quinta-feira, 10 de março de 2011

Irmãos morrem carbonizados

10.03.2011
Por Lilian Pimentel
Especial para o Diario
lilianpimentel.pe@dabr.com.br

Uma tragédia deixou chocados os moradores da comunidade do Papelão, no bairro dos Coelhos. Um incêndio atingiu uma pequena casa. Duas crianças morreram e uma terceira ficou ferida. Os três chegaram a ser socorridos e levados para o Hospital da Restauração (HR). No entanto, o menino de 4 anos, Miguel de Oliveira Lima, e a menina de 6, Sarah Victória, não resistiram e faleceram ainda na manhã de ontem. O outro menino, de 5 anos, João Victor Lima, permanece internado. A mãe das crianças, Sandra Oliveira Santos, 39, teria ido trabalhar, catando material reciclável no Marco Zero, Recife Antigo, e deixou as crianças trancadas dentro do imóvel. O incidente aconteceu por volta das 22h30 da última terça-feira.

Os moradores de casas próximas ao local teriam percebido o fogo e realizaram o socorro. Maria Galdina Inácia da Silva, 28, vizinha das vítimas, foi a primeira a ver que havia fogo no local.´Eu escutei um choro de criança, chamando pela mãe. Era um choro de desespero. Pouco depois, escutei como se fosse um vidro estourando. Foi então que resolvi olhar para saber o que estava acontecendo. Quando vi, o fogo já tinha tomado a casa toda`, relatou. Maria Galdina gritou por socorro e os outros moradores foram ajudar a salvar as crianças.

Todas as crianças tiveram mais de 90% do corpo atingido pelas chamas. Segundo o chefe da unidade de quimados do HR, Marcos Barreto, o estado de saúde da outra criança é gravíssimo. ´Ele está respirando com a ajuda de aparelhos, mas encontra-se estável`, relatou o médico.

Sandra foi autuada em flagrante pela Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA) por abandono de incapaz. O companheiro de Sandra, identidficado apenas como Henrique, também foi detido, mas depois foi liberado. Como nenhum familiar apareceu, os vizinhos estão providenciando o enterro das crianças, que deverá acontecer no Cemitério de Santo Amaro.

O promotor da Vara de Execuções Penais, Marcellus Ugiette, vai entrar com uma ação para libertar a mãe das crianças tendo como tese que a mulher já cumpriu pena, por conta do sofrimento que ela está passando pela perda de seus filhos.
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/03/10/urbana11_0.asp

Fidel Castro: A Otan, a guerra, a mentira e os negócios

10.03.2011
Do portal o VERMELHO

Como alguns já sabem, em setembro de 1969, Muamar Kadafi, um militar árabe beduíno, de caráter peculiar e inspirado nas ideias do líder egípcio Gamal Abdel Nasser, promoveu no seio das Forças Armadas um movimento que derrubou o rei Idris I da Líbia, um país quase na sua totalidade desértico e de população escassa, situado no norte da África, entre a Tunísia e o Egito.

Os importantes e valiosos recursos energéticos da Líbia foram descobertos progressivamente.

Nascido no seio de uma família da tribo beduína de pastores nômades do deserto, na região de Trípoli, Kadafi era profundamente anticolonialista. Assegura-se que seu avô paterno morreu lutando contra os invasores italianos quando o país foi ocupado em 1911. O regime colonial e o fascismo mudaram a vida de todos. Diz-se, da mesma forma, que seu pai sofreu na prisão antes de ganhar a vida como operário da indústria.

Os adversários de Kadafi, inclusive, asseguram que ele se destacou por sua inteligência como estudante. Foi expulso da escola por suas atividades antimonarquistas. Conseguiu matricular-se em outra escola e depois graduou-se em Direito na Universidade de Bengazi, aos 21 anos. Mais tarde entra no Colégio Militar de Bengazi, onde criou o que foi chamado de Movimento Secreto Unionista de Oficiais Livres, concluindo depois seus estudos em uma academia militar britânica.

Estes antecedentes explicam a notável influência que exerceu depois na Líbia e em outros líderes políticos, estejam a favor ou não de Kadafi.

Havia iniciado sua vida política com fatos inquestionavelmente revolucionários.

Em março de 1970, após grandes manifestações nacionalistas, obteve a evacuação dos soldados britânicos do país e, em junho, os Estados Unidos abandonaram a grande base aérea que possuíam perto de Trípoli, entregando-a a instrutores militares egípcios, país aliado da Líbia.

Em 1970, várias empresas petroleiras ocidentais e sociedades financeiras com a participação de capitais estrangeiros foram afetadas pela Revolução. No final de 1971, a famosa British Petroleum teve a mesma sorte. Na área da agropecuária, todos os bens italianos foram confiscados, os colonos e seus descendentes expulsos da Líbia.

A intervenção estatal foi orientada para o controle das grandes empresas. A produção desse país passou a desfrutar de um dos níveis mais altos do mundo árabe. Foram proibidos o jogo de azar e o álcool. O estatuto jurídico da mulher, tradicionalmente limitado, foi elevado.

O líder líbio mergulhou então em teorias extremistas, que se opunham tanto ao comunismo como ao capitalismo. Foi uma etapa na qual Kadafi se dedicou à teorização, que não tem sentido incluir nesta análise, embora seja necessário assinalar que no primeiro artigo da Proclamação Constitucional de 1969 se estabelecia o caráter "Socialista" da Jamahiriya Popular Árabe Líbia.

O que desejo enfatizar é que os Estados Unidos e seus aliados da Otan nunca se interessaram pelos direitos humanos.

A grande confusão que caracterizou o Conselho de Segurança, a reunião do Conselho dos Direitos Humanos com sede em Genebra, e a Assembleia Geral da ONU em Nova York foi puro teatro.

Compreendo perfeitamente as reações dos líderes políticos envolvidos em tantas contradições e debates estéreis, dada às maquinações de interesses e problemas que devem atender.

Todos sabemos que o caráter de membro permanente, o poder de veto, a posse de armas nucleares e muitas instituições são fontes de privilégios e interesses impostos à força à humanidade. Pode-se estar de acordo ou não com muitas delas, mas não se pode jamais aceitá-las como medidas justas ou éticas.

O império pretende agora fazer girar os acontecimentos em torno ao que Kadafi fez ou não, porque necessita intervir militarmente na Líbia e golpear o onda revolucionária desatada no mundo árabe. Até agora não se dizia uma palavra, se guardava silêncio e se faziam negócios.

Promovida a latente rebeldia líbia pelos órgãos de inteligência ianques, ou por erros do próprio Kadafi, é importante que os povos não se deixem enganar, já que a opinião mundial terá, muito em breve, elementos suficientes para saber a que se ater.

Em minha opinião, e assim expressei desde o primeiro momento, é preciso denunciar os planos da belicosa Otan.

A Líbia, da mesma forma que muitos países do Terceiro Mundo, é membro do Movimento de Países Não Alinhados, do Grupo 77 e outras organizações internacionais, por meio das quais são estabelecidas relações, independentemente do sistema econômico e social.


Sem entrar em pormenores: a Revolução Cubana, inspirada em princípios Marxistas-Leninistas e Martinianos, havia triunfado em 1959, a escassas 90 milhas dos Estados Unidos, que nos impôs a Emenda Platt e era proprietário da economia de nosso país.

Quase de imediato, o império promoveu contra nosso povo a guerra suja, os bandos contrarrevolucionários, o criminoso bloqueio econômico, a invasão mercenária da Baía dos Porcos, apoiada por um porta-aviões e a infantaria da Marinha, pronta para desembarcar se a força mercenária obtivesse determinados objetivos.

Apenas um ano e meio depois, ameaçou-nos com o poderio de seu arsenal nuclear. Esteve a ponto de ser iniciada uma guerra desse caráter.

Todos os países latino-americanos, com a exceção do México, participaram do bloqueio criminoso que ainda hoje perdura, sem que nosso país jamais se rendesse. É importante lembrar isso para os que não têm memória histórica.

