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quinta-feira, 3 de março de 2011

A inflação distante do umbigo da blogosfera

03.03.2011

Por Gunter Z. - Sampa

A Presidenta surpreendente

Durante o ano de 2010 muitos blogs, apelidados aqui e ali de “sujos” ou “progressistas” dedicaram-se a desmontar o pensamento único da grande mídia (que por sua vez recebeu a jocosa alcunha de PIG.)

Mas quem vai desmontar o pensamento único da blogopauta? Não parece contraditório que uma candidata a presidente, Dilma, tenha sido tão elogiada por meses e... surpresa! Assim que toma possa é crítica atrás de crítica. Há exceções, claro.

Critica-se tudo, a escolha dos ministérios, as composições no Congresso, as presenças na mídia, pretensos recuos (no caso, recuos em relação a coisas que ela nunca prometeu ir atrás, diga-se.)

É curioso criticar-se a presidenta até por se deixar elogiar na mídia. Ora, o que se queria? Que o Planalto plantasse menções negativas através de assessoria de imprensa? Que a velha mídia só criticasse e aí sair em socorro?

O poder dificilmente muda de mãos, não é necessário lembrar disso. O que às vezes muda é a orientação de governo, que pode interferir em políticas de Estado e leis. Mas pode existir adesismo também, normal. A melhor piada que li esta semana foi no twitter : “Tive que sair por dez minutos... Mais alguém aderiu ao governo?”

É claro que surgem 476 explicações do porquê estar tudo errado agora (passados apenas 2 meses da posse) e razões para estarmos pessimistas (eu não estou.) Nesse irrestrito gosto por teorias de conspiração, acaba se perdendo o gosto pela informação. (E, alguém anda checando a audiência de blogs, número de visitas, de comentários, etc?)

O horror do aumento da Selic

Muito barulho agora em torno de taxas de juros. Foi para 11.75% tsc tsc. É mandatório falar por todos os lados que os gastos anuais de juros (brutos) equivalem a XX Bolsas-família. Comenta-se das tendências neoliberais “deste” governo, do pensamento único da mídia e dos bancos pautando o mesmo... Mas porque ninguém lembra que existem impostos sobre os juros, especialmente o inflacionário, e que depois disso sobra só ¼ do rendimento?

Vamos raciocinar : o governo prometeu continuísmo à população se elegesse Dilma. Continuidade é o que terá. Ela prometeu convergência às taxas internacionais de juros para emergentes em 4 anos (eu ouvi isso no Roda Viva, mas não ouvi ela dizer que seria em 2011.) Ela prometeu combater inflação, e é isso que fará. Independente de eu ou mais alguém acharmos inflação um mal menor, o que conta é o que o povo espera. O que cabe falar é sobre ferramentas para isso.

Mas não se pode perder o discurso que denuncia o “poder dos rentistas”, então fica quase interditado falar que existe (ainda!) inflação no Brasil. E que ela está aumentando. Vamos torcer para que alimentos, algodão e petróleo caiam de preço nos próximos meses, mas não dá pra ter isso como certo. (Ah, falar que o desemprego é baixo e que há restrições para o desenvolvimentismo agora também não é de bom tom...)

De qualquer modo, o que temos:

- as elevações recentes de juros são bem menores que a elevação da inflação (o INPC passou de 4,3% até ago/10 para 6,5% em jan/11; a Selic líquida de IR, acumulada em 12 meses, passou de 7,4% para 8,4%. O que subiu mais?)

- as taxas nominais e reais de juros caíram substancialmente desde 2006 (e mesmo assim o Real continuou apreciando, então esqueça-se esse mito de que basta baixar juros para desvalorizar);

- desde nov./2010 o ganho líquido dos rentistas está abaixo de 2% a.a., há 3 anos em torno de 4% a.a. ou menos (qualquer bolha imobiliária é coincidência...)

- os juros reais da Caderneta de Poupança (algo reverenciado pela população), mesmo isentos de impostos, não passam de 2% ao ano desde 2007, com risco de se tornarem negativos agora;

- ainda existe uma identidade macroeconômica que diz que Poupança (S) = Investimento (I). Ou seja, não será diminuindo a atratividade da poupança que se elevarão os investimentos.

É um problema para Dilma, Mantega e Tombini administrar, entre tantas outras questões, uma inflação que se avizinha dos 7% (4% apenas nos últimos 5 meses), o que não se via desde 2008.

As alternativas à política monetária

Muitos críticos do governo dizem saber que política monetária não resolve para lidar com inflação. Não duvido. Ok, com eles a palavra: se não é para manter juros reais positivos, o que é para fazer?

Comentário

Prezado Gunter

Tenho lido com muito interesse seus comentários sobre as políticas monetária e cambialAté agora não respondi por que o debate é rico e exige bom tempo de reflexão. Mais que isso: não se esgotará em uma primeira troca de argumentos, o que exigirá mais e mais tempo.

De um lado é ótimo, por permitir uma troca enriquecedora de argumentos. O problema é que ando muito enrolado com trabalho e com receio de não conseguir o tempo necessário para o nível que o debate exige. Daí a demora em responder aos seus argumentos.

Mas até por respeito a um dos comentaristas mais preparados e de melhor bom senso do blog, aí vai minha resposta.

Em todos seus artigos, você procura juntar argumentos para tentar demonstrar que taxas de juros elevadas são mais relevantes que o câmbio para o desenvolvimento brasileiro. Logo, a política monetária (com seu rebatimento sobre o câmbio) seria virtuosa. E toda a crítica ao nível do câmbio choradeira de setores específicos da economia.

Sobre o câmbio e a competitividade da indústria

Antes de entrar especificamente no seu artigo de hoje, vamos checar a consistência de seus argumentos sobre câmbio e competitividade, expressos em artigos anteriores.

Você afirmou algumas vezes que câmbio não interfere na competitividade da economia brasileira porque a maior parte dos insumos é dolarizada. Se o dólar encarece, o exportador recebe mais por seus produtos, mas paga mais pelos insumos importados. E acaba ficando no zero a zero. Portanto, os únicos setores beneficiados de uma desvalorização cambial seriam os produtores de commodities agrícolas e minerais.

Com essa afirmação, você praticamente aboliu as moedas nacionais da economia internacional.

Como economia mais aberta do mundo, os EUA estão preocupados em desvalorizar sua moeda para devolver a competitividade à economia interna. Se lá o câmbio tem efeito sobre a competitividade interna – o que demonstra que nem no país do dólar a composição de custos segue parâmetros internacionais -, porque não teria em uma economia semi-fechada como a brasileira?

Simplesmente porque não existe essa economia de preços totalmente internacionalizados a que você se refere. Nos insumos não dolarizados tem-se infra-estrutura, custo do capital, mão de obra, insumos domésticos, alugueres, produtividade interna, um mundo de fatores. Se o câmbio fosse neutro, porque o mundo estaria nessa disputa louca sobre políticas cambiais nacionais?

Sobre os “blogs sujos”

Não sei a que você se refere quando menciona “blogs sujos”. O movimento é datado, se aplica especificamente a uma frente que surgiu no período eleitoral.

No próprio evento dos blogueiros, mencionei expressamente que o que nos unia eram alguns princípios básicos – combate à manipulação da mídia e à intolerância, defesa da inclusão social e da diversidade – e que, passadas as eleições, a frente se desfaria, cada qual com suas próprias opiniões, aprendendo a divergir civilizadamente. O que nem sempre tem sido possível.

Sobre os juros reais

“Mas porque ninguém lembra que existem impostos sobre os juros, especialmente o inflacionário, e que depois disso sobra só ¼ do rendimento?”

De acordo com sua lógica, as taxas precisam ser elevadas para compensar a tributação e a inflação internas. Aí jogam-se as taxas brutas nas alturas.

Só que essas mesmas taxas remuneram o capital externo, que não é submetido a nenhuma das pretensas penalizações: ele é isento de tributação e seu indexador é o dólar, não a inflação em reais. E o dólar, como você sabe, é um indexador “deflacionário” – isto é, seu valor tem caído sistematicamente.

Ou seja, aumentam-se os juros paa compensar a tributação interna e oferece-se ao capital externo a mesma taxa bruta, com desoneração de impostos. Aumentam-se os juros para compensar a inflação em reais. E oferece-se a mesma taxa ao capital externo, que é beneficiado pela deflação em dólares (valor do dólar em relação ao real).

Como fica o raciocínio?

Sobre juros e câmbio

“As taxas nominais e reais de juros caíram substancialmente desde 2006 (e mesmo assim o Real continuou apreciando, então esqueça-se esse mito de que basta baixar juros para desvalorizar)”.

O fluxo de capitais não é como uma torneira de caixa dágua: se aumentam os juros, aumenta o fluxo; se diminuem os juros, diminui o fluxo.

O fluxo de capitais depende:

  1. Do diferencial de juros internacional e doméstico. Se o diferencial está em 20 pontos ou em 11 pontos, tanto faz: é diferencial. O capital externo não vai deixar de entrar com um diferencial de 11 pontos apenas porque anos atrás o diferencial era de 30 pontos. Se um sujeito de 1,60 é amarrado em uma piscina com nível de água de 2 metros, se o nível cair para 1,75 metros ele se afogará do mesmo modo. Se as taxas internacionais estão próximas a zero, 11,75% ao ano é um baita diferencial, imenso diferencial.
  2. Da liquidez internacional. Se a economia dos países desenvolvidos está frouxa, se as taxas básicas são baixas, e se sobra dinheiro nas instituições, aumenta o fluxo para países emergentes, que não soçobraram na crise.
  3. Da percepção de risco interno e externo. Em quadro de risco menor, há maior propensão a investir em países emergentes.

Do mesmo modo, a taxa de câmbio é afetada não apenas pelos juros internos, mas também pelas cotações internacionais de commodities.

