domingo, 6 de março de 2011

Sobre o desamparo de ser criança e viver na rua

06.03.2011
Do site da CNTSS/CUT, em 28.02.2011
Por ELIANE BRUM*


Há 23.973 crianças vivendo nas ruas de 75 cidades brasileiras com mais de 300 mil habitantes. Os números foram divulgados na semana passada pelo jornalista Bruno Paes Manso, do jornal Estadão, e são resultado de um censo nacional encomendado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) e pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável (Idesp). Pelo menos 63% destes meninos e meninas chegaram às ruas por causa de brigas em casa. A pesquisa mostra que 72,8% se identificam como pardos ou morenos e negros, e 71,8% são do sexo masculino. Apenas 6,7% concluíram o ensino fundamental. O censo deverá ser usado para a construção de uma política nacional.

Eu lembro, porque trabalhava como repórter nessa área, de que no final dos anos 90 havia 192 meninos de rua na capital gaúcha. Cento e noventa e dois. E ninguém soube o que fazer com eles.

E se multiplicaram. Lembro, antes disso, de quando fui cobrir uma coletiva na prefeitura de Porto Alegre numa manhã de 1993 e encontrei no caminho garotos saindo dos bueiros do centro da cidade. Eram 12 e dormiam nos esgotos. A reportagem publicada no jornal Zero Hora repercutiu dentro e fora do país, e a foto ganhou o Prêmio Esso naquele ano. A prefeitura mandou fechar os bueiros e pouco mais. Lembro de quando já vivia em São Paulo e o repórter Carlos Etchichury, de ZH, investigou o paradeiro destes meninos dez anos depois. Ao localizar nove deles, descobriu que quatro estavam mortos.

Como repórteres nós mostramos, apontamos, denunciamos. É a nossa parte. E às vezes – muitas vezes – nada acontece. Fico contente que tenha sido feito um censo nacional de meninos e meninas de rua para que se possa enfrentar o problema com o necessário conhecimento da realidade. Mas me pergunto: por que só depois de 20 anos da criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o tempo de uma geração de rua morrer antes de se tornar adulta? E por que só agora, após oito anos de Lula e outros oito anos de FHC, talvez seja debatida e construída uma política pública integrada para dar conta dessa realidade?

Mesmo sem censo, há muito basta andar pelas grandes cidades – e também pelas pequenas e médias – para desconfiar que estivesse na ordem dos milhares o número de crianças de rua. Por que nunca se tornou uma questão urgente de fato para qualquer governo, em todas as instâncias? E por que boa parte de nós acha suficiente fechar o vidro do carro e colocar insulfilm para não ser alcançado pelo olhar destas crianças?

Até hoje não vi essa tragédia ser tratada com a seriedade e a urgência necessárias em nenhum nível de governo, por nenhum partido. Existiram alguns programas e políticas nas últimas décadas, a partir do trabalho e da pressão da sociedade organizada, mas estiveram longe de se tornarem centrais e suficientes. Espero que, desta vez, as ações – muito mais do que as boas intenções – provem que o enfrentamento do problema é prioridade.

Porque, quando se é uma criança na rua, o tempo é escasso. A violência espreita do minuto seguinte. O número encontrado pelo censo só não é maior porque nas ruas meninos e meninas morrem com facilidade assombrosa. Os enredos de suas vidas interrompidas são contados no jornal Boca de Rua e Boquinha, de Porto Alegre, da ONG ALICE, feito por jovens e crianças sem teto da capital gaúcha. Há dez anos o jornal é um testemunho deste drama: muitos dos que registraram sua vida ali hoje estão mortos. E aquele que hoje denuncia o assassinato de um colega teme virar notícia amanhã.

Quero aqui contar uma história pessoal, que me ajudou a compreender o desamparo que é ser criança e viver na rua, exposta ao mundo. Acredito que é preciso fazer o exercício de vestir a pele do outro para alcançar o significado da tragédia que só é nossa na medida em que é do outro – e que é nossa exatamente porque é do outro. Depois de adulta, eu faço esse exercício por decisão racional, como já escrevi aqui em textos anteriores. E o faço com o cuidado de não perder pedaços vitais no caminho. Mas na história que vou contar eu não tive essa escolha. Fui enfiada na pele do outro à força.

Ijuí, a cidade gaúcha onde eu nasci e vivi até os 17 anos, não está na lista do censo nacional das crianças de rua. Tem hoje menos de 80 mil habitantes, mais do que na minha infância. Naquele domingo de 1975 fazia sol, eu lembro bem. Pedi à minha mãe para ir ao cinema na matinê. Naquele tempo, havia dois cinemas em Ijuí. Um passava pornochanchadas e bangue-bangue (a relação até hoje me parece das mais interessantes), e o outro exibia os filmes, digamos, de família. Para crianças, a única possibilidade eram as matinês de sábado e domingo. Eu adorava cinema, mas meus pais e irmãos já tinham outros planos. Não era comum uma menina ir sozinha ao cinema, mas também não era impossível. Eu tinha nove anos.
A sessão acabou às 16h, e eu voltei para casa. Algo como quatro quarteirões. Toquei a campainha muitas e muitas vezes. Nada. Meus pais imaginaram que eu compreenderia que tinham precisado sair e iria à casa da minha tia, a duas quadras de distância. Na minha cabeça a coisa se passava diferente: era óbvio que em algum momento alguém abriria a porta e me resgataria da rua. Então esperei.

Ainda hoje sou capaz de me ver com exatidão, aos nove anos, enfiada no meu melhor vestido, azul com flores coloridas bordadas no peito e saia de preguinhas. A rua da minha casa era comercial, e a nossa era praticamente a única casa. Ao lado havia uma construção e em frente um terreno baldio. Aos domingos, as ruas da cidade eram desertas. Eu os vi chegando e pensei em correr, mas já não dava tempo. Acho que nem conseguiria porque me sentia algemada ao chão. Eram três crianças de rua. Dois meninos e uma menina de pele morena numa cidade de colonização europeia. E me cercaram.

Estou lá agora. Há um menino menor, de uns 7 ou 8 anos, e um maior, de uns 11 ou 12. A menina parece ter a minha idade. Os três me apontam seringas com agulhas certamente recolhidas do lixo das farmácias. Dizem muitas coisas. Que vão me furar, que vão me machucar. Que se me derem uma injeção eu vou morrer. Que devo dar a eles tudo o que tenho. E o que tenho são 7 cruzeiros amassados na minha carteira, o troco do cinema.

Eu dou. Mas eles não vão embora. Eles querem mais. Continuam me aterrorizando e dizendo que querem tudo o que tenho. Eu olho para a menina do meu tamanho que me aponta sua arma. Ela não tem um vestido. Ela só tem a parte de baixo de um vestido, algo que naquela época se chamava de anágua. Branca e velha e meio transparente. Eu posso sentir a sexualidade precoce dela. E sinto que o que eles querem de mim é algo que vai me matar de outro jeito. E por sorte alguém passa na esquina, do outro lado da avenida, e eles fogem.

Fiquei ali, paralisada por um momento. E depois, sim, corri até a casa da minha tia. E cheguei lá coberta de manchas vermelhas por todo o corpo. Uma reação emocional que teria pelo resto da minha vida, até hoje. Daquele domingo em diante, eu me tornei “a guria dos 7”. Eles me esperavam na porta do colégio e me perseguiam pelas ruas gritando meu novo título.

Contei à minha família sobre o assalto com seringas, até porque cheguei à casa da minha tia em estado de choque, mas não contei que era perseguida depois. Na minha infância não se falava em trauma. Nós éramos mais ou menos consolados, e a vida seguia sem muito espaço para dramas. Fazia parte do processo educativo aprender a resolver os próprios problemas desde cedo. Me virei como pude. Depois de algumas semanas de terror, minhas colegas de escola me ajudaram a enfrentá-los, e os três pararam de me esperar na porta do colégio.

Mas Ijuí era uma cidade pequena. E só muito mais tarde compreendi que havia criado uma relação de espelho com a menina de rua. Nós acompanhávamos a vida uma da outra sem jamais termos nos falado novamente. Apenas nos cruzando pelas esquinas do centro. E nos olhando de longe. Foi ao testemunhar seu destino ano após ano – e compará-lo ao meu – que compreendi o que é desigualdade. A mais abjeta delas, a de origem. Compreendi que ela tinha me tirado 7 reais e a inocência, mas que a nossa queda de braço ela já tinha perdido ao nascer.

