sexta-feira, 30 de setembro de 2011

FMI quer que o Brasil compre Portugal

30.09.2011
Do blog CONVERSA AFIADA, 26.09.11
Por Paulo Henrique Amorim

Conversa Afiada reproduz artigo de Maria Inês Nassif na Carta Maior

A neblina é densa no horizonte de Serra

Desgastado internamente por decisões de campanha e pela segunda derrota para o PT na disputa presidencial, José Serra fracassou ao tentar retomar áreas de influência no PSDB nacional. O ex-governador não tem mais espaço nacional no PSDB. E o seu “Plano B”, o PSD do prefeito Gilberto Kassab, alçou voos próprios que não credenciam seu criador a ir além da capital paulista no apoio a Serra. O artigo é de Maria Inês Nassif.

Maria Inês Nassif

Candidato derrotado do PSDB à Presidência da República no ano passado, José Serra hoje é um tucano sem poleiro. Desgastado internamente por decisões de campanha e pela segunda derrota para o PT na disputa presidencial, fracassou ao tentar retomar áreas de influência no PSDB nacional. Os cardeais do partido – Serra excluído do concílio – preferiram manter no comando nacional o inexpressivo Sérgio Guerra a arriscar abrir espaço de poder para o ex-governador, um político que levou ao limite, nas eleições passadas, sua vocação desagregadora.

O ex-governador não tem mais espaço nacional no PSDB. E o seu “Plano B”, o PSD do prefeito Gilberto Kassab, alçou voos próprios que não credenciam seu criador a ir além da capital paulista no apoio a Serra. Integrantes do novo partido consideram que o prefeito pode cumprir seus compromissos passados com o ex-governador se ele decidir disputar as eleições para prefeito. Para aí. A vocação governista com que nasce o PSD não aconselhariam a apoiar Serra contra o governador Geraldo Alckmin, numa disputa pelo governo do Estado, ou ir na direção contrária a da presidenta Dilma Rousseff, na disputa pela reeleição.

No PSDB paulista, Serra perdeu terreno na capital, onde tinha mais influência que Alckmin, e não expandiu seus domínios para o interior, reduto alckmista. A avaliação no núcleo tucano paulistano é que o PSDB não pode recusar a Serra a legenda para a prefeitura, se ele quiser, mas nem o partido gostaria que isso acontecesse, dado o alto grau de rejeição ao seu nome acusado por pesquisa do instituto DataFolha há duas semanas, nem o próprio ex-governador parece disposto a correr o risco de uma derrota municipal num momento em que está particularmente fraco. Isso inviabilizaria por completo qualquer tentativa futura de retomar uma carreira política nacional.

A estratégia de fazer o PSDB paulistano engolir um dos poucos serristas que restaram, o senador Aloysio Nunes, como candidato à prefeitura, caiu pela total falta de interesse do próprio senador. O espaço está aberto para a disputa entre dois nomes da órbita de influência de Alckmin, seus secretários José Anibal e Bruno Covas, na disputa pela legenda do partido à prefeitura.

Os destinos de Serra e do PSD dificilmente se encontrarão no âmbito nacional porque, afirma um dos seus articuladores, “o partido nasce com uma grande vocação governista”. Em São Paulo, para cumprir a sua vocação, tem que ser Dilma Rousseff – não existe possibilidade de acordo com o governador tucano, com quem Kassab disputou a prefeitura, com o apoio de Serra, em 2008. O único caminho para acordo seriam ambos se unirem em torno de uma candidatura Serra, o que é altamente improvável. Sem essa alternativa, o PSD deve caminhar em faixa própria lançando um candidato.

