segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Em vídeo, deputado fala sobre projeto para unificar as eleições

28.02.2011
Do BLOG DA FOLHA
Postado por Manoel Guimarães




Deputado federal pelo PT, Pedro Eugênio fala sobre o projeto que pretende unificar as eleições. O parlamentar defende que, no mesmo dia, o eleitor vote para presidente da República, senador, deputado federal, deputado estadual, prefeito e vereador. Os mandatos para todos os cargos seriam de cinco anos, sem reeleição. "Evidente que, para o calendário ficar todo certo, precisaríamos passar ainda mais duas eleições, e então as coisas funcionarão como planejado", explica Pedro. A ideia do petista é "diminuir o desgaste" gerado por conta dos pleitos a cada ano. Pedro Eugênio pediu o desarquivamento do projeto, que foi proposto na legislatura anterior, e agora aguarda a tramitação do mesmo pelas comissões da Câmara Federal.
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Fonte:http://www.blogdafolha.com.br/index.php/materias/17684-em-video-deputado-fala-sobre-projeto-para-unificar-as-eleicoes

"Declaração mais lúcida, racional e agregadora", diz Humberto sobre Milton

28.02.2011
Do BLOG DA FOLHA
Postado por José Accioly


O alerta feito pelo presidente estadual do PSB e vice-prefeito do Recife, Milton Coelho, de que os partidos da Frente Popular devem aprender com a história para não repetir erros do passados, foi endossado pelo senador Humberto Costa (PT). "Nos últimos dias, essa declaração foi a mais lúcida, racional e agregadora. A gente não deve subestimar a oposição, achando que ela está morta", avisou o petista.

Esse posicionamento, segundo o senador, serve para todos os partidos que compõe a Frente Popular. "O debate da antecipação não serve a ninguém, só a oposição", acrescentou o petista, pregando que não há desunião na coligação. Quanto a discussão sobre a próxima eleição, Humberto Costa repetiu o mantra de que "2012 só se discute em 2012".

Questionado pelo Blog da Folha se a vaia ao prefeito João da Costa, no último sábado no Baile Municipal, não é um sinal de insatisfação da população e desgaste do gestor, o senador minimizou o episódio.

"Isso (a vaia) não pode servir de parâmetro para expressar níveis de insatisfação do povo. Quem é que nunca viveu essa situação numa festa, ao fazer um discurso político?", disse. Indagado se sentiu falta do ex-prefeito João Paulo no baile, Humberto Costa desconversou, dizendo que já sabia que o deputado federal anunciou que não participaria do evento neste ano.
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Fonte:http://www.blogdafolha.com.br/index.php/materias/17704-qdeclaracao-mais-lucida-racional-e-agregadoraq-diz-humberto-sobre-milton

Por que as novas tomadas possuem três pinos?

25/02/2011
Do UOL NOTÍCIAS
Arquitetura

Tomadas no novo (em preto) e no velho formato

Há mais de um ano foi instaurado o novo padrão de tomadas no Brasil. Esse sistema, que possui um encaixe diferenciado e protege o usuário de choques nas tomadas de parede (principalmente as crianças que enfiam os dedinhos nas tomadas), irá aos poucos repadronizar o uso em todo o país. Atualmente existem muitos tipos de tomadas em uso, com grande variação nos plugues de encaixe, o que dificulta a vida do usuário e do eletricista.

Existem duas tomadas que são muito similares à nova tomada de três pinos. Uma delas é aquela que acompanhava muitas máquinas de lavar roupa ou micro-ondas. Três pinos chatos, dois em cima, inclinados e um embaixo, reto.

Já a tomada mais comum, conhecida por todos como “tomada de computador”, é a que vinha na maioria dos produtos eletrônicos complexos na última década, e cujo nome correto é 2P+T, que quer dizer dois pinos mais terra. As novas tomadas são uma espécie de repaginação dessas duas tomadas já existentes.

Mas afinal o que é o terra, o elemento em comum de todas essas tomadas?

O pino terra é o pino da tomada que faz a ligação do aparelho com o sistema de aterramento deItálico sua rede elétrica. Esse aterramento é muito importante. Ele protege você de pequenos choques que seus aparelhos podem eventualmente causar, e muitos dos componentes eletrônicos mais sensíveis de seus equipamentos eletroeletrônicos. Esses produtos mais delicados são, geralmente, os mais caros, como computadores, TVs de última geração, impressoras, decodificadores e muitos outros.

Uma rede elétrica comum, residencial, é geralmente composta por dois condutores de energia: o fase e o neutro. O fase é o condutor por onde a tensão elétrica é transmitida, enquanto que o neutro possui potencial elétrico igual a zero. Para existir eletricidade, deve existir uma diferença de potencial: por exemplo, se o seu fase é de 127V e seu neutro 0V, há eletricidade e sua rede é de 127V.

No entanto, apesar do neutro ter potencial igual a zero, isso não ocorre necessariamente, por conta de alguns fatores existentes nos equipamentos e eletrodomésticos modernos. A carapaça metálica dos eletrodomésticos, assim como a existência de muitos componentes elétricos sensíveis em um computador, com diferentes potenciais elétricos, pode levar a “escapes” da energia que fica acumulada em extremidades metálicas dos aparelhos – a energia eletrostática.

Essa energia que fica “acumulada” nos aparelhos pode causar leves choques no usuário, ou ainda, ao se conectar componentes com diferença de potencial, estragar algumas peças de seus aparelhos, inutilizando-os. A forma de anular esses grandes inconvenientes é utilizando o pino terra.

O pino terra liga-se ao aterramento de casa (daí vem seu nome). O aterramento é um terceiro condutor de energia que realmente possui potencial neutro, e encaminha as “sobras” de energia de seus aparelhos diretamente para a terra, deixando-os sempre sem energia eletrostática e, portanto, sem riscos de danos entre componentes.

O fato de sua tomada ter os três pinos não significa que o aterramento está conectado, e, portanto, você pode ter uma impressão falsa de que está tudo instalado corretamente quando não está. Se sua instalação elétrica for antiga, é provável que o aterramento não esteja feito, ou pelo menos que não esteja feito da forma correta.

O aterramento consiste em uma fiação, geralmente verde, ou verde e amarela, que percorre todas as tomadas de sua casa, e depois se liga ao chão. A ligação com a terra é realizada por meio de uma ligação dessa fiação a uma haste metálica, geralmente de cobre, que fica instalada dentro de uma caixa de inspeção e espetada na terra. Dependendo do tipo de solo, essa haste pode ter de ser enterrada com mais ou menos profundidade, para garantir que haja a ligação correta do terra.

O aterramento é obrigatório por lei nas construções novas desde 2009, de tão importante que é para a nossa segurança e de nossos equipamentos. Consulte seu eletricista para descobrir se sua rede elétrica está aterrada da forma correta. Instalações de aterramento bem realizadas podem até ajudar a economizar na conta de luz. Não corra riscos de choques, e especialmente de perder peças importantes de seus equipamentos. Não há seguro ou garantia que irá cobrir esses danos!
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Fonte:http://casaeimoveis.uol.com.br/tire-suas-duvidas/arquitetura/por-que-as-novas-tomadas-possuem-tres-pinos.jhtm

No “capitalismo de desastre”, a democracia já nasce acorrentada

SEGUNDA-FEIRA, 28 DE FEVEREIRO DE 2011

Naomi Klein

13/2/2011, Naomi Klein - Democracy born in chains
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu

A inspiradora revolta popular que derrubou Hosni Mubarak é apenas a primeira etapa da luta dos egípcios por liberdade. Como outros movimentos pró-democracia aprenderam pela via mais difícil, pode acontecer de o povo perder muito – e por muito tempo – nos meses e anos chaves da transição entre regimes.
No livro “A doutrina do choque” [Doutrina do Choque. A ascensão do capitalismo de desastre. Orig. The Shock Doctrine, ed. brasileira, Rio de Janeiro: Nova Fronteira], investiguei o caso da África do Sul pós-apartheid, quando se sacrificaram demandas cruciais por justiça econômica, em nome de uma transição política suave.