Em nossa relação silenciosa e secreta, no início eu sentia por ela um ódio intestino. A menina encarnava a minha humilhação, os meus piores temores e a causa dos desmaios que passei a ter a cada vez que via uma agulha e dos quais só consegui me livrar depois de adulta. Mas sempre que nos cruzávamos ela estava pior. E seu olhar agora não era mais desafiador nem jocoso, mas envergonhado e acuado. Eu crescia protegida – e ela era mastigada pela rua.

A última vez que a vi nós tínhamos uns 15 anos. Eu usava uma trança e levava alguma coisa para a minha avó, que morava perto da praça. Era início da noite de um dia de semana. Ela estava lá numa esquina, menos vestida do que no dia em que nos conhecemos, e um homem ria e passava a mão no seu peito. Eu olhei para ela, e ela baixou os olhos.

Nunca mais nos vimos. Eu não sei o seu nome, e é grande a probabilidade de que ela esteja morta. Mulheres de classe média como eu tentam aprender a envelhecer. Mulheres como ela tentam não morrer antes dos 20. Pode ser que hoje ela só viva em mim – e a memória é a única vida que eu posso lhe dar.

Conto esta história aqui porque compreendi algo que posso compartilhar. Naquele momento, aos nove anos, aqueles meninos de rua me colocaram, à força, na pele deles. Naqueles minutos eternos em que me ameaçaram de morte com seringas e agulhas, eu vivi exatamente o desamparo não de um, mas de todos os seus dias. Na rua, diante de uma casa onde eu não podia entrar, sem uma família que me protegesse. Para mim, era apenas um instante. Para eles era a vida inteira.

Naquele domingo de 1975, a menina desnudada em uma anágua, ainda que com uma seringa na mão, era eu. Ela me enfiou na marra no seu lugar. E, de certo modo, parte de mim nunca mais deixou a sua pele. E eu vi, nós duas vimos, o que aconteceu comigo. E o que aconteceu com ela. A diferença de nossos destinos se desenrolando num enredo mudo nas ruas da cidade pequena.

Se você chegou até aqui, talvez tenha uma ideia mais próxima do que sente cada uma destas quase 24 mil crianças que neste exato momento estão nas ruas, expostas à violência do mundo apenas com suas peles e as armas que eventualmente conseguem. E que, no final, de nada servem. Porque já foram derrotadas muito antes. Estas crianças não têm o tempo das reuniões, da política e das boas intenções para esperar. Os dentes do mundo estão sobre seus corpos. E acredite. Não há nada pior – nada – do que ser criança e viver (e morrer) no desamparo.

* Eliane Brum
, é jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
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Fonte:http://www.cntsscut.org.br/pagina.asp?pagina=noticia&acao=lerNoticia&id=3023

CNTSS se reúne com MS para discutir “Avaliação de Desempenho para os trabalhadores da Saúde”

02.03.2011
Do site da CNTSS/CUT
Por Imprensa/CNTSS/CUT


Estiveram na tarde de 28.02, em Brasília, na Oficina da Mesa Setorial da Saúde, os diretores da CNTSS/CUT Miraci Astun, Francisca Alves de Souza e Raimundo Cintra discutindo com os representantes do governo Rafael, Sara e Heloisa , a “ Avaliação de Desempenho para os trabalhadores da Saúde”

“ A Cntss buscou, nesta reunião , discutir a impossibilidade dos gestores dos estados e municípios realizarem a Avaliação de Desempenho para os servidores cedidos ao SUS.

Tivemos sucesso nesta empreitada visto que após a exposição de nossas argumentações, os representantes do Ministério da Saúde solicitaram um documento com exposição de motivos, documento esse que deverá ser entregue na próxima reunião, já marcada para o dia 29 de março, para ser negociado com o ministério do planejamento, solicitando adequação do artigo 13 parágrafo ll do decreto que regulamenta avaliação, artigo esse que permite que os DAS 4,5,6 recebam a pontuação máxima da avaliação, para nós esse é um passo importante assumido pela mesa setorial. finaliza Miraci Astun.
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Fonte:http://www.cntsscut.org.br/pagina.asp?pagina=noticia&acao=lerNoticia&id=3035

WikiLeaks revela duras críticas dos EUA ao Mercosul

06/03/2011
Do portal OPERA MUNDI e Agência Efe
Montevidéu


A diplomacia dos EUA considerava no ano de 2006 que "as punhaladas pelas costas" eram frequentes no seio do Mercosul e que os países pequenos do bloco, como o Uruguai, sofriam pela "falta de solidariedade" dentro da organização, informou neste sábado o jornal uruguaio El País em seu site.

Segundo documentos filtrados pela organização Wikileaks aos quais teve acesso o jornal, ao longo de 2006 os analistas e conselheiros econômicos da embaixada dos EUA em Montevidéu enviaram vários documentos a seu Governo nos quais consideravam que o Mercosul tinha se transformado em uma "união política" cujos interesses se chocavam com os dos Estados Unidos.

"Nos últimos anos, o Mercosul evoluiu de um fórum comercial benigno a uma união política" com uma agenda que "se chocou com os interesses dos Estados Unidos, particularmente desde que a Venezuela se transformou em seu quinto membro", apontou em um de seus relatórios o encarregado de negócios da legação, James D. Nealon.

A Venezuela se encontra ainda em processo de adesão ao Mercado Comum do Sul (Mercosul), pois seu ingresso ao bloco já foi aprovado por Argentina, Brasil e Uruguai, mas o Parlamento paraguaio ainda não deu sinal verde.

O diplomata americano assinalou em 2006, no documento filtrado, que "o jeito imprevisível de dois dos líderes do Mercosul, Néstor Kirchner, da Argentina, e Hugo Chávez, da Venezuela, complicaram ainda mais a política do Mercosul", ao se referir ao já falecido presidente argentino e ao governante venezuelano.

Em sua análise, Nealon indicou que enquanto o Mercosul exibe "uma imagem de coesão" externa em matéria política, "há importantes disputas e frequentes punhaladas pelas costas".

Nesse sentido, destacou que o Uruguai foi "vítima da falta de solidariedade" do Mercosul, devido ao conflito com a Argentina pela instalação de uma fábrica de celulose às margens de um rio fronteiriço, o bloqueio de uma de suas passagens de fronteira e o desinteresse do Brasil pelo tema.

Além desses problemas, o encarregado de negócios considerou que "a agenda comercial do Mercosul pode ser catalogada como pouco mais que um fracasso", depois da impossibilidade de alcançar um acordo com seu país e da estagnação nas negociações com a União Europeia.

"Tudo o que o Mercosul conseguiu completar são moderados acordos Sul-Sul. Uma Tarifa Externa Comum com mais buracos que substâncias e a crescente propensão de Argentina, Brasil e Venezuela a acordos bilaterais, sem consultar os membros pequenos, são mais provas da insatisfatória política externa do Mercosul", afirmou Nealon.

Na quinta-feira passada, o jornal El País começou a publicar documentos diplomáticos relativos ao Uruguai filtrados pelo Wikileaks, datados de 2006 e 2007 e nos quais revela, entre outras coisas, a simpatia que o então presidente do Uruguai, o socialista Tabaré Vázquez, recebia dos EUA por ser considerado um líder "moderado e confiável".

Além disso, os diplomatas americanos criticavam duramente como "antiamericano" o então chanceler uruguaio Reinaldo Gargano, acusado de torpedear as tentativas de um tratado de livre-comércio entre Estados Unidos e Uruguai.
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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticia/WIKILEAKS+REVELA+DURAS+CRITICAS+DOS+EUA+AO+MERCOSUL_10181.shtml

Fui chamado de negro, favelado e pobre, diz líder de banda de axé

06.03.2011
Do portal ÚLTIMO SEGUNDO
Por Thiago Guimarães, iG Bahia


Márcio Victor, do Psirico, afirma que um empresário de 43 anos o ofendeu em um dos camarotes mais badalados de Salvador

Márcio, líder da banda "Psirico", durante show. Foto: Fred Pontes

O cantor de uma das bandas de axé mais conhecidas da Bahia afirmou ter sido alvo de racismo durante show em camarote do carnaval de Salvador, na madrugada deste sábado.

Márcio Victor, do Psirico, teria sido chamado de “negro”, “favelado” e “pobre” por um empresário de 43 anos, natural de Inhambupe (163 km de Salvador), durante um show no Camarote do Reino, estrutura de eventos com capacidade para 2.500 pessoas em Ondina, um dos principais pontos da folia na cidade. O homem teria ainda acusado o cantor de incitar a violência em sua música.

“No momento em que houve a possível ofensa, o autor solicitou uma patrulha da Polícia Militar, que conduziu o homem até um posto da corporação”, informou o capitão Marcelo Pitta, do setor de imprensa da PM baiana.

