domingo, 16 de janeiro de 2011

Tunísia: A revolta que pegou o mundo de surpresa

16 de janeiro de 2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Al-Jazeera, Qatar
Marwan Bishara é editor de política de Al-Jazeera


Tunísia: três respostas de Marwan Bishara

Protestos populares desde meados de dezembro derrubaram Zine El Abidine Ben Ali, que governava a Tunísia há 23 anos. O ex-presidente deixou o país e exilou-se na Jordânia.

(1) As mudanças dramáticas que acabam de acontecer na Tunisia surpreenderam a maioria. Como você explica o sucesso, a ocasião e a velocidade daquelas mudanças?

A resposta mais simples e talvez mais acurada à sua pergunta veio há quase um século de um poeta tunisino Abu Al-Qasem Al-Shabi (Schebbi), em seu Defenders of the Homeland, verso que se tornou o mais popular da poesia árabe e está no hino nacional da Tunísia: “Quando um povo decide viver, o destino se rende, e (…) rompem-se as cadeias da escravidão.”

Diferente do levante na vizinha Argélia, que teve vida curta e outros recentes protestos socioeconômicos em outros países árabes, o levante popular na Tunísia recebeu apoio imediato de todos os grupos da oposição, dos islâmicos aos comunistas, e dos sindicatos, que ajudaram a levar o movimento para outras partes do país, inclusive até o norte, tão influente.

Além disso, o alto grau de tensão que se acumulou depois de décadas de ditadura, sobretudo nos últimos 23 anos de governo de Ben Ali, que comandava um Estado policial, levou a situação a explodir no instante em que se abriu a caixa, nos primeiros dias de protestos contra o desemprego.

(2) Como se explica que um regime opressor e impopular não seja alvo de críticas da comunidade internacional?

A chamada comunidade internacional mantém-se tradicionalmente calada contra práticas e abusos totalitários dos seus Estados membros e aliados, exceto nos casos em que alguns países e poderes ocidentais invocam questões de opressão política praticada por um ou outro governo, utilizando essas questões como ferramentas de política exterior, ou para mostrar-se ao mundo, como produto de consumo, travestido em campeão da luta por direitos humanos.

Assim, quando regimes opressores, como o que havia na Tunísia, cooperam com os Estados ocidentais em questões econômicas ou estratégicas, os abusos e crimes que cometam são em geral ignorados.

Esse é o fator que melhor explica o silêncio dos líderes ocidentais, ou a confusão inicial de alguns sobre o “levante” tunisino, como também explica o imediato apoio que deram ao “levante” da oposição no Irã, depois das eleições de 2009. Pode chamá-lo de “fator hipocrisia”.

(3) Mas o que a Tunísia tem a oferecer às potências ocidentais?

O presidente recém deposto da Tunísia foi aliado útil dos EUA e de líderes europeus na guerra contra o terrorismo e contra o extremismo islâmico.

Como inúmeros grupos de direitos humanos noticiaram repetidas vezes, aquele governo sempre usou o apoio que recebia do ocidente, como arma para atacar toda e qualquer oposição interna, mesmo que pacífica.

Em 2004, durante visita de Ben Ali à Casa Branca, pouco antes de a Tunísia hospedar uma reunião de cúpula da Liga Árabe, George Bush, então presidente, elogiu Ben Ali como seu aliado na guerra ao terror e elogiou as reformas que fizera no campo da “liberdade de imprensa” e para a realização de “eleições livres e disputadas”.

Sarkozy, da França, fez o mesmo, em 2008, elogiando as reformas “na esfera das liberdades”, quando era regra, na Tunísia, o abuso de direitos humanos. Num único evento, cerca de 200 pessoas foram condenadas, naquela época, por participação em protestos socioeconômicos, na cidade mineira de Redhayef, no sul da Tunísia.

E quando alguns funcionários de países europeus criticavam os atentados aos direitos humanos na Tunisia, quase todos, simultaneamente, elogiavam o desempenho econômico do país.

A França é o principal parceiro comercial da Tunísia, e o quarto maior investidor estrangeiro no país; e 80% do comércio exterior da Tunísia é com a União Europeia.

Parece evidente que a abertura descontrolada da economia neoliberal aos investimentos ocidentais é fator de peso, que explica a deterioração da situação econômica na Tunísia e em outros países árabes.

