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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Federais se unem e lançam campanha por servidores e serviços públicos

31.01.2011
Do site do Sindsprev
Postado por Wedja Gouveia


Cerca de vinte entidades nacionais que representam a totalidade dos trabalhadores do Executivo Federal uniram forças para lançar uma grande campanha em defesa dos servidores e serviços públicos brasileiros. A campanha será oficialmente lançada, em todo o país, no próximo dia 16 de fevereiro, em Brasília, com a realização de uma grande marcha na Esplanada dos Ministérios.

Servidores de todo o país, ativos, aposentados e pensionistas serão convocados para participar dessa jornada por melhores condições de trabalho e serviços públicos de qualidade para a população. O indicativo da mobilização foi definido em reunião ampliada da Coordenação Nacional das Entidades dos Servidores Públicos Federais (CNESF) realizada nos dias 25 e 26 de janeiro, em Brasília, com a participação de representantes de várias entidades, entre elas a CNTSS/CUT.

A presidente da CNTSS, Maria Aparecida Faria, informou que até o final desta semana será definida a data da plenária que a Confederação fará com as suas entidades filiadas, visando organizar as mobilizações dos servidores do ramo da seguridade social. “A realização desta campanha unificada é importantíssima para construímos a mobilização com as categorias do funcionalismo e evitar a aprovação de medidas que prejudiquem os servidores e o serviço público”, destacou.

Além do ato público que acontece no dia 16 de fevereiro, as entidades representativas dos servidores também vão realizar um trabalho de pressão no Congresso Nacional a partir do dia 17 de fevereiro até o dia 20 de março. Uma grande força tarefa será montada neste período para garantir apoio de parlamentares para derrubada de projetos prejudiciais aos servidores e serviços públicos e aprovação de propostas que fortalecem o setor.

O lançamento da campanha salarial dos servidores também será feito em todos os estados brasileiros no mesmo dia 16 de fevereiro. No dia 17, acontecem plenárias setoriais das entidades que participam da campanha dos servidores federais. No dia 18 de fevereiro, as entidades nacionais se reúnem para avaliar o lançamento da campanha e discutir o desdobramento e continuidade do calendário de atividades da categoria.

Pauta unificada- A reunião ampliada realizada nos dias 25 e 26/01 também definiu as reivindicações centrais da campanha, que são: contra as reformas que tiram direitos dos trabalhadores; por negociações coletivas e respeito ao direito de greve; pela retirada imediata de todos os projetos que atacam os direitos dos servidores (como PL 92, PLC 549 e MP 520); reajuste linear com efetiva reposição salarial; incorporação de gratificações, paridade entre ativos e aposentados, defesa da aposentadoria e respeito à jornada histórica de 30h do funcionalismo.

Março já tem agenda – No dia 24 de março as entidades nacionais agendaram um novo ato público. O objetivo é tentar uma audiência pública em Brasília com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, para discutir a pauta de reivindicação dos servidores federais e orçamento 2011. Antes, porém, as entidades seguem buscando esta reunião já pedida oficialmente pelas entidades. No dia 25 de março devem acontecer novas plenárias setoriais e no dia 26 mais uma reunião ampliada das entidades nacionais para avaliar a luta da categoria e projetar novas atividades em defesa do setor.
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Fonte:http://sindsprev.org.br/index.php?categoria=noticias_principais_01&codigo_noticia=0000001790&cat=noticias

PR vai ouvir Mabel antes de abrir processo de expulsão

2/2/2011
Do MSN NOTÍCIAS
Por Eduardo Bresciani, do Estadão

BRASÍLIA
- A Executiva do PR recuou nesta quarta-feira, 2, e agora vai ouvir o deputado Sandro Mabel (PR-GO) antes de abrir um processo de expulsão contra o parlamentar. Na terça, o PR anunciou que abriria o processo nesta manhã. Nesta quarta, porém, em café da manhã, deputados do partido pediram que o colega tenha a chance de se explicar antes da abertura do processo. O pedido foi atendido pela Executiva.

Mabel enfrenta problemas no partido por ter sido candidato avulso na eleição para a presidência da Câmara, enfrentando Marco Maia (PT-RS), que tinha o apoio do PR. Apesar da falta de estrutura, Mabel conseguiu 106 votos na disputa.

Nos últimos dias, a Executiva do partido usou a ameaça de expulsão para tentar forçar Mabel a desistir. Ele, no entanto, manteve a candidatura até o fim. 'Não sou covarde', disse, ao registrar ontem a candidatura. Diante da persistência de Mabel, o líder do partido na Câmara, Lincoln Portela (MG), chegou a anunciar a abertura de um processo de expulsão se Mabel não pedisse desfiliação da legenda até as 10 horas de hoje.

Nesta manhã, porém, deputados do partido ligados a Mabel intercederam para pedir mais tempo ao colega. Eles solicitaram à Executiva que Mabel tivesse a chance de se explicar antes da abertura do processo. O pedido foi aceito e a expectativa da Executiva é que Mabel procure o partido ainda hoje para tentar explicar os motivos que o levaram a desobedecer a ordem partidária.
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Fonte:http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/artigo.aspx?cp-documentid=27514803

Propriedade cruzada total é como jaboticaba: só tem no Brasil

02/02/11
Do BLOG DA CIDADANIA, de Eduardo Guimarães



João Brant, do Intervozes, é um dos maiores especialistas em comunicação que tive o prazer de conhecer. Seu artigo abaixo reproduzido tem um caráter seminal pelo esclarecimento definitivo sobre o por que de a comunicação brasileira ser a Zorra Total que é. Uma bagunça na qual as vozes de meia dúzia de multimilionários se sobrepõem às de todos os outros setores majoritários da sociedade que pensam diferente e que são impedidos, pelos talões de cheque desses barões da imprensa, de expor suas idéias. Não deixe de ler.

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Por João Brant, no Observatório do Direito à Comunicação (via portal Vermelho)


Na maior parte das democracias consolidadas, há limites a essa prática por se considerar que ela afeta a diversidade informativa. No Brasil, não existem limites, e justamente por isso esse é um dos temas em pauta no debate sobre uma nova lei para os serviços de comunicação audiovisual.

Aparentemente não foi bem isso que o ministro Paulo Bernardo afirmou, o que significa que o jornal resolveu dizer o não dito por conta própria. Curioso é que o mesmo jornal afirma regularmente ser a favor de medidas anticoncentração da mídia. Seria então um alerta às forças democráticas? Durante o último processo eleitoral, o Estadão declarou em editorial estar “de pleno acordo” com a necessidade de se discutir os limites à propriedade cruzada. E ainda: “não é de hoje que o Estado critica a concentração da propriedade na mídia e as facilidades para que um punhado de grupos econômicos controle, numa mesma praça, emissoras e publicações”.

Em 2003, o jornal fez mais de um editorial criticando a “cartelização da mídia” nos EUA, que iria surgir como resultado de medidas propostas pela FCC (Federal Communications Commission), órgão regulador das comunicações por lá. Aquele processo (e a revisão seguinte, de 2007) resultou num certo afrouxamento das regras norte-americanas, embora as mudanças mais liberalizantes propostas pela FCC tenham sido barradas pelo Poder Judiciário e pelo Congresso – com votos contrários inclusive dos republicanos –, após uma grande mobilização popular. Mas, afinal, por que esses limites são tão importantes a ponto de milhões de pessoas, em um país então governado por George W. Bush, terem se mobilizado para defendê-los?

Por quê

Historicamente, são duas as razões para se limitar a concentração de propriedade nas comunicações. A primeira é econômica, e pode ser entendida como tendo a mesma base das leis antitruste. A concentração em qualquer setor é considerada prejudicial ao consumidor porque gera um controle dos preços e da qualidade da oferta por poucos agentes econômicos, além de desestimular a inovação. Em alguns mercados entendidos como monopólios naturais (como a de transmissão de energia, de água ou telecomunicações), a concentração é tolerada, mas para combater seus efeitos são adotadas diversas medidas que evitam o exercício do ‘poder de mercado significativo’ que tem aquela empresa.

O segundo motivo tem mais a ver com questões sociais, políticas e culturais. Os meios de comunicação são os principais espaços de circulação de ideias, valores e pontos de vista, e portanto são as principais fontes dos cidadãos no processo diário de troca de informação e cultura. Se este espaço não reflete a diversidade e a pluralidade de determinada sociedade, uma parte das visões ou valores não circula, o que é uma ameaça à democracia. Assim, é preciso garantir pluralidade e diversidade nas comunicações para garantir a efetividade da democracia.

Uma das maneiras mais efetivas de se conseguir pluralidade e diversidade de conteúdos é garantindo que os meios de comunicação estejam em mãos de diferentes grupos, com diferentes interesses, que representem as visões de diferentes segmentos da sociedade. Ainda que a pluralidade na posse dos meios de comunicação não reflita necessariamente a pluralidade do conteúdo veiculado, na maior parte dos exemplos estudados essa correlação é positiva, especialmente no tocante à diversidade de ideias e pontos de vista (no caso da diversidade de tipos de programa, não necessariamente).

Como


Limites à propriedade cruzada tem a ver fundamentalmente com essa segunda justificativa. Países como Estados Unidos, França e Reino Unido adotam esses limites por entenderem que a concentração de vozes afeta suas democracias. É importante notar que nesses países esses limites são antigos, mas têm sido revistos e, via de regra, mantidos – ainda que relaxados, em alguns casos. Mesmo com todos os processos liberalizantes, revisões regulares de seus marcos regulatórios e convergência tecnológica, esses países seguem mantendo enxergando a propriedade cruzada como um problema.

O que aconteceu nas últimas décadas foi uma complexificação dos critérios de análise adotados, incluindo alcance e audiência como critérios definidores. Os Estados Unidos, por exemplo, tinham uma regra clássica de limite à concentração cruzada em âmbito local: nenhuma emissora poderia ser dona de um jornal que circulasse na cidade em que ela atua.

Essa regra foi levemente flexibilizada em 2007, quando se passou a levar em conta o índice de audiência das emissoras e o número de meios de comunicação independentes presentes naquela localidade. Mas essa flexibilização só vale para as vinte maiores áreas de mercado dos EUA (são 210 no total) e só acontece se o canal de TV não está entre os quatro mais vistos e se restam pelo menos oito meios independentes. Dá para ver, portanto, que a flexibilização é a exceção, não a regra.

Na França, há regras para propriedade cruzada em âmbito nacional e em âmbito local. Em cada localidade, nenhuma pessoa pode deter ao mesmo tempo licenças para TV, rádio e jornal de circulação geral distribuídos na área de alcance da TV ou da rádio. No Reino Unido, nenhuma pessoa pode adquirir uma licença do Canal 3 (segundo maior canal de TV, primeiro entre os canais privados) se ela detém um ou mais jornais de circulação nacional que tenham juntos mais que 20% do mercado. Essa regra vale também para o âmbito local. No caso britânico, há outras regras que utilizam um complexo sistema de pontuação para sopesar o impacto de licenças nacionais e locais de TV e rádio e jornais de circulação local e nacional.

