Pesquisar este blog

domingo, 12 de dezembro de 2010

Ciro deve ir para o ministério Dilma, mas há resistências no PSB

12 DE DEZEMBRO DE 2010
do Jornal O Estado de S.Paulo
Por Eugênia Lopes


Depois de ser obrigado a desistir de disputar a presidência da República, o ex-ministro e deputado Ciro Gomes (PSB-CE) deverá participar do primeiro escalão do governo de Dilma Rousseff. A ideia é pôr Ciro Gomes, que está em viagem à Europa e deverá retornar ao Brasil até quarta-feira, no Ministério da Integração Nacional.

A cinco dias da diplomação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a presidente eleita corre para fechar o xadrez ministerial de seu governo com a definição da participação do PSB em seu governo. Com Ciro no governo, o ex-prefeito de Petrolina Fernando Bezerra Coelho irá para a Secretaria de Portos que, segundo integrantes do PSB, deverá ser turbinada, transformando-se em um órgão especial de infraestrutura com a inclusão das atividades de aviação civil e até o comando da Infraero.

A pedido do presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, Fernando Bezerra desistiu de disputar uma vaga ao Senado para apoiar o recém-eleito senador Humberto Costa, do PT. Na época, teve a promessa de que ocuparia um "cargo importante" em Brasília.

Submerso desde o fim do segundo turno eleitoral, Ciro Gomes surpreendeu a todos com o pleito de participar do ministério do futuro governo. Seus companheiros de partido bombardearam a reivindicação de Ciro. Alegam que ele passou todo o tempo desdenhando qualquer cargo no governo e com o discurso de que "queria dar um tempo" na vida pública. "Vão colocar o Ciro no Ministério e dane-se o resto. Crescemos para diminuir", reclamou um integrante do PSB.

Nas últimas eleições, o PSB conquistou seis governos de Estado - Pernambuco, Ceará, Piauí, Paraíba, Amapá, e Espírito Santo -, além de aumentar a bancada na Câmara de 27 para 34 deputados federais. Diante do crescimento, os deputados esperavam ganhar uma vaga no futuro governo. Se Ciro Gomes não for para a Integração Nacional, a secretaria de Portos deverá ficar nas mãos de um deputado do partido. Os indicados da bancada para integrar o ministério são Márcio França (SP) e Beto Albuquerque (RS).

Presidente regional do PSB paulista, França não conta com a simpatia do Palácio do Planalto. Além de o acharem muito alinhado ao PSDB, os petistas o responsabilizam pela idealização da candidatura derrotada do empresário Paulo Skaf ao governo de São Paulo. O PT de São Paulo queria que o PSB no Estado apoiasse Aloizio Mercadante, que acabou perdendo a disputa para o tucano Geraldo Alckmin ainda no primeiro turno.

O nome de Beto Albuquerque é mais palatável no Planalto e junto a Dilma. Afinal, ele foi secretário de Transportes do governo do Rio Grande do sul, na gestão do petista Olívio Dutra, no mesmo período em que Dilma era secretária de Minas e Energia (1999/2002). Mas tanto Beto quanto Fortes só terão alguma chance de ocupar o futuro ministério caso Ciro Gomes desista de ir para o primeiro escalão.

Recado do irmão. O interesse de Ciro em participar do futuro governo foi expresso pelo irmão e governador reeleito do Ceará, Cid Gomes. Junto com Campos e o vice-presidente do partido, Roberto Amaral, Cid conversou com Dilma Rousseff na sexta-feira sobre o novo xadrez ministerial. Ciro já ocupou o Ministério da Integração no governo Lula, entre janeiro de 2003 e março de 2006. Fernando Bezerra Coelho ficará com a pasta, caso Ciro não queira ir para o Ministério.

Além de recompensar Ciro Gomes, Dilma Rousseff também está preocupada em pôr o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, no Senado. Dutra é o primeiro suplente do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE). "Nada pedi a presidente Dilma nem nada me ofereceu", afirmou Valadares, em seu twitter. O senador nega que tenha sido sondado por Eduardo Campos para assumir o ministério da Micro e Pequena Empresa, que será criado por Dilma.

Valadares não esconde que gostaria de ir para um ministério que pudesse "servir ao Nordeste". Interlocutores do senador sergipano observam que ele estaria de olho no ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) ou o de Desenvolvimento Social (MDS), onde está o Bolsa Família.
****
Fonte:http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2010/12/12/ciro_deve_ir_para_o_ministerio_dilma_mas_ha_resistencias_no_psb_86200.php?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

Rússia adere à campanha do Blog do Velho Mundo

09/12/2010
Da Rede Brasil Atual
Por: Flavio Aguiar

(Foto: Divulgação Kremlin/Arquivado por Wikipedia)
Vladimir Putin deve estar lendo o "Blog do Velho Mundo"

No dia 04/12 publiquei um post neste blog: "Um Nobel para Julian Assange". Pois eu não imaginava a repercussão que isso teria!

Agora leio que a Rússia, aderindo à nossa campanha, sugere Assange para Premio Nobel da Paz! Caramba, pensei, o camarada Putin deve estar lendo o Blog do Velho Mundo! Quem diria!

Eu não sugeria algo específico. Falava até num "Nobel de Jornalismo", coisa que não existe. Mas deveria existir.

Mais pragmático, o camarada Putin focou em algo existente, o prêmio da Paz. Ótimo. Sinal de que uma campanha bem começada, pode se tornar bem encaminhada. Eu teria a visão estratégica, o camarada Putin a tática. Vamos ver o que o camarada Medvedev vai sugerir - depois de consultar o camarada Putin, é claro. Afinal, de acordo com a diplomacia norte-americana, Batman é Batman, Robin é Robin. E eu aqui que mal consigo me identificar com aquele passante, nos quadrinhos, que compra um jornal em Gotham City!

Na combinação das coisas, o que fica para o inferno astral é, de novo, a diplomacia norte-americana. Porque não se trata apenas de que os vazamentos reafirmaram o que todo mundo já sabe, ou seja, a prepotência do atual hegemon e, sobretudo, de seus escalões intermédios, cuja fome de se afinar com os chefes os faz tripudiar sobre... os aliados, não os inimigos! Trata-se de reconhecer que é uma diplomacia inepta, sem critérios profissionais, e arrogante. Deviam fazer um estágio no Itamaraty.

Mas acho bom eu me proteger. Senão, os raios olímpicos de hackers, cartões de crédito, da Amazon e mais do senador "independente" J. Lieberman desabarão sobre mim, destruindo meu teclado, derretendo a neve do meu balcão berlinense, cozinhando a minha mesa na cozinha, etc., etc.

Não, nada disso vai acontecer. Todo mundo da direita vai jurar que os processos na Suécia, sobre agressão sexual, nada têm a ver com o processo Wikileaks. Os cidadãos comuns poderão continuar a se sentir seguros. E a direita brasileira vai logo comprar essa idéia, e acreditar nela.
***
Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/multimidia/blogs/blog-do-velho-mundo/russia-adere-a-campanha-do-blog-do-velho-mundo

Telegramas no WikiLeaks mostram laços dúbios dos EUA com regime criticado na Ásia

12/12/2010
BBC Brasil

Documento divulgado por site mostra que americanos mantêm boas relações com Uzbequistão para manter rota ao Afeganistão

A antiga República soviética do Uzbequistão é vista pelos Estados Unidos como um país repleto de "corrupção endêmica", crime organizado, trabalho forçado e torturas, segundo telegramas diplomáticos vazados pelo site WikiLeaks e publicados neste domingo pelo jornal britânico Guardian.

No entanto, apesar das críticas ao país, o Estados Unidos mantinham bons laços com o presidente uzbeque, Islam Karimov, porque ele permite o funcionamento de uma importante rota de suprimentos militares para as tropas que combatem no Afeganistão, segundo o jornal.

Diversos telegramas citam a vida glamourosa levada pela filha de Karimov, Gulnara, descrita num dos documentos como "a pessoa mais odiada do país". Ela supostamente obtém fatias em negócios lucrativos no país e passa a maior parte de seu tempo em Genebra e na Espanha.

O embaixador britânico no país, Rupert Joy, foi criticado por grupos de direitos humanos em outubro por ter dado visibilidade a Gulnara ao aparecer ao seu lado em um desfile de moda.

Prêmio

Os telegramas publicados pelo Guardian revelam que o governo do Uzbequistão se irritou com um prêmio entregue pela chanceler americana, Hillary Clinton, a uma ativista de direitos humanos uzbeque que havia acabado de sair da prisão. Isso foi seguido de uma "ameaça implícita" de suspender o tráfico de suprimentos ao Afeganistão através do Uzbequistão.

"Pressioná-lo (Karimov) pode nos custar o trânsito (por rotas uzbeques)", dizia um documento da embaixada americana no país, de acordo com o jornal.

Outro documento cita "elos próximos entre o crime organizado e o governo uzbeque", dizendo que tanto o setor público como o prívado são comumente "comprados".
****
Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/bbc/telegramas+no+wikileaks+mostram+lacos+dubios+dos+eua+com+regime+criticado+na+asia/n1237863622964.html?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

Dilma terá representante dos Estados Unidos em seu ministério

30 de novembro de 2010
Da Folha
FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA


Documentos confidenciais revelam que, para EUA, Itamaraty é adversário

Telegramas confidenciais de diplomatas dos EUA indicam que o governo daquele país considera o Ministério das Relações Exteriores do Brasil como um adversário que adota uma “inclinação antinorte-americana”.

Esses mesmos documentos mostram que os EUA enxergam o ministro da Defesa, Nelson Jobim, como um aliado em contraposição ao quase inimigo Itamaraty.

Mantido no cargo no governo de Dilma Rousseff, o ministro é elogiado e descrito como “talvez um dos mais confiáveis líderes no Brasil”.

A Folha leu com exclusividade seis telegramas de um lote de 1.947 documentos elaborados pela Embaixada dos EUA em Brasília, sobretudo na última década.

Os despachos foram obtidos pela organização não governamental WikiLeaks. As íntegras desses papéis estarão hoje no site da ONG, que também produzirá reportagens em português. O site da Folha divulgará os telegramas completos.

Num dos telegramas, de 25 de janeiro de 2008, o então embaixador dos EUA em Brasília, Clifford Sobel, relata aos seus superiores como havia sido um almoço mantido dias antes com Nelson Jobim. Nesse encontro, o ministro brasileiro contribuiu para reforçar a imagem negativa do Itamaraty perante os norte-americanos.

Indagado sobre acordos bilaterais entre os dois países, Jobim citou o então secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães.

Segundo o relato produzido por Clifford Sobel, “Jobim disse que Guimarães ‘odeia os EUA’ e trabalha para criar problemas na relação [entre os dois países]“.

Não há nos seis telegramas confidenciais lidos pela Folha nenhuma menção a atos ilícitos nas relações bilaterais Brasil-EUA. São apenas descrições de encontros, almoços e reuniões.

Ao mencionar um acordo bilateral, Clifford Sobel diz que caberá ao presidente Lula decidir entre as posições de um “inusualmente ativo ministro da Defesa interessado em desenvolver laços mais próximos com os EUA e um Ministério das Relações Exteriores firmemente comprometido em manter controle sobre todos os aspectos da política internacional”.

Num telegrama de 13 de março de 2008, Sobel afirma que o Itamaraty trabalhou ativamente para limitar a agenda de uma viagem de Jobim aos EUA.

Ao relatar a visita (de 18 a 21 de março de 2008), os EUA pareciam frustrados: “Embora existam boas perspectivas para melhorar nossa relação na área de defesa com o Brasil, a obstrução do Itamaraty continuará um problema”.

CAÇAS DA FAB

Apesar de elogiado, Jobim nunca apresentou em reuniões nenhuma proposta especial aos EUA a respeito da licitação dos 36 aviões caça que serão comprados pela Força Aérea Brasileira.

