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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Brasil não merece o BBB

09.02.2011
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

Estou na sala de estar de casa com a esposa e a neta, de dez anos. Na tela da tevê, um rapagão de quase dois metros de altura e uma garota gorduchinha, ambos lá pelos vinte e poucos anos, protagonizam uma cena lamentável. Insultam-se, dizem palavrões e têm espasmos de verdadeira histeria, com berros assustadores e gritos ininteligíveis.

Precisam ser contidos por outro casal, que parece achar que se atracarão aos socos e pontapés. As imagens confirmam a percepção. Choca um pouco o pensamento de que o rapaz a agrediria – e talvez ela a ele – se não estivessem na tevê, mesmo que pareça que estão prestes a esquecer disso e partirem para as vias de fato.

Digo à minha esposa que não concordo com que a minha neta assista ao programa. E que ela mesma não deveria. Estão se divertindo, porém. Acreditam que é inofensivo. Dizem que já vão desligar, enquanto riem do que vêem.

Não posso culpá-las. Não há nada melhor na tevê aberta e acabaram de lavar a louça do jantar. Estão naquele momento em que as pessoas só querem relaxar e tirar a mente de qualquer coisa séria.

Dirão que é uma deficiência educacional com a minha neta, mas todos sabem que essa é a realidade de milhões e milhões de famílias de todas as classes sociais e regiões do país. Além do que, proibir jovens de fazer alguma coisa só funciona enquanto estão sob os nossos olhares vigilantes. Há que convencê-los do que não devem fazer. E estou tentando, mas não é fácil.

Na escola da minha neta, colegas discutem animadamente sobre o Big Brother Brasil; a enfermeira que cuida da minha filha caçula, moça simples que veio da Bahia sem nada, batalhou e rompeu com a lógica dessas garotas do Nordeste que vinham para São Paulo e se tornavam empregadas domésticas automaticamente, também adora.

A enfermeira já se tornou parte da família. Às vezes até dorme em casa, quando eu e minha mulher temos que sair cedo para o nosso escritório no dia seguinte. Ela adora o BBB. Torce por um dos rapazes marombados e desprovidos de neurônios, que considera “lindo”. Tem 24 anos. É uma moça simples, esforçada, honesta. E minha mulher acha ótimo terem o programa para discutir.

Poderiam discutir uma boa teledramaturgia, por exemplo. Não precisaria ser esse lixo. Mas como não lhes oferecem coisa melhor, então “se viram” com o que têm.

Isso ocorre na residência de um ativista político de esquerda que desde que seus quatro filhos – sendo três deles adultos, hoje – eram bebês prega contra a baixaria na tevê e se dedica à causa da melhora da comunicação no Brasil. Imaginem o que acontece em famílias sem influência política ou intelectual…

Porque é inevitável. É “isso” o que temos na tevê aberta, no Brasil. Baixaria, vulgarização do sexo, bebedeira, ódio, mesquinhez, violência, inveja, desonestidade. Esses são os valores que a tevê aberta, um direito e uma propriedade da cidadania, incute em nossa juventude, em nossa infância e até em faixas etárias mais maduras.

Esse programa, porém, supera tudo o mais que há de ruim na tevê. Sobretudo por seu alcance, mas também pelos exemplos de lassidão dos costumes, do comportamento em sociedade. É um pisotear incessante de valores elevados que a tevê deveria difundir, mesmo que seja por sua condição de concessão pública.

O cinema ou o teatro que as tevês exibem, por exemplo, via de regra, mesmo exibindo comportamentos inaceitáveis, sempre terminam oferecendo a premissa de que o mau comportamento não compensa e de que tem um preço. Programas como o BBB, não. Aqueles dois ignorantes que discutiam com aquela virulência, ganham pelo que fazem. Nem que seja fama.

Quanto daquilo ficará na alma da minha neta? Que influência assistir a esse tipo de comportamento terá nas mentes mais simples? É liberdade de expressão vender a idiotia, a covardia, os maus instintos todos como características de jovens “descolados”?

O país suporta passivamente essa bofetada em sua face em que se consiste cada programa Big Brother Brasil, ano após ano. E, com a queda de audiência no Brasil de um programa que deixou de ser exibido no resto do mundo por falta justamente de audiência, pode-se prever que a apelação da Globo só fará aumentar.

E não há uma mísera autoridade que diga um A.

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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/02/o-brasil-nao-merece-o-bbb/

Governo não deve contratar nem fazer concursos federais, diz ministra

09.02.2011
Do UOL NOTÍCIAS
Da Redação, em São Paulo


O governo federal não deve fazer neste ano contratações, nomeações de aprovados em concursos ou novos concursos públicos.

A má notícia para quem esperava conseguir uma chance no funcionalismo público foi dada pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, durante entrevista coletiva em que ela e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciaram cortes de R$ 50 bilhões no Orçamento do governo neste ano.

Uma parte importante dos cortes, segundo Belchior, foram os gastos com funcionários.

"Pedi um levantamento completo da situação de todos os concursos, mas em princípio, todas as nomeações de aprovados em concursos estão suspensas", disse a ministra.

Mas ela também afirmou que pode haver exceções, com nomeação de funcionários aprovados em caso de necessidade. "Vamos analisar caso a caso, mas o tom geral é a gente ver com bastante cuidado [as contratções] neste ano".

Questionada se haveria novos concursos públicos federais, a ministra disse que provavelmente não. "Se não vou nomear quem já está concursado, concursos novos só vão acontecer após essa análise mais cuidadosa."

