elite de São Paulo – tinha vergonha de mostrar o passaporte.

É por isso que o metalúrgico que não fala inglês irrita a elite e o seu ventríloquo, o PiG (*).

É por isso que todo dia o Farol de Alexandria corta os pulsos.

E o Cerra desaparece na poeira da estrada.

Em tempo: esse post foi uma sugestão do amigo navegante Marcelo.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/mundo/2011/03/14/lula-na-al-jazeera-brasileiro-nao-tem-mais-vergonha-de-mostrar-o-passaporte/

Presidente uruguaio diz que elaboração da moeda do Mercosul deve ser trabalhada

14/03/2011 16:27
Internacional Mercosul
Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil

São Paulo
– O presidente do Uruguai, José Mujica, afirmou hoje (14), depois de participar de encontro com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que a implementação de uma moeda para o comércio no Mercosul e especialmente entre o Brasil e o Uruguai é uma agenda que precisa ser trabalhada para depois elaborar maneiras de fazer acordos que permitam esse intercâmbio entre as moedas locais.

“Essa é uma parte de muitos problemas que temos que resolver daqui em diante. Tenho confiança que de alguma forma podemos alcançar as soluções. Em algum dia faremos um acordo monetário ou pelo menos algumas linhas que nos permitam sincronizar essa questão. É uma coisa difícil mas absolutamente necessária do ponto de vista estratégico”.

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, ressaltou que este é um momento de grande oportunidade econômica para o Brasil que está se refletindo em intercâmbios comerciais mais intensos e diversificados. “O Uruguai cresceu 8,5% em 2010, o Brasil 7,5%, este ano talvez o crescimento seja um pouco mais abaixo, mas as duas economias continuarão crescendo a taxas elevadas, com inclusão social. O que nós gostaríamos de ver é não só impulsionar o comércio em setores onde já ocorre, mas impulsionar em novas direções”.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, sugeriu a criação de um fórum permanente para incrementar a relação entre os dois países e também para melhorar a negociação com a China e outros países da Ásia. Ele indicou ainda a possibilidade de a Fiesp dar consultoria para a formação de profissionais uruguaios por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Edição: Rivadavia Severo
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-03-14/presidente-uruguaio-diz-que-elaboracao-da-moeda-do-mercosul-deve-ser-trabalhada

Brasil, Índia, África do Sul e o Oriente Médio

14 de março de 2011
Do blog de Luiz Carlos Vianna
10/3/2011, *M K Bhadrakumar, Asia Times Online, reproduzido no Rede Castorphoto
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Brasil-Índia-África do Sul já viram que a revolta árabe obriga a remodelar a ordem mundial

Arab revolt reworks the world order

O Brasil, a Índia e a África do Sul meteram uma cunha na engrenagem norte-americana, a qual, até ontem parecia girar e girar e girar inexoravelmente na direção de implantar uma zona aérea de exclusão [orig. "a no-fly" zone”] sobre a Líbia.

De fato, os EUA ainda podem impor a tal zona de exclusão aérea. Mas, nesse caso, o presidente Obama terá de beber do cálice envenenado e ressuscitar a controversa doutrina do pós-Guerra Fria, cara aos governos que o antecederam, do “unilateralismo” por “coalizão de vontades”. Obama não terá onde esconder-se. E tudo o que fez em sua presidência para neutralizar a imagem dos EUA como país agressor [orig. “a ‘bully’”] irá por águas abaixo.

Ontem, Delhi hospedou reunião de alto nível de ministros de Relações Exteriores, com o Brasil e a África no Sul, que bem poderia não passar de ocasião para alguma retórica inócua sobre cooperação “sul-sul”. Nada disso.

A reunião ecoou diretamente no tumultuado sistema e na atormentada ordem internacional contemporânea. A reunião decidiu a favor de declarada oposição à galopante disposição do ocidente para impor uma zona aérea de exclusão sobre a Líbia.

