segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Dilma discute com Carvalho propostas de sindicalistas

24/01/2011
Do portal ÚLTIMO SEGUNDO

Entre os assuntos que governo e sindicalistas vão discutir estão questões como o reajuste da tabela do IR e salário mínimo

O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, que será responsável por coordenar uma reunião com as centrais sindicais na próxima quarta-feira, esteve reunido hoje com a presidenta Dilma Rousseff para discutir as propostas apresentadas pelos sindicalistas.

Entre os assuntos que governo e sindicalistas vão discutir na quarta-feira no Planalto estão questões como o reajuste da tabela do imposto de renda, o reajuste dos aposentados e o novo valor do salário mínimo.

A presidente Dilma pediu ao ministério da Fazenda um estudo de impactos tanto da mudança da tabela do imposto de renda quanto do aumento do salário mínimo.
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Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/dilma+discute+com+carvalho+propostas+de+sindicalistas/n1237967636472.html

Portugal: Cavaco é o Presidente do País da gigantesca abstenção

24.01.2011
Do jornal português DIÁRIO DE NOTÍCIAS



Cavaco esmagou em todos os distritos, mas é o PR menos votado da História. Alegre desiludiu em toda a linha, tendo menos votos com apoios partidários do que sozinho.

Veja o vídeo do discurso de vitória de Cavaco Silva:



Confirmaram-se as indicações das sondagens, a tradição eleitoral, as previsões dos comentadores, o senso comum: Cavaco Silva foi reeleito, como gritavam os seus apoiantes durante a campanha eleitoral, "à primeira!"; e Manuel Alegre registou um resultado pior do que quando concorreu, em 2006, sem apoios partidários.

Mas, no país da abstenção (52,4%, valor só superado nas escolhas para o Parlamento Europeu), apesar de triunfar em todos os distritos (na maioria esmagando Alegre), com 52,9% e 2,2 milhões de votos, mesmo assim Cavaco Silva é o Presidente menos popular da III República: não só é o único que nunca teve três milhões de votos, como ficou abaixo de Jorge Sampaio, que tinha registado o pior desempenho até à data, com 55,6% e 2,4 milhões na reeleição de 2001.

O resultado de Manuel Alegre (19,8%), inferior aos 20,7% que teve quando concorreu sozinho - a origem desse milhão de votos de 2006 terá sido sobretudo dos que contestavam os partidos e, agora, votaram em Fernando Nobre -, pode ser terrível para o poeta, mas também é péssimo para o PS, o BE e o PCTP/MRPP - que somaram 43,7% (2,2 milhões de votos) nas legislativas de 2009. E, em especial, para José Sócrates, líder do partido que elegeu dois PR (Mário Soares e Jorge Sampaio) e, depois, obteve votações irrisórias nos candidatos que decidiu apoiar na corrida a Belém em 2006 e em 2011.
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Fonte:http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1764986

Ramy Brahem: como a Tunísia decidiu acabar com Ben Ali

24.01.2011
Do portal VERMELHO
Por Ramy Brahem, no InvestigAction
Tradução: Margarida Ferreira (ODiario.info)


Os meios de comunicação estrangeiros falseiam a visão dos acontecimentos. Dão a entender que a Tunísia vive um movimento social como se as causas principais fossem o desemprego ou o preço dos alimentos de base.

Quando eles denunciam a ditadura, têm tendência para a desculpar. Acima de tudo, escondem as razões por que o governo francês apoia o regime criminoso de Ben Ali: alegam que é principalmente por causa da participação de Ben Ali na luta contra os islamitas.

Mentira nº 1 dos meios de comunicação: “Trata-se apenas de um movimento social, não é um levantamento”

De há duas semanas a esta parte intensificou-se a repressão na Tunísia. Tiros de balas reais das forças policiais juntaram-se às detenções em massa e às ameaças de perseguições. Sabe-se que há mortos desde 9 de Janeiro. Mas o balanço é difícil e os hospitais proíbem as filmagens. Os meios de comunicação locais estão amordaçados, mas as informações espalham-se na Internet como um rasto de poeira. Entre os mortos, há crianças, mulheres e pessoas idosas. Uns morrem sufocados com os cartuchos de gás lacrimogêneo fora de prazo que são utilizados. Os vídeos na Internet mostram que as vítimas foram quase todas atingidas no peito ou na cabeça. Tiros de precisão para matar.

Kasserine (a sudoeste do país) foi particularmente atingida. Sábado à noite, os polícias de Ben Ali dispararam sobre o cortejo fúnebre de um manifestante que tinham morto na véspera. Foram colocados atiradores em sítios altos. Houve pelo menos 50 mortos ali e os confrontos continuam. Polícias à paisana pilharam os estabelecimentos comerciais e as casas. E na segunda-feira foi possível ouvir na Radio Kalima que as forças especiais de Ben Ali arrombaram as portas das casas e violaram as raparigas que encontraram.

A ira chegou a uma situação sem retorno. Toda a gente aderiu ao combate: médicos e advogados lutam ao lado dos mais pobres pelo seu país. Na segunda-feira à noite Ben Ali faz uma declaração, prometendo 300 000 empregos. Como se essa mentira pudesse acalmar os ânimos. “Estamos nas tintas para o desemprego, queremos que Ben Ali seja preso” declaram em coro os tunisinos.

Os subúrbios de Tunis revoltam-se na quarta-feira. Ben Ali manda o exército intervir, mas este volta-se contra ele em várias cidades, protegendo os cidadãos pacíficos dos tiros da polícia e das detenções. Na quarta-feira à noite é decretado o recolher obrigatório em Tunis e seus subúrbios, das 20 horas às 5h30 da manhã. Uma hora antes, o jovem Magid é assassinado em Ettadhamen no subúrbio oeste de Tunis com um tiro de um polícia, quando regressava a casa. Contrariamente ao que nos descrevem os jornalistas do France 24, abrigados no centro, os corajosos habitantes das cidades de Ettadhamen e de Intilaka lutaram toda a noite apesar do recolher obrigatório e dos tiros da polícia. Os confrontos continuam, os jovens cantam: “Não temos medo de vocês”. O exército retira-se da cidade, por ordem de Ben Ali, para deixar que as forças especiais continuem o massacre.

Não se trata de um simples movimento social, é uma revolução que está em marcha. Um levantamento cuja faísca foi o suicídio por imolação, no dia 17 de Dezembro em Sidibouzid, de um jovem de 28 anos, mas cujas raízes são mais profundas.

A luta organiza-se na Internet e na rua, começa no sul onde as populações são mais pobres, mas estende-se a todo o país. Na quinta-feira passada, depois de Tunis e dos seus subúrbios, as cidades de Tabarka e Jendouba no noroeste juntam-se por seu turno à luta.

Ben Ali alega ter sido enganado por gente corrupta. Imediatamente, na quarta-feira, a ONU que receia que ele perca o seu trono, recomenda-lhe que instale uma comissão de inquérito independente. Mas os tunisinos não são parvos: sabem muito bem que os corruptos são os que dirigem o seu país. Pele seu lado, os Estados Unidos tentam também chamar à razão o tirano que perde o controlo do país e só agrava a situação com a repressão.

Pouco depois, o primeiro-ministro tunisino anuncia a exoneração do ministro do interior, Rafik Belhaj Kacem, e a libertação de todas as pessoas detidas durante o “levantamento social”. Na mesma altura, Hamma Hammami, um opositor político que já conheceu a clandestinidade, a prisão, o exílio e a tortura, na sua qualidade de porta-voz do PCOT (partido comunista tunisino, oficialmente proibido) é raptado do seu domicílio pelas forças especiais. A família muito inquieta receia pela sua vida.

Quinta-feira, o presidente autoproclamado, Zin El Abidiin Ben Ali, anuncia que não tem a intenção de exercer um novo mandato e promete a liberdade total da informação e da internet: “Nada de presidência vitalícia e recuso-me a mexer no limite de idade fixado pela Constituição”. “Basta de tiros com balas reais”, “Já vos compreendi”. São estas as palavras do ditador assassino agonizante que alega ter sido enganado. Nenhuma palavra sobre o recolher obrigatório instaurado desde a véspera.

Depois da declaração, ouvem-se alguns gritos de regozijo na rua, mas rapidamente são criticados por uma grande parte dos resistentes e pela totalidade dos ciber-ativistas.

Para Tarak Mekki, opositor político de Ben Ali e humorista, estas manifestações de regozijo são uma encenação: “Antes da declaração estacionaram uns carros diante da sede do partido em Sfax. Julgamos que iam partir tudo, mas eis que se põem a festejar, buzinando e foi o mesmo cenário que aconteceu em Tunis e em Kérouan, só que em Kérouan as pessoas foram espancadas e em Kasserine as manifestações continuaram”.

Um pouco mais tarde, confirma-se a mentira: a polícia continua a atirar e enumeram-se mais mortos. Em Zarzouna, os resistentes clamam vingança depois de um tiro mortal que atingiu uma rapariga pacífica cujo único crime tinha sido ter protestado contra o regime. Em represália foi queimado um posto da polícia. Em Monastir, foi a sede do RCD que foi queimada, assim como propriedades do clã Ben Ali.

A repressão ainda subiu um furo na quinta-feira: Ben Ali tenta que a população do sul do país passe fome, restringindo o abastecimento de produtos básicos (farinha, açúcar, leite…). Sabe-se que as cidades de Kérouan, Gafsa e Sidi-bouzid estão numa situação de penúria.
Mas os motins assumem uma amplitude cada vez maior e começa-se a pensar que, se Ben Ali não for preso rapidamente, a violência popular será inevitável. Mais tarde, nesse mesmo dia, difundem-se os slogans nas ruas de Tunis, repetidos por toda a gente: “Ben Ali, rua! Já, já!”

Esta quinta-feira de manhã, às 11 horas, os tunisinos afluíram de todo o país para uma grande manifestação de vários milhares de pessoas no centro de Tunis. Todos reafirmaram a sua vontade inabalável de prender Ben Ali e o seu clã mafioso: a revolta não se acalmará antes disso. Diante do ministério do Interior, a polícia ainda disparou sobre a população. Em represália, os jovens organizam-se e querem queimar o ministério, mas o tiroteio impede-os.

O que a ONU, a França ou Ben Ali não compreendem, é que os tunisinos já não acreditam nas suas mentiras. O que eles não vêem é que só há uma solução viável para a calma: a fuga ou a rendição aos militares de Ben Ali e do seu clã. Atualmente, já não há qualquer dúvida: os tunisinos decidiram acabar com Ben Ali

Mentira nº 2 dos meios de comunicação: “Ben Ali permitiu a emancipação da mulher e a educação do povo”.

A Tunísia é um pequeno país de cerca de 10 milhões de habitantes com uma população jovem e muito culta (metade da população tem menos de 25 anos e o número de diplomados universitários ultrapassa o da Argélia e Marrocos no seu conjunto). A sua economia baseia-se principalmente em sociedades de serviços (43,2 % do PIB em 2007), em produtos de baixo valor acrescentado (azeite, cereais) e na exportação de fosfatos (segundo exportador mundial). Mas o desenvolvimento econômico é muito desigual: centrado principalmente em Tell a oeste (região das colinas) com os fosfatos e no litoral com as indústrias e o turismo. O que deixa as regiões do sul e do norte com uma pobreza muito acentuada.

Foi depois da independência, em 1957, sob a presidência de Bourguiba, que a Tunísia conheceu um período social e progressista. A colonização francesa durara 75 anos, centrara-se principalmente na agricultura através da espoliação das terras e num comércio lucrativo graças aos portos de Tunis e de Sfax e na exploração dos tunisinos. Deixou um país pouco industrializado com um grande desemprego.

Na altura da libertação, a Tunísia nacionaliza o que lhe tinha sido roubado e desfruta então de uma economia social gerida a 80% pelo Estado, o que provoca um forte crescimento. A mulher tunisina recebe o direito de voto, a poligamia é proibida e o aborto é legalizado dez anos antes da França. Como cereja no topo do bolo, a maior parte do orçamento é reservada para a educação (até aos 30%).

Mas o Banco Mundial, que está ao serviço das multinacionais, imiscui-se nos assuntos tunisinos. Apoiado pela grande burguesia de Tunis, começa a oferecer a sua “ajuda” à Tunísia, ou seja, empréstimos caros, que lhe permitirão fazer pressão sobre o governo para travar a estatização da economia. Esta tinha sido iniciada por Ben Salah, secretário de Estado para o Plano e Finanças. O BM esforça-se também por recuperar tanto quanto possível os fosfatos tunisinos. No final dos anos 60, é um dos principais credores da Tunísia e provoca a exoneração de Ben Salah. A Tunisina começa então uma política muito mais liberal chefiada por Hédi Nouira, ex-governador do Banco central.