Ela disse que na terça-feira ainda assinou a nomeação de cem gestores que já estavam encaminhados e haviam feito curso preparatório. "Aí não é possível segurar esse tipo de coisa. Mas novas contratações vão ser olhadas com lupa."
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Fonte:http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2011/02/09/governo-nao-deve-contratar-nem-fazer-concursos-diz-ministra.jhtm

Assalto à casa do ex-chefão da Segurança

09.02.2011
Do blog de Altamiro Borges
Por Altamiro Borges


Na semana passada, as emissoras de rádio e televisão fizeram um enorme alarde com a redução do número de homicídios em São Paulo. A notícia era positiva, mas não justificava tamanha dose de bajulação. Parecia até programa do PSDB em rede nacional de rádio e TV. Só que o mundo é cruel e, poucos dias depois, a própria casa do ex-secretário de Segurança Pública do Estado, Saulo de Castro Abreu Filho, foi alvo de um violento assalto – o que arranha a propaganda sobre a “paz” reinante em São Paulo.

Na segunda-feira (7), quatro homens renderam mulher e filha de Saulo de Castro por volta das 20h30, quando elas chegavam em casa, no bairro de Pinheiros, zona oeste da capital. O tucano, que hoje ocupa a Secretaria de Transportes do Geraldo Alckmin, estava na residência e também foi feito refém por cerca de meia hora. Os três não foram agredidos, mas ficaram o tempo todo deitados no chão. Os assaltantes fugiram no carro da família, levando computadores, celulares, jóias e dinheiro.

“Extermínio e criminalização da pobreza”

Saulo de Castro foi secretário de Segurança Pública de São Paulo durante cinco anos, de 2002 a 2006. Antes disso, em 2001, foi presidente da antiga Febem, atual Fundação Casa, que abriga menores infratores. Neste período, ele ficou conhecido como “durão’, implacável, sendo bastante badalado pela mídia demotucana. Sempre apresentava dados otimistas sobre a segurança pública, com ampla repercussão na imprensa.

Segundo levantamento da assessoria do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo, intitulado “diagnóstico da gestão tucana”, a situação da segurança no Estado não justifica tanta euforia – apesar dos recentes dados sobre a queda de homicídios. Em 2008, por exemplo, ocorreram 24 chacinas em São Paulo, com 82 mortos. No total daquele ano, 431 pessoas foram mortas por policiais. O PSDB aplicaria uma “política de extermínio e criminalização da pobreza”, em que “os jovens são as maiores vítimas”.

Jovens são as maiores vítimas

“O Cemitério São Luiz, localizado na zona sul da capital, carrega o estigma de ser o local com maior número de adolescentes sepultados por metro quadrado no mundo”, descreve o documento. Ele acrescenta, ainda, que “a atuação violenta da PM contra movimentos de moradores da periferia está se tornando rotina em São Paulo”, mencionando os casos da “operação saturação” na Favela Paraisópolis e da repressão à comunidade do Jardim Filhos da Terra, ambos em 2009, na capital paulista.

A pesquisa prova que as periferias das grandes cidades viraram um inferno, totalmente desamparadas. Além da repressão policial, os moradores são alvos de grupos de extermínio, como o “highlanders”, esquadrão da morte integrado por policiais do 37º Batalhão da PM, atuante durante o governo Serra. “Sua marca era cortar cabeças e mãos das vitimas para impedir sua identificação”. Essa violência, porém, não aparece nas manchetes da imprensa. O tema só ganha destaque quando é para badalar a gestão tucana ou para noticiar o assalto à casa do ex-chefão da Segurança Pública.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/02/assalto-casa-do-ex-chefao-da-seguranca.html

Minha vida no corredor da morte

04.02.2011
Da REVISTA FÓRUM
Por Wilbert Rideau

Absolutamente nada de nossa vida anterior pode nos preparar para viver em um corredor dos condenados à morte. A pessoa é como um repolho em uma horta: plantado, forçado a levar uma existência estática durante a qual um dia é igual ao outro e ao seguinte.

Absolutamente nada de nossa vida anterior pode nos preparar para viver em um corredor dos condenados à morte. A pessoa é como um repolho em uma horta: plantado, forçado a levar uma existência estática durante a qual um dia é igual ao outro e ao seguinte. Só que, ao contrário do repolho, essa vida não tem propósito algum. A pessoa é apenas um número que ocupa um lugar e aguarda a vez para ser levada à câmara onde será executada. Até chegar esse dia o sofrimento será perpétuo.

No dia 11 de abril de 1962 apanhei, fui algemado e levado para o corredor da morte na prisão de Louisiana, onde havia outros 12 homens vivendo nas 15 celas do local. As baratas fugiram em todas as direções nem bem entrei na cela número 9, que tinha o tamanho de um banheiro: aproximadamente 1,80 por 2,40 metros.

A vida em espaço tão pequeno só podia ser de contínua inquietude e incômodo. Havia lugar apenas para alguns movimentos físicos deitado, agachado ou de cócoras, não dava para exercitar adequadamente todos os músculos do corpo. Permitiam que saíssemos da cela por apenas 15 minutos duas vezes por semana para tomar uma ducha. Passamos anos dessa maneira, sempre dentro da prisão, sem ver nem mesmo a luz do Sol.

