quinta-feira, 30 de junho de 2011

Barões da mídia querem pairar acima das leis

30.06.2011
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

A quem você daria o direito de pairar acima das leis em nome da profissão que exerce? A padres, médicos, jornalistas…? Acima dessa, eis a grande questão: é legal, moral e racional dar a um segmento profissional ou social ou ideológico ou religioso o direito de não cumprir leis que valem para todo o resto da sociedade sem que tal privilégio sequer conste da lei?
Acredite ou não, leitor, alguns dos que exploram a baratíssima mão-de-obra jornalística em um mercado oligopolizado pretendem que seus empregados não se submetam a leis que valem para todos os que não integram tal categoria. Repito: apesar de o objeto dessa prevalência ser o jornalista, quem quer colocá-lo acima das leis são os que exploram o seu trabalho.
Claro que esse poder que grandes empregadores do jornalismo pretendem que seja dado aos seus empregados não inclui desafiarem os patrões. Quando estão fora da área de influência desse grupelho de empresas familiares que exploram a comunicação no país os jornalistas vêem-se ignorados, isso quando não lhes roubam matérias que publicam na internet usando-as sem lhes dar o crédito.
Matéria da Folha de São Paulo desta quinta-feira 30 de junho revela comportamento espantoso da imprensa e faz uma denúncia que não pretendeu fazer. Peço ao leitor que examine o texto cuidadosamente e veja se capta, sem maior explicação, não só o absurdo da pretensão dos barões da mídia de pairarem acima da lei, mas outra ação ilegal de um jornalista ali relatada.
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FOLHA DE SÃO PAULO
30 de junho de 2011
PF acusa repórter de publicar dado sigiloso
Segundo procurador, jornalista prejudicou investigação ao divulgar informações preservadas por segredo de Justiça
Repórter se negou a revelar fonte de dados e foi indiciado; entidades de imprensa como a ANJ repudiaram o episódio
NATÁLIA CANCIAN
DE SÃO PAULO
A Polícia Federal indiciou um jornalista de São José do Rio Preto (SP) sob suspeita de divulgar informações preservadas por segredo de Justiça.
Allan de Abreu, repórter do “Diário da Região”, foi indiciado após publicar duas reportagens com dados obtidos por meio de escutas telefônicas feitas pela polícia na Operação Tamburutaca.
A operação investiga um esquema de corrupção de fiscais do Ministério do Trabalho suspeitos de exigir propina para livrar empresários de multas trabalhistas.
Segundo o repórter, no dia seguinte à primeira publicação, o procurador da República Álvaro Stipp o chamou e questionou quem havia passado as informações para o jornal. Abreu diz que se negou a revelar a fonte, apesar da insistência do procurador.
Após uma segunda reportagem, o procurador pediu abertura de inquérito para investigar o vazamento das informações e solicitou o indiciamento do jornalista.
Para Stipp, o repórter descumpriu a lei 9.296, de 1996, que considera crime “quebrar segredo de Justiça sem autorização judicial”.
“Pegou de surpresa”, disse Allan de Abreu: “Essa prática [de divulgar informações sob segredo de Justiça] eu já fiz antes em duas ocasiões e nunca aconteceu nada. E não lembro de ter acontecido com alguém. Jamais esperava isso, sobretudo de um procurador, a quem cabe zelar para liberdade de imprensa”.
Stipp diz que a lei vale para qualquer pessoa que divulgar a informação e que o repórter não tem “imunidade” por ser jornalista. “Em uma democracia, temos que respeitar as instituições. Se o Judiciário diz que está em sigilo de Justiça, está em sigilo de Justiça e ponto.”
Ele afirma que também pediu o indiciamento do editor-chefe do “Diário da Região”. Segundo o procurador, a divulgação prejudicou as investigações: uma das pessoas citadas nas escutas divulgadas, e que poderia servir como testemunha, sumiu.
Stipp diz que não é contra o repórter ter tido acesso aos dados, mas por ter divulgado uma parte do processo.
O delegado da PF José Eduardo Pereira de Paula diz que só indiciou o repórter por ordem do procurador. “Estou dentro de um sistema. Não é minha vontade que prevalece”. O repórter responderá formalmente pelo caso e pode ser denunciado à Justiça.
Se for aberto processo contra ele, pode ser multado e condenado a até quatro anos de reclusão. Abreu pediu liminar para anular o indiciamento. A Associação Nacional de Jornais e a Associação Brasileira de Imprensa repudiaram o seu indiciamento.
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Esse embate dos barões da mídia (as famílias donas de Globo, Folha, Veja e Estadão) com a Justiça já vem de longe. Antes desse, o último caso foi o da “censura” que o Estadão anuncia todo dia que está sofrendo porque foi proibido por essa mesma Justiça de divulgar dados de investigação sigilosa envolvendo o filho de José Sarney.
O fato é que a lei diz que não se pode divulgar detalhes de certas investigações até para não atrapalhar seu curso, como fica expresso na reportagem. Há uma lei com número e data de promulgação que sustenta a decisão da Justiça, mas os barões da mídia não querem aceitá-la.
Veja este trecho da reportagem acima:
Para Stipp, o repórter descumpriu a lei 9.296, de 1996, que considera crime “quebrar segredo de Justiça sem autorização judicial”
Como assim, “para Stipp”? É ou não é? A lei diz ou não que é crime “Quebrar segredo de Justiça”? Todavia, a reportagem deixa dúvida sobre aquilo que não tem dúvida, a letra fria da lei que protege investigações sigilosas da Justiça em benefício de seu êxito, que, por certo, interessa a toda a sociedade, sobretudo em um caso como o de corrupção de fiscais do trabalho.
A reportagem pode dar a impressão de que vige esse tratamento equânime da lei em relação a todos. Infelizmente, não é assim. Tenho uma historinha para contar ao leitor.
Ano passado, quando entrevistei o então presidente Lula (em 24 de novembro, no Palácio do Planalto), perguntei-lhe se poderia contribuir para fazer avançar representação que a ONG Movimento dos Sem Mídia impetrou em 2008 no Ministério Público Federal.
A representação acusava toda a grande mídia por “crime de alarma social” no caso do surto de febre amarela naquele ano. Por conta de alarmismo da mídia, ao fim de janeiro de 2008 havia mais gente internada devido à vacina de febre amarela do que pela doença propriamente dita. Morreu um número inédito de pessoas por reação adversa à vacina.
O então presidente Lula, quando o entrevistei, recebeu de mim uma pasta com o processo e me prometeu que cuidaria pessoalmente do caso. Todavia, sua disposição foi frustrada porque eu mesmo não me dera conta de um fato: com a extinção da Lei de Imprensa, foi extinto o crime de alarma social que figurava na regulamentação de tal lei.
O que é “alarma social”?, perguntará você. É simples: se eu entrar na estação Sé do metrô de São Paulo – a mais congestionada do mundo – às seis da tarde, no horário de pico, e começar a gritar “BOMBA! BOMBA!”, é bem provável que muita gente morra pisoteada. Só quem nunca viu o que é aquilo, nesse horário, poderá duvidar. Fazer isso, portanto, seria provocar pânico.
Deveria ser proibido causar pânico tanto quanto mais poder de causá-lo alguém tivesse. Se com minha voz consigo atingir mil pessoas, aquele que tem algum meio de se comunicar com milhões deve ser mais penalizado do que eu. Até porque recebe dinheiro público para se comunicar, por exemplo via publicidade oficial.
No entanto, inexiste, hoje, uma lei de imprensa no Brasil. E por que deveria haver uma lei de imprensa? Ora, porque o poder da imprensa é maior do que o do cidadão comum e porque a imprensa é composta por empresas privadas, controladas por cidadãos que adquirem um poder maior de se comunicar e que, portanto, também devem ter maiores responsabilidades.
Para concluir, note que a regulamentação da atividade jornalística pelos grandes meios de comunicação de massa, a imprensa, é mais um ponto em que o atual governo anda de lado ao não propor, não cobrar, não debater. Chegamos ao oitavo ano do governo Lula com menos leis do que no primeiro por conta da extinção da lei de imprensa, e parece que nada irá mudar.
Mas, enfim, você adivinhou qual é a ilegalidade que a reportagem da Folha relata? Notou que o repórter que violou o segredo de Justiça dessa investigação que a matéria cita confessou que fez isso outras vezes impunemente? Por que, antes, ninguém o indiciou por violar a lei? Quem deixou de indiciá-lo? Que investigação sigilosa foi violada? Que efeitos a violação produziu?