Como se vê, nem com as mais agressivas tentativas de liberalização conseguiu-se chegar perto da situação brasileira, que simplesmente não prevê limites à propriedade cruzada. Exemplos como o da Globo no Rio de Janeiro, que controla a principal TV, as principais rádios e o único jornal da cidade voltado ao público formador de opinião (sem contar TV a cabo, distribuidora de filmes etc.) são completamente impensáveis em democracias avançadas. Assim, independentemente da fórmula que irá adotar, se o Brasil quiser aprovar um novo marco regulatório para o setor que seja de fato fortalecedor da diversidade informativa, e portanto de nossa democracia, essa questão não pode estar ausente. A despeito do que digam Estados e Globos.
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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/02/propriedade-cruzada-total-e-como-jaboticaba-so-tem-no-brasil/

Justiça vai retirar dos aeroportos aviões ociosos de empresas falidas, como a Vasp

02/02/2011
Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil

São Paulo
- As 27 aeronaves ociosas da Vasp, que estão espalhadas pelos aeroportos brasileiros, serão o primeiro alvo do Programa Espaço Livre, lançado hoje (2), em São Paulo, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O objetivo do programa é, até o fim do ano, retirar do pátio dos aeroportos todos os aviões que estão sob custódia da Justiça, vinculados às massas falidas (credores) das empresas aéreas quebradas.

Segundo informações do CNJ, a estadia de cada avião parado nos terminais custa R$ 1,2 mil por dia aos credores. Essas aeronaves ocupam grandes áreas que poderiam ser utilizadas de outras maneiras para otimizar os terminais. os aparelhos também estão se deteriorando rapidamente, perdendo valor econômico. Nove aviões da Vasp estão no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, ocupando uma área de 170 mil metros quadrados (m²). Também há aviões da Vasp estacionados nos aeroportos do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte, Salvador, Manaus, Brasília, Campinas e Guarulhos.

De acordo com a ministra do Superior Tribunal de Justiça Eliana Calmon, o sucesso dos leilões está garantido pelo fato de que as aeronaves não serão vendidas inteiras, e sim, desmontadas, tendo as partes leiloadas na medida em que haja interesse. “Existe muita gente interessada em comprar essa sucata, que é rica. Há muitos componentes da aeronave que têm grande valor e, por isso mesmo, temos um avaliador qualificado que nos auxiliará”, disse a magistrada.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, informou que os aviões serão desmontados e as peças armazenadas em espaços externos dos aeroportos. O dinheiro arrecadado com o leilão será encaminhado para a massa falida, que é a proprietária dos aviões.

Os custo do desmonte das aeronaves e do armazenamento das peças serão bancados pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). “É muito mais barato para a Infraero arcar com esse custo do que manter ocupado o espaço do pátio onde não se tem como cobrar taxas de ocupação compatíveis”, disse Jobim.

O ministro explicou que a remoção dessas aeronaves ociosas permitirá o uso mais racional dos espaços aeroportuários, aumentando, inclusive, a capacidade de pousos e decolagens.

O juiz auxiliar da Corregedoria do CNJ, Marlos Melek, explicou que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) fará um laudo para avaliar quais as aeronaves que ainda têm condições de uso. Ele disse que é impossível calcular o prejuízo por causa de todos os aviões parados. “Se contabilizarmos seis anos que 170 mil metros quadrados estão sem uso e com um piso pronto para o deslocamento dos aviões, o prejuízo é incalculável. Isso falando só de Congonhas. Se a Infraero licita esse espaço, além do movimento de aviões, teria um terminal de passageiros com restaurantes, pontos de venda, bancos”.

Segundo o CNJ, depois da Vasp, o programa vai retirar os aviões de outras companhias aéreas falidas, como Transbrasil, Fly e Skymaster. O programa também vai abranger os aviões apreendidos em processos criminais, que devem ser retirados dos pátios até agosto.

Edição: Vinicius Doria
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/home?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-3&p_p_col_pos=1&p_p_col_count=7&_56_groupId=19523&_56_articleId=3179811

Mulheres exigem a saída de Berlusconi

01.02.2011
Do blog de Altamiro Borges
Por Altamiro Borges

Enquanto a mídia nativa volta a dar amplos espaços para Silvio Berlusconi, na sua ofensiva pela extradição do ativista Cesare Battisti, a situação do primeiro-ministro italiano é cada vez mais delicada. Vários setores da sociedade exigem o fim do seu governo fascistóide, acusado de corrupção, remessa ilegal de divisas, desmandos e, novamente, de exploração sexual de menores.

"O delírio senil do primeiro-ministro"

O jornal espanhol “Público” noticia hoje que “mais de 10 mil mulheres se concentraram na Praça Scala, de Milão, como o propósito de ‘recuperar a dignidade’ de um país que nas últimas semanas só fala das jovens que vendem seu corpo ao primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, com a promessa de dinheiro ou um posto de trabalho”.

Em apenas onze dias, mais de 60 mil pessoas também aderiram ao manifesto do jornal italiano L’Unita, que exige o fim “do delírio senil de um homem que tem dinheiro para pagar e comprar coisas e pessoas”. Essa foi a primeira reação da sociedade ao bisonho “caso Ruby”, no qual o bilionário foi acusado de pedofilia. Investigações descobriram que o primeiro-ministro participa de uma criminosa rede de prostituição no país.

“A Itália não é um prostíbulo”

A manifestação da Praça Scala teve a presença de inúmeras lideranças femininas do campo da política e da cultura. Susana Camusso, secretária-geral da Cgil, um dos maiores sindicato na Itália, foi uma das oradoras. Placas ironizaram: “Não quero passar por Arcore”, a mansão onde Berlusconi promove suas festas, “A Itália não é um prostíbulo”.

Ela foi uma prévia do “protesto nacional pela dignidade da mulher”, convocada para 13 de fevereiro. Serão realizados ainda diversos atos para colher assinaturas em todo o país para pedir a demissão de “Il Cavaliere”. Enquanto isto, a mídia colonizada brasileira continua dando espaço ao pedófilo fascista e bravateiro.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/02/mulheres-exigem-saida-de-berlusconi.html

Processo trabalhista: McDonald’s é multado em R$ 13,2 milhões

02/02/2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Por Altamiro Borges, no Blog do Miro


Primeira denúncia foi em 1995

Por descumprir acordos trabalhistas, a poderosa rede de fast food McDonald’s será obrigada a destinar R$ 11,7 milhões, nos próximos nove anos, à promoção de campanhas publicitárias contra o trabalho infantil. A punição foi aplicada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e passou a valer a partir de janeiro. A multinacional estadunidense ainda deverá doar outros R$ 1,5 milhão à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) para a aquisição de equipamentos de reabilitação física.

A decisão representa um duro golpe na imagem do McDonald’s. Entre as irregularidades, o MPT listou a ausência da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) e da emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), alimentação inadequada e a falta de vestiários. Em algumas franquias, o expediente ultrapassava o limite legal de duas horas extras diárias e os funcionários não tinham descanso semanal previsto em lei. O McDonald’s também é acusado de dificultar a sindicalização dos trabalhadores.

Abusos na multinacional são antigos

As primeiras denúncias por descumprimento de acordos coletivos foram feitas pelo Sinthoresp (Sindicato dos Trabalhadores em Serviços de Hospedagem, Gastronomia, Alimentação de São Paulo), em 1995. A batalha jurídica foi prolongada e dura, mas agora deu seus frutos. “Foi uma vitória. As empresas têm de cumprir as leis trabalhistas e, se não estiverem dispostas a respeitar os direitos dos trabalhadores, devem ser punidas”, disse o presidente da entidade, Francisco Calasans.

Numa reportagem de dezembro passado, a própria revista Época lembrou que os abusos trabalhistas na rede são antigos. “Em 2008, o MPT e o McDonald’s firmaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), estabelecendo prazos para a adequação das condições de trabalho dos empregados da rede. Recentemente, ao constatar que os itens do TAC não estavam sendo cumpridos, o MPT ameaçou aplicar multa milionária à rede. O acordo da campanha publicitária e da doação à USP serviu para evitar a multa. Ele não desobriga o McDonald’s a encontrar soluções para os problemas trabalhistas listados na Ação Civil Pública original”.
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Fonte:http://www.escrevinhador.com.br/

João Brant: por que e como se limita a propriedade cruzada

01.02.2011
Do portal VERMELHO
Por João Brant, no Observatório do Direito à Comunicação


Na última semana, o jornal O Estado de S.Paulo publicou uma matéria na qual dizia que o governo havia desistido de estabelecer limites à propriedade cruzada. Para quem não sabe, propriedade cruzada é quando o mesmo grupo controla diferentes mídias, como TV, rádios e jornais.

Na maior parte das democracias consolidadas, há limites a essa prática por se considerar que ela afeta a diversidade informativa. No Brasil, não existem limites, e justamente por isso esse é um dos temas em pauta no debate sobre uma nova lei para os serviços de comunicação audiovisual.

Aparentemente não foi bem isso que o ministro Paulo Bernardo afirmou, o que significa que o jornal resolveu dizer o não dito por conta própria. Curioso é que o mesmo jornal afirma regularmente ser a favor de medidas anticoncentração da mídia. Seria então um alerta às forças democráticas? Durante o último processo eleitoral, o Estadão declarou em editorial estar “de pleno acordo” com a necessidade de se discutir os limites à propriedade cruzada. E ainda: “não é de hoje que o Estado critica a concentração da propriedade na mídia e as facilidades para que um punhado de grupos econômicos controle, numa mesma praça, emissoras e publicações”.

Em 2003, o jornal fez mais de um editorial criticando a “cartelização da mídia” nos EUA, que iria surgir como resultado de medidas propostas pela FCC (Federal Communications Commission), órgão regulador das comunicações por lá. Aquele processo (e a revisão seguinte, de 2007) resultou num certo afrouxamento das regras norte-americanas, embora as mudanças mais liberalizantes propostas pela FCC tenham sido barradas pelo Poder Judiciário e pelo Congresso – com votos contrários inclusive dos republicanos –, após uma grande mobilização popular. Mas, afinal, por que esses limites são tão importantes a ponto de milhões de pessoas, em um país então governado por George W. Bush, terem se mobilizado para defendê-los?

Por quê

Historicamente, são duas as razões para se limitar a concentração de propriedade nas comunicações. A primeira é econômica, e pode ser entendida como tendo a mesma base das leis antitruste. A concentração em qualquer setor é considerada prejudicial ao consumidor porque gera um controle dos preços e da qualidade da oferta por poucos agentes econômicos, além de desestimular a inovação. Em alguns mercados entendidos como monopólios naturais (como a de transmissão de energia, de água ou telecomunicações), a concentração é tolerada, mas para combater seus efeitos são adotadas diversas medidas que evitam o exercício do 'poder de mercado significativo' que tem aquela empresa.

O segundo motivo tem mais a ver com questões sociais, políticas e culturais. Os meios de comunicação são os principais espaços de circulação de ideias, valores e pontos de vista, e portanto são as principais fontes dos cidadãos no processo diário de troca de informação e cultura. Se este espaço não reflete a diversidade e a pluralidade de determinada sociedade, uma parte das visões ou valores não circula, o que é uma ameaça à democracia. Assim, é preciso garantir pluralidade e diversidade nas comunicações para garantir a efetividade da democracia.

Uma das maneiras mais efetivas de se conseguir pluralidade e diversidade de conteúdos é garantindo que os meios de comunicação estejam em mãos de diferentes grupos, com diferentes interesses, que representem as visões de diferentes segmentos da sociedade. Ainda que a pluralidade na posse dos meios de comunicação não reflita necessariamente a pluralidade do conteúdo veiculado, na maior parte dos exemplos estudados essa correlação é positiva, especialmente no tocante à diversidade de ideias e pontos de vista (no caso da diversidade de tipos de programa, não necessariamente).