Aqui, traduzidas, as duas epígrafes e trechos do capítulo “A liberdade controlada, na África do Sul”, desse livro.

Desmond Tutu
“Reconciliação significa que os que viveram muito tempo no lado avesso da história têm de poder ver que há alguma diferença entre repressão e liberdade. E, para esses, liberdade se traduz em água limpa para beber, eletricidade, casa decente e emprego, para poder mandar os filhos à escola e ter acesso a atendimento médio. Quero dizer: de que adiantou alguma transição suave, se a qualidade de vida daquelas pessoas não melhorou? Se a vida das pessoas não melhora, até o voto se torna inútil”.
(Arcebispo Desmond Tutu, presidente da Comissão Sul-Africana de Verdade e Reconciliação, 4/11/2001, “South Africa; Tutu Says Poverty, Aids Could Destabilise Nation,”AllAfrica.com).

“Antes de transferir o poder, o Partido Nacionalista quer emascular o poder. Está tentando negociar uma transição na qual entregará o direito de o país conduzir a transição, em troca de impedir que os negros venham a controlá-la”. (Allister Sparks, jornalista sul-africano, em MURRAY, Martin, 1994, The Revolution Deferred, Londres: Verso, p. 12).

Em janeiro de 1990, Nelson Mandela, aos 71 anos, sentou em sua cela de prisão para escrever uma nota aos seus apoiadores. A nota visava a encerrar o debate que se arrastava pelos 27 anos de sua prisão, a maior parte dos quais na prisão de Robben Island, ao largo da costa de Cape Town, e que haviam distanciado muito o líder e as transformações econômicas pelas quais passara o estado de apartheid da África do Sul. A nota, de duas linhas, encerrou o debate e pouco ajudou: “A nacionalização das minas, dos bancos e das indústrias monopolistas sempre foi a política do Congresso Nacional Africano. Nenhuma mudança ou alteração nas nossas políticas nesse campo são admissíveis. Apoiamos completamente e encorajamos o empoderamento da economia dos negros, mas é inegável que, em nossa situação, não podemos ceder o controle de alguns setores da economia pelo estado” (“ANC Leader Affirms Support for State Control of Industry”, 26/1/1990, Times(Londres).
Allister Sparks

A história não havia acabado, como Fukuyama dissera. Na África do Sul, a maior economia do continente africano, muitos ainda acreditavam que a liberdade incluía necessariamente o direito de exigir e redistribuir os ganhos mal havidos dos opressores.

Essa crença sempre formara a base da política do Congresso Sul-Africano (CSA) ao longo de 35 anos, desde que foi explicitada na “Carta da Liberdade” [orig. Freedom Charter], de declaração de princípios do CSA. A história da redação desse documento é folclore na África do Sul, e não sem razão. O processo começou em 1955, quando o partido despachou 50 mil voluntários pelas cidades e vilas do país.

A tarefa desses voluntários era recolher “demandas de liberdade” da população, descobrir como viam um mundo pós-apartheid, no qual todos os sul-africanos tivessem direitos iguais. As demandas foram recolhidas, escritas em pedaços de papel: “Dar terra a todos os que não têm terra”. “Salários suficientes para viver e menores jornadas de trabalho”. “Educação gratuita e obrigatória, independente de cor, raça ou nacionalidade”. “Direito de morar e andar livremente” e muitas mais.

Quando as demandas voltaram aos organizadores, o CNA sintetizou-as num documento final, oficialmente aprovado dia 26/5/1955, no Congresso do Povo, realizado em Kliptown, numa “buffer zone”, construída para proteger os moradores brancos de Johannesburg, dos ataques das massas de Soweto. Apenas 300 delegados – negros, indianos, “coloured” e poucos brancos – reuniram-se num descampado, para votar os conteúdos do documento. Segundo o relato de Nelson Mandela dessa reunião histórica em Kliptown, “o documento foi lido em voz alta, item a item, para os presentes, em inglês, sesotho e xhosa. A cada item lido, a multidão aprovava aos gritos de “Afrika!’” e “Mayibuye!” (MANDELA, Nelson, A Long Walk to Freedom: The Autobiography of Nelson Mandela, 1994, New York: Little, Brown and Company, p. 150). A primeira, desafiadora demanda, da “Carta da Liberdade” dizia: “O povo governará!”

Em meados dos anos 50, esse sonho estava décadas longe de ser realizado. No segundo dia do Congresso, a reunião foi violentamente atacada pela polícia, que acusou os delegados de “conspirar para a traição”.

Nelson Mandela
Mandela confirmou, depois de 27 anos de prisão, na nota de duas linhas escrita de sua cela: ele ainda acreditava que, sem redistribuição não haveria liberdade. Com vários países então “em transição”, a declaração tinha implicações enormes. Se Mandela liderasse o CNA ao poder e nacionalizasse os bancos e as minas, estaria criado um precedente que tornaria ainda mais difícil para os economistas de Chicago impedir que o mesmo acontecesse em outros países (classificados como “relíquias do passado”) seriam capazes de sanar as mais profundas desigualdades. (...)

Dia 11/2/1990, duas semanas depois de redigir aquela nota, Mandela deixou a prisão, livre, recebido como santo ressurreto, se algum dia houve algum, em todo o mundo. As cidades sul-africanas explodiram em festa. E renovou-se a convicção de que nada deteria a luta pela libertação.

Diferente do movimento na Europa Oriental, o da África do Sul não foi derrotado: foi colhido de roldão. Mandela, por sua vez, foi vítima de caso épico de choque de cultura, e tomou os microfones e câmeras como se fossem “novo tipo de armamento desenvolvido enquanto estive preso.” [1]

O mundo era definitivamente diferente do que Mandela deixara, 27 anos antes. Quando Mandela foi preso, em 1962, uma onda do nacionalismo de Terceiro Mundo varria o continente africano; agora, o continente estava destroçado pela guerra. Enquanto permaneceu preso, revoluções socialistas nasceram e morreram: Che Guevara foi morto na Bolívia em 1967; Salvador Allende, no golpe de estado de 1973; Samora Machel, herói da libertação e presidente de Moçambique, morreu num misterioso desastre aéreo em 1986. O final dos anos 80s e o início dos 90s conheceram a queda do Muro de Berlim, a repressão na Praça Tiananmen e o colapso do comunismo. Entre todas essas mudanças, havia pouco tempo para entendê-las: imediatamente depois de sair da prisão, Mandela tinha um povo a conduzir rumo à liberdade, ao mesmo tempo em que evitava uma guerra civil e um colapso econômico – dois casos que pareciam indicar diferentes possibilidades.
Naomi Klein na TV

(...) Se havia terceira via entre o comunismo e o capitalismo – um modo de democratizar o país e redistribuir riqueza ao mesmo tempo – a África do Sul, sob a orientação do CNA parecia estar excepcionalmente bem localizada para converter em realidade esse sonho sempre buscado. Não só pela avalanche de admiração e de apoio a Mandela, mas também pelos traços específicos que a luta anti-apartheid assumira nos anos anteriores.

Nos anos 80s, a luta anti-apartheid convertera-se em movimento de massas verdadeiramente global, e a arma que os ativistas mais utilizaram foi o boicote de empresas – tanto contra produtos produzidos na África do Sul, quanto contra produtos e empresas internacionais que comerciavam com o estado de apartheid. (...) Mas a campanha tinha também um componente moral: muitos consumidores criam firmemente que empresas que se beneficiassem da legislação racista mereciam ser castigadas também no plano financeiro.

Só por isso, o CNA teve a excepcional oportunidade de rejeitar a ortodoxia do livre-mercado daqueles dias. Dado que já se criara o consenso segundo o qual as empresas eram também responsáveis pelos crimes do apartheid, o cenário estava preparado para que Mandela explicasse por que setores chaves da economia sul-africana tinham de ser nacionalizados, exatamente como a Carta da Liberdade exigia.

