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domingo, 5 de dezembro de 2010

“Dont mix races”: Como o direita racista anda educando suas crianças

03.12.2010
Do blog de MariaFrô


Nesta semana, no Brasil, começamos esta campanha linda aqui: #infanciasemracismo.

Enquanto isso nos EUA:



Trata-se de um programa de tevê estadunidense, triste no formato, na inadequação (as crianças mal conseguem ler os roteiros) mas, principalmente triste porque defende o indefensável: o discurso da supremacia branca e cristã.

Walt Disney Company demorou 86 anos para levar para as telas do cinema uma protagonista negra. O comentário depreciativo sobre o filme “The Princess and The Frog” além de servir como reforço ao discurso contra união interracial, serve também para estigmatizar religiões afro.

Fico me perguntando qual é a fronteira legal nos Estados Unidos que permite discursos como estes serem veiculados na tevê. Recorrer à Primeira Emenda para defender estas sandices me parece um absurdo.

De todo modo, da próxima vez que você sentir inveja dos EUA com este eterno complexo de colonizado, lembre-se de Andrew Pendergraft e imagine um vídeo de crianças negras fazendo algo semelhante.

O vídeo foi legendado pelo @quantotempodura que fez uma breve pesquisa sobre os mentores da intolerância racista, reproduzo-a:

“O nome do garoto é Andrew Pendergraft. A família dele inteira faz parte da KKK. Por sinal, ele é neto de um dos fundadores, Thomas Robb. Assim sendo, o garoto foi criado desde o nascimento pra ser racista.

Andrew já faz o “The Andrew Show” há vários meses. Em todo episódio é a mesma coisa: ele começa falando de algum assunto qualquer pra na sequencia encaixar esse assunto com… “Dont mix races”

“Dont mix races” – Não misture as raças. Para Andrew, quer dizer, pra quem escreve os discursos de Andrew, brancos devem ficar afastados de negros, asiáticos, etc. Tudo para manter a “Supremacia branca”

Andrew está com 10 anos e já divulga o racismo pelo mundo afora, graças à sua família maluca.

Assista, sinta nojo e entenda que pro racismo acabar, você tem que criar seus filhos direito.”

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Fonte:http://mariafro.com.br/wordpress/?p=22047

Um retrato do Brasil: Censo 2010

03.12.2010
Do blog de MariaFrô


O Brasil nos últimos dez anos teve mudanças interessantes. Se cruzarmos dados demográficos com crescimento econômico, veremos, por exemplo, dados já apontados pelos estudos do IPEA que mostram mudanças no perfil do migrante, uma maior fixação de grupos populacionais em algumas regiões que foram historicamente celereiros de migração. Tais mudanças são resultado de investimentos no Norte, Nordeste, redistribuição de recursos dentre outras políticas pra diminuir desigualdades regionais.

Quanto mais analisamos os dados do censo 2010, mais o Movimento São Paulo para os Paulistanos exemplifica que preconceito não resiste à análise de dados.

Abaixo, uma análise preliminar dos primeiros resultados do Censo 2010 feita pelo demógrafo do IBGE demógrafo Luiz Antonio Pinto de Oliveira.

PS. A conta oficial do censo no twitter: @ibge_censo2010


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Fonte:http://mariafro.com.br/wordpress/?p=22053

Prefeita do PV em Natal bate recorde de rejeição

05.12.2010
Do blog de MariaFrô
Por: Tiago Negreiros (enviado pelo autor por mail)

Com 77,6% de desaprovação, prefeita de Natal tenta sobreviver no poder

Neste mês a prefeita de Natal Micarla de Sousa (PV) fará (mais) uma nova reforma do seu secretariado. Em janeiro sua gestão completará dois anos e, ao longo desse tempo, 25 secretários já foram substituídos. O secretário-chefe do Gabinete Civil, Kalazans Bezerra (PV), está otimista com as mudanças e promete uma “guinada na gestão”. Até o perfil ideológico da administração vai entrar na cota. Antes de direita, sob a estreita aliança com o DEM do senador José Agripino, Micarla procurará agora se aproximar das legendas ditas de esquerda. Partidos como PCdoB já foram sondados e, com uma espécie de carta convite nas mãos, o secretário dita: “quem vier, será bem vindo”. Mas quem quer?

A administração de Micarla de Sousa é desaprovada por 77,6% da população de Natal. Os dados divulgados recentemente pelo instituto Consult traduz em números o sentimento da população potiguar. Enquanto muitas gestões iniciam nesta época do ano apoios que no futuro possam dar suporte a uma reeleição, na administração de Micarla a preocupação é em conseguir concluir o governo. Na pesquisa de intenções de voto para a Prefeitura de Natal, Micarla aparece empatada com o sétimo colocado. Nem a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crucius (PSDB), com tantas denúncias de corrupção no currículo, aparecia tão mal nas sondagens eleitorais. Um vexame para quem tem o poder nas mãos.

Micarla de Sousa inventou de entrar para a política em 2004, quando a então governadora Wilma de Faria (PSB) lhe convidou para compor como vice-prefeita a chapa pela reeleição do prefeito Carlos Eduardo Alves. A estratégia de Wilma era meramente midiática; Micarla apresentava na emissora de sua família, a TV Ponta Negra (filiada do SBT), um programa jornalístico de bastante audiência na cidade, o “Jornal do Dia”. Assim, neutralizava a força política do candidato e também apresentador de tevê Luiz Almir. Venceram de forma apertada a eleição e, dois anos depois, Micarla seguia carreira solo ao tentar uma vaga na Assembléia Legislativa. O blá blá blá na TV Ponta Negra lhe possibilitou pleno êxito nas urnas, sendo uma das mais bem votadas na época. Seu apoio a Carlos Eduardo ruíra, visto que a deputada estadual já mirava os olhos para a Prefeitura. Em 2008 lá estava ela, apresentando o programa “60 Minutos”, prometendo mundos e fundos para a Cidade, bajulando aliados e destilando ferrenhas críticas a Carlos Eduardo e sua candidata à sucessão, Fátima Bezerra (PT). Era um despudorado uso de uma concessão pública a serviço próprio. A maioria da população acreditou e consagrou Micarla de Sousa Prefeita de Natal no primeiro turno com 50,8% dos votos.

A vitória foi um marco para o Partido Verde. Falava-se que houvera um “divisor de águas”, visto que Natal era a única capital em que o PV conquistara uma Prefeitura. Meses depois, em entrevista ao Estadão, o presidente do partido José Luiz Penna dissera que Micarla era uma das cotadas para concorrer a Presidência. A prefeita de Natal seria um plano B caso Marina Silva recusasse a proposta dos verdes.

Com metade da gestão cumprida, o saldo para Natal é devastador e justifica o altíssimo descrédito da população com Micarla de Sousa. A saúde, por exemplo, já está em seu terceiro secretário. Uma média de mudança praticamente a cada seis meses. Há 17 anos servindo ao município, a enfermeira Jussara de Paiva Nunes revela que a atual situação da saúde é “grave” e que nos postos de saúde da capital do Rio Grande do Norte faltam até produtos de limpeza. “Há uma total desvalorização na saúde. Nós nunca tivemos atenção, mas nessa última gestão a situação é mais grave. As condições de trabalho são péssimas, faltam de tudo, desde produtos de limpeza, a medicamentos e profissionais”.

A administração do dinheiro público também é ineficiente. Em setembro e novembro a Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtas) – responsável pelos cadastramentos do Bolsa Família – teve a luz cortada por falta de pagamento. Pelo mesmo motivo postos de saúde ficaram sem telefone e internet, prejudicando a marcação de consultas. Os pacientes, quando tinham dinheiro e desejavam marcar os atendimentos médicos, se encaminhavam para uma lan house mais próxima do posto. Sem dinheiro, muitos voltavam para casa sem a consulta marcada. Prédios de diversas secretarias estão com pagamentos de alugueis atrasados, entre eles, o da Secretaria de Saúde e Educação. Com dívidas de mais de R$ 20 milhões com as empresas de coleta, o lixo se acumula em diversos locais, atraindo moscas, baratas e muito mau cheiro numa Cidade que é destino turístico para milhares de brasileiros e estrangeiros.