Repare que é um quadro de inúmeras variáveis, que você reduziu a apenas uma: a comparação entre as taxas atuais e as de anos atrás. Como se o fato da taxa de agora ser menos interessante que a de an os atrás, a tornasse automaticamente desinteressante.

Você fez essa comparação, concluiu que “esqueça esse mito de que basta baixar os juros para desvalorizar” e fugiu da conclusão principal: de fato, não basta apenas baixar os juros; mas se a liquidez internacional é maior, se as taxas de juros internacionais são menores, se a receita com commodities é maior, os efeitos dos juros sobre o câmbio são muito mais deletérios, porque são cíclicos, atuam na mesma direção dos demais fatores de apreciação.

Sobre a relação poupança x investimento

“Ainda existe uma identidade macroeconômica que diz que Poupança (S) = Investimento (I). Ou seja, não será diminuindo a atratividade da poupança que se elevarão os investimentos”.

Mais uma vez, há uma simplificação inadequada. Você está tratando uma identidade como se fosse uma relação de causalidade. Se essa relação fosse mecânica, bastaria jogar os juros para 40% ao ano, induzir todo mundo a poupar que o investimento seria conseqüência automática. E quem tomaria dinheiro emprestado a esse custo?

Existe um princípio básico de investimento, o tripé segurança, rentabilidade e liquidez. Se quero segurança, abro mão de rentabilidade e liquidez; se quero mais liquidez, abro mão da rentabilidade. E assim por diante.

Nesses anos todos, a política monetária juntou nos títulos públicos as três características dos investimentos: segurança, rentabilidade e liquidez. Transformou o Brasil no paraíso da renda fixa. Só que a alta rentabilidade do investidor = alto custo do dinheiro para o tomador.

Esta é a razão do Brasil pouco ter se beneficiado de instrumentos de crédito (apenas nos últimos anos) e ter um mercado de capitais pouco desenvolvido. A maior parte da carteira de fundos está lastreada em títulos públicos.

Imagine dois circuitos de investimento.

Primeiro circuito:

  1. O BC aumenta as taxas de juros dos títulos públicos.
  2. O investidor aplica.
  3. No vencimento, o BC emite mais títulos para rolar juros e principal.

Nesse modelo (que vigorou nas últimas décadas) o dinheiro não saiu do circuito dívida pública. Qual a contribuição dessa poupança para o desenvolvimento? Nenhum. Aliás, criou-se o efeito endógeno da taxa de juros alimentar a própria dívida pública, exigindo mais poupança pública e desviando mais poupança do crédito e investimento.

Segundo circuito:

  1. O BC reduz as taxas de juros.
  2. Há uma redução na oferta de títulos públicos.
  3. Sem opção de títulos públicos, parte dos recursos migra ou para papéis privados (lubrificando o crédito) ou para o mercado de capitais e outras formas de financiar o investimento.
  4. O que o governo economiza na emissão de títulos para rolar a dívida, pode utilizar, por exemplo, na capitaliação do BNDES para financiar o investimento.

São quadros totalmente diversos. No primeiro, gera-se um círculo vicioso que enriquece o investidor, mas não incrementa a economia. No segundo, a poupança acumulada pelo investidor ajuda a lubrificar a economia criando o círculo vicioso.

Mais que isso, ao aumentar a taxa básica de juros, o BC interfere na Taxa Interna de Retorno de todos os investimentos. Eleva o piso da rentabilidade mínima dos investimentos na economia real. Há não apenas um encarecimento do investimento, como um corte nos investimentos de menor retorno – em comparação com a taxa básica da economia.

No período em que parecia que a queda das taxas de juros seria inevitável, houve um movimento em todos os grandes fundos de investimento, preparando para migrar parte de sua carteira para a renda variável, até para poder cumprir suas metas atuariais. Esse movimento será contido pela nova temporada de alta da Selic.

A indexação dos juros

“As elevações recentes de juros são bem menores que a elevação da inflação (o INPC passou de 4,3% até ago/10 para 6,5% em jan/11; a Selic líquida de IR, acumulada em 12 meses, passou de 7,4% para 8,4%. O que subiu mais?)”

É curiosa sua posição. Elege a inflação como o inimigo principal. Ao mesmo tempo aceita aquele que é o principal motor de inflação das últimas décadas: a indexação dos juros.

O grande problema da política monetária é que indexou todo o sistema de taxas de juros da economia, através do CDI (a taxa na qual os bancos se baseiam para sua troca de reservas).

Assim como você defende o direito do investidor indexar sua poupança, há o direito do proprietário de indexar o aluguel, das escolas de indexar as mensalidades, das companhias de ônibus de indexar suas tarifas. Como é que fica o combate à inflação?

Sobre o poder dos rentistas

“Mas não se pode perder o discurso que denuncia o “poder dos rentistas”, então fica quase interditado falar que existe (ainda!) inflação no Brasil. E que ela está aumentando”.

Para que serve aumento de taxas de juros? Fundamentalmente para desaquecer a demanda através do encarecimento do crédito; subsidiariamente, para desviar dinheiro do consumo para a poupança.

Suponha um financiamento de 60 meses, a uma taxa de juros de 3% ao mês, para um valor financiado de R$ 1.000,00. A prestação será de R$ 36, 14. 0,75 de alta na Selic tem um belo impacto sobre o custo geral da dívida. Mas e sobre o financiamento? Equivaleria a uma taxa mensal decomposta de 0,0623%. Se se repassasse apenas essa alta para os juros do financiamento, a prestação iria para R$ 36,62 – uma alta irrisória de 1,3% no valor da prestação

Se se reduzisse o prazo para 48 meses, a prestação saltaria para R$ 39,59 – uma elevação de 9,5%. Se se exigisse 20% de entrada em cada financiamento, significaria um impacto imediato sobre o consumidor da ordem de 5,5 prestações – para um financiamento de 60 meses. Do mesmo modo, aumento do compulsório impacta a estrutura de juros e de capital de giro.

São remédios amargos para o consumidor, mas não têm impacto sobre as contas públicas.

Em dezembro foram tomadas medidas objetivas para fugir da ditadura dos juros. Sempre há uma defasagem de tempo entre as medidas e seus efeitos. Ninguém e m sã consciência suporia que dois meses é tempo suficiente para aparecerem os efeitos. Por outro lado, há um processo desequilibrado na economia, com alguns setores mais aquecidos e outros menos.

Qual a lógica de abandonar as chamadas medidas prudenciais e reforçar a alta dos juros? Meramente acalmar o mercado financeiro. Se a capacidade de alarido do mercado financeiro, o alarmismo dos departamentos econômicos e da mídia não têm influência sobre as decisões do governo.

Se se tem vários caminho para escolher e a escolha é sempre sobre elevação da taxa Selic e o único ganhador é o mercado (e os rentistas) a que você atribui essa preferência do BC pelos juros: neutralidade da ciência?

Sobre as expectativas com o novo governo

“O governo prometeu continuísmo à população se elegesse Dilma. Continuidade é o que terá. Ela prometeu convergência às taxas internacionais de juros para emergentes em 4 anos (eu ouvi isso no Roda Viva, mas não ouvi ela dizer que seria em 2011.) Ela prometeu combater inflação, e é isso que fará. Independente de eu ou mais alguém acharmos inflação um mal menor, o que conta é o que o povo espera. O que cabe falar é sobre ferramentas para isso”.

Nem vou discutir sua afirmação de que “o que conta é o que o povo espera”. Assim como você diz que falar em “ditadura dos rentistas” é interditar o debate, usar o sacrossanto nome do povo interdita da mesma maneira.

O ponto central é que durante 2008 e 2009 o próprio Ministério da Fazenda alimentou a expectativa de que sairia da armadilha da política monetária. Essa armadilha era atribuída ao reinado de Henrique Meirelles no BC.

Durante toda a crise de 2008 adotaram-se medidas anticíclicas enfrentando a ortodoxia do BC. E, com a troca de governo, acenava-se com uniformidade de ações entre Fazenda e BC.

A continuidade esperada era a da responsabilidade fiscal, mas amenizando a ortodoxia do BC e enfrentando – com racionalidade – a ofensiva do mercado por juros altos.

Não sei qual a opinião do povo sobre a Selic, mas não creio que tenha sido chamado a opinar. Mas criou-se essa aparente lógica de mercado: o povo não quer inflação; a única maneira de combater a inflação é aumentar os juros; logo, o povo autorizou o BC a aumentar os juros.

PS – Para não abrir muitos posts, coloquei minha resposta no seu post. E colocarei a sua réplica aqui mesmo.


A inflação distante do umbigo da blogosfera
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Fonte:http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-inflacao-distante-do-umbigo-da-blogosfera

O camarada Kassab

03.03.2011
Da CartaCapital
Por Soraya Aggege

Fiel a Serra e herdeiro de tradições malufistas, o prefeito de São Paulo tornou-se o queridinho dos partidos de centro-esquerda. Qual o motivo de tanto interesse? . Foto: Evelson de Freitas/AE

Forjado no malufismo e alçado à condição de astro local da política por José Serra, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, é adepto do velho estilo de confronto com os movimentos sociais. O mais recente episódio deu-se na quinta 17, quando um protesto de estudantes contra o aumento das passagens de ônibus foi encerrado a cassetetes, na porta da prefeitura. Por que então Kassab se tornou o queridinho dos partidos de centro-esquerda? Tanto no PSB e no PDT, que o convidaram para ingressar na legenda, quanto no PCdoB e, não faz muito tempo, no PT, sobram elogios. O prefeito é descrito como “transparente”, “discreto”, “conciliador”. Até o sábado 19, quando o diretório estadual decidiu esfriar as conversações, os petistas estavam empenhadíssimos em trazê-lo para a base de apoio da presidenta Dilma Rousseff. Os encontros entre Kassab e os enviados do Planalto, inclusive, foram mais frequentes que o noticiado.

