segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Hacker exige resgate para 'liberar' e-mail de jornalista e diz: 'é melhor do que roubar'

31.10.2011
Do site da BBC BRASIL, 26.10.11


Rowenna Davis Foto: BBC
Davis diz ter se sentido impotente ao ter sua conta de e-mail invadida

Um hacker que invadiu o e-mail de uma jornalista britânica pediu um resgate para devolver o acesso à conta e, quando confrontado, alegou "não ter escolha" e disse que era bem melhor fazer isso do que roubá-la nas ruas.

Rowenna Davis percebeu que havia um problema quando começou a receber uma enxurrada de telefonemas de amigos e conhecidos durante uma reunião de trabalho.

Cerca de 5 mil contatos de sua lista de e-mails receberam uma mensagem da conta de Davis dizendo que ela havia sido roubada com uma arma na cabeça em Madri e que precisava de dinheiro urgentemente, já que tinha ficado sem seu telefone celular e seus cartões de crédito.
Enquanto alguns amigos mandaram mensagens dizendo que um hacker havia entrado na conta da jornalista, outros com menos experiência na internet ligaram querendo saber como mandar o dinheiro.

Troca de mensagens

Frustrada, Rowenna Davis decidiu abrir uma nova conta de e-mail e mandar uma mensagem para o endereço do Gmail que havia sido invadido.

Jornalista trocou mensagens com hacker

Na mensagem, dirigida "àqueles que invadiram meu e-mail", ela dizia não poder trabalhar sem os contatos armazenados naquela conta e questionava a ética do hacker.

Mensagem Foto: BBC
Jornalista trocou mensagens com hacker

"Fiquei realmente surpresa quando, menos de 10 minutos depois, aparece essa resposta na nova conta de e-mail e é de mim mesma, do meu endereço. Alguém está sentado lá, dentro da minha conta, esperando para me responder. E essa pessoa dizia apenas: eu te dou seus contatos de volta por 500 libras (R$ 1,4 mil)", disse Davis à BBC.

Na mensagem seguinte, Davis afirmou não ter o dinheiro, questionou que garantias ela teria mesmo se pagasse o "resgate" e confrontou o hacker, perguntando se ele se sentia mal por fazer aquilo.

A resposta dizia: "Claro que não me sinto ótimo, mas não tenho escolha. É bem melhor que roubar você nas ruas. Eu dou minha palavra. Se você mandar o dinheiro, eu vou devolver o acesso à sua conta com todos os seus e-mails e contatos intactos."
Google

Tentando solucionar o problema, Davis entrou em contato com a empresa Google, dona do Gmail, mas não conseguiu ajuda.

"Não havia nenhum número de telefone para este tipo de problema, eu tive a ligação desconectada duas vezes e o escritório da Google se recusou a resolver meu problema, mesmo quando disse que era jornalista e que iria escrever sobre o caso. Isso é que me impressionou, porque a Google e o Gmail fazem muito dinheiro com a ideia de que eles são o lado humano da rede", afirmou Davis.

Especialistas recomendam cuidado ao usar computador em lugares públicos
O caso acabou sendo resolvido através do amigo de um amigo que trabalhava na Google.
"Na verdade, quando eles resolveram sentar e mudar a senha, foi bem rápido."
Um porta-voz da Google respondeu com a seguinte declaração:

"Na Google, levamos segurança online a sério. Estamos sempre desenvolvendo tecnologias para ajudar a proteger nossos usuários."

Programa espião

Segundo especialistas, histórias como a de Rowenna Davis são cada vez mais comuns na internet.

"O jeito mais fácil é conseguir a sua senha, e há várias maneiras de se fazer isso. Às vezes, simplesmente olhando por cima do seu ombro quando você usa o computador em um café, no trem ou em lugares públicos. Eles também podem tentar adivinhar a senha através de informações pessoais em redes sociais, descobrindo seus passatempos, nomes de pessoas da família, de bichos de estimação, e além disso eles podem tentar meios técnicos, enviando mensagens que dizem 'a sua conta de e-mail será fechada, digite suas informações para evitar isso'", diz Tony Dyhouse, especialista em computação.