No entanto, este liberalismo não desenvolve o país: entrega-o de mão beijada aos estrangeiros e a indústria tunisina enriquece a Europa. A taxa de desemprego duplica, a taxa de escolarização baixa e as desigualdades agravam-se.

Em 1978, a UGTT (União Geral dos Trabalhadores Tunisinos - este sindicato é a principal força da oposição da época e ainda hoje existe) lança um apelo à greve geral. Nessa altura, é um tal Zine El Abidine Ben Ali que está à frente da Segurança nacional (os serviços de informações tunisinos). Manda disparar sobre a multidão: nessa “quinta-feira negra” haverá 200 mortos e mais de uma centena de feridos. Em 1983, Bourguiba duplica o preço do pão e da sêmola. Estalam então “os motins do pão”, novamente reprimidos com ferocidade. Mas o povo não abandona a luta e consegue a anulação do aumento dos preços.

Todas estas repressões vão favorecer a ascensão de Ben Ali ao poder: as burguesias de Sahel e de Tunis querem um homem capaz de fazer frente aos movimentos populares, esmagando simultaneamente os gaullistas e os islamitas.

É em 1987 que Ben Ali, na altura ministro do Interior, obriga pessoalmente sete médicos a assinar um relatório em que se declara que Bourguiba está senil. Esse “golpe médico de Estado” faz de Ben Ali o segundo presidente da Tunísia (o artigo 57º da Constituição tunisina estipula que é o primeiro-ministro que sucede no caso de impedimento). Inicia então a sua política repressiva e ultraliberal.

Mentira nº 3 dos meios de comunicação: “Estas revoltas são causadas sobretudo pela forte taxa de desemprego e pelo custo demasiado elevado dos produtos básicos”

O desemprego é muito elevado, incluindo entre os jovens diplomados, mas é um problema secundário que decorre das causas profundas da ira: a corrupção generalizada, a repressão, a censura e a venda do país aos amigos do ditador.

O WikiLeaks fez revelações em Dezembro, através de um telegrama de Robert F. Gode, antigo embaixador americano em Tunis: “Metade do mundo dos negócios na Tunísia pode gabar-se duma ligação a Ben Ali pelo casamento, e um grande número dessas relações terá tirado grande proveito desse parentesco”.

Como refere o relatório, os tunisinos conhecem estas informações há muito tempo.

Quase todos os sectores econômicos estão gangrenados por três famílias principais ligadas por casamentos, a que se chama o clã Ben Ali: os Ben Ali, os Mabrouk (uma rica família burguesa tunisina em que um dos filhos é atualmente casado com a filha do ditador) e os Trabelsi (liderado por Belhassen Trabelsi, o irmão mais velho de Leila, mulher de Ben Ali).

A família Mabrouk controla o BIAT, o Banco Internacional Árabe da Tunísia, o STAFIM PEUGEOT (automóveis) e o CHAMS FM (rádio que pertence à filha do presidente e mulher de Mabrouk). E reparte com os franceses os benefícios das licenças Géant e Monoprix.

A família Trabelsi possui o Banco da Tunísia, a licença FORD, a CTN (Companhia Tunisina de Navegação). Duas rádios: RADIO MOSAIC FM e EXPRESS FM e uma cadeia de televisão privada TV CARTHAGE (Belhassen Trabelsi e Sami Fehri), a BRICORAMA, os Cimentos Cartago, IE THON TUNISIEN.

A família Ben Ali possui os bancos Zitouna e Mediobanca (Sakhr el Matri, genros de Ben Ali) e a Société MAS de gestão dos serviços do aeroporto de Tunis. (Slim Zarrouk, genro). Do lado dos meios de comunicação, possui a sociedade CACTUS, empresa de produção áudio-visual que se apropriou de 60% das receitas da cadeia nacional, assim como duas rádios: ZITOUNA FM e JAWHARA FM (Néji Mhiri, amigo pessoal do ditador e administrador do Banco Central) e o Grupo Dar Assabah que publica os jornais Assabah e Le Temps (Sakhr Matri). A sociedade nacional Ennakl de transportes tunisinos e a

Sociedade Le Moteur que possui as licenças Mercedes e Fiat. A companhia aérea Khartago Airlines assim como a Frip. Estas sociedades foram todas readquiridas ou oferecidas em condições duvidosas ou criminosas.

O Clã dedica-se igualmente a roubar as terras do povo e as suas riquezas culturais. A maior parte das operações imobiliárias do país está nas mãos do clã. Dezenas de hectares de terras agrícolas são distribuídas pela família. Sidi Bou Said e Cartago (cidades costeiras muito bonitas, ricas de história e de descobertas arqueológicas) sofreram uma verdadeira razia. Foram desclassificados terrenos e vendidos a preços altos.

A maior parte das operações imobiliárias do país está nas mãos da família. Ben Ali distribui-lhes zonas inteiras, até mesmo várias dezenas de hectares de terras agrícolas. As propriedades públicas são requisitadas para a família, de acordo com os seus apetites.

Com a cumplicidade do Banco Central, transfere maciçamente fundos para o estrangeiro: O conjunto das transferências de dinheiro da família está calculado, no período 1987-2009, em cerca de 18 mil milhões de dólares, o equivalente à dívida tunisina (segundo o site ativista nawaat.org).

Estalam escândalos em nível internacional:

- A questão do liceu Louis Pasteur:

O liceu francês Louis Pasteur, dirigido há 40 anos pelo casal Bouebdelli é reputado pelo seu ensino de muito alta qualidade e uma taxa de êxito muito elevada no bacharelato. Toda a burguesia envia para lá os seus filhos. Mas em 2007, Bouebdelli impede de ir a exame a filha do advogado de Leila Trabelsi. É convocado pouco depois ao ministério: dão-lhe ordens de inscrever a aluna sob pena de ver o liceu encerrado. O respeitável Mohamed Bouebdelli recusa-se a ceder às ameaças. Leila Trabelsi ordena o encerramento do liceu e arranja uma subvenção de 1 800 000 dinares para abrir o seu próprio estabelecimento de ensino no ano seguinte: o liceu internacional privado de Cartago.

Mohamed Bouebdelli desencadeia uma campanha para sensibilizar a opinião pública, escreve um livro que divulga gratuitamente ma Internet, contato a embaixada de França. Não serve para nada, a França mantém-se surda e ele não consegue impedir o encerramento do liceu.

- A questão do Iate roubado:

Em 2006, Imed e Moaz Trabelsi, sobrinhos de Ben Ali roubam o iate do rico homem de negócios francês Bruno Roger, amigo de Sarkozy. Empurrado pela mulher, Ben Ali é obrigado a intervir para evitar um incidente diplomático.

As malfeitorias das grandes famílias centram-se sobretudo na economia, mas os Trabelsi também se dedicaram a tráficos mafiosos ao mais alto nível do Estado. Segundo o inquérito de Slim Bagga, Imed Trabelsi coloca-se acima das leis e abusa disso. Põe em marcha um tráfico de prostituição de menores, que ele considera uma mercadoria igual a qualquer outra, com a colaboração ao mais alto nível do Estado („As menores‟, de Slim Bagga: reserva de caça dos herdeiros Ben Ali e Trabelsi),

Será que a criação de empregos suplementares poderá acalmar a ira dos tunisinos?

Mentira nº 4 dos meios de comunicação: “A França defende Ben Ali porque ele luta contra o islamismo”

A repressão de Ben Ali no que se refere aos islamitas foi muito violenta, mas a principal razão do apoio francês são interesses econômicos consideráveis.

As relações privilegiadas da França com Ben Ali permitem-lhe ter sido o primeiro investidor estrangeiro na Tunísia em 2008 com um recorde de 280 milhões de euros em investimentos. Há 1 250 empresas francesas em atividade neste país, com um total de 106 000 empregados. Alguns interesses econômicos franceses são antigos. Outros, promissores, pertencem ao futuro.

- Deslocalização de proximidade

Três quartos das empresas francesas presentes fazem deslocalização de proximidade exportando indústria ou serviços para o mercado europeu. Nos sectores dos têxteis – vestuário, couro (500 empresas) - e sobretudo nas indústrias mecânicas, elétricas e eletrônicas – primeiro posto de exportação do país – com a Valeo, a Faurecia, a Sagem ou a EADS (através da sua filial Aerolia Tunisie). Os serviços não ficam atrás, com os "call centers" e as sociedades de serviços informáticos. Começam a aparecer gabinetes de estudos e de engenharia ao lado da centena de gabinetes de consultoria já instalados. Acrescentemos os „call centers‟ (Téléperformance) ou os SSI (Infraestruturas de Sistemas de Servidores) de vocação exportadora.

Ao lado destes sectores dedicados à exportação, os grandes nomes do CAC40, presentes na Tunísia, interessam-se diretamente pelo mercado tunisino, ou mesmo argelino e líbio: Air Liquide, Danone, Renault, PSA, Sanofi Aventis, Total ou outros. Estas empresas implantam-se frequentemente em parcerias com grupos locais, mesmo que tenham apenas uma participação minoritária, como o Carrefour e o Géant Casino. Estas duas marcas tiveram o cuidado de formar parcerias no seio de famílias mafiosas (Mabrouk e Trabelsi) que se mantêm majoritárias.

As empresas francesas procuram contratos na energia e nos transportes. A central de gás que deve ver o dia entre Tunis e Bizerte (400 milhões de euros) interessa à Alstom e à General Electric France. Em Cap Bon, na extremidade nordeste do país, o vasto projeto ELMED que pretende ligar a Tunísia à Sicília suscita o interesse da GDF Suez e da EDF. Na ordem de 2 mil milhões de dólares (1,5 de euros), poderá vir a ser lançado em 2011 ou 2012. Os transportes são o outro sector promissor para os investidores. O projeto de rede ferroviária rápida (RFR) de Tunis, inspirado no RER parisiense, deve arrancar este ano. A Alstom e a Colas Rail são candidatas à sinalização e ao equipamento da via. O material rolante interessa à Bombardier France. O projeto RFR deve prosseguir durante cerca de dez anos, ou seja, significa um potencial de contratos de dois mil milhões de euros.

No turismo, encontramos: a Fram, a Accor, o Club Med. No sector bancário: BNP-Paribas, Société générale, Groupe Caisse d’épargne. Nos seguros, a Groupama detém 35% do capital da Sfar, a primeira seguradora tunisina. As marcas Carrefour e Casino estão presentes com parcerias no seio da família mafiosa que se mantêm majoritárias (Mabrouk/Trabelsi). Nas telecomunicações, a Orange Tunisie arrebatou em 2009 a terceira licença de telefones móveis e a segunda de telefones fixos.

“As empresas que se dispuseram a deslocar-se para o país seguem com atenção os motins, mantendo-se calmas”, indica um observador francês, com base em Tunis. “Algumas casas mães experimentam o pulso da situação por causa das suas filiais”.

Mas não existe apenas a França. A União Europeia também deposita a sua confiança em Tunis e tenta elogiar o regime. Segundo um comunicado de Abril de 2009 da Comissão Europeia, “a Tunísia foi o primeiro país da região euro mediterrânea a assinar um acordo de associação com a União Europeia, que tem como objetivo estabelecer uma parceria política, econômica e social entre as duas partes”. O Banco Europeu de Investimentos interveio a partir de 1978. Atualmente, já se investiu um total de 2,75 mil milhões de euros, o que faz do BEI o primeiro credor de fundos da Tunísia.

A grande beneficiária do regime de Ben Ali é a Europa. Ele é o único dirigente árabe a promover o Tratado do Mediterrâneo, zona de mercado livre que deixará o Magrebe à mercê dos capitais ocidentais. E nesta via perigosa, Bruxelas esfrega as mãos de contente: “A partir de 1 de Janeiro de 2008, foram abolidas todas as taxas para os produtos industriais, dois anos antes do prazo previsto”.

O Banco Mundial (com sede em Washington) está no mesmo comprimento de onda. O seu relatório Doing Business 2009, que mede a eficácia das reformas tomadas com vista a sanear o ambiente dos negócios, premeia a Tunísia com um generoso sete em dez e coloca-a na 73ª posição entre 188 países passadas pelo crivo (muito à frente de Marrocos e da Argélia). De resto, em meados de Maio de 2009, o Banco Mundial meteu a mão na algibeira e concedeu um empréstimo de 250 milhões de dólares à Tunísia para desenvolver a sua competitividade.

