sábado, 12 de março de 2011

Quem tem medo da verdade?

11.03.2011
Do site de CartaCapital
Por Cynara Menezes

Temos diante de nós uma oportunidade de ouro: a de colocar em pratos limpos quem é democrata de fato no País e quem usa a democracia como uma bandeira de conveniência.

Durante oito anos, a grande imprensa brasileira cobrou do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva fictícios atentados contra a liberdade de expressão. Acusavam Lula de possuir “anseios autoritários”. Nunca antes na história viram-se jornais tão zelosos do sagrado direito do cidadão de se informar. Mas quem agora, dentre estes baluartes da democracia, será capaz de se posicionar ao lado da presidenta Dilma Rousseff em favor da instalação da Comissão da Verdade, que pretende apurar os crimes cometidos durante a ditadura? Ou isto não é direito à informação?

Dilma tem manifestado a auxiliares seu interesse em proporcionar uma satisfação oficial do Estado a familiares e vítimas da ditadura, como fizeram nossos vizinhos na Argentina, Chile e Uruguai. Faz parte da agenda da ex-guerrilheira, presa e torturada, destacar-se na defesa dos Direitos Humanos. A titular da pasta, ministra Maria do Rosário, declarou, de chegada, ser assunto prioritário do governo a instalação da comissão. Mas foi só a presidenta assumir que sumiram das páginas mais “liberais” de nossa imprensa os artigos dos colunistas fixos em defesa da comissão. Foram suplantados por textos em defesa da… Defesa, o poderoso ministério que abriga os militares das três Forças.

No final do governo Lula, um articulista da nobre página 2 da Folha de S.Paulo, por exemplo, chegou a publicar várias colunas cobrando do presidente mais vigor na investigação do período militar, que tirasse a Comissão da Verdade do papel. Depois que Dilma demonstrou estar decidida a encarar o desafio, nunca mais. O que se vê atualmente são matérias, à guisa de furos de reportagem, ecoando a opinião dos militares mais obtusos da ativa, se não simplesmente já em seus pijamas. Em editoriais, mesmo, nenhum dos nossos grandes e democráticos jornais foi capaz de defender a instalação da comissão.

O Globo, aliás, fez justamente o contrário: espinafrou qualquer possibilidade de se mexer num passado que não lhe foi, afinal, o que poderia se chamar de “período de vacas magras”. Em editoriais, o jornal dos Marinho, sempre tão vigilante na hora de apontar tendências antidemocráticas em Lula, chamou a comissão de “orwelliana” e “encharcada de revanchismo”. Uma verdadeira “CPI da Ditadura” – como se isso não fosse algo a celebrar. O diário carioca fez malabarismos ao aliar o suposto “autoritarismo” de Lula a uma comissão “ao gosto dos regimes stalinistas”. É certo que Stalin reescreveu a verdade a seu bel-prazer. O Globo, porém, parece preferir que ela não seja nem sequer contada.

No início deste ano, a Folha bem que tentou disfarçar sua real opinião sobre o período que alcunhou de “ditabranda”, intercalando artigos de convidados contra e a favor da instalação da comissão. E uma ou outra carta apareceu em seu painel do leitor francamente favorável à investigação do passado. Mas a posição oficial do jornal é de editorial publicado em 31 de dezembro de 2009. Os crimes da ditadura, assegurava a Folha, “foram cometidos pelos dois lados em conflito”. Revisar a Lei da Anistia, nem pensar, publicou no editorial: “Não há nenhuma vantagem para a democracia em atiçar ressentimentos”. Para concluir: “O passado não deve ser esquecido – mas que não seja entrave e fonte de perturbação para o presente”.

A mim parece no mínimo curioso que órgãos de imprensa tão ciosos da democracia acatem os argumentos dos generais que impingiram ao país – eles sim, não Lula – uma ditadura. O projeto da Comissão da Verdade inclusive contempla a caserna, ao propor também a investigação de possíveis abusos cometidos pelos que lutaram contra o regime militar. Exigência, como se vê, dos militares, aliados aos jornais, e levada a cabo pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que por fim conseguiu embuti-la no texto levado ao Congresso. Ainda assim, continuam as restrições à comissão, pelos soldados armados e os de papel.

Um observador atento diria que a atitude reticente dos jornais em relação à Comissão da Verdade deixa transparecer um certo temor das investigações. Mas por que a grande imprensa brasileira teria medo da verdade? Acaso seria uma verdade inconveniente? Tempos estranhos estes em que democratas preferem o obscurantismo à luz.

Uma nota: O Estado de S.Paulo fica de fora desta análise apenas porque não encontrei em seu arquivo online e na internet nenhuma opinião do jornal sobre a Comissão da Verdade. Teria optado pelo silêncio?


Cynara Menezes é jornalista. Atuou no extinto "Jornal da Bahia", em Salvador, onde morava. Em 1989, de Brasília, atuava para diversos órgãos da imprensa. Morou dois anos na Espanha e outros dez em São Paulo, quando colaborou para a "Folha de S. Paulo", "Estadão", "Veja" e para a revista "VIP". Está de volta a Brasília há dois anos e meio, de onde escreve para a CartaCapital
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Fonte:http://www.cartacapital.com.br/politica/quem-tem-medo-da-verdade

Notícias internacionais têm pauta única

12.03.2011
Do blog de Altamiro Borges

Reproduzo artigo do professor Laurindo Lalo Leal Filho, publicado no sítio Carta Maior:

Quando a revolta árabe chegou à Líbia, fornecedora de grande parte do petróleo consumido na Europa, a batalha da informação tornou-se mais acirrada.

Notícias falsas começaram a circular pelas agências internacionais de notícias e por algumas redes de televisão. No Brasil foram reproduzidas sem crítica.

Duas delas:

1) O presidente Muhamar Kadaffi recebe asilo político da Venezuela e segue para Caracas.

2) Kadaffi negocia com rebeldes sua saída do pais. Quer levar a família e grande quantia em dinheiro.

Mentiras logo esquecidas. Quando o repórter da Telesur relatou, ao chegar a Trípoli, que a situação era de calma na cidade foi ridicularizado pela Folha de S.Paulo e por uma de suas articulistas, até com chamada de capa.

Aquela altura toda a corrente majoritária da mídia internacional, acompanhada pela brasileira, dava como certa uma rápida vitória dos rebeldes.

A Telesur mostrava que na Líbia a situação era diferente do que havia ocorrido na Tunísia ou no Egito. As manifestações de massa não tinham chegado ao centro do poder e poderia haver um equilíbrio maior entre os lados em conflito, o que acabou se confirmando.

A atuação da Telesur, ao lado da Al-Jazira e outras emissoras árabes, mostra a importância de uma diversidade maior no fluxo internacional de informações.

As agências de notícias tradicionais foram criadas como empreendimentos para a divulgação de informações financeiras em meados do século 19.

A Reuters, de 1851, esteve durante muito tempo a serviço da família Rothschild, interessada em informações rápidas e precisas sobre os mercados financeiro e mercantil da Europa.

Apoiadas pelos governos dos países onde tinham sede, essas agências nunca deixaram de ver o mundo segundo a ótica peculiar desses mesmos países.

Tanto é que a UNESCO, nos anos 1970/80, impulsionou o debate por uma Nova Ordem da Informação e da Comunicação interrompido com ascensão dos governos Reagan, nos EUA, e Thatcher, no Reino Unido.

Perceberam esses governantes que uma “nova ordem” informativa implicaria num enfraquecimento do projeto neoliberal, em fase inicial de implantação no mundo.

A sonhada circulação de notícias sul-sul, capaz de quebrar o fluxo informativo norte-sul, foi adiada. EUA e Reino Unido chegaram a cortar suas contribuições financeiras para a UNESCO como forma de pressioná-la a deixar de lado o debate sobre a comunicação.

E foi o que aconteceu. Os anos 1990 assistiram a um perfeito entrosamento entre a ordem econômica e a ordem informativa, alinhadas no projeto neoliberal.

Mantinha-se praticamente intacto o fluxo informativo internacional implantado no século 19 pelas três grandes agencias internacionais européias (Reuters, Wolff e Havas) e, associado no século 20, às estadunidenses AP e UPI.

A centralidade de poder era tão grande que notícias da Bolívia só chegavam ao Brasil depois de passar por Nova York, Paris ou Londres.

Se a UNESCO não conseguiu romper essa lógica, o surgimento de novas tecnologias da informação e a visão estratégica de alguns governos, como os da Venezuela e do Qatar, puseram em cheque a ordem estabelecida.