No resto do país, o partido já exerce sua vocação governista de maneira plena. Nos redutos dos governadores de partidos da base de apoio de Dilma, o PSD, na grande maioria, conseguiu unir, de forma conveniente, dois governismos, o estadual e o federal. O governador Jaques Wagner (PT) ajudou a formação do partido na Bahia; Marcelo Déda (PT), em Sergipe; Eduardo Campos (PSB), em Pernambuco e Cid Gomes (PSB) no Ceará. No Rio, o partido foi montado com a ajuda de um governador e um prefeito governistas no plano federal, Sérgio Cabral (PMDB) e Eduardo Paes (PMDB). No Maranhão, foi constituído na órbita de influência da governadora Roseana Sarney (PMDB). No Piauí, está ligado ao governador Wilson Martins (PSB); na Paraíba, ao governador Ricardo Coutinho (PSB).

No Rio Grande do Norte, que tem a única governadora do DEM, Rosalba Ciarlini, e no Pará, com o tucano Simão Jatene, ambos de oposição ao governo federal, o PSD nasce apoiando o governo do Estado e o governo federal, ao mesmo tempo. Em Santa Catarina, o próprio governador, Raimundo Colombo, aderiu ao novo partido. Segundo um dos organizadores da nova legenda, o PSD apenas sera oposição estadual, de fato, no Acre e no Amapá.

Os interesses nacionais do PSD, portanto, não credenciam Kassab a se comprometer com Serra além das fronteiras da capital paulista. Os interesses nacionais do PSDB não convergem para Serra. Este é o horizonte do adversário de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais do ano passado.



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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/09/26/fmi-quer-que-o-brasil-compre-portugal/

Caravana da Anistia julga processos no Recife

30.09.2011
Do BLOG DE JAMILDO, 
Postado por Helder Lopes 



Vinte e um pedidos de anistia de pernambucanos, entre eles o do músico Geraldo Azevedo, serão julgados na sexta-feira (30/9). É a realização da 51ª Caravana da Anistia, realizada pelo Ministério da Justiça em parceria com a Prefeitura do Recife, Governo do Estado, Ordem dos Advogados do Brasil/PE, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e o Movimento Tortura Nunca Mais, além de diversas organizações sociais. A sessão de apreciação dos pedidos de anistia acontece, a partir das 14h, na Assembléia Legislativa de Pernambuco. No estado, em outras duas Caravanas, foram julgados 54 processos, como os de Paulo Freire, Dom Hélder Câmara e de Miguel Arraes.

Geraldo Azevedo teve a música "Canção da despedida", composta em parceria com Geraldo Vandré, censurada em 1968. Foi preso em outubro de 1969 pela Marinha do Brasil e permaneceu detido até dezembro do mesmo ano. Foi preso novamente em 7 setembro de 1975 sendo levado ao DOI-CODI e libertado no dia 18 do mesmo mês. Relata que sofreu torturas nas duas vezes em que foi preso.

Além do pedido de anistia de Azevedo, outros dois processos se destacam: o de Francisco Julião e o de Theodomiro Romeiro dos Santos. Julião é advogado e jornalista, além de ter sido um dos fundadores das Ligas Camponesas, organização que lutava pela reforma agrária. Foi eleito deputado federal e teve seu mandato cassado por conta do Ato Institucional nº 1, em 1964. Foi preso no mesmo ano e após 18 meses teve o habeas corpus concedido pelo STF. Exilou-se no México e só retornou ao Brasil após 15 anos em virtude da Lei de Anistia 6.683/79.

 Santos, hoje juiz do Tribunal Regional do Trabalho de Pernambuco, foi preso em 27 de outubro de 1970 e condenado à morte pela Justiça Militar. Sua pena foi posteriormente convertida à prisão perpétua em 1971 e posteriormente para 18 anos. Em agosto de 1979, fugiu da penitenciária da Bahia e conseguiu asilo na Nunciatura Apostólica, onde obteve salvo-conduto para o exterior. Theodomiro Romeiro dos Antos regressou ao Brasil somente em 1985.