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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/06/baroes-da-midia-querem-pairar-acima-das-leis/

Pernambuco é o local com maior número de placas de advertência contra ataques de tubarão

30.06.2011
Do BLOG DE JAMILDO
Postado por Ana Laura Farias


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Por Ana Laura Farias, do Blog de Jamildo

O presidente do Comitê Estadual de Monitoramento dos Incidentes com Tubarões (Cemit), Fábio Azin, acredita que Pernambuco tem um bom número de placas de advertência contra ataques de tubarão.  "Nós fizemos um estudo que diz que Pernambuco é o local de todo o mundo com maior número de placas (aproximadamente cem). O segundo colocado, a Flórida, não tem nem metade disso", comenta. 

"Mas não adianta nada encher de placas se as pessoas não tiverem consciência do risco. O problema é que quando os ataques diminuem, as pessoas baixam a guarda e parece que simplesmente esquecem do que pode ocorrer", comenta. 

Azin considera 2011 um ano de "grande risco potencial" para ataques de tubarão, por causa da forte incidência de chuvas nos meses de abril e maio. Segundo o engenheiro, o alto índice de chuvas provoca, indiretamente, um aumento no número de poluentes, aumentando o risco de ataques.

O surfista Marlisson Danilo Lima de França, de 21 anos, foi atacado por um tubarão nessa quarta (29) na praia de Brasília Teimosa, em Recife. 

Este foi o 54º ataque de tubarão registrado em Pernambuco. O último antes do incidente de hoje havia ocorrido no dia 7 de setembro de 2009, em Piedade, Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife.
LEIA MAIS
» Depois de ataque de tubarão, surfistas abandonam orla no Pina e em Brasília Teimosa.
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Fonte:http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2011/06/30/pernambuco_e_o_local_com_maior_numero_de_placas_de_advertencia_contra_ataques_de_tubarao_105239.php

Validade das carteiras de estudante de 2010 termina hoje

30.06.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Por Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR

As carteiras de estudante de 2010 valem somente até hoje para alunos do ensino médio, fundamental e de cursinhos pré-vestibulares . Imagem: Juliana Leitão/DP/D.A Press/Arquivo
Juliana Leitão/DP/D.A Press/Arquivo

O prazo de validade das carteiras de estudante de 2010 termina nesta quinta-feira (30) para os alunos do ensino médio, fundamental e de cursinhos pré-vestibulares de toda a Região Metropolitana do Recife. A partir desta sexta-feira (1º) só serão aceitos nas 385 linhas que operam na RMR os documentos confeccionados em 2011.

Originalmente, o prazo de validade da versão 2010 do documento seria encerrado no dia 31 de março, mas foi prorrogado, pois apenas 105 mil carteiras tinham sido solicitadas na época. Até o momento, cerca 267 mil carteiras já foram entregues às escolas e outras 25 mil estão prontas aguardando o resgate.

O restante, cerca de 50 mil carteiras, está em fase de confecção pelo Grande Recife Consórcio de Transporte e, até o dia 30 de junho irão estar à disposição das instituições de ensino.