No Egito, relata Paulo Cabral, ex-correspondente da BBC Brasil no Cairo, as antenas parabólicas estão em quase todos os domicílios captando essencialmente emissoras árabes como a Al-Jazira.

Suas informações – ao longo de muito tempo – serviram de caldo de cultura para desencadear a revolta, ampliada a seguir pela redes na internet.

A Telesur, por sua vez, vem demonstrando a importância da existência de pautas alternativas às das grandes agências.

Como exemplos pode-se citar as cobertura do golpe de Estado contra o presidente Zelaya, em Honduras; as libertações de reféns pelas Farc na Colombia e mesmo as reuniões de chefes de Estado sulamericanos, tão maltratadas pela mídia tradicional.

Infelizmente, no entanto, imagens da Telesur e da Al-Jazira quase não chegam até nós. No caso da emissora latina é necessária a compra de um decodificador, ligado a uma antena direcionada para o satélite por onde trafegam os seus sinais televisivos.

Mas existem dois caminhos bem mais simples: sua inclusão no menu das operadoras de TV por assinatura e a utilização dos seus serviços pelas emissoras brasileiras nos telejornais, como o que é feito com CNN, Reuters e outras.

Isso só não ocorre porque as operadoras de canais fechados e as TVs abertas negam-se a veicular visões de mundo desalinhadas do pensamento único.

E mesmo emissoras públicas, com poucas exceções, preferem seguir a pauta diária estabelecida pelas grandes agências internacionais, curvando-se ao modelo em vigor no mundo desde 1835, quando Charles Havas fundou a primeira agência internacional de notícias na França.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/03/noticias-internacionais-tem-pauta-unica.html

Fração Bolchevique e a mancha vermelha

13.03.2011
Do blog de Rodrigo Vianna

Depois de uma bem-sucedida cirurgia dentária, recebo a recomendação de repouso. Nada de movimentos bruscos, nada de esforço, nada de reportagem na rua.

OK. Escolho o escritório aqui de casa para o descanso forçado. E acabo de achar, esquecida na gaveta, uma daquelas velhas pastas – com folhetos e anotações da época de Faculdade. Nada relacionado ao estudo. 1987, 1988, 1989… Foram anos intensos, por causa da militância política. Além de Jornalismo, cursei História, na USP. E logo mergulhei naquele emaranhado de tendências e pequenos grupos que pareciam acreditar na iminência da revolução socialista.

A Convergência Socialista-CS (que depois viraria PSTU) era uma tendência do PT: grupo trotskista, com uma dúzia de militantes (barulhentos) na USP. Entre eles o Wilson, que costumava brincar com sua condição: “sou minoria pra valer, triplamente minoria – negro, homossexual e trostskista”.

Também havia a turma de “O Trabalho” (antiga Libelu, outra facção trostkista), a DS (trotskista também), os “igrejeiros” (esquerda católica), o PPS (tendência “basista” do PT, não confundir com o atual partido de Roberto Freire), a Articulação (setor majoritário do PT), o PCdoB (que no movimento estudantil atuava sob o nome de “Viração”). Fora os independentes e “anarquistas”.

Era um cipoal de siglas que confundia e afastava os estudantes “comuns” dos debates. Confusão geral. Divertido. Mas era preciso ter paciência. O que me incomodava era a distância entre discurso e realidade. Nas assembléias, gastava-se mais tempo com debates sobre a solidariedade aos “guerreiros tamis” (facção que lutava pela independência do Sri-Lanka), do que para tratar das questões da Universidade.

Por isso, eu não me identificava muito com nenhuma das tendências. Tinha simpatia pelo Brizola, mas o PDT inexistia em São Paulo. Acabei -me aproximando ( por afinidades pessoais e pela moderação no discurso, o que me agradava) da turma do velho PCB! Sim, na época ainda havia o velho PCB – alinhado com a União Soviética.

A “base comunista” na USP devia contar com uns doze ou 15 militantes – incluindo gente de quem sou muito amigo até hoje, como o jornalista Rogério Pacheco Jordão e o economista Demian Fiocca. Mas também havia o Pedro Puntoni (hoje professor de História na USP), a Silvia Lins (também professora), o Andre Goldmann ( filho do ex-governador tucano Alberto Goldmann, que na época estava no PCB), a Marcela, a Claudia, a Valéria. A Monica Zarattini (que eu encontraria muito tempo depois como fotógrafa do “Estadão” – onde continua até hoje) era a coordenadora da “base”.

Lembro bem que, em 1987, eu era diretor do Centro Acadêmico na História, e organizamos um seminário sobre os “70 Anos da Revolução de Outubro”. Pau puro. Os trotskistas dominaram os debates – com críticas (merecidas) ao burocratismo do Estado soviético. Na mesa, um dos debatedores era o velho Zarattini (pai da Mônica), militante histórico, a quem tínhamos convidado porque ele era do PCB (anos depois, entraria no PT).

Diante de tantas críticas à URSS, Zarattini respondeu com uma frase dura e típica: “a pior forma de anticomunismo é o anti-sovietismo”. Fez-se silêncio no auditório. Parecia um argumento fora do tempo. E era. Cinco anos depois o bloco socialista ruiria.

Por essas e outras, o PCB não era lá muito popular entre os estudantes. Rogério e Demian, certa vez, foram procurar um veterano “dirigente” do partido para decidir a linha política a ser adotada nos embates do movimento estudantil. A resposta do “dirigente”, típica do velho partidão: “olha, na USP nossa linha é muito clara, o nosso aliado principal é… o reitor”. Balde de água fria na cabeça dos jovens militantes. Como dizer isso aos estudantes que queriam reivindicar, cobrar, brigar, mudar tudo?

He, He. Um partido assim não podia durar muito tempo.

1988: pouco antes de aderir à Fração Bolchevique

O PT, com suas várias tendências, era totalmente hegemônico na Universidade. Em 88, organizamos um outro seminário, sobre os 20 anos do Maio de 1968: “A Imaginação no Poder”. A foto ao lado mostra esse escrevinhador, ao lado do principal convidado – os dois tinham muito mais cabelos.

Em 88, fiz campanha pra um vereador do PT – o Chico Whitaker, ligado à Igreja. A brincadeira com o Chico na época era: “sua campanha tá tão forte, e tão ampla, que tem até comunista misturado na Igreja”. Mas comunista nunca fui. Não me filiei ao PCB. Era considerado apenas “área de influência” (como se dizia no jargão da época).

Em 89, veio a campanha presidencial. O PCB lançou Roberto Freire (ele teria só 1% dos votos), que conquistou simpatias na classe média. Mas a “base” da USP não ficou com ele, rachou com o partido e decidiu apoiar Lula.

Como eu disse, éramos poucos. Mas o apoio da “base comunista da USP” a Lula animou a turma do PT. Lá pelo meio do ano, organizou-se o “Núcleo pró-Lula na Universidade de São Paulo”. A reunião de lançamento aconteceu na FEA, a Faculdade de Economia. Sala lotada. Mais de cem pessoas. Na mesa, a turma do PT e do PCdoB. Elegeu-se uma comissão, com representantes de todas as tendências: Articulação, DS, CS, OT, Igreja, PCdoB… Até que alguém olhou pra um canto do auditório e viu Rogério e eu lá quietinhos: “escuta, gente, precisamos incluir na coordenação um representante do … do PCB… ou da dissidência do PCB. Afinal, vocês são o que?”

O Rogério não teve dúvidas, e lascou na base da gozação: “somos da Fração Bolchevique do PCB”. O cara na mesa não percebeu a ironia, e concluiu: “então, registre-se em ata, a Fração Bolchevique também está com Lula”.

A Fração Bolchevique, inventada pelo meu amigo Rogério, não durou muito. Passada a eleição, a “base do PCB” se desintegrou. E a maior parte da turma migrou para o PT.

Antes disso, agitamos bastante. Numa passeata pró-Lula, meu irmão (que não era próximo do PCB, mas também apoiava Lula) e eu ficamos incumbidos de arrumar tinta pras faixas. Compramos a lata, gigantesca, que eu desavisadamente deixei sobre uma cadeira na sala de casa. Na hora de sair pra pintar as faixas, esbarrei na cadeira, a lata voou, e aquela tinta vermelha esparramou-se toda pelo carpete de casa…

À noite, meu pai viu a mancha no chão, e perguntou o que era. Diante da nossa explicação, desferiu ironicamente: “vocês querem votar em Lula, tudo bem; mas, por favor, mantenham o carpete de casa longe dos embates políticos”.


