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domingo, 21 de novembro de 2010

Globo fura a Folha e revela primeiras informações sobre a "Joana D'Arc" Dilma

SEXTA-FEIRA, 19 DE NOVEMBRO DE 2010
Do "Blog do Saraiva"

Presidenta Dilma, uma das heroínas na luta pelas liberdades civis durante a ditadura militar no Brasil

O jornal Folha de S. Paulo sofreu nesta sexta-feira (19) sua segunda e mais vergonhosa derrota em torno do episódio da liberação dos documentos militares sobre a atuação de Dilma Rousseff na resistência à ditadura. Primeiro, o jornal foi derrotado em sua intenção declarada de utilizar os documentos militares como arma eleitoral para prejudicar Dilma. Os documentos só foram liberados depois que a petista já havia sido eleita presidente. Agora, o jornal foi furado pela concorrência. Apesar de ter obtido os papéis com antecedência, a Folha viu o Globo revelar em primeira mão informações contidas na papelada produzida pela ditadura.

Segundo o Globo, os documentos secretos da ditadura militar qualificam a presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, como a "Joana d'Arc da subversão". Os arquivos, que foram mantidos em sigilo por mais de quatro décadas, foram publicados nesta sexta-feira pelo jornal O Globo.

Vale lembrar que nenhuma informação contida nos documentos merece credibilidade, pois foram produzidas durante um regime autoritário que taxava qualquer um que se manifestasse contra a ditadura como "subversivo" e "terrorista". Além disso, a maior parte das "confissões" contidas nos documentos foram obtidas através de tortura e não há nada que possa provar a veracidade das informações, já que elas são unilaterais, contam a história a partir da ótica exclusiva dos militares.

Segundo os arquivos, Dilma integrou os grupos guerrilheiros Colina e VAR-Palmares, através dos quais dirigiu greves, assessorou assaltos a bancos e delegou funções, embora não se pôde comprovar que tenha participado diretamente em nenhuma ação armada.

Nos documentos constam algumas passagens de sua declaração perante a Justiça Militar após sua captura, nos quais se manifestou "marxista-leninista". No interrogatório, Dilma explicou ao juiz porque aderiu à luta armada. O trecho do depoimento é este: "Que se declara marxista-leninista e, por isto mesmo, em função de uma análise da realidade brasileira, na qual constatou a existência de desequilíbrios regionais de renda, o que provoca a crescente miséria da maioria da população, ao lado da magnitude riqueza de uns poucos que detém o poder e impedem, através da repressão policial, da qual hoje a interroganda é vítima, todas as lutas de libertação e emancipação do povo brasileira. Dessa ditadura institucionalizada optou pelo caminho socialista".

Ainda segundo os documentos, Dilma teria admitido que o grupo Colina participou de três assaltos a bancos e foi responsável por dois atentados com bombas, sem vítimas registradas. "É uma figura feminina de expressão tristemente notável, mas com uma dotação intelectual bastante apreciável", dizem os arquivos a que O Globo teve acesso.

Os arquivos ainda apontam que Dilma Rousseff "assessorou" grupos guerrilheiros durante a ditadura militar, que governou o País entre 1964 e 1985. No entanto, os grupos de inteligência das Forças Armadas não confirmaram sua participação direta em nenhuma ação armada, de acordo com os arquivos do Ministério Público Militar.

A abertura desses arquivos foi solicitada à Justiça Militar pelo jornal Folha de São Paulo, mas foi O Globo que publicou nesta sexta-feira as primeiras informações dos documentos, que pouco falam sobre os vínculos de Dilma às guerrilhas urbanas contra a ditadura.

A atual presidente eleita foi detida em 1970, quando tinha 23 anos, acusada de pertencer a "grupos subversivos", e permaneceu presa durante quase três anos, nos quais foi submetida a "bárbaras torturas".

A última vez que Dilma falou publicamente sobre os episódios foi em 2008, durante uma reunião no Congresso, quando respondeu ao senador Agripino Maia (DEM-RN) e afirmou que mentiu nos interrogatórios à Justiça Militar. "Eu me orgulho muito por ter mentido, senador, porque mentir sob tortura não é fácil. Na democracia se fala a verdade, na tortura, quem tem coragem e dignidade fala mentira", declarou a presidente eleita, que no dia 1º de janeiro sucederá Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência do Brasil.

A francesa Joana d'Arc foi heroína da Guerra dos Cem Anos, na primeira metade do século XIV. Foi queimada viva em 1431, aos 19 anos, executada pelo governo. Reconhecida por sua bravura, foi canonizada em 1920 e se tornou padroeira da França.
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Fonte:http://saraiva13.blogspot.com/2010/11/globo-fura-folha-e-revela-primeiras.html

GLOBO:LIXO TÒXICO


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Fonte:http://www.escrevinhador.com.br/

A FOLHA DEU UM TIRO NO PÉ

21.11.2010
Do "Blog da Dilma"


Por José Flávio Abelha*

A grande novidade que O Globo exibiu hoje não pode ser considerada um “furo jornalístico”, no jargão midiático. Quando muito, o carro-chefe dos Marinhos fez um buraco, e que estrago, na débil credibilidade de uns tantos periódicos e hebdomadários e, indo mais longe, na banda podre da mídia brasileira.

Quando a Folha insistiu em abrir o que ela pensava ser a caixa-preta da candidata Dilma e o STM negou, um pensamento me perseguiu até hoje, dia 19 de novembro de 2010: a insistência da Folha é um TIRO NO PÉ.

Elementar, meu caro Watson, preste a atenção na linguagem silenciosa dos detalhes!
Inês Etiene Romeu, irmã da minha saudosa amiga Beth, foi declarada desaparecida mas estava enterrada viva em um sítio nas cercanias de Petrópolis, onde ficou mais de 1 ano, tirante o antes, nas mãos carinhosas do famigerado delegado Fleury. Washington Alves, sua filha Jessy Jane e demais familiares foram presos, torturados, trocados por embaixadores e asilados na Suécia. Walkyria Afonso Costa, desapareceu nas margens do Rio Araguaia, até hoje insepulta. Em um edifício do Conjunto Santos Dumont, em Belo Horizonte, morava um senhor paraplégico, preso a uma cadeira de rodas e sem fala, tal qual foi entregue à família depois de meses de tortura. Era bancário, jovem, atuante no seu sindicato e participante dos movimentos de protestos contra a ditadura implantada no dia 1º de abril de 1964. E muitas outras vítimas do torturador Daniel Antonio Mitrioni e americanizado Dan Anthony Mitrioni ou Dan Mitrioni, que a CIA mandou para o o Brasil e Uruguai como “assessor agrícola” cuja função era ensinar a interrogar presos políticos, tão importante para os militares que mereceu nome de rua em Belo Horizonte, quando os Tupamaros o fuzilaram no dia 10 de agosto de 1970 no Uruguai, grupo esse chefiado pelo guerrilheiro José “Pepe” Mujica, hoje Presidente da República.

Por essa gota de informação, pode-se ver que uma assassina, assaltante e mais adjetivos que recebeu a candidata Dilma durante a recente campanha eleitoral, depois de torturada, não ficaria menos de três anos na prisão. Com o negro quadro biográfico que a oposição apresentou, a candidata seria hoje, tão somente, uma lembrança amarga para a família Rousseff, um nome numa lápide, se cadáver houvesse, haja vista que, atualmente, ainda existem cerca de 460 desaparecidos.

TIRO NO PÉ que a Folha deu, abrindo as portas do STM às várias famílias que desejam saber o que consta nos processos de seus entes, presos, torturados, desaparecidos.
Vamos saber agora porque o inesquecível Presidente Juscelino, depois de cada interrogatório no Forte Imbuí, urinava sangue e tomou um tiro no pé ao responder à idiota e humilhante pergunta: trabalhava? o que fazia?, ao que JK literalmente respondeu: entre outras coisas promovi você a coronel, seu filho-da-puta.

