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sábado, 29 de janeiro de 2011

Dicas de manipulação da mídia golpista

29.01.2011
Do blog de Altamiro Borges


Reproduzo matéria hilária publicada no blog do Curso Básico de Jornalismo Manipulativo:

Para nossos alunos, dicas, lições, avisos de cursos e outras informações necessárias para a formação de um bom manipulador da opinião pública.

Os não-alunos terão somente o prazer superficial da leitura, mas os alunos captarão a sabedoria profunda das frases e perceberão os aspectos fundamentais da atuação de nossos principais representantes na grande mídia.

* * *

MINILIÇÕES

. Se você é ruim em ênfases, faça como Reinaldo Azevedo: USE MAIÚSCULAS E EXCLAMAÇÕES!!!!

. O golpe do grampo sem áudio já caducou. Ele é mais ultrapassado que o bigode do Merval Pereira.

. O Twitter é nosso aliado: um falso escândalo se espalha rápido. Já criou seu falso escândalo hoje?

. Controle sua expressão facial na TV. Só William Waack tem direito de fazer cara de nojo ou derrotado.

. Jamais rasteje ante alguém do “nosso lado”. Só William Bonner tem direito de pedir “perdão, candidato”.

. Use qualquer argumento para contestar o “outro lado”. Não exigimos coerência, mas eficiência na luta.

. Estratégia em andamento: inviabilizar o Imbatível em 2014 (o Inominável). Depois cuidaremos da sua cria.

. Jamais elogie Dilma, a não ser para depreciar o Inominável. Tampe o nariz, faça o contraste e vá em frente.

. Fotos servem para ilustrar nosso aliado e deslustrar nosso adversário.

. Vá devagar com nossos especialistas: a coisa está tão feia que tivemos de fazer do Demétrio Magnoli um astro.

. Aprenda: só FHC pode defender a legalização da maconha sem ser acusado de parceiro do narcotráfico.

. Aprenda: liberdade de imprensa existe para a imprensa censurar a divulgação de notícias favoráveis ao “outro lado”.

. Aprenda: (protect) após “Nelson Jobim” no WikiLeaks significa que você deve proteger sua condição de espião.

. “Amnésia seletiva” é o esquecimento de fatos que comprometam o “nosso lado”. Como a relação entre Serra e Chevron.

. Aprenda: uma CPI é um ótimo pretexto para desviar a atenção da gestão incompetente dos nossos aliados.

. Aprenda: “deixar sangrar” é uma técnica que não dá certo nem em filme americano, quanto mais em política.

. A manchete *não* precisa combinar com a matéria. E *não deve* combinar, se os fatos forem teimosamente neutros.

. Não esperamos que você faça jornalismo, mas política por meio de matérias jornalísticas. Não é fácil entender?

. Qualquer problema em qualquer iniciativa do “outro lado” é uma falha vergonhosa e inadmissível. Explore-a.

. Manchetes são lidas nas ruas. Críticas a elas, em blogs e caixas de comentários. Por enquanto, estamos ganhando.

. O prazo de validade de um escândalo falso baixou para 2 ou 3 dias. Fique ligado e entre no primeiro.

. Faça bem o seu serviço para não acabar como um sub-Reinaldo Azevedo, como o nosso companheiro Augusto Nunes.

. “Dilma”, “Governo” e “PT” são as palavras nobres da manchete oposicionista. Use e abuse.

. Acuse sem provas. O povo gosta, nossos aliados aproveitam e o “outro lado” se lasca, perdendo tempo com desmentidos.

. Aprenda: em política não há primeiro, segundo ou terceiro turno: há luta. Trégua é uma ilusão estratégica.

. Se você errou na matéria e o “outro lado” corrigiu seu erro, afirme que "ele" corrigiu o erro que você apontou.

. Repita mantras. Não, nada de “OM”: os chavões de defesa e ataque dos nossos colunistas políticos.

. Se você errou 100% de suas previsões pessimistas (e certamente errou), acertou 100% por atacar o inimigo.

. Há muita raiva latente na opinião pública. Crie alvos para ela. Você sabe quais são esses alvos.

. Nunca chame os militares. Pega mal. Deixe esse mico para o José Nêumanne. Ele não conta.

. Se você elogiou o Gilmar Mendes no tempo dele, não se envergonhe. Muitos fizeram coisas piores.

. Se você acha que a situação está ruim, pense no PNBL, na digitalização, no PT ganhando em 2014. Animou-se?

. Modere os elogios a Dilma. Antes era péssima, agora é ótima. Como ficará nossa imagem quando voltarmos a atacá-la?

. Jamais questione a competência dos nossos especialistas. Lembre-se de que nós não questionamos a sua.

. Nenhuma grosseira de Serra com os jornalistas será divulgada enquanto ele ainda tiver cacife eleitoral.

. Aprenda: Os ex-terroristas do “nosso lado” são muito mais civilizados que os do “outro lado”.

. Aprenda: Na luta pela influência e pelo poder, a morte da verdade é um dano colateral aceitável.

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LIVROS DO CURRÍCULO DO CURSO

. “The Free Press, An Essay on the Manipulation of News and Opinion” http://bit.ly/gd3HW2

. “A História Secreta da Rede Globo” http://bit.ly/ggMMsK

. “Constructing Public Opinion” http://bit.ly/fXJ5fo

. “How Mass Media Tries to Pass Off Crap as News” http://bit.ly/fwbOiA

. “A Ditadura da Mídia, de Altamiro Borges” http://bit.ly/g03bH2

. “Images that Injure, Pictorial Stereotypes in the Media” http://amzn.to/fPCUPK

. “Media Wizards: A Behind-the-scenes Look At Media Manipulations” http://bit.ly/hlKIec

. “O Jornalismo dos Anos 90″, de Luis Nassif http://slidesha.re/9aFog2

. “The Media and the Public: ‘Them’ and ‘Us’ in Media Discourse” http://bit.ly/eDwgVP

. “The Politics of Misinformation” http://bit.ly/iaTe7L

. “You Are Being Lied To” http://www.hampapartiet.se/23.pdf

. “The Moral Media, How Journalists Reason About Ethics” http://bit.ly/icZOGN

. “Analysing Newspapers” http://bit.ly/hvbulb

. “The Media Effect: How the News Influences Politics and Government” http://bit.ly/hnzTlm

. “Communication Power” http://bit.ly/e1AC3P

. “Media Psychology” http://bit.ly/eveTfp

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CURSOS EXTRAS DE 2011


. “A Técnica da Coluna Histérica”, com sua criadora, Eliane Catanhêde. Bônus: protetores de ouvido.

