quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Gim Argello e as histórias de faroeste

09/12/2010
Do blog de Rodrigo Vianna
Por Rodrigo Mendes, no Nota de Rodapé

O orçamento em ótimas mãos

Ganhou as manchetes dos jornais nos últimos dias o caso que envolve o senador Gim Argello, relator da comissão mista do orçamento para 2011. A acusação, feita depois de investigação do repórter do jornal O Estado de São Paulo, pelo excelente jornalista (com J maiúsculo) Leandro Colón, que foi meu veterano na faculdade, é de que Gim e mais uma meia dúzia de parlamentares do Centro-Oeste faziam emendas ao orçamento destinando verbas a eventos culturais, e depois mandavam ver no lobby com ministros para que entidades fantasmas deles próprios, registradas em nome de laranjas, recebessem a verba para organizar os supostos eventos. Até aqui, nada de novo do que já foi relatado pela imprensa toda. Então por que esse texto? Bem, em Brasília, há particularidades que são difíceis de entender para quem não convive, pelo menos um pouco, com essa realidade maluca daqui.

A questão da terra

Terra é poder. No Brasil, a história da disputa do poder é a história da disputa pela terra. Em Brasília, essa máxima chega a níveis exorbitantes, simplesmente porque terra, aqui, vale ouro, e o melhor negócio do mundo é ter uma construtora ou uma imobiliária em Brasília. Para se ter uma ideia, Águas Claras, uma cidade que há dez anos não existia, hoje já é enorme e continua em construção, sendo considerada o maior canteiro de obras da América Latina.

Carreira meteórica

Em 1998, Gim Argello era um talentosíssimo corretor de imóveis. Dizem que tinha um tino incrível para o ramo. Nesse ano, Gim se elegeu deputado distrital, e chegou a presidir a Assembleia Legislativa local. Foi então que ele, espertamente, aliou seu enorme talento ao poder que passou a ter.

Lotes

Já tratei nessa coluna, outras vezes, da questão do lote. Aqui, um pedaço de terra é praticamente uma medida corrente, como sal na Roma antiga ou arroz no Japão medieval. Pois bem, Gim se especializou no seguinte esquema: um laranja seu comprava um lote que era destinado para, digamos, construir uma creche. Como a cidade é planejada, cheia de regras, e tem toda essa coisa do lote e da terra, ali seria, de fato, construída uma creche. Mas ele, na Câmara, conseguia aprovar uma medida que transformava aquele lote, que ele comprou por R$ 200 mil, digamos, em um lote destinado à construção de um posto de gasolina.

Valorização

É claro que posto de gasolina é negócio muito mais lucrativo que creche. Então, aquele lote, comprado por R$ 200 mil, passava a valer R$ 2 milhões. Simples não? E posto de gasolina não foi exemplo. Seu laranja que comprava os lotes era ligado a uma grande empresa petrolífera – e hoje é dono de um dos jornais da cidade.

E ninguém via?

Via sim. Só que uma série de outros deputados também tinha interesse em mudar a destinação de um monte de lotes. Então eles se juntaram e começaram a mudar a destinação das terras para o que bem lhes conviesse. Gim ficou mais com essa parte dos postos de gasolina, que lhe rendeu uma boa grana, enquanto outros destinavam lotes para outras áreas. Até que, em uma legislação posterior, os deputados mudaram essa regra. Agora, só o poder executivo pode mudar a destinação de um lote.

Desproporcional

Uma das coisas que chamou a atenção da Justiça foi o fato de Gim Argello ter, hoje, patrimônio absolutamente incompatível com as funções e negócios que já teve. Não se deve pegar apenas o salário de deputado, porque no Brasil, em geral, deputado mantém uma série de outros negócios, e em geral legisla para garantir os melhores resultados do seu negócio, e tudo o mais. Mas mesmo assim. Sem nenhum alarde nem cobertura da imprensa que cobre o jet set local, diz-se que, recentemente, Gim Argello comemorou o fato de seu patrimônio pessoal ter chegado aos R$ 2 bilhões.

Deserto

Gim é só mais um personagem dessa terra que parece produzir, todos os dias, histórias de faroeste – não, não sou fã de Legião Urbana, apesar que, aqui, todo mundo gosta deles. É uma cidade cheia de caciques, de “otoridades”, de manda-chuvas com aura de mafiosos, que parecem achar que moram em Beverly Hills ou em Mônaco enquanto, ao mesmo tempo, podem usufruir de toda a permissividade da cultura do homem cordial.
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Fonte:http://www.escrevinhador.com.br/

Tiririca é o orgulho de São Paulo. E faz esquecer Maluf

06/12/2010
Do blog de Paulo Henrique Amorim, "Conversa Afiada"


Quem é o “palhaço” ?

Os paulistas deveriam se orgulhar do deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva (não é parente), também conhecido como Tiririca.

Um Estado que se notabiliza por conceder invariavelmente votações fulgurantes a Paulo Maluf teve a oportunidade de se recompor moralmente com a votação esmagadora do comediante cearense: 1 milhão e 300 mil (e cacetada, diz ele) de votos.

A Folha (*), pág. A11, reproduziu parte da entrevista que este ordinário blogueiro teve a honra de fazer com seu colega de trabalho, o comediante Tiririca.

Diz o título preconceituoso da Folha (*): “Tiririca diz ainda não saber ‘bem’ o que deputado faz”.

Resposta que qualquer deputado eleito pela primeira vez e ainda não empossado poderia dar.

Quando eu perguntei se ele sabia o que ia dizer na primeira vez em que subisse ao púlpito e bradasse solenemente: “Senhor Presidente !”, ele respondeu com cara de malandro: começa que eu não sei o que é púlpito.

Resposta que a Folha registrou – a sério.

(A Folha teria registrado também a sério outra resposta dele à pergunta sobre como ele jogava futebol (se bem ou mal, estava implícito) e ele respondeu: em pé !)

Na verdade, quem entende de “púlpito” é o Padim Pade Cerra, como se vê neste vídeo patético em campanha contra os homossexuais.

E para o PiG (**) de São Paulo, Cerra é “a elite da elite”, como dizia a Veja.

Perguntei também a Tiririca: se ele fosse do “CQC” ou do “Casseta” – será que chamariam ele de “palhaço”, ou seria “comediante” ?

Comediante, ele respondeu.

A entrevista de Tiririca – que será reproduzida na RecordNews, nesta terça feira, às 21h15 – explica, primeiro, que ele sabe que deve sua votação consagradora à sua biografia: um nordestino sofrido que venceu na vida e quer acertar.

Os 1 milhão 300 mil (e cacetada) de eleitores não são cretinos.

Eles entenderam direitinho o que significava votar no Tiririca.

Como aquele um milhão de eleitores que elegeram o Clodovil por São Paulo.

O legado parlamentar do meu colega de trabalho Clodovil é exemplar – uma legislação impecável sobre como trabalhar a adoção de crianças (ele foi adotado).

E São Paulo deveria se orgulhar mais do deputado Clodovil do que do Paulo Maluf (o que fez Maluf por São Paulo, na Câmara, além de envergonhá-lo ?).

Perguntei a Tiririca se ele ia ser um deputado pelo Ceará, onde nasceu, ou por São Paulo.

E ele respondeu de forma mais articulada que o Cerra faria: pelos dois.

E será pelos dois.

E quando surgir uma votação em que esteja em jogo o interesse do Nordeste – disse o deputado Francisco Everardo – ele saberá, perfeitamente, distinguir onde está o interesse do Nordeste.

Como Clodovil e Lula, Tiririca é uma prova de que a democracia brasileira funciona.

E este ordinário blogueiro se orgulha disso.

Em tempo: Confira os vídeos da entrevista que este ordinário blogueiro fez com o deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva.





Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/video/2010/12/06/tiririca-e-o-orgulho-de-sao-paulo-e-faz-esquecer-maluf/

FHC:PSDB precisa calçar as sandálias da humildade

09/12/2010
Do "Conversa Afiada"
Por Paulo Henrique Amorim

O Conversa Afiada reproduz post do blog Amigos do Presidente Lula:

O partido da Social Democracia Brasileiro (PSDB), que governou o país por oito anos, vive hoje um purgatório sem fim – a julgar pelo enredo repetitivo que alimenta o projeto para o Palácio do Planalto. Seus principais personagens seguem no conflito pelo poder próprio. O futuro é incerto. A arte de perder continua.

Mesmo conquistando oito estados importantes nas últimas eleições e com a expressiva marca de 44 milhões de votos para José Serra – o último dos fundadores presidenciáveis -, os tucanos amargam, na verdade, o gosto da derrota. O PT se coloca no papel de mãe. Ao PSDB, resta o semblante do padrasto “gente fina”, que nada mais tem a acrescentar – pelo menos do ponto de vista presidencial. Em uma única sentença, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso definiu o tumulto das eleições de 2010 para seu partido: “O PSDB precisa calçar as sandálias da humildade”.

Alguns dos envolvidos já sumiram do mapa e não quiseram comentar o tema. Simão Jatene, que retornou ao governo do Pará, estava na África; Marconi Perillo, eleito em Goiás, em Jerusalém; Alberto Goldman, governador de São Paulo, não quis falar; diversos outros políticos de peito amarelo-bandeira saíram em revoada. Entre os quais, Geraldo Alckmin, governador eleito de São Paulo.

O PSDB perdeu para Lula, para um governo que é aprovado pela maioria dos brasileiros (afinal, a economia vai bem). Perdeu para uma estrutura na máquina do poder. E também para si mesmo. E a derrota poderia ter sido menor com a resolução das intrigas internas no partido.

Se a coerência das santidades já considerava o fracasso mesmo antes do dia do juízo final, um telefonema entre Aécio Neves e José Serra, líderes da oposição, uma semana antes de ocorrer o segundo turno, deu a síntese da ópera: “Depois das eleições, não quero olhar na sua cara!”, ouviu-se de um dos lados. Mas, antes de esclarecer a fúria, cabe retornar um pouco aos acontecimentos.

No primeiro turno, a candidata Dilma Rousseff teve, em Minas Gerais 46,9% dos votos, o mesmo percentual que obteve no restante do Brasil. O candidato tucano ficou com com 30,7%, contra 32,6% no restante do pais. O estado, portanto, é considerado ferramenta- chave na equação eleitoral, já que os resultados lo- cais refletem assombrosamente o plano nacional. É a chamada “geografia do voto”. E é preciso reverter os resultados no quadro marcado. E para tanto, as participações de Aécio Neves e de seu pupilo, Antônio Anastasia, governador reeleito por Minas, eram mais que necessárias.

Dias depois do final do primeiro turno, em um megaevento realizado em Belo Horizonte o ex-governador mineiro reuniu cerca de 450 prefeitos e deputados eleitos. “Vamos virar esta eleição”, afirmou o secretário-geral Rodrigo de Castro, que saiu das urnas com o título de deputado federal mais votado no estado.

A pedido do ex-governador paulista, Aécio viajou ao Nordeste para ajudar na mobilização nacional. E prometeu dar a “vitória a Serra em Minas”. Horas depois, no entanto, Anastasia rebateu: “Ninguém tem bola de cristal”, dizendo “não poder garantir” nada. Sem o afinco do comprometimento dos mineiros, que venceram tudo dentro de casa, a derrota estava desenhada. No curso desse processo, até surgiu a denúncia de desvio de dinheiro na principal obra tucana em São Paulo, o rodoanel metropolitano Mário Covas.

Na véspera do segundo turno, em Belo Horizonte, Aécio organizou a maior carreata realizada durante toda a campanha. Na manhã típica mineira, com os termômetros na marca dos 300C, milhares de pessoas tomaram as ruas para saudar os homens da coligação “O Brasil Pode Mais”. Ao lado de seu anfitrião e do professor Anastasia, Serra dava fim a uma campanha difícil. O presidente Itamar Franco – a quem o ex-governador de São Paulo declarara que “o Brasil devia muito” – fechou o retrato dos medalhões que, do alto da caçamba de uma caminhonete 4×4, acenavam para a massa. Os cerca de três quilômetros percorridos do Palácio das Mangabeiras até o centro da capital mineira, na Praça da Savassi, levaram mais de uma hora. Abraços emocionados dos caciques após a execução do Hino Nacional. Ao final dos disparos dos rojões, todos seguiram juntos para a coletiva de imprensa, na sede do governo.Na Revista Rolling Stones
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/politica/2010/12/09/fhc-psdb-precisa-calcar-as-sandalias-da-humildade/

Um império em guerra contra a verdade e a liberdade de imprensa

8 de Dezembro de 2010
Do portal "Vermelho"
Por Humberto Martins

Autoridades estadunidenses não escondem o alívio e a alegria com a prisão do fundador do Wikileaks, o australiano Julian Assange, ocorrida terça-feira (7) em Londres. “É uma boa notícia”, comemorou o secretário de Defesa dos EUA, Roberts Gates, em visita ao Afeganistão, palco de mais uma guerra insana desencadeada pelo império com o apoio das potências europeias.