Isto explica porque é que a ministra francesa dos Negócios Estrangeiros, Michel Alliot-Marie, declarou, na altura em que o povo tunisino era massacrado: [o governo francês] “não deve armar-se em dar lições perante uma situação complexa” e ofereceu “a experiência da polícia francesa à polícia tunisina na gestão de questões de segurança”. Os jovens dos subúrbios e os manifestantes do movimento das reformas hão de agradecer.

É verdade que ela conhece bem o país visto que, tal como os seus colegas Hortefeux, Besson e Mitterrand, todos os verões passa belas férias nas luxuosas instalações turísticas, com a sua família, conforme revelou o Canard Enchaîné. Este ano, foi no Phenicia em Hammamet. A notícia não diz quem pagou a conta.

O seu colega da Agricultura, Bruno Le Maire, foi o primeiro membro do governo a explicar-se: “Não tenho que julgar o regime tunisino. O presidente Ben Ali é uma pessoa que frequentemente é mal julgado, [mas] fez muitas coisas”. Quanto a Frédéric Mitterrand, depois de o ter elogiado durante tanto tempo, ainda se atreveu a declarar há pouco tempo que tratar o regime de Ben Ali como uma ditadura era “um exagero”!

Uma nova forma de revolta

A única de o regime de Ben Ali conservar o poder foi organizar uma vigilância e uma censura do Estado institucionalizada com a cumplicidade da Justiça. Todas as vozes dissidentes são severamente reprimidas. Já em 2008 começam os levantamentos na região de Gafsa (minas de fosfato). A 6 de Julho de 2010, um tribunal de recurso tunisino confirma a sentença de quatro anos de prisão efetiva pronunciada contra o jornalista Fahem Boukaddous por ter filmado as manifestações. Ainda hoje continua na prisão.

Mas, graças à Internet e às novas tecnologias, os tunisinos conseguem encontram fontes de informação. Então, o governo apressa-se a bloquear todos os sites dissidentes e prende os blogueiros. É impossível aceder ao YouTube e ao Dailymotion, há páginas do Facebook bloqueadas. No entanto, esta repressão faz nascer na Tunísia uma geração de piratas informáticos que permitem contornar os bloqueios ou chegam mesmo a desbloquear endereços amordaçados pelo Estado!

As redes sociais desenvolvem-se espantosamente: em 2000, o primeiro ciber grupo de ativistas tunisinos Takriz ultrapassa o cabo de um milhão de visitantes singulares, número que continuará a aumentar com os crimes cada vez mais escandalosos dos Ben Ali. Este endereço conta hoje um milhão de visitantes por dia! Estes jovens piratas informáticos desempenham atualmente um papel determinante na luta, quando os tunisinos não estão no terreno, é aqui que se reúnem e trocam as últimas notícias que surgem a cada minuto que passa.

Na segunda-feira à tarde, piratas informáticos atacam os websites governamentais. Ficam bloqueados o acesso à bolsa de valores e o site do ministério dos Negócios Estrangeiros. O ataque é reivindicado por um grupo de piratas informáticos dissidentes: “Anônimos”. O endereço deles propõe-se navegar anonimamente na Internet, oferecendo acesso aos sites bloqueados pelo governo.

Neste momento, os tunisinos podem seguir em decreto no Takriz, minuto a minuto, os acontecimentos, tal como nós todos. Estes acontecimentos mostram-nos como as novas tecnologias podem representar uma esperança para a luta, para a verdade e para a Libertação.

É difícil prever a evolução dos acontecimentos, visto que este movimento não propõe nenhum candidato, nenhuma alternativa para além da vontade de lutar pela liberdade e pela justiça. Tendo em conta o passado dos tunisinos bem conscientes da censura, da manipulação mediática e das jogadas internacionais, podemos sonhar ver aparecer um governo progressista que poderá ter uma influência considerável no mundo árabe.

Apoiar o povo tunisino

Em muitas grandes cidades da Europa e noutros locais organizaram-se manifestações para apoiar a Tunísia e o seu povo. Na quarta-feira passada, Marselha reuniu perto de mil manifestantes. Bruxelas manifestar-se-á este sábado, 15 de Janeiro, às 14 horas, na Bolsa de Bruxelas para fazer o mesmo e impor aos nossos governos que reconheçam o regime despótico de Ben Ali como um regime criminoso. Para impor que deixem de ser cúmplices desse tirano e da sua desonesta família.

Com estas palavras de ordem: Solidariedade com o movimento social na Tunísia e na Argélia! Fim à repressão! Pelo direito ao Trabalho, à Dignidade, à Liberdade e à Democracia! Viva a Solidariedade Internacional! Viva a Solidariedade Magrebina!
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Fonte:http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=146036&id_secao=9

Governo federal arrecada volume recorde de R$ 805 bilhões em 2010

20.01.2011
Da BBC BRASIL
Por Fabricia Peixoto

Após a queda na arrecadação em 2009, em função da crise financeira, o governo federal voltou a registrar um crescimento no volume total recolhido no ano passado.

Já descontada a inflação, a arrecadação cresceu 9,85% em 2010, chegando ao montante de R$ 805 bilhões – o melhor resultado desde o início da série histórica, em 2003.

A arrecadação está diretamente ligada ao bom resultado da economia no passado, que tem como previsão uma expansão superior a 7,5%.

O resultado de 2010 reflete uma forte recuperação em relação a 2009, ano de encolhimento da economia brasileira e de consequente queda na coleta de impostos. Naquele ano, a arrecadação federal caiu 3%.

Um dos destaques do ano passado foi o Imposto de Importação, cuja arrecadação cresceu 25,8%, já considerando a inflação no período. Já a receita com o Imposto de Renda Pessoa Física cresceu 10,5%.

A rubrica inclui não apenas os impostos recolhidos, mas também outras fontes de receita, como contribuições previdenciárias e royalties.
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Fonte:http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/br/2011/01/governo-federal-arrecada-volum.html

A campanha da Veja contra as lutas históricas dos professores

24.01.2011
Do portal VERMELHO
Por Gabriel Perissé, no Observatório da Imprensa


A revista Veja não economiza espaço quando se trata de divulgar os palpites de Gustavo Ioschpe sobre educação. Não haveria um articulista mais articulado para essa tarefa? Ou, pensando melhor, Ioschpe e Veja vivem em total harmonia. As afirmações de um, abalizadas pela outra, demonstram, apesar do tom peremptório e seguro, uma fragilidade teórico-prática impressionante.

Ioschpe costuma aludir a pesquisas (não especificando, na maioria das vezes, que pesquisadores são esses, que pesquisas são essas, onde consultá-las), dando como líquido e certo tal ou qual verdade. Na Veja de 13/10/2010, por exemplo, escreveu um artigo, "Educação de qualidade: de volta ao futuro", do qual destaco o seguinte trecho:

"[...] as pesquisas empíricas [...] mostram que a presença de computadores nas escolas não tem nenhum impacto sobre o aprendizado."

Contudo, já no final do século 20, pesquisadores do mundo inteiro reuniam experiências que demonstravam como a utilização de computadores e da internet tornam as práticas docentes motivadoras. Bastaria citar um estudo de 1998, "The emerging contribution of online resources and tools to classroom learning and teaching", e, para entender a necessidade de a escola ingressar na Idade Mídia, o livro de Don Tapscott, A Hora da Geração Digital (Agir Negócios, 2010).

Ainda nesse artigo de Ioschpe, outra pérola:


"Sindicatos mais poderosos pressionam para que o grosso da verba de educação seja gasto em aumentos salariais e diminuição do número de alunos em sala de aula, duas variáveis que não têm relação com a qualidade de ensino."

Tentativa de corrigir uma injustiça

Contudo, qualquer psicopedagogo, qualquer educador haverá de nos dizer que em turmas reduzidas o professor conseguirá dar atenção mais individualizada, poderá perceber melhor progressos e dificuldades de cada aluno, detectando os problemas e intervindo com mais eficácia. E, quanto aos salários, é difícil acreditar que pesquisadores (motivados por bolsas de estudos, talvez com ajuda do exterior...) dediquem seu tempo para descobrir que aumentos salariais não motivam professores...

Em dezembro do ano passado, visivelmente abalado com a vitória de Dilma Rousseff, Ioschpe, em novo artigo (Veja, 29/12/2010), intitulado "Aumentaram os gastos, mas a qualidade...", teve a coragem de escrever:

"[...] esse governo [federal] foi extremamente generoso nas concessões e omisso nas cobranças. Instituiu um piso nacional de salário para o magistério, atualmente em 1.024,00 reais. O salário médio do professor brasileiro subiu de 994 reais em 2003 para 1.527,00 reais em 2008 [...]. O governo, porém, não fez nenhuma intervenção mais forte nos cursos de formação de professores das próprias universidades federais, que continuam despejando no mercado profissionais despreparados para o exercício da docência."

Ora, não se pode usar o advérbio "extremamente" em relação a uma generosidade nada extrema. Aliás, nem de generosidade se trata, mas da tentativa (tardia!) de corrigir uma injustiça: o salário de um professor de escola pública com diploma universitário equivale, hoje, a 60% do que recebem, em média, profissionais com o mesmo nível de ensino.

Realidade se resume a poucas palavras


E não são as universidades federais que "despejam" professores despreparados no mercado! Na década de 1990, calculava-se que 80% dos professores da rede pública estadual de São Paulo formaram-se em faculdades privadas. Em 2008, o MEC divulgou estudo segundo o qual 70% dos professores aptos a lecionar no ensino básico do Brasil formaram-se em faculdades e universidades particulares.

Andar na contramão da realidade pode provocar acidentes. No caso de Ioschpe, suas declarações entram em rota de colisão com o óbvio. Nem precisaríamos recorrer a teses de doutorado ou pesquisas financiadas por bancos ou assemelhados. Em novembro e dezembro de 2010, e neste mês de janeiro, o articulista publicou em três partes um artigo cujo título não é nada ambicioso: "Como melhorar a educação brasileira". Basta-nos ler (e brevemente comentar) alguns dos seus melhores momentos...

"Muitos professores chegam atrasados a suas aulas. Perdem tempo fazendo chamada, dando recados e advertências. É um desperdício" (Veja, 10/11/2010).

Correto. Mas essa constatação é insuficiente. Por que muitos professores chegam atrasados? E por que a chamada é tão prolongada (ao mesmo tempo que exigida pela burocracia escolar)? E por que cabe aos professores darem recados e advertências? Se Ioschpe fizesse as perguntas certas aos que vivem essas realidades estaria realizando verdadeira pesquisa empírica e acabaria por descobrir uma realidade que se pode resumir em poucas palavras: professores sobrecarregados e turmas com grande número de alunos.

Uma breve pesquisa informa o óbvio

Outro momento de Ioschpe, influenciado pelos noticiários sobre o Morro do Alemão:

"É curioso: nossos governantes criaram coragem para invadir o Morro do Alemão, mas as universidades públicas continuam sendo consideradas território perigoso demais para a ação saneadora do estado. Esculachar bandido armado de metralhadora é mais fácil do que peitar os doutores da academia, que permanecem livres para perpetrar seus delitos intelectuais" (Veja, 22/12/2010).

Mais do que curioso... é incrível que alguém possa, impunemente, comparar bandidos e professores universitários! Que tipo de "limpeza" deveria ser feita nas universidades públicas? Não seria o caso de imaginar que as particulares merecem igual ou maior rigor?

Um último parágrafo:

"Em termos de regime de trabalho, ao contrário dos desejos dos sindicatos, a maioria das pesquisas mostra que não faz diferença, para o aprendizado do aluno, quantos empregos o professor tem, se trabalha em uma escola ou mais" (Veja, 19/01/2011).

De novo, impressiona ler uma afirmação dessas. Será que, além de desconhecer a escola pública, Ioschpe ignora a realidade vantajosa das escolas particulares, cujos alunos obtêm os melhores resultados no Enem?

Uma breve pesquisa na internet informa o óbvio. As melhores escolas possuem laboratórios, computadores e biblioteca. Seus professores são bem remunerados, o que lhes permite dedicação exclusiva, ou quase exclusiva, com tempo necessário para prepararem aulas inovadoras, em geral empregando recursos tecnológicos.
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Fonte:http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=146051&id_secao=6

Documentário conta drama de gêmeo criado como menina após perder pênis

24.01.2011
Da BBC BRASIL


Um acidente fez com que o bebê Bruce passasse a infância como Brenda

O drama de um menino canadense criado como menina após perder o pênis em um acidente durante um procedimento de circuncisão nos anos 1960 é o tema de um programa transmitido nesta semana pelo Serviço Mundial da BBC.