Segundo relato do jornal “A Tarde”, o cantor reagiu aos insultos. “Olhe, eu vou é sair daqui, vou para o povão lá embaixo, que não tem dinheiro para comprar camarote, mas se respeita”, afirmou, de acordo com a publicação. O ingresso por um dia no camarote fica em torno de R$ 400 a R$ 600. A reportagem não conseguiu contato com o cantor neste domingo (5).

De acordo com a PM, o empresário foi liberado porque não houve a confirmação do flagrante, já que o cantor não registrou ocorrência. “Não podíamos prender o cidadão sem que houvesse o pronunciamento [da vítima]”, disse o capitão Pitta.

O crime de racismo tem pena prevista de dois a cinco anos de prisão.
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Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/ba/fui+chamado+de+negro+favelado+e+pobre+diz+lider+de+banda+de+axe/n1238138981384.html

Folha e Maurício de Nassau descobrem Pernambuco

06/03/2011
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim


Quando a banda passar, a elite separatista não vai perceber

Num domingo de Carnaval, para que ninguém perceba, a Folha (*) incorpora Mauricio de Nassau e descobre que “Pernambuco vive sua revolução industrial”, na pág. B1.

“Com um pacote de R$ 46 bi de investimentos, Estado (de Pernambuco) vira locomotiva do Nordeste; PIB cresceu 16% em 2010”

Os retirantes começam a voltar.

Em Suape, o complexo industrial e portuário, há cento e vinte empresas já instaladas, outras 30 em construção.

E mais 20 surgirão até 2014.

Entre elas a Fiat, que fugiu da Minas do Aécio e de São Paulo do Padim Pade Cerra, para investir ali R$ 3 bilhões.

Em Suape fica o maior estaleiro do hemisfério sul, o Atlântico Sul, que tem R$ 8 bi de encomendas em carteira (já batizou o João Cândido, da Petrobrás.

(Note bem: nos tempos da Petrobrax, o Brasil importava navio de Cingapura. Durante a campanha, o Padim Pade Cerra defendeu essa polítia de criar empregos em Cingapura numa entrevista a uma rádio de Recife. Um jenio. Em Recife !)

A Refinaria Abreu e Lima (R$ 22 bi de investimentos) se associa à Petroquímica Suape (R$ 3,7 bi de investimentos).

Daqui a pouco, isso vai explodir com a conclusão de duas pequenas (pequenas, se comparadas com o “cano” do Cerra, que ia de Sergipe ao Ceará) obras: a ferrovia Transnordestina, que vai ligar o interior do Piauí a Suape e ao porto de Pecém, no Ceará; e a transposição das águas do São Francisco.

A renda per capita de Pernambuco é de quase R$ 10 mil, maior do que a de todo o Nordeste (R$ 7 mil) e ainda inferior à do Brasil (R$ 16 mil).

Mauricio de Nassau descobriu a Pernambuco de Eduardo Campos antes da Folha (*).

Quando a elite paulista (separatista, por definição) abrir os olhos, verá que a banda (de pífaros de Caruaru) passou.

Este ansioso blogueiro, porém, não se deixa surpreender pela Folha (nem ele nem Mauricio de Nassau).

Faz tempo que o amigo navegante sabia que “Suape faz uma revolução em Pernambuco e Eduardo Campos dá de 10 a 0 em Cerra”.

Em tempo: para celebrar o Carnaval, ouça a Banda de Pífanos de Caruaru.

Saravá !


Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que avacalha o Presidente Lula por causa de um comercial de TV; que publica artigo sórdido de ex-militante do PT; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/pig/2011/03/06/folha-e-mauricio-de-nassau-descobrem-pernambuco/

Em reportagem especial, Folha de São Paulo diz que Pernambuco é a locomotiva do Nordeste

06.03.2011

Do BLOG DE JAMILDO


Pernambuco vive sua revolução industrial

Com um pacote de R$ 46 bi em investimentos, Estado vira locomotiva do Nordeste; PIB cresceu 16% em 2010

Estaleiros, refinarias, petroquímicas e ferrovia começam a mudar a economia que viveu séculos do açúcar

Por AGNALDO BRITO
ENVIADO ESPECIAL A SUAPE (PE)

O helicóptero decola do heliponto do Centro Administrativo de Suape. A 200 metros do chão, é possível ter a dimensão da revolução econômica que a injeção de R$ 46 bilhões em investimentos públicos e privados previstos até 2014 está promovendo em Pernambuco, a nova locomotiva do Nordeste.
Não é o único canto do Estado que avança ligeiro e que tem mudado não só a vida dos 8,7 milhões de pernambucanos, mas sobretudo permitido a volta dos retirantes que um dia caíram no mundo atrás de uma vida melhor.

No interior, duas obras gigantes (a transposição do rio São Francisco e a construção da Ferrovia Transnordestina) ajudam a desenhar uma nova paisagem na vida do morador do agreste e do sertão.

LITORAL

No litoral, onde pode-se observar a síntese da nova dinâmica econômica, o complexo industrial-portuário de Suape, erguido a 40 quilômetros ao sul do Recife, brota a velocidade impressionante.

"Cento e vinte empresas já estão instaladas, outras 30 estão em construção e mais 20 irão surgir até 2014", enumera Frederico Amâncio, vice-presidente de Suape. Do alto é possível avistar obras em todos os cantos dos 13,5 mil hectares do complexo.

Justo ali, onde há 380 anos invasores holandeses -que acharam de tomar uma fatia do Brasil colônia- indicaram como ponto mais propício à criação de um porto.

E foi nessa região, após romperem pequena porção da parede dos arrecifes que protege o litoral do Atlântico, que os holandeses criaram uma passagem para que os barcos de açúcar alcançassem os navios em alto-mar.

A visão dos invasores ganhou forma quase quatro séculos depois. Investimentos de mais de US$ 3 bilhões nos últimos dez anos criaram a infraestrutura básica para o atual ciclo de expansão do porto de Suape, e converteram a região no principal polo de atração de negócios do Nordeste brasileiro.

A APOSTA PRIVADA

Agora, o PIB pernambucano demonstra vigor e o combustível é Suape. Em 2010, o PIB estadual foi de R$ 87 bilhões -expansão de 15,78% num só ano. Os velhos engenhos de cana e as usinas de açúcar e álcool pouco a pouco deixam de ser predominantes na matriz econômica de Pernambuco.
A aposta do poder público em Suape ao longo de 40 anos -desde o plano original de 1960- começou a seduzir o capital privado. O complexo industrial-portuário, um modelo inédito no Brasil, está fazendo surgir um novo Estado industrial no país.

"Não tínhamos indústria de petróleo e gás, nem indústria naval ou automobilística. Agora há uma nova perspectiva para o Estado", diz Geraldo Júlio, presidente de Suape e secretário de Desenvolvimento Econômico.

ACIMA DO NORDESTE

A forte expansão econômica elevou a renda per capita do Estado a quase R$ 10 mil, acima da média do Nordeste, de R$ 7.488, mas ainda inferior à renda nacional, de R$ 15.990.

A criminalidade caiu 25% em quatro anos, mas ainda é de 40 homicídios por 100 mil habitantes, quatro vezes mais que no Estado de São Paulo, e superior à média nacional, de 24,5 por 100 mil.

Leia mais sobre a revolução pernambucana aqui.

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Fonte:http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2011/03/06/em_reportagem_especial_folha_de_sao_paulo_diz_que_pernambuco_e_a_locomotiva_do_nordeste_94145.php

Galo perde título de ''maior bloco do mundo'' para rival carioca

06.03.2011

Do Blog de Jamildo

Foto: O Globo

Olha o que a Folha de S. Paulo deste domingo (6) trouxe:

Sem ter mais como crescer, o Galo da Madrugada, um dos maiores eventos carnavalescos do país, sentiu o baque: os dirigentes do bloco pernambucano admitiram ontem que o "rival" do Rio, o bloco Cordão da Bola Preta, deve roubar-lhe o título de maior bloco do país.

Ontem, mesmo com a chuva pela manhã, o Bola Preta, um dos mais antigos e tradicionais do Rio, abriu simbolicamente o Carnaval da cidade com, segundo dados da PM do Rio, 2 milhões de foliões nas ruas do centro.

Já o Galo da Madrugada arrastou ontem 1,6 milhão de pessoas pelas ruas do Recife.
"Ninguém nasceu para ser eterno", disse o presidente do bloco pernambucano, Rômulo Meneses. O título de maior bloco do mundo foi reconhecido pelo "Guinness Book" em 1994, quando a agremiação desfilou com um milhão de foliões.
Em 2010, o Bola Preta levou 1,5 milhão de pessoas.
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Ricardo Musse: Por que a velha esquerda se ilude com Kadafi?

