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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Mãe do presidente: Parque Dona Lindu espera apenas a volta de João da Costa para ser inaugurado. Culpa pela demora é de Oscar Niemeyer

29 DE Dezembro DE 2010
Do BLOG DE JAMILDO

O tão esperado Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, que já teve até o esqueleto inaugurado pelo presidente Lula, em 2008, agora espera apenas o retorno do prefeito licenciado, João da Costa (PT), para ser plenamente aberto. De acordo com o prefeito em exercício, Milton Coelho (PSB), "já está tudo pronto".

"O parque está pronto. O Dona Lindu já está cheio de menino. Vou esperar João (da Costa) chegar (para inaugurar). João suou para botar o parque para rodar. A única coisa que falta é chegar o som, mas só porque a gente não marcou a data de inaugurar", disse em entrevista coletiva nesta quarta-feira (29).

De acordo com Milton Coelho, a demora se deve à dificuldade de se executar um projeto do arquiteto Oscar Niemeyer. "Uma obra de Oscar Niemeyer você nunca conclui no tempo. Brasília ainda hoje está sendo feita", argumentou, referindo-se à capital federal, projetada pelo arquiteto.

Milton revelou que o parque é uma das 13 obras no Recife que serão inauguradas entre a volta de João da Costa à Prefeitura - marcada para 17 de janeiro - e o aniversário do Recife, em 12 de março.
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Fonte:http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2010/12/29/parque_dona_lindu_espera_apenas_a_volta_de_joao_da_costa_para_ser_inaugurado_culpa_pela_demora_e_de_oscar_niemeyer_87672.php

Recife: Prefeito pede ajuda da imprensa para que população não jogue lixo na rua

29.12.2010
Do BLOG DE JAMILDO

O prefeito em exercício do Recife, Milton Coelho (PSB), sugeriu uma parceria entre Prefeitura e imprensa para tentar conscientizar a população a não sujar a cidade. A sugestão foi que os jornais tragam um rodapé com a frase "Não jogue lixo na rua".

Milton Coelho afirmou que a Prefeitura faz a coleta de lixo, mas não existe colaboração da sociedade. "É muito simples a gente dizer que a cidade está suja. A (Avenida) Conde da Boa Vista é limpa oito vezes por dia. E assim é toda a cidade do Recife. Mas não contamos com a colaboração dos comerciantes, que depois das 20h, jogam restos de caixa e plástico nas portas das lojas, depois que o caminhão (de lixo) já passou. A população também não colabora e joga seus descartáveis nos canais", constatou.

O prefeito em exercício citou como exemplo o canal do Jordão, na Zona Sul. Disse que a PCR fez a limpeza, mas, três meses depois, ele mesmo voltou lá e encontrou um sofá jogado no canal.

"A gente tem feito campanhas, mas é uma questão cultural. Em lugares pobres e ricos é a mesma coisa", afirmou. A Prefeitura gasta por ano R$ 140 milhões com lixo. "É preciso que cada um assuma sua parcela de responsabilidade".

Milton Coelho afirmou que não há mais problemas com a coleta de lixo. "O Recife teve problemas na coleta de lixo na transição de uma empresa para a outra porque a outra empresa (Qualix) quebrou e não foi só aqui, mas em outros lugares. Contratamos a atual empresa (Vital), ela levou um tempo para se adaptar e a população (também levou um tempo) para se adaptar aos novos processos de coleta de lixo. Hoje está completamente ajustado", afirmou.
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Fonte:http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2010/12/29/prefeito_pede_ajuda_da_imprensa_para_que_populacao_nao_jogue_lixo_na_rua_87676.php

Lula, o contador de histórias

29.12.2010
Do Diário de Pernambuco
Por Aline Moura
alinemoura.pe@dabr.com.br


De conterrâneo para conterrâneo, mais do que nunca, o presidente Lula quebrou protocolos e saiu do script ao falar à multidão

Lula e suas faces. ´O presidente mais amado`, nas palavras do poeta sertanejo Antônio Marinho. Amado assim mesmo, sem pesquisas e estatísticas. Poeta, afinal, não precisa de estudos para fazer e sentir. Lula também não. E ele ontem fez e sentiu. O Marco Zero da cidade foi todo dele por 33 minutos. Para os últimos atos administrativos como presidente da República em Pernambuco e para um discurso de despedida. Despedida não. ´Obrigado e até logo`, como frisou o governador Eduardo Campos (PSB) - último a falar antes de passar a palavra ao ilustre conterrâneo.

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente chegou ao Marco Zero mais de duas horas depois do previsto, às 19h53. Tempo suficiente para deixar qualquer fã de mau humor. Mas não a ponto de ir embora. Aguardar, ontem, mais uma vez fez parte da festa dos que insistem em ver o presidente, dessa vez regada ao som do forró pé-de-serra tocado por artistas da terra. Gente que tocava músicas que lembravam a falta de água no Sertão, a escassez de comida, a fédo nordestino. Histórias parecidas com as de Lula. Histórias com a cara do povo. Povo que gosta de dançar e de trabalhar, de contar lorotas da vida e tomar umas e outras. ´Ninguém é santo`, como lembrou o petista.

Vestido bem à vontade, como sempre, Lula chegou de camisa azul na despedida. Normalmente ele está de camisa branca, como os políticos anfitriões, mas não ontem, afinal. Não estava no script. No roteiro tradicional, entretanto, tudo como antes. Ele chegou ao palco atrasado e avisando que não ia demorar. Justificou que tinha outros compromissos - em Fortaleza e na Bahia -, mas lá se vão as horas quando começou a discursar.

O petista chegou ao púlpito com um calhamaço de papéis. Elogiou quem queria elogiar, como o presidente do BNDES, a presidente da Caixa Econômica, o ex-governador Miguel Arraes e o atual governador, mas não leu nada do que lhe foi preparado. Preferiu quebrar o protocolo novamente, a última rebeldia em solo pernambucano.

De oficial, o petista apenas leu os nomes dos presentes no evento. Depois, foi só no gogó e na emoção. E lá estava o contador de histórias, não apenas o presidente. O único chefe da nação que ´levou lata d'água` na cabeça, que tinha tudo para dar errado e não deu. ´Teime`, sugeriu a mãe dele, a falecida Dona Lindu. E Lula teimou.
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/12/29/politica13_0.asp
O contador de histórias
Edição de quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
De conterrâneo para conterrâneo, mais do que nunca, o presidente Lula quebrou protocolos e saiu do script ao falar à multidão


Lula e suas faces. ´O presidente mais amado`, nas palavras do poeta sertanejo Antônio Marinho. Amado assim mesmo, sem pesquisas e estatísticas. Poeta, afinal, não precisa de estudos para fazer e sentir. Lula também não. E ele ontem fez e sentiu. O Marco Zero da cidade foi todo dele por 33 minutos. Para os últimos atos administrativos como presidente da República em Pernambuco e para um discurso de despedida. Despedida não. ´Obrigado e até logo`, como frisou o governador Eduardo Campos (PSB) - último a falar antes de passar a palavra ao ilustre conterrâneo.


Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente chegou ao Marco Zero mais de duas horas depois do previsto, às 19h53. Tempo suficiente para deixar qualquer fã de mau humor. Mas não a ponto de ir embora. Aguardar, ontem, mais uma vez fez parte da festa dos que insistem em ver o presidente, dessa vez regada ao som do forró pé-de-serra tocado por artistas da terra. Gente que tocava músicas que lembravam a falta de água no Sertão, a escassez de comida, a fédo nordestino. Histórias parecidas com as de Lula. Histórias com a cara do povo. Povo que gosta de dançar e de trabalhar, de contar lorotas da vida e tomar umas e outras. ´Ninguém é santo`, como lembrou o petista.