Nas eleições deste ano Micarla foi ignorada pelos aliados. O senador re-eleito José Agripino (DEM) e a governadora eleita Rosalba Ciarlini (DEM) fizeram muitas caminhadas e carreatas em Natal, mas, em nenhuma delas, a prefeita da cidade foi convidada. A então presidenciável e colega de partido Marina Silva (PV), quando esteve em Natal, não se furtou em convidar Micarla para realizar uma caminhada no centro da Cidade. Ao estender as mãos para cumprimentar os eleitores, muitos se recusaram a atender a gentileza da ex-ministra do Meio Ambiente. Ainda em campanha pela Cidade, Marina concedeu palestra em um auditório da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e foi obrigada a passar pelo constrangimento de ouvir Micarla de Sousa ser vaiada pelas centenas de pessoas presentes. No segundo turno Micarla apoiou Dilma Roussef, o que causou o rompimento da aliança com José Agripino. Abandonando o navio antes do naufrágio, a verdade é que o democrata esperava qualquer motivo para encerrar o apoio com a prefeita. Já se encontra entre seus planos o lançamento da candidatura do seu filho, o deputado federal Felipe Maia (DEM), para a Prefeitura de Natal.

Para tornar a situação de Micarla de Sousa ainda mais delicada, corre na internet um abaixo assinado que pede o seu impeachment. A lista já conta com mais de 1,7 mil nomes, entre os assinantes, vários comentários ácidos e em tons de desabafo: “Nossa cidade está um caos”; “É necessário mudar urgente antes que não reste nada na Prefeitura. A insatisfação é geral”; “Micarla, você é o câncer de Natal”; “Desde que Micarla assumiu a passagem de ônibus não para de subir. Eu não aguento mais”; “Micarla está sucateando a saúde. A população chega para ser atendida nos postos de saúde e não tem atendimento”; “Sou funcionária de contrato temporário da Prefeitura via Semtas e nossos salários atrasam muito. No mês passado atrasou 20 dias. O lanche dos grupos dos CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) está faltando. Então, diante de tanto descaso, acredito que a prefeita deva ser exonerada de seu cargo”.

Na Câmara dos Vereadores de Natal Micarla de Sousa tem a maioria. Dos 21 vereadores da Cidade, 13 vão apoiar a prefeita em 2011. Este número já foi bem maior. No início do mandato, 17 vereadores faziam parte da bancada de Micarla. Com uma oposição ainda minoria, o vereador George Câmara (PCdoB) não acredita no impeachment da prefeita. Além do mais, para ele, os motivos para abrir um processo de impedimento ainda são “subjetivos”. “A gestão é uma catástrofe e o desgaste que Micarla sofre, mesmo em tão pouco tempo de governo, é grande. Mas os motivos para a abertura do processo são subjetivos. Para tal seria necessário, por exemplo, uma denúncia de corrupção”, esclarece.

Enquanto isso a Prefeitura de Natal vai tentando sobreviver. O secretário-chefe do Gabinete Civil, Kalazans Bezerra, em entrevista ao Diário de Natal, culpou o Governo Lula (PT) e a ex-governadora Wilma de Faria (PSB) pela má avaliação da Prefeitura. “Faltou o apoio que Natal tanto precisou do Governo do Estado, no ano de 2009 e 2010. Tanto do Governo do Estado quanto do Governo Federal. Isso evidentemente trouxe uma dificuldade cada vez maior para a gestão.” Com o apoio a Dilma Roussef, o secretário está otimista com a vinda de recursos para Natal: “Com relação ao Governo Federal, a prefeita Micarla já começou a ser tratada como aliada. Ela aprovou R$ 180 milhões em recursos federais, que virão para várias obras e investimentos. Temos a perspectiva de muito mais recursos para o início de 2011.”

A principal liderança do PT no Rio Grande do Norte, a deputada federal Fátima Bezerra, rebateu as críticas de Kalazans: “O acesso de Natal ou qualquer outra cidade ao Governo Federal vai depender da capacidade de gestão e bons projetos. O Governo Federal está fazendo sua parte. Esperamos que a Prefeitura faça a dela.”
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Fonte:http://mariafro.com.br/wordpress/?p=22103

Fora, povo!

05.12.2010
Do blog de Eduardo Guimarães
Por Luis Fernando Veríssimo

Pesquisa recente concluiu que a elite brasileira é mais moderna, ética, tolerante e inteligente que o resto da população. Nossa elite, tão atacada através dos tempos, pode se sentir desagravada com o resultado do estudo, embora este tenha sido até modesto nas suas conclusões. Faltou dizer que, além das suas outras virtudes, a elite brasileira é mais bem vestida do que as classes inferiores, tem melhor gosto e melhor educação, é melhor companhia em acontecimentos sociais e é incomparavelmente mais saudável. E que dentes!

A pesquisa reforça uma tese que defendo há anos, segundo a qual o Brasil, para dar certo, precisa trocar de povo. Esse que está aí é de péssima qualidade. Não sei qual seria a solução. Talvez alguma forma de terceirização, substituindo-se o que existe por algo mais escandinavo. As campanhas assistencialistas que tentam melhorar a qualidade do povo atual só a pioram, pois, se por um lado não ajudam muito, pelo outro o encorajam a continuar existindo. E pior, se multiplicando. Do que adianta botar comida no prato do povo e não ensinar a correta colocação dos talheres, ou a escolha de tópicos interessantes para comentar durante a refeição? Tente levar o povo a um restaurante da moda e prepare-se para um vexame. O povo brasileiro só envergonha a sua elite.

Se não tivéssemos um povo tão inferior, nossos índices sociais e de desenvolvimento seriam outros. Estaríamos no Primeiro Mundo em vez de empatados com Botsuana. São, sabidamente, as estatísticas de subemprego, subabitação e outros maus hábitos do povo que nos fazem passar vergonha.

Que contraste com a elite. Jamais se verá alguém da elite brigando e fazendo um papelão numa fila do SUS como o povo, por exemplo. Mas o que fazer? Elegância e discrição não se ensina. Classe você tem ou não tem. Mas o contraste é chocante, mesmo assim. Esse povo, decididamente, não serve.

Se ao menos as bolsas-família fossem Vuitton…
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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2010/12/fora-povo/

"Debate da saúde da mulher deve ir além do aborto"

Para a ex-presidente chilena e 1ª diretora executiva da ONU Mulheres – que reunirá políticas de promoção de direitos -, planejamento familiar e educação sexual são fundamentais

05.12.20'0

Do Blog de Luís Favre

ELISEO FERNANDEZ/REUTERS-15/9/2020
Diferenças. Michelle: políticas de direitos femininos devem levar em conta culturas e tradições de cada país.Foto: Eliseu Fernandez/Reuters.15.09.2010

Jamil Chade – O Estado de S.Paulo

Uma sociedade não pode se limitar a debater apenas se as mulheres têm ou não o direito de abortar, pensando que isso seja a resposta para a defesa dos direitos das mulheres. Quem faz o alerta é Michelle Bachelet, a primeira diretora executiva da ONU Mulheres, entidade que será criada a partir de 1.º de janeiro para reunir em um só organismo todas as políticas de promoção dos direitos do sexo feminino.

Em entrevista exclusiva ao Estado, durante visita a Genebra, a ex-presidente do Chile insiste que o planejamento familiar deve ser reforçado junto com a criação de uma estrutura que possibilite que a gravidez indesejada seja evitada. Mas afirma que o Estado deve deixar a cada mulher a opção da escolha e cada uma optará dependendo de seus próprios valores e culturas. “O Estado não tem o direito de impor nada”, diz. Médica, ela declara que seu programa de governo à frente da nova organização é claro: maior autonomia econômica para que as mulheres tenham o poder de decisão.

Bachelet deu conselhos à presidente eleita Dilma Rousseff e deixou claro: as mulheres chegaram para ficar na política latino-americana “e não só para tomar decisões fáceis”. A chilena entrou para a história como a primeira presidente mulher da América do Sul e a primeira ministra de Defesa.