06.03.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Por Ricardo Musse*

A recepção na blogosfera de um artigo do respeitado militante comunista português Miguel Urbano Rodrigues, sintoma da dubiedade com que a Revolução na Líbia tem sido acompanhada por setores da esquerda, põe em cena a questão que dá título a esse post. Para iniciar essa discussão seguem algumas provocações:

1. Grande parte da velha esquerda prefere um Estado forte à democracia. Sua avaliação, presa apenas à dicotomia imperialista/ anti-imperialista, não demonstra a menor preocupação com o regime político. Para ela, pouco importa a forma pela qual o Estado é comandado – se por um patriarca, um ditador, um colegiado, um comando militar etc.

2. Esse eco da antiquada e deturpada tese que considera as regras da democracia burguesa como uma fraude resiste mesmo em situações, como a atual, em que a legitimidade do governante é desmentida por manifestações populares, greves gerais, insurgência proletária, em suma, pelo arsenal histórico da ação revolucionária.

3. A velha esquerda interpreta o presente com os olhos congelados no passado. Deixou de acompanhar as mudanças no mundo – para ela em geral desagradáveis. Assim, muitas vezes, analisa a conjuntura a partir de dados e situações de 30, 40 anos atrás.

4. O coronel Muamar Kadafi forneceu apoio material, logístico e guarida para a extrema-esquerda na década de 1970. OLP, IRA, Brigadas Vermelhas, ETA, Farc etc. foram acolhidos por ele.

5. Mas, desde o 11de Setembro, Kadafi mudou de lado, motivado pelo fato de que a bandeira do enfrentamento militar com os EUA foi parar nas mãos daqueles que considerava como o seu principal inimigo: o fundamentalismo islâmico. Seu giro foi completo. Os Estados Unidos e a União Européia receberam-no triunfalmente em recente reunião do G-20. Foi admitido no restrito círculo dos aliados preferenciais por conta do controle integral que exercia sobre o Estado e a população líbia e da bagatela de 300 bilhões de dólares (entre fundo soberano, reservas internacionais e fortuna familiar) que dispõe para investir em empresas do Hemisfério norte.

6. A velha esquerda sente ainda saudades da ultrapassada tática de confrontação militar com as forças pró-imperialistas. Trata-se de um procedimento que só se mostrou eficaz na Guerra Fria, quando o apoio da URSS possibilitou a movimentos insurgentes organizar verdadeiros exércitos alternativos, como foi o caso na China e em Cuba.

7. Exceto nesse período, a destituição do comando do Estado seguiu sempre o modelo ensaiado na Revolução Russa de 1905: manifestações de massas e greve geral.

8. A velha esquerda superestima os serviços secretos. Enquanto a mídia e o congresso norte-americanos questionam a CIA por sua incapacidade de fornecer informações sobre os acontecimentos no mundo árabe, ela sugere que a mobilização popular na Líbia foi desencadeada por essa agência norte-americana. O comando da CIA agradece.

9. A velha esquerda desconhece inteiramente a situação histórica e social do mundo árabe, para a qual nunca voltou os seus olhos. Sustenta que a revolução predomina no leste da Líbia por que aí se localizam empresas multinacionais. Mas se esquece de que é aí que se concentra a maioria da classe operária. Tampouco parece perceber que Trípoli, a última cidadela de Kadhafi, consiste no núcleo habitacional do funcionalismo público (em geral, composto por apaniguados do ditador) e de todos aqueles que sobrevivem parasitando o Estado líbio.

* Ricardo Musse é professor de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/ricardo-musse-por-que-a-velha-esquerda-se-ilude-com-kadhafi.html

Telesur entrevista Eduardo Galeano

06.03.2011
Do blog de Altamiro Borges



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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/03/telesur-entrevista-eduardo-galeano.html

Brasileiro é condecorado pelo presidente do Haiti pela defesa e dignidade dos haitianos

06.03.2011
Do BLOG DA FOLHA
Postado por José Accioly, via G1


Ex-representante da Organização dos Estados Americanos (OEA) no Haiti, o brasileiro Ricardo Seitenfus foi condecorado, na última terça-feira (2), com o título de Grande Cavalheiro da Ordem Nacional de Honra e Mérito do Haiti. A homenagem foi entregue pessoalmente pelo presidente do país, René Preval e, segundo o governo do Haiti, se dá pelas atitudes do representante na “defesa e dignidade do povo do Haiti”.

Seitenfus foi o primeiro representante da OEA a receber uma condecoração no país, desde 1948, quando a organização passou a ter representantes no Haiti. A solenidade aconteceu em uma barraca, instalada ao lado do palácio presidencial, que foi destruído pelo terremoto que atingiu o país em janeiro de 2010. Desde o terremoto, a barraca serve de palácio ao governo. “É uma felicidade imensa receber este reconhecimento da sociedade do Haiti. É uma homenagem inesperada, surpreendente e inesquecível”, afirmou Seitenfus ao G1, por telefone.

No Haiti desde o começo de 2009, Seitenfus deixou a representação da OEA devido a declarações em que criticava o trabalho de entidades internacionais no Haiti. O estopim teria sido uma entrevista ao jornal suíço Le Temps, na qual o brasileiro questionou não apenas o papel das tropas da ONU no Haiti, como também dos principais países doadores. Embora tenha deixado a missão no Haiti, a condecoração recebida por Seitenfus ganhou um espaço de destaque na página institucional da OEA.

“Eu falei com o Insulza [Jose Miguel Insulza, secretário-geral da OEA) comunicando a condecoração. Ele, inclusive, considerou que eu fiz um ótimo trabalho no país”, disse Seitenfus. Durante os dois anos em que esteve no Haiti, Seitenfus auxiliou em trabalhos da área social e política. A representação da OEA foi responsável pela confecção de cerca de 5 milhões de cédulas de identidade, documento exigido para as eleições do país.

Para o brasileiro, as divergências pelas suas posições em relação aos trabalhos desenvolvidos no Haiti já foram superadas. Tanto que Seitenfus foi sondado para continuar seus trabalhos junto a OEA, no comando de uma representação diplomática que deverá ser definida até o começo de abril. “Houve uma sondagem para que eu permaneça na OEA, e que assuma uma representação. Estou avaliando com carinho”, afirmou o brasileiro.
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Fonte:http://www.blogdafolha.com.br/index.php/materias/18003--brasileiro-e-condecorado-pelo-presidente-do-haiti-pela-defesa-e-dignidade-dos-haitianos

Folha de S.Paulo: de rabo preso com as ditaduras

06.03.2011
Do blog de Altamiro Borges


Reproduzo artigo de Sergio Domingues, publicado no sítio Correio da Cidadania:


A Folha de S. Paulo completou 90 anos no sábado, dia 19 de fevereiro. Nascido em 1921, o jornal só ganhou o nome atual em 1931. Até então, era Folha da Noite. De 1986 a 2010 foi a publicação jornalística de maior circulação do país. Perdeu o primeiro lugar para o tablóide mineiro Super Notícia. Mas, sem dúvida segue sendo um dos mais influentes no país.

Relembrando sua história, o jornal fez uma confissão rara em sua edição do dia 20/02. Assumiu claramente seu apoio ao golpe militar de 1964. Disse que sua redação foi entregue a jornalistas "entusiasmados com a linha dura militar" como parte de uma reação da empresa "à atuação clandestina" de militantes da Ação Libertadora Nacional (ALN) nas dependências do próprio jornal. Uma desculpa mais que esfarrapada.

Quanto ao uso de suas caminhonetes de entrega de jornal por agentes da repressão, a Folha atribui o relato a denúncias de presos políticos e não as confirma. Mesmo assim, surpreende a admissão do papel do jornal no apoio à ditadura. Ou não?

Na verdade, esse repentino ataque de franqueza nada tem de contraditório. A Folha fez um movimento inteligente no início dos anos 1980. Pressentindo a crise do regime militar, trocou seu apoio à ditadura dos generais pela militância pela ditadura do mercado. Essa guinada recebeu o nome de Projeto Folha. O próprio histórico publicado no jornal ajuda a esclarecer:

"A Folha foi o jornal que mais se associou às Diretas. Seu engajamento é anterior ao das principais lideranças de oposição que, em fins de 1983, ainda não formavam uma frente compacta, deixando prevalecer os interesses partidários. Nessa altura, quando o movimento mal conseguia encher uma praça, o jornal criticou o sectarismo dos políticos e o silêncio da imprensa".