Leia outros textos de Vestígios
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Fonte:http://escrevinhador.com.br/

Wikileaks:Serra prometeu mais alinhamento aos EUA e criticou Lula

12.03.2011

Do blog AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

Era 18 de dezembro de 2009. No dia anterior, o então governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), divulgara nota desistindo da candidatura à Presidência da República. No Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, seu correligionário, José Serra, que se recusava a tratar de uma eventual candidatura publicamente, sugeria ao secretário-assistente para o Hemisfério Ocidental do Governo dos EUA, Arturo Valenzuela, que como presidente conduziria uma política externa mais alinhada com os Estados Unidos.


É o que revela o novo lote de telegramas vazados pelo site Wikileaks para blogs, cujo recorte é a eleição presidencial de 2010. Durante os 90 minutos do encontro, Serra criticou a política externa do governo Lula, disse que as referências do governo americano a uma "relação especial" com Lula não agradavam a todos os segmentos do Brasil e "poderiam ser manipuladas pelo PT". A conversa parece não ter impressionado o secretário: "Serra pareceu em geral mal informado ou desinformado sobre recentes desdobramentos no Cone Sul, inclusive sobre a situação do presidente [Fernando] Lugo do Paraguai [então às voltas com uma série de reconhecimentos de paternidade], parecendo imerso principalmente na política brasileira provinciana", relata o documento.

Então líder nas pesquisas de intenção de voto, Serra disse a Valenzuela que o Brasil estava alcançando níveis nunca vistos de corrupção e que o PT e sua coalizão de apoio usavam os crescentes gastos públicos para construir uma máquina eleitoral. Somado ao fato de o PSDB, segundo o ex-governador, Serra ser relativamente mais pobre, Serra deu a Valenzuela a impressão de não estar firmemente convencido de que venceria as eleições presidenciais.

Em sua passagem pelo Brasil, Valenzuela já havia participado de um almoço com analistas políticos e econômicos, entre eles o ex-ministro de Relações Exteriores Celso Lafer, o ex-embaixador do Brasil nos EUA Rubens Barbosa e o ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Jose Goldemberg, entre outros. As opiniões deste último aparecem com destaque no documento vazado pelo Wikileaks. Segundo o relato, Goldemberg teria classificado a performance do presidente Lula na Conferência sobre o Clima (COP-15), como "medíocre" e sugerido que os países de ponta deveriam reunir-se em pequenos grupos para fazer avançar questões de financiamento e fiscalização.

A assessoria de José Serra informou ao jornal Valor Econômico que o ex-governador tucano está em viagem no exterior e, por ora, não se pronunciará a respeito.
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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2011/03/wikileaksserra-prometeu-mais.html

Corrupção no PSDB: Barros Munhoz e a laranja

12.03.2011
Do blog AMIGOS DO PRESIDENTE LULA


As licitações que levaram a Polícia Civil e o Ministério Público a investigar o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Barros Munhoz (PSDB), tiveram concorrência simulada e foram vencidas por empresas cujos donos eram laranjas.

A Folha -- jornal dos tucanos-- revelou ontem que o tucano Barros Munhoz é acusado de participar do desvio de R$ 3,1 milhões da Prefeitura de Itapira (SP), município que administrou até 2004.

Segundo a denúncia do Ministério Público, foram feitas dezenas de depósitos em dinheiro na conta do deputado, totalizando R$ 933 mil.

As quatro licitações investigadas foram vencidas pela Conservias, empresa que tinha como sócia uma dona de casa que vive na periferia de Campinas e diz nunca ter ido ao município de Itapira.

Joleide Ramos Lima afirmou à reportagem que apenas "emprestou" sua assinatura para abrir a empresa, e que nunca tratou de temas relacionados a ela. Ela disse ter sido convencida a assinar os papeis pelo administrador de fato da empresa, José Cardoso, amigo da família havia 20 anos e que já morreu.

A dona de casa afirmou ter sabido das supostas fraudes apenas quando foi chamada a depor na Promotoria.

Joleide também foi dona da empresa Coenter Construções Ltda., que participou de duas das quatro licitações, tendo sido derrotada. Na Coenter, ela tinha como sócio o marido, o pedreiro aposentado Orlando Lima.

O casal também nega qualquer participação na gestão da Coenter, tendo emprestado suas assinaturas para a abertura da empresa. Para a Promotoria, a empresa participou da licitação para simular a existência de concorrência.

O deputado diz que, à época, a empresa cumpriu todas as exigências e alega que os depósitos em sua conta são frutos de empréstimos e de sua atividade empresarial.

No endereço indicado como última sede da Coenter, em Mogi Mirim (SP). No local há um terreno vazio, com mato alto. Três vizinhos disseram que nunca funcionou nenhuma empresa no local. Informações Folha
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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2011/03/corrupcao-no-psdb-barros-munhoz-e.html

ESPORTE E LAZER: Governo federal quer nacionalizar Academias das Cidades

12.03.2011
Do BLOG DE JAMILDO


O governo federal pretende expandir para todo o Brasil a experiência das Academias das Cidades, desenvolvida em Pernambuco. Na próxima quarta-feira (16), o senador Humberto Costa (PT) terá uma audiência com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para apresentar o trabalho que é desenvolvido no Estado. A presidente Dilma Rousseff (PT) fez da nacionalizaçao das unidades que contemplam esporte e lazer uma de suas promessas de campanha.

Costa anunciou o encontro com Padilha neste sábado (12), durante a festa de aniversário de 474 anos da capital pernambucana. Na ocasião foi assinada a ordem de serviço para construção de 15 Academias das Cidades em áreas pobres do Recife.

Dilma prometeu nacionalizar o programa por sugestão do próprio Padilha, que na época era ministro das Relações Institucionais do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ex-ministro da Saúde da primeira gestão de Lula, ex-secretário de Saúde do Recife na gestão João Paulo e ex-secretário estadual das Cidades, Humberto desenvolveu alguns projetos que ganharam notoriedade, como o Samu, a Farmácia Popular e as Academias das Cidades.

No Recife ainda há recursos garantidos para construir outras cinco unidades, além das 15 anunciadas.
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Fonte:http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2011/03/12/governo_federal_quer_nacionalizar_academias_das_cidades_94694.php

RECORD REVIDA O ATAQUE DA REDE GLOBO

12.03.2011
Do YOTUBE

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474 ANOS: Política dá o tom da festa de aniversário do Recife

12.03.2011
Do BLOG DE JAMILDO

Texto e foto: Daniel Guedes/Blog de Jamildo

O aniversário de 474 anos do Recife, celebrado neste sábado (12), na Várzea, Zona Oeste da cidade, recebeu um tom político levando em conta as eleições municipais que acontecem no próximo ano. Além de discursos com críticas à oposição, a cerimônia, iniciada com mais de uma hora de atraso, teve direito a gritos de guerra e faixas de apoio ao prefeito João da Costa (PT) numa área que a população sequer tinha acesso, próximo ao bolo de aniversário.

A festa estava marcada para começar às 10h, mas o prfeito só apareceu depois das 11h. Logo que chegou, visitou uma exposição com imagens de 15 academias das cidades que serão construídas. A ordem de serviço foi assinada neste sábado. Numa parceria com o Governo do Estado, estão sendo investidos R$ 53 milhões em obras de contenção de morros e de construção das academias. Ao todo serão 20. Só para estas áreas de esporte e lazer o investimento é de R$ 13 milhões.

Em seu discurso, João da Costa fez questão de salientar sua boa relação com todas as esferas de poder. "É com essa união do governo federal, do Governo Estadual e da prefeitura que essas mudanças (na cidade) são feitas. Não vamos nos dividir. É a nossa unidade que nos dá força", afirmou. O prefeito também mandou recados, apesar de não citar os destinatários. "Não tenho medo de cara feia. Não tenho medo de arenga", disparou.

O senador Humberto Costa (PT) acompanhou João da Costa e lembrou sua participação na concepção dessas novas academias. "Foi ainda no período em que eu era secretário das Cidades (do governo Eduardo Campos/PSB) que assinamos convênio para 20 academias das cidades. Hoje a gente vê essas 15 tomarem corpo", afirmou em referência às unidades que, segundo o prefeito, começam a ser construídas imediatamente.

A Humberto coube rebater diretamente na oposição. "Enquanto a oposição tenta simplesmente atrapalhar os nossos passos, a nossa administração, o nosso governo, o governo do PT vai mostrando o seu trabalho. Vai fazendo ouvido de mercador a essas críticas. Enquanto eles reclamam e querem discutir eleição, o nosso mote é o mote do trabalho, de fazer a nossa cidade crescer", disse em discurso.