Em todos os relatos confidenciais os diplomatas dos EUA em Brasília mencionam frases de Jobim que coincidem com o que o ministro declarou em público.

Em uma ocasião, por exemplo, os norte-americanos escrevem: “Compras de fornecedores dos EUA serão mais competitivas quando [o país] autorizar uma produção brasileira de futuros sistemas militares”.

Procurado pela Folha, o Departamento de Estado dos EUA se recusou a comentar as comunicações sigilosas.

Uma porta-voz do departamento enfatizou que os países mantêm boas relações. A Casa Branca não respondeu à reportagem até a conclusão desta edição.

*****

O ministro Nelson Jobim nega que tenha dito o que o embaixador americano disse que ele disse.

Segundo a Folha:

A assessoria do Ministério da Defesa enviou um comunicado à imprensa para rechaçar a informação. Segundo a nota, ele já teria esclarecido a Guimarães que a conversa com Sobel existiu, mas em outros termos: Jobim teria tratado-o “com respeito” e classificado Guimarães como “um nacionalista, um homem que ama profundamente o Brasil”. O ministro chamou Guimarães de “meu amigo” e disse que Sobel teria interpretado errado sua mensagem. “Se o embaixador disse que Samuel não gosta dos Estados Unidos, isso é interpretação do embaixador, eu não disse isso. Samuel é meu amigo.”
****
Fonte:http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/dilma-tera-representante-dos-estados-unidos-em-seu-ministerio.html

Revista da Gol rejeita citação de Serra

DOMINGO, 12 DE DEZEMBRO DE 2010
Do blog de Altamiro Borges
Reproduzo artigo de Rodrigo Savazoni, publicado no sítio Trezentos:


Nos últimos dez meses vinha fazendo uma coluna sobre tecnologia para a Revista da Gol. Espaço bacana. Sempre fui bem tratado pelos competentes editores e fui alertado desde o início para tratar mais de comportamento e da sociedade do que de política.

Procurei sempre seguir a orientação, mas pelo vício de origem, vez ou outra era necessário um ajuste, porque não imagino como falar de sociedade sem falar da dimensão comum, daquilo que orienta a vida de tod@s, que é a política.

Para a edição de dezembro preparei uma coluna sobre o Twitter, o sucesso que a ferramenta fez este ano, destacando-se a Copa do Mundo e as Eleições. Publico o texto aqui, para depois relatar o episódio em que o texto foi recusado pelo Diretor de Núcleo da Editora Trip, que produz para a Gol sua revista de bordo.

*****

O ano em que o Twitter bombou


Uso da rede social com textos de até 140 caracteres cresceu em 2010

Qualquer balanço do ano que está se encerrando não pode deixar de fora a importância que o Twitter adquiriu no Brasil. O site de rede social criado em 2006 para a postagem de frases com até 140 caracteres vinha sendo utilizado pela elite tecnológica, mas em 2010 atingiu as massas e fez a diferença durante a Copa do Mundo e as eleições.

Um estudo da empresa americana ComScore aponta que, em agosto, 23% dos internautas brasileiros twittaram, contra 11,9% nos Estados Unidos. Em números absolutos, os americanos ainda lideram. Mas a análise relativa mostra que ninguém usa mais o Twitter que o brasileiro. Essa explosão comunicacional produziu momentos que fizeram a diversão de muita gente e também causou um curto-circuito midiático.

Um dos episódios mais emblemáticos foi o “Cala boca, Galvão”. Durante a cerimônia de abertura da Copa do Mundo, twitteiros começaram a reclamar da performance do apresentador Galvão Bueno usando a hashtag #calabocagalvao. Hashtag é uma palavra ou expressão combinada ao símbolo # que permite indexar as informações, garantindo ao usuário acessar tudo o que foi dito sobre um assunto.

“Calabocagalvao” foi parar no primeiro lugar das palavras mais escritas do Twitter, levando usuários de língua inglesa a se questionarem sobre o que seria aquela expressão. Os brasileiros iniciaram então um exercício de gozação, criando as mais estapafúrdias versões para o fato.

Durantes as eleições, o Twitter comprovou sua força. Foi o principal instrumento no impacto entre os tradicionais veículos de massa (televisões, rádios, jornais e revistas) e a nova esfera pública interconectada, baseada na blogosfera e nos ativistas das redes sociais. Em várias ocasiões, expressões brasileiras ficaram no topo da lista das conversas mundialmente mais populares.

Sem entrar no mérito político, o caso “serrarojas” foi emblemático. No segundo turno das eleições presidenciais, José Serra (PSDB) foi atingido em uma manifestação de rua e suspendeu sua agenda. Iniciou-se uma guerra de versões sobre se ele teria sido alvejado por uma bolinha de papel ou uma bobina de fita-crepe. Twitteiros defensores da candidata governista começaram a compará-lo ao goleiro chileno Rojas, que durante uma partida simulou ter sido atingido por fogos de artifício.

A hashtag “serrarojas” se espalhou e a versão foi usada em uma declaração de Lula. Foi a primeira vez que um presidente repercutiu uma abordagem surgida nas redes sociais, comprovando o poder que passou a ter o Twitter massificado. E isso é só o começo.

*****

Esse texto, que republico aqui, foi aprovado pelos editores da publicação, mas recusado anteontem, véspera do fechamento, pelo Diretor responsável da editora, que alegou – foi isso que me foi repassado – não querer menção ao nome do candidato José Serra, derrotado nas últimas eleições.

Como acredito que não fiz nada demais, apenas relatei um episódio globalmente comentado o qual já entrou para a história da relação entre internet e política, optei por não recuar e comuniquei aos editores, por meio da carta que reproduzo aqui, a minha decisão de não mais seguir escrevendo para a revista.

*****

Car@s,

Antes de tudo, quero agradecer pelo tratamento dispensado e pelo espaço aberto por vocês para minhas contribuições na Revista da Gol.

Desde o primeiro momento, procurei seguir com afinco as orientações sobre quais temáticas abordar, focando nas mudanças sociais e culturais causadas pela tecnologia. Tivemos algumas diferenças em relação a alguns temas, mas creio que contornamos com maturidade e o resultado vinha me agradando bastante. A repercussão também sempre foi positiva e espontânea.

Este mês, submeti uma coluna a vocês sobre o sucesso do Twitter, impulsionado pela Copa do Mundo e pelas Eleições. Discutimos a coluna, concordamos que ela estava tratando das questões sem enfocar primordialmente o aspecto político, mas que nomeava um episódio singular até como forma de demonstrar a centralidade que essas tecnologias têm ganhado nas nossas vidas.

Ontem, na véspera do fechamento, fui acionado porque a principal instância de aprovação da editora não concordou com essa interpretação que demos à coluna e pediu alterações, com a supressão da menção ao candidato José Serra no texto. Entendo que se trata de uma publicação de bordo, vinculada à marca de uma empresa, e que interesses comerciais acabam por prevalecer em relação aos eminentemente jornalísticos.

Fiz adequações, amenizei a menção ao político tucano, mas conclui que em benefício da verdade e da primeira avaliação que tivemos não poderia assinar uma coluna para falar sobre as mudanças ocasionadas pelo Twitter suprimindo aqueles que foram os “grandes casos” da campanha eleitoral. Tentei uma nova redação, sem menção explícita a José Serra, e enviei a vocês e ela tampouco foi aceita.

Diante desse fato, só me resta agradecer pelo espaço cedido para minhas reflexões sobre o tema. Digo que procurei cumprir com qualidade e responsabilidade o papel a mim delegado, e dizer que, sem assumir tom de mártir – porque nem seria o caso – tenho pautado minha trajetória pessoal por compromissos claros e irrevogáveis com o que acredito. Quando esses valores essenciais são confrontados, só me restam duas alternativas: enfrentar e/ou partir para outra. Parto para outra.

Gostaria de pedir se vocês poderiam me mandar, apenas em formato texto, as versões todas editadas das colunas que produzi nesses meses de trabalho. Se não for pedir demais, evidentemente.

Atenciosamente,

*****

Resolvi contar essa história porque toda vez que topamos com uma situação dessa, na minha opinião, devemos torná-la pública. Por um único motivo: talvez o acúmulo de relatos possa impedir que novas situações como essa ocorram. Isso vai ajudar a gente a melhorar a qualidade da nossa democracia.
****
Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2010/12/revista-da-gol-rejeita-citacao-de-serra.html

WikiLeaks: EUA com as calças no varal

DOMINGO, 12 DE DEZEMBRO DE 2010
Do blog de Altamiro Borges
Reproduzo artigo de Antonio Luiz M. C. Costa, publicado na revista CartaCapital:


O que fazer de 251.287 memorandos diplomáticos? Uma leitura, análise e interpretação razoavelmente aprofundadas seriam um trabalho de anos, capaz de gerar milhares de artigos e teses acadêmicas em história, relações internacionais e ciências políticas.

Em vez de discutir as minúcias das árvores para as quais querem que prestemos atenção, busquemos uma visão geral da floresta. Uma conclusão inevitável é que o Departamento de Estado de fato põe diplomatas a serviço da espionagem, inclusive de seus aliados – e pode ter perdido parte da confiança destes, vista a facilidade- com que seus segredos são vazados.

Outra é que os EUA têm pouca capacidade de interpretação das informações que reúne. As opiniões desabridas de diplomatas de Washington e de seus amigos e informantes sobre líderes mundiais são por vezes divertidas, mas raramente acrescentam algo novo. Suas análises e especulações revelam poucos segredos e também pouca capacidade de ir além do senso comum.

Simon Jenkins, do Guardian, comenta: “A impressão é da superpotência mundial- vagando impotente num mundo onde ninguém se porta como ela pede. Irã, Rússia, Paquistão, Afeganistão, Iêmen, a ONU, todos vivem saindo do roteiro. Washington reage como um urso ferido, com instintos imperiais, mas uma projeção de poder improdutiva. Sua diplomacia mostra-se escrava do deslocamento da política à direita e se apavora com uma bomba que explode no exterior ou com um congressista pró-Israel”.

Nas palavras de um alto funcionário do governo argentino ao Página/12, as mensagens “revelam que uma parte da administração estadunidense se converteu em um Estado policial, com uma análise muito pobre da política internacional. Muitas vezes esse tipo de organismo, como os que fazem inteligência dentro do Departamento de Estado, exageram seu trabalho, apesar de chegarem a conclusões e limites absurdos, para justificar sua existência, pedir mais recursos e aumentar seu poder interno”.

Nos próprios documentos vazados, os diplomatas de Washington tiveram de relatar o desdém de aliados e inimigos por sua inteligência. Em um almoço no Quirguistão, um empresário britânico disse ao príncipe Andrew que os investimentos do Reino Unido e dos EUA no vizinho Cazaquistão eram comparáveis, embora a economia estadunidense seja muito maior.

“Nenhuma surpresa”, disse o príncipe, “os americanos não entendem de geografia, nunca entenderam.” Em uma recepção a senadores dos EUA, o presidente sírio Bashar Assad pondera: “Vocês possuem um gigantesco aparato de informação. Não temos esses recursos, mas somos bem-sucedidos no combate aos extremistas porque contamos com melhores analistas. Vocês gostam de fuzilar terroristas, mas sufocar as redes deles dá melhores resultados”.

Não se deve nem minimizar o conjunto como irrelevante fofoca de comadres ou papo de botequim para desvalorizar o que tem de incômodo, nem tratar as opiniões e alegações dos diplomatas dos EUA como verdade revelada. O material precisa ser criticado como qualquer outra fonte primária. John Kornblum, ex-embaixador dos EUA na Alemanha, contou como teve de escrever pareceres sobre personalidades do país onde atuava aos 23 anos, ao iniciar a carreira. Que avaliação séria do pensamento e dos planos de um líder estrangeiro poderia ter feito quando tão jovem e inexperiente?