Tudo indica que os EUA e aliados, que estão ajudando os rebeldes líbios politicamente, militarmente e financeiramente, esperavam extrair um “pedido” do povo líbio, no máximo em um ou dois dias, que usariam como folha de parreira para aproximar-se do Conselho de Segurança da ONU e arrancar de lá a autorização para impor sanções sob os auspícios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Os rebeldes líbios são casa em que ninguém se entende: os nacionalistas opõe-se furiosamente a qualquer intervenção externa; e os islâmicos (muitos dos quais são nacionalistas) opõe-se a qualquer forma de intervenção ocidental.

O “unilateralismo” é a única opção que resta sobre a mesa

Ontem também, reuniram-se em Bruxelas os ministros da Defesa dos países da OTAN, para dar os toques finais, operacionais, à intervenção, pela OTAN, na Líbia. O fato de o secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates, ter participado da reunião mostra a importância que os EUA atribuem ao trabalho da OTAN na proposta de intervenção militar na Líbia. Gates não apareceu em outra reunião informal dos ministros de Defesa dos países da OTAN sobre a Líbia, realizada há duas semanas, nos arredores de Budapeste.

A diplomacia EUA-Grã Bretanha movia-se por trilha paralela, alardeando uma posição conjunta de todos os rebeldes líbios a favor de pedirem intervenção internacional na Líbia e, especificadamente, sob a forma de uma zona aérea de exclusão. A Liga Árabe e a União Africana mantinham-se sem se definir nem a favor nem contra aquela zona de exclusão.

Pelo cálculo de Obama, só se se conseguisse gerar “um pedido” do povo líbio haveria meio para que a história algum dia absolvesse o ocidente, e o próprio Obama, pessoalmente, pelo crime de invadir membro soberano da ONU – pelo menos, alguma absolvição moral, que fosse. E o “pedido” seria via para empurrar também a Liga Árabe e a União Africana para dentro da mesma empreitada.

Obama é reconhecido por ser intelectual inteligente e cerebrino. É político com traços específicos e raros e merece confiança, no mínimo, por seu agudo senso histórico. Seu antecessor George W Bush, em situação semelhante, teria agido com “audácia”, palavra que, muito estranhamente, o próprio Obama escolheu para associar ao seu nome, em campanha eleitoral [1].

Obama, que sabe que tem encontro marcado com a história, tem dificuldades específicas para decidir-se sobre a Líbia. Robert Fisk, conhecido comentarista de assuntos do Oriente Médio, do jornal londrino Independent, publicou despacho urgente e sensacional, na 2ª-feira (“Obama pede que sauditas entreguem armas em Benghazi”, traduzido), noticiando que o governo Obama havia procurado a ajuda do rei Abdullah da Arábia Saudita, para que entregasse armas aos rebeldes líbios em Benghazi, com o que Riad ficaria ‘com o mico’, a Casa Branca nada teria a explicar ao Congresso dos EUA e não haveria pistas que levassem a Washington.

A depravação moral da jogada – alugar os serviços de um autocrata, para violar as fronteiras da democracia – destaca o desejo obsessivo, em Obama, de camuflar qualquer intervenção unilateral dos EUA na Líbia, garantindo para ele mesmo “negabilidade” [2] perpétua, a qualquer custo.

E então, agora, vem o cruzado, certeiro, da reunião em Nova Delhi. Os três ministros de Relações Exteriores, que pertencem ao fórum conhecido pela simpática sigla IBSA (Índia-Brasil-Africa do Sul, ing. India-Brazil-South Africa) atrapalharam o bem urdido golpe de Obama, e lançaram comunicado conjunto, ontem, no qual “destacam que uma zona de exclusão aérea no espaço aéreo da Líbia, ou qualquer outra das medidas coercitivas além das previstas na Resolução 1970 só poderão entrar em cogitação se estiverem plenamente previstas na Carta da ONU e no Conselho de Segurança da ONU” (Comunicado, na íntegra, em inglês).

