quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Moradores bloqueiam tráfego da PE-22 em Paulista

23.12.2010
Do blog "Paulista em 1° Lugar"
Por Francisco Marques da Silva Jr.



Na manhã desta quinta (23), o acesso à comunidade de Engenho Maranguape, em Paulista, no cruzamento da estrada de Maneipá com a PE-22, foi bloqueado por moradores que protestavam na via queimando pneus, sofás e colchões velhos além de outros objetos de madeira. O tráfego foi liberado após a interferência da força policial na localidade.

Cerca de 200 pessoas reivindicavam a libertação de Renan Nascimento Souza, conhecido como Baby, de 19 anos. A prisão aconteceu na última quarta (22), durante a Operação Preservação, em cuja ação foram presas 23 suspeitos. O acusado está sendo indiciado por envolvimento com o tráfico de drogas e também responde por denúncia de homícidio.

Familiares do rapaz, que mobilizaram o protesto, defendem sua inocência e acusam irregularidades policiais no momento da prisão. Parentes de Edileuza Alves Leite, de 54 anos, conhecida como Vovó do Tráfico, também questionaram a ação da polícia e a prisão.
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Fonte:http://paulistaem1lugar.blogspot.com/2010/12/moradores-bloqueiam-trafego-da-pe-22-em.html

Documentos revelam encontro entre blogueiros cubanos dissidentes e a diplomacia norte-americana

23 de dezembro de 2010
Do OPERA MUNDI
Por Daniella Cambaúva – Redação

Mensagens secretas enviadas pelo chefe do Escritório de Interesses dos Estados Unidos em Havana, Jonathan Farrar, ao Departamento de Estado e divulgadas pelo Wikileaks descrevem o encontro entre a subsecretária de Estado adjunta para a América Latina, Bisa Williams, e dissidentes cubanos.

Durante uma visita feita a Havana, em setembro de 2009, cujo objetivo era dialogar sobre o restabelecimento de correspondência direta entre Cuba e os EUA, a norte-americana – a funcionária de mais alto nível que visitou Cuba em décadas – se reuniu com blogueiros oposicionistas do regime cubano, entre eles, a sensação internacional Yoani Sanchez.

O informe foi enviado em 25 de setembro de 2009 e divulgado no domingo (19/12). Ao referir-se ao encontro que a funcionária teve com os blogueiros, Farrar escreveu: “Os blogueiros que, em parte por sua própria preservação, não querem estar agrupados com a comunidade dissidente, estavam igualmente otimistas com o curso dos acontecimentos.”

De acordo com os vazamentos, o chefe do Escritório de Interesses em Havana assegurou que “é a nova geração de ‘dissidentes não tradicionais’, como [a blogueira] Yoani Sanchez, poderia ter impacto de longo prazo na Cuba pós-Fidel Castro”.

Na reunião, Yoani defendeu a aproximação com os EUA para mudar a política da ilha. “Uma melhora das relações dos EUA é absolutamente necessária para que surja a democracia aqui”, disse a blogueira dissidente.

No encontro, foi destacado um pedido feito por Yoani: o fim da restrição a compras feitas pela internet. “As restrições só nos prejudicam”, disse a cubana. “Sabe o quanto poderíamos fazer se pudéssemos usar o Pay Pal ou comprar produtos on-line com um cartão de crédito?”sugeriu ela à Bisa.

Segundo documentos públicos do Senado norte-americano, a maior parte dos fundos públicos destinados a promover a mudança de governo em Cuba é enviada aos blogueiros e tuiteiros. São mais de cinco milhões de dólares por ano, informou o site cubano Cuba Debate.

Em outro despacho, datado de 27 de novembro de 2006, o ex-chefe do Escritório de Interesses, Michel E. Parmly, descreve uma reunião de funcionários da sede diplomática com “jovens ativistas pela democracia”, realizada “no quintal da residência de um diplomata norte-americano em Havana”.

Parmly escreveu que esperava que as autoridades cubanas reagissem a esse encontro “carimbando os jovens líderes como agentes do governo dos EUA… [Nós] estaremos trabalhando da mesma maneira que o governo cubano para incentivar as ações em outra direção, mais concretamente, articulando um maior e melhor trabalho na rede com os estudantes universitários que se opõem ao regime.”

Em 1º de junho de 2010, um despacho enviado pelo representante máximo da diplomacia norte-americana na ilha, Johnatan Farrar, dedica um trecho de seu informe à Yoani Sanchez e à atenção dispensada pelo governo dos EUA:

“O pensamento convencional em Havana é que o governo de Cuba vê os blogueiros como seu mais sério desafio, que tem dificuldades para conter como fez com os grupos tradicionais de oposição. Os dissidentes da ‘velha guarda’ estão bastante isolados do resto da ilha. O governo de Cuba não presta muita atenção a seus artigos e manifestos, porque não têm ressonância nacional e possuem um peso muito limitado internacionalmente”.
Cuba, EUA, Wikileaks, Yoani
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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/blog/operaleaks/documentos-revelam-encontro-entre-blogueiros-cubanos-dissidentes-e-a-diplomacia-norte-americana/

Humberto vê justiça na indicação de Bezerra Coelho

23.12.2010
Do jornal FOLHA DE PERNAMBUCO
Por MANOEL GUIMARÃES
Caderno de Política

A escolha de Fernando Bezerra Coelho (PSB) para o Ministério da Integração Nacional foi classificada pelo senador eleito Humberto Costa (PT) como uma “questão de justiça”. Para o petista, a indicação compensaria a não escalação do socialista na chapa majoritária da coligação Frente Popular de Pernambuco, composta pelo governador Eduardo Campos (PSB), pelo senador Armando Monteiro Neto (PTB) e pelo próprio Humberto. Os três saíram vencedores nas eleições de outubro. Bezerra teve que ser mantido no secretariado estadual.

“Fernando Bezerra Coelho é um quadro hoje com o perfil majoritário, e não entrou na chapa majoritária pela questão partidária. Nada mais justo do que ser o representante de Pernambuco no ministério da presidente Dilma Rousseff (PT)”, destacou o petista, que participou ontem de um almoço com a bancada estadual do partido, promovido pelo prefeito licenciado do Recife, João da Costa (PT).

Ex-ministro da Saúde no primeiro governo Lula (PT), Humberto comentou o futuro desafio de Bezerra Coelho, atual secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco. “Ele vai ser titular de um ministério extrememente importante para o Nordeste todo, que precisa ter uma agilidade no encaminhamento dos projetos que estão lá. Mas Fernando Bezerra Coelho é um grande gestor, muito ágil e preparado para o cargo”, destacou o petista.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-politica/610611?task=view

Para EUA, Vaticano vetou ligação com memorial do Holocausto por polêmica com Papa Pio XII

23 de dezembro de 2010
Do site do OPERA MUNDI
Por Marina Terra – Redação

Conforme revelam diplomatas norte-americanos em documentos vazados pelo Wikileaks, a atuação do Papa Pio XII durante a Segunda Guerra Mundial levou o Vaticano a desistir de assinar um acordo para passar a integrar uma organização internacional em memória do Holocausto.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, a número dois da embaixada dos Estados Unidos no Vaticano, Julieta Valls Noyes, afirmou que a Santa Sé voltou atrás em relação a um acordo prévio, por escrito, que o tornaria observador na organização.

No documento, datado de outubro de 2009, Julieta informou que os planos do Vaticano para assumir o status de observador na Força Tarefa para Cooperação Internacional na Educação, Lembrança e Pesquisa do Holocausto (ITF, na sigla usada no telegrama) “desmoronaram por completo (…) devido ao recuo” do Vaticano.

No mesmo despacho ela diz não saber se a decisão estava ligada ao novo ministro de Relações Exteriores do Estado, Ettore Balestrero, que classificou como “relativamente inexperiente”.

O Papa Pio XII teve pouco sucesso na denúncia do Holocausto em 1941 e 1942, quando o Vaticano foi informado dos assassinatos de judeus, ciganos e outros grupos atacados por Adolf Hitler e se pronunciou sobre o assunto. Antes de virar papa, Pio XII foi embaixador do Vaticano em Berlim.

Alguns grupos judeus acusam Pio XII de antisemitismo. Seus defensores, entre os quais há muitos judeus, afirmam que mais resistência ao nazismo teria sido pior, já que na Holanda, por exemplo, houve mais deportações após uma denúncia contra o nazismo feita pela Igreja.


Clique aqui para acessar o documento completo
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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/blog/operaleaks/para-eua-vaticano-vetou-ligacao-com-memorial-do-holocausto-por-polemica-com-papa-pio-xii/

A senadora, o inquisidor e os guerreiristas

Postado por Irineu Messias, em 23.12.2010
Publica no OPERA MUNDI, em 16/12/2010
Por Olga L. González* | Bogotá

A senadora liberal Piedad Córdoba foi recentemente destituída de seu cargo e severamente sancionada. Mesmo que as acusações não se baseiem em um processo judicial, ela não poderá exercer por 18 anos funções na política. Esta condenação ocorre em um país em que as elites optaram por soluções guerreiristas.

Relembremos os fatos: há vários anos Piedad se comprometeu com o tema da paz, em particular na libertação dos sequestrados e retidos pelas Farc. No final de 2007, foi nomeada “mediadora” pelo governo. Graças a sua intervenção, nos dois anos seguintes ocorreram as libertações dos últimos sequestrados civis e de vários prisioneiros militares, que estavam já há 10 anos na selva. Neste marco, Piedad criou o grupo Colombianos para a paz.

No último mês de setembro, sobreveio a decisão arbitrária do Procurador Geral da República. Sob o pretexto de que colaborava com as Farc, Piedad foi proibida de participar da política por 18 anos. Mesmo que pareça mentira, nenhum processo judicial apóia essa decisão. Então, como explicá-la? Mais além das faculdades constitucionais do Procurador, seus ditames não ocorreriam se não houvesse um contexto favorável. Sociologicamente, o “erro” traduz o peso crescente das forças reacionárias nas instituições e o rechaço por parte das elites à qualquer ideia de negociação política.