TIRO NO PÉ que a Folha deu, ao se ler palavras emblemáticas contidas no “secretíssimo” processo da assassina e assaltante Dilma Rousseff, que ponho em relêvo no texto abaixo:

1. Joana d’Arc da subversão. A padroeira da França também foi uma subversiva cujo castigo foi ser queimada viva. Passados mais de 400 anos, canonizada pelo Vaticano. Hoje é Santa Joana d’Arc.

2. Não se pôde COMPROVAR que tenha participado diretamente em nenhuma ação armada. Segundo os arquivos.

3. É uma figura feminina de expressão tristemente notável, mas com uma dotação intelectual bastante apreciável. (Dizem os arquivos que O Globo teve acesso). Sem parti pris, isso é um elogio e, convenhamos, “expressão notável” e “dotação intelectual bastante apreciável” não deixam de ser atributos positivos para uma pessoa que almeja ser Presidente.

4. Os grupos de inteligência das Forças Armadas não confirmaram sua participação direta em NENHUMA AÇÃO ARMADA, de acordo com os arquivos do Ministério Público Militar. Uma opinião pessoal: pode ser Presidenta ou seja lá o que for, neste episódio não se pode cogitar de uma “anistia”, um deixa-pra-lá, um esquece, e sim, de um processo para que a tão decantada LIBERDADE DE OPINIÃO seja colocada nos trilhos. Uma coisa é Liberdade, outra, essa que vimos é Libertinagem.
5. Documentos que POUCO FALAM sobre vínculos de Dilma às guerrilhas urbanas contra a ditadura.

Concluindo, UM TIRO NO PÉ é pouco. Melhor dizendo, a Folha arrancou o próprio pé. Agora, o melhor a ser feito e meter a viola no saco e demitir o rapaz que serve o cafezinho na redação, autor das inverdades, mentiras assacadas contra a candidata Dilma. E os canalhocratas que repetiam tais afirmativas, naturalmente desejando implantar no Brasil uma canalhocracia finjam-se de morto, tirem umas férias, mandem a empregada dizer qualquer coisa, uma sugestão, férias em Paris. Pega bem, FHC deve estar lá tomando a sua champanhota.

Quando falam que a mentira tem pernas curtas, muitos não acreditam. Desta vez, a Folha pagou para ver. O STM mostrou. A Folha viu!!! O Brasil está vendo.

*Mineiro, autor de A MINEIRICE e outros livretes, reside na Restinga de Piratininga/Niterói, onde é Inspector of Ecology da empresa Soares Marinho Ltd. Quando o serviço permite o autor fica na janela vendo a banda passar.
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Fonte:http://blogdadilma.blog.br/2010/11/a-folha-deu-um-tiro-no-pe.html

Inexorável controle social da mídia

21.11.2010
“A discussão sobre controle social da mídia será em clima de entendimento ou de confrontação; não adiantará tentar interditar este debate”, disse, recentemente, Franklin Martins. Entendido como ameaça, o pensamento desencadeou uma onda destemperada de “reações” dos quatro grandes conglomerados de comunicação (Abril, Estado, Folha e Globo).

As “reações” foram do único tipo que essas organizações oligopolistas sabem empreender, através da massificação de críticas, criação de factóides e supressão do contraditório.

Enem, processo da ditadura contra Dilma Rousseff, caso Celso Daniel foram alguns dos factóides criados por essas organizações midiáticas para tentarem intimidar o novo governo. Foi como se dissessem à futura presidente: “Veja bem o que você terá que enfrentar em seu governo se insistir na discussão do papel da mídia e em limites a ela”.

A mídia é conservadora justamente nesse sentido. Enganam-se os que a julgam ideológica. A indisposição principal contra um governo que permitiu aos mais ricos ganharem muito mais do que ganhavam com a direita tucano-pefelê no poder reside na desconfiança de que por aqui se fará o que se faz hoje em países como Argentina, Estados Unidos e Venezuela, só para exemplificar.

O grande temor das famílias Marinho, Frias, Civita e Mesquita é o de que o Brasil faça o mesmo que todas as grandes democracias da contemporaneidade fazem e, assim, impeça a nefasta “propriedade cruzada”, ou seja, que uma família, por exemplo, detenha a propriedade, simultaneamente, de rádios, televisões, jornais, revistas e portais de internet.

Seja através do Federal Communication Comission (FCC), o órgão regulador da mídia nos Estados Unidos, ou da Ley de Medios argentina, nenhuma nação admite mais que uma família, uma pessoa ou um grupo empresarial controlem todas as modalidades de mídia. Com o avanço tecnológico das comunicações, esse é um poder que pode se tornar maior do que o poder de Estado.

Na Argentina, por exemplo, o grupo Clarín terá que se desfazer de alguns de seus tentáculos – seja no rádio, na tevê, na imprensa escrita ou na internet – para preservar outros. Exatamente como nos países industrializados.

Eis aí um problema que, ironicamente, pode trazer as famílias midiáticas supracitadas para o debate sobre o controle social da mídia. Por incrível que pareça. Muitos, entretanto, irão se surpreender com esta afirmação. A mídia querendo impor limites à mídia? Como? Quando? Onde? Por que?

É simples: as empresas de telefonia – as ditas “teles” – vêm aí querendo produzir conteúdo. Vêm montadas em faturamentos dez, vinte vezes maiores do que os dessas famílias que viram baixar drasticamente o nível dos rios de dinheiro que o Estado canalizava para elas até a era FHC – recursos públicos que passaram a ser divididos com milhares de veículos de menor porte.

As famílias midiáticas, agora, estão prestes a bater às portas do Estado, do Legislativo e até da Justiça para pedirem, justamente, regulação, intimidadas pelas mega corporações que ameaçam disputar mercado consigo. Contudo, estão querendo barrar o avanço de empresas transnacionais poderosíssimas, detentoras de argumento$ difíceis de ser rebatidos.

Eis, aí, a discussão de limites e controles da comunicação de massas que o velho oligopólio midiático já começa a pedir. E o governo Dilma terá como fazer escolhas que poderão ter conseqüências desastrosas para os oligopólios midiáticos tradicionais. A estratégia da intimidação pode se tornar um tiro no pé das famílias midiáticas.

Por outro lado, existem amplos setores da sociedade civil que também têm anseios sobre controle social da mídia. Muitos desses setores, porém, não entendem bem o conceito de liberdade de imprensa.

O signatário deste blog participou da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) em dezembro do ano passado, na condição de delegado por São Paulo, e bem sabe que entre os setores que participaram dos debates havia empresários e até movimentos sociais sensatos e realistas, mas também havia gente cogitando fechar um jornal ou uma tevê que contrariassem interesses sectários.

No entender deste blog, o controle social da mídia deve ter pilares de sustentação como vedação absoluta à propriedade cruzada, direito de resposta, distribuição de verbas públicas e juizados especiais para decidir sobre punições a calúnias de meios de comunicação de forma a agilizar esse tipo de julgamento, pois quando demora a ocorrer o prejuízo ao atingido torna-se irreversível independentemente da decisão judicial.

O direito de resposta, aliás, talvez devesse liderar as preocupações da sociedade civil no que concerne ao controle social da mídia. Boa parte dos grupos empresariais que dominam a comunicação de massas no Brasil pratica, abertamente, censura a opiniões divergentes, manipulando o debate através da supressão do direito de manifestação dos contrários.