Sua trajetória foi marcada por brutalidades que, segundo ela, até hoje formam seu caráter. Seu pai, um militar, foi assassinado pela junta em 1973 ao se opor ao golpe de estado no Chile. Bachelet e sua mãe foram presas e torturadas. Décadas depois, ao voltar ao Chile, foram morar no mesmo prédio onde vivia um de seus torturadores e não era raro se encontrarem.

A agenda de defesa dos direitos das mulheres é um dos assuntos mais complexos e envolve religião, machismo, saúde, poder e renda. Qual será a prioridade da sra.?

A ONU Mulheres considera fundamental incentivar as condições para que a mulher obtenha sua independência econômica, saia da submissão e tenha melhores ferramentas para sua decidir sobre sua vida. Na medida em que a mulher tenha a capacidade de ter trabalho, ser empreendedora e gerar renda, responderá melhor às necessidades de sua família. Mas nosso objetivo não é ver as mulheres apenas como vítimas. Elas são essenciais para fazer avançar suas famílias, para promover mudanças e ser fatores de paz e desenvolvimento. Diante de desastres naturais, como no Haiti ou no Chile, foram as mulheres que se organizaram e evitaram o caos. Por isso, vamos batalhar para que mulheres tenham espaço nas mesas de negociação de processos de paz. Dos 685 processos de paz que a ONU acompanhou pelo mundo em 60 anos, apenas 16 deles mencionam a necessidade de lutar contra a violência sexual contra as mulheres.

No Brasil, a campanha eleitoral foi marcada pelo tema do aborto. A sra. defenderá ou não o aborto em seu cargo na ONU?

Não há uma resposta simples. Primeiramente é preciso uma política que dê direitos às mulheres. Direito à saúde sexual e reprodutiva. Essas políticas devem levar em conta um conjunto enorme de elementos, que vão desde a educação sexual e até a planificação familiar. Cada país, a partir de suas culturas e tradições, deverá ver como equacionar esses temas à sua política.

Mas como fazer isso na prática?

Em alguns países, isso pode incluir o direito de decidir. Em outros, aceita-se o uso de anticoncepcionais e pílulas do dia seguinte. Cada nação deve pesar o que as forças políticas e sociais determinam para definir à qual nível de profundidade se pode chegar em suas políticas de saúde da mulher. Mas a realidade é que, quando a medida é o aborto, isso significa que estamos chegando tarde demais. O aborto significa que não se conseguiu evitar uma gravidez indesejada, não houve educação suficiente, não se utilizou mecanismos de prevenção que sabemos que são eficientes nem houve planejamento. Portanto, o debate da saúde da mulher deve ir muito além da questão do aborto. Precisamos de planejamento e também oferecer opções. Com ou sem aborto, vemos que as taxas de mortalidade materna são altíssimas e não podemos aceitar isso. Planejamento familiar e educação sexual fazem parte dos instrumentos para evitar essas mortes.

Qual deve ser o papel do Estado em estabelecer leis que proíbam ou não o aborto?

As políticas de saúde vão variar de país para país. O que não se pode colocar em dúvida é a obrigação do Estado de oferecer alternativas às mulheres. Não se pode impor soluções às mulheres. São as mulheres que devem escolher o instrumento que querem usar para garantir sua saúde sexual e reprodutiva, dependendo de seus próprios valores – se optarão pela abstinência ou planificação ou outro método. O Estado não tem o direito de impor nada. Precisa é garantir opções e alternativas. Quais opções, é uma questão que cada sociedade deve decidir.

A eleição de uma mulher presidente no Brasil é a quarta na região.

Isso segue uma tendência de avanço nos direitos das mulheres na América Latina?

Estou muito contente que tenhamos mais uma presidente na América Latina e ainda mais que seja no Brasil. Chegamos para tomar decisões para sempre – e todas as decisões, não só as fáceis e simples. Por isso, o Brasil ter uma mulher presidente é de tremenda importância. Isso dará visibilidade ao fato de que mulheres em todo o mundo devem ter melhores condições e ser vistas como atores que decidem. Isso contribui para mudar uma cultura de acreditar que as mulheres são cidadãs de segunda classe. Na América Latina, já tivemos mulheres governando no Chile, Costa Rica, Argentina. Mas o Brasil está participando de fóruns políticos mais restritos e de mais alto nível. Que seja agora uma mulher que represente isso tudo pode ser muito importante.

A sra. sofreu discriminações ao governar?

Apesar de haver machismo no Chile, isso não foi um obstáculo para minha eleição. Mas, na hora de iniciar o trabalho de presidente, encontrei o fato de que a política e seus códigos tradicionais são masculinos.

A sra. daria alguma recomendação para Dilma para superar esses obstáculos?

O mais importante para Dilma, como presidente, é ser genuína e ir adiante com seu programa – que seja o mesmo que se comprometeu durante a campanha. Como a primeira mulher presidente do Brasil, isso significará uma mudança importante na forma de relacionamento do governo. Paradigmas que poderiam parecer normais terão de mudar e, no período de mudança, pode haver interpretações equivocadas sobre suas atitudes. Nem sempre se pode entender certas atitudes, pois são distintas. Não porque são melhores ou piores. Mas, finalmente, o que as pessoas olharão é se ela cumpriu com os compromissos que adotou em sua campanha. Dilma manterá muitas das políticas adotadas pelo atual governo e todos sabemos que ela foi uma peça importante nessa administração. Mas tenho certeza de que ela colocará também seu próprio selo no governo. Eu fui ministra antes de assumir a presidência. Mas, ao chegar ao cargo de chefe-de-Estado, eu também imprimi minhas prioridades.

O Brasil tem uma política de diálogo com o Irã, país onde a situação da mulher é bastante delicada. Como gerenciar uma relação de diálogo e, ao mesmo tempo, cobrar por mais direitos às mulheres?

É possível ter uma posição de diálogo e de abertura. Isso permite que possa haver alianças em temas considerados mais preocupantes. O diálogo nunca é sinônimo de compartilhar todos os valores e princípios. O diálogo não inibe a possibilidade de seguir avançando. Há entidades que têm a função de condenar. Mas as estratégias podem ser variadas e é possível trabalhar também para a busca de soluções concretas por meio do diálogo.

Mas como lidar com um governo e leis que ainda preveem o apedrejamento de mulheres por adultério?

Nesse caso, a voz da comunidade internacional se fez ouvir. Parte da mudança da sentença (de Sakineh Ashtiani) e a suspensão dela foi graças à voz da comunidade internacional. Eu mesmo fiz um chamado para impedir a morte dessa mulher em condições tão dramáticas, que preocupam nossas consciência. Parece que essa voz foi ouvida.

Dilma, quando for ao Oriente Médio, deve ou não cobrir a cabeça?

O respeito em termos culturais deve ser mútuo. Trabalhamos com países com culturas diferentes e precisamos respeitá-las, na medida em que certos direitos básicos sejam respeitados. Mas também as características e condições culturais do interlocutor devem ser respeitadas. A relação de respeito mútuo é o segredo para avançar.

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Fonte:http://blogdofavre.ig.com.br/2010/12/debate-da-saude-da-mulher-deve-ir-alem-do-aborto/

A água do mar pode servir como antena de rádio

29/11/2010
Portal EcoD

A SPAWAR System Center Pacific, organização da marinha americana, descobriu uma forma de utilizar a água do mar como antena de rádio para receber e transmitir sinais a partir da indução magnética.

O processo se dá pelo bombeamento do fluxo de água marítima, vindo de uma corrente, que gera sinais radiofônicos. De acordo com a força da corrente e da consequente altura do jato, estabelece-se o alcance das ondas de frequência de rádio HF, VHF ou UHF.

A simplicidade do design facilita e permite variações no uso. Pode ser utilizada em embarcações militares, pois estas possuem um espaço limitado para as antenas atuais, ou em embarcações marítimas comerciais em situação de emergência ou como backup de antena.