. “Como Defender Golpes de Estado”, com Arnaldo Jabor e Alexandre Garcia. Inscrições somente por convite pessoal.

. “Como Criar CPIs do Fim do Mundo”, com Ali Kamel. Inscrições restritas a editores.

. “Como Fazer Oposição com as Redes Sociais”, com Marcelo Tas. Inscrições restritas à Juventude do DEM.

. “Como Editar Imagens Comprometedoras – O Case Dilma e as Enchentes”, na sede do Projac.

. “A Técnica do Jornalismozinho”, com Josias de Souza, seu criador. Muitas ironiazinhas e piadinhas nas aulas.

. “Como Editorializar as Manchetes”, na sede de “O Globo”. Exemplos de 5 décadas de atuação.

. “A Técnica das Previsões Catastróficas”, com Miriam Leitão. Bônus: caixa de antidepressivo.

. “Como Criar um Mar de Lama Nas Ondas da Web”, com Soninha Francine. Inscrições anônimas.

. “Como Fabricar Especialistas Midiáticos”, com a turma da CBN. Patrocínio: Instituto Millenium.

. “A Política do Seu Mestre Mandou”, com as ex-Meninas do Jô. Bônus: decodificador de falas simultâneas.

. “Como Captar Dinheiro do Meio Ambiente”, com o CEO da Fundação Roberto Marinho.

. “O Marketing Social nas Calamidades”, com Luciano Huck. Patrocínio: Peixe Urbano.

. “Tornando-se um Especialista em 7 Dias”, com Eliane Catanhêde. Análise de caso: Os Caças da FAB.

. “Como Criar Capas Caluniosas”, com a equipe da “Veja”. Bônus: 150% de desconto na assinatura anual da revista.

. “Por que Fracassamos no Governo Lula”, com a turma do Instituto Millenium. Preço: 1.000 reais.

. “Defendendo-se dos Ataques da Blogosfera”, com a ombudsman da “Folha”. Vale certificado de isenção jornalística.

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PALESTRAS

. Aula magna no auditório Roberto Marinho: “Como Escrever Artigos Rancorosos”, com FHC.

. “O PIG é uma fantasia”, com o humorista Lúcio Flávio Pinto. Inúmeros exemplos de nossa não-existência.

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LEIS DO CBJM

. Lei Maria Rita Kehl: Ou você é um dos nossos, ou não é. Infiltrado, só no “outro lado”.

. Lei Luiz Carlos Prates: Puxe o saco do patrão, mas não tanto a ponto de arrancá-lo. Há consequências.

. Lei Diogo Mainardi: Você só chegou ao topo porque nós quisemos; vale o mesmo para a sua queda.

. Lei Ali Kamel: Fazer jornalismo é testar hipóteses. Final oculto:… contra o nosso inimigo.

. Lei da Veja: Contra um inimigo, vale tudo e mais um pouquinho. Tire a moral da reta.

. Lei Boris Casoy: Perdoamos a maior barbaridade na medida da utilidade de quem a enunciou.

. Lei Soninha Francine: Sua imagem pode ir a 0, mas sua conta bancária irá a 1000.

. Lei Lucia Hippolito: Se o telefone está piscando, não fale: o “outro lado” não perdoa nossos erros.

. Lei Reinaldo Azevedo: No post, você é um só; na caixa de comentários, pode ser muitos.

. Lei da Satiagraha: O limite de seus valores é o interesse financeiro dos seus patrões.

. Lei Guilherme Fiuza: Ser um nada no PIG também é sexy (uma socialite que o diga).

. Lei Demétrio Magnoli: Ex-esquerdistas desestimulam defecções, por sua imagem de bajuladores da direita.

. Lei Miriam Leitão: A notícia mais positiva esconde a semente de sua própria destruição.

. Lei Ricardo Noblat: Entrar para o PIG pode ser um programa lucrativo.

. Lei José Nêumanne: O PIG deixa cantar de galo, mesmo que você seja um pinto.

. Lei William Bonner: Trate nosso consumidor como um Homer, e ele lhe dará uma surra homérica.

. Lei Cristiana Lôbo: Fiel é aquele que revela seu verdadeiro lado até em atos falhos (ou falas falhas).

. Lei Marina Silva: Vale fingir que você é contra nós, desde que seja inimigo do nosso inimigo.

. Lei Ali Kamel: Uma bolinha de papel pode gerar uma avalanche de críticas.

. Lei do Crucifixo da Dilma: Nosso inimigo merece apanhar pelo que fez e pelo que não fez.

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LEMBRETE

. Lembrete aos alunos do CBJM: Já fizeram sua manipulaçãozinha hoje?
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/01/dicas-de-manipulacao-da-midia-golpista.html#more

STF rejeita liminar para assegurar posse de Cunha Lima no Senado

28/01/2011
Débora Zampier
Repórter da Agência Brasil

Brasília
– O ex-governador da Paraíba Cássio Cunha Lima (PSDB), que tentou se eleger para o Senado no ano passado, não poderá tomar posse no cargo na próxima terça-feira (1º). A decisão é do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, que negou pedido de liminar para autorizar Cunha Lima a assumir o caso, mesmo com o registro negado.

Cunha Lima teve sua candidatura barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 21 de outubro do ano passado. Ele foi o candidato mais votado ao Senado na Paraíba, superando 1 milhão de votos. Ele foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa porque teve o mandato de governador cassado em 2008 por abuso de poder econômico e político e por conduta vedada a agente público.

Ele recorreu da decisão, mas ainda aguarda a decisão final do STF. Sob a alegação de que poderia ser prejudicado pela demora do julgamento, Cunha Lima entrou com a ação cautelar no STF pedindo a liberação para tomar posse.

O presidente do STF, que julga questões urgentes durante o recesso, entendeu que não poderia haver prejuízo com a demora, porque o mandato de oito anos é longo.