Como

Limites à propriedade cruzada tem a ver fundamentalmente com essa segunda justificativa. Países como Estados Unidos, França e Reino Unido adotam esses limites por entenderem que a concentração de vozes afeta suas democracias. É importante notar que nesses países esses limites são antigos, mas têm sido revistos e, via de regra, mantidos – ainda que relaxados, em alguns casos. Mesmo com todos os processos liberalizantes, revisões regulares de seus marcos regulatórios e convergência tecnológica, esses países seguem mantendo enxergando a propriedade cruzada como um problema.

O que aconteceu nas últimas décadas foi uma complexificação dos critérios de análise adotados, incluindo alcance e audiência como critérios definidores. Os Estados Unidos, por exemplo, tinham uma regra clássica de limite à concentração cruzada em âmbito local: nenhuma emissora poderia ser dona de um jornal que circulasse na cidade em que ela atua.

Essa regra foi levemente flexibilizada em 2007, quando se passou a levar em conta o índice de audiência das emissoras e o número de meios de comunicação independentes presentes naquela localidade. Mas essa flexibilização só vale para as vinte maiores áreas de mercado dos EUA (são 210 no total) e só acontece se o canal de TV não está entre os quatro mais vistos e se restam pelo menos oito meios independentes. Dá para ver, portanto, que a flexibilização é a exceção, não a regra.

Na França, há regras para propriedade cruzada em âmbito nacional e em âmbito local. Em cada localidade, nenhuma pessoa pode deter ao mesmo tempo licenças para TV, rádio e jornal de circulação geral distribuídos na área de alcance da TV ou da rádio. No Reino Unido, nenhuma pessoa pode adquirir uma licença do Canal 3 (segundo maior canal de TV, primeiro entre os canais privados) se ela detém um ou mais jornais de circulação nacional que tenham juntos mais que 20% do mercado. Essa regra vale também para o âmbito local. No caso britânico, há outras regras que utilizam um complexo sistema de pontuação para sopesar o impacto de licenças nacionais e locais de TV e rádio e jornais de circulação local e nacional.

Como se vê, nem com as mais agressivas tentativas de liberalização conseguiu-se chegar perto da situação brasileira, que simplesmente não prevê limites à propriedade cruzada. Exemplos como o da Globo no Rio de Janeiro, que controla a principal TV, as principais rádios e o único jornal da cidade voltado ao público formador de opinião (sem contar TV a cabo, distribuidora de filmes etc.) são completamente impensáveis em democracias avançadas. Assim, independentemente da fórmula que irá adotar, se o Brasil quiser aprovar um novo marco regulatório para o setor que seja de fato fortalecedor da diversidade informativa, e portanto de nossa democracia, essa questão não pode estar ausente. A despeito do que digam Estados e Globos.
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Fonte:http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=146632&id_secao=6

Sarney anuncia comissão para reforma política, mas alerta para "interesses corporativos"

01/02/2011
Do UOL NOTÍCIAS
Da Agência Senado
Em Brasília


O presidente do Senado, José Sarney, anunciou na tarde desta terça-feira (2), que vai criar uma comissão especial para discutir e apresentar, ainda no primeiro semestre deste ano, uma proposta de reforma política. Entre seus compromissos antes de assumir novamente a presidência da Casa para o biênio 2011-2012, Sarney disse que esta seria uma de suas prioridades.

"Vou convocar os presidentes dos partidos políticos; vou pessoalmente procurá-los. Vou fazer uma comissão para, com prazo certo, apresentar propostas", afirmou.

Ao chegar ao Senado pela manhã, Sarney havia alertado para a necessidade de se tentar a reforma já em 2011, primeiro ano da nova legislatura. A experiência mostraria que a partir do segundo ano uma reforma política teria muitas dificuldades em ser aprovada, especialmente por causa da ação de "interesses corporativos".

Após dirigir a 3ª reunião preparatória para a escolha dos membros titulares da Mesa do Senado, o presidente Sarney, em rápida entrevista à imprensa, disse esperar alguma dificuldade para a próxima etapa: a eleição dos presidentes das 11 comissões permanentes da Casa.

"Não tenho bola de cristal, mas acho que comissão tem sempre problema", disse.

Apesar de escolhidos os vice-presidentes e secretários da Mesa, ainda devem ser eleitos os quatro suplentes, a serem indicados na reunião agendada para as 13h desta quarta-feira (2). Na sequência, também ocorrerá, às 16h, a sessão solene do Congresso Nacional destinada a inaugurar a 1ª Sessão Legislativa Ordinária da 54ª Legislatura, no Plenário da Câmara dos Deputados.
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Fonte:http://noticias.uol.com.br/politica/2011/02/01/sarney-anuncia-comissao-para-reforma-politica-mas-alerta-para-interesses-corporativos.jhtm

Tucano envolvido em escândalo cuidará da verba do Senado

01.02.2011
Do portal VERMELHO


Após a reeleição de José Sarney (PMDB-AP) para a presidência do Senado, foi escolhida nesta terça-feira a composição da Mesa Diretora da Casa. A senadora Marta Suplicy (PT-SP) foi eleita para a primeira-vice-presidência e a segunda vice ficou com Wilson Santiago (PMDB-PB). A primeira secretaria será comandada por Cícero Lucena (PSDB-PB), a segunda secretaria por João Ribeiro (PR-TO), o terceiro secretário será João Vicente Claudino (PTB-PI) e Ciro Nogueira (PP-PI) será o quarto secretário.

Os nomes foram aprovados por 71 votos a favor, quatro votos contrários e uma abstenção. Os suplentes serão decididos em reunião marcada para o início da tarde desta quarta-feira.

Antes da votação, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) questionou a decisão do PT de fazer um rodízio entre seus senadores, tanto na primeira-vice-presidência da Casa como no comando da Comissão de Assuntos Econômicos. Desta forma, Marta Suplicy teria de renunciar após um ano no cargo a favor de José Pimentel (CE). O questionamento foi descartado pelo líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). Ele ponderou que não há como questionar um acontecimento previsto para o futuro.

Tucano investigado vai cuidar do dinheiro

Mas o lance mais questionável na distribuição de cargos ficou por conta da indicação do senador Cícero Lucena (PB) para o cargo de primeiro-secretário. Eleito em 2006, o senador tucano foi preso em julho de 2005, quando exercia a função de secretário de Planejamento da Paraíba, acusado de chefiar a quadrilha acusada de desviar verbas públicas e de fraudar licitações, desbaratada pela Operação Confraria, da Polícia Federal.

Como primeiro-secretário, ele será o responsável pela administração dos recursos da Casa, de cerca de R$ 3 bilhões, e pelos contratos milionários com fornecedores de mão de obra terceirizada e demais serviços e produtos. O líder Álvaro Dias (PSDB-PR) afirma que não existe condenação contra ele. "Ele está se saindo bem de todas as questões, não podíamos deixar de dar um voto de confiança a ele", afirma. O processo corre protegido pelo segredo de justiça, no Supremo Tribunal Federal (STF).

Com agências
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Fonte:http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=146633&id_secao=1

A cruzada da mídia contra o Brasil

30.01.2011
Do blog de Altamiro Borges


Reproduzo artigo de José Dirceu, publicado em seu blog:

Uma ampla e articulada campanha - espontânea não é - que se consolida na mídia quer que o Brasil corte gastos sociais, reduza salários, controle seu crescimento econômico e o aumento do emprego, da renda, e da demanda agregada. Querem sangue. Parece não estarem vendo o que está acontecendo no mundo.

Verdadeira cruzada contra o país, esta campanha agora ganha destaque internacional com as afirmações contidas em um relatório com cheiro de mofo do FMI. Isso mesmo, relatório evidentemente cantado em prosa e verso pelo Jornal Nacional e por toda a mídia conservadora e de oposição.

O argumento é o de sempre: há um choque de demanda sem a correspondente oferta, o que produz inflação. Para eles, estamos perigosamente atingindo o pleno emprego, há escassez de trabalhadores qualificados e nossa economia não consegue atender a demanda que cresce. Por isso, ameaçam-nos com o fantasma da inflação e do estrangulamento externo.

Tudo culpa do governo...

Tudo culpa do governo e de seus gastos, de seu endividamento, do baixo superávit, dos aumentos (reais no governo Lula) do salário mínimo e dos benefícios da Previdência. Acusam o governo, inclusive, de maquiar o superávit com operações contábeis duvidosas, mas que são tão reais quanto o aumento da receita tributária.

Tem mais: querem o fim dos empréstimos para a agricultura, saneamento, habitação, indústria, das exportações subsidiadas e dos bancos públicos. Alegam que os juros são altos porque estes financiamentos, além de os distorcerem, também expandem a base monetária do país.

Como vemos uma receita e tanto que desconhece o mundo em que vivemos. Basta comparar nosso déficit nominal e nossa dívida pública, e mesmo nosso déficit em conta correntes, com os dos Estados Unidos e Europa para constatar que somos uma ilha de controle e rigor fiscal.

Fora o fato de que o endividamento das famílias e empresas nesses países já atinge 100%, 200%, 300% do PIB, quando aqui ainda nem chegou aos 50%.

Campanha ignora medidas adotadas

Sequer levam em conta as medidas do Banco Central (BC) para conter o crescimento do crédito e a valorização do real. Nem mesmo o aumento da taxa Selic em 0,5% em meados deste mês (de 10,75% para 11,25% ao ano).

Não consideram, pelo contrário, ignoram o anúncio pelo governo do contingenciamento do orçamento de 2011. Tampouco a posição da administração Dilma Rousseff de cumprir fielmente o acordo sobre o salário mínimo é levada em conta.

Exigem mais, querem deter o crescimento, reduzí-lo a 3% ao ano. Tudo com um propósito: quando o clamor popular se transformar em oposição ao governo, derrotá-lo nas urnas, ou nas já conhecidas campanhas cívicas moralistas. A última eleição, a campanha eleitoral do ano passado, foi um pequeno trailer, um filme a que já assistimos e, espero, não ajudemos a reprisar.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/01/cruzada-da-midia-contra-o-brasil.html

Manifesto em apoio à soberania da Venezuela

01.02.2011
Do blog de Altamiro Borges


Reproduzo matéria publicada no jornal Brasil de Fato:

Movimentos sociais lançam um manifesto em apoio ao processo bolivariano na Venezuela frente aos sucessivos ataques da mídia e de setores conservadores ao processo revolucionário em curso no país.

De acordo com o manifesto, “as forças direitistas, que mantiveram o continente latinoamericano a serviço dos interesses do capital e dos Estados Unidos, como agora perderam o poder político em muitos países, se articulam então através do controle que têm dos meios de comunicação”.

A iniciativa busca manifestar a solidariedade ao povo venezuelano, ao seu governo e ao projeto de mudanças sociais que ocorre no país. “Defendemos que haja um processo de democratização de todos os meios de comunicação de massa em todos nossos países, para livrar nossos povos da manipulação e do seu uso, apenas em defesa dos interesses da burguesia e das empresas que querem controlar nossa economia e nossas riquezas”, afirma o documento.

O manifesto será entregue em todas as embaixadas e consulados venezuelanos nesta quarta-feira (02). Haverá também manifestações para divulgação nas representações diplomáticas de Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). Também serão realizados atos em Aracaju (SE) e Salvador (BA).

Aqueles que apóiam o processo bolivariano na Venezuela podem aderir ao manifesto através do e-mail: solidariedadelatina@gmail.com.

Veja a íntegra do documento:

MANIFESTO DE APOIO AO PROCESSO BOLIVARIANO NA VENEZUELA

Brasil, 2 de fevereiro de 2011.

Ao povo da Venezuela,

Ao Governo do Presidente Hugo Chavez,

Aos movimentos sociais da Venezuela.