Pior do que o tributo físico exigido de nossos corpos era o que cobrava de nossas mentes. O corredor era todo alvoroço e confusão, um coro infindável de descarga de banheiro, de maldições gritadas de uma cela para outra por condenados inimigos entre si, de disputas triviais sobre virtualmente nada, de aparelhos de rádio com volume no máximo para competir uns com outros. A maior parte desse pandemônio era provocada pela enlouquecedora monotonia, o profundo tédio, a grave marginalização emocional e a carência de normalidade como marco de referência para as vidas dos detentos.

Éramos como animais humanos em um dos zoológicos ao velho estilo, antes de entender-se que era desumano confinar grandes animais em uma estreita jaula. E como o tigre que obsessivamente se move de um lado a outro em sua jaula de grades, nós passeávamos pelo pequeno pedaço de chão além de nosso catre. Em determinadas ocasiões, um homem, por estratagema, podia bater sua cabeça contra as barras de aço e a perda de suficiente sangue podia provocar sua ida para o hospital destinado a criminosos psicóticos, onde as condições são melhores e o rótulo de doente mental adia a execução.

No corredor da morte éramos um grupo heterogêneo com pouco em comum, salvo que todos haviam cometido um crime. Estávamos amontoados e desprovidos pela vida das pequenas satisfações ou gentilezas que nos sustentam no mundo exterior. As pessoas raramente pensam no lado positivo das triviais intercomunicações sociais de todos os dias que enchem nossas vidas, por exemplo, com o empregado do armazém que nos cumprimenta ou com os companheiros de trabalho ou os encarregados da limpeza de nosso emprego, com os quais habitualmente mantemos pequenas conversas. Essas relações sociais aparentemente insignificantes são parte do pagamento que nos mantém todos juntos, que nos faz saber que temos um lugar no mundo. Se isso nos é tirado, e além do mais, como ocorre frequentemente, somos abandonados por amigos e familiares, podemos nos sentir à deriva.

É isso que acontece no corredor dos condenados à morte. Ali se perde o senso de um ser próprio como parte de um contexto no qual seu ser tem senso de existir. Por outro lado, no corredor começa-se a lutar para manter sua sensatez. Deve-se estar em guarda contra o pensamento mágico, ou seja, a tentação de abandonar-se a uma irracional crença de causa-efeito, como a de acreditar que um juiz anulará a sentença que nos condenou se nosso horóscopo continuar mostrando que as estrelas estão alinhadas favoravelmente. No pavilhão da morte, onde as coisas não têm sentido, nossa mente trata de dar significados a nada, o que pode nos levar a confundir fantasia com realidade. Além de lutar para não enlouquecer, cada dia se deve justificar sua existência de si mesmo, justificar o motivo de continuar vivendo quando simplesmente está esperando a morte, quando o mundo inteiro deseja nossa morte.

Fui salvo pelos livros. Voltei-me a eles apenas para matar o tempo e dar à minha mente algo a que se apegar para não enlouquecer. Depois, comecei a comprovar que a leitura me ligava com o mundo de um modo muito mais positivo do que antes. Gradualmente, cresci, amadureci e me livrei da ignorância que me levara ao corredor da morte. E não fui o único. A maior parte dos detentos no corredor da morte começou ler ou a estudar ou a manter correspondência com bons samaritanos, o que os fez melhores do que antes, quando haviam cometido as piores ações de suas vidas.

Diariamente me dou conta do quanto sou afortunado por ter saído vivo do corredor da morte. Mas Stanley “Tooki” Williams não teve a mesma sorte que eu: cofundador da primeira gangue de rua criminosa de Los Angeles, The Crips, ele se reformou na prisão e escreveu livros para convencer os jovens a não seguirem seus passos e dissuadi-los de integrar gangues. Isto não teve importância: as autoridades da Califórnia o executaram em 2005 depois de ter passado 25 anos no corredor da morte. Para o Estado, Tookie era menos que um repolho em uma horta. Envolverde/IPS

*Wilbert Rideau é autor do best-seller “No lugar da justiça: uma história de presídio e redenção”. Durante sua permanência no corredor da morte dedicou-se ao jornalismo e ganhou alguns dos mais destacados prêmios de jornalismo dos Estados Unidos.

Fonte ENVOLVERDE: http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=86414&edt=1

Foto Flickr: http://www.flickr.com/photos/sofidofi/2417149471/sizes/z/
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Fonte:http://www.revistaforum.com.br/noticias/2011/02/04/minha_vida_no_corredor_da_morte/

Emir Sader: Mudou Lula ou mudou o FSM?

08.02.2011
Do blog de Renato Rovai


Na reunião do Comitê Internacional do Fórum Social Mundial de 2001 com Lula, este foi duramente interpelado por todas as intervenções, seja sobre o papel do Brasil na OMC, sobre as relações do governo brasileiro com as empresas de agronegócios, seja pelo lugar do governo na polarização politica mundial.

Neste Fórum de 2011, Lula foi aclamado como ninguém, aparece como um grande líder de projeção mundial. Naquela que deveria ser a reunião correspondente à de 2001, com o Ministro Secretario Geral do governo, Gilberto Carvalho, ninguém levantou nenhum questionamento – nem sobre Belo Monte, São Francisco, OMC, Haiti ou qualquer outra questão -, ao contrario, houve enorme congraçamento, especialmente entre ONGs e governo.

Mudou Lula e o governo brasileiro ou mudou o FSM?