Em sua decisão, Peluso também afirmou que há dúvida a respeito do alcance da condenação - ou das condenações - impostas a Cunha Lima pela Justiça Eleitoral. Isso porque a inelegibilidade do do ex-governador paraibana seria de três anos contados a partir de 2006, mas, com a Lei da Ficha Limpa, o prazo passaria para oito anos.

Edição: João Carlos Rodrigues
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica;jsessionid=F4A9BA93E437204DEB6FB975DDD90C3F?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-1&p_p_col_count=1&_56_groupId=19523&_56_articleId=3176721

Especialistas cobram do governo correção da tabela do Imposto de Renda

29.01.2011
Daniella Jinkings
Repórter da Agência Brasil

Brasília
- A discussão sobre o novo valor da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IR) ganhou força semana passada com a primeira reunião entre o governo e as centrais sindicais para negociar o reajuste do salário mínimo e uma correção na tabela do IR. Não houve acordo e uma nova reunião foi marcada para a próxima quarta-feira (2).

A proposta apresentada pelo secretário-geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, foi de R$ 545 para o mínimo e mais 80% do índice de reajuste do mínimo para o aumento dos aposentados. As centrais reivindicam um salário mínimo de R$ 580, além dos 10% de reajuste para os aposentados e mais a correção da inflação na tabela do IR.

No entanto, na última quarta-feira (26), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, descartou qualquer tipo de estudo para corrigir a tabela do Imposto de Renda Pessoa Física.

O especialista em finanças públicas e professor da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Pscitelli, disse que o pedido de correção da tabela de IR pedida pelos sindicatos está correto. “Se você não tem aumento real de salário, perde para a inflação. O Fisco abarca uma parcela daquilo que você não pagava de imposto. É paradoxal e tão absurdo, não é possível que no Brasil a gente ainda não tenha institucionalizado a correção da tabela”.

Para o professor o congelamento da tabela do IR aumenta a tributação sobre os mais fracos. Ele disse que não basta apenas aumentar o salário mínimo, é preciso corrigir a tabela do IR para evitar que a tributação absorva o reajuste concedido.

Segundo o advogado tributário Paulo Siqueira, a correção da tabela de IR é uma obrigação do Estado e cabe ao Congresso Nacional e à sociedade civil organizada pressionar o governo. “É preciso corrigir os valores básicos. Se aquele valor fica sem a devida correção os salários aumentam, mas o poder aquisitivo continua o mesmo. É indispensável que isso ocorra”.

Siqueira defende a necessidade de criar uma regra para a correção da tabela de IR. “[O aumento da tributação e o congelamento da tabela] São caracterizados como ato de confisco, porque está se atingindo uma faixa de contribuintes que não podem pagar a quantidade de impostos cobrados”.

Edição: Rivadavia Severo
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/home;jsessionid=91D5F093B671F44DCB6948D8666C58A9?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-2&p_p_col_pos=2&p_p_col_count=3&_56_groupId=19523&_56_articleId=3176845

Lungaretti derrota Casoy na Justiça por causa dos garis

29/01/2011
Do blog de Paulo Henrique Amorim, CONVERSA AFIADA


Na foto, os garis em questão

O Conversa Afiada reproduz e-mail de Celso Lungaretti
:

A SENTENÇA DO PROCESSO DE CASOY CONTRA MIM: ABSOLVIÇÃO

Celso Lungaretti (*)

“Julgo improcedente a presente ação penal, para absolver Celso Lungaretti dos delitos dos artigos 139 e 140 do Código Penal, que lhe foram imputados, o que faço com fundamento no artigo 386, III do Código de Processo Penal.”

Foi esta a decisão do juiz de Direito José Zoéga Coelho no processo nº 050.10.043276-0, que o jornalista Boris Casoy moveu contra mim no Juizado Especial Criminal da Barra Funda (SP), acusando-me de difamação e/ou injúria.

A minha defesa foi assumida pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, ficando a cargo do coordenador do Depto. Jurídico, dr. Jefferson Martins de Oliveira, que atuou com raro brilhantismo.

Para quem quiser conhecer os detalhes do caso, recomendo a leitura do artigo que escrevi ao ser intimado, Casoy me move ação criminal por artigo sobre o episódio dos garis.

Eis os trechos principais da sentença:

“A leitura do texto integral (…) não deixa dúvidas quanto ao propósito de dirigir à pessoa do querelante séria crítica. Isso, por si, não basta para configurar crime contra a honra.

Nesse pondo o Direito se defronta com questão de suma dificuldade, qual seja a de traçar, em critérios tão claros e objetivos quanto possível, a linha divisória entre dois direitos constitucionalmente tutelados: o direito à livre manifestação de pensamento (e à liberdade de informação), de um lado, e, de outro, os direitos fundamentais da pessoa, dentre os quais se inclui o direito à proteção da honra.

Cumpre reconhecer que o querelante, porque pessoa pública e homem de imprensa de grande renomada, é passível de maior exposição à crítica jornalística.

Por outras palavras, como homem de imprensa que fala ao grande pública, as convicções pessoais do querelante (estas que transparecem em seus atos, mesmo que pretéritos) tornam-se de interesse para a sociedade, sabido que a relação entre jornalista e seu público é fundada numa certa confiança quanto à qualidade da informação noticiada.

Sendo, assim, justificável que a crítica possa envolver fatos sobre a vida do querelante e que em princípio possam atingir sua pessoa e, via de consequência, também sua honra.

Em suma, como toda pessoa pública, sobretudo que desempenhe atividade de interesse público (…), também o querelante, por sua profissão de jornalista, está justificadamente exposto à crítica, sem que o exercício desta possa mitigado em defesa da honra.

Pelo exposto, entendo que a crítica, mesmo que envolvendo fatos em princípio aptos a afrontar a honra daquela pessoa assim criticada, não basta para evidenciar aqueles crimes de que trata a queixa.

Para além da questão atinente aos limites entre a liberdade de informação (e de crítica, mesmo que voltada à vida íntima de pessoas que desempenhem atividades de interesse público) e o direito à proteção da honra, há ainda a considerar a questão sob outro aspecto, este de aspecto já estritamente jurídico penal.