Em janeiro de 1986, esgrimindo a ideia de que a Líbia estava por trás do chamado "terrorismo revolucionário", Ronald Reagan ordenou romper as relações econômicas e comerciais com o país.

Em março, uma força naval com porta-aviões entrou no Golfo de Sirte, em águas consideradas territoriais da Líbia, desatando ataques que destruíram várias unidades navais que portavam lança-mísseis e sistemas de radares que o país havia adquirido da União Soviética.

Em 5 de abril, uma discoteca de Berlim Ocidental, frequentada por soldados dos Estados Unidos, foi vítima de explosivos plásticos. Três pessoas morreram, duas delas militares americanos, e muitas outras ficaram feridas.

Reagan acusou Kadafi e ordenou à Força Aérea que desse uma resposta. Três esquadrões decolaram dos porta-aviões da 6ª Frota e de bases do Reino Unido, atacando com mísseis e bombas sete objetivos militares em Trípoli e Bengazi. Cerca de 40 pessoas morreram, 15 delas civis. Advertido do avanço dos bombardeios, Kadafi reuniu sua família e estava abandonando sua residência, situada no complexo militar de Bab AL-Aziziya, no sul da capital. Ainda não havia conseguido abandonar a casa quando um míssil explodiu diretamente sobre a construção. Sua filha, Hanna, morreu e outros filhos foram feridos.

O ataque recebeu amplo repúdio. A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução de condenação, por violação da Carta da ONU e do Direito Internacional. Com termos enérgicos, da mesma forma agiram o Movimento de Países Não Alinhados, a Liga Árabe e a Organização da Unidade Africana (OUA).

Em 21 de dezembro de 1988, um Boeing 747 da empresa aérea Pan Am, que viajava de Londres para Nova York, se desintegrou em pleno voo por causa da explosão de uma bomba. Os restos da aeronave cairam sobre a localidade de Lockerbie e a tragédia custou a vida de 270 pessoas, de 21 nacionalidades.

No princípio, o governo dos Estados Unidos suspeitou do Irã, como represália pela morte de 290 pessoas na derrubada com um míssil de um avião de sua linha aérea estatal. As investigações, segundo os ianques, implicavam dois agentes da inteligência líbia. Imputações similares contra a Líbia foram feitas na queda de um avião da empresa aérea francesa UTA que percorria a rota Brazzaville-N’Djamena-Paris, implicando funcionários líbios, que Kadafi se recusou a extraditar por fatos que negou de forma categórica.

Uma tenebrosa lenda foi fabricada contra ele, com a participação de Reagan e George H. Bush.

Desde 1975 até a etapa final do governo de Reagan, Cuba se consagrou a seus deveres internacionalistas em Angola e outros países da África. Sabíamos dos conflitos que se desenvolviam na Líbia ou em torno dela, por leituras e testemunhos de pessoas muito próximas desse país e do mundo árabe, assim como pelas impressões que guardamos de numerosas personalidades de distintos países, com as quais tivemos contatos naqueles anos.

Reconhecidos líderes africanos com os quais Kadafi mantinha relações estreitas se esforçaram para encontrar soluções às tensas relações entre Líbia e Reino Unido.

O Conselho de Segurança havia imposto sanções à Líbia que começaram a ser superadas quando Kadafi aceitou submeter a julgamento, em determinadas condições, os dois acusados pelo avião que explodiu sobre a Escócia.

Delegações líbias começaram a ser convidadas para reuniões intereuropeias. Em julho de 1999, Londres restabeleceu relações diplomáticas plenas com a Líbia, depois da algumas concessões adicionais.

Em setembro daquele ano, os ministros da União Europeia aceitaram revogar as medidas restritivas ao comércio tomadas em 1992.

Em 2 de dezembro, Massimo D’Alema, primeiro ministro da Itália, realizou a primeira visita de um chefe de governo europeu à Líbia.

Desaparecida a União Soviética e o campo socialista na Europa, Kadafi decidiu aceitar as demandas dos Estados Unidos e da Otan.

Quando visitei a Líbia, em maio de 2001, me mostrou as ruínas do ataque traidor com que Reagan assassinou sua filha e que esteve a ponto de exterminar toda a sua família.

No início de 2002, o Departamento de Estado Informou que estavam em curso conversações diplomáticas entre os Estados Unidos e a Líbia.

Em maio daquele ano, os Estados Unidos tinham voltado a incluir a Líbia na lista de "Estados patrocinadores do terrorismo", embora em janeiro o presidente George W. Bush não tivesse mencionado o país africano em seu célebre discurso sobre os integrantes do "eixo do mal".

No início do ano de 2003, por causa do acordo econômico sobre indenizações realizado entre a Líbia e os países reclamantes, Reino Unido e França, o Conselho de Segurança da ONU retirou as sanções em vigor desde 1992 contra o país africano.

Antes de se encerrar o ano de 2003, Bush e Tony Blair informaram sobre um novo acordo com a Líbia, que havia entregado a especialistas de inteligência dos Estados Unidos e do Reino Unido documentos dos programas de armas não convencionais, assim como mísseis balísticos com um alcance superior a 300 quilômetros. Funcionários dos dois países já haviam visitado diversas instalações. Era o fruto de muitos meses de conversações entre Trípoli e Washington, como revelou o próprio Bush.

Kadafi cumpriu suas promessas de desarmamento. Em poucos meses, a Líbia entregou as cinco unidades de mísseis Scud-C, com alcance de 800 quilômetros, e as centenas de Scud-B, cujo alcance ultrapassa 300 quilômetros em mísseis defensivos de curto alcance.

A partir de outubro de 2002 foi iniciada a maratona de visitas a Trípoli: Berlusconi, em outubro de 2002; José María Aznar em setembro de 2003; Berlusconi de novo em fevereiro, agosto e outubro de 2004; Blair, em março de 2004; o alemão Schröder, em outubro daquele ano; Jacques Chirac, em novembro de 2004. Todo mundo feliz. Dom Dinheiro é um poderoso cavaleiro.

Kadafi percorreu triunfalmente a Europa. Foi recebido em Bruxelas em abril de 2004 por Romano Prodi, presidente da Comissão Europeia; em agosto daquele ano o líder líbio convidou Bush a visitar seu país; Exxon Mobil, Chevron Texaco e Conoco Philips faziam os últimos ajustes do processo de extração de petróleo por meio de joint ventures.

Em maio de 2006, os Estados Unidos anunciaram a retirada da Líbia da lista de países terroristas e o estabelecimento de relações diplomáticas plenas.

Em 2006 e 2007, França e Estados Unidos assinaram acordos de cooperação nuclear com fins pacíficos; em maio de 2007 Tony Blair voltou a visitar Kadafi em Sirte. A British Petroleum assinou um contrato "muito importante", segundo declarou, para a exploração de jazidas de gás.

Em dezembro de 2007, Kadafi realizou duas visitas à França e assinou contratos de equipamentos militares e civis no valor de 10 bilhões de euros; esteve também na Espanha, onde conversou com o presidente do governo José Luis Rodríguez Zapatero. Contratos milionários foram assinados com países importantes da Otan.

O que aconteceu que, agora, há uma retirada precipitada das embaixadas dos Estados Unidos e demais membros da Otan?

Tudo resulta muito estranho.

George W. Bush, o pai da estúpida guerra antiterrorista, declarou em 20 de setembro de 2001, aos cadetes de West Point, "Nossa segurança vai precisar [...] da força militar que vocês vão dirigir, uma força que deve estar pronta para atacar imediatamente em qualquer obscuro rincão do mundo. E nossa segurança vai precisar que estejamos prontos para o ataque preventivo, quando seja necessário defender nossa liberdade [...] e nossas vidas".

"Devemos descobrir células terroristas em 60 países ou mais [...] Junto a nossos amigos e aliados, devemos nos opor à proliferação e confrontar os regimes que patrocinam o terrorismo, segundo cada caso requeira".

O que Obama pensa desse discurso?