Não há por que duvidar da autenticidade do material, mas com quais critérios foi escolhido por quem o vazou para o WikiLeaks? Bastaria um pen drive e um funcionário descontente, talvez tão jovem quanto o soldado de 23 anos acusa-do de vazar documentos sobre a Guerra no Iraque. Depois do atentado de 11 de setembro, as vias de comunicação diplomática foram unificadas na Secret Internet Protocol Router Network (SIPRnet), uma intranet para facilitar o acesso a informações sobre o terrorismo, para a qual 2,5 milhões de pessoas têm senhas. Mas não se pode descartar que o responsável tivesse uma agenda própria e quisesse apoiar ou prejudicar certos interesses.

Idem quanto ao próprio WikiLeaks e os jornais e revistas aos quais confiou seu material. Cada um seleciona ou prioriza à sua maneira. Seria ingenuidade pressupor sua neutralidade e isenção. Todas as publicações são ligadas às correntes principais dos interesses ocidentais: El País (Espanha), Le Monde (França), Der Spiegel (Alemanha) e Guardian (Reino Unido). The New York Times (EUA) não foi contemplado, provavelmente por causa do perfil desfavorável de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, que publicou à época do vazamento sobre a guerra no Iraque, mas recebeu o material do Guardian.

O australiano Assange, vale notar, é muito mais próximo de Adam Smith do que de Karl Marx ou Bakunin, como mostrou em entrevista à revista Forbes: “Amo os mercados. Vivi em muitos países, vejo como é vibrante o setor de telecomunicações da Malásia. Nos EUA, tudo é verticalmente integrado e costurado, não há livre mercado. Na Malásia, há um amplo espectro de competidores e isso beneficia a todos”.

Como seus vazamentos se encaixam nisso? “Um mercado perfeito exige informação perfeita. Aprendi de muitos campos filosóficos e econômicos, mas um é o libertarianismo americano, de mercado. No que se refere a mercados, sou um libertarian, mas sei o suficiente de política e história para entender que um mercado livre acaba em monopólio se não for forçado a ser livre. O WikiLeaks foi criado para tornar o capitalismo mais livre e ético.”

É pouco justificada, por outro lado, a desconfiança do sociólogo radical James Petras, que estranhou a ausência de ações secretas dos EUA e de Israel. Mensagens classificadas como top secret não circulam na mesma rede. Embora se diga que 850 mil têm acesso a elas, poderia não ser o caso do responsável pelo vazamento, ou ele poderia não querer se arriscar tanto.

Podemos ver que o rei saudita Abdullah chamou Mahmoud Ahmadinejad de “Hitler” e que um assessor de Sarkozy classificou o Irã de “fascista” e sua diplomacia de “farsa”. Mas não lemos, por exemplo, o que árabes e europeus pensam de Israel e suas- ações em Gaza e na Cisjordânia, ou dos atentados do Mossad no exterior (com certeza em Dubai, provavelmente também no Irã). Por quê? Talvez os diplomatas prefiram contar só o que seus chefes queiram ouvir, mas tais mensagens também poderiam ter sido excluídas por algum dos interesses entre o pen drive e as manchetes.

É muito improvável que o material tenha sido deliberadamente vazado para justificar, digamos, ações militares contra o Teerã, como diz Ahmadinejad. Belicistas e sionistas tentam usar o material dessa maneira, mas é, no mínimo, uma faca de dois gumes. Ler que os EUA ouvem, apoiam e aconselham a oposição iraniana a prejudica junto a seu povo mais que ao governo de Ahmadinejad.

Não surpreende que reis árabes estejam de acordo com Israel em pressionar por uma guerra com o Irã – sabe-se como eles receiam o destino do xá Reza Pahlevi –, mas ver isso escrito em letras de forma pode minar seu prestígio com a população e fortalecer os fundamentalistas dentro de seus próprios países. Goste-se ou não, as pesquisas de opinião mostram que, dos árabes, 80% veem Israel como ameaça e 77% os EUA, mas só 10% o Irã.

Da mesma forma, se a oposição tenta usar contra o governo mensagens referentes ao Brasil, elas têm maior potencial para desmoralizar os amigos de Washington. Alardeou-se que “para EUA, Itamaraty é adversário”. Não é novidade, mas se para Tio Sam o ministro da Defesa, Nelson Jobim, é “um dos líderes mais confiáveis no Brasil”, isso só o faz menos confiável para defender interesses brasileiros e fortalece o chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, que Jobim teria descrito ao embaixador Clifford Sobel como alguém que “odeia os EUA” e “cria problemas” entre os dois países.

Também caiu mal no Itamaraty a indiscrição de Jobim sobre um (suposto) câncer de Evo Morales, aparentemente revelando um segredo de Estado da Bolívia para ganhar a confiança de Washington. Também não ficou bem o general Jorge Félix, ministro da Segurança Institucional, ao dar ao embaixador a impressão de que discordava de Brasília e apoiava Washington quanto à Venezuela.

Dizer que o Brasil resistiu às pressões de Washington para impor leis “antiterroristas” e preferiu prender e processar por crimes comuns eventuais suspeitos de ligações com o terrorismo, reforça o prestígio do governo nos movimentos sociais como o MST que poderiam ser criminalizados por tal legislação, por mais que jornais escrevam que “Brasil oculta terrorismo” e “Dilma ‘cassou’ projeto de lei que reforçaria o combate ao terrorismo”.

Esta última afirmação exemplifica bem a lógica circular da inteligência dos EUA. Segundo o relatório em questão, pediu-se ao assessor do Gabinete de Segurança Institucional, Janer Tesch Alvarenga, para confirmar que foi Dilma quem derrubou a proposta, como escrevera o Correio Braziliense. A explicação foi complexa e correta: tratou-se de uma decisão política que atendeu a vários setores do governo, notadamente o ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos.

Para o autor do relatório, Alvarenga “tergiversou” e “não negou”. O memorando preferiu destacar o palpite do major André Luís Woloszyn que, formado no Colégio Interamericano de Defesa dos EUA, falou a língua que a embaixada queria ouvir. Segundo o major, a reportagem do Correio “soava muito crível”. O GSI foi cortina de fumaça para iludir os EUA quanto à disposição desse governo “repleto de militantes esquerdistas” de combater o terrorismo e “a mente brasileira” não se preocupa com extremismo na sua comunidade muçulmana porque “não vai além de seus clichês sobre o paraíso multicultural que é o Brasil. Só mudaria com uma onda de violência como a do PCC”. (Sugestão implícita?)

E assim os EUA, em vez de monitorar o ambiente e tentar compreender o que lhes é estranho, preferem ouvir as próprias criaturas e correr atrás da própria sombra – como também a imprensa conservadora brasileira, ao destacar comunicados da embaixada sobre “corrupção” no governo brasileiro que nada mais fazem que refletir a opinião e os vieses da imprensa lida pelos diplomatas.

Da mesma forma, notas das embaixadas na Ásia Central sobre fraude na eleição no Irã não fazem mais que expressar a opinião da oposição iraniana. Não são necessariamente mais acuradas que a informação – provavelmente da mesma fonte – que em agosto de 2009 dava o líder supremo aiatolá Khatami como doente terminal de leucemia, com poucos meses de vida (14 meses depois, ele continua ativo e recebendo dignitários estrangeiros).

O maior estrago do vazamento pode ter sido feito nas relações com Ancara, aliada tradicional da Otan e de onde parte o maior número de mensagens destinadas a Washington. O chanceler Ahmet Davutoglu, que negociou com o Irã ao lado do colega brasileiro Celso Amorim, é chamado de sicofanta e de perigoso neo-otomanista.

O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan é acusado de tentar criar um Estado islâmico, citando-se o embaixador de Israel- na Turquia para quem Erdogan é “um fundamentalista que nos odeia religiosamente”. E o que é pior do ponto de vista político, se diz em um dos relatórios que ele seria proprietário de oito contas secretas na Suíça, o que ele nega peremptoriamente, mas a oposição tenta capitalizar.

Se os aliados dos EUA na Europa e no Oriente Médio rangeram os dentes ao tomar conhecimento dos documentos vazados, seus rivais e desafetos na América Latina tiveram motivos para sorrir.

Enquanto a maior parte da imprensa dos EUA e do Brasil insistia em falar de “deposição constitucional” de Manuel Zelaya, a embaixada dos EUA em Honduras não tinha receio de dar nome aos bois, referir-se ao golpe ilegal como tal e tachar de ilegítimo o regime de Roberto Micheletti. Evo Morales e Hugo Chávez estão vingados: suas afirmações de que as embaixadas dos EUA são centros de espionagem, pelas quais foram muitas vezes ironizados, estão comprovadas por escrito.

Uma mensagem de Hillary Clinton ordena a seu pessoal na ONU buscar dados biométricos, senhas de e-mail e números de cartões de crédito e de viagens de diplomatas no Conselho de Segurança – inclusive os do Brasil e do Reino Unido – e do próprio secretário-geral Ban Ki-moon. Segundo a BBC foi um choque ao menos para o embaixador britânico, que se imaginava protegido pela “relação especial” com Washington. Informações semelhantes são pedidas sobre candidatos à Presidência do Paraguai e líderes africanos.

É evidente a tentativa de violar segredos até de aliados – ou de conseguir dados pessoais úteis para chantagem. Partiu de Hillary uma ordem para investigar “como Cristina Kirchner lidava com seus nervos e ansiedades” e se tomava medicamentos. Também se interessava por quanto a situação gastrointestinal de Néstor o incomodava e por seus remédios, mas não pelos problemas cardíacos que depois o mataram.

Enquanto os EUA bisbilhotam o mundo, grande parte dos governos e da mídia condena a bisbilhotice do WikiLeaks ou tenta desqualificá-lo como irrelevante. O britânico Guardian defendeu o vazamento dedicou-se a um trabalho sério de análise e acompanhamento das repercussões, mas é exceção.

Comparou-o aos famosos “Papéis do Pentágono”, de 1971: na ocasião, o analista militar e coautor Daniel Ellsberg vazou 14 mil páginas de relatórios sobre a Guerra do Vietnã que discutiam ações secretas que incluíam bombardeios de países neutros e ataques diretos ao Vietnã do Norte, oficialmente negados.

As revelações foram publicadas pelo New York Times e Washington Post, que contestaram na Justiça a tentativa de Nixon de proibi-los e venceram. Ellsberg foi processado por traição e absolvido, enquanto os agentes da Casa Branca foram punidos por arrombar o consultório de seu psiquiatra em busca de dados comprometedores sobre sua saúde mental.

Hoje, o presidenciável republicano Mike Huckabee, ex-governador do Arkansas, pede pena de morte por traição a quem quer que tenha vazado os documentos ao WikiLeaks. Apesar da cobrança de republicanos como Sarah Palin, não há como enquadrá-lo como “organização terrorista” e Tio Sam recorreu ao jeitinho condenado pelo major Woloszyn: pôs a Interpol atrás de Assange sob a acusação, provavelmente forjada, de estupro na Suécia. Depois de dificultar doações ao site, pressionou a Amazon a expulsá-lo de seus servidores, o que ocorreu na quarta-feira 1º de dezembro.