Os crimes contra a honra exigem dolo específico, ou seja, intenção deliberada e precípua de atingir a honra do ofendido. No caso ora em julgamento, verifica-se que a raiz de todas as expressões alegadamente infamantes está ina imputação do fato do querelante ter pertencido a determinada organização, denominada “CCC”.

Quanto a este ponto, a leitura do texto publicado na internet pelo ora querelado demonstra que, a tal respeito, ele menciona como fonte de uma tal informação notícia anteriormente publica em revista de grande circulação (na época em que dita informação ali se ventilou).

Menciona ainda informação dada por terceiro, não identificado, mas que teria sido contemporâneo do querelante nos bancos acadêmicos e que coincidiria com a participação do querelante na mencionada organização.

Menciona, finalmente, relato de pessoa identificada, agora reafirmando a participação do querelante na agremiação, o que inclusive teria causado embaraços para o querelante em clube da colônia hebraica (e o querelante faria parte da colônia), isto pelo uso da cruz suástica como símbolo pelo referido “CCC”.

Ora, se o querelado relata os fatos como tendo sido referidos por terceiros, um dos quais inclusive nominalmente identifica, como ainda refere estar reproduzindo notícia anteriormente divulgada em veículo de comunicação àquele tempo bastante conhecido, creio que nisso não se pode ver propósito deliberado de infamar, mas sim de meramente narrar fato, fato este cuja divulgação no texto veiculado na internet — e que ora é objeto da presente queixa — se deu em regular exercício do direito de crítica e liberdade de manifestação do pensamento.

No mais, os adjetivos — carregados, por certo — empregados no texto e atribuídos à pessoa do querelante guardam relação direta com os fatos ali também relatados. Não haveria sentido punir, a título de injúria, aquilo que decorre de fatos cuja divulgação, no entanto — e a meu ver — não poderia caracterizar o crime, mais grave, de difamação.

Assim, não houve dolo específico de atentar contra a hora do agente. E quando a honra foi por vezes atingida, assim ocorreu no exercício do direito à crítica. Sem dolo específico, não se pode então falar em crime contra a honra.”

(*) jornalista, escritor e ex-preso político. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/01/29/lungaretti-derrota-casoy-na-justica-por-causa-dos-garis/

Para centrais, não corrigir tabela de Imposto de Renda é 'apropriação indébita'

27/01/201
Da REDE BRASIL ATUAL
Por: Leticia Cruz

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi enfático ao negar possibilidade de reajuste

São Paulo – A CUT criticou a declaração feita nesta quinta-feira (27) pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que descartou estudos para correção da tabela do Imposto de Renda Pessoa Física. Para o presidente nacional da central, Artur Henrique, a não correção da tabela demonstra desinteresse do governo à uma questão importante para os trabalhadores.

"Se o governo federal não corrigir a tabela do Imposto de Renda, isso vai equivaler a apropriação indébita, pela Receita Federal, dos recursos dos trabalhadores. Ainda que isso seja insuficiente para corrigir a imensa injustiça da estrutura tributária brasileira, pela qual quem ganha menos paga mais, e justamente por isso a correção da tabela é absolutamente indispensável", disse Artur, por meio de nota.

Para o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, Mantega está alheio às negociações entre governo e as centrais sindicais.

“O Guido Mantega não participou da reunião e está fazendo comentários diferentes do resto do governo. Ele está colocando uma situação extemporânea e ultrapassada. Ontem, ficou claro que vamos conseguir a correção. O governo já sinalizou isso. O que vamos negociar agora é o salário mínimo. Vamos continuar insistindo, mas se não tiver sucesso vamos para o legislativo”, afirmou Patah

A negativa de Mantega vem um dia após a primeira reunião das seis centrais sindicais com o governo para negociação do reajuste do salário mínimo para R$ 580 e correção de 6,76% da tabela do Imposto de Renda. Mesmo sem avanços no debate, na ocasião havia sinalização da possibilidade de assegurar a alteração em 4,5%.
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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/temas/trabalho/2011/01/para-cut-correcao-da-tabela-de-ir-e-indispensavel

Estranho no próprio ninho

28.01.2011
Da Redação Carta Capital


Líderes do PSDB se unem e fazem abaixo-assinado contra a eleição de Serra para a presidência do partido

A presidência da República ele já perdeu para Dilma Rousseff no ano passado e para Lula em 2002. Agora, José Serra (PSDB) caminha para mais uma derrota, esta de menor porte, ainda que muito significativa. Com a intenção de se tornar presidente de seu partido, o ex-governador de São Paulo levou uma rasteira do atual ocupante do posto, Sérgio Guerra. O presidente tucano levantou um “abaixo-assinado” entre 54 nomes da bancada do partido na Câmara a favor de sua recondução ao cargo – ato classificado como “indigno” pelo deputado serrista baiano Jutahy Magalhães Jr., uma das poucas vozes a contrariar o ato.

Nos bastidores, fala-se em uma articulação maior, a incluir o senador Aécio Neves (MG) e o governador Geraldo Alckmin (SP). Atropelados por Serra em disputas internas passadas, ambos juram nada ter feito contra Serra na disputa pela presidência do PSDB. Alckmin, em arroubo de generosidade, chegou a prometer na quinta-feira 27 que, “se (Serra) tiver interesse, tem nossa total solidariedade e apoio”. Algo muito semelhante ao que disse o governador paulista ao longo da última eleição presidencial. O apoio, se de fato veio, de pouco ou nada adiantou.
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Fonte:http://www.cartacapital.com.br/politica/estranho-no-proprio-ninho

Centrais comemoram decisão que derruba fator previdenciário

Postado por Irineu Messias, em 29.01.2011
Publicado no site da Rede Brasil, em 03.12.2010
Por: Luana Bonone, do Vermelho


Um dia após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar a nova Tábua de Mortalidade do brasileiro que mudou a tabela do fator previdenciário e aumentou o tempo trabalhado para quem quer manter o padrão salarial, a Justiça Federal de São Paulo considerou inconstitucional o mecanismo de cálculo de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por tempo de contribuição. Centrais comentam a decisão, que fortalece a luta pelo fim do fator.