O ódio despertado na maior potência capitalista do planeta pelas verdades inconvenientes reveladas pelo Wikileaks lembra o macartismo dos anos 1950, ao mesmo tempo em que sinaliza o avanço político das forças conservadores e de extrema-direita no país. A ex-governadora do Alasca e candidata a vice-presidente pelo Partido Republicano nas últimas eleições presidenciais, Sarah Palin, comparou Assange a Obama Bin Laden. Colunistas como Jonah Goldberg, da National Review, entre outros, apelam ao assassinato puro e simples do jornalista. “Por que Assange não foi estrangulado no seu quarto de hotel anos atrás?”, indagou em artigo reproduzido recentemente numa rede de jornais.

Hipocrisia

Os documentos secretos divulgados pelo Wikileaks até o momento não contêm grandes novidades nem informações que pudessem comprometer a segurança dos Estados Unidos, como reconheceu o próprio secretário de Defesa em carta encaminhada ao congresso. Isto não significa que sejam irrelevantes, pois sem dúvidas colaboram para evidenciar os reais motivos e interesses que orientam a diplomacia imperial, cada vez mais agressiva e belicosa.

Respaldados por um poderoso aparato mediático, que compreende a cumplicidade da mídia golpista da América Latina, os imperialistas americanos gostam de mascarar sua política reacionária com falsos sermões sobre defesa da democracia, bem como da liberdade de imprensa e expressão. A raivosa ofensiva contra o Wikileaks mostra a hipocrisia dos ideólogos e políticos ianques.

O alvo não é apenas Assange, perseguido de forma implacável a pretexto de práticas sexuais ilegais, acusado por uma “dissidente” cubana de 31 anos e caçado inclusive por supostamente ter mantido relações sem camisinha. Com apoio no imperialismo europeu, colocaram até a Interpol no encalço do fundador do site rebelde. Mas não ficaram nisto. Tentaram inviabilizar por todos os meios o próprio Wikileaks, pressionando o Amazon a retirá-lo do seu servidor e chantageando financiadores, entre outros meios.

Um império de mentiras

Deplorável é a forma com que nossa mídia hegemônica, que Paulo Henrique Amorim prefere chamar de Partido da Imprensa Golpista (PIG), reage ao golpe contra a liberdade de imprensa que os EUA e outras potências capitalistas ocidentais estão perpetrando. O tema não frequenta os editoriais nem desperta indignação no PIB, tão zeloso e radical na defesa da mídia venezuelana, que esteve envolvida até o pescoço no fracassado golpe de abril de 2002 em Caracas, ou do jornal argentino Clarín, cujos proprietários cresceram à sombra de uma ditadura que deixou pelo menos 25 mil mortos e desaparecidos. Não se tem notícia de nenhuma palavra da chamada Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) em defesa da liberdade de imprensa vilipendiada pelos EUA. Prevalece um vergonhoso servilismo.

O bordão (defesa da democracia e da liberdade de imprensa) funciona quando é do interesse do império e da mídia hegemônica. Quando o alvo é Cuba, Venezuela, Argentina ou Irã. No momento em que os segredos e os crimes do Estado imperialista são expostos a ordem é perseguir e calar quem divulga verdades inconvenientes. A diplomacia dos EUA é movida a mentiras (as armas de destruição em massa no Iraque são um exemplo entre outros), tortura (Guantânamo, Abu Ghraib) e assassinatos. É hostil à verdade, incompatível com a liberdade de imprensa e, tal como um vampiro, não resiste à luz do dia.
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Fonte:http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=143246&id_secao=9

Vingaremos Julian Assange, e seremos milhões

9 de Dezembro de 2010
Do portal "Vermelho"
Por Luana Bonone

Os documentos revelados pelo site WikiLeaks alarmaram os chefes de Estado das nações mais poderosas e a solução óbvia foi a melhor que o imperialismo consegue desempenhar: a criminalização daquele identificado como o líder ou o responsável público pelo transtorno às relações diplomáticas.

Não conseguiram prender Julian Assange pelo que realmente incomodou, que foi a publicação de informações sigilosas, visto que este tem o direito de não revelar as fontes da informação veiculada. Arranjaram, então, outro motivo. E estão aliviados. “É uma boa notícia”, comemora o secretário de Defesa dos EUA, Roberts Gates.

Mas este não é o fim desta história, é apenas o começo de uma disputa que ninguém havia ousado pautar às nações imperialistas: a guerra da informação. “A primeira guerra da informação começou. Envie por Twitter e poste isso em qualquer site”, proclamam os hackers.

A propósito, antes que se confundam os talentosos profissionais que alimentam o WikiLeaks com larápios virtuais, fomos buscar uma definição do termo hacker na enciclopédia mais lida da rede: a Wikipedia. “Os hackers utilizam todo o seu conhecimento para melhorar softwares de forma legal. Eles geralmente são de classe média ou alta, com idade de 12 a 28 anos. (...) A verdadeira expressão para invasores de computadores é denominada Cracker e o termo designa programadores maliciosos e ciberpiratas que agem com o intuito de violar ilegal ou imoralmente sistemas cibernéticos”, define a enciclopédia construída pelos próprios usuários da internet.

Mas o que o secretário estadunidense Robert Gates não contava era com o caráter coletivo das ações do WikiLeaks. O próprio nome do site já dá dicas a respeito do seu caráter coletivo. Wiki é o termo utilizado para descrever atividades colaborativas, em que várias pessoas ao redor do mundo, conectadas pela rede mundial de computadores, desenvolvem conteúdos, programas, jogos e uma infinidade de outras informações de forma simultânea e constante. Os programas de código aberto, por exemplo, conhecidos como software livre, são desenvolvidos desta forma, e apresentam alto nível de segurança, além de um desenvolvimento aprimorado de programas e sistemas, o que os coloca como preferenciais para utilização das mega empresas que atuam em âmbito global. O Google, por exemplo, utiliza plataforma livre.

Leaks também é um termo bastante apropriado para o site, não pelo seu caráter colaborativo, mas pelo seu caráter... bombástico, pois, na tradução literal, leak significa “vazamento”.

O fato do WikiLeaks ser wiki, ou seja, colaborativo, o posiciona de forma destacada na trincheira dos que lutam pela liberdade de expressão e de imprensa para todos, e não para as empresas de comunicação. E, mais, transforma este site em trincheira da luta antiimperialista, à medida que revela os bastidores das disputas políticas entre as nações capitalistas. E olha que o site ainda nem revelou os segredos mais cabeludos, acerca de como são constituídas e derrubadas democracias, de como as nações poderosas influenciam nos rumos de outras nações, ou como promovem guerras e conflitos.

Em resposta à prisão de Assange, flagrantemente política, hackers de todo o mundo reagem, como ouvissem o chamado de um ex-combatente da Ditadura Militar brasileira, o presidente da UNE desaparecido em 1973, Honestino Guimarães: “podem nos prender, podem nos matar, mas um dia voltaremos e seremos milhões...”.

Se os poderosos temiam Julian Assange, terão que enfrentar, após sua desastrosa manobra de criminalização do ativismo político e da liberdade de expressão, milhões de Assange, indignados e ansiosos por revelar informações cada vez mais comprometedoras dos objetivos nefastos de dominação global dos recursos econômicos e naturais, da cultura e do mercado de consumo de diversas nações por parte dos países mais poderosos.

Tio Sam, após a sede de vingança que ajudou a promover, ponha suas barbas de molho, pois um novo movimento se consolidou. Ele tem raízes em todos os países, não tem nome e nem face e não pode ser criminalizado, pois a cada baixa efetivada, um novo exército surgirá, com maior gana de pôr fim ao conforto da sala oval, sustentado pela fome e pela miséria de milhões.
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Fonte:http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=10&id_noticia=143345

Em apoio ao WikiLeaks, hackers iniciam 1ª "Guerra da Informação"

8 de Dezembro de 2010
Do blog de Rodrigo Vianna,
Extraído do "Vermelho"

Um Exército de hackers voluntários está agindo em defesa do site WikiLeaks e entrou na disputa cibernética protagonizada por ataques e contra-ataques envolvendo a polêmica homepage, que divulga importantes documentos secretos pelo mundo, dando início assim à primeira ”Guerra da Informação”.

A “Operation Avenge Assange” (Operação Vingar Assange), organizada por hackers após o cerco internacional contra o WikiLeaks e seu criador, Julian Assange, conseguiu nesta quarta-feira derrubar parte dos sistemas informáticos da rede de cartões de crédito MasterCard, prova do poder da mobilização espontânea através da internet.

O protocolo IRC (Internet Relay Chat) é o ponto de partida do ataque contra a rede MasterCard, ao qual a Agência Efe teve acesso. Nele, o moderador estabeleceu como título “Operação Payback. Alvo: ”www.mastercard.com”. Existem coisas que o WikiLeaks não pode fazer. Para todas as outras existe a Operação Payback”.

No final da manhã desta quarta-feira, os operadores do IRC informavam que mais de 1.800 bots estavam inundando com Ataques de Negação de Serviços (DDoS) contra o endereço “www.mastercard.com”. A empresa reconheceu dificuldades em alguns de seus serviços.

Enquanto isso, outros usuários do protocolo informavam sobre o progresso do ataque com mensagens sobre o estado das operações da Mastercard em países tão distantes como Suécia, Sri Lanka e México, ou sobre a evolução das ações da companhia de cartões de crédito na Bolsa de Nova York.

“A primeira guerra da informação começou. Envie por Twitter e poste isso em qualquer site”, proclamava um dos hackers.

Outros solicitavam que o grupo dirigisse seus ataques contra os serviços de PayPal, Visa e inclusive contra a conservadora emissora de televisão “Fox News”. No entanto, o grupo de hackers denominado “Anonymous” mantém o ataque contra a Mastercard.

“Por favor, deixem de sugerir novos sites. Os líderes de ”Anon” decidiram que ”mastercard.com” deve permanecer apagado. Dessa forma, afetaremos o preço de suas ações. Obrigado”, explicava outro usuário.

Segundo o blog da empresa de segurança virtual Panda, o grupo havia atacado o sistema de pagamentos online PayPal pouco depois de o serviço anunciar o bloqueio financeiro ao WikiLeaks, embora o ataque tenha se limitado a um blog da empresa.

O Panda assinalou que o ataque DDoS contra o “ThePayPalblog.com” durante oito horas fez com que o blog sofresse 75 interrupções de serviço.
O “Anonymous” também conseguiu afetar gravemente o funcionamento do PostFinance, banco suíço que também bloqueou sua conta ao WikiLeaks, e ao escritório de advocacia sueco que representa as duas mulheres que acusaram Assange de estupro e abuso sexual.

Pelas acusações, a Justiça sueca e as autoridades policiais internacionais expediram um mandado de prisão contra o ativista australiano, que não viu alternativa senão se entregar às autoridades do Reino Unido, onde estava vivendo e onde está detido, aguardando a definição sobre se será extraditado à Suécia.

O grupo que organizou o ataque é um coletivo de hackers denominado “Anonymous” e que se reúne habitualmente pelo site “4chan.org”, uma simples homepage que é utilizada para divulgar mensagens, fotografias ou simplesmente discutir sobre política.

Este não é o primeiro ataque lançado pelo “Anonymous”. Considera-se que o grupo facilitou a identificação e detenção de vários pedófilos, mas talvez uma de suas ações mais conhecidas foi o chamado “Projeto Chanology”, iniciado em 2008, para protestar contra a Igreja da Cientologia.

Por causa desse protesto, que incluiu ataques DDoS como os que atingem agora a Mastercard, o grupo adotou a estética da história em quadrinhos “V de Vingança”, no qual milhares de pessoas usam uma máscara idêntica ao do enredo para evitar sua identificação pelas autoridades.

No ano passado, o “Anonymous” também se uniu aos protestos contra as eleições iranianas, vencidas pelo líder Mahmoud Ahmadinejad e consideradas fraudulentas pela oposição.
Em seus protestos, o “Anonymous” qualificou seus ataques como “Operation Payback” (Operação Vingança), mas, desde que o WikiLeaks começou a publicar as correspondências secretas da diplomacia americana e o site começou a sofrer assédio de empresas e Governos, o “Anonymous” decidiu lançar a “Operação Vingar Assange”.

“O WikiLeaks está apagado por Ataques de Negação de Serviços (DDoS). Há razões para crer que os Estados Unidos estão por trás, devido à natureza do vazamento (de documentos) do domingo 28 de novembro”, assinalou o grupo em seu site.