Para Thomas Flanagan, assessor do primeiro-ministro canadense Stephen Harper, não basta: Barack Obama deveria oferecer uma recompensa a quem matar o australiano, ou “usar um avião sem piloto para acabar com ele”. O Ocidente de hoje é mais autoritário e conservador que o de há 40 anos e também mais arrogante e truculento: questionado sobre o impacto negativo nas relações dos EUA, o porta-voz do Pentágono deu de ombros: “O mundo não se relaciona conosco por gostar ou confiar em nós, mas por não ter outro remédio. Somos o último, o único poder indispensável”.
****
Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2010/12/wikileaks-eua-com-as-calcas-no-varal.html

Gestão 'apolítica' no Ministério da Saúde tira Temporão do jogo

12/12/2010
Do Folha.com
Por NATUZA NERY
DE BRASÍLIA
Alan Marques/Folhapress


O cardiologista Roberto Kalil cochichou no ouvido do presidente Lula em 2007. Depois de ouvir a confidência, o petista nomeava José Gomes Temporão para o Ministério da Saúde. Naquela época, Temporão tinha padrinho e apoio político.

Médico sanitarista, ele assumiu a pasta fechando as torneiras ao PMDB, que o adotara à força na mudança ministerial daquele ano.

Lula prometera a Saúde à legenda, mas não queria "comprar" um nome qualquer após uma onda de acusações de irregularidades.

Para viabilizar o titular, pediu ao governador do Rio, Sérgio Cabral, que apadrinhasse o técnico. E ao técnico, que se filiasse ao PMDB.

A ausência de lastro político e a existência de embates com bancadas na Câmara tornaram-no o número 1 em queixas de congressistas.

A secretaria-executiva da Saúde fazia com frequência o que muitos na Esplanada evitavam: vetar emendas daqueles em desarmonia com a pasta. O gabinete ministerial, desde 2003 habituado ao entra e sai de aliados, ficou mais seletivo a representantes do Congresso.

Temporão jamais conquistaria apoio para aprovar grandes iniciativas.

Tentou implantar o que seria uma importante bandeira: um sistema para melhorar a gestão de hospitais públicos por meio de fundações de direito privado. O objetivo era facilitar compras e desburocratizar o setor. Mas perdeu a batalha e o apoio do PT, refratário às alterações.

O fim da CPMF no Senado também frustrou outro grande projeto, o PAC da Saúde. E marcas do atual Executivo na área acabaram levando a assinatura de antecessores, caso dos programas Brasil Sorridente e Farmácia Popular.

De acordo com dados oficiais, Temporão melhorou muitos indicadores do setor. Nem por isso entrou em nenhuma cotação para seguir no cargo. Na campanha, deu uma aula de quatro horas sobre o SUS a Dilma Rousseff, que elogiou: "Foi a melhor aula que tive em todo o meu tempo de governo".

A declaração foi vista como sinal de continuidade, mas, até agora, Temporão está fora do xadrez ministerial.
***
Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/poder/844547-gestao-apolitica-no-ministerio-da-saude-tira-temporao-do-jogo.shtml

Para embaixada dos EUA, Agripino Maia e luta contra câncer reforçaram candidatura Dilma

10/12/2010
Da Rede Brasil Atual
Por: Anselmo Massad


"Vitória" sobre o câncer poderia ter efeitos positivos para a campanha, avaliou funcionário da embaixada (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Documentos vazados pelo Wikileaks revelam como EUA acompanharam o "bizantino" processo eleitoral brasileiro

São Paulo - Documentos sigilosos divulgados pelo Wikileaks nesta sexta-feira (10) revelam que membros da embaixada dos Estados Unidos no Brasil acompanharam de perto a evolução da candidatura da atual presidente eleita Dilma Rousseff. Os relatórios apontam a luta contra o câncer e o desempenho da então ministra-chefe da Casa Civil no Congresso Nacional em maio de 2009 foram passos importantes para consolidar a candidatura.

Segundo o relato da jornalista Natália Viana, responsável pelos documentos vazados a respeito do Brasil, há nove relatórios sobre o processo eleitoral. Os integrantes da estrutura consular dos EUA enviaram informações sobre o processo que chegaram a ser usadas em reuniões de "briefing" com o alto escalão de Washington.

A falta de carisma de Dilma é destacada, além do papel que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria na disputa. Especulações realizadas por analistas na mídia sobre alternativas dentro do PT e eventuais deslocamentos na oposição, envolvendo Aécio Neves (PSDB-MG), também são incluídas. A secretária de Estado Hillary Clinton chega a qualificar o sistema eleitoral brasileiro de "bizantino", em função dos diversos partidos e forças envolvidas.

Em 20 julho de 2009, um relatório da diplomata Lisa Kubiske atribui o crescimento de Dilma nas pesquisas à projeção do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o tratamento de nódulos linfáticos. “Enquanto Rousseff continuar parecendo uma lutadora que venceu o câncer, suas chances presidenciais vão aumentar”, relatou.

“Alguns analistas notaram que uma ‘vitória’ sobre o câncer jogará a seu favor e impulsionará a imagem de uma lutadora e vencedora. Mas se ela parecer fraca e derrotada, os eleitores vão minguar”, analisava outro documento, datado de 19 de junho.

Tortura

A participação de Dilma na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, em maio de 2008, foi destacada em outro relatório. Na ocasião, ela foi chamada para explicar as denúncias de um suposto dossiê com dados sobre despesas com cartões corporativos durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Meses antes, ministros e assessores do governo Lula foram alvos de denúncias de uso abusivo e ilegal dos cartões de crédito oficiais.

Na ocasião, ao formular seus questionamentos, o senador Agripino Maia (DEM-RN) insinuou que Dilma poderia estar mentindo, já que admitira, em entrevista de 2003, ter "mentido muito" durante depoimentos prestados, sob tortura, durante a ditadura militar. Ela respondeu que se orgulhava de ter mentido. "Diante da tortura, quem tem dignidade fala mentira (...). Me orgulho de ter mentido porque salvei companheiros da mesma tortura e da morte", respondeu.

Segundo a visão do assessor da embaixada em Brasília, Phillip Chicola, o episódio ocorrido logo no início da sessão, permitiu que a então ministra controlasse toda a sessão. "A performance de Rousseff perante o comitê poderia ter prejudicado ou afundado suas chances presidenciais, se tivesse ido mal", escreveu o funcionário. Porém, Agripino Maia "mancou feio" ao fazer a pergunta, ao passo que Dilma deu uma "resposta dramática e inquestionável".
***
Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/2010/12/para-embaixada-dos-eua-agripino-maia-e-luta-contra-cancer-reforcaram-candidatura-dilma

Governo Dilma terá linha oficial de pobreza para medir combate à miséria

12/12/2010
Da Agência Brasil
Por: Gilberto Costa

Meta do governo Dilma é erradicar situação de famílias que se alimentam de restos (Foto: Joel Silva/Folhapress)

Brasília – A presidente eleita Dilma Rousseff deverá estabelecer linhas oficiais de pobreza e de indigência no país para monitorar as políticas sociais do governo e medir a melhoria das condições de vida da população. O valor ainda não foi estabelecido, mas existe a tendência de o novo governo fixar em R$ 108 a renda familiar por pessoa como linha de pobreza.

A sugestão desse valor é do economista e coordenador do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Marcelo Neri, que apresentou um seminário sobre políticas sociais para a equipe de transição do futuro governo em meados de novembro, com a ministra do Desenvolvimento Social, Márcia Lopes, e o economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ricardo Paes e Barros.

De acordo com Neri, a presidente Dilma - que prometeu em seu discurso de vitória erradicar a miséria e criar “oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras” - quer “sofisticar a tecnologia social” e suplantar os ganhos do governo Lula, que considera uma “herança bendita”, porque diminuiu a pobreza em 45%.

A ideia, segundo o economista, é que a meta de erradicar a miséria seja tratada como a meta de inflação. “Se tem uma meta de erradicar a pobreza é preciso saber qual o critério. Do mesmo modo que há uma meta de inflação, que escolheu o IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo] como medida”, comparou.

Para Marcio Pochmann, presidente do Ipea, o Brasil está na direção correta, mas é preciso uma sofisticação nas políticas. “Por isso, se pensa ser necessário estabelecer uma linha administrativa da pobreza extrema”, disse.

O Ipea está fornecendo dados e análises para a definição dessas políticas e para fixar as linhas de miséria e de pobreza. Pochmann não quis adiantar os valores, mas assinalou que não é apenas uma “decisão monetária” ou “administrativa e política”, mas também uma escolha “técnica com base na realidade”.

Marcelo Neri sugere que a verificação da renda das famílias seja mais criteriosa e não se baseie apenas na informação da renda reportada, mas também em dados sobre todos os “ativos” das pessoas do domicílio (tipo de trabalho, condições de moradia, acesso a serviços públicos, como saúde e educação) e “carências” (crianças lactantes, pessoas com deficiência e idosos na família). “Assim vai se olhar para quem é pobre e não apenas para quem está pobre ou diz que é pobre”, ponderou.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de três brasileiros a cada grupo de dez não vivem em situação de segurança alimentar (refeições necessárias e ingestão suficiente de nutrientes) e 11,2 milhões de pessoas ainda passam fome.
****
Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/2010/12/governo-dilma-tera-linha-oficial-de-pobreza-para-medir-combate-a-miseria

Corte de gastos do governo preocupa servidores públicos federais

12/12/2010
DA AGÊNCIA BRASIL


Os servidores públicos federais estão preocupados com a possibilidade de redução de gastos do governo, o que pode impedir melhorias salariais e concursos públicos. A afirmação é do diretor da Condsef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal), Pedro Armengol, um dos responsáveis pelo 10º congresso da entidade, que terminou neste domingo em Brasília. O evento reuniu cerca de 1,7 mil delegados de sindicatos estaduais, observadores e convidados.

Armengol considera que o ajuste fiscal "é danoso para a sociedade e para o funcionalismo público". Segundo ele, o corte nos gastos poderá diminuir a prestação de serviços para a população. "Estamos em pleno debate e organização da categoria", diz. Essa discussão deve continuar, principalmente, em fevereiro, para que em março do próximo ano seja lançada a proposta de política salarial para os servidores.

No último dia 6, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmado no cargo para o próximo governo, disse que o governo federal reduzirá os gastos públicos no ano que vem. Segundo ele, a ideia é diminuir a demanda do Estado, abrir espaço para a demanda privada e permitir a redução da taxa de juros em 2011.
***
Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/poder/844680-corte-de-gastos-do-governo-preocupa-servidores-publicos-federais.shtml

Azeredo 'bate-boca' no Twitter, depois de criticar apoio de Lula a Assenge

10/12/2010
Da Rede Brasil Atual
Por: Jessica Santos de Souza e Letícia Cruz


São Paulo - O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) discutiu com internautas no Twitter nesta sexta-feira (10). Ele criticou a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que na quinta-feira (9) defendeu o criador do Wikileaks, Julian Assange.

"Só faltava essa! Pres. Lula defende hacker!" disse em seu perfil. Alguns usuários defenderam o presidente e acusaram o senador de não entender nada de internet e ser contra a liberdade de expressão.

A usuária Flávia Stefani (@mariagranola) questionou o conhecimento do senador quanto ao discurso do presidente. "Senador não sabe ouvir um pronunciamento. O vídeo que assisti não mostra Lula fazendo ode à invasão de dados".

O presidente elogiou Assange e o WikiLeaks por divulgar e desnudar a diplomacia. Para Lula, o culpado é quem escreveu os documentos e não quem divulgou.

Azeredo defende restrições e regulamentação da internet. O parlamentar foi relator do substitutivo dos projetos de lei número 84/1999 da Câmara Federal e do Senado 89/2003, conhecido por AI-5 Digital pelos críticos, por conter aspectos considerados autoritários e de vigilantismo.
****
Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/multimidia/blogs/blog-na-rede/ao-criticar-apoio-de-lula-a-assange-azeredo-discute-com-usuarios-no-twitter

Número de casas vazias supera déficit habitacional brasileiro, indica Censo 2010

11/12/2010
Por: Vinicius Konchinski, da Agência Brasil

São Paulo – Os primeiros dados do Censo 2010 divulgados pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o número de domicílios vagos no país é maior que o déficit habitacional brasileiro.