O Grande Recife está recebendo os requerimentos da carteira estudante das escolas até 30 de setembro. Outras informações: www.granderecife.pe.gov.br ou  0800-0810158.
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/vidaurbana/nota.asp?materia=20110630071456




Brasileiros são barrados também por preconceito

30.06.2011
Da FOLHA DE PERNAMBUCO


PASSAGEIROS do Brasil são imigrantes em potencial, segundo diplomata
PASSAGEIROS do Brasil são imigrantes em potencial, segundo diplomata
ABR - O preconceito, aliado à inflexibilidade nas regras e à injustiça, assim como o desconhecimento e a desinformação são os principais motivos que levam os brasileiros a ser impedidos de entrar em vários países da Europa. A análise é da diretora do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior do Itamaraty, Maria Luiza Ribeiro Lopes da Silva. “Há relatos de brasileiros que tentaram comprovar que tinham dinheiro e que iam ficar hospedados em hotel, portanto que eram turistas ou viajantes, mas as autoridades estrangeiras não aceitaram os argumentos”, disse ela.

Segundo Maria Luiza, o brasileiro, assim como outros grupos procedentes de países da África e da América Latina, tornou-se um imigrante em potencial para os europeus. “Sem informações adequadas e alvo de restrições já estabelecidas, o brasileiro sofre quando chega ao exterior”, acrescentou a diplomata. Na tentativa de reduzir as tensões, os diplomatas resolveram fazer uma campanha externa, com o apoio dos consulados e dos governos europeus e norte-americano, e interna, com a ajuda de autoridades locais.

Em Minas Gerais, houve reuniões nas cidades de Governador Valadares, Ipatinga e na capital, Belo Horizonte, de onde muitos saem em busca de oportunidades nos EUA e na Europa. Os funcionários do Departamento Consular do Itamaraty foram também a Macapá, no Amapá, e a Belém, no Pará, além de Goiânia.

Nos próximos dias, as reuniões ocorrerão em Criciúma, em Santa Catarina, e Porto Velho, em Roraima, por cau­sa das informações de brasileiros atraídos para atividades informais nos Estados Unidos e na Europa. “O objetivo das reuniões é esclarecer sobre o que ocorre em outros países e como evitar constrangimentos”, disse Maria Luiza.

Antes de viajar, quem vai para a Europa precisar estar com os documentos em dia, como o passaporte, visto e vacinas. Também deve checar as passagens para a viagem, assim como a reserva em hotéis ou, no caso de congressos, a carta-convite. É fundamental ainda que o viajante comprove dispor de no mínimo 60 euros por dia. Outras informações podem ser obtidas no site www.portal­consular.mre.gov.br.

A diretora advertiu que não basta estar com o passaporte e os documentos de entrada organizados. “Infelizmente, há uma ilusão que a falta de visto para ingresso em países europeus facilita tudo, não é verdade. Definitivamente os imigrantes em potencial são impedidos de entrar em determinados locais”, disse ela. Só em 2009, foi vetada a entrada de cerca de três mil brasileiros na Inglaterra, 1,7 mil na Espanha e aproximadamente mil em Portugal.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-planeta/467539-brasileiros-sao-barrados-tambem-por-preconceito

PF indicia repórter por publicar dado sigiloso da Justiça

30.06.2011
Do BLOG DA FOLHA 
Postado por Valdecarlos Alves
Da Folha.com

A Polícia Federal indiciou um jornalista de São José do Rio Preto (SP) sob suspeita de divulgar informações preservadas por segredo de Justiça. Allan de Abreu, repórter do "Diário da Região", foi indiciado após publicar duas reportagens com dados obtidos por meio de escutas telefônicas feitas pela polícia na Operação Tamburutaca. A operação investiga um esquema de corrupção de fiscais do Ministério do Trabalho suspeitos de exigir propina para livrar empresários de multas trabalhistas. Segundo o repórter, no dia seguinte à primeira publicação, o procurador da República Álvaro Stipp o chamou e questionou quem havia passado as informações para o jornal. Abreu diz que se negou a revelar a fonte, apesar da insistência do procurador. 
Após uma segunda reportagem, o procurador pediu abertura de inquérito para investigar o vazamento das informações e solicitou o indiciamento do jornalista. Para Stipp, o repórter descumpriu a lei 9.296, de 1996, que considera crime "quebrar segredo de Justiça sem autorização judicial". Stipp diz que fez o pedido ao entender que a lei vale para qualquer pessoa que divulgar a informação e que o repórter não tem "imunidade" por ser jornalista. "Em uma democracia, temos que respeitar as instituições. Se o Judiciário diz que está em sigilo de Justiça, está em sigilo de Justiça e ponto." 

Ele afirma que também pediu o indiciamento do editor-chefe do "Diário da Região". De acordo com o procurador, a divulgação prejudicou as investigações. Segundo ele, uma das pessoas citadas nas escutas divulgadas e que poderia servir como testemunha "sumiu". Stipp diz que não é contra o repórter ter tido acesso às informações, mas ao fato de ele ter divulgado cópias de uma parte do processo.O delegado da PF José Eduardo Pereira de Paula diz que só indiciou o repórter para cumprir ordens do procurador. "Estou dentro de um sistema. Não é minha vontade que prevalece." 