 Histórico – Nas 836 sessões de julgamento realizadas pela Comissão da Anistia até dezembro de 2010, foram apreciados 59.163 pedidos de anistia, 35% deles (21.138) indeferidos e 65% (38.025) deferidos, o que significa que o Estado fez um pedido oficial de desculpas pelas arbitrariedades cometidas durante o período da ditadura e que reconheceu formalmente as violações praticadas.

 Entre os deferimentos, em 64% (24.454) receberam a declaração de anistia e a restituição de direitos, tais como o tempo na prisão e no exílio considerados para fins de aposentadoria, o direito de registrar em cartório o nome do pai desaparecido político, o reconhecimento de títulos acadêmicos recebidos no exterior ou ao retorno a escola pública para a conclusão de estudos interrompidos pela situação de clandestinidade, e, eventualmente, reparação econômica.

 Outros 36% (13.571) foram também reparados economicamente nas duas modalidades previstas na Lei n.º 10.559: prestação mensal para aqueles que perderam vínculos laborais, e prestação única para as demais perseguições.

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Fonte:http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2011/09/30/caravana_da_anistia_julga_processos_no_recife_114368.php

DILSON PEIXOTO: Incentivos para o setor de transporte público, uma discussão sem fronteiras

30.09.2011
Por Dilson Peixoto *, Epti Transporte Intermunicipal



Barateamento do transporte público de passageiros. O tema é desafiador, especialmente quando se trata de uma realidade vivida por países em desenvolvimento, como o Brasil, onde de acordo com um recente estudo realizado pelo Ministério das Cidades, observou-se que o impacto da tributação atualmente aplicada corresponde a cerca de 28% do valor final das tarifas do transporte coletivo urbano.


E é justamente este o tema central das discussões que estão sendo realizadas, ao longo desta semana, em Santiago, no Chile, durante a 9ª Assembléia Divisão América Latina da União Internacional de Transporte Público (UITP), que terei a honra de presidir.  Em paralelo será realizado o seminário “Padrões e Financiamento de Sistemas de Transporte Público”, que entre os sub-temas trará a discussão mais detalhada sobre o Financiamento de transporte no mundo: como a América Latina pode alcançar tais mecanismos? Novos mecanismos de financiamento e financiamento por integração tarifária, contratos de operações privadas e uso do espaço urbano.


O debate acontece fora do território nacional, mas no Brasil – e Pernambuco de forma especial – a atenção de dezenas de pessoas, entre técnicos e especialistas do setor, parlamentares e representantes da sociedade civil em geral estão voltadas para esta discussão. Como presidente da Divisão América Latina da UITP e ex-presidente do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Transporte e Trânsito, ex-presidente do Grande Recife Consórcio de Transportes, ex-secretário das Cidades e hoje presidente da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), tenho participado e acompanhando o trabalho na busca pela implantação de um regime especial de incentivos para o transporte público coletivo.


Em 2001, teve inicio a discussão, na Câmara dos Deputados, com vistas à desoneração tributária para o setor. O tema evoluiu e surgiram vários Projetos de Lei – cujas propostas iam desde reduzir a zero as alíquotas da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE Combustíveis), da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre bens.


Tudo isso foi incorporado numa proposta única, o Substitutivo 310/2009, de autoria do deputado federal Carlos Zarattinni (PT/SP), que propõe a criação de um “Regime Especial de Incentivos para o Transporte Urbano de Passageiros”, consubstanciado na redução de alíquotas de tributos federais, chegando até a proposta de redução de alíquotas da 


Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre os veículos destinados ao transporte de passageiros, quando adquiridos por empresas prestadoras de serviços de transporte coletivo rodoviário urbano de passageiros, além de prever a redução ou extinção dos tributos de responsabilidade dos estados e municípios (ICMS, ISS). A matéria prevê ainda a obrigatoriedade de implantação de sistema de bilhetagem eletrônica e integração entre modais.