Existem hoje no Brasil, segundo o censo, pouco mais de 6,07 milhões de domicílios vagos, incluindo os que estão em construção. O número não leva em conta as moradias de ocupação ocasional (de veraneio, por exemplo), nem casas cujos moradores estavam temporariamente ausentes durante a pesquisa.

Mesmo assim, essa quantidade supera em cerca de 200 mil o número de habitações que precisariam ser construídas para que todas as famílias brasileiras vivessem em locais considerados adequados: 5,8 milhões.

Esse déficit habitacional foi calculado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) com base em outro levantamento do IBGE, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

O déficit soma a quantidade de famílias que declaram não ter um teto, que habitam locais inadequados ou que compartilham uma mesma moradia e pretendem se mudar. Não leva em conta as famílias que vivem em casas adequadas de aluguel.

O censo mostrou que São Paulo é o estado com o maior número de domicílios vagos. O número de moradias vazias chega a 1,112 milhão. Já de acordo com o Sinduscon-SP, são 1,127 milhão de famílias sem teto ou sem uma casa adequada. Portanto, na hipótese de que essas casas vagas fossem ocupadas por uma família, só 15 mil moradias precisariam ser construídas para solucionar o déficit habitacional do estado.

Minas Gerais é o segundo estado com o maior número de habitações vazias. São cerca de 689 mil, segundo o censo. Se todas as 444 mil famílias que compõem o déficit habitacional de Minas estimado pelo Sinduscon-SP mudassem para uma das moradias vagas, ainda sobrariam 245 mil domicílios desocupados.

Para o arquiteto e urbanista Jorge Wilheim, ex-secretário de Planejamento da cidade e do estado de São Paulo, os números do censo e do déficit habitacional indicam uma incoerência. Para ele, a quantidade domicílios vazios reforça a teoria de mau aproveitamento deles.

Em entrevista à Agência Brasil, Wilheim lembrou, porém, que não se pode afirmar que todas essas casas poderiam ser habitadas já. Destacou que os domicílios vazios têm diferentes características, que ainda não foram divulgadas pelo IBGE. Muitas casas, inclusive, são propriedades cujo valor não é compatível para atender à demanda das famílias que compõem o déficit habitacional.

De acordo com o Sinduscon-SP, 77% das famílias sem teto ou que vivem em locais inadequados têm renda mensal de até três salários mínimos (R$ 1.530 atualmente). Já 62% das famílias que dividem uma mesma moradia e desejam mudar estão na mesma faixa de renda.

Devido a isso, Wilheim entende que para resolver o problema de habitação do país são necessárias políticas públicas. Para ele, essas políticas poderiam estimular a reocupação de moradias vazias e, principalmente, as que estão abandonadas há anos.

“Precisamos de uma intervenção do Poder Público para desatar este nó [o déficit habitacional]”, disse. “Tem que haver uma intervenção para desapropriar os imóveis que estão abandonados há muito tempo para sua reposição no mercado”, completou.

O coordenador da Secretaria Executiva da Rede Nossa São Paulo, Maurício Broinizi Pereira, também considera o número de domicílios vagos paradoxal. Ele ressaltou que, seguramente, muitas dessas moradias não serviriam para acabar com o déficit habitacional do país até porque estão vazias temporariamente, à espera de um inquilino ou comprador. Entretanto, defende que medidas como a taxação progressiva de imóveis desocupados poderia minimizar a situação.

Pereira lembrou ainda o exemplo da cidade de São Paulo, que passa a cobrar o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) de imóveis considerados ociosos progressivamente a partir do ano que vem. O imposto desses imóveis, que hoje varia entre 0,8% e 1,8% do seu valor, pode chegar a 15% com o passar dos anos.

“Isso vai inibir a manutenção do imóvel vazio”, explicou, lembrando que só na capital paulista o número desses imóveis chega a 290 mil. “O dinheiro arrecadado com o aumento de imposto deve ser usado para construção de novas casas que atendam a população incluída no déficit habitacional da cidade.”

O Ministério da Cidades, responsável pelas políticas de habitação do país, informou em nota que o governo federal criou no ano passado o programa Minha Casa, Minha Vida visando a reduzir o déficit habitacional brasileiro em 1 milhão de unidades.

O órgão não comentou a diferença entre o número de imóveis vazios e a demanda por moradia no país. Afirmou, porém, que a construção de 816 mil casas já foi contratada. Dessas, 40% serão destinadas a famílias com renda mensal até R$ 1.395.
***
Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidades/2010/12/numero-de-casas-vazias-supera-deficit-habitacional-brasileiro-indica-censo-2010

Sindicatos do Panamá recorrem à OIT para combater repressão a trabalhadores

Postado por Irineu Messias, em 12.12.2010
Extraído do "Opera Mundi"
Publicado em 16/07/2010 no site Adital | Cidade do Panamá



A fim de conter as investidas violentas e a repressão contra os trabalhadores grevistas no Panamá, ordenadas pelo governo de Ricardo Martinelli, o secretário geral da ICM (Internacional de Trabalhadores da Construção e da Madeira), Alberto Emilio Yuson, pediu à interferência da OIT (Organização Internacional do Trabalho) nos conflitos pela derrogação da Lei 30.

As manifestações ocorrem no Panamá desde o último dia três e tiveram início no município de Bocas del Toro.

Em carta enviada na quinta-feira (15/7), Emilio Yuson pediu ao diretor geral da OIT, Juan Somavía, que ative o mecanismo de intervenção urgente, devido à situação de perseguição e detenção arbitrária sofrida por líderes sociais de diversas categorias e por dirigentes sindicais, sobretudo do Suntracs (Sindicato Único de Trabalhadores da Indústria da Construção e Similares).

Segundo informações da agência de notícias Rebanadas de Realidad, na solicitação enviada à OIT, o secretário geral da ICM descreve os transtornos e violências a que os manifestantes estão sendo submetidos ao realizarem mobilizações e greves para reivindicar a derrogação da Lei 30, mecanismo que vulnera os direitos humanos, trabalhistas e ambientais.

Recebeu destaque na carta enviada à OIT, a situação vivida em Bocas del Toro e na capital, Cidade do Panamá, onde os confrontos com as forças nacionais resultaram em centenas de feridos, muitos dos quais correm o risco de ficarem cegos devido aos tiros e à violência policial. Os confrontos também deixaram um saldo de mortos, mas ainda não há um consenso sobre o número real. É certo que pelo menos duas pessoas perderam a vida devido à repressão.

Emilio Yuson revelou ainda que o governo emitiu ordens de prisão contra membros da diretoria do Suntracs, situação que forçou os trabalhadores a se manterem escondidos até que as ordens serem suspensas.
***
Fonte:http://operamundi.uol.com.br/noticias_ver.php?idConteudo=5104

Recuperando a importância dos sindicatos

12/12/2010
Do "Opera Mundi"
Por Jane McAlevey | Nova York


Pela primeira vez na história recente, a maioria das vozes do movimento pelas mudanças sociais, incluindo os sindicatos de inclinação progressista, faz um esforço extraordinário para transformar a derrota eleitoral generalizada em vitória. Será que também desta vez aprenderemos finalmente as lições certas?

Considerando as limitações de nosso sistema bipartidário e as diferenças entre os partidos nas questões que envolvem os trabalhadores, faz sentido os sindicatos endossarem os democratas e os membros dos sindicatos apoiarem o partido nas eleições. Mas os líderes sindicais permaneceram muito tempo amarrados ao Partido Democrata em questões fundamentais de estratégia. Ironicamente, quando os democratas conquistam a Casa Branca, o problema é exacerbado, pois os sindicatos frequentemente confundem acesso com poder. Os líderes do Partido Democrata não acordam de manhã pensando em como estender os benefícios sociais aos trabalhadores ou aos pobres. E eles certamente não acordam pensando em como tornar os sindicatos mais fortes.

À medida que o complexo consultor-industrial ligado ao Partido Democrata dominou a maioria dos sindicatos nacionais, os sindicatos substituíram a organização pela mensagem eletrônica, enquanto os organizadores de verdade praticamente desapareceram. Para derrotar as mentiras despejadas 24 horas por dia nos lares norte-americanos pela Fox News, é indispensável atrair os trabalhadores em pessoa, e não bombardeá-los com e-mails pré-aprovados pelo público. É necessária uma discussão de duas vias para ajudar os trabalhadores a superar o medo e a frustração e apoiar a ação coletiva a fim de tratar dos problemas em suas vidas. Aviso aos sindicatos: Twitter e Facebook não significam engajamento.

Segurança organizacional

Em vez de se concentrar na segurança econômica imediata da classe trabalhadora (e, neste país altamente desigual, isto inclui a classe média), os sindicatos têm se preocupado com sua própria segurança organizacional. Encorajados por pesquisadores e consultores do Partido Democrata, os líderes sindicais decidiram apostar todas as fichas na Lei de Livre Escolha do Empregado (EFCA, na sigla em inglês). Com a crise econômica devastando a nação, esta era a "tarefa" número um do novo governo que os sindicatos lutaram tanto (e pagaram tanto) para eleger. É bom lembrar que os sindicatos tentam inutilmente obter reformas trabalhistas significativas desde os anos 1940 - quando eram muito mais fortes. A Câmara de Comércio e seus aliados contrários aos sindicatos sem dúvida não gostaram de ver os Democratas discutindo a reforma das leis trabalhistas, mas o lobby das grandes companhias certamente ficou feliz com uma estratégia concebida pelos sindicatos que a Câmara poderia resumir à frase "os sindicatos querem derrubar o direito de um trabalhador de optar, por voto secreto, pela formação de um sindicato". Os líderes sindicais passaram o primeiro ano do governo Obama trabalhando "nos bastidores" para aprovar essa prioridade. Não surpreende que tenham fracassado.

O que os sindicatos poderiam fazer, e o que deveriam fazer para mudar a equação em 2012 e também em futuras eleições sindicais? Criar uma verdadeira luta em torno do estado das classes trabalhadora e média tratando de questões nas quais os sindicatos possam fazer uma diferença imediata na vida das pessoas. A capacidade dos sindicatos de expandir suas fileiras não está na reforma da lei trabalhista; está no potencial de grandes números de norte-americanos enxergarem os sindicatos como algo relevante. Com pouco mais de 7% da força de trabalho do setor privado participando de sindicatos, não é difícil perceber por que os líderes sindicais estão preocupados com sua própria sobrevivência. No entanto, depois de 70 anos de tentativas fracassadas de expandir os sindicatos com abordagens tecnocráticas legislativas, legais e regulatórias, é hora de experimentar o sindicalismo como um movimento social de massa.

Negociações

Os trabalhadores não podem pagar o aluguel, pagar a hipoteca, ter um cartão de crédito, arrumar emprego, comprar roupas ou livros de escola para os filhos ou se aposentar. Eles enfrentam índices de divórcio crescentes à medida que as tensões familiares aumentam, e perderam o senso de dignidade. Eles não ligam para a reforma da lei trabalhista e não ligam para os sindicatos (pelo menos na forma atual). Eles estão desesperados, e o desespero ignorado logo se transforma em alimento para os alarmistas ou desculpa para não comparecer às urnas. As duas decisões são um desastre que tende a ser repetido a não ser que os sindicatos se recomponham rápido.

Em vez de postar links para os sites das associações habitacionas, que tal iniciar conversações diretas entre trabalhadores sobre a ocupação das sedes de companhias de hipoteca em todo o país, até que os bancos parem de executar as hipotecas de suas casas? Em vez de conclamar repentinamente os membros a fazer piquetes diante de bancos ou realizar ações militantes aparentemente aleatórias, que tal sentar-se com os sindicalizados e conversar sobre quais ações todos podem adotar para forçar soluções para a crise da habitação - soluções como obrigar os bancos a recalcular as hipotecas de acordo com o verdadeiro valor das residências e criar linhas de crédito para que os trabalhadores possam se mudar para lugares onde é possível arranjar um emprego?