Estimados companheiros e companheiras,

Há doze anos o povo venezuelano decidiu mudar o rumo da história de seu país, romper com a longa noite neoliberal e décadas de exploração de uma oligarquia que se locupletava com os recursos do petróleo, sem nada beneficiar o povo.

O povo venezuelano pagou o preço da pobreza e das desigualdades sociais.

No dia dois de fevereiro de 1999, resultado de muitas mobilizações populares e de um massacre em Caracas que custou a vida de milhares de cidadãos, finalmente tivemos uma eleição democratica e o presidente venezuelano Hugo Chávez assumiu a Presidência da Venezuela com o compromisso de refundar o país por meio de um processo de transformação social baseado na participação popular e no resgate do papel do Estado como gestor de políticas públicas em pró da maioria da população.

A partir de então, iniciou-se um programa que erradicou o analfabetismo, universalizou o sistema de saude pública, garantiu acesso à universidade aos jovens e iniciou a democratização da propriedade da terra no campo e na cidade. Um novo projeto econômico de desenvolvimento nacional passou a ser construído baseado na utilização dos recursos do petróleo para resolver os problemas fundamentais do povo, como: emprego, moradia, educação, saude, terra e acesso a energia. E o governo assumiu a vocação internacionalista do pensamento de Simon Bolívar e estimulou a integração com outros países e povos da America Latina, contribuindo para processos regionais como o projeto ALBA, entre outros.

Seguindo as regras da democracia representativa, o presidente Chávez e seu projeto de governo realizaram nesse periodo 15 processos eleitorais, sendo vitoriosos em 14, e assumindo publicamente a autocritica da derrota de 2008, como uma lição popular. Mesmo assim, as empresas transnacionais, as classes dominantes locais e os interesses econômicos e militares do império dos Estados unidos não se conformam com a perda do controle do petróleo Venezuelano e com a perda do poder político.

Por isso, durante esses anos todos, têm organizado uma campanha permanente, sistemática, para desqualificar o processo bolivariano, agredindo o povo venezuelano e a seu presidente, como nunca aconteceu antes na historia do país. Usando todas as armas possiveis, desde a tentativa de golpe de Estado, sabotagens e manipulações midiáticas. E ainda ousam denunciar de que não há liberdade de imprensa na Venezuela.

Essas forças direitistas, que mantiveram o continente latinoamericano a serviço dos interesses do capital e dos Estados Unidos, como agora perderam o poder político em muitos países, se articulam então através do controle que têm dos meios de comunicação. E usam os meios de comunicação de massa como sua arma permanente para mentir, manipular e atacar. Isso vem ocorrendo não só na Venezuela, mas também no Brasil, na Argentina e em todos os países da America Latina.

No ano de bicentenário da Independência política de vários países da América Latina, reiteramos que apesar da campanha de ódio orquestrada a partir dos meios massivos de comunicação contra a Venezuela, nosso compromisso de realizar todos os esforços para construir a verdadeira integração de nossos povos, e apoiar o exemplo do povo venezuelano, que inspirados em Simom Bolivar, General Abreu e Lima, Jose Martí, Che Guevara, e tantos outros, nos acena para a necessidade de nos unirmos na América Latina, para juntos nos ajudarmos a resolver os problemas fundamentais de nosso povo.

Por confiar no caráter popular e democrático da revolução bolivariana, por defender o direito soberano do povo venezuelano e de todos os povos do mundo a decidir seu destino, sem ingerência do capital e das forças do império, por considerar de fundamental importância o processo de integração regional que vem sendo impulsado na America Latina nos últimos dez anos, e que se concretiza, atraves da Unasul, do CELAEC e de um projeto de integração popular da ALBA, saímos a público para manifestar nossa solidariedade com o povo venezuelano, ao seu governo e ao projeto de mudanças sociais em curso naquele país.

Defendemos que haja um processo de democratização de todos os meios de comunicação de massa em todos nossos países, para livrar nossos povos da manipulação e do seu uso, apenas em defesa dos interesses da burguesia e das empresas que querem controlar nossa economia e nossas riquezas.

Os povos da América Latina precisam caminhar com suas próprias pernas, trilhando um mesmo caminho, de soberania política, econômica, de controle de seus recursos naturais, para construir sociedades justas, democráticas e igualitárias.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/02/manifesto-em-apoio-soberania-da.html

SÃO PAULO NÃO É FIRMA. CHEGA DE GOVERNANTE CARETA E INCOMPETENTE

25.01.2011
Do blog DESCULPE A NOSSA FALHA
Por Lino Bocchini


O que o ministro da Educação Fernando Haddad, o economista Márcio Pochmann, o urbanista Jorge Wilheim, o ativista Sérgio Amadeu, o empresário Alexandre Youssef, João Sayad e alguns dos melhores quadros políticos do PT e do PC do B, como Rui Falcão, Carlos Zarattini, Nádia Campeão, Arlindo Chinaglia e Paulo Teixeira tinham em comum? Todos integravam o governo Marta Suplicy, que assumiu a Prefeitura em 2001, logo após oito anos da hecatombe Maluf-Pitta. Também estive nesse barco. Foram, aliás, os únicos 4 anos de minha vida em que trabalhei com política –os outros 13 foram no mercado, no Grupo Folha, Abril etc. Foi o suficiente para eu ser taxado/desqualificado como “petista” pro resto da vida, inclusive e principalmente agora, nessa polêmica Folha X Falha.

Como se um filiado ao PT (o que não é meu caso) não pudesse criticar um jornal ou pensar por si só, mas tudo bem, segue o texto. O aniversário de São Paulo é uma boa oportunidade de lembrar a melhor administração municipal que já tivemos. Acompanhei bem de perto o trabalho dessa turma citada aí em cima. Eu trabalhava no Banespinha, a poucos metros da sala de Marta, ao lado do secretário de Governo Rui Falcão, com quem todo dia cedinho eu fazia uma análise diária do noticiário do dia e elaborava um pequeno relatório comentado para o primeiro escalão municipal. Conversava com praticamente todos os secretários, presidentes de estatais, coordenadores e subprefeitos pelo menos uma vez por mês, sempre em busca dos melhores argumentos para rebater as nem sempre construtivas críticas –e a saraivada de bobagens e maldades– que a dita “grande imprensa” despejava na nossa cabeça sem trégua.

É difícil descrever o estado em que pegamos a prefeitura. Era um oceano de corrupção e desorganização, uma completa desestruturação de cada setor, gente contratada irregularmente e funcionários fantasmas em tudo que é canto… daria pra descrever por páginas esse caos, mas deixa pra outra. Lembro claramente que não tinha dinheiro pra nada. Nada mesmo. O orçamento médio anual da gestão Marta foi de pouco mais de R$ 10 bilhões. Começou com menos do que isso e terminou por volta de 13 bi. Mesmo assim, o orçamento municipal de São Paulo sempre foi o terceiro maior do país, atrás apenas da União e do Estado de São Paulo. Supera o quanto estados como Rio ou Minas têm para investir anualmente, por exemplo.

Da saudosa FAlha de S.Paulo, o flagra do comício final de Serra: Alberto Goldman, Otavinho Frias, Bárbara Gancia, Serra, Dimenstein, Alckmin e Gilmar Mendes
Listo apenas algumas das conquistas do governo Marta que (ainda bem) não têm volta: Bilhete Único; fim dos perueiros; dezenas de quilômetros de novos corredores de ônibus; CEUs; telecentros com internet gratuita; isenção de IPTU para um milhão de moradias; subprefeituras; Plano Diretor. E mais uma série de “detalhes” que fazem toda a diferença para uma cidade pulsante como São Paulo. Por exemplo: enquanto Kassab manda cobrir de tinta cinza os grafites dos Gêmeos, artistas respeitados em todo mundo, Alê Youssef, à frente da coordenadoria da juventude, conseguia novos espaços na cidade para a arte de rua, o skate, o rap e tantas outras novas manifestações.

Marta tinha uma espécie de “loucura benéfica”, e ainda um “pé na Europa” bastante positivo. Era “louca” o suficiente para bancar a construção de 20 Centros de Educação Unificados nas periferia, todos com piscinas olímpicas, teatros modernos, bibliotecas e telecentros, mesmo sob uma chuva de críticas – mas vai hoje lá no Itaim Paulista ou na Brasilândia e pergunta se a vida do povo melhorou ou não. Marta era “européia” o suficiente para não ter pudor em conversar com prefeituras do mundo todo, fechando acordos com Buenos Aires, Paris e quem mais aparecesse pela frente com boas ideias. Enfim, tinha a cabeça moderna de quem samba em cima de um trio elétrico toda Parada Gay sem parecer forçado por um único minuto. Era perfeita? Claro que não, mas era, em minha modesta opinião, de longe a melhor prefeita que já tivemos.

E o bundão do Kassab?

Após uma eleição trágica em 2004, marcada por erros do próprio PT e pelo tremendo machismo dos eleitores homens e mulheres em relação à separação de Marta –que largou Suplicy, um santo, para ficar com um gringo bonitão–, estamos agora em meio a oito anos de Serra/Kassab.

Isso que vou falar agora não é exagero: Kassab, essa cria maldita de Serra, tem em suas mãos quase TRÊS VEZES MAIS DINHEIRO (mais de 30 bilhões/ano) do que Marta tinha. agora pense um minuto: você acha que a Prefeitura, hoje, faz 3 vezes mais coisas do que antes, seja que coisas forem? Tudo bem, vamos dar uma colher de chá: você acha que Kassab fez metade do que Marta fez? Onde está esse dinheiro? Aceitando a hipótese de que ninguém esteja roubando, a grana está parada no banco, rendendo juros para banqueiro. Por quê raios não investir isso no que quer que seja, sendo que a cidade é tão absurdamente carente de tudo?? Deve ser por conta da famigerada “responsabilidade fiscal” e a “boa gestão” demo-tucana. Não aguento essa turma que encara a administração pública como a gestão de uma empresa privada. Ideia de jerico.

Como “lucrar e reduzir gastos” com saúde ou educação pública, por exemplo?

Não dá para achar que “o prefeito da cidade tem que ser um síndico”. Não é nada disso. O prefeito de uma metrópole como São Paulo tem que ousar, buscar e lançar tendências mundiais, incansavelmente procurar soluções inovadoras, se cercar de um monte de gente boa de tudo que é canto. Não tem que declarar, na maior cara lavada, “que vai chamar um por um todos os antigos aliados do Serra que não foram aproveitados por Alckmin”. E aí tome um bando de ex-prefeito de cidade do interior virando subprefeito de bairros paulistanos onde nunca pisaram.

Também da antiga Falha: Alckmin, ainda um vereador de Pindamonhangaba, já era amigo de Dimenstein

Não dá mais para avaliarmos se um governante, ainda mais de São Paulo, é bom ou não exclusivamente pela qualidade do asfalto por onde você passa de carro todo dia. Não dá mais para acharmos que a “nova Marginal” foi uma boa obra, sendo que ontem, 24 de janeiro, o rio Tietê transbordou pela 2ª vez depois de não sei quantos anos, afinal reduziu-se drasticamente a área permeável à sua volta e foram cortadas milhares de árvores. O saldo dessa obra estúpida, em português claro: bilhões em gastos, mais enchentes e um trânsito igualmente péssimo.
Chega de acreditar que a cidade alaga por culpa de São Pedro. Se fosse isso mesmo, então para combater as enchentes deveríamos fazer o quê? Um protesto em frente a Catedral da Sé?

Mandar uma menção de repúdio ao santo para o Vaticano?