Ao longo do mês, o PT alimentou a ilusão e autorizou o PSB a fazer a ponte para a base. Mas mudou de atitude depois de ouvir de Kassab que ele se manterá fiel a Serra pelo menos até 2012. O deputado Rodrigo Garcia (DEM), escudeiro de Kassab, esclarece: “Nunca cogitamos compor a base do governo. Nosso foco é o conforto partidário para as eleições. O que há é que na oposição só há três partidos: o PSDB, que já tem muitas estrelas, o PPS e o próprio DEM. E longe do DEM e da aliança com o PSDB, esses partidos da base estão vendo que Kassab é uma terceira opção à polarização entre petistas e tucanos”.

O PDT, o PCdoB e o PSB seguem firmes na intenção de transformar Kassab em parceiro. Há aí, antes de qualquer coisa, um cálculo político. Ressentidos com a “fome insaciável por cargos” do PT e a ampliação do espaço do PMDB, os três principais partidos do chamado bloquinho estão dispostos a fechar alianças ou mesmo a incorporar o partido político que Kassab pretende criar ao deixar o DEM até o fim de março. As lideranças dizem pretender formar uma terceira via para as eleições de 2012 e 2014, a partir de São Paulo. Na avaliação de alguns líderes petistas, o resultado da articulação em torno de Kassab pode significar o enterro de alianças históricas à esquerda.

O presidente do PDT no estado, o deputado federal Paulo Pereira, o Paulinho da Força, justifica: “Muitas forças políticas da base defendem um novo projeto, sem essa polarização PT-PSDB. Nossa relação com o PT está cada dia mais difícil. Por isso eu e o Lupi (ministro do Trabalho, Carlos Lupi, presidente nacional do PDT) conversamos recentemente com Kassab e ele não descartou a nossa proposta, enquanto estuda a do PSB”.

Paulinho não nega a possibilidade de Serra candidatar-se em uma das eleições com o apoio de Kassab, mas retruca: “Serra só tem sido ouvido pela imprensa e mais ninguém. Politicamente ele está morto. Agora, nada nos impede de futuramente articular com o PSDB”.

A cada dia mais pragmáticas, as lideranças do PSB ocupam cargos no primeiro escalão do governo de Geraldo Alckmin. Agora estudam ingressar na -prefeitura e citam o histórico Miguel Arraes para convencer suas bases a aceitar Kassab e seus companheiros ex-democratas. “O mais importante é o que nos une, não o que nos separa”, afirma o vice-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral.

Seja namoro ou amizade a relação do PSB com Kassab, os pretendentes do partido ao cargo de prefeito em 2012, Gabriel Chalita e Paulo Skaf, se aproximam do PR e do PMDB, respectivamente, em busca de espaço. Chalita conversou com o presidente nacional do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, mas não arrancou garantia de sua candidatura.

Como Chalita, a deputada federal Luiza Erundina incomoda-se com a aproximação entre a legenda e Kassab. “Não fui informada e tenho dificuldade de aceitar essa ideia, mas o quadro partidário do País- é tão estranho que isso não seria impossível.” Ao coro dos descontentes, uma liderança do PSB repisa Arraes: “Quem está convencido de uma posição não tem medo de conviver nem de convencer”. E acrescenta: “Não existe sensor neste País que apite se a pessoa é de direita ou de esquerda. Nem nos aeroportos nem nas urnas”.

Como não existe mesmo apito ideológico, Kassab aplica o velho canto da sereia para atrair a base aliada de Dilma. No sábado 19, logo após a conversa com Lupi e Paulinho, nomeou o sindicalista e ex-deputado federal Luiz Antonio de Medeiros secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, o que selou a adesão do PDT. E decidiu remover o tucano Walter Feldman da Secretaria dos Esportes, que poderá ser oferecida ao PCdoB, enquanto o ex-secretário passará uma longa temporada em Londres, aparentemente para colher informações que auxiliem na preparação de São Paulo para a Copa do Mundo de 2014.

O prefeito promove uma lenta reforma em seu secretariado e tem ofertado postos a quase toda a base aliada do governo federal. “Não são apenas cargos. Com um orçamento de 35 bilhões de reais para este ano, Kassab poderá atender melhor a periferia, onde estão nossas bases. O PT nos abandonou para se casar com o PMDB e nós viramos apenas um caso. Não existe essa fidelidade numa situação assim, de amantes. O que nós fazemos é política”, justificou uma liderança do PSB. Os rebelados da base afirmam que Kassab fará várias adaptações na gestão para recuperar o eleitorado da periferia abandonada.

No comando do PCdoB, que nos últimos dias tem admitido até a possibilidade- de rompimento com o PT depois de 30 anos de aliança, não faltam elogios a Kassab por favores prestados, como a liberação de espaços a congressos, encontros, visitas e convites fartos para o governo. “Até nossos mais antigos e fiéis aliados usaram nossa escada e agora estão compondo com o Kassab e também com o Alckmin”, reclama uma liderança petista. Os comunistas têm argumentado que a responsabilidade pela rota de rompimento é do PT, que tem desmerecido seus aliados. Quanto às negociações com Kassab, o PCdoB não disfarça o próprio pragmatismo. Eles alegam que “aproximações políticas não dependem de afinidades ideológicas”. Além disso, definem que não estão indo para o lado de Kassab, mas apenas “aceitando” Kassab do seu lado.

Na avaliação das lideranças petistas, na realidade Kassab nunca deixou de manter seu lote no condomínio político habitado por Serra, Alckmin e o senador Aécio Neves. Esse consórcio nunca teria sido abandonado, diz um influente petista. Segundo ele, Kassab pode viabilizar uma ponte nacional desses partidos com o PSDB para a Presidência em 2014.

O PT tem reafirmado que Eduardo Campos deve ser o candidato a vice-presidente em 2014, mas não descarta o risco de ver o pernambucano unido a Aécio daqui a quatro anos. Outro petista considera, porém, que Campos não se arriscaria em uma aventura eleitoral contra o grupo de Lula, sob o risco de ser “demolido” no Nordeste, onde a aprovação ao ex-presidente beira a unanimidade.

Diante da súbita paixonite da base aliada pelo antigo adversário, o PT paulista, que incentivava a fusão entre o futuro partido de Kassab e o PSB, decidiu mudar de tática. A ideia é pré-lançar logo Aloizio Mercadante, atual ministro de Ciência e Tecnologia, à Prefeitura de São Paulo, numa tentativa de conter os aliados, além de evitar divisões com disputas internas. Também não está descartada a acomodação de aliados nos cargos federais no estado, mas a tendência é de o próprio partido precisar de todos eles para aplacar a fome de suas correntes internas. Dilma já avisou que não quer que seus ministros deixem o governo para concorrer às eleições. Mas o PT recorrerá à presidenta, porque tem na candidatura de Mercadante o seu principal trunfo. O ministro é considerado pela direção partidária o único nome capaz de unificar a legenda e obter algum apoio na base aliada. Mercadante acataria a decisão da presidenta. Mas essas conversas só devem acontecer depois do carnaval.

Kassab condicionou sua relação com o bloquinho a dois fatores: candidatura garantida para governador em 2014 e seu apoio a Serra, caso ele decida disputar a prefeitura em 2012. Do PMDB de Michel Temer ele ouviu que entraria como mero soldado, sem benesses de general. O partido tem interesse em adotar o prefeito da maior cidade do País, mas não quer comprometer-se com a disputa em São Paulo, acirrada internamente desde a morte de Orestes Quércia e as idiossincrasias de seu legado político.

Como seu futuro partido teria pouco tempo de tevê (menos de 2 minutos) e o repasse do Fundo Partidário será mínimo (5%) até após as eleições, Kassab precisa de fusões com outros partidos ou alianças muito consolidadas. Nas contas do prefeito, o novo partido poderá atrair até 60 deputados federais e cinco senadores, além de dezenas de prefeitos, que estariam desprestigiados e presos em seus partidos por causa das regras da fidelidade partidária. Segundo Alberto Rollo, um dos especialistas em Direito Eleitoral contratados por Kassab para viabilizar sua saída do DEM sem perda de cargo, após se divorciar do antigo partido o prefeito não deveria fundir a nova legenda com outra, mas acertar alianças. Rollo argumenta que uma fusão poderia alimentar uma acusação de fraude à fidelidade partidária. Também por esta circunstância, o alcaide paulistano tornou-se figura central na rearrumação das forças políticas no Brasil pós-Lula.
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Fonte:http://www.cartacapital.com.br/politica/o-camarada-kassab

A maior desgraça

03.03.2011
Da CartaCapital
Por Mino Carta

Três séculos de escravidão vincam até hoje os comportamentos da sociedade brasileira

Escrevi certa vez que se Ronaldo, o Fenômeno, se postasse na calada da noite em certas esquinas de São Paulo ou do Rio, e de improviso passasse a Ronda, seria imediata e sumariamente carregado para o xilindró mais próximo. Digo, o mesmo Ronaldo que foi ídolo do Brasil canarinho quando adentrava ao gramado. Até Pelé, creio eu, nas mesmas circunstâncias enfrentaria maus bocados, embora se trate de “um negro de alma branca”.

Aí está: o protótipo do preto brasileiro, o modelo-padrão, está habilitado a representar e orgulhar o Brasil ao lidar com a redonda ou ao compor música (popular, esclareça-se logo), mas em um beco escuro­ será encarado como ameaça potencial. Muitos, dezenas de milhões, acreditam em uma lorota imposta pela retórica oficial: entre nós não há preconceito de raça e cor. Pero que lo hay, lo hay. Existem provas abundantes a respeito e a reportagem de capa desta edição traz mais uma, atualíssima. Na origem, obviamente, a escravidão, mal maior da história do Brasil.