Os sindicatos precisam se conectar com os trabalhadores cara a cara em eventos especiais, locais de trabalho e visitas domiciliares, para perguntar o que lhes tira o sono. Então deveriam planejar ações diretas com trabalhadores que respondessem a seus problemas. Que tal tomar os escritórios das grandes agências de classificação de crédito e ocupá-los 24 horas por dia, sete dias por semana, até que elas concordem em eliminar todo o crédito ruim amontoado sobre qualquer pessoa que tenha feito um pagamento de hipoteca atrasado porque perdeu o emprego ou teve o horário de trabalho reduzido? A crise habitacional está diretamente ligada à crise salarial, que está diretamente ligada à crise do emprego. As pessoas deste país imploram por uma luta, mas os únicos que oferecem uma são da ala direita. Todas essas questões estão diante dos olhos dos sindicatos há vários anos. Por que nenhum sindicato transformou a crise dos trabalhadores em uma crise do capital e da elite política?

Fracasso

Há duas razões principais para este fracasso, e os membros dos sindicatos precisam deflagrar um movimento interno, um mini-MoveOn, para confrontá-las. Em primeiro lugar, até hoje, quando indagados sobre a crise habitacional, muitos sindicatos dizem, em resumo: "Isso não é problema nosso. Nós apenas tratamos de questões dos trabalhadores no local de trabalho." Dada a crise em todos os aspectos da vida dos trabalhadores, essa resposta é ainda mais retrógrada e míope do que a segunda razão pela qual os sindicatos não fazem o que deveriam: as disputas por influência. Alguns dos melhores organizadores ensinam os trabalhadores a brigar entre si em vez de lhes mostrar como brigar com os patrões, e muito menos como realizar ações coletivas contra a elite política de um modo mais amplo.

Não é tarde demais. A crise habitacional ainda assoma no horizonte, e o futuro ataque à Seguridade Social e outros programas de subvenção oferecerá espaço de sobra para que os sindicatos mobilizem sua base e organizem os desorganizados. Mas esses esforços deveriam apontar para algo diferente da formação de um sindicato.

Os organizadores dos sindicatos - funcionários remunerados e membros comuns - deveriam bater às portas e começar a se reunir com centenas de milhares de trabalhadores a fim de galvanizar um movimento para exigir justiça econômica. Se os sindicatos fizerem isso com os trabalhadores desorganizados e, juntos, eles vencerem campanhas, será mais provável estes mesmos trabalhadores considerarem a sindicalização uma boa opção em suas vidas. A uma razão de um organizador para 1.000 conversações organizadoras em bairros no país todo, apenas 2.000 organizadores de sindicatos poderiam engajar 2 mihões de pessoas - e isso é o bastante para criar uma crise que a elite terá inevitavelmente de enfrentar.

Fortalecimento

Ironicamente, a única questão de segurança organizacional que deveria ser tratada urgentemente pelo movimento trabalhista produziu mais uma situação de autoflagelação: a campanha de ódio cuidadosamente lançada contra os sindicatos do setor público. O ataque virulento lançado contra os "sindicatos governamentais" a partir do coração de Estados democratas como New Jersey é uma jihad tripla contra tudo o que a direita mais odeia: a ideia de redistribuir qualquer recurso para os pobres; os afro-americanos e pessoas de cor, mal representados no funcionalismo público; e os sindicatos em geral (o maior bloco de norte-americanos sindicalizados trabalha para o governo). Podem apostar que esse terceiro objetivo tem prioridade nos papéis pregados nas paredes dos gabinetes de guerra conservadores. Assistir aos sindicatos do setor privado abandonarem essa luta e oferecerem de bom grado os sindicatos governamentais para a destruição mostra como é fácil dividir e conquistar. Quanto mais permitirmos que a direita chame o setor público de outra coisa que não um componente essencial da economia, mais permitiremos que a direita destrua a única base real dos sindicatos e a única fonte real de bons empregos ao alcance de muitas pessoas de cor e mulheres.

É hora de fortalecer as pessoas para que entrem em ação. Sabemos que as pessoas aprendem melhor agindo - não se trata de nenhuma ciência complexa, nem de algo a ser comprovado por pesquisas. Há anos sabemos que as melhores questões são aquelas ampla e profundamente sentidas e para as quais podemos elaborar soluções razoáveis. Os sindicatos perceberiam que essas questões estão debaixo de seu nariz se escutassem os trabalhadores, e não os pesquisadores.

*Texto originalmente publicado no The Nations
****
Fonte:http://operamundi.uol.com.br/opiniao_ver.php?idConteudo=1318

Para CUT, ajuste fiscal é 'agenda dos derrotados'

10/12/2010
Por: Anselmo Massad, Rede Brasil Atual


São Paulo – O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos, qualifica como "agenda dos derrotados" a proposta de ajuste fiscal defendida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Em entrevista a Oswaldo Luiz Colibri Vita, da Rádio Brasil Atual, Artur defende que o país precisa de mais presença do Estado na economia.

A manutenção de Mantega no cargo é vista com bons olhos pelo sindicalista, por ser uma pessoa com quem a central manteve diálogo nos últimos anos, com participação inclusive na discussão sobre o marco regulatório do pré-sal. Porém, Artur se mostra surpreso com o teor das primeiras declarações do ministro.

"Cheira a uma incoerência as declarações do novo ministro, ou do velho ministro no novo governo", ironiza. "A agenda fiscalista, da diminuição do papel do Estado, da redução de gastos correntes é a agenda dos derrotados, de quem perdeu a eleição é quer impor sua pauta", lamenta. A alusão direta é ao candidato do PSDB, José Serra, que defendeu a necessidade de corte de gastos por conta do que chamou de "inchaço" da máquina pública.

Em sua análise, o mesmo tipo de movimentação de setores da oposição ao governo Lula ocorreu em 2002 e 2006, depois das eleições. Ele acredita que o crescimento das despesas correntes em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) teve pouca variação – de 4,8% em 2002 para 4,81% em 2009 –, tornando a redução de gastos desnecessária.

"O que cresceu foi a rubrica transferência de renda, que é o reajuste do salário mínimo, Bolsa Família, seguridade social, aposentados", alega Artur. "São programas e políticas públicas sociais e isso não pode ser considerado como gasto. Senão vamos entrar numa seara no Brasil de que, com pobre, é gasto, enquanto empréstimo a juros subsidiados para o setor empresarial da construção civil ou de outro setor não é gasto, mas investimento. Política social também é investimento."

Embora defenda a ação do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Artur lembra que é necessário que os bancos privados tenham mais participação no financiamento de longo prazo.

Nesta semana, Mantega defendeu a necessidade de redução de despesas, incluindo investimentos do segundo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Na quinta-feira (9), o Executivo encaminhou ao Congresso Nacional uma proposta de cortes de R$ 8 bilhões no Orçamento Geral da União de 2011, que ainda tramita no Legislativo. A alegação do governo é de que a medida é necessária para permitir a redução de juros, que traria consequências positivas em relação ao câmbio valorizado.

Salário mínimo

Além do corte de gastos, Artur atacou duramente a falta de definição sobre a demanda das centrais sindicais de um reajuste maior do que o previsto para o o salário mínimo em 2011, bem como para os aposentados e para a tabela do Imposto de Renda. Ele revela que havia a promessa de que o Ministério da Fazenda atenderia os sindicalistas nesta semana, mas a negociação não foi agendada e segue sem data para ocorrer.

As centrais defendem um salário mínimo de R$ 580, ante R$ 540 defendidos pelo governo. A posição do Executivo é de que a fórmula acordada em 2006 deve ser mantida, garantindo reposição da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Aplicado (IPCA) mais a média de crescimento da economia dos dois anos anteriores. Como em 2009 houve retração por conta da crise econômica internacional, não haveria aumento real. Os sindicalistas defendem a manutenção da política com a adoção de uma exceção para 2011.

A preocupação da CUT, segundo explica Artur, é que o reajuste concedido em janeiro terá impacto também nos anos seguintes. Se o mínimo for para R$ 580 agora, será de R$ 660 em 2012; se ficasse em R$ 560, seria de R$ 630 no ano seguinte, segundo cálculos do presidente da central.

A íntegra da entrevista vai ao ar na edição desta segunda-feira (13) do Jornal Brasil Atual, às 7h na Rádio Terra (98,9 Mhz de São Paulo). O programa é transmitido ao vivo pela radioweb.
****
Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/temas/economia/2010/12/para-artur-ajuste-fiscal-e-agenda-dos-derrotados

Foguete de médio porte é lançado com sucesso no Maranhão

12/12/2010
Do site "Opera Mundi"
Por Ivan Richard/Agência Brasil | Brasília

O lançamento do foguete brasileiro de médio porte VSB-30 V07 foi considerado um sucesso pelos técnicos do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. O lançamento ocorreu às 13h35, horário de Brasília, e o objetivo da Operação Maracati 2 foi alcançado, já que todos os sistemas de lançamento e rastreio funcionaram “perfeitamente”.

Em nota, o CLA informou que o foguete - que levou ao espaço cerca de dez experimentos de universidades, de institutos de pesquisas e de alunos - atingiu 241,9 quilômetros de altitude. O objetivo da operação era colocar os experimentos a 100 quilômetros de altitude, em um ambiente de microgravidade.

A carga útil, onde estavam os experimentos, foi recuperada após 16 minutos de voo, quando caiu, sustentada por paraquedas, a 140 quilômetros da costa. Equipes da Força Aérea Brasileira usaram dois helicópteros H-60L Black Hawk para içar e transportar a cargar útil até a base avançada, localizada na Ilha de Santana. Já em solo, a carga foi acondicionada em uma caixa de transporte para ser levada com segurança ao Centro de Lançamento de Alcântara.

De acordo com o CLA, a Operação Maracati II, iniciada no dia 16 de novembro, contou com a participação de 183 pessoas, entre técnicos do CLA, do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais e da agência espacial alemã Deutsche Zentrum für Luft- und Raumfahrt (DLR).

Os experimentos escolhidos pela Agência Espacial Brasileira (AEB) para a operação foram dois do Centro Universitário (FEI), de São Bernardo do Campo, dois da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), dois da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), um do Insituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e um de escolas da rede de ensino público de São José dos Campos (SP), que faz parte de um projeto de iniciação científica.
***
Fonte:http://operamundi.uol.com.br/noticias_ver.php?idConteudo=8198&utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

Maria Farinha - Um paraíso no litoral norte de Pernambuco

10.12.2010
Do blog "Paulista em Primeiro Lugar"
Por Francisco Marques da Silva Júnior


Existe uma praia do litoral norte pernambucano, de águas rasas e claras, aonde se pode andar com água até o joelho. Um paraíso formado por coqueiros e manguezais que emolduram sua beleza natural. Este local se chama Maria Farinha, localizado no município de Paulista, 25 km da capital Recife, é muito procurada para prática de esportes náuticos e passeios de ultraleve.

Muito se fala nas praias do litoral sul de Pernambuco, como Porto de Galinhas, Muro Alto, Tamandaré. Claro que todas elas são maravilhosas. Mas no litoral norte do estado também há muito o que se conhecer, a exemplo das suas praias de grande beleza e boa infra-estrutura.

O melhor exemplo está na praia de Maria Farinha, que pertence ao município do Paulista. E o melhor: ela está bem pertinho da capital, a apenas 40 quilômetros

Primeiro, vamos tirar uma dúvida: por quê o nome Maria Farinha? A explicação é simples, é assim que se chama o minúsculo crustáceo, da mesma família do caranguejo, que há muito aparece nas praias pernambucanas, especialmente naquele lugar. A praia em si, tem areia fina e branca e águas calmas, ótimas para um banho de mar tranqüilo, especialmente para as crianças. Se você achar que há um número grande de “mato” na beira-mar e pensar que é sujeira, não esquente a cabeça, é apenas sargaço. Faz parte da própria natureza.