São Paulo é moderna, vibrante. É pra cá que todo mundo vem pra ganhar dinheiro ou “acontecer”. Tem a Liberdade, a rua Augusta, Oscar Freire, a avenida Paulista e o parque do Ibirapuera. Aqui estão alguns dos melhores restaurantes do mundo (acabei de voltar de um coreano incrível, a pé), e os mais incríveis serviços 24 horas do mundo. É uma cidade em que é mais fácil você ser o que quiser, seja gay, junkie, careta, evangélico, nerd, workaholic ou o que for, sem que ninguém te encha o saco. Por isso mesmo não dá pra termos uma trinca careta, incompetente e limitada como Alckmin, Serra e Kassab atrasando nossa vida por tantos anos e acharmos que tudo bem.
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Fonte:http://desculpeanossafalha.com.br/sao-paulo-nao-e-firma-chega-de-governante-careta-e-incompetente/

MÍDIA E CORRUPÇÃO

30.01.2011
Do blog CLOACA NEWS
Por Roni Chira, do blog
O que será que me dá


Corromper ou subornar são verbos tão antigos como a própria história da humanidade. No Brasil, vão desde aquela singela cervejinha para o guarda de trânsito – mais conhecida como o “jeitinho brasileiro” – até o que Chico Buarque expressou genialmente em “Vai Passar”:

Dormia a nossa Pátria mãe
tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações


Os mecanismos de “subtração” aos quais Chico se referia florescem muito mais onde não há democracia, direitos humanos e justiça social. No Brasil, ganharam maior consistência nos bastidores da ditadura militar, onde a classe política foi imobilizada após o fechamento do congresso pelo AI-5 em 1968. Num cenário destes, qualquer “favorzinho” era negociado na base de propina. Do segundo escalão para baixo do governo militar, a corrupção corria solta enquanto a “Pátria mãe dormia”.

Muita gente usou deste recurso, muitas empresas cresceram quando tiveram “visão de mercado” aliando-se aos governos militares de forma pragmática. Falha e Globo são exemplos clássicos disso.

Quando recebeu das mãos dos militares a concessão pública para operar em território nacional, a Globo era associada ilegalmente ao grupo americano Time-Life. Significa que, além de darem suporte logístico e até militar aos generais (frota marítima americana estacionada na costa brasileira pronta para qualquer intervenção que se fizesse necessária para garantir a “normalidade da ordem golpista”), os americanos também atuaram na outra ponta do esquema.

Para sustentar-se, o governo militar precisava ter voz e apoio na mídia. Isso é fundamental em qualquer golpe (até o surgimento da Internet). Assim, associados à Time-Life, que injetou o capital necessário, os militares e o jornalista Roberto Marinho vitaminaram o grupo Globo – jornal e TV - para tornarem-se a potência que são hoje. As diretrizes básicas: alinhamento e subordinação total do país aos interesses americanos na região.

Devemos lembrar que, naquela época, os monopólios midiáticos ainda estavam engatinhando no Brasil. A Record – que era a vanguarda da TV brasileira – possuía uma única emissora e um auditório com estúdio na Rua da Consolação. Silvio Santos começava a engatinhar com seu Baú e o horário “nobre” da Globo era um pastelão de luta livre que apresentava Ted Boy Marino – o “galã” da emissora. Havia um enorme espaço a ser ocupado para quem incorporasse a ideologia de subserviência aos EUA. A Falha era um jornaleco provinciano. Ofereceu-se como uma prostituta barata à ditadura. O Estadão representava a ultradireita 100% nacionalista.

No ambiente de 64 e nos anos que se seguiram, os caminhos eram estreitos: hipocrisia ou clandestinidade. No prisma da hipocrisia formaram-se políticos como Maluf e Serra. Um lambeu muita botina de milico até adquirir “maioridade” e caminhar com as próprias pernas, recebendo verbas públicas através do voto popular. “Roubou mas fez” – como dizem os paulistas “espertos” que o fazem campeão de votos em cada eleição que participa. O outro chutou a UNE para o alto e deu no pé quando sentiu o cheiro de botina de milico. Só retornou para lamber os sapatos da elite paulista e, através dela e de sua imprensa, conseguir eleger-se a cargos públicos.

O exemplo mais grave de corrupção no Brasil deu-se no final do primeiro mandato de FHC: a compra de votos parlamentares para aprovar a emenda constitucional que garantiria a reeleição do presidente. Foi um golpe de estado do colarinho branco. E, mais uma vez, precisava da mídia. Ou melhor, de sua omissão. O PIG não fez cerimônia: tratou o caso como um mexerico que não merecia mais do que algumas notas de rodapé em seus jornais. Há transgressão maior do que corromper para obter mais um mandato?

Já em 2005, as doações ao caixa dois do PT – que foram usadas para o financiamento de campanhas de diversos parlamentares e envolveram TODOS os partidos – foram um banquete para o PIG. A partir da denúncia de Roberto Jefferson (que embolsou R$ 4 milhões) armou-se um circo “nunca antes visto neste país”. Em seu embalo golpista, a imprensa amplificou e batizou o esquema de Mensalão. Plantou a idéia de que as verbas do esquema eram roubadas dos cofres públicos através de um labirinto de factoides e personagens emaranhados em intermináveis conexões. E essa percepção continua a ser alimentada ou, para se dizer o mínimo, nunca foi contestada. Até hoje não foi provado que o tal Mensalão era um procedimento mensal. Muito menos que utilizava verbas públicas. Rendeu a cabeça de José Dirceu, e quase derrubou Lula.

José Dirceu, aliás, não renunciou para garantir elegibilidade, como a maioria dos acusados fez na época. Preferiu submeter-se à cassação e perder seus direitos políticos convicto de que, mais tarde, provaria sua inocência. A conferir.

Enquanto FHC e os que o antecederam controlavam a mídia e a Polícia Federal, engavetando denúncias e processos de diversas falcatruas que “subtraiam a Pátria”, Lula fez o oposto: deu total autonomia à PF e não impediu nenhuma CPI. Isso gerou números bem contrastantes (veja aqui). E o PIG tratou de configurar estes números como uma avalanche de corrupção orquestrada pelo PT. Colou? Além de colar fácil nas cabeças preconceituosas que não admitiam um operário ser presidente, também criou uma legião de cães raivosos empesteando a sociedade com palavras de ordem fascistas.

O episódio do Mensalão ainda aguarda julgamento para ser passado a limpo. É uma dívida que a justiça e o PT têm com a sociedade brasileira. E a imprensa corrupta e golpista? Continuará impune até quando?
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Fonte:http://cloacanews.blogspot.com/2011/01/midia-e-corrupcao.html

NOTAS SINDICAIS: A ideologia acima de tudo

01.02.2011
Do OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
Por Carlos Brickmann


Este colunista é do tempo em que sindicato existia para defender seus associados. Essa história de sindicato atacar seus associados, insultá-los, agredir a própria profissão que diz representar, é coisa nova.

Está no boletim Últimas Notícias, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, em comentário sobre ranking de circulação.

O texto começa com uma informação falsa: diz que a Folha de S.Paulo foi por 24 anos o periódico de maior circulação no país. Besteira: a revista Veja, por exemplo, é um periódico e sua circulação é maior do que a da Folha. E continua com uma infâmia contra colegas de profissão, muitos dos quais membros do sindicato que agora os insulta: "A informação, que deve ter tirado o sono da famiglia Frias e de de alguns de seus ‘calunistas’ de plantão (...)".

Calunistas? Que besteira é essa? O trocadilho que insinua serem nossos colegas fabricantes de calúnias traz alguma justificativa? Há alguma acusação objetiva? Há alguém que se sinta caluniado? Neste caso, o texto só se justificaria ao mostrar quem se sente caluniado e por qual dos colunistas. O resto é ideologia barata, de quem não sabe a diferença entre Karl e Groucho – e não conseguiu absorver o raciocínio do primeiro nem o humor do segundo.

Ideologia? Desculpe, caro colega. O Hermínio Saccheta era trotskista e jamais agrediu uma pessoa por pensar diferente dele. O Perseu Abramo era petista e nunca atacou pessoalmente um adversário político. O Audálio Dantas soube enfrentar tempos muito difíceis como presidente do nosso sindicato e nunca se deixou deslizar nessa baixaria.

O ataque aos colegas da Folha sem que se explicite o motivo não mostra ideologia: mostra falta de pensamento político, falta de educação, falta de compostura. Mostra aquele sentimento tão feio, a inveja. Nem todos podem chegar a colunistas da Folha, alguns por falta de oportunidade, outros até por injustiça. Mas o cavalheiro que escreveu a nota não poderia chegar lá, não apenas por ser incapaz de distinguir entre os vários tipos de publicação periódica, mas também por falta de conhecimento de nosso ferramental básico de trabalho, o idioma português (embora se arvore em conhecedor do italiano). Quem escreve "Sindicato dos Jornalista", dispensando o plural, tem mesmo de ficar a serviço de seus chefes ideológicos. Que outro emprego poderia conseguir nesta área?

O silêncio dos bons

Na direção do Sindicato dos Jornalistas existem colegas com os quais este colunista não concorda politicamente (e isso, aliás, não tem a menor importância: somos amigos assim mesmo), mas cuja competência e bom-caráter não podem ser colocados em dúvida. Como é que insultos a jornalistas passaram por eles? Provavelmente não lhes foram mostrados. Profissionais como Rose Nogueira, como Denise Fon, como o próprio presidente José Augusto de Oliveira Camargo (Guto), jamais deixariam pseudo-ideólogos agredir colegas usando a máquina do sindicato. Rose Nogueira é ligadíssima ao senador Eduardo Suplicy, por muitos anos colunista da Folha. E, no entanto, isso foi feito.

Brincando com números

A liderança em circulação não chega a ser um dado tão importante assim, exceto para fins publicitários. Nos velhos tempos, O Globo foi o campeão de vendas, mas hoje, com números mais baixos, tem muito mais prestígio. O Jornal do Brasil nunca vendeu tanto quanto O Globo, mas era muito mais influente. O Bild vende várias vezes mais que o Frankfurter Allgemeine Zeitung, mas quem influi é o FAZ. O News of the World vende quase três milhões de exemplares aos domingos, mas quem quer dar seu recado prefere aparecer no Times ou no Guardian. Este ângulo não pode ser ignorado quando se diz que o Super Notícias, jornal belorizontino, superou em 1.203 exemplares diários a Folha.

O importante da notícia, entretanto, não é a ultrapassagem, ou a diferença de circulação, ou a diferença de preço de capa. O importante é a alegria com que alguns colegas – inclusive do sindicato "dos jornalista" – receberam a informação. Tudo bem, deve haver gente que acha que um patrão é mais bonito do que outro.

Só que não é. Ah, a falta que faz um pouco de leitura!

Questão de tendência

De qualquer forma, cabe aos grandes jornais, que se intitulam quality papers, ficar atentos: houve época em que a informação era rara e cara, e não faz tanto tempo assim; hoje a informação é abundante e barata. A informação pode ser obtida gratuitamente – e por que pagar por aquilo que podemos ter de graça?

Vale a pena reler um livro clássico, embora anterior à internet: O papel do jornal, de Alberto Dines. Se os jornais se limitarem ao noticiário, definharão até morrer. Caso assumam corajosamente o papel de hierarquizar as notícias, buscar as conexões informativas, analisar os fatos, continuarão insubstituíveis. A internet, pela própria velocidade a que está condenada, é obrigada a buscar sempre fatos novos, mesmo que não tenha ainda conseguido colocar os fatos anteriores em seu devido lugar. Este é o papel que cabe aos jornais. E para isso os pagamos.

