segunda-feira, 15 de novembro de 2010

15.11.2010
Do "Conversa Afiada"

O Conversa Afiada tem o prazer de reproduzir (com uma certa liberdade …) a entrevista que Renato Meirelles, sócio-diretor do Instituto Data Popular, deu à RecordNews e será exibida nesta terça-feira, às 21h15.

São três as razões que explicam por que as classes “C”, “D” e “E” vieram para ficar – explicou o Meirelles.

Primeiro, o “bônus demográfico”: mais gente que produz do que gente que gasta sem produzir. Ou seja, quando há mais pessoas em idade de trabalhar do que idosos e crianças.

As classes “C”, “D” e “E” se beneficiam deste “bônus”.

As classes “A” e “B” têm mais idosos e crianças do que gente em idade de trabalhar e produzir.

Segundo, é a lei do “vamos em frente que atrás vem gente”.

Quem passou a dar iogurte ao filho não quer voltar a dar leite C.

As classes “C”, “ D” e “E” não querem voltar pra trás.

E querem consumir.

Eles seguiram a sugestão do Lula, quando houve a crise de 2008, aquela crise da urubóloga Miriam Leitão, e o Lula mandou o povo “gastar !”.

O povão foi lá e gastou.

E tem mais: se aparecer um governante que queira mudar as regras do jogo e obrigar a classe “C” a reduzir o padrão de consumo, o eleitor vai lá e troca de governante.

Terceiro, as chamadas condições “macro-econômicas”, ou como dizia este ordinário blogueiro, como “o Lula vai pendurar o FHC no pescoço o Serra”.

O aumento real do salário mínimo.

A distribuição de renda.

O Bolsa Família, que joga todo ano R$ 12 bilhões na economia e beneficia 45 milhões de pessoas.

O programa “Minha Casa Minha Vida”, por exemplo, observou o Meirelles.

É importante não só porque dá acesso à casa própria, mas porque emprega mão de obra das classes “C”, “D” e “E”.

Resultado: sete de cada dez cartões de crédito são de pessoas das classes “C”, “D” e “E”.

E a inadimplência no cartão está em queda.

Em resumo, diz o Meirelles, o voto obrigatório ajuda a classe “C”.

Clique aqui para ler sobre a entrevista que este ordinário blogueiro também fez para a RecordNews com o professor Durval Albuquerque: “o PiG engrossa o preconceito contra o nordestino”.

Classe “D” é aquela que tem renda mensal entre um e três salários mínimos.

A classe “D” tem um poder de consumo maior do que o da classe “A” e o da “B” – só perde para a “C”.

As classes “C”, “D” e “E” são mais jovens que as classes “A” e “B”.

Para cada adulto da classe “A” há 4 das classes “C”, “D”, e “E”.

Para cada criança da classe “A”, há 10 – veja bem, amigo navegante, 10 para as classes mais pobres.

Na classe “C”, 50% são não-brancos.

Na classe “D”, não-brancos são mais de 50%.

Pergunto ao Meirelles se a indústria da publicidade do Brasil sabe dessas coisas.

Não, ele diz.

A maioria dos publicitários vem da elite e tende a fazer publicidade com o público de classe “A” e “B” na cabeça.

Eles não gostam de rap, não frequentam Orkut.

Meirelles vai mais longe: a publicidade brasileira acha brega a alegria, o colorido, o barulho, a extravagância, o São João, o exagero, Carnaval, o frevo, o artesanato popular das classes “C”, “D” e “E”.

Mas, as grandes empresas começaram a se mexer em direção à base da pirâmide de renda.

A Nestlé passou a vender porta-a-porta.

Qual a vantagem disso ?

No supermercado, ninguém explica as características do produto.

O vendedor na porta de casa, não: ele conhece o que vende.

A TAM passou a vender passagens nas Casas Bahia.

Até julho de 2011, em doze meses 8,7 milhões de passageiros das classes “C”, “D” e “E” vão viajar de avião.

Que horror, diria o Jabor (a observação foi do entrevistador e, não, do entrevistado).

E quem vai viajar ?

O migrante que vai do Sul, Sudeste para visitar a família no Nordeste.

Sabe quantos migrantes nordestinos moram na Grande São Paulo, Paulo Henrique ?, perguntou o Meirelles.

Sabe ?, amigo navegante ?

São migrantes: não são filhos de migrantes.

Sabe quantos ?

5,5 milhões !

É a maior cidade nordestina do Brasil.

São Paulo é a maior cidade nordestina do Brasil e não sabe (ou não quer saber – diz este ordinário blogueiro).

E os publicitários pensam que os Jardins ficam perto da Avenida Paulista.

E se esquecem do Jardim Ângela, diz o Meirelles

E do Jardim Romano, lembrou este ordinário blogueiro.

(Jardim Romano é aquele que a inépcia do Serra deixou alagado uns seis meses – PHA).

E quem é o “tipo ideal” da classe “C” e “D” ?

Quem eles querem imitar ?, perguntei.

A classe “A” ?

Negativo !, respondeu o Meirelles.

Eles não querem ser ninguém.

Querem ser eles mesmos.

Eles não querem imitar a classe “A”.

Eles querem ser o vizinho que deu certo !