Vestido bem à vontade, como sempre, Lula chegou de camisa azul na despedida. Normalmente ele está de camisa branca, como os políticos anfitriões, mas não ontem, afinal. Não estava no script. No roteiro tradicional, entretanto, tudo como antes. Ele chegou ao palco atrasado e avisando que não ia demorar. Justificou que tinha outros compromissos - em Fortaleza e na Bahia -, mas lá se vão as horas quando começou a discursar.

O petista chegou ao púlpito com um calhamaço de papéis. Elogiou quem queria elogiar, como o presidente do BNDES, a presidente da Caixa Econômica, o ex-governador Miguel Arraes e o atual governador, mas não leu nada do que lhe foi preparado. Preferiu quebrar o protocolo novamente, a última rebeldia em solo pernambucano.

De oficial, o petista apenas leu os nomes dos presentes no evento. Depois, foi só no gogó e na emoção. E lá estava o contador de histórias, não apenas o presidente. O único chefe da nação que ´levou lata d'água` na cabeça, que tinha tudo para dar errado e não deu. ´Teime`, sugeriu a mãe dele, a falecida Dona Lindu. E Lula teimou.

Trio que praticava extorsão de presídio pode pegar até 15 anos de detenção

29/12/2010
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Por Marília Simas,da Redação

Três pessoas da mesma família, acusadas de extorsão, foram apresentadas hoje pela polícia. O detento Felipe Marcelo Cavalcanti da Silva, 20 anos, conhecido como “Pequeno” agia de dentro do Presídio Agroindustrial São João (antiga PAI),em Itamaracá. Por um celular, ele ameçava de morte uma mulher que conhecia, em troca de dinheiro e créditos de telefone.

Segundo o delegado Caio Castro, na última ligação Felipe pediu para que a mulher encontrasse Sheila Fernanda Félix Ferreira, mãe de Felipe, e Fernanda Maria da Conceição, companheira do presidiário que já possuía passagem pela polícia, para realizar a entrega do dinheiro.

Ele marcou o encontro próximo ao Hospital Getúlio Vargas, no bairro do Cordeiro, Zona Oeste do Recife. “Desde a semana passada a vítima vinha recebendo ligações de uma pessoa que se identificou apenas como Felipe. Ele exigia que a mulher pagasse uma quantia de 50 reais que deveria acontecer na noite da última terça-feira, minutos depois da companheira e a sogra receberem a quantia nós fizemos a abordagem das duas mulheres e recolhemos para a nossa Delegacia”, revelou Caio Castro.

Mesmo sob ameaça, a vítima prestou queixa na polícia, o que possibilitou a prisão do grupo. “Não temos informações que este trio tenha feito outras vítimas. Mas é importante que as pessoas que recebem algum tipo de ameaça informem o que está acontecendo para a polícia", advertiu o delegado.

A polícia autuou as três pessoas em flagrante. O crime de extorsão varia de 6
a 15 anos de prisão.
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/nota.asp?materia=20101229141331

NaMariaNews: Liga de Editoras questiona Paulo Renato de Souza

29 de dezembro de 2010
Do blog de Luiz Carlos Azenha, a apartir do
NaMariaNews

O saber além dos livros da Educação de SP

Em 10 dezembro passado, em documento publicado na WEB e assinado por 45 editores, a LIBRE divulgou esta carta-denúncia: a compra de milhões de livros pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE-SP), via Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), para o projeto Apoio ao Saber, que desde seu início usou quase R$100 milhões. Tudo isso sem licitações públicas ou mesmo divulgação ampla no mercado dos editores.

A LIBRE é a Liga Brasileira de Editoras, uma rede de editoras independentes com dez mil títulos em catálogo que, entre outros aspectos, tem por missão preservar a bibliodiversidade no mercado editorial brasileiro. A carta-denúncia foi encaminhada diretamente ao secretário de Educação, Paulo Renato, e ao presidente da FDE, Fábio Bonini, questionando ainda os métodos de escolha dos títulos e suas quantidades e solicitando uma reunião para tratar do assunto.

Em 23 de dezembro, o NaMariaNews recebeu essa informação por e-mail de Marco Aurélio Melo. No mesmo dia, Luis Nassif publicou o texto.

O pedido de esclarecimentos da LIBRE é um tanto tardio, já que os Srs. Paulo Renato e Fábio Bonini estão deixando seus cargos devido mudança de governo. Porém, as colocações são justas. Por isso, o NaMariaNews foi atrás de mais informações sobre o projeto Apoio ao Saber, que doa kits com três livros para alunos e professores da rede pública de ensino.

Não foi uma caçada fácil. Há grande diferença entre o que a assessoria de imprensa da SEE-SP publica em seus releases e o que ocorre nos bastidores, nas colunas do Diário Oficial de SP. Desde o dia 23, estamos percorrendo títulos de obras, números de processos, combinações de inúmeras palavras-chave, sites de editoras, censos escolares etc., para desmontar a trama e entender o processo.

Agora você poderá ver um pouco além do correto questionamento da LIBRE, e do que se trata o inovador projeto de incentivo à leitura da Secretaria de Educação (DO de SP – 25/novembro/2008), intitulado Apoio ao Saber, e seus 22 milhões de livros, ao custo de quase R$100 milhões – ou mais.

As obras citadas pela LIBRE foram compradas graças ao pregão presencial 15/0837/08/05, lançado em 27/junho/2008, cujo edital pode ser lido aqui. Foram as obras de domínio público da lista que entraram nessa licitação, a única realizada desde o início do Apoio ao Saber, em 2008. As duas empresas vencedoras:

* Edições Escala Educacional Ltda, com 7 dos 8 itens, por R$2.423.456,81
* Global Editora e Distribuidora Ltda, por R$224.992,32
* Total: R$2.648.449,13 (ver detalhes na tabela publicada no NaMaria News)

Todas as outras compras de livros foram feitas por inexigibilidade de licitação, já que são obras exclusivas, o que faz com que seja “permitida” tal transação diretamente com as empresa detentoras dos títulos.

O interessante é que, pelo Diário Oficial, não se sabe o motivo das compras naquelas quantidades. Podemos supor que tivesse sido pelo número de alunos matriculados em cada uma das séries. Mas, se dermos uma olhada no Censo Escolar, os dados não batem em qualquer ano dessas compras. Talvez a SEE-SP tenha usado outros critérios, mas quais?

Alguns desses livros foram motivos de controversas e reclamações por “inadequação às séries e idades”, por conter “linguagem chula, citações sexuais explícitas” e por aí vai.

Talvez os mais famosos dessa leva tenham sido o Memórias Inventadas, de Manoel de Barros (que depois do furdunço a SEE-SP disse ter “mandado recolher”, só não explicando o método nem o que fizeram com os exemplares pagos com R$2.315.440,00, já que os livros estavam nas casas dos estudantes), e Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século – especificamente o texto de Inácio de Loyola Brandão: “Obscenidades para uma dona-de-casa” (confira aqui). Mas também ocorreu reclamação junto à Justiça, “por, em tese, passagem pornográfica” na obra Capitães de Areia, de Jorge Amado, tendo depois seu “arquivamento homologado“.