Tente alguém publicar na revista Veja uma carta de leitor em que discorde da linha editorial da revista e entenderá do que se está falando. Não é por outra razão que o lema do Movimento dos Sem Mídia é “Que a mídia fale, mas não nos cale”. Ou seja: não se quer impedir que a mídia diga o que pensa, mas exige-se que permita o contraditório sem manipulações.

A discussão do papel da mídia e de limites ao seu poder, assim como diz o ministro Franklin Martins, é uma realidade da qual nenhum dos lados poderá fugir nos próximos anos. Esse debate, aliás, contará com o apoio parcial até das famílias midiáticas, apesar de que elas ainda nutrem a ilusão de que poderão discutir só o que lhes interessa.
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Fonte:
http://www.blogcidadania.com.br/2010/11/inexoravel-controle-social-da-midia/

Posse de Dilma Vana Rousseff

21.11.2010
Do "Blog da Dilma"
Presidenta Dilma Vana Roussef

Deverá ser às 14h30 do dia 1º de janeiro a posse de Dilma Rousseff como Presidente da República. Reunida ontem (18) pela primeira vez com a equipe organizadora do evento, a presidente eleita disse preferir esse horário, por ser o único que lhe possibilitará o cumprimento da extensa agenda prevista para aquele dia. Depois da solenidade no Congresso, Dilma e o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretendem falar ao povo diretamente do parlatório do Palácio do Planalto.

Como o horário ainda poderá ser alterado, os encarregados da impressão dos convites para a posse ainda não foram autorizados a imprimi-los. Cerca de 1.700 convidados, entre parlamentares, membros do Poder Judiciário, Ministros de Estado, representantes estrangeiros e familiares de Dilma e do vice, Michel Temer, estão sendo aguardados para a cerimônia no Congresso Nacional, na qual presidente e vice farão, individualmente, o seguinte juramento perante a Nação:

“Prometo manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil”.


Pelo esboço da cerimônia em estudo, a presidente eleita chegará à Catedral de Brasília às 14h do dia 1º de janeiro, quando embarcará no rolls royce presidencial usado nessas cerimônias. Dali seguirá em carro aberto pela esplanada dos ministérios, em meio à população, até a rampa de mármore branco do Congresso Nacional. Caso chova, o percurso será feito num carro fechado.

A comitiva será acompanhada por batedores das Forças Armadas e pelos Dragões da Independência. Ao contrário do acontecido em outras posses presidenciais, que duraram duas horas, a cerimônia no Congresso está prevista para acontecer em uma hora e meia. No Congresso, os eleitos serão recebidos por Sarney e pelo presidente da Câmara, que na ocasião será o deputado Marco Maia (PT-RS), hoje o 1º vice (o atual presidente, Michel Temer, renunciará para assumir a vice-presidência da República).

No Plenário da Câmara, Dilma e Temer serão saudados pelo presidente do Senado, José Sarney, e, em seguida, a Banda de Fuzileiros Navais executará o Hino Nacional.
Na sequência, o primeiro-secretário da Mesa do Congresso lerá o termo de posse.
Dilma Rousseff e Michel Temer assinarão esses termos e assumirão oficialmente os cargos.

Dilma então fará seu primeiro discurso como Presidente da República.
Em seguida, ela e Temer serão saudados, no gramado do Congresso, por uma salva de tiros de canhão. Passarão a tropa em revista e dali seguirão no rolls royce para o Palácio do Planalto.

No segundo andar do Palácio, Dilma Rousseff receberá a faixa presidencial.
Dará posse a seus ministros e seguirá, ao lado de Lula, para o parlatório, onde ambos pretendem falar à nação.
À frente do parlatório, na Praça dos Três Poderes, milhares de pessoas devem acompanhar os discursos.

À noite, Dilma e Michel Temer receberão cumprimentos numa recepção oferecida no Palácio do Itamaraty.

Ao contrário da tradicional festa ali realizada nessas ocasiões, onde era exigido traje a rigor, será oferecido apenas um coquetel.

E o traje será passeio completo – não mais longos e black-tie.

Teresa Cardoso / Agência Senado

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Fonte:http://blogdadilma.blog.br/2010/11/posse-de-dilma-vana-rousseff.html

Abaixo-assinado em apoio ao ministro Fernando Haddad

19.11.2010
Do blog de Luiz Carlos Azenha

Nota de apoio ao Ministro da Educação Fernando Haddad

Há, com certeza, muito a ser feito para superar os efeitos de uma desatenção histórica, por parte das elites brasileiras, ao campo da educação no país. Não obstante, entre os esforços sérios e consistentes para alterar tal quadro, com justiça, deve figurar o papel desempenhado nos últimos anos pelo ministro Fernando Haddad. Sob sua gestão, o Ministério da Educação desenvolveu importantes iniciativas para a qualificação dos professores da rede de ensino fundamental, através do envolvimento da Capes, e reverteu o processo de redução do papel da universidade pública e federal no conjunto do ensino superior brasileiro.

Um passo significativo, no sentido da modernização e da democratização, foi materializado por meio da implantação de um sistema de avaliação de estudantes egressos do ensino médio. Tal sistema, organizado em escala nacional, mais do que avaliar a qualidade da formação dos estudantes, consolidou-se como modalidade de acesso à universidade pública. O experimento, pela sua magnitude e complexidade, deve retirar de suas eventuais falhas motivos para aperfeiçoamento. Essa é a direção responsável para a aplicação de políticas públicas com largo impacto social.

O sistema materializado no ENEM constitui um avanço na avaliação dos estudantes e na forma de seu acesso á universidade. Constitui-se, assim, como um patrimônio a ser preservado e aperfeiçoado. Deve ser, portanto, defendido da crítica oportunista e destrutiva dos que gostariam que a universidade pública no país seguisse o destino que a ela foi imposto no passado.

Os signatários do presente texto afirmam sua confiança na capacidade de gestão do ministro Fernando Haddad e, dessa forma, vêm de público a ele prestar a sua solidariedade.

Para assinar este abaixo-assinado, CLIQUE AQUI

Twitter: Twitar Isso!!

Endereço para divulgação: http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/7511
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/abaixo-assinado-de-professores-em-apoio-ao-ministro-fernando-haddad.html

DEM com saudades do PFL

21/11/2010
Do blog "Leituras do Favre"

JOÃO BOSCO RABELLO – O Estado de S.Paulo

Enquanto prossegue a luta por cargos entre os governistas, o que há de concreto no cenário político são os primeiros movimentos dos partidos de oposição com maior visibilidade – o PSDB e o DEM. Neste último os bastidores estão mais agitados depois de extinta a ideia de incorporação ao PMDB.

À procura de um espaço no contexto estadual, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, pegou carona numa tese embrionária para criar ambiente favorável ao seu projeto pessoal de ir para o PMDB, de olho no espólio político de Orestes Quércia.

Com isso, desfez o sonho do presidente de honra do partido, Jorge Bornhausen, de fazê-lo presidente da legenda e abriu caminho ao processo de “revitalização” do partido, que embute a mudança de comando, com a saída do atual presidente da legenda, deputado Rodrigo Maia (RJ). A corrente do DEM envolvida nessa operação considera que o partido paga hoje o preço de ter trocado a sigla PFL e entregue o comando a políticos mais jovens, entre os quais Rodrigo Maia. Do que Bornhausen, autor das mudanças, já estaria convencido.

A avaliação dessa corrente é a de que o partido perdeu sua identidade política depois de anos como satélite do PSDB, sempre constrangido pela companhia conservadora.

Na prática, quer reassumir esse perfil conservador, afirmando-se como oposição, à direita, sem subterfúgios ou constrangimentos. Quer voltar a ser PFL e conduzido por seus veteranos.