Um grupo de pessoas vestidas com camisas do Orçamento Participativo (OP) fez homenagens a João da Costa. Gritaram várias vezes "o povo quer, o povo gosta. Nosso prefeito é João da Costa". Um representante do OP do Alto do Mandu Cláudio Ferreira foi chamado para discursar e trouxe, mais uma vez, o tema eleição ao palco. "Vamos mais uma vez eleger João da Costa prefeito da cidade do Recife".

Duas faixas de apoio ao prefeito foram instaladas em frente ao tablado onde estava o bolo. Porém elas estavam em um local reservado a convidados e à imprensa, que a população não tinha acesso.

Agora à tarde o prefeito viaja para o Rio de Janeiro onde, a convite do prefeito Eduardo Paes. De lá, João da Costa segue para São Paulo, onde se submeterá a exames para avaliar sua recuperação após um transplante de rim, no ano passado.

PRIMEIRO PEDAÇO - O primeiro pedaço do bolo foi entregue a uma moradora do bairro. Maria Bernadete Oliveira Lima, 80 anos, sempre acompanha as festas de aniversário da cidade, mas esta foi a primeira vez que ganhou bolo. "É uma emoção muito grande. Gosto de tudo nesta cidade. Adoro o Recife", disse com um pratinho nas mãos.

PROTESTO - Um protesto isolado aconteceu na praça mas não chamou a atenção do prefeito João da Costa e de sua comitiva. O Rei Momo e a Rainha do Carnaval escolhidos à revelia da Prefeitura apareceram na festa deste sábado. "Viemos mais uma vez marcar presença. É uma forma de protesto", disse Everson Melquíades, escolhido Rei numa votação popular feita por pessoas que não aceitaram o fato de o Rei do Carnaval do Recife ter sido um rapaz "sarado".

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Fonte:http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2011/03/12/politica_da_o_tom_da_festa_de_aniversario_do_recife_94688.php

PROTESTO/CRISE: Manifestação da "geração à rasca" promete juntar milhares

12.03.2011
Do jornal português, DIÁRIO DE NOTÍCIAS
Por Lusa

Manifestação da "geração à rasca" promete juntar milhares

Quase 60 mil cibernautas já disseram que vão participar no protesto da auto-denominada "Geração à Rasca" que decorre em 11 cidades do país mas que terá o seu ponto alto na Avenida da Liberdade.


A maior parte dos participantes que se comprometeram a participar são jovens desempregados ou em situações precárias e a mobilização, que começou via redes sociais online, ganhou uma expressão maior através da associação a hinos musicais, como a música dos Deolinda "Que parva eu sou", numa retrato de uma geração de "quinhentoseuristas" que não consegue ser autónoma dos pais e tem formação superior qualificada.


Numa carta aberta dirigidas aos cidadãos e a qualquer organização da sociedade civil, os promotores explicam que o protesto é "fruto da insatisfação de um grupo de jovens que sentiram ser preciso fazer algo de modo a alertar para a deterioração das condições de trabalho e da educação em Portugal".


"Este é um protesto apartidário, laico e pacífico, que pretende reforçar a democracia participativa no país, e em consonância com o espírito do Artigo 23º da Carta Universal dos Direitos Humanos", explicam, reclamando o direito ao emprego, educação, "melhoria das condições de trabalho e o fim da precariedade" e o reconhecimento das "reconhecimento das qualificações, competências e experiência, espelhado em salários e contratos dignos".


Já no manifesto, os promotores do protesto dizem que pretendem dar um "contributo no sentido de desencadear uma mudança qualitativa do país".


"Estamos aqui, hoje, porque não podemos continuar a aceitar a situação precária para a qual fomos arrastados. Estamos aqui, hoje, porque nos esforçamos diariamente para merecer um futuro digno, com estabilidade e segurança em todas as áreas da nossa vida", sustentam.

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Fonte:http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1804490

Timor Leste quer rever "acordos envelhecidos" de cooperação com o Brasil

12/03/2011
Da Agência Lusa

Brasília
– Brasil e Timor Leste vão rever os moldes do acordo de cooperação bilateral, definindo as áreas prioritárias e as ações de curto, médio e longo prazos, anunciou hoje (12) o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão.

Xanana Gusmão falou aos jornalistas no regresso à capital Díli, após visitar Estados Unidos, Cuba, Brasil e Inglaterra.

Ele afirmou que foram abordados os programas de cooperação no seu encontro com a presidenta brasileira, Dilma Rousseff. “Foram assinados alguns acordos, mas, para além de áreas especializadas como Educação e Justiça, eu disse à presidente Dilma [Rousseff] que nós vamos rever tudo isso. Fui ao Brasil para fazer uma revisão de acordos envelhecidos”, acrescentou Xanana Gusmão.

O primeiro-ministro disse que a nova orientação vai no sentido de haver “uma programação mais efetiva e de visão integrada” no relacionamento com o Brasil. “O meu governo vai estudar todas as áreas de cooperação a longo, médio e curto prazos, de forma a ter uma visão integrada, para não acontecer que cada ministro que vai ao Brasil querer tudo para o seu ministério, e ficamos com uma infinidade de pedidos, de que não se dá conta do recado”, explicou.

“Vamos redefinir tudo, de maneira que, tanto uma parte como a outra, tenham uma base mais programada”, concluiu evitando confirmar se foi abordado especificamente o possível apoio brasileiro à criação de uma força aérea no âmbito das Forças de Defesa de Timor Leste (F-FDTL).

Quanto à visita a Cuba, Xanana Gusmão afirmou que foi agradecer o apoio cubano à formação de médicos timorenses e mostrou a disposição de Timor Leste em continuar a formar seus médicos em Cuba, ainda que, agora, passe a custear as respectivas despesas.

“Comprometemo-nos a financiar as despesas necessárias porque é mais do nosso interesse do que do dos cubanos”. A saída da missão das Nações Unidas (ONU) do país após as eleições de 2012 foi o principal assunto que levou o primeiro-ministro aos Estados Unidos, onde discursou no Conselho de Segurança da ONU. Xanana Gusmão afirmou que a responsabilidade do comando do policiamento na cidade de Díli deverá passar, este mês, da Polícia das Nações Unidas (Unpol) para a Polícia Nacional do Timor Leste.

O primeiro-ministro mostrou-se satisfeito com a forma como tem decorrido o processo de certificação dos policiais timorenses, sob supervisão das Nações Unidas, por considerar que oferece garantias de credibilidade e que tem sido condição para a transferência gradual da responsabilidade de policiamento no território.
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/home;jsessionid=88D2E27EE54DE803BC45D3E6B5D8AD70?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-4&p_p_col_pos=1&p_p_col_count=7&_56_groupId=19523&_56_articleId=3209090

Metade da população de cidade japonesa arrasada por tsunami está desaparecida

12/03/2011
Da Agência Lusa

Brasília
- Cerca de 9,5 mil pessoas, metade da população da localidade de Minamisanriku, na província de Miyagi, continuam desaparecidas na sequência do violento terremoto e do tsunami que se seguiu ocorridos sexta-feira (11) no Japão, segundo informaram as autoridades do país. Minamisanriku tem 17 mil habitantes.

As equipes de socorro, que já resgataram 3 mil moradores, procuram sobreviventes em casas destruídas, águas lamacentas e incêndios provocados pelo sismo de 8,8 graus na escala Richter e pelo consequente tsunami que varreu bairros inteiros ao longo da costa nordeste japonesa.

A cadeia de televisão pública NHK anunciou que 900 pessoas morreram e mais de 700 estão desaparecidas, números que devem aumentar à medida que os trabalhos de resgate avançam.

Além do desastre ter afetado estradas de ferro, rodovias e o transporte marítimo, mais de 23 mil pessoas ficaram bloqueadas no aeroporto de Tóquio. Cerca de 6 milhões de casas, mais de 10% das habitações do país, ficaram sem eletricidade.
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/home;jsessionid=412D29B635F6492766759553EF07C5A8?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-1&p_p_col_count=1&_56_groupId=19523&_56_articleId=3209129

A Inquisição Medieval e a Inquisição Espanhola

12.03.2011
Do blog Seminário Novo Tempo
Por Luana Martins Golin

Para entender o pensamento da Inquisição, o conceito de heresia torna-se o ponto de partida. “A palavra herege origina-se do grego hairesis e do latim haeresis e significa ruptura e divisão”[1]. A heresia representa uma ruptura com os valores e ordens estabelecidas, portanto constitui em ameaça e perigo para a doutrina oficial, por este motivo o herege é perseguido.