Há outros, está claro. A colonização predatória, uma independência sequer percebida pelo povo de então, uma república decidida pelos generais, avanços respeitáveis enodoados por chegarem pela via da ditadura de Vargas. E o golpe de 1964, último capítulo do enredo populista comandado por uma elite que, como diz Raymundo Faoro, quer um país de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo. Enfim, um esboço de democratização pós-ditadores fardados ainda em andamento.

A desgraça mais imponente são, porém, três séculos de escravidão e suas consequências. A herança da trágica dicotomia, casa-grande e senzala, continua a determinar a situação do País, dolorosamente marcada pela desigualdade. Há quem pretenda que o preconceito à brasileira não é racial, é social, mas no nosso caso os qualificativos são sinônimos: o miserável nativo não é branco.

A escravidão vincou profundamente o caráter da sociedade. De um lado, os privilegiados e seus aspirantes, herdeiros da casa-grande, e os empenhados em chegar lá, e portanto ferozes e arrogantes em graus proporcionais. Do outro lado, a maioria, em boa parte herdeira da senzala, e portanto resignada e submissa. De um lado uma elite que cuidou dos seus interesses em lugar daqueles do País, embora o Brasil represente um patrimônio de valor inestimável, de certa forma único. Do outro, a maioria conformada, incapaz de reação porque, antes de mais nada, tolhida até hoje para a consciência da cidadania.

O povo brasileiro traz no lombo a marca do chicote da escravidão que a minoria ainda gostaria de usar, quando não usa, e não apenas moralmente. Aqui rico não vai para a cadeia, superlotada por pobres e miseráveis, e não se exigem desmedidos esforços mentais para localizar a origem dessa situação medieval. Trata-se simplesmente de ler um bom, confiável livro de história.

Será possível constatar que afora o devaneio de alguns poetas e a reflexão de alguns pensadores, o maior problema do Brasil, a desigualdade gerada pela escravidão, nunca foi enfrentado com o ímpeto e a determinação necessários. Nos anos de Lula, agredido por causa do invencível preconceito pela mídia nativa, na sua qualidade de perfeita representante dos herdeiros dos senhores de antanho, a questão foi definida com nitidez. Mas se o diagnóstico foi correto, os remédios aviados foram insuficientes. Poderia ser de outra maneira? Melhorar a vida das classes mais pobres não implica automaticamente a conquista da consciência da cidadania, que há de ser o objetivo decisivo.

CartaCapital confia na ação da presidenta Dilma e acredita que seu governo saberá dar prosseguimento às políticas postas em prática pelo antecessor e empenhar-se a fundo no seu próprio programa de erradicação da miséria. Sem esquecer que o alvo principal fica mais adiante.

Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde. redacao@cartacapital.com.br
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Fonte:http://www.cartacapital.com.br/politica/a-maior-desgraca

Gorbachev, o homem que desmontou a URSS

Por wilson yoshio.blogspot

Da Epoca, via twitter

Gorbachev faz 80 anos e critica governo russoMikhail Gorbachev, o último líder da União Soviética, voltou a acusar o governo da Rússia de empreender uma ofensiva contra as liberdades dos cidadãos redação época, com agência EFE

RIA Novosti, Mikhail Klimentyev, Presidential Press Service / AP PRÊMIO O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, recebe o ex-líder da URSS na residência oficial. Apesar das críticas, Gorbachev recebeu a mais alta comenda russa nesta quarta

Mikhail Gorbachev, o último dirigente soviético e pai da "Perestroika", a política de reestruturação econômica da União Soviética, celebra nesta quarta-feira (2) seus 80 anos preocupado com a situação na Rússia e a ofensiva do Estado contra os direitos e liberdades de seus compatriotas.

"Ultimamente se observa uma ofensiva contra os direitos e as liberdades dos russos", afirmou o político em entrevista à agência Interfax. Segundo ele, isto é "inadmissível", pois "as autoridades devem velar pelos direitos dos cidadãos e pensar em como garantir sua segurança".

Nos últimos tempos, o antigo líder soviético e Prêmio Nobel da Paz, que qualifica a situação no país como "preocupante", criticou duramente o presidente Dmitri Medvedev e o primeiro-ministro Vladimir Putin. As declarações de Putin de que ele e Medvedev decidiriam qual deles apresentaria sua candidatura nas eleições presidenciais do ano que vem suscitaram a ira de Gorbachev.

As críticas do antigo líder soviético se estenderam à gestão econômica: "Fala-se muito da modernização, mas há poucos fatos concretos, o que também me preocupa". Gorbachev afirmou que na Rússia poderiam ocorrer mudanças positivas depois das eleições parlamentares que serão realizadas em dezembro, mas advertiu que isso só ocorrerá "em caso de um pleito limpo". As eleições recentes da Rússia foram classificadas como pouco transparentes por observadores internacionais e Putin é acusado de comandar um "Estado policial". Ele e muitas outras autoridades russas são ex-membros do KGB, o antigo serviço secreto soviético.

Atualmente, o antigo líder soviético quase não incita interesse entre seus compatriotas. Uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos da Opinião Pública (Vtsiom, por sua sigla em russo) revelou que 47% dos russos se sente "indiferente" em relação ao antigo líder. "Gorbachev tirou o país de um sonho letárgico, que era uma ameaça de morte", escreveu o jornal Novye Izvestia, um dos poucos que dedicou espaço ao aniversário do ex-líder.

JL

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI215512-15227,00-GORBAC...

Por Zé Luís

“Em 12 de março de 1985, Mikhail Gorbachev foi eleito para o cargo de Secretário-Geral do PCUS (Partido Comunista da União Soviética). A partir daí, lançou, em âmbito nacional e internacional, a Perestroika (reorganização) e a Glasnost (transparência).

O texto da Perestroika estava repleto de frases confusas e intencionalmente ambíguas. Mas o tempo encarregou-se de demonstrar que o verdadeiro conteúdo desse projeto não era outro senão o de tentar sair da decadência econômica por via da restauração do capitalismo. Quanto à Glasnost, era uma tentativa de fazer algumas reformas políticas no marco da manutenção do regime ditatorial de partido único.

Alexandr Yákovlev, que foi o cérebro da Perestroika, não hesitou em confessar os verdadeiros objetivos dela: “Se se deixasse que persistissem os métodos com os quais funcionava a economia soviética na época... nosso país se encontraria relegado a ser uma potência econômica de segunda ordem e, no fim do século, talvez decaísse ao nível dos países pobres do Terceiro Mundo. Apesar de não termos avançado muito nessa questão, indicamos, no entanto, algumas diretrizes que exigiam uma mudança drástica do sistema econômico. Propúnhamos um modelo de desenvolvimento que daria às empresas autonomia financeira e liberdade de iniciativa a fim de romper o cerco centralizador ou reduzi-lo ao mínimo possível... Por outro lado, favorecíamos a organização de empresas mistas, e não só em colaboração com os países socialistas e os países do Terceiro Mundo, mas também com os países ocidentais. Para nós, era a única possibilidade de que a União Soviética participasse da divisão internacional do trabalho, nos intercâmbios de capital, de inversões, etc... A liberdade econômica é inseparável da liberdade política... Era necessário abolir o monopólio da propriedade estatal... É necessário introduzir a economia de mercado o quanto antes”.

A ascensão do “renovador” Gorbachev (como era conhecido na época), que chegou ao cargo de Secretário-Geral apoiado por Gromyko e pela sinistra KGB, foi a demonstração de que a maioria da burocracia, perante os reiterados fracassos econômicos, era sensível à proposta de Gorbachev de fazer mudanças radicais na economia, ou seja, restaurar o capitalismo.

Como não podia ser de outra forma, nesses anos, Gorbachev começou a ser visto como a “menina dos olhos” das grandes potências imperialistas, especialmente o governo Reagan, nos EUA. Esses projetos (a Perestroika e a Glasnost) eram a resultante quase pura, no âmbito da URSS, da ofensiva econômica com formas democráticas lançada pelo imperialismo norte-americano que denominamos de “reação democrática”.

Durante todo o ano de 1985, Gorbachev, atuando como o representante da maioria da burocracia e do capitalismo internacional, limitou-se a fazer propaganda de seu projeto. Mas essa situação mudaria drasticamente a partir de 1986.

Em fevereiro-março desse ano realizou-se o XXVII Congresso do Partido Comunista da União Soviética, que votou um novo Comitê Central. Nunca, nos últimos 25 anos, ocorrera uma mudança tão profunda. Foram eleitos 97 novos quadros e 22 suplentes tiveram direito a voto. Na prática, entraram 119 novos dirigentes (da equipe do “renovador”) em um CC de 307 membros, no qual Gorbachev já tinha um peso importante.

A partir desse momento, Gorbachev sentiu-se suficientemente forte para passar da propaganda à ação. Em poucos meses, o Parlamento, seguindo as ordens do CC do PCUS, votou uma série de leis que tinham como objetivo desmontar o que sobrava do estado operário e restaurar o capitalismo. Em outras palavras, a partir de fevereiro de 1986, por intermédio de Gorbachev e seus agentes, a burguesia recuperou o poder na URSS.

Já em agosto de 1986, ou seja, apenas cinco meses depois do XXVII Congresso do PCUS, o governo autoriza a constituição de empresas conjuntas com capital estrangeiro; em setembro, começa a ser liberado o trabalho privado, mediante a Lei sobre Atividades Individuais. Em junho de 1987, aprova-se a Lei de Empresas do Estado, com a qual se acaba com as subvenções do Estado para as empresas, ao mesmo tempo que as autoriza a comercializar livremente com o exterior. Dessa forma, deu-se o golpe mortal na planificação econômica central e no monopólio do comércio exterior. Em maio de 1988, aprova-se a Lei sobre Cooperativas, que facilita o surgimento de um grande número de empresas privadas. Em dezembro de 1988, aprova-se um decreto que legaliza a venda de casas. Nesse mesmo ano, aprova-se uma lei que liberaliza a atividade bancária. Nesse período, dissolve-se o Ministério do Comércio Exterior (que era o responsável pelo monopólio do comércio exterior). Em 1990, no âmbito da Federação Russa, vota-se a Lei sobre Atividades Empresariais, com a qual se libera totalmente a atuação de todo tipo de empresas capitalistas.