Quais sanções serão impostas pelo Conselho de Segurança aos que mataram mais de um milhão de civis no Iraque e aos que todos os dias assassinam homens, mulheres e crianças no Afeganistão, onde nos últimos dias a população se lançou às ruas, inflamada, para protestar contra a matança de crianças inocentes?

Uma matéria da AFP, procedente de Cabul, datada desta quarta-feira, 9 de março, revela que "O ano passado foi o mais letal para os civis em nove anos de guerra entre os talibãs e as forças internacionais no Afeganistão, com quase 2,8 mil mortos, cerca de 15% a mais que em 2009, indicou nesta quarta um relatório da ONU, que sublinha o custo humano do conflito para a população".

"... a insurreição dos talibãs se intensificou e ganhou terreno nestes últimos anos, com ações de guerrilha muito além dos seus lugares tradicionais do sul e do leste".

"Com exatamente 2.777, o número de civis mortos em 2010 aumentou em 15% em relação a 2009, indica o relatório anual conjunto da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão..."

"O presidente Barack Obama expressou em 3 de março seu 'profundo pesar' ao povo afegão pelas nove crianças mortas, sendo seguido também pelo general estadunidense David Petraeus, comandante em chefe da USAF e pelo secretário de Defesa, Robert Gates.”

"... o relatório da Unama destaca que o número de civis mortos em 2010 é quatro vezes superior ao dos soldados das forças internacionais mortos em combate nesse mesmo ano".

"O ano de 2010 foi, de longe, o ano mais mortal para os soldados estrangeiros em nove anos de guerra, com 711 mortos, confirmando que a guerrilha dos talibãs se intensificou apesar do envio de mais 30 mil soldados estadunidenses como reforço no ano passado".

Durante 10 dias, em Genebra e nas Nações Unidas, se pronunciaram mais de 150 discursos sobre violações dos direitos humanos, que foram repetidos milhões de vezes pela televisão, rádio, Internet e imprensa.

O Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, em sua intervenção de 1º de março, ante os ministros das Relações Exteriores reunidos em Genebra, afirmou: "A consciência humana repudia a morte de pessoas inocentes em qualquer circunstância e lugar. Cuba compartilha plenamente a preocupação mundial pelas perdas de vidas civis na Líbia e deseja que seu povo alcance uma solução pacífica e soberana à guerra civil que ocorre ali, sem nenhuma ingerência estrangeira, e que garanta a integridade dessa nação".

Alguns dos parágrafos finais de sua intervenção foram lapidares: "Se o direito humano essencial é o direito à vida, o Conselho estará pronto para suspender a filiação dos Estados Unidos caso iniciem uma guerra?"

"Serão suspensos os Estados que financiam e fornecem ajuda militar empregada pelo Estado receptor em violações massivas, flagrantes e sistemáticas dos direitos humanos e em ataques contra a população civil, como os que ocorrem na Palestina?"

"O Conselho aplicará essa medida contra países poderosos que realizem execuções extrajudiciais no território de outros Estados, com o emprego de alta tecnologia, como munições inteligentes ou aviões não tripulados?"

"Que acontecerá com os Estados que aceitam nos seus territórios a existência de prisões ilegais secretas, que facilitem o trânsito de voos secretos com pessoas sequestradas ou participem de atos de tortura?"

Compartilhamos plenamente com a valente posição do líder bolivariano Hugo Chávez e da ALBA.

Estamos contra a guerra interna na Líbia, a favor da paz imediata e o respeito pleno à vida e aos direitos de todos os cidadãos, sem intervenções estrangeiras, que serviriam somente ao prolongamento do conflito e aos interesses da Otan.

Fidel Castro Ruz, Havana, 9 de março, às 21h35

Fonte: Cubadebate
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Fonte:http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=149180&id_secao=9

Record rompe cadeia de mentiras sobre Venezuela

09/03/11
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

É preciso mensurar a importância da série de reportagens que o jornalista Luiz Carlos Azenha fez para a TV Record sobre a Venezuela e que começou a ser apresentada nesta semana no telejornal da noite da emissora.

O título da série de reportagens é mais do que sugestivo: “Venezuela – um vizinho desconhecido”. Na verdade, o título bem poderia ser “um vizinho mal-conhecido”, pois os brasileiros, durante a última década, vêm recebendo, sim, freqüentes informações sobre o país, mas deturpadas.

A Globo, principalmente, vive apresentando matérias sobre a Venezuela. Todavia, são matérias que induzem a uma crença totalmente falsa sobre o país governado pelo presidente Hugo Chávez desde 1999, de que seria uma “ditadura” na qual o povo sofre.

Na série que a Record está apresentando, ainda que sem informações privilegiadas tenho certeza de que mostrará – como já mostrou alguma coisa nos dois primeiros capítulos – a imensa obra social que fez da Venezuela o país que mais avançou no IDH das três Américas na década passada.

Além do avanço social venezuelano sob Hugo Chávez, a série deverá mostrar como é mentirosa a afirmação da grande imprensa de que o país seria uma “ditadura”, pois tem um sistema político livre, com eleições limpas e sem absolutamente nenhuma censura.

Conhecendo o jornalista que fez a série de reportagens, porém, tenho certeza de que não deixará de apresentar o lado negativo do governo Chávez, tal como o uso do Estado como se fosse seu ou de seu partido.

Fato sobre a Venezuela totalmente reprovável é o uso de tevês públicas para proselitismo político em favor do governo ou para atacar seus adversários, pois o espectro eletromagnético, por onde trafegam as ondas de rádio e tevê, pertence a todos, inclusive aos que desaprovam o governo.

O culto à personalidade de Chávez usando recursos públicos é outro fator inaceitável. Como sempre digo, não se dá dez passos em Caracas, por exemplo, sem deparar com a imagem do presidente venezuelano. Quem paga por isso? Quem gosta e quem não gosta dele.

Muito provavelmente, porém, a série da Record, para ser correta, também deverá explicar as razões que levaram a esse estado de coisas. O complô de 2002 para derrubar o governo, estabelecido entre a mídia, grandes empresários e alguns setores minoritários das forças armadas, não poderá ficar de fora.

Apesar de estes fatos serem fartamente conhecidos por quem lê blogs políticos, o que precisa ser destacado é que as revelações que a série da Record fará romperão uma cadeia de mentiras da grande imprensa brasileira sobre o país vizinho.

Ao conhecerem programas sociais e bem-estar social, que mesmo com a inflação alta ainda são enormes naquele país, os brasileiros fatalmente farão o “link” com o que diz a mídia sobre o assunto Venezuela há anos. Ainda que inconscientemente, muitos sentir-se-ão ludibriados.

Não deixem de assistir a essa série de reportagens. Constitui um marco no jornalismo brasileiro, a ruptura de uma rede de mentiras que nunca antes neste país vi ocorrer nesse dimensão, pois demonstrará quantas mentiras uma Globo contou durante anos.
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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/03/record-rompe-cadeia-de-mentiras-sobre-venezuela/

O “racha” na blogosfera dos EUA

10.03.2011
Do blog de Luis Nassif
Por Luiz Eduardo Brandão

A blogosfera americana, que teve um papel capital na eleição de Obama, como se sabe, parece estar partindo para nova batalha. Ante a capitulação de fato de Obama ante os bancos e as grandes corporações -- e, no plano político, ante os republicanos --, assiste-se a um distanciamento de certos apoiadores de Obama, que se propõem construir "de baixo para cima" uma nova alternativa democrática (no sentido antirrepublicano, entenda-se). É o que opina o Azenha em seu blog:

Do Vi o Mundo

O “racha” na blogosfera dos Estados Unidos

Por Luiz Carlos Azenha

A blogosfera progressista dos Estados Unidos rachou. “Rachou” talvez seja um verbo muito forte e definitivo, para algo que nunca foi monolítico e flutua de acordo com a conjuntura política.

Mas há, agora, dois campos muito distintos, que estiveram unidos no período que antecedeu a eleição de Barack Obama.