“Embora não estejamos filiados ao WikiLeaks, lutamos pelas mesmas razões. Queremos transparência e combatemos censura”, acrescentou o grupo. “Não podemos permitir que isso aconteça”.

“Por isso, vamos utilizar nossos recursos para aumentar a conscientização, atacar aqueles contrários e apoiar aqueles que estão ajudando a levar nosso mundo à liberdade e democracia”, finalizou a mensagem.

Campanha de solidariedade

Enquanto as comunidades hackers manifestam solidariedade ao WikiLeaks com a "guerra da informação", ativistas de diversos movimentos sociais iniciam uma grande campanha de apoio ao site e a seu fundador através de uma petição que circula pela internet. Veja, abaixo, a mensagem que está sendo disparada para mailings de várias partes do mundo pedindo adesão à campanha de apoio ao WikiLeaks:


Caros amigos,

A campanha de intimidação massiva contra o WikiLeaks está assustando defensores da mídia livre do mundo todo.

Advogados peritos estão dizendo que o WikiLeaks provavelmente não violou nenhuma lei. Mas mesmo assim políticos dos EUA de alto escalão estão chamando o site de grupo terrorista e comentaristas estão pedindo o assassinato de sua equipe. O site vem sofrendo ataques fortes de países e empresas, porém o WikiLeaks só publica informações passadas por delatores. Eles trabalham com os principais jornais (NY Times, Guardian, Spiegel) para cuidadosamente selecionar as informações que eles publicam.

A intimidação extra judicial é um ataque à democracia. Nós precisamos de uma manifestação publica pela liberdade de expressão e de imprensa. Assine a petição pelo fim dos ataques e depois encaminhe este email para todo mundo – vamos conseguir 1 milhão de vozes e publicar anúncios de página inteira em jornais dos EUA esta semana!

http://www.avaaz.org/po/wikileaks_petition/?vl

O WikiLeaks não age sozinho – eles trabalham em parceria com os principais jornais do mundo (NY Times, Guardian, Der Spiegel, etc) para cuidadosamente revisar 250.000 telegramas (cabos) diplomáticos dos EUA, removendo qualquer informação que seja irresponsável publicar. Somente 800 cabos foram publicados até agora. No passado, a WikiLeaks expôs tortura, assassinato de civis inocentes no Iraque e Afeganistão pelo governo, e corrupção corporativa.

O governo dos EUA está usando todas as vias legais para impedir novas publicações de documentos, porém leis democráticas protegem a liberdade de imprensa. Os EUA e outros governos podem não gostar das leis que protegem a nossa liberdade de expressão, mas é justamente por isso que elas são importantes e porque somente um processo democrático pode alterá-las.

Algumas pessoas podem discordar se o WikiLeaks e seus grandes jornais parceiros estão publicando mais informações que o público deveria ver, se ele compromete a confidencialidade diplomática, ou se o seu fundador Julian Assange é um herói ou vilão. Porém nada disso justifica uma campanha agressiva de governos e empresas para silenciar um canal midiático legal. Clique abaixo para se juntar ao chamado contra a perseguição:

http://www.avaaz.org/po/wikileaks_petition/?vl

Você já se perguntou porque a mídia raramente publica as histórias completas do que acontece nos bastidores? Por que quando o fazem, governos reagem de forma agressiva, Nestas horas, depende do público defender os direitos democráticos de liberdade de imprensa e de expressão. Nunca houve um momento tão necessário de agirmos como agora.
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Com informações do Terra e Mulheres pela P@z
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Fonte:http://www.escrevinhador.com.br/

Debate na CartaCapital: O Brasil, a energia e a “merda”

08/12/2010
Do blog "Escrevinhador"
Por Rodrigo Vianna

Participei essa semana, como moderador, do seminário promovido pela “Carta Capital”, no Rio de Janeiro. A revista conseguiu reunir, em dois dias de “Diálogos Capitais”, todos os presidentes do BNDES dos oito anos de governo Lula: Guido Mantega (que continuará como ministro da Fazenda), Luciano Coutinho (que também seguirá à frente do banco com Dilma), Carlos Lessa (professor da UFRJ) e Demian Fiocca (hoje, de volta à iniciativa privada).

Os dois últimos participaram de uma interessantíssima mesa sobre a Geração de Energia no Brasil. Lessa deu um show. Frases curtas, cortantes. Misturou informação e humor. “Uma das coisas mais imbecis do Planeta é expandir a geração de energia com termoelétricas, quando temos esse potencial hidrelétrico magnífico”, desferiu.

Foi um comentário aos números mostrados pouco antes por Wilson Ferreira Junior, presidente da CPFL (empresa geradora de energia em São Paulo). Wilson indicou que o Brasil deve entrar na segunda década do século XXI em situação razoavelmente “confortável” no que tange à geração de energia: com as novas usinas já contratadas ou em construção, o país tem energia “sobrando” nos próximos dez anos.

Mas Wilson mostrou também que o Brasil – por força dos (necessários) cuidados ambientais – tem feito uma escolha no mínimo estranha na hora de construir hidrelétricas: opta por usinas sem grandes reservatórios, que operam no sistema do “fio d´água”. Isso evita os impactos ambientais das grandes áreas alagadas; mas em contrapartida reduz a capacidade de geração das usinas.

E o que o Brasil faz para compensar hidrelétricas que produzem menos energia do que poderiam? Constrói termoelétricas!!! Que liberam para a atmosfera toneladas de carbono!

Hum…

Entenderam a lógica? Evita-se o impacto ambiental dos reservatórios, e amplia-se o impacto do carbono na atmosfera. Uma escolha “imbecil” – na definição do professor Carlos Lessa.

Lessa também arrancou gargalhadas da platéia ao definir a Petrobrás como uma empresa “quase” nossa. Defendeu que o governo brasileiro use parte das reservas em dólar acumuladas nos últimos anos para recomprar ações da estatal que hoje estão pulverizadas no mercado de Nova York.

Miguel Rosseto, que hoje preside a Petrobras Bio Combustíveis, anunciou as inovações tecnológicas que, em breve, podem aumentar a produção do combustível obtido do bagaço de cana. Lessa saudou a novidade, mas como velho nacionalista alertou o país para uma onda pouco noticiada: a compra de terras por estrangeiros que enxergam no Brasil o melhor lugar do Planeta para produzir combustível a partir da cana.

Lessa disse que os brasileiros precisam lançar uma campanha popular para impedir a compra de terras pelos estrangeiros. “Será uma nova batalha de Guararapes!”

Demian Fiocca fez uma exposição técnica e reveladora. Mostrou como é impossível evitar danos ambientais – no curto prazo – contando apenas com o crescimento das chamadas “energias alternativas” (eólica, biomassa etc). A oferta desse tipo de energia no Planeta é de cerca de 1% do total. Contra 60% a 70% de energia produzida a partir de combustíveis fósseis (que liberam carbono para atmosfera). Por isso, lembrou Demian, se o Planeta quer mesmo reduzir a emissão de carbono, precisa apostar no tripé energia nuclear-hidrelétrica-energias alternativas, que juntas hoje representam cerca de 20% da oferta total no Mundo.

“Mesmo se multiplicássemos por cinco o uso das energias alternativas, atingiríamos só 5% do total. Parece mais realista apostar na ampliação desse somatório de energias nuclear-hidrelétrica-alternativas; se dobrarmos a oferta delas, teríamos 40% do total, com um impacto decisivo sobre a emissão de carbono”, disse Demian.

O economista (o mais jovem dos quatro que recentemente ocuparam a presidência do BNDES) lembrou que – assim como os setores produtivos precisam rever conceitos e levar em conta as preocupações ambientais – o movimento ambientalista precisa trabalhar com novos parâmetros, mais realistas, se quisermos reduzir o impacto do aquecimento global.

E aí voltamos às termoelétricas…

Ambientalistas, ao fazerem oposição cerrada às hidrelétricas com grandes reservatórios, acabam levando o país a ampliar a geração por termoelétricas. Difícil não concordar (atenção ambientalistas e leitores em geral: sintam-se à vontade, sim, para discordar e criticar; seria legal travar um debate nessa área) com o professor Carlos Lessa: parece uma opção “imbecil”, num país em que o potencial hidrelétrico inexplorado ainda é gigantesco.

Tão gigantesco como o sistema de transmissão de energia que o país soube consolidar. Wilson Ferreira Junior apresentou um dado impressionante: a rede de transmissão de energia brasileira que corta o país do sul até à Amazônia, se estivesse na Europa e fosse transposta para um eixo imaginário leste-oeste, teria cumprimento suficiente para unir Lisboa a Moscou!

Isso mesmo. O Brasil construiu um sistema de transmissão que seria suficiente para unir Portugal à Rússia. O Brasil inventou tecnologia para tirar petróleo de águas profundas- levando à descoberta do Pré-Sal, que pode ser a terceira maior reserva de Petróleo do mundo. O Brasil criou técnicas inovadoras para produzir combustível renovável a partir da cana e de outros vegetais.

Tudo isso, mais o gigantismo hidrelétrico do país, leva à conclusão de que seremos das poucas nações do Planeta a ter energia “sobrando” nas próximas décadas. O que fazer com essa riqueza? Vamos armazenar e processar essa energia no ritmo que interessa a uma nação independente? Ou vamos nos render às necessidades da (ainda) maior potência do Planeta – que quer “beber” nosso petróleo em estado bruto, como bem definiu o professor Lessa.

Lá pelo fim do seminário, o experiente (e debochado) economista carioca olhou para esse humilde mediador e entre dentes concluiu: “esse é o grande debate que interessa ao Brasil, debate que não se fez na merda da campanha eleitoral”.

De novo, difícil discordar de Carlos Lessa!

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Em tempo: a edição de “CartaCapital” que circula a partir do dia 17 trará a cobertura completa dos debates travados no Rio. Incluindo as mesas sobre a infra-estrutura para Copa de 2014, e sobre o Plano Nacional de Banda Larga – todas de altíssima qualidade. Confiram
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Fonte:http://www.escrevinhador.com.br/

Fátima Souza: PCC recebe fugitivos do Rio em São Paulo

9 de dezembro de 2010
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Fatima Souza, repórter policial

Comando Vermelho e PCC estão juntos em São Paulo

Traficantes do CV teriam recebido apoio de bandidos do PCC em São Paulo

Desde a sexta-feira, 27 de novembro, estou recebendo informações de que muitos bandidos do CV — Comando Vermelho – que fugiram do morro do Alemão atravessaram a divisa e estão em São Paulo, onde foram recebidos pelos “irmãos” do PCC – Primeiro Comando da Capital. As duas facções criminosas mantem relações cordiais há mais de oito anos.

Trocam armas por drogas e, quando a situação fica “difícil” para alguém do PCC em São Paulo, o CV dá guarida no morro do Alemão, no Rio. E vice-versa: se o apuro for de alguém do CV ele deixa o Rio e é recebido pelo PCC em São Paulo. Situação como esta aconteceu quando o Juiz “Machadinho” foi assassinado pelo PCC, no interior de São Paulo.

Um dos bandidos, “Ferrugem” (que foi quem atirou no Juiz) foi para o Rio de Janeiro e lá, no morro do Alemão, foi recebido pelos integrantes do CV e ficou escondido por lá. Desta vez não foi diferente.

A polícia do Rio, durante três dias, ficou avisando que iria invadir o Morro do Alemão.

Deu tempo suficiente para que muitos traficantes fugissem para outros morros cariocas, ou simplesmente deixassem a cidade maravilhosa rumo à Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. A maioria deles para São Paulo, onde a facção é mais forte. Nos outros estados também foram recepcionados por representantes do PCC.

A primeira ação conjunta de PCC e CV aqui em São Paulo, segundo informações que recebi, foi o tiroteio ocorrido na Rodovia Raposo Tavares, que terminou com três policiais feridos. Os bandidos, que estavam em um carro blindado, após perseguição dispararam com fuzis e metralhadoras contra a polícia e depois saíram correndo por uma mata próxima à Rodovia.

Apesar das buscas intensas (utilizando até o helicóptero Águia) a Polícia Militar não conseguiu capturar ninguém. O carro blindado foi abandonado na pista e dentro dele havia coletes à prova de balas. Não se sabe o que pretendiam fazer os bandidos do PCC/CV com tantas armas, munição e coletes. A Polícia Rodoviária Federal está agora na divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro, tentando impedir que mais bandidos cariocas entrem em São Paulo.

A informação de que o CV está em São Paulo foi confirmada através de uma carta que nós conseguimos com exclusividade. A cópia do documento, em papel timbrado da Secretaria de Segurança Pública, sob o título “Alerta”, confirma as informações que recebemos há vários dias.