Poderia ter usado o mesmo argumento para explicar por que a dívida interna acumulada durante o apartheid era peso ilegítimo, pelo qual nenhum novo governo, democraticamente eleito, deveria ser obrigado a pagar. Haveria ultraje e ranger de dentes do FMI, do Tesouro dos EUA e da União Europeia ante comportamento tão indisciplinado, mas Mandela, por sua vez era santo ressurreto – e contaria com enorme apoio popular mundial.

Jamais saberemos quais daquelas duas forças teriam prevalecido. Nos anos que passaram entre a nota que Mandela escreveu ainda da prisão e as eleições do CNA de 1994, quando foi eleito presidente, algo aconteceu que convenceu a hierarquia do partido de que não poderia usar o prestígio dos movimentos de base para exigir e redistribuir a riqueza que o apartheid roubara ao país.

E, em vez de buscar um ponto médio entre a Califórnia (para os brancos) e o Congo (para os negros), o CNA adotou políticas que fizeram aumentar tanto as desigualdades e os crimes, que a África do Sul é, hoje, alguma coisa semelhante ao ponto médio entre Beverly Hills e Bagdá. Hoje, o país é como um testamento vivo do que acontece quando a reforma econômica é impedida pela transformação política. Politicamente, os sul-africanos têm direito de votar, há liberdades civis e a maioria governa. Mas, economicamente, a África do Sul já ultrapassou o Brasil e é hoje a sociedade mais desigual do mundo

Aconteceu que, quando o novo governo tentava tornar realidade os sonhos da Carta da Liberdade, descobriu que o poder não vivia na África do Sul. (...)

Redistribuir a terra? Impossível – no último minuto, os negociadores concordaram em acrescentar um artigo, na nova Constituição, que protege a propriedade privada, tornando virtualmente impossível qualquer reforma agrária. Criar empregos para milhões de desempregados? Impossível – centenas de fábricas estavam a ponto de fechar, porque o CNA já era membro do GATT, precursor da Organização Internacional de Comércio, que impede subsídios a fábricas de automóveis e à indústria têxtil. Distribuir gratuitamente drogas anti-AIDS nas vilas e cidades, onde a doença se alastra com aterrorizante velocidade? Impossível – a distribuição gratuita viola direitos de propriedade intelectual da Organização Mundial de Comércio, da qual o CNA tornou-se membro, sem qualquer discussão pública, como continuação natural dos compromisso com o GATT. Dinheiro para construir mais casas e melhores casas para os pobres e levar luz elétrica às favelas? Desculpe, mas o orçamento está sendo devorado pelo serviço da dívida massiva, reconhecida silenciosamente pelo governo do apartheid. Imprimir moeda? Contem essa ao Banco Central da era do apartheid. Água gratuita para todos? Pouco provável. O Banco Mundial, com seu vasto contingente de economistas, pesquisadores e especialistas já instalados no país (um autoproclamado “banco de conhecimento”) já construiu parcerias com o setor privado; as parcerias, de fato, já, são norma. Querem controlar a moeda, protegê-la contra a especulação? Impossível. Violaria o acordo para empréstimo de $850 milhões, com o FMI, convenientemente firmado pouco antes das eleições. Querem aumentar o salário mínimo, para diminuir o fosso criado pelos salários do apartheid? Nem pensar: o acordo com o FMI torna obrigatório o arrocho salarial (HORTON, Mark, “Role of Fiscal Policy in Stabilization and Poverty Alleviation,” in Post-Apartheid South Africa: The First Ten Years, ed. Michael Nowak and Luca Antonio Ricci, Washington DC: International Monetary Fund, 2005, p. 84).

E que ninguém nem pense em ignorar esses compromissos – qualquer mudança será tomada como evidência de que o país é perigosamente pouco confiável, de que não está comprometido com “reformas”, de que não é sistema “baseado em regras confiáveis”. E atitudes diferentes levarão a crises monetárias, cortes nos programas de ajuda e fuga de capitais. Em resumo, a África do Sul estava livre, mas simultaneamente fora capturada; cada sigla de que os jornais não paravam de falar era como um fio da rede que prendera e paralisara todos os braços do novo governo. (...)

Ativista há décadas, da luta anti-apartheid, Rassool Snyman, descreveu a armadilha em termos bem claros. “Jamais nos concederam qualquer liberdade. Aconteceu apenas que tiraram a corrente do nosso pescoço e a prenderam nos nossos pés”. Yasmin Sooka, importante ativista sul-africana de direitos humanos, contou-me que, na transição “só o business falava. ‘Ficamos com a propriedade e vocês [o CNA] governa. Vocês terão poder político, vocês farão a fachada do governo, mas o poder estará noutro lugar”.

Foi um processo de infantilização – em que a mídia-empresa tem papel decisivo –, comum nos países ditos “em transição”. Há novos governos e até recebem as chaves da casa, mas não recebem a combinação do cofre.” (...)

Conversei sobre a transição com William Gumede, ativista de terceira geração do CNA, que, como líder do movimento estudantil durante a transição, esteve nas ruas, naqueles anos de tumultos. “Todos ficaram de olho nas negociações políticas – ele recorda, sobre as conversações Klerk–Mandela. “E sempre que o povo achava que as coisas não iam bem, havia protestos de massa. Mas quando os negociadores econômicos falavam, as pessoas entendiam que fossem relatórios técnicos; ninguém entendia e ninguém se interessava”. Essa percepção, disse ele, era estimulada por Mbeki [que comandou o governo de transição, antes de Mandela ser eleito], que apresentava as reuniões como “administrativas”, de pouco interesse para as massas (como também se fez no Chile, quando se construía uma “democracia tecnificada”). Resultado disso, disse-me ele, entre frustrado e furioso, “Não vimos! Não vimos a verdadeira transição!”

Gumede diz que a maioria das pessoas “comuns” simplesmente assumiu que, fossem quais fossem os compromissos necessários para chegar ao poder, para governar, seria fácil, depois, desfazê-los, depois, quando o partido CNA estivesse de fato governando. “Íamos ser governo. Depois, acertaríamos tudo” – disse ele.

O que os ativistas do CNA não entenderam naquele momento foi que aquelas reuniões “de transição” estavam alterando a própria natureza da democracia; que, ao final da transição, a democracia estaria tão alterada – as malhas da teia se apertariam de tal modo sobre a África do Sul – que, de fato, nem haveria ‘depois da transição’, nem, de fato, qualquer transição.

Gumede continua: “Eu estava focado na política – na ação de massas, passava os dias em Bisho [local onde houve confronto massivo entre manifestantes e a polícia], gritava “Fora! Fora!”. Mas a luta real não estava ali – a luta real estava sendo conduzida pelos economistas. Até hoje me sinto mal, quando penso naquela ingenuidade. Eu era politicamente maduro, o suficiente para saber que nada se decide na praça. Como pode ter acontecido de eu não ter visto?” (...)

A “terapia de choque”, nas transições políticas

A terapia de choque sempre é manobra do mercado – parte de uma teoria subjacente. A terapia de choque adora os momentos de emoção, quando o preço das ações dispara, quase sempre depois de oferta pública de ações, do anúncio de alguma grande fusão ou contratação de algum novo executivo-celebridade. Quando os economistas exigem que um país aplique algum pacote de terapia de choque, o conselho baseia-se, pelo menos em parte, na tentativa de imitar esse tipo de grande evento ‘de mercado’ e disparar o estouro da manada –, com a diferença que, nas transições políticas, não se trata de vender ações de algum patrimônio individual, mas de vender um país. O resultado almejado é “Comprem papéis da Argentina!” “Comprem papéis da Bolívia!”. Abordagem mais cuidadosa, mais lenta, pode ser menos brutal, mas priva o mercado dessas emoções radicais e das ‘bolhas’, durante as quais o mercado faz dinheiro e ganha posições.