Sobre os critérios de escolha das obras, a Secretaria de Educação explica:

A seleção dos títulos é realizada por uma equipe técnica da Cenp (Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas), da Secretaria de Estado da Educação, baseada em critérios como o desenvolvimento do autoconhecimento, do senso estético, da sensibilidade social, da responsabilidade para com a democracia e do compromisso para com o patrimônio histórico, cultural e ambiental. Também são levadas em consideração a relevância da obra e a qualidade da edição. Os títulos devem dar suporte aos conteúdos da matriz curricular, com objetivo de elevar a qualidade do ensino público, bem como contribuir para a ampliação da cultura literária geral.

No Diário Oficial encontramos, em 10/agosto/2010, a contratação de um profissional para serviços especializados para Avaliação e seleção de Obras Literárias para comporem Kits do Projeto Apoio ao Saber – destinado a alunos e professores, pela quantia de R$6.650,00 (contrato 15/00847/10/04).

O que esqueceram de comentar nos episódios, foi o fato de o incrível educador e secretário estadual de Educação, Sr. Paulo Renato Costa Souza, ser unha e carne com a Editora Objetiva, pertencente ao Grupo Santillana. Ele também faz parte do Conselho Consultivo da Fundação Santillana no Brasil. A Editora Objetiva recebeu R$13.846.799,57 pelos 2.067.755 exemplares fornecidos à SEE-SP para o Apoio ao Saber. Também esqueceram de pensar em loteamento editorial em nome de inovador incentivo à leitura. Isso seria apenas um começo razoável de conversas “pedagógicas”, mas também reforça o “espanto” expresso pela LIBRE.

Professores não ficaram de fora. Para eles criaram, em 2010, o projeto Leituras do Professor, para validar a entrega dos kits de livros aos docentes.

Pela primeira vez, 243 mil professores da rede estadual também ganharão livros para levar para casa. São 729 mil exemplares, que compreendem um investimento de R$ 3,8 milhões dentro projeto “Leituras do Professor”. Assim como os estudantes, os docentes receberão um kit contendo três títulos, sendo um de poesia, um de teatro e um de narrativa. “Dessa forma, nossos professores terão acesso a obras relevantes, necessárias ao aprimoramento pessoal e ao exercício de suas funções”, observa o secretário. (Fonte SEE-SP)

O Tribunal de Contas de São Paulo, ainda de acordo com o Diário Oficial, julgou perfeitamente legais todas as negociações assinadas pelo Sr. Fábio Bonini Simões de Lima (presidente da FDE), Sra. Cláudia Rosenberg Aratangy (diretora de Projetos Especiais) e Inácio Antônio Ovigli (supervisor da Diretoria de Projetos Especiais).

Observações

Gastos em 2008: R$34.103.058,56
Gastos em 2009: R$2.178.378,00
Gastos em 2010: R$58.057.426,35
Total 2008-2010: R$94.338.862,91
Total de livros adquiridos: 22.505.474


* Estas foram as informações encontradas a muito custo no Diário Oficial. Não há garantias que estejam completas, seguramente já mais dados não divulgados ou, se não impossíveis, difíceis de serem achados, porque o nome do projeto varia ou não consta (a compra é lançada com um nome X de projeto e é paga com nome Y), os livros divulgados aparecem com títulos diferentes, errados ou incompletos etc..

* Também apresentado como Projeto Básico Apoio ao Saber, poucas vezes no Diário Oficial são citados claramente os destinos das compras (turmas dos alunos ou para professores), daí as interrogações na tabela acima. Nas obras “Antologia Poética”, sem complementos, não se sabe se são de Carlos Drummond de Andrade ou Vinícios de Moraes, cujos nomes foram anunciados nas matérias do DO reproduzidas nas imagens acima e em outras divulgadas pela SEE-SP – portanto, não há no quadro indicação das séries às quais se destinariam.

* Quando mais de uma compra pertence ao mesmo número de contrato, o valor total pago aparece apenas uma vez, na linha do primeiro título/obra do pacote, depois somente —|—.

* Deveria, mas no DO não há menção dos valores unitários dos livros adquiridos em nenhuma compra, bem como quanto custou cada lote, quando da aquisição de mais de um título da mesma empresa.

* Não foram contabilizados no texto, por exemplo, os gastos com empresa de logística, a Tzar SL Transporte e Armazenagem Ltda, para armazenagem, montagem e entrega de kits dos livros. Também não entraram os pagamentos para impressão e acabamento de “folders” do Apoio ao Saber, a cargo da Fundação José de Paiva Neto.

* As quantidades de livros variam muito, mesmo quando se referem à idênticas séries e anos. Portanto a pergunta sobre os motivos das quantidades escolhidas pela SEE-SP e FDE permanece.

PS do Viomundo 1: O NaMariaNews fez algumas tabelas bastante elucidativas sobre as obras e valores. Vá até lá para visualizá-las.

PS do Viomundo 2: Na carta-denúncia enviada pela Libre à Secretaria da Educação de São Paulo, a entidade diz que nove pessoas fazem a seleção dos livros a serem adquiridos. Quem são essas nove pessoas?

PS do Viomundo 3: Por que a Liga Brasileira de Editoras demorou quase três anos para agir?
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/namarianews-liga-de-editoras-questiona-paulo-renato-de-souza.html

RECEITA DE ANO NOVO

RECEITA DE ANO NOVO
Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
****
Fonte: Enviada por amigo, via email

Jornalismo apressado e mal feito

21.12.2010
Do site de CARTA MAIOR
Por Washington Araúj
o

Artigo publicado originalmente no Observatório da Imprensa

O jornalismo brasileiro, que já não era muito assertivo, termina 2010 vestido em forma de grande ponto de interrogação, jornalismo que acha, além de improdutivo, entediante investigar os fatos e os dados antes de publicar a matéria.

Mais alguns dias e adeus 2010. Tempo de pensar (e repensar) sobre tudo o que foi notícia e não merecia e também sobre tudo o que não foi notícia, e merecia. Momento especialmente propício para refletirmos se realmente o Brasil tem a imprensa que merece. Sim, porque é mais fácil mudar o curso do rio São Francisco do que ver nossa velha imprensa deixar de lado os velhos cacoetes que tanto lhe entortaram a escrita através dos anos. É mais fácil redesenhar a pirâmide da mobilidade social no Brasil do que ver ser resgatada de forma inconteste a credibilidade de parte considerável de nossos meios de comunicação.

Mas é também momento de passar em revista as muitas idas e vindas de uma imprensa quase sempre errática ao longo do ano. Imprensa que não precisou se esforçar muito para nos deixar estupefatos com o pouco caso com que princípios básicos do bom jornalismo foram relegados a segundos e terceiros planos: objetividade jornalística, relevância das pautas, importância e raridade de temas, investigação responsável antes da publicação de denúncias, respeito ao chamado "outro lado" e por aí afora.

Período de altos e baixos e onde os baixos predominaram quase que ininterruptamente. A seguir, o resultado da faina laboriosa de meus dois neurônios de estimação para me contar como foi 2010.

Previsão furada

Carlos Augusto Montenegro, presidente do Ibope, em entrevista publicada na revista Veja (nº 2127, de 22/8/2009) aposta que o governo, apesar da imensa popularidade do presidente Lula, não conseguirá fazer o sucessor – no caso, a ministra Dilma Rousseff. Também afirma que o PT está em processo de decomposição. Como vimos nem uma coisa, nem outra. Montenegro como vidente tem sido excelente presidente do Ibope.