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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/fatima-souza-pcc-recebe-fugitivos-do-rio-em-sao-paulo.html

Pepe Escobar: Imperador nu prega “sex by surprise”

8/12/2010
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Por Pepe Escobar, Asia Times Online
Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

Jamais a informação foi mais livre. Mesmo em países autoritários, há redes de informação que ajudam as pessoas a descobrir fatos e a exigir mais transparência dos governos. [Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA, 21/1/2010]

Infelizmente, Julian Assange errou de estrada. Deveria ter escapado para Tora Bora – as montanhas escarpadas do Afeganistão, melhor local do mundo para escapar à ira do imperador, como o comprovam fartamente os ex-ícones da Al-Qaeda, Osama bin Laden e Ayman al-Zawahiri. Sim, sem banda larga; mas, pelo menos, a salvo de golpes sexuais e escândalos; risco, no máximo, de discretas refregas de turbantes com turbantes. A opinião pública mundial evidentemente percebeu o espetacular contraste entre a bizarra saga sexual sueca de Assange, fundador de WikiLeaks, e a fúria do imperador e de sua subordinada-em-chefe. É matéria prima suficiente para mandar p’ro mato “A vida de Brian de Monty Python” (1979).

Para delírio daqueles ‘democratas’ que o querem destruído – ou morto –, Assange está firmemente instalado no trono de ícone underground global e passará os próximos dias na prisão Wandsworth, em Londres, que o jornal Guardian descreveu bizarramente como “belo exemplo da arquitetura prisional vitoriana”.

O secretário da Defesa Robert (El Supremo do Pentágono) Gates disse que a prisão é “boa notícia”. O que é bom para o Pentágono não é e jamais será bom para o resto do mundo. A coisa está esquentando. O thriller pós-prisão de Assange mostrará e esclarecerá tudo que todos precisamos saber sobre o estado da democracia ocidental, avaliada pelo estado de três de supostas democracias-ícones – Grã-Bretanha, Suécia e EUA. Imaginem se a narrativa-montanha-russa que corre o mundo – incluindo caçada histérica à bruxa (pirata) – estivesse acontecendo na China, na Rússia ou, que os aiatolás nos protejam, no Irã! O imperador – e seus subalternos – mal podem esperar para voltar à rotina dos negócios, como a um oceano de hipocrisia jamais contaminado pela luta vale-tudo-na-lama que, como WikiLeaks revelou , é, afinal de contas, o que “a diplomacia faz” de fato.

No instante em que o autocomplacente Ocidente – esse sempre feliz eterno pós-fim-da-história – encara uma transgressão totalmente nova e radical, sua resposta é tentar virar pelo avesso o conceito de liberdade de informação. O imperador está desgostoso: Quem são esses “criminosos” – WikiLeaks – que se atrevem a roubar o nosso direito de só nós declararmos o que somos?

Sexo, mentiras e nenhum videoteipe

Como disse Mark Stephens, advogado londrino de Assange, falando a Asia Times Online News no fim-de-semana, os procuradores suecos caçam Assange “não por alguma acusação de estupro, como disseram antes” mas por prática conhecida como “sex by surprise”, a qual, disse Stephens “envolve multa de 5.000 kronor, cerca de 715 dólares”. Stephens acrescentou que “Nem sabemos o que significa “sex by surprise”. Ninguém nos falou sobre isso.”

“Sex by surprise” é prática definida como agressão exclusivamente na Suécia. Há quatro acusações no thriller Assange; uma “Miss A”, 31, loura, feminista e social democrata, autora de um tratado sobre como vingar-se dos homens, aparece como vítima de “coerção ilegal”; depois, de sexo com camisinha defeituosa; depois, de “molestação deliberada”. Finalmente, aparece a acusação de “sexo por surpresa” com uma “Miss W”, 27, fotógrafa de arte e fanzoca confessa de Assange. “Miss A” deve ter gostado da confusão, porque, no dia seguinte, depois de a camisinha ter rebentado pela primeira vez, ela e Assange foram vistos juntos. E quanto a “Miss W”, foi ela quem convidou Assange ao seu apartamento – e até pagou-lhe a passagem de trem. Durante a viagem, Assange deu sinais de preferir seu computador à companhia da moça – nos termos da declaração da fanzoca rejeitada, à Polícia. Depois houve sexo, sim – e sem camisinha. Supondo-se que essa seja a história real, Assange também poderia processar a moça; a fanzoca tão cheia de recursos deveria ter-lhe fornecido, além da passagem de trem, também a camisinha. Seja como for, uma coisa já está clara: longe vão os tempos em que havia suecas livres, independentes e sempre invejadas, já evidentemente substituídas por puritanas mais perigosas que mísseis teleguiados.

A coisa virou “assunto de garotas”. As duas mulheres reuniram-se para trocar impressões – e perceberam que tinham algo em comum: as duas partilharam o leito com Assange. Foi quanto “Miss W” sentiu-se terrivelmente perturbada com aquele “sexo sem proteção” e decidiu ir à Polícia com “Miss A”. O primeiro procurador – de fato, uma procuradora – expediu mandato de prisão por “estupro e molestação”. Dia seguinte, outra procuradora cassou o mandato de prisão. Até que a atual procuradora – também mulher – reabriu a investigação sob o argumento de que haveria “informação nova”. O grande jornalista John Pilger, o qual, com o legendário diretor de cinema Ken Loach e outros ofereceram-se ao tribunal em Londres para pagar mais de $280 mil dólares, como parte da fiança de Assange[2] (depois, o direito à fiança foi negado), falou e foi diretamente ao que interessa:

“As acusações contra Assange na Suécia são absurdas e foram consideradas absurdas pela Procuradora-chefe sueca, que já havia encerrado o caso, até que uma figura política importante entrou em cena, e o caso foi reaberto”. Na calçada, à frente do tribunal de Westminster, Pilger resumiu tudo: “Os suecos deveriam ter vergonha do que fizeram.”

Nada confirmado até agora, mas especula-se que a tal “figura política importante” talvez tenha as maneiras sombrias do velho estilo da velha CIA. Mas a parte mais absurda é que a própria “Miss A” contou a um tabloide sueco que jamais pensara ou desejara acusar Assange de estupro. Talvez devesse contar também à nova Procuradora.

O que mais importa é que Stephens, advogado de Assange, disse já várias vezes que seu cliente permaneceu na Suécia durante 40 dias, oferecendo-se para depor ante a Procuradora e contar sua versão dos acontecimentos. Em toda a Europa, as leis listam 32 violações – estupro é uma delas – que autorizam extradição. Os britânicos estão apenas cumprindo um pedido de extradição da Justiça sueca. Advogados europeus têm dito que, agora, o melhor para Assange é aceitar a extradição e esperar as decisões da Justiça sueca.

Campeões das liberdades

A jogada do “sex by surprise” não poderia ser mais adequada e conveniente para um sistema “ocidental democrático” que viciosamente tenta calar WikiLeaks a qualquer custo. Assange inicia o artigo que publicou essa semana no The Australian [7/12/2010, “A verdade vencerá sempre”, com uma martelada: “Em 1958, um jovem Rupert Murdoch, então proprietário e editor de The News de Adelaide, escreveu: “na corrida entre segredo e verdade, parece inevitável que a verdade ganhe sempre”.

Compare-se com o que a secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton escreveu em artigo publicado na revista Foreign Policy no início de 2010:

“Consideradas nelas mesmas, as novas tecnologias não escolhem lado na luta pela liberdade e pelo progresso. Mas os EUA, sim, escolhem. Defendemos uma única Internet na qual toda a humanidade tenha acesso ao conhecimento e a ideias. E reconhecemos que a infraestrutura de informação muncial será o que nós e outros fizermos dela. Esse desafio talvez seja novo, mas nossa responsabilidade para garantir o livre intercâmbio de ideias nasceu quando nasceu nossa República. As palavras da Primeira Emenda da Constituição [que garantem plena liberdade de expressão] estão gravadas em 50 toneladas do mármore do Tennessee à frente desse prédio. E todas as gerações de norte-americanos trabalharam para preservar os valores gravados naquela pedra.”

O que os dados realmente mostram

O que os dados mostram realmente é que Clinton – diferente de Assange e do jovem Murdoch – está sendo soterrada por 50 toneladas de mármore do Tennessee. “Livre intercâmbio de ideias?!” Nesse momento, a ditadura militar em Myanmar, o presidente do Uzbequistão Islam Karimov, o pacote sortido de ditadores/autocratas aliados dos EUA no Oriente Médio e a liderança em Pequim devem estar pensando com seus botões que ‘tudo bem’ se se puserem a perseguir uma página de Internet, provedor, mecanismos de doação e de manutenção e ameaçar estrangeiros com mandatos de prisão – simplesmente porque não gostam do que o site publica.

O imperador declarou ao mundo: ou faz do meu jeito, ou cai fora (a estrada da não-informação é serventia da casa). Os telegramas WikiVazados sugerem – outra vez – que a Arábia Saudita é a caixa de autoatendimento bancário que atende todo mundo, da al-Qaeda às facções dos Talibã. Mas por aqui, da Amazon e eBay a PayPal, Visa e Mastercard, todos também se ajoelharam ante o furioso imperador que quer porque quer porque quer calar um Blog. O governo dos EUA sequer registra que a Espanha pode decidir extraditar George “Dábliu” Bush por crimes de guerra; mas todos os breques foram acionados, e inúmeras leis talvez também já estejam sendo quebradas, para conseguir que Assange seja extraditado (Atenção: a extradição é impossível, nos termos das leis norte-americanas de espionagem atualmente vigentes). E, isso, feito por um governo que, já passados nove anos, continua incapaz de encontrar os “terroristas” que, segundo a narrativa oficial teriam assassinado mais de 3.000 pessoas! “Sex by surprise” e outras acusações forjadas talvez mantenham Assange na prisão. Mas ele não morrerá por isso, nem a prisão do mensageiro fará calar a mensagem. Todos os telegramas vazados estão perfeitamente acessíveis na Internet, via BitTorrent – são totalmente virais (reproduzidos em 748 sites espelho até agora; e o número continua aumentando). Depois disso, dois, três, um milhão de Assanges brotarão da terra. E esses novos Assanges já terão aprendido mais uma lição: se você quer exibir o imperador nu, aprenda a tomar, com seus parceiros de sexo, os mesmos cuidados que toma com as suas fontes.

NOTAS

[1] “Segundo amigos e amigas suecos, sex by surprise seria tradução para o inglês de uma expressão de gíria em sueco – “överraskningssex” – utilizada em piadas de caráter sexual, ou para negar que tenha havido estupro (Blog Rue89, Paris, 8/12/2010, em http://www.rue89.com/2010/12/08/julian-assange-arrete-cest-quoi-le-sexe-par-surprise-179729).

[2] Sobre isso ver “Realizador Ken Loach ofereceu-se para pagar parte da fiança de Julian Assange”, 8/12/2010, Jornal de Notícias, Portugal, em http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1729595 .
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/pepe-escobar-imperador-nu-prega-%e2%80%9csex-by-surprise%e2%80%9d.html

Arianna Huffington: “Web deu ao público o controle da informação”

07/12/2010
Do blohg de Luiz Carlos Azenha
Por Leda Balbino, iG São Paulo

A empresária Arianna Huffington, de 60 anos, inicia em 18 de dezembro uma viagem de quatro dias ao Brasil para “aprender sobre sua economia vibrante” e sobre as medidas adotadas pelo País para “reduzir a desigualdade social”. O tema lhe é caro por causa de seu mais recente livro, “Third World America”, em que alerta que a redução da mobilidade social e o declínio da classe média nos EUA vêm dizimando o chamado “sonho americano” e arriscam transformar o país em uma nação do Terceiro Mundo.

A ateniense radicada nos EUA, autora de outros 12 livros – incluindo biografias de Maria Callas e Picasso e obras de autoajuda -, não limitou a discussão da perda de poder dos EUA ao “Third World America”. Ela a expandiu para o fenômeno do jornalismo online Huffington Post, site de notícias e opinião lançado em 2005 e do qual é editora-chefe e cofundadora. No site, conhecido simplesmente como HuffPost, Arianna batizou uma seção com o nome do livro, com a proposta de que os leitores e internautas mapeiem iniciativas sendo empregadas nos EUA para ajudar na recuperação econômica e social do país.

A seção se encaixa na visão de Arianna de que o público não é mais um receptor passivo da informação, um mero espectador. Com a liberdade dada pela internet de poder comentar, interagir, compartilhar e de buscar qualquer conteúdo, as pessoas agora detêm seu controle. “Com o crescimento explosivo da mídia social, nos engajamos com as informações, reagimos a elas e as compartilhamos. Tornou-se algo que compilamos, conectamos e discutimos. Em resumo, as notícias se tornaram sociais”, disse Arianna ao iG.

