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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Pernambuco mostra força no centro do Poder

06.02.2011
Da FOLHA DE PERNAMBUCO


O Estado de Pernambuco parece estar vivenciando um de seus melhores momentos de participação no poder federal. Depois de oito anos da presença, legitimamente conterrânea, de Luiz Inácio Lula da Silva, na Presidência da República, o trabalho com o olhar voltado para Pernambuco cabe agora a outros “filhos” ilustres. No Planalto agora está a mineira radicada no Rio Grande do Sul e com pouca vinculação com o Nordeste, Dilma Rousseff (PT). Compõem o time nos poderes Executivo e Legislativo: Fernando Bezerra Coelho (PSB), titular do Ministério de Integração Nacional; Humberto Costa, com a tarefa de líderar o PT no Senado; o trio composto por Eduardo da Fonte (PP), Inocêncio de Oliveira (PR) e Carlos Eduardo Cadoca (PSC) marcando presença na Mesa Diretora da Cãmara de Deputados; e a socialista Ana Arraes liderando o PSB na Câmara. O Estado ainda poderá ter Gonzaga Patriota (PSB) como líder da bancada do Nordeste. E ainda tem o capital político do governador Eduardo Campos, por ser presidente nacional do PSB.

Historicamente Pernambuco sempre teve “cadeira cativa” no “centro das decisões”. Do abolicionista Joaquim Nabuco até o torneiro mecânico que tornou-se presidente da Nação, os “leões do norte” chegaram ao século XXI com uma marca ainda maior, traduzida em papeis de destaque. “A liderança de Pernambuco é natural. Quando se fala em potência política, é normal lembrar do nosso Estado. Não é bairrismo. Nós temos representação mesmo”, afirmou a deputada federal Ana Arraes.

Entre outros Pernambucanos que foram protagonistas na Capital Federal, é possível citar Fernando Lyra (PMDB), ex ministro da Justiça do Governo Sarney (1985/86); e os petistas Fernando Ferro, que foi líder do Governo Lula na Câmara; e o recém - eleito líder do Partido dos Trabalhadores no Senado, Humberto Costa, que de 2003 a 2005 atuou como ministro da Saúde.

Nesta lista, também está incluído o democrata Marco Maciel, que em 44 anos de vida pública, ocupou os cargos de Presidente da Câmara dos Deputados (1977/1979), ministro da Educação e Cultura (1985/ 1986), ministro-chefe do Gabinete Civil da Presidência da República (1986/1987) e vice-presidente da República (de 1995 a 2002).

“Com o espirito de pernambucanidade, espero que possamos traduzir esta força em mais investimentos, em mais obras, que foi o que fizemos nos primeiros quatro anos ao lado do presidente Lula. Traduzir força política em conquista concrreta para o povo”, ressaltou o governador Eduardo Campos. Nos oito anos (2003-2010) em que o País esteve sob o comando do retirante de Caetés - município do Agreste do Estado -, grandes empreendimentos foram instalados em todo o Estado.

Só no Complexo Industrial de Suape, cerca de 44,5 mil empregos diretos e indiretos foram gerados apenas com os projetos principais, chamados de estruturadores, a exemplo da Refinaria Abreu e Lima; as três fábricas da Petroquímica Suape e o Estaleiro Atlântico Sul, o maior do hemisfério sul . A siderúrgica CSS e a fábrica da Fiat também serão responsáveis pelo crescimento da geração de empregos e pelos investimentos de mais de R$ 35,4 bilhões nesta região.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/edicao-de-hoje/619238-pernambuco-mostra-forca-no-centro-do-poder

Folha dos concursos: Complexo de Suape tem vagas com salários de R$ 1,1 mil até R$ 5,3 mil

06.02.2011
Da FOLHA DE PERNAMBUCO


Uma excelente oportunidade para os concurseiros do Estado, principalmente para moradores do município de Ipojuca. O Polo Petroquímico de Suape lançou dois editais na semana passada. Juntos, eles oferecem 92 vagas de níveis médio, técnico e superior, sendo 61 para a Companhia Petroquímica de Pernambuco e 31 para a Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (Citepe). A seleção segue a diretriz da PetroquímicaSuape de priorizar a contratação de pessoal na região.
As remunerações oferecidas variam de R$ 1.104,29 a R$ 5.376,88. As inscrições para os dois concursos estão abertas no site da Fundação Cesgranrio (www.cesgranrio.org.br) até o dia 20 deste mês, com taxas de participação de R$ 36 (nível médio/técnico) e R$ 53 (nível superior).

As ofertas são para as unidades de PTA, resina PET e fios de poliéster que estão sendo construídas no Complexo de Suape. As oportunidades oferecidas estão divididas em dois editais, pois apesar de comporem um projeto integrado e sob a mesma gestão, as duas companhias ainda mantêm razões sociais distintas e a contratação de pessoal é específica para cada empresa.

A Petroquímica, além das 61 vagas oferecidas, irá formar cadastro de reserva. As ofertas imediatas de nível médio são para os cargos de eletricista pleno (5), eletricista sênior (5), operador júnior (20), operador pleno (8), operador sênior (3), supervisor de produção (1), técnico de manutenção sênior - ênfase em elétrica (1), instrumentista pleno (5), mecânico industrial sênior (1) e técnico de laboratório júnior (8).

Os candidatos de nível superior podem concorrer às vagas para engenheiro de manutenção pleno - ênfase em elétrica (1), ênfase em mecânica (1) e engenheiro de processamento júnior (2). Os salários variam de R$ 1.505,52 (nível médio) a R$ 5.376,88 (nível superior), lembrando que 5% das vagas são destinadas aos portadores de deficiência.

Já as 31 vagas ofertadas pela Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco estão divididas da seguinte forma: 20 para mecânico têxtil, quatro para operador de utilidades têxtil e cinco para supervisor de produção têxtil, que exigem ensino médio completo e experiência de pelo menos seis meses na função. Quem tem formação técnica pode disputar duas chances no cargo de técnico em segurança do trabalho júnior. Os salários variam de R$ 1.104,29 a R$ 2.568,83, mais os benefícios de auxílio-creche ou auxílio-acompanhante, auxílio-ensino para os filhos, plano de assistência médica e odontológica extensiva ao cônjuge e filhos, plano de previdência complementar e gratificação de férias.