Ou seja, sentindo as dificuldades do governo dos generais para se manter no poder, a Folha cobrava da classe dominante unidade em torno de outro projeto. O movimento das Diretas teria sido o "o apogeu do consenso suprapartidário das oposições". Mas, uma vez derrotada a emenda que propunha eleições diretas para presidente, "cada partido tratou de traçar sua própria estratégia".

"Respondendo a essa fragmentação, continua o texto da Folha, a direção do jornal elegeu o pluralismo e o apartidarismo (...) como os principais pilares do Projeto Folha". Segundo o final feliz do histórico do jornalão paulista, "o Projeto Folha transformou-se numa influente escola de jornalismo". Teria se tornado um veículo apartidário e comprometido com a sociedade civil. Ou conforme campanha publicitária dos anos 1980, um jornal "de rabo preso com o leitor".

José Arbex foi um dos jornalistas que acompanhou esse projeto muito de perto. Fazia parte da redação da Folha na época de sua implantação. Em seu livro "Shownarlismo" (Casa Amarela-2001), Arbex diz que o Projeto Folha significou a adoção do discurso para o mercado. Nada mais do que o tratamento da notícia como mercadoria.

A pose da Folha como porta-voz da democracia, escondia uma política interna autoritária. Um rígido controle industrial e ideológico da produção de informação materializado em seu famoso Manual de Redação. Arbex diz que o jornal escolheu "a estratégia de transformar a democracia em marketing".

Na verdade, trata-se da adoção da "democracia de mercado", em que o que importa é o funcionamento das leis capitalistas. Se a Folha sobreviveu à censura dos generais, por que não veria com tranqüilidade a implantação de um sistema baseado em eleições e outras liberdades? Afinal, a condição de monopólio da mídia empresarial já lhe garantia poder suficiente para funcionar como um bloqueio econômico à verdadeira liberdade de informação. Foi isso o que a Folha enxergou antes de sua concorrência.

O Projeto Folha implicava uma opção clara. Era pelo fim do apoio da empresa à ditadura política dos militares. Mas também pelo engajamento na defesa do livre funcionamento da ditadura das leis do mercado. Uma postura que ajudava também a reforçar o lado conservador da "transição democrática". Aquele que tentou e conseguiu manter o essencial dos aparelhos de repressão reforçados pela ditadura militar. Algo que resultou, por exemplo, no tratamento ilegal e violento dispensado pelas polícias e forças de segurança a pobres e negros. Assim como na criminalização dos movimentos sociais.

Essa promessa de fé no império da acumulação do capital ajuda a explicar algumas recaídas que lembram a relação submissa do jornal com o regime militar. Uma delas foi o episódio da "ditabranda", palavra inventada pela Folha em editorial de fevereiro de 2009. O neologismo procurava dar à ditadura de 64 um caráter moderado.

Esta espécie de ato falho talvez revele disposição em aceitar a volta do uso de medidas ditatoriais. Basta que se mostrem necessárias para garantir a enorme concentração de poder e lucros das grandes corporações.

Mas, a razão mais concreta da recente "confissão" da Folha parece ser mais simples. Por ocasião de seus 90 anos, o jornal colocou à disposição do público seu conteúdo integral desde 1921. São quase 2 milhões de páginas totalmente indexadas. Uma medida que certamente deixa mais óbvias muitas das relações podres da Folha com o poder.

Aí, a melhor política passa a ser confessar logo aquilo que vai ficar claro demais para ser negado. Mais uma amostra da linha flexível do jornal quando se trata de manter o essencial de seu projeto. Além disso, aproveita o momento em que os principais atores políticos do país se recusam a acertar contas com os carrascos da ditadura.

O aniversário da Folha mereceu um discurso da presidenta da República em evento comemorativo. Dilma não nega nem renega sua atuação na resistência à ditadura. Mas, manteve em seu governo Nelson Jobim, figura submissa à cúpula conservadora das Forças Armadas. A última proeza de Jobim foi propor a cassação da anistia concedida a militares que se rebelaram contra o golpe de 64.

Acrescente-se a isso a presença de Dilma nas comemorações do jornalão paulista. Péssimo sinal. O evento festejava mais uma vitória da mídia empresarial. Saudava sua capacidade de disfarçar seus interesses particulares e antipopulares com a máscara da liberdade de imprensa. Comemorava a maestria da Folha em esconder seu rabo preso às ditaduras de plantão. As políticas e as econômicas.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/03/folha-de-rabo-preso-com-as-ditaduras.html

Juizado do Folião registrou aumento de ocorrências policiais no Galo da Madrugada

06.03.2011
Do BLOG DA FOLHA
Postado por José Accioly


Foto:Taciana Catanho/Divulgação

Na sua quarta versão, o Juizado do Folião registrou neste Sábado de Zé Pereira 59 ocorrências policiais, durante o desfile do Galo da Madrugada. O promotor de Justiça José Bispo de Melo, do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), ofereceu as transações penais aos autores de crimes de menor potencial ofensivo (aqueles cuja pena não excede a dois anos de prisão), homologadas pelo juiz de Direito Abner Apolinário. Quatro defensoras públicas participaram das audiências no Fórum Thomaz de Aquino, onde também funcionaram uma delegacia de Polícia Civil e um posto do Instituto de Medicina Legal (IML) onde foram realizados exames de corpo de delito.

Os mais de sessenta foliões detidos pela Polícia, durante o desfile do Galo da Madrugada, que se encontravam no centro de triagem, aguardaram julgamento no auditório do Fórum. Os casos mais comuns foram os mesmo dos anos anteriores: tumulto e desordem, agressão mútua, consumo de entorpecentes, desacato a autoridade e lesões corporais.

Antes de dar início aos trabalhos no Juizado do Folião, o promotor e o juiz inspecionaram os centros de triagem de presos montados pela Secretaria de Defesa Social (SDS) no Colégio Porto Carreiro (Rua da Concórdia) e na antiga sede da Secretaria de Educação do Estado (Rua Siqueira Campos), para onde foram encaminhados os foliões do Galo da Madrugada, envolvidos em conflitos.

Nas duas inspeções, José Bispo e Abner Apolinário orientaram os delegados de Polícia a encaminharem vítimas e autores de crimes de menor potencial ofensivo (aqueles cuja pena não excede a dois anos de prisão) ao Juizado do Folião, no Fórum Thomaz de Aquino. Em 2007, quando ainda não havia o Juizado do Folião, o desfile da agremiação registrou 357 ocorrências policiais. Em 2008, com o primeiro Juizado, esse número caiu para 132, em 2009 desceu para 44 e ano passado para nove ocorrências, todas resolvidas na hora.
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Fonte:http://www.blogdafolha.com.br/index.php/materias/17998-juizado-do-foliao-registrou-aumento-de-ocorrencias-policiais-no-galo-da-madrugada

Produtos e serviços do carnaval têm inflação acima da média, diz FGV

05/03/2011
Vitor Abdala
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro
- A inflação média de bens e serviços do carnaval subiu 6,29% entre 2010 e 2011, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). A inflação do carnaval ficou acima da taxa registrada pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), que, entre março de 2010 e fevereiro de 2011, registrou variação de 6,02%.

Entre as bebidas consumidas pelos foliões, a cerveja comprada no supermercado apresentou aumento de preço de 11,41% e o chopp, de 11,21%. Outras bebidas que tiveram inflação acima da média foram o cafezinho, com alta de 9,15%, e o refrigerante, com taxa de 7,06%.

As refeições fora de casa ficaram 8,27% mais caras, enquanto que o preço dos sanduíches subiu 8,12%. Entre os serviços foram registradas as seguintes taxas: hotel (10,98%), estacionamento (16,35%) e clubes de recreação (9,58%).

Edição: Graça Adjuto
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/home;jsessionid=CDEEE61A365BE1CB24D26983D3B82752?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-4&p_p_col_pos=4&p_p_col_count=7&_56_groupId=19523&_56_articleId=3204557

Instituições que esfrangalhei

05.03.2011
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

Segundo pensamento imortalizado do sociólogo francês Auguste Comte (1798 + 1857), “a história é uma disciplina fundamentalmente ambígua, portanto passível de várias interpretações”. O revisionismo histórico, portanto, torna-se a grande ameaça ao aprendizado da Civilização com os próprios erros.

Mas por que alguns se empenham tanto em tentar reescrever a história?, perguntará o leitor menos afeito aos meandros da política. A resposta é mais simples do que parece. A história pode se tornar algoz ou benfeitora de grupos políticos e ideológicos, entre outros, décadas depois de fatos que voltam uma e outra vez, através do tempo, para atormentar ou afagar.