A terapia de choque sempre é uma aposta, e na África do Sul não funcionou: Mbeki não conseguiu atrair investimentos de longo prazo para o país. Só obteve dinheiro de especulação, que acelerou ainda mais a desvalorização da moeda. (...)

A Comissão de Reconciliação e Verdade da África do Sul é frequentemente citada como modelo de “processo de paz” bem sucedido, exportada para outras zonas de conflito como do Sri Lanka ao Afeganistão. Mas muitos dos diretamente envolvidos no processo ainda carregam dúvidas profundas.

Ao divulgar o relatório final em março de 2003, o presidente da Comissão, bispo Desmond Tutu, mostrou aos jornalistas, de fato, um processo de paz ainda inconcluso.

“Alguém pode explicar” – disse ele – “que um negro sul-africano acorde hoje, quase dez anos depois da igualdade e da liberdade, ainda num gueto miserável? Vai trabalhar muito longe de casa, quase sempre numa mansão, num palácio, onde só vivem brancos e ele trabalha para brancos. E ao final do dia, volta para o gueto, onde muitas vezes não tem água nem comida? Não entendo por que essas pessoas não saem às ruas para protestar: “A paz que se dane! Tutu que vá p’rô inferno! A Comissão da Verdade que vá p’rô inferno!” [continua, no livro, em português, e na página de Naomi Klein, em inglês]


NOTA DOS TRADUTORES: A íntegra do capítulo pode ser lido, em inglês, emDemocracy born in chains, republicado pela autora, em sua página na internet, semana passada.

O livro Doutrina do Choque. A ascensão do capitalismo de desastre, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, pode ser comprado pela página Buscapé.

Há matéria sobre o livro, em português, em Carta Maior, 14/5/2010, em: O capitalismo de desastre é uma resposta à crise. Como sempre acontece, os analistas brasileiros leem Naomi Klein, sempre, como militante do altermundismo, sempre ativa nos Fóruns Sociais Mundiais e nas causas do ambientalismo, o que ela é também, mas não só.

A professora entrevistada em Carta Maior e seus entrevistadores não fogem a essa escrita. Na entrevista sobre o livro, exemplarmente, a analista só é perguntada e só analisa os casos em que o “capitalismo de desastre” atuou em desastres, literalmente naturais (em New Orleans & Katrina, por exemplo).

Todo o capítulo sobre o desastre da transição política na África do Sul, e a operação ativíssima, ali, do “capitalismo de desastre”, do qual aqui se leem excertos, não é sequer lembrado.

Pelo visto, as massas árabes nas ruas ainda terão de arrastar os jornalistas e especialistas ocidentais para fora de suas tradicionais zonas de conforto, antes que se leiam análises realmente fortes e estimulantes sobre a Grande Revolta Árabe de 2011.



Nota de tradução
[1] A maioria simples, nas eleições já havia sido de fato adiada, desde 1999. Até então, o poder executivo era partilhado entre os partidos políticos que recebessem mais de 5% dos votos. Entrevista não publicada com Nelson Mandela, feita pelo cineasta Ben Cashdan, 2001. In MARAIS, Hein, 2001, South Africa: Limits to Change: The Political Economy of Transition, Cape Town: University of Cape Town Press, pp. 91–92.
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Boa análise de Janio de Freitas

28.02.2011
Do blog GONZUM

(Jonathan Meese, artista contemporâneo alemão)

Achei interessante esse artigo de Janio, uma análise perspicaz sobre os dilemas da oposição, além de detectar a estratégia de Dilma para lidar com seus adversários. Se a oposição não tem argumentos com os quais combater um governo com bons números para mostrar, restou-lhe uma oposição histérica, subjetiva e perfunctória. A partir do momento, todavia, que Dilma procura estabelecer um diálogo amistoso com setores da oposição, esta terá dificuldade para prosseguir sua estratégia de ataques ad persona. Janio se arrisca e menciona o "oposicionismo em meios de comunicação martela no alarmismo, com os dados insatisfatórios, e produz sempre um "mas" para juntar aos dados positivos."


Um desejo de Dilma

Janio de Freitas

Relações positivas entre a presidente e a oposição poderiam resultar em uma reordenação até imprevisível

AS DIFERENÇAS de métodos e de modos entre Dilma Rousseff e Lula ganham um componente novo, e impressentido pelas inúmeras comparações feitas dos dois. Decorre de particularidade pessoal da presidente, mas, não menos, de uma condição especial que distingue politicamente sua Presidência de todas as anteriores, não só de Lula.

O desejo de Dilma Rousseff de reuniões desarmadas com oposicionistas, bem simbolizado na cordialidade do encontro e do seu convite a Fernando Henrique Cardoso, contrasta com a rigidez atribuída, naquelas comparações, a seu temperamento e a sua atitude política na Presidência. Até aí, uma novidade interessante. A partir dela, porém, projeta-se um elemento indigesto a mais no embaraço em que a oposição está desde que o governo Lula começou a construir fisionomia própria, não mais apenas de constrangida prorrogação do antecessor.

A satisfação com a política econômica, nas classes média e alta, e a recepção das medidas populares deixaram a oposição, no governo Lula, sem matéria substancial para fazer o seu papel.

Ir além do governo, com propostas mais avançadas, era inconcebível pelo conservadorismo que impregnava, e impregna, a oposição. Restou o oposicionismo superficial, aos modos pessoais de Lula, às práticas permanentes de populismo, e a uma ou outra posição na política externa -as relações com Chávez, com a complicada Bolívia de Evo Morales, com o Equador, mais tarde com o Irã, nada que desse forças à oposição.

O embaraço oposicionista se repete. O oposicionismo em meios de comunicação martela no alarmismo, com os dados insatisfatórios, e produz sempre um "mas" para juntar aos dados positivos. Entre deputados e senadores, até agora a oposição limitou-se à cômoda hipocrisia de defender um salário mínimo que sabia não ser aprovável e contrário a tudo o que sempre disse e fez, quando governo. Os ataques pesados emitidos por José Serra caíram no vácuo, nem os parlamentares do seu partido o embalaram.

Nesse embaraço revestido de falta de criatividade, a tendência de uma relação cordial entre a presidente e lideranças oposicionistas é estender-se, forçosamente, dos modos pessoais aos modos políticos. O que funcionará, em silêncio, como uma restrição aos ataques exaltados que, incidentes embora em aspectos superficiais ou de expressão limitada, constituem o oposicionismo.
O embaraço do embaraço.

Fernando Henrique e Lula gostariam muito de ter conseguido algum grau de convívio amistoso, pessoal e político, com lideranças das respectivas oposições. Não esconderam esse desejo, nem conseguiram dar um passo na direção dele. Dilma Rousseff desfruta de uma condição que faltou aos dois, como é próprio das Presidências.

Sua origem e seu percurso para chegar ao Planalto não se fizeram na vida política, nas disputas partidárias, nos embates parlamentares, nas lutas entre oposição e governo. Dilma Rousseff não traz, nem deixou nas eminências partidárias, ressentimentos e idiossincrasias que podem ser disfarçados, mas não são inativos. Conduzem, mesmo, grande parte da política. Não, até agora, em relação a Dilma Rousseff.

Em efeito extremo e, sobretudo, improvável, relações positivas entre a presidente e lideranças oposicionistas poderiam resultar em ambiente e reordenação política, ou partidária, de importância até imprevisível. Mas levar as coisas a tal ponto conflita com as ambições pessoais, que se juntam sob a máscara de objetivo ou interesse partidário. Se, no entanto, do propósito manifestado por Dilma Rousseff surgir algo novo, já será avanço. Qual e quanto, importa menos.
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Fonte:http://www.gonzum.com/2011/02/boa-analise-de-janio-de-freitas.html

Obras do PAC na área de transportes serão preservadas, diz ministério

28/02/2011
Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil

Brasília
- O Ministério dos Transportes informou hoje (28) que os cortes no Orçamento anunciados pelo governo federal não vão atingir as ações previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A pasta teve um corte de R$ 2,39 bilhões, de um Orçamento total de R$ 18,41 bilhões, o que representa 12,9% do total.