Se você não tem acesso à internet pode recorrer a um dos postos de inscrição disponibilizados pela organizadora do concurso. Em Ipojuca, a Lan Service (rua Mário da Costa Monteiro, 8 - Centro) e no Recife, a Microlins (rua do Livramento, 21, Santo Antônio - Centro).

As provas objetivas dos dois certames estão previstas para o dia 20 de março. Os exames serão aplicados na cidade do Recife, em locais e horários que serão informados a partir de 16 de março. Candidatos inscritos no CadÚnico e membros de família de baixa renda têm até esta segunda-feira, dia 7, para solicitar a isenção do pagamento da taxa de participação, no site da organizadora.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/edicao-de-hoje/619237-folha-dos-concursos-complexo-de-suape-tem-vagas-com-salarios-de-r-11-mil-ate-r-53-mil

Estou acima do peso. E agora?

05.02.2011
Do site da REVISTA FÓRUM
Por Maria Izabel Azevedo Noronha*

A decisão do estado de vetar a posse de candidatos obesos que foram aprovados no concurso para professor de educação básica II na rede estadual de ensino demonstra isso. Nesse tipo de decisão, além do preconceito, sobretudo no caso dos obesos, há uma inaceitável prevalência de critérios tecnicistas sobre a humanização da escola.

Em todo o mundo, a luta contra toda forma de preconceito e discriminação tem sido cada vez mais generalizada, colocando em xeque ideias e procedimentos retrógrados contra os direitos humanos.

No Brasil avançamos muito nessa direção nos últimos anos. As demandas colocadas pelos movimentos sociais pautaram grandes debates nacionais, que resultaram em políticas públicas, se institucionalizaram em leis e programas no âmbito da União e de diversos estados e municípios.

Entretanto, se o cenário nacional é esse, o estado de São Paulo continua caminhando na contramão desses avanços. Se tanto, desenvolve apenas medidas tímidas, que não correspondem à sua importância dentro da federação brasileira.

A decisão do estado de vetar a posse de candidatos obesos que foram aprovados no concurso para professor de educação básica II na rede estadual de ensino demonstra isso. Também houve casos de professores vetados por serem míopes. Um desses casos é o de uma professora que tem 0,75 graus de miopia e foi considerada inapta para o cargo!.

Nesse tipo de decisão, além do preconceito, sobretudo no caso dos obesos, há uma inaceitável prevalência de critérios tecnicistas sobre a humanização da escola, absolutamente necessária para que a educação cumpra sua função de formar cidadãos e cidadãs plenamente conscientes da sociedade em que vivem e em condições de trabalhar para transformá-la, assegurando a todos uma vida com dignidade e respeito.

Como pode o governo do mais rico estado do Brasil, instância que deve promover a saúde pública, negar os avanços da ciência e da medicina? Como pode assumir uma postura passiva frente à obesidade ou outra ocorrência qualquer, como se não houvesse solução possível? Isto sem falar no fato de que privar uma pessoa do seu trabalho apenas pela possibilidade de um possível adoecimento futuro, aí sim, é condená-la a ficar mesmo doente.

A obesidade não é necessariamente incapacitante. Isto pode ocorrer em casos extremos. A obesidade não causará inevitavelmente uma situação de adoecimento, embora isto possa ocorrer. Os casos noticiados pela imprensa, inclusive, não caracterizam situações desse tipo.

O Estado precisa avaliar as condições de saúde da pessoa no momento. Potenciais doenças futuras não podem ser levadas em conta para a posse. Se não for assim, as pessoas muito magras, os fumantes, ou os que mantêm algum hábito que pode, no futuro, ensejar alguma doença, não poderiam, também, trabalhar.

Ao mesmo tempo, a sociedade debate como prevenir e combater o bullying nas escolas, que hoje afeta milhares de alunos e também profissionais da educação, vítimas da perseguição constante de seus colegas de classe, de trabalho e de superiores. Com a medida que adotou, o estado acaba por promover outra forma de bullying contra os professores, potencializando o preconceito contra as pessoas obesas.

A capacidade de trabalho de quase todos eles está demonstrada, já que boa parte são professores, não efetivos, da rede estadual de ensino. Por que eles podem ser ocupantes de função atividade, mas não podem ser professores efetivos? Por outro lado, também demonstraram capacidade profissional e formação adequada ao obter aprovação no concurso. Finalmente, o edital nada dizia sobre obesidade; nem poderia. De acordo com a Ordem dos Advogados do Brasil/SP, seria um ato discriminatório.

Como todos já sabem, não há carreira atraente nem salários adequados na rede pública estadual de São Paulo. Não há políticas de valorização e de formação continuada aos profissionais. Não há concursos públicos em número suficiente. O governo não promove políticas de prevenção ao adoecimento dos professores e, ainda, proíbe-os de se tratarem, ao limitar o número de faltas para consultas e tratamentos médicos a apenas seis por ano, por meio da lei 1041/08. Agora, institucionaliza o preconceito e a discriminação na contratação de docentes.

A Apeoesp se posiciona firmemente contra esse procedimento e está dando toda a assistência jurídica aos professores afetados que recorram à entidade.

*Maria Izabel Azevedo Noronha
Presidenta da Apeoesp
(Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo)
Membro do Conselho Nacional de Educação


Foto por http://www.flickr.com/photos/memorialserradamesa/.
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Fonte:http://www.revistaforum.com.br/noticias/2011/02/05/estou_acima_do_peso._e_agora_/

A era Lula e o emprego doméstico no Brasil

06.02.2011
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

Da série Por Que a Elite Odeia Lula, este post aborda um dos capítulos mais comoventes de uma epopéia que, três décadas após seu início, ainda mostra sinais de fôlego. Trata-se da libertação dos escravos domésticos que teve lugar no Brasil durante o primeiro governo popular pós-redemocratização.

Vai terminando, neste país, a escravização de mulheres pobres e, quase sempre, negras, jovens e nordestinas por famílias brancas, de classe média e do Sul-Sudeste, que, sem dinheiro ou vontade para pagar salários dignos e cumprir a legislação trabalhista, conseguiram do Estado brasileiro, eternamente a serviço das elites, permissão para escravizar seres humanos.

Essa afronta aos direitos fundamentais do homem permeou o século XX e começou a se extinguir, no Brasil, na primeira década do século XXI. As garotas que se dispunham a trabalhar da hora em que despertavam até a hora de irem dormir, que era a hora em que os patrões faziam o mesmo, não mais se submetem, como ocorre em qualquer país civilizado.