"No pior caso, eles podem colocar um spyware no seu computador (tecnologia que pode capturar tudo o que é digitado no teclado) que procura o momento em que você digita a senha e manda a informação para o criminoso."

Após conseguir de volta o acesso a seu e-mail, Davis recebeu mais uma mensagem do hacker.

"Vejo que você conseguiu acesso à sua conta novamente. Desculpe o incômodo."



Notícias relacionadas


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Fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/10/111026_hacker_jornalista_is.shtml

Mensagens de apoio a Lula marcam início de trabalhos em comissão do Senado


31/10/2011 
Política
Marcos Chagas
Repórter da Agência Brasil


Brasília - Os trabalhos da Comissão de Direitos Humanos do Senado iniciaram-se hoje (31) com mensagens solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que inicia, em São Paulo, tratamento para combater um câncer na laringe.


O presidente da comissão, Paulo Paim (PT-RS), disse estar confiante “que Deus vai dar a luz suficiente para que Lula volte logo” ao convívio de todos. O relator do projeto de lei que altera o Código Florestal Brasileiro, Jorge Viana (PT-AC), também passou sua mensagem: “o povo acreano adora o presidente Lula. Tenho fé que ele vai superar mais esse desafio”.


Dom Leonardo Ulrich Steiner, membro da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ressaltou que a doença é sempre “uma grande oportunidade” que Deus concede as pessoas para que elas superem desafios. “Nesse embate, ele sairá muito mais amadurecido e preparado para ajudar o Brasil.”


A Comissão de Direitos Humanos debate nesta manhã com lideranças de movimentos sociais as alterações, no projeto de lei do Código Florestal, propostas pelo então relator na Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), atualmente ministro dos Esportes.
Edição: Talita Cavalcante
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-10-31/mensagens-de-apoio-lula-marcam-inicio-de-trabalhos-em-comissao-do-senado

Câncer acontece quando Lula ainda é ‘mais dominante’ no Brasil, diz ‘New York Times’

31.10.2011
Do site do CORREIO DO BRASIL, 30.10.11
Por Redação, com BBC - do Rio de Janeiro



Lula
Lula deu voz aos trabalhadores
O diagnóstico do câncer do ex-presidente Luiz InácioLula da Silva repercutiu na imprensa internacional neste domingo. O jornal norte-americano The New York Times publicou uma reportagem na qual afirma que o diagnóstico do câncer acontece em um momento em que o ex-presidente é visto como dominante na política brasileira.
“A revelação da sua condição acontece em um momento em que ele ainda é admirado aqui como o líder político contemporâneo mais dominante do Brasil”, escreve o jornalista do New York Times Simon Romero, do Rio de Janeiro.
“Desde que deixou a presidência, Silva, um ex-líder sindical, manteve ampla influência na política brasileira. Ele viajou muito dentro do Brasil e no exterior, fazendo discursos por cachês altos, e na semana passada ele apareceu ao lado (da presidente Dilma) Rousseff na inauguração de uma ponte na cidade amazônica de Manaus”.
New York Times diz que a notícia sobre Lula mostra um “contraste grande” em relação à forma como o presidente venezuelano, Hugo Chávez, revelou seu câncer, em junho. Enquanto o brasileiro optou por revelar rapidamente a doença, Chávez “surpreendeu os venezuelanos” ao anunciar que já havia sido submetido a uma cirurgia, segundo o New York Times. O jornal também lembra que o venezuelano nunca revelou o tipo de câncer que teve.
Lula foi diagnosticado com câncer na laringe. A informação foi divulgada no sábado pelo hospital Sírio-Libanês, onde o ex-presidente fez exames após se queixar de dores na garganta. Ele começará quimioterapia na segunda-feira.
Incerteza’
Uma reportagem do jornal argentino La Nación afirma que o câncer do ex-presidente desperta incerteza entre os brasileiros sobre o futuro político de Lula.
“A inesperada notícia sobre a doença surpreendeu a todos os brasileiros e despertou uma grande incerteza sobre um eventual regresso de Lula à Presidência do Brasil, onde ele mantinha uma enorme influência política no atual governo”, escreve o jornal argentino.
O La Nación diz que o “carismático e popular” ex-presidente brasileiro terá pela frente uma “nova e inesperada batalha”.
Já o jornal argentino El Clarín destacou que a notícia sobre a doença de Lula “surpreendeu os veículos brasileiros de imprensa”, já que o ex-presidente havia anunciado que tinha começado a deixar de fumar cigarrilhas.
El Clarín também destacou a repercussão da doença no Twitter, com várias mensagens de solidariedade acompanhadas das hashtags #vivalula e #forçalula.
O jornal espanhol El País disse que a notícia sobre Lula “correu como pólvora em todo o país”. Já o americano The Wall Street Journal destaca a importância “literal” da voz de Lula na política brasileira.
“Muito do sucesso de Lula se deve à sua voz. Como um país grande e recentemente industrializado sofrendo com uma ditadura militar, os sindicatos brasileiros estavam maduros para um rompimento nos anos 70″, escrevem os jornalistas Matthew Cowley e Tom Murphy.
“No sentido literal, Lula, um ex-sindicalista, deu aos trabalhadores uma voz”.