Tecnologia e vergonnha

A propósito, internet é ótimo. Mas, como qualquer coisa, depende da competência e da vergonha na cara de quem fornece serviços. Veja que coisa curiosa: na sexta-feira (28/1), a Brastemp estava no terceiro lugar nos trend topics mundiais do Twitter – ou seja, era o terceiro assunto mais comentado do mundo, num dia em que o Egito estava em chamas. A Brastemp é a dona da Consul, empresa que acabava de dar uma canseira na nossa Marli Gonçalves (veja a trabalheira no seu blog). E aí surge um consumidor brigando com a Brastemp e, ao que tudo indica, com toda a razão. Reagiu como podia, via vídeo e Twitter (no mesmo blog, o filmete em que ele narra sua experiência terrível).

Ambas as empresas, Brastemp e Consul, pertencem à americana Whirlpool, gigante mundial da linha branca. Será que, com a repercussão internacional do Twitter que fala mal de suas marcas brasileiras, a Whirlpool vai se mexer?

A hierarquia do crime

A imprensa deixou passar quase em branco a condenação a 12 anos de prisão da professora Cristiane Barreiras, 33 anos, acusada de abusar sexualmente de uma aluna de 13 anos, no Rio. Tudo bem, lei é lei, sentença é sentença. Mas:

1. Não houve violência. Houve consentimento mútuo. A lei tem seus limites, mas há pessoas que se desenvolvem mais rapidamente do que outras;

2. A professora não matou ninguém, não vendeu drogas a ninguém. Se assassinos confessos e condenados estão livres, terão cometido crimes menos graves que o da professora homossexual?

3. Uma jovem que depois ficou famosa declarou, em entrevista, que foi ao aniversário de um artista famoso, seu ídolo, com o objetivo de perder a virgindade com ele. Na época, tinha 13 anos e o referido artista era casado. O objetivo foi atingido. A história passou batida. Mas professora com aluna não pode – terá sido por se tratar de um amor proibido, homossexual?

Guerra da bola

A grande fofoca esportiva deste início de ano contrapõe dois ídolos da torcida corinthiana: Ronaldo, o Fenômeno, artilheiro máximo das Copas do Mundo, e Neto, o Xodó da Fiel, fundamental para que o Corinthians ganhasse o Campeonato Brasileiro de 1990 (os dois são ídolos, mas não dá para comparar: Ronaldo é Ronaldo). Por algum motivo, Ronaldo postou em seu Twitter uma crítica à Rede Bandeirantes, onde Neto trabalha: "a Globo Esporte do nada faz tudo, e a Band do nada faz porra nenhuma (...)".

Ronaldo, logo em seguida, disse que não tinha nada contra a Bandeirantes, mas que os profissionais que lá comandam programas esportivos "falam sem compromisso e sem responsabilidade (...) Isso que vocês fazem não é jornalismo!"

Neto reagiu duro: disse que Ronaldo precisa jogar bola, "coisa que não faz há muito tempo". Até aí, tudo bem: é sua opinião de comentarista. Mas falha em seguida: "Quem não tem responsabilidade é você, Ronaldo. Senão, vou começar a falar aqui das coisas que aconteceram em Presidente Prudente e num treinamento dessa semana. Aí, vamos ver quem não tem compromisso".

Assim não dá: como profissional de informações da TV, Neto, em princípio, tem o compromisso de dividir aquilo que sabe com os telespectadores. Tem o direito, também, de guardar informações que não julgue oportuno divulgar, pelos mais diversos motivos. O que não pode é guardar as informações mas ameaçar divulgá-las. Se não são divulgáveis, que não as cite; se são divulgáveis, que fale de uma vez. A ameaça tem um nome feio, que vem do francês, e está fora dos padrões da ética jornalística.

Este colunista normalmente gosta dos comentários de Neto. Às vezes, ele se torna repetitivo, parece implicar com determinado jogador, e aí fica chato; mas, em geral, vê bem o jogo, transmite com simplicidade aos telespectadores sua experiência como jogador, contribui para que o panorama da partida fique mais claro. Mas que se limite a comentários e análises: as ameaças não interessam ao público.

Respostas inesperadas

O grande Ignácio de Loyola Brandão, leitor assíduo desta coluna, jornalista de primeiro time e ainda por cima de Araraquara (a cidade da Berta, minha mulher), escreve lembrando que a pergunta que mais ouviu nos dias da tragédia das cidades serranas do Rio foi: "O que o senhor (ou a senhora) sentiu na hora?"

Este colunista recorda Oswaldo Brandão, lendário técnico de futebol, que dirigia o Corinthians em 1977 (e foi campeão, depois de dar oportunidade aos outros times durante algum tempo). O Corinthians precisava ganhar, mas perdia no primeiro tempo por 1x0. Na volta ao campo, foi submetido a uma bateria de perguntas de jornalismo esportivo explícito: "Por que o Corinthians perdeu no primeiro tempo?" Brandão: "Porque eles fizeram mais gols". "E como é que o Corinthians vai jogar agora?" Brandão: "De calção e chuteira".

Já pensou, uma pessoa que perdeu os bens, a família, que vê tudo destruído, dizer como se sentiu na hora da tragédia?

"Foi uma experiência interessante, senhor repórter. Espero que o senhor possa vivenciá-la algum dia".

Como...

De um grande portal noticioso:

** "Geri Halliwell lança coleção de biquíni com pernas de fora"

OK: e que é que há de novo nesta notícia?

...é...

Como informa um importante portal da internet:

** "Atentado em aeroporto de Moscou mata 31"

Título correto, normal. Mas logo em seguida vem o texto:

** "Incidente foi causado por terrorista suicida e há dezenas de feridos, diz governo russo".

Incidente, com tantos mortos?

Segundo o dicionário, "incidente" é um evento inesperado "desprovido de maior importância".

...mesmo?

De um grande jornal:

** "Para polícia, é ‘pouco provável’ que tiros à Prefeitura do Rio tenham sido intencionais"

Claro: o sujeito estava passeando por lá, com a esposa, os filhos, a sogra, o periquito e o cachorro, e resolveu dar uns tirinhos a esmo, que acabaram indo parar na prefeitura.

Mundo, mundo

A notícia envolve os jogos do Corinthians com o colombiano Tolima. O primeiro jogo já se realizou e terminou 0x0. Mas o curioso é a maneira como um grande jornal noticiou as opiniões do colombiano Freddy Rincón, que hoje trabalha para o Corinthians, a respeito do jogo:

** "Para Rincón, Corinthians pega Atlético-PR com torcida do Goiás"

Não entendeu? Mas, no fundo, no fundo, bem no fundo, é simples. Rincón disse que o esquema de jogo do Tolima é semelhante ao do Atlético Paranaense, de Curitiba. E que, quando o Tolima joga na Colômbia, sua torcida parece a do Goiás. As explicações estão no terceiro e no sétimo parágrafo da matéria.

Agora ficou mais simples, não é mesmo?

E eu com isso?

Tragédia, corruptos espalhados pelo país, sindicatos xingando seus associados – não, certamente existe um mundo melhor.

** "Ex-fazendeira Geisy Arruda desmente gravidez no twitter"

Ex-fazendeira? Simples: ela participou do programa A Fazenda.

** "De férias no Caribe, Maitê Proença diz que não tem Twitter"

** "Alemão chama a polícia porque não quer mais fazer sexo com a mulher"

** "Mulher pede divórcio na Itália após marido levar a mãe na lua de mel"

** "Charlie Sheen vai a hospital por ‘rir demais’"

** "Lady Gaga quer perfume com aroma de sangue"

** "Britânicas desperdiçam R$ 4,2 bilhões em roupas que nunca usam, indica pesquisa"

** "Pete Wentz anda com calça rasgada e deixa cueca à mostra"

** "Mulher se irrita com prisão do irmão, mostra bumbum e também vai presa"

** "Courtney Love entra em carro errado na saída de boate"

O grande título

Há títulos curiosos:

** "Mulher cachorra morde a amiga e marca território"

Ou a comparação do SBT com um avião:

** "SBT sofre pane e cai durante sete minutos"

E há um excelente título, daqueles meio incompreensíveis (e a explicação é ainda melhor:

** "Título do filme de título do filme de Capitão América é censurado em alguns países"

Esquecendo a repetição: Rússia, Coréia e Ucrânia, entre outros, rejeitaram o título original Captain America: the first avenger ("Capitão América: o primeiro vingador")

Questão de nacionalismo: o título lá ficou sendo The First Avenger.
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Fonte:http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=627CIR001

A morte de Barack Obama

01/02/11
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

Apesar de continuar respirando, caminhando, falando e tudo o mais que faz qualquer ser vivente, Barack Obama está morto. Faleceu politicamente devido a uma enfermidade que exterminou a tantos outros líderes políticos americanos: a covardia.

Quando tomou posse como presidente dos Estados Unidos, em janeiro de 2009, pessoas como eu exaltaram as possibilidades e o simbolismo magníficos que envolviam a chegada do primeiro negro à presidência daquele país. Enganamo-nos. Não entendêramos que homem algum governa o império americano.

Obama foi um covarde. Não teve coragem de enfrentar o sistema e, por isso, vai chegando à segunda metade de seu mandato sitiado pela oposição ultra conservadora e atolado em impopularidade crescente, que, inclusive, refletiu-se no recente desastre eleitoral que o seu governo sofreu no poder legislativo.

Seis meses depois da posse, mais especificamente em 4 de junho de 2009, Obama visitou o Egito, quando tirou a foto que ilustra este texto. Naquela oportunidade, fez um longuíssimo discurso, falou em democracia, Estado de Direito etc., tudo em franca confraternização com o ditador Hosni Mubarak, que já chegava ao fim da terceira década no poder.

A foto em questão foi tirada poucos dias antes da crise que explodiria no Irã a partir de 12 de junho de 2009, com os choques de rua que passaram a ocorrer depois que a oposição iraniana não quis aceitar a vitória de Mahmoud Ahmadinejad.

Naquele momento, com a crise política no Irã, onde há uma oposição infinitamente mais vigorosa que no Egito, teve início campanha dos EUA contra Ahmadinejad. Campanha que, ano passado, resultou até em ameaças veladas de intervenção militar no Irã, mas que, ao menos até agora, ficaram apenas nas sanções econômicas.

Já em relação ao Egito, poucos dias antes do agravamento da crise o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmara que os problemas do país só poderiam ser solucionados “pelos próprios egípcios”. E Obama, até o momento, nem cogitou interromper a ajuda militar de bilhões de dólares que o seu governo continua dando àquele regime.

Que esperar de Obama nos menos de dois anos que lhe restam no poder? Nada, por óbvio. Muito provavelmente nem será reeleito. Sempre por covardia, seu governo não promoveu praticamente nenhuma das reformas que o slogan Yes, We Can sugeria que seriam promovidas.

De alguma forma, Obama me lembra de Celso Pitta, o pobre coitado que Paulo Maluf usou para evitar que o PT conquistasse a prefeitura de São Paulo e que chegou a inspirar esperança justamente por ser uma espécie de Obama tupiniquim – bonitão e negro –, mas que foi um imenso desastre. Até por conta da massa falida que herdou do padrinho político.