PS do Viomundo: Os direitos humanos foram instrumentalizados pelo Ocidente para fazer valer seus interesses políticos, econômicos e diplomáticos. É por isso que vale dividir o Sudão, mas não a Nigéria. É por isso que se condena o Zimbábue, mas não a Arábia Saudita. É por isso que se denuncia o Irã, mas não a Tunísia.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/tunisia-a-revolta-que-pegou-o-mundo-de-surpresa.html

OAB vai propor a Lei de Responsabilidade Social

16 de janeiro de 2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Via Fabio Pereira, no Facebook, do DireitoNet


OAB quer Lei de Responsabilidade Social para evitar tragédias

O presidente da OAB do Rio de Janeiro (OAB-RJ), Wadih Damous, anunciou hoje (14) durante visita a Nova Friburgo, que vai propor à bancada federal do Estado a aprovação, em regime de urgência, de uma Lei de Responsabilidade Social no Congresso para exigir do Presidente da República, dos governadores e prefeitos a adoção de políticas para a prevenção de tragédias como a que causou a morte de centenas de pessoas no Rio, desta vez na região serrana. No ano passado, as chuvas vitimaram moradores de Niterói e Angra dos Reis e recentemente em vários municípios de Santa Catarina e do Espírito Santo.

A futura Lei de Responsabilidade Social, segundo Wadih Damous, aplicará sanções drásticas, inclusive crime de responsabilidade, nos chefes do Poder Executivo nos três níveis de governo na Federação que forem negligentes nas questões de prevenção de tragédias climáticas nas zonas rurais e urbanas, que vitimam centenas de vidas humanas e destroem o patrimônio público e privado. A futura lei obrigará o Poder Executivo da União a realizar os repasses financeiros, em tempo hábil, para os governos estaduais e municipais executarem estudos e obras de geotecnia para prevenção de calamidades nas chamadas áreas de risco.

Por sua vez, os governadores e prefeitos estarão obrigados a incluir nos respectivos orçamentos públicos e nas leis de diretrizes orçamentárias e financeiras a previsão suficiente de verbas destinadas a essa finalidade. Deverão ainda enviar, anualmente, relatório à Assembléia Legislativa e/ou Câmara Municipal, bem como ao órgão do Ministério Público local (Procuradoria Geral de Justiça), com detalhamento de todos os estudos e obras de prevenção de calamidades executadas em cada ano até antes do início do período de verão, quando ocorrem as fortes precipitações pluviais.

PS do Viomundo: O Brasil deveria adotar, igualmente, o recall para governantes, feito o que existe naquela “ditadura”, a Venezuela. Aposto que todos ficariam muito mais espertos. É penoso ver o governador Sergio Cabral repetindo, em 2011, as mesmas desculpas de 2010.

Fonte: OAB – Conselho Federal

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/oab-vai-propor-a-lei-de-responsabilidade-social.html

Robert Kennedy Jr.: Quando a mídia ajuda a matar

16.01.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha

Anúncio de página inteira publicado no Dallas Morning News no dia do assassinato de JFK, em que ele é acusado de ser comunista]

Nas ondas do ódio radioativo

Após a morte de JFK, vozes do extremismo de direita se afastaram um pouco do rádio e TV. Agora voltaram, diz sobrinho de Kennedy

por Robert F. Kennedy Jr., traduzido por Terezinha Martino, no Estadão

No dia 22 de novembro de 1963, minha mãe foi me buscar na Sidwell Friends School, em Washington. Quando seguíamos para casa, em Hickory Hill, norte da Virgínia, observei que todas as bandeiras da cidade estavam a meio pau. Minha mãe disse que um homem malvado tinha atirado no tio Jack e ele tinha ido para o céu. Um amigo do meu pai, Dean Markhan, ex-companheiro do time de futebol em que ele jogava e promotor da divisão de combate ao tráfico, foi buscar meu irmãozinho David na escola Our Lady of Victory. “Por que eles mataram tio Jack?”, David perguntou a ele. Dean, ex-fuzileiro naval, veterano de combates, conhecido como um dos mais robustos atacantes do Esquadrão GI Bill — o mais forte time de futebol [americano] da história da Universidade de Harvard –, não era tão forte para enfrentar aquela pergunta. E chorou silenciosamente durante todo o caminho percorrido.

Quando cheguei em casa meu pai estava no jardim com Brumus, nosso terra-nova, e Rusty, um setter irlandês. Corremos em sua direção e o abraçamos. Todos choravam. Ele nos disse: “John teve a vida mais maravilhosa possível e jamais teve um dia triste”.