"Navios da marinha americana têm cerca de 80 antenas. Executar a integração entre as elas é um grande desafio, pois elas interferem facilmente entre si. A antena de água do mar foi criada para resolver este problema", disse Daniel Tam, engenheiro da SS Pacific.

Ainda não há previsão de quando essa antena receberá a patente ou será utilizada ou comercializada, mas as pesquisas continuam.
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Fonte:http://verde.br.msn.com/artigo.aspx?cp-documentid=26552148

Ocupação do Alemão deve tornar tráfico menos violento para manter lucro, diz especialista

05/12/2010
Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil


Rio de Janeiro - Com a ocupação policial do Complexo do Alemão – esconderijo de grande quantidade da maconha e cocaína vendidas no Rio e de armas contrabandeadas ou roubadas –, o governo espera reduzir a violência na capital fluminense. As apreensões de drogas e de parte do arsenal representaram um duro golpe na organização criminosa que controlava o crime no conjunto de favelas da zona norte da cidade. Diante dos enormes prejuízos financeiros e da diminuição do seu poder sobre a comunidade, a quadrilha deve buscar um novo modo de agir, segundo especialistas. Nessa reconfiguração, assinalam, o tráfico dará menos tiros, mas pode até lucrar mais.

Com a presença dos policiais, o tráfico funciona de maneira mais tímida, com menos gente e sem armas, como já ocorre em favelas com unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Nessas locais, observam alguns pesquisadores, as quadrilhas reduzem a sua estrutura, porque não precisam pagar informantes nem corromper policiais. Além disso, acrescentam os especialistas, elas voltam a atrair os clientes às comunidades. Antes, os consumidores evitavam esses locais por causa dos frequentes tiroteios. Assim, os traficantes economizam no custeio da atividade e, ao mesmo tempo, obtêm mais lucros.

"O tráfico passará a ser mais rentável. Toda aquela fração de recurso disponibilizada para compra de arma e para corrupção é que vai cair. O consumo vai continuar, o número de usuários ainda é o mesmo. Então, a rentabilidade, de forma pulverizada, vai aumentar", afirma Paulo Storani, pesquisador de ciências policiais da Universidade Candido Mendes e ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar.

A economia das quadrilhas com armas e soldados pode variar entre R$ 121 milhões e R$ 218 milhões por ano, segundo estimativas da Secretaria Estadual de Fazenda, baseadas na pesquisa A Economia do Tráfico na Cidade do Rio de Janeiro: Uma Tentativa de Calcular o Valor do Negócio. O documento, publicado em 2008 e revisado no ano passado, estima que as quadrilhas chegam a gastar somente com armamentos R$ 25 milhões por ano.

Somados, o percentual gasto com armas e com a folha de pagamento dos soldados consome boa parte do que é arrecadado com a venda de maconha, cocaína e crack, algo entre R$ 316 milhões e R$ 630 milhões por ano - o equivalente a até 0,2% do Produto Interno Bruto do estado (PIB), mas que pode estar subestimado. Segundo a pesquisa, cada boca de fumo pode arrecadar em média R$ 15 mil por dia na cidade. No caso do Complexo do Alemão, com dez bocas em cada um de suas 17 favelas, o lucro pode chegar a R$ 900 milhões por ano, calculam os pesquisadores.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) considera prematuro falar sobre como o tráfico vai se comportar em áreas pacificadas. "O projeto das UPPs tem apenas dois anos", afirmou, em nota, a SSP. Em entrevistas, o secretário José Mariano Beltrame repete que o tráfico só acabará em qualquer lugar do mundo se as pessoas pararem de usar drogas. "O objetivo das UPPS é trazer o Rio para níveis de violência comparáveis a maiores metrópoles", completa a pesquisa.

Diante das incertezas, o Movimento a Marcha da Maconha aproveita para defender a legalização do uso de drogas ilícitas. "A procura sempre vai existir", diz Renato Cinco, um dos fundadores do movimento. Segundo ele, sem a regularização, a venda no morro, se suprimida, será substituída por outra forma de tráfico, "que continuará sem pagar impostos e nenhum tipo de regra."

Edição: João Carlos Rodrigues
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/home;jsessionid=5FF4E31A9CC9C9615B749D1084F0E995?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-1&p_p_col_count=1&_56_groupId=19523&_56_articleId=1115383

Amazon expulsa WikiLeaks de seus servidores

01/12/2010
iG São Paulo


Site, que publica documentos diplomáticos dos EUA, ficou indisponível durante horas porque a Amazon parou de responder aos acessos

Julian Assange é visto em evento em Genebra (05/11)Foto: AP

O WikiLeaks anunciou nesta quarta-feira que a Amazon.com o expulsou de seus servidores, forçando o site a voltar para um provedor sueco.

O senador americano Joe Lieberman disse que a medida da Amazon.com foi tomada depois de membros do Congresso terem pedido na terça-feira à companhia que repensasse seu relacionamento com o WikiLeaks.

"Gostaria que a Amazon tivesse tomado essa medida antes, considerando a publicação anterior de informação secreta pelo WikiLeaks", disse o independente Lieberman.

O site, que desde domingo divulga milhares de documentos diplomáticos do Departamento de estado dos EUA, hospedou-se nos servidores da Amazon depois que vários ataques contra seu hospedeiro sueco, Bahnhof, começaram no domingo.

Os ataques tornaram o acesso ao site instável. O Wikileaks ficou indisponível durante horas nesta quarta-feira à medida que os servidores da Amazon pararam de responder aos pedidos de acesso. A Amazon.com não quis comentar sobre sua relação com o WikiLeaks.

As revelações do último lote de documentos publicados pelo WikiLeaks provocou um tumulto diplomático mundial, ao divulgar documentos secretos de embaixadas americanas na internet. As correspondências fazem parte do pacote de mais de 250 mil comunicações entre embaixadas e outros canais diplomáticos americanos aos quais o site WikiLeaks teve acesso e que começou a vazar no domingo.

Na quarta-feira também o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, designou um funcionário encarregado de mitigar os danos causados pelos vazamentos de informações confidenciais pelo site WikiLeaks e evitar que ocorram outros, no futuro, informou a Casa Branca.

Russell Travers, diretor adjunto de distribuição de informação do Centro Nacional contra o terrorismo, "participará do objetivo de preparar e executar reformas estruturais à luz dos vazamentos do WikiLeaks", informou a Casa Branca, em comunicado.

Pedido de prisão

Em meio à controvérsia da publicação dos documentos, a Interpol emitiu nesta quarta-feira uma ordem de detenção do fundador do WikiLeaks, Julian Assange.

A organização policial internacional, com sede em Lyon, informou ter transmitido a seus 188 Estados uma "notificação vermelha" contra Assange, australiano de 39 anos, procurado na Suécia por acusações de estupro e agressão sexual. A organização recebeu "o pedido de captura para extradição" da Suécia em 20 de novembro.

*Com AP e AFP
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Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/amazon+expulsa+wikileaks+de+seus+servidores/n1237845969969.html

WikiLeaks: Berlusconi lucraria com acordos secretos com Putin

02/12/2010
iG São Paulo


Documentos americanos indicam que líder italiano obteve redução no valor de contratos de energia por sua relação com premiê russo

Foto de 18/04/2008 mostra os premiês italiano, Silvio Berlusconi (à dir.), e russo, Vladimir Putin, em Porto Rotondo, na Sardenha, Itália.Foto: AP

Diplomatas americanos relataram suspeitas de que o premiê italiano, Silvio Berlusconi, poderia estar "lucrando pessoalmente" com acordos secretos com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, de acordo com o jornal britânico Guardian citando telegramas diplomáticos divulgados pelo WikiLeaks.

Exasperada pelo comportamento pró-Rússia de Berlusconi, a embaixada americana detalha alegações que circulavam em Roma de que o líder italiano recebeu a promessa de uma redução nos valores de grandes contratos de energia.

Os dois líderes são reconhecidamente bem próximos, mas essa é a primeira vez que surgem alegações de um vínculo financeiros entre ambos.