Este projeto de lei foi aprovado por unanimidade na Câmara dos Deputados e hoje, aguarda parecer da Comissão de Serviços e Infra-Estrutura do Senado Federal e votação do Plenário. O PL 310/2009 representa um grande avanço nas discussões em torno da implantação de incentivos reais e eficientes para o setor. Para se ter uma ideia da importância do tema, destaco um dado revelado por um levantamento realizado pelo Ministério das Cidades, em 2004. Segundo o estudo, já naquele ano, para usar duas vezes o transporte público diariamente por um período de 25 dias, um cidadão brasileiro gastava, em média, 30% do salário mínimo.


A frente do Grande Recife Consórcio de Transporte, pude acompanhar de perto as dificuldades vividas diante da ausência de incentivos para o transporte público de passageiros. E sem este mecanismo, como ampliar a qualidade e a capilaridade do sistema? É evidente que passos importantes foram dados, a exemplo da ampliação do Sistema Estrutural Integrado (SEI), com a construção de novos terminais; a renovação da frota, a implantação de um moderno sistema de bilhetagem eletrônica e o planejamento de corredores exclusivos para os coletivos. 


Mas os desafios, inclusive do ponto de vista intermunicipal, são muitos ainda. E para que os avanços continuem, o Brasil precisa da aprovação do PLC 310/2009 e de outros que tenham como objetivo levar benefícios para o transporte público, serviço essencial á população e cada vez mais tema de preocupações e cobranças mundiais.


Com a implantação da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal – que desde o último mês de julho sucedeu o Departamento de Estradas de Rodagem de Pernambuco (DER/PE), o governo estadual está atento para ampliar esta discussão para o sistema de transporte intermunicipal. 


Sistema este que receberá, ao longo dos próximos meses, uma série de investimentos na recuperação de terminais rodoviários, na implantação de novas tecnologias e na adoção de uma nova forma de gestão, moderna e interligada com a realidade econômica e social vivenciada pelo Estado.

Dilson Peixoto é presidente da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal, presidente da União Internacional de Transporte Público/Divisão da América Latina e membro do Comitê Executivo da ANTP (Associação Nacional de Transporte Público).