O ministro das Relações Exteriores do Brasil Antonio de Aguiar Patriota disse à imprensa, em Delhi, que a declaração dos IBSA foi “importante manifestação” do que o mundo não-ocidental estava pensando. Disse o ministro brasileiro: “O recurso a uma zona aérea de exclusão é visto como expediente útil, em alguns casos, mas enfraquece todo o sistema de segurança coletiva e provoca consequências indiretas prejudiciais ao objetivo que todos estamos tentando alcançar”. Patriota acrescentou:

“Intervir militarmente em situação de tumulto interno é sempre muito problemático. Qualquer decisão que vise a intervenção militar tem de ser analisada no contexto da ONU, em cerrada coordenação com a União Africana e a Liga Árabe. É muito importante não perder o contato com elas e identificar como veem a situação”. (The Hindu, Delhi, 8/3/2011)

Explicou que medidas como a zona aérea de exclusão de que agora se cogita podem tornar ainda pior uma situação já difícil e gerar sentimentos anti-Ocidente e anti-EUA “que até agora ainda não surgiram”.

Também muito significativo é o fato de que o trio de ministros também divulgou declaração conjunta sobre o quadro geral no Oriente Médio. Apresentada como “IBSA Declaration” (Ministério das Relações Exteriores da Índia, 8/3/2011, em inglês, à espera de que o Ministério de Relações Exteriores do Brasil traduza e divulgue), a Declaração reitera a expectativa de que as mudanças que estão em curso no Oriente Médio e Norte da África “tenham desdobramento pacífico”; e manifestam confiança num “resultado positivo, em harmonia com os desejos do povo”.

Parte muito importante da declaração é o reconhecimento, já na introdução, de que o problema da Palestina está no coração do grande distanciamento de que padece o Oriente Médio, e que “desenvolvimentos recentes na Região oferecem uma oportunidade para uma paz ampla (…). Esse processo deve incluir a solução do conflito Israel-palestinos (…) que levará a uma solução de Dois Estados, com a criação de um Estado Palestino soberano, independente, unido e viável, coexistindo em paz ao lado de Israel, com as fronteiras pré-1967 asseguradas e com Jerusalém leste como capital”.

‘P-5′ perde brilho

Israel deve estar enlouquecidamente furiosa com essa Declaração. Isso à parte, o que preocupará Obama e a OTAN, se três países, de três continentes ‘longínquos’, levantam-se e apresentam declaração conjunta sobre uma zona “no-fly”? Quem, afinal, são esses países? Ah, sim, Obama, sim, está preocupadíssimo. Em resumo curto, os três países estão hoje assentados como membros não-permanentes do Conselho de Segurança da ONU e o que quer que digam tem altíssima visibilidade na ordem mundial que acicata a Líbia.

Em Delhi, tudo indica que pelo menos mais um membro não-permanente do Conselho de Segurança – o Líbano – acompanha a trilha aberta pelos IBSA. O que significa “a voz árabe”, afinal, no Conselho de Segurança.

Em resumo, o que se ouve agora é uma voz coletiva afro-asiática, árabe e latino-americana. E não é voz que possa ser facilmente nem calada nem descartada. Ainda mais importante, a posição de Brasil-Índia-África do Sul empurra pelo menos duas grandes potências, membros permanentes, com poder de veto, contra os chifres de um dilema agudo.

A Rússia diz que mantém política externa contrária ao “unilateralismo” dos EUA, e que se pauta estritamente pelo cânone da lei internacional e da Carta da ONU. E a China insiste que representaria os países desenvolvidos. Agora, a posição de Brasil-Índia-África do Sul torna virtualmente impossível que a China construa qualquer tipo de acordo faustiano com os EUA e as potências ocidental em relação à Líbia… no concílio secreto dos detentores de poder de veto do Conselho de Segurança – conhecido como “P-5”.

Por tudo isso, a declaração conjunta de Brasil-Índia-África do Sul, IBSA, semelhante em vários sentidos ao movimento Turquia-Brasil, na questão do programa nuclear do Irã, está, de fato, denunciando a hipocrisia moral do P-5 e dos segredos e vielas ocultas pelas quais se esgueiram.

Interessante também que Delhi tenha subscrito o Comunicado IBSA no momento em que o vice-presidente dos EUA Joseph Biden voava para Moscou, para reuniões amplas sobre os futuros rumos do “reset” das relações EUA-Rússia. Qualquer negócio que EUA e Rússia acertem agora, sobre a Líbia, no quadro do tal “reset” aparecerá, inapelavelmente, como movimento de oportunismo político amoral ou, dependendo do negócio, imoral.