O Departamento de Estado de Hillary Clinton, em Washington, enviou um pedido especial para a embaixada em Roma neste ano, pedindo a compilação de material extra de inteligência sobre os dois premiês: "Quais investimentos privados, se algum, têm que possam influenciar suas políticas externas e econômicas?"

Referências à "relação financeiramente enriquecedora" tiveram origem entre membros de seu próprio partido e do governo da Geórgia, que é rival da Rússia, de acordo com os telegramas diplomáticos vazados pelo site.

O então embaixador dos EUA em Roma, Ronald Spogli, primeiramente relatou as alegações em uma série de correspondências entre 2008 e 2009. Ele disse que o líder italiano centralizou o controle dos acordos com Moscou, com o objetivo primordial de agradar ao líder russo.

Berlusconi agiu como um "porta-voz" de Putin, disse Spogli, apoiando Putin em público quando a Rússia estava sob críticas.

Os dois eram próximos, "com a família de Putin mantendo longas visitas à mansão de Berlusconi na Sardenha". Em troca, o premiê italiano usufruía do raro privilégio de ser convidado para a casa de veraneio de Putin em Sochi, no Mar Negro, para o que a embaixada especulou em uma ocasião seria uma "festa explosiva". Um contato no escritório de Berlusconi relatou à embaixada a "troca de presentes caros".

Em janeiro de 2009, de acordo com os telegramas diplomáticos, Spogli escreveu que era "difícil de determinar" a base da amizade entre os dois. "Berlusconi admira o estilo de governo másculo, decisivo e autoritário de Putin, que o premiê italiano acredita corresponder ao seu."

Entretanto, "contatos no oposicionista Partido Democrático, de centro-esquerda, e na legenda do próprio Berlusconi indicam uma conexão mais nefasta. Eles acreditam que Berlusconi e seus partidários estão lucrando muito e pessoalmente com muitos dos contratos de energia entre a Itália e a Rússia".

Spogli continuou: "O embaixador da Geórgia em Roma nos contou que o governo da Geórgia acredita que Putin prometeu a Berlusconi um porcentual dos lucros de quaisquer dutos desenvolvidos pela Gazprom em coordenação com a ENI."

O conglomerado de energia italiano é parcialmente propriedade do governo da Itália. Ela trabalha em estreita colaboração com a estatal Gazprom, a gigante de energia que vende o gás e o petróleo russos ao exterior.

Em novembro de 2008, o embaixador dos EUA enviou uma grande mensagem para Condoleezza Rice, a então secretária de Estado dos EUA, para prepará-la para um econtro com o primeiro-ministro italiano.

"A estreita relação pessoal (e, alguns suspeitam, financeira) de Berlusconi com Putin o levou a defender sem questionar qualquer iniciativa do Kremlin. A política da Itália em relação à Rússia é seu brinquedinho, que ele conduz com a tática de ganhar a confiança e o favorecimento de seus interlocutores russos. Ele consistentemente rejeita o conselho estratégico do demoralizado, sem recursos e cada vez mais irrelevante Ministério de Relações Exteriores em favor de seus companheiros de negócios, muitos dos quais estão profundamente imersos na estratégia da Rússia para a energia na Europa".

*Com informações do jornal britânico Guardian
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Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/wikileaks+berlusconi+lucraria+com+acordos+secretos+com+putin/n1237846923688.html

Rússia é chamada de 'Estado mafioso' em documento vazado pelo WikiLeaks

02/12/2010
BBC Brasil


Em mensagens, diplomatas dos EUA dizem que corrupção assola polícia e governo e especulam sobre ligação de Putin com a máfia

A Rússia se tornou praticamente um "Estado mafioso", assolado por casos de corrupção e redes de extorsão, afirmam documentos diplomáticos secretos dos EUA, vazados nesta quinta-feira pelo site WikiLeaks. Os documentos revelam ainda que diplomatas americanos suspeitavam do envolvimento do premiê Vladimir Putin com a máfia russa.

Na série de documentos vazada nesta quinta-feira pelo jornal britânico "The Guardian" está um comunicado da embaixada dos EUA em Madri. A mensagem enviada a Washington revela que, em janeiro de 2010, o promotor espanhol Jose "Pepe" Grinda González afirmou que Rússia, Bielorrússia e Chechênia haviam se tornado na prática "Estados mafiosos", onde "não se pode diferenciar atividades do governo e de grupos de OC (sigla em inglês para crime organizado)".

Putin é visto durante entrevista transmitida na quarta-feira pela CNN.Foto: AP

Grinda diz ainda ter informações de que alguns partidos políticos russos operam "de mãos dadas" com o crime organizado. Ele afirma também que o aparato do governo em Moscou - em particular serviços de segurança - tinham ligações próximas com a máfia. O promotor é conhecido por ter liderado uma longa investigação sobre o crime organizado na Espanha, que levou a mais de 60 prisões.

Putin

Outro documento fala sobre "a pergunta sem resposta" sobre o quanto Putin estaria envolvido com a Máfia, e o quanto ele controlaria as ações do crime organizado russo. Entre as mensagens diplomáticas vazadas está ainda um relatório do embaixador americano na Rússia John Beyrle sobre a corrupção em Moscou.

"Elementos criminosos se beneficiam de uma krysha (rede de proteção e extorsão) que permeia a polícia, o serviço de segurança federal, o ministério do interior e o escritório da procuradoria, assim como na burocracia do governo da cidade de Moscou", diz Beyrle.

Em outra mensagem, enviada em fevereiro deste ano, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, diz que "a democracia russa desapareceu". O premiê russo respondeu a essa afirmação em entrevista à CNN na quarta-feira, dizendo que Gates estava "profundamente equivocado".

Ex-espião

O promotor espanhol afirma também que o ex-espião russo Alexander Litvninenko, morto por envenenamento em Londres em 2006, acreditava que o serviço de Inteligência russo controlava o crime organizado no país - hipótese que Grinda corrobora.

De acordo com os documentos, Washington dizia que eram grandes as possibilidade de Putin ter sido informado sobre a operação para assassinar Litvinenko em Londres. O Kremlin nega qualquer envolvimento.

O WikiLeaks também divulgou uma mensagem enviada aos EUA pela embaixada americana em Kiev, Ucrânia, em dezembro de 2008, que revela que um empresário ucraniano com ligações com a estatal russa Gazprom afirmou ao embaixador dos EUA ter ligações com o crime organizado. Ele disse que precisava de apoio de um mafioso chamado Semyon Mogilevich para abrir um negócio. Forças de segurança dos EUA e da Europa acreditam que Mogilevich seja o "chefe dos chefes" da maior parte dos grupos mafiosos russos.

Na quarta-feira, os EUA nomearam um especialista em operações antiterrorismo para lidar com os estragos causados pelos vazamentos do WikiLeaks. Russel Travers tentará descobrir como milhares de documentos secretos foram retirados de arquivos eletrônicos do governo. A Casa Branca disse ainda que está tomando medidas para aumentar a segurança da rede de computadores dos EUA.

O WikiLeaks divulgou até agora 505 dos 251.287 mensagens diplomáticas dos EUA que diz ter obtido. As mensagens foram enviadas antecipadamente a cinco jornais, entre eles o americano "The New York Times" e o britânico "Guardian". Os EUA condenaram o vazamento como um "ataque à comunidade mundial".
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Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/bbc/russia+e+chamada+de+estado+mafioso+em+documento+vazado+pelo+wikileaks/n1237846540576.html

Espanha retomará normalidade nos aeroportos em 48 horas

04/12/2010
Da Agência EFE


O ministro do Interior garantiu que não voltará a haver problemas nos aeroportos nem no Natal nem depois

A Espanha demorará cerca de 48 horas para retomar a normalidade total em seus aeroportos após o enorme caos provocado pela greve dos controladores aéreos, informou neste sábado o vice-presidente do Governo espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba.

"A normalização completa dos aeroportos demorará provavelmente cerca de 48 horas. Isso se deve aos ajustes técnicos que é preciso fazer nos planos de voo e, ao mesmo tempo, à necessária coordenação que deve ser feita com a Europa", explicou Rubalcaba em entrevista coletiva.