O juiz federal Marcus Orione Gonçalves Correia, da 1ª Vara Federal Previdenciária, em São Paulo, aceitou argumento de ação movida por segurado contra o INSS considerou inconstitucional o fato de o redutor utilizar elementos de cálculo imprevisíveis. “O fator concebe, por via oblíqua, limitações distintas das externadas nos requisitos impostos constitucionalmente para a obtenção, em especial, da aposentadoria por tempo de contribuição”, afirma o magistrado, que especifica que o uso da expectativa de vida é um exemplo. Orione considerou, ainda, que o fator seria “muito complexo” e conteria requisitos que “dificultam o acesso ao próprio direito ao benefício”.

Retrocesso social

O juiz diz que o raciocínio do fator previdenciário é “falacioso”, porque só é possível obter o benefício a partir da utilização de elementos não permitidos pela Constituição. Orione ainda questionou a justificativa para se manter o fator a pretexto do equilíbrio atuarial e chamou o redutor de “retrocesso social”. Ao julgar procedente o pedido, o juiz determinou que o INSS promova o recálculo do benefício.

Opinião das centrais

O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, considera que o fator previdenciário, criado pelo governo FHC e mantido nos governos Lula, “é uma das piores coisas criadas contra os trabalhadores” e afirma que “as centrais vêm lutando há anos para acabar com esse fator previdenciário, que traz tanto prejuízo aos que se aposentam”.

Para o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, a decisão “reforça a luta que os trabalhadores vêm fazendo no sentido de rever esse cálculo”. O dirigente sindical explica que o fator previdenciário prejudica os trabalhadores que começam a trabalhar mais cedo.

Herança maldita

O Fator Previdenciário foi aprovado em 1999, por intermédio da Lei Nº 9.876, durante a Reforma da Previdência iniciada em 1998 no governo Fernando Henrique Cardoso. Ele foi criado com a finalidade de reduzir o valor dos benefícios previdenciários, no momento de sua concessão, de maneira inversamente proporcional à idade de aposentadoria do segurado. Quanto menor a idade de aposentadoria, maior o redutor e, conseqüentemente, menor o valor do benefício.

O presidente Fernando Henrique foi bastante expressivo ao defender a reforma: “Para isto é preciso fazer a reforma, para que aqueles que estão locupletando da Previdência não se locupletem mais, não se aposentem com menos de 50 anos, não sejam vagabundos num país de pobres e miseráveis".

Com esta concepção elitista - que prejudica trabalhadores que entram mais cedo no mercado e procura explorar ao máximo o trabalhador do setor privado - o fator previdenciário foi criado e, desde então, o movimento sindical luta pela sua extinção. Para Wagner Gomes, a decisão é um “motivo de satisfação”. O presidente da CTB explica que, mesmo se tratando de uma decisão de primeira instância, “só o fato de um juiz federal considerar o fator previdenciário inconstitucional, já é uma grande vitória”.

Wagner Gomes afirma que o fator previdenciário já era uma das principais pautas para as centrais em 2011, e que acaba de ganhar força: “recebemos essa decisão do judiciário com muito otimismo e isso vai nos ajudar na luta que vamos travar no ano que vem contra esse entulho herdado do Fernando Henrique”.

Sindicatos têm 1 milhão de ações

Entidades representativas de aposentados e pensionistas se esforçam para consolidar ações que questionam o fator previdenciário no cálculo das aposentadorias. Só o Sindicato Nacional da Força Sindical já entrou com 1 milhão de processos na Justiça. O Sindicato dos Aposentados da CUT está fazendo caravana de esclarecimentos para incentivar novas ações coletivas.

Segundo a Justiça Federal de São Paulo, a sentença é válida apenas para o autor da ação contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Outros segurados, no entanto, podem se apoiar na decisão para recorrer à Justiça pela eliminação do fator previdenciário do cálculo da aposentadoria. Ainda cabe recurso da decisão.

Trata-se, ainda, do primeiro passo para que outros aposentados — e pensionistas que herdaram benefícios desde 1999 — possam aderir ao movimento e retomar o debate sobre a constitucionalidade do fator no Supremo Tribunal Federal (STF).
A Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) movida por sindicatos há mais de 11 anos está paralisada, mas pode voltar à cena.

Entenda o fator

O cálculo do fator previdenciário leva em conta a idade, o tempo de contribuição, a expectativa de sobrevida e a média dos 80% maiores salários de contribuição desde 1994.Na prática, o fator reduz o valor do benefício de quem se aposenta por tempo de contribuição antes de atingir 65 anos, no caso de homens, ou 60, no caso das mulheres. O tempo mínimo de contribuição para aposentadoria é de 35 anos para homens e 30 para mulheres.

Para quem se aposenta por idade, a aplicação do fator é opcional – é usado apenas quando aumenta o valor da aposentadoria. Quanto maior a idade do beneficiário no momento do pedido de aposentadoria, maior o fator previdenciário, e portanto maior o valor do benefício.
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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/temas/trabalho/2010/12/centrais-comemoram-decisao-que-derruba-fator-previdenciario

São Paulo Fashion Week cumpre acordo e abre espaço a modelos afrodescendentes

28/01/2011
Da Rede Brasil Atual
Por: Virginia Toledo


Educafro parabenizou os organizadores do desfile e propôs um maior índice de participação negra, além de igualdade nos cachês

No SPFW, ao menos 10% dos modelos devem ser negros, afrodescendentes ou indígenas, determinou o Ministério Público (Foto: Agência Fotosite/Divulgação SPFW)

São Paulo – Prestes a completar 15 anos, a São Paulo Fashion Week (SPFW) aceitou cumprir um termo de ajuste de conduta (TAC) assinado junto ao Ministério Público do estado. Pelo acordo, a organização do evento, um dos mais importantes desfiles de moda do mundo, garante que 10% dos modelos que se apresentassem no evento sejam negros ou negras. Para a ONG Educação e Cidadania de Afro-descendentes e carentes (Educafro), a medida é louvável, mas insuficiente.

Em carta, o diretor-executivo da entidade, Frei Davi Santos, agradeceu aos organizadores das edições de 2009 e 2010 pelo cumprimento do TAC que determinava um número mínimo de modelos afrodescendentes. Ele, porém, acredita ser ainda muito inexpressiva a inclusão "tendo em vista a quantidade de modelos afrodescendentes disponíveis para o mercado", explica o texto contido na carta.