A posição da China não é menos apertada. A China hospedará a reunião de cúpula dos BRICSs em Pequim, em abril. Três ‘bricss’ (Brasil, Índia e África do Sul) dos BRICS (Brasil, Índia, África do Sul e China) subscreveram a Declaração da IBSA. O grupo BRICS pode correr o risco de esvaziar o comunicado conjunto do IBSA sobre a Líbia? Falta perguntar à China. E a China pode, sozinha, andar na contramão de três importantes “países em desenvolvimento”?

Mas, pelo menos para a China, há perspectiva de algum alívio. A China pode, de fato, até, suspirar aliviada. A posição dos IBSA alivia a pressão que os EUA estão fazendo sobre ela, e impossibilita que o problema da “no-fly zone” sobre a Líbia converta-se em questão bilateral entre EUA e China. Semana passada, a China ajudou os EUA a aprovar a Resolução sobre a Líbia, no Conselho de Segurança. Foi movimento surpreendente, que a China tenha votado a favor de resolução que admite intervenção nos assuntos internos de país soberano.

Comentaristas ocidentais festejaram euforicamente a mudança no comportamento dos chineses na mesa superior da política mundial e já apostavam na certeza de que a China, afinal, teria começado a agir como potência “responsável”, disposta a trabalhar aliada ao ocidente, como “acionista” do sistema internacional – como faz a Rússia.

Claramente, a China está sob ataque de sedução, para que dê um passo adiante e fure suas próprias muralhas de princípios, também no que tenha a ver com aprovar a zona “no-fly” na Líbia. Nada sugere que a China ceda, sucumbida ante a bajulação. Mas fato é que, se sucumbir, lá estará, exposta, à plena luz, sob atenção vigilante dos países em desenvolvimento. Verdade é que será muito difícil, para Pequim, esconder tanto “pragmatismo”, sob o manto dos venerados princípios. Evidência indiscutível, isso sim, é que a Declaração de Brasil-Índia-África do Sul livrou a China de toda a pressão que os EUA aplicavam contra ela, para aprovar a zona “no-fly” sobre a Líbia.

A Índia recupera a identidade

Ocorre uma ideia interessante: estará a Índia forçando a mão dos chineses? Não há dúvidas de que Delhi percebeu que a crise da Líbia gera grande oportunidade para que a China trabalhe, em espírito de cooperação, com os EUA – o que seria bem vindo fermento no relacionamente geral entre as duas potências. A “no-fly” zone seria excelente aditivo e China e EUA entrariam em frase de boas relações alquimicamente produzidas. Pequim sabe que a presidência de Obama [e sua reeleição] dependem criticamente de como opere na crise do Oriente Médio.

Ao mesmo tempo, o movimento da Índia no IBSA não pode ser analisado como apenas “chinacêntrico”. Em termos geopolíticos e bofetada altamente visível, nos EUA. Em termos de ‘a ira de Obama’, haverá um preço a pagar. O fato de que a Índia se disponha a correr esse risco e, eventualmente, pagar o preço – com tanta coisa em disputa, no momento em que a Índia aspira a um assento permanente no Conselho de Segurança – dá significado especial à Declaração do IBSA. Fazia muito tempo que a Índia não se levantava para ser vista como front significativo da política exterior dos EUA.

É mais que simples coincidência, também, que a Declaração da IBSA fale tão abertamente a favor da causa dos palestinos. A Índia optou por correr risco calculado e incomodar Israel e o lobby pró-Israel nos EUA. Além disso, há outros sinais, também, de que a Índia afinal, decidiu promover ampla recauchutagem em suas políticas para o Oriente Médio. A Declaração da IBSA é apenas uma primeira manifestação de que a Índia começou a repensar sua política – e talvez essa não seja a modificação de mais longo alcance, na geopolítica da Região.