O primeiro tema é o inquietante rumo que tomaram as instituições. Já faz vários anos desde que os colombianos se acostumaram a ter congressistas, prefeitos e governadores proximamente ligados aos paramilitares de extrema direita e às máfias. Apenas no campo da “parapolítica” são mais de 80 os congressistas investigados e julgados pela justiça por sua colaboração com os paramilitares.

Soma-se a isso a corrosão do poder judicial e das instituições de controle político. Assim, por exemplo, há um ano e meio a nomeação do Fiscal (o chefe da política judicial nacional) está estancada. A Suprema Corte de Justiça votou 25 vezes sem conseguir eleger um porque as opções apresentadas pelo executivo são as mais opacas. E no nível local, é vox populi que vários trabalham para os narcotraficantes. O mais conhecido era o chefe de fiscais de Medellín, que chegou ao seu cargo por ser antigo ministro do Interior.

Outro contrapeso importante do poder era o Procurador (que na Colômbia é equivalente a um Ombdusman). Segundo a Carta, suas funções são “vigiar o cumprimento da Constituição”, “proteger os direitos humanos” e “defender os interesses da sociedade”. É legítimo perguntarmos então como Alejandro Ordóñez, membro de um grupo de extrema direita espanhol, poderia defender os interesses dos colombianos do século XXI ou a Constituição de um estado laico. Ordóñez recorda-se bem da cidade de Bucaramanga porque lá organizou uma queima de livros da biblioteca pública. Desde que é Procurador, destacam-se suas propostas condenando a homossexualidade, a volta da penalização do aborto ou a proibição da educação sexual. No Ministério Público que encabeça, os emblemas da República foram deslocados por sua coleção de crucifixos, virgens e velas.

Pois bem, foi esse “Inquisidor” (conforme apelidado pela imprensa colombiana) que selou o destino de Piedad Córdoba, o que pode ser considerado um ato de morte política. Por que se empenhou tanto em derrubá-la? Possivelmente tenha razão aqueles que consideram que a franqueza e as posições abertamente progressistas de Piedad ferem a moral do Procurador. Como diz o cineasta Lisandro Duque, uma mulher divorciada, feminista e negra, que além do mais levou esses assuntos à frente de batalha, está nas antípodas dos valores do Procurador.

Agora, é possível que uma decisão dessa profundidade não tivesse acontecido sem o contexto adequado – e é este o segundo elemento inquietante sobre o estado atual da Colômbia.

O linchamento midiático de Piedad Córdoba está diretamente relacionada a sua busca pela paz. Ela foi espionada ilegalmente pelos serviços secretos, e inclusive pelos guardas costas que lhe foram designados (impedindo, de fato, mais libertações). Ela foi estigmatizada pelo poder uribista e pelos meios de comunicação, que liberaram as expressões racistas, sexistas e chauvinistas dos colombianos. Ultimamente, inclusive, foi vítima de um estranho acidente de automóvel (e hoje teme por sua segurança). Assim sendo, a decisão do Procurador se insere numa linha de sabotagem histórica dos esforços realizados para levar as Farc ao terreno da conversação.

As iniciativas de paz (manifestações, voto simbólico, diálogos…) foram numerosos na história da Colômbia. Foram impulsionadas por ONGs, organizações ligadas à igreja, grupos da sociedade civil, homens e mulheres provenientes da esfera política e inclusive governantes, como ocorreu no final dos anos noventa.

Entretanto, todos esses esforços foram em vão. Gabriel García Márquez vislumbro em 1986 que os diferentes atos de sabotagem eram expressões dos “inimigos entocados da paz, dentro e fora do governo”. Na década atual, o historiador Medófilo Medina considera que o nível de resistência é tão grande que nenhum diálogo de paz com a guerrilha será possível se os governos não receberem o aval dos militares, empresários e setores políticos – que não parece interessar-lhes muito.

Essa constante explica porque aqueles que servem de intermediários com a guerrilha ou aqueles que se aventuram em processos de paz correm graves riscos: o grande Jaime Garzón, querido por todos por seu humor maravilhoso, foi assassinado pelos paramilitares em 1999 por intervir em libertações de sequestrados. No mesmo ano, com o contexto do processo de paz já esboçado, foi assassinado Jesús A. Bejarano, antigo decano da Faculdade de Economia da Universidade Nacional. Muitos mandatários locais que estabeleceram acordos de convivência com as Farc foram objetos de pressões, letais ou não. Recentemente, durante o processo de negociação das libertações, inclusive os intermediários estrangeiros (o professor suíço Jean-Pierre Gontard e o ex cônsul francês Noel Saez) foram acusados de ser “auxiliadores” da guerrilha. A maioria da classe política entendeu a lição – de fato, não se metem em essas águas.

Piedad é consciente de tudo isso. Mas é mulher, e temerária. Assim, com sua desenvoltura e um partido liberal que não facilita as coisas, decidiu entrar na busca pela paz. Com tenacidade: multiplicou iniciativas, encontros e esforços. Com resultados: conseguiu reunir sequestrados com suas famílias. E, sobretudo, com um horizonte de esperança: acabar com o conflito armado mais antigo do continente.

Mas a inércia colombiana tem um peso muito grande. A guerra virou rotina. Os camponeses seguem sendo deslocados (são mais de três milhões). Amplas camadas da sociedade têm como referência o obscurantismo criollo e as máfias reacionárias. E o governo Santos? Em seus cem dias iniciais, não deu sinais de que mudaria de rumo.

No último 2 de novembro, o Senado referendou a decisão arbitrária do Procurador. Piedad Córdoba converteu-se em ex-senadora. Paralelamente, a Corte Suprema de Justiça começou a investigar os atos do Procurador. Hoje, é impossível saber se suas decisões serão declaradas ilegais ou se alguma interpretação jurídica o desculpará de seus pecados. O caminho jurídico colombiano tende a ser longo, imprevisível e tortuoso.

Por isso, seria desejável que o destino político de Piedad Córdoba dependesse menos dos acasos da jurisprudência e mais do interesse para a sociedade de que os diálogos da paz avancem. Como uma maneira de passar, o mais dignamente possível, a outra etapa da história.

*Olga L. González é Presidente do Grupo sobre Atualidade Colombiana (GAC) na Fondation Maison des Sciences de l’Homme de Paris. O artigo foi publicado originalmente no site da revista Carta Capital.
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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/opiniao_ver.php?idConteudo=1321

Procuradoria dos Direitos do Cidadão espera que Justiça reveja interpretação sobre anistia

23/12/2010
Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Gilda Pereira de Carvalho, acredita que a recente condenação do Brasil na Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) vá levar o Poder Judiciário a rever decisões quanto ao chamado “direito de transição”, que engloba o restabelecimento da memória e reparações quanto a crimes ocorridos em períodos de exceção como a ditadura militar (1964-1985). O Brasil foi condenado na OEA devido à impunidade e falta de apuração com relação ao desaparecimento de pessoas envolvidas na Guerrilha do Araguaia (início dos anos 1970).

Entre as decisões que deverão ser revistas está o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a Lei da Anistia. De acordo com a decisão tomada em abril, foi mantida a interpretação de que a lei anistia crimes comuns, como sequestro, tortura, estupro e assassinato, cometidos por agentes do Estado contra movimentos guerrilheiros e de resistência à ditadura militar.

“Se há uma decisão internacional que o Brasil convencionou que iria obedecer, deverá existir no ordenamento político normas que façam com que as instâncias superiores do Judiciário possam rever a sua posição e possam ter um novo olhar”, disse Gilda de Carvalho à Agência Brasil ao afirmar que se não existir norma jurídica para revisão caberá o Congresso Nacional formular novas leis. “O Brasil não vai faltar com suas obrigações. Se o país se submeteu vai ter que seguir.”

A procuradora também espera que os congressistas da próxima legislatura, que tomam posse em fevereiro, encaminhem o Projeto de Lei 7.376 que cria a Comissão Nacional da Verdade. O projeto foi enviado pelo governo em maio, mas até hoje não foram indicados os nomes da comissão especial que deverá analisar a proposta. Apesar de ter elaborado o texto para criação da comissão (prevista na terceira edição do Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH 3), o governo não pediu tramitação de urgência do projeto.

Gilda Carvalho coordena o Grupo de Trabalho Memória e Verdade no Ministério Público Federal. O grupo orienta procuradores federais e estaduais nos processos sobre violação de direitos humanos na ditadura militar e sobre a consulta a documentos da repressão política daquele período.

Na semana passada, a procuradora federal sugeriu, durante seminário internacional promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, que o Congresso crie a Comissão da Verdade com mais autonomia orçamentária e independência. De acordo com o projeto de lei enviado pelo governo, a futura Comissão da Verdade será integrada por sete pessoas escolhidas pelo presidente da República.

Segundo o projeto, não caberá à comissão fazer julgamentos, apenas tratar informações e colher depoimentos. A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do MPF poderá, com base nos fatos levantados na comissão, acionar a Justiça para a apuração de responsabilidades civis.


Edição: Lílian Beraldo
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/home;jsessionid=C49F1BAA0C471DBFB6BAA7DEE3D33019?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-3&p_p_col_pos=1&p_p_col_count=8&_56_groupId=19523&_56_articleId=1126582

Faltam nove dias para Lula concluir investigação sobre Dantas

22/12/2010
Do "Conversa Afiada"
Por Paulo Henrique Amorim


No primeiro plano, um amigo do Protogenes. À esquerda, outro

Saiu nos comentários do post “Ministro da Justiça toca piano na festinha de advogado de Dantas”:

Marcelo Zarra disse:
2 de dezembro de 2010

Fausto DeSanctis “promovido”, Ali Mazloum julgando a Satiagraha, e agora o Cardozinho tocando piano pro advogado do Dantas… Foi isso o que o Lula quis dizer naquela entrevista para os “blogueiros sujos”, que muita coisa ia acontecer ainda se referindo ao Daniel Dantas. E o pior é que a decepção dessa vez está vindo antes da posse.

Na histórica entrevista que concedeu aos blogueiros sujos – clique aqui para ler -, o presidente Lula disse ao pernambucano Pierre Lucena que, no seu mandato, começou e ia concluir a investigação sobre Daniel Dantas.