A proposta do ativista dobrar a proporção de modelos afrodescendentes. "Se o IBGE revelou que a porcentagem atual da população negra no Brasil é de 51,3%, porque a SPFW não dá mais um salto e assume o compromisso nesta edição de 2011 de ampliar para 20% o índice de negros/as? Mas não é o bastante: queremos também a garantia de igualdade de cachê entre os/as modelos afrodescendentes, indígenas e brancos/as", escreve a carta.

A Educacafro também interpretou a ação como uma forma de conscientização da população sobre a necessidade de combater todos os tipos de discriminação. “É preciso exterminar qualquer situação de discriminação contra a comunidade negra e demais carente”, conclui a nota.
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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2011/01/sao-paulo-fashion-week-cumpre-acordo-e-abre-espaco-a-modelos-afrodescendentes

Uma nova verdade raia sobre o mundo árabe

28.01.2011
Do blog de Rodrigo Vianna
Por Robert Fisk, The Independent, traduzido pelo Coletivo Vila Vud
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Os “documentos da Palestina” são tão demolidores quanto a Declaração de Balfour. A ‘Autoridade’ Palestina – e as aspas são indispensáveis – estava e está pronta a ceder o “direito de retorno” de talvez sete milhões de refugiados ao que hoje é Israel, em troca de um “estado” ao qual corresponderá apenas 10% (se tanto) do território do Mandato britânico na Palestina.

E, à medida que são revelados esses documentos terríveis, o povo egípcio começa a exigir o fim do regime do presidente Mubarak, e os libaneses indicam um primeiro-ministro que servirá ao Hezbollah. Poucas vezes o mundo árabe viu coisa semelhante.

Para começar pelos Documentos da Palestina, é evidente que os representantes do povo palestino estavam prontos para destruir qualquer esperança que os refugiados tivessem de algum dia voltar para casa.

Será – e é – ultraje para os palestinos saber que seus representantes lhes deram as costas. Não há modo pelo qual, à luz dos Documentos da Palestina, os palestinos ainda crerem que algum dia recuperarão direitos seus.

Já viram, em vídeo e por escrito, que jamais voltarão. Mas em todo o mundo árabe – o que não significa mundo muçulmano – há hoje uma compreensão da verdade que jamais por ali se viu antes.

Já não é possível, para o povo do mundo árabe, mentir uns aos outros. Acabou-se o tempo das mentiras. As palavras daqueles líderes – que desgraçadamente são também nossas palavras – esgotaram-se. E nós as levamos até esse fracasso. Nós mentimos a eles todas essas mentiras. E nunca mais conseguiremos recriá-las.

No Egito, nós britânicos amamos a democracia. Incentivamos a democracia no Egito – até que os egípcios decidiram que queriam por fim à monarquia. Então os metemos na prisão. Queríamos mais democracia. Sempre a mesma velha história. Assim como quisemos que os palestinos gozassem de democracia, desde que votassem ‘certo’, nos candidatos ‘certos’, quisemos que os egípcios apreciassem nossa vida democrática. Agora, no Líbano, parece que nossa democracia será substituída pela democracia libanesa. E não gostamos dela.

Queremos que os libaneses, é claro, apóiem o pessoal que nós apoiamos, os muçulmanos sunitas que apoiavam Rafiq Hariri, cujo assassinato – cremos, com razão – foi orquestrado pelos sírios. E agora enfrentamos, nas ruas de Beirute, queima de carros e violência contra o governo.

Mas… Em que direção estamos andando? Será, talvez, na direção de deixar que o mundo árabe escolha seus próprios líderes? Veremos talvez um novo mundo árabe não controlado pelo ocidente? Quando a Tunísia fez saber ao mundo que estava livre, Mrs. Hillary Clinton não abriu a boca. Foi o presidente do Irã, o doido, o primeiro a dizer que muito o alegrava ver a Tunísia liberta. Por quê?

No Egito, o futuro de Hosni Mubarak parece ainda mais perturbador. Bem pode acontecer de seu filho ser escolhido para sucedê-lo. Mas só há um califado no mundo muçulmano, e é a Síria. Os egípcios não querem o filho de Hosni. Não passa de empresário peso leve, que nada garante que consiga (sequer que tente), resgatar o Egito de sua própria corrupção.

O chefe da segurança de Hosni Mubarak, um certo Suleiman – hoje, muito doente – dificilmente poderá substituí-lo.

Por toda parte, em todo o Oriente Médio, estamos à espera de assistir à queda dos amigos dos EUA. No Egito, Mubarak deve estar decidindo para onde fugirá. No Líbano, os amigos dos EUA estão em colapso. É o fim do mundo dos Democratas no Oriente Médio árabe. Ninguém sabe o que acontecerá depois. Só a história, talvez, conheça as respostas.
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Fonte:http://www.escrevinhador.com.br/

Fátima Oliveira: No tempo em que a TV dava boa noite

17.01.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Por Fátima Oliveira, em O Tempo
Médica – fatimaoliveira@ig.com.b
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Nas abas do mundo: no tempo em que a TV dava boa noite

Meu avô Braulino, pai de mamãe, possuía uma terrinha nas imediações do Barro Azul, em João Lisboa (MA), aonde se chegava por uma picada na mata em que só passavam jeep, Toyota e caminhão madeireiro, o meio de transporte mais comum ali, e olhe lá! Com inverno rigoroso, só de burro, cavalo, jumento ou de surrão nas costas. Um doente só saía de lá na rede – pendurada numa vara nos ombros de dois homens que palmilhavam 50 quilômetros de estrada de chão até o primeiro socorro médico, em Imperatriz (MA). Muita gente morria na estrada. Em geral, grávidas, crianças e velhos.

Tal propriedade distava légua e meia da fazenda do meu marido, aonde o pai velho ia muito, a pé ou a cavalo, só para prosear e, às vezes, comer um tatu, um jabuti, um cabrito ou uma leitoa, pratos mais afamados. Naquela terra, ele pelejava, quase no fim da vida, nuns roçados de feijão, milho e arroz e negociando “legume na folha”: comprava a safra de outros camponeses antes da colheita, fornecendo dinheiro para o plantio, pois naquela época crédito rural era algo inacessível para a maioria dos camponeses.