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Fonte:http://correiodobrasil.com.br/cancer-acontece-quando-lula-ainda-e-mais-dominante-no-brasil-diz-new-york-times/320698/

Proposta regulamenta a profissão de quiropraxista

31.10.2011
Da Agência Câmara
Por Maria Neves
Edição- Mariana Monteiro
Arquivo/ Gustavo Lima
Ronaldo Zulke
Ronaldo Zulke: Muitos cursos são ministrados por pessoas sem sequer formação na área.
Em análise na Câmara, o Projeto de Lei 1436/11, do deputado Ronaldo Zulke (PT-RS), regulamenta a profissão de quiropraxista. Pela proposta, para o exercício da atividade será exigido diploma de curso superior de instituição reconhecida, além de registro no órgão competente, a ser instituído em regulamento.
Após a promulgação da nova lei, profissionais que já atuam na área terão de comprovar experiência mínima de cinco anos na função, além de serem aprovados em “exames de proficiência”. Esses testes deverão ser realizados pelo órgão competente.
Atribuições
Dentre as atividades a serem exercidas pelos quiropraxista constam:
- participar do planejamento, da execução e da avaliação de programas de saúde pública;
- compor equipes multidisciplinares de saúde;
- planejar, dirigir ou efetuar pesquisas científicas;
- coordenar e dirigir cursos de graduação em Quiropraxia e demais cursos de educação em saúde;
- ministrar disciplinas de formação específica da área de Quiropraxia e correlatas.
Formação
De acordo com Zulke, a Organização Mundial de Saúde (OMS) define a Quiropraxia como a profissão que lida com o diagnóstico, o tratamento e a prevenção das desordens do sistema neuro-músculo-esquelético e seus efeitos na saúde em geral. “Há uma ênfase em técnicas manuais, incluindo o ajuste articular, com enfoque particular nas subluxações”, acrescenta o parlamentar.
Segundo o deputado, atualmente curso de graduação em Quiropraxia são oferecidos em 41 universidades em 15 países, inclusive o Brasil. No País, oferecem a formação as universidades Feevale, no Rio Grande do Sul, e Anhembi-Morumbi, em São Paulo.
Zulke afirma ainda que, nos países desenvolvidos, o governo subsidia o atendimento à população por causa da boa relação custo/benefício da quiropraxia e aos altos índices de satisfação dos pacientes. “Hoje milhares de cidadãos brasileiros têm sido beneficiados por meio dos diversos projetos em saúde pública oriundos dos cursos universitários de quiropraxia, além da presença de quiropraxistas com formação em nível de graduação no SUS em alguns municípios, no Comitê Olímpico Brasileiro, em clubes com atletas profissionais, entre outros”, acrescenta o autor do projeto.
Na opinião de Zulke, mesmo sem a regulamentação por meio de lei, proliferam cursos livres, sem nenhum tipo de controle. “Muitos são ministrados por pessoas que sequer têm formação na área”, sustenta.
Tramitação
O projeto terá análise conclusiva das comissões de Educação e Cultura; de Seguridade Social e Família; de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