Como resultado de todas essas medidas, já em 1989, há 200 mil cooperativas e quase 5 milhões de associados. Em 1994, 50% das empresas já estavam privatizadas e assim a produção não-estatal chegava a quase 60% do PIB.

Em várias oportunidades, nos perguntaram: como é possível que, em 1986, a burguesia tenha retomado o poder se, nesse momento, na URSS, a burguesia não existia como classe? Esse tipo de pergunta leva embutidas três incompreensões. Em primeiro lugar, é preciso entender que a burguesia é uma classe internacional; em segundo lugar, que, na maioria dos casos, a burguesia não governa de forma direta, e sim por meio de seus representantes pequeno-burgueses; em terceiro lugar, é preciso entender que, apesar de na URSS não existir uma burguesia como classe, existia um enorme setor parasitário (a burocracia), com um nível de vida similar ao da burguesia e com íntimas relações com ela, que era aspirante a burguês. Gorbachev era o representante desse setor social e o agente pequeno-burguês do imperialismo e, como tal, era a cabeça mais visível de um novo estado que se propunha restaurar o capitalismo.”

-x-x-x-

Extrato do prefácio, de autoria de Martín Hernández, ao livro "A Revolução Traída", de Leon Trotsky, publicado em julho de 2005 no Brasil pela Editora José Luís e Rosa Sundermann.

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Fonte:http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/gorbachev-o-homem-que-desmontou-a-urss

O vai e vem da licença de Belo Monte

03/03/2011
Do blog de Luis Nassif, via O Eco

Licença parcial de Belo Monte volta a valer

O desembargador Olindo Menezes, do Tribunal Regional Federal da 1a Região, reverteu na tarde desta quinta-feira a liminar que suspendia a licença parcial de instalação da usina de Belo Monte. O magistrado julgou o recurso apresentado nesta semana pelo Iba Advocacia Geral da União (AGU) à decisão tomada no último xx pela Justiça do Pará.

A liminar havia sido obtida por pedido do Ministério Público do Pará que afirma que o empreendimento não pode receber luz verde até que o consórcio Norte Energia cumpra as condicionantes impostas pelo Ibama na emissão da licença prévia, em junho de 2010.

De acordo com comunicado do TRF 1, o "Ibama recorreu ao TRF, alegando que todas as condicionantes que deverão ser observadas no decorrer da implantação e operação do empreendimento são listadas já na licença prévia” (fl. 14), mas “nem todas as condicionantes listadas na licença prévia devem ser cumpridas antes da emissão da licença de instalação”. Diz que a exigência de cumprimento de todas as condicionantes “não se traduz como alteração do procedimento ou dispensa de cumprimento” e que todas elas serão exigidas no momento oportuno."

A derrubada da liminar deve aliviar a pressão sobre os investidores de Belo Monte, já que o BNDES estava proibido de financiar o projeto até o comprimento das condicionantes. Com a decisão desta quinta, o banco estatal, poderá voltar a desembolsar recursos para a execução do canteiro de obras da usina hidrelétrica em Altamira.

O desembargador Olindo Menezes também foi quem julgou recursos do governo em ações que cassavam as licença prévia de Belo Monte em 2010. No dia 20 de junho de 2010 , ele derrubou as liminares que impediam o leilão de venda de energia da usina.

Segundo ele, a liminar em 1a instância "invade a esfera de discricionariedade da administração e usurpa a competência privativa da administração pública de conceder licença de instalações iniciais específicas; no caso, de competência do Ibama."

Uma das últimas decisões de Menezes com relação a temas ambientais também gerou polêmica. Após anos de embargo, ele deu ganho de causa ao pedido do governo para fazer prospecção de petróleo na zona de amortecimento do Parque Nacional de Abrolhos.
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Fonte:http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-vai-e-vem-da-licenca-de-belo-monte

WikiLeaks: Andrea Matarazzo sobre Alckmin

03.03.2011
Do blog de Luis Nassif
Por Stanley Burburinho

WikiLeaks: "Matarazzo: "É claro que Alckmin é da Opus Dei"

"Andrea Matarazzo, reconhecido como "peso-pesado" do PSDB, acreditava que a ligação entre Alckmin e o grupo político de direita Opus Dei era clara, apesar do candidato tucano à presidência sempre negar."

"Como um católico conservador ("é claro" que Alckmin é membro da Opus Dei, apesar das suas negativas, opinou Matarazzo, apesar de não ser um dos líderes do grupo), Alckmin tem uma certa postura direitista no seu estilo de governar, o que ajuda a explicar por que ele tem o apoio de um segmento tão grande do empresariado", relata o telegrama."

"Passo metade do meu dia nessa terra de ninguém", disse ele referindo-se ao centro de São Paulo. Matarazzo era, na época, nada menos que subprefeito da região Sé."

"Alckmin começou o Rodoanel e não terminou", ilustrou o secretário."

"O candidato tucano à presidência em 2002 e 2010 sabia que se Alckmin ganhasse, suas chances de chegar à presidência estariam acabadas aos 64 anos de acordo com Andrea. Diante deste mesmo cenário, o secretário ainda confabula um eventual desligamento de Aécio Neves do PSDB, a fim de nutrir suas aspirações presidenciais."

Matarazzo: "É claro que Alckmin é da Opus Dei"

Posted on 03/03/2011 by Natalia Viana

Por Marcus V F Lacerda

Andrea Matarazzo, reconhecido como "peso-pesado" do PSDB, acreditava que a ligação entre Alckmin e o grupo político de direita Opus Dei era clara, apesar do candidato tucano à presidência sempre negar.

O então secretário de Subprefeituras recebeu o cônsul Christopher McMullen em seu escritório em 14 de junho de 2006.

"Como um católico conservador ("é claro" que Alckmin é membro da Opus Dei, apesar das suas negativas, opinou Matarazzo, apesar de não ser um dos líderes do grupo), Alckmin tem uma certa postura direitista no seu estilo de governar, o que ajuda a explicar por que ele tem o apoio de um segmento tão grande do empresariado", relata o telegrama.

Nesse momento, o telegrama nota que a conversa é interrompida por um telefonema em que Matarazzo trata rapidamente com um líder GLBT detalhes da parada gay de São Paulo.

Terra de ninguém

O ex-embaixador do Brasil na Itália e ex-chefe da SECOM presidencial de Fernando Henrique Cardoso é identificado como sendo descendente de uma das famílias mais ricas do Brasil. "Passo metade do meu dia nessa terra de ninguém", disse ele referindo-se ao centro de São Paulo.Matarazzo era, na época, nada menos que subprefeito da região Sé.

Matarazzo mostrava-se insatisfeito com a escolha de seu partido por Alckmin e personifica bem o choque de culturas existente no PSDB mencionado por Lembo quando McMullen o encontrou em março daquele ano.

De acordo com Matarazzo, Serra tinha uma visão nacional, ao contrário de Alckmin que preferia ater-se a uma perspectiva macroeconômica ortodoxa. De acordo com ele ainda, a reeleição de Alckimin para o Palácio dos Bandeirantes foi conquistada devido a méritos de Mário Covas, que já haveria colocado as contas do estado em harmonia. O já falecido ícone do PSDB, confidenciou Matarazzo, teve Geraldo como seu vice a contra-gosto. "Alckmin começou o Rodoanel e não terminou", ilustrou o secretário.

Matarazzo faz pouco da carreira política de Alckmin que, segundo ele, havia sido prefeito de Pindamonhangaba, deputado federal e vice de Covas. O telegrama observa que o tucano "desatentamente ou por outro motivo" não contabilzou um legislatura como deputado estadual na AL-SP e que nas duas vezes em que Alckmin havia sido eleito para a Câmara Federal, o médico de Pindamonhanagava esteve entre os mais votados do partido.

Serra

Em contraponto a Geraldo, Matarazzo apresenta Serra como um político nacional que já havia sido depudato federal, senador, duas vezes ministros, duas vezes ministro e autor de duas emendas constitucionais. O candidato tucano à presidência em 2002 e 2010 sabia que se Alckmin ganhasse, suas chances de chegar à presidência estariam acabadas aos 64 anos de acordo com Andrea. Diante deste mesmo cenário, o secretário ainda confabula um eventual desligamento de Aécio Neves do PSDB, a fim de nutrir suas aspirações presidenciais.

O baixo-clero do PSDB que apoiava Alckmin teria muita habilidade política na Assembléia Legislativa paulista, mas não em um nível nacional, descreve Matarazzo. Para ele, o "choque de gestão" de Alckmin não significaria nada para o pobre e rural Nordeste. Reforçando suas análises, o magnata apresentou números do crescimento de venda de eletrodomésticos na região.

O telegrama termina com a observação de que, apesar da insatisfação do tucano com a escolha de Alckmin, Matarazzo não mencionou a desistência de Serra frente ao candidato mais jovem mesmo tendo preferência expressiva dentro do partido. Desde que saiu da prefeitura da capital paulista para ser o candidato de seu partido ao governo do estado, havia tornado-se invisível e foi operado de uma hérnia. As pesquisas mostravam que ele seria eleito no primeiro turno e preferiu ser discreto para não abalar o cenário favorável.

http://cartacapitalwikileaks.wordpress.com/2011/03/03/matarazzo-%E2%80%9Ce-claro-que-alckmin-e-da-opus-dei%E2%80%9D/
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Fonte:http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/wikileaks-andrea-matarazzo-sobre-alckmin#more

O PIG sempre vence, no final

03/03/11
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães
O Estado de São Paulo foi fundado em 1875; a Folha de São Paulo, em 1921; O Globo, em 1925; a Editora Abril, em 1950. Esses veículos são coração, cérebro e pulmões da imprensa golpista que finalmente reconheceu que deixou de ser imprensa para se transformar em partido político ao conspirar para estuprar a vontade do povo e implantar a ditadura militar no país.