Matérias do jornal Folha de São Paulo deste domingo deixam ver os dois lados da moeda, das oprimidas e dos opressores.

Pelo lado das oprimidas, reportagem sobre como está escasseando, no Sul-Sudeste maravilha, a mão de obra doméstica, de como os salários subiram e de como estão terminando jornadas de trabalho de 24 horas com folga a cada 15 dias.

Pelo lado opressor, crônica da socialite Danusa Leão, com aquele velho trololó de toda dondoca de São Paulo e do Rio sobre como as “madames” são “humanas” com as “suas” domésticas e de como recebem “ingratidão” em troco.

A madame à qual o jornal paulista dá grande espaço, aos domingos, para verter preconceitos políticos e sociais, escreveu, desta vez, um texto criminoso estereotipando toda uma categoria e vendendo a tese de que não se deve “dar moleza a essa gentinha”.

Abaixo, primeiro a boa notícia sobre o fim da moleza de gente como Danusa Leão… De quem reproduzo a diarréia intelectual logo em seguida.

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Achar doméstica vira desafio na metrópole

Famílias antes acostumadas a contar com serviços dentro de casa têm de adaptar hábitos ou pagar salários melhores

Brasil tende a seguir caminho dos países desenvolvidos, onde contratar empregadas é luxo, diz especialista

CRISTINA MORENO DE CASTRO
FOLHA DE SÃO PAULO


6 de fevereiro de 2011

Há 15 anos, bastava um anúncio de três linhas no jornal para atrair 200 candidatas a um emprego doméstico numa segunda de manhã.

Hoje, com ofertas também via SMS e internet, menos de 30 candidatas por dia vão às agências atrás de uma vaga, dizem profissionais de recrutamento ouvidos pela Folha.

O resultado da conta é que os salários subiram e está cada dia mais difícil de encontrar mão de obra disponível.

A diretora de RH Cinthia Bossi, 39, abriu mão de contar com alguém que dormisse em casa ou trabalhasse nos finais de semana. Chegou a trocar de empregadas seis vezes em cinco meses e vai ter que trocar pela segunda vez neste mês. Nos últimos três anos, o salário que paga subiu de R$ 600 para R$ 1.000.

Ela não é exceção. As donas de casa estão tendo que abrir mão de antigas “mordomias”, como ter uma auxiliar 24 horas por dia, com folgas quinzenais. “Já tenho amigas que abrem mão de alguém que cozinhe e colocam as crianças na escola mais cedo. Se querem a empregada no sábado, pagam hora extra.”

A técnica em alimentos Kátia Ramos, 34, também desistiu de ter alguém que durma em sua casa. Chegou a passar um mês sem empregada e babá -com quadrigêmeos de 1 ano e 11 meses e dois filhos adolescentes.

Ela cogita cortar de vez a despesa com o auxílio doméstico quando os filhos crescerem. Hoje, já ajuda nas tarefas da babá e cozinha.

Especialistas ouvidos pela Folha traçaram o seguinte panorama: mais mulheres entraram no mercado de trabalho, precisando cada vez mais de empregadas para cuidar de casa. Ao mesmo tempo, o aumento das oportunidades de trabalho e de educação fez com que menos pessoas quisessem seguir o trabalho doméstico, ainda muito discriminado, inclusive pela legislação do país.

“Estamos em um período de transição”, afirma Eduardo Cabral, sócio da empresa de RH Primore Valor Humano. “Talvez a próxima geração valorize mais a doméstica porque estão ouvindo mais os pais falando dessa dificuldade de encontrá-las.”

Para a pesquisadora do Insper Regina Madalozzo, esse período de transição, até haver uma real valorização do trabalho doméstico, ainda vai durar uns 20 anos.

Mas a curto prazo, diz ela, a relação entre patrão e empregado vai mudar, passando a ser mais profissional.

“A tendência é que se torne um luxo, ao menos nos grandes centros”, afirma Cássio Casagrande, procurador do Ministério Público do Trabalho e professor de direito constitucional da Universidade Federal Fluminense.

A experiência de Michelle Almeida, 29, é ilustrativa. Ela começou como babá em 2003, ganhando R$ 350 mensais e dormindo na casa dos patrões. Agora em seu terceiro emprego, após dois cursos de capacitação como babá, ganha R$ 1.300, de segunda a sábado, das 8h às 18h.

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Luta de classes

“Aprendi que a luta de classes começa dentro de casa, e mais especificamente, dentro da geladeira”

DANUZA LEÃO

FOLHA DE SÃO PAULO


6 de fevereiro de 2011

HÁ UNS DOIS ANOS tive uma diarista que começava a trabalhar muito cedo -por escolha dela; às 6h ela já estava em minha casa. Uma morenona bem carioca, simpática, risonha, disposta, sempre de altíssimo astral. Gostei dela, e como detesto fazer ares de patroa – e não sei –, tínhamos uma relação amistosa e legal, como devem ser todas as relações.

Algum tempo depois, comecei a fazer aula de natação em um clube que fica a uns 500 metros de minha casa. A aula era às 7h, mas e a preguiça? Preguiça de levantar da cama, e enfrentar a distância ficou difícil. Tive então uma ideia: levá-la comigo. Assim, teria companhia para ir e voltar, e seria mais fácil a caminhada.

Vamos deixar bem claro: não foi nem um ato de gentileza de minha parte, nem pensei apenas em meu proveito.Achei que seria bom para as duas, e ela, que talvez nunca tivesse entrado numa piscina, ia adorar.

Perguntei se gostaria, ela ficou toda feliz, e, a partir daí, todos os dias íamos juntas, conversando.
Eu pagava minha aula e a dela, e às 8h30 estávamos de volta, alegres, falando sobre nossos progressos.

Já que não posso mudar o mundo, pensei, estou exercendo o socialismo -ou a democracia- pelo menos em meu território. Mas notei que a cada vez que contava isso para os amigos, nenhum deles dizia uma só palavra; nem para achar que tinha sido uma boa solução, nem para ficar contra, nem ao menos para achar alguma graça. Silêncio geral e total.