Vale observar que a praia se desenha em forma de pontal, o que dá para ter uma boa visão de outros locais. A infra-estrutura local é muito boa, abrigando vários restaurantes, hotéis, pousadas, resorts e até mesmo um grande parque aquático, com toboáguas, piscina de ondas e tudo mais. Nos restaurantes, o cardápio é bastante variado, agradando tanto a quem aprecia os bons frutos do mar quanto a quem procura algo diferente. Para quem procura algo mais rústico, de fácil acesso e preços normalmente camaradas, vale tentar uma das barraquinhas instaladas na própria praia, para não sair de lá nem na hora que a fome chega.

As belezas naturais de Maria Farinha também se mostram através do vasto coqueiral que permeia a orla, e da divisão com o rio Timbó, o que faz do lugar um ponto perfeito para esportes náuticos.

Tanto é que muitas casas dali (das mais simples às mais luxuosas) têm seus próprios píeres e marinas para que as pessoas possam aproveitar tudo da melhor forma, seja com seu jet-ski ou lanchas, levando muitos até à ilhota da Coroa do Avião, em frente ao histórico Forte Orange, na Ilha de Itamaracá (a Coroa pertence a Maria Farinha e não à ilha, ao contrário do que muitos pensam), onde encontrarão restaurante, ponto de estudos de aves migratórias e poderão, na parte de trás da ilhota, pescar mariscos à vontade, pois esses moluscos são abundantes no local.

Na escolha de um lugar de praia para passar sua lua de mel, dê uma chegada ao litoral Norte pernambucano e aprecie toda a beleza que Maria Farinha tem a oferecer.
****
Fonte:http://paulistaem1lugar.blogspot.com/2010/12/maria-farinha-um-paraiso-no-litoral.html

WikiLeaks: Parem a Perseguição

Postado por Irineu Messias, em 12.12.2010
Extraído do site "Avaaz"

A campanha de perseguição agressiva contra o WikiLeaks é um perigoso ataque à liberdade de expressão e imprensa. Políticos importantes dos EUA chamaram o WikiLeaks de uma organização terrorista, pedindo para empresas boicotarem o site. Comentaristas chegaram ao extremo de sugerir o assassinato da sua equipe.

Independentemente do que pensamos sobre o WikiLeaks, peritos legais dizem que eles não violaram nenhuma lei. O site trabalha com jornais renomados internacionais (NY Times, Guardian, Spiegel) para cuidadosamente selecionar o que é publicado - até agora menos de 1% dos cabos vazados.

Nós precisamos de um chamado urgente para defender os principios democráticos básicos. Assine a petição contra a intimidação ao WikiLeaks - vamos conseguir 1 milhão de vozes esta semana!
****
Fonte:http://www.avaaz.org/po/wikileaks_petition/?rc=fb


NOTA DO BLOG:

O texto da petição: "

Para os EUA e outros governos e empresas ligadas à perseguição ao WikiLeaks:

Nós pedimos o fim da perseguição ao Wikileaks e seus parceiros imediatamente. Pedimos respeito pelos princípios democráticos e leis de liberdade de expressão e de imprensa. Se o Wikileaks e seus jornalistas parceiros violaram alguma lei eles deverão ser levados à justiça. Eles não devem ser sujeitados a uma campanha de intimidação extra-judicial."
Para assinar basta acessar o site pelo link: http://www.avaaz.org/po/wikileaks_petition/?rc=fb

Folha: Quem reduziu a pobreza mesmo foi o regime militar

12 de dezembro de 2010
Do blog "Vi o Mundo"
Por Luiz Carlos Azenha


A Folha apresenta neste domingo uma reportagem sobre ex-vizinhos do Palácio do Planalto que melhoraram de vida desde que Lula assumiu, em 2002.

Sob o título “A classe C mora ao lado”, a reportagem é uma confissão envergonhada de que algo mudou no Brasil.

Mas para por aí.

Usando como “base estatística” quatro famílias, o jornal do Otavinho diz que três delas subiram na vida sem ajuda do governo.

Mas o mais impressionante é a “análise” de Gustavo Patu (reproduzida abaixo).

O analista da Folha diz que não existem estatísticas confiáveis que permitam uma avaliação de longo prazo sobre a ascensão social no Brasil e sobre as causas de tal ascensão.

E, na ausência de tais estatísticas, conclui que “recuar mais no tempo provocaria uma comparação incômoda com os resultados obtidos durante os anos 70, na ditadura militar”.

Ué, Patu, mas na ausência das estatísticas e estudos, como é que você sabe que a comparação seria “incômoda”?

É a lógica do jornal do Otavinho, em ação.

Fiquem com esta jóia:

Oportunismo contamina debate sobre a pobreza

GUSTAVO PATU
DE BRASÍLIA

“Nós tiramos” X milhões da pobreza (ou miséria) “e elevamos” Y milhões à classe média, repete, desde os tempos de candidata, a presidente eleita, Dilma Rousseff.

A ascensão social não é apresentada como mérito dos indivíduos, mas como feito dos governantes. X e Y variam conforme o estudo mais recente ou conveniente a ser citado. O debate sobre a pobreza permanece contaminado por escassez de diagnósticos e por sobra de oportunismo político.

A pobreza do debate começa pela inexistência de uma base estatística sólida sobre o tema -elaborada com metodologia transparente, atualizada com regularidade e capaz de abarcar uma série histórica longa.

Restam trabalhos isolados, ainda que meritórios, produzidos por meia dúzia de economistas especializados, com variadas definições do que seria um pobre, um miserável ou um cidadão de classe média.

Os governistas só exibem os dados contabilizados a partir de 2004 — o ano de 2003, de aumento da pobreza, é deixado de lado — ou, no máximo, depois do Plano Real. Recuar mais no tempo provocaria uma comparação incômoda com os resultados obtidos durante os anos 70, na ditadura militar.

É indiscutível que a pobreza teve forte queda nos últimos anos, com créditos para a administração petista já reconhecidos pelo eleitorado. Mais complexo é ponderar o peso de cada uma das causas do fenômeno.

Crescimento econômico, que não depende só das políticas domésticas, aparenta ser mais crucial que o salário mínimo ou o Bolsa Família.

A transformação demográfica hoje vivida pelo Brasil, com redução do número de filhos por família e maior proporção de adultos produtivos na população, já ajudou a enriquecer o mundo desenvolvido no passado.

Até o dólar barato, que ameaça a indústria e as exportações, contribuiu decisivamente para a sensação geral de bem-estar ao reduzir a inflação sem necessidade de juros ainda mais altos.

Leia aqui o contorcionismo de O Globo para “provar” que o governo Lula foi uma desgraça econômica, na análise do Miguel do Rosário.
****
Fonte:http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/folha-quem-reduziu-a-pobreza-mesmo-foi-o-regime-militar.html

Inmet prevê domingo de chuva em todas as regiões do país

12/12/2010
Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR


O domingo (12) será de chuva em todas as regiões do país, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). No Sul, há previsão de chuva forte e queda de granizo em áreas isoladas dos estados de Santa Catarina, do Paraná e Rio Grande do Sul.

De acordo com o Inmet, na Região Norte o domingo terá céu encoberto a nublado com pancadas de chuva e trovoadas isoladas no Tocantins. O dia será encoberto a nublado com pancadas de chuva no norte do Amapá e com trovoadas em Rondônia. No oeste do Amazonas, assim como no Centro-Sul do Pará, o tempo ficará nublado com pancadas de chuva. Nas demais áreas, deve ficar nublado a parcialmente nublado.

Na Região Centro-Oeste, segundo o Inmet, o dia será nublado a encoberto com pancadas de chuva e trovoadas isoladas no Distrito Federal, em Goiás e Mato Grosso. Em Mato Grosso do Sul, o céu ficará parcialmente nublado a nublado com pancadas de chuva.

No Nordeste, o domingo será encoberto a nublado com pancadas de chuva no leste, oeste e sul do Maranhão e com trovoadas na Bahia. De acordo com o Inmet, o dia deve ser nublado com pancadas de chuva e trovoadas no Piauí e sul do Ceará. Nas demais áreas, a previsão é de céu nublado a parcialmente nublado com pancadas de chuva e possíveis trovoadas isoladas.

O dia ficará parcialmente nublado a nublado com pancadas de chuva e trovoadas isoladas no norte, noroeste e nordeste de Minas Gerais e no norte do Espírito Santo. O domingo será claro a parcialmente nublado passando a nublado com pancadas de chuva e trovoadas em São Paulo e também no Rio de Janeiro, no final do dia.
Da Agência Brasil
****
Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/nota.asp?materia=20101212082842

O leitor Rafael e a fábrica de boçais

10 de dezembro de 2010
Do blog de Luiz Carlos Azenha


Azenha,

Sou seu leitor há pouco mais de um ano e sempre o vi recomendar os livros do professor Venício Arthur de Lima. Confesso que tinha curiosidade, mas, ao mesmo tempo, dificuldade para achá-los. Em livrarias, é impossível. Principalmente, porque as livrarias viraram cafeterias com livros. Você toma um cappuccino, come um croissant e, para justificar a ida, compra um exemplar de “Comer, rezar, amar” ou outro lixo qualquer.

Você já viu as livrarias dos aeroportos? Elas só têm livros para ensinar a ficar rico. Não sei se, no futuro, aumentará o número de milionários ou de boçais. Pelo que mostra a história do capitalismo, acredito mais na segunda opção.

Enfim, mas recentemente me mudei para São Paulo e pude visitar a feira do livro na USP. Lá, estive no estande da Perseu Abramo e comprei logo dois (“Crise política e poder”… e “A mídia nas eleições de 2006″). Estou terminando o primeiro e escrevo-te para a agradecer pela recomendação.

Num país em que até o Roberto Carlos proíbe que sua história seja contada, é bom saber que podemos estudar a mídia com obras mais críticas do que o livro do Pedro Bial.

Att,

Rafael

****
Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/o-leitor-rafael-e-a-fabrica-de-bocais.html

Irlanda: viva as fronteiras!

02/12/2010
Do site "Opera Mundi"
Por León Bendesky* | Cidade do México


A crise se instalou fortemente na Irlanda. Foi chamada de “crise soberana”, mas esse termo deve ser reconsiderado conforme as condições em que se desenvolve o processo da globalização financeira. Além disso, este caso ilustra o tamanho e ao mesmo tempo os limites do acordo econômico da União Europeia e sua expressão mais visível, que é a moeda única: o euro.

Este é o segundo episódio da crise financeira, monetária e de soberania na Europa neste ano. Anteriormente, foi a Grécia. Ainda são o rearranjo da crise financeira desencadeada nos Estados Unidos em setembro de 2008. Não se pode dizer que é a ultima.

Em Portugal, continua a incerteza sobre a capacidade de resistência da economia e, na Espanha, não acaba a pressão por causa do desemprego, mas também a fragilidade de alguns bancos e a incapacidade de sustentar uma recuperação. O novo governo britânico impôs ajustes pesados nos gastos públicos e a França reviu o sistema de aposentadorias para os trabalhadores. A Alemanha, que tem a economia mais forte na região, conseguiu impor seus critérios de ajuste na zona do euro.

Mas a situação tem criado novos atritos. Eles surgem em decorrência da política monetária e seus efeitos sobre as taxas de cambio e, por consequência, sobre os fluxos de investimentos e comércio, e, finalmente, a dinâmica do crescimento da produção. O yuan e o dólar protagonizam hoje a disputa que também repercute nas demais moedas por meio do fluxo de capitais nos mercados da dívida. As repercussões são sentidas até no México.