Esses veículos sobreviveram a todos os governos. Algumas vezes, como na era Lula, perderam o poder de influir nos rumos do país. Dos que ousaram enfrentá-los, só Lula saiu incólume. Getúlio Vargas, por exemplo, foi levado ao suicídio por aquilo que o antecessor direto de Dilma Rousseff suportou estoicamente, uma artilharia incessante e sem limites que chegou a acusá-lo de ter “tentado estuprar” um adolescente e de ser “assassino”.

Não é exagero dizer, portanto, que essas quatro famílias midiáticas sempre estiveram acima das instituições e da própria sociedade. Chegamos a esse ponto porque todos os governos que se submeteram a elas encheram-nas de dinheiro público. Ou alguém acha que Globo, Folha, Veja e Estadão não receberam bilhões de dólares da ditadura que ajudaram a estabelecer e à qual deram apoio quase até o final de seus vinte anos de duração?

Vamos descobrindo, agora, que não havia divergência programática com Lula e que o ódio das famílias midiáticas se deveu apenas ao fato de que ele as enfrentava, dando seguidas declarações de que não se submeteria a elas, nunca tendo tido que almoçar com elas, prestigiá-las ou permitir, por exemplo, que indicassem pessoas para cargos importantes.

O caso de Emir Sader é emblemático no sentido de que é através da chantagem, da venda de “proteção” pseudo “jornalística” a governos que essas famílias se mantêm acima das instituições e da sociedade através dessas tantas décadas – e até século – em que mandam no Brasil.

A desculpa usada para contentar a mídia demitindo Sader, é fraquíssima. Ninguém sabe direito em que contexto ele deu a tal declaração sobre “autismo” da ministra Ana de Hollanda. Com a história que tem, poderia ter sido chamado a uma reunião e convencido a se retratar publicamente. Isso foi feito? Alguém pode dizer que Sader se recusou a fazê-lo? Aliás, vale perguntar se ele sabia que a declaração que deu seria publicada, se não foi enganado.

Até poderia concordar com sua demissão se essa questão fosse esclarecida, mas, pelo que sei, ele nem foi ouvido. Deram-me até uma informação, ainda não confirmada, de que tentou se explicar e não lhe deram chance.

E mesmo que tenha sido dada a Sader a chance de se explicar e de recuar publicamente e ele tenha se negado – o que parece pouco provável que tenha acontecido porque ele já declarou que não foi bem assim, o que quis dizer –, expô-lo à execração pública de ser atacado até pelo Jornal Nacional é um crime contra a história do intelectual. Poderiam ter deixado que pedisse demissão.

Em geral, funcionários eminentes de governos recebem o benefício de pedir demissão para não aparecerem na mídia como demitidos. Até a Erenice Guerra, que se envolveu em suposta corrupção, foi dada essa chance. Demitir Sader pela imprensa, está claro que serviu à sanha vingativa da mídia sua inimiga.

Não vou nem aludir à Máfia americana, quando vende proteção. A imprensa golpista equipara-se às milícias dos morros cariocas que fazem justiçamentos cobrando proteção da comunidade. E quando digo cobrando, é em dinheiro mesmo. Ela cobra, aliás, bem mais, como todo justiceiro. Cobra poder. E, como se vê, consegue. Cedo ou tarde.
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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/03/o-pig-sempre-vence-no-final/

Reajuste do Bolsa Família não compromete áreas sociais, diz ministra

03.03.2011

Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil


Brasília – A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, garantiu que o ajuste anunciado do benefício pago pelo Programa Bolsa Família não comprometerá o financiamento de outros programas sociais de sua pasta.

O ajuste de 19,4% (aumento real de 8,7%, descontada a inflação) incrementará a despesa do Bolsa Família em R$ 2,1 bilhões. Para financiar o ganho do programa, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) terá que remanejar dinheiro de outros programas de assistência social - combate ao trabalho infantil, combate à exploração sexual, ressocialização e inserção no mercado de trabalho.

“Eu queria que vocês não se preocupassem. Essas medidas serão contempladas”, disse Tereza Campello aos jornalistas que a aguardavam na saída da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), onde participou do programa de rádio Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços.

“A nossa ideia é não comprometer nenhuma das áreas estratégicas”, afirmou ao salientar que é possível fazer outros reajustes ao longo do ano, melhorar o desempenho de gastos e economizar recursos de áreas administrativas do ministério.

“Não temos a menor intenção de fragilizar as ações. Ao contrário, vamos intensificar”, assegurou a ministra, referindo-se ao Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), que teve corte em torno de 10%.

O governo prepara para o próximo mês o lançamento de um plano detalhado de erradicação da pobreza. Segundo Tereza Campello, “a situação da criança em vulnerabilidade será contemplada e será uma das prioridades do plano”, garantiu.

O aumento do Bolsa Família é elogiado por especialistas em políticas sociais, mas há a avaliação de que apesar da eficiência do programa, a atuação do governo não pode ser apenas o repasse de recursos para aumentar a renda. “As causas da pobreza não são apenas baixa renda”, afirma Eliane Graça, assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc).

Ela reconhece que o governo está fazendo “uma engenharia complicada” para ajustar o programa, mas “está dando com uma mão e tirando com a outra”. Eliane Graça salienta que o recente ajuste da taxa Selic (segundo aumento consecutivo de meio ponto percentual), referência para os juros da dívida pública, tem efeito maior sobre as despesas do governo do que o incremento do Bolsa Família.

Durante a transmissão do Bom Dia, Ministro, Tereza Campello destacou que o aumento do Bolsa Família permite mais consumo de alimentos e de outros produtos básicos. Lembrou que as famílias com crianças e adolescentes de até 15 anos receberão mais 45,5% de benefício específico. “Estamos falando de renda complementar para evitar a pobreza”, disse.

Com o ajuste, o benefício médio do programa (congelado desde setembro de 2009) subirá de R$ 96 para R$ 115. Os novos valores repassados pelo programa vão variar de um mínimo de R$ 32 a R$ 242, conforme número e idade dos dependentes (a faixa anterior era de R$ 22 a R$ 200).

Mais de 1,3 milhão de famílias beneficiárias do programa, que estão sendo avisadas por meio de extrato, precisam atualizar os dados cadastrais até 31 de outubro nas prefeituras de suas cidades para continuar recebendo o benefício.

Em valores absolutos, o MDS foi o ministério menos afetado com os cortes orçamentários estabelecidos pelo governo e detalhados nesta semana pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento: R$ 22 milhões, de um total de R$ 50 bilhões anunciados como meta de economia do Orçamento Geral da União.

Edição: Graça Adjuto

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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/home;jsessionid=18F15CB5920C8CB31D02AB9120077381?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-3&p_p_col_pos=6&p_p_col_count=7&_56_groupId=19523&_56_articleId=3202630

Luiz Fux toma posse e diz não ter medo de julgar Lei da Ficha Limpa

03/03/2011

Débora Zampier
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Em uma cerimônia disputada, com mais de 4 mil convites expedidos, o ministro Luiz Fux assumiu hoje (3) a 11ª vaga do Supremo Tribunal Federal (STF). A solenidade durou exatos 10 minutos e contou apenas com um roteiro protocolar, mas os cumprimentos começaram por volta das 16h30 e ainda não terminaram.

Perguntado se sente alguma pressão pelo fato de ser o voto de desempate no julgamento da validade da Lei da Ficha Limpa, Fux disse que está tranquilo e pronto para decidir. “Para mim, não tem problema nenhum, trabalho há 35 anos nessa atividade de julgar”. Apesar de não opinar sobre a lei, pois isso poderia invalidar seu voto, Fux já afirmou em ocasião anterior que a lei é um "avanço em prol da moralidade”.

O ministro disse que não se chateou com a ausência da presidenta Dilma Rousseff, responsável por sua indicação. Segundo a assessoria do Planalto, o compromisso não estava na agenda de Dilma e não havia previsão de que a presidenta fosse ao evento. Outra ausência sentida foi a do ministro Joaquim Barbosa, que já não havia participado da sessão do STF ontem à tarde.

Fux foi o primeiro ministro do STF indicado na gestão de Dilma Rousseff. Ele entrou na vaga deixada por Eros Grau após sua aposentadoria, em agosto do ano passado. Fux é o segundo magistrado de carreira a integrar o STF – o único até então era o atual presidente da Corte, Cezar Peluso. O novo ministro já sinalizou que se preocupará em julgar seguindo não apenas a lei, mas a sensibilidade.

A cerimônia foi prestigiada pelos presidentes do Senado, José Sarney, e da Câmara dos Deputados, Marco Maia, pelos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo e da Defesa, Nelson Jobim, pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral e por diversos ministros das cortes superiores, além de magistrados e advogados.

Edição: Lana Cristina

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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/home;jsessionid=18F15CB5920C8CB31D02AB9120077381?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-4&p_p_col_count=7&_56_groupId=19523&_56_articleId=3203285

AGRESTE :Loteiros e trabalhadores do MST indertidam rodovias no interior

02/03/2011
Do Jornal do Commércio

Loteiros e trabalhadores do Movimento Sem Terra interditaram, na manhã desta quarta-feira (2), a PE-103 que liga as cidades de Bezerros a Bonito, no Agreste de Pernambuco.
Os motoristas dizem que frequentemente acontecem acidentes nesta rodovia por causa da grande quantidade de buracos espalhados na PE.