A pergunta de Lucena embaraçou Lula.

Foi sobre o sumário defenestramento do ínclito delegado Paulo Lacerda para Portugal, por causa do grampo sem áudio que o diretor geral da PF, o Dr Corrêa, ainda não achou.

Clique aqui para ler “Se não controlar a Polícia Federal e a SSI armam uma cama de gato para a Dilma”.

Para explicar que agiu com isenção, Lula anunciou que ia concluir em seu mandato a investigação sobre o passador de bola apanhado no ato de passar bola.
clique aqui para ler a espantosa revelação: “Ministro da Justiça toca piano na festinha do advogado de Dantas”.

Viva o Brasil !

Em tempo: outro amigo navegante – essa blogosfera é um problema ! – enviou esse singelo comentário:

Quando o WikiLeaks da Folha vai detonar a BrOi ?
Lembrei desta matéria de colonista (*) que sempre trata o Dantas com especial carinho, o Attuch:

http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/2147_SO+FALTA+APERTAR+O+BOTAO


E desse trecho:

Essa operação complexa, e que correu até riscos de naufragar, começou a ser decidida em 11 de março por uma autoridade governamental que até então mantinha distância do problema. Naquele dia, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, recebeu em Brasília uma equipe de executivos e advogados do Citibank Foi uma reunião secreta, que nem sequer constou de sua agenda oficial. Nela, Mantega teria dado um ultimato à turma do Citi, segundo DINHEIRO apurou com outras pessoas presentes no encontro.
É óbvio que o matraqueiro do Embaixador Americano – aquele que deu a impressão de achar o Johnbim um “trêfego” – estava acompanhando tudo isso. O WikiLeaks está na mão da Folha e do Globo no Brasil. Será que eles estão escondendo isso ?

Paulo Henrique Amorim

(*) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.
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A última vez

22.12.2010

Do blog "Amigos do presidente Lula


O último pronunciamento que Lula fará à nação, amanhã, será cheio de emoção e de recados. "Saio do governo para viver a vida das ruas", diz ele. "Homem do povo que sempre fui, serei mais povo do que nunca, sem renegar meu destino e jamais fugir da luta." "Onde houver um brasileiro sofrendo, quero estar espiritualmente ao seu lado. Onde houver uma mãe e um pai com desesperança, quero que minha lembrança lhes traga um pouco de conforto. Vivi no coração do povo e nele quero continuar vivendo até o último dos meus dias."

Lula diz ainda que governou "bem" por ter berço pobre, se sentir como um cidadão comum e por conseguir se "livrar da maldição elitista" que governava para poucos e se esquecia "da maioria do seu povo, que parecia condenada à miséria e ao abandono eternos". Encerra com um "pedido enfático" para que "todos apoiem a nova presidenta, assim como me apoiaram em todos os momentos".
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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2010/12/ultima-vez.html

Caros Amigos entrevista Marilena Chauí

22 de dezembro de 2010
Do blog de Altamiro Borges

Reproduzo matéria enviada por Hamilton Octavio de Souza, editor da revista Caros Amigos:

Primeiro as redes de TV e os jornais sensacionalistas trataram de espalhar o pânico na sociedade. Depois os mesmos veículos de comunicação orquestraram com ufanismo patriótico de Copa do Mundo a ação policial-militar que colocou milhares de moradores do Complexo do Alemão debaixo de estado de sítio. A grande mídia vestiu seus repórteres para a guerra, adotou a linguagem dos quartéis e aderiu ao esquema repressivo sem o menor pudor de passar por cima da Constituição Federal, da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da ética jornalística.

Imagine-se qualquer bairro de classe média do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte etc., cercado por tropas, ocupado por militares e policiais, com invasão de domicílios, buscas e saques, para justificar a caçada a alguns empresários sonegadores de impostos, fraudadores de mercadorias, estelionatários de consumidores, corruptores de servidores públicos, manipuladores de caixa dois. Qual seria a reação do povo? Qual seria a repercussão da mídia diante de tamanha violência?

O que aconteceu no Rio de Janeiro foi exatamente isso, com a enorme diferença de que os caçados são varejistas de drogas e suas gangues estão encasteladas no seio de uma população pobre predominantemente de afro-descendentes. Por isso mesmo as autoridades se sentiram à vontade para descer o porrete, e os jornalistas se entusiasmaram em fazer uma cobertura preconceituosa, bajuladora das forças policiais e sem o menor respeito com os cidadãos que moram nessas comunidades tratadas como zona de guerra e território inimigo.

Ao contrário da mídia hegemônica, a revista Caros Amigos deu voz a quem vive e conhece a situação das favelas e dos morros cariocas, debateu as violências praticadas pelo Estado, ligou o senso crítico obrigatório no bom jornalismo, permaneceu fiel aos direitos civis e constitucionais, tratou, enfim, de mostrar aspectos ignorados pela cobertura da imprensa empresarial e conservadora.

Leia também uma excelente entrevista exclusiva com a filósofa e professora Marilena Chauí, que analisa a cobertura da mídia sobre as eleições presidenciais, o governo Lula, os desafios antigos e atuais da sociedade brasileira. Intelectual respeitada, militante do PT, Marilena Chauí acredita que o governo Dilma tem condições de avançar em várias frentes de luta, inclusive na democratização da comunicação.

Além disso, a revista Caros Amigos apresenta uma entrevista exclusiva com o tenente-coronel Otelo Saraiva de Carvalho, um dos comandantes da Revolução dos Cravos, em Portugal, em 1974; e ótimas reportagens sobre o tráfico de jovens brasileiros para exploração sexual na Europa, o exagerado encarceramento de pessoas no Brasil e a volta do lendário Cine Bijou, no centro de São Paulo, que articula exibições de filmes especiais seguidas de debates.

Enfim, uma revista para quem é exigente. Boa Leitura!
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2010/12/caros-amigos-entrevista-marilena-chaui.html

Trens da CPTM transformam cidadãos em passageiros da agonia

22 de Dezembro de 2010
Do portal o "Vermelho"
Por Leonardo Brito, na Rede Brasil Atual

A estação Francisco Morato, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), na Zona Oeste, às 6h23 da manhã, está lotada. Parada obrigatória para quem vem de Jundiaí, Várzea Paulista, Campo Limpo Paulista e Botujuru e está a caminho da capital, ela passa por obras de ampliação e modernização – o percurso de Jundiaí até Morato tem 21,5 quilômetros e dura 35 minutos.

Na plataforma, o empurra-empurra leva alguns passageiros além da linha de segurança amarela. Estreita e perigosa, qualquer esbarrão mais forte pode ser fatal. Edilson José, 43 anos, funcionário das Casas Bahia de Pirituba, ensina: "Somente se enfiando nesse tumulto, você consegue espaço para entrar no vagão”.

O trem chega. Apinhado. Ninguém respeita o desembarque dos passageiros, pois o medo de que ele feche as portas e vá embora antes de conseguir entrar é maior. Há uma surda batalha entre quem quer sair e quem quer entrar. Neuza Fernandes, 72 anos, aposentada, desce do trem indignada: “Que falta de educação, as pessoas não respeitam nem os idosos”.

A cada nova estação, mais sofrimento. As pessoas conseguem embarcar mesmo já não havendo espaço para mais ninguém e o trem segue explodindo de gente até a estação Palmeiras/Barra Funda.

Trem e metrô, a dose dupla

Entre 2007 e 2010, o número de passageiros naquele trajeto aumentou de 2,3 milhões para 5 milhões, com a junção de CPTM e Metrô. Em 2009, 75 trens foram incorporados à frota – 44 do Metrô e 31 da CPTM – e outros 34 foram reformados.

Depois do sofrimento enfrentado nas estações e composições da CPTM, o esgotamento do sistema fica claro na plataforma da Barra Funda: o sufoco de ter de enfrentar outra fila, a do Metrô, é pior.

Cadeirante no trem

A multidão empurra todos para dentro dos vagões. Carolina Ferreira, 36 anos, dona de casa e mãe de Guilherme Ferreira, 8 anos, estudante e deficiente físico, tem o olhar apreensivo, pensa em como irá embarcar o filho e sua cadeira de rodas. Ela procura um espaço nos vagões destinados às pessoas com deficiência, o primeiro e o último.

O menino tem consulta com hora marcada no hospital que fica próximo da estação Carrão, do Metrô. Depois de perder dois trens, um passageiro solidário comunica aos seguranças da estação que ela está com dificuldades para embarcar. Os seguranças afastam as pessoas e, enfim, embarcam mãe e filho. “Faço essa maratona sempre que ele tem de ir ao médico, porque em Morato não tem hospital (apropriado para o tratamento)” – explica Carolina.

Dentro do trem, as pessoas se juntam, se espremem. Cada um se encaixa como pode. Quem vai descer logo fica bem perto da porta, abraçado à barra de ferro do vagão. Todos seguem sem alegria no rosto. Muitos viajam com fones no ouvido ou lendo um livro. Daniel Moreira, 24 anos, estudante de administração, explica por que suporta o trem . “Não tenho carro, e ir de ônibus para o centro da cidade talvez fosse pior. O percurso é angustiante, mas fazer o quê? É o que temos” – relata.

Ao chegar à estação Carrão, Carolina desce com Guilherme na cadeira de rodas e segue sua maratona até o hospital, talvez esperando que a volta seja menos angustiante.
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Fonte:http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=10&id_noticia=144227

Empresas aéreas provocam a greve

22 de dezembro de 2010
Do BLOG DO MIRO
Por Altamiro Borges

Em audiência convocada pela Procuradoria Geral do Trabalho, os representantes do Sindicato Nacional de Empresas Aéreas (Snea) deixaram explícito que estão provocando a revolta e a greve dos aeroviários e aeronautas, prevista para amanhã (23). Em mais uma prova de intransigência, a entidade patronal manteve o valor do reajuste salarial de acordo com a variação integral do INPC, de 6,08%. , a mesma proposta que já já havia sido recusada pelos trabalhadores. No final da audiência, o Snea ainda propôs, de maneira provocativa, um aumento real de apenas 0,4%, passando para 6,50% o reajuste.