Na época do plantio e da colheita, ele passava a semana por lá. Ia a Imperatriz aos sábados e domingos. Tal rotina foi interrompida quando um vaqueiro o encontrou estendido na estrada, desacordado. Era esperado para o almoço no Barro Azul. A tarde já se esvaía. Ele jamais faltava a um compromisso e, como não mandou avisar que não viria, meu marido mandou ver o que acontecera. Desde então, foi proibido por nós de fazer o que mais gostava: “Viver no mato só escutando macaco gritar e vendo preguiça se pentear”.

Em casa, ele implicava com tudo. A vida de vovó virou um inferno, só suavizada quando o levávamos para exposições agropecuárias, vaquejadas e assemelhados na região. Virou uma espécie de consultor de compras de gado e outros animais do meu marido, que só fechava o negócio depois do pai velho “assuntar” se era bom. Ele “dormia com as galinhas”, ou seja, cedo da noite, na toada da roça. Odiava TV. Vovó adorava ficar grudada na TV, que só desligava quando ela dava boa noite! É, houve um tempo em que a TV dava boa noite e encerrava a programação! Acho que era quando dava meia-noite.

Quando ele estava irritado, levar minhas crianças para a casa dele era um santo remédio. Cadeira na calçada, meninada em volta, apareciam os vendedores de picolé, geladinho, pipoca, amendoim torrado, castanha de caju, cuscuz Ideal, guaraná River gelado – refrigerante imperatrizense em garrafinhas de 200 ml – e o escambau. E ele a comprar! Dizia que era para as crianças, mas ele traçava de tudo. E não podia! Era diabético. “Passava a língua” na criançada para que não contasse à vovó que ele comia coisas doces. Ela ficava dentro de casa ouvindo novela no rádio, em que também era viciada!

Uns dois a três anos após o obrigarmos a viver na cidade, já demenciando, mal me via, pedia: “Minha filha, me manda para a roça, que isso aqui não é vida, pois essa mulher aqui vive de procurar homem na TV. Esses homens todos aí são xodós dela. Depois de velho, virei foi corno!”. Vovó, que se recusava a entender que ele não era mais a lucidez em pessoa, se exasperava: “Ah, é bom se deitar sozinho, né? Quem tem com que me pague não me deve nada! Depois de velho, quer se esquentar em minhas costelas, é ruim hein? Quando novo, selava o cavalo na sexta-feira à noite e caía nas abas do mundo, farriando nas quebradas com as quengas, e só aparecia no domingo à noite!”.

Doces lembranças…
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/fatima-oliveira-no-tempo-em-que-a-tv-dava-boa-noite.html

A Revolução dos Jasmins: O medo mudou de campo

28/01/2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha

A Revolução dos Jasmins contra as autocracias

A Revolução dos Jasmins iniciou na Tunísia com a imolação de um jovem e logo se alastrou para outros países. Agora, a revolta chega ao Egito e ao Iêmen. Em entrevista ao jornal Página/12, o sociólogo e filósofo Sami Naïr, professor de Ciências Políticas na Universidade Paris VIII e presidente do Instituto Magreb-Europa da mesma Universidade, analisa a originalidade e as causas destas revoltas árabes. Autor de ensaios e análises sobre política internacional, Naïr aponta como primeiro fator alimentador da revolta o fato central de que o medo mudou de campo. É o poder que enfrenta agora um povo que perdeu o medo.

por Eduardo Febbro, no Página/12, via CartaMaior

A chamada Revolução dos Jasmins que iniciou na Tunísia há algumas semanas se estendeu como um rastilho de pólvora para vários países árabes, e não os menores. O Iêmen e, sobretudo, o Egito, vivem hoje revoltas que têm características revolucionárias. Trata-se de um fenômeno tanto mais único na medida em que o discurso ocidental sempre tratou os países árabes como incapazes de assumir coletivamente um destino democrático. Tunísia, Argélia, Mauritânia, Iêmen e Egito não só desmentem esses argumentos como também abalam desde a raiz as ditaduras que governam esses países há décadas com mão de ferro e privilégios exorbitantes.

Alguns analistas asseguram hoje que já não se trata de saber que regime cairá primeiro, mas sim qual se salvará dessa onda de aspirações democráticas cujos protagonistas são as classes médias, os setores menos favorecidos e os jovens, que se organizam por meio da internet e das redes sociais. O mais moderno do mundo irrompe como instrumento de comunicação e protesto contra poderes dinossáuricos. Os protestos revelam também a ruptura sem remédio entre autocracias longevas, respaldadas historicamente pelo Ocidente, e a legitimidade popular.

O sociólogo e filósofo Sami Naïr, professor de Ciências Políticas na Universidade Paris VIII, presidente do Instituto Magreb-Europa da mesma Universidade, analisa em entrevista ao jornal Página/12 a originalidade e as causas desta revolução árabe. Autor de ensaios e análises sobre política internacional, Naïr aponta como primeiro fator alimentador da revolta o fato central de que o medo mudou de campo. É o poder que enfrenta agora um povo que perdeu o medo.

A entrevista

A Revolução dos Jasmins iniciou na Tunísia com a imolação de um jovem e logo se alastrou para outros países. Agora, a revolta chega ao Egito e ao Iêmen. Você dizia em uma análise que, assim como ocorreu primeiro na América Latina e depois nos países do leste europeu, certa parte do mundo árabe está despertando para a história.

- Sempre prensei que, ao menos no século XX, o laboratório dos povos foi a América Latina. A Revolução Russa não pode ser entendida sem a Revolução Mexicana. Os latino-americanos inventaram todas as formas de luta possíveis e imagináveis. Na América Latina, se experimentaram as guerrilhas, as lutas políticas, os despotismos, as ditaduras. A partir dos anos 80 e 90, as ditaduras caíram em quase todos os países da América Latina. Esse movimento contra as ditaduras se desenvolveu em outros lugares do mundo, por exemplo, nos países do leste europeu a partir da queda do Muro de Berlim. Agora, esse movimento de fundo que iniciou na América Latina está atingindo todos os países da orla árabe do Mediterrâneo e mesmo além, na península arábica, como está acontecendo no Iêmen.