No momento em que os IBSA adotavam posição sobre a Líbia e o Oriente Médio, claramente a favor do nacionalismo árabe, o Conselheiro de Segurança Nacional da Índia, Shiv Shankar Menon – político de alta reputação como eficientíssimo diplomata, e que trabalha sob ordens diretas do primeiro-ministro Manmohan Singh – estava ocupado em importantes conversações em outro ponto do Oriente Médio, no Irã, com o presidente Mahmud Ahmadinejad.

Longe das câmeras de televisão, Menon entregou carta de Manmohan a Ahmadinejad. Segundo comunicado distribuído pelo gabinete de Ahmadinejad, o presidente do Irã disse a Menon:

“Irã e Índia são países independentes, com papel significativo no encaminhamento das questões internacionais (…) As relações entre Irã e Índia são históricas e sustentáveis. Irã e índia, porque sempre se beneficiaram de preservar pontos de vista humanitários nas relações internacionais, devem trabalhar para modelar o futuro sistema mundial, de modo a que se rejam por princípios de justiça e amizade. A ordem que ainda rege o mundo está à beira do colapso. Sob as atuais circunstâncias, é muito importante que uma nova ordem mundial seja construída e é preciso conseguir que os que impuseram as leis da opressão contra todos não consigam reimpô-las, no novo contexto (…) Irã e Índia terão papel significativo nos desenvolvimentos mundiais futuros. Nossas duas nações, por suas origens e culturas fazem falta ao mundo, hoje.”

A mesma fonte informa que Menon disse a Ahmadinejad:

New Delhi trabalha hoje a favor de boas e amplas relações com o Irã, laços estratégicos, inclusive (…) Muitas das suas [de Ahmadinejad] previsões sobre desenvolvimentos políticos e econômicos no mundo já são realidade e as mudanças envolvem a própria ordem mundial, o que exige que continuemos a construir e estreitar as relações entre o Irã e a Índia (…) As relações entre a República Islâmica do Irã e a República da Índia estão além das relações políticas atuais, têm raízes culturais e civilizacionais, e os dois países têm grande potencial para aproafundarmos relações bilaterais, regionais e internacionais.

Nada mais a dizer. Está tudo declarado e dito. Em resumo, esse tipo de contato político de alto nível entre Irã e Índia era impensável até bem pouco tempo. É sinal muito eloqüente de quanta coisa mudou no Oriente Médio, do papel importante que o Irã alcançou e é sinal, também, de que a Índia já viu tudo isso, muito claramente.

Mais importante que tudo isso, a chegada de Menon a Teerã nesse momento, sob as atuais complexas e tumultuadas circunstâncias, em missão diplomática pioneira e sem precedentes [3], para ativar os entendimentos estratégicos entre Índia e Irã também é evidência de que cresce em toda a Região a consciência de que os tempos de dominação ocidental sobre o Oriente Médio caminham inexoravelmente para o fundo dos livros de história. A ordem mundial nunca mais será a mesma.

Embaixador*M K Bhadrakumar foi diplomata de carreira; serviu no Ministério de Relações Exteriores da Índia. Ocupou postos diplomáticos em vários países, incluindo União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão, Kuwait e Turquia.

Notas de tradução


[1] The Audacity of Hope: Thoughts on Reclaiming the American Dream [A Audácia da Esperança] é o título do segundo livro de autoria do então senador Barack Obama. No outono de 2006 alcançou o 1º lugar na lista dos mais vendidos do New York Times e da Amazon.com, depois de promovido no programa de Oprah Winfrey. Dia 10/2/2007, menos de três meses depois da publicação do livro, Obama anunciou sua pré-candidatura, afinal vitoriosa no Partido e nas urnas, à presidência.
[2] Sobre “negabilidade total”, ver “Blackwater e a negabilidade total”, 21/9/2010, em , sobretudo a nota 1.
[3] Aqui, nosso brilhante companheiro analista erra. Há precedentes para esse movimento em que a Índia agora, afinal, está embarcando, bem vinda companheira. Celso Amorim e Lula do Brasil viram tudo isso ANTES da Índia. Patriota segue aquela trilha, bem seguida. E a Índia, muito provavelmente, também segue aquela trilha, aquela, sim, livre, independente, visionária e pioneira.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/brasil-india-africa-do-sul-e-o-oriente-medio.html