Nem Glenn Beck, Sean Hannity ou Michael Savage, nem os odiosos mercadores da Fox News e dos programas de rádio podem dizer que inventaram seu estilo.

[PS do Viomundo: O autor se refere a jornalistas-militantes da extrema-direita]

A virulência tóxica da direita dominava de tal forma as ondas de rádio desde a era McCarthy até 1963 que o presidente John Jack Kennedy, naquele ano, lançou uma campanha para implementar a Fairness Doctrine (Doutrina da Imparcialidade), que exigia exatidão e equilíbrio no rádio e na TV. Estudantes, grupos religiosos e de cidadãos registraram mais de 500 queixas na Comissão Federal de Comunicações contra extremistas de direita e apresentadores que disseminavam o ódio.

Os programas transmitidos em Dallas eram radioativos: pregadores, líderes políticos e empresários locais cuspiam a virulência extremista, inflamando as paixões de legiões de fanáticos desequilibrados. Havia alguma coisa naquela cidade — cólera ou loucura — que, conscientemente ou não, parecia preparar o terreno para o assassinato de Jack. A Voice of America, meia hora após o assassinato do presidente, descreveu Dallas como o “centro da extrema direita”. Texas era um tal caldeirão de corrupção da direita que o historiador William Manchester a retratou como a cidade que lembrava os dias finais da República de Weimar. “Coisas insanas ocorriam”, reportou Manchester. “Enormes cartazes exigiam o ‘impeachment’ de Earl Warren (presidente da Suprema Corte, responsável pelo fim da segregação nas escolas; depois presidiu a comissão Warren, que investigou o assassinato de Kennedy)”.

Lojas de judeus eram pichadas com suásticas. Jovens donas de casa se sacudiam em público ao canto “Stevenson’s going to die — his heart will stop, stop, stop and he will burn, burn, burn”(Stevenson vai morrer — e seu coração vai parar, parar, parar e ele vai queimar, queimar, queimar).

Manchester continua: “Dallas tornou-se a meca dos festivais de cura dos evangélicos da National Independence Convention, das Cruzadas Cristãs, dos Milicianos, da Sociedade John Birch e das Sociedades Patrick Henry e a sede do explorador de petróleo, de direita, H. L. Hunt e suas atividades duvidosas. O prefeito da cidade, o direitista Earl Carrol, era conhecido como ‘prefeito socialista de Dallas’ por ter mantido sua filiação no Partido Democrata”.

[Nota do Viomundo: O autor se refere, acima, a grupos da extrema-direita de então, antecessores do Tea Party]

O discurso de tio Jack em Dallas deveria ser um ataque violento contra a direita. Ele encontrou as ruas abarrotadas de democratas seus partidários, mas entre eles eram vistos os ornamentos familiares do ódio contra o presidente: bandeiras confederadas, centenas de cartazes exibindo uma foto de Jack com a inscrição “Procurado por traição”. Um homem portava uma faixa que dizia: Você um traidor (sic)”. Outras faixas o acusavam de ser comunista. Quando os alto-falantes da escola anunciaram o assassinato de Jack, alunos do quarto anos aplaudiram. Um ouvinte de rádio ligou para dizer que “qualquer branco que fez o que fez pelos negros deve ser morto a tiros”.

Quando meus irmãos e eu fomos à Casa Branca para consolar meus primos John e Caroline, um grupo desfilava diante da residência exibindo um cartaz que dizia “Deus puniu JFK”.

Jack tinha recebido uma infinidade de advertências para não visitar a cidade texana. De fato, um pressentimento tomava conta da nossa família quando ele e a tia Jackie se preparavam para a viagem. Jack fez uma visita não programa a Cape Cod para se despedir do meu avô doente. Na noite anterior à viagem, minha mãe sentiu que ele estava ausente e taciturno no jantar para os juízes da Suprema Corte.

A morte de Jack forçou um autoexame nacional. Em 1964, os americanos repudiaram as forças do ódio e da violência da direita com histórica e esmagadora vitória na eleição presidencial disputada por Lindon Johnson e Barry Goldwater. Por um tempo os promotores do extremismo de direita se afastaram do pódio público. Agora retornaram, pensando em vingança, ao rádio e à TV e a importantes posições no cenário político.

Gabrielle Giffords continua num quarto de hospital lutando pela vida. Uma garota de 9 anos e outras cinco pessoas estão mortas. Rezemos por elas e pelo nosso país e esperemos que essa tragédia leve a um novo exame de consciência.