A longa jornada em busca do fato novo

Recorrente em todo o ano foi a busca desenfreada de vistosos veículos de comunicação por fatos novos, aqui entendidos como aqueles fatos capazes de frear o favoritismo da então candidata governista Dilma Rousseff e, simultaneamente, alavancar a candidatura oposicionista de José Serra. Ao longo do ano foram rotulados como fatos novos coisas antigas, sem qualquer sombra de ineditismo, como a muito falada e pouco conhecida ficha da terrorista "Vanda" nos anos de chumbo, a quebra do sigilo fiscal de quase 4.000 brasileiros – sendo que destes apenas cinco ou seis cidadãos recebiam pesado e explícito apoio da imprensa diária e semanal, escrita, radiofônica e televisiva, cobrando sempre em tom alarmante urgentes providências para se descobrirem os beneficiários de tais malfeitos.

A grande imprensa abdicou de utilizar a percepção, a intuição e a inteligência jornalística para responder a questões importantes como estas: a quem interessaria (no duro mesmo!) a quebra do sigilo fiscal nos últimos meses de 2009 de Eduardo Jorge Caldas Pereira, vice-presidente do PSDB, de seus companheiros de partido, de Samuel Klein (dono da Casas Bahia) e da apresentadora da TV Globo Ana Maria Braga? Quem estaria mais necessitado de um balão de oxigênio que atendesse pelo nome fato novo?

Capas da Folha de S.Paulo

O jornal paulista continuou sua trajetória política de "morde-e-assopra" em busca de um cada vez mais impossível equilíbrio entre ser pró-governo e pró-oposição. Mas não deixou de reduzir a pó sua alegação recorrente de pairar acima dos partidos políticos, suas metas, desafios, anseios e motivações. Isto aconteceu num domingo (5/9/2010), quando estampou em sua capa a manchete que terá carregar durante muitos anos como pura irresponsabilidade jornalística: "Consumidor de luz pagou R$ 1 bi por falha de Dilma". A reportagem atribuía à então candidata Dilma Rousseff um erro na cobrança da tarifa social de energia elétrica quando era ministra das Minas e Energia. Segundo o Tribunal de Contas da União, o desperdício foi de R$ 989 milhões no tempo em que Dilma ocupava aquela pasta (2003-2005). A notícia estava destinada a se contrapor à propaganda eleitoral, que apresentava a candidata à Presidência pelo PT como uma eficiente gestora e colocava em xeque essa imagem.

A propósito, informe-se que a tarifa social foi criada em 2002, ainda durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. As mudanças solicitadas pelo TCU ocorreram em 2007, dois anos depois da saída de Dilma da pasta. A lei que regula a tarifa social foi alterada em 2010.

A inusitada manchete reunindo em poucos caracteres acusação explosiva de erro monumental (falha), cifra impressionante (R$ 1 bi) e ainda o nome bem estampado da candidata-líder (Dilma) em pesquisas de opinião na corrida para o Palácio do Planalto, tinha tudo para chamar a atenção de qualquer observador da mídia minimamente comprometido com o embate petistas versus demotucanos. Alguns tuiteiros se recusaram a aceitar esse papel(ão) do jornal paulista e divulgaram milhares de mensagens de 140 caracteres sugerindo outras manchetes para o jornal da Barão de Limeira. Pincei três: "Em 2000, Dilma aconselhou o FHC: não precisa investir em energia. O risco de racionamento é zero"; "Dilma joga moeda de um real na pista de Congonhas e derruba avião da TAM"; "Erro de Dilma soterra mineiros no Chile e é a principal pedra que impede a saída dos mineiros chilenos da mina".

Jornalismo apressado e mal feito

O jornalismo brasileiro, que já não era muito assertivo, termina 2010 vestido em forma de grande ponto de interrogação, jornalismo que acha, além de improdutivo, entediante investigar os fatos e os dados antes de publicar a matéria. Com bem poucas exceções sobrevivemos doze meses sob o império do "grande Se", sob o domínio do "achismo", desde as coisas mais banais até às mais importantes para o país. Às favas com a busca da verdade, imparcialidade, busca incessante pela objetividade jornalística. É como se as primeiras páginas dos jornais, seus espaços nobres e vistosos, se transformassem do dia para a noite em editoriais alagadiços, transbordando de uma seção a outra, de uma editoria a outra, irrompendo em colunas de notas políticas, avançando por sobre o colunismo social e até mesmo impregnando o espaço dos leitores com a opinião amplamente vociferada em flamejantes editoriais.

Ufa! Mas não fica por aí. Durante a exibição do Jornal da Globo do dia 27/8/2010, o apresentador William Waack perde a paciência e grita "Cala Boca" durante a entrevista da ex-ministra Dilma Rousseff.

Reinações dos especialistas em opinar

Em 2010, as notícias foram divulgadas de forma mais adjetivadas que o normal. Pouco de substância. Opinião quase sempre exacerbada, tingida por cores ideológicas. Quanto mais os grandes jornais e revistas do país tratavam de mostrar ao longo de 2010 seu decantado – mas nunca explícito – não-alinhamento partidário, mais seus colunistas carregavam nas tintas para defender seu candidato ao Planalto.

Fiquemos em apenas uma exemplificação que já estará de bom tamanho. Consideremos, a título ilustrativo, o caso Merval Pereira, principal comentarista de política do jornal O Globo e da rádio CBN, que no curto período de 15/6/2010 a 17/8/2010 criou e tratou de difundir ao máximo sua alcunha para Dilma Rousseff – a laranja eleitoral. Ele escreveu coisas como:

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"De um lado, a candidata oficial, Dilma Rousseff, transformada pelo próprio Lula em sua `laranja´ eleitoral..." (O Globo, 15/6/2010);
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"Ela já era figura proeminente antes mesmo de surgir do bolso do colete de Lula para ser impingida ao eleitorado como sua `laranja eleitoral´" (O Globo, 6/7/2010);
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"...que o seu eventual primeiro mandato será o terceiro de Lula, o que pode transformá-la em uma mera `laranja eleitoral´ do seu mentor" (O Globo, 16/7/2010);
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"... enquanto Dilma a cada dia valoriza mais o papel de `laranja eleitoral´ de Lula..." (O Globo, 11/8/2010);
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"Mas, como não é ele que concorre, e sim uma sua `laranja eleitoral´, a transferência de votos ainda não é total, e possivelmente não será" (O Globo, 17/8/2010).

A conferir se o sapiente comentarista das Organizações Globo irá, a partir do dia 1º de janeiro de 2011, elevar sua criação linguística à condição de pronome de tratamento regular para quando se referir à presidente Dilma Rousseff grafar algo como "Dilma Rousseff, a Presidente Laranja do Brasil".

O falso debate camuflando reais intenções

A imprensa clamou desde a primeira semana do ano até esta semana que no Brasil a liberdade de expressão estava por um triz. O risco vinha embutido em qualquer ideia, qualquer iniciativa, qualquer autoridade do governo que ousasse mencionar a (já) imperiosa necessidade de regulamentar – minimamente que seja – os veículos de comunicação. Para aproveitar o bordão presidencial, tomo a liberdade de, solene como sói acontecer, declarar que nunca antes na história deste país se usufruiu de tanta liberdade – opinião, expressão, imprensa – como nos dias atuais.

Ficou evidente que o combustível por trás da luta por liberdade de expressão no Brasil está na manutenção dos monopólios midiáticos, a liberdade para decidir a seu bel-prazer o que deve ser consumido pela sociedade sem qualquer consulta aos poderes constituídos. A grande imprensa se fecha em copas quando o assunto é a regulamentação dos artigos 223 e 224 da Constituição de 1988. E se abre de par em par quando é defender seus interesses corporativos, quase sempre em benefício direto de não mais que uma dezena de famílias.