O tempo foi passando. Comecei a perceber pequenos desvios no troco, às vezes dava por falta de uma das três mangas compradas na feira, os picolés que guardava no freezer desapareciam, os refrigerantes e sabonetes também, e eu pensava: “tem dó, Danuza, afinal ela toma duas conduções para vir, duas para voltar, a grana é pouca, se ela fica com oito ou dez reais da feira, é distribuição de renda. E se comeu metade do Gruyère, dizer que o queijo francês é só seu, é um horror”; e assim fomos indo.

Fomos indo até que um dia viajei por um mês, e quando voltei, houve problema com um cheque; coisa pouca, mas ficou claro, claríssimo, que tinha sido ela, e tive que demiti-la, o que aliás me custou bem caro, em dinheiro e pela deslealdade.

Depois da demissão, fui descobrindo coisas mais graves -e nem vou contar todas, só uma delas: nos fins de semana, ela vinha com o marido, punha o carro na garagem do prédio e o casal passava o fim de semana na minha casa.

Depois de recibos assinados, tudo liquidado, chegou a conta do telefone do mês em que estive fora: havia 68 ligações para um único celular. Liguei para o número e soube que era de um funcionário do clube de natação, que ela paquerava.

Quando entrou a substituta, tive que comprar lençóis, toalhas e um monte de coisas que ela havia levado. Sei que não sou um modelo de dona de casa, mas alguém conta todos os dias quantos lençóis tem? E tranca os armários? Não eu. Durante um bom tempo fiquei mal: pela confiança, pela traição, depois de quase dois anos de convivência. E agora?

Não sei. Afinal, somos ou não somos todos seres humanos iguais, como me ensinaram? Ou é preciso mesmo existir uma distância empregado/patrão, como dizem outros? Ou esse foi um caso singular?

Aprendi que a luta de classes começa dentro de nossa casa, e mais especificamente, dentro da geladeira. E enquanto o mundo não muda, passei a comprar queijo de Minas, que além de tudo não engorda.
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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/02/a-era-lula-e-o-emprego-domestico-no-brasil/

Congresso toma posse com formação histórica

01.02.2011
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO


Com a posse de 54 senadores (de um total de 81) e de 513 deputados federais eleitos em 3 de outubro passado, o Brasil tem, a partir desta terça-feira (1º), o Congresso Nacional com mais representantes de partidos de esquerda de sua história. Ao mesmo tempo, o bloco conservador liderado por PSDB e DEM (o antigo PFL) inicia a legislatura com sua menor representação parlamentar em duas décadas.

Desde que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao poder, a oposição ficou 57% menor na Câmara e 64% menor no Senado. Enquanto isso, a base aliada ao governo aumentou 47%, entre os deputados e 100% entre os senadores.

Em 2003, quando começou a era Lula, a oposição era maior que a base de apoio do governo — tanto na Câmara quanto no Senado. Na época, havia 259 deputados e 50 senadores de oposição, ante 254 deputados e 31 senadores da base de Lula. Já quando Lula assumiu o segundo mandato, em 2007, os aliados já eram maioria: tinham 353 deputados (contra 160 de oposição) e 49 senadores (contra 32 de oposição).

Hoje, no início do terceiro governo seguido do ciclo progressista, são 373 deputados aliados (contra 111 de oposição) e 62 senadores da base de apoio (contra 18 oposicionistas). A base do governo Dilma tem 11 dos 22 partidos representados no Congresso: PT, PMDB, PR, PSB, PDT, PSC, PCdoB, PRB, PTC, PP e PTB. Desses, PP e PTB se aliaram depois da eleição. Dos dez partidos da coligação de Dilma, somente o PTN não elegeu congressistas.

Os outros 11 partidos com congressistas se dividem em dois grupos: os que fazem oposição ao governo e os “ambíguos” (aqueles que podem assumir atitudes diferentes, a depender da situação). Na oposição estão PSDB, DEM e PPS (aliados à direita nas eleições presidenciais de 2010), além do PSOL. Os ambíguos são PV, PMN, PTdoB, PRTB, PRP, PHS e PSL.

Desde 1995, enquanto o PT aumentou e estabilizou suas bancadas, a oposição entrou em franca decadência. O DEM chegou a ter a maior bancada de deputados em 1999, com 105 representantes, e agora só tem 43. No Senado, despencou de 20 representantes, em 1999, para cinco agora, 2011.

O PSDB continua como principal partido da oposição, mas também foi diminuído. De 1999 a 2011, caiu de 15 para dez senadores e de 99 para 53 deputados federais. O PPS, outro partido adversário do governo, teve crescimento significativo de 1999 para 2003, passando de três a 21 deputados e de um a três senadores. Depois disso, só decresceu. Hoje, resume-se a 15 deputados e um senador.

Os quadros também indicam que o PSOL, do presidenciável derrotado Plínio de Arruda Sampaio, é o único partido de oposição que cresceu — mas muito pouco. Fundado em 2004 por dissidentes do PT, o partido mantém, há duas eleições, três deputados. No Senado, dobrou sua representação: de um para dois senadores.

O PMDB, que ainda é o maior partido do país, também tem enfrentado uma perda de importância no Congresso. Chegou a ter 29 dos 81 senadores em 1999, quando era base do governo FHC. Em 2003 ficou com 20 senadores, entrou para a base do governo Lula e manteve 20 senadores em 2007 e em 2011. Na Câmara, a situação é pior: de 107 deputados em 1995, passou a 84 em 1999, depois a 70 em 2003, subiu para 90 em 2007 e, agora, voltou a cair para 78 em 2011.

Pauta

A nova composição do Congresso não será suficiente para, em curto prazo, pôr em debate — e muito menos em votação — propostas de reformas estruturais tão indispensáveis ao país. “Temos a maior concentração de parlamentares à esquerda do espectro político — mas num governo de coalizão essas forças acabam se diluindo. Elas puxam as posições dos partidos de direita e centro-direita que também participam do governo para o centro”, avalia o diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto de Queiroz.

A disputa à presidência da Câmara — na qual se opõem os deputados Marco Maia (PT-RS) e Sandro Mabel (PR-GO) — dá indícios de como será a 54ª Legislatura da Câmara. Em campanha, Maia e Mabel se pronunciaram pouco ou quase nada a respeito de temas como a reforma política. Em contrapartida, não se furtaram a fazer promessas de interesse mais corporativo, como a de construir mais um prédio para ampliar os gabinetes dos deputados e a de vincular os reajustes salariais aos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Outro ponto em discussão, por estas semanas, foi a divisão de cargos na Mesa Diretora da Câmara — uma contenda que teve PT e PMDB como protagonistas. Cada secretário tem atribuições específicas, como administrar o pessoal da Câmara (1º secretário), providenciar passaportes diplomáticos para os deputados (2º), controlar o fornecimento de passagens aéreas (3º) e administrar os imóveis funcionais (4º).