O também ministro do Interior garantiu que não voltará a haver problemas nos aeroportos nem no Natal nem depois, e assegurou que o Executivo está firmemente comprometido a impedir que uma minoria, como os controladores aéreos, ponha em risco o interesse geral.

"Isto não vai a voltar a acontecer. Temos mecanismos legais, que demonstramos, para impedir que volte a acontecer", disse.

O vice-presidente revelou ainda que o "estado de alerta", declarado neste sábado com uma duração de 15 dias, poderia ser prolongado se fosse necessário.

Rubalcaba confirmou que "pouco a pouco" os aeroportos espanhóis "estão recuperando sua normalidade", já que "mais de 90% dos controladores estão trabalhando em seus postos" e se trata de "um número que poderíamos considerar normal".

Até às 18h (horário de Brasília), o Aena - órgão que gerencia os aeroportos espanhóis - tinha operado 241 voos em toda sua rede de aeroportos.

Assim, dos 3.424 voos programados para este sábado, 2.609 foram cancelados até agora.

O titular de Interior classificou como "greve selvagem" e "fatos gravíssimos" a paralisação que os controladores iniciaram nesta sexta-feira sem aviso prévio e que afetou mais de 600 mil passageiros.

"É evidente que foi um fato de enorme gravidade e que teve consequências muito danosas ao país", avaliou.

A reabertura do espaço aéreo espanhol aconteceu depois que o Governo decretou, na manhã deste sábado e pela primeira vez desde o estabelecimento da democracia, o "estado de alerta", que "mobiliza" e põe os controladores aéreos sob disciplina e lei militares.

Um total de 190 soldados da Aeronáutica foram enviados às torres e centros de controle aéreo de toda Espanha, assim como ao dispositivo de coordenação e acompanhamento que existe no Estado-Maior do Ar, após a greve dos controladores aéreos.

"Enquanto durar o estado de alerta - esclareceu Rubalcaba -, os controladores estarão submetidos a um regime jurídico militar, concretamente, ao Código Penal Militar".

A decisão sem precedentes do Executivo foi adotada depois que os controladores fizeram o abandono em massa de seus postos na sexta-feira à tarde, causando o fechamento do espaço aéreo espanhol e um grande caos nos aeroportos que afetou centenas de milhares de pessoas que iriam viajar no feriado prolongado na Espanha.

Além disso, o ministro advertiu que "haverá consequências para aqueles que de uma forma irresponsável, inexplicável e muito danosa abandonaram seus postos de trabalho".

"O Aena abrirá expediente administrativo a todos os controladores que tenham faltado a seu posto de trabalho sem razão ou justificativa", antecipou o vice-presidente.

A crise dos controladores representa um golpe "duríssimo" para o setor do turismo e para a imagem da Espanha, declarou o secretário de Estado desse setor, Joan Mesquida.

Segundo Mesquida, os controladores "não mediram as consequências brutais que estão provocando", originando perdas milionárias às companhias aéreas e às redes hoteleiras.

O setor turístico espanhol deixará de faturar cerca de US$ 330 milhões pelo fechamento do espaço aéreo espanhol, revelou o presidente da associação de agências de viagens, José Manuel Maciñeiras.
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Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/apos+caos+aereo+espanha+retomara+normalidade+em+48+horas/n1237849600648.html

Dilma fez a diferença nos momentos decisivos – bastidores da campanha

05 de dezembro de 2010
Revista Forum
Por Renato Rovai

Segue a última matéria produzida para a revista Fórum deste mês. Nela, busco resgatar a história da campanha, mas não desprezo os passos iniciais, quando a petista, ainda na Casa Civil, começou a ser tratada como a candidata do governo e constituiu um grupo de comunicação que lhe assessorava. O conjunto de três textos que publiquei em conta-gotas neste fim de semana, como já dito no primeiro post, totaliza 47 mil toques. Não é exatamente aconselhável que se divulgue um “catatau” desses num blog, mas o faço por acreditar que precisamos ir aos poucos desmontando certas teses. Neste final de ano pretendo resgatar reportagens que escrevi para veículos impressos e que considero que merecem re-publicação e ir fazendo isso aos poucos por aqui. Espero que essa nova utilização deste espaço lhes agrade.

Uma campanha repleta de pedras no caminho

O trajeto percorrido por Dilma Rousseff da oficialização da sua candidatura até a vitória foi muito mais acidentado do que o resultado das urnas possa fazer parecer hoje

Por Renato Rovai

A avaliação quase unânime entre analistas políticos é de que a campanha de 2010 foi a menos politizada e, ao mesmo tempo, a mais suja da história recente. Os tucanos vão atribuir esse fato ao governo e ao PT, que, na visão deles, teria produzido dossiês e investigações ilegais. Os petistas dizem exatamente o inverso: que Serra, em eleição, é garantia de baixaria, como afirmou Ciro Gomes. Com um agravante: neste ano, o tucano incluiu no debate eleitoral questões de cunho religioso, produzindo uma mistura explosiva que pode ter consequências bastante perigosas tanto no curto quanto no médio e longo prazos.
Independente de quem venha a ter razão, o processo eleitoral de 2010 produziu consequências que só poderão ser dimensionadas com o tempo. É até possível que tudo seja superado sem maiores traumas, já que o papel de Serra no jogo político pode vir a ser de, no máximo, um figurante sem importância real. Mas pelo discurso que fez depois de anunciada a sua derrota, a sede de sangue pode levá-lo a tentar destruir o governo de Dilma a qualquer preço. Mesmo que deseje isso, ainda é preciso saber se terá força e respaldo para movimentar as peças neste sentido.

Serra e Marina são personagens relevantes dessa eleição, mas a história reserva o papel de destaque aos vencedores. Neste caso, Dilma. A campanha da candidata petista teve muitos momentos-chave. Fórum destaca dez deles.

1 – Os primeiros passos da campanha

Desde o início de 2009, o jornalista Oswaldo Buarim estava na Casa Civil, tendo entre as suas atribuições a de fazer com que a ministra passasse a ter uma exposição maior e, ao mesmo tempo, mais profissional na mídia. Isso por um lado. Por outro, João Santana, que trabalhava para o PT, realizava pesquisas qualitativas para verificar quais eram os pontos fortes e fracos da candidata escolhida pelo presidente Lula. Ainda em 2009, juntaram-se a Buarim, na Casa Civil, Anderson Dorneles e Ricardo Amaral. A trinca tinha o papel de fazer a transição da imagem de Dilma, de ministra do PAC e “gerentona” do governo, para a candidata do presidente de Lula.

Quem também se integrou à equipe foi Olga Curado, que faz assessoria de imagem. Fala-se muito que Buarim era responsável pelo media training, mas não era exatamente esse o seu papel. Quem conhece esse tipo de trabalho diz que tem mais a ver com neurolinguística, algo como preparação para enfrentar o público e se relacionar em momentos de tensão. Não é um media training tradicional.

Mesmo já estando decidido que Dilma era a candidata, tudo era feito de forma muito discreta, até o Congresso do PT. Nas coletivas de imprensa, sempre que indagada sobre a candidatura, ela despistava. Do ponto de vista midiático, a primeira investida como candidata se deu em setembro de 2009, nas emissoras de rádio. Foi Lula quem a aconselhou a falar primeiro com esse segmento. Além de gostar mais de rádio do que qualquer outro meio de comunicação, o presidente considerava que são as emissoras, principalmente as populares, que têm alcance entre o povão. Na avaliação dele, àquela altura, era esse segmento que precisava conhecer Dilma. Ao mesmo tempo em que começou a conceder entrevistas, ela também intensificou a agenda com o presidente da República. Suas aparições em fotos e cenas de TV ao lado do presidente passaram a ser uma constante. Era uma época em que os petistas já brincavam nos bastidores de que ela era a “coroa” do “cara”.

2 – A primeira agenda da campanha

No início de abril, já licenciada do cargo, Dilma tinha de fazer a sua primeira agenda pública como candidata. Mesmo com uma equipe formada, não havia nada preparado e nem um planejamento definido para aquele momento. Foi Dilma quem sugeriu que a campanha começasse por Minas, mais especificamente por Ouro Preto, São João Del Rey e Belo Horizonte.