Resumo da história, segundo o Meirelles: empresa que não for líder nas classes “C” e “D” dança.

Em tempo: este ordinário blogueiro lembrou que, durante a campanha, dizia que o Serra e o FHC pensam que “classe “C” fica entre a Executiva e a Primeira.

Paulo Henrique Amorim
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/economia/2010/11/15/a-classe-%E2%80%9Cc%E2%80%9D-nao-quer-ser-%E2%80%9Ca%E2%80%9D-quer-ser-ela-mesma-o-vizinho/

"O Brasil é este caldeamento nacional de culturas miscigenadas com a de todos os povos do planeta"

15.11.2010
Do "Blog da Cidadania
Por Luiz Monteiro de Barros, um internauta


Somos navegantes da internet, virtualidade que se expressa tambem andando, participando. Sei que nossa presença lá representou múltiplos cidadãos brasileiros. “Quem sabe faz a historia, não espera acontecer” Tenho dito a profecia cidadã; “America latina, berço de uma nova civilização” O Brasil é este caldeamento nacional de culturas miscigenadas com a de todos os povos do planeta.

Então participamos como gotas de um oceano na formação de uma nova raça; a íbero americana. Porisso que apoiamos governos de esquerda, ou melhor, governos que buscam a integração de toda a diversidade de culturas.

Dai que Dilma cumpre conosco essa missão de diminuir a desigualdade de renda das familias, esta desigualdade que diminuiu durante o governo Lula/Dilma e vai continuar pois além de ser eticamente inaceitável é cientificamente muito viável por ser o Brasil o país mais rico do planeta. (A função estratégica do pré-sal por exemplo).
***
Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2010/11/ato-contra-o-racismo-em-sp-reune-500-pessoas/

Ato contra o racismo em SP reúne 500 pessoas

15.11.10

Do "Blog da Cidadania"
Por Eduardo Guimarães

No último dia 11, no Plenário da Câmara Municipal de São Paulo, sob iniciativa de parlamentares da Casa como o vereador Francisco Chas, da ONG Movimento dos Sem Mídia, do Centro de Tradições Nordestinas e outras entidades ligadas ao movimento negro, nordestino e de direitos humanos, foi feito um ato contra o racismo no Estado.

O plenário da Câmara, que comporta 500 pessoas sentadas, no auge do evento teve todos os assentos ocupados pelo público e algumas pessoas ainda tiveram que ficar em pé. Boa parte dos presentes era de membros do MSM, pelo que há que cumprimentar essas pessoas.

Devido ao fato de o signatário deste blog ter ocupado a mesa de debates ao lado de autoridades como os vereadores petistas Francisco Chagas e Ítalo Cardoso, e também do representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Centro de Tradições Nordestinas (CTE), faltam mais fotos inclusive da mesa. Quem tiver fotos do evento para enviar a este blog, elas serão publicadas.

Surpreendentemente, o presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D’Urso, enviou mensagem oficial da entidade de apoio ao ato. Além disso, a equipe do programa CQC, da tevê Bandeirantes, também cobriu o evento.

A fala deste blogueiro ao público presente foi no sentido de que a sociedade deve atentar para o fato de que o racismo anti-nordestinos não se resume à jovem estudante de Direito que veiculou mensagens ofensivas àquela parcela dos brasileiros oriunda do Nordeste, sendo uma postura generalizada entre as classes média-alta e alta de São Paulo.

O Movimento dos Sem Mídia também pediu punição exemplar dos praticantes de racismo e sugeriu ao vereador Francisco Chagas, autor de representação contra 94 pessoas que enviaram mensagens racistas por meio de redes sociais, que inclua na ação junto ao Ministério Público os signatários do manifesto racista “São Paulo para os paulistas”, que segue na internet.

Uma boa notícia: o Ministério Público Federal acolheu a representação do vereador Francisco Chagas e decretou segredo de Justiça nas investigações. Ou seja: todos os racistas que veicularam mensagens contra o povo nordestino na internet serão investigados pelo crime também em nível federal.

Apesar do boicote da imprensa em geral, o ato público contra o racismo teve um peso político bastante significativo porque mostrou que a sociedade dispõe de meios para reagir contra essa praga ideológica inclusive do ponto de vista legal, bem como em termos de mobilização de entidades que se mostram dispostas a atuar com firmeza contra esse tipo de crime.

Mais importante do que o ato, porém, será a fiscalização dos processos abertos contra os racistas. Não se aceitará que saiam impunes e haverá instrumentos para garantir que isso não ocorra, até porque as manifestações de intolerância e preconceito em São Paulo só fazem crescer.

Contudo, a indiferença da imprensa em relação ao racismo não é o mais grave. Veículos como a Folha de São Paulo chegaram a publicar textos de apologia ao racismo. Dois artigos foram publicados nesse sentido pelo jornal na 5ª e na 6ª feira da semana passada. O Movimento dos Sem Mídia estuda a possibilidade de tais textos terem infringido a lei.
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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2010/11/ato-contra-o-racismo-em-sp-reune-500-pessoas/

Antinordestinos obtusos

15.11.2010

Do jornal "O POVO"
Por Luiz Edgard Cartaxo de Arruda Junior
cartaxoarrudajr@gmail.com
Memorialista


Revejam o