Essa ideia, somada a 195 empregados, à colaboração voluntária de 6 mil blogueiros – que atraem 4 milhões de comentários por mês – e a um habilidoso uso do SEO (sigla em inglês para “Otimização da Ferramenta de Busca”, que melhora os resultados no Google), transformou o HuffPost em um sucesso do jornalismo online. Atualmente o site só perde em audiência para o do New York Times.

No Brasil, a 28ª mulher mais poderosa do mundo, segundo a revista Forbes, deve se encontrar com a presidenta eleita Dilma Rousseff e com a senadora Marta Suplicy (PT-SP), e participar de um jantar promovido pelo publicitário Nizan Guanaes em São Paulo. Leia a seguir os principais trechos da entrevista que concedeu por email ao iG.


iG: A sra. afirma que o Huffington Post é um jornal. Mas algumas pessoas acreditam que seu modelo de colaboradores não remunerados, reduzida equipe editorial e uso do conteúdo de outros canais pode modificar a mídia como negócio. A sra. concorda com essa avaliação?

Arianna:
Nosso modelo é unir o melhor da mídia tradicional com a nova mídia. Isso inclui ter dezenas de editores altamente treinados e um crescente número de repórteres produzindo material próprio – incluindo as recentes contratações de Howard Fineman, que antes trabalhava na Newsweek, e Peter Goodman, do New York Times. Também oferecemos uma ótima plataforma para blogueiros conhecidos ou relativamente desconhecidos para que possam contribuir para o debate público. E, quando agregamos histórias de outras fontes, nos certificamos de fazê-lo respeitando o direito autoral e de direcionar a audiência ao veículo original da história – fluxo que eles podem monitorar. Os leitores do HuffPost amam que o site tenha ao mesmo tempo notícias e opinião – de nossos escritores, blogueiros, repórteres e de todas as partes do mundo – apresentadas com nossa atitude e ponto de vista.

iG: Considerando o sucesso do modelo do HuffPost, qual é o futuro dos jornais tradicionais?

Arianna:
Acredito em um futuro jornalístico híbrido em que os jornais tradicionais adotem os melhores elementos do jornalismo online e em que os sites de mídia façam cada vez mais a reportagem investigativa usualmente associada somente às empresas tradicionais. E ao contrário do derrotismo relacionado à mídia como negócio, acredito que vivemos a Era Dourada para aqueles que consomem informação, que podem navegar na internet, usar sistemas de buscas, acessar as melhores histórias de todas as partes do mundo e ser capazes de comentar, interagir e formar comunidades. A Web nos deu o controle sobre a informação que consumimos. E agora o crescimento explosivo da mídia social também está mudando fundamentalmente nosso relacionamento com a notícia. Não é mais algo que aceitamos passivamente. Agora nos engajamos com as informações, reagimos a elas e as compartilhamos. Tornou-se algo que compilamos, conectamos e discutimos. Em resumo, as notícias se tornaram sociais.

iG: Quais características do HuffPost a mídia tradicional deveria adotar para sobreviver?

Arianna: Algo que o HuffPost faz bem – e penso que os meios tradicionais de mídia poderiam fazer mais – é cobrir as notícias obsessivamente para lhes possibilitar reverberar fora de nosso universo multimídia. Também temos orgulho de nossa posição editorial: o compromisso com a transparência e a descoberta da verdade – aonde quer que ela nos leve. Frequentemente, a mídia tradicional sente ter de ouvir os dois lados de uma história, mesmo quando a verdade está certamente em um deles.

iG: O HuffiPost tem 6 mil blogueiros. Qual o segredo para fazer essa quantidade enorme de pessoas escrever sem remuneração?

Arianna:
Os melhores blogueiros tendem a ser apaixonados por algo. E estamos felizes de lhes oferecer uma plataforma para expressar suas opiniões. Uma das razões originais para começar o HuffPost era minha sensação de que as vozes mais interessantes em nossa cultura não estavam online – e quis lhes facilitar essa transição.

iG: Como a sra. explica o sucesso do HuffPost? Qual papel que o hábil uso da “Otimização da Ferramenta de Busca” (Search Engine Optimization, SEO) desempenha nisso?

Arianna: O site foi lançado em meio a uma tempestade perfeita para um veículo de notícias e opinião. Tivemos uma inédita combinação de três coisas: agregação de notícia com atitude, opinião e comunidade. E sempre estivemos comprometidos com evoluir constantemente. Quanto ao SEO, sim, HuffPost é bom nisso, mas a coisa mais importante é nosso conteúdo grande e variado.

iG: Em seu livro “Third World America” (América do Terceiro Mundo, em tradução livre), a sra. alerta que os EUA não cumprem mais sua promessa do sonho americano. Qual é a relação entre o declínio da classe média dos EUA e fenômenos políticos como o movimento conservador Tea Party liderado pela republicana Sarah Palin?

Arianna:
Em um período de dificuldades econômicas, quando grande número de pessoas perde seus empregos, casas e se sente impotentes, fomenta-se a raiva. A ascensão do Tea Party é, em muitos casos, a ascensão desse sentimento. Mas o que falta nessa explicação é o fato de que todos estão com raiva. E não é difícil entender por quê. Os americanos estão sofrendo: a pobreza está crescendo, e não há previsão para o fim do alto desemprego e das execuções hipotecárias. Mas há mais de uma forma de canalizar a raiva. Em vez de demonizar, dividir e buscar bodes-expiatórios, podemos canalizar a energia para conectar, alcançar o outro, atuar, tornar a vida melhor para sua família e para quem precisa de ajuda. O que mais me surpreendeu durante a pesquisa do livro – e agora enquanto viajo pelo país – é a criatividade extraordinária florescendo em meio aos problemas perante as comunidades em todo o país.

iG: Em que contexto seu livro explica as eleições de novembro e a derrota democrata?

Arianna: Quase dois anos em seu mandato, o presidente Obama tem uma economia que desagrada nove em dez americanos. É realmente surpreendente que os eleitores tenham descontado sua ira nos democratas. Com os índices de “desemprego real” perto de 17% nos EUA, significa que quase todos são atingidos negativamente pela economia – ou conhecem alguém que seja. E eles não serão confortados pela reforma da assistência à saúde que não entrará em vigor até 2014 e pela reforma financeira que não desacelera o ritmo das execuções hipotecárias ou facilita o empréstimo de dinheiro para pequenos negócios. Como resultado, os eleitores não confiam mais nos democratas para consertar as coisas.

iG: Em seu post “Memorando para a Classe Média dos EUA: Obama, simplesmente não estão a fim de você ”, a sra. diz que as pessoas que estão descontentes com o presidente deveriam parar de reclamar e basicamente fazê-lo trabalhar. A sra. é uma das pessoas decepcionadas com Obama? Por quê?

Arianna:
O governo Obama enfrentou muitos desafios reais, incluindo uma oposição que foi obstrucionista em um nível sem precedentes e perigoso e uma formidável máquina de ataque da direita que não se importa muito com a verdade.

Também é verdade que (o ex-presidente George W.) Bush realmente deixou o país em ruínas. O presidente Obama fez várias coisas boas, mas também cometeu vários grandes erros. O maior deles foi não priorizar os empregos – ele não dirigiu a mesma urgência em resgatar a classe média e reconstruir nossas comunidades que dirigiu para resgatar Wall Street e os grandes bancos. A escalada militar no Afeganistão foi outro grande erro, assim como tornar o bipartidarismo um objetivo em si mesmo. E realmente acredito que depende das pessoas – e da mídia – manter nossos líderes com os pés no chão com o objetivo de obter uma real mudança.

iG: Como a população pode fazê-lo trabalhar em 2011 com um Congresso quase totalmente republicano?

Arianna:
Reivindicar que nossos políticos se atenham ao emprego, e às dificuldades da classe média, vai além do partidarismo, do “direita versus esquerda”. E é importante lembrar que há muitas coisas que o presidente Obama pode fazer sem envolver o Congresso – e, claro, há o poder incrível de seu cargo de autoridade para defender sua posição diretamente para a população americana.

iG: Por que a sra. vem ao Brasil?

Arianna: Nunca estive no País, então estou ansiosa para aprender sobre sua economia vibrante e sobre a forma como os partidos políticos, apesar de suas diferenças ideológicas, têm sido capazes de se unir para reduzir a desigualdade econômica e melhorar os sistemas educacional e de assistência à saúde do país.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/arianna-huffington-web-deu-ao-publico-o-controle-da-informacao.html

Heloisa Villela: Obama perdeu a voz, fala fino

9 de dezembro de 2010
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Por Heloisa Villela, em Washington

O que Obama não entendeu ainda é que ele se apaixonou por um modelo falido. Obama, o garoto propaganda do slogan da mudança, tem, no fundo, no fundinho, uma tremenda admiração por Ronald Reagan (enquanto ainda era candidato, em 2007 e 2008, Obama disse admirar o corte de impostos do Reagan e a capacidade dele de virar o jogo). Isso mesmo, o ator que virou presidente, passou oito anos na Casa Branca e implantou, no país, uma ideologia perniciosa que até hoje domina a economia americana.

A idéia é aparentemente simples e conhecida no Brasil como: “vamos aumentar o bolo prá depois dividir”. Aqui nos Estados Unidos, a história é um pouco diferente: vamos enriquecer ainda mais os milionários porque assim eles acabam deixando transbordar algo para os pobres. Essa é a argumentação dos republicanos, desde os anos Reagan e repetida agora, para estender o corte de impostos do governo Bush.

Obama, em princípio (na campanha e em setembro passado ele disse isso), queria limitar essa proposta. Manter o corte de impostos apenas para quem ganha menos de duzentos e cinquenta mil dólares por ano. Mas os republicanos ameaçaram bater o pé e ele recuou. Não deu um soco na mesa, um grito, não despachou nenhum assessor para fazer política no Congresso, não deu nem um telefonema para os adversários políticos rejeitando a proposta. Simplesmente, chamou os republicanos na Casa Branca (primeiro eles deram bolo dizendo que não tinham tempo na data sugerida, depois apareceram!) e fez um acordo: em troca de manter o corte de impostos para todo mundo, obteve dos republicanos a promessa de que eles vão estender o seguro desemprego já que um número cada vez maior de pessoas depende desse cheque prá comer. Não digo nem prá pagar o aluguel porque não dá.

Agora, Obama se vê em uma situação ridícula: fechou acordo com os Republicanos, mas não tem o apoio dos Democratas para o conchavo. E mandou o vice, Joe Biden, ao Congresso para tentar acalmar os correligionários e convencê-los de que esse acordo é o melhor resultado possível no momento. Mesmo discurso de quando entregou os pontos na reforma da saúde e descartou, de cara, a opção pública que seria a única maneira de forçar uma competição entre os seguros, puxando os preços para baixo.

Difícil é entender como Obama se fez refém do discurso histérico e radical de Sarah Palin e seus aliados do Tea Party. Eles são uma minoria barulhenta. Mas o Presidente-da-não-mudança Obama perdeu a voz. Quem domina o discurso são eles. Com a reforma da saúde, os radicais de direita repetiram tantas vezes o refrão de que a reforma do Obama era socialista que acabaram ganhando espaço. Agora, conseguiram distorcer tão completamente… espera aí! Não foi a direita que distorceu, foi o Obama que falou fino.

Acho simples e fácil explicar ao eleitorado que dar mais dinheiro aos ricos, e aumentar o déficit do país, não ajuda ninguém. Que o importante é dar um alívio para a classe média e para os mais pobres. Garantir empregos, comida e moradia. Deixar claro que, depois de mais de três décadas apostando no aumento do bolo, a maioria está passando fome. Qualquer trabalhador ou desempregado entende isso.

Para quem ainda tem dúvida, bastava pedir ao economista Robert Reich (ex-secretário do trabalho no governo Clinton, não exatamente um “esquerdista”) para explicar. Dados da última coluna dele no Huffington Post:

“Por três década, uma parcela cada vez maior dos benefícios do crescimento econômico foram parar nas mãos dos 1% mais ricos. Há trinta anos, eles tinham 9% da renda total. Agora, têm quase um quarto (25%). Enquanto isso, a renda média do trabalhador americano praticamente não mudou. A grande classe média já não tem mais o poder de compra para manter a economia girando. (Os ricos gastam uma porcentagem bem menor do que ganham). A crise foi evitada, antes, apenas porque as famílias de classe média encontraram meios de gastar mais do que ganhavam – mulheres foram trabalhar, a jornada de trabalho aumentou, e finalmente, as famílias usaram a casa própria como colateral para tomar dinheiro emprestado. Mas quando a bolha do mercado imobiliário explodiu, o jogo terminou”.