Ambos mudaram. Basta dizer que a abertura deste FSM teve apenas duas intervenções – a do presidente da Bolívia, Evo Morales, e a do Ministro do governo Dilma, Gilberto Carvalho. Isto é, ao contrário dos Foros anteriores, incluído o de Belém, em que a presença de 5 presidentes latino-americanos teve que encontrar um espaço paralelo à programação do Fórum, desta vez dois representantes de governo ocuparam lugar central e – tirando a corda excessivamente para o outro lado – nenhum movimento social falou na abertura do FSM.

De qualquer maneira avançou-se de uma atitude de exclusão de governos, partidos, políticos, para a incorporação de representantes de governos progressistas da América Latina no corpo mesmo do FSM. Certamente mudou a situação politica e isto representa um reconhecimento de que os governos progressistas da América Latina estão construindo o outro mundo possível.

Lula, antes objeto de grandes críticas, aparece como um grande líder dos povos de Sul do mundo, engajado na construção de um mundo multipolar, na critica dura à dominação do mundo pelas potencias tradicionais, na crítica à forma como os países do centro do capitalismo geraram a crise atual e não conseguem sair dela, por se manterem no marco das posições neoliberais.

Mas certamente também mudou o FSM. Se vê uma participação relativamente menor dos movimentos sociais e mesmo das próprias ONGs. A situação destas ficou mais explicita em intervenções na reunião com Gilberto Carvalho, onde representantes das ONGs expressaram a crise financeira que as afeta, além da visão de que nunca teriam sido antigovernamentais, mas contra governos neoliberais e aceitando a proposta do governo de uma comissão permanente de intercambio entre o governo do Brasil e o Comitê Internacional do FSM.

É bom que seja assim, mas sempre que o FSM fortaleça a presença dos movimentos sociais – sua forma central de existência.

Lula tampouco é o mesmo de 2003. Seu discurso foi se desenvolvendo conforme o mundo foi mudando e, com ele, a politica externa brasileira foi se tornando mais abrangente. O diagnostico da crise feito por Lula aponta para responsabilidades centrais das potencias capitalistas e sua forma de resgatar aos bancos, mas não a economia dos seus países e a massa da população – vitimas diretas da crise.

O Brasil foi desenvolvendo uma estratégia internacional centrada nas alianças com os países do Sul do mundo – sela na América do Sul, assim com os Brics -, trabalhando na direção de um mundo economicamente multipolar. Da mesma forma que o Brasil foi incorporando temas como a questão palestina e o conflito dos EUA com o Irã, no entendimento de que outros atores deveriam intervir, não apenas para buscar evitar novos focos de guerra, mas também para desarticular focos existentes, com soluções que contemplem todas as partes envolvidas.

São todos temas caros ao próprio FSM, que não teria mesmo como não se alinhar com os governos progressistas latino-americanos que, mesmo com matizes distintos, buscam a construção de alternativas ao neoliberalismo.

Desse ponto de vista, o Fórum de Dacar foi um avanço na superação das barreiras artificiais entre forças sociais e forças politicas, entre resistência e construção de alternativas. Pela evolução do FSM e de Lula foi possível a passagem das diferenças e dos conflitos de 2003 à convergência de 2011.

O próximo – que, ao que tudo indica, será realizado em Porto Alegre – pode permitir uma formatação distinta, talvez colocando no centro mesmo do FSM a relação desses governos com os movimentos sociais, especialmente nos temas em que existem diferenças e tensões – como as questões do meio ambiente, da reforma agrária, da exploração dos recursos naturais, da democratização dos meios de comunicação, entre outros. Assim o FSM assumiria um formato adequado às condições atuais de luta pela superação do neoliberalismo, que representam uma vitória das teses defendidas desde sua origem pelo Fórum e que, por isso mesmo, demandam a atualização de suas formas de existência, para estar à altura dos desafios atuais da construção do outro mundo possível.
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Fonte:http://www.revistaforum.com.br/blog/2011/02/09/emir-sader-mudou-lula-ou-mudou-o-fsm/

Desmascarando Augusto Nunes

Por Eduardo Guimarães

Quem quiser entender por que um comerciante que jamais militou em partidos, sindicatos ou em qualquer outro tipo de corporação ou grupo de interesses cria um blog, funda uma ONG e chega a gastar nas atividades parte do tempo que deveria destinar ao trabalho pela sobrevivência, basta ler o que o colunista da Veja Augusto Nunes escreveu em seu blog.

Mas, antes, um aviso: cuidado com o coração, caso você seja cardíaco e tenha vivido no Brasil entre 2001 e 2002. Aliás, mesmo se não for cardíaco, não sei bem se é bom arriscar tal leitura. Pode propiciar um mau momento para você descobrir que sofre do coração…

Todavia, se por sua conta e risco você quiser se expor ao lado mais obscuro do ser humano, leia mesmo este post. Há pouca coisa na praça capaz de revolver de forma similar o estômago de qualquer ser humano com sangue nas veias e miolos na cabeça. Trata-se de um show de antijornalismo protagonizado por alguém que se diz jornalista.

O que, nessa leitura, fere a sensibilidade de qualquer pessoa decente é que um jornalista de um grande meio de comunicação como a Veja está obrigado, primeiro, a ser isento – ou a tentar parecer isento. Não é como editor deste blog, que não tem qualquer compromisso desse tipo porque apenas expressa a sua opinião sem ganhar um centavo para isso.

Em seguida ao artigo de Nunes, segue o que dizia a Folha de São Paulo em 20/10/02 e em 01/07/01, em dois raros momentos em que fez jornalismo em toda a sua história. Os textos, insuspeitos de serem “petistas”, mostram a falta de vergonha na cara do colunista da revista mais vendida do país – com trocadilho, é claro.