A eleição de Obama poderia ter sido a redenção dos tão sofridos negros americanos e um presente para o mundo, mas só serviu para reforçar estereótipos racistas. Obama, portanto, está politicamente morto. E afundou abraçado com a esperança que despertou.
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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/02/a-morte-de-barack-obama/

O jornalismo padrão globo de Bonner e o “amassa-barro” de Ana Paula Padrão

20.01.2011
Do blog de Dennis de Oliveira


Pela janela do quarto,
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle…

(Esquadros, Adriana Calcanhoto)


Do dia 17 a 19 de janeiro, o Jornal da Record exibiu uma reportagem especial intitulada “Vizinhos do Crime”. Nela, a jornalista Ana Paula Padrão e sua equipe demonstram as condições de vida dos jovens moradores da Vila Gilda, conjunto de moradias precárias – palafitas, na maioria – em uma região de manguezal em Santos. A reportagem foi exibida em três partes e mostrou desde o mundo do crime se apresentando como alternativa para os jovens – e o preço a ser pago por isto que é a perspectiva curta de vida (e os que se enveredam por isto demonstram, na reportagem, terem plena consciência disto) – e as tentativas quixotescas de alguns membros da comunidade de apresentar outras alternativas como o MC Careca, na arte, e o futebol (clique aqui para ver).

Curioso que o futebol está na alma dos jovens daquele bairro porém em perspectivas diferentes: um menino de 13 anos joga no infantil do Santos F.C e contou sua ida à Espanha para representar o alvinegro praiano em uma competição internacional e a camisa deste mesmo Santos FC aparece no rosto dos meninos do tráfico para esconder sua identidade.

O que chama a atenção nesta reportagem é a ousadia de Ana Paula Padrão de sair da assepsia do estúdio do telejornal que apresenta e ir para a rua, “amassar barro” literalmente. Lembrei-me de uma ocasião em que alunos de jornalismo da Universidade Metodista de Piracicaba, onde lecionei durante 17 anos, foram visitar os estúdios do SBT onde a jornalista Ana Paula Padrão apresentava um telejornal. Certo momento, um aluno perguntou sobre a questão da “importância da boa aparência para apresentar jornal de televisão”. Ana Paula Padrão ficou furiosa, respondeu “boa aparência o c…; eu fui repórter durante muito tempo, perdi feriados, Natal, passei por inúmeras situações para ser reconhecida profissionalmente” foi mais ou menos as palavras dela, indignada.

Lembro-me agora do William Bonner, do Jornal Nacional da Globo. A sua saída dos assépticos estúdios da Globo acontece dentro de um outro ambiente confortável, seguro e asséptico: o tal avião do JN, o aerobonner. É possível fazer uma analogia aos ecoturistas chiques estrangeiros que visitam a Amazônia dentro de seguros carros e cercado de seguranças das agências, podendo ver das janelas a paisagem “exótica” de plantas, animais e seres humanos estranhos. Uma das tentativas da Globo de ir para o mundo real deu em tragédia, a morte de Tim Lopes que, tragicamente, percebeu que o poder da rede do plim-plim não significa nada nas relações do tráfico nos morros do Rio de Janeiro (por isto a indignação da Globo com a morte do seu repórter que equivale ao sentimento de revolta de policiais quando um colega seu é morto – o poder não admite que suas fragilidades sejam expostas publicamente).

O JN sintetiza este tipo de “jornalismo” que olha através do seu bunker, onde a arrogância e prepotência de quem se julga o único construtor legítimo das agendas públicas pode ser exercida plenamente. O subalterno vira coitado, vítima e só aparece na tela como estatística ou, no limite da sua subjetividade, para dar tons emotivos com seus choros nas tragédias.

Independente de qualquer coisa, Ana Paula Padrão deu uma lição de jornalismo. Principalmente porque este tipo de matéria incomoda.
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Fonte:http://www.revistaforum.com.br/blogdooliveira/

O novo sonho americano: visitar Cuba

29.01.2011
Do site da Revista Fórum
Por Carlos Tena


O governo do presidente Obama pôs em marcha, há somente algumas semanas, novas medidas destinadas a permitir mais viagens dos Estados Unidos a Cuba, gerando entre a população todo o tipo de reações (furiosas entre a máfia da Flórida e mais contidas no resto da nação). Mas quais serão as consequências para os dois países?


O governo do presidente Obama pôs em marcha, há somente algumas semanas, novas medidas destinadas a permitir mais viagens dos Estados Unidos a Cuba, gerando entre a população todo o tipo de reações (furiosas entre a máfia da Flórida e mais contidas no resto da nação), e que de imediato fez com que eu me perguntasse se entre estes cidadãos com passaporte americano (sejam ou não de origem cubana), não tentará chegar à ilha algum carrasco com sinistras intenções, como vem acontecendo desde 1960, quando a CIA e o FBI, contando com o apoio de centenas de mercenários e terroristas, cometiam todo o tipo de atentados, tentando em vão assassinar Fidel Castro em mais de 638 ocasiões. Estou convencido do perigo, especialmente com a propaganda que está se fazendo ao caso de Luis Posada Carriles*, que ocorre em El Paso (Texas) por vias tragicômicas, dignas de um poder judicial como o existente nos EUA. A imprensa dos EUA chama de lutador anticastrista um dos mais sanguinários assassinos entre os que passeiam livremente por Miami.

Esse processo cômico que a juíza Cardone comanda contra aquele cidadão (naturalizado venezuelano), não deixa dúvidas sobre a condição da justiça norte americana em sua inequívoca vocação para mimetizar a justiça que Fulgencio Batista pôs em prática em Cuba durante sua ditadura, ou o que é ainda mais terrível, imitar a justiça que esteve vigente durante o III Reich. Tampouco se abre espaço para dúvidas diante da parcialidade, subjetividade e arbitrariedade dos juízes, fiscais e demais funcionários nesta farsa processual, começando com a acusação pela qual o terrorista mais sanguinário de tantos que protegem os senadores republicanos do estado da Flórida se senta na cadeira do réu: simplesmente é um mentiroso que teve acesso a território ianque falsificando documentos e data de entrada.

Tudo o que os governos de Venezuela e Cuba demonstraram em relação à segurança não vale nada para a justiça de Obama, não vale nada na hora de julgar Posada por crimes como a decolagem do avião da Cubana de Aviación (Vôo 455, em 6 de outubro de 1976. Barbados, 1976), que custou 73 vítimas inocentes, nem sequer para extraditar o assassino em questão, a quem a justiça venezuelana espera há mais de uma década. Não vale, igualmente, que o próprio mercenário ex-agente da CIA tenha admitido publicamente o sangrento feito, em uma entrevista publicada pelo jornal diário estadunidense The New York Times em julho de 1998; nem as recentes declarações do terrorista salvadorenho Francisco Chávez Abarca*, detido em Caracas e extraditado para Havana em 2010. Os magistrados ianques se negam a incluir qualquer testemunho contra Carriles. Há algo de podre em El Paso.

Voltando às viagens dos EUA a Cuba, não cabem dúvidas acerca de que por parte do governo da Revolução serão tomadas medidas técnicas, aeronáuticas, policiais e de todo tipo para evitar que entre os três milhões de turistas norte-americanos (que se espera ao longo dos próximos anos) aporte em território cubano um só visitante com intenções criminais, ou o que é mais correto, um assassino disfarçado de simpático mochileiro, como também tenho a certeza de que entre as autoridades do governo de Barak Obama existirão funcionários que tratem de que não se exporte mais terrorismo para a ilha, simplesmente porque se coloca em jogo a vida de seus cidadãos, ainda que este último dado não seja de importância capital para Ileana Ross Lethinen, conhecida como La Loba, ou os irmãos Diaz Balart, Orlando Bosch ou qualquer um dos envolvidos em feitos criminosos contra a ilha mais digna do globo.

Também é certo que as medidas anunciadas pela administração de Obama em 14 de janeiro passado não implicam na retirada do embargo à ilha, somente facilitam em parte o turismo estadunidense, assim como as visitas organizadas por escolas, igrejas e grupos culturais permitindo a estes organizar voos fretados como parte de um plano destinado a aumentar os contatos pessoais entre ambos os países. Este gradual, porém irrefreável, aumento das visitas dos norte-americanos a Cuba vêm se confirmando ainda que tenha se iniciado há pouco tempo.

Um visitante que chegou à mesma casa de hóspedes na qual eu mesmo me hospedei em Havana, de 5 de novembro a 20 de dezembro de 2010, me garantiu que no último mês deste ano houve cerca de 20 voos diários provenientes de Miami. Agora, as agências de viagens poderão organizar voos muito econômicos com propósitos culturais que permitiriam (se a administração Obama interpretar com flexibilidade suas próprias regras) incluir qualquer temática: desde observação do tocororô (ave-símbolo do país) ou do totí (outro pássaro endêmico do país), a criação de crocodilos, ou as visitas aos templos de santería em Regla e Guanabacoa.

No entanto, os agentes turísticos na região (República Dominicana, México, Jamaica, Porto Rico etc.) se mostraram preocupados com o mais que provável desvio do turismo dos EUA para a maior das Antilhas em detrimento de outros destinos. “Não vai haver uma explosão imediata de turismo estadunidense para Cuba através destas medidas, mas isto eventualmente ocorrerá”, disse Andy Dauhaire, um conhecido economista que dirige a Fundação Economia e Desenvolvimento da República Dominicana, “... porém, quando isto ocorrer, vai haver um impacto significativo sobre vários destinos turísticos como Cancun, Bahamas, Jamaica e República Dominicana”. Um estudo do FMI em 2008, intitulado Acabaram-se as férias: Implicações para o Caribe de uma abertura do turismo de Estados Unidos para Cuba, concluía que o levantamento total da proibição das viagens à ilha produziria um cambio sísmico na indústria turística daquela área.

Diante de tudo isto, em torno das novas medidas e de seu possível alcance, surge a declaração do Ministério de Assuntos Exteriores cubano (Minrex), neste dia 14 de janeiro de 2011, publicada, transmitida no rádio e lida em todos os meios de difusão, com o objetivo de esclarecer a verdadeira repercussão social, econômica e política deste decreto do governo Obama.

Da minha parte, que sejam bem recebidos os cidadãos norte-americanos honestos e pacíficos que chegarão à Cuba vindo dos EUA. Ninguém duvida que ambos povos podem e devem manter uma política comum fraternal e de colaboração mútua. A Revolução poderia ajudar ao presidente Obama em muitas matérias, e Barak poderia demonstrar sua inteligência e coragem tomando algumas valentes decisões, como as que Carter ditou durante seu mandato ao final dos anos 1970.

Faz-se necessária a retirada gradual do embargo e a revogação da lei Helms-Burton. A, e uma visita oficial a Havana para bater um papo com Raúl Castro.

No entanto, me pergunto: Será que o presidente dos EUA sabem o que é a liberdade?

* O terrorista de nacionalidade salvadorenha, Francisco Chávez Abarca, confessou ter sido contratado pelo fugitivo Luis Posada Carriles para realizar atos desestabilizadores na Venezuela. Da mesma maneira, Chávez Abarca confessou que recebia instruções em código através de um e-mail que mencionava um restaurante localizado próximo ao Aeroporto Internacional Simon Bolívar de Maiquetía, onde ele se encontraria com três pessoas, entre elas dois venezuelanos para dar inicio ao plano desestabilizador. O terrorista afirmou que os que estavam contratando estas ações contrárias ao Governo venezuelano estavam dispostos a realizar o que fosse necessário para alcançar seus objetivos. O criminoso detido confessou ainda igualmente frente as câmeras da TELESUR que foi enviado à Venezuela para realizar ações de conspiração e que tentou entrar no país com um passaporte falso, assim como participou com a ajuda de Posada Carriles nos atentados contra pontos turísticos de Havana em 1997, em um dos quais o jovem italiano Fabio Di Celmo perdeu a vida.