Naquela época, em que o Netroots era embrionário (Netroots e blogosfera progressista são quase sinônimos nos Estados Unidos).

O fato é que, depois da campanha, o governo Obama foi paulatinamente desmobilizando a gigantesca base de voluntários que se organizou antes da campanha e que pretendia, de alguma forma nunca definida, influir nos rumos do governo.

Barack Obama ficou diante de decisões políticas importantes em seu início de mandato e não teve dúvida: ajudou muito mais aos banqueiros que aos trabalhadores. Ah, Azenha, mas ele deveria deixar a economia americana quebrar?

Não se trata disso, caros leitores. Trata-se de uma postura política. Obama priorizou os banqueiros enquanto vertia lágrimas de crocodilo pela classe média e pelos trabalhadores.

Entregou-se, sem qualquer tipo de reação, à agenda da extrema-direita americana, mobilizada pela Fox News e pelo Tea Party (os republicanos conseguiram a mágica de provocar o crash, pendurar a conta do crash nos cofres públicos e faturar politicamente o desgosto público com o resgate dos banqueiros).

O debate político caminhou de tal forma para a direita, com as subsequentes rendições de Obama, que hoje em dia os republicanos são capazes de culpar a “mordomia” dos funcionários públicos pela falência nacional!

E quem se rendeu junto com ele? Um bom pedaço da blogosfera. Com pequenos grunhidos, aqui e ali, progressistas de organizações como a MoveOn endossaram, muitas vezes de forma acrítica, todas as decisões do governo Obama.

Quando a coisa ficou feia, Obama deu a um progressista a presidência da Casa Walt Whitman.

Hoje, em Madison, Wisconsin, quando os trabalhadores locais concordam em fazer concessões financeiras ao estado, mas não aceitam ceder o direito coletivo de barganha, ficam diante de uma triste realidade: não tem como cobrar de Obama uma postura mais agressiva em defesa deles. Se atacarem os republicanos, não saem na mídia corporativa. Se criticarem Obama, perdem espaço em importantes endereços da blogosfera progressista.

Razão pela qual está surgindo, agora, a RootsAction.org, para se juntar a outros sites e blogs que já adotam postura independente em relação ao governo Obama.

O fundador fala em “corporificação” do Partido Democrata para justificar sua decisão de mobilizar as pessoas na rede sem depender dos democratas em geral e de Obama em particular.

Uma das ideias do grupo é criar um imposto financeiro nos Estados Unidos (sobre transações) para cobrir os rombos deixados por Wall Street. É uma ideia que Obama jamais traria para o debate político, já que a essa altura, na defensiva, ele está quase discutindo a “reforma da Previdência” com os republicanos (com objetivos óbvios).

“Não há agenda progressista de Obama”, disse o fundador do RootsAction, “teremos de criá-la de baixo para cima”.

É mais ou menos o que diz o Altamiro Borges, no Brasil, de uma forma muito mais diplomática, no memorável artigo que titulei “De puxa-sacos, Brasília está lotada”.

http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/o-racha-na-blogosfera-dos-est...
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Fonte:http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-%E2%80%9Cracha%E2%80%9D-na-blogosfera-dos-eua

Conheça a “revolução” de 1964

10/03/11
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

Após a Record desmascarar as mentiras da Globo sobre a Venezuela, agora é a vez de o SBT desmascarar Globos, Folhas, Vejas, Estadões, Reinaldos Azevedos, Bolsonaros, Bornhausens e todos os outros que tentam desculpar o regime criminoso que se abateu sobre este país em 1964, a ditadura que os militares comemoravam todo 31 de março.

Amor e Revolução, nova novela do SBT que estreia em abril, será a primeira na televisão brasileira a se passar inteiramente na época da Ditadura Militar, entre as décadas de 60 e 70. A trama escrita por Tiago Santiago e dirigida por Reynaldo Boury tem a coragem de passar a limpo a história recente do Brasil e contar toda a realidade da Ditadura.

Abaixo, alguns vídeos sobre esse resgate histórico que terá o condão de mostrar à atual geração de adolescentes que vem sendo corrompida pelas mentiras da mídia golpista que os valores que lhes estão sendo vendidos provêm de milionários que acumularam fortunas ajudando a trucidar a geração idealista que deu a vida pela liberdade.

Aviso: as cenas são fortes.







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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/03/conheca-a-revolucao-de-1964/

Samuel Pinheiro Guimarães: Vizinhos (e aliados)

10.03.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha

“Nossos verdadeiros aliados são os nossos vizinhos”

O atual Alto Representante do Mercosul, Samuel Pinheiro Guimarães, ex-ministro do governo Lula, explica a posição brasileira frente à hegemonia norte-americana e a raiz dos esforços pela integração sul-americana. “Nossos verdadeiros aliados são nossos vizinhos, daqui e de ultramar, com os quais nosso destino político e econômico está definitivamente entrelaçado, e nossos semelhantes, os grandes Estados da periferia”, diz Guimarães. O artigo é de Martín Granovsky.

Martín Granovsky – Página/12, reproduzido na Carta Maior

Se o Departamento de Estado dos EUA confiava em um fissura cada vez mais importante entre Venezuela e Brasil para recuperar posições na América do Sul, as posições brasileiras parecem desmentir essa ilusão nos fatos e nas ideias. Junto com a queda das exportações brasileiras aos Estados Unidos desapareceu a possibilidade de uma ameaça norte-americana. “Sabem que se quiserem implementá-las, essas sanções seriam ineficazes”, acaba de escrever o diplomata brasileiro Samuel Pinheiro Guimarães. E acrescenta: “Nossos verdadeiros aliados são os vizinhos”.

Pinheiro Guimarães aponta que hoje o Brasil só exporta 17% de sua produção para os Estados Unidos. Essa cifra é que tornaria impossível de cumprir uma eventual represália como a que, recorda o diplomata, Washington empregou em 1987 com as patentes farmacêuticas. Quando Fernando Collor de Mello assumiu como presidente, em 1989, satisfez em cascata as exigências norte-americanas, que questionavam a Lei da Informática.

O diplomata acaba de escrever algumas reflexões no prefácio ao livro “Relações Brasil-Estados Unidos no contexto da globalização: rivalidade emergente”, do pesquisador Luiz Alberto Moniz Bandeira.

Pinheiro Guimarães foi vice-chanceler do Luiz Inácio Lula da Silva e ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Por proposta de Lula, o Mercosul – que, para os EUA, é um “organismo antinorte-americano”, conforme telegrama divulgado por Wikileaks – designou-o em dezembro passado como seu Alto Representante com atribuições de negociar em nome do bloco, propor a formulação de estratégias e articular políticas comuns. O secretário do organismo é o argentino Agustín Colombo Sierra.

A seguir, alguns trechos do texto escrito por Samuel Pinheiro Guimarães:

“Um indicador da crescente hegemonia norte-americana é a ressurreição do Conselho de Segurança das Nações Unidas logo após a posse de Boris Yeltsin e Alexandre Kozirev, que alinharam a política russa à política externa norte-americana. Na prática, este alinhamento redundou na desaparição dos vetos russos, que passaram de um total de 118 no período 1945-1991 para apenas 4 no período 1992-2009. Como resultado, os EUA obtiveram, inclusive sem a oposição da China, apoio para suas ações de punição política, comercial ou militar”.

“Em 1988, os gastos militares norte-americanos eram de 533 bilhões de dólares. Entre 1988 e 2009 registraram um aumento acumulado de 10,376 bilhões de dólares, contra 1,683 bilhões do segundo país em gastos militares, a Rússia”.

“Em 1988, a renda per capita dos oito principais países desenvolvidos (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Canadá e Austrália) era de 18.000 dólares, e a renda média per capita dos oito principais países subdesenvolvidos (China, Índia, Brasil, Rússia, Indonésia, México, Argentina e África do Sul) era de 1300 dólares. A diferença era, em 1988, de 16.700 dólares. Em 2008, a renda per capita média dos oito países desenvolvidos alcançou os 43.000 dólares e a renda média dos oito principais subdesenvolvidos chegou a 6.000. A diferença aumentou de 16.700 para 37.000”.