O repórter responderá formalmente pelo caso e pode ser denunciado à Justiça. Se for aberto processo contra ele, pode ser multado e condenado a até quatro anos de reclusão. O jornalista diz que entrou com pedido de liminar na Justiça para anular seu indiciamento. A ANJ (Associação Nacional de Jornais) e a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) repudiaram o indiciamento do repórter.
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Fonte:http://www.blogdafolha.com.br/index.php/materias/21851-pf-indicia-reporter-por-publicar-dado-sigiloso-da-justica


“Dilma não participou de ação armada”

30.06.2011
Da FOLHA DE PERNAMBUCO


A partir da próxima segunda-feira até sexta, os finais dos capítulos da novela “Amor e Revolução”, do SBT, apresentará cinco depoimentos de Carlos Augusto, ex-marido da presidente da República, Dilma Rousseff (PT), falando sobre a história dela no perído da Ditadura Militar. A ideia inicial era de que ele aparecesse em apenas um dia, mas a riqueza de informações levou a direção da novela a dividir a fala em cinco blocos. Carlos conta como foi a sua participação no combate ao regime junto com a ex-mulher, inclusive do roubo do cofre de Adhemar de Barros. Ele detalha como foi preso, a tortura sofrida por Dilma e garante que a presidente não participou de qualquer ação armada da organização chamada Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares).

Relação com Dilma
Capítulo 65 (4 de julho)

Eu tenho muito orgulho de ser companheiro da Dilma. Sempre nos identificamos. O nosso bom companheirismo persiste até hoje. Eu sempre fui advogado de gente pobre. Sempre fui uma pessoa de esquerda. Com a ditadura não vi outra saída a não ser partir para a luta armada. Formamos uma organização chamada Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), e praticávamos ações de desapropriação de bancos. Buscávamos dinheiro no banco para comprar armas. Também fizemos algumas ações em quartéis para pegar armas. Praticamos ações sociais também: pegávamos caminhões de carne na baixada fluminense e distribuíamos em favelas.

Prisão de Dilma
Capítulo 66 (5 de julho)

A Dilma foi presa em frente ao Jornal O Estado de S. Paulo. Como todos os demais, foi torturada na Oban (Operação Bandeirante). Ela foi condenada por três anos e cumpriu toda a pena... A Dilma sente muito orgulho do que fez! Ela não ficou com sequelas. Felizmente. Ela entrou na cadeia nova e saiu nova... Não deixa de ser uma ironia... Eu moro aqui nessa casa na beira do rio em frente à Ilha do Presídio (Porto Alegre), onde fiquei preso por quase um ano.

Cofre de Adhemar
Capítulo 67 (6 de julho)

Conforme aumentava o número de clandestinos, de pessoas procuradas, tínhamos que planejar ações em bancos e pegar dinheiro para sustentar o pessoal. O Adhemar de Barros tinha o monopólio do jogo do bicho no Rio de Janeiro; não era só São Paulo. Tínhamos a informação de que o dinheiro do jogo do bicho era recolhido mensalmente e levado para a casa de Dona Ana Capriglione, no bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, e depois mandado para o exterior. Soubemos disso, fomos lá e pegamos o cofre. Naquela épo­ca tinha aproximadamente US$ 2 milhões. O mais interessante é que Dona Ana nunca pôde denunciar nenhum companheiro. Ela sempre negava o roubo. Então, ninguém foi denunciado processualmente por essa ação. É como se não tivesse existido. Dona Ana não podia denunciar... Como ela justificaria o dinheiro?

Tentativa de suicídio
Capítulo 68 (7 de julho)

Fui pego em São Paulo e me levaram para o Dops. Fui torturado violentamente! Durante o processo de tortura tomei uma decisão: a de me matar. Durante um depoimento eu menti, e disse que tinha um encontro marcado com o Lamarca no dia seguinte pela manhã. Escolhi um lugar que era fácil para me matar: uma avenida da Lapa (Bairro de São Paulo) que passava carros em altíssima velocidade. Eu havia decidido me jogar. E foi o que aconteceu comigo: eu me atirei embaixo de uma Kombi e fiquei bastante ferido. Fiquei no hospital, mas depois de um tempo voltei para a tortura na Operação Bandeirante (Oban).

Ações armadas
Capítulo 69 (8 de julho)

Dilma não participou de ação nenhuma. Não existe nenhum processo. Ela não participou de nenhuma ação armada porque não era o setor dela. Ela atuava em outros setores. Nos orgulhamos do que fizemos, mas isso não quer dizer que somos desprovidos de uma visão crítica. Tínhamos uma vi­são idealista que entrava em choque com a realidade. Mas não renunciamos nada; te­mos orgulho do que fizemos. Mesmo agindo incorretamente, às vezes.
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Fonte: http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-politica/647500-dilma-nao-participou-de-acao-armada

O que a mídia não falou sobre Paulo Renato

30.06.2011
Do blog de Altamiro Borges
Por Idelber Avelar, no sítio da Revista Fórum:

Morreu de infarto, no último dia 25, aos 65 anos, Paulo Renato Souza, fundador do PSDB. Paulo Renato foi Ministro da Educação no governo FHC, Deputado Federal pelo PSDB paulista, Secretário da Educação de São Paulo no governo José Serra e lobista de grupos privados. Exerceu outras atividades menos noticiadas pela mídia brasileira.

Nas hagiografias de Paulo Renato publicadas nos últimos dois dias, faltaram alguns detalhes. A Folha de São Paulo escalou Eliane Cantanhêde para dizer que Paulo Renato deixou um “legado e tanto” como Ministro da Educação. Esqueceu-se de dizer que esse “legado” incluiu o maior êxodo de pesquisadores da história do Brasil, nem uma única universidade ou escola técnica federal criada, nem um único aumento salarial para professores, congelamento do valor e redução do número de bolsas de pesquisa, uma onda de massivas aposentadorias precoces (causadas por medidas que retiravam direitos adquiridos dos docentes), a proliferação do “professor substituto” com salário de R$400,00 e um sucateamento que impôs às universidades federais penúria que lhes impedia até mesmo de pagar contas de luz. No blog de Cynthia Semíramis, é possível ler depoimentos às dezenas sobre o que era a universidade brasileira nos anos 90.