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Do blog do colunista da Veja Augusto Nunes

07/02/2011

O apagão do Nordeste iluminou a face enrugada do governo que já nasceu velho

O Dicionário da Língua Portuguesa/Acordo Ortográfico informa queapagão quer dizer “interrupção provisória do fornecimento de eletricidade a uma dada região”. Na madrugada de sexta-feira, oito Estados do Nordeste atravessaram a madrugada na escuridão. Houve um apagão, certo? Errado, repetiu nesta segunda-feira o ministro Edison Lobão. Cabelos e sapatos engraxados com igual capricho, voz de apresentador de circo, o canastrão maranhense recitou a fala que lhe coube no ato mais recente da ópera dos farsantes: “Não houve apagão. Houve interrupção provisória de energia elétrica”. Quer dizer: embora tenha ocorrido seu significado, o substantivo não aconteceu.

O que ainda esperam os jornalistas para atirar pilhas de dicionários sobre a figura bizarra?, estaria perguntando Nelson Rodrigues. O que há com a imprensa que finge enxergar um ministro de Minas e Energia onde só existe o capataz do latifúndio mais produtivo da capitania explorada pela Famiglia Sarney? Num país sério, um Lobão seria despejado do gabinete no meio da primeira frase cretina. No Brasil da Era da Mediocridade, é outro reincidente sem medo ─ e cada vez mais atrevido. Já não gagueja quando conta que, entre tantos assombros, o apagão foi expulso do país por Lula e proibido definitivamente por Dilma de dar as caras por aqui.

Submisso a todos os governos desde que se apaixonou pela ditadura militar, Lobão estreou no papel de doutor em eletricidade em novembro de 2009, escalado por Lula para justificar o blecaute que afetou metade do Brasil. Numa entrevista coletiva inverossímil, surpreendeu a nação com a versão espantosa: ocorrera apenas a paralisação da usina de Itaipu, provocada por trovões que ninguém ouviu e raios que não caíram. Até então preocupada só com a própria imagem, a candidata que foi ministra de Minas e Energia entre 2003 e 2005 enfim se animou a entrar no picadeiro. “Nós também temos uma outra certeza de que não vai ter apagão”, declamou. E o apagão da véspera?, intrigou-se uma jornalista. “Não confunda apagão com blecaute, minha filha”, irritou-se Dilma Rousseff. Outra que merece uma tempestade de dicionários. Não sabe que apagão e blecaute são sinônimos. Ou finge não saber, o que é a mesma coisa.

“Apagão foi o do Fernando Henrique”, ensinou. Errou de novo. Em 2001, o que houve foi racionamento de energia, decretado para evitar um grande e demorado apagão. Ao compreender que a insuficiência de água nos reservatórios, a falta de chuvas e a escassez de investimentos se haviam conjugado para levar o sistema à beira do colapso, FHC fez um corajoso pronunciamento em rede nacional de TV. Reconheceu os erros cometidos, não se intimidou com o desgaste político resultante do racionamento, transformou a questão em prioridade absoluta e encarregou uma força-tarefa da busca de soluções. Entregou a Lula um país iluminado. O sucessor repassou-o na penumbra.

A escuridão que castigou 46 milhões de nordestinos iluminou a face enrugada de um governo que já nasceu velho. Tem tanto apreço pela verdade quanto Lula, e está ficando ainda mais parecido com Sarney. A exemplo do registrado em 2009, o apagão deste fevereiro avisou, aos berros, que o sistema elétrico está em decomposição. Os equipamentos são obsoletos, faltam investimentos, sobram administradores ineptos. Se fosse mais que um apêndice de Lula, Dilma já teria internado o paciente na UTI. Em vez disso, ratificou a opção preferencial pela mentira feita pelo padrinho há oito anos. E reencenou o espetáculo da vigarice, protagonizado pelo mesmo ministro que Sarney nomeou.

“O sistema é robusto, é muito bom e é moderno”, fantasiou Lobão. “Não há no mundo nada mais moderno que o sistema brasileiro”. Não pode ser robusto nem muito bom um sistema que, segundo dados oficiais, registrou 91 apagões de menor calibre só em 2010 ─ um aumento de 90% em relação a 2008. Não pode ser moderno um setor controlado pela Famiglia que há 50 anos atormenta o Maranhão com o recorrente assassinato do futuro.

Em 2009, ao celebrar a erradicação dos apagões, Dilma resumiu o segredo do milagre. “É que nós, hoje, voltamos a fazer planejamento”. Na sexta-feira, ela consumou o que vinha planejando faz tempo. Depois de prometer valer-se do critério do mérito para compor o primeiro e o segundo escalões, resolveu afastar do setor elétrico o que restava da turma do deputado Eduardo Cunha. E entregou ao bando de José Sarney o controle completo do Ministério de Minas e Energia.

É como afastar o Comando Vermelho para que o PCC governe sozinho um território sem lei.

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FOLHA DE SÃO PAULO

20/10/2002

AGENDA DA TRANSIÇÃO

País sofre com o apagão e indeniza as distribuidoras

Foram nove meses de redução compulsória do consumo de luz, seis deles com corte de 20% nas residências e de até 35% nas indústrias; antes, o único racionamento importante no país após os anos 50 havia sido restrito ao Nordeste, em 87/88

CHICO SANTOS
DA SUCURSAL DO RIO

O governo do presidente Fernando Henrique Cardoso foi responsável pelo primeiro racionamento de âmbito nacional (exceto o Sul) da história moderna da energia elétrica no Brasil (pós-Furnas). Junto com o Plano Real (iniciado no governo Itamar Franco), foi o fato que mais afetou o cotidiano dos brasileiros nos últimos oito anos.