No Brasil, por exemplo, os estratos mais altos da pirâmide social vêm se dedicando a tentar reescrever a história sobretudo de dois períodos que guardam estreita relação com os dias atuais, o período da ditadura militar e o do governo de oito anos de Fernando Henrique Cardoso.

Por conta disso, o blogueiro que vos escreve vem lutando há anos para impedir o revisionismo histórico. No exemplo mais conhecido dessa luta, exortou cidadãos que viveram sob o tacão da ditadura militar a não aceitarem a tentativa que fez o jornal Folha de São Paulo em 2009 de extirpar o caráter criminoso daquele regime.

O jeito encontrado pelo blogueiro foi usar seu blog para convencer as pessoas a promoverem um ato público diante daquele veículo para protestar contra a sua teoria da “ditabranda”, expressa em editorial, que tentou reescrever a história afirmando que o regime de exceção teria sido “brando” em comparação com outras ditaduras sul-americanas que atormentaram o Brasil na segunda metade do século XX. Os manifestantes conseguiram arrancar um recuo do jornal em sua edição do dia seguinte ao ato.

O longo preâmbulo foi necessário para contextualizar debate em que me meti na última sexta-feira pelo Twitter com o ex-diretor de Redação do jornal O Estado de São Paulo senhor Sandro Vaia, de quem li um artigo em um blog de direita em que ele fazia acusação ao governo Lula de ter promovido em 2010 uma farra fiscal, entre outras, visando eleger Dilma Rousseff. E, para arrematar o texto, escreveu que “Nunca antes na história deste país uma eleição saiu tão cara”.

Revisionismo histórico puro, portanto. Incomodado, e sabendo que Vaia é um tuiteiro dedicado, fui à rede social e lhe fiz uma provocação que desencadeou um debate entre nós que vale a pena reproduzir porque esclarece muito sobre o discurso da direita midiática sobre dois períodos da história que ela precisa reescrever porque constitui uma legião de esqueletos em seus armários gopistas.

O debate teve momentos pândegos, mas foi respeitoso e abordou temas importantes da história deste país na segunda metade do século passado que não podem ser esquecidos ou deturpados, razão pela qual reproduzo a íntegra desse debate logo abaixo e, depois, faço algumas considerações adicionais.

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Eduardo Guimarães – Você diz, em seu artigo, que “nunca antes neste país uma eleição saiu tão cara como a de Dilma”. Onde você estava em 1998/1999?

Sandro Vaia – Aqui. A crise cambial foi provocada pela seqüência das crises asiática em 1997 e russa em 1998.

Eduardo Guimarães – Pergunta: saiu mais “cara” a eleição de Dilma ou a de FHC, que segurou o câmbio para se reeleger e jogou o país na crise de 1999?

Sandro Vaia – Governos são processos contínuos,um é conseqüência do outro.O mundo não anda aos saltos ou soluços.Bom carnaval!

Eduardo Guimarães – Por que, como disse Bill Clinton a FHC, o Chile não sofreu com as crises na Cochinchina?

Sandro Vaia
– Porque as reformas econômicas chilenas já estavam consolidadas há mais de uma década.

Eduardo Guimarães
– Então FHC ter segurado a desvalorização do real não foi o que provocou a crise cambial?

Sandro Vaia – O ataque especulativo contra a moeda aconteceu quando tinha que acontecer.E não houve custo fiscal.

Eduardo Guimarães – Tinha que acontecer crise cambial? Não houve custo fiscal? E custo humano, com volta da inflação, desemprego e fuga de capital? E quem foi que fez esse sinistro “ataque especulativo” contra o real? Darth Vader ou Gustavo Franco?

Sandro Vaia
– O ataque especulativo surgiu em decorrência da crise russa. A inflação foi de 8,9%.

Eduardo Guimarães – Teria havido “ataque especulativo” se o real não estivesse sobrevalorizado artificialmente?

Sandro Vaia – Ataque especulativo é movimento mundial de capitais

Eduardo Guimarães – Então o mundo inteiro entrou em crise por conta da crise Russa, ou só os países que tinham câmbio sobrevalorizado?

Sandro Vaia – Não sei. E qual a vantagem eleitoral de manter o real sobrevalorizado? Arruinar as exportações?

Eduardo Guimarães – Vantagem de manter câmbio sobrevalorizado foi a de manter a promessa de FHC que se ele fosse reeleito o real não seria desvalorizado

Sandro Vaia – Prometeu a quem? Quem queria o câmbio sobrevalorizado? Desde quando câmbio ganha eleição?

Eduardo Guimarães – FHC prometeu publicamente que se fosse reeleito o real não seria desvalorizado e que se Lula fosse eleito, seria. E câmbio valorizado ganha eleição porque aumenta poder de compra da população. Por isso Menem, amigão de FHC, manteve. Aliás, o Estadão acusou Lula de manter o câmbio valorizado por “populismo”. Sabia?

Sandro Vaia – Problema do Estadão.

Eduardo Guimarães – Então câmbio valorizado não aumenta poder de compra do povo? Estadão acusou Lula falsamente?

Sandro Vaia
– Não estou aqui para debater as opiniões do Estadão.

Eduardo Guimarães
– Por que pode acusar o governo Lula e não pode debater o Estadão? Repito: Câmbio sobrevalorizado aumenta ou não poder de compra? E por que FHC prometeu, na TV, em 1998, que o real não seria desvalorizado se ele fosse reeleito e seria se Lula se elegesse?

Sandro Vaia
– Por causa do ataque especulativo. Se ele prometeu ou não, não sei.

Eduardo Guimarães
– Procure saber.

Sandro Vaia – E câmbio valorizado aumenta o poder de compra pois ajuda a segurar a inflação.

Eduardo Guimarães – Mas a sobrevalorização do câmbio em 1998 fez a inflação explodir em 1999

Sandro Vaia – 8,9% foi explosão?

Eduardo Guimarães – Partindo da inflação do início do real, 8,9% não é inflação alta?

Sandro Vaia - Inflação alta, padrão brasileiro, era 5000%

Eduardo Guimarães – Que bom que diz isso. Mídia diz que estamos em surto inflacionário

Sandro Vaia – O custo direto do crescimento induzido artificialmente em ano eleitoral está começando a ser pago agora.

Eduardo Guimarães – Lula aumentou os juros em pleno processo eleitoral

Sandro Vaia – Quem aumenta os juros é o Banco Central, não o presidente.E é para segurar a inflação.

Eduardo Guimarães – Mas a mídia acusa Lula pelos juros altos

Sandro Vaia – Eu estou falando da farra fiscal de 2010. Não estou comparando com nada.Quem está comparando é você.

Eduardo Guimarães – Seu artigo diz que “nunca antes neste país uma eleição custou tão caro”. Eu digo que a do político que você defende (FHC) foi mais.

Sandro Vaia – Eu não defendo político nenhum.Apenas digo que foi a eleição que custou mais caro.Você não acha,e achar é um direito seu.

Eduardo Guimarães – Sorry, você está defendendo FHC, sim, de fatos que o tornaram tão impopular.

Sandro Vaia – Eu não estou defendendo.Você é que o está colocando em contraposição àquele outro.

Eduardo Guimarães – Cara, pensei que você era simpatizante do PSDB ou do DEM. Será que votou em Lula e Dilma?

Sandro Vaia – Eu não sou simpatizante de ninguém.Só do Palmeiras. Mas sou antipatizante de demagogos e populistas.

Eduardo Guimarães – Não é simpatizante de nenhum partido, Sandro? Caramba! Eu e a torcida do Corinthians jurávamos que eras tucano e palmeirense.

Sandro Vaia – Pois então, você vê que não podemos confiar nem em você e nem na torcida corintiana.

Podemos quem, cara pálida? Você pode confiar em mim: deixe-me usar o sistema de arquivos do Estadão que acho tudinho.

Sandro Vaia
– Então cite algum texto em que “a mídia” acuse Lula especificamente pelos juros altos.

Eduardo Guimarães – Não precisa. As críticas da mídia e da oposição à política monetária são de amplo conhecimento.

Sandro Vaia – Mídia não diz nada disso.Mídia diz que a inflação está subindo.E por acaso não está ? Um exemplo concreto, por favor.Com data, número de página, autor do texto.Blablabla não me serve.

Eduardo Guimarães
– Infelizmente, não assino a imprensa golpista e não tenho como ver seus arquivos. Mas não esquente: todos sabem que é verdade.

Sandro Vaia – Bom, assim é cômodo: acusar sem ter que provar.

Eduardo Guimarães
– Agora, se quiser me franquear acesso aos arquivos do seu jornal, procuro e te mostro.

Sandro Vaia – Já inventaram uma coisa chamada internet.Você não precisa ir até os arquivos do Estadão.