A economia irlandesa teve um forte crescimento desde a década de 1990 e foi chamada de “Tigre Celta”(havia Tigres Asiáticos, alguns dos quais logo se tornaram famélicos). Na década de 2000, teve sua própria bolha imobiliária, cujo valor se estima que alcançou a proporção de um quinto do produto gerado.

Valor estratosférico

Mas a Irlanda não resistiu ao peso da crescente especulação. A tensão nos bancos subiram e num ato de populismo, em 2008, o governo garantiu 100% dos depósitos em bancos e não só isto, mas muito das suas dívidas. Ainda assim, não abrandou a deteriorização e não pode evitar a falência. O governo já destinou 50 milhões de euros em receitas fiscais para tentar tapar o buraco, ou seja, um terço do PIB. O déficit orçamental é de cerca de 35% do produto.

Entram os credores. Os bancos que forneceram os empréstimos para financiar os negócios imobiliários não puderam sustentar-se. Mas os fundos não vinham da poupança dos cidadãos, das empresas ou do governo, mas principalmente dos bancos que operam internacionalmente. O assunto era global. Para que cobrem, é necessário que os governos intervenham e o problema se transfere para as fronteiras nacionais.

A União Europeia e o FMI deverão colocar uma quantia estratosférica para o tamanho da economia irlandesa (com 4,5 milhões de pessoas e um PIB de 11% do México) de cerca de 100 bilhões de euros para socorrer os bancos. Os ajustes fiscais serão bárbaros para assegurar o pagamento da dívida e comprometem uma grande parte do que se produzirá nos próximos anos. Um professor irlandês definiu a situação com uma ironia que mostra que a historia europeia tem raízes profundas, que não se enfraquecem nem com a união econômica e o euro; ele diz que este é um confronto entre o governo e os herdeiros de Bismarck e Richelieu, numa alusão ao papel preponderante dos poderes políticos da região.

Como as crises são, em princípio, globais, segundo os políticos, os funcionários de órgãos internacionais e os banqueiros, assim também funciona o mercado da dívida, mas só até se ter de pagar. Aí, o assunto volta a ser nacional e se fala em soberania.

Ardor ideológico

Esta é uma contradição relevante que conhecemos muito bem no México após as crises de 1982 e 1995. Em ambos os casos este país era um dos clientes favoritos dos bancos comerciais e de investimentos, até que tiveram de cobrar a dívida e transferir durante anos recursos internos, ou seja, riqueza para pagar.

Enquanto se expande o crédito e a economia está no auge, os mercados globais são eficientes e os governos se calam sobre aqueles cuja economia se endividam. Com a eclosão da crise, todos se tornam honestos, ficam indignados com os excessos cometidos e que pesam sobre as pessoas, bancos e acionistas. As moedas não têm vida própria, expressam relações concretas na economia e na sociedade, são um fenômeno político. Os chineses se excedem em seu ardor ideológico ao chamar a sua de renminbi, ou “moeda do povo”.

De que soberania se fala então e como se expressam as relações entre as nações? Os ajustes significam uma redistribuição desigual das cargas que se impõem. A moeda única, o euro, serve para muitas coisas mas esta sujeita aos encargos fiscais que são cobradas dentro das fronteiras de cada país. Trata-se de preservar esta forma de operação do capitalismo, e este é o dilema hoje.


*León Bendesky é economista mexicano, professor da Universidade Nacional Autônoma do México. Artigo originalmente publicado no website da rede TeleSur. Tradução: Edna Meire de Moraes/Opera Mundi.
***
Fonte:http://operamundi.uol.com.br/opiniao_ver.php?idConteudo=1309

Cardozo: ‘Temos de parar de pensar em semideuses como gestores’

Postado por Irineu Messias, em 12.12.2010
Extraído do blog de Luís Favre
Por Vera Rosa, do jornal "O Estado de S.Paulo"


Futuro ministro da Justiça evita polêmica com Jobim, que defende presença ostensiva do Exército nos morros do Rio, e diz que o crime organizado não sobrevive sem a corrupção de autoridades

Vera Rosa, de O Estado de S.PaulBRASÍLIA – Debruçado sobre o Livro da Transição, o futuro ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, prega o fim das disputas entre a Polícia Federal e o Exército, além de um pacto entre o Executivo, Legislativo e Judiciário para derrotar o crime organizado e o narcotráfico. “O crime organizado não sobrevive sem a corrupção de autoridades estatais”, diz ele.

Para Cardozo, no entanto, o Exército deve entrar em áreas de conflito apenas em “situações excepcionais”. Na tentativa de evitar polêmica com o ministro da Defesa, Nelson Jobim – defensor da presença ostensiva das Forças Armadas nos morros do Rio -, ele garante que as divergências serão arbitradas pela presidente eleita, Dilma Rousseff. “Temos de parar de pensar em semideuses como gestores”, insiste.

Em uma hora e meia de entrevista ao Estado, com o celular tocando sem piedade, Cardozo elogiou o trabalho da Polícia Federal, mas disse não ter simpatia por operações com ares de espetáculo, que podem provocar “linchamentos sociais”. Não foi só: criticou a legalização dos bingos, que, no seu diagnóstico, permite a lavagem de dinheiro.

Secretário-geral do PT, mentor do Código de Ética do partido e relator do projeto da Ficha Limpa, Cardozo observou que a lei não poderia ter efeito retroativo. Do grupo Mensagem ao Partido, que se opõe ao ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, ele afirmou, ainda, que o réu do escândalo do mensalão foi cassado “sem provas” pela Câmara.

Integrante do time de coordenadores da campanha de Dilma – batizado por ela de “três porquinhos” -, Cardozo revelou que se identifica mais com o personagem Cícero, na fábula infantil. “Às vezes, construo casas de palha”, admitiu, rindo.

Qual será sua prioridade no Ministério da Justiça?

A partir das diretrizes traçadas pela presidente eleita, a segurança pública e o combate ao crime organizado serão o eixo prioritário do governo, ao lado de Educação e Saúde.

O ministro Nelson Jobim defende a presença ostensiva das Forças Armadas no combate ao crime organizado e ao narcotráfico, não só nas fronteiras, mas também no auxílio a governos estaduais. O sr. Concorda?

A segurança pública e o combate ao crime organizado exigem um somatório de forças. Do ponto de vista repressivo, acho que em situações excepcionais, como no Rio, é perfeitamente possível ter o envolvimento das Forças Armadas. A Polícia Federal e o Exército não podem atuar como órgãos dissociados.

Mas hoje vivem às turras. Como resolver isso?

Chegou a hora de buscarmos ações para eliminar essa disputa, que é estéril. A questão é de Estado e assim deve ser tratada. É sobre isso que quero dialogar não só com o ministro Jobim, mas com governadores, prefeitos secretários de Segurança, Ministério Público, Judiciário…

Em que consiste o pacto nacional de segurança que o sr. propõe?

As competências na questão da segurança pública são estaduais. Mas é preciso uma articulação envolvendo os três Poderes e todas as unidades da Federação em políticas preventivas e repressivas. No Rio, houve competente ação do governo, mas o apoio da população foi fundamental. O crime organizado tem de ser derrotado também pela opinião pública. Temos de perder a mania de pensar em semideuses como gestores. As pessoas precisam perder a vaidade e perceber que têm de somar para resolver problemas, superando divergências ideológicas e políticas.

O sr. está falando do ministro Jobim ou do governador Sérgio Cabral?

Estou falando de todos nós.

Muita gente diz que o sr. vai acabar trombando com o ministro Jobim…

Meu Deus! (risos) O Jobim é uma pessoa pela qual eu tenho carinho e admiração. Podemos ter a opinião que desejarmos, mas uma pessoa decide. E ela se chama Dilma Rousseff.

Quanto tempo o Exército deve permanecer no Rio?

O necessário. Não gosto de exercício de futurologia.

A Polícia Federal é, muitas vezes, alvo de críticas por cometer abusos. Como o sr. vai administrá-la?

O Estado tem o dever de investigar delitos e puni-los, mas todos devem ser tratados com seus direitos. A espetacularização das ações da PF pode provocar linchamentos sociais inaceitáveis. Se desvios assim ocorrerem, agirei com rigor.

Um dos principais instrumentos da PF é o Sistema Guardião, máquina de grampos telefônicos. O sr. concorda com esse método de ação?

A interceptação telefônica só pode ocorrer nos casos que a lei autoriza, sob determinação judicial. Toda vez que houver interceptação fora do que a lei determina, os responsáveis têm de ser punidos.

Como o sr. vai combater a corrupção e o crime do colarinho branco?

O crime organizado não sobrevive sem a corrupção de autoridades estatais, de todos os níveis, de todos os poderes, que muitas vezes guardam conexão com o crime do colarinho branco. Dificilmente um crime se organiza em larga dimensão se não houver a conivência de parte do aparelho do Estado. Então, o enfrentamento do crime organizado passa pelo enfrentamento da corrupção. Eu não culparia juízes pela morosidade da Justiça, que gera sensação de impunidade. Culpo o sistema, que precisa ser corrigido.

A Câmara pôs em pauta o polêmico projeto de legalização dos bingos. O sr. é favorável?


Eu, como deputado, me manifestei contra. Em última instância, traz mais malefícios do que benefícios e permite a lavagem de dinheiro.

O presidente Lula deve manter ou extraditar o italiano Cesare Battisti?

Externei da tribuna da Câmara minha opinião (pela concessão de refúgio a Battisti). Nesse momento, seria deselegante falar sobre isso.

Ao relatar o projeto de lei da Ficha Limpa, o sr. recebeu muita pressão?

A lei ensejou discussões de interpretação e ouvi muitas reclamações. De qualquer forma, pela primeira vez se discutiu critérios éticos para que as pessoas pudessem ou não ser eleitas. Na minha percepção, a lei não poderia ter eficácia retroativa e não deveria atingir políticos que renunciassem antes (ao mandato). Não foi a decisão do Judiciário. Mas não sou dono da verdade.

Numa entrevista à revista ‘Veja’, em 2008, o sr. chegou a dizer que o mensalão existiu, mas depois alegou que foi mal interpretado. O sr. recuou por interferência do Planalto?

Eu não recuei nenhum milímetro. Não disse isso. Sempre questionei a palavra mensalão. Foi um rótulo que teve efeito midiático. Deputados do PT não receberiam mensalidade para votar em projetos do governo. O que houve foi uma situação ilegal de despesas não contabilizadas. A acusação de desvio de recursos públicos nunca foi provada.

O sr. é favorável à anistia para o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, cassado pela Câmara?

O julgamento da Câmara em relação a José Dirceu foi político. Não existiam provas efetivas de que ele tivesse cometido os atos pelos quais foi acusado. Foi uma condenação indevida. Há um processo em curso no Supremo Tribunal Federal. Acho que, só depois do julgamento, essa discussão da anistia deverá ser colocada ou não.

O sr. não se candidatou a deputado, alegando não se sentir confortável em entrar numa campanha na qual o dinheiro decidia a eleição. Já sabia que poderia ser ministro?

Muito antes de ser convidado para a coordenação da campanha de Dilma, apresentei publicamente minhas razões para não disputar a eleição. Certa vez, o deputado Ibsen Pinheiro disse o seguinte: “Eu continuo encantado com o Parlamento; o que não gosto é de ser candidato.” Faço minhas as palavras dele.

O problema é captar recursos?


São vários problemas, mas financiamento público é fundamental. Imaginar que numa campanha nunca exista dinheiro desviado dos cofres públicos é ser ingênuo. O atual sistema gera uma relação complicada entre quem doa e quem recebe.
****
Fonte:http://blogdofavre.ig.com.br/2010/12/cardozo-temos-de-parar-de-pensar-em-semideuses-como-gestores/