Além de terem sido obrigados a gastar menos luz, os consumidores, ao final do episódio, foram obrigados a cobrir, via aumento de tarifa, as perdas das empresas de energia com a redução forçada dos seus faturamentos.

Foram nove meses de redução compulsória do consumo, seis deles com corte de 20% nas residências e de até 35% nas indústrias. Antes, o único racionamento importante ocorrido no país após os anos 50 havia sido restrito ao Nordeste, no período 87/88.

De acordo com especialistas do sistema elétrico, a escassez foi precipitada pela combinação do atraso nas obras da hidrelétrica de Itaparica (complexo de Paulo Afonso) com a demora na conclusão da interligação Norte-Nordeste, que levaria energia de Tucuruí para o Nordeste.

O apagão, como ficou conhecido o último racionamento, começou no dia 4 de junho do ano passado e se estendeu até o dia 28 de fevereiro deste ano, com abrandamento das metas a partir de 1º de dezembro. A insuficiência de investimentos em geração e transmissão de energia foi sua principal causa.

De acordo com levantamento do engenheiro e economista Maurício Tolmasquin, da Coppe-UFRJ (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro), os investimentos caíram de uma média anual de R$ 13 bilhões de 80 a 89 para R$ 7 bilhões/ano de 90 a 98.

O estudo constatou também que o menor volume de investimentos ocorreu no primeiro mandato de FHC (1995-1998), ficando em R$ 5,3 bilhões anuais, contra R$ 6,4 bilhões no governo Itamar Franco e R$ 8,9 bilhões no governo Fernando Collor. Os estudos técnicos apontavam para uma necessidade anual de R$ 10 bilhões ao longo dos três governos.

Um trabalho encomendado pelo governo à empresa de consultoria Coopers & Lybrand, concluído em outubro de 1996, ao custo de US$ 10 milhões, já alertava para o risco de falta de energia elétrica no final dos anos 90.

O documento, que não teve publicidade na época, recomendava medidas que foram tomadas durante o racionamento do ano passado, como a criação de um órgão à semelhança do “ministério do apagão”, como ficou conhecida a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica, presidida pelo ministro da Casa Civil, Pedro Parente.

A privatização do setor elétrico começou mais de um ano antes do alerta, em julho de 1995, com a venda da Escelsa (Espírito Santo Centrais Elétricas), empresa federal de distribuição de energia.

Em 1996 foi vendida a Light, distribuidora federal do Rio, e em 1998 foi a vez da Gerasul (sul do país), única geradora estatal privatizada. A partir de 1996 foi vendida a maior parte das distribuidoras estaduais, mas a privatização das grandes geradoras federais (Furnas, Chesf e Eletronorte) ficou emperrada.

Para o físico Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe-UFRJ, “há uma relação direta, causal entre o apagão e o programa de privatizações”. Para ele, ao decidir criar um mercado de energia elétrica e privatizar as empresas, o governo passou a restringir os investimentos das geradoras estatais.

“Entregou-se a gestão da energia elétrica ao setor macroeconômico do governo”, disse. Segundo Pinguelli, o dinheiro das estatais do setor passou a ser usado para fechar as contas do governo, e as empresas privadas não investiram porque o setor público não definiu as regras para esses investimentos.

O físico defende para o setor elétrico um modelo no qual se combinem investimentos públicos e privados, dentro de regras que considerem a energia um serviço público, com obrigações claramente definidas para seus participantes.

Outro especialista, o engenheiro Adriano Pires Rodrigues, também da Coppe, tem ponto de vista diferente. Para ele, “a falta de privatização gerou o apagão”. Rodrigues diz que o governo pecou por falta de planejamento.

Os problemas, na sua avaliação, começaram com a venda das distribuidoras antes das geradoras. Prosseguiram quando o governo interrompeu as vendas de estatais, temendo a elevação de tarifas e a consequente inflação, e ficou esperando que o setor privado investisse no lugar das estatais. “Deram o azar de vir uma seca, e o resultado foi o apagão”, conclui.

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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/02/desmascarando-augusto-nunes/

A Globo e o porteiro

08.02.2011
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

Quem assistiu ao Jornal da Globo do primeiro dia útil desta semana deve ter passado por várias emoções seguidas, entre o começo e o fim da primeira matéria daquela edição do telejornal. A expressão do rosto do âncora Willian Waack ao anunciar uma “difícil realidade” no mercado de trabalho, foi desanimadora. Mas só até assistir à matéria que sobreviria.

Saí para comprar cigarros no início da madrugada desta terça-feira e eis que flagro o porteiro do meu prédio assistindo, em sua TV portátil, à abertura do telejornal. Em vez de ir direto à jaula em que a pessoa fica presa para entrar ou sair de um condomínio que também é cercado por fios elétricos de alta tensão, sendo dotado de um aparato de segurança digno de campo de concentração, acheguei-me a ele, como que prevendo o que viria pela telinha.

Entra a locução de Waack:

Pleno emprego e baixa taxa de desemprego são números positivos que escondem uma difícil realidade (…)”.

Uau! O que é que viria por ali, pensei. Talvez uma denúncia sobre aviltamento das condições de trabalho, apesar do “pleno emprego” que passaria a ser comentado.