“Os Estados Unidos possuem a moeda de reserva e de uso internacional, o dólar, e são, sem dúvida, para os grandes capitalistas – quer se trate de megaempresas, megabancos, megafundos ou indivíduos de alta renda – o centro do sistema capitalista internacional e seu baluarte. Estes sucessos norte-americanos encontram-se, na verdade, entrelaçados. A elite norte-americana está absolutamente convencida de que tudo o que ocorre em todos os países que integram o sistema internacional é de interesse para sua sociedade e para sua sobrevivência”.

“O Brasil atravessa um momento de sua história onde as classes populares, conduzidas pelo Partido dos Trabalhadores e pelos partidos progressistas sob a liderança do presidente Lula, iniciaram um processo de transformação econômica, política e social para construir uma sociedade democrática de massas. Todavia, diferentemente dos Estados Unidos, o Brasil é um país subdesenvolvido e está na periferia do sistema internacional”.

“O Brasil vive um momento de transformação na natureza da inserção de sua sociedade e de seu Estado no sistema internacional. A estrutura do comércio exterior se alterou, reduzindo muitíssimo a dependência da economia brasileira não somente em relação a terceiros mercados como também em relação a produtos específicos. Os fluxos de investimento direto estrangeiro se diversificaram, com um aumento significativo da participação de capitais de novas origens. O Brasil passou de devedor a credor internacional, acumulando reservas de quase 300 bilhões de dólares, maiores que as da França, Inglaterra e Alemanha. O Brasil passou a exportar capitais por meio de empréstimos e investimentos diretos de empresas brasileiras no exterior”.

“O presidente José Sarney assumiu a presidência em um momento delicado da política brasileira, e foi capaz de conduzir a transição de um regime autoritários para um regime democrático em meio a uma pertinaz crise econômica. Garantiu a liberdade de imprensa, iniciou um processo de firme aproximação com a Argentina, base do futuro Mercosul, resistiu às pressões para adotar medidas arbitrárias, convocou a Assembleia Constituinte, promulgou a Constituição de 1988 e enfrentou, com serenidade, uma campanha eleitoral de grande violência verbal contra ele e sua família. Desempenhou um papel fundamental na transição democrática e apoiou programas estratégicos vitais para o Brasil, como os programas nuclear, espacial e cibernético. Ao resistir às pressões norte-americanas para desmantelar esses programas contrariou poderosos interesses econômicos e políticos, nacionais e estrangeiros. Talvez seja essa a razão do antagonismo sistemático que é dirigido contra sua pessoa por setores dos grandes meios de comunicação” (Nota do autor: Sarney é o presidente do Senado, resultado de um acordo com o PT).

“Vivemos o momento em que se desenvolve a estratégia de transformar a inserção – política, econômica e tecnológica – no mundo por meio de uma nova ação do Brasil na América do Sul, na África, no Oriente Próximo e nos organismos internacionais, frente às grandes potências e na conquista da autonomia em relação ao Fundo Monetário Internacional”.

“É necessário, prudente e proveitoso manter as melhores relações com as grandes potências, devido a sua importância no mundo em geral e para o Brasil em particular, mas fundamo-nos nos princípios de igualdade soberana, reciprocidade, não intervenção e autodeterminação, sem perder de vista que os interesses nacionais brasileiros, que são os de um país subdesenvolvido, apesar de seu extraordinário potencial, não são idênticos aos interesses nacionais de cada uma das grandes potências em geral e, muito menos, aos interesses da maior potência mundial, os Estados Unidos”.

“(Desenvolvemos) uma política altiva, ativa, soberana, não intervencionista, não impositiva, não hegemônica, que luta pela paz e pela cooperação política, econômica e social, em especial com os países vizinhos e irmãos sul-americanos, começando pelos países sócios do Brasil no Mercosul, um destino comum que nos une, com os países da costa ocidental da África, também nossos vizinhos, e com países semelhantes: com mega-populações, mega-territoriais, mega-diversos, mega-ambientais, megaenergéticos, mega-subdesenvolvidos, mega-desiguais. Nossos verdadeiros aliados são nossos vizinhos, daqui e de ultramar, com os quais nosso destino político e econômico está definitivamente entrelaçado, e nossos semelhantes, os grandes Estados da periferia.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/politica/samuel-pinheiro-guimaraes-vizinhos-e-aliados.html

Giuseppe Cocco, no Unisinos: As batalhas da classe C

10.03.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha

O Complexo do Alemão e as mudanças na relação entre capitalismo mafioso e capitalismo ”cognitivo”.

Entrevista especial com Giuseppe Cocco, no site do Unisinos

Para entender a relação entre relação entre capitalismo contemporâneo e capitalismo mafioso no Brasil, Giuseppe Cocco, na entrevista a seguir, concedida por telefone e email à IHU On-Line, falou da ocupação do Complexo do Alemão em dezembro de 2010. Nela também analisou o Pronasci e a desenvoltura do Ministério da Cultura. “Na era do Twitter, do Facebook e do Google, voltamos a um conceito restrito de cultura e, pior, a um conceito de cultura proprietária da época industrial. É estarrecedor! Temos milhões de jovens pobres que resistem nas periferias antropofagizando a cultura global, colaborando em redes e o MinC agora volta a enxergar o direito autoral sob o prisma do copyright e a cultura como virtuosismo elitista”, enfatizou.

Giuseppe Cocco possui graduação em ciências políticas pela Université de Paris VIII e pela Università degli Studi di Padova. É mestre em ciências tecnológicas e sociedade pelo Conservatoire National des Arts et Métiers e em história social pela Université de Paris I (Pantheon-Sorbonne). Doutor em história social pela Université de Paris I (Pantheon-Sorbonne), atualmente é professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Publicou com Antonio Negri o livro Global: Biopoder e lutas em uma América Latina globalizada (Ed. Record, 2005). Também é autor de Mundobraz – O Devir Do Mundo No Brasil e O Brasil No Devir Do Mundo.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Para o senhor, o que a ocupação do Complexo do Alemão, em dezembro de 2010, revela sobre relação entre capitalismo e máfia no Brasil?

Giuseppe Cocco – Podemos apreender a recente ocupação do Complexo do Alemão de dois pontos de vista: um primeiro, de mais curto prazo, diz respeito ao plano de desenvolvimento das políticas de segurança no Rio de Janeiro, com as chamadas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs); um segundo, de mais longo alcance, diz respeito à transformação das relações entre capitalismo mafioso e capitalismo tout court.

Do ponto de vista das UPPs, tratou-se de retrocesso. Do ponto de vista da “guerra do Rio”, trata-se de uma batalha que marca uma aceleração das mudanças nas relações entre capitalismo mafioso e capitalismo “cognitivo”. O retrocesso está no fato que a ocupação do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro não se realizou no âmbito das diretrizes do Pronasci, ou seja, da integração de “segurança” e “cidadania”. Ao passo que o Pronasci, concebido e implementado pelo então ministro Tarso Genro, articula combate à violência e reformulação da própria polícia (não por acaso, as UPPs são unidades recém formadas de jovens policiais), a ocupação do Complexo do Alemão foi feita pelas atuais forças de polícia e, pior, pelas Forças Armadas: a pacificação tornou-se uma militarização e o Ministro da Defesa ocupou o lugar que devia ser do Ministro da Justiça.