Eduardo Guimarães – Inventaram, também, uma coisa chamada senha de acesso

Sandro Vaia – Peça aos seus leitores terceirizados que lhe mandem provas.

Eduardo Guimarães – O que é um leitor terceirizado?

Sandro Vaia – Se você quiser,eu pago a senha pra você.

Eduardo Guimarães
– Quero, sim. Não gasto meu suado dinheirinho com o PIG.

Sandro Vaia – Criticar juros é uma coisa. Atribuí-los a Lula é outra. Não confunda as coisas. Crítica aos juros você acha até na Carta Maior.

Eduardo Guimarães
– O Estadão e o resto da imprensa golpista dizem que Lula criticava política monetária de FHC e fez igual

Sandro Vaia
– Por falar em imprensa golpista, a única que me lembro é a Folha de 10/01/1999, com o artigo de Tarso Genro: Fora FHC.

Eduardo Guimarãe
s – Folha diz que Estadão conspirou para derrubar Jango junto com militares. Edição do dia 19/02. Aliás, na edição de 19/2, Folha diz que não conspirou para o golpe como Estadão; só emprestou carros para transportar presos.

Sandro Vaia – Ah, são referências arcanas. Sim,é verdade. Mas passou-se meio século, depois veio a profissionalização. Você ainda está em 1964?

Eduardo Guimarães – Quer dizer que o Estadão e o resto do PIG execram seu passado golpista? Aliás, eram golpistas, certo? Regeneraram-se, suponho

Sandro Vaia – Não ouvi ninguém “execrar”. Você ouviu?

Eduardo Guimarães - Ora, se não execram o tempo em que conspiraram com os militares para implantar a ditadura, então ainda são golpistas

Sandro Vaia – Se vc conhece um minimo de história, sabe que não conspiraram “para implantar uma ditadura”.

Eduardo Guimarães – Reclame com a Folha. Aqui o link da matéria da Folha que diz que o Estadão conspirou com os militares para implantar a ditadura http://bit.ly/dZ30Bv

Sandro Vaia – Para quem não lê jornais golpistas, você anda lendo muito atentamente jornais golpistas.

Eduardo Guimarães – Achei na casinha do cachorro da minha filha.

Sandro Vaia – Então o cachorro da sua filha está melhor informado do que você.

NOTA DO EDITOR DO BLOG : tenho que rir!

Eduardo Guimarães – Ele usa como banheiro

NOTA DO EDITOR DO BLOG : tenho que rir de novo.

Sandro Vaia – Mas antes ele deixa você dar uma espiadinha, porque senão como você teria lido ?

NOTA DO EDITOR DO BLOG : rindo, ainda

Eduardo Guimarães – Exatamente, cheguei pouco antes, vi a Folha acusando o Estadão de ter conspirado para jogar o país na ditadura e peguei. Foi um prazer debater com você. Agora tenho que pegar o trânsito da tucanolândia.

Sandro Vaia – Certo. foi um prazer.

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Bem, temos que esclarecer algumas coisas. Apesar de não ter acesso aos arquivos do Estadão, achei o texto que Vaia queria com data e nome do autor, publicado pelo seu jornal, onde Lula é acusado pelos juros altos – que no governo do partido que Vaia apóia eram quase o triplo.

O texto é de Paulo Moreira Leite, publicado em 2006. Ele alude a uma expressão que ficou bastante conhecida porque era usada pela mídia para descrever o que FHC fazia com o câmbio: “populismo cambial”. Mostra que a mídia atribui, sim, os juros a governos. Para ler, clique aqui – e depois volte, que não terminei. É um texto curto.

Agora, a esta altura, você deve estar intrigado com o título deste post. É que Vaia mandou-me uma última mensagem. Aludiu ao editorial que o manda-chuva do Estadão Júlio de Mesquita Filho escreveu no dia da promulgação do AI-5, em 1968, sob o título “Instituições em frangalhos”, em que lamentava o endurecimento do regime. Respondi que o editorial deveria se chamar “Instituições que esfrangalhei”.

De resto, quero cumprimentar Vaia pelo espírito democrático de debater o que seus ex-patrões tanto temem. Apesar de divergirmos, aprecio muito pessoas corajosas como ele, que defendem com tanto empenho o indefensável quando seria mais fácil calar, como fazem os Mesquita até hoje.

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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/03/instituicoes-que-esfrangalhei/

Em Brasília, humor com a vida política do país movimenta folião do Pacotão

06/03/2011
Daniella Jinkings
Repórter da Agência Brasil

Brasília
– Há 33 anos, o Pacotão, bloco mais tradicional de Brasília, concentra os foliões que querem comemorar o carnaval de maneira irreverente. Com sátiras políticas, marchinhas, caricaturas e alas improvisadas, o bloco reuniu cerca de 2 mil pessoas este ano. A presidenta Dilma Rousseff é uma das principais figuras políticas ironizadas pelo bloco.

O Pacotão foi criado em 1978 por um grupo de jornalistas como forma de protesto contra a ditadura militar. O nome é uma crítica ao pacote de medidas que alteravam as regras das eleições, conhecido como Pacote de Abril, criado pelo então presidente da República general Ernesto Geisel, em 1977.

O bloco saiu por volta das 15h30 da concentração, na entrequadra 302/303 norte, e segue pela contramão da Avenida W3, em direção à 504 Sul.

As irmãs Irone e Iridan Queiroz participam do bloco desde o início e, há mais de 30 anos, vestem-se com fantasias iguais. “Sempre saio pareada com a minha irmã. Morei muito tempo no Rio e resolvi fazer aqui o que duas irmãs, que hoje têm 90 anos, faziam durante o carnaval da Banda de Ipanema”, afirmou a jornalista Irone, que também cuida do acervo fotográfico do bloco.

O corretor de seguros Jafé Tôrres também é veterano do Pacotão, mas, desde 1993, tornou-se figurinha tarimbada do bloco. Há 18 carnavais, ele veste o terno branco e usa topete para se caracterizar de uma das figuras políticas mais satirizadas do país, o ex-presidente da República, Itamar Franco. “Estou aqui desde a fundação do bloco. A primeira vez que me vesti de Itamar, vim de Fusca. Foi ótimo, depois disso, não parei mais.”

Para o músico Milton Sá, o Pacotão é um bloco que reúne as pessoas para aproveitar o carnaval de maneira descontraída. “É um bloco que não pode acabar. As pessoas se concentram para ver isso daqui. O pessoal da organização deveria fazer camisetas do bloco e outros eventos ao longo do ano para continuar com a tradição”.

Pauline Seidler, que faz mestrado em agronegócio, começou a frequentar o bloco há três anos. “É bom manter a tradição, pois a gente fica perdido no carnaval de Brasília que não é muito tradicional. O bloco é muito divertido, sempre discutindo as questões políticas.”

Edição: Lana Cristina
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/home;jsessionid=CDEEE61A365BE1CB24D26983D3B82752?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-3&p_p_col_pos=1&p_p_col_count=7&_56_groupId=19523&_56_articleId=3205022

Marco Aurélio Weissheimer: Ciclistas recebem ameaças pela internet

05.03.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Por Marco Aurélio Weissheimer, RS Urgente,, dica do Sátiro-Hupper


O blog do Massa Crítica vem recebendo uma série de ameaças e agressões verbais dirigidas contra os ciclistas que participam desse movimento em Porto Alegre. Escondidos no anonimato e utilizando pseudônimos, os autores das mensagens elogiam a ação do motorista que atropelou os ciclistas na semana passada. Alguns lamentam que não tenha morrido ninguém e pregam novos atropelamentos. É bom lembrar aos psicopatas de plantão que o uso de pseudônimos não é garantia de anonimato, uma vez que o IP do computador que enviou a mensagem fica registrado no comentário. Algumas das ameaças já enviadas:

“João Batista” – Sobrou alguém vivo? Entaum o cara naum fez o serviço direito…Incompetente.

Motorista nervoso” – Achei muito bem feito, quem mandou estar no meio da rua. Atropela mesmo. Se tivesse de caminhão, era melhor.

“Gustavo” – Bem feito! Lugar de ciclista vagabundo que fica atropelando o trânsito é debaixo da terra.

“Zé” – Morram! Morram todos!!! Ciclistas que acham que tem mais direitos do que os outros só por estarem de bicicleta têm que morrer.

“Tozo uando”
– Mas a massa tinha que ser amassada, não é??? Da próxima vez quando forem protestar informem a polícia para que essa acompanhe a manifestação bando de babacas todos. Quer andar de bike??? Vai para a China.