Por Agripino

O fim da tese da incorporação ao PMDB pacifica mas não une as alas do DEM em disputa interna. Os que desejam tirar Rodrigo Maia (RJ) da presidência, pretendem trabalhar pela eleição do senador José Agripino (RN), sob cuja liderança consideram viável a reconstrução do partido.

Só Vice

Michel Temer (PMDB) disse à presidente eleita, Dilma Rousseff, que não tem interesse em nenhuma pasta e que prefere ocupar-se apenas com sua função. Por sua vez, Dilma lhe assegurou assento no Conselho Político, o núcleo duro do governo.

Sem TPM

Cotado para um ministério, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) garante que não sofre de TPM: tensão pré-ministerial. “Sinto uma certa TPM entre os partidos, mas isso não ocorre comigo”, afirma. Sem mandato, e à espera de um prêmio de consolação, ele registra: “Nem Lula, nem Dilma me devem nada”.

Bloco

Dono da maior bancada do Senado (20 senadores eleitos), o PMDB negocia um bloco com PP (5 senadores), PMN (1 senador) e PSC (1 senador). Se der certo, o grupo ficará com 27 senadores. Quem costura o acordo é o senador Renan Calheiros (AL).

Bloquinho

O PT, em contrapartida, quer manter as alianças que tem hoje – com PR (4 senadores), PSB (3), PCdoB (2) e PRB (1) – e ainda tenta atrair o PDT (4). Somados aos 14 petistas eleitos, o bloco de apoio ao governo ficaria com 28 senadores.

Blocão

PSB, PC do B, PDT, PV , PRB e PMN, por sua vez, montam bloco para buscar espaço na Mesa Diretora e nas comissões. Juntos são 100 deputados, o que dá 20% da Câmara.
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Fonte:http://blogdofavre.ig.com.br/2010/11/dem-com-saudades-do-pfl/

Mídia, golpes e tortura

20.11.2010
do site da Carta Maior

Emiliano José, jornalista e escritor

No Brasil a Casa Grande não descansa. E a principal voz da Casa Grande no Brasil é a mídia hegemônica, aquele grupo de poucas famílias que se pretende o intérprete da realidade brasileira, apesar de há muito ter deixado de sê-lo. A um jornalismo sério, que tivesse compromisso com a história, a um jornalismo que tivesse alguma ligação, tênue que fosse, com a idéia de democracia, que se preocupasse com a educação das novas gerações, caberia discutir a monstruosidade da tortura, mostrar o que ela tem de lesa-humanidade. Mostrar que qualquer processo que envolva tortura não merece qualquer crédito. Mas esse não é o jornalismo brasileiro. O artigo é de Emiliano José.

Emiliano José

Talvez pudéssemos inverter um pouco a ordem das coisas: que tal, ao invés de divulgar o relato de processos do STM sobre pessoas covardemente torturadas, como o faz agora o secretariado da mídia golpista brasileira, perguntássemos sobre qual o papel dessa mesma mídia na implantação da ditadura militar?

Não seria algo elucidativo, educativo para as novas gerações? Que tal compreender a verdadeira natureza de nossa mídia hegemônica para, então, entender por que, nesse momento, usando processos inteiramente submetidos à ordem castrense, ao terror ditatorial, tenta atingir a presidente da República, recentemente eleita, numa espécie de vingança pela derrota que sofreu? Perguntar por que ela não se conforma com essa nova derrota, a terceira derrota da mídia nas últimas eleições, derrotada pela opinião pública brasileira. Com que direito quer um terceiro turno, ilegítimo, revelador apenas de seus ressentimentos?

Eu insisto: no Brasil a Casa Grande não descansa. E a principal voz da Casa Grande no Brasil é a mídia hegemônica, aquele grupo de poucas famílias que se pretende o intérprete da realidade brasileira, apesar de há muito ter deixado de sê-lo. Não vou retroceder muito no tempo. Não vou esmiuçar o papel destacado de nossa mídia na tentativa de golpe contra o presidente Getúlio Vargas. O quartel-general do golpe era permanentemente orientado pela mídia. A mídia hegemônica de então e o golpe já quase consumado foram derrotados pelo suicídio do presidente.
O que pretendo mesmo é refrescar a memória ou informar um pouco que seja sobre o papel de nossa mídia no golpe de 1964. Não se trata apenas de ela ter elaborado todo o discurso que deu sustentação ao golpe contra o presidente Jango Goulart. Não se trata disso somente.

Trata-se do fato, por demais evidente, e há vasto repertório bibliográfico a respeito, de que a mídia participou diretamente das articulações golpistas. Ela derrubou Goulart lado a lado com os militares golpistas. Reuniu-se com eles para preparar o golpe. Não tem como se defender disso. É algo que hoje já pertence à história.

Com isso se quer dizer, e creio que é preciso insistir nisso, que a mídia hegemônica brasileira foi um ator fundamental na construção de uma ditadura sanguinária, terrorista no Brasil, a mesma que vai torturar covardemente homens, mulheres, crianças, que vai desaparecer com pessoas depois de desfigurá-las, provocar suicídios, que será capaz de todas as crueldades, perversidades para garantir a sua continuidade no poder por 21 anos.

A Rede Globo, criada lá pelos finais de 1969, não foi uma simples iniciativa empresarial. Foi um empreendimento político. Com a Rede Globo pretendeu-se unificar o discurso da ditadura, justificar tudo ela pretendesse, inclusive os assassinatos, o terrorismo que ela praticava cotidianamente. Inúmeras vezes assistíamos, no Jornal Nacional, notícias dando conta do atropelamento de companheiros, da morte de um militante por outro, versões montadas pela repressão para justificar a morte nas masmorras da ditadura. A Rede Globo encarnava e ecoava a voz do terror, foi criada para tanto.

E o grupo Globo é apenas parte de toda uma estrutura midiática que deu sustentação à ditadura, embora talvez, então, a parte mais importante. Não é difícil lembrar do terrível, do terrorista general Garrastazu Médici, ditador, que dizia que bastava assistir ao Jornal Nacional para perceber como tudo caminhava às mil maravilhas no Brasil. O Jornal Nacional era o diário oficial da ditadura.

Por isso, não há como nos surpreendermos com a tentativa, canhestra, de tentar desqualificar a presidente Dilma, pinçando aspectos do vasto processo buscado nos arquivos do STM, como a matéria de 19 de novembro, de O Globo. Não nos surpreendemos, mas não há como não nos indignarmos. É a voz da ditadura que volta, são os mesmos métodos que voltam, embora, agora, por impossibilidade, a tortura física não possa voltar.

A um jornalismo sério, que tivesse compromisso com a história, a um jornalismo que tivesse alguma ligação, tênue que fosse, com a idéia de democracia, que se preocupasse com a educação das novas gerações, caberia discutir a monstruosidade da tortura, mostrar o que ela tem de lesa-humanidade, mostrar a necessidade de evitar que ela exista, inclusive nas cadeias brasileiras de hoje. Mostrar que qualquer processo que envolva tortura não merece qualquer crédito. Mas, não.

O jornalismo realmente existente vai pinçar aspectos no processo que eventualmente desgastem a presidente da República. Nos próximos dias, a mídia golpista vai se debruçar sobre isso, podem anotar. É a tentativa do terceiro turno, evidência do ressentimento pela terceira derrota – a mídia perdeu em 2002 e 2006, quando Lula venceu, e perdeu agora, com a vitória de Dilma. Não se conforma, A Casa Grande não descansa.

Nem sei, nem vou procurar saber sobre todo o processo que envolveu a presidente. Escrevi vários livros sobre a ditadura, inclusive sobre Carlos Lamarca e Carlos Marighella, que tangenciam organizações revolucionárias pelas quais a presidente Dilma passou – e que orgulho ter militado em organizações revolucionárias. Não me detive, no entanto, na trajetória específica da presidente Dilma Roussef, nem caberia.