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Fonte:http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/SAUDE/204749-PROPOSTA-REGULAMENTA-A-PROFISSAO-DE-QUIROPRAXISTA.html?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

Milícia planeja assassinar deputado Marcelo Freixo, dizem documentos

31.10.2011
Do jornal O GLOBO, 30.10.11
Por Cássio Bruno (cassio.bruno@oglobo.com.br)



Marcelo Freixo: ameaças após CPI das Milícias / Foto: Fábio Guimarães
RIO - A Coordenadoria de Inteligência da Polícia Militar, o Ministério Público e o Disque-Denúncia registraram, em pouco mais de um mês, sete denúncias de que várias milícias estão preparando o assassinato do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). Presidente da CPI das Milícias, que, em 2008, provocou o indiciamento de 225 pessoas, entre políticos, policiais militares e civis e bombeiros - boa parte do grupo está presa -, Freixo vai deixar o Brasil na terça-feira, com a família, a convite da Anistia Internacional.


O parlamentar vai para a Europa, mas o país de destino e o tempo de permanência no exterior estão sendo mantidos sob sigilo. Em reportagem publicada ontem, O GLOBO revelou a atuação de milicianos em pelo menos 11 estados , segundo dados fornecidos por Ministérios Públicos e Ouvidorias de Polícia.

Em alguns casos, como o da Bahia, as milícias agem com as mesmas características das do Rio em bairros de Salvador. Elas exploram o transporte alternativo e a distribuição de serviços de internet, de TV a cabo e de gás. Há suspeita também da participação de políticos.

Em entrevista ao GLOBO, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, admitiu o problema das milícias. Já a corregedora Nacional de Justiça, a ministra Eliana Calmon, afirmou à reportagem que milicianos estão por trás da maioria dos casos de violência contra os magistrados brasileiros. Por isso, ela iniciou uma força-tarefa nos 27 estados para tentar identificar e punir grupos paramilitares.

- A Anistia ficou preocupada com a minha segurança devido ao acirramento das denúncias feitas contra mim. A Patrícia foi ameaçada e, na época, todos diziam que ninguém iria matá-la.

Mesmo assim, mataram - disse Freixo referindo-se à juíza Patrícia Accioli, executada a tiros por milicianos na porta de casa, em Niterói, na Região Metropolitana, mês passado.

Maioria das denúncias é de milícias de Zona Oeste e Ilha


As informações sobre os planos de execução de Freixo envolvem, na sua maioria, milicianos da Zona Oeste do Rio e da Ilha do Governador. Em uma delas, do último dia 13, enviado à Coordenadoria Institucional de Segurança da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), um grupo de 50 milicianos fortemente armados se reuniu em um conjunto habitacional de Campo Grande para planejar o assassinato de Freixo. No mesmo dia, um outro bando do bairro de Cosmos chegou a fazer churrasco para tramar a morte do deputado.

No dia 3 deste mês, outro caso envolveu um policial do 18 Batalhão da Polícia Militar, em Jacarepaguá, acusado de pertencer a uma milícia. O PM atuaria no bairro Gardênia Azul, até então dominada pelo ex-vereador do Rio Cristiano Girão, denunciado pela CPI das Milícias, condenado e preso. O GLOBO mostrou, no último dia 10, a articulação para assassinar Freixo. Um ex-policial foragido do presídio da PM receberia cerca de R$ 400 mil para matar o parlamentar.

Parlamentar entregará dossiê ao governo do estado


Em 28 de setembro, mais um relato sobre a intenção de praticar um atentado contra Freixo. 