Um representante patronal chegou a desafiar a categoria, dizendo que ela não teria coragem de paralisar as atividades na véspera do feriado. Até parece que as poderosas empresas do setor, altamente monopolizado, apostam no caos aéreo, como forma de desgastar os aeronautas e aeroviários e de chantagear o governo. A situação dos trabalhadores do setor é das mais injustas. Com o aumento vertiginoso do transporte aéreo, constatado na lotação de todos os aeroportos, as empresas têm auferido altos lucros. Já os trabalhadores padecem com salários arrochados, com escalas de trabalho desumanas e com todo tipo de humilhação.

Crescimento do setor e intransigência

Matéria do jornal Valor demonstra que a demanda no setor cresceu 23,4% até novembro e que no próximo ano ela aumentará entre 12% e 15%. “Depois de garantir este ano o que talvez seja o melhor desempenho de sua história, a aviação comercial brasileira prepara-se para desacelerar em 2011, mas com recomposição de tarifas”. Segundo o consultor aeronáutico Paulo Bittencourt Sampaio a alta de 23,4% na demanda doméstica em 11 meses já é a melhor performance em 50 anos”. As empresas têm adquirido novas aeronaves e intensificado o processo de fusão neste setor que já é altamente concentrado.

A recusa em oferecer um aumento real mais digno e condizente com os lucros auferidos revela a intransigência das empresas, principalmente das duas que monopolizam o setor – TAM e Gol, com mais de 80% do fluxo de passageiros. Diante de tamanha provocação, os sindicatos dos aeroviários e dos aeronautas mantêm a deflagração da greve para quinta-feira, a partir das seis horas da manhã. Novas assembléias ocorrerão durante esta madrugada. Caso as lucrativas empresas não recuem, elas serão as maiores culpadas pelo caos aéreo que se instalará na véspera do Natal.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2010/12/empresas-aereas-provocam-greve.html

Por que a Blogosfera é melhor

21.12.2010
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

O Halloween aconteceu no Natal, neste ano”. A frase é do Luiz Carlos Azenha. Roubei, mas avisei que roubaria e lhe dei o crédito. Problemas à parte, pois, ninguém pode deixar de reconhecer pelo menos uma coisa: quando você critica a mídia, ela simplesmente esconde as críticas e faz de conta que você não existe. E muito menos te responde ou briga com você.

A lógica midiática é a seguinte: como os grandes meios de comunicação têm público maior, atingirão mais gente com as suas “verdades” do que você com as suas críticas. Por conta disso, eles te ignoram. A falha dessa mentalidade é a de se esquecer de que o boca a boca, quando permitido em um país democrático, com o tempo espalha toda e qualquer crítica que se queira fazer a alguém.

É bom para quem critica, claro, mas também é bom para o criticado se o teor da crítica for fraco ou inexistente. O crítico pode juntar um monte de chavões contra você, mas em algum momento terá que responder à sua pergunta sobre qual é, em termos práticos, a crítica que se quer discutir e efetivamente discuti-la, desde que em termos necessários a qualquer discussão.

Essa é a práxis na Blogosfera. Somos doidos? Somos porras-loucas? É claro que sim. Quem mais gastaria horas e horas de seu tempo, muitas vezes prejudicando os próprios afazeres pessoais e profissionais, bem como familiares, para consumir overdoses de informação, de maneira que tenha sempre o que dizer, se não for meio “excêntrico”?

Enfim, a Blogosfera é o jornalismo levado às últimas conseqüências, mas também é o tipo mais veraz de fonte de informação que se pode consumir simplesmente porque é à prova de mentiras, de manipulações.

Você mente aqui e é desmentido ali. E tudo fica registrado. Então, o blogueiro está sempre sob escrutínio de qualquer leitor. Tem que responder. Bloquear não adianta, a menos que se trate de uma razão justificada para fazê-lo, como por exemplo quando o comentarista insulta.

Você jamais verá na imprensa convencional uma troca de “verdades” como a que se viu nos últimos dias na blogosfera e isso não se deve a que todos os que nela trabalham são lordes ingleses ou seres de pura luz, mas porque eles se valem do poder de vetar o contraditório que julgam que têm, e que efetivamente têm no curto prazo.

Quem tem razão – ou acredita que tem –, no entanto, não se nega a debater. O debate pode ser muito pior para o que tenta ser esperto e fazer vingar a mentira, porque a informação é tanta e corre tão rápido na internet que é absolutamente imprudente tentar manipulá-la.

Apesar dos pesares, portanto, as pessoas que têm agido efetivamente para incluir mais atores na blogosfera não podem simplesmente abandonar o que começaram sem, pelo menos, passarem a bola para quem ache que pode fazer melhor, ou, por outro lado, continuarem fazendo o que faziam, caso a maioria vier a achar que assim deve ser.

Todos temos o dever de ser menores do que as nossas idiossincrasias e não deixarmos morrer iniciativas como a de reunir mais de três centenas de blogueiros de todo país, iniciativa que desencadeou o que está acontecendo nos Estados e municípios, onde estão ocorrendo encontros regionais como o do Rio no último fim de semana.

É evidente que, entre os blogueiros, sempre haverá quem discorde. Dificilmente encontraremos um blogueiro que não seja questionador, pois questionar é a principal característica de quem se envolve em tal atividade. Todavia, sempre que se faz alguma coisa em termos de coletivo não é possível se recusar a aceitar a decisão da maioria.

Tome-se, por exemplo, a escolha do adjetivo progressista para o substantivo blogueiro. Por que adjetivar a atividade?, alguns podem perguntar. Ora, por que a corrente de blogueiros que se reuniu em agosto em São Paulo não inclui aqueles que se conformam com o mainstream midiático ou que pertencem a ele.

Mas que nome escolher para quem se diferencia do jornalismo usual? Blogueiros de esquerda? Não restringe muito o espectro? O Brasil não é só de esquerda. Existe, no campo em que está a blogosfera – e só para ficarmos mais próximos da realidade –, a centro-esquerda, já que se quer, por esta linha de pensamento, situar o blogueiro ideologicamente.

No encontro de blogueiros de agosto havia gente que não se considera estritamente de esquerda, mas que tampouco se sente à vontade com a forma como a comunicação de massas é feita no Brasil, até porque não se atem, apenas, à política.

Progressista deriva de progresso, que por sua vez é sinônimo de evolução. E não é a evolução da comunicação no Brasil o que uniu os blogueiros?

É possível fazer qualquer interpretação de um adjetivo, desde que esse seja o objetivo. Só há um risco: se todos se dispuserem a essa prática não existirá nome de consenso, pois sempre haverá quem discorde. Talvez por isso, quem se opõe ao adjetivo “progressista” não sugere nada para substituí-lo. Pelo menos nos últimos dias.

Durante o encontro nacional dos blogueiros surgiram algumas sugestões. Poucas. Todas elas foram derrotadas de lavada pelo termo progressistas justamente por conta desta argumentação. O sujeito discorda até que tenha que propor, em vez de criticar. Aí se vê que a maioria opta sempre pelo caminho não-sectário. Vale para a blogosfera e vale para o Brasil.

Dilma venceu a eleição tendo Michel Temer como vice. A gritaria da ultra-esquerda e da direita, como sempre aliadas contra a centro-esquerda, foi ensurdecedora, mas o povo aprovou. Simplesmente porque os extremismos não cabem mais no Brasil de hoje e é preciso reconhecer todos os atores sociais dispostos a colaborar com um mesmo projeto, que pode ser um projeto de poder ou de comunicação alternativa.

Agora, tem sentido um projeto dessa envergadura, que mobilizou dezenas de milhares de reais, centenas de pessoas, meios de comunicação etc. ser combatido sem tréguas por conta do nome que escolheu? Claro que não. Duvido que a maioria apóie uma mentalidade como essa. Então não adianta ficar discutindo. O mais democrático, pois, é deixar a maioria decidir.

Fazendo do limão uma limonada, penso que o que pode parecer ruim, talvez até tenha sido bom para marcar a diferença, para mostrar que na Blogosfera os fatos vêm à tona, mesmo com conflitos, que às vezes são melhores do que a paz dos cemitérios que vige nessa imprensa tradicional, conservadora e historicamente golpista.
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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2010/12/por-que-a-blogosfera-e-melhor/

O sentido da aprovação de Lula

16.12.2010
Do blog TIJOLAÇO
Por Brizola Neto, deputado federal(PDT/RJ)

Não há dúvida de que o registro, feito pela pesquisa Ibope/CNI divulgada hoje, que dá 87% de aprovação pessoal ao Presidente Lula merece aquele famoso “nunca antes na história deste país”.

Passadas as eleições, é interessante que a gente analise isto mais além dos reflexos eleitorais de uma simples “popularidade”.

Claro que boa parte disso se deve ao fato do carisma pessoal do Presidente, suas origens e habilidades políticas.

Mas é claro também que isso não seria suficiente para isso, salvo se vivêssemos um instante onde alguma medida política de impacto, que caísse nas graças populares, como um pacote econômico provocasse um surto de apoio político. Mas isto não duraria tanto tempo, sem uma base real.

Acho que uma análise correta dos níveis de aprovação muito altos e duradouros de Lula não pode, simplemente, ser explicada por um quadro econômico favorável, embora isso seja parte essencial destes índices.

Mas creio que isso vá, como disse, além disso. Faz parte deste quadro, na minha opinião, um fator que os analistas da imprensa evitam, até porque, colonialista como são os nossos jornais, seria terrível admiti-lo.

É perceptível, porém, a qualquer um de nós, que o brasileiro recuperou a autoestima e a confiança no seu país.

Reverteu-se, especialmente a partir de 2005, a idéia de que nosso país ( e, por conseguinte, nosso povo) era intrinsecamente incapaz e que o capital e as empresas estrangeiras é que nos poderiam trazer desevolvimento e progresso.

De que as nossas elites deveriam “fazer o dever de casa” para que, quem sabe, lá adiante, nosso “povinho”, tivesse um paizinho “ajeitadinho”.

Aliás, nosso país era “pequeno” no mundo e não lhe cabia mais que o papel de coadjuvante na ordem mundial.