Até às 17h desta quarta, a Polícia Militar estava no local com alguns loteiros que continuam interditando a passagem no local, liberando o tráfego apenas de ambulâncias.
Em contato com o engenheiro reponsável pela PE 103 e PE 109, Romero Torres, ele disse que houve atraso na licitação do projeto das estradas onde estão acontecendo os protestos dos loteiros. Mas garantiu que em 60 dias esse projeto será iniciado.
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Fonte:http://jc.uol.com.br/canal/jc-interior/agreste/noticia/2011/03/02/loteiros-e-trabalhadores-do-mst-indertidam-rodovias-no-interior-259555.php

Ciclistas fazem ato no DF contra impunidade no trânsito

03.03.2011
Do jornal O Estado de S.Paulo
Por Rosa Costa

Manifestantes se reuniram na Esplanada dos Ministérios em protesto contra a possível impunidade do motorista que atropelou vários ciclistas na última sexta, 25

BRASÍLIA - Integrantes da organização não-governamental Rodas da Paz realizaram hoje uma manifestação na Esplanada dos Ministérios, em protesto pela possível impunidade do motorista Ricardo Neis, que na noite de sexta-feira atropelou um grupo de ciclistas em Porto Alegre e de outros condutores que continuam livres, mesmo sendo responsáveis por mortes no trânsito. O senador Paulo Paim (PT-RS) e o deputado José Stédile (PSB-RS) acompanharam o protesto.

Ciclistas e parlamentares fizeram o sepultamento simbólico do Código de Trânsito e do Código Penal.Dida Sampaio/AE

Ciclistas e parlamentares "sepultaram" o Código de Trânsito e o Código Penal no gramado em frente ao prédio do Congresso. O presidente da ONG, Ronaldo Silva, afirma que no Brasil raramente os "assassinos do trânsito" são penalizados. "Os advogados sabem quais são as artimanhas para chegar a esse ponto", alega. "E, acreditem, é possível que esse camarada, que num ato de barbárie e selvageria jogou seu carro contra ciclistas que faziam uma manifestação contra a violência no trânsito, seja totalmente isentado de culpa", prevê.

O mandato de prisão contra Neis, que está internado num hospital recebendo tratamento psiquiátrico, não foi cumprido. Essa situação é considerada por Ronaldo como um sinal de que outro crime de trânsito ficará impune.

Presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH), Paim se comprometeu a incluir no projeto do Estatuto do Motorista, do qual é relator, um capítulo específico com penalidade duras para motoristas infratores. Ele compara seu apoio à manifestação à resposta que a população espera ter ao pedido feito a deputados e senadores para que endureçam e fiscalizem a legislação, cujas brechas livram de punição aqueles que "mataram ou feriram pessoas no trânsito.

"O que ocorreu em Porto Alegre foi quase um filme de terror, um motorista atropelar 16 pessoas pelas costas", lembrou Paim. "E pelo que me contaram os integrantes da ONG, outras pessoas são assassinadas simplesmente porque estavam pedalando", disse.

Vice-presidente da ONG Rodas da Paz, Bethe Davison é mãe do ciclista Pedro, atropelado e morto em agosto de 2006 quando pedalava na Asa Sul, em Brasília. Ela conta que seu filho é o único caso no País em que o atropelador foi julgado por um júri e condenado a seis anos de prisão, em regime aberto. Bethe acha que a pena foi pequena e é por isso que, em vez de cruzar os braços, se diz disposta a lutar para punir outros responsáveis pela violência nas ruas.

"Essa história de mandarem o sujeito (Neis) para um hospital psiquiátrico é para ele ficar impune. Precisamos de leis que penalize esse tipo de crime, não dá mais para suportar", afirmou Bethe.
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Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/geral,ciclistas-fazem-ato-no-df-contra-impunidade-no-transito,687280,0.htm

Luiz Fux toma posse e completa Supremo Tribunal Federal

03.03.2011
Do site do Estadão

Novo ministro (à esq.) durante a cerimônia de posse

Novamente com 11 ministros, o tribunal pode retomar julgamentos polêmicos que dividiram a Corte e aguardavam a posse de Fux. Dentre os temas que devem ser levados ao plenário nos próximos meses estão a extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti e a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa.

Na primeira entrevista que concedeu depois da sua aprovação pelo Senado, Fux elogiou a Lei da Ficha Limpa. Afirmou que a legislação que impede a candidatura de políticos condenados por órgãos judiciários ou que renunciam ao mandato para fugir da cassação valoriza a moralidade público. No entanto, ele não quis antecipar sua posição.

Nesta quinta, após a posse, o ministro foi evasivo ao comentar a expectativa sobre seu voto. "Eu acho que deixaram a expectativa e continuaram na expectativa. Tão logo for convocado estarei pronto para decidir", afirmou.

E acrescentou não se incomodar com a pressão de definir o destino da lei. "Pra mim não tem problema nenhum. Sou juiz de carreira. Trabalho há 35 anos nessa atividade de julgar . Estou tranquilo e, avisando com antecedência, estarei pronto para decidir", disse.
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Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,luiz-fux-toma-posse-e-completa-supremo-tribunal-federal,687350,0.htm

PMDB garante comando do bilionário INSS

03.03.2011
Da Agência Estado
Por JOÃO DOMINGOS

Depois de garantir o comando da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), o que lhe permitirá fiscalizar os fundos de pensão, um feudo do PT, o PMDB garantiu o caixa bilionário do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para Pedro Augusto Sanguinetti Ferreira, ligado ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (Integração).

Sanguinetti, que substitui Guilherme Fernando Scandelai, com ligações petistas, terá R$ 12,14 bilhões para investimentos neste ano, dinheiro que pode ser usado para a abertura de novas agências da autarquia pelo Brasil afora, o que aumenta a visibilidade do partido e retorna em forma de votos. O INSS conta ainda com R$ 275,11 bilhões para o pagamento das aposentadorias e pensões, mas o dinheiro é vinculado a essas funções e não pode ser desviado para outras atividades.

Devagar, o ministro da Previdência, Garibaldi Alves, que é senador pelo PMDB, está preenchendo todos os cargos importantes do seu ministério com nomes ligados ao partido. Ao assumir a pasta, no início do ano, Garibaldi chegou a declarar que a Previdência era um "abacaxi", referindo-se às vinculações das verbas destinadas às aposentadorias e pensões.

Mas seu ministério tem muito mais do que isso. No caso dos fundos de pensão, o PMDB vai não só fiscalizar o patrimônio de R$ 512 bilhões das entidades que cuidam da previdência complementar, como também vigiar os passos dos dirigentes destas entidades, sempre ligados ao PT.
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Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,pmdb-garante-comando-do-bilionario-inss,687346,0.htm

Pela SUA liberdade de expressão

02/03/11
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães


Liberdade de expressão, quanto mal tem sido feito em seu nome. A grande imprensa brasileira, durante o século passado e na primeira década deste, vem esgrimindo com esse direito fundamental do homem para justificar um suposto “direito” que teria de assacar acusações contra governos dos quais não gosta como se fossem fatos, buscando manipular a sociedade para que vote nos políticos de sua preferência.

Este blogueiro, que já começa a trilhar a sexta década da própria existência, passou a vida inconformado com impérios de comunicação que jogaram este país na pior ditadura de sua história e que, até hoje, não passam de porta-vozes dos setores diminutos da sociedade que concentram renda no Brasil como em nenhum outro país civilizado, e que não querem que este seja um país de todos.

Até que, um dia, tomou a decisão de não mais aceitar passivamente que meia dúzia de famílias abastadas, donas daqueles impérios, continuassem manipulando corações e mentes.

No fim do século XX, vislumbrei o potencial da internet de agregar a tantos que imaginava existir e que pensavam da mesma forma. Nos idos de 1998, comecei a recolher endereços de e-mail nas seções de cartas de leitores da imprensa escrita de forma a construir listas de discussão na internet. Nessas listas, tentava fazer o contraponto ao que essa “grande” imprensa publicava para apoiar o desastroso governo de Fernando Henrique Cardoso.

Em 2007, agora blogueiro, passei a exortar leitores a tomarem atitudes contra as bofetadas que todos levávamos diariamente desses meios de comunicação engordados pelo dinheiro público que a ditadura militar despejou nos cofres das famílias midiáticas. Organizei, assim, o primeiro grande ato público contra a mídia em décadas. Desse ato surgiu uma ONG, o Movimento dos Sem Mídia, que, nos anos seguintes, investiria contra esses meios de comunicação não só nas ruas, mas também na Justiça.

Era uma espécie de “bullying” antimidiático, em que espalhávamos críticas contundentes e denúncias incontáveis contra o “jornalismo” dessas mega empresas de comunicação e seus “colunistas” amestrados, mercenários pagos para difamar pessoas públicas na tentativa de aumentarem as chances eleitorais de seus protegidos políticos.

O mesmo que fiz com aqueles impérios de comunicação começou a ser feito com maior freqüência contra meros internautas por congêneres. Essas pessoas passaram a formar correntes que parecem envolver muita gente, mas que, vistas de perto, contam com nem uma dezena de integrantes, ainda que pareçam abrigar a muitos porque se multiplicam escrevendo dezenas de mensagens difamatórias em verdadeiras “cruzadas”.

O que me leva a escrever este texto são manifestações de leitores que, nos últimos dias, vêm dizendo que estão sentindo “medo” de expressar as suas opiniões e se tornarem alvos de mais uma dessas “ondas” que meia dúzia de gatos pingados formaram para intimidar quem queira concordar com uma tese de que discordam.