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Fonte:Por amigo, via email

BLOG MOBILIDADE URBANA:Seguro de moto é mais caro. Porque será?Por Tânia Passos

30.09.2011
Do blog MOBILIDADE URBANA
Por Tânia Passos



Mário Cabral já chegou a ficar seis meses sem pagar o seguro
Um dos termômetros para medir o tamanho dos acidentes no trânsito pode ser verificado no pagamento do seguro obrigatório (DPVAT). As motos respondem no estado por  60,8% do pagamento dos sinistros.
Não por acaso, é um dos seguros mais caros. De 2004 a 2011, o valor do seguro de moto passou de R$ 82,77 para R$ 279,27. O problema é a inadimplência. E para reverter isso, uma opção será o parcelamento. Acompanhe na reportagem de Rosa Falcão, da Editoria de Economia.
Diario de Pernambuco
Por Rosa Falcão
O seguro obrigatório (DPVAT) das motocicletas poderá ser parcelado em três vezes para diminuir a inadimplência. Pelas regras atuais, os proprietários de motos com até 150 cilindradas pagam de uma única vez as taxas de licenciamento.
O DPVAT de motos custa R$ 279,27 e o de veículos é menos da metade e sai por R$ 101,16. A proposta de decreto legislativo federal já está na gaveta do ministro da Fazenda, Guido Mantega. A
o mesmo tempo, o governo pernambucano estuda o perdão da dívida do IPVA das motos para estimular a regularização da frota. O calote provoca uma perda de R$ 102 milhões/ano de DPVAT e de R$ 28 milhões/ano do IPVA no estado.
A frota de motos de até 150 cc que paga imposto no estado é de 663.420. Destes, 313.021 estão quites e 350.399 circulam irregulares e sem pagar o licenciamento. Os proprietários de motocicletas de 50 cilindradas (cinquentinha) são isentos dos tributos.
Simulação da Secretaria Estadual de Fazenda mostra que o peso maior na regularização da moto fica com o DPVAT (64%). Em segundo lugar vem o IPVA (18%), a taxa de licenciamento (14%) e a taxa de bombeiros (4%). O custo total sai hoje por R$ 438,44.
Uma pancada de uma só vez no bolso do motociclista. Mario Cabral, 29 anos, é representante comercial e usa a moto para trabalhar. “O licenciamento é muito alto para os buracos que têm nas ruas. A gente tem que se virar nos 30 para pagar.” Mario conta que já ficou inadimplente seis meses e depois passou a moto adiante.
O motorista Alexandre Gonçalves da Silva, 34 anos, comprou a moto há uma semana. Ele reclama que pagou mais de R$ 400 para emplacar o veículo no Detran. “Só o seguro obrigatório é um absurdo. A gente se aperta muito para pagar de uma só vez.” Alexandre acha que as pessoas deixam de pagar o licenciamento no Detran porque as taxas são muito caras. Ele cita o exemplo de um motoboy que ganha por mês R$ 600 e paga R$ 400 de emplacamento.
A Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão federal responsável pelo seguro obrigatório de veículos (DPVAT), evitou comentar a proposta do parcelamento. Em 2010, foram arrecadados no país R$ 5,7 bilhões do DPVAT da frota de veículos e motos, e pagos R$ 2,2 bilhões de indenizações por morte, invalidez permanente e reembolso de despesas hospitalares. Os dados são da Seguradora Líder dos consórcios do Seguro DPVAT, que também não comentou a mudança nas regras do seguro.

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Fonte:http://blogs.diariodepernambuco.com.br/mobilidadeurbana/index.php/2011/09/seguro-de-moto-e-mais-caro-porque-sera/

A elite miserável não vê, mas raríssimos doutores possuem a educação de Lula

30.09.2011
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 29.09.11


A elite miserável brasileira prefere insistir que a maior liderança da democracia das Américas nunca passou num vestibular, nem, o que é pior, defendeu tese recheada de citações dos teóricos em vigor
A elite patriarcal brasileira está indignada, enquanto Lula discursa ao ser nomeado doutor honoris causa
No dia em que Lula recebeu o título de doutor honoris causa na França, o diretor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, Ruchard Descoings, chamou a imprensa para uma coletiva. É claro que jornalistas do Brasil não poderiam faltar, porque se tratava de um ilustre brasileiro a receber a honra, pois não? Pois sim, deem uma olhada no que escreveu Martín Granovsky, um argentino que honra a profissão, no jornal Página 12. Para dizer o mínimo, a participação de “nossos” patrícios foi de encher de vergonha. Seleciono alguns momentos do brilhante artigo de Martín,  Escravistas contra Lula:

Leia também:

Para escutar Descoings foram chamados vários colegas brasileiros... Um deles perguntou se era o caso de premiar quem se orgulhava de nunca ter lido um livro. O professor manteve sua calma e deu um olhar de assombrado. Talvez Descoings soubesse que essa declaração de Lula não consta em atas, embora seja certo que Lula não tenha um título universitário. Também é certo que quando assumiu a presidência, em primeiro de janeiro de 2003, levantou o diploma que é dado aos presidentes do Brasil e disse: ‘Uma pena que minha mãe morreu. Ela sempre quis que eu tivesse um diploma e nunca imaginou que o primeiro seria de presidente da República’. E chorou.

‘Por que premiam um presidente que tolerou a corrupção?’, foi a pergunta seguinte. Outro colega brasileiro perguntou se era bom premiar alguém que uma vez chamou de ‘irmão’ a Muamar Khadafi. Outro, ainda, perguntou com ironia se o Honoris Causa de Lula era parte da política de ação afirmativa do Sciences Po.