De maneira mais geral, voltam à tona os estragos incalculáveis, inclusive na retórica de esquerda, da adesão superficial à teoria política liberal, seja ela aquela do Leviatã hobbesiano ou a do “contrato” de Rousseau. Dize-se que o problema da violência nas favelas pode ser resolvido pela imposição do monopólio do uso da força por parte do Estado quando é o contrário: a violência nas favelas é o fruto de um monopólio absoluto do uso da força pelo Estado em sua relação neoescravagista com os pobres. Só que o Estado não consegue dar, a essa tremenda efetividade, uma legitimidade estável e sequer a “paz do medo” consegue impor. É nesse absurdo que toda política de segurança – até a mais bem intencionada – encalha! E isso porque a base da corrupção generalizada da polícia (quer dizer do Estado) está exatamente no direito de fato que os policiais têm de matar e torturar os pobres! O Estado sempre esteve presente nesses territórios na sua forma mais truculenta, para matar os pobres. Essa é a base fundamental de todo processo de corrupção.

Os elementos positivos do Pronasci dizem respeito à afirmação de que a política de segurança é uma política de cidadania e que é desse tipo de paz que precisamos: a paz da cidadania e não do medo. Assim, no Rio de Janeiro, o Pronasci com seu programa dos “Territórios da Paz”, possibilitou a criação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), quer dizer de uma nova geração e de novas unidades de policiais voltados para a comunidade.

A ocupação do Complexo do Alemão é na realidade um episódio da “guerra do Rio” pela reorganização do território. Uma reorganização do território determinada pela passagem às formas de acumulação próprias do capitalismo cognitivo. Por um lado, com o “pastiche midiático” denunciado por Luiz Eduardo Soares, construiu-se a imagem falsa de uma guerra do bem contra o mal, algo que desse vazão ao ódio da classe media para com os pobres. Pelo outro, por trás dessa falsificação, temos um processo de reorganização do controle territorial até agora exercido pelos comandos do narcotráfico. Isso é a consequência do esgotamento econômico do controle militar pelos comandos do narcotráfico da venda de varejo das drogas. Na medida em que o território das redes sociais está se tornando o espaço de organização da acumulação em geral, ele não pode mais ser deixado sob o controle militar exercido pela economia criminal do narcotráfico. Assistimos, assim, a uma reorganização das relações entre capitalismo mafioso e capitalismo em geral e isso na medida em que passamos a um regime de acumulação de tipo cognitivo.

IHU On-Line – Dentro da ideia de capitalismo cognitivo, que mudanças se revelaram nessa guerra que o Rio de Janeiro vivencia?

Giuseppe Cocco – A política de segurança atual não tem como objetivo acabar com o narcotráfico. Por isso, é uma grande hipocrisia dizer que o narcotráfico foi vencido. O fato novo é um outro: os espaços gigantescos de moradia dos pobres se tornaram grandes jazidas de acumulação para o capitalismo cognitivo, uma verdadeira nova fronteira. Na década de 1990, tivemos dois primeiros momentos de inflexão nessa direção, que já anunciavam a tendência ao esgotamento do modelo econômico e militar implementado pelos comandos do narcotráfico. O primeiro momento foi o da onda de privatizações dos serviços públicos (que amplificou o peso e o papel das concessionárias privadas de serviços públicos, em particular dos transportes coletivos).

Com isso, as privatizações foram se sobrepondo à gestão privada do espaço público que, no Brasil, sempre se manteve extremamente forte, muito mais do que nas economias centrais, mesmo nas economias liberais. Um segundo momento (que na realidade não é sequencial mas contemporâneo ao primeiro) é aquele da emergência das milícias. Setores da polícia e forças de segurança passaram a usar o poder que tradicionalmente lhe era (e continua sendo) entregue de vida e morte sobre os pobres para controlar diretamente as dimensões produtivas do território dessas populações. Então, as milícias expulsam os comandos do narcotráfico (pelo menos como organização hierarquizada e estruturada) e, às vezes, expulsam o tráfico de drogas. Elas tomam o controle da região e passam a controlar todos os tipos de serviços, a começar pelos “impostos”.

As milícias cobram “impostos“ em troca da paz que elas mesmas ameaçam. Esse é um mecanismo tipicamente mafioso de vender a proteção. E, em seguida, elas exploraram o transporte coletivo, as vendas de botijões de gás, a pirataria de CDs e DVDs, os gatos de eletricidade e o furto do sinal da televisão e internet a cabo (o “gatonet” ou “gatovelox”). Portanto, as milícias se tornaram, junto com a privatização dos serviços públicos, o outro lado da mesma corrida em direção ao capitalismo cognitivo. O capitalismo cognitivo não é apenas o Google e a internet. O capitalismo cognitivo é essa dimensão de uma produção que se torna serviço e que encontra na metrópole o espaço produtivo de uma circulação produtiva. Então, a do Alemão não foi nem uma batalha “final” nem uma luta do “bem contra o mal”, mas um episódio importante na reorganização das relações entre capitalismo mafioso (direta e explicitamente ligado à acumulação primitiva) e capitalismo cognitivo.

Uma reorganização acelerada pelo fato que as políticas sociais do governo Lula tornaram esses territórios dos pobres, tradicionalmente entregues à exclusão e ao narcotráfico, na nova fronteira de expansão do capitalismo rumo à conquista daquelas camadas sociais que os marqueteiros definiram como “classe C”. Os pobres passaram a ter poder de compra e as favelas se tornaram territórios de consumo e, por consequência, atrativas para a acumulação.

Outro fator de aceleração é a agenda de Megaeventos do Rio de Janeiro. A cidade sediará, em 2011, as Olimpíadas Militares, em 2012 a cúpula do Rio+20, em 2014 a parte carioca da Copa do Mundo de Futebol e, enfim, os jogos Olímpicos de 2016. Tudo isso reconfigura o espaço metropolitano carioca e acelera a corrida para uma acumulação primitiva que passa pelo controle dos territórios, ou seja, dos fluxos que desenham as linhas de acumulação cognitiva: serviços, atividades de produção do intangível, trabalho imaterial, redes de telefonia e internet, transportes, moda, marketing, design, cultura etc.

Então, aquela do Alemão é fundamentalmente uma batalha dentro de uma reconfiguração social e produtiva da chamada “classe C”. E o verdadeiro desafio é de saber se continuaremos a ficar presos do discurso sociológico da classe C (da “nova classe média”) e vamos assim apoiar, de maneira cega e consensual, o regime discursivo da guerra do bem contra o mal (ou seja, da guerra contra os pobres), ou conseguiremos desenvolver novos conceitos e novas análises da composição da classe de um novo tipo de trabalho, um trabalho que investe, como já dissemos, a vida como um todo, na circulação produtiva dos territórios metropolitanos. Só uma análise de classe do trabalho permite uma crítica desses embates, ou seja, a construção de um ponto de vista adequado.

IHU On-Line – Como mudaram as relações entre capitalismo mafioso e capitalismo?

Giuseppe Cocco – No capitalismo industrial, o capitalismo mafioso se torna marginal e relegado à esfera do consumo. Isso porque a própria dinâmica do “desenvolvimento” industrial torna “primitiva” a acumulação mafiosa, algo que aconteceu no tempo, que até mesmo já esquecemos e aparece nas formas da propriedade privada, algo que depende do acaso (da herança) e da acumulação (industrial). Ricos e pobres aparecem não mais como resultado do roubo e da lei da força, mas como condições sociais determinadas por processos sociais assentados na força da Lei.

A apropriação direta e violenta dos bens, da terra, dos meios de produção e do trabalho dos outros (a escravidão e a servidão) é substituída pela dinâmica da inovação tecnológica. A acumulação mafiosa se torna marginal e podemos até dizer que a diferença entre desenvolvimento e subdesenvolvimento pode ser pensada em termos da presença explícita (ou não) de formas de acumulação primitiva: um país será tanto mais subdesenvolvido quanto a acumulação primitiva, ou seja mafiosa, é explicitamente atuante em sua dinâmica econômica e social. Nesse marco, o capitalismo mafioso se limita a esfera do consumo e aparece como uma das formas de rentismo parasitário, na disputa do que já foi produzido e valorizado. Não por acaso ele é duramente ironizado pelo Keynes.