Mas será que os jornalistas que têm feito o papel de pescadores de leads e subleads negativos, de títulos desqualificadores da presidente têm alguma noção do que seja a tortura? Imagino que não, até porque só obedecem ordens, a pauta é previamente pensada, ordenada, e depois se faz a matéria.

Repito aqui o que escrevi em um dos meus livros, valendo-me das contribuições do psicanalista Hélio Pellegrino. A tortura nunca é mero procedimento técnico destinado à coleta rápida de informações. É também isso, mas nunca apenas isso. Ela é a expressão tenebrosa da patologia de todo um sistema social e político, expressão da ditadura militar de então. Ela visa à destruição do ser humano.

À custa de um sofrimento corporal inimaginável, teoricamente insuportável, a tortura pretende separar corpo e mente, instalar a guerra entre um e outro, semear a discórdia entre ambos. O corpo torna-se um inimigo – com sua dor, atormenta o torturado, persegue o torturado. A mente vai para um lado, o corpo sofrido para outro. O torturado fica exposto ao sol e à chuva, ao desabrigo absoluto, sem chão, entregue às ansiedades inconscientes mais primitivas. E apesar disso, tantas vezes, tantos de nós, quando não fomos trucidados e mortos na tortura, resistimos a esse terror, e saímos inteiros, ou quase inteiros, dessa situação-limite.

O que vale um processo feito sob a ditadura? O que valem declarações tiradas sob tortura? Responderia que valem apenas para revelar o que foi o terror, para revelar o que fizeram com as vítimas desse terror. Por que nos impressionamos e nos indignamos tanto com as vítimas do nazi-fascismo, inclusive nossa mídia, impressão e indignação justas, e somos, lá eles como costumam dizer os baianos, tão condescendentes com o terror da ditadura, com as torturas dos assassinos do período 1964-1985?

Eu compreendendo por que a mídia age assim com a nossa memória histórica, e já o disse antes: age assim pela simples razão de que ela tem tudo a ver com a gênese da ditadura, porque dela não pode se apartar, lamentavelmente. Por isso, nos preparemos para a luta dos próximos dias: ela vai buscar nos porões da ditadura o que possa servir aos seus propósitos de lutar contra o governo democrático, republicano e popular da presidente Dilma. E nos encontrará onde sempre estivemos: na luta intransigente, isso mesmo, intransigente, a favor da democracia, dos direitos humanos, e contra toda sorte de crimes contra a humanidade.
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Fonte:http://cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17202

Por um Estado que proteja as crianças negras do apedrejamento moral no cotidiano escolar

20 de novembro de 2010
Do blog de Luiz Carlos Azenha

Excelentíssimo Presidente da República Federativa do Brasil, Sr. Luís Inácio Lula da Silva,

Em um ato político e humano, Vossa Excelência ofertou asilo a Sakneh Mohammadi Ashtiani como forma de preservar-lhe a vida, visto que a mesma corre risco de ser apedrejada até à morte física em seu país, o Irã.

Se me permite a analogia, pelo exemplo que Vossa Senhoria encarna para a Nação, creio que seria, além de político e humano, um gesto emblemático e valoroso se Vossa Senhoria manifestasse sua preocupação e garantisse “proteção” às crianças negras inseridas no sistema de ensino brasileiro, zelando por sua sobrevivência moral e sucesso em sua trajetória educacional. Como Vossa Senhoria já afirmou: “Nada justifica o Estado tirar a vida de alguém”, e, no caso do Brasil, nada justifica que o Estado colabore para fragilizar a vida emocional e psíquica de crianças negras, propiciando uma educação que enseja uma violência simbólica, quando não física, contra elas no cotidiano escolar. Sim, a violência diuturna sofrida pelas crianças negras no espaço escolar pode, em certa medida, ser comparada ao apedrejamento físico, visto que o racismo e seus derivados as amordaça. Assim, emocionalmente desprotegidas em sua pouca idade, as crianças passam a perseguir um ideal de “brancura” impossível de ser atingido, fazendo-as mergulhar em um estado latente, intenso e profundo de insatisfação e estranhamento consigo mesmas.

É fato que as crianças em geral não possuem natureza racista, mas a socialização que lhes é imposta pela sociedade as ensina a usar o racismo e seus derivados como armas para ferir as crianças negras em situações de disputas e até simplesmente para demarcar espaços e territórios, bem ao exemplo dos padrões da sociedade mais ampla. A escola constitui apenas mais uma instituição social na qual as características raciais negras são usadas para depreciar, humilhar e excluir. Assim, depreciadas, humilhadas e excluídas pela prática escolar e consumidas pelo padrão racista da sociedade, as crianças negras têm sua energia, que deveria estar voltada para o seu desenvolvimento e para a construção de conhecimento e socialização, pulverizada em repetidos e inócuos esforços para se sentir aceita no cotidiano escolar.

Se há no Irã – liderados pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad – um grupo hegemônico que, embasado em uma interpretação dogmática do Islamismo e na particular percepção do que é legitimo, detém o poder de vida de morte sob as pessoas, não menos brutal no Brasil, temos um grupo no poder que, apesar de não deliberar explicitamente pela morte física de negros e negras, investe pesadamente na manutenção da supremacia branca, advoga pelo não estabelecimento de políticas que promovam a igualdade e nega sistematicamente qualquer esforço pela afirmação dos direitos dos afro-brasileiros.

Excelentíssimo, a supremacia branca mina as bases de qualquer perspectiva de justiça social. A eliminação do racismo e de seus predicativos depende do questionamento do poder branco, visto que a subalternização dos negros é fonte permanente de riqueza, prosperidade e garantia de poder arbitrário e absoluto. Não seria esta também uma forma de matar e de exterminar? Não estaria aí um protótipo do modelo de genocídio à brasileira?

Nossa aposta, Sr. Presidente, é que estando sob um regime democrático – ainda que permeado por estrutura historicamente racista que nega aos negros os direitos de cidadania – possamos contar com os órgãos públicos competentes no dever legal de zelar pela igualdade substantiva. Neste sentido, o Ministério da Educação (MEC) encontra-se submetido às leis nacionais e aos tratados internacionais promulgados pela ONU, o que legitima nosso direito de exigir que, sendo o órgão representante do Estado brasileiro no campo da educação, promova o bem-estar de nossas crianças, e que não contribua, portanto, para a sua dilapidação moral.

Senhor Presidente, que legitimidade tem um governo que abraça o projeto político de “Um país de todos”, mas que investe recursos públicos na disseminação de uma pedagogia racista entre os seus pequenos cidadãos? Um Estado que compra e envia para as escolas material pedagógico que contém estereótipos e preconceitos quer sejam étnicos, raciais e/ou de gênero pode ser compreendido como um Estado que fornece combustível ideológico para que a humanidade dos indivíduos tidos como “diferentes” seja desconfigurada. Não nos parece que é a proposta política deste governo incentivar e disseminar ideologias racistas que promovem a deterioração da identidade e da autoestima da criança negra.

É neste sentido, Senhor Presidente, que a contenda sobre o livro de Monteiro Lobato deve ser vista: apenas como mais um episódio em que os negros aparecem como inconvenientes e não encontram solidariedade por parte dos formadores de opinião e representantes da administração pública. Talvez tais agentes fossem mais solidários com a luta anti-racista caso os materiais pedagógicos contivessem referências depreciativas em relação às suas identidades. Talvez conseguissem perceber o escárnio se as personagens obesas fossem referidas como aquelas que “comem como uma porca sebosa”. Talvez se motivassem a protestar caso um livro contivesse um padre católico apresentado como “lobo que devora criancinhas”. Talvez também fossem contrários à distribuição de obras clássicas que contivessem a idéia preconceituosa de que: “os políticos agem no escuro como ratos ladrões”.