Previsão furada de 2010 para 2010

Oscar Quiroga, astrólogo do jornal Estado de S. Paulo que recebeu amplo espaço da revista Veja (2161, 21/4/2010) para reunir a confraria dos astros em apoio ao candidato José Serra à Presidência, afirmou nas páginas da revista que, considerando "a notável coincidência de que no dia 10 de abril, quando sua pré-candidatura a presidente foi formalizada, o planeta Urano tenha atingido a localização em que o Sol se encontrava no momento do seu nascimento", e agregado o fato de que "Júpiter também atingirá a posição de seu mapa natal no fim de maio e de setembro, o que é outro sinal positivo para seu desempenho como candidato à Presidência... seria tolice não arriscar a afirmação de que José Serra deve ser o próximo presidente do Brasil".

Como vimos, os astros ouvidos por Veja entendiam tanto de futuro quanto o deputado eleito Tiririca de processo legislativo.

Tipo de não-fato potencializado pela imprensa

O tumulto que aconteceu no dia 20/10/2010 no bairro do Campo Grande, no Rio de Janeiro, entre simpatizantes das candidaturas de Serra e Dilma, teve como maior protagonista uma bolinha de papel que quicou na calva de José Serra. Foi difícil para a imprensa, principalmente a televisiva, informar bem seus telespectadores – cada qual assumindo a versão favorável a seu candidato à presidência. Entretanto, é preciso relatar os fatos como eles aconteceram e, entre os telejornais exibidos na noite daquela quarta-feira (20/10), parece que apenas o SBT Brasil conseguiu mostrar toda a sequência dos acontecimentos.

Na matéria, fica claro que o objeto que atingiu a cabeça do candidato foi uma simples bolinha de papel. Não foi uma pedra, nem um rolo de papel, nem um rolo de adesivos – versão final comprada pelos jornais do dia – como publicaram os principais portais de notícias. Resumo da ópera: o caso Bolinha de Papel virou jogo online no portal UOL com a chamada: "Teste sua pontaria atirando bolinhas de papel no candidato José Serra. Mova o mouse para os lados para apontar e quando Serra aparecer, clique para jogar as bolinhas e marcar muitos pontos."

Capas de Veja

A revista Veja mostrou pouca criatividade para tentar influir na campanha eleitoral de 2010. Bateu – com gosto, muito gosto – no governo Lula. Se fosse contratada pela oposição dificilmente conseguiria realizar melhor trabalho de desconstrução de oito anos de governo. Algumas das recentes edições do carro-chefe da Editora Abril trouxeram na capa, sempre carregando na cor vermelho-escarlate, chamadas como...

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"Lula, o mito, a fita e os fatos" (edição 2140);
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"Caiu a casa do tesoureiro do PT" (edição 2155);
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"Ele cobra 12% de comissão para o PT" (edição 2156);
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"O monstro do radicalismo" (edição 2173).

Vejamos as edições das três semanas anteriores ao primeiro turno das eleições deste ano: a edição nº 2181, de 8/9/2010, trazia na capa a ilustração em primeiro plano de um polvo se enroscando no brasão da República. Manchete: "O partido do polvo"; e o subtítulo: "A quebra de sigilo fiscal de filha de José Serra é sintoma do avanço tentacular de interesses partidários e ideológicos sobre o Estado brasileiro". A ediçãonº 2182, de 15/9/2010, repetia na capa a mesma ilustração, sendo que agora o polvo enrosca seus tentáculos em maços de dinheiro.

Manchete: "Exclusivo – O polvo no poder"; subtítulo: "Empresário conta como obteve contratos de 84 milhões de reais no governo graças à intermediação do filho de Erenice Guerra, ministra-chefe da Casa Civil, que foi o braço direito de Dilma Rousseff". A ediçãonº 2183, de 22/9/2010, tem novamente na capa o famoso molusco marinho lançando gigantescos tentáculos dentro do espelho d´água do Palácio do Planalto. A manchete: "A alegria do polvo", um balão daqueles de revista em quadrinhos e delimitado por raios abarcava a interjeição: "Caraca! Que dinheiro é esse?"

Há que se destacar, ainda, o perfil eminentemente partidário da revista Veja: em 54 semanas, nenhuma capa foi dedicada ao sr. Índio da Costa, muito menos ao sr. Paulo Preto, menos ainda ao Dersa e ao Rodoanel de São Paulo. O Brasil ter sido o último a sentir os feitos da crise econômica mundial e também o primeiro a desta sair... não foi, definitivamente, assunto jornalístico à altura da capa de Veja.

Deu no WikiLeaks

Julian Assange, com seu WikiLeaks, deu uma levantada na moral da velha imprensa ao instrumentalizá-la com formidáveis 250.725 documentos diplomáticos do governo dos Estados Unidos. The New York Times, El País, Le Monde, The Guardian e Der Spiegel foram os principais veículos por ele escolhidos para repercutir segredos diplomáticos que criaram – e continuarão a criar – embaraços ao governo Obama e saias justas à sua secretária de Estado, Hillary Clinton. Sintomático que um expoente do que autodesigna jornalismo científico, claramente gerado nos meios digitais, tenha requerido a experiência e tradição da velha imprensa para "filtrar" dezenas desses documentos e torná-los acessíveis com um mínimo de contextualização possível às massas da sociedade.

Preso por supostos crimes sexuais ocorridos na Suécia, Julian Assange teve inicialmente seu pedido de fiança negado. O recebimento de fundos em contas do WikiLeaks foi literalmente bloqueado pela Mastercard, Visa, PayPal e Amazon. Todas, grandes multinacionais estadunidenses.

No caso do Brasil, onde a grande imprensa tenta nos vender a todo custo a impressão de que a liberdade de expressão está com suas horas contadas, nada de substancial foi publicado, seja na forma de editoriais ou não, em defesa do australiano. E, no entanto, concordo integralmente quando o cineasta Michael Moore o descreve como "um pioneiro da liberdade de expressão, do governo independente e da revolução digital do jornalismo".

A grande novidade em nosso Brejo da Cruz foi, com grande possibilidade de acerto, a importância assumida pela WikiLeaks, seu impressionante grau de articulação e mobilização e seu recado aos Senhores Tradicionais da Mídia, como a dizer: "Baby, e nós... ainda nem começamos!"

Washington Araújo é jornalista e escritor. Mestre em Comunicação pela
UNB, tem livros sobre mídia, direitos humanos e ética publicados no Brasil,
Argentina, Espanha, México. Tem o blog http://www.cidadaodomundo.org
Email - wlaraujo9@gmail.com

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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4909

O Globo comete erros grosseiros

29 DE DEZEMBRO DE 2010
Do BLOG DO MIRO
Por José Augusto Valente


Reproduzo artigo de José Augusto Valente, publicado no sítio da Agência T1:

Matéria de capa de O Globo de hoje (29/12/2010) incorre em erro grosseiro ao passar uma idéia ao leitor de que é possível pagar todos os recursos orçamentário no ano da sua vigência.

A manchete de que “Governo só investiu 26% do previsto no ano todo” erra duas vezes:

. Ao desconsiderar que é impossível a total execução financeira dos investimentos, no ano do seu orçamento. Portanto, a conta certa são os 26% do orçamento de 2010 MAIS o Restos a Pagar executado relativo a 2009, porque é assim que funciona a Administração Pública. Quando, no texto, leva isso em consideração, o montante chega a 58,6%. Não quero discutir se é muito ou pouco, já que é pouco relevante, pela explicação abaixo.