Só poderia ser isso, porque “difícil realidade”, para mim – e, como se verá a seguir, também para o porteiro do meu prédio –, era quando não havia emprego e os patrões podiam escolher até engenheiros para trabalhar como lixeiros – alguém se lembra das reportagens da Globo sobre pessoas formadas que, na era FHC, entravam em filas para se candidatar a vagas de lixeiro?

A denúncia sobre a tal “difícil realidade”, porém, não dava conta de qualquer aviltamento das condições de trabalho. Muito pelo contrário, informava o telespectador de que estão melhorando as condições de trabalho oferecidas pelos patrões em praticamente todos os setores da economia, com oferta de melhores salários e maiores benefícios.

E continuava a locução desanimadora do âncora Waack:

“(…) a dificuldade para achar trabalhadores qualificados leva as empresas a uma disputa que emperra o crescimento da economia”.

Entra a locução da segunda âncora do telejornal, Cristiane Pelajo:

Esse é um dos problemas do mercado de trabalho brasileiro que o Jornal da Globo começa a tratar agora na série Emprego”.

A reportagem não mostra problema nenhum. É até bem feitinha, aliás. Mostra uma situação dourada na economia brasileira. Situação que um homem da minha idade, já na quinta década de vida, jamais vira neste país.

Leia ou assista, abaixo, a reportagem do Jornal da Globo que revela um país em que o trabalho se valoriza porque, agora, o empresariado não pode mais contratar pelo salário que quer, mas pelo salário que o trabalhador aceite. Em seguida, apresento a conclusão que o tal porteiro verbalizou sobre a “difícil realidade” brasileira.

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JORNAL DA GLOBO

7 de fevereiro de 2011

Empresas têm dificuldade para encontrar trabalhadores qualificados

No Brasil, o desemprego está numa baixa histórica. Mas nem sempre quem está atrás de uma vaga tem o perfil para ser contratado. Faltam quantidade e qualidade no mercado de trabalho.

Fábio Turci

São Paulo, SP

A sinfonia de um país funcionando. Quanto mais trabalhadores fazendo o seu barulho, mais o conjunto é afinado. Nos últimos oito anos, o Brasil nunca teve tanta gente no ritmo como agora.

O desemprego está numa baixa histórica e as empresas continuam contratando. Em São Paulo, o Centro de Solidariedade ao Trabalhador tem 18 mil vagas.

“Dezoito mil vagas abertas é um numero bastante significativo comparando com os anos anteriores, nossa media era 10 mil, 12 mil vagas, então tivemos um boom de junho pra cá”, explica a gerente de atendimento ao trabalhador, Izilda Leal Borges.

“Está tendo muita oportunidade de trabalho, tem pessoas que estavam muito tempo parada e conseguiu emprego rápido”, diz a cabeleireira Tatiana Bezerra da Silva.

“O Brasil está vivendo esta situação de pleno emprego pelo fato de estar abrindo muitas oportunidades de trabalho, muitos empregos novos em áreas novas, em regiões novas, atividades novas e estão absorvendo as pessoas que se dispõem a trabalhar”, explica o professor de relações de trabalho da Fea- Usp, José Pastore.

É o atestado de que uma economia vai bem. Mas o pleno emprego também desafia a capacidade do país de produzir mão de obra.

De um lado, as empresas seguem crescendo e abrindo vagas. De outro, uma pequena parcela da população ainda está desempregada e quer trabalhar. Mas a conta não fecha – nem com os jovens que estão chegando. Isso porque nem sempre quem está atrás de uma vaga tem o perfil pra ser contratado. Por exemplo, uma empresa precisa de uma secretária. Aparecem poucas candidatas. Uma não fez o curso, a outra não fala inglês, a terceira não tem experiência. Falta quantidade e qualidade no mercado de trabalho.

“Tem gente que não está conseguindo emprego mesmo com tanta oferta. Quem não consegue emprego é porque não tem qualificação”, explica Izilda.

“Mesmo numa situação de pleno emprego, há muitos casos em que as empresas não conseguem contratar o profissional adequado para a atividade a ser desempenhada. O Brasil está neste caso em vários setores e várias profissões”, avisa José Pastore.

Uma área comercial de São Paulo resume o que acontece hoje no mercado de trabalho brasileiro. Tem muita empresa precisando de funcionário. Agora, pra encontrar a pessoa certa…

“Eu precisava de pessoas com experiência, só que eu não encontro ninguém, então agora o meu objetivo é qualquer pessoa que queira trabalhar não importa que tenha experiência”, afirma a dona de padaria Dina Matias.

Três meses procurando um manobrista e um projetista de cozinhas e nada. “A impressão que nós temos é que a maioria deles estão empregados, estão trabalhando e só há mobilidade quando um deles sai de uma empresa e quer mudar ou quer ir pra outro lugar”, conta o gerente de loja Ricardo Montanha.

Mas isso, pra economia do país, é uma conta de soma zero. Resolve o problema de uma empresa, mas cria um problema pra outra.

“Nosso encarregado de obras foi capturado por outra construtora e isso acontece não só com encarregado, está acontecendo com várias outras funções dentro da empresa e isso está dando um problema muito sério na produtividade das obras em geral”, justifica o diretor técnico da construtora Milton Bigucci Junior.

Quando visitamos a obra de um prédio residencial, o azulejo já devia ter sido colocado até o 15º andar – o último. Estava no 6º. O gesso era pra estar pronto até o 8º andar. Não tinha passado do 3º.