Os gêmeos Bruce e Brian Reimer nasceram como meninos perfeitos, mas após sete meses, começaram a apresentar dificuldades para urinar.

Sob orientação médica, os pais, Janet e Ron, levaram os dois a um hospital para serem circuncidados.

Na manhã seguinte, eles receberam uma ligação telefônica devastadora – Bruce tinha sido envolvido em um acidente.

Os médicos usaram uma agulha cauterizadora em vez de um bisturi. O equipamento elétrico apresentou problemas, e a elevação súbita da corrente elétrica queimou completamente o pênis de Bruce.

A operação de Brian foi cancelada, e o casal levou os gêmeos de volta para casa.

Psicólogo

Vários meses se passaram, e eles não tinham ideia do que fazer até que um dia encontraram um homem que mudaria suas vidas e as vidas de seus filhos para sempre.

John Money era um psicólogo especializado em mudança de sexo. Ele acreditava que não era tanto a biologia que determinava se somos homens ou mulheres, mas a maneira como somos criados.

“Estávamos assistindo a TV”, lembra Janet. “O doutor Money estava lá, muito carismático, e parecia muito inteligente e muito confiante no que estava falando.”

Janet escreveu para Money, e poucas semanas depois ela levou Bruce para vê-lo em Baltimore, nos Estados Unidos.

Para o psicólogo, o caso representava uma experiência ideal. Ali estava uma criança a qual ele acreditava que poderia ser criada como sendo do sexo oposto e que trazia até mesmo seu grupo de controle com ele – um gêmeo idêntico.

Se funcionasse, a experiência daria uma evidência irrefutável de que a criação pode se sobrepor à biologia, e Money genuinamente acreditava que Bruce tinha uma chance melhor de levar uma vida feliz como mulher do que como um homem sem pênis.

Então, quando Bruce tinha 17 meses de idade, se transformou em Brenda. Quatro meses depois, no dia 3 de julho de 1967, o primeiro passo cirúrgico para a mudança foi tomado, com a castração.

Segredo

Money enfatizou que, se quisessem garantir que a mudança de sexo funcionasse, os pais nunca deveriam contar a Brenda ou ao seu irmão gêmeo que ela havia nascido como menino.

A partir de então, eles passaram a ter uma filha, e todos os anos eles visitavam Money para acompanhar o progresso dos gêmeos, no que se tornou conhecido como o “caso John/Joan”. A identidade de Brenda foi mantida em segredo.

“A mãe afirmou que sua filha era muito mais arrumada do que seu irmão e, em contraste com ele, não gostava de ficar suja”, registrou Money em uma das primeiras consultas.

Mas em contraste, ele também observou: “A menina tinha muitos traços de menina moleque, como uma energia física abundante, um alto nível de atividade, teimosia e era frequentemente a figura dominante num grupo de meninas”.

Em 1975, as crianças tinham 9 anos, e Money publicou um artigo detalhando suas observações. A experiência, segundo ele, tinha sido um sucesso total.

“Ninguém mais sabe que ela é a criança cujo caso eles leram nos noticiários na época do acidente", afirmou.

"O comportamento dela é tão normalmente o de uma garotinha ativa e tão claramente diferente, por comparação, do comportamento de menino de seu irmão gêmeo, que não dá margem para as conjecturas de outros."

Suicida

No entanto, na época em que Brenda chegou à puberdade, aos 13 anos, ela sentia impulsos suicidas.

"Eu podia ver que Brenda não era feliz como menina", lembrou Janet. "Ela era muito rebelde. Ela era muito masculina e eu não conseguia convencê-la a fazer nada feminino. Brenda quase não tinha amigos enquanto crescia. Todos a ridicularizavam, a chamavam de mulher das cavernas. Ela era uma garota muito solitária."

Ao observar a tristeza da filha, os pais de Brenda pararam com as consultas com John Money. Logo depois, eles fizeram algo que Money tinha pedido para que não fizessem: contaram a ela que Brenda tinha nascido como um menino.

Semanas depois, Brenda escolheu se transformar em David. Ele passou por uma cirurgia de reconstrução do pênis e até se casou. Ele não podia ter filhos, mas adorou ser o padrasto dos três filhos de sua esposa.

Mas, o que David não sabia, era que seu caso tinha sido imortalizado como "John/Joan", em artigos médicos e acadêmicos a respeito de mudança de sexo e que o "sucesso" da teoria de Money estava afetando outros pacientes com problemas semelhantes aos deles.

"Ele não tinha como saber que seu caso tinha ido parar em uma ampla série de livros de teoria médica e psicológica e que estava estabelecendo os protocolos sobre como tratar hermafroditas e pessoas que tinham perdido o pênis", disse John Colapinto, um jornalista do The New York Times, que descobriu a história de David.

"Ele mal conseguia acreditar que (sua história) estava sendo divulgada por aí como um caso bem sucedido e que estava afetando outras pessoas como ele."

Depressão

Quando passou dos 30 anos, David entrou em depressão. Ele perdeu o emprego e se separou da esposa.

Na primavera de 2002 seu irmão morreu devido a uma overdose de drogas.

Dois anos depois, no dia 4 de maio de 2004, quando David estava com 38 anos, os pais, Janet e Ron Reimer, receberam uma visita da polícia que os informou que seu filho tinha cometido suicídio.

"Eles pediram que nos sentássemos e falaram que tinham notícias ruins, que David estava morto. Eu apenas chorei", conta Janet.

Casos como o "John/Joan", quando ocorre um acidente, são muito raros. Mas decisões ainda estão sendo tomadas sobre como criar uma criança, como menino ou menina, se ela sofre do que atualmente é conhecido como Distúrbio do Desenvolvimento Sexual.

"Agora temos equipes multidisciplinares, que funcionam bem, em todo o país, então a decisão será tomada por uma ampla série de profissionais", explicou Polly Carmichael, do Hospital Great Ormond Street, de Londres.

"Os pais ficarão muito mais envolvidos em termos do processo da tomada de decisão", acrescentou.

Carmichael afirma que, segundo sua experiência, estas decisões tem sido mais bem sucedidas para ajudar as crianças a levar uma vida feliz quando crescerem.

"Fico constantemente surpresa como, com apoio, estas crianças são capazes de enfrentar e lidar (com o problema)", disse.
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Fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/11/101123_gemeos_mudanca_sexo.shtml

Argentina descobre irmã gêmea em programa de TV

24.01.2011
Da BBC BRASIL
Por Marcia Carmo
De Buenos Aires para a BBC Brasil


Mirta e María (direita) foram separadas logo após o nascimento

Duas irmãs gêmeas argentinas separadas no nascimento e criadas por famílias adotivas - sem saber da existência uma da outra - se reencontraram aos 50 anos graças a um programa de TV.

Mirta Santos e María Dolores Fernández cresceram em cidades afastadas, a primeira em Neuquém, Patagônia, e a outra, na província de Buenos Aires.

Ambas acabaram descobrindo que eram adotadas e passaram a buscar mais informações sobre sua família biológica.

Mirta soube que tinha uma irmã gêmea através da mãe adotiva, que lhe contou isso pouco antes de morrer.

"Eu tive filhos gêmeos e desconfiei que poderia ter uma irmã gêmea, já que os médicos dizem que é congênito", disse Mirta à rádio Cadena 3, de Córdoba.

Já María Dolores ficou sabendo que tinha uma irmã por conta própria. "Sempre suspeitei que era adotada. Um dia peguei minha certidão de nascimento e procurei as testemunhas de meu registro em cartório. Descobri que eu tinha uma irmã gêmea", disse ela.

As duas acabaram se encontrando graças a uma aparição em um programa de TV. Mirta tinha participado de um programa, dizendo que procurava uma possível irmã gêmea.

"Uma amiga da minha filha disse que viu uma mulher parecida comigo na TV. Fui atrás das imagens e quando a vi parecia que era eu mesma na tela da televisão", disse María Dolores.

Férias

Na semana passada, as duas se encontraram e passaram férias com as respectivas famílias no lugar onde nasceram, Mina Clavero, em Córdoba.

As duas contaram que já se identificaram na primeira conversa telefônica, antes mesmo do primeiro encontro pessoalmente.

"Foi incrível ouvir a resposta de Mirta quando a perguntei se ela é feliz. E ela disse que sim e que não tem rancor porque foi adotada. Ao contrário, agradece aos que a adotaram. Eu também penso da mesma forma", disse María Dolores.

Mirta disse que elas são "iguais na forma de pensar e nos gestos", apesar de terem sido criadas em ambientes diferentes.

As duas afirmaram que o objetivo agora é conhecer sua mãe biológica, que tinha menos de 20 anos quando as entregou para adoção.

Hoje, afirmaram, ela teria cerca de 70 anos. "Sabemos que a época (quando nascemos) era outra e por isso entendemos que nossa mãe deve ter tido motivos para nos entregar para adoção. Mas agora só queremos conhecê-la e poder abraçá-la", disse María.

As duas disseram ainda que vivem uma etapa de "lua de mel" e que conversam "sem parar" porque têm muito assunto "para colocar em dia".
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Fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/01/110123_gemeas_argentina_mc_rc.shtml

Luis Nassif: o trololó de um intelectual vazio chamado FHC

24.01.2011
Do portal VERMELHO
Por Luis Nassif, em seu blog


Três ou quatro anos atrás, no Summit de Etanol, fui debatedor de uma mesa que tinha, entre outros, o megaempresário George Soros e Fernando Henrique Cardoso. Um dos temas era a questão do aumento das commodities.

Soros foi objetivo, alertando para o risco da "doença holandesa" — fenômeno em que as exportações de produtos primários crescem tanto, atraem tanto dólares que provocam uma apreciação da moeda local matando a manufatura.

FHC limitou-se a dizer que a alta desmentia a teses cepalina e, especialmente, Celso Furtado — que sempre alertava para a perda nas relações de troca. Era uma bobagem incandescente, porque fugia da questão central, que era a promoção do desenvolvimento. Detalhe: naquele mesmo dia saíra um artigo do Ilan Goldjan no Estadão sobre o mesmo tema. FHC simplesmente se inspirara no artigo para não falar nada.

Aliás, o artigo limitava-se a repetir o mesmo mantra que em 1980 ouvi de Rosenstein-Rodan, economista ortodoxo que se opunha às teorias industrializantes da Cepal. Ele dizia isso em relação ao aumento dos preços do petróleo. Trinta anos depois, o boom do petróleo não gerou nenhuma nação desenvolvida.

No artigo, Ilan tentava rebater justamente os argumentos sobre a necessidade de superar o mercadismo e definir uma vocação clara de desenvolvimento para o país.

Meses atrás conversava com um colega jornalista que fora iludido pela suposta erudição de FHC, assim como eu fui pela do Serra. Descobrimos o truque de ambos. Cada vez que ele (analista político) ou eu (econômico) levantávamos alguma tese diferente, o senador FHC ou o deputado Serra ligavam, endossavam as ideias e se apresentavam como se a ideia já fizesse parte de seu repertório intelectual.

A impressão era das melhores. Além de espicaçar a vaidade de nós, jornalistas, passavam a sensação de que eles eram os "caras", antenados com as novas ideias e novas tendências. Ledo engano! Eram apenas leitores de jornais repetindo ideias interessantes sem sequer assimilá-las.

Esse vazio intelectual ficou claro em FHC presidente e, em especial, na entrevista que me concedeu e que está no final do livro Os Cabeças de Planilha. Incapacidade absoluta de enxergar o novo, identificar os fatores portadores de futuro, as grandes linhas que determinam a diferença entre desenvolvimento e estagnação. No Summit, quando me levantei para comentar as apresentações, aliás, ele tentou ironizar me desafiando a fazer a síntese sobre os "fatores portadores de futuro" — sinal de que havia lido o livro e a crítica pegara no fígado.

Com Serra, essa falta de ideias ficou claro na prefeitura e no governo do estado, quando não tinha mais o álibi de supostamente ser uma voz dissidente no PSDB fernandista para não se pronunciar. Quando se tornou o protagonista maior do PSDB, percebeu-se que não se manifestava por não ter ideias. A campanha eleitoral mostrou de forma dramática sua total incapacidade de assimilar conceitos básicos de modernização desenvolvidos ao longo dos anos 90 e 2000.