Ainda na Folha de São Paulo, Gilberto Dimenstein lamentou que o tucanato não tenha seguido a sugestão de Paulo Renato Souza de “lançar uma campanha publicitária falando dos programas de complementação de renda”. Dimenstein pareceu desconsolado com o fato de que “o PSDB perdeu a chance de garantir uma marca social”, atribuindo essa ausência a uma mera falha na campanha publicitária. O leitor talvez possa compreender melhor o lamento de Dimenstein ao saber que a sua Associação Cidade Escola Aprendiz recebeu de São Paulo a bagatela de três milhões, setecentos e vinte e cinco mil, duzentos e vinte e dois reais e setenta e quatro centavos, só no período 2006-2008.


Não surpreende que a Folha seja tão generosa com Paulo Renato. Gentileza gera gentileza, como dizemos na internet. A diferença é que a gentileza de Paulo Renato com o Grupo Folha foi sempre feita com dinheiro público. Numa canetada sem licitação, no dia 08 de junho de 2010, a FDE da Secretaria de Educação de São Paulo transfere para os cofres da Empresa Folha da Manhã S.A. a bagatela de R$ 2.581.280,00, referentes a assinaturas da Folha para escolas paulistas. Quatro anos antes, em 2006, a empresa Folha da Manhã havia doado a curiosa quantia – nas imortais palavras do Senhor Cloaca – de R$ 42.354,30 à campanha eleitoral de Paulo Renato. Foi a única doação feita pelo grupo Folha naquela eleição. Gentileza gera gentileza.


Mas que não se acuse Paulo Renato de parcialidade em favor do Grupo Folha. Os grupos Abril, Estado e Globo também receberam seus quinhões, sempre com dinheiro público. Numa única canetada do dia 28 de maio de 2010, a empresa S/A Estado de São Paulo recebeu dos cofres públicos paulistas – sempre sem licitação, claro, porque “sigilo” no fiofó dos outros é refresco – a módica quantia de R$ 2.568.800,00, referente a assinaturas do Estadão para escolas paulistas. No dia 11 de junho de 2010, a Editora Globo S.A. recebe sua parte no bolo, R$ 1.202.968,00, destinadas a pagar assinaturas da Revista Época. No caso do grupo Abril, a matemática é mais complicada. São 5.200 assinaturas da Revista Veja no dia 29 de maio de 2010, totalizando a módica quantia de R$ 1.202.968,00, logo depois acrescida, no dia 02 de abril, da bagatela de R$ 3.177.400, 00, por Guias do Estudante – Atualidades, material de preparação para o Vestibular de qualidade, digamos, duvidosíssima. O caso de amor entre Paulo Renato e o Grupo de Civita é uma longa história. De 2004 a 2010, a Fundação para o Desenvolvimento da Educação de São Paulo transfere dos cofres públicos para a mídia pelo menos duzentos e cinquenta milhões de reais, boa parte depois da entrada de Paulo Renato na Secretaria de Educação.


Mas que não se acuse Paulo Renato de parcialidade em favor dos grandes grupos de mídia brasileiros. Ele também atuou diligentemente em favor de grupos estrangeiros, muito especialmente a Fundação Santillana, pertencente ao Grupo Prisa, dono do jornal espanhol El País. Trata-se de um jornal que, como sabemos, está disponível para leitura na internet. Isso não impediu que a Secretaria de Educação de São Paulo, sob Paulo Renato, no dia 28 de abril de 2010, transferisse mais dinheiro dos cofres públicos para o Grupo Prisa, referente a assinaturas do El País. O fato já seria curioso por si só, tratando-se de um jornal disponível gratuitamente na internet. Fica mais curioso ainda quando constatamos que o responsável pela compra, Paulo Renato, era Conselheiro Consultivo da própria Fundação Santillana! E as coincidências não param aí. Além de lobista da Santillana, Paulo Renato trabalhou, através de seu escritório PRS Consultores – cujo site misteriosamente desapareceu da internet depois de revelações dos blogs NaMaria News eCloaca News–, prestando serviços ao … Grupo Santillana!, inclusive com curiosíssima vizinhança, no mesmo prédio. De fato, gentileza gera gentileza. E coincidência gera coincidência: ao mesmo tempo em que El País “denunciava”, junto com grupos de mídia brasileiros, supostos “erros” ou “doutrinações” nos livros didáticos da sua concorrente Geração Editorial, uma das poucas ainda em mãos do capital nacional, Paulo Renato repetia as “denúncias” no Congresso. O fato de a Santillana controlar a Editora Moderna e Paulo Renato ser consultor pago pelo Grupo Santillana deve ter sido, evidentemente, uma mera coincidência.


Mas que não se acuse Paulo Renato de parcialidade em favor dos grupos de mídia, brasileiros e estrangeiros. O ex-Ministro também teve destacada atuação na defesa dos interesses de cursinhos pré-vestibular, conglomerados editoriais e empresas de software. Como noticiado na época pelo Cloaca News, no mesmo dia em que a FDE e a Secretaria de Educação de São Paulo dispensaram de licitação uma compra de mais R$10 milhões da InfoEducacional, mais uma inexigibilidade licitatória era anunciada, para comprar … o mesmíssimo produto!, no caso o software “Tell me more pro”, do Colégio Bandeirantes, cujas doações em dinheiro irrigaram, em 2006, a campanha para Deputado Federal do candidato … Paulo Renato! Tudo isso para não falar, claro, do parque temático de $100 milhões de reais da Microsoft em São Paulo, feito sob os auspícios de Paulo Renato, ou a compra sem licitação, pelo Ministério da Educação de Paulo Renato, em 2001, de 233.000 cópias do sistema operacional Windows. Um dos advogados da Microsoft no Brasil era Marco Antonio Costa Souza, irmão de … Paulo Renato! A tramóia foi tão cabeluda que até a Abril noticiou.