. Ao desconsiderar a importância da execução física, que é o que interessa aos usuários e aos contribuintes. A estes pouco importa se o governo já pagou ou se pagará no futuro. O importante é que parte ou toda a obra tenha sido executada.

Para correto esclarecimento aos nossos leitores, reafirmamos: é impossível a qualquer governo, de qualquer partido, pagar todo o investimento previsto, no ano do seu orçamento.

Vamos aos fatos:

Grande parte dos investimentos autorizados no orçamento anual é de obras. Como funciona o processo, até o seu pagamento?

. A obra é contratada e um empenho é feito pelo administrador. O empenho representa a previsão de gasto, em geral, a cada ano da obra.

. A obra é iniciada e, a cada mês, é feita a medição dos serviços realizados. A empresa apresenta um relatório e a fiscalização atesta ou não as quantidades apresentadas.

. Uma vez atestada a medição, a fatura vai para liberação para pagamento. É o que se chama liquidação. A liquidação representa a seguinte posição da administração pública: “devo não nego, pagarei quando puder”.

. Se a obra estiver contemplada no PAC, o “quando puder” ocorre mais cedo do que das demais que não estão.

. Ainda assim, entre a execução física da obra e o seu pagamento decorre um tempo necessário de tramitação de, no mínimo, dois meses.

. Logo, tudo o que foi executado após o início de novembro somente será pago no ano seguinte, via rubrica Restos a Pagar.

Então, como queríamos demonstrar, é impossível pagar as obras e serviços realizados nos meses de novembro e dezembro no ano de vigência do orçamento. É assim no governo federal, nos governos estaduais e nas prefeituras. Idem no Judiciário e Legislativo.

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Além dessa tramitação legal (e lógica) da administração pública, que não pode pagar o todo ou parte da obra não executada, há as situações normais de contingenciamento, que normalmente ocorrem no início do ano e que são uma precaução necessária da administração pública, diante da incerteza natural de que as receitas ocorrerão conforme a previsão quando se votou o orçamento.

Assim, todo governo (federal, estadual e municipal), contingencia (ou “corta”, como a imprensa gosta de escrever) recursos para evitar que os gestores (das obras e serviços) autorizem gastos cuja receita possa não ser atingida no tempo certo. Ou seja, o empenho é para o ano todo mas a receita entra mês a mês. Tem que haver, portanto, sincronia entre a entrada de dinheiro nos cofres públicos e a respectiva saída.

Como conseqüência disso, ocorre uma corrida para gastar o autorizado nos últimos três meses do ano, quando já se tem uma visão mais segura do fluxo financeiro. Ainda nestes últimos dias do ano estarão sendo pagos elevados volumes de obras realizadas.

Concluímos propondo ao jornal O Globo - e à excelente jornalista Regina Alvarez, que não faria a tal manchete - que toda vez que avaliar o desempenho de um governo leve em conta as informações apresentadas acima, enfatizando o mais importante (a execução física) e falando corretamente sobre a execução orçamentária e financeira.

* José Augusto Valente - Diretor Técnico do T1
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2010/12/o-globo-comete-erros-grosseiros.html

Estadão é inimigo da reforma agrária

28 DE DEZEMBRO DE 2010
Do BLOG DO MIRO
Por Altamiro Borges


O jornal O Estado de S. Paulo, que já nasceu demonizando as lutas camponesas (basta lembrar suas matérias hidrófobas contra a revolta de Canudos) e defendendo os interesses da oligarquia paulista do café, não desiste nunca da sua cruzada contra a reforma agrária. Em editorial na semana passada, intitulado “Deixem a agricultura trabalhar”, ele voltou a atacar todos - MST, sindicalismo rural, partidos de esquerda e setores do governo Lula – que defendem uma justa distribuição de terras num dos países de maior concentração fundiária do planeta. Todos seriam entraves ao “desenvolvimento econômico” do Brasil.

Para o Estadão, os heróis do povo brasileiro são os ricos fazendeiros. “Com superávit comercial de US$ 58,2 bilhões neste ano, o agronegócio é mais uma vez a principal fonte de sustentação das contas externas brasileiras, graças ao seu poder de competição”, bajula o editorial, que parece saudoso das velhas teses oligárquicas sobre a “natureza agrícola” do país. Não há qualquer linha de crítica à concentração de terras nas mãos de poucos latifundiários, ao uso do trabalho escravo e infantil, à abjeta contratação de jagunços e pistoleiros ou às práticas devastadoras do meio ambiente tão comuns no campo brasileiro.

“Um recado político” para Dilma

Mais este editorial, dos vários já publicados, tem um objetivo nítido. Com base numa entrevista do atual ministro da Agricultura, Wagner Rossi, já confirmado para continuar no cargo, ele visa dar um “recado político” para o futuro governo. “O setor precisa de segurança para produzir bem e para ser competitivo. É um lembrete oportuno, a duas semanas da posse da presidente eleita, Dilma Rousseff”. O texto do Estadão expressa o temor dos ruralistas, para quem “o agronegócio continua na mira do Ministério do Desenvolvimento Agrário, do PT, do MST e de outras organizações comprometidas com as bandeiras do atraso”.

Sempre ancorado na entrevista do ministro, o Estadão centra seus ataques exatamente na revisão dos índices de produtividade usados para a desapropriação de terras. Lembra que uma portaria já passou pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, mas que está engavetada no Ministério da Agricultura – e assim deve continuar. Em síntese, a família Mesquita se mantém na dianteira da luta contra a reforma agrária. Para ela, esta bandeira é coisa do passado e seus defensores representam o “atraso”. Neste esforço militante, o jornal não vacila em abandonar qualquer tipo de imparcialidade e difunde as maiores mentiras.

Mentiras sem escrúpulos

Sem escrúpulos, o editorial afirma que o agronegócio é responsável pela “produção eficiente de alimentos abundantes, bons e baratos, acessíveis a qualquer trabalhador... Pode ter havido razão econômica para a reforma agrária há algumas décadas. Mas a agropecuária transformou-se amplamente nos últimos 40 anos. O setor produz muito mais que o necessário para abastecer o mercado interno e para atender à crescente demanda internacional... A agropecuária brasileira se modernizou. Os defensores da reforma agrária continuam no passado. A presidente eleita faria bem ao País se escolhesse o compromisso com a modernidade”.

Estas teses, infelizmente encampadas por alguns desenvolvimentistas, não levam em conta que a reforma agrária é uma questão de justiça social e de ampliação da democracia no Brasil – a vitória do direitista José Serra nos redutos do agronegócio deveria servir de alerta! Elas também ignoram o papel econômico de uma distribuição mais justa das terras no Brasil. Neste sentido, o Estadão mente descaradamente. Não é verdade que o agronegócio garante a comida na mesa dos brasileiros. Muito pelo contrário. São os 4,5 milhões de famílias de pequenos proprietários que garantem 80% dos alimentos consumidos no país.

Atentado à inteligência do leitor

Como observou Lúcio Mello, num excelente artigo publicado no Blog da Reforma Agrária, o editorial do Estadão é um atentado à inteligência dos leitores. Ele abusa da desinformação e das meias-verdades. Omite, inclusive, os dados oficiais recém divulgados pelo censo do IBGE. “O agronegócio não é responsável por alimentos bons, baratos e de qualidade. Por mais que comamos soja, açúcar e café e [bebamos] suco de laranja, é o produtor familiar que abastece em sua maioria as cidades de leite, feijão e mandioca, gerando renda e impedindo o aumento do fluxo migratório para São Paulo, Rio de Janeiro” e outras capitais.