Entretanto, Senhor Presidente, ter no livro de Monteiro Lobato personagem negra que “sobe na árvore como macaca de carvão” é visto como algo absolutamente natural e que deve ser mantido para preservar a liberdade de expressão. No fundo querem que nós, negros e negras, subscrevamos tal obra como um elemento histórico que, constitutivo da “democracia racial brasileira”, deve ainda ser difundido nas escolas, a despeito dos estragos que possa produzir na formação de nossas crianças brancas e negras.

Aceitar tais práticas insidiosas é negar a nós mesmos e rasgar o histórico de resistências que marca a identidade negra. Não podemos aceitar que nossas crianças negras sejam sacrificadas e usadas para o entretenimento, deleite e regozijo das crianças brancas. E nós, seus pais e educadores, lamentaríamos ver nossas crianças obrigadas a se defenderem de pedradras usando pedras contra “Pedrinhos”.

A era da inocência acabou, como nos lembra a militância negra! Os chamados textos clássicos não representam a última (sacrossanta) palavra sobre o mundo social. Não é segredo que muitos dos textos sob tal categoria são na verdade a bíblia da dominação branca-masculina-heterossexual, representando uma falsa imagem sobre quem somos. Propicia, por exemplo, que homossexuais sejam agredidos no cotidiano escolar e/ou na calada da noite, nas esquinas escuras das nossas cidades.

Uma educação que oferta estereótipos étnicos, raciais, de gênero e/ou homofóbicos facilita que jovens, ainda que supostamente “bem educados”, organizem práticas criminosas como o “rodeio das gordas”, ocorrido na UNESP ainda agora. É pelo investimento possessivo na supremacia branca, assegurado pela desumanização dos negros, que pessoas queimam índios e moradores de rua; é a partir de uma educação sexista que jovens tornam-se preconceituosos a ponto de espancar mulheres em pontos de ônibus, por acreditarem que são prostitutas. É a sistemática exposição de nossos meninos e jovens a idéias e práticas machistas que constitui terreno fértil para que quando homens crescidos, diante da percepção de ameaça à sua masculindade assassinem suas namoradas, esposas e/ou amantes, conforme constatamos nos nossos noticiários.

Assim, Senhor Presidente, trata-se de legítimo e necessário o parecer do Conselho Nacional de Educação – CNE/CEB Nº: 15/2010, sobre as medidas de combate aos estereótipos e preconceitos na literatura. Não se trata de censura política, como se quer passar, mas de proteção social das nossas crianças. Pois, assim como um buquê de rosas que apesar da beleza contém espinhos pontiagudos, os livros com teor discriminatório ferem. Alguns ferem de maneira profunda e indelevelmente marcam trajetórias de vida. Logo, podemos questionar se um educador que, ao dar a rosa, alerta sobre a existência de espinhos, estaria censurando a existência da rosa e banindo-a do jardim, ou estaria apenas, responsável que é, cumprindo o dever de proteger a criança pequena?

Há que se ter cuidado com nossas crianças que, a partir de sua próspera administrações Sr. Presidente, mais cedo adentram o cotidiano escolar. Se elas entram mais cedo na escola, é fato que também experienciam mais cedo o contato sistemático com um cotidiano discriminatório, repleto de violência racial, vivendo precocemente a dor e o sofrimento de serem desumanizadas com qualificativos como macaco e urubu, assim como Monteiro Lobato dissemina em suas histórias.

Infelizmente, Sr. Presidente, nós negros adultos, ainda que tenhamos sobrevivido a esses mesmos sofrimentos em nossas histórias de vida, não conseguimos encontrar remédio eficaz para curar a dor que corrói a alma de nossas crianças pequenas. Não descobrimos ainda palavras mágicas que apaguem da memória de nossas crianças a vergonha da humilhação e do escárnio público. A valorização da beleza de nossa pele e o histórico de luta de nosso povo apenas amenizam o sangramento moral. É difícil se contrapor a um ideal de beleza e de sucesso que reserva um lugar inferior na sociedade aos indivíduos de pele negra.

Sr. Presidente, em nome de seu legado que engrandeceu este país e retirou da miséria milhões de brasileiros, não permita que, sob sua administração, mesmo nestes momentos finais, prevaleça um modelo de Educação que, apenas assentado em discursos contra o racismo e o preconceito racial, utiliza-se do poder e dos recursos públicos para a compra de materiais que veiculem estereótipos e idéias preconceituosas perniciosas para milhões de crianças, futuros cidadãos, que no futuro poderiam lembrar-se não destas “leituras”, mas sim das incomparáveis conquistas da era Lula.

Vossa Senhoria que afirmou em seus discursos a importância do combate ao racismo na sociedade; que, através da primeira lei assinada em seu governo – Lei 10.639, em 09 de janeiro de 2003, tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, observe atentamente para que os profissionais do Ministério da Educação não contradigam os seus pronunciamentos públicos. Talvez, Sr. Presidente, não haja mais tempo para corrigir o descaso desses para com as políticas de educação em áreas quilombolas, visto que os recursos empenhados no orçamento 2009, sequer, até a presente data, foram utilizados para o pagamento dos convênios aprovados, impossibilitando assim que as escolas quilombolas recebam material didático e pedagógico adequados. Certamente não há mais tempo para elaboração e distribuição de livros para subsidiar a prática pedagógica anti-racista, visto que a política foi interrompida em 2006, juntamente com o fim do Programa Diversidade na Universidade – que mesmo tendo recebido o aval positivo do BID para uma segunda edição ampliada, por ter sido avaliado como um programa modelo para a América Latina, não contou com a aprovação das gerências superiores do MEC.

Infelizmente, Excelentíssimo Presidente, não há tempo também, certamente, para lograr as metas de formação de professores e professoras para a educação das relações etnico-raciais, visto que as secretarias de educação estaduais e municipais, devido à ausência de uma consistente campanha de combate ao racismo na educação, comandada pelo MEC, pouco se engajaram para alcançar esse objetivo.

Essa triste realidade, Sr. Presidente, atesta que Fernando Haddad, ministro da educação, deixará, infelizmente no legado de seu governo, a triste memória de um trabalho inexpressivo no que concerne à políticas públicas para o combate ao racismo e a valorização da história e cultura afro-brasileiras. Ele que, mesmo tendo a faca e o queijo nas mãos, pouco fez para o fortalecimento da educação anti-racista e anti-discriminatória no país, encerra seu mandato sinalizando aliança com vertentes contrárias às conquistas sociais, dificultando, assim, que o Conselho Nacional de Educação cumpra o papel que lhe é devido. A devolução do parecer CNE/CEB Nº: 15/2010 dá bem a dimensão do retrocesso político e concretiza uma velada censura às políticas de combate ao racismo pelo MEC. A atitude do ministro Haddad traduz sua vontade política e fornece elementos para compreendermos o porquê do inexpressívo desenvolvimento das políticas anti-racistas no interior do MEC e, a partir dele, nos sistemas de ensino.

Assim presidente, o senhor que compreende o combate ao racismo como uma luta pela justiça social, não permita que o Estado brasileiro retroceda nas conquistas dos direitos dos afro-brasileiros: não deixe sua consciência passar em branco! Relembrando suas palavras em relação à dívida do Brasil para com o continente africano: “Têm coisas que a gente não paga com dinheiro, mas com solidariedade, companheirismo e sentimentos”, seja solidário à Sakneh, mas também aproveite o 20 de novembro e renove o seu compromisso com o Brasil negro. Em nome das crianças negras e brancas, em nome dos filhos do Atlântico Negro, manifeste-se favoravelmente às orientações do Parecer CNE/CEB Nº: 15/2010 – (www.euconcordo.com/com-o-parecer-152010).