Enquanto Marco Maia deve ser reconduzido à presidência da Câmara, os 54 senadores empossados vão se juntar aos 27 que ainda contam com mais quatro anos de mandato para eleger o presidente e demais membros da Mesa que vai comandar o Senado nos próximos dois anos. O atual presidente, José Sarney (PMDB-AP) é candidato à reeleição e conta com apoio declarado de vários partidos. A exceção é o PSOL, que decidiu lançar a candidatura de Randolfe Rodrigues (AP), um dos novos senadores.

Nas duas casas legislativas, é grande a expectativa sobre a pauta deste ano. Levantamento realizado pelo Instituto FSB Pesquisa com 340 deputados e senadores revela que, para a maioria deles, as reformas política e tributária deixarão de ser uma mera promessa de campanha para se tornar uma prioridade absoluta em 2011.

Segundo o estudo, 65% apontaram a reforma política como prioridade. Em segundo lugar, aparece a reforma tributária, citada por 50% dos parlamentares consultados. Em seguida, aparecem o projeto do novo Código Florestal (11%), a reforma trabalhista (7%) e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 300, que estabelece um piso nacional de R$ 3,2 mil a policiais e bombeiros do país. Cada parlamentar citou duas pautas.

Dos parlamentares entrevistados, 71% declararam que a carga tributária deveria ser reduzida urgentemente. Apenas 1% defendeu o aumento dos impostos para financiar políticas públicas. Apesar disso, 29% se mostraram a favor da criação da Contribuição Social para a Saúde (CSS). A ideia, porém, foi rejeitada por 56% dos senadores e deputados, enquanto 15% se declararam indecisos sobre a criação do novo tributo.

A proposta de redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais também dividiu o novo Parlamento. Quase metade dos parlamentares (49%) são favoráveis à medida. Os contrários ao projeto representam 31%, e 20% se disseram indecisos.

O PCdoB e o PDT foram definidos pelos legisladores como os partidos mais à esquerda do Congresso Nacional. Por outro lado, o DEM e o PP ficaram mais próximos da direita. As demais legendas ficaram no centro.

O PT foi escolhido por 18% das outras siglas como o melhor parceiro no Legislativo. Entre os peemedebistas consultados, esse percentual saltou para 42%. Já os petistas afirmaram que se relacionam melhor com o PSB (38%) e com o PCdoB (30%). O PMDB aparece em terceiro, citado por 16% dos parlamentares do PT.

Na oposição, os tucanos se dividiram entre o DEM e o PPS, com 26% de citação para cada sigla. No caso dos “demos”, o PSDB aparece em primeiro lugar de forma majoritária, sendo apontado por 43% dos parlamentares da legenda como o maior partido aliado.

Vermelho & Agências
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Fonte:http://pragmatismopolitico.blogspot.com/2011/02/congresso-toma-posse-com-formacao.html

Questão trabalhista: Rhodia demitirá funcionários contaminados

04.02.2011
Do blog de Rodrigo Vianna
Por
Jorge Américo, da Radioagência NP

A multinacional Rhodia convocou 20 funcionários da unidade de Cubatão, no litoral paulista, para fazer exames médicos e assinar a carta de demissão. A fábrica foi fechada em 1993, quando se constatou que, em mais de 15 anos de atividades, a empresa havia despejado 12 mil toneladas de resíduos químicos no solo. Essa falta de controle comprometeu o ecossistema e a saúde de aproximadamente 150 trabalhadores.

Isaías dos Santos Correa, presidente da Associação de Combate aos Poluentes – formada por trabalhadores contaminados pela Rhodia –, assegura que as demissões são ilegais, pois os trabalhadores têm licença remunerada por estarem impedidos de ter contato com agentes químicos.

“É uma contaminação que não sai do organismo. Tem um termo de ajustamento de conduta, firmado junto ao Ministério Público, que garante estabilidade a esses trabalhadores devido a essa contaminação e às doenças correlacionadas. E esses trabalhadores foram surpreendidos nesta semana com uma convocação para a demissão.”

O metalúrgico Arlindo Afonso de Paula foi contratado pela Rhodia em 1972. Dez anos depois, começaram a aparecer os primeiros problemas de saúde. Não podendo exercer suas funções, foi transferido para a área administrativa, o que não foi suficiente para impedir o surgimento de novas enfermidades.

“Eu estou parcialmente morando em Minas Gerais porque aqui não tem condições de tratamento. Foi indicado até por médicos que eu fosse para lá, para aliviar a cabeça. Eu tenho um quadro clínico de problema de fígado desde 1985 e ultimamente estou com cirrose hepática, calcificação do baço e câncer na próstata. E aí, há poucos dias, a firma me chamou para me demitir.”

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Para escutar a notícia,clique aqui
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Fonte:http://www.escrevinhador.com.br/

Uri Avnery: Um “evento geológico” no Oriente Médio

06.02.2011
Do blog de Luiz Carlos Vianna
Por Uri Avnery, Gush Shalom [Bloco da Paz], Israel
Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


Uma villa na selva?

Estamos passando por evento geológico. Terremoto de vastíssimas dimensões está mudando a paisagem do Oriente Médio. Montanhas convertem-se em vales, ilhas emergem do mar, vulcões cobrem de lava a terra.

As pessoas temem mudanças. Quando acontecem, tendem a negar, ignorar, fingir que nada de importante estaria acontecendo.

Os israelenses não fogem a essa regra. Enquanto no vizinho Egito têm lugar eventos que mudam a face da terra, Israel está absorvida num escândalo no alto comando do Exército. O ministro da Defesa detesta o atual comandante do estado-maior e não faz segredo. O novo chefe presuntivo foi denunciado como mentiroso e a nomeação foi cancelada. É o que se vê nas manchetes.

Mas o que está acontecendo no Egito mudará a vida de todos em Israel.

Como sempre, ninguém anteviu coisa alguma. O tão incensado e temido Mossad foi colhido de surpresa, como também a CIA e todos os demais serviços secretos do gênero.