Ponderado, ele observa que “o editorial louva a importância do agronegócio na sociedade, sobretudo na pauta das exportações brasileiras e na promoção do superávit primário. Até aí, nada de errado. É reconhecido o papel da monocultura agroexportadora na chamada modernização conservadora entre 1964 e o fim da década de 70”. De resto, tudo é mentira.

Entre outras distorções, o Estadão omite que o agronegócio “tem parcela de culpa considerável na dívida pública brasileira, seja através das sucessivas dívidas simplesmente não pagas ou de repasses com ônus ao tesouro de projetos agropecuários faraônicos”, explica Lúcio Mello. Estima-se que esta dívida atingiu R$74 bilhões em maio de 2008. Isto sem falar da anistias às dívidas, dos juros subsidiados e de outras benesses do Estado.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2010/12/estadao-e-inimigo-da-reforma-agraria.html

País precisará de 14 anos para acabar com déficit de próteses dentárias

29.12.2010
Do MSN NOTÍCIAS
Por Lígia Formenti
estadao.com.br
Celso Junior/AE


"Avanço. O ministro da Saúde, Jose Gomes Temporão, durante apresentação do levantamento que ouviu 38 mil pessoas" .

O Brasil levará 14 anos para corrigir o déficit de próteses dentárias entre a população idosa do País. Uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde mostra que 7 milhões de brasileiros com idade entre 65 e 74 anos precisam do tratamento. A rede pública, porém, só atende 500 mil pessoas por ano.

'Precisamos repensar estratégias para atender a demanda em um prazo mais curto', disse o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Os dados integram a Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, um levantamento feito com 38 mil pessoas nas 26 capitais e no Distrito Federal.

Atualmente, o País possui 664 laboratórios regionais para produção de próteses. 'Uma das alternativas seria os municípios fazerem convênios com produtores locais', disse o ministro.

O trabalho, o primeiro que permite uma comparação histórica, mostra que a saúde bucal do brasileiro melhorou, mas há ainda muito o que avançar.

Melhoria. Uma boa notícia é que o Brasil passa a integrar o grupo de países com baixa prevalência de cárie. O indicador, batizado de CPO (sigla para dentes cariados, perdidos e obturados), que em 2003 era de 2,8, caiu em 2010 para 2,1. Para ser considerado de baixa prevalência, o país precisa apresentar um indicador menor que 2,6 - em uma escala que vai de 0 a 32, o número de dentes presentes na boca. O desempenho do Brasil é equivalente ao da Venezuela e inferior ao do Chile, que tem CPO de 1,9. A Argentina, por sua vez, exibe CPO de 3,4. 'A Europa tem um índice médio de 1,6', afirmou o coordenador da pesquisa, Angelo Giuseppe Roncalli da Costa.

Ele considera a queda no período 2003-2010 bastante significativa. 'A tendência é de que o CPO continue a cair, mas agora em uma velocidade mais lenta.' Os dados se referem à população de 12 anos que, de acordo com Roncalli da Costa, retratam a tendência a ser seguida pelos países.

O número de crianças com até 12 anos que nunca tiveram cárie na vida cresceu de 31% para 44%. 'Isso significa que 1,4 milhão de crianças não têm nenhum dente cariado, 30% a mais que em 2003', disse o coordenador do Programa de Saúde Bucal do ministério, Gilberto Puca. O desafio está no Norte, a única região onde o CPO subiu: de 3,1 para 3,2.

Entre grupos de idade mais elevada, a situação também melhorou. Entre grupo de 15 a 19 anos, houve uma redução de 30% de CPO no período, o que significa que 18 milhões de dentes deixaram de ser atacados por cárie. Entre adultos com idade entre 35 a 44, a redução foi de 19%: agora, o CPO é de 16,3.

Um dado despertou preocupação do coordenador da pesquisa: o índice de dentes de leite cariados caiu, mas 80% dos que apresentam problemas não recebem tratamento. 'Há uma relação direta entre a saúde dos dentes de leite e dos permanentes.' Costa atribuiu o baixo índice de tratamento a um pensamento incorreto de que, por ser temporário, o dente não merece atenção.
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Fonte:http://estadao.br.msn.com/ciencia/artigo.aspx?cp-documentid=26946054

País inaugura supercomputador para pesquisas climáticas

29.12.2010
Do MSN NOTÍCIAS
Por Gerson Monteiro, estadao.com.br

Já está funcionando o novo supercomputador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), capaz de realizar 258 trilhões de cálculos por segundo. Batizado de Tupã, o equipamento amplia em 50 vezes a capacidade do País no processamento de estudos climáticos, colocando o Brasil em destaque no cenário internacional.

Instalado em Cachoeira Paulista, a 206 quilômetros de São Paulo, o supercomputador permitirá que setores como transporte e agricultura possam trabalhar com planejamento, uma vez que o sistema atual não tem tanta precisão em relação a fenômenos extremos, como chuvas intensas, secas e geadas.

Com modelos de processamento que permitem a simulação aprofundada, o Tupã vai garantir aos pesquisadores respostas mais confiáveis e precisas. Segundo Gilvan Sampaio, pesquisador do Inpe, o novo sistema terá aplicação regional e atenderá toda a América do Sul, já que os centros de pesquisas climáticas do exterior não oferecem esse serviço. Para Carlos Henrique Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o Tupã é 'o olhar global do ponto de vista dos brasileiros'.

O supercomputador será útil em pesquisas sobre atmosfera, oceanos, superfície terrestre e química da atmosfera. 'Será possível analisar, por exemplo, a temperatura da superfície do mar, a espessura do gelo na Antártida', explica Sampaio.

Estudos como a simulação de 200 anos estão programados para serem realizados até junho de 2011. Pesquisas mais sofisticadas, como análise do comportamento no fundo do mar, também deverão ser realizadas.

Um dos responsáveis pelo projeto, o pesquisador do Inpe Carlos Nobre, diz que o Tupã era a infraestrutura que faltava para o Brasil. 'É fundamental para o planejamento estratégico do País em desenvolvimento sustentável.'

Parcerias. O contrato de convênio prevê a abertura de espaço para que grupos de pesquisa, instituições e universidades integrantes da Rede Brasileira de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas (Rede Clima) utilizem o Tupã. Segundo Gilberto Câmara, diretor do Inpe, pela primeira vez o Brasil investiu recursos próprios, sem financiamento de estrangeiros, em um valor total de R$ 50 milhões.
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Fonte:http://estadao.br.msn.com/ciencia/artigo.aspx?cp-documentid=26946048

Análise: Alckmin terá 24 horas para definir sua relação com o PMDB

29/12/2010
Da FOLHA.COM
DE SÃO PAULO

A dois dias da virada do ano, persiste um impasse entre a equipe de transição do governador eleito Geraldo Alckmin e o PMDB, aliado na disputa pelo governo de São Paulo, informa Catia Seabra, repórter especial da Folha.

Os peemedebistas reivindicam a nomeação de um deputado para a Agricultura. "Mas os emissários de Alckmin sugerem que a bancada assuma como sua a indicação de um técnico para o cargo", diz a jornalista.

Nesta terça-feira (28), após uma rodada de reuniões, o PMDB avisou ao futuro chefe da Casa Civil, Sidney Beraldo, que está fora do primeiro escalão.

"Alckmin não dá sinais de que cederá ao PMDB. Os tucanos estão desconfiados com a aproximação do PMDB com o prefeito Gilberto Kassab", diz Seabra neste podcast.