Tradução de Cainã Vidor. Publicado por Rebelión. Foto por Kevin S. O`Brien, Marinha dos EUA.
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Fonte:http://www.revistaforum.com.br/noticias/2011/01/29/o_novo_sonho_americano_visitar_cuba/

Consulado americano classificava brasileiros como personagens de cinema

01.02.2011
Da Redação Carta Capital


Os trabalhadores que pediam visto temporário poderiam ser descritos como bons, maus ou feios

Documento do consulado americano de São Paulo, divulgado pelo site WikiLeaks, mostra que brasileiros que buscam vistos temporários de trabalho são classificados internamente como personagens de filme.

De acordo com o página da web, no despacho datado de dezembro de 2005 o ex-cônsul-geral Christpher J. McMullen classifica aqueles que solicitam a autorização com os adjetivos “bom”, “mau” e “feio”. Mullen usa como referência o filme “The Good, The Bad and The Ugly”, de Sergio Leone.

Clint Eastwood seria o “bom” que no filme trata-se de um pistoleiro, refinado e ético, já no consulado refere-se aos jovens de classe média, que frequentaram boas escolas e que pretendem sair do País para trabalharem temporariamente em hotéis ou estações de esqui com o objetivo de aperfeiçoarem a língua inglesa, até retornarem ao Brasil.

O “mau”, que é desprovido de ética, seriam parentes e amigos daqueles que saíram ilegalmente em busca de empregos modestos como peixeiros ou lavadeiras. Esses representariam o maior risco, já que com o visto temporário em mãos dificilmente voltariam ao Brasil.

Já o “feio”, que na película é rude e descuidado, seriam os pobres, que segundo o documento, deixam de gastar com coiotes – pessoas que cobram até US$ 10 mil para fazer a travessia de imigrantes ilegais pela fronteira do México – para gastarem com petições de trabalho falsas que custam um terço do valor. Esses, ao conseguirem a autorização, invariavelmente desaparecem juntamente com os imigrantes ilegais brasileiros de Massachussets.

O documento afirma ainda que naquele ano, 49% dos pedidos de visto de trabalho, entre os meses de janeiro a novembro de 2005, foram negados.

Leia no Blog de Natalia Viana, do WikiLeaks : http://cartacapitalwikileaks.wordpress.com/
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Fonte:http://www.cartacapital.com.br/politica/consulado-americano-classificava-brasileiros-como-personagens-de-cinema

Deputados elegem primeira mulher para cargo da Mesa

01/02/2011
Da FOLHA.COM
Por MARIA CLARA CABRAL
RANIER BRAGON
DE BRASÍLIA
CATIA SEABRA
ENVIADA A BRASÍLIA


Após elegerem Marco Maia (PT-RS) para a presidência da Câmara, os deputados definiram na noite desta terça-feira (1º) os demais cargos da Mesa Diretora.

A novidade é que pela primeira vez a Casa vai contar com uma representante mulher como titular.

Rose de Freitas (PMDB-ES) ocupará a primeira-vice-presidência. Ela foi eleita após ganhar uma disputa interna do partido com outros quatro candidatos, em reunião realizada ontem. A deputada vai para o seu sexto mandato na Casa.

"A luta é grande e temos a responsabilidade de representar quase metade da população brasileira. Agora estaremos na Mesa para ajudar na construção de uma pauta positiva", afirmou, depois de contar que quando chegou ao Congresso não havia nem banheiro destinado apenas para as mulheres.

Eduardo da Fonte (PP-PE) será o segundo-vice-presidente, acumulando a função de corregedor. O cargo foi o único com disputa durante a eleição de hoje. Ele concorreu com Rebeca Garcia (PP-AM).

Nas demais vagas, nenhuma surpresa: Eduardo Gomes (PSDB-TO) será o primeiro-secretário, responsável pelas finanças da Casa; Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP), segundo-secretário; Inocêncio de Oliveira (PR-PE), terceiro-secretário e Júlio Delgado, quarto-secretário.

Nas suplências ficaram Sérgio Moraes (PTB-RS), conhecido por dizer que estava se lixando para a opinião pública, Carlos Eduardo Cadoca (PSC-PE), Geraldo Resende (PMDB-MS) e Manato (PDT-ES).

As eleições na Câmara foram tranquilas principalmente por causa de um acordo formado entre quase todos os partidos. Durante sua campanha, Marco Maia articulou para que os aliados ficassem com cargos de comando.
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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/radio/programas/jornal-brasil-atual/flavio_aguiar_egito_sudao_crise.mp3

Descompasso entre políticas de habitação e realidade de Recife está em documentário 'Avenida Brasília Formosa'

01.02.2011
Da REDE BRASIL ATUAL
Por: Carlos Minuano, de Tiradentes (MG), para a Rede Brasil Atual


Longa de Gabriel Mascaro é um dos destaques da 14° Mostra de Cinema de Tiradentes

Tiradentes (MG
) – Um dos destaques na 14° Mostra de Cinema de Tiradentes foi sem dúvida o longa Avenida Brasília Formosa, do pernambucano, Gabriel Mascaro. Embora não tenha levado nenhum troféu barroco, é uma síntese das preocupações do evento.

Com o mote das inquietações políticas do cinema brasileiro, tema da mostra, o filme, já exibido em Buenos Aires, Roterdã e Munique, escancara a distância entre as boas intenções na remoção de famílias em áreas de risco e as perdas emocionais, culturais e econômicas sofridas pela população. Na outra ponta, os ganhos de especuladores imobiliários e as mudanças no perfil da cidade de Recife (PE).

Em um misto de documentário e ficção, divisões com as quais o diretor não concorda plenamente, Avenida Brasília Formosa cruza as vidas de Fábio, Débora, Pirambu e do pequeno Cauan, prestes a completar seus cinco anos. Mais que um espaço geográfico, a avenida – e a famosa favela, Brasília Teimosa, visitada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva logo no início de seu mandato em 2003 – é o cenário onde se encontram os sonhos e os desejos dos personagens. “Essa noção espacial, essa cartografia, está em bases tênues. É como se fosse riscada com um giz e que irá desaparecer na própria interação das pessoas”, diz Gabriel Mascaro.

Brasília Teimosa é um antigo bairro à beira-mar localizado na região central de Recife. Área cobiçada da cidade; nobre mas degradada. Até 2001, abrigava um conjunto de casas sobre palafitas que invadiam o mar. Pescadores, biscateiros, donas de casa, gente simples habitavam moradias que eram invadidas pelas violentas ondas.

Parte da população foi, então, transferida para a Vila Cordeiro, conjunto residencial na periferia da cidade. É para lá que vai Pirambu, pescador que agora tem que pedalar 20 quilômetros para chegar até seu barco. Longe do mar, ele e a família passam a conviver com cavalos e vacas que pastam em áreas próximas ao condomínio.

Na área aberta após a remoção é construída a Avenida Brasília Formosa, logo ocupada por prédios de luxo com seus muros altos e segurança reforçada. O que antes era considerado uma área de risco transforma-se no novo objeto de desejo dos endinheirados. “Brasília Teimosa sempre foi um bairro de resistência. Mais que a abertura da avenida, rebatizá-la de Formosa – por parte do governo – demonstra a vontade de recriar o espaço urbano em outras bases”, afirma Mascaro.

O espaço urbano foi tema do outro documentário dirigido por Mascaro, Por um lugar ao sol. Filmando famílias donas de coberturas em Recife, Rio de Janeiro e São Paulo fez um filme que mostra a arrogância, o desrespeito e a empáfia dos moradores. A crítica foi dura e o acusou de “apontar uma arma” para seus personagens, enganando-os, pois todos pensavam que o resultado final seria uma apologia aos bem-nascidos.

“O engraçado é que quando eu entrei no espaço dos poderosos, disseram que eu invadi suas intimidades. Agora que os personagens são pobres – e eu também ocupo suas casas, suas vidas com microfones e câmeras – as pessoas apenas riem de algumas situações aparentemente engraçadas. Então a crítica que fizeram é uma crítica de classes. Não pode incomodar os ricos”, conclui.

Personagens reais

A trama retratada em Avenida Brasília Formosa, mostra o cotidiano comum em que se cruzam os quatro personagens. Entre eles, Fábio, que trabalha em um restaurante e complementa sua renda fotografando os eventos do bairro e Débora, uma manicure que contrata o rapaz para gravar um videobook e arriscar uma vaga no reality show BBB, da TV Globo. De quebra ele precisa ainda filmar o aniversário de cinco anos do menino Cauan, filho da jovem, e fã incondicional do Homem Aranha.

Na vida real, nada muito diferente. Fábio na verdade é Fábio Gomes, ex-funcionário de restaurante, bolsista em balé clássico e um cinegrafista de eventos, que é, ao mesmo tempo, um animador da festa. Em seu trabalho situações semelhantes a que vive seu personagem ao produzir o filme-propaganda feito para Débora. Poses na praia, danças em festas, momentos de desconcentração registrados para garantir a vaga no BBB.

De tanto correr com sua câmera para cima e para baixo, pessoas da comunidade acharam que era ele o diretor do filme, conta Fábio. “Isso até aumentou o número de convites para filmar eventos”, diz sorrindo.

Todo o filme é feito com atores não profissionais residentes em Brasília Teimosa e arredores – caso de Fábio, que mora em um bairro vizinho. Foram convidados para interpretar suas próprias vidas. O que é verdade, o que é ficção? Difícil distinguir, mas pouco importa.

Antes de ser um filme de personagens, Avenida Brasília Formosa é um filme sobre políticas públicas de planejamento urbano e o seu desencontro com os sonhos e desejos dos moradores. “Não posso restringir a discussão entre ser documentário ou ficção. Parto do pressuposto de que não estou filmando a vida, o mundo. O mundo não está pronto para ser filmado. O que quero é criar um estado filmável do mundo. Para isso vou usar procedimentos técnicos, estéticos e políticos”, diz Mascaro.

Manifesto e premiados

Com pouco mais de 5 mil habitantes e sem nenhuma sala de cinema, a histórica Tiradentes foi a sede do festival que abriu o calendário audiovisual brasileiro de 2011. A 14º Mostra de Tiradentes, realizada entre 21 e 29 de janeiro, apresentou 134 filmes nacionais em 49 exibições gratuitas.

No final da mostra, aproveitando o gancho do tema político do evento, um grupo de profissionais apresentaram um manifesto com propostas de políticas para o setor. Lida pelos atores João Miguel e Irandhir Santos, a Carta de Tiradentes, ressalta cinco pontos considerados fundamentais pelo grupo. Entre eles, a criação de linhas específicas de fomento para formatos de produção de inovação técnica, artística, com orçamentos de menor porte e fomento a distribuição e exibição de produções de baixo orçamento.

Entre os premiados, o grande vencedor foi Os Residentes, de Tiago Mata Machado, melhor filme na opinião do júri jovem e da crítica. Inspirado no francês Jean-Luc Godard e com a pretensão de oxigenar o cinema brasileiro, segundo afirmou o próprio diretor, o longa teve sua primeira exibição cercada de polêmica durante o último Festival de Cinema de Brasília.

Sua mescla complexa de referências literárias e artísticas parece enfim ter sido compreendida. Além do Troféu Barroco, em Tiradentes, o filme foi selecionado para o Festival de Berlim, que começa no próximo dia 10. Para o júri popular, o melhor filme foi o documentário Solidão e Fé, de Tatiana Lohmann, sobre o universo masculino dos rodeios.
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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/temas/entretenimento/2011/02/descompasso-entre-politicas-de-habitacao-e-realidade-de-recife-esta-em-documentario-avenida-brasilia-formosa/view