Qualquer trabalhador, empregado ou desempregado, pai de família, que tem uma casa, ou perdeu o teto durante a crise, entende essa história direitinho. Bastava o Presidente repetir a ladainha. Por que será que ele entregou os pontos tão rápido?Não sei, mas na ala mais progressista do partido democrata já começa o burburinho… A idéia de que talvez seja melhor escolher um candidato para concorrer com Obama pela indicação do partido à presidência em 2012. Seria uma humilhação porque o presidente em exercício é sempre o candidato para um segundo mandato. Até colunistas afro-americanos já lamentam, mas dizem: talvez seja melhor ter um branco mais combativo na Casa Branca do que um afro-americano tão preocupado em agradar a todos.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/heloisa-villela-o-presidente-da-nao-mudanca-obama-fala-fino.html

Eduardo Braga e o convite à Previdência

09/12/2010
Extraído do blog de Luís Nassif
Do Estadão

''Eu não assumiria para um faz de conta''

Eduardo Braga, senador eleito pelo PMDB e ex-governador do Amazonas

Vera Rosa - O Estado de S.Paulo

O senador eleito Eduardo Braga (PMDB-AM) chegou a ser confirmado por integrantes da equipe de transição do governo e por ministros com assento no Palácio do Planalto como futuro titular da Previdência Social. Vinte e quatro horas depois, porém, tudo mudou. Braga afirma que não aceitou a tarefa porque não iria assumir a Previdência para "fazer de conta".

"Eu fiz muita campanha para a presidente Dilma (Rousseff) e ela não assumiu nenhum compromisso claro de reforma da Previdência", disse ele ao Estado. "Tentaram consolidar minha nomeação publicamente, mas não estou disposto a ceder em certas coisas. Houve muito erro na condução desse processo. Declinei internamente, sem dificuldades, de forma educada. Estou na boa."


Dilma queria levar Braga para a Esplanada, mas, na prática, acabou cedendo ao PMDB, que indicou Garibaldi Alves (RN) para acomodar interesses da bancada no Senado, liderada por Renan Calheiros. O ex-governador do Amazonas se recusou a falar em fogo amigo ou "queimação". Disse que Garibaldi é um "grande companheiro" e representa "com tranquilidade" o PMDB.

"A presidente Dilma precisa ter completa liberdade para compor a equipe. Não está tendo. O ministério está sendo apenas fruto de composição política", observou Braga.

Por que seu nome chegou a ser confirmado pela equipe de transição para ministro da Previdência e o sr. acabou não indo? Foi o sr. que não aceitou?

Eu achei que, para mim, não ia dar certo. Para que eu pudesse ser ministro da Previdência, era preciso ter um projeto. Para ir por ir, preferi ficar no Senado. Tentaram consolidar minha nomeação publicamente, mas não estou disposto a ceder em certas coisas. Declinei internamente, sem dificuldades, de forma educada e civilizada.

Mas o que aconteceu? O sr. foi vítima de "queimação" da bancada do PMDB em nome de uma acomodação política no Senado?

Não sei. Acredito muito em Deus e trabalho de forma aberta e sincera. O senador Garibaldi Alves representa o PMDB com tranquilidade e é um grande companheiro. Não acho que tenha havido qualquer tipo de conspiração e não quero causar constrangimento nem ao PMDB nem ao governo. Estou na boa, viajando com minha família. Agora, houve muito erro na condução desse processo. O resto é resto.

Quais foram os erros?

Qual é o projeto que o futuro governo tem para a Previdência Social? Eu fiz muita campanha para a presidente Dilma e ela não assumiu nenhum compromisso claro de reforma da Previdência. Eu não iria para lá para fazer de conta. Se fosse, seria para discutir um novo projeto. Como isso não aconteceu, e as discussões são puramente partidárias - sem métodos e objetivos claros -, fiquei pensando o que faria num ministério assim.

O sr. conversou pessoalmente com a presidente Dilma?

Não. Conversei com Palocci (o futuro ministro da Casa Civil, Antonio Palocci), mas já faz tempo.

O senador Garibaldi Alves definiu a Previdência como "um abacaxi que dá para descascar". O sr. concorda?

Não é um abacaxi. É um desafio para o próximo ministro, mas não senti nem o PMDB com um projeto nem o futuro governo com um programa para isso. Se é para descascar um abacaxi, quero descascar no meu Estado, o Amazonas. A presidente Dilma precisa ter completa liberdade para compor a equipe. Não está tendo. O Ministério está sendo apenas fruto de composição política.

Como assim?

É o momento de avançarmos em projetos estratégicos. Talvez, por ser novo no Senado, eu não esteja acostumado com certas coisas. Talvez as indicações sejam a priori e depois se discuta o essencial. Quando eu estava no Executivo, a gente discutia antes qual era o plano para depois escolher as pessoas. Antes dos nomes, eram tratados os compromissos.

Mas, se fosse outro ministério, o sr. aceitaria?

Quando o PMDB conversou comigo, a discussão foi em torno de ministérios de agenda regional (Integração Nacional, Cidades e Transportes). Aí seria outra situação.

O governo Lula tentou fazer a reforma da Previdência e não conseguiu. O sr. ainda acha possível essa reforma?

O Brasil precisa entender que estamos diante de uma oportunidade histórica: para cada aposentado, há de três a quatro brasileiros na ativa. Essa é a oportunidade que o nosso País tem de se preparar para não sofrer crise. Chego a essa altura da vida (50 anos) com convicções, acreditando em coisas do bem.

QUEM É

Ex-governador do Amazonas por dois mandatos, ex-prefeito de Manaus e senador eleito, Eduardo Braga (PMDB) é adversário político do senador Alfredo Nascimento, filiado ao PR. Nascimento comandou o Ministério dos Transportes no governo Lula e será reconduzido à pasta em 2011, com Dilma Rousseff. Braga impôs duro revés a Nascimento nas eleições de outubro. Motivo: seu aliado Omar Aziz (PMN) venceu o ex-ministro na disputa pelo governo do Amazonas. Tanto Braga quanto Nascimento contam com a simpatia de Dilma. Inicialmente, ela planejou levar Braga para a Previdência justamente para fazer um "contraponto" na política amazonense.
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Fonte:http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/eduardo-braga-e-o-convite-a-previdencia

Kátia Abreu ganha prêmio “Motosserra de ouro”

Quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Do blgo "Terror do Nordeste"

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO) foi surpreendida ao receber um prêmio desagradável na Conferência do Clima da ONU (COP-16), que está acontecendo em Cancún, no México. Nesta quarta-feira foi agraciada com o troféu “Motosserra de Ouro”, condecoração que uma militante do Greenpeace tentou entregar à senadora na saída do hotel onde a representante do agronegócio está hospedada. Para a ONG ambiental, a honraria seria um símbolo “de sua luta incansável pelo esfacelamento da lei que protege as florestas do país”.

“A senadora desprezou o agrado, visivelmente irritada, e deixou para a ativista apenas os comentários irônicos de seus assessores”, registrou o site oficial do Greenpeace. “A Cesar o que é de César”, acrescentou, explicando que a premiação foi concedida “por sua defesa ferrenha de mudanças no Código Florestal em prol de mais desmatamentos no Brasil”. Com indumentária indígena, uma militante abordou Kátia Abreu com a réplica de uma motosserra pintada de dourado. No twitter, a presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA),lamentou ter encontrado na COP-16, “aqueles que fazem teatro em torno do meio ambiente para manterem seus salários.”

A senadora do DEM já classificou a reserva legal como um “corpo estranho” na propriedade rural que afeta o lucro. A reserva legal varia de 20% a 80% do tamanho da propriedade. Na Amazônia é de 80% e na Mata Atlântica, de 20%.

Fonte: Brasília Confidencial
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Fonte:http://wwwterrordonordeste.blogspot.com/2010/12/katia-abreu-ganha-premio-motosserra-de.html

A conferência dos brasileiros no exterior

09/12/2010
Do blog de Luís Nassif
Por Fernando Augusto Botelho - RJ
Da Rede Brasil Atual

Brasileiros no exterior organizam Conferência Nacional de Migração

Por: Maurício Thuswohl, especial para a Rede Brasil Atual

Rio de Janeiro – Depois de garantir a criação do Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior (CRBE), com membros eleitos, os brasileiros que vivem no exterior articulam uma conferência setorial. O evento teria moldes semelhantes aos realizados sobre Cultura, Comunicação e Meio Ambiente, entre outras, e contribuiria para melhorar o grau de representação no conselho.

O órgão foi criado neste ano e a votação de seus integrantes ocorreu pela internet. O canal institucional de representação junto ao Ministério das Relações Exteriores (MRE) vem sendo negociada desde 2008, o que envolveu três edições do evento "Brasileiros no Mundo". O CRBE deve voltar-se a relação entre o governo brasileiro e os emigrantes.

Alguns setores criticaram o processo de eleição dos conselheiros. A avaliação é de que o uso da internet cria impedimentos para garantir a participação. A Conferência Nacional das Migrações poderia ser realizada já em 2011 se depender dos articuladores. Entre os setores que lutam por essa alternativa estão grupos articulados junto ao PT e a CUT em diversos países.

Presidente do CRBE e representante da comunidade brasileira no Japão, Carlos Shinoda demonstrou animação com o atual momento político: “Somos uma extensão do Brasil e há muito tempo lutamos por um canal mais direto onde nós pudéssemos manifestar os nossos anseios e um pouco dos nossos sonhos, mas, principalmente, onde pudéssemos manifestar nossas demandas e necessidades em relação à educação, à saúde e à cultura. E também – por que não? – mostrar às pessoas no Brasil nossas experiências positivas acumuladas, sobretudo, ao longo dos últimos 20 anos. O sentimento de querer fazer as coisas pelo Brasil é muito forte em quem mora distante do país”.

“É claro que ainda existem muitos problemas a serem resolvidos, mas o fato de termos o Conselho é algo notável", comemorou o chanceler Celso Amorim. "Temos, pela primeira vez, um colegiado de cidadãos brasileiros no exterior, eleitos, que podem trazer diretamente as suas reivindicações. Não se trata de um processo de cooptação, mas sim de um processo de representatividade", disse.

A menção à ideia de cooptação é uma resposta do ministro a uma das críticas em relação aos rumos que a discussão tomou. A necessidade de haver canais de diálogo era defendida pelos brasileiros no exterior, mas alguns grupos viram no fato de ser um órgão oficial um risco de haver limitações. Amorim, descarta a possibilidade. "É uma prova do nosso avanço e uma forma de o governo assumir para si, sem paternalismo, a responsabilidade de, com capacidade de escutar, saber tratar dos nossos compatriotas que vivem fora do Brasil”, disse.

Estima-se que de três a quatro milhões de brasileiros morem fora do país. Direitos ligados à Previdência Social e à assistência social acabavam não sendo garantidos a muitos deles, que se consideravam desamparados pelas embaixadas e pelos consulados. O CRBE tende a permitir a apresentação de demandas coletivas diretamente a ministérios

Itamaraty cria canal direto com brasileiros que vivem fora do país

Por: Maurício Thuswohl, especial para a Rede Brasil Atual

Rio de Janeiro – O governo fala em três milhões, mas estimativas extraoficiais dão conta de que pouco mais de quatro milhões de brasileiros vivem atualmente no exterior. Praticamente ignorada pelo poder público até 2003, essa parcela considerável da sociedade brasileira foi uma das mais atingidas pelas mudanças políticas e econômicas iniciadas no país nos últimos oito anos. Os benefícios puderam ser percebidos em setores como assistência social e previdenciária, legalização de documentos e condições de trabalho e atendimento consular, entre outros.

Além da melhoria dos serviços oferecidos pelo governo brasileiro aos seus compatriotas que vivem no exterior, os emigrantes conseguiram finalmente articular um canal institucional de representação junto ao Ministério das Relações Exteriores (MRE). Foi um longo processo político, que passou pela realização desde 2008 das três conferências Brasileiros no Mundo e culminou com a eleição este ano do Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior (CRBE), que agora passa a ser o órgão institucional de intercâmbio entre o governo brasileiro e os emigrantes.

Representando todas as regiões do planeta, os 32 conselheiros eleitos do CRBE foram empossados durante a terceira edição da conferência, na semana passada no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro. Durante o evento, foi entregue ao MRE um documento, chamado Ata Consolidada, com todas as reivindicações, divididas por temas e regiões, dos brasileiros que moram fora do país.