“As ações incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento foram preservadas em sua integralidade, não havendo expectativa de entraves à sua continuidade”, afirma nota divulgada pelo Ministério. A nova programação orçamentária , detalhada hoje pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento, prevê um corte total de R$ 50 bilhões no orçamento deste ano.

Segundo o ministério, a redução de despesas recomendada pela equipe econômica será feita com a administração dos gastos de custeio e das ações ainda em fase de projeto. “O ministério avaliará quais desses projetos terão seu preparo desacelerado”, afirmou o comunicado.

Edição: Rivadavia Severo
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/ultimasnoticias?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-1&p_p_col_count=1&_56_groupId=19523&_56_articleId=3199920

A mídia e a ocultação da verdade

28.02.2011
Do blog de Altamiro Borges
Reproduzo artigo de Vito Giannotti, publicado no sítio do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC):


Mídia, na cabeça de todo mundo, são meios de informação. Para Pascual Serrano, é exatamente o contrário. Desinformação é o título do seu livro que já vai para a sexta edição. Sim, a partir de exemplos do mundo todo, o jovem escritor catalão prova com mil fatos e dados que a mídia são meios de desinformação e não de informação. Meios de ocultação da verdade. De omissão de fatos, de dissimulação. Muitas vezes, de total e absoluta mentira.

Ignácio Ramonet, parceiro e mestre de Serranom, sempre cita o caso mais gritante do começo do século XXI, no qual a mídia criou, manteve e reafirmou milhares de vezes uma tremenda farsa. O caso da invasão do Iraque pelos EUA, em março de 2003. Todas as famosas e renomadas agências internacionais de informação se esmeraram em desinformar o mundo para fazer acreditar que os EUA bombardeariam Bagdá por puríssimo amor à democracia contra o ditador Saddam Hussein.

Depois deste bombardeio midiático mundial de desinformação, 51% dos estadunidenses acreditavam piamente que o tal ditador Saddam tinha participado pessoalmente do atentado às Torres Gêmeas.

Serrano passeia da sua Espanha à África grande e esquecida; da Ásia, com seu Oriente Médio e a “ameaçadora” China à Europa dos Berlusconi e dos Post; da efervescente América Latina bolivariana à Rússia com sua nova Guerra Fria. Em cada caso, ele desnuda os mecanismos de produção de uma visão única e necessária para a manutenção da ideologia e da hegemonia dominante. Isto é, da ideologia do capitalismo neoliberal.

Mas Serrano não deixa nenhuma visão pessimista. Com o realismo de quem não tem medo de ser pessimista na análise, mas otimista no sonho, Serrano ao longo do seu envolvente livro se coloca a clássica pergunta: O que Fazer? Propõe formar e educar as massas vítimas da intoxicação da mídia empresarial, isto é, da classe patronal, a resistir. Tarefa para todo tipo de comunicador é reafirmar que “Outra comunicação é possível”.

Reafirmar e agir para tornar este sonho realidade. Sonho? Sim, mas pode-se pensar em torná-lo realidade. Parafraseando Lênin, após a derrota da primeira revolução russa, em 1905, podemos dizer “Sonhos é preciso tê-los. Mas na condição de confrontá-los constantemente com a realidade e de lutar incessantemente para torná-los realidade”. Pascual, com seu site Rebelión, seus artigos em inúmeros jornais europeus e latinoamericanos, suas palestras pelo mundo afora e seu livro-alerta “Desinformacion. Como los médios ocultam el mundo” está entre os que cultivam sonhos. O sonho de outra hegemonia que a do capital.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/02/midia-e-ocultacao-da-verdade.html

Obras do PAC na área de transportes serão preservadas, diz ministério

28/02/2011
Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil

Brasília -
O Ministério dos Transportes informou hoje (28) que os cortes no Orçamento anunciados pelo governo federal não vão atingir as ações previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A pasta teve um corte de R$ 2,39 bilhões, de um Orçamento total de R$ 18,41 bilhões, o que representa 12,9% do total.

“As ações incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento foram preservadas em sua integralidade, não havendo expectativa de entraves à sua continuidade”, afirma nota divulgada pelo Ministério. A nova programação orçamentária , detalhada hoje pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento, prevê um corte total de R$ 50 bilhões no orçamento deste ano.

Segundo o ministério, a redução de despesas recomendada pela equipe econômica será feita com a administração dos gastos de custeio e das ações ainda em fase de projeto. “O ministério avaliará quais desses projetos terão seu preparo desacelerado”, afirmou o comunicado.

Edição: Rivadavia Severo
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/ultimasnoticias?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-1&p_p_col_count=1&_56_groupId=19523&_56_articleId=3199920

“Não vai ter concurso público nenhum este ano”, diz secretária do Orçamento

28/02/2011
Luciene Cruz
Repórter da Agência Brasil

Brasília
– O corte de R$ 50 bilhões anunciada pelo governo atinge os interessados em ingressar os quadros de funcionalismo público. Segundo a secretária do Orçamento Federal do Ministério do Planejamento, Célia Correa, “não vai ter concurso público nenhum este ano. Todos os concursos serão postergados”.

“Até mesmo aqueles que tinham sido realizados e não tiveram curso de formação concluído, também serão postergados”, afirmou a secretária. A medida também atinge as nomeações previstas para este ano. A reprogramação fiscal prevê a redução de R$ 3,5 bilhões em novas contratações para este ano.

Reajustes salariais também não serão concedidos como forma de manter as contas no azul. O aumento para o Judiciário também ficou de fora das previsões. Apenas os magistrados tiveram o aumento de 5,2% computado no Orçamento de 2011. “Reajustes já formalizados não tem como não cumprir”.

Edição: Rivadavia Severo
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/ultimasnoticias?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-1&p_p_col_count=1&_56_groupId=19523&_56_articleId=3199996

Prazo de entrega da declaração do IR 2011 começa nesta terça-feira às 8 horas

28/02/2011
Daniel Lima
Repórter da Agência Brasil

Brasília
- Começa às 8 horas de amanhã (1º), e vai até o dia 29 de abril, o prazo para a entrega da Declaração Imposto de Renda Pessoa Física 2011. O programa gerador da declaração na internet deverá ser liberado neste mesmo horário no site da Receita Federal. Este ano não poderá mais ser usado o formulário de papel.

O programa gerador da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, segundo informou o Supervisor Nacional do Imposto de Renda, Joaquim Adir, foi totalmente reformulado para facilitar seu preenchimento. O software pode ser usado em vários sistemas operacionais, incluindo os considerados livres como o Linux.

A Receita estima receber este ano 24 milhões de declarações até o dia 29 de abril, quando termina o prazo. É praticamente o mesmo volume de 2010 e 2009 devido a mudanças implementadas pelo Fisco, como a desoneração dos contribuintes que tinham patrimônio entre R$ 80 mil e R$ 300 mil e o fim da obrigatoriedade para quem preenchia o formulário apenas por ter sido sócio de empresa.

Este ano está obrigado a declarar o contribuinte que, no ano passado, recebeu rendimentos tributáveis cuja soma foi superior a R$ 22.487,25. Em 2010, esse valor era de R$ 17.215,08. Também está obrigado a declarar o contribuinte que teve receita com atividade rural superior a R$ 112.436,25, contra os R$ 86.075,40 do ano anterior.

Quem optar pelo desconto simplificado em substituição às deduções previstas na legislação tributária pelo desconto de 20% do valor dos rendimentos tributáveis na declaração, limitado a R$ 13.317,09, também deve declarar. Em 2010, esse valor era de R$ 12.743,63.

Além dessas, o contribuinte poderá deduzir por dependente R$ 1.808,28, R$ 2.830,84 com educação e R$ 810,60 com a contribuição previdenciária do emprego doméstico.

Se após enviar o documento o contribuinte quiser consultar sua situação fiscal para identificar eventuais pendências, a Receita permite a verificação e a correção online dos extratos das declarações do IR. Para ter acesso, basta acessar o site http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaFisica/MalhaFiscal/Pendencias.htm. Para isso, é preciso aguardar primeiramente o processamento da declaração, estimado para maio.