Pois qualquer um poderia prever que aconteceria o que aconteceu – exceto talvez a incrível força da irrupção. Nos últimos poucos anos, temos dito várias vezes nessa coluna, que em todo o mundo árabe multidões de jovens estão chegando à idade adulta tomados por profundo desprezo por seus líderes, e que, mais cedo ou mais tarde, esse desprezo geraria um levante. Não são profecias, mas simples análise atenta das probabilidades.

O torvelinho no Egito foi causado por fatores econômicos: a carestia, a miséria, o desemprego, a nenhuma esperança entre os jovens saídos das universidades. Mas que ninguém se engane: há causas muito mais profundas, que se podem resumir numa palavra: a Palestina.

Na cultura árabe, nada é mais importante que a honra. As pessoas sabem sobreviver à miséria, mas não admitem ser humilhadas.

E o que todos os jovens árabes viam, do Marrocos a Omã, todos os dias, é sempre os seus respectivos líderes políticos deixando-se humilhar, se auto-humilhando, traindo os irmãos palestinos para obter algum favor a mais, um pouco mais de dinheiro, dos EUA; colaborando com a ocupação israelense, curvando-se aos novos colonizadores. É humilhação profunda para os jovens árabes criados à luz das conquistas da cultura árabe em tempos passados e das glórias dos antigos califas.

Em nenhum outro ponto do Oriente Médio essa desonra era mais visível que no Egito, que declaradamente colaborava com os governos israelenses, impondo o escandaloso bloqueio contra a Faixa de Gaza, que condenava 1,5 milhões de árabes à fome e à miséria. Jamais foi bloqueio só israelense. Não haveria bloqueio sem a colaboração do Egito. Sempre foi bloqueio israelense-egípcio, lubrificado anualmente por 1,5 bilhão de dólares dos EUA.

Já pensei várias vezes – e várias vezes disse e escrevi – sobre como me sentiria se tivesse 15 anos e vivesse em Alexandria, Amã ou Aleppo, vendo os políticos agir como servos abjetos dos EUA e de Israel, ao mesmo tempo em que oprimem e torturam os próprios cidadãos. Aos 15 anos, eu próprio alistei-me numa organização terrorista. Por que qualquer jovem árabe faria diferente?

É possível tolerar-se um ditador, se ele manifesta a dignidade nacional. Mas ditador que manifeste a vergonha nacional é como árvore sem raízes – qualquer vento mais forte a derruba.

Para mim, a única dúvida sempre foi em que ponto o mundo árabe começaria a agitar-se. O Egito – e a Tunísia – não era o primeiro da minha lista. E, contudo, aí está: a grande revolução árabe acontecendo no Egito.

São perfeitas maravilhas. Se a Tunísia foi pequena maravilha, a revolução dos egípcios é maravilha gigante.

Sempre amei os egípcios. Claro que não se pode amar igualmente 88 milhões de indivíduos, mas pode-se, sim, gostar mais de um povo que de outro. Alguma generalização se permite.

Os egípcios que se veem nas ruas, com quem se fala na casa de intelectuais e nas vielas mais pobres dentre as mais pobres sempre me pareceram inacreditavelmente tolerantes. São dotados de senso de humor que ninguém consegue esconder. E orgulham-se imensamente dos seus 8.000 anos de história.

Do ponto de vista de um israelense, já habituado à agressividade dos israelenses, a quase total ausência de agressividade dos egípcios é sempre surpreendente. Lembro claramente de uma cena: estava num táxi no Cairo, que bateu noutro táxi, no trânsito. Os dois motoristas saltaram dos respectivos veículos e puseram a gritar ameaças, as mais terríveis, um contra o outro. De repente, pararam e puseram-se a rir, às gargalhadas.

Um ocidental que chegue ao Egito, ou ama ou odeia. No instante em que se põe os pés no Egito, o tempo já não é o tirano que o Ocidente conhece. Tudo deixa de ser tão urgente, tudo é mais lento, mas, como que por milagre, tudo sempre toma jeito. A paciência dos egípcios parece sem limites. É traço que pode iludir ditadores, porque paciência é coisa que, de repente, acaba.

É como uma represa, num rio. A água sobe sem que ninguém veja, silenciosamente, imperceptivelmente – mas se ultrapassa o limite crítico, e a represa não a contém, a água explode e varre tudo o que encontrar pela frente.

Meu primeiro encontro com o Egito foi embriagador. Depois da surpreendente visita de Anwar Sadat a Jerusalém, viajei imediatamente para o Cairo. Não tinha visto. Jamais esquecerei o momento em que apresentei meu passaporte israelense ao funcionário do aeroporto. Ele folheou e folheou o passaporte, cada vez mais intrigado – e de repente levantou a cabeça e abriu um sorriso. Disse “marhaba”, bem vindo. Naquele momento éramos só três israelenses naquela enorme cidade, e fomos tratados como reis, como se, a qualquer momento, alguém nos fosse levantar sobre os ombros, em triunfo. A paz estava no ar, e as multidões egípcias riam de prazer.

Mas apenas poucos meses depois, tudo mudou profundamente. Sadat esperava – creio que sinceramente – que a paz implicaria libertação também para os palestinos. Sob intensa pressão de Menachem Begin e Jimmy Carter, aceitou uma declaração em termos vagos sobre os palestinos. Rapidamente Sadat percebeu que Begin nem sonhava cumprir o que prometera. Para Begin, o acordo de paz com o Egito só lhe interessava com paz em separado, que lhe permitiria concentrar-se na guerra contra os Palestinos.

Os egípcios – começando pela elite cultural e chegando às massas – jamais perdoaram essa traição dos israelenses. Sentiram-se enganados. Amem ou não amem os palestinos – nada é mais vergonhoso na tradição árabe que trair parente pobre. Ver Hosni Mubarak colaborar nessa traição levou muitos egípcios a desprezá-lo. Esse desprezo existe em cada movimento do que se viu acontecer semana passada. Conscientemente e inconscientemente, os milhões que gritam “Mubarak fora!” ecoam esse desprezo.

Em todas as revoluções há um “momento Yeltsin”. As colunas de tanques foram mandadas para a capital para reafirmar a ditadura. No momento crítico, as massas enfrentam os soldados. Se os soldados recusam-se a atirar, o jogo terminou. Yeltsin subiu num dos tanques, ElBaradei falou às massas na Praça Tahrir. É o momento em que qualquer ditador prudente parte, como fez o Xá e, agora, também o chefete tunisiano.