Representante do Conselho de Brasileiros na Suíça, Ocirema Kukleta também ressaltou aquilo que considera uma mudança histórica: “O Itamaraty começou a enxergar que existem brasileiros fora. Nunca considerou o público que está fora, mas agora está considerando. Essa mudança de comportamento, mesmo não acontecendo sempre nem por parte de todos, está em andamento. Existe uma marcha de todas as pessoas engajadas para que aconteça essa mudança política. No primeiro encontro europeu que nós tivemos _ com 77 pessoas de onze países _ o MRE sequer compareceu. Hoje, estamos aqui com o presidente, com ministros, com o governador e o prefeito do Rio. Vejo que esse peso político é uma grande conquista”.

De fato, não faltaram autoridades na Conferência. Além de Lula e Amorim, também circularam pelo Palácio do Itamaraty o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e o prefeito da capital, Eduardo Paes, assim como os ministros Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência), Franklin Martins (Secom), Juca Ferreira (Cultura), Carlos Lupi (Trabalho), Carlos Gabas (Previdência Social), Márcia Lopes (Desenvolvimento Social) e Márcio Fortes (Cidades).

Lula

Também presente à 3ª Conferência Brasileiros no Mundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou contas aos imigrantes: “Em 2002 eu fiz uma carta aos brasileiros que moravam no exterior e, agora no fim do governo, posso dizer que nós cumprimos tudo o que estava naquela carta. Mas, eu não me iludo. À medida que vocês forem conquistando tudo, ao invés de dizerem 'obrigado' vão apresentar uma pauta mais dura ainda. A vida é assim, e é assim mesmo que tem que ser. O governo não pode ficar de cara feia se vocês apresentarem uma outra pauta. Assim caminham a democracia e as conquistas da humanidade”, disse.

Lula disse aos emigrantes que espera para breve a volta de muitos brasileiros que vivem no exterior: “O Brasil oferece hoje mais oportunidades do que alguns países que consideramos ricos e de primeiro mundo, e certamente haverá espaço nas mais diferentes áreas para que os brasileiros possam voltar. No mundo da pesquisa e da ciência, já tem muita gente voltando para o Brasil. Só ficará lá fora o brasileiro que quiser ficar lá fora. Se a economia brasileira continuar a crescer no ritmo que está crescendo, eu penso que não faltará lugar para que os milhões de brasileiros que estejam fora possam começar a regressar para o nosso país”.

O presidente arrancou aplausos dos presentes ao falar em “mudança de comportamento” do governo em relação aos emigrantes: “Esse país merece tratar os nossos compatriotas que moram no exterior de forma mais humana e civilizada. (Não fazer isso) era uma visão. Eu cheguei a encontrar embaixadores em alguns países que tratavam o brasileiro indocumentado como se fosse um marginal. Ora, ele poderia até ser considerado um marginal pelo país onde reside, mas não pelo nosso embaixador! A nossa embaixada é o único refúgio que ele deveria ter! Nós promovemos uma mudança de comportamento, uma mudança política, uma mudança cultural”, disse.

Entre os avanços citados, estão acordos previdenciários e de assistência social com países como o Japão, Estados Unidos e Canadá, além de outros, da Organização dos Estados Americanos (OEA).
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Fonte:http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-conferencia-dos-brasileiros-no-exterior

E-mail de Paulo Preto a tucanos cita 'ingratos'

Publicado em 09.12.2010
Do JC ONLINE

Mensagem atribuída ao ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza e enviada por e-mail a dirigentes tucanos classifica de “ingratos” e “incompetentes” integrantes do governo estadual e os envolvidos na eleição deste ano. “De uma hora para outra, com a força de ambições e covardias, vi minha vida profissional de mais de 40 anos ser apresentada ao País de forma distorcida e mentirosa. Não guardo rancor, nem mágoas. Tenho a indignação dos que se sentem injustiçados”, diz a mensagem, cujo título é “Esclarecimentos”.

Souza, conhecido por Paulo Preto, tornou-se um personagem da disputa presidencial de 2010. Responsável por uma das maiores vitrines do PSDB em São Paulo, o Rodoanel, orçado em R$ 5 bilhões, o engenheiro foi acusado pela revista IstoÉ de ter sumido com R$ 4 milhões, que teriam sido arrecadados em nome do partido. Diante do silêncio de tucanos a respeito das acusações, no decorrer da campanha, o ex-diretor da Dersa chegou a dar entrevista na qual ameaçou dirigentes do PSDB. Na ocasião, ele disse: “Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada”.

No e-mail, que classifica o período eleitoral de “festival de bobagens e inverdades”, estão descritos os nomes de tucanos que negaram a “acusação” dos R$ 4 milhões. São citados o ex-candidato à Presidência pelo PSDB José Serra, o presidente nacional do partido, Sérgio Guerra, o presidente do PSDB municipal, José Henrique Reis Lobo, e o presidente do comitê financeiro da campanha, José Gregori.

No caso de Serra, é destacado que o tucano negou a versão numa “coletiva em Aparecida”. Em viagem à cidade paulista, o então candidato comentou as declarações em tom de ameaça de Souza e afirmou que as acusações contra ele eram “falsas” e “injustas”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Agência Estado
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Fonte:http://jc.uol.com.br/canal/cotidiano/politica/noticia/2010/12/09/email-de-paulo-preto-a-tucanos-cita-ingratos-247690.php

Maioria dos internautas acham mulheres recifenses 'arrogantes'

Publicado em 09.12.2010
Do JC Online

A pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirmando que o Recife é a capital das mulheres, gerou muitos comentários no JC Online. Para repercutir ainda mais o assunto sobre as recifenses, que representam 53,87% da população da cidade - onde há 118.808 mulheres a mais que homens -, o portal criou uma enquete sobre qual o tipo que predomina entre elas.

A maioria dos internautas que votaram na enquete, ou seja, 1.146 pessoas, acham que a maioria das recifenses são arrogantes. Em segundo lugar no ranking, está que elas são oferecidas, com 26,16% ou 642 votos. Na sequência, divertidas (413), para casar (133) e recatadas (120). Ao todo, 2.454 participaram da enquete.

»Confira o resultado da enquete: As mulheres representam 53,87% dos recifenses. Na sua opinião, qual o tipo que predomina entre elas?

Recatadas 4.89% 120
Arrogantes 46.70% 1.146
Divertidas 16.83% 413
Oferecidas 26.16% 642
Para casar 5.42% 133
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Fonte:http://jc.uol.com.br/canal/cotidiano/grande-recife/noticia/2010/12/09/maioria-dos-internautas-acham-mulheres-recifenses-arrogantes-247683.php

INTERNATIONAL HERALD TRIBUNE : Um americano em Paris

05.12.2010
Do "Observatório de Imprensa"
Leneide Duarte, de Paris

O jornal International Herald Tribune tem uma ligação antiga com a França. Há 114 anos tem base em Paris e entrou para a história da cultura francesa ao ser anunciado e vendido nas ruas pela linda e jovem Jean Seberg em A bout de souffle, de Jean-Luc Godard. Quem não lembra da cena de um dos filmes mais marcantes da nouvelle vague?

O IHT – que pertence em partes iguais a dois gigantes americanos, New York Times e Washington Post – já sai com uma vantagem sobre os outros diários: aos artigos e reportagens de seus 64 jornalistas (que trabalham em Paris) somam-se as matérias e artigos publicados nos dois outros jornais. Só de correspondentes pelo mundo, os três jornais somados contam com 100 jornalistas, o que faz com que o trabalho de triagem (afinal editar é escolher, priorizar) se transforme num drama diário para David Ignatius, 51 anos, diretor de redação do IHT, ex-editor do Washington Post e ex-correspondente do Wall Street Journal no Oriente Médio.

Vendido em 180 países, o IHT não é conhecido por suas grandes tiragens. Ao contrário, o jornal ele vende apenas 242 mil exemplares, dos quais 36 mil na França. Mas se não tem uma circulação enorme, o IHT tem prestígio: o grande trunfo do jornal é uma mistura de credibilidade com sobriedade, qualidades importantes para seu seleto público leitor, pessoas de boa posição social e excelente formação cultural que se espalham por dezenas de países. David Ignatius evita manchetes com apelo sensacionalista e não publica fotos chocantes. Foi por isso que o jornal não publicou – ao contrário de toda a imprensa francesa – as fotos das pessoas se jogando do alto das torres do World Trade Center, no dia do atentado de 11 de setembro.

Como aconteceu com a imprensa em geral, as vendas do International Herald Tribune aumentaram depois do atentado. O jornal viu suas vendas crescerem em 15%. Eram leitores que procuravam um resumo do que a imprensa americana publica de melhor, com a sobriedade que caracteriza o jornal. Com uma linha editorial totalmente independente de seus dois proprietários americanos, o IHT não se refere aos Estados Unidos como se falasse de seu país. "Não dizemos ‘nós’ quando nos referimos aos EUA nem temos a bandeira americana na primeira página", diz Ignatius.

Enquanto a imprensa escrita no mundo inteiro sofre as consequências de uma forte crise neste ano de 2001, o IHT não pára de crescer. Segundo dados da auditoria Diffusion Contrôle, um órgão especializado francês Diffusion, o jornal cresceu 5,47% no ano passado e 25% em cinco anos.

Essa progressão no número de leitores é em parte explicada pela política de parcerias estabelecida pelo jornal. Em outubro passado, o IHT assinou parceria com o diário espanhol El País, a sétima estabelecida nos últimos anos. Diariamente, oito páginas em inglês passaram a ser publicadas pelo Herald com o melhor do El País. Com vendas de apenas 6 mil exemplares diários na Espanha, o IHT tem, a partir de agora, um material editorial de qualidade de um periódico que vende média de 440 mil exemplares diários durante a semana e mais de 1 milhão, aos domingos.

Segundo o presidente-diretor-geral do IHT Peter Goldmark, esse programa de parcerias é uma das mais importantes inovações da imprensa escrita dos últimos dez anos. As parcerias do "americano de Paris" foram feitas com o Frankfurter Allgemeine Zeitung» (Alemanha), Asahi Shimbun (Japão), Corriere della Serra (Itália), Ha’aretz (Israel), Kathimerini (Grécia) e Joong Ang Ilbo (Coréia do Sul).

Publicidade e vendas

Segundo pesquisa encomendada pela revista Stratégies, 62% dos anunciantes franceses acham que o próximo ano não será bom para o mercado publicitário, isto é, não vai ser possível recuperar o que se perdeu neste ano. Segundo outra pesquisa, estad do instituto de estudos Secodip, no primeiro semestre deste ano as receitas publicitárias, na França, já haviam sofrido uma queda de 2% na imprensa escrita e de 4% na televisão. Depois veio o 11 de setembro, que não ajudou em nada o panorama já deficitário dos meios de comunicação.

Na Europa, a França teve uma queda considerada média, comparada aos outros países. Essa queda foi de 5,4% de janeiro a outubro deste ano. Para tentar superar o problema da fuga de anunciantes, os veículos não mexeram nos seus preços, salvo duas exceções: o Canal Plus baixou suas tarifas de 7% a 17 % e o jornal France Soir baixou em 5% os preços de seu espaço publicitário.

Outra pesquisa, divulgada no fim de outubro, mostrou que os jornais Le Figaro e Le Monde continuam disputando palmo a palmo o primeiro lugar de vendas entre os quotidianos franceses. Levando-se em conta apenas as vendas na França, Le Figaro ganha. Se consideradas também as vendas no estrangeiro, ganha o Le Monde. Segundo os dados do Diffusion Contrôle, as vendas no primeiro semestre deste ano mostravam o seguinte quadro: Le Figaro, com vendas médias diárias de 350 .156 exemplares (queda de 1,18%) e Le Monde, com 349 .224 exemplares (crescimento de 0,94%). Logo depois do Monde vem Libération, com 161.269 exemplares (crescimento de 2,02%).

Uma curiosidade: o jornal católico La Croix (84.073 exemplares/dia, queda de 2,18%) vende quase o dobro do comunista L’Humanité (46.500 exemplares, queda de 10,7%).
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Fonte:http://observatoriodaimprensa.com.br/artigos/mo051220011.htm

PiG na berlinda: “Liberdade de expressão” para quem?

Segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Extraído do Blog Tudo em Cima"

Os grandes meios de comunicação comercial no Brasil praticam a censura, todos os dias, sistematicamente. Eles escondem os fatos relacionados a movimentos sociais, lutas populares, povos indígenas, enfim, as maiorias exploradas. Estas só aparecem na seção de polícia ou quando são vítimas de alguma tragédia. No demais são esquecidas, escondidas, impedidas de dizerem a sua palavra criadora.