Nos primeiros séculos da era cristã, os hereges eram punidos com a excomunhão, revelando uma punição intra-eclesial. Com Constantino e a adesão do cristianismo como religião oficial do império, a partir do 4º século, a heresia deixou de ser uma questão apenas intra-eclesial e passou a ser uma questão política, extra-eclesial. Qualquer doutrina divergente do cristianismo oficial tornou-se fator de risco à unidade política. A punição deixou de ser somente a excomunhão e passou a ser também o confisco dos bens e a condenação à morte dos hereges.

Na Espanha, a formação cultural e religiosa foi composta de cristãos, judeus e muçulmanos. A partir do século XV, iniciou-se um período de intolerância em relação aos judeus daquele país, que culminou na criação de O Tribunal do Santo Ofício da Inquisição, em 1480. Este tribunal foi inspirado na Inquisição Medieval. É preciso saber que existem diferenças entre a Inquisição que ocorreu na Idade Média e a Inquisição Moderna, que incluía a Inquisição Espanhola e a Portuguesa, a partir do século XV.

A Inquisição Medieval surgiu porque a Igreja e o papado sentiram-se ameaçados em seu poder. Sua luta foi contra os que questionavam a infalibilidade da Igreja e do papa. Durante a Idade Média, foram organizadas cruzadas contra os hereges. O alvo da Inquisição Medieval foram os hereges cristãos que se concentraram na França e na Itália, além das cruzadas contra os muçulmanos. A Inquisição Medieval foi idealizada e dominada pelo papa, mas contava com o auxílio e a aprovação dos reis em todos os países em que atuou.

No século XIII, os bispos de cada localidade eram os responsáveis por identificar, julgar e punir os hereges. Entretanto, aqueles se mostraram ineficazes. Por este motivo, Roma começou enviar inquisidores papais itinerantes, geralmente dominicanos. A recruta de inquisidores entre a ordem dos dominicanos se deu devido a sua rigorosa formação teológica, pois eram tomistas e também pelo fato de serem mendicantes supostamente desapegados de interesses materiais.

A Inquisição Espanhola não foi um instrumento do papado, pois tinha que prestar contas diretamente aos reis da Espanha, ou seja, a um potentado secular. Nos séculos anteriores ao século XV, a Espanha não estava unificada. Foi através do casamento de Fernando, rei de Aragão, e Isabel, rainha de Castela, ambos católicos, que ocorreu a unificação espanhola, a partir de 1479.

Entretanto, Granada, a região islâmica da Espanha, só foi vencida em 1492, marcando assim o triunfo católico. Sob o comando de Fernando e Isabel, a Espanha não
ia só ser unida, ia simultaneamente ser ‘expurgada’ de islamismo e judaísmo, além de paganismos e heresias cristãs. Para isso, os monarcas espanhóis estabeleceram sua própria inquisição. [...] Como os domínios dos monarcas espanhóis compreendiam uma espécie de teocracia, com a Igreja e o Estado atuando conjugados, a Inquisição espanhola era tanto um adjunto da Coroa quanto da Igreja. Funcionava como um instrumento não só da ortodoxia eclesiástica, mas também de política real.[2]

A Inquisição Espanhola prestava contas à Coroa e recebeu apoio da Igreja: “foi estabelecida com a autorização do papa, mas seu idealizador foi o rei, com o objetivo principal não de resolver um problema aparentemente religioso, mas social”[3]. A Inquisição Espanhola apoiou os interesses da coroa, da nobreza e do clero. O alvo primário desta segunda inquisição foi a população judaica da Península Ibérica.

É importante notar que havia interesses políticos dos reis espanhóis em estabelecer a Inquisição, pois essa se tornou um meio eficiente para a centralização do poder, além de uma prática lucrativa, pois o confisco dos bens dos acusados, principalmente dos judeus, eram revertidos para o Estado e para a Igreja. O dinheiro do fisco financiou a guerra contra os mouros de Granada. O dinheiro arrecadado das multas cobradas na Inquisição era empregado na manutenção dos prisioneiros e dos inquisidores. Os inquisidores espanhóis eram pagos pelo Tesouro Público.

Porém, por detrás dos interesses político, econômico e social da Inquisição, havia uma massa de fiéis e leigos temerosos, submissos e obedientes.

O Tribunal da Inquisição na Espanha foi criado para extirpar os conversos ou cristãos novos, ou seja, os judeus espanhóis convertidos ao catolicismo.

Andaluzia era um dos centros mais populosos de conversos e a Inquisição começou seu trabalho em Sevilha [...]. Entre os anos de 1481 a 1488 mais de setecentos conversos foram queimados vivos e mais cinco mil foram presos e penitenciados. [...] Em 1483, Tomás de Torquemada foi nomeado inquisidor geral.[4]

A partir de 1483, todos os tribunais da Inquisição, na Espanha cristã, tiveram como inquisidor geral Tomás de Torquemada. O inquisidor geral, ou grande inquisidor, era a função correspondente ao presidente da Inquisição na Espanha e sobre ele estava o poder de destituir e condenar. Ao inquisidor cabia a função de investigador (inquisitor) e juiz, pois era ele quem investigava, julgava e condenava os casos de heresia. No livro Manual dos Inquisidores, tem-se um relato de como deveria ser o inquisidor, além de admoestações contra suas punições:

O inquisidor deve ser honesto no seu trabalho, de uma prudência extrema, de uma firmeza perseverante, de uma erudição católica perfeita e cheia de virtudes. Todos os inquisidores devem ser doutores em Teologia, Direito Canônico e Direito Civil. [...] Lembremos que é sempre melhor evitar punir os inquisidores, porque, com a punição, é a instituição inquisitorial que é atingida.

Logo ela não será mais respeitada e temida pela plebe ignara (populo stulto) [5]
Em relação ao inquisidor geral Tomás de Torquemada, Thomas Hope [6] o descreve desta maneira como fanático, não tanto pela fé católica como pela unidade da Espanha. Era excessivamente piedoso, mas o seu ascetismo estava mais consagrado à sua própria glória do que para a glória de Deus. Era orgulhoso, idólatra de si mesmo. Torquemada mostrou profundo zelo em relação à Inquisição, recusando o bispado de Sevilha por conta de seu cargo como inquisidor.

Ele, como dominicano, jamais abandonou o seu austero traje em favor do esplendor de outras roupas. Torquemada guardou para si consideráveis somas de riquezas confiscadas e morava em palácios extravagantes. Quando viajava, era acompanhado de cinqüenta guardas montados e duzentos e cinqüenta homens armados.

Em outros aspectos, era visivelmente um homem inteligente, um dos supremos maquiavéis da época, dotado de profunda intuição psicológica e da aptidão de um insidioso estadista. Em Os Irmãos Karamazovi, não se dá ao grande inquisidor qualquer nome pessoal. Pouca dúvida pode haver, porém, de que Dostoiévski pensou em Torquemada como protótipo. E, na verdade, a descrição que faz do grande inquisidor é na certa um retrato tão preciso de Torquemada quanto o feito por qualquer historiador ou biógrafo. Certamente não é difícil imaginar Torquemada mandando conscientemente Jesus para a estaca a fim de proteger a Inquisição e a Igreja [7]
O poder e a influência de Torquemada rivalizaram com os poderes monárquicos de Fernando e Isabel, monarcas de sua época. Torquemada morreu em 1498.

Durante a Inquisição Medieval, o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição utilizou métodos próprios para a punição dos acusados de heresia. As acusações eram classificadas em crimes contra a fé e crimes contra a moral e os costumes. Os crimes contra a fé eram: judaísmo, protestantismo, luteranismo, deísmo, libertinismo, maometismo, blasfêmias, desacatos, crítica aos dogmas da Igreja, invocação do demônio etc. Os crimes contra a moral e os costumes eram: bigamia, sodomia, feitiçarias, adivinhações etc. Os crimes contra a fé eram considerados os mais graves. Os acusados deste tipo tinham quase sempre seus bens confiscados e eram condenados à morte, enquanto que os infratores da moral e dos costumes recebiam sentenças mais leves.

Contra os hereges relapsos, aqueles que caíram no erro da heresia mais de uma vez, a punição era a morte na fogueira. A severidade desta sentença era atribuída ao fato da pessoa ter sido “perdoada” e ter incorrido no mesmo erro. Os seguidores e protetores de hereges também eram punidos. O inquisidor podia perseguir tanto o rei quanto o leigo, mas deveria tomar cuidado na perseguição de pessoas nobres. O inquisidor só não podia proceder contra o papa e os bispos.