O capitalismo cognitivo, diferentemente do capitalismo industrial, vive da apropriação direta do que é produzido em comum nas redes sociais (nas metrópoles onde se geram as significações – cultura – e se espalham os estilhaços do trabalho imaterial). A relação entre valorização e acumulação é invertida: a valorização acontece nas relações sociais (na cooperação social) e a acumulação vem depois, como uma apropriação parasitária que renova e atualiza, continuamente, a acumulação primitiva: é isso que exalta a necessidade das privatizações e todos os conflitos sobre as patentes e o copyright.

Ora, sabemos que no Brasil a relação entre o capitalismo mafioso (acumulação primitiva) e capitalismo industrial nunca foi resolvida, no sentido que a própria acumulação capitalista sempre aparece sendo como acumulação mafiosa em uma relação direta com a economia criminal. Aqui a corrida para o capitalismo cognitivo explicita suas novas relações com o capitalismo mafioso, pois ela aparece indiferentemente nas formas das milícias ou das privatizações, “privataria” e “pirataria” vão juntinhas. Exatamente porque o Brasil nunca conseguiu tornar primitiva a acumulação de tipo ilegal, a nova mafiosidade do capitalismo cognitivo aparece de maneira mais nítida.

IHU On-Line – A partir dessa perspectiva da relação entre violência e capitalismo, quais são as novas batalhas da guerra no Rio de Janeiro?

Giuseppe Cocco – As batalhas que estamos assistindo são aquelas da desmilitarização do narcotráfico, pois seu funcionamento econômico se tornou obsoleto e por isso insuportável! As novas batalhas são as batalhas da “classe C”. Elas têm como teatro a emergência dos pobres como sujeito econômico e/ou político e a questão da “paz” está atrelada às alternativas que atravessam esse processo. Por um lado, capitalismo mafioso e capitalismo cognitivo visam homologar a nova classe média (“C”) como fronteira constituída por uma enorme jazida de novos consumidores, sem reconhecimento de suas dimensões produtivas.

Aqui, a disputa entre as duas formas de acumulação apenas aponta para o fato que o capitalismo cognitivo é necessariamente mafioso: seja quando ele aparece na forma da milícia e de seu monopólio (estatal, porém ilegal) do uso da força; seja quando aparece na forma das decisões de uma agência reguladora sobre compartilhamento de sinal wireless de internet, ou seja, de uma política estatal (legal, porém ilegítima) de produção da escassez (escassez de sinal nesse exemplo) como base para que o capitalismo renove e mantenha uma acumulação que é, ao mesmo tempo, mafiosa e cognitiva (e não tem mais legitimidade técnica).

É a mesma coisa que acontece com o fechamento, por uma delegada da polícia civil, da Xerox [empresa fotocopiadora] da faculdade de Serviços Social da UFRJ (no final de 2010): a aplicação truculenta do copyright visa às alunas pobres e do subúrbio e seu direito ao saber, e não aos jovens da PUC. O copyright se reafirma contra o compartilhamento e para subordinar os pobres e não se preocupa com os filhos da elite. A mesma delegada, não por acaso, aparecia na TV comentando as operações do Alemão.

É a mesma guerra, com batalhas diferentes. O que está em jogo é essa apropriação capitalista dos pobres como consumidores a serem explorados diante da possibilidade que eles se constituam como sujeitos capazes de afirmar politicamente sua riqueza. Nos 8 anos de governo Lula, o MinC de Gilberto Gil, Juca Ferreira e Célio Turino tinha começado a trabalhar nesse segundo sentido, de maneira muito forte e expressiva, com grande potencial para a reformulação das políticas públicas como um todo. É triste constatar que o Setor Cultural do PT (e setores do governo da Dilma) não entenderam literalmente nada e, desestruturando esse trabalho, entregaram de volta o MinC à Industria Cultural (aquela que precisa da mamata estatal para ser “criativa”) e aos interesses corporativos dos “artistas” assustados diante da mutação que o novo contexto tecnológico e do trabalho anuncia e proporciona: a estética não é mais definida pela transcendência dos poucos (curadores, marchands, medalhões da “arte” espetáculo), mas pela imanência da multidão que produz e cria em rede, de maneira colaborativa.

As periferias querem o reconhecimento de sua estética e criação – como podemos ler no belo livro de Marcus Faustini – e não o acesso à suposta criação culta dos artistas do Leblon. Essas redes de criação e trabalho são metropolitanas, sociais e técnicas ao mesmo tempo. Elas desenham os territórios de uma circulação que mistura produção e reprodução, tempo livre e tempo de trabalho. De repente, a questão da guerra e da “paz” aparece de maneira nova. Hoje em dia é preciso um espaço metropolitano de paz para que a cooperação produtiva aconteça dentro do território. Antes, esse território de paz acontecia dentro dos muros da fábrica, dos escritórios, das empresas e de seu copyright. Hoje, as empresas, para funcionar, precisam da metrópole e de seus serviços terceirizados.

Do ponto de vista dos pobres, ou seja, da composição de classe do trabalho metropolitano, precisamos articular uma outra perspectiva, aquela que afirma (e constitui) a paz como condição e resultado da cooperação social. Mas essa paz não é aquela do medo, mas a paz dos cidadãos. Isso só pode acontecer pelo envolvimento dos pobres nos territórios onde eles vivem e trabalham, transformando politicamente essa fusão de vida e trabalho que caracteriza as novas formas de acumulação capitalista. Vida e o trabalho se unem diretamente e, portanto, precisam formar suas próprias milícias. As UPPs, inspiradas na Polícia Comunitária, fizeram um passo nessa direção. Mas precisamos avançar muito mais. Vejam bem, estou na realidade falando da reforma da polícia, para que ela seja uma milícia cidadã: ela não pode ser “técnica”. Somente a participação dos cidadãos também nas questões de segurança, por exemplo, passando a eleger, em eleições democráticas, os delegados e os comandantes das polícias irá nesse sentido.

O que o Rio de Janeiro precisa não é eliminar o conflito, mas organizá-lo para que os moradores se organizem, participem, manifestem as suas reivindicações sobre questões essenciais como a moradia, o ensino, a distribuição de renda, o transporte… Só o movimento social, só o conflito organizado dentro de um espaço democrático, só a emergência desses movimentos é que irão permitir a transformação da cidade. Então, o verdadeiro desafio das próximas batalhas é que a guerra não continue a ser o horizonte da destruição do espaço público e a paz do comum encontre sujeitos capazes de constituí-la. Por um lado, a “classe C”, pelo outro, a nova composição de classe do trabalho metropolitano.

De toda maneira, os únicos territórios da paz que funcionarão serão aqueles que saberão construir instituições do comum. As diferentes instâncias de governo ainda têm uma visão extremamente tradicional e inadequada. Como dissemos, no MinC do governo Dilma, a cultura volta a ser vista como enfeite (proporcionado por “artistas” virtuosos) ou como indústria cultural (uma múmia “nacional” revitalizada pela importação do chavão britânico de “indústria criativa”). Na era do Twitter, do Facebook e do Google, voltamos a um conceito restrito de cultura e, pior, a um conceito de cultura proprietária da época industrial. É estarrecedor! Temos milhões de jovens pobres que resistem nas periferias antropofagizando a cultura global (o funk, o tecnobrega, o rap cantado em guarani), colaborando em redes e o MinC agora volta a enxergar o direito autoral sob o prisma do copyright e a cultura como virtuosismo elitista. Assim, reduz-se a criação à indústria (criativa) e a criação (social) à pirataria. Para os jovens das periferias e das favelas, só é oferecido o horizonte do emprego e do trabalho subordinado e, no máximo, um “vale cultura” para assistir à medíocre produção “nacional” cujas bases tecnológicas e clichês são importados.

Para continuar lendo, vá ao site do Unisinos.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/giuseppe-cocco-no-idh-unisinos-as-batalhas-da-classe-c.html

OAB: Câmara tem instrumentos legais para abrir processo de cassação de Jaqueline Roriz

10/03/2011
Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil

Brasíli
a - O presidente da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF), Francisco Caputo, afirmou há pouco que a Câmara dos Deputados tem instrumentos legais para abrir um processo de cassação do mandato da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF). Ela aparece em um vídeo recebendo dinheiro de Durval Barbosa, delator do esquema de corrupção conhecido como mensalão do DEM.