O problema reside em que, contrariamente ao que ocorreu na América Latina, o movimento que eclodiu nestes países árabes não tem direção, nem organização, nem programa. É um movimento totalmente espontâneo com duas características fundamentais: em primeiro lugar, trata-se de um movimento que destrói definitivamente a ideia de que estas sociedades estão condenadas a viver com o perigo extremista e fundamentalista, por um lado, e, por outro, com a ditadura, que seria uma suposta garantia necessária contra esse perigo fundamentalista. Agora está se demonstrando que o problema é muito mais complexo e que estes países não querem experimentar nem o islamismo nem o fundamentalista, mas sim que, basicamente, desejam a democracia.

O segundo elemento importante, e que pode lembrar o que ocorreu na América Latina, reside no fato de que há uma aliança circunstancial entre as camadas mais pobres e humildes, sem verdadeira inserção social, e as camadas médias empobrecidas nestes últimos anos. Na última década, todos esses países padeceram de um empobrecimento muito importante das classes médias e agora há uma fusão entre esses setores e a base popular, as classes pobres totalmente excluídas do processo de integração dentro da sociedade.

Se essas revoltas forem até o fim nestas autocracias árabes estaríamos vivendo uma autêntica revolução mundial, um giro decisivo na história de nossa concepção dos sistemas políticos mundiais. Sempre se acreditou que os países árabes eram incapazes de assumir uma forma de democracia popular e participativa.

- Isso corresponde a um discurso muito depreciativo construído pelos países ocidentais, pelo capitalismo internacional cuja sede é a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE), Estados Unidos e União Europeia. Esses atores querem que haja estabilidade nos países árabes e para isso necessitam de regimes fortes e ditatoriais, porque o que importa a eles são duas coisas: em primeiro lugar que essa gente não emigre e, em segundo, que as fontes de recursos petrolíferos sejam garantidas. Por isso desenvolveram esse discurso em total sintonia com os ditadores que sempre repetiram: “nossos povos carecem de maturidade política e cultural e, por conseguinte, não podem ter acesso à democracia”.

Sabemos que tudo isso é falso, que as aspirações democráticas são muito fortes nesta região do mundo. Creio que o que está acontecendo agora demonstra isso de maneira muito clara. Cada situação é específica. Não se pode misturar o que ocorreu na Tunísia, um país que tem uma tradição laica e elites ilustradas muito fortes, com camadas sociais muito coesas, com a situação do Iêmen, onde impera um sistema tribal baseado na dominação despótica de um clã. A única coisa similar é o grau de dominação e a forma de controle, apoiada na polícia e no exército.

A explosão social no Egito tem matizes inéditos. No Egito o exército desempenha um papel central, onde o presidente, Hosni Mubarak, pertence a ele e onde quem está chamado a substituí-lo, seu filho Gamal Mubarak, é um liberal que não é bem visto pelas forças armadas.

O caso egípcio é muito particular, em primeiro lugar porque o país é um velho Estado de direito. Provavelmente seja o Estado de direito mais antigo do mundo. O Estado de direito moderno foi constituído por Mohamed Ali entre o final do século XVIII e início do XIX, ou seja, antes que nós na Europa soubéssemos o que era isso. Mas esse Estado foi destroçado pelos ingleses no século XIX. Em todo o caso, o filho de Mubarak, Gamal, não representa a democracia. Gamal Mubarak é o elemento chave da nomenclatura que domina o país em sua vertente mais liberal. A questão do liberalismo não pode ser concebida unicamente como liberalismo econômico, salvo se se trata de comparar o Egito com a China. Na China temos um despotismo político neocomunista e um liberalismo selvagem que encarna na verdade a dominação de uma elite burocrática. No Egito, é diferente. É impossível que se possa organizar um sistema liberal sem democratização da sociedade. É indispensável evitar que o Egito se transforme em uma república hereditária onde o pai ditador nomeia seu filho como futuro ditador liberal. As pessoas estão buscando outra coisa.

Querem a democratização da sociedade para que a sociedade civil possa escolher por meio de um debate democrático transparente. O filho de Mubarak é como seu pai. As pessoas não o querem porque já tem o exemplo da Síria, onde o filho substituiu o pai e terminou instaurando um sistema mais ou menos liberal, mas com a mesma ditadura.

Você assinala que o que começou a ocorrer na Tunísia e logo se espalhou para outros países é que o medo mudou de lado. O medo acabou.

- Isso foi muito importante neste processo. Eu estava na Tunísia quando tudo isso começou e vi como o medo mudava de campo. A revolta tunisiana estourou na localidade de Sidi Bouzid, com a imolação do jovem Mohamed Bouazizi. A partir dali, tudo se transtornou. Até esse momento, o regime tunisiano estava baseado no temor. Mas a morte de Mohamed Bouazizi mudou essa situação, sobretudo pela atitude do então presidente Bem Alí, que foi visitar a família da vítima. As pessoas se deram conta que quem tinha medo era o poder. O mesmo está ocorrendo no Egito. O mais importante nestas revoltas é a vitória do imaginário que significa que transformaram a relação com o poder: agora são os ditadores que devem temer os povos. Isso não significa que amanhã vamos ter uma revolução em todas as partes. Não. O movimento pode avançar, pode recuar, não sabemos o que vai acontecer. Mas o que sabemos, e isso já foi percebido pela população, é que os poderes podem mudar quando os povos querem mudar suas condições de vida e ousam enfrentar o poder para escolher seu próprio destino.

Por isso penso que estamos diante de uma onda que terá desdobramentos. Estamos na mesma história que os povos da América Latina abriram nos anos 80. Logo se seguiram os povos do Leste europeu nos 90 e agora estamos vendo isso acontecer com estes povos árabes. Não podemos esconder que o que está ocorrendo é também uma consequência da globalização. A globalização é má socialmente, mas tem algo bom, que é a globalização dos valores democráticos nas sociedades civis.

Tradução: Katarina Peixoto
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/a-revolucao-dos-jasmin-o-medo-mudou-de-campo.html