Quando o inquisidor chegava a uma determinada cidade para investigar os possíveis casos de heresia era recebido pelas autoridades civis do local que o apoiavam através de juramento. Caso contrário, poderia haver excomunhão e interdito da região. A abertura pública e solene dos trabalhos da Inquisição iniciava-se com o sermão geral do inquisidor que convocava e ameaçava a todos os presentes a denunciarem os suspeitos de heresia. Para aqueles que desobedeciam as ordens do inquisidor a pena era a excomunhão. Por isso, todos os que negavam a delação de um herege eram tidos como excomungados. Era prometidas indulgências para todos os que colaborassem com a prática inquisitorial. O escrivão ganhava três anos de indulgência, o povo ganhava quarenta dias. Após a promessa das indulgências, o inquisidor anunciava a “época da graça” ou “época do perdão”, período de um mês após a data do sermão para que os hereges se apresentassem ao inquisidor como culpados.

Durante esse mês de graças, teremos muita misericórdia com aqueles que venham a nós espontaneamente para confessar suas culpas e pedir perdão. Mas quem, em vez de se apresentar espontaneamente, esperar que seja acusado, denunciado, citado ou capturado, ou deixar passar a época do perdão, não vai se beneficiar de tanta misericórdia! Suplico, portanto, a todos que se apresentem espontaneamente, durante a época do perdão![8]

A base para a acusação era a denúncia feita por qualquer pessoa ou através de cartas anônimas.

Os acusados não sabiam quem os denunciavam. O indivíduo acusado tinha seus bens confiscados pelo juiz do fisco. Com o confisco dos bens, a família do acusado passava a viver na miséria sujeita à caridade dos vizinhos. Os descendentes dos hereges eram considerados infames por várias gerações e impedidos de participarem na sociedade. Todo réu para se salvar tinha que se confessar e se declarar culpado. Além disso, era obrigado a acusar de heresia as pessoas próximas a ele como os pais, irmãos/ãs, filhos/as etc., caso contrário, era considerado mentiroso por omitir culpados. Quanto maior o número de pessoas acusadas, melhor seria para os inquisidores, pois os denunciados seriam os futuros réus e os confiscos aumentariam.

Recomendava-se que o inquisidor usasse de malícia para com os acusados, no momento do interrogatório. O Manual dos Inquisidores cita os dez truques dos hereges para responder sem confessar e os dez truques que os inquisidores deveriam utilizar para neutralizar os truques dos hereges[9].

Para os presos, recomendava-se que fossem mantidos na masmorra, sozinhos, por no mínimo seis meses, podendo chegar a um ano ou mais. De vez em quando, o acusado podia receber visitas da esposa e dos filhos. Também podia receber a visita de teólogos, no intuito de persuadir o acusado. O inquisidor visitava os presos pelo menos duas vezes por mês. Ele precisava tomar cuidado no momento da visita para falar apenas sobre a acusação e o processo. A prisão servia como detenção até a determinação da sentença ou como local para o próprio cumprimento da pena.

A prática da tortura foi um método muito utilizado pela Inquisição. A tortura passou a ser utilizada, a partir de 1252, com a autorização do papa Inocêncio IV. Ela foi utilizada tanto na Inquisição Medieval quanto na Inquisição Espanhola. Não havia restrição de idade para a aplicação dos açoites, tanto jovens quanto idosos podiam ser submetidos a punições físicas. “Não se torturam crianças, velhos e mulheres grávidas. Quanto à idade, os menores de vinte e cinco anos serão torturados, mas não as crianças de menos de quatorze anos. Elas serão aterrorizadas e chicoteadas, mas não torturadas. O mesmo para os velhos” [10].

Antes de ser torturado, o réu era examinado por um médico que avaliava quanto ele poderia suportar, e assinava um papel onde confirmava que, caso ficasse com os membros quebrados ou aleijado, a culpa não era dos inquisidores, mas dele próprio, por ter-se mantido pertinaz e escondido o nome de cúmplices. Muitos morreram durante a tortura [11].

Geralmente o torturador era um carrasco secular público. O inquisidor participava da tortura interrogando o acusado, mas não o açoitava. O escrivão e o secretário do inquisidor anotavam as respostas obtidas durante a tortura e observavam as reações do réu com muita atenção. A recomendação dizia que não se devia torturar nos casos de delitos manifestos, mas somente nos casos dos delitos ocultos que eram mais difíceis de comprovar.

Haught comenta que os inquisidores não podiam executar ninguém, por isso entregavam os acusados às autoridades civis e seculares para serem punidas. Geralmente, a punição era a morte na fogueira. Desta forma, era preservada a “santidade” da Igreja, que não poderia derramar sangue. Foi um estatuto papal de 1231 que determinou que a fogueira fosse a punição padrão dos hereges [12].

Os autos-de-fé podiam ser público, particular ou especial. Os particulares eram reservados para casos mais simples, os especiais julgavam as pessoas da alta nobreza. Os atos públicos tinham caráter festivo e de ostentação, neles eram julgados os crimes mais graves e geralmente, eram realizados uma vez por ano. Nesta festa religiosa participavam os reis com toda sua corte e as mulheres se apresentavam bem trajadas e cheias de jóias.

Durante os autos-de-fé, os réus ouviam suas sentenças. O auto tinha início com a procissão seguida da missa. O sermão cumpria o papel central por ditar as acusações contra os hereges e legitimar a inquisição. Por causa dos sermões, a população presente sentia ódio e aversão aos judeus cristãos novos. A celebração era pomposa. A participação do povo era comprada, pois quem assistisse aos autos-de-fé ganhava quarenta dias de indulgência. O povo era avisado um mês antes da data da celebração. O tablado com o emblema da Inquisição era montado em alguma praça da cidade e na noite anterior ao auto-de-fé eram feitas procissões nas ruas da cidade até o local. Os réus passavam a véspera na capela da prisão do Santo Ofício e na manhã seguinte eram vestidos com os sambenitos, roupas que os distinguiam dos demais e os apontavam como hereges. Para a ideologia da inquisição, a exposição do herege tinha papel pedagógico e exemplar: “É claro que ensinar e amedrontar o povo com a proclamação das sentenças, a imposição de sambenitos, etc., é uma boa ação. [...] Nada mais glorioso para a santa fé do que humilhar publicamente a heresia!” [13]

Depois de vestidos, os réus caminhavam numa fila única, através da praça, numa longa procissão.

Os réus tinham a opção de abjurar e sofrer as punições desta escolha ou de não abjurar e serem entregues ao braço secular para morrerem na fogueira. Aqueles que se arrependessem no último instante de vida tinham direito a uma “morte piedosa”, a morte por estrangulamento, dessa forma não sentiriam dor e morreriam mais rapidamente. O número de penitentes por auto-de-fé era de até mil e quinhentos.

Desde o estabelecimento do Tribunal na Espanha, em 1480, até 1808, foram queimados 31.912 hereges (em efígie [simbolicamente] 17.659). Foram penitenciadas 291.450 pessoas, num total de 341.021. De 1780 até 1820 houve cerca de 5.000 processados [14]

A Inquisição, tanto a Medieval quanto a Espanhola, só conseguiu persistir por séculos devido a sua união com o poder político e também porque sua ideologia religiosa respondia às necessidades do povo oprimido da época. Hoje, o Santo Ofício chama-se Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé e todos aqueles/as que questionam de alguma maneira os dogmas estabelecidos pela Igreja Romana são silenciados e ou acusados/as de heresia.

[1] NOVINSKY, Anita Waingort. A Inquisição, 3ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1985. p. 10.
[2] BAIGENT, Michael; LEIGH, Richard. A Inquisição. Rio de Janeiro: Imago, 2001. p. 81.
[3] NOVINSKY, 1985, p. 31.
[4] Idem, ibidem, p. 31.
[5] EYMERICH, Nicolau Frei. Manual dos Inquisidores. Tradução de Maria José Lopes da Silva, Prefácio de Leonardo Boff. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1993. p.185.
[6] HOPE, Thomas. Torquemada. Buenos Aires: Losada, 1944.
[7] BAIGENT; LEIGH, 2001, p. 84.
[8] EYMERICH, 1993, p. 101.
[9] EYMERICH, 1993 , p. 119-123
[10] NOVINSKY, 1985, p.212.
[11] Idem, ibidem, p. 61.
[12] Cf. HAUGHT, James A. Perseguições religiosas: a história do fanatismo e dos crimes religiosos. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003. p. 62.
[13] EYMERICH, 1993, p. 166.
[14] NOVINSKY, 1985, p. 70.