Pelo menos uma vez, portanto, a Revista Fórum terá que concordar com Eliane Cantanhêde. Foi um “legado e tanto”. Que o digam os grupos Folha, Abril, Santillana, Globo, Estado e Microsoft.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/06/o-que-midia-nao-falou-sobre-paulo.html

As revoltas na Grécia

30.06.2011
Do blog de Altamiro Borges
Por Elaine Tavares, no blog Palavras Insurgentes:

Todos os dias eu vejo, estupefata, as manifestações em Atenas. Estive lá, em julho do ano passado, e pude acompanhar de perto estas caminhadas, as vigílias em frente ao parlamento, os confrontos com a polícia. Conversei com dirigentes partidários, sindicalistas, estudantes. Em cada um deles pude perceber a clareza de tudo o que acontece no país. Submetido a um governo de vende-pátrias, o povo grego tem visto, desde 2004, a consolidação de um estado de inanição do próprio estado, mergulhado em dívidas, contraídas a revelia do povo mesmo.

Baseados em megalomaníacos projetos de recuperação da pomposidade das olimpíadas, o governo aprofundou a crise econômica, pegou empréstimos de vários bancos europeus para construir estádios, fazer reformas em outros, e sempre com a mesma velha cantilena de que tudo isso se reverteria em benefícios para o povo. Nada disso aconteceu. Alguns embolsaram grana, obras faraônicas foram feitas e o povo agora tem de pagar por isso.

Naquele 2010, quando lá estive visitando o magnífico estádio olímpico, tudo o que pude ver foi vazio e silêncio. Nada acontece por lá. Tudo está entregue às moscas. Já o povo sobrevive no mesmo velho diapasão dos povos dos países periféricos e dependentes. Poucos empregos formais, muito emprego temporário no turismo, muita informalidade. A Grécia é um país incrível, cheio de belezas, berço da história ocidental. Seu potencial turístico é grandioso, mas ao que parece, poucos podem usufruir de toda essa riqueza.

Nas ruas, pode-se perceber um movimento organizado muito forte. O partido comunista é bastante agregador e tem sido uma ponta na lança dos protestos. As passeatas organizadas pelos sindicatos também mostram a força dos trabalhadores visceralmente articulados nessas organizações trabalhistas. Há ainda um movimento da juventude, não ligada a qualquer partido ou organização, que também se expressa nas ruas de forma muito radical e há igualmente um outro movimento de populares que se integra numa ou noutra coluna, simplesmente porque sente-se indignado com tudo que acontece.

Nas análises que consegui colher naqueles dias de peregrinação pelas entidades o que aparece muito claro é que estes movimentos que se juntam nas ruas ainda não eram capazes de se unir num único projeto de nação. Cada grupo disputa seu ponto de vista e muitas vezes as manifestações acontecem de forma separada, só se juntando ao final, na Sintagma, a praça central em frente ao parlamento.

Lá dentro, é o que se vê na televisão. Completamente indiferentes ao clamor das ruas os deputados seguem decidindo por mais empréstimos para saldar as dívidas do país, feitas sem que o povo pudesse opinar. Mais empréstimos que significam a completa submissão do país às receitas impostas pelos organismos financeiros. Cortar despesas, apertar os cintos. E tudo isso só vale para os trabalhadores. Ao observar os ternos bem cortados dos deputados que se sucedem no plenário, pode-se perceber que no bolso deles nada está doendo. Mesmo na Rede Globo, onde as notícias são pasteurizadas, é impossível deixar de perceber as contradições que saltam, gritantes.

Ontem (28/06), depois de mostrar as imagens violentas dos choques entre os manifestantes e a polícia, e informar que o parlamento havia aprovado as novas medidas recessivas, Fátima Bernardes leu mais uma notícia, com um sorriso: “A aprovação do novo pacote animou os investidores estrangeiros e a bolsa de Nova Iorque teve uma subida de 6%”. Bom, para qualquer observador de nível médio, essa informação vale mais do que mil análises. Enquanto as gentes gregas se debatem entre suas diferenças e toda a desgraça que se abate sobre elas, os investidores, banqueiros, empresários, os tubarões, lambem os beiços e se preparam para mais um banquete com comida alheia.

Nos meus ouvidos ainda ecoa a voz de trovão de um velho militante comunista, daqueles que ainda enche os olhos d água ao lembrar dos velhos tempos de revolução popular, da grande a figura de Alexandros Panagulis, o inesquecível lutador grego que, em 1968, tentou matar o ditador Georgios Papadopoulos. “Eu não queria matar um homem, e sim um tirano”, dizia. Naqueles dias havia um projeto, um sonho, que, hoje, se perdeu, até porque os que comandam se dizem socialistas. Há desesperanças, há tristezas, mas há luta, muita luta.

Nas ruas de Atenas, os jovens e os trabalhadores saem de casa, todos os dias, com o seu kit básico de revolta: lenços, máscara contra gás (muitas feitas de modo bem artesanal), pedras. Mas o que se vê é que as ruas se enchem, os conflitos se fazem, e nada muda. A elite que domina o país, a classe política que faz as leis, todos seguem fazendo o que bem entendem sem que a revolta se transmude em mudanças reais. A esquerda democrática pede novas eleições, acredita que pela via institucional as coisas podem mudar. Mas, há uma grande parcela que já sabe que mudam as moscas, mas a meleca segue igual. Há que refundar a Grécia. O desafio é unir esses lutadores num projeto de nação. E isso, ao que parece, longe está... longe está...