E Lula personificou esta mudança, tanto do ponto de vista das políticas de governo quanto, sobretudo, pela encarnação que é do brasileiro comum.

Talvez tenha feito muita gente sentir – mais que entender – algo que as elites brasileiras sempre negaram.

Que o Brasil é o povo brasileiro.
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Fonte:http://www.tijolaco.com/?p=29912

Em inauguração no Rio Grande do Sul, Lula diz que vai trabalhar intensamente até o dia 31

22/12/2010
Da Agência Brasil
Por: Priscilla Mazenotti

"Não temos o direito de parar antes de a gente completar a nossa obra, que é governar até 31 de dezembro", disse Lula (Foto: Ricardo Stuckert)

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quarta-feira (22) da cerimônia de entrega das obras de duplicação da BR-101. E disse que, apesar de o seu mandato já estar chegando ao fim, vai trabalhar intensamente até 31 de dezembro.

“Normalmente, nesta época do ano, um presidente que vai deixar a Presidência já está desacelerando o motor porque a Dilma [Rousseff] está esquentando o motor dela para entrar. Mas não temos o direito de parar antes de a gente completar a nossa obra que é governar até 31 de dezembro”, disse.

Lula visitou o canteiro de obras no segundo ano de seu primeiro mandato, em 2004. Para ele, a duplicação só foi concluída por conta da “teimosia” dos governantes. “Se não é a nossa teimosia a gente não faz. Neste país você tem um prefeito, um governo estadual, um governo federal e 300 coisas para evitar que aquela obra aconteça”, disse.

Para o presidente, a visita à obra é a conclusão de um compromisso assumido. “Queria atravessar o túnel a pé para dizer que eu não poderia deixar a Presidência sem me despedir de vocês.”

Durante a cerimônia, Lula aconselhou o governador eleito do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, a fazer “coisas óbvias”. “A única coisa que fiz foi o óbvio, aquilo que todo mundo deveria ter feito, mas não fez”, comentou, acrescentando que o estado registra o menor índice de desemprego no país. “O Rio Grande do Sul que o Tarso Genro vai pegar em 1º de janeiro é muito diferente daquele que o Olívio Dutra pegou há 12 anos”, ressaltou.
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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/2010/12/em-inauguracao-no-rio-grande-do-sul-lula-diz-que-vai-trabalhar-intensamente-ate-o-dia-31

Prefeituras apostam em apoio a catadores para ampliar coleta seletiva

22/12/2010,
Da Rede Brasil Atual
Por: Virginia Toledo

São Paulo - Os resultados de parcerias entre prefeituras e cooperativas de catadores de material reciclável foram apresentados na Expocatadores. O evento na capital paulista incluiu debates sobre a ampliação da coleta seletiva. Representantes de administrações municipais indicam que a aposta na organização dos trabalhadores e em equipamentos, como carrinhos elétricos, fazem a diferença.

A cidade de Ourinhos, no interior de São Paulo, contava com apenas 10% do lixo destinado à coleta seletiva em 2003. Segundo Carlos Pessoa Guimarães, chefe da divisão de imprensa da Superintendência de Água e Esgoto da cidade, os catadores estavam desorganizados e trabalhavam em condições sub-humanas.

A partir de 2009, um fórum entre cooperativas passou a traçar outra perspectiva. “Foi um divisor de águas. Agora, 50% da cidade é atendida e a meta é chegar a 100% até o final de 2011”, promete Guimarães. A parceria trouxe outro benefícios como a construção de refeitórios e vestiários para os trabalhadores.

Na cidade gaúcha de Gravataí, após a elaboração um projeto integrado de recursos sólidos, o município iniciou a chamada "coleta solidária" em convênio com a associação dos catadores. Segundo Juarez Fialho, secretário de serviços urbanos do município, a coleta solidária resultou em uma economia de 50% do valor gasto com a empresa terceirizada. Ele destacou também que além dos carrinhos elétricos, os catadores contam com carros equipados para coleta de óleo, lâmpadas, pilhas e bateria.

Nesta quinta-feira (23), o evento contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pelo oitavo ano consecutivo, ele participa da festa de Natal da população em situação de rua e dos catadores de materiais recicláveis. Neste ano, o presidente terá a companhia de Dilma Roussef, que assume o cargo em janeiro de 2011.
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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/temas/ambiente/2010/12/prefeituras-apostam-em-apoio-a-catadores-para-ampliar-coleta-seletiva

Assombrado pelo crack

24 de fevereiro de 2010 às 2:04
Do blog de Luiz Carlos Azenha, "Vi o Mundo"
Por Luiz Carlos Azenha

Desde criança ouço previsões sobre a iminente extinção dos jornais impressos. Depois que surgiu a internet, então, essa crença se espalhou feito praga.

Qual será o sentido de um leitor receber em casa – ou comprar na banca – um calhamaço de papel, se pode ter acesso às mesmas informações na tela de um computador?

Este ano completo 26 anos como repórter de televisão. Tenho fascínio pelo desafio de juntar imagens e sons e contar uma história de forma enxuta, condensada – às vezes capaz até de despertar emoções no telespectador. Mas não há um dia em que eu não volte para casa carregado de cacos, sobras, detalhes que não couberam na reportagem – a sensação é de ter entregue um cobertor curto ao telespectador.

Descobri, ao longo da carreira, que alguns casos são tão cheios de nuances, sombras e sutilezas que não cabem na televisão. Até parece que eles só tomam forma num espaço como este, em que os olhos do leitor podem passear pelo texto, ler e reler, preguiçosamente convidar o cérebro à reflexão.

Eu não teria como contar, na tevê, a história de um brasileiro que conheci em Nova York, nos anos 80. Personagem que desafiava os rótulos convencionais: tinha muitos amigos, era boa praça, uma referência da comunidade brasileira – mas envolvido com a compra, venda e uso de drogas.

As pistas foram surgindo aos poucos – a verdade, mesmo, recebi em forma de tijolada. Foi esse brasileiro quem me ajudou a fazer a primeira mudança de casa nos Estados Unidos. Ele tinha um carro espaçoso e se ofereceu para transportar alguns móveis. Veio dele a dica para um negócio de ocasião: um conhecido, de mudança para a Flórida, estava vendendo um colchão quase novo.

Fomos ver, mas demos de cara com uma cena bizarra. A mulher nos recebeu na sala, mas o marido se recusava a sair do banheiro. Lá de dentro, gritou as condições do negócio. Fiquei perplexo. A brasileira, disfarçando, nos chamou de lado. Pediu desculpas pela situação. Estava tão desesperada que resolveu desabafar.

Fiquei ali, só ouvindo, de testemunha. Contou que o marido tinha se tornado prisioneiro do crack. Entre uma dose e outra, tinha surtos de paranóia e se trancava. Delirava, crente de que era espionado pela polícia. Saí da casa sem o colchão, abalado e curioso. O brasileiro que me levou até lá saiu calado, me deixou em casa e nunca mais tocou no assunto.

Que diabo era aquele tal de crack, eu me perguntava? Resolvi fazer uma reportagem para a TV Manchete. Descobri que o crack era a cocaína dos pobres. O pó branco, de uso farto entre as celebridades da época, agora era vendido em forma de pedra, para ser fumado, por uma fração do preço. Tão poderoso que era capaz de destruir uma pessoa em algumas semanas de uso.

Eu e a equipe da TV Manchete tentamos, sem êxito, entrevistar alguém que tivesse experimentado a droga. Por motivos óbvios, ninguém topava gravar – nem com o rosto escondido e a voz distorcida. Meu conhecido – aquele, que havia ajudado com a mudança – se ofereceu para colaborar. Apareceu na sede da emissora com o contato de um brasileiro, que cumpria pena por tráfico de drogas.

Os presos em cadeias americanas tem direito a fazer algumas chamadas telefônicas por dia. Um familiar do preso passaria a ele o número do telefone da TV Manchete em Nova York. Dias depois, o preso brasileiro ligou. Fiquei alvoroçado. Ele topou contar tudo, desde que eu preservasse a identidade dele.
Falou sobre o surgimento do crack, as rotas do tráfico de cocaína, o envolvimento com as drogas e a prisão.

Jamais vou me esquecer de uma cena que o preso brasileiro narrou. Peixe pequeno na estrutura da quadrilha, tinha a função de transportar dinheiro dos pontos de venda até um apartamento da Trump Tower, um luxuoso prédio da Quinta Avenida. Dinheiro miúdo – notas de um, dez, vinte dólares, carregadas em maletas e sacolas.

O dólar na cueca ainda não havia sido inventado. O preso contou que fez a entrega do dinheiro e ficou esperando pelo pagamento, na sala. Disse ter visto, de rabo de olho, uma cena de filme: um cômodo estava abarrotado de dólares, maços de notas empilhados contra a parede. Viu um conhecido usando uma máquina de contar dinheiro. Encerrada a ligação, me dei conta de que tinha informações extraordinárias, obtidas de uma testemunha de primeira mão.
Mas não tinha como usá-las na televisão. E as imagens?

E o depoimento do preso, que não concordara nem com a gravação da entrevista por telefone? Resolvi que escreveria um artigo de jornal. Reproduziria trechos da conversa com o preso e outras informações que havia obtido de autoridades americanas. Chequei dados para confirmar a credibilidade do entrevistado.

Levantei o processo a que havia respondido, falei com o advogado de defesa, com a promotoria e com um porta-voz da penitenciária. Ainda inseguro, voltei a procurar o conhecido brasileiro – aquele, que havia me ajudado com a mudança e intermediado a entrevista. Eu ia publicar o texto na Folha de S. Paulo, não poderia haver qualquer dúvida. Quis vê-lo pessoalmente. “Pode publicar”, disse, depois de ler o texto. “Tem certeza?”, eu questionei. Devo ter sido tão insistente que ele resolveu se livrar de mim: “Eu era o homem que contava o dinheiro”, revelou. E foi embora. Depois daquele soco no estômago, voltei a vê-lo algumas vezes, na rua 46, em Manhattan – na época, ponto de encontro de imigrantes brasileiros.