Jamais me verão gastar esforços contra pessoas comuns, contra meros internautas que contam somente consigo e seus esforços para combater o que se convencionou chamar de “Partido da Imprensa Golpista”. Fiz isso uma vez só, contra um blogueiro que tentava marcar a sua volta à internet incentivando esse “bullying” digital contra outro. E foi para mostrar que qualquer um pode levantar essas ondas.

Não tocaria mais neste assunto se não fossem esses leitores e leitoras que têm se comunicado comigo não só em comentários aqui no blog, mas através de e-mails e até de telefonemas para manifestarem seu desgosto com uma situação em que não se sentem livres para opinar, pois têm medo de se tornarem alvo dessas ondas de bullying digital.

Esses que formam ondas como se estivessem atacando os impérios de comunicação e os partidos de direita que infelicitam este país há décadas incontáveis, não são pessoas sérias. Dizem estar exercendo “direito de crítica”, mas, na verdade, estão patrulhando, insultando pesadamente àqueles que têm opinião diferente, fazendo considerações desairosas sobre as pessoas e não sobre as suas idéias das quais divergem.

Não se pode aceitar isso. Este blog acumulou dezenas de milhares de comentários desde que foi inaugurado, em 24 de maio de 2010, substituindo o meu primeiro blog, o Cidadania.com, que, por sua vez, deixei na internet como registro histórico de importantes momentos da história política deste país, como o do ato público contra a Ditabranda da Folha de São Paulo. Lá, naquele blog, são mais de cem mil comentários de leitores, entre os quais figuram milhares e milhares de críticas ao seu autor.

Você pode discordar de quem quiser. Tem todo o direito de manifestar discordância de suas idéias. Não tem, contudo, o direito de fazer ataques pessoais, considerações insultuosas sobre caráter, sobre espírito democrático, enfim, sobre o alvo de suas suposições.

Quando vir alguém, na internet, escrevendo críticas pessoais a pessoas comuns, saiba que está diante de um oportunista, de alguém que, sob uma desculpa qualquer, ataca cidadãos que não têm concessões públicas, que não são financiados por partidos e que, muitas vezes, lutam duro pela sobrevivência. É muito diferente de atacar uma Folha ou seus colunistas teleguiados, que têm, todos, uma única opinião: a do patrão e a dos políticos seus amigos.

Hoje, você embarca nessas ondas de difamação de pessoas comuns, desencadeadas sob razões meramente subjetivas. Amanhã, o alvo será você. E toda vez em que sentir medo de exprimir a sua opinião, em que preferir não dizer o que pensa para não se tornar alvo de difamadores, saiba que está abdicando do valor mais precioso da cidadania, está abrindo mão da sua liberdade de expressão.

Não permita. Nem mesmo se você discordar da opinião do alvo de difamação, não apóie. Quem sai difamando o autor de uma idéia em vez de combater a idéia em si, é mal-intencionado. Tem interesse oculto. Não é como criticar um colunista de um império de comunicação que opina na mesma direção do patrão o tempo todo. Esse é um mercenário, um pistoleiro. É outra coisa. Ele dispõe de imenso espaço para mentir, difamar e distorcer fatos. E é pago para isso.

Há anos que sou alvo de oportunistas difamadores. No mais das vezes, não dou bola porque é isso o que querem. Mas quando vejo pessoas dizendo que estão com medo de opinar para não se tornarem alvo desses indivíduos inescrupulosos, não posso deixar passar. Só se forma ondas contra grandes poderes, não contra quem só representa a si mesmo. O clichê é inevitável: o sábio discute idéias e o medíocre, discute pessoas.
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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/03/pela-sua-liberdade-de-expressao/

PTB ainda é oposição, garante presidente

03.03.2011
Do jornal FOLHA DE PERNAMBUCO
Por MANOEL GUIMARÃES e IZABELYTA GUERRA
Especial para a Folha

A reunião entre o deputado federal Sílvio Costa (PTB) com dirigentes de partidos nanicos para tratar da eleição de 2012 em Jaboatão dos Guararapes ganhou novo capítulo ontem. Após os vereadores daquele município enviarem uma nota em defesa do prefeito Elias Gomes (PSDB), foi a vez do presidente municipal do PTB, Luiz Carlos Matos, sair em defesa do correligionário. Ele ainda repreendeu os dois vereadores de seu partido - Moisés Francisco e Edson Severiano, o Louro - que assinaram a carta de repúdio a Sílvio Costa.

“O processo democrático diz que quem ganha uma eleição é governo e quem perde vai para a oposição. Em 2008, apoiamos a candidatura de André Campos (PT) para prefeito e Heraldo Selva (PSB) para vice. O PV organizou o Programa de Governo, enquanto o PCdoB fez a oposição mais radical. Mas o projeto do PSDB com o DEM e o PPS foi o vitorioso. Fomos para a oposição, que ainda é a posição do PTB jaboatonense. Se dois vereadores nossos assinaram o documento, isso é uma opinião isolada deles, que não reflete a visão do partido”, alegou Matos.

PSDC

Em nota enviada ontem à redação da Folha de Pernambuco, a presidente da Comissão Executiva Estadual do PSDC, Beatriz Vidal, informou que os dois integrantes da sigla, Gladistone Freitas e Severino Ramos - que participaram do encontro com Costa - “não estão autorizados, ou mesmo credenciados para representar o partido”. A comunicação também ressalta que a legenda, “no município de Jaboatão dos Guararapes, não possui mais representação local, desde que sua Comissão Provisória perdeu sua vigência e não foi mais renovada, portanto o partido só poderá ser representado, validamente, através de sua presidente estadual”.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-politica/624113?task=view

IPVA: Começa prazo para pagamento do imposto

03.03.2011
Da FOLHA DE PERNAMBUCO


Começa hoje o pagamento do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) de parte dos R$ 1,5 milhão de proprietários de veículos pernambucanos. O vencimento vale para veículos com placas terminadas em 1, 2, 3 e 4 ou aqueles que optarem pelo recolhimento em cota única com desconto de 5%. As demais parcelas para estes veículos são em 5 de abril e 5 de maio. Quem ainda não recebeu o boleto de pagamento pode retirá-lo no site do Detran (www.detran. pe.gov.br).

A falha de ontem no Sistema Federal de Processamento de Dados (Serpro), gestor do atendimento informatizado do Detran do Brasil, foi rápida e não atrapalhou o processo de licenciamento de veículos. O Detran de Pernambuco informou, por meio da assessoria de Imprensa, que a paralisação aconteceu no Estado das 10h30 às 12h20, mas só interrompeu temporariamente os serviços de transferência de veículos e emissão de habilitações.

O calendário de pagamentos parcelados segue da seguinte forma: as placas terminadas em 5, 6 e 7 terão seus vencimentos em 15 de março, 14 de abril e 17 de maio. Para os finais 8, 9 e 0, o pagamento deverá ser efetuado nos dias 24 de março, 26 de abril e 26 de maio. A estimativa é de que, este ano, o Estado arrecade R$ 480 milhões com o imposto, sendo que 50% do valor arrecadado é repassado para o município ao qual o veículo é matriculado. Em 2010, o montante recolhido foi de R$ 420 milhões. Para 2011, o valor está com uma redução média de 5,6%, em virtude do preço dos veículos usados (reflexo da redução do IPI oferecida pelo Governo Federal) e a estabilidade dos valores dos automóveis novos.

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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/edicao-de-hoje/624143-ipva-comeca-prazo-para-pagamento-do-imposto

Dilma, o marketing e as mulheres de verdade

01.03.2011

Do blog de Luiz Carlos Azenha

Renata em ação

Mariana em ação

por Luiz Carlos Azenha

A Conceição Oliveira costuma dizer que sou machista.

Observação aceita.

Registro, porém, que estou disposto a aprender.

Mesmo que por motivos pessoais.

Afinal, tenho duas filhas, de 23 e 21 anos de idade.

Há alguns dias, fui à Venezuela.

Com uma equipe formada por duas mulheres: a cinegrafista Renata e a produtora Mariana.

Duas mulheres batalhadoras, cegas diante do “teto de vidro” que se ergue sobre a ascensão profissional das mulheres.

Renata e Mariana não aceitam os limites colocados pelos homens — e mesmo pelas mulheres machistas — à sua ascensão profissional.

Ambas não aceitam ser definidas a partir de seus relacionamentos, ou seja, não aceitam ser “espelhos” de seus namorados/maridos.

Confesso que experimentei o machismo na própria pele, durante a viagem com as duas: muitas vezes, os venezuelanos simplesmente se negavam a “lidar” com as duas mulheres da equipe.

Nunca senti tanta vergonha alheia: quando o motorista de táxi se voltava para o banco de trás, onde eu estava, para tratar de um assunto que dizia respeito ao trabalho da produtora Mariana, eu era obrigado a ser descortês: “Por favor, fale disso com minha chefe, a Mariana”.

Muitos marmanjos se ofereciam para carregar a câmera (que pesa mais de 20 quilos) da Renata. Polidamente, ela se negava a aceitar, como se estivesse dizendo: “Eu faço as imagens e vocês devem se conformar com o fato de que eu determino o que deve ou não ser filmado”.

É por tudo isso que eu acho triste que a presidente Dilma Rousseff tenha escolhido a Ana Maria Braga e a Hebe Camargo como “exemplos” de mulheres brasileiras, neste início de mandato.

As duas, em minha modesta opinião, representam arquétipos de mulheres do século 20. Uma delas faz da cozinha o centro de sua existência. A outra, malufista, sobrevive em função de fofocas sobre a vida de celebridades. Nada mais demodé (demodé é, definitivamente, demodé).

Sinceramente, prefiro a Conceição Lemes e a Conceição Oliveira, colaboradoras deste site; ou a Renata e a Mariana.

Embora, concordo, elas não representem, por associação, um investimento tão bom “de marketing”.

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/dilma-o-marketing-e-as-mulheres-de-verdade.html