Enquanto isso, vamos assistindo a toda essa tristeza.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/06/as-revoltas-na-grecia.html

TUBARÃO - EM LOCAL PROIBIDO, SURFISTA É ATACADO NO PINA

30.06.2011
Da FOLHA DE PERNAMBUCO

Quando jovens moradores do bairro de Brasília Teimosa, Zona Sul do Recife, saíram para surfar na manhã de ontem não sabiam o que iriam presenciar. A poucos metros do paredão de rochas que separa o mar da via pública, o estudante Marlisson Danilo Lima dos Santos, 21, que surfava com seu bodyboard, sofreu um ataque de tubarão num trecho da praia conhecido como “Buraco da Ve­lha”, que fica próximo ao dique que dá acesso ao Parque de Esculturas de Brennand. A mordida do animal rasgou a perna direita do jovem entre a coxa e a panturrilha, causando lesões vasculares, musculares, nervosas e ósseas. Com a ajuda de um taxista, que é pai de um dos surfistas, Marlisson foi socorrido para o HR, onde passou por cirurgia e se mantém estável.

Na entrada da emergência do HR, familiares e amigos esperavam alguma notícia sobre o estado de saúde de Marlisson. Os que estavam com o estudante na hora do ataque contaram que se não fosse pelo rápido socorro, o colega não sobreviveria à mordida do animal. “Ele estava perdendo muito sangue, dizendo que não conseguia enxergar nada e que tudo estava ficando escuro. Fiquei com medo do pior acontecer com ele”, afirmou o também estudante Wagner Calazans, 23, que surfa no local há quase seis anos.

O taxista que socorreu a vítima contou que foi até o local para buscar o filho, e se assustou com a quantidade de sangue e o tamanho do ferimento. “Só notei que era uma urgência quando meu filho veio até mim trazendo o rapaz quase desmaiado, falando pouco. Foi tudo muito rápido”. A mãe de Marlisson, a copeira Maria da Conceição Lima, 49, afirmou que saiu às pressas do trabalho após saber o que tinha acontecido, e só ficou aliviada depois de um anúncio feitos pelos médicos dizendo que o filho dela estava consciente e não corria risco de morrer. “Antes do trabalho ele sempre se reunia com os amigos. Sempre falava para ele sair do mar porque era muito perigoso nadar naquela área. Pelo menos estou mais tranquila depois de saber que ele está bem”.

Coube ao chefe do plantão de Cirurgia Vascular, Joaquim Varela, acalmar os ânimos dos familiares e parentes. Segundo ele, o jovem deu entrada no hospital em estado de choque hipovolêmico, por conta da perda de sangue. Além do esmagamento da perna direita, ele sofreu uma fratura na fíbula e perdeu cerca de 20% da massa na área da mordida. A vítima recebeu soro, fez transfusão de sangue e passou por uma cirurgia para o reparo das lesões, com a participação tanto da equipe de Traumatologia como de Cirurgia Vascular. “Não há mais risco de morte, embora ainda exista a possibilidade de infecção, já que as lesões causadas pela mordida do animal são altamente contaminadas com micróbios e bactérias. Por conta disso, ele está sendo medicado com antibióticos de amplo espectro”, afirmou o especialista.

De acordo com a ambientalista Ana Paula Leite, que faz par­te do Projeto Tubarão, o últi­mo ataque no litoral de Pernambuco tinha ocorrido em setembro de 2009, quando um adolescente de 15 anos estava tomando banho de mar na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. O jovem sofreu ferimentos nas nádegas, tronco e pernas. Ele não resistiu aos ferimentos e acabou falecendo. As duas espécies de tubarão comuns à região são o Cabeça Cha­ta e o Tigre, mas não se po­de afirmar corretamente qual das duas atacou Marlisson.
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http://www.folhape.com.br/index.php/edicao-de-hoje/647519-tubarao-em-local-proibido-surfista-e-atacado-no-pina

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Dr. Rosinha: Do “testar hipóteses” à calúnia

29.06.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Por dr. Rosinha, em seu site