Ela, ainda ministra, havia recebido um convite para ir a São João Del Rey fazer uma palestra na universidade federal, no inicio daquele mês. Pensou, então, em juntar essa programação com uma visita a Ouro Preto, pois o prefeito da cidade, Ângelo Oswaldo (PMDB), era um velho amigo da época em que cursou o secundário em um colégio estadual de Belo Horizonte. A candidata pensara em finalizar o périplo mineiro na capital do estado, mas enquanto conversava com sua equipe, teve a ideia de visitar o túmulo de Tancredo Neves. Segundo relatos, Dilma teria dito que, para os mineiros, isso tinha um simbolismo muito especial “porque ninguém pode ir a São João sem visitar o túmulo de Tancredo”. Além disso, para ela, a escolha “recuperava sua origem mineira e ratificava a sua tradição democrática”. Assim foi feito.

Os tucanos reagiram duramente a essa incursão de Dilma. O presidente do partido, Sérgio Guerra, assinou uma nota do PSDB, que num dos trechos dizia: “Tardia e mal explicada, a homenagem a Tancredo Neves se reduz a uma encenação com as marcas inconfundíveis da impostura e do oportunismo, presentes em outras passagens da carreira da neopetista Dilma Rousseff”. No comitê da petista, a nota tucana foi encarada como uma vitória. Primeiro, porque não tinha a assinatura de Aécio, que não deu nenhuma declaração contrária à homenagem. Segundo, porque se os tucanos haviam decidido reagir ao périplo mineiro era porque tinham assimilado o golpe de uma agenda bem definida. E não o contrário.

3 – O primeiro debate da Band

Havia muita ansiedade, tanto na militância quanto entre as lideranças dos partidos aliados a respeito de como Dilma se sairia nos confrontos televisivos com Serra, Marina e Plínio, mais experientes que ela neste quesito. Além disso, o candidato tucano havia passado os últimos meses dizendo que a petista era sombra de Lula e não tinha experiência, mas no debate da Band, realizado em 5 de agosto, ele não conseguiu mostrar em nenhum momento que era tão mais preparado que ela. Por isso, foi o grande derrotado. Dilma começou insegura e foi melhorando no percurso do programa, o que ocorreu em quase todos os outros confrontos. Nos debates, ela parecia ir esquentando aos poucos.

Naquele evento, a melhor participação foi sem dúvida a de Plínio de Arruda Sampaio, que, com bom humor, conseguiu ir para as manchetes dos jornais do dia seguinte, tendo seu nome durante quase todo o debate liderando o Trending Topic Brasil do Twitter.

O empate, naquele debate, foi uma grande vitória da candidata petista, porque ali ela sepultava a tese de que não suportaria o enfrentamento com seus adversários.

4 – O início do horário eleitoral gratuito

O horário eleitoral começou no dia 17 de agosto. Na pré-campanha, a expectativa geral era de que a virada de Dilma sobre Serra se iniciasse naquele momento. Porém, nessa data, uma pesquisa do Instituto Vox Populi, divulgada pela TV Bandeirantes, apontava Dilma com 45%, Serra, 29%, e Marina, 8%, considerando-se os votos totais. Nos válidos, Dilma, 55%, Serra, 35%, e Marina, 10%. No sábado, dia 14, o DataFolha apontara 8% de diferença para Dilma em relação a Serra. E o Ibope do dia 16, 11%.

João Santana iniciava o horário eleitoral com um caminhão de melancias para carregar até o dia 3 de outubro. Se nenhuma delas caísse no percurso, a vitória aconteceria já no primeiro turno. No meu blog, apontei que Dilma havia crescido antes do tempo. E que isso poderia ser mais um problema do que uma solução. Muitos leitores consideraram a análise uma aberração. O clima em agosto era de otimismo total.

Os primeiros programas eleitorais só alimentavam essas boas expectativas. A diferença de qualidade entre as produções da petista e a dos outros candidatos era muito grande. Dilma continuou abrindo distância, e no feriado de 7 de setembro, o tracking do IG/Vox Populi apontou a maior distância entre ela e a soma das outras candidaturas. Naquela data, bateu em 56%, Serra despencou para 21%, os indecisos eram 10% e Marina tinha 8%. A avaliação geral era de que a eleição seria encerrada no primeiro turno.

5 – O JN do primeiro turno



Logo na sequência, em 9 de agosto, Dilma Rousseff esteve no Jornal Nacional, abrindo o ciclo de entrevistas realizado pela TV Globo com os três candidatos melhor colocados. Dessa vez, se comportou como uma veterana da política. Estava muito mais segura do que no debate da Band e mostrou que não se intimidaria com questões supostamente difíceis.

William Bonner bem que tentou desestabilizar a candidata, insistindo com perguntas como se ela maltratava ministros e forçando a barra em argumentações questionáveis, como quando comparou o crescimento médio dos últimos oito anos do Brasil com o da Bolívia e do Uruguai.

Nesse momento, Dilma se comportou de forma tranquila e firme. Disse que “com todo o respeito, esses países são menores do que muitos estados pequenos do Brasil.” Ou seja, destacou o óbvio: a comparação era inválida. O que Bonner certamente já sabia antes de formular a questão.

Ainda houve a tentativa de fazer a candidata escorregar com perguntas capciosas sobre as alianças atuais do PT, com grupos que antes criticava. Ela também foi bem nesse momento, não criando constrangimento para os aliados. Diferente de Serra, que saiu do Jornal Nacional sem o apoio de Roberto Jefferson, que na última semana anunciou que votaria em Plínio por conta das declarações do tucano no programa da Globo.

As pesquisas internas do PT mostraram que a postura de Dilma tinha agradado ao eleitorado, que achou que William Bonner tinha exagerado na dose e se tornado hostil na visão dos telespectadores. Na avaliação com seus assessores, Dilma afirmou ao final do encontro: “eu fui lá só para dar uma entrevista, mas aí…” As reticências após o “mas aí” dizem muito. Quando pressionada, Dilma, em geral, se sai muito bem.

6 – Erenice torna setembro o mês do desgosto

A revelação do caso Erenice acontece no fim de semana do debate promovido pela Folha de S. Paulo e Rede TV, no domingo, dia 12. A tensão tomou conta do comitê da candidatura de Dilma naqueles dias. Assessores e articuladores políticos estavam preparados para muitas frentes de denúncia, mas não imaginavam que a bomba poderia vir exatamente da pessoa a quem Dilma confiara a Casa Civil.

Não havia como negar que Erenice Guerra tinha sido sua principal aliada no percurso do governo. As acusações publicadas pela revista Veja davam conta de como a ministra e o seu filho tinham exercido tráfico de influência. A reportagem tinha vários buracos e contradições, mas havia de fato algumas questões que ensejavam maiores explicações. Quando Dilma teve acesso ao papelório, entrou em contato com a ministra. Naquela tarde do sábado, dia 11, conversaram longamente. E no debate da noite de domingo, a candidata, ao ser provocada por Serra sobre o caso, anotou uma frase que apontava que o caso tinha potencial para provocar estragos. “Eu não vou admitir que eu venha a ser julgada pelos erros do filho de uma ex-assessora.”

Na semana que se seguiu, a ministra Erenice emitiu uma nota à imprensa, na qual, entre outras coisas dizia: “Sinto-me atacada em minha honra pessoal e ultrajada pelas mentiras publicadas sem a menor base em provas ou em sustentação na verdade dos fatos, cabendo- me tomar as medidas judiciais cabíveis para a reparação necessária. E assim o farei. Não permitirei que a revista Veja, contumaz no enxovalho da honra alheia, o faça comigo sem que seja acionada tanto por danos morais quanto para que me garanta o direito de resposta”.