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Fonte:http://seminariotemponovo.blogspot.com/2010/07/inquisicao-medieval-e-inquisicao.html

Meta é oficializar a nova sigla a tempo de disputar as eleições de 2012

12.03.2011
Da FOLHA DE PERNAMBUCO


GILBERTO Kassab pode continuar no DEM até a criação

SÃO PAULO (AE)
- Os advogados Alberto Rollo e João Fernando Lopes de Carvalho, responsáveis pela elaboração do estatuto do novo partido que será criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o Partido Democrático Brasileiro (PDB), asseguram que do ponto de vista jurídico está tudo pronto para o lançamento da sigla e que mais de três mil políticos de diversas correntes já demonstraram interesse na filiação. “O PDB deve entrar para a história política como uma espécie de terceira via”, diz Rollo.
Até que a nova sigla seja formalizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o prefeito deve continuar nos quadros do DEM. De acordo com os advogados, para que o PDB esteja apto a disputar as eleições municipais de 2012, é preciso estar efetivamente criado até outubro deste ano. A legislação eleitoral obriga os partidos e políticos a estarem em situação regular um ano antes da data do pleito. O estatuto do novo partido já está pronto, faltando apenas preencher o campo com o nome da sigla.

A ficha para recolhimento das assinaturas já foi aprovada, restando só o manifesto e o programa partidário, que vêm sendo produzidos pela equipe política do prefeito. Os advogados aguardam apenas o aval do prefeito, que está retorna neste final de semana de uma viagem à França, para o início dos trâmites legais. O estatuto e o manifesto da nova sigla devem ser aprovados na reunião de fundação da legenda, que indicará a comissão nacional para dirigir o partido até que os representantes dos diretórios sejam eleitos.

Nessa reunião, será apresentado um documento com 101 assinaturas de eleitores de 1/3 dos estados em apoio à criação do PDB, a ser registrado em um cartório de registro de títulos de documentos de Brasília como “associação jurídica”. No entanto, para conseguir o registro definitivo do TSE, o partido terá de recolher assinaturas de 0,5% dos eleitores que votaram para deputado federal na última eleição (aproximadamente 500 mil pessoas) em pelo menos nove Estados. Durante o trâmite de registro da nova sigla, os advogados afirmam que Kassab não precisa deixar o DEM. O prefeito e os fundadores da legenda po­dem seguir em seus respectivos partidos, até que o TSE oficialize o PDB.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-politica/625125?task=view

Parentes identificam motoqueiro

12.03.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO

Quase 24 horas após acidente com ônibus na PE-15, familiares foram ao IML procurar corpo do rapaz



Coletivo pegou fogo depois que a moto colidiu com ele. Foto: Júlio Jacobina /DP/ D.A Press
Quase 24 horas depois, parentes do motoqueiro que morreu carbonizado na colisão com um ônibus da empresa Rodotur, que fazia a lina Goiana-Recife, na PE-15, em Paulista, e pegou fogo na última quinta-feira, identificaram o corpo do rapaz. Trata-se de Carlson José Gomes Leitão Júnior, de 20 anos, que morava no bairro da Boa Esperança, em Abreu e Lima, Região Metropolitana do Recife. De acordo com a sogra dele, que preferiu não se identificar, Carlson estava indo buscar a carteira de habilitação no momento da tragédia. O corpo do jovem ficou completamente carbonizado e não foi possível encontrar documentos na hora do acidente. Apesar da identificação, será feito um exame de DNA.

A família de Carlson José acompanhou por meio da imprensa as notícias sobre o acidente com um motoqueiro, mas não imaginou que o jovem fosse a vítima. Só no início da manhã de ontem, depois de comentários de vizinhos e pelo fato de o jovem não ter retornado para casa, os parentes foram ao Instituto de Medicina Legal (IML). Enquanto aguardava a liberação do corpo, a esposa, que não quis falar com a imprensa, estava inconsolável. A sogra, muito nervosa, contou que os familiares acreditam que houve erro por parte do motorista. ´Ele era muito cuidadoso no trânsito`, disse.

Porém, de acordo com testemunhas, Carlson José tentou atravessar a PE-15 para fazer um retorno, passando pela faixa exclusiva para os ônibus, quando foi atingido. ´O motorista ainda tentou desviar, mas não deu tempo`, afirmou o cobrador do coletivo Sílvio Roberto Siqueira. A moto ficou presa embaixo do ônibus e explodiu. Em seguida, o ônibus também pegou fogo. Os 40 passageiros, o motorista e o cobrador conseguiram escapar sem ferimentos.

As causas do acidente serão investigadas pela Delegacia de Paulista. Somente, a partir da próxima semana, o delegado titular, Davi Medeiros, deverá ouvir as testemunhas. O corpo de Carlson foi sepultado no fim da tarde de ontem, no Cemitério Campo Santo São José, de Paulista, sob forte comoção de familiares e amigos.

Somente neste ano, 476pessoas deram entrada no Hospital da Restauração, maior emergência do Nordeste, vítimas de acidentes com motocicletas. Só nos primeiros nove dias deste mês, 62 pessoas foram hospitalizadas no HR.
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Emir Sader: Quem tem medo da democracia no Brasil?

11.03.2011
Do blog de Luís Carlos Azenha
Por Emir Sader, no seu blog


O Brasil saiu da ditadura política, mas as transformações estruturais que poderiam democratizar o país nos planos econômico, social e cultural, não foram realizadas. O governo Sarney representou essa frustração, essa redução da democratização aos marcos liberais da recomposição do Estado de direito e dos processos eleitorais.

Em seguida, com os governos de Collor, Itamar e FHC, o país foi varrido pelas ondas neoliberais, sofrendo graves retrocessos no plano econômico – com a retração do Estado, com a abertura da economia, com as privatizações -, no plano social – com o retrocesso nas políticas sociais, com a expropriação de direitos da maioria, a começar pela carteira de trabalho –, no plano político – com o poder do dinheiro corrompendo os processos eleitorais – e no plano cultural – com a consolidação dos grandes monopólios privados da mídia, que concentraram nas suas mãos a formação da opinião púbica.

Foi nesta década que esse processo começou a ser revertido e o Brasil pôde retomar seu processo de democratização.

No plano econômico, com o Estado retomando seu papel de indutor do crescimento, promovendo o acesso ao crédito a pequenas e médias empresas, com a expansão do mercado interno de consumo popular.

No plano social, com a incorporação, pela primeira vez, das grandes maiorias de menor renda ao mercado de consumo e à possibilidade de ter formas de atividades econômicas rentáveis e sustentáveis.

No plano político, quebrando o controle das elites mais atrasadas sobre as massas de regiões periféricas do país, com a participação nas políticas governamentais e nos processos eleitorais dos movimentos populares e dos setores até então marginalizados e subordinados politicamente. E no plano cultural, com alguns avanços, como a descentralização das publicidades governamentais, com o surgimento e fortalecimento de mídias alternativas – especialmente da internet -, assim como com um discurso que levanta a autoestima do país, quebra preconceitos em relação ao papel da mídia privada e de comportamentos egoístas da elite brasileira.

Mas as resistências não se fizeram esperar. As pressões para que o Brasil mantenha a taxa de juros mais alta do mundo, que atrai capital especulativo – que não cria nem riquezas, nem empregos, que ajudar a desequilibrar a balança comercial, entre tantos problemas – continuam fortes. Esse mecanismo impede a democratização econômica do país, porque concentra nas mãos do sistema financeiro a maior quantidade de recursos, com taxas de juros altas dificulta o acesso ao crédito, monopoliza recursos do Estado para o pagamento da dívida pública. O PAC é o grande instrumento de reconversão da hegemonia do capital especulativo para o capital produtivo, mas ele corre contra a atração da alta taxa de juros. A democratização econômica requer terminar com essa atração do capital, pela alta taxa de juros, para o setor financeiro.

A democratização social encontra obstáculos nos que se opõem à integração plena dos setores até aqui completamente marginalizados. A democratização social tem como principais obstáculos os que lutam para bloquear a expansão dos recursos para as políticas sociais que promovem os direitos de todos e nos preconceitos que continuam a ser difundidos contra os mais pobres e os habitantes das regiões até aqui marginalizadas do país.