Japão pede ajuda dos EUA para resfriar reatores nucleares

14.03.2011
Do ÚLTIMO SEGUNDO, iG São Paulo

Comissão Reguladora de Energia Nuclear americana fornecerá assistência técnica para complexo de usinas de Fukushima Daiichi

O governo japonês solicitou formalmente aos Estados Unidos ajuda para resfriar os reatores nucleares danificados pelo terremoto no Japão na semana passada, informou nesta segunda-feira a Comissão Reguladora da Energia Nuclear (NRC) americana.

Em entrevista coletiva na Casa Branca, o presidente da comissão, Gregory Jaczko, indicou que a NRC respondeu ao pedido e pode fornecer assistência técnica. A NRC já conta com dois técnicos presentes no Japão, que têm como missão informar à embaixada americana sobre o desenvolvimento dos eventos dentro de uma equipe da Agência Internacional americana para o Desenvolvimento (USAID). "É uma situação séria e seguiremos fornecendo toda a assistência que for solicitada", declarou Jaczko.

Tanto Jackzo como o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, asseguraram que apesar do ocorrido no Japão, o Governo não mudará sua política de apoio à energia nuclear, um dos pilares da estratégia energética do presidente Barack Obama para reduzir a dependência do petróleo estrangeiro.

Explosão não danificou reator nuclear (14/03)
Foto: Reutes

Explosão não danificou reator nuclear (14/03)

Nesse sentido, o presidente da comissão indicou que as usinas nucleares americanas são construídas para suportar todo tipo de desastres naturais, incluindo tsunamis e terremotos. Carney não quis pronunciar-se, no entanto, sobre se essas construções estão preparadas para resistir um terremoto similar ao ocorrido no Japão. A energia nuclear, declarou por sua parte Carney, "continua sendo parte do plano energético do presidente... É uma parte essencial para alcançar padrões de energia limpa".

Previamente, em discurso em um centro de Ensino Médio, Obama havia reiterado que os Estados Unidos continuarão oferecendo toda a assistência possível ao Japão após o devastador terremoto registrado na semana passada. "Sigo desconsolado pelas imagens da devastação no Japão", indicou o presidente americano ao iniciar um discurso sobre a reforma educativa em uma escola de Arlington, na Virgínia.

De acordo com o jornal americano The New York Times, as operações de emergência do Japão para conter a crise no complexo nuclear de Fukushima Daiichi fracassaram na terça-feira de manhã (horário local), aumentando os riscos de um vazamento de material radioativo maior. O reator número 2 de Fukushima Daiichi voltou a ficar instável apesar da injeção de água salgada em seu contêiner secundário para tentar resfriar o núcleo e impedir uma fusão que emita radioatividade.

Exposição

Nesta segunda-feira, barras de combustível em um reator nuclear japonês atingido pelo terremoto que devastou o país na sexta-feira ficaram expostas por dois, informou a operadora da usina no nordeste do Japão, a Tokyo Electric Power Co. (Tepco).

A informação se refere ao reator número 2 do complexo Fukushima Daiichi, onde os índices de água para resfriamento em volta do núcleo do reator baixaram após a explosão do reator 3 da usina, que destruiu o teto e as paredes da instalação. Segundo a agência Jiji, a possibilidade do derretimento das barras de combustível não poderia ser descartada, com a fusão parcial do núcleo de um dos reatores. O derretimento aumentaria o risco de danos ao reator e de um possível vazamento nuclear, dizem especialistas.

A estação de bombeamento que permite manter submersas as barras de combustível parou de funcionar, o que reduziu o nível de água no reator e manteve 3,7 metros das barras de combustível (que têm 4 metros) expostas ao até pelo menos às 20h07 desta segunda-feira (08h07 no horário de Brasília). As barras voltaram a ficar expostas posteriormente.

Diante dessa situação, a empresa usou água do mar diretamente no reator para afundar as barras de combustível nuclear e conter o eventual processo de fusão. Apesar das informações, o porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, descartou a possibilidade de uma grande explosão no reator.