É evidente que falta a estratégia ao país, que os sucessivos planos de política industrial não chegaram a definir uma mudança de rumo, que o câmbio é um desastre. Mas FHC sabe disso apenas de orelhada. Deve ter lido algum artigo de Bresser-Pereira antes da entrevista.
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Fonte:http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=146026

Crônicas da Tucanolândia

24.01.2011
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Mauro Carrara

Noite funda de domingo, dia 23, quase o 24, véspera do aniversário da maior cidade do Brasil. Já caiu a chuvarada prevista. Pinga pouco, aos poucos.

Este experiente jornalista aposentado retorna do Jabaquara, na Zona Sul da cidade, para o seu Brás, o bairro mais brasileiro do Brasil.

Ao volante, a jovem e lépida Giana Carrara. Mas antes precisamos entregar o vetusto tio Savério no Belém, pouco mais adiante.

Logo no início do trajeto, uma surpresa aos olhos. Um viaduto alagado. Alagado vinte metros acima do chão.

Savério dispara sarcasticamente, sem rir: são as piscinas suspensas da São Paulo Babilônica, obra de Tucanodonosor.

Atravessamos a raia espalhando água em arcos altos, para os lados.

Em seguida, reparamos que poucos semáforos realmente se mostram úteis à coordenação do trânsito.

No bairro da Saúde, um deles marca o verde no sentido Centro por ralos dois segundos. Sim, dois segundos, cronometrados no velho Citizen de Savério.

Felizmente, muitos dos outros equipamentos luminosos apresentam-se dormentes, apagadinhos, em férias janeireiras.

Aqui e ali, não se pode distinguir o pavimento de asfalto da lâmina d’água.

Savério sorri, ainda enlevado de um Brunello caro que provou bem no jantar informal dos Di Giacomo.
- Não temos prefeito nem governador, mas acredito que tenhamos um “doge”. Está convertendo nossa

São Paulo numa bárbara Veneza sulamericana – observa.

Segundo Savério, essa conversão é facilitadora do controle da gestão pública. Bastará, doravante, que o líder da municipalidade jure um “promissio ducalis”, no qual elencará todas suas promessas administrativas. E por elas será cobrado.

Na velha Radial Leste, outro mar, este de automóveis, inundando a noite de lanternas vermelhas.
Giana corta lateralmente por aqui e por ali, até que topa com uma rua da Mooca convertida em canal aquático.

Engata-se a ré. Retrocedemos. Outros nos seguem. Espetacularmente, uma dúzia de veículos paulistanos trafegam em fila, de costas, em mostra inequívoca de nossa criatividade coreográfica.

- Mais uma obra magnífica do dux Veneciarum – celebra Saverio.

Deliberamos desistir da entrega do parente. Vai pernoitar em minha casa. Assim, empreendemos fuga para o outro lado da linha de trem.

O Viaduto Bresser, entretanto, é outro desses espetaculares lagos suspensos. Navegamos em alta rotação, bravamente.

Mais adiante, em ruas de iluminação perdida, percebo uma luzinha vermelha no painel.

- Giana, está marcando o que aí? – pergunto.

- Ihhhh, aqueceu, vai fritar…

- Mas este carro não é novo, moderno? – insisto.

- Vendem como se fosse, pelo menos. Mas não é anfíbio.

Estancamos adiante. Ela abre o capô. Preocupo-me. Ela gira a tampinha de leve. E ouço um apito de panela de pressão. Mais um pouco e um vapor oleoso se levanta denso na esquina deserta.

- O que foi? – pergunto.

- Sei lá, acho que pifou a ventoinha. Queimou o relé.

Logo percebo Saverio agachado do outro lado da rua. Inclina-se sobre a torrente da sarjeta, captando água numa garrafa de Coca-Cola.

- Isso é água suja. Vai estragar o motor e o senhor vai pegar uma leptospirose – ralha Giana.

Pouco depois, outro veículo passa pela rua, o motor soluçando. Soluça, soluça, até que para, desmaia.
Ouvimos uma discussão de marido e mulher. Uma criança parece reclamar. O motorista desce do carro e anda de cá para lá.

Mais uns gordos minutos e Giana se rende. Suspirando de prévio arrependimento, utiliza a água da chuva para reabastecer o radiador.

Prosseguimos pelo labirinto, procurando caminho firme e transitável. Vamos parar no Pari, nas franjas do rio maior que corta a cidade.

Ali, a cena é notável. Há lagos imensos e silenciosos, carros amontoados, lixo ensacado boiando lentamente.

- A Marginal transbordou de novo – anuncia um.

Logo vemos uma família avançando pela água. A criança de cavalinho no pai. A mulher com água pelas coxas, carregando uma bolsa e sapatos de saltos altos.

- Larguei o carro lá. Não vou arriscar. Chega, cansei. Vamos embora de São Paulo – revolta-se o sujeito, numa declaração ao bando de curiosos.

- Você não pode largar o carro lá, mano. A prefeitura vai processar você – intromete-se um baixinho de camisa regata.

- F…-se! – retruca o cidadão. – Quero um hotel. Estamos cheirando a bosta.

Damos meia volta, pegamos a avenida na contramão. Agora, sou o guia. Seguimos por caminhos estreitos, num ziguezague prudente.

Até que o motor ferve novamente. Resolvemos parar e esperar o resfriamento natural.

Passa um carro por nós, soluçando. Morre logo à frente. É o mesmo. Talvez o motorista estivesse nos seguindo. Aquieto-me.

Savério continua a exercitar seu humor de Toscano, seco e de taninos exuberantes, como alguns dos melhores vinhos de sua região.

- Nosso doge, além de tudo, é homem de humildade ímpar. Atribui todas as suas incríveis obras a São Pedro.

- Pois é, pois é – assinto eu, sem animação.

- E nossa mídia é fiadora dessa modéstia. Nas tragédias da Serra fluminense, deu todo crédito a Lula e Dilma. Aqui, tudo é obra de Pedro. Se não é Pedro, é o povo que se excede em brincadeiras irresponsáveis com o lixo.

Giana arranca as sandálias.

- Olhaaa, tem um pedaço de jornal grudado aqui – aponta com nojo, erguendo o pé molhado à altura do volante.

- Agora infectou mesmo – aterroriza-se Saverio, de olhos arregalados.

- Será que vamos chegar em casa antes de amanhecer? – pergunto, sem obter resposta.

- Olha… Essa é a hora do Marcos, o goleiro deles, se aposentar e assumir um cargo de acordo com sua qualidade e condição de milagreiro… – afirma Saverio, um anarcorinthiano radical.

- O que tem esse goleiro deles? – dispara Giana, um pouco impaciente, quase indignada.

- Ora, quem é o padroeiro de Veneza? São Marcos. Temos um aqui, de carne e osso. Que assuma logo a defesa da São Paulo Veneziana, esse exemplo bárbaro de metamorfose urbana.

Faz-se silêncio. A luz é escassa.

Agora, à volta do carro à frente, marido e mulher gesticulam. Há um bate-boca espetacular cujo conteúdo não logramos decifrar.

Agachada, a criança brinca com a água que corre no meio fio. Incessante.
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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/01/cronicas-da-tucanolandia/

Tragédia do Rio desperta prefeituras de Pernambuco

24.01.2011
Do BLOG DE JAMILDO


Prevenidas após as enchentes do ano passado na Mata Sul do Estado e com a situação de calamidade gerada na Região Serrana do Rio de Janeiro com as chuvas da semana retrasada, algumas prefeituras importantes da Região Metropolitana iniciaram processo de prevenção em encostas e regiões de risco. Tanto Jaboatão dos Guararapes quanto Ipojuca estão correndo para demolir construções em áreas perigosa.

A próxima prefeitura a entrar neste circuito será provavelmente Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) solicitou ao município que execute um mapeamento das construções irregulares e encaminhe o documento dentro de um prazo de 30 dias. Pede ainda que suspenda alvarás para imóveis próximos a áreas com risco de deslizamento e inudações, evitando que novas construções sejam erguidas nessas áreas.

“O município de Vitória possui grande quantidade de construções irregulares e em péssimas condições de edificação. A prefeitura da cidade vem permitindo que tais construções permaneçam sendo edificadas. No entanto, é preciso estar atento para coibir essa prática e garantir segurança para a população”, destaca promotora de Justiça Vera Rejane Alves dos Santos Mendonça, no site do MPPE.
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Fonte:http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2011/01/24/tragedia_do_rio_desperta_prefeituras_de_pernambuco_90086.php

Depois de criticar entrada do PV no governo Eduardo, PSOL recua e agora elogia nova secretaria

24.01.2011
Do BLOG DA FOLHA
Postado por Valdecarlos Alves


NOTA DA EXECUTIVA ESTADUAL DO PSOL

A NECESSÁRIA MUDANÇA NA POLÍTICA AMBIENTAL DO GOVERNO ESTADUAL E A NOMEAÇÃO DE SERGIO XAVIER PARA O SECRETARIADO

O governo Eduardo Campos inicia sua segunda gestão com o respaldo de mais de 80% dos eleitores pernambucanos. Pernambuco, que vive um momento de forte crescimento econômico, reúne reais condições materiais e políticas que permitiriam, em havendo vontade política, transformar nosso Estado em referência em políticas educacionais, na saúde e na segurança públicas, no trato com nossa juventude, dentre outras áreas. Na área ambiental, da mesma forma, reunimos condições de fazer diferente de como tem sido feito até aqui pelos sucessivos governos, sobretudo pelo primeiro governo de Eduardo Campos, que desrespeitou de forma brutal os nossos ecossistemas.

Diferentemente das demais áreas do governo, a área ambiental reinicia repaginada esta nova gestão do governador. A criação de uma nova Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade e, muito importante, a indicação de um quadro qualificado e comprometido com a luta ecológica, como o é o secretário Sergio Xavier e, muito mais importante, o estabelecimento de compromissos públicos de que a gestão da questão ambiental será diferente daqui pra frente no novo governo, materializada nos 15 pontos amplamente divulgados, inclusive na imprensa, na política ambiental – que apesar de suas generalidades podem representar um real avanço na política ambiental em relação ao governo anterior -, impõem aos setores da sociedade que querem realmente mudanças qualitativas nos rumos do desenvolvimento do nosso estado, o depósito de um voto de confiança no trabalho do novo secretário Sergio Xavier.

Neste sentido, mesmo na condição inequívoca de oposição ao governo do Estado, o PSOL saúda a iniciativa da nova secretaria, do novo secretário e dos compromissos públicos assumidos, pois estes se coadunam no essencial com as preocupações e posições programáticas do PSOL apresentadas no processo eleitoral, quando nossas candidaturas defenderam a criação de leis de responsabilidade social e ambiental no âmbito estadual.

O PSOL espera, e certamente esta também é a expectativa dos ambientalistas sérios, movimentos da sociedade civil em geral, dos cidadãos e cidadãs mais atentos de nossa sociedade, que os processos de licenciamentos ambientais estejam subordinados ao atual secretário e aos compromissos assumidos, o que implica recompor o quadro de fiscais da CPRH, tirando-os do exílio em bibliotecas e afins, e colocando-os de volta ao trabalho de campo. Esperamos que, no mínimo, o que restou dos nossos manguezais, sobretudo em Suape, seja preservado. Esperamos que temas como a instalação de usinas nucleares em nosso Estado sejam fruto de um amplo, democrático e respeitoso debate, o que implica respeitar a nossa Constituição Estadual, que veda este tipo de empreendimento em nosso Estado enquanto não se esgotarem as outras fontes de produção de energia elétrica disponíveis. Esperamos que a gestão da secretaria seja de fato escutando a sociedade e os movimentos organizados.

O PSOL, portanto, espera que todo este processo não seja mais uma jogada política do governador, de olho na simpatia do eleitorado de Marina Silva, que atingiu mais de 19% dos eleitores pernambucanos no último pleito, e na tentativa de cooptação da emergente e importante liderança do ex-candidato ao governo do estado pelo PV, Sergio Xavier. Por outro lado, esperamos, e acreditamos de fato, que o novo secretário não seja capaz de trair a confiança que a sociedade depositou no discurso “verde” em 2010 e que ele transporta agora para dentro do governo.

Colocamo-nos assim, no espectro da oposição, como críticos construtivos, entre os que se dispõem a ajudar. Se o governo Eduardo Campos realizar uma inflexão real em sua política ambiental, não há razão para não receber a aprovação pública do PSOL.

Recife, 24 de janeiro de 2011.