Como não consegue segurar todos os funcionários, a construtora reformou o cronograma.
Pra evitar atrasos, as novas obras vão começar seis meses antes do habitual.

“Nós iniciamos a obra antes tendo a certeza que nós vamos perder alguém no caminho, não é uma previsão, é uma certeza, porque essa demanda está muito alta e tende a aumentar na nossa opinião”, fala Milton.

Encontramos empresas que foram vencidas pelo cansaço. Uma delas, no interior de São Paulo, precisa de um operador de máquinas. Procurou por seis meses. Desistiu. O trabalho é operar uma beneficiadora – que separa o milho das impurezas.

“Nós testamos algumas pessoas, mas eles se encaixam como auxiliar de serviços gerais, mas como operador mesmo, que possa assumir as responsabilidades que esses equipamentos exigem e o grau de risco também nós infelizmente não conseguimos”, diz o gerente comercial da Agrosema, João Luis de Sousa.

Agora, com o início da safra e muito milho pra estocar, sobrou para os outros funcionários.

“Nós trabalhamos oito horas por dia, agora sem o operador a gente vai ter que trabalhar 12 por 12, eu trabalho 12 horas e o outro encarregado trabalha 12 horas”, diz o operador de máquina Carmo Macedo Júnior.

“A empresa está visando um crescimento de 30% esse ano, pra crescer, nós temos também que ter profissional qualificado”, afirma João Luis.

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O porteiro e eu ainda permanecemos em silêncio por alguns longos segundos, ao término da apresentação da matéria. Então fiz uma provocação àquele pernambucano de 46 anos, com instrução fundamental mínima. Travou-se o seguinte diálogo:

– Que droga, hein, cara! Que “difícil realidade”, gente!

– Ô, seo Edu, desculpa eu discordar do senhor, mas situação difícil era antigamente, quando eu vim pra São Paulo e morei até debaixo da ponte porque não achava emprego.

– Mas e os empresários, coitados! Não viu aquele que só quer crescer 30% este ano e não encontra mão-de-obra?

– Pô, seo Edu, desculpa, mas eu não tenho pena de patrão, não. E se ele vai crescer 30% a situação dele não tá nada difícil. Difícil é o sujeito não encontrar trabalho, pô!

– Mas… Cara… Pelo que a Globo mostra, a situação do país está uma merda.

– Tá não, seo Edu. Tá ótima. Tem um monte de gente estudando. Vai ter gente pra trabalhar, lá na frente. Eu não estudo, mas tô pensando… O senhor sabia que me convidaram pra trabalhar no “Lambda”?

– O prédio aí de cima?

– Sim senhor! Ofereceram R$ 1.300. Só não vou por causa dos bicos, aqui, que dão mais que o salário.

O porteiro do prédio pintou um apartamento, recentemente, e cobrou R$ 2.800.

– Mas, então, por que a Globo diz que a situação é difícil – inquiri, mantendo a provocação

– Seo Edu, a Globo está reclamando em nome dos patrões, que gostam de pagar salário baixo. Agora, pra conseguir empregado, tem que pagar mais.

– Ah, tá. Agora entendi. Bem, boa noite, cara. Bom serviço…

– Valeu, seo Edu. E não esquenta a cabeça com a Globo, tá?

– Ok, vou confiar em você, bicho. Fiquei até mais tranqüilo, agora.

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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/02/a-globo-e-o-porteiro/

El artífice de la protesta online contra el 'rais' emociona al país

09.02.2011
Do jornal espanhol "PÚBLICO"
Por Ó. ABOU-KASSEM EL CAIRO

"Somos un pueblo muy sentimental", dice Mariam Quessny en la plaza Tahrir. Quessny, una diseñadora de interiores de 24 años, intenta explicar el efecto que tuvo anoche las palabras de Wael Ghonim entre los egipcios: "Su entrevista nos llegó al alma porque el régimen había enseñado a la gente a vivir sin dignidad".

La entrevista que concedió Ghonim, responsable de marketing de Google para Oriente Próximo, a la cadena Dream 2 tocó la fibra de los egipcios. Ghonim admitió ser el creador de la página de Facebook Todos somos Jaled Said, en referencia al hombre que mató la Policía egipcia en Alejandría en junio del año pasado y que desató la protesta online.

Tras pasarse detenido 12 días con los ojos vendados, Ghonim afirmó: "No soy un héroe, los héroes de verdad son los que están en las calles. No me torturaron, me encerraron y me secuestraron".

El momento más dramático fue cuando expresó el sentimiento general que estos días han vivido muchos de los egipcios que se han estado manifestando. Tras mostrar al público varias imágenes de los jóvenes que han muerto en las calles, Ghonim rompió a llorar: "Quiero decir a todas las madres y padres que hayan perdido a sus hijos, que lo siento, pero no es culpa nuestra. Es culpa de todos los que estaban en el poder y no lo querían dejar".

Ayer por la tarde, Ghonim apareció en la plaza Tahrir y tuvo una breve intervención. "No es momento de partidos ni ideologías. Egipto está por encima de todos. Ahora vamos a hacer lo que tenemos que hacer", proclamó ante una multitud enfebrecida.

El régimen ha creado, en su inepta perversidad, el líder que nadie encontraba para la revuelta

Fonte:http://www.publico.es/internacional/360398/el-artifice-de-la-protesta-online-contra-el-rais-emociona-al-pais

Vão entregar o Bolsa Família ao Walmart

08.02.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Por Glécio Tavares


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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/vao-entregar-o-bolsa-familia-ao-walmart.html