Respeitosamente,


Eliane Cavalleiro

Doutora em Educação pela Faculdade de Educação da USP, 2003 – coordenadora executiva de Geledés – Instituto da Mulher Negra, de 2001 a 2004; coordenadora de Diversidade da SECAD/MEC, de 2004 a 2006; ex-professora adjunta da Faculdade de Educação da UNB – de 2006 a fev/2010; presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, de 2008 a jul/2010, é cidadã brasileira, que luta para que seus netos e bisnetos e demais gerações tenham o direito a uma verdadeira educação anti-racista.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/por-um-estado-que-proteja-as-criancas-negras-do-apedrejamento-moral-no-cotidiano-escolar.html

PT costura comando da Assembleia em SP

20.11.2010

Partido assedia aliados do PSDB no Estado para ocupar a presidência e tirar Legislativo das mãos de Alckmin

Petistas fizeram a maior bancada e teriam, pela tradição do Legislativo, o direito de ocupar a presidência da Casa


O deputado estadual petista Antonio Mentor, líder da sigla na Assembleia de São Paulo

FERNANDO GALLO – FOLHA SP

DE SÃO PAULO

Silenciosamente, o PT tenta costurar uma aliança com diversos partidos para tirar das mãos do governo eleito de Geraldo Alckmin (PSDB) o comando da Assembleia Legislativa de São Paulo.
Com 24 deputados eleitos, o partido fez a maior bancada da Casa pela primeira vez em sua história no Estado e teria, regimentalmente e pela tradição do Legislativo, o direito de ocupar a presidência.

Contudo, o PT não tem, por ora, os votos necessários para garantir a vaga.
Da Assembleia eleita, iriam para o lado petista apenas dois deputados do PC do B, um do PSOL e um do PDT. Os 28 votos não bastariam para garantir maioria -a Casa tem 94 parlamentares.
Por causa disso, o PT assedia legendas como PMDB, PDT e PSB, que estão aliançadas com o governo petista no plano federal, mas estiveram ao lados dos tucanos em São Paulo nos últimos anos.

Por esses apoios, os petistas negociam espaços na máquina federal e composições para as eleições de 2012.
Além disso, o PT-SP mantém conversas com partidos que estão fora da base lulista.
No plano que começa a traçar, a candidatura própria é uma possibilidade, mas a tendência mais forte hoje entre os petistas paulistas é oferecer a presidência a um atual aliado dos tucanos com bom trânsito na oposição.

Publicamente, o PT admite apenas a intenção de entrar na briga pelo posto.
“Há uma tradição da Casa e um dispositivo constitucional. A maior bancada elege o presidente. Estamos conversando com outras forças politicas, defendendo a nossa posição, que é legítima e legal”, diz Antonio Mentor, líder do PT na Assembleia.

“Queremos a democratização da Casa, com acesso a informações e participação de todos os partidos nas decisões importantes que tenhamos a tomar. Não vamos fazer uma Mesa pra fazer oposição. É para garantir a autonomia do Legislativo”, afirma, cutucando os tucanos.

PSDB

No ninho peessedebista, três deputados consultam a bancada e tentam o apoio de Alckmin para a candidatura: o atual presidente da Assembleia, Barros Munhoz; o relator do Orçamento, Bruno Covas; e Celino Cardoso.

Munhoz pode ser a opção segura do partido. Parlamentares da base e da oposição avaliam que ele atende bem os pleitos dos deputados.

Covas tem o apreço de Alckmin e pode ser uma aposta com vistas à eleição para a prefeitura em 2012.

Pesa contra ele uma certa fama de intransigente.
Cardoso também submeterá seu nome à apreciação.
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Fonte:http://blogdofavre.ig.com.br/2010/11/pt-costura-comando-da-assembleia-em-sp/

Dilma rejeita Meirelles

19/11/2010
Enviado por luisnassif
Por alfredo machado

Do Ig, Guilherme Barros

Meirelles não fica no BC, Tombini deve sucedê-lo

Com a quase certa confirmação de Guido Mantega na Fazenda, a permanência de Henrique Meirelles a frente do BC está praticamente descartada no governo Dilma Rousseff.

Não há coesão possível entre Mantega e Meirelles. Os dois nunca se entenderam e a ideia de Dilma é de formar uma equipe econômica coesa.

Dilma chegou a pensar em manter Meirelles por um tempo, mas parece ter definitivamente desistido dessa ideia.

Os dois chegaram a conversar, mas não houve avanços.

O nome mais cotado para o lugar de Meirelles é o de Alexandre Tombini, atual diretor de Normas do BC.
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Fonte:http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/dilma-rejeita-meirelles

Em 5 anos, só o ProUni colocou mais negros nas universidades do que nos últimos 100 anos

Sábado, 20 de novembro de 2010
Do blog "Amigos do Presidente Lula"

Para o fundador da ONG Educafro, frei David Raimundos Santos, a maior conquista da população negra no governo Lula foi o ProUni (Programa Universidade para Todos), criado em 2004. "Em cinco anos, só o ProUni colocou mais negros nas universidades do que os últimos cem anos de Brasil. E nós, negros, temos a consciência de que o que vai provocar a mobilidade social do povo negro é o acesso à educação de qualidade".

Agora ele espera que Dilma amplie o projeto, sobretudo em casos de alunos pobres que conseguem ingressar na universidade com bolsa integral, mas não tem dinheiro para transporte, alimentação e livros, e acabam sacrificando os estudos. Já existe o bolsa permanência que concede uma ajuda de custo de até R$ 300,00 mensais, justamente para atender estes casos, mas é apenas para cursos com carga horária de pelo menos 6 horas diárias, o que restringe a poucos cursos como medicina.

A Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), estima que as ações afirmativas já puseram cerca de 500 mil afrodescendentes nas universidades, a maior parte através do ProUni nas universidades privadas, e nas públicas, aproximadamente 90 mil ingressaram pelo sistema de cotas raciais. (Com informações do Portal Vermelho e R7).
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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2010/11/em-5-anos-so-o-prouni-colocou-mais.html

Moniz Bandeira: “Sociedade norte-americana está dividida e desorientada”

17 de novembro de 2010

Por Luiz Alberto Moniz Bandeira, em La Onda Digital, via Vermelho

As eleições parlamentares americanas ocorridas no dia 3 de novembro deixaram o presidente Barack Obama e o Partido Democrata em uma situação extremamente difícil ao perderem a maioria no Congresso para os republicanos.

Em entrevista a revista uruguaia La Onda Digital, o cientista político e analista internacional, Luiz Alberto Moniz Bandeira, analisa as perspectivas de Obama após esse fracasso. O intelectual brasileiro também fala sobre a crise econômica global na Europa e na América Latina.

Moniz Bandeira, 74 anos, nasceu na Bahia e atuou por vários anos como jornalista e ativista político. Formado em Direito e doutor em Ciências Políticas pela USP, é professor universitário no Brasil e no exterior, especializado em política internacional.

La Onda Digital: Afirma-se que o recente derrota dos democratas nas eleições legislativas norte-americanas deve-se ao fracasso das políticas econômicas de Obama. Você acredita que Obama já está politicamente acabado?

Moniz Bandeira: A derrota eleitoral do presidente Barack Obama era perfeitamente previsível. Sua política, em geral, era muito inconsistente. Não conseguiu – ainda – realizar metade das suas promessas de campanha. Conseguiu aprovar somente a reforma do sistema de segurança social e da regulação do sistema financeiro, o que desagradou os republicanos.