Executiva Estadual do PSOL-PE
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Fonte:http://www.blogdafolha.com.br/index.php/materias/16516-depois-de-criticar-entrada-do-pv-no-governo-eduardo-psol-recua-e-agora-elogia-nova-secretaria

“Vamos mergulhar no Brasil profundo”

24.01.2011
Da FOLHA DE PERNAMBUCO
Por Sabine Righetti*, da Folhapress


Aloizio Mercadante Ministro de Ciência e Tecnologia

Após ser derrotado nas eleições para governo de São Paulo, o petista Aloizio Mercadante assumiu o cargo de ministro de Ciência e Tecnologia falando em tirar do papel projetos científicos ambiciosos (e caros). Entre os projetos, um novo reator nuclear, um anel de síncrotron mais moderno e um observatório do ecossistema marinho (“Amazônia Azul’’) em tempo real. Haverá dinheiro para isso? Em entrevista, Mercadante disse que sim, já que os recursos devem vir também das empresas. E instituições como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), de apoio à pesquisa, podem virar bancos de inovação. Para ele, um novo foco empresarial poderia dar à ciência nacional um novo impulso. “Viemos de uma cultura industrial que não estimulou a inovação’’, diz.

O senhor tem falado em tirar do papel projetos caros. Parece que sua gestão vai fazer investimentos de grande porte.

Quando a gente olha o Brasil hoje, vemos que não podemos pensar pequeno. Temos tecnologia de ponta, por exemplo na agricultura. Veja a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). A agricultura brasileira teve um superavit de mais de US$ 70 bilhões. A Embrapa hoje está exportando tecnologia para a África. A aeronáutica, no complexo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), CTA (Centro Técnico Aeroespacial) e Embraer, é outro modelo exitoso. Onde o Brasil concentrou esforços, houve retorno.

Algum novo projeto?

Estamos com um projeto para construir um novo anel de luz síncrotron em Campinas (SP), de terceira geração. O atual, de 1988, é usado por cerca de três mil pessoas por ano, de várias áreas.
Nós precisamos de parceiros para poder viabilizar esse projeto, que deve custar em torno de R$ 350 milhões. Também tive reuniões sobre o laboratório de nanotecnologia da Unicamp e sobre o reator multipropósito (destinado à pesquisa científica e à fabricação de radiofármacos), que deve ser construído em Iperó (SP) (ao custo de cerca de R$ 800 milhões).

Qual vai ser o foco da gestão?

Nós temos de concentrar forças nas novas fronteiras do conhecimento pensando em projetos como a nanotecnologia e a biotecnologia. Somos o 13º colocado hoje nos rankings internacionais de produção científica, nosso impacto está aumentando. Mas, na inovação, ainda temos um desafio.

Qual é o desafio da inovação?

Temos de repensar o marco legal e os incentivos à inovação. Viemos de uma cultura industrial que não estimulou a inovação. Tivemos um longo período em que não havia importações, então também não havia inovação. Agora, com estabilidade econômica, o Brasil voltou a crescer, e é hora de criar instrumentos para que as empresas realmente olhem para pesquisa e desenvolvimento, principalmente na área de sustentabilidade.

Investir no pré-sal não é contraditório com a bandeira “verde’’ da gestão?

O petróleo é uma energia não renovável, mas ainda é um produto que se desdobra em três mil produtos: toda cadeia de nafta, plástico etc. A economia é muito dependente do petróleo. Temos de utilizar isso inteligentemente. Mas temos também de investir em energias renováveis, como eólica e solar. Falando em sustentabilidade, estamos agora começando a analisar o CBA (Centro de Biotecnologia da Amazônia).

De que forma está acontecendo esta análise?

O CBA tem uma estrutura enorme, mas está parado. O centro tem uma excelente estrutura laboratorial, mas agora estamos estudando parcerias com empresas da área de fármacos e alimentos. Minha primeira orientação é buscar gerar valor agregado para produtos que já temos na Amazônia, como açaí e castanha-do-pará. Temos de gerar alternativas sustentáveis para 25 milhões de pessoas que moram lá. A pesquisa científica é importante para diversificar essas cadeias produtivas. Mas há empresários que ainda patinam para fazer inovação no Brasil.

Por quê?

Tanto a pesquisa quanto a inovação são atividades de risco. Muitas vezes você pesquisa um assunto e não descobre o que esperava. Mas, ao não descobrir, você reduz a necessidade de uma próxima pesquisa. O fato de não se chegar àquilo que se espera pode não ser negativo. Na inovação é a mesma coisa. Uma coisa que começo a discutir são as formas de financiamento à inovação.

Por exemplo?

Uma ideia é que os bancos financiadores sejam sócios no produto final da inovação. Ou seja: eles compartilham o risco, mas, se der certo, também ganham. Esse é o modelo dos EUA. Precisamos avaliar como fazer isso. Como não temos ainda esse mercado industrial desenvolvido, os bancos públicos devem ajudar. Faremos um grande esforço para que a Finep seja uma instituição financeira de fomento à inovação. Deve continuar apoiando a pesquisa, mas será também um banco da inovação.

E quais serão os benefícios caso isso aconteça?

Se isso acontecer, haverá muito mais liberdade de atuar. É preciso fazer formas de parcerias com as empresas. O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), por exemplo, está dando bolsas para que pesquisadores atuem nas empresas. É preciso fomentar a inovação.

Parece que só teremos notícias boas nos próximos anos.

(risos) Outra notícia boa é o Laboratório Nacional da Amazônia Azul. Já temos o modelo da estrutura do laboratório, uma sonda que será utilizada em alto-mar. Estive em reunião com membros dos cinco principais cursos de oceanografia do país e com empresas como a Vale, Braskem e Petrobras para viabilizar esse projeto. É importante conhecer o mar, as cadeias alimentares, as correntes marítimas, as ondas... E o estudo do mar pode viabilizar inovações na área de fármacos e de recursos minerais, por exemplo.

O orçamento vai dar para tudo isso? O MCT teve um corte de 10% em relação ao ano passado.

A única coisa que vai viabilizar tudo isso são as parcerias. Temos dois navios oceanográficos na Marinha, a Petrobras tem plataformas, temos uma sonda que pode ser usada para pesquisa (e não mais para uso comercial). A logística do pré-sal também vai viabilizar isso. Podemos usar essa logística para o laboratório. O mar merece isso. Viveremos um período de restrições orçamentárias. O País fez um esforço grande para sair da crise - o mundo inteiro fez - e precisamos continuar a reduzir a dívida. Então os juros podem cair e o País poderá crescer mais.

E quanto aos desastres naturais? O senhor anunciou um programa de prevenção de desastres. Como será isso?

São várias frentes nesse programa. Primeiro, a parte de equipamentos e previsão do clima. Temos agora um supercomputador (no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - Inpe) que analisa dados de satélite. Isso aumenta a capacidade que tínhamos de 20 quilômetros para cinco quilômetros na região da precipitação.

E o que ainda é preciso?

Precisamos de radares climatológicos, que mostram a precipitação com mais precisão, cerca de seis horas antes da chuva. Também necessitamos de cerca de 700 coletores pluviométricos, que vão ser colocados nas áreas críticas, e também temos de fazer um levantamento geomorfológico para as regiões de risco, que ainda não existe. Nesse levantamento, precisamos ter um plano para remover uma população.

Qual a previsão para estes equipamentos serem implantados?

Pretendemos implantar isso para ter bons resultados já no próximo verão. Os melhores resultados possíveis. E o maior desafio está nas regiões mais pobres. Vamos ter de fazer um mergulho no Brasil profundo.

* Enviada especial a Brasília

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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-brasil/616405-vamos-mergulhar-no-brasil-profundo

BATTISTI: Para governo, Itália está blefando

24.01.2011
Da FOLHA DE PERNAMBUCO


BRASÍLIA (AE) - A ameaça feita pelo governo da Itália de recorrer à Corte de Haia caso o Brasil não extradite o ex-ativista italiano Cesare Battisti pode ser simplesmente um blefe. Estudo feito por juristas do governo e a análise do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello mostram que o tribunal internacional não tem competência para interferir no processo. Assim, se o STF decidir que não pode mexer na decisão do ex-presidente Lula de negar-se a entregar Battisti, o caso estará encerrado.

Celso de Mello afirmou que o processo de Battisti não se enquadra em nenhuma das hipóteses que permitiriam que a Corte de Haia fosse acionada para julgar se o Brasil violou ou não o tratado de extradição firmado com a Itália quando se recusou a entregar o ex-ativista. Os advogados do governo que estudaram a matéria chegaram exatamente à mesma conclusão. O processo de Battisti poderia ser revisto pela Corte Internacional de Justiça, com sede em Haia, se os governos brasileiro e italiano acordassem em levar o processo para a instância internacional. Esse pacto não existe. Se a Itália tem disposição em acionar o Brasil, o governo brasileiro não tem o menor interesse em submeter uma decisão da Presidência da República à jurisdição internacional.

Outra hipótese seria a previsão expressa no tratado de extradição firmado entre Brasil e Itália para que eventuais conflitos fossem resolvidos pela Corte de Haia. No texto do tratado não há menção a isso. “Ainda que a República italiana recorra a Haia, busque processar o Brasil perante a Corte Internacional de Justiça por conta desta controvérsia que emerge do pedido de extradição, tudo indica que a corte provavelmente não reconheça sequer o pleito italiano”, afirmou o ministro Celso de Mello.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-brasil/616578?task=view

Dilma resolve sair do gabinete

24.01.2011
Da FOLHA DE PERNAMBUCO


Agenda inclui festa em São Paulo e inauguração de termelétrica gaúcha

PRESIDENTE está praticamente há três semanas em reuniões no Planalto

BRASÍLIA (AE) - Depois de passar as três primeiras semanas praticamente trancada em seu gabinete, no terceiro andar do Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff faz sua reestreia em palanques e participa de inauguração. Amanhã, Dilma estará em terreno oposicionista, para a comemoração do aniversário da cidade de São Paulo, organizada pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM).

Neste ano, a Prefeitura de São Paulo vai conceder a Medalha 25 de Janeiro ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e ao ex-vice-presidente José Alencar. Mas os dois homenageados não devem comparecer. Alencar, internado desde o dia 22 dezembro no Hospital Sírio Libanês, na capital paulista, quer receber a autorização dos médicos para comparecer, mas ainda não há decisão. Já FHC se encontra em Genebra.

Na quinta-feira, a presidente irá a Porto Alegre para participar da homenagem às vítimas do holocausto, cerimônia que está sendo organizada pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), em parceria com a Federação Israelita do Rio Grande do Sul. A sua volta ao palanque está marcada para sexta-feira, na cidade gaúcha de Candiota, estado onde Dilma tem sua história política e onde o PT desbancou o PSDB e voltou ao poder.

Diferentemente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que “inaugurou” muitas “pedras fundamentais”, a presidente sobe ao palanque para inaugurar a usina Candiota III, que já está operando desde o início do ano. O ato é o último capítulo de uma novela que começou em 1981, com o projeto de seis termelétricas para aproveitar as reservas de carvão da região.

Coube à então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, fazer os acordos de cooperação com o governo chinês em 2004, para tirar a usina sair do papel. Em Candiota, Dilma faz a sua primeira aparição em cerimônia pública, quando poderá testar sua popularidade, desta vez sem ter ao lado o ex-presidente Lula.

VIAGEM

Dilma passará o fim de semana em Porto Alegre se preparando para a sua primeira viagem internacional, à Argentina. No próximo domingo, Dilma desembarca em Buenos Aires, para cumprir agenda com a presidente Cristina Kirchner. O jantar com o presidente do Uruguai, José Mujica, que seria na mesma noite, em Montevidéu, foi adiado e deverá ocorrer em fevereiro ou início de março. Até lá Dilma deverá visitar também o presidente do Paraguai, Fernando Lugo.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-politica/616552-dilma-resolve-sair-do-gabinete

O PT não vai defender Lula?

24/01/11
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães


Vai se institucionalizando uma campanha permanente de “desconstrução” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, agora que ele não tem mais o palanque presidencial para se contrapor a uma mídia que acredita que pode prestar ao que sobrou da oposição o serviço que, por mais que tentasse, não conseguiu prestar durante os últimos oito anos.

A institucionalização dessa campanha de destruição de imagem do ex-presidente pode ser vista no furioso noticiário, em novelas e até em programas humorísticos. Insultos, desqualificações, acusações, ridicularizações invadiram tevês, rádios, jornais, internet.