Descoings o observou com atenção antes de responder. ‘As elites não são apenas escolares ou sociais’, disse. ‘Os que avaliam quem são os melhores, também. Caso contrário, estaríamos diante de um caso de elitismo social. Lula é um torneiro mecânico que chegou à presidência, mas pelo que entendi foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas’ ”.

Houve todas essas intervenções estúpidas e deprimentes. Agora, penso que cabem duas ou três coisas para  reflexão. A primeira delas é a educação de Lula. Esse homem, chamado mais de uma vez pela imprensa brasileira de apedeuta, quando o queriam chamar, de modo mais simples, de analfabeto, burro, jumento nordestino, possui uma educação que raros ou nenhum doutor possui. Se os nossos chefes de redação lessem alguma coisa além das orelhas dos livros da moda, saberiam de um pedagogo de nome Paulo Freire, que iluminou o mundo ao observar que o homem do povo é culto, até mesmo quando não sabe ler. Um escândalo, já veem. Mas esse ainda não é o ponto. Nem vem ao caso citar Máximo Górki em Minhas Universidades, quando narrou o conhecimento que recebeu da vida mais rude.

Fiquemos na educação de Lula, este é o ponto. Será que a miserável elite do Brasil não percebe que o ex-presidente se formou nas lutas e relações sindicais? Será que não notam a fecundação que ele recebeu de intelectuais de esquerda em seu espírito de homem combativo? Não, não sabem e nem veem que a presidência de imenso sindicato de metalúrgicos é uma universidade política, digna dos mais estudiosos doutores. Preferem insistir que a maior liderança da democracia das Américas nunca passou num vestibular, nem, o que é pior, defendeu tese recheada de citações dos teóricos em vigor. Preferem testar essa criação brasileira como se falassem a um estudante em provas. Como nesta passagem, lembrada por Lula em discurso:   

"Me lembro, como se fosse hoje, quando eu estava almoçando na Folha de São Paulo.  O diretor da Folha de São Paulo perguntou pra mim: ‘O senhor fala inglês? Como é que o senhor vai governar o Brasil se o senhor não fala inglês?’... E eu falei pra ele: alguém já perguntou se Bill Clinton fala português? Eles achavam que o Bill Clinton não tinha obrigação de falar português!... Era eu, o subalterno, o colonizado, que tinha que falar inglês, e não Bill Clinton o português!’  

Leia mais:

O jornalista argentino Martín Granovsky observa ao fim que um trabalhador não poderia ser presidente. Que no Brasil a Casa Grande sempre esteve reservada para os proprietários de terra e de escravos. Que dirá a ocupação do Palácio do Planalto. Lembro que diziam, na primeira campanha de Lula para a presidência, que dona Marisa estava apreensiva, porque não sabia como varrer um palácio tão grande....Imaginem agora o ex-servo, depois de sentar a bunda por duas vezes no Planalto, virar Doutor na França. O mundo vai acabar.


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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2011/09/elite-miseravel-nao-ve-mas-rarissimos.html

Campanha publicitária promete chocar para reduzir acidentes com motos

30.09.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Por Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
Com informações da repórter Ana Cláudia Dolores



A partir da próxima segunda-feira, três peças públicitárias vão chocar pelas imagens e pelo alerta que elas passam. Elas fazem parte da campanha da política estadual de prevenção aos acidentes de moto, lançada esta manhã pelo governador Eduardo Campos. A meta é reduzir em 6,7% o número de acidentes por ano.
Ao todo serão investidos R4 18 milhões em ações de educação, orientação, fiscalização e saúde nos próximos 12 meses para abater uma problemática que, no ano passado causou 602 mortes.
"Temos uma situação que precisa de um olhar integrado do poder público para dar uma resposta à socieade e segurança efetiva para quem usa moto. Observamos campanhas feitas em outros países que mostraram que ou a gente faz assim ou não chama atenção e puxa para o debate que precisa ser travado. Trinta por cento dos leitos emergências do estado estão ocupados por vítimas de acidenets com moto. É uma epidemia", disse o governador, no Palácio do Campo das Princesas.
Na área de saúde, os hospitais vão ampliar as salas vermelhas, utilizadas para receber pacientes em estado grave. O projeto visa ainda capacitar 576 profissionais das Unidades de Pronto Atendimento (Upas). A fiscalização será mais dura, na realização de teste de alcoolemia e no uso de equipamentos de segurança obrigatórios. 