Senti que nunca mais o fulano me olhou do mesmo jeito. Soube que morreu, anos mais tarde, de cirrose hepática. A reportagem, que não serviu para a televisão, foi publicada no jornal com chamada na primeira página.

Texto reproduzido pelo Bom Dia Bauru em 4 de fevereiro de 2006.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/bau/assombrado-pelo-crack.html

Tribunal Penal Internacional: EUA pressionou Brasil para dar imunidade aos seus militares em exercício no país

22.12.2010
Do blog de Rodrigo Vianna
Por Natalia Viana, no blog CartaCapital Wikileaks

Durante anos, o governo americano pressionou o Brasil a assinar um acordo que garantia imunidade judicial a cidadãos americanos que estiverem no país, em especial um tipo de “blindagem” contra o alcance do Tribunal Penal Internacional (TPI).

Documentos revelados pelo WikiLeaks mostram que o governo brasileiro chegou a acenar com um acordo “informal” nesse sentido, mas depois recuou.

Mesmo assim, de fato, o Brasil permite uma “blindagem” legal a crimes cometidos por militares americanos em território nacional.

Soldados americanos não podem ser processados pela justiça brasileira se cometerem crimes dento de navios ou aviões militares dos EUA, ou se cometerem crimes durante a realização de exercício militares.

Artigo 98

Entre 2003 e 2008, os Estados Unidos empreenderam uma forte campanha para blindar os seus cidadãos da jurisdição do Tribunal Penal Internacional em Haia, que EUA não reconhecem como legítimo.

Em 2003, o governo de George W Bush aprovou uma lei destinada a proteger seus militares de serem julgados por cortes internacionais. Com base no American Service Members Protection Act, o governo começou a pressionar diversos países a assinarem um acordo chamado Artigo 98, segundo o qual se comprometem a não extraditar cidadãos americanos ao TPI.

A pressão chegou até o Brasil.

“Os Estados Unidos têm responsabilidades globais que criam circunstâncias únicas”, defendeu a atual secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em fevereiro de 2005, quando ainda era senadora. “Por exemplo, somos mais vulneráveis ao mau uso de uma corte criminal internacional por causa do papel internacional que temos e dos ressentimentos que surgem por causa da nossa presença ubíqua em todo o mundo”.

Pra quem não assinar, sanções

Embora a atual administração de Barack Obama seja menos radical na oposição ao Tribunal, o empenho do governo Bush garantiu imunidade a cidadãos americanos em mais de cem países através de acordos do Artigo 98 que continuam em vigor.

Outros países que não cederam sofreram sanções – desde cortes de financiamentos e treinamento às forças armadas até o fim de assistência econômica. Países como Mali, Namíbia, África do Sul, Tanzânia e Quênia, que rejeitaram publicamente o acordo em 2003, perderam milhões de dólares em auxílio para programas de desenvolvimento econômico.

O TPI tem investigado casos importantes no continente africano, incluindo massacres em Uganda, na República Democrática do Congo e no Sudão.

No Brasil, os EUA pressionaram ao acabar com uma subvenção que era dada para militares brasileiros em cursos militares oferecidos pelas Forças Armadas daquele país, conforme um telegrama de março de 2004.

“Antes da imposição da sanções, o Ministério da Defesa brasileiro avisou que ia buscar treinamento militar e troca de oportunidades em outro lugar se o Brasil fosse obrigado a pagar o preço total do treinamento militar. Quase nove meses depois, o Ministério da Defesa realmente mudou grande parte do seu treinamento”.

O telegrama nota que desde 2003 a maior parte do treinamento militar brasileiro no exterior passou a ser realizado na França e no Reino Unido, mas também há exercícios na China, na Índia e na África do Sul. Segundo o telegrama, muitos militares brasileiros disseram querer voltar a se aproximar das forças americanas, mas o governo considerava “inaceitável” o aumento dos preços.

Jeitinho brasileiro

“Vocês precisam pensar fora da caixinha”, teria dito o secretário da Divisão das Nações Unidas do Itamaraty, Achiles Zaluar, ao secetário-assitente americano para Assuntos Político-Militares, Lincoln Bloomfield Jr, em 14 de maio de 2004. Segundo ele, “o Brasil extraditaria (cidadãos americanos) para os EUA antes (de mandar para o) Tribunal Penal Internacional”.

Na mesma conversa, Zaluar teria explicado que o TPI tinha grande apoio no Brasil e que o governo não queria dar a impressão de que a lei interacional não se aplicava a alguns países.

“As coisas seriam diferentes se estivéssemos falando somente sobre oficiais e soldados americanos. Mas uma carta branca para todos os cidadãos americanos poderia ser prejudicial se (essa política) fosse aplicada por todos os países da Corte Penal”.

Zaluar também teria dito que o processo de extradição no Brasil é similar ao da União Européia e que o Brasil poderia oferecer “garantias adicionais” se fosse necessário.

Extradição “inimaginável”

Nos meses seguintes a pressão americana continuou intensa.

Um telegrama de 14 de julho relata um encontro entre o representante político da embaixada em Brasília com o diretor do Departamento de Organismos Internacionais do Itamaraty, Carlos Duarte. Ele teria reafirmado que o Brasil apóia fortemente a Corte Penal Internacional, mas isso não impediria “uma alternativa mutualmente aceitável” ao Artigo 98.

“Repetindo uma posição de longa data do governo brasileiro, Duarte comentou que nem ele nem seus superiores concebiam nenhuma ocasião em que o Brasil submeteria cidadãos americanos em solo brasileiro à jurisdição do Tribunal Penal Internacional”, descreve o diplomata Patrick Duddy, para quem a garantia brasileira parecia “sincera”.

Duarte teria dito ainda que “as preocupações dos EUA que levaram a essa posição são claramente compreendidas pelo governo brasileiro”. E enfatizou a vontade do Brasil de encontrar uma solução – até propôs um novo texto para o acordo.

“Ele sugeriu que o governo americano submetesse outra proposta com um texto modificado que se referisse exclusivamente aos militares e funcionários americanos em vez de a todos os cidadãos”.

As negociações por um acordo que blindasse os americanos chegaram a um final em 2005, segundo os telegramas obtidos pelo WikiLeaks. Em 28 de abril, o embaixador Antônio Guerreiro se encontrou com o secretário-assistente para Não-Proliferação de Armas, Stephen G. Rademaker. Foi taxativo, deixando clara a mudança de postura do Itamaraty.

O embaixador John Danilovich descreve que “Guerreiro educadamente mas inequivocadamente falou que o Brasil não assinaria um acordo sobre o Artigo 98 com os EUA e vê essa idéia como isolúvel”. Em diversos telegramas seguintes, a embaixada comandada por John Danilovich considera que conseguir o acordo seria muito difícil por conta da oposição do Ministério de Relações Exteriores.

Garantias de facto

Ao mesmo tempo, os EUA buscavam garantias para seus soldados que periodicamente vêm ao Brasil para realizar exercícios militares conjuntos.

“Apesar do governo brasileiro ter dado suas garantias escritas usuais para os militares participando desses exercícios, a embaixada entende que o departamento de Estado queira padronizar as proteções oferecidas”, diz um telegrama de 24 de março de 2005.

“Devemos ressaltar que nas décadas em que os EUA e o Brasil têm colaborado em exercícios militares, o governo brasileiro sempre respeitou todas as normas e imunidades relativas ao nosso pessoal envolvido nesses exercícios — e não temos conhecimento de nenhum incidente afetando pessoal dos EUA que o governo brasileiro não tenha resolvido prontamente em nosso benefício”.

O embaixador John Danilovich explica em seguida como deveria ser a proposta de um acordo para proteção dos militares americanos.

Entre as condições estão a isenção de taxas de importação de equipamentos e a permissão para contratação de empresas privadas pelos militares estrangeiros. Danilovich conclui que “o Brasil já concorda com um status administrativo e técnico de facto para o pessoal militar americano que participa de exercícios militares”.

Esse status, conhecido como A&T, estabelece imunidades a forças militares de jurisdição criminal e civil – desde que a contravenção tenha sido realizada durante o cumprimento do serviço militar.

Itamaraty X Defesa, de novo

A resposta do Itamaraty foi firme. Em 31 de maio de 2005, um telegrama relatou que o Brasil rejeitou o acordo proposto. O embaixador Samuel Pinheiro Guimarães teria recomendado que o Brasil não garantisse o status A&T aos militares americanos.

“Oficiais da missão americana acompanharam o progresso do tema com integrantes do Ministério da Defesa, que demonstraram forte apoio em garantir um acordo que facilitaria os exercícios militares”, descreve o telegrama, citando que o então ministro da Defesa José Alencar cogitava enviar uma carta ao chanceler Ceslo Amorim pedindo a proteção extra aos americanos.

No final, os militares brasileiros saíram derrotados.

No dia 30 de maio, o chefe de relações militares da embaixada foi chamado ao ministério da Defesa pelo Almirante Angelo Davena, secretário de Assuntos Políticos, Estratégicos e Internacionais.

“Davena disse que considerava uma ‘derrota pessoal’ não ter coneguido persuadir o alto escalão dos ministérios das Relações Exteriores e da Defesa a garantir status A&T, e pediu que o chefe de relações militares da embaixada transmitisse sua esperança de que os exercícios continuassem mesmo assim”.

Naquele ano, um exercício aéreo – Patriot Angel – foi cancelado, mas o exercício naval UNITAS aconteceu no dia 17 de outubro, partindo da Base Naval do Rio de Janeiro, com a participação de militares dos Estados Unidos, Espanha, Argentina e Uruguai.

Imunidades

Na prática, embora não possam ser extraditados para o Tribunal Penal Internacional, os soldados americanos têm algumas imunidades a crimes cometidos no Brasil.

Os detalhes são revelados em uma nota diplomática enviada pelo Itamaraty em setembro de 2005 e reproduzida em um telegrama da embaixada dos EUA em Brasília de 6 de julho do ano seguinte.

Nela o Ministério de Relações Exteriores lamenta não estar de acordo com os termos exigidos pelos americanos (de garantir status A&T) por avaliar que a concessão de imunidades judiciais iria contra a legislação penal brasileira, além de ferir o princípio de equidade entre os Estados e de isonomia entre brasileiros e estrangeiros.