Como sempre, a oposição fica quietinha, deixando à mídia a missão de desmoralizar o ex-presidente que ambas acreditam que tentará voltar ao poder em 2014 ou em 2018, preocupação da direita que lhe insinua certa patologia psicológica por tentar desconstruir hoje um político que, como qualquer um de nós, pode nem estar vivo daqui a 4 ou a 8 anos.

Todavia, não falta consciência dos fatos à direita. Muito pelo contrário: ela sabe muito bem o que está tentando. A destruição do mito Lula é imperativa, para que o povo deixe de acreditar que a política pode lhe mudar a vida “rapidamente” – em termos históricos, oito anos são um piscar de olhos.

A desigualdade brasileira foi construída sobre a premissa do topo da pirâmide social de que seria impossível redistribuir renda rapidamente. O processo demoraria décadas e se daria através do maior enriquecimento dos já muito ricos, de forma que as migalhas acabariam transbordando da mesa do banquete deles.

Lula, em seu governo histórico, provou o contrário. Chegamos ao fim de seu período com um processo intenso de distribuição de renda, ainda que muitos tentem, em vão, desmentir que a renda tenha se desconcentrado no Brasil nos últimos anos, apesar das evidências que caem sobre as cabeças de todos diariamente.

O aumento da participação da renda do trabalho assalariado em relação ao Produto Interno Bruto não deixa dúvidas, mas os pistoleiros da direita na imprensa não param de construir teses malucas que questionam o fato mesmo com eles saltando aos olhos, com aqueles que sempre estiveram alijados do mercado de consumo mergulhando nele de corpo e alma.

O colunista da Folha de São Paulo Clóvis Rossi, por exemplo, há anos trava uma luta inglória no pouco tempo que dedica ao trabalho, com suas coluninhas (agora semanais) na página A2 do jornal nas quais diz que os métodos de aferição da distribuição da renda não contemplam o caixa 2 dos muito ricos e que, por isso, a distribuição de renda propalada seria “lenda”

A tese de Rossi é tão estapafúrdia que não valeria a pena comentar se não fosse o fato de que ainda há formadores de opinião que dão bola a um panfleto partidário como a Folha. Por isso, o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, no caderno “Ilustríssima” do jornal, no último domingo, teve que rebater tese tão absurda.

Para resumir, Pochmann deixou claro que os ricos não passaram a ocultar rendimentos hoje e explicou que a comparação, portanto, tem que ser feita entre os indicadores oficiais de hoje e do passado – indicadores como, por exemplo, o índice de Gini.

Esses indicadores com os quais o presidente do Ipea esgrimiu mostram que a renda se concentrou fortemente após o golpe militar de 1964 e permaneceu concentrada, quase sem se mexer, até 2005, a partir de quando começou a se desconcentrar de forma tão intensa que já é possível ver os efeitos, com a classe C virando maioria da população.

É preciso destruir o que Lula representa, pois. Ou seja: destruir a crença popular que a sociedade veio construindo nos últimos anos de que é possível sonhar com um país menos desigual não só para os netos de nossos netos, mas para os que vivem hoje.

Lula representa esse conceito que vai de encontro à mentalidade que permitiu que o Brasil chegasse a ser, ao fim do século XX, o terceiro país mais desigual do mundo, quadro que só começou a melhorar de verdade ao fim do primeiro mandato do ex-presidente, com seus investimentos imensos na inclusão social.

Há uma aposta da direita de que Dilma Rousseff ficará encolhidinha no Palácio do Planalto até 2014, sem incomodar a elite étnico-financeiro-midiática, prontinha para ser derrotada pelo golden boy conservador de turno. Acha isso por prever que a presidente da República não assumirá a liderança política que seu cargo impõe e, assim, será facilmente derrotada.

Contudo, a debilidade eleitoral de Dilma daqui a quatro anos depende da destruição moral de Lula e de sua obra, para que ele não tome o lugar da sucessora na sucessão dela ou para que não volte a avalizá-la eleitoralmente com o sucesso que teve no ano passado.

É nesse ponto que espanta o imobilismo do PT e do próprio governo Dilma diante da campanha difamatória contra o ex-presidente, campanha que a mídia intensificou após ele deixar o poder, no último dia primeiro.

Claro, Dilma não tem nem um mês de governo. Mas e o PT? O partido de Lula não rebate os ataques a ele, à sua família, os deboches, a difusão de uma “herança maldita” que ele teria deixado para a sucessora, teoria tão absurda que não resiste a cinco minutos de análise séria por gente que entenda do traçado.

O governo Dilma não quer marola agora. Vem aí a escolha dos presidentes da Câmara e do Senado, por exemplo. São postos–chave para o governo. Resta saber, apenas, se é inteligente a estratégia de deixar que tentem destruir o legado de Lula e que construam um clima de medo do futuro por conta da tal “herança maldita” que tentam criar.

O debate político é atemporal e não-circunstancial. É perene. Fugir dele já se mostrou um erro – no primeiro turno da campanha eleitoral de 2010. Tudo bem que não estejamos mais em campanha eleitoral, mas como já vi a mídia destruir políticos que durante o mandato foram populares, penso que o PT deveria refletir sobre uma reação a esses ataques.
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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/01/o-pt-nao-vai-defender-lula/

Vice do Cerra apresentou recibo com data de novembro de 2011

22/01/2011
Do CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim


O Conversa Afiada reproduz informação enviada por Stanley Burburinho, o reparador de iniquidades (quem será Stanley Burburinho ?):

APOSENTADOS

Paraná gasta R$ 4,5 mi em aposentadorias para governadores

Entre eles está o senador Álvaro Dias, que apresentou recibo de doação do dinheiro com data futura de novembro de 2011
Dez ex-governadores do Paraná recebem aposentadoria dos cofres públicos e, somados a duas viúvas, e o ex-governador Orlando Pessuti, que administrou o estado por menos de um ano, os valores chegam a R$ 4,5 milhão por ano.
Entre os casos, um dos que mais chamou a atenção foi de ex-governador e atual senador, Álvaro Dias (PSDB), que disse que vai receber o valor retroativo e doar para entidades beneficentes. Ele já teria feito isso e apresentou um recibo, mas que possui data de 30 de novembro de 2011, daqui a 10 meses.
A OAB já pediu o levantamento de todos os pagamentos deve entrar com uma ação de nulidade do benefício na Justiça. O principal questionamento é que os governadores não contribuem para um fundo para receber a aposentadoria, como todos os outros trabalhadores.

http://www.rpctv.com.br/parana-tv/2011/01/parana-gasta-r-45-milhoes-em-aposentadorias-para-governadores/


Clique aqui para ler “Até o PSDB pensa em expulsar o vice do Cerra”.

Em tempo: com o título “curiosidades”, Stanley Burburinho enviou esta informação complementar:


A partir de dica do @biruel:

Segundo a declaração de bens do candidato dos Democratas a deputado federal pelo Paraná , Luiz Carlos Setim, ele é um dos donos do Frigorífico Argus com quotas de R$ 1.561.121,34 e R$ 58.128,20.

Consta, na mesma declaração de bens do candidato Setim, que ele fez um empréstimo de R$ 20.000,00 à Sra. Raquel Maria Athayde.
http://noticias.uol.com.br/politica/politicos-brasil/2010/deputado-federal/02051944-setim.jhtm

A Sra. Raquel Maria Athayde, se for a mesma pessoa, é a presidente da Assistência Social Santa Bertilla Boscardin, do Paraná, e a pessoa que assina um documento datado de 30/11/2011, daqui a 10 meses, acusando o recebimento de doação do senador Álvaro Dias no valor de R$ 18. 673,21.
Abaixo, a foto do recibo, com a doação do senador, disponibilizada pelo Dr. Rosinha (@DrRosinha):

Será que o presidente da OAB vai ficar indignado?

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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/politica/2011/01/22/vice-do-cerra-apresentou-recibo-com-data-de-novembro-de-2011/

Monsenhor Gaillot: “A América Latina e não a velha Europa dá o exemplo aos que lutam contra a injustiça”

23.01.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha

São poucos os franceses que conhecem o nome da máxima autoridade da Igreja Católica no país, mas a imensa maioria sabe quem é o Monsenhor Jacques Gaillot. Homem, de olhar sereno e voz pausada, que fez de sua vocação religiosa uma opção pelos direitos humanos, especialmente os direitos dos pobres e priosineiros da injustiça. Em entrevista ao jornalista colombiano Hernando Calvo Ospina, Gaillot denuncia o clima de injustiça reinante na França hoje, diz que a Igreja Católica virou as costas para o povo pobre e caminha para virar uma seita, A aponta a América Latina como a região que deve servir de exemplo para os que lutam contra a injustiça.

por Hernando Calvo Ospina, em Carta Maior

São poucos os franceses que conhecem o nome da máxima autoridade da Igreja Católica no país, mas a imensa maioria sabe quem é o Monsenhor Jacques Gaillot. Homem extremamente humilde, de olhar sereno e voz pausada, que sem usar frases grandiloquentes diz o que gostaríamos de escutar de muitos políticos.

Nasceu em 11 de setembro de 1935 em Saint-Dizier, uma pequena cidade da França. Aos 20 anos, deixou o seminário para realizar o serviço militar. Foi para a Argélia, onde havia uma guerra de libertação contra o colonialismo francês. Conta que foi uma sorte não ter sido obrigado a usar armas, pois foi destacado para trabalhos sociais, a viver com a comunidade.

O que significou para você ter vivido essa guerra?

Esta experiência começou a mudar a minha vida. Ali me encontrei com o Islã, uma religião muito diferente da católica e sobre a qual nada conhecia. Fiquei sabendo que os muçulmanos tinham fé em um Deus, que oravam e que eram hospitaleiros. Eles foram como meus irmãos. Esta interreligiosidade influiu em minha fé. Também vivi a violência da guerra, razão pela qual fui me convertendo em um militante da não violência. Realmente, a Argélia foi um seminário para mim.

Após 22 meses na Argélia, você foi enviado a Roma e, em 1961, foi ordenado sacerdote. Até que, em 1982, foi nomeado bispo da cidade de Evreux, na França. Mas em 13 de janeiro de 1995, o Vaticano decidiu retirar-lhe essa missão pastoral. O que aconteceu?

Alguns dias antes dessa data fui chamado a comparecer diante das autoridades do Vaticano sem saber por quê. Ante minha incredulidade, em algumas horas fui declarado culpado e, em menos de um dia, foi decretada minha expulsão da diocese. O cardeal Bernardin Gantin, prefeito da Congregação dos Bispos, me propôs que eu assinasse minha demissão e assim poderia manter o título honorífico de bispo emérito de Evreux. Não assinei nada. Então me nomearam bispo de Partenia, uma diocese que não existe desde o século V, situada na atual Argélia.

Com minhas poucas roupas deixei a diocese de Evreux. Como não tinha onde ficar, me instalei durante um ano em um prédio recuperado por famílias sem teto e estrangeiros sem documentos, em Paris. Depois fui acolhido por uma comunidade de missionários.

O que levou o Vaticano a tomar uma decisão tão drástica? Talvez suas posições políticas e compromissos sociais? Porque, vejamos: em 1983, foi um dos bispos que não votou a favor de um texto episcopal sobre a dissuasão nuclear. Em 1985, apoiou o levante palestino nos territórios ocupados por Israel, além de se encontrar com Yasser Arafat em Tunís. Em 1987, preferiu viajar até a África do Sul para visitar um preso, militante contra a segregação racial, ao invés de ir à peregrinação pela Virgem de Lourdes. Em 1988, defendeu na revista “Ele” a ordenação de homens casados. No mesmo ano se declarou a favor de dar a benção a homossexuais. No dia 2 de fevereiro de 1989, publicou na revista “Gai Pied” um artigo intitulado “Ser homossexual e católico”. Desde 1994, você se envolveu diretamente na fundação de associações de apoio a marginalizados, passando a ser conhecido como “O bispo dos sem”: sem documentos, sem teto…Não acredita que isso já seja o suficiente para conseguir inimigos entre os círculos de poder eclesiástico e civil?

Ainda que siga sem provas concretas até hoje, fontes confiáveis me disseram que o governo francês, em particular o ministro do Interior da época, Charles Pascua, tem a ver com a decisão do Vaticano. Não esqueçamos que, na França, este ministério está encarregado dos Cultos. Tenho certeza que um livro meu contra a lei de imigração foi a gota d’água que entornou o copo.

O Vaticano e o governo francês quiseram me isolar. Mas em 1996, no primeiro aniversário de minha partida de Evreux, alguns amigos criaram na internet a Associação Partenia (1), fazendo de mim um “bispo virtual”. Não imaginaram que eu iria acabar animando a única diocese em expansão, com mais fiéis no mundo e em diferentes idiomas.