Depois, há o “momento Berlim”, quando o regime desaba e ninguém, no poder, sabe o que fazer, e só as massas anônimas parecem ver com clareza o que querem: em Berlim, queriam derrubar o Muro.

E vem o “momento Ceausescu”. O ditador vai ao balcão e fala à multidão, e, das ruas, sobe um coro de “Abaixo o tirano!”. Por um instante, o ditador fica sem ter o que dizer, movendo os lábios sem que ninguém o ouça. Depois, desaparece. De certo modo, já aconteceu a Mubarak, que fez discurso ridículo, tentando conter a maré.

Se Mubarak perdeu o contato com a realidade, o mesmo se pode dizer de Binyamin Netanyahu. Ele e seus colegas parecem incapazes de ver o significado terrível desses eventos, para Israel.

Quando o Egito se move, o mundo árabe move-se com ele. O que quer que aconteça no futuro imediato no Egito – democracia ou ditadura militar – é questão de (pouco) tempo antes do fim das ditaduras em todo o mundo árabe, e as massas modelarão uma nova realidade, sem generais.

Tudo que os governos de Israel fizeram nos últimos 44 anos de ocupação ou 63 anos de existência vai ficando obsoleto. Estamos diante de realidade nova. Israel pode ignorá-la – insistir que Israel ainda seria “uma villa na selva”, na famosa fórmula de Ehud Barak – ou poderá descobrir o lugar que adequado que caiba a Israel na nova realidade.

A paz com os palestinos deixou de ser artigo de luxo. Hoje, é absoluta necessidade. Paz agora, paz rápida, paz já.

Paz com os palestinos e, depois, paz com as massas democratizantes em todo o mundo árabe, paz com as forças islâmicas racionais (como o Hamás e a Fraternidade Muçulmana, absolutamente diferentes da al-Qaeda), paz com as novas lideranças políticas que brotarão no Egito e por toda parte.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/uri-avnery-uma-villa-na-selva.html

Debate necessário: A Espanha violou direitos?

06.02.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha


Brasília, 06 de fevereiro de 2011

Exmo Sr. Embaixador da Espanha no Brasil, Dr. Carlos Alonso Zaldívar,

Na condição de cidadã brasileira gostaria de problematizar as questões abordadas pelo Sr. em sua carta divulgada no dia 04/02/2011 em alguns meios de comunicação. Primeiramente, gostaria de reiterar que não se trata de um “caso isolado”, como foi mencionado, haja vista que, conforme o Sr. mesmo afirma, somente no ano de 2010 aconteceram 1.831 casos com brasileir@s. Esta cifra não parece coerente com a afirmação referida. De todo modo, independente das circunstâncias, todas estas pessoas são cidadãos de direitos e, como tal, devem ser tratados. E esta é exatamente a questão central que não foi abordada pelo Sr., a violação dos direitos humanos.

Evidentemente que todas as nações são soberanas para decidir quem entra ou não entra em seus territórios, mas os direitos humanos precisam ser garantidos.

No entanto, eu não tive direito à informação. Fiquei 15 horas detida sem saber os motivos. Nenhuma pessoa da Polícia, em nenhum momento, me explicou nada sobre os motivos pelos quais estava detida e, tampouco, sobre os procedimentos que estavam sendo encaminhados.

Não tive direito à telefonema. Tive que comprar cartão telefônico da “trabajadora social” da Polícia para poder telefonar, caso contrário, não teria tido a possibilidade sequer de acionar a Embaixada e o Consulado.

Fui revistada fisicamente e as minhas bagagens confiscadas sem saber nem mesmo o motivo pelo qual estava sendo revistada e detida.

Somente tive direito a um advogado e uma tradutora depois de sete (7) horas detida, revistada e presa em uma sala.

Fui tratada como criminosa pela Polícia e escoltada todo o tempo em que estive detida.

Fui escoltada para o avião, conduzida em carro de Polícia e exposta à constrangimento público.

Excelentíssimo Sr. Embaixador, gostaria de saber se tais atos refletem a garantia dos direitos humanos pela Espanha? Gostaria de saber se a Espanha concorda e avaliza tais atos da Polícia?

Além disso, em sua carta o Sr. afirma que minha negação de entrada na Espanha se deu por dois motivos: “O primeiro, que a Sra. Severo, apesar da sua boa vontade, não dispunha de alguns dos documentos ou comprovantes necessários. E segundo, porque não se usou adequadamente o mecanismo previsto para estes casos, mediante a intervenção do Consulado Geral do Brasil em Madrid.”

Iniciemos pelo primeiro ponto: falta de documentos.

Eu portava passaporte, passagem de ida e volta, reserva do Hotel, seguro viagem, documento do Ministério da Cultura que comprova que trabalho em um projeto governamental, cópia da escritura da casa própria, carteira de motorista internacional, cartão TravelMoney do Banco do Brasil, cartão de crédito Banco do Brasil International, euros em espécie e extratos assinados pelo Banco do Brasil que comprovavam a compra de euros acima do necessário para a quantidade de dias que iria passar de férias na Espanha. Portanto, eu tinha todos os documentos exigidos, conforme descrito no site da Embaixada da Espanha.

Todavia, o argumento da Polícia para negar minha entrada foi o de que não havia reserva de Hotel no nome de minha amiga. Ou seja, quando a Polícia afirma que eu estou sendo barrada porque não há reserva em nome de minha amiga (que também é coordenadora do projeto governamental para o qual trabalho) ela está afirmando que, se houvesse a confirmação da reserva em nome de minha amiga eu não seria barrada. Raciocínio lógico.

Pois bem, diante do argumento da Polícia, como o Sr Embaixador explica que a Polícia da Espanha tenha desconsiderado o telefonema em viva voz realizado pelo advogado disponibilizado para minha defesa, no qual a recepção do Hotel afirmou que havia reserva em nome de minha amiga e que inclusive ela já se encontrava hospedada, mencionando até o número de seu quarto?

Como é possível a Polícia, após escutar este telefonema com várias testemunhas presentes, afirmar que este telefonema não valia nada para ela e reiterar que o motivo pelo qual eu estava sendo barrada era porque não havia reserva em nome de minha amiga?