Caputo está neste momento reunido com o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS) para tratar do assunto. "Viemos trazer a preocupação da sociedade de Brasília com mais esse vídeo constrangedor e dizer que a Câmara, a nosso ver, tem instrumentos legais que possibilitam a abertura de investigação contra a deputada Jaqueline Roriz."

Caputo argumentou que mesmo que o vídeo tenha sido gravado em 2006, o fato político foi gerado agora, o que justificaria a abertura do processo contra a parlamentar. “Para nós isso é motivo suficiente para abertura de processo", resumiu o presidente da OAB-DF.

"Acredito que a gravidade do fato vai exigir uma punição do porte da cassação. Não podemos deixar ninguém envolvido nesse esquema impune", reforçou Caputo.

Ainda hoje (10) o P-SOL deve protocolar um ofício na Corregedoria da Câmara pedindo a abertura de sindicância para investigar o episódio.

Edição: Talita Cavalcante
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/home;jsessionid=7E82AC08402B310B5F072D1E28F2F7F5?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-4&p_p_col_pos=3&p_p_col_count=7&_56_groupId=19523&_56_articleId=3207343

MUDANÇA :João da Costa monta também conselho de gestão

10.03.2011
Do BLOG DA FOLHA
Postado por Gilberto Prazeres


Além de criar um conselho político, para discutir ações com impacto na área e a relação com aliados, o prefeito João da Costa (PT) vai montar uma estrutura parecida para a administração em geral. O conselho de gestão - que também deve contar com a participação de secretários - dará suporte em atividades ligadas ao cotidiano das secretarias. Em ambos os conselhos, o prefeito comandará reuniões regulares com os membros do grupo.

A ideia da formação dessas estruturas é ampliar os agentes que fazem o debate sobre as principais ações tomadas pela Prefeitura do Recife. Assim, João da Costa também divide o peso das decisões que serão amarradas com sua equipe.
***
Fonte:http://www.blogdafolha.com.br/index.php/materias/18223-joao-da-costa-monta-tambem-conselho-de-gestao

MUDANÇA :João da Costa monta também conselho de gestão

Postado por Gilberto Prazeres | Qui, 10 de Março de 2011 18:35


Além de criar um conselho político, para discutir ações com impacto na área e a relação com aliados, o prefeito João da Costa (PT) vai montar uma estrutura parecida para a administração em geral. O conselho de gestão - que também deve contar com a participação de secretários - dará suporte em atividades ligadas ao cotidiano das secretarias. Em ambos os conselhos, o prefeito comandará reuniões regulares com os membros do grupo.

A ideia da formação dessas estruturas é ampliar os agentes que fazem o debate sobre as principais ações tomadas pela Prefeitura do Recife. Assim, João da Costa também divide o peso das decisões que serão amarradas com sua equipe.
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Fonte:
10.03.2011
Da FOLHA DE PERNAMBUCO

MARILEIDE ALVES
PETISTA ressaltou que o Recife foi que saiu lucrando

Criticado por aliados e adversários pela forma como vem gerindo o Recife, o prefeito João da Costa (PT) disse, ontem, que o sucesso do Carnaval é uma prova de que a administração municipal “tem competência” para cuidar da cidade. “Quem cuida de um evento desse tamanho (o Carnaval), já mostrou que tem competência para cuidar bem da cidade”, afirmou o gestor, após entrevista coletiva sobre o balanço da festa, ontem, na central de serviços do Carnaval, no Armazém 12, no Marco Zero.

Em pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, em julho de 2010, segundo ano de gestão de João da Costa, o petista recebeu avaliação positiva de 30%. Na mesma sondagem, 37% dos entrevistados avaliaram o Governo como regular. A administração foi classificada como ruim ou péssima por 31%. Em dezembro do mesmo ano, João da Costa apareceu no levantamento da Datafolha com apenas 24% de avaliação positiva.

Questionado sobre os dividendos políticos do evento, o prefeito esquivou-se. Disse que “quem sai lucrando é a cidade” e que a Prefeitura cumpriu o seu papel de governo. “Fizemos o nosso papel. É o papel do governo fazer um trabalho profissional competente, eficiente, mostrando que a gente está preparado para cuidar bem da cidade. Estamos com uma equipe motivada, até pela realização do sucesso desse evento, para continuar fazendo as coisas com o mesmo brilhantismo que fizemos o Carnaval”, ressaltou o petista.

O prefeito disse também que este foi o “melhor Carnaval de todos os tempos” realizado pela Prefeitura. “Nós e o povo fizemos o mais bonito, o melhor e o maior Carnaval de todos os tempos da cidade do Recife. Isso é incontestável. E não sou eu que digo. Isso eu ouvi o Carnaval inteiro, por onde passei, de todas as pessoas que conversei”, afirmou.

João da Costa evitou tecer comentários sobre uma foto do ex-prefeito e deputado federal João Paulo (PT), na qual aparece ao lado de dois foliões, segurando uma placa com a frase: “Elegi o poste”. “Não vi blog, não vi jornal. Estava cuidando do Carnaval. Como é que você quer eu comente o que eu não vi?”, tangenciou. Os dois “joões” romperam relações políticas e pessoais no final de 2009.

Com relação à conclusão da reforma no secretariado, o prefeito disse que amanhã apresentará as mudanças. No entanto, não revelou nomes. “O Carnaval ainda não terminou, estamos na Quarta-feira de Cinzas”, desconversou, o gestor.

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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-politica/624652-joao-da-costa-destaca-competencia


Sonho de cursar universidade pública está mais amplo

10/03/2011
Da FOLHA.COM
Por LUIZ RICARDO ARRUDA DE ANDRADE
ESPECIAL PARA A FOLHA


"Passei na USP!" Quantas vezes ouvimos candidatos eufóricos, após um longo e trabalhoso ano de estudos, dizerem com extremo orgulho que foram aprovados na Universidade de São Paulo. Orgulho que permanece, mas que hoje já não é o fator decisivo para efetuar a matrícula.

Um em quatro aprovados desiste da USP

A criação de novas universidades públicas, federais, estaduais, em diversas regiões do país, tem apresentado novas possibilidades aos vestibulandos. Em alguns casos, mesmo sendo aprovados na USP, mais concorrida, acabam optando por outras instituições. Podemos enumerar muitas razões para essa nova realidade, mas que sempre giram em torno dos anseios profissionais e pessoais.

Pelo lado profissional, o candidato pode optar por universidades mais ou menos conservadoras, com peculiaridades como, por exemplo, a orientação científica da instituição ou sua ênfase em determinadas especialidades da mesma carreira, mais autonomia para escolher disciplinas, entre outras situações.

Quanto às razões pessoais, que são as preponderantes, pode-se identificar a proximidade do local no qual o estudante reside ou o interesse em morar longe de casa; questões financeiras, que o incentivam cursar onde o custo de vida seja menor que na capital paulista; comodismo ou medo de enfrentar a realidade de grandes universidades; o conservadorismo de algumas famílias, que preferem ter os filhos por perto e interferem na opção.

Aliás, a pressão familiar é algo realmente relevante: há alunos que optam por carreiras consideradas de maior prestígio, como medicina e direito, e passam no vestibular mais para mostrar aos pais que são capazes do que por vocação. Contudo, depois de algum tempo, acabam trocando de carreira e, consequentemente, de universidade.

O fato é que essa nova realidade não altera em nada a qualidade da USP, até porque a diferença entre o candidato que passou em primeira chamada e as demais chamadas é mínima. O nível de conhecimento dos estudantes permanece alto, mas, para eles, o sonho de cursar uma universidade pública se tornou mais amplo.

Luiz Ricardo Arruda de Andrade é coordenador geral do Anglo Vestibulares
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Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/saber/886472-sonho-de-cursar-universidade-publica-esta-mais-amplo.shtml