A Receita manteve no site um aplicativo que mostra todos os caminhos que o contribuinte deve seguir para declarar o imposto de renda. “Isso dá para ele a condição para que ele acompanhe todo o processamento. É como se fosse um trilho de metrô, para ele se orientar”, disse Maria Helena Cotta Cardozo, coordenadora-geral de Atendimento e Educação Fiscal da Receita Federal.

Edição: Talita Cavalcante
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/home?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-4&p_p_col_pos=4&p_p_col_count=6&_56_groupId=19523&_56_articleId=3199591

O Estadão festeja Dilma

23.02.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha,via jornal O Estado de S.Paulo


“Uma imprensa livre, pluralista e investigativa é imprescindível para um país como o nosso (…) Devemos preferir o som das vozes críticas da imprensa livre ao silêncio das ditaduras”, disse a presidente Dilma Rousseff no evento comemorativo de 90 anos da Folha de S.Paulo. Não é a primeira vez que a chefe de governo faz profissão de fé na imprensa livre, fundamento básico da democracia. Essas mesmas palavras ela já havia dito quando, recém-eleita, concedeu a sua primeira entrevista coletiva. E voltou a repetir o compromisso, sempre que oportuno. Mas o pronunciamento feito na Sala São Paulo diante de uma plateia de 1.200 convidados tem um significado especial e relevante. Primeiro, pelo inequívoco sentido de alerta, quase uma palavra de ordem sobre a postura que os governantes devem manter em relação à imprensa, claramente explicitada na presença de todos aqueles com quem Dilma divide a responsabilidade de governar.

E também, não menos importante, por tudo o que pode significar o simples fato de a presidente da República comparecer naquele evento e afirmar o que afirmou. Pode significar o resgate das relações de respeito e de compreensão mútua dos respectivos papéis que devem caracterizar a convivência entre o poder público e a mídia numa sociedade democrática. É com otimismo, portanto, que, com mais esse vigoroso pronunciamento, se constata que o passado recente de permanente beligerância do poder central contra a imprensa livre é página virada.

Seguidores fiéis do ex-presidente Lula, como o fez há pouco o ministro Gilberto Carvalho, têm sistematicamente desdenhado os elogios a Dilma Rousseff por parte de quem, como este jornal, não poupa críticas a Lula quando julga que as merece. Argumentam que o que se pretende é “desconstruir” a imagem do ex-presidente. Na verdade, não fazem mais do que repetir o que o próprio Lula tem afirmado sempre que surge a oportunidade. Mas não há como deixar de registrar, e aplaudir, a enorme diferença, que não é apenas de estilo, entre as posições firmadas por Dilma numa questão fundamental como esta, a da liberdade de imprensa, e as insistentes diatribes de Lula e seus prepostos contra o trabalho dos jornalistas e a favor do “controle social” da mídia.

A verdade é que há muitos anos não se ouviam, por parte do chefe da Nação, declarações tão auspiciosas sobre os fundamentos da pluralidade democrática e o verdadeiro papel da imprensa. Afirmou Dilma Rousseff: “A multiplicidade de pontos de vista, a abordagem investigativa e sem preconceitos dos grandes temas de interesse nacional constituem requisitos indispensáveis para o pleno usufruto da democracia, mesmo quando são irritantes, mesmo quando nos afetam, mesmo quando nos atingem. E o amadurecimento da consciência cívica da nossa sociedade faz com que nós tenhamos a obrigação de conviver de forma civilizada com as diferenças de opinião, de crença e de propostas”.

Em sua intervenção, o diretor de redação do jornal, Otávio Frias Filho, lembrou que, em nome do leitor, os jornalistas exercem a função de fiscais do governo, tendo sempre um compromisso com a democracia e com o desenvolvimento do País.

Essa alusão aos pesos e contrapesos que mantêm o equilíbrio da convivência democrática acabou estabelecendo uma feliz relação dialógica com o discurso da presidente da República, o que abre nova e promissora perspectiva para o futuro da imprensa no País. Pois, se a mídia conhece a extensão de sua responsabilidade social e sabe que essa responsabilidade deve ser cobrada pela sociedade, cabe ao poder público ser fiador do ambiente de liberdade indispensável ao exercício pleno da atividade jornalística. Dilma Rousseff demonstrou firme convicção nesses princípios ao reiterar seu “compromisso inabalável com a garantia plena das liberdades democráticas, entre elas a liberdade de imprensa e de opinião”. E foi além: “Um governo deve saber conviver com as críticas dos jornais para ter um compromisso real com a democracia. Porque a democracia exige, sobretudo, este contraditório, e repito mais uma vez: o convívio civilizado, com a multiplicidade de opiniões, crenças, aspirações”. Um discurso realmente novo.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/o-estadao-festeja-dilma.html

Doutrina do Choque, Estados Unidos

28.02.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Shock Doctrine, U.S.A.
By PAUL KRUGMAN, no New York Times
Published: February 24, 2011


Aqui vai uma reflexão: talvez Madison, Wisconsin, não seja mesmo o Cairo. Talvez seja Bagdá — especificamente, Bagdá em 2003, quando o governo Bush colocou o Iraque sob o controle de autoridades escolhidas mais pela lealdade e confiabilidade políticas do que pela experiência ou competência.

Como muitos leitores vão lembrar, os resultados foram espetaculares — no mau sentido. Em vez de focar nos problemas urgentes de uma economia e sociedade destroçadas, que em breve mergulhariam em uma guerra civil assassina, os nomeados por Bush estavam obcecados com a imposição de sua visão ideológica conservadora. De fato, com saqueadores ainda soltos pelas ruas de Bagdá, L. Paul Bremer, o vice-rei americano, disse a um repórter do Washington Post que uma de suas maiores prioridades era “corporificar e privatizar as entidades estatais [iraquianas]“– palavras do sr. Bremer, não do repórter — e “afastar das pessoas a ideia de que o estado está presente em tudo”.

A história da obsessão privatista da Autoridade Provisória de Coalizão é central no best seller de Naomi Klein, “A Doutrina do Choque”, que argumentou que o Iraque fazia parte de uma tendência mais ampla. Desde o Chile nos anos 70, ela sugeriu, ideólogos da direita exploram crises para empurrar sua agenda, que não tem nada a ver com a resolução das crises, mas tudo a ver com a imposição de uma sociedade mais dura, mais desigual, menos democrática.

O que nos leva a Wisconsin 2011, onde a doutrina do choque está sendo demonstrada em seu conjunto.

Em semanas recentes, Madison é o cenário de grandes demonstrações contra o orçamento do governador, que negaria o direito de barganha coletiva aos trabalhadores do setor público. O governador Scott Walker alega que precisa aprovar a lei para lidar com os problemas fiscais do estado. Mas seu ataque aos sindicatos não tem nada a ver com o orçamento. Na verdade, os sindicatos já deixaram clara sua posição de fazer substanciais concessões financeiras — uma oferta que o governador rejeitou.

O que está acontecendo em Wisconsin é, na verdade, uma jogada de poder — uma tentativa de explorar a crise fiscal para destruir o último contrapeso ao poder político das corporações e dos ricos. E a jogada de poder vai além de destruir os sindicatos. A lei em questão tem 144 páginas e há algumas coisas extraordinárias encondidas nela.

Por exemplo, a lei inclui linguagem que permitiria a autoridades nomeadas pelo governador fazer grandes cortes no seguro de saúde de famílias de baixa renda sem passar pelo processo legislativo normal.

E então há isso: “Sem considerar ss. 13.48 (14)(am) e 16.705 (1), o departamento pode vender qualquer usina de aquecimento, esfriamento ou hidrelétrica ou pode contratar entidade privada para a operação de tal usina, com ou sem concorrência pública, por qualquer valor que o departamento determinar ser o melhor para os interesses do estado. Apesar da ss. 196.49 e 196.80, nenhum aprovação ou certificação de uma comissão de serviço público é necessária para que uma empresa pública compre ou contrate para a operação de tal usina, e qualquer compra é considerada de interesse público desde que considere os critérios de certificação do projeto sob s. 196.49 (3)(b)”.