É esse o direito de defesa que os cidadãos estrangeiros recebem na Espanha?

Então Sr Embaixador, gostaria sinceramente de compreender por que a Polícia oferece um advogado para defender um cidadão estrangeiro se ela mesma não reconhece o argumento e as provas apresentadas por este advogado?

Além disso, Sr Embaixador, eu portava o documento da reserva do Hotel que comprovava exatamente o argumento que a Polícia utilizou para negar minha entrada.

Ademais, mesmo que o argumento da Polícia tivesse sido, e não foi, a inexistência de reserva de hotel em meu nome (visto que a reserva foi de um quarto duplo e o site do Hotel não exigiu dois nomes), eu lhe perguntaria: existe algum sistema nacional coordenado pelo Ministério do Turismo ou qualquer outro Ministério, que obrigue os sites de todos os Hotéis da Espanha a exigirem a descrição de dois nomes quando do ato da reserva de um quarto duplo?

Com relação à segunda questão abordada em sua carta: “não se usou adequadamente o mecanismo previsto para estes casos, mediante a intervenção do Consulado Geral do Brasil em Madrid.”

Reafirmo que acionei adequadamente o Consulado Geral do Brasil, conforme foi confirmado pelo Itamaraty. Lembrando que somente pude acessar porque comprei cartões telefônicos da própria Polícia, caso contrário não teria conseguido acioná-lo.

Quero explicitar que os questionamentos aqui presentes visam, sobretudo, pautar a discussão no seio da sociedade sobre o imperativo ético da garantia dos direitos humanos de todos os cidadãos do mundo.

Por fim, uma pergunta não cala: será coincidência do acaso o fato de somente estar detidos latino-american@s e/ou negr@s?

Respeitosamente,

Denise Severo

Pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB)

Coordenadora Pedagógica do Projeto Vidas Paralelas (MinC/MS/UnB/REC-ST)

deniseosorios@hotmail.com

Para ler o protesto original, clique aqui.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/debate-necessario-a-espanha-violou-direitos.html

Fórum Social Mundial começa com marcha popular

06/02/2011
Da Agência Lusa

Brasília
- Uma marcha popular com a participação de milhares de pessoas deu início hoje (6) à 11ª edição do Fórum Social Mundial (FSM) que, durante seis dias, vai reunir em Dacar, Senegal, cerca de 450 mil participantes de 120 países.

Os organizadores do FSM já anunciaram a chegada a Dacar do presidente da Bolívia, Evo Morales, do recém-eleito chefe de estado da Guiné-Conacri, Alpha Conde, assim como do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

No encontro ainda vão estar presentes o presidente da Comissão da União Africana, Jean Ping, e representantes de grupos de esquerda de vários países e do movimento contra a globalização.

Dedicado ao tema “Resistência e Luta dos Povos de África”, os trabalhos do FSM em Dacar vão estar concentrados nas atuais preocupações políticas, econômicas, sociais, culturais e ambientais.

As manifestações, as conferências e os debates serão sediados na Universidade Cheikh Anta Diop, em Dacar, e na ilha de Gorée.

Os organizadores esperam gastar 1,5 milhão de euros com o encontro, um orçamento financiado principalmente por organizações não governamentais integrantes do FSM.

A reunião do Fórum Social Mundial ocorre pela segunda vez na África. Em 2007, o evento foi realizado em Nairobi, no Quênia.
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/home;jsessionid=9A3661E94C621A7C7595562C8E011674?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&_56_groupId=19523&_56_articleId=3182472

Durante FSM, Carvalho diz que Brasil tem posição cautelosa e não pedirá saída de Mubarak

06/02/2011
Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África


Dacar (Senegal)
– O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirmou que o Brasil “tem uma posição de cautela, observação e apoio à democracia” em relação aos recentes conflitos no Egito e não fará pedidos pela saída imediata do presidente Hosni Mubarak.

“Não podemos fazer uma intervenção desse modo – não é nosso feitio”, afirmou Carvalho, logo após participar da cerimônia de abertura da 11ª edição do Fórum Social Mundial, em Dacar, no Senegal. “Temos apenas a expectativa de que o presidente Mubarak tenha bom senso, evite o derramamento de sangue e a violência."

Para Carvalho, “os movimentos de massa [do Egito] lembram muito os que tivemos no Brasil contra a ditadura. Esperamos que ocorra o mesmo que conosco: que esses movimentos saiam dessas lutas para regimes e sistemas de governo democráticos.”

O ministro chefia a delegação brasileira que participa do Fórum Social Mundial, que começou hoje (6) na capital do Senegal. Além dele, também estão no Senegal a ministra da Secretaria de Direitos Humanos Maria do Rosário, e a da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial Luiza Helena de Barros.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já chegou a Dacar onde participa amanhã (7) de uma mesa sobre o futuro da África.

No discurso de abertura, Gilberto Carvalho lembrou que o país abrigou as primeiras edições do fórum, em Porto Alegre (RS), em 2001, onde se discutiram alternativas que, depois, se mostraram úteis no combate, por exemplo, à crise mundial.

“A crise nos levou a fugir do caminho imposto pelo FMI [Fundo Monetário Internacional] e outros órgãos, que levou à recessão e miséria”, disse Carvalho. “Era a fórmula da derrota. Mas vimos que nós podíamos encontrar o caminho verdadeiro, deixando de lado a cartilha neoliberal. Preferimos apostar no financiamento à produção e no consumo interno, que nos tirou da crise antes dos outros”

Carvalho disse que o Brasil compareceu ao fórum para ouvir e partilhar experiências. De acordo com ele, “governo nenhum salva país algum” sem ouvir a sociedade. “A crise internacional só confirmou que era preciso estabelecer novas relações econômicas, sociais e políticas no mundo. E o fórum foi esse laboratório.”

Repetindo um gesto feito pelo ex-presidente Lula em algumas ocasiões (inclusive no Senegal, em 2005), Gilberto Carvalho pediu desculpas pela escravidão, o que provocou muitos aplausos. O ministro reconheceu que a pobreza ainda é um problema que “envergonha e vitima milhões de brasileiros” e indicou que o combate à miséria seguirá como prioridade no atual governo.

Edição: Lílian Beraldo
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/home;jsessionid=9A3661E94C621A7C7595562C8E011674?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-3&p_p_col_count=7&_56_groupId=19523&_56_articleId=3182513