Ao saber desse comunicado da ministra, Lula, que já havia percebido na conversa que tivera com ela que havia muita coisa a ser explicada, não teve dúvida: solicitou que Franklin Martins fosse comunicá-la que receberia de bom grado sua carta de demissão. Porém, o caso Erenice já começava a provocar uma erosão na base de Dilma. Ela começava a perder votos, principalmente na classe média. E no comitê da campanha, muitos já faziam as contas de quantos votos por dia ela teria de perder para a eleição não ser definida no primeiro turno. A piada mais ouvida era: “é capaz de chegar o Natal e não chegar o dia 3 de outubro”.

7 – O fator Deus e a desconstrução pela internet

A segunda quinzena de setembro foi um deus nos acuda para a campanha petista. A coordenação, composta por José Eduardo Dutra, presidente do PT, Antônio Palocci e o deputado federal José Eduardo Cardozo, em conjunto com o marqueteiro João Santana, errou feio nas avaliações daquele período. Em setembro, a agenda de Dilma se concentrou mais em preparação de debates e gravações para o programa de TV do que em atividades de rua, que foram praticamente abandonadas. Várias iniciativas de petistas de base também eram desestimuladas com a seguinte mensagem: “tá tudo tranqüilo, companheiro.”

A blogosfera progressista começou a alertar para dois movimentos perigosos. O primeiro, dizia respeito a uma campanha estimulada por profissionais, para desconstruir Dilma pela internet. As mensagens com falsas histórias a mostravam em fotos com armas, traziam um falso processo judicial de uma empregada doméstica, com a qual ela teria tido uma relação conjugal por 15 anos, o pacto de satanismo do seu vice, Michel Temer, além de muitas mensagens que abordavam sua defesa do aborto até os nove meses de gestação.

O blogueiro Rodrigo Vianna foi o que mais insistiu de que essas mensagens tinham ganhado os púlpitos e que, nas igrejas evangélicas e católicas, padres e pastores pediam o voto anti Dilma. A coordenação da campanha ignorou todos os alertas, e a soberba era tanta que, na sexta antes da eleição, a equipe de João Santana fez uma festa comemorando o sucesso da empreitada e, ao mesmo tempo, de despedida da campanha.

O presidente do PT também passou a não atender mais telefonemas no fim do primeiro turno. Algumas lideranças, principalmente ligadas a movimentos populares e a sindicatos, desejavam fazer um esforço na reta final e distribuir jornais e panfletos dialogando com as acusações contra Dilma, por considerarem que Marina havia crescido muito e poderia levar a eleição para o segundo turno. Mas a frase: “tá tudo tranqüilo, companheiro” era repetida como um mantra.

O próprio Lula reclamava da perda de ritmo da campanha na segunda quinzena de setembro. E “deu um sacode” na coordenação, dizendo que havia avisado sobre os riscos, quando a apuração, no dia 3 de outubro, sinalizou que Dilma iria para o segundo turno.

8 – Segundo turno: a campanha entra em parafuso



A imagem de Dilma, quando concedeu a primeira entrevista depois do primeiro turno, dava a dimensão do quanto aquele resultado não era esperado. Ela estava com aspecto cansado e semblante de derrotada. Na noite anterior, porém, Lula já havia pedido para que a coordenação da campanha ligasse para todos os governadores e senadores aliados eleitos, além de presidentes de partido e personalidades políticas. Ainda naquela noite, o presidente também ligou para José Dirceu e lhe solicitou que participasse mais das articulações no segundo turno, pois esperava uma disputa renhida.

A reunião com os eleitos foi boa. Dilma fez um discurso sereno e disse que estava ali mais para ouvir os presentes do que para falar. Muitos governadores fizeram ponderações, que em geral apontavam para o fato de que ela precisava ir mais ao povo. Fazer uma campanha mais solta. Eduardo Campos (PE) e Marcelo Deda (SE) fizeram as intervenções mais elogiadas. Campos ressaltou que a campanha governista iria precisar se reconciliar com uma faixa do eleitorado, principalmente com setores da classe média e do campo religioso. Na terça pela manhã, Dilma ainda viria a se reunir de novo com Cid Gomes, Marcelo Deda, Wellington Dias e Eduardo Campos. Eles novamente a incentivaram muito a sair da redoma que havia sido criada em torno dela e ir mais para as ruas. Entre outras ações, isso fez com que a campanha deixasse de colocá-la nas coletivas, falando do paliteiro (que parece um púlpito), e que também ampliasse suas caminhadas e ações de rua. As fotos de Dilma, envolvida pelo povo, são todas do segundo turno.

Mas, mesmo assim, as coisas não caminharam como esperado na primeira semana, e Dilma foi para o debate da Band, realizado no domingo, dia 10, com a água no pescoço. As pesquisas internas já apontavam uma redução da sua diferença para apenas 4 pontos de vantagem em relação a Serra.

9 – Debate da Band

Dilma teve uma reunião, no sábado 9, com a sua coordenação de campanha, para definir qual seria a estratégia a adotar naquele momento. A coordenação já estava mais ampliada. Marco Aurélio Garcia e o ministro Alexandre Padilha, além de Ciro Gomes, também davam “pitacos”.

Há quem diga que, na definição da estratégia, João Santana e Antônio Palocci foram votos vencidos em relação aos riscos de um discurso mais incisivo naquele evento. Outros garantem que o tom da abordagem foi proposto pela própria Dilma e contou com a concordância de todos.
O fato é que a petista surpreendeu Serra no debate. O tucano deixou sem resposta, por exemplo, a cobrança que lhe foi feita em função de uma frase dita por sua esposa, Mônica Serra, de que “Dilma mata criancinhas”. E também fez de conta que não ouviu quando a petista colocou na roda o nome do engenheiro Paulo Preto. Ainda colocou naquele debate a discussão das privatizações, chamando a atenção para o fato de que a Nossa Caixa havia sido vendida na gestão dele, no governo do estado, e relembrando a declaração de FHC, em uma entrevista concedida ao jornalista Augusto Nunes, na qual o ex-presidente disse que o Serra era quem mais queria privatizar no seu governo. Ao defender os programas sociais do governo Lula, alertou a população para o fato de que poderiam não ter sequência em uma eventual gestão Serra, porque ele até teria interrompido programas iniciados por Geraldo Alckmin, quando assumiu o governo do estado.
Dilma mudou a campanha do segundo turno naquele debate. Além de dar gás para a militância sair às ruas, ela ajustou a rota do programa de TV com seu desempenho. No dia seguinte, João Santana fez um programa inteiro utilizando apenas imagens do confronto. E nos dias que se seguiram, tudo passou a ser comparação no horário eleitoral da petista.
A campanha saía das cordas e passava a dar o tom. O desempenho de Dilma naquele debate mudou o rumo das eleições. O aborto deixou de dominar a agenda. E a vitória ficou mais fácil dali em diante.
10 – A militância e os momentos finais

A campanha do segundo turno ainda teve outros momentos importantes, mas do debate da Band em diante, Dilma cresceu o suficiente para ter tranquilidade. Foi ampliando sua vantagem com constância até estabilizar no patamar de 12 pontos, diferença que acabou se confirmando no dia 31. Entre os momentos que merecem registro, destaca-se o ato dos artistas no Rio, que aconteceu no mesmo dia da segunda entrevista ao Jornal Nacional, na qual Dilma de novo se saiu bem.

E também não se pode deixar de lembrar do ataque da bolinha de papel. Serra buscou criar um factóide para se vitimizar, mas o tiro saiu pela culatra. O episódio acabou se tornando piada tanto na internet como nas conversas de rua.

Uma eleição não se decide apenas em um ato. Há muitos elementos que determinam o resultado final. Nessa, porém, dificilmente sem a militância espontânea que cresceu de maneira avassaladora no segundo turno e enfrentou de forma corajosa a disputa tanto nas ruas quanto na internet, ela poderia não ter sido eleita. Mas seria injusto não dizer que isso também se deve à candidata, que superou todas as expectativas. Nos momentos em que foi exigida, Dilma se mostrou preparada, tanto para a disputa como para o cargo que almejava. E também por isso, a militância esteve com ela.
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Fonte:http://www.revistaforum.com.br/blog/2010/12/05/dilma-fez-a-diferenca-nos-momentos-decisivos-bastidores-da-campanha-parte-final/