- Por Elaine Tavares, no site da Caros Amigos


O velho Marx já ensinou há muitos anos sobre o que é a ideologia. É o encobrimento da verdade. Assim, tudo aquilo que esconde, vela, obscurece, tapa, encobre, engana, é ideologia. É dentro deste espectro que podemos colocar o debate que se faz hoje no Brasil, na Venezuela, no Equador e na Bolívia sobre o binômio “liberdade de expressão X censura”. Para discutir esse tema é preciso antes de mais nada observar de onde partem os gritos de “censura, censura”, porque na sociedade capitalista toda e qualquer questão precisa ser analisada sob o aspecto de classe. A tal da “democracia”, tão bendita por toda a gente, precisa ela mesma de um adjetivo, como bem já ensinou Lênin. “Democracia para quem? Para que classe?”.

Na Venezuela a questão da liberdade de expressão entrou com mais força no imaginário das gentes quando o governo decidiu cassar a outorga de uma emissora de televisão, a RCTV, por esta se negar terminantemente a cumprir a lei, discutida e votada democraticamente pela população e pela Assembléia Nacional. “Censura, cerceamento da liberdade de expressão” foram os conceitos usados pelos donos da emissora para “denunciar” a ação governamental. Os empresários eram entrevistados pela CNN e suas emissoras amigas, de toda América Latina, iam reproduzindo a fala dos poderosos donos da RCTV. Transformados em vítimas da censura, eles foram inclusive convidados para palestras e outros quetais aqui nas terras tupiniquins.

Lá na Venezuela os organismos de classe dos jornalistas, totalmente submetidos à razão empresarial, também gritavam “censura, censura” e faziam coro com as entidades de donos de empresas de comunicação internacionais sobre o “absurdo” de haver um governo que fazia cumprir a lei. Claro que pouquíssimos jornais e jornalistas conseguiram passar a informação correta sobre o caso, explicando a lei, e mostrando que os que se faziam de vítima, na verdade eram os que burlavam as regras e não respeitavam a vontade popular e política. Ou seja, os arautos da “democracia liberal” não queriam respeitar as instituições da sua democracia. O que significa que quando a democracia que eles desenham se volta contra eles, já não é mais democracia. Aí é ditadura e cerceamento da liberdade de expressão.

No Brasil, a questão da censura voltou à baila agora com o debate sobre os Conselhos de Comunicação. Mesma coisa. A “democracia liberal” consente que existam conselhos de saúde, de educação, de segurança, etc… Mas, de comunicação não pode. Por quê? Porque cerceia a liberdade de expressão. Cabe perguntar. De quem? Os grandes meios de comunicação comercial no Brasil praticam a censura, todos os dias, sistematicamente. Eles escondem os fatos relacionados a movimentos sociais, lutas populares, povos indígenas, enfim, as maiorias exploradas. Estas só aparecem nas páginas dos jornais ou na TV na seção de polícia ou quando são vítimas de alguma tragédia. No demais são esquecidas, escondidas, impedidas de dizerem a sua palavra criadora. E quando a sociedade organizada quer discutir sobre o que sai na TV, que é uma concessão pública, aí essa atitude “absurda” vira um grande risco de censura e de acabar com a liberdade de expressão. Bueno, ao povo que não consegue se informar pelos meios, porque estes censuram as visões diferentes das suas, basta observar quem está falando, quem é contra os conselhos. De que classe eles são. Do grupo dos dominantes, ou dos dominados?

Agora, na Bolívia, ocorre a mesma coisa com relação à recém aprovada lei anti-racista. Basta uma olhada rápida nos grandes jornais de La Paz e lá está a elite branca a gritar: “censura, censura”. A Sociedade Interamericana de Imprensa, que representa os empresários, fala em cerceamento da liberdade de expressão. Os grêmios de jornalistas, também alinhados com os patrões falam a mesma coisa, assim como as entidades que representam o poder branco, colonial e racista. Estes mesmos atores sociais que ao longo de 500 anos censuraram a voz e a realidade indígena e negra nos seus veículos de comunicação, agora vem falar de censura. E clamam contra suas próprias instituições. A lei anti-racista prevê que os meios de comunicação que incentivarem pensamentos e ações racistas poderão ser multados ou fechados. Onde está o “absurdo” aí? Qual é o cerceamento da liberdade de expressão se a própria idéia de liberdade, tão cara aos liberais, se remete à máxima: “a minha liberdade vai até onde começa a do outro”? Então, como podem achar que é cerceamento da liberdade de expressão usar do famoso “contrato social” que garante respeito às diferenças?

Ora, toda essa gritaria dos grandes empresários da comunicação e seus capachos nada mais é do que o profundo medo que todos têm da opinião pública esclarecida. Eles querem o direito de continuar a vomitar ideologia nos seus veículos, escondendo a voz das maiorias, obscurecendo a realidade, tapando a verdade. Eles querem ter o exclusivo direito de decidir quem aparece na televisão e qual o discurso é válido. Eles querem manter intacto seu poder escravista, racista e colonial que continua se expressando como se não tivessem passado 500 anos e a democracia avançado nas suas adjetivações. Hoje, na América Latina, já não há apenas a democracia liberal, há a democracia participativa, protagônica, o nacionalismo popular. As coisas estão mudando e as elites necrosadas se recusam a ver.

O racismo é construção de quem domina

Discursos como esses, das elites latino-americanas e seus capachos, podem muito bem ser explicados pela história. Os componentes de racismo, discriminação e medo da opinião pública esclarecida têm suas raízes na dominação de classe. Para pensar essa nossa América Latina um bom trabalho é o do escritor Eric Williams, nascido e criado na ilha caribenha de Trinidad Tobago, epicentro da escravidão desde a invasão destas terras orientais pelos europeus. No seu livro Capitalismo e Escravidão, ele mostra claramente que o processo de escravidão não esteve restrito apenas ao negro. Tão logo os europeus chegaram ao que chamaram de Índias Orientais, os primeiros braços que trataram de escravizar foram os dos índios.

Os europeus buscavam as Índias e encontraram uma terra nova. Não entendiam a língua, não queriam saber de colonização. Tudo o que buscavam era o ouro. Foi fácil então usar da legitimação filosófica do velho conceito grego que ensinava ser apenas “o igual”, “o mesmo”, aquele que devia ser respeitado. Se a gente originária não era igual à européia, logo, não tinha alma, era uma coisa, e podia ser usada como mão de obra escrava para encontrar as riquezas com as quais sonhavam. Simples assim. Essa foi a ideologia que comandou a invasão e seguiu se sustentando ao longo destes 500 anos. Por isso é tão difícil ao branco boliviano aceitar que os povos originários possam ter direitos. Daí essa perplexidade diante do fato de que, agora, por conta de uma lei, eles não poderão mais expressar sua ideologia racista, que nada mais fez e ainda faz, que sustentar um sistema de produção baseado na exploração daquele que não é igual.

Eric Williams vai contar ainda como a Inglaterra construiu sua riqueza a partir do tráfico de gente branca e negra, para as novas terras, a serem usadas como braço forte na produção do açúcar, do tabaco, do algodão e do café. Como o índio não se prestou ao jogo da escravidão, lutando, fugindo, morrendo por conta das doenças e até se matando, o sistema capitalista emergente precisava inventar uma saída para a exploração da vastidão que havia encontrado. A escravidão foi uma instituição econômica criada para produzir a riqueza da Inglaterra e, de quebra, dos demais países coloniais. Só ela seria capaz de dar conta da produção em grande escala, em grandes extensões de terra. Não estava em questão se o negro era inferior ou superior. Eram braços, e não eram iguais, logo, passíveis de dominação. Eles foram roubados da África para trabalhar a terra roubada dos originários de Abya Yala.

Também os brancos pobres dos países europeus vieram para as Américas como servos sob contrato, o que era, na prática, escravidão. Segundo Williams, de 1654 a 1685, mais de 10 mil pessoas nestas condições partiram somente da cidade de Bristol, na Inglaterra, para servir a algum senhor no Caribe. Conta ainda que na civilizada terra dos lordes também eram comuns os raptos de mulheres, crianças e jovens, depois vendidos como servos. Uma fonte segura de dinheiro. De qualquer forma, estas ações não davam conta do trabalho gigantesco que estava por ser feito no novo mundo, e é aí que entra a África. Para os negociantes de gente, a África era terra sem lei e lá haveria de ter milhões de braços para serem roubados sem que alguém se importasse. E assim foi. Milhões vieram para a América Latina e foram esses, juntamente com os índios e os brancos pobres, que ergueram o modo de produção capitalista, garantiram a acumulação do capital e produziram a riqueza dos que hoje são chamados de “países ricos”.

E justamente porque essa gente foi a responsável pela acumulação de riqueza de alguns que era preciso consolidar uma ideologia de discriminação, para que se mantivesse sob controle a dominação. Daí o discurso – sistematicamente repetido na escola, na família, nos meios de comunicação – de que o índio é preguiçoso, o negro é inferior e o pobre é incapaz. Assim, se isso começa a mudar, a elite opressora sabe que o seu mundo pode ruir.

Liberdade de expressão

É por conta da necessidade de manter forte a ideologia que garante a dominação que as elites latino-americanas tremem de medo quando a “liberdade de expressão” se volta contra elas. Esse conceito liberal só tem valor se for exercido pelos que mandam e aí voltamos àquilo que já escrevi lá em cima. Quando aqueles que os dominadores consideram “não-seres” - os pobres, os negros, os índios – começam a se unir e a construir outro conceito de direito, de modo de organizar a vida, de comunicação, então se pode ouvir os gritos de “censura, censura, censura” e a ladainha do risco de se extinguir a liberdade de expressão.

O que precisa ficar bem claro a todas as gentes é de que está em andamento na América Latina uma transformação. Por aqui, os povos originários, os movimentos populares organizados, estão constituindo outras formas de viver, para além dos velhos conceitos europeus que dominaram as mentes até então. Depois de 500 anos amordaçados pela “censura” dos dominadores, os oprimidos começam a conhecer sua própria história, descobrir seus heróis, destapar sua caminhada de valentia e resistência. Nomes como Tupac Amaru, Juana Azurduy, Zumbi dos Palmares, Guaicapuru, Bartolina Sisa, Tupac Catari, Sepé Tiaraju, Dandara, Artigas, Chica Pelega, assomam, ocupam seu espaço no imaginário popular e provocam a mudança necessária.

Conceitos como Sumak kawsay, dos Quíchua equatorianos, ou o Teko Porã, dos Guarani, traduzem um jeito de viver que é bem diferente do modo de produção capitalista baseado na exploração, na competição, no individualismo. O chamado “bem viver” pressupõe uma relação verdadeiramente harmônica e equilibrada com a natureza, está sustentado na cooperação e na proposta coletiva de organização da vida. Estes são conceitos poderosos e “perigosos”. Por isso, os meios de comunicação não podem ficar à mercê dos desejos populares. Essas idéias “perigosas” poderiam começar a aparecer num espaço onde elas estão terminantemente proibidas. É esse modo de pensar que tem sido sistematicamente censurado pelos meios de comunicação. Porque as elites sabem que destruída e ideologia da discriminação contra o diferente e esclarecida a opinião pública, o mundo que construíram pode começar a ruir. A verdadeira liberdade de expressão é coisa que precisa ficar bem escondida, por isso são tão altos os gritos que dizem que ela pode se acabar se as gentes começarem a “meter o bedelho” neste negócio que prospera há 500 anos.

Basta de bobagens

É neste contexto histórico, econômico e político que deveriam ser analisados os fatos que ocorrem hoje na Venezuela, no Equador, na Bolívia e na Argentina. O Brasil deveria, não copiar o que lá as gentes construíram na sua caminhada histórica, mas compreender e perceber que é possível estabelecer aqui também um processo de mudança. Neste mês de novembro o Ministério das Comunicações chamou um seminário para discutir uma possível lei de regulamentação da mídia brasileira. Não foi sem razão que os convidados eram de Portugal, Espanha e Estados Unidos. Exemplos de um mundo distante, envelhecido, necrosado, representantes de um capitalismo moribundo. As revolucionárias, criativas e inovadoras contribuições dos países vizinhos não foram mencionadas. A Venezuela tem uma das leis mais interessantes de regulamentação da rádio e TV, a Argentina deu um passo adiante com a contribuição do movimento popular, a Bolívia avança contra o racismo, o Equador inova na sua Constituição, e por aqui tudo é silêncio. Censura?

Os governantes insistem em buscar luz onde reina a obscuridade. E, ainda assim pode-se ouvir o grito dos empresários a dizer: censura, censura, censura. O atraso brasileiro é tão grande que mesmo as liberais regulamentações européias são avançadas demais. Enquanto isso Abya Yala caminha, rasgando os véus…
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Fonte:http://tudo-em-cima.blogspot.com/2010/12/o-pig-na-berlinda-liberdade-de.html