O que significa isso? O estado de Wisconsin é dono de um certo número de usinas que fornecem aquecimento, refrigeração e eletricidade a entidades estatais (como a Universidade de Wisconsin). A linguagem na lei do orçamento permite, na verdade, que o governador privatize qualquer uma delas. Não apenas isso, ele poderia vendê-las, sem concorrência, a quem ele escolher. E note que qualquer venda destas, por definição, seria “considerada de interesse público”.

Se parece a você a perfeita armação para compadrio e lucro — lembram-se daqueles bilhões sumidos no Iraque? — você não está só. Na verdade, existem tantas cabeças suspeitando da Koch Industries, de propriedade dos irmãos bilionários que jogam um papel decisivo na ofensiva do sr. Walker contra os sindicatos, que a empresa se sentiu forçada a emitir uma nota dizendo que não está interessada na compra das usinas. Você se sente seguro disso?

A boa nova de Wisconsin é que o ultraje público — ajudado pelas manobras dos democratas no Senado estadual, que se ausentaram para negar quorum aos republicanos — reduziu a marcha dos lerdos. Se o plano do sr. Walker era aprovar a lei antes que as pessoas tivessem noção de seus reais objetivos, aquele plano fracassou. E os eventos em Wisconsin podem ter impactado outros governadores republicanos, que pareciam a caminho de apoiar jogadas parecidas.

Mas não esperem que o sr. Walker ou o resto de seu partido mudem seus objetivos. Destruir os sindicatos e privatizar continuam sendo prioridades e os republicanos vão continuar a esconder estas prioridades sob o discurso de “equilibrar o orçamento”.

PS do Viomundo: Não concordamos com nosso queridíssimo leitor, Hans Bintje, segundo o qual o que acontece nos Estados Unidos já não importa tanto assim. Acreditamos que a matriz do pensamento ultraliberal continua lá, firme e forte. E que de lá essa ideologia — de criminalizar os movimentos sociais em geral e o sindicalismo em particular — continuará a ser exportada. Poderemos influenciar no grau de adesão a ela, não mais que isso, já que parcelas consideráveis da própria esquerda já aderiram ao discurso da “estabilidade” a qualquer custo (lógico, estabilidade hierarquizada, com os interesses da banca acima dos demais).
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/doutrina-do-choque-estados-unidos.html

Mulheres da Via Campesina ocupam Incra em Recife em defesa da Reforma Agrária

28 de fevereiro de 2011
Da Página da CPT, via MST


Na manhã desta segunda-feira, dia 28, cerca de 500 mulheres da Via Campesina ocuparam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, o Incra, na cidade de Recife.

As manifestantes protestam contra a inoperância do Governo em realizar a Reforma Agrária, contra a precária política agrária para os assentamentos e a ausência de assistência técnica e de liberação de créditos para produção de alimentos.

Segundo os movimentos da Via Campesina, para os que lutam em defesa da Reforma Agrária, 2010 foi o pior dentre os oito anos comandados pelo Governo Lula. Além disso, um dos pontos centrais da manifestação foi denunciar o avanço do agronegócio e da utilização desenfreada dos agrotóxicos nos monocultivos e na fruticultura irrigada, patrocinada pela política agrícola do Governo Federal.

A ação faz parte da jornada Nacional de Lutas contra o Agronegócio e contra a Violência: por Reforma Agrária e Soberania Alimentar, em comemoração ao Dia Internacional de Luta das Mulheres.

Cristiane Albuquerque, da direção do MST em PE, declarou que o governo dá total apoio ao agronegócio, incentivando o uso de agrotóxicos, alguns de alta periculosidade que são proibidos, inclusive, em outros países. A integrante da CPT, Marluce Melo, destacou ainda durante a manifestação que “os agrotóxicos contaminam o ar que respiramos, a terra que pisamos. Envenenam os rios, as fontes de água e ainda vão parar na mesa da população. A luta contra os agrotóxicos tem que ser uma luta do campo e da cidade.”

Contra os Agrotóxicos e em defesa da Soberania Alimentar

Desde 2008, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. De acordo com o último Censo agropecuário, realizado em 2006, cerca de 80% dos grandes proprietários rurais usam veneno em suas plantações. Só em 2009, foram mais de 1 bilhão de litros de veneno utilizados nas lavouras. As consequências para a saúde da população do campo e da cidade são desastrosas.

Para as organizações da Via Campesina, as altas taxas de consumo estão relacionadas ao modelo de produção implementado no país, o agro-hidronegócio.

Este ano, a jornada de luta das mulheres da Via Campesina em Pernambuco leva o nome de “Luiza Ferreira”, em homenagem à trabalhadora rural, dirigente do MST, brutalmente assassinada pelo ex-marido em março de 2010, no município de Aliança, zona da mata norte do estado. A jornada também homenageia todas as mulheres que cotidianamente sofrem todos os tipos de opressão e dominação e que lutam em defesa de deus direitos, da vida e dignidade no campo e na cidade. Até o dia 08 de março acontecerão diversas mobilizações das mulheres da Via Campesina em várias partes do país.

Abaixo, leia o manifesto das mulheres da Via Campesina de Pernambuco.

Nós, mulheres da Via Campesina,

com a proximidade de mais um dia internacional de luta das mulheres - 08 de março - estamos mobilizadas em todo o Brasil contra a extrema violência do atual modelo de desenvolvimento para o campo: o agro-hidronegócio, que tem como lógica a exploração da terra, dos recursos naturais, do trabalho, da vida e dignidade de milhares de camponesas e camponeses.

Denunciamos a total conivência e inoperância dos Governos Federal e Estadual em garantir a realização de uma profunda Reforma Agrária no Estado de Pernambuco e no país. Para os que lutam em defesa da Reforma Agrária, 2010 foi o pior dentre os oito anos comandados pelo Governo Lula. A realidade é que a promessa do Presidente Lula, de atender a histórica demanda da partilha da terra no país, não foi cumprida.
O que vimos foi o avanço do agro-hidronegócio, responsável pela concentração de terras, pela devastação ambiental, pobreza no campo e pelo trabalho escravo para obter mais lucros. Esse modelo só produz alimentos transgênicos e utiliza desenfreadamente os agrotóxicos, que contamina o nosso solo, matas, rios, fontes de água, plantas, nossos alimentos e até o ar que respiramos. O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Grandes empresas utilizam tanto veneno em suas produções que até produtos proibidos em outros países são utilizados livremente por aqui. De acordo com o último Censo agropecuário, realizado em 2006, cerca de 80% dos grandes proprietários rurais usam veneno em suas plantações. Só em 2009, foram mais de 1 bilhão de litros de veneno utilizados nas lavouras. Esse uso descontrolado traz consequências desastrosas para a saúde do povo.
E isso não é um problema só para quem vive no campo. O povo da cidade também sofre as consequências. Neste modelo de agricultura, a produção de alimentos saudáveis e a saúde do povo não interessa. Quanto mais agrotóxicos, pior a qualidade dos alimentos consumidos pelo povo do campo e da cidade.

Quanto mais veneno, mais lucro para as grandes empresas transnacionais e mais doença para a população brasileira. Não podemos permitir isso!
Nós mulheres camponesas, somos duplamente afetadas por este modelo de agricultura, porque somos nós que passamos boa parte de nossas vidas envolvidas no cultivo e no preparo da comida para garantir saúde à nossa família. É preciso discutir com toda a sociedade os males que os agrotóxicos causam e mostrar que existem outras formas de produzir alimentos sem causar danos à saúde e ao meio ambiente. Camponesas e camponeses sempre produziram alimentos saudáveis para o povo do campo e da cidade, de forma agroecológica, sem utilização de agrotóxicos. A agricultura camponesa é a única que pode garantir a saúde e soberania alimentar do povo brasileiro!