Mas por outro lado, intensificou a guerra no Afeganistão, a retirada das tropas do Iraque foi parcial, ou melhor, uma piada, uma vez que os Estados Unidos continuam a ocupar o país com 50 mil soldados. Ninguém pode dizer que está politicamente acabado. Na política você não pode dizer isso. Dependerá das circunstâncias.

La Onda Digital: O que vai acontecer com os EUA?

Moniz Bandeira: A crise é uma crise global profunda, mas o epicentro está localizado nos Estados Unidos. Os próximos anos serão muito difíceis, tanto economica e financeiramente quanto social e politicamente. A sociedade está profundamente dividida e confusa. A crise é, talvez, muito pior do que a desencadeada pelo crash de 1929. Agora, com a desvalorização do dólar, acontece algo semelhante a crise do início do anos 1930.

Nos Estados Unidos, milhões de investidores empobreceram e milhares de bancos e outras instituições financeira tornaram-se insolventes. O grande grupo bancário J. P. Morgan, com seus vastos recursos, foi afetado, os créditos esgotaram-se e os Estados Unidos não foram capazes de financiar o pagamento de dívidas da Alemanha.

O crack de 29 de outubro de 1929, em Nova York, difundiu-se e afetou profundamente os países europeus, evidenciando o profundo entrelaçamento das suas economias no sistema capitalista mundial.

França, Inglaterra e todos os países da Commonwealth (exceto o Canadá), a Irlanda, os países escandinavos, a Austrália, Nova Zelândia, Iraque, Portugal, Tailândia e alguns países sul-americanos (Brasil, Chile, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela), acompanhados Grã-Bretanha, abandonaram o padrão ouro em 1931.

A desvalorização do dólar está à beira de deflagrar uma guerra cambial, que abrange, na realidade, a guerra comercial, como ocorreu em 1930. E o que pode acontecer nos Estados Unidos também é imprevisível. A situação é muito repentina, em rápido processo de mutação.

A injeção de 600 bilhões de dólares, feita pela FED para fornecer liquidez suficiente para o mercado e dar ao país maior competitividade no mercado internacional não vai resolver os problemas dos EUA. A depreciação do dólar não fará necessariamente a economia dos EUA crescer. Irá ao certame do Mercosul, terão que aumentar as tarifas aduaneiras para impedir o dumping que os EUA querem promover no mercado mundial. A guerra comercial, como resultado da guerra cambial, será um desastre.

La Onda Digital: A baixa presença dos cidadãos nas urnas mostra que os jovens e os afrodescendentes não votaram em massa nesta ocasião, como quando Obama foi eleito presidente. Eles estão desapontados com Obama?

Moniz Bandeira: Sim, os jovens e os afrodescendentes estão obviamente desapontados com o tímidas reformas do presidente Barack Obama, que não se afastou, de modo geral, da linha política do ex-presidente George W. Bush. Não houve mudança significativa em sua política internacional. Apesar de algumas pálidas iniciativas em relação à Cuba, manteve a política de Bush em relação a Israel e a questão palestina. Ele recuou e aceitou o golpe militar em Honduras.

E também intensificou operações no Afeganistão, onde durante os dois anos de seu governo (2009-2010), 741 soldados norte-americanos morreram, mais do que nos oito anos anteriores, desde que o presidente George W. Bush começou a guerra em 2001, e cuja soma foi de 620 vítimas. Até agora, para 2010, o total de soldados americanos mortos no Afeganistão é de cerca de 1371 e a guerra continua.

La Onda Digital: Nos Estados Unidos e na Europa, a crise econômica está fazendo a extrema direita ganhar posições e avançar eleitoralmente. Os setores progressistas não têm um projeto viável para sair da crise da economia?

Moniz Bandeira: A crise econômica está levando a direita, mas não a direita radical, a ganhar posições eleitorais, embora alguns governos tenham de fazer certas concessões em certos casos, tais como a imigração. Mas o avanço da direita é devido ao fato de que também os partidos que seriam considerados progressistas e de esquerda não oferecem nenhuma solução para os problemas da atualidade.

A crise econômica ainda é muito grave e ainda não acabou, o que faz intensificar as lutas sociais em quase todos os países europeus. Mas a verdade é que os partidos de centro-direita e de centro-esquerda quase não se diferenciam e os partidos mais de esquerda, vivem no passado, historicamente ultrapassados, e suas propostas não são coerentes com as novas circunstâncias econômicas, sociais e políticas apresentados no século XXI.

A classe trabalhadora segue existindo, mas não é o mesma do tempo de Marx e Lênin. O desenvolvimento tecnológico tem mudado a estrutura do capitalismo e das próprias classes sociais.

La Onda Digital: O pensamento norte-americano é o pensamento único?

Moniz Bandeira: Eu não acho que o pensamento americano pode se tornar o pensamento único. A crise econômica e consequentemente social, irá produzir diferenças políticas e de maneiras de pensar. As circunstâncias em que os povos vivem são muito diferentes e não aceitarão o pensamento americano. E além disso, é necessário ter claro que os EUA estão em uma acentuada decadência, o que pode durar décadas ainda, mas é inevitável que mais cedo ou mais tarde o seu domínio imperial chegará ao fim.

La Onda Digital: Diz-se que os setores republicanos que agora ascendem ao Congresso buscarão uma reforma conservadora, o que significa via livre para as guerras no Irã e no Afeganistão e a promoção do livre mercado. Será que isso pode ser possível com Obama?

Moniz Bandeira: O Departamento de Defesa dos EUA empregava em outubro de 2009 um total de 193.674 de contractors (mercenários contratados por empresas privadas militares – Militares Empresas Privadas [PMCs]) – no Iraque e no Afeganistão, o número equivale ao de soldados regulares, de acordo com o serviço de pesquisa do Congresso.

No entanto, menos de 5% dos mercenários eram americanos e uma quantidade menor ainda, de iraquianos. Os restantes 88% vieram de outros países, tais como Fiji, Chile, Nepal e Nigéria. O que acontece é uma terceirização da guerra, a guerra como negócio para grandes empresas, mas mesmo assim, há um limite, porque a crise econômica e financeira não vai permitir que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, o Pentágono, continue a gastar recursos para financiar companhias militares privadas.

Quanto à promoção do livre mercado, o governo dos EUA vai insistir apenas para expandir seus negócios e reduzir seus déficits comerciais permanentes. Contudo não sei se vai ter êxito completo, porque países como Brasil e Argentina e outros irão resistir. Se eles aceitassem, seria suicídio nacional, o fim das suas indústrias e, inclusive, de sua agricultura, porque a dos EUA é subsidiada.

La Onda Digital: Alguns vencedores na eleição dos EUA apoiaram o golpe em Honduras, mostraram-se hostis aos governos da Venezuela e da Bolívia, propõem militarizar a fronteira com o México e paralisar toda a abertura proposta a Cuba. Podemos esperar um novo período de confronto com a América do Sul?

Moniz Bandeira: Tensões na América do Sul tendem a se incendiar. E uma potência é mais perigosa quando está perdendo a sua hegemonia, como ocorre com os Estados Unidos, quando expande o seu poder, seu domínio em outras regiões.

La Onda Digital: Dada a recente vitória do de Dilma no Brasil e a morte de Kirchner na Argentina, podemos esperar mudanças no curso da integração sul-americana?

Moniz Bandeira: O triunfo de Dilma Rousseff no Brasil e a morte de Kirchner não vão produzir mudanças no processo de integração da América do Sul. A morte de Kirchner, infelizmente, é uma grande perda, mas acho que Cristina Kirchner vai conduzir o progresso com Dilma Rousseff.

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/moniz-bandeira-sociedade-norte-americana-esta-dividida-e-desorientada.html