Mas nota explica com que há, de fato, imunidades para quaisquer militares americanos que passam pelo Brasil em exercício militar. As garantias são as mesmas em “quase meio século”.

O Brasil reconhece o princípio de extraterritorialidade de embarcações e aviões militares, explica o documento. “Nesse sentido, os crimes cometidos dentro desses navios e aviões não estão sujeitos à legislação brasileira. Da mesma forma, crimes cometidos em território brasileiro por pessoal militar estrangeiro, enquanto estiverem cumprindo suas funções, não estão sujeitos à jurisdição brasileira, mas à jurisdição do país ou nacionalidade do perpetrador”.

A nota diplomática do Itamaraty reforça, no entanto, que as cortes brasileiras têm jurisdição sobre crimes cometidos fora do exercício militar determinado. “Neste úlimo caso, as cortes brasileiras agirão independentemente de quaisquer consultas entre os dois governos, baseando-se nos princípios constitucionais que estabelecem a independência de poderes”.

O mesmo telegrama mostra a irritação do Itamaraty em relação ao lobby americano junto a militares brasileiros pela conquista da imunidade judicial.

“Finalmente, o Ministério expresa à embaixada que as comunicações sobre esse assunto, para que sejam consideradas oficiais, devem ser direcionadas ao Itamaraty, a autoridade com responsabilidades apropriadas e o órgão que gerencia privilégios e imunidades a oficias estrangeiros que visitam o país”, diz a nota diplomática.
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Fonte:http://www.escrevinhador.com.br/

Política: Brasilia -DF

23.12.2010
Do jornal DIÁRIO DE PERNAMBUCO
A partir da coluna politica BRASÍLIA DF
Por Luiz Carlos Azedo
luizazedo@dabr.com.br

Os quatro grandes

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), depois de surpreender os demais colegas e o Palácio do Planalto com sua indicação como candidato à reeleição pela bancada do PT, derrotando o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), conseguiu mais uma proeza: a adesão dos dois maiores partidos de oposição, o PSDB e o DEM, à sua candidatura. Tudo em nome do princípio da proporcionalidade na composição da Mesa.

Maia contou com o apoio decisivo do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), que costurou o acordo com os oposicionistas com um olho na vitória do petista e o outro na sua própria eleição para o biênio 2013/2014. Com isso, projeta consolidar o rodízio entre o PMDB e o PT até o fim do governo Dilma. O que ganharão com isso o PSDB e o DEM? Ora, o terceiro e quarto cargos mais importantes na Mesa, sendo um deles a Primeira-Vice-Presidência ou a Primeira-Secretaria.

O político gaúcho ainda ocupa o gabinete de primeiro-vice-presidente e não se mudou para a residência oficial após a renúncia de Michel Temer (PMDB-SP), vice-presidente da República eleito, mas acredita que o acordo entre os quatro maiores partidos da Câmara desaguará numa chapa única, com base no critério da proporcionalidade entre as legendas. Isso levaria de roldão os aliados governistas de PP, PR e PTB, de um lado; e do bloquinho de esquerda PSB-PDT-PCdoB-PMN, de outro.

Falta combinar

O deputado Aldo Rebelo PCdoB-SP) é candidatíssimo a presidente da Câmara. Foi liberado pela cúpula de seu partido para disputar o cargo, mas se finge de morto para não virar comida de onça. Aos que o procuram para discutir o assunto, afirma que o processo de escolha de Marco Maia foi muito truncado, há insatisfação nas bancadas e isso deve provocar o surgimento de outra candidatura da base. ´Maia deu mais importância à oposição do que aos aliados`, dispara.

Estão no jogo

Os líderes do Democratas, deputado Paulo Bornhausen (SC); e do PSDB, João Almeida (BA), que anunciaram ontem o apoio dos dois partidos ao candidato do PT à Presidência da Câmara dos Deputados, incluíram no pacote o comando de comissões temáticas e a designação para relatorias especiais. Enfraquecidos com o resultado das urnas, que reduziu o tamanho da oposição, optaram por um ´acordo para o bem do Brasil que engrandece a oposição e valoriza o Parlamento`. O PPS ficou de fora. Pretende decidir o assunto depois que seus novosdeputados forem empossados.

Não gostaram

O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), e o provável futuro líder da bancada, ACM Neto (BA), foram atropelados pelo acordo com o PT e o PMDB para a eleição de Marco Maia. O racha na bancada democrata pode se aprofundar por causa da disputa de ambos com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e o presidente de honra da legenda, Jorge Bornhausen, pai de Paulo Bornhausen.

Endosssou

Já confirmado como futuro ministro das Relações Institucionais do governo Dilma Rousseff, o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) fez questão de participar da entrevista coletiva na qual o PSDB e o DEM anunciaram apoio a Marco Maia. Esse acordo pode facilitar em muito a sua atuação futura.

Lacrimogênea

Foi melancólica a sessão do Senado de ontem, com mais uma rodada de despedidas de senadores que estão deixando a Casa, como Heráclito Fortes (DEM-PI), Marco Maciel (DEM-PE) e Aloizio Mercadante (PT-SP). O clima de velório não impediu o senador Mão Santa (PSC-PI) de protagonizar um bate-boca com a petista Ideli Salvati (SC), que aguardava seu discurso para também se despedir.

Levou

A Democracia Socialista acabou mantendo sob seu controle a Secretaria do Desenvolvimento Agrário, com a indicação do deputado Afonso Florence (PT-BA), que representará a corrente no lugar do atual ministro, Guilherme Cassel. Dilma gostaria até de mantê-lo no cargo, mas optou pela troca para garantir a representação dos governadores petistas do Nordeste, como havia prometido a Jaques Wagner, da Bahia, e a Marcelo Déda, de Sergipe.
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/12/23/politica8_0.asp

Um oásis para os desertos

22 de dezembro de 2010
Do site Envolverde
Por Kanya D’Almeida, da IPS*

Nações Unidas, 21/12/2010 – A Década das Nações Unidas para os Desertos e a Luta contra a Desertificação busca criar consciência e desenvolver planos de ação para proteger essas áreas entre 2010 e 2020. Uma desertificação intensa afeta ou ameaça aproximadamente um bilhão de pessoas em cerca de cem países. São as atividades humanas que levam à proliferação destas terras áridas e não cultiváveis.

A Década foi declarada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, e lançada oficialmente no dia 16 em Londres, sede de numerosas organizações não governamentais, grupos de especialistas e outras entidades dedicadas a combater a degradação dos solos e promover a sustentabilidade dos desertos. Pesquisadores, ativistas e políticos se reuniram para compartilhar conhecimentos, estratégias e perspectivas sobre a crise e trabalhar no contexto do lema “Uma Década, Tempo Suficiente para Mudar”.

Após a decepção da 16ª Conferência das Partes (COP 16) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, realizada de 29 de novembro a 10 de dezembro em Cancun, no México, e do fracasso de incontáveis tratados internacionais para acabar com a degradação da terra. A Década dá à comunidade internacional a oportunidade de agir de imediato. Um em cada três habitantes do planeta vive em terras desérticas.

Vários dos assuntos mais graves do mundo – desde biodiversidade e produção de alimentos até energia – convergem nessas regiões. Elas são um santuário antigo e natural para algumas das espécies mais exóticas de fauna e flora. Segundo informes da Década, “uma em cada três variedades cultivadas atualmente tem suas origens ali”. Além disso, são o sustento da metade dos animais do mundo. Os pobres da China, África subsaariana e Ásia central são os que atualmente suportam a carga mais pesada da desertificação.

A rede britânica BBC informou no ano passado que a desertificação nessas áreas pode forçar a saída de até 50 milhões de pessoas até 2020. Os especialistas afirmam que já não se pode ignorar a crise das migrações maciças, dos deslocamentos internos e dos refugiados do clima, que fogem de secas e da fome. A estreita relação entre preservação de biodiversidade e segurança humana foi colocada em destaque na apresentação europeia da Década.

“Nós trabalhamos nas terras desérticas da Europa oriental e da Ásia central, e ali a biodiversidade está muito vinculada ao uso da terra. As atividades humanas nestas áreas têm um enorme impacto sobre a vida dos animais, entre eles as aves, especialmente pela criação de gado, pastagens excessiva e agricultura”, disse à IPS Johannes Kamp, da Royal Society for the Protection of Birds (Real Sociedade para a Proteção das Aves).

“Assim, para preservar a biodiversidade nestas áreas é preciso comprometer a população e começar a falar seriamente sobre sustentabilidade”, destacou Johannes. Apesar de todo nosso ecossistema depender de um delicado equilíbrio entre mangues e terras desertas, a agricultura industrializada foi e é a maior causa da desertificação no mundo, acrescentou.

O secretário-executivo da Convenção das Nações Unidas de Luta contra a Desertificação, Luc Gnacadja, disse à IPS que “a mudança climática é uma das principais causas de conflito político, desde Iraque até Afeganistão”. As “crises nestas regiões não são acidentais. São causadas por condições de vida miseráveis e pela falta de acesso a terras produtivas e água. Sem dúvida, uma batalha em torno destas necessidades leva a conflitos”, acrescentou.

Como ocorre com a maioria das outras catástrofes relacionadas com o clima, as minorias étnicas do mundo, comunidades nômades ou outras pobres e marginalizadas, são as que pagam o preço mais alto por um problema que não criaram. Para isso, é absolutamente imperativo que a Década permita que as ideias, estratégias e informação sobre a desertificação fluam diretamente, da sociedade civil para a esfera da elite política, disse Luc.

“Aqui os atores não são as corporações, nem mesmo os governos. São os agricultores, os criadores de gado, quem vive e trabalha nas áreas áridas”, afirmou o secretário. “Deve-se permitir que eles comuniquem suas ideias sobre o que funciona e o que não funciona”, concluiu. Não está claro, porém, até que ponto serve a existência de programas esporádicos para abordar uma desertificação tão execrável. Ao que parece, é necessária uma mudança radical e mais integral nas condições econômicas e sociais para abordar realmente este problema.