Contra o agronegócio e seus venenos!

Viva as Mulheres Camponesas e a Soberania Alimentar!

Pernambuco - Fevereiro de 2011
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Fonte:http://www.mst.org.br/Mulheres-da-Via-Campesina-ocupam-Incra-em-Recife-em-defesa-da-Reforma-Agraria%20

Corte de despesas obrigatórias do Orçamento atinge benefícios da Previdência, pessoal e subsídios

28/02/2011
Daniel Lima, Kelly Oliveira e Luciene Cruz
Repórteres da Agência Brasil

Brasília
– Com a redução das despesas obrigatórias em R$ 15,8 bilhões dentro da previsão orçamentária de 2011, o pagamento de abonos e seguro-desemprego foi reduzido em R$ 3 bilhões. A Lei Orçamentária Anual (LOA) previa R$ 30,090 bilhões para essa rubrica e foi reduzida para R$ 27,090 bilhões.

Segundo a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, a redução não compromete o orçamento da área. “Não nos parece missão impossível. Tiramos apenas 10% do valor global”, explicou.

Já os subsídios foram os mais atingidos com a reprogramação orçamentária, anunciada hoje (28). A redução foi de quase R$ 9 bilhões. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o corte atinge, principalmente, no caso dos subsídios, recursos destinados ao Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“Estávamos trabalhando com subsídio de R$ 14 bilhões, está na LOA. No ano passado, gastamos R$ 5 bilhões com subsídios. Existe margem para reduzir, mesmo porque uma das medidas importantes é reduzir subsídio do BNDES. Ele [o BNDES] vai renovar o PSI [Programa de Sustentação do Investimento], mas com taxas de juros maiores e subsídio menor da União”, esclareceu.

As despesas de pessoal foram reduzidas em R$ 3,5 bilhões, passando da estimativa de R$ 183 bilhões para R$ 179 bilhões. Os benefícios previdenciários foram reduzidos em R$ 2 bilhões. Inicialmente, eram previstos gastos de R$ 278 bilhões. Os fundos do Desenvolvimento da Amazônia (FDA) e do Desenvolvimento do Nordeste (FNDE) tiveram corte de R$ 1,5 bilhão.

Edição: Lana Cristina
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/home?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-1&p_p_col_count=1&_56_groupId=19523&_56_articleId=3199868

Ministério Público Militar do Rio abre procedimento para investigar sumiços durante a ditadura

27.02.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO


Passado desenterrado

Brasília - O Ministério Público Militar do Rio abriu procedimento para investigar os responsáveis pelo desaparecimento de ao menos 40 ativistas de esquerda que foram levados para unidades militares no estado, durante a ditadura. A iniciativa é do promotor Otávio Bravo, para quem é preciso esclarecer os casos de desaparecimento forçado durante o regime militar. O promotor compara esses casos de desaparecimento a sequestros.Bravo pediu ajuda de entidades como o Tortura Nunca Mais, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Secretaria Nacional de Direitos Humanos. A presidente do Tortura Nunca Mais do Rio, Cecilia Coimbra, encaminhou ao promotor uma relação de 40 nomes de desaparecidos políticos. Otávio Bravo solicitou também indicação de testemunhas que possam colaborar para esclarecer esses casos. O grupo enviou nomes de parentes de quatro desaparecidos: Mário Alves de Souza Vieira, Rubens Paiva, Carlos Alberto Soares de Freitas e Stuart Angel Jones. Além deles, a investigação do promotor inclui também desaparecidos que passaram por prisões no Espírito Santo, estado que, com o Rio, também faz parte da 1ª Circunscrição Judiciária Militar.

´Não tenho a ingenuidade que algum desses sequestros ainda esteja em curso. Evidentemente, não estão. Mas, para dizer que esses crimes estão prescritos e seus responsáveis anistiados, tem que se saber como terminaram. O principal objetivo da ação é esclarecer como isso tudo aconteceu. Se estas pessoas estão mortas, se foram libertadas ou se fugiram`, disse Bravo. No material encaminhado ao promotor, o Tortura Nunca Mais juntou biografias com informações dos desaparecidos, reportagens e declarações e depoimentos de militares e de torturadores. ´O gesto do Ministério Público é corajoso e pode ajudar a elucidar e a esclarecer`, disse Cecilia Coimbra.

Bravo disse que uma de suas motivações foi a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA de condenar o Brasil por graves violações ao direitos humanos na repressão à Guerrilha do Araguaia, no ano passado. Para justificar ainstauração da investigação, o promotor listou, ao todo, 21 razões, entre as quais convenções internacionais assinadas pelo governo brasileiro nessa área. Ele lembrou que sequestro é crime tipificado no Código Penal Militar.

Sobre possível resistência das Forças Armadas, o promotor diz que a expectativa é que os militares são sempre sensíveis e reativos a este tema: ´Acho até que é bom para as Forças Armadas uma investigação desse tipo. Ajuda aos bons militares`.

O Tortura Nunca Mais sugeriu ao promotor solicitar à Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, vinculada à Secretaria de Direitos Humanos do governo federal, informações sobre cada um desses militantes de esquerda.
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/02/27/brasil7_0.asp

Duplica número de evangélicos

27.02.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO

Pastor Eurico, Deputado Federal, PSB/PE

As discussões de cunho religioso que marcaram as eleições no ano passado ajudaram a eleger parlamentares ligados a alguma Igreja. A bancada evangélica é a maior dos últimos oito anos e reúne 72 deputados federais e três senadores de vários estados e partidos. Em 2006, apenas 36 evangélicos foram eleitos no Congresso. Agora, eles terão mais força para dificultar a votação de qualquer projeto que envolva temas como união de pessoas do mesmo sexo, aborto e reprodução assistida.

Desses 72 deputados federais, 39 se elegeram agora e 33 foram reeleitos. A Assembleia de Deus, a Universal do Reino de Deus e a Batista são as igrejas com maior número de deputados e senadores. Entre os novatos estão os cantores gospel Lauriete (PSC- ES) e Marcelo Aguiar (PSC-SP), além dos pastores Eurico (PSB-PE) e Marco Feliciano (PSC-SP). O presidente da Frente Parlamentar Evangélica (FPE), deputado João Campos (PSDB-GO), foi o tucano mais votado do estado de Goiás. Embora tenham posições firmes sobre alguns temas, o líder dos evangélicos defende um debate sem preconceitos.

Ronaldo Fonseca (PP- DF) é um dos parlamentares novatos da bancada evangélica da Casa, Ele afirma que a boa organização do grupo pode render bom resultados na defesa de projetos. ´Esse crescimento foi importante e vai permitir maior força para nosso grupo`, explicou.

O deputado Leonardo Quintão (PMDB- MG), da Igreja Presbiteriana, afirmou que, além dos evangélicos, os católicos compartilham as mesmas ideias a respeito dos assuntos considerados complexos, o que amplia a defesa dos ´valores cristãos`. Quintão ressaltou que, apesar de serem contrários a união homossexual, eles são contra qualquer tipo de discriminação. ´Somos a favor da vida e dos Preceitos bíblicos`, ponderou. Ele prefere não relacionar a ampliação da bancada evangélica ao tom da campanha em 2010. ´O parlamentar não pode usar a religião para conseguir votos. Isso é oportunismo`, criticou.

Privilégios

Além de se posicionarem contra questões proibidas pela religião, os evangélicos também trabalham para impedir privilégio à Igreja Católica, embora afirmem ter uma relação próxima com os católicos. Um exemplo disso é a crítica sobre o Estatuto da Igreja Católica, fruto de um acordo do governo brasileiro com o Vaticano. Em resposta ao ato, tramita nas duas Casas um projeto, elaborado com apoio da frente, instituindo a Lei Geral das Religiões. A proposta prevê, por exemplo, a isenção de impostos as instituições religiosas de qualquer credo.
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/02/27/politica13_0.asp