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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/nota.asp?materia=20110930150831

Atores de Hoje defendem que crimes da ditadura não caiam no esquecimento

30.09.2011
Da Agência Brasil, 29.09.11
Por Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil



Brasília - Em meio à discussão no Congresso Nacional sobre a criação da Comissão da Verdade, um dos pontos polêmicos do Plano Nacional de Direitos Humanos, o filme Hoje, de Tata Amaral, defende a necessidade de "não esquecer" os crimes ocorridos durante a ditadura militar. O longa-metragem, que chegará às telas no próximo ano, será exibido hoje (29) no 44º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
A Comissão da Verdade foi aprovada na Câmara no último dia 21 e está no Senado aguardando para ser votada. Grupos que apoiaram a ditadura classificaram como "revanchismo" a iniciativa, proposta no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O filme vai na direção contrária. O longa-metragem lança luz sobre o que se passou nos porões da ditadura para que o país possa debater e cicatrizar as feridas dos passado. Tudo isso tratado em um espaço íntimo de um apartamento.
A atriz Denise Fraga vive o papel de Vera, uma ex-militante política, no filme. Em entrevista à Agência Brasil, ela defendeu a necessidade de se lembrar do passado. Para a atriz, não se deve ficar remoendo o passado, mas também não dá para esquecer as atrocidades da ditadura. “Não dá para simplesmente fechar o baú. Além disso, é necessário ter acesso à história. Não dá para trancar a história, ter um parente desaparecido e não ter direito de saber o que aconteceu com ele.”
Denise Fraga disse que Vera, pela profusão de sentimentos, foi uma das personagens mais complexas que já interpretou. "Talvez seja a mais complexa personagem que eu tenha feito. É um filme cheio de camadas de sentimentos. Vera é uma ex-militante política, que passou por tortura, teve o marido desaparecido e está tentando se refazer. O filme ajuda a gente a ver, rever e pensar sobre as pessoas que passaram por esse período [a ditadura].”
O ator uruguaio Cesar Troncoso, de O Banheiro do Papa, também participou do filme Hoje. Ela conta que em seu país ainda paira a mesma falta de acesso a informações sobre os crimes da ditadura militar.
Na sua opinião, Hoje não estimula a remoer o passado, mas oferece uma oportunidade de "construir um futuro" sem os mesmos erros. "Quando há uma coisa terrível em sua vida, não dá para esquecê-la. Lembrar não significa olhar para trás e sim olhar adiante. Eu tenho uma filha de 13 anos. Quando ela tiver 20 anos, as pessoas podem querer repetir o que já foi feito e ela precisará saber o que não se pode aceitar"
.
Troncoso deu uma interpretação introspectiva à sua personagem no filme. Recorreu poucas às palavras, mas com uma expressividade que passa o peso do sofrimento de quem foi torturado.
"Para mim a importância das coisas está no olhar, está no silêncio", destacou Troncoso. "O silêncio tem a possibilidade de ser uma coisa muito pesada. Um filme como Hoje que tem tanta sensibilidade, tem muita coisa que não são ditas, mas estão ali. Não sei se isso vai ser dito no filme, espero que sim. É um filme de olhares.”
Edição: João Carlos Rodrigues

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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-09-29/atores-de-hoje-defendem-que-crimes-da-ditadura-nao-caiam-no-esquecimento