A credibilidade é um requisito imprescindível tanto para o exercício profissional do jornalismo quanto para o exercício de qualquer mandato público.
No último dia 9 de junho, minha credibilidade como parlamentar foi alvo de um sério ataque, que não poderia ficar sem resposta. Talvez por desinformação, o jornalista André Trigueiro, em sua conta no twitter, afirmou com todas as letras  que naquele dia eu teria ido à sede da Anvisa “fazer lobby em favor do metamidofós”.
Usado em lavouras de algodão, amendoim, batata, feijão, soja e tomate, o metamidofós é um inseticida que pode prejudicar o desenvolvimento do feto, além de afetar os sistemas neurológico, imunológico, reprodutor e endócrino. Já proibido na União Europeia e em outros países do mundo, está fase de banimento também no Brasil.
Tamanha foi a gravidade da insinuação que, imediatamente, passei a receber mensagens de diversas pessoas, alertando para o referido ataque. A todas elas, expresso aqui a minha gratidão.
Ainda que eu não tivesse um histórico de combate aos agrotóxicos, tal acusação, para não ser leviana, deveria vir acompanhada por algum elemento de prova, o que não aconteceu.
A luta do nosso mandato contra os agrotóxicos não apenas é amplamente reconhecida pelos movimentos sociais, como inclusive há vários projetos de lei de minha autoria contra esses venenos em tramitação no Congresso Nacional.
Depois da polêmica no twitter, recebi uma mensagem, via e-mail, do presidente da Anvisa, Dirceu Barbano. “Quanto às afirmações do jornalista em seu blog, considero que devem ser compreendidas como conclusões dele sobre o conteúdo e a natureza de uma reunião da qual ele não participou”, diz trecho da mensagem.
Ao que complemento: O jornalista em questão não apenas não participou, como acabou por testar em público uma hipótese falsa. Hipótese que repudio com veemência e classifico como calúnia.
No dia seguinte, André Trigueiro propôs encerrar a polêmica no Twitter, pediu desculpas e ofereceu espaço para eu me manifestar em seu blog. “Se sentiu ofendido, peço desculpas”, escreveu.
Reunião na Anvisa
Há cerca de um ano conheci no meu gabinete na Câmara dos Deputados o senhor Michael Haradom, que me procurou em nome da empresa Fersol. De imediato perguntei o que desejava, já que sou –-e deixei isso claro a ele na oportunidade–, ideologicamente contra o uso de venenos.
Ele me respondeu que me procurava justamente por ser contra os agrotóxicos, e que desejava conversar sobre os procedimentos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Estive não uma, mas duas vezes na sede da Anvisa em reuniões das quais também participou Haradom, e em nenhuma delas para fazer lobby em favor de nenhum veneno. A primeira foi para conversar sobre as regras do registro de genéricos do setor.
A segunda reunião, a de 9 de junho, ocorreu após o diretor ter informado que uma ação de vistoria da Anvisa em sua empresa foi acompanhada pela polícia e pela Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), ligada à Secretaria do Meio Ambiente do governo paulista. Segundo ele, esse mesmo acompanhamento não teria se repetido em visitas de fiscalização a outras empresas.
Relatou ainda a suspeita de o fato ter ocorrido em favor das grandes empresas produtoras de venenos e em prejuízo da sua. O objetivo do encontro foi esclarecer esta situação específica.
Jamais eu iria até a sede da Anvisa, assim como os que comigo foram, para defender a liberação de qualquer veneno, ainda mais o metamidofós. Até porque sabemos da autoridade técnica, científica e profissional que a Anvisa conquistou, e que respeitamos. Da mesma forma sabemos que a proibição liberação de venenos não é uma decisão unilateral e solitária da Anvisa.
Na reunião na sede da Anvisa ficou esclarecido que a polícia que acompanhou a fiscalização foi a Polícia Civil de São Paulo, e não a Polícia Federal. Que tanto a “visita” da polícia como a da Cetesb não ocorreram por solicitação da Anvisa. Também foi esclarecido que todos os desdobramentos posteriores às “visitas” não foram de responsabilidade da agência.
Nesta mesma reunião, perante todos (é possível checar isso com os demais presentes) reafirmei minha posição ideológica contrária aos agrotóxicos. Como médico pediatra com especialidade em saúde pública e em saúde do trabalhador, não poderia ser diferente. Conheço perfeitamente os malefícios desses venenos.
Sobre o metamidofós
O inseticida metamidofós é um organofosforado. Considerado tóxico, é enquadrado nas classes toxicológicas I ou II (altamente tóxicas). Como qualquer outro organofosforado, o metamidofós pode causar neuropatias e pode prejudicar o desenvolvimento embriofetal.
Segundo estudos científicos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o produto causa prejuízos imunológicos e toxicidade ao sistema endócrino.
Pela alta toxicidade, o metamidofós já foi banido em vários países, como China, Indonésia, Paquistão, Costa do Marfim, Japão,  Samoa e nos países da União Europeia. No Brasil, está com data marcada para ser banido: a indústria pode produzi-lo até o próximo dia 30 de junho, a comercialização poderá ser feita até dezembro deste ano e a utilização, até 30 de junho de 2012. Decisão que eu apoio e espero que se concretize.
A decisão de seu banimento foi discutida e aprovada na Comissão de Reavaliação, da qual também fazem  parte a Fiocruz,  o Ministério da Agricultura e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama). Portanto, reafirmo, não foi uma decisão solitária. Se fosse para fazer lobby, como foi insinuado, eu teria visitado cada um desses órgãos.
Contribuição recusada
Aproveito este lamentável episódio para citar um fato ocorrido em 2006. Na campanha eleitoral daquele ano, recebi um telefonema de um empresário dizendo que queria fazer uma doação em dinheiro. Disse-me que queria me ajudar pela minha história de seriedade e honestidade política ao longo da minha vida pública. E que nada queria em troca.
A campanha de 2006 foi uma das mais difíceis da minha vida. Na noite do lançamento da campanha, eu estava internado na unidade de terapia intensiva (UTI). Na manhã daquele dia, tinha sido submetido a uma cirurgia cardíaca, que me tirou totalmente das ruas até 20 dias antes das eleições. Estava, portanto, necessitando de apoio político e de recursos financeiros.
Estava convalescente, em casa, quando recebi o telefonema. Dei o número do telefone e solicitei ao interlocutor que entrasse em contato com a pessoa responsável pelos recursos financeiros da minha campanha.
Assim que acabei de falar, desliguei o telefone e telefonei à tesoureira da nossa campanha para reafirmar minha posição: só aceitar contribuição legal e que não se contraponham aos meus princípios, exigência que elimina os fabricantes de agrotóxicos.
No contato com a responsável pela campanha, o empresário identificou-se como da indústria de agrotóxicos (não era da Fersol). Por esta razão, mesmo dentro da legalidade, os recursos não foram aceitos.
Afinal, tal “ajuda” iria depor contra a minha ideologia e os meus princípios. Relato este fato para que o leitor e a leitora, bem como o proprietário deste blog, saiba quem eu sou.
Checar previamente as informações, ouvir o outro lado, não tentar transformar meras hipóteses em fatos e admitir eventuais erros são condutas mínimas que se deve exigir de qualquer pessoa.
Profissionais de imprensa ou não, em redes sociais na internet ou fora dela, todas as pessoas precisam agir com responsabilidade antes de divulgar suas hipóteses em público. Do contrário, jamais terão confiança, nem crédito.
Dr. Rosinha, médico pediatra, especialista em Saúde Pública e em Medicina do Trabalho. Ex-presidente do Parlamento do Mercosul, exerce o mandato de deputado federal pelo PT do Paraná.

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/dr-rosinha-do-testar-hipoteses-a-calunia.html