Um grupo paramilitar, liderado por um policial lotado na unidade do Grupamento de Policiamento em Áreas Ambientais (Gpae), se reuniu na Cidade de Deus com o objetivo de acertar os detalhes.

- Vou deixar o país, mas não é um recuo. Não é um arrependimento por ter denunciado as milícias. Vou voltar e continuar a luta contra os milicianos - ressalta Freixo, pré-candidato a prefeito nas eleições de 2012.

Atualmente, o deputado só anda escoltado por seguranças. A quantidade, porém, não é revelada por ele. Freixo utiliza ainda um carro blindado para os seus deslocamentos na cidade. Hoje, o parlamentar pretende entregar um dossiê detalhando todas ameaças sofridas à Secretaria Estadual de Segurança Pública e ao Ministério Público, além de pedir providências.

- O emocional da minha família está abalado. A milícia é um problema de todo o país. Trata-se de uma máfia que já matou uma juíza e não medirá esforços para matar um deputado. Até agora não recebi qualquer informação sobre as investigações da Secretaria de Segurança - afirmou Freixo.

Procurada pelo GLOBO, a Secretaria estadual de Segurança Pública não quis comentar as denúncias contra Freixo e a saída dele do país.

Concluída em dezembro de 2008, o trabalho da CPI das Milícias revelou o domínio territorial de grupos paramilitares. Um dos focos das investigações foi em Campo Grande, onde os irmãos Natalino e Gerônimo Guimarães, respectivamente, ex-deputado estadual e ex-vereador, chefiavam a maior milícia da região.

A CPI, associada aos inquéritos abertos pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), resultaram nas prisões dos políticos e dos milicianos.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/10/30/milicia-planeja-assassinar-deputado-marcelo-freixo-dizem-documentos-925702552.asp#ixzz1cNBoUyb9 

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Fonte:http://paper.li/assisbotafogo/1317613474?utm_source=subscription&utm_medium=email&utm_campaign=paper_sub

Latino-americanos emprestam 'know-how' em protestos ao moderado 'Occupy Wall Street'

31.10.2011
Do portal OPERA MUNDI,30.10.11


 Federico Mastrogiovanni 

 
Manifestantes tiveram que apelar à criatividade para driblar rigor da polícia novaiorquina