O reator 2 é o terceiro da usina nuclear de Fukushima a sofrer uma pane no seu sistema de resfriamento. Problemas semelhantes causaram explosões em outros dois reatores, informou o operador da instalação. Mais cedo, a segunda explosão atingiu o reator número 3 de Fukushima, dois dias depois de um incidente semelhante envolvendo o reator número 1.

Segundo a agência de segurança nuclear do Japão, a explosão foi causada por um acúmulo de hidrogênio. O incidente deixou 11 feridos, um deles em estado grave. Mas as autoridades afirmaram que o reator número 3 resistiu ao impacto. O núcleo da estrutura teria permanecido intacto e os níveis de radiação, abaixo dos limites considerados legalmente perigosos.

Ainda assim, dezenas de milhares de pessoas foram retiradas das proximidades da instalação e 22 estão sob tratamento por exposição à radiação. O governo informou que o sistema de bombeamento de água do mar para os reatores permanece em operação apesar da última explosão.

No fim de semana, técnicos trabalharam para resfriar os três reatores da usina Fukushima 1, que tiveram problemas em seu sistema de resfriamento após o terremoto e o tsunami na sexta-feira.

O porta-voz do governo, Yukio Edano, afirmou que há baixa possibilidade de contaminação por radiação por conta da última explosão. Especialistas creem que é improvável uma repetição do desastre nuclear das proporções de Chernobyl, em 1986, porque os reatores atuais são construídos com padrões mais elevados e sob medidas de segurança mais rigorosas.

O acidente nuclear de Fukushima alcançou um nível de gravidade maior do o de Three Mile Island, em 28 de março de 1979, mas não chegou ao nível de Chernobyl, de 1986, afirmou o presidente da Autoridade Francesa de Segurança Nuclear (ASN), André-Claude Lacoste. "Temos a impressão de que estamos pelo menos em nível 5 ou nível 6 (de uma escala de 7)", indicou Lacoste à imprensa. "É algo além de Three Mile Island (nível 5) sem alcançar Chernobyl (nível 7). Estamos com toda certeza num nível intermediário, mas não se pode descartar que podemos chegar a um nível da catástrofe de Chernobil", acrescentou.

Devastação

Uma gigantesca operação foi posta em marcha para resgatar os mortos e desaparecidos no desastre natural. A repórter da BBC Rachel Harvey, que está na cidade portuária de Minami Sanriku, disse que as águas avançaram cerca de 2 km terra adentro, devastando a paisagem com destroços.

A repórter disse que o cenário é de extrema devastação e é improvável que haja muitos sobreviventes. Até agora foram confirmados 1.833 mortos, mas o número final deve ser muito maior. A agência de notícia Kyodo News afirmou que foram encontrados cerca de 2 mil corpos na região administrativa de Miyagi nesta segunda-feira, mas os números não foram confirmados oficialmente.

Em Sendai, capital de Miyagi, a 300 km de Tóquio, as equipes de resgate também estão encontrando cenas de devastação. Réplicas do terremoto de sexta-feira estão sendo registradas na capital japonesa.

Crise

Mais cedo, o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, anunciou que o país passará a enfrentar cortes no fornecimento de energia. Depois, o governo decidiu adiar os cortes até ficar claro qual será a economia de energia nas residências.

As autoridades estão aconselhando os cidadãos a não ir para o trabalho nem levar seus filhos à escola, para evitar sobrecarregar a debilitada capacidade do sistema de transporte público. O premiê disse que o desastre mergulha o país "na crise mais grave desde a Segunda Guerra Mundial".

Estimativas preliminares elevam os custos de recuperação da tragédia em dezenas de bilhões de dólares - um forte golpe para o país, em um momento em que a economia mundial dá sinais de retomada. O governo afirmou que injetará 15 trilhões de ienes na economia japonesa (mais de US$ 180 bilhões) para dar um sinal positivo para o mercado financeiro, que abriu em queda nesta segunda-feira.

*Com BBC, Reuters, EFE e AFP

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Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/japao+pede+ajuda+dos+eua+para+resfriar+reatores+nucleares/n1238166724534.html