Aqui, o Viomundo fala sobre o apresentador que fez muito para introduzir o preconceito contra imigrantes no discurso da rede CNN.

Aqui, o artigo de Sarah Robinson falando sobre a ascensão do fascismo nos Estados Unidos.

Aqui, os tuiteiros brasileiros que pregaram o assassinato da presidenta Dilma.

Aqui, os internautas que pediram que Dilma cometesse suicídio, no Flickr.

Aqui, a brasileira que pregou o afogamento dos eleitores nordestinos e mereceu artigo em defesa dela na Folha de S. Paulo.

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/robert-kennedy-jr-quando-a-midia-ajuda-a-matar.html

Número de mortes na região serrana do Rio chega a 626

16/01/2011
Nielmar de Oliveira
Repórter da Agência Brasil


Rio de Janeiro - A Defesa Civil estadual encontrou mais nove corpos de vítimas dos temporais e de deslizamentos de terra ocorridos na região serrana do Rio de Janeiro na última quarta-feira (12). Com isso, subiu para 626 o número de mortes provocadas pela tragédia.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil, com base em balanço parcial do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil, do total de 626 mortos, 283 são de Nova Friburgo, 268 de Teresópolis, 56 de Petrópolis e 19 de Sumidouro.

Nova Friburgo tem 1.970 desabrigados e outros 3.220 desalojados. Em Teresópolis, são 1.280 desabrigados e 960 desalojados. Petrópolis tem 2.800 desabrigados e 3.600 desalojados.

Edição: João Carlos Rodrigues
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/home?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-1&p_p_col_count=1&_56_groupId=19523&_56_articleId=3165996

3ª idade amarga alta do custo de vida de 6%

15.01.2011
Do MSN NOTÍCIAS
Por Alessandra Saraiva/ RIO, estadao.com.br


Alimentos mais caros provocaram um salto na inflação sentida pelos idosos em 2010. É o que mostrou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV) ao anunciar o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), que subiu 6,27% no ano passado, após avançar 4,09% em 2009. Somente no quarto trimestre de 2010, o indicador subiu 2,46%, bem acima da alta de 0,05% apurada pelo indicador no terceiro trimestre de 2010.

O índice pode seguir em alta em 2011, devido às expectativas de elevação nos preços dos alimentos no início deste ano. O indicador representa o cenário de preços sentido em famílias com pelo menos 50% dos indivíduos de 60 anos ou mais de idade, e renda mensal entre 1 e 33 salários mínimos.

Os resultados do IPC-3i superaram aos apurados, nos mesmos períodos, pelo Índice de Preços ao Consumidor - Brasil (IPC-BR), que mede a inflação em todas as faixas etárias. A inflação medida pelo IPC-BR subiu 3,95% em 2009; avançou 6,24% em 2010; e teve alta de 2,33% no quarto trimestre do ano passado.

Alimentos. Os alimentos respondem, historicamente, por um terço da inflação sentida pelo bolso dos idoso (no IPC-3i), de acordo com o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros. Porém, somente no quarto trimestre do ano passado, quando subiram 5,15%, os alimentos foram responsáveis por dois terços da inflação no período.

Quadros acrescentou que, coincidentemente, o impacto dos aumentos nos preços dos alimentos no bolso do consumidor em 2010 foi percebido em igual magnitude em todas as faixas etárias - visto que, no âmbito do IPC-BR, que apura a inflação no varejo percebida em todas as idades, o grupo alimentação também subiu 9,85%.

'O aumento nos preços dos alimentos foi bastante generalizado, não ficou concentrado em apenas um setor. Isso diminui o espaço para alguma divergência entre os resultados do avanço dos preços dos alimentos no IPC-BR e no IPC-3i', explicou.

Mesmo com a importância dos alimentos na composição da inflação dos idosos, a alta de 5,88% no preço de plano e seguro-saúde foi a maior contribuição individual na formação da taxa do IPC-3i, entre os produtos pesquisados para cálculo do indicador.

Quadros explicou que somente este item representa 6,13% do total do indicador que mede a inflação entre os idosos - quase o dobro do peso que seu preço tem dentro do IPC-BR. 'A taxa de variação em 2010 deste preço foi igual, visto que o reajuste dos planos é autorizado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). Mas o peso é diferente, já que os idosos gastam mais com planos de saúde', lembrou.
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Fonte:http://estadao.br.msn.com/economia/artigo.aspx?cp-documentid=27259174