Chegando a pé a Wall Street a partir da ponte do Brooklyn, é preciso caminhar umas poucas quadras cruzando um fluxo constante de pessoas. Os edifícios parecem monstros gigantes que desafiam o céu com seus olhos de cristal e no ar se percebe um barulho contínuo, um zumbido incessante, persistente. É o zumbido produzido pelas obras que funcionam 24 horas por dia na região de Manhattan onde está sendo contruindo o novo World Trade Center.
Próximo a Zuccoti Park, a praça que nas últimas semanas se converteu no cenário de um dos movimentos sociais mais midiatizados dos últimos anos, o Occupy Wall Street, o zumbido dos martelos mecânicos pouco a pouco é substituído por um outro som que se repete e é constante, o dos tambores que alguns dos ocupantes tocam sem parar. A primeira sensação é alienante: barreiras de metal formam um cerco ao redor do pequeno espaço entre os edifícios. O NYPD (Departamento de Polícia de Nova York, na sigla em inglês) está presente com dezenas de agentes que vigiam os manifestantes e facilitam o trânsito. Entende-se desde o princípio que as forças policiais, em uma espécie de pacto silencioso com os que participam do protesto, concedem pequenos espaços dentro de limites muito bem definidos.
Uma transgressão ainda que mínima pode custar a detenção. E foi o que aconteceu na Ponte do Brooklyn há algumas semanas, a primeira de outubro, quando mais de 700 pessoas foram detidas por centenas de agentes da polícia de Nova York, por terem “invadido” a rua e saído das calçadas.
A ordem é uma prioridade absoluta na ocupação de Wall Street. As barreiras dividem o espaço ocupado do restante das vias de circulação. Os que passam por ali não podem parar e observar de fora o que se passa do outro lado da barreira, pois a polícia intervém imediatamente fazendo circular os transeuntes.
Os curiosos de ver o que acontece devem entrar no espaço delimitado pelas barreiras. Não se pode pendurar cobertores e nem nenhum tipo de material nas árvores, não se pode deixar lixo na rua, e isto fez com que se formassem pequenas equipes de limpeza que, com suas escovas, passam varrendo a sujeira, os cigarros, pratos e copos descartáveis. Além disso, está proibido utilizar megafones e microfones, com o objetivo de amplificar as vozes dos ocupantes. Decidiram então optar por formas mais criativas como a que desde o princípio se conhece como a “ola” ou “microfone humano”. Quem fala se coloca ao centro de um pequeno círculo de pessoas, e dizem qualquer coisa, sua opinião, um pensamento ou simplesmente um detalhe organizativo. Todos os que estão ao seu redor, gritando, repetem a mesma frase, que chega até as partes mais distantes da praça da praça em ondas concêntricas. Desta forma as regras não são quebradas, são contornadas.
“Tivemos que substituir a confrontação direta pela criatividade – diz Martín Cobian, ativista de Porto Rico e residente há três anos em Nova York, um dos 700 detidos – não podemos enfrentar a polícia cara-a-cara, porque senão nós seríamos expulsos em poucos minutos. Nosso objetivo é continuar aqui e seguir sendo visíveis. Então temos que inventar outras formas de resistir, sem cair em suas provocações”.
Cobian conta que durante a manifestação de 1º de outubro, enquanto os policiais os agarravam com cassetetes e os prendiam, um jovem estrangeiro loiro e sorridente começou a gritar aos policiais: ‘cada vez que nos agarram com pancadas na cabeça, o povo americano e a população mundial repudiam o que estão fazendo. Vocês, policiais, estão em nosso circuito midiático publicitário. Muito obrigado por participar!’. “Isto mostra que o movimento Occupy Wall Street não é como todos os movimentos que se viram até agora e a experiência que estamos desenvolvendo cresce junto com os limites que se impõem, e frente à criatividade não há barreiras”, argumenta o jovem portorriquenho.
Federico Mastrogiovanni 
 
Protestos ganharam a adesão de varios estratos sociais nos EUA; imigrantes latino-americanos