“A revolução industrial e o avanço da urbanização foram os primeiros fatores que levaram à atual degradação do solo”, disse Luc à IPS. “Os seres humanos causaram mais danos à Terra nos últimos 50 anos do que em toda a história. É possível que até 2050 tenhamos que aumentar em 70% a produção alimentar. Devemos reverter essa tendência. Devemos agir agora para a próxima geração”, ressaltou.

* Matéria originalmente publicada no site Envolverde
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Fonte:http://www.cartacapital.com.br/sociedade/um-oasis-para-os-desertos

CRIME DE ALDEIA: Pai do noivo entrega arma do crime

23 de dezembro de 2010
Do jornal DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Por Juliana Colares
Caderno VIDA URBANA

João Bosco Damascena disse ter escondido a pistola 380 por achar que filho sobreviveria

A principal suspeita da polícia se confirmou. Foi o pai de Rogério Damascena, o noivo que matou a noiva e um colega de trabalho durante a festa do próprio casamento no último sábado, em Aldeia, que escondeu a arma do crime. Assustado com a repercussão do caso e com as notícias de que a polícia estava fechando o cerco, o funcionário público João Bosco Damascena contratou dois advogados, que o instruíram a entregar a pistola calibre 380. Segundo o novo depoimento de João Bosco à polícia, o filho tinha a arma há cerca de três anos. Ele teria dito aos advogados que não sabia que o filho iria cometer os crimes. O caso ainda não foi fechado, mas a polícia acredita que Rogério Damascena sofreu um surto psicótico movido por ciúme patológico.

No DHPP, ele contou que Rogério tinha a pistola há 3 anos Foto: Lucas Oliveira/Esp. DP/D.A Press

Gestor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, Joselito Kehrle do Amaral informou que as investigações não indicam que o noivo tenha planejado os homicídios e o suicídio com muita antecedência. O delegado acredita que Rogério tomou a decisão de cometer os crimes entreas 20h do último sábado, quando chegou na festa com a noiva, e as 2h30 do domingo, quando pegou a pistola e efetuou os disparos. A polícia ainda não explicou por que a arma estava na caminhonete de João Bosco. O veículo estava em posse do filho desde o dia anterior à festa. Ainda não foi revelado se Rogério costumava andar com a arma no veículo.

De acordo com Joselito Kehrle, João Bosco teria dito que já sabia que o filho estava vivo quando tomou a iniciativa de esconder a pistola. ´Ele diz que num ato desesperado retirou a arma do local porque o filho poderia sobreviver`, disse o delegado. Um dos advogados de João Bosco chegou a dar a mesma versão à imprensa, mas, em seguida, os advogados disseram que o cliente achava que o filho estava morto e que a arma foi retirada no intuito de evitar uma tragédia maior. A pistola não está registrada no nome de nenhum dos dois. Por causa do novo depoimento de João Bosco, a polícia irá realizar mais diligências e ouvidas, que podem interferir no indiciamento. Mas, a princípio, o pai do noivo deverá ser indiciado por falso testemunho, porte ilegal e obstrução da Justiça. A entrega espontânea da arma livrou João Bosco da autuação em flagrante. (Juliana Colares)
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/12/23/urbana13_0.asp

Extradição de Battisti fica para depois do Natal

21/12/2010
Agência Brasil

Lula recebeu o advogado-geral da União e pediu que alguns aspectos jurídicos sejam apresentados de forma mais clara

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou para depois do Natal a decisão sobre a extradição ou não do ativista político italiano Cesare Battisti(foto). A informação foi dada pelo chefe de gabinete do presidente, Gilberto Carvalho.

Na tarde desta terça-feira (21), Lula recebeu do advogado-geral da União, Luís Inácio Lucena Adams, o parecer do órgão sobre o caso. Mas pediu que alguns aspectos jurídicos sejam apresentados de forma mais clara, “Tem alguns aspectos que ele [presidente Lula] precisa ter mais segurança, para evitar desdobramentos”, disse Carvalho, após encontro com o presidente, no Palácio da Alvorada.

De acordo com o chefe de gabinete, Lula não pretende deixar a decisão para a presidenta Dilma Rousseff. “Ele que tomar a decisão”, afirmou Carvalho.

Em novembro de 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a extradição de Battisti, porém definiu que a decisão final cabe ao presidente da República. Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália pelo assassinato de quatro pessoas na década de 1970.
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Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/extradicao+de+battisti+fica+para+depois+do+natal/n1237889550022.html

Assembleia Legislativa: Comissões aprovam novos investimentos para o Estado

22.12.2010
Do site da Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco

Os projetos do Poder Executivo que autorizam a doação de terrenos em Pernambuco para a instalação da montadora da Fiat e da Companhia Siderúrgica Suape foram aprovados, na manhã desta quarta (22 de dezembro), durante reuniões extraordinárias das Comissões de Justiça, de Finanças, e de Administração Pública. Os projetos foram votados nos colegiados em regime de urgência logo após a abertura da autoconvocação da Assembleia.

Considerada um dos maiores investimentos do Estado, a montadora da Fiat será instalada numa área de aproximadamente 440 hectares, em Suape. Segundo o projeto, a unidade industrial irá produzir, montar, comercializar e importar veículos automotores, máquinas, peças de reposição e autopeças em geral.

Na Comissão de Justiça, a matéria foi relatada pelo presidente do colegiado, deputado André Campos, do PT. O parlamentar comentou que Pernambuco vive um momento de grande crescimento econômico, ressaltando que a Alepe tem contribuído nesse processo. //

O presidente da Comissão de Finanças, deputado Geraldo Coelho, do PTB, lembrou que a vinda da fábrica da Fiat irá atrair a instalação de, pelo menos, 50 outras empresas para o Estado. Já o presidente da Comissão de Administração Pública, Maviael Cavalcanti, do Democratas, ressaltou que o empreendimento também vai gerar a criação de novas escolas técnicas e cursos de graduação nas universidades para a formação de mão de obra qualificada.

Além dos projetos das doações de terreno para a instalação da Fiat e da Companhia Siderúrgica Suape, as Comissões também aprovaram matéria do Poder Executivo que veda o exercício de cargos em secretarias estaduais, diretorias de fundações e autarquias, empresas públicas e sociedades de economia mistas de Pernambuco por aqueles considerados inelegíveis de acordo com a legislação federal.

O projeto que altera o subsídio dos deputados da Casa Joaquim Nabuco também foi aprovado em regime de urgência pelas três principais Comissões da Alepe.
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Fonte:http://www.alepe.pe.gov.br/sistemas/noticias/?arquivo=noticia.php&id=13258

Acidente nas obras da transposição

22 12.2010
Do Blog de Jamildo
Por Daniel Carvalho

Cinco feridos na explosão da transposição seguem hospitalizados no Recife

Cinco dos dez sobreviventes da explosão ocorrida anteontem nas obras do lote 12 da Transposição do Rio São Francisco, em Sertânia, a 309 quilômetros da capital pernambucana, no Sertão, permanecem internados.

O responsável pela explosão das dinamites, Gilvan dos Santos, 42 anos, apresenta o quadro mais delicado. Está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular do Recife. Três pessoas morreram e a polícia acredita que não há mais vítimas.

De acordo com boletim médico divulgado pelo Hospital Esperança, Gilvan tem queimaduras de segundo grau pelo corpo, problemas respiratórios por conta da inalação de fumaça e fraturas na face.

Na emergência do mesmo hospital estão Valmir dos Santos Silva, 28, e Lourival Lourenço da Silva, que não teve a idade informada. Eles têm queimaduras de segundo grau e suspeitas de lesões respiratórias. Pablo Oliveira Galdino, 32, e Inácio Faria da Silva, 37, estão em observação na clínica Nossa Senhora do Carmo, em Sertânia, e devem receber alta em 48 horas. Os demais feridos já voltaram para casa.

Os três trabalhadores mortos foram identificados como Josiano Manuel Souza, 39, Leandro Rodrigues de Souza e Almir Nascimento. Os corpos foram levados para o Instituto Médico Legal (IML) de Caruaru, no Agreste.

O delegado responsável pelas investigações, Leonardo Gama, acompanhou o trabalho de especialistas em explosivos do Instituto de Criminalística (IC) do Recife durante todo o dia de ontem.

Hoje, com o relatório dos peritos em mãos, pretende começar a ouvir testemunhas. A área do acidente permanece isolada. Ele acredita não haver mais vítimas.

- É muito difícil haver alguém soterrado. A quantidade de pessoas que a empresa disse estar no local bate com o número de vítimas. Além disso, nenhuma família veio reclamar desaparecidos.

De acordo com depoimentos colhidos pela Polícia Militar após o acidente, houve uma explosão inesperada.

O advogado do consórcio responsável pelo lote, Ernesto Cavalcanti, considerou que ainda é cedo para tirar qualquer conclusão.

Ele explicou que as empresas estão prestando assistência aos feridos e às famílias dos mortos com médicos, psicólogos e assistentes sociais. As empreiteiras fazem também uma apuração paralela do ocorrido.

Criamos uma comissão para apurar o que realmente aconteceu. Já contactamos consultores de fora para, juntamente com as equipes internas, identificar o que causou o acidente - afirmou o advogado.

O Ministério da Integração Nacional, em nota, informou que determinou que todas as providências fossem tomadas em relação ao socorro e assistência das vítimas envolvidas, “além de investigar as causas do acidente para que fatos lamentáveis como este não se repitam”. À tarde, o Ministério Público do Trabalho de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, também determinou a investigação do acidente.

O lote 12 das obras da Transposição estão sob responsabilidade do consórcio COESA/Barbosa Mello/Galvão/OAS. Tem 27 quilômetros de extensão e vai de Sertânia (PE) a Monteiro (PB). Está orçado em R$ 270.365.572. Este é um dos cinco lotes do eixo Leste do Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas.

A expectativa do Ministério da Integração Nacional é que, em 2025, o empreendimento assegure água para 12 milhões de pessoas, em 390 municípios do Agreste e Sertão de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
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Fonte:http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2010/12/22/cinco_feridos_na_explosao_da_transposicao_seguem_hospitalizados_no_recife_87156.php