Imediatamente agradeci ao Vaticano e a Pascua, porque eles me fizeram dar mais passos na direção da outra margem, onde encontrei outra vida. Agora tenho toda a liberdade, vivo na ação com os excluídos da sociedade. Posso viver com as pessoas, compartilhar suas alegrias e suas angústias. Tem sido maravilhoso conhecer todas as pessoas que conheci. Enquanto isso, Pascua está sendo processado por vários delitos e a Igreja a cada dia perde mais cristãos.

Como, você avalia atualmente a Igreja Católica?

A Igreja nos ensinou que Deus quis trazer-nos as desgraças e assim nos leva à resignação. Isso não é cristão. A Igreja procura fazer Deus intervir para nos forçar a obedecer e a não pensar. Muitos discursos sobre Deus falam dele, mas quando alguém fala bem do ser humano, isso me diz muito de Deus. A Instituição segue impávida em seu pedestal, longe do povo e de Deus. A seguir assim, se converterá em uma seita, porque muitas pessoas estão partindo para outras religiões. A Igreja vive uma hemorragia.

A Igreja deve mudar, modernizar-se, reconhecer que os casais têm direito a se divorciar e a usar a camisinha, que as mulheres podem abortar, que homens e mulheres podem ser homossexuais e se casar, que as mulheres podem chegar ao sacerdócio e ter acesso às esferas de decisão. Deve-se revisar a disciplina do celibato para que os sacerdotes possam amar como qualquer outro ser humano, sem ter que viver relações clandestinas, como delinquentes.

A situação atual é perversa e destruidora tanto para os indivíduos como para a Igreja. O Vaticano é a última monarquia absoluta da Europa. A Igreja deve aceitar a democracia em todos os níveis. E deve mudar de modelo porque o atual não é evangélico.

O que você pensa da Teologia da Libertação, que teve um desenvolvimento importante na América Latina?

Eu me interessei por ela porque é uma teologia que fala dos pobres. Não se fala da liturgia, nem do catecismo, nem da Igreja; fala-se do povo pobre. Ensina que são os próprios pobres que devem tomar consciência da necessidade de sua libertação.

Alguns de nós fomos muito tocados pelos ensinamentos de Dom Helder Câmara, no Brasil, um grande teólogo (2); do Monsenhor Leónidas Proaño, no Equador (3); de Oscar Romero, em El Salvador, e outros sacerdotes latino-americanos, principalmente. Para mim foi um choque brutal quando Romero foi assassinado celebrando a missa, em 24 de março de 1980. Ele havia deixado a Igreja dos poderosos para estar com os pobres. Achei admirável essa conversão.

Na América Latina, existiram alguns padres e freiras que pegaram em armas (4). Eu respeito sua decisão, não os julgo, ainda que não esteja de acordo com ela por ser um adepto da não-violência.

Evidentemente, a Teologia da Libertação é perigosa para os poderosos. Quando os pobres são submissos aceitam seu triste destino, então não há nada que temer, são pão abençoado para os poderosos. Os detentores do poder podem dormir tranquilos. Mas se os pobres despertam e adquirem consciência de sua condição, convertendo-se em atores da mudança, então isso produz medo no poder.

Parece que é terrível quando os pobres tomam a palavra e questionam a instituição eclesiástica. No mesmo instante, ela diz: “Atenção, cuidado com esses comunistas”. Porque sempre prevaleceu a obsessão da infiltração comunista. Por isso, regularmente, as ditaduras, os governos repressivos e o Vaticano se unem em um combate comum. Infelizmente não existem muitos rebeldes na Igreja, porque a instituição sempre formou para a obediência e para a submissão.

Como você vê a situação social e econômica na França hoje?

Eu julgo uma sociedade em função do que ela faz pelos mais
desfavorecidos. E é claro que eu só posso fazer um juízo severo, porque na França não se respeita a todos os seres humanos. Para mim o problema número um é a injustiça que reina por toda parte. Os que estão no poder não investem nos pobres. Temos um governo que só favorece os ricos. Por isso temos três milhões de pobres.

Muitos de nossos cidadãos acreditam que os trabalhadores ilegais se aproveitam do sistema, sem saber que eles recebem o formulário de impostos em suas casas. Ou seja, eles são conhecidos pelo governo, mas como não estão com os papéis em dia não podem se beneficiar de nenhuma ajuda social. Isso é uma extorsão por parte do Estado!

E a Igreja o que faz? Tomemos como exemplo o que ocorreu em 23 de agosto de 1996, quando quase mil policiais das forças especiais forçaram a ponta de machado as portas da Igreja Saint-Bernard-de-la-Chapelle em Paris, tirando a força 300 estrangeiros em situação irregular. Eu estava escandalizado e desgostoso porque o próprio bispo havia pedido sua expulsão. E quando alguém expulsa humanos que se protegem em uma igreja, está dessacralizando essa igreja. Desgraçadamente, isso continua acontecendo.

E o que se faz com os estrangeiros ilegais? São jogados em centros de detenção, e recebem um tratamento próprio de campos de concentração. Isso é o que ocorre hoje na França. Nas prisões, ocorre um suicídio a cada três dias. É um número enorme. O único horizonte para muitos desses presos é o suicídio, Nunca se viu algo igual. Na Europa, a França tem o recorde de suicídios por enforcamento na prisão.

E o discurso sobre a crise econômica, onde se situa?

Nesta crise, não são os ricos que estão em crise, são os mais pobres. Protestamos o ano passado contra as leis propostas pelo governo porque elas penalizavam os pobres. Hoje, muitos franceses só vão ao médico, ao dentista, ao oftalmologista quando é algo verdadeiramente de urgência. E às vezes já é tarde. Os direitos sociais estão sendo eliminados. E a crise atinge as famílias. Se alguém comprou uma casa, perde o trabalho e não arruma outro, deve revendê-la. Isso traz muitos problemas de droga e delinquência.

A moradia social não é uma prioridade política, porque aqueles que estão no poder possuem boas mansões. Constrói-se pouco e as pessoas não sabem aonde ir, restando-lhes as ruas ou algum sótão insalubre. E isso não importa, ainda que existam muitos edifícios vazios em Paris. Quando chega o inverno, o governo fala de “planos”. Então, abrem-se ginásios ou algumas salas para abrigar os milhares que não tem onde morar. Mas esses “planos” não são solução para o frio. A solução é construir habitações dignas. É uma vergonha, é desumano e não é cristão deixar que centenas de pessoas morram de frio nas calçadas e ruas da França.

Como disse o escritor Victor Hugo: “Fazemos caridade quando não conseguimos impor a justiça”. Porque não é de caridade que necessitamos. A justiça vai às causas; a caridade, aos efeitos. Eu não estou dizendo que não se deve ajudar com um prato de sopa ou um abrigo a quem está nas ruas. Existem urgências. Eu faço isso, mas minha consciência não fica tranquila, porque penso que devemos lutar contra as causas estruturais que prendem essas pessoas na injustiça. O mais triste é que as pessoas vão se acostumando com a injustiça. E eu digo: Despertem! Tenham vergonha! Vamos nos indignar contra a injustiça!

Hoje, a injustiça está presente por toda a França. Existem oásis de riqueza, de luxo exorbitante, e extensos guetos de miséria. Na França, há uma violação flagrante dos Direitos Humanos. Por isso devemos combater, para que os direitos das pessoas sejam respeitados.

No ano passado, ocorreram manifestações massivas de protesto contra diferentes projetos do governo, que se fez de surdo para o barulho das ruas.

Eu acredito que, quando não se respeita o povo que se expressa nas ruas, não se tem em conta o futuro. Na França, ficou um sentimento de raiva. Isso não pode seguir assim. Não se pode seguir metendo a polícia por todas as partes para conter a inconformidade do povo. Isso está nos levando na direção de um regime policial. A injustiça não traz paz. É exatamente o contrário. Existe fogo sob uma panela que querem manter fechada. Ela pode explodir.

As suas lutas pela justiça não se dão só na França. Sua palavra e ação se manifestam em outros lugares também. Poderia dar alguns exemplos?

Seguimos lutando pelos direitos do povo palestino. Israel é um Estado colonialista que rouba terra palestina e exclui esse povo pela força. Há mais de 60 anos que a Palestina vive sob a ocupação israelense e a injustiça. E a chamada “comunidade internacional” faz bem pouco ou nada. Por isso estamos nos mobilizando em todas as partes para exercer uma pressão sobre o governo israelense. E uma das ações é boicotar os produtos vindos de Israel, principalmente aqueles que são produzidos nos territórios ocupados. Cerca de 50 produtos agrícolas são produzidos na Palestina para benefício israelense. Enquanto os palestinos viverem na injustiça, não haverá paz.

Cuba. Este é um país que tem futuro. Eu pude constatar que é um povo digno, corajoso e solidário. Em Cuba pode haver pobreza, mas não existe a miséria que se vê em qualquer país da América Latina, ou na França, ou nos Estados Unidos. Apesar do bloqueio imposto pelos EUA, todos têm saúde e educação gratuita, e ninguém dorme nas ruas. É incrível!

Eu faço parte do Comitê Internacional pela Libertação dos Cinco Cubanos presos nos EUA. Eles lutaram contra as ações terroristas que estavam sendo preparadas em Miami. Resolvi participar do Comitê porque me dei conta da injustiça cometida contra eles e que não pode ser tolerada.

Qual a sua avaliação sobre a maneira pela qual a imprensa francesa trata os processos sociais e políticos alternativos que se desenrolam na América Latina? Por que essa imprensa tem a tendência a ridicularizar presidentes como Evo Morales e Hugo Chávez?

Esse comportamento da imprensa deve-se ao fato de que, regularmente, a França apóia a quem não deveria apoiar. É uma questão de interesses. Estes presidentes não fazem o que os ricos querem, assim a França se coloca ao lado dos ricos. É como faz na África também.

Agora, a participação das mulheres latino-americanas na política é sensacional. Uma mulher na presidência do Brasil é algo extraordinário! Na França, não fomos capazes nem de ter uma primeira ministra: somos tão machos! Ah, sim, uma vez tivemos a senhora Edith Cresson, mas ela não pode ficar por muito tempo já que tentaram massacrá-la em função de sua condição de mulher. Somos machos e vulgares como não se pode imaginar! Hoje, não é a velha Europa que dá o exemplo, é a América Latina. Devemos olhar para lá.

Duas últimas perguntas: o que outros altos membros da Igreja Católica pensam do senhor? E, como cidadão e ser humano, vê alguma alternativa para a situação social da França?

Em geral, minhas relações com os outros bispos são cordiais, ainda que alguns prefiram me ignorar. Não me enviam nenhum documento da Conferência Episcopal, não me convidam para a assembleia anual em Lourdes. Tampouco dizem o porquê, e eu também não perguntei, embora outros sacerdotes tenham perguntado, sem receberem uma resposta até hoje. Às vezes, isso não é confortável, mas o que me conforta é que estou em paz com minha consciência, por dizer o que penso, por denunciar a injustiça.

Quanto à segunda pergunta, tenho confiança e esperança nos homens e mulheres. Vamos seguir avançando. Existem movimentos cidadãos que estão criando um tecido associativo alternativo. Vejo muitas lutas que nascem e se desenvolvem pouco a pouco. É formidável! Cada um deve encontrar o caminho onde outros lutam. A unidade: é isso que pode ajudar a salvar a democracia e os direitos das pessoas. Eu tenho esperança.

Notas:

1) http://www.partenia.com

2) Foi arcebispo de Olinda e Recife. Morreu em 27 de agosto de 1999.

3) Chamado de « Bispo dos Índios », e também de « O bispo vermelho». Exercia seu trabalho pastoral na cidade de Riobamba. Morreu em 31 de agosto de 1988.

4) Vários sacerdotes e freiras somaram-se às guerrilhas. O precursor foi Camilo Torres, na Colômbia, que morreu em combate em 15 de fevereiro de 1966. Na Nicarágua, durante a guerra contra a ditadura de Somoza, muitos seguiram seu exemplo, sendo Ernesto Cardenal o mais famoso.

Hernando Calvo Ospina, jornalista colombiano residente na Europa, autor de vários livros, entre os quais: Salsa, Don Pablo Escobar, Perú: los senderos posibles y Bacardí: la guerra oculta

Tradução: Katarina Peixoto

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/monsenhor-gaillot-a-america-latina-e-nao-a-velha-europa-que-da-o-exemplo-aos-que-lutam-contra-a-injustica.html