Kassab deve se filiar ao PMDB em fevereiro. Ele é um potencial adversário de Alckmin em 2014.

O governador eleito de São Paulo afirmou que concluirá seu quebra-cabeças antes da virada do ano, até quinta-feira. Terá 24 horas para definir sua relação com o PMDB.
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Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/podcasts/852115-analise-alckmin-tera-24-horas-para-definir-sua-relacao-com-o-pmdb.shtml

Investigação sobre cunhado de Alckmin apura propina a políticos e funcionários públicos

29/12/2010
Da FOLHA.COM
MARIO CESAR CARVALHO
DE SÃO PAULO

Paulo Ribeiro, cunhado do governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), está sob investigação do Ministério Público do Estado sob acusação de intermediar o pagamento de propinas a políticos e funcionários públicos que contratavam empresas de merenda.

A Folha revelou ontem que a Polícia Civil fez uma operação de busca e apreensão na casa de Ribeiro, irmão de Lu Alckmin. Ele é alvo de investigação que apura crimes de lavagem de dinheiro, superfaturamento e direcionamento de licitação.

Polícia faz busca em casa de cunhado de Alckmin

A investigação é conduzida pelo promotor Arthur Lemos Jr., do Gedec (Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro).

A suspeita se baseia em escutas telefônicas e documentos apreendidos, aos quais a Folha não teve acesso.

A operação foi feita à procura de documentos que mostrariam detalhes sobre o caminho das comissões pagas por empresas para obter contratos públicos.

Há dois anos a Promotoria apura a existência de uma suposta máfia da merenda, que agiria como um cartel para subir os preços.

No esquema, o preço da merenda é sempre superfaturado, funcionários públicos e políticos recebem propina pelo valor mais alto, e o partido do prefeito recebe contribuição não declarada.

A apuração começou em São Paulo, mas hoje se estende a Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Maranhão. Há prefeituras ligadas a PSDB, PDT e PPS.

O nome de Ribeiro aparece na lista como suspeito de ter atuado como lobista em dois contratos com indícios de superfaturamento, com as prefeituras de Pindamonhangaba e de Taubaté.

Em Pindamonhangaba, cidade natal de Alckmin e de Lu, a prefeitura contratou a empresa Verdurama em 2005 para fornecer merendas para cerca de 30 mil alunos. O pagamento anual é de cerca de R$ 5 milhões.

Em Taubaté, há a suspeita de que Ribeiro teria ajudado a Sistal a elevar o valor do contrato de R$ 10,8 milhões para R$ 25 milhões num período de três anos, sem um grande aumento de alunos.

OUTRO LADO

A Folha não conseguiu encontrar os advogados de Paulo Ribeiro e das empresas Verdurama e da Sistal, investigados pelo Ministério Público de São Paulo.

O governador eleito Geraldo Alckmin decidiu não se manifestar publicamente sobre o caso. Prevaleceu a avaliação de que qualquer declaração alimentaria o noticiário negativo.

Questionado, limitou-se a afirmar com ar contrariado: "Nenhum comentário a fazer".
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Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/poder/852116-investigacao-sobre-cunhado-de-alckmin-apura-propina-a-politicos-e-funcionarios-publicos.shtml

Lula: o filho do Brasil que conquistou o poder e criou sua sucessora

28/12/2010
Do MSN NOTÍCIAS e Agência Efe

Brasília, 28 dez (EFE).- Luiz Inácio Lula da Silva fugiu da miséria do nordeste, trabalhou como torneiro mecânico, fundou um partido, chegou à Presidência em sua quarta candidatura e agora, transformado no líder mais popular da história do Brasil, entregará o cargo a sua "escolhida".

A "novela política" que é a vida de Lula já foi recriada em oito livros biográficos e no filme "O Filho do Brasil", que foi escolhido como candidato nacional ao Melhor Filme Estrangeiro para a próxima cerimônia do Oscar.

O filho mais famoso do nordeste deixará a presidência após oito anos no cargo com uma taxa de popularidade de 87% e a entregará a Dilma Rousseff, que era quase uma desconhecida no país até que ele a elegeu como candidata do Partido dos Trabalhadores (PT).

A transferência do poder será para Lula a coroação de uma vida que começou em um dia que nem ele mesmo sabe. Foi registrado como nascido no dia 6 de outubro de 1945, mas sua mãe, falecida em 1980, jurava que deu à luz no dia 27 do mesmo mês.

Seu pai, Aristides da Silva, era um lavrador analfabeto e alcoólatra que teve 22 filhos com duas mulheres: Lindu, mãe de Lula, e Valdomira, prima da Lindu.

Quando Valdomira tinha 16 anos, Aristides fugiu com ela do miserável município de Vargem Grande (hoje Caetés) rumo a São Paulo quando faltava um mês para que Lula nascesse.

Lindu e sua prole foi logo atrás e, após percorrer 3 mil quilômetros na caçamba de um caminhão, se instalaram em Santos, onde aos cinco anos Lula vendia tapioca e laranjas.

O futuro presidente acabou a escola primária em 1956, e em 1960 começou a trabalhar como torneiro mecânico.

Seis anos depois, entrou para o Sindicato de Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, e liderou o maior movimento operário da história do Brasil, em duros tempos de ditadura.

Em 1980, com a abertura política, fundou o Partido dos Trabalhadores (PT), que nasceu trotskista e com os anos se inclinou para o perfil centro-esquerda de hoje.

Lula foi candidato à presidência em 1989, 1994, 1998 e 2002. Na sua quarta tentativa, chegou ao poder, mas já não como o desalinhado operário barbudo de punho em alto que pregava a "revolução", mas como um elegante político em trajes Armani que proclamava "paz e amor".

Seu primeiro golpe de efeito no governo foi estampar a cara africana do Brasil nas capas dos jornais. Lula percorreu as regiões mais pobres com seu gabinete, para que seus ministros, muitos de "berço de ouro", sentissem "o cheiro da pobreza".

Lula apostou pela ortodoxia econômica e pareceu não ter oposição durante seus primeiros dois anos de governo, nos quais seu discurso social teve mais peso que as conquistas reais.

Logo após, atravessou então um escândalo de corrupção que decapitou a cúpula do PT, e então surgiu o Lula pragmático, que se aproximou do centro e da direita e voltou a ser candidato presidencial em 2006, para ganhar outra vez.

Sua projeção internacional e a do próprio Brasil cresceram até limites inimagináveis, apoiadas na conquista de um país que em seus oito anos de governo tirou 28 milhões de pessoas da miséria.

Em 2008, Lula foi considerado como uma das 20 pessoas mais influentes do mundo pela revista "Newsweek". Em 2009, os jornais "Le Monde" (França) e "El País" (Espanha) o nomearam "Homem do Ano".

Se por um lado se encontrou com diversos chefes de Estado e reis, Lula sempre falou a "língua do povo" com os brasileiros, criticada por acadêmicos que durante os oito anos criticaram sua falta de escolaridade.

Neste ano, em uma de suas apostas mais fortes, escolheu Dilma Rousseff como candidata do PT, envolveu-se na campanha como se fosse sua e comemorou a vitória de sua "escolhida" como a que alcançou em 2003.

Em 2014 poderia partir para sua "sexta" candidatura à presidência, mas ainda não dá pistas sobre isso. Um dia diz que existe a possibilidade e, em outro, que não fará "nem amarrado", porque seria "impossível" superar a si mesmo.
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Fonte:http://noticias.br.msn.com/brasil/artigo.aspx?cp-documentid=26934179