A democratização política se choca com os que se opõem a uma reforma política que faça com que as campanhas se apoiem exclusivamente em financiamento público e em votos por lista, que favorecem o fortalecimento ideológico e político dos partidos. Mas encontra obstáculos também nos partidos e movimentos populares que não se dedicam a apoiar a organização dos setores que chegam agora a seus direitos econômicos e sociais básicos, seja os que estão integrados ao bolsa família, seja a cooperativas e pequenas empresas, seja a programas como os Pontos de Cultura e outros similares.

A democratização cultural significa que as distintas identidades do povo brasileiro possam construir seus próprios valores para orientar suas vidas, suas próprias formas de expressão cultural, possam ter acesso às múltiplas formas de cultura. Que possa se libertar dos modelos de consumismo importados e difundidos pela mídia comercial, pela publicidade massiva, pelos valores divulgados pelos representantes dos grandes monopólios. Significa o direito de ter acesso livre e universal à internet, possa ter acesso à cultura como bem comum, que possa ter acesso a livros, a músicas, a pinturas, a peças de teatro, a filmes, a todas as formas de cultura e que tenha possibilidades de produzir suas próprias formas de expressão.

A democratização cultural se enfrenta a obstáculos na gigantesca máquina de interesses econômicos privados dos monopólios que dominam a mídia, o setor editorial, o audiovisual. Se enfrenta aos setores mercantis que tentam dominar e controlar a livre produção e consumo culturais, a corporações que se apropriam dos recursos fundamentais das obras artísticas, incentivando ainda mais o poder econômico sobre a esfera cultural. Só mesmo um imenso processo de democratização da cultura poderá fazer do Brasil um país realmente independente, soberano, justo, plural.

Quem tem medo da democracia no Brasil? As elites que fizeram do nosso país o mais desigual do mundo e agora ressentem a inclusão social dos que sempre foram postergados, discriminados, humilhados, ofendidos, marginalizados. São os que sempre tiveram todos os privilégios e acreditavam que o país era deles, que o Brasil era das elites brancas e ricas.

Quem tem medo da democratização tem medo dos trabalhadores, que produzem as riquezas do Brasil. Tem medo dos trabalhadores sem terra, que querem apenas acesso à terra no país com maior área cultivável no mundo, importa alimentos, mas mantém milhões de gente no campo sem acesso à terra. Tem medo dos jovens, que não leem jornais, mas leem e escrevem na internet, irreverentes, que lutam pela liberdade de expressão e de formas de viver, em todas as suas formas. Tem medo dos intelectuais críticos e independentes, que não têm medo do poder dos monopólios e da imprensa mercantil e suas chantagens. Tem medo dos artistas e da sua criatividade sem cânones dogmáticos e sem pensar no dinheirinho dos direitos de autor, mas na liberdade de expressão e na cultura como um bem comum. Tem medo dos nordestinos pobres, que como Lula, não se rendeu à pobreza e à discriminação e se tornou o presidente mais popular do Brasil. Tem medo de que todos eles queiram ser como o Lula.

Quem tem medo da democracia no Brasil tem saudade da ditadura, quando detinha o monopólio da palavra, conversavam e elogiavam os militares no poder, sem que ninguém pudesse contestá-los publicamente. Os que têm saudades do Brasil para poucos, da elite que cooptava intelectuais para governar em nome dela.

Quem não tem medo da democracia no Brasil não tem medo de nada, porque não tem medo do povo brasileiro.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/politica/emir-sader-quem-tem-medo-da-democracia-no-brasil.html

JAPÃO DEVASTADO

12.03.2011
Da FOLHA DE PERNAMBUCO

TÓQUIO (AE-AP/DJ, ABr e Folhapress)
- Um tsunami, gerado por um dos mais violentos terremotos já registrados, atingiu a costa Leste do Japão ontem às 14h46 pelo horário local (2h46 na hora de Brasília), matando pelo menos 310 pessoas, virando barcos e atingindo casas e automóveis, além de provocar incêndios fora de controle. Foram emitidos alertas de tsunami para todo o Pacífico, até na América do Sul, no Canadá, Alasca e em toda a Costa Oeste dos Estados Unidos.

O terremoto de ontem no Japão atingiu a magnitude 8,9 graus na escala Richter e foi seguido por mais de 20 tremores secundários durante horas, a maioria deles com mag­nitude acima de 6,0. A polícia informou que foram encontrados entre 200 e 300 corpos na cidade costeira de Sendai, que fica na costa Leste de Honshu, a maior das ilhas que fazem parte do Japão. Foram confirmadas 310 mortes e pelo menos 741 desaparecidos. O número de mortos deve continuar a subir, pela escala do desastre.

Segundo estimativas de fontes da região administrativa de Miyagi citadas pela agência de notícias Kyodo, mais de mil pessoas morreram e pelo menos 100 mil estão desaparecidas.

O terremoto de ontem teve epicentro a 380 quilômetros ao Nordeste de Tóquio, a uma profundidade de dez quilômetros. Pelos dados preliminares, esse pode ser o sétimo terremoto mais violento da história do mundo, de acordo com um levantamento do Serviço de Pesquisa Geológica dos EUA (USGS, na sigla em inglês). Segundo o USGS, o terremoto mais violento já registrado ocorreu no Chile, em 1960.

Logo após o terremoto, uma onda gigante de 12 metros atin­giu partes da costa Nordeste do país. Quatro trens de passageiros que trafegavam nas prefeituras (correspondentes a estados no Brasil) de Miyagi, Iwate e Chiba, as mais atingidas e todas em Honshu, simplesmente desapareceram sob as águas. Grandes barcos pesqueiros e outras embarcações se desprenderam e invadiram cidades, linhas de transmissão de energia foram cortadas e veículos ficaram parcialmente submersos.

“O terremoto causou importantes danos em áreas amplas no Norte do Japão”, disse o primeiro-ministro Naoto Kan em entrevista coletiva. O sistema de trens e metrô que serve a capital, Tóquio, ficou paralisado. Serviços de telefonia funcionaram com irregularidade.

Muitos moradores de Tóquio foram avisados que um grande terremoto iria atingir o Japão antes que eles pudessem sentir a terra tremer. Quando o tremor atingiu a costa Nordeste japonesa, o primeiro sistema de alerta de terremotos enviou uma mensagem de alerta, a qual foi imediatamente veiculada na rede nacional de rádio e televisão, bem como nas mensagens para os telefones celulares.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/edicao-de-hoje/625137-japao-devastado

Forte explosão em usina nuclear de Fukushima deixa 4 feridos Foram evacuados 45 mil habitantes em uma raio de 10 km

12.03.2011
Da Folha de Pernambuco, via Agência EFE

Tóquio
- Uma forte explosão deixou quatro feridos neste sábado na usina nuclear de Fukushima, onde o nível de radiação aumentara de forma alarmante após o devastador terremoto que sacudiu o Japão na sexta-feira.

Segundo a imprensa japonesa, que cita a empresa elétrica Tokyo Electric Power (TEPCO) e a Agência de Segurança Nuclear do Japão, a explosão aconteceu às 15h36 da hora local (3h36 de Brasília), aparentemente quando uma equipe tentava esfriar um reator nuclear da usina número 1.

A rede de televisão "NHK" assegura que o teto e as paredes do edifício que abrigava o reator desabaram.

O terremoto que atingiu a região ontem havia danificado o sistema de refrigeração da central, que paralisou suas atividades, sem que isso impedisse o aumento da pressão no reator nuclear.

Os quatro feridos foram transferidos para um hospital da região, segundo fontes da TEPCO, a companhia que opera a usina, que ainda não divulgou informações sobre o estado da central.

O incidente ocorreu pouco depois de os responsáveis da usina nuclear terem anunciado que haviam conseguido reduzir a pressão no reator.

O Governo ordenara neste sábado a evacuação de cerca de 45 mil habitantes em um raio de 10 quilômetros ao redor das instalações nucleares, enquanto já havia evacuado na sexta-feira três mil pessoas em um raio de três quilômetros.

Inaugurada em 1961, a usina número 1 da Tokyo Electric Power em Fukushima, com o nome de Daiichi, fica 270 quilômetros ao nordeste de Tóquio e contava com permissão para continuar ativa até 2021.

O terremoto de sexta-feira, de 8,9 graus na escala Richter, fez com que fossem paralisadas as 11 usinas nucleares situadas nas zonas mais afetadas, como estabelecem as normas japonesas diante de casos como este.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/noticias-geral/33-destaque-noticias/625151-forte-explosao-em-usina-nuclear-de-fukushima-deixa-4-feridos