Membro da associação de latino-americanos da Universidade de Nova York, Cobian, juntamente com dezenas de outros jovens, está agregando ao movimento Occupy Wall Street a tradição de reivindicações, que em países da América Latina são muito mais comuns.
"O que as comunidades latino-americanas estão fazendo aqui - continua Martin - é trazer as nossas tradições de luta e de movimento, com a intenção de fortalecer os fundamentos desta iniciativa. Mas não vamos ensinar as pessoas a ocupar como o MST no Brasil”, brinca. Segundo o estudante, outra diferença é que as expectativas que vêm da América Latina são muito mais claras, definidas, estruturadas e sedimentadas ao longo das décadas. “Sabemos exatamente o que queremos e o que sabemos há muito tempo. O ponto é conseguir contaminar esse movimento, que tem um potencial enorme de mídia, para chamar as pessoas, com as demandas e as tradições de luta da América Latina para tentar opor-se os fortes poderes. É um desafio muito estimulante".
Por esta razão, depois de um primeiro momento em que se fez a tradução ao espanhol do jornal que se difunde livremente em Zuccotty Park, The occupied Wall Street Journal, financiado com dinheiro do Kickstarter, os participantes latinos nas assembléias de Occupy Wall Street decidiram dar uma contribuição diferente, não se limitando à tradução, mas articulando o pensamento latino-americano em uma versão em língua espanhola, que é paralela à publicada em inglês.
"Pensamos que é necessário que nossos pontos de vista, como latinos, tenham um espaço e uma dignidade própria”, diz Paulo, porto-riquenho que está preparando a versão espanhola do Occupied Wall Street Journal. “Temos uma grande oportunidade aqui, no coração do império, de dar voz a questões que são centrais na agenda política do nosso continente, e, portanto, vamos usar este espaço tão importante".
E com o passar do tempo, esse movimento parece cada vez mais um símbolo para os espectadores/ocupantes do resto do mundo do que uma ameaça real para o establishment financiero de Wall Street.
Descoberta
Se por um lado, as demandas que são levadas adiante são questões que têm feito parte da agenda de todos os movimentos sociais das últimas décadas no sul do mundo e na Europa —como por exemplo a crítica da especulação financeira por parte das corporações , a injustiça e a insustentabilidade de um mercado de trabalho cada vez mais precário, a privatização dos serviços de saúde e educação, a dívida ambiental, a necessidade de repensar a exploração de recursos não renováveis como o petróleo, a política de guerra dos Estados Unidos, entre outros— o movimento Occupy Wall Street, em sua heterogeneidade parece descobrir estes temas como se fosse a primeira vez que os colocam sobre a mesa. A contingência da crise econômica e de emprego nos Estados Unidos, junto com o não cumprimento das promessas eleitorais e do programa do presidente Barack Obama, tornaram-se um poderoso catalisador para muitos setores da classe média americana, consentindo numa reflexão mais profunda sobre o insustentabilidade do sistema.
Os ocupantes sabem que estão cercados, e apesar dos flash mobs, das pequenas manifestações relâmpago que confundem a polícia que controla a praça 24 horas, apesar da indignação que toma fôlego nos discursos de diferentes personagens famosos, em nenhum momento esse movimento parece ser uma ameaça direta ao sistema que visa criticar. Mas poderia considerar-se uma referência simbólica para aqueles que estão fora, uma mensagem a todos os demais indignados no estilo da campanha de Barack Obama, um "sim, nós podemos" alternativo.
"Aos muitos jornalistas e meios de comunicação que vieram aqui acusando e exigindo de nós um objetivo comum, uma agenda clara, nós respondemos que este não é um protesto, é um processo - esclarece Maria, ativista argentina que trabalha na Universidade Estadual de Nova York -, o que o mundo considera uma fraqueza, uma falta de projeto, a extrema diferença entre os que participam do movimento, nós consideramos a nossa força, a horizontalidade, a diversidade, a variedade, o movimento que dá fôlego para os processos que ocorrem no mundo".
Federico Mastrogiovanni 
 
Máscara de Guy Fawkes, ou 'V de Vingança, é vista com frequência no OWS

Enquanto no mundo todo os movimentos de Occupy estão tomando visibilidade, especialmente após a manifestação global de 15 de outubro, em Nova York o foco continua sendo o pequeno espaço a poucos passos do World Trade Center, enfrentando o zumbido das obras com a alegria dos tambores.
Todas as tardes, chega um homem de baixa estatura, com uma bandeira mexicana e o olhar irônico. Israel Galindo é um enfermeiro profissional, que está há 20 anos em Nova York e é muito ativo em sua comunidade e nas lutas pelos direitos dos imigrantes. Vendo a ocupação, ele pensa que é uma grande oportunidade para destacar os problemas globais que no México são conhecidos e vividos há muitos anos, e quando perguntado sobre o que diria para convencer a respeito da bondade desta causa, Galindo diz: "Se você acredita em Deus e na justiça, é fácil saber como é impossível que Cristo esteja nos palácios das finanças de Wall Street. Se você olhar atentamente, Cristo está na praça protestando contra este sistema tão injusto."
No final do dia, é difícil identificar Cristo, mas a praça está cheia de pessoas que têm o desejo e a necessidade de falar, de discutir, confrontar e refletir em conjunto. E talvez este seja o mais revolucionário desse movimento, a capacidade de voltar a analisar coletivamente.

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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/reportagens/16133/latino-americanos+emprestam+%26%2339know-how%26%2339+em+protestos+ao+moderado+%26%2339occupy+wall+street%26%2339.shtml