PS do Viomundo: O blog do Massa Crítica foi o promotor da manifestação dos ciclistas em Porto Alegre na semana passada, vários dos quais foram atropelados.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/marco-aurelio-weissheimer-ciclistas-recebem-ameacas-pela-internet.html

Trípoli se divide enquanto Gaddafi tenta se manter no poder

06.03.2011
Da REUTERS
Por Maria Golovnina e Michael Georgy

TRÍPOLI (Reuters) - O líder líbio, Muammar Gaddafi, transformou Trípoli em uma comemoração massiva de seu longo governo neste domingo, mas moradores em um dos bairros mais instáveis da capital pediram maior pressão na campanha para depor o líder.

A capital acordou ao som de tiros de metralhadoras no domingo, que segundo o governo eram uma comemoração de sua vitória sobre rebeldes contrários a Gaddafi em diversas cidades-chave da Líbia.

Ao amanhecer, milhares de simpatizantes de Gaddafi foram às ruas acenando bandeiras e disparando tiros de fuzis ao ar.

No bairro de Tajoura, onde vive a classe trabalhadora e local de forte sentimento anti-Gaddafi na capital, pessoas pareciam estar assustadas enquanto vans carregadas de simpatizantes de Gaddafi passavam gritando 'Deus, Muammar, Líbia, e nada mais'.

No entanto, os moradores disseram que o movimento pela mudança seguia com determinação depois de informações indicando que rebeldes haviam refutado alegações do governo sobre a vitória em cidades importantes como Zawiyah e Benghazi.

'Ele (Gaddafi) estará acabado em duas semanas', disse Fauzzi, um lojista. Ele apontou para oito marcas de tiros no portão da frente de sua casa, que segundo ele foram disparados por membros da milícia pró-Gaddafi alguns dias atrás durante uma repressão contra um protesto.

'Eu não sei o que estão comemorando. É apavorante.'

O contraste entre Tajoura e o centro de Trípoli ressaltou as tensões em uma cidade cada vez mais dividida, enquanto a revolta popular contra o governo de quatro décadas de Gaddafi se agravou para combates abertos em partes do país norte-africano.

O bairro estava repleto de rumores, e moradores disseram que os primeiros tiroteios antes do amanhecer pareciam ser tiros de combate. O governo negou que combates tivessem ocorrido em Trípoli no domingo.

'O que está acontecendo hoje é uma tentativa de encobrir a verdade. Não sabemos mais no que acreditar', disse um homem, Ibrahim. 'Precisamos de ajuda.'

Alguns disseram que a capacidade de Gaddafi de atrair multidões massivas para apoiá-lo em Trípoli convenceu muitos a manterem a discrição por enquanto antes de outra manifestação planejada para esta semana.

Outro morador disse: 'Eles prenderam muitas pessoas. Espancaram eles. Quando são libertados, são obrigados a confessar e assinar documentos dizendo que se arrependem dos crimes que cometeram.'
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Fonte:http://noticias.br.msn.com/artigo.aspx?cp-documentid=27909301

Frevo, suor e política

06.03.2011
Da FOLHA DE PERNAMBUCO


Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A.Press

O Galo da Madrugada serviu, mais uma vez, de palco para políticos das mais diversas tendências. Nos camarotes do governador Eduardo Campos e do prefeito do Recife, João da Costa, instalados na Avenida Dantas Barreto, ministros, como Alexandre Padilha (Saúde), senadores, deputados e secretários esqueceram as divergências para cair na folia. Sem clima para participar do camarote da prefeitura, o ex-prefeito João Paulo optou por brincar ao lado do governador.

Embalados pelo som da música Praeira, de Chico Science, os dois acompanharam a animação do público e pularam efusivamente durante a passagem do trio elétrico comandado pelo maestro Forró. Do outro lado, num estilo mais discreto, João da Costa preferiu tirar fotos e cumprimentar os convidados.

Ao ser questionado sobre o sucesso do carnaval, Eduardo disse que a festa está ficando cada vez melhor e que essa mensagem é levada para todo o país pelos políticos que vêm conhecer a festa. Para o socialista, 2012, ano de eleição municipal, será ´ainda melhor.`
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/03/06/especial2_0.asp

Aprovação a Dilma supera a de Lula em 2003 e 2007

04/03/11
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

Foi pouco divulgado, mas já foi feita a primeira pesquisa sobre a popularidade da presidenta Dilma Rousseff, após os primeiros 45 dias de mandato. Foram feitas mil entrevistas pelo Instituto Análise, do sociólogo Carlos Alberto de Almeida, autor de “A Cabeça do Eleitor”, que versa, inclusive, sobre o efeito das pesquisas de opinião sobre a vontade do eleitorado.

Dilma aparece, nessa pesquisa, com 50% de bom e ótimo. Esse índice supera os índices de aprovação do ex-presidente Lula no limiar tanto do primeiro mandato (2003) quanto do segundo (2007), apesar de os índices daqueles anos, com os quais está sendo feita a comparação, serem de outro instituto, o Datafolha.

Contudo, a comparação é útil para se ter uma base para avaliar o patamar de aprovação da presidenta neste momento, após os primeiros movimentos de seu governo. Essa comparação deixa ver situação mais confortável de Dilma.

Em 2003 – melhor base de comparação, pois Lula ainda era uma incógnita –, o ex-presidente detinha 43% de aprovação pessoal, segundo o Datafolha; em 2007, após uma eleição difícil por conta do remanescente escândalo do mensalão, paradoxalmente Lula teve maior aprovação, de 48%. Aqui, salta aos olhos um fenômeno que se consolidaria nos anos seguintes.

A guerra que a mídia declarou a Lula durante seus oito anos, diferentemente do que se poderia imaginar não conseguiu impedir que, entre abril de 2003 e dezembro de 2010, sua aprovação pessoal praticamente dobrasse, chegando a 83% no último ano de seu governo.

Contudo, os índices mais altos de Lula foram auferidos a partir do segundo mandato. O ex-presidente chegou a dezembro de 2006, logo após derrotar Geraldo Alckmin, com 52% de aprovação, que caiu a 48% mais ou menos nesta época, há quatro anos, em março de 2007.

A série histórica do Datafolha revela que a guerra midiática contra Lula começou já em fevereiro de 2004, com o escândalo Waldomiro Diniz, o que fez com que a aprovação do ex-presidente caísse dos 43% do início de seu governo para 38%. Os índices iguais ou inferiores a 50% persistiram por todo o primeiro mandato.

A partir de 2007, apesar de a artilharia midiática contra Lula ter aumentado, os resultados na economia certamente respondem por boa parte de sua popularidade. O Brasil, em 2002, era a 14ª economia do mundo; hoje, os jornais informam que já é a 7ª. Contudo, tais resultados não explicam totalmente a disparada da aprovação pessoal de Lula.

Duas premissas sobre a melhora do bem-estar social foram bombardeadas incessantemente pela mídia, a de que a melhora da economia se devia a Fernando Henrique Cardoso e a de que tal melhora se devia à conjuntura internacional favorável. Enquanto isso, a mídia foi tentando construir, entre a opinião pública, uma imagem de corrupto para o governo Lula.

É perfeitamente plausível afirmar, portanto, que a quase totalidade dos brasileiros descreu dos meios de comunicação e dos partidos de oposição, sobretudo do ex-governador José Serra, que liderou a ofensiva conservadora no Brasil durante a década passada.

Neste mês de março, devem começar a surgir pesquisas de opinião dos grandes institutos. Apesar de ter sido indicada por Lula e de ter chegado ao poder graças a ele, Dilma certamente ainda terá que construir seus índices de popularidade, o que explica a relação que está construindo com os algozes de seu antecessor.

Ano de ressaca após a fuzarca econômica de 2010, que gerou um “pibão” de 7,5%, 2011 certamente produzirá um “feel god factor” decrescente, não só pelo aumento do salário mínimo abaixo da inflação como pela política monetária que vai se tornando progressivamente restritiva.

Fica fácil entender, portanto, que a continuidade da guerra midiática teria efeitos imprevisíveis sobre a sustentação do novo governo. Lula, porém, ao enfrentar essa questão, ingeriu uma espécie de antídoto contra a mídia que impediu que seus ataques fizessem efeito mesmo durante a crise de 2008/2009, quando o bem-estar social reduziu-se perceptivelmente.

A estratégia de coexistência pacífica com a mídia é mais confortável do que a de enfrentamento dela por Lula. Resta saber se o nível de popularidade de Dilma pode ser sustentado até que a sensação de bem-estar se recupere, pois a economia pode pesar mais para a sociedade do que o que a mídia disser sobre o governo, ainda que em direção contrária.
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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/03/aprovacao-a-dilma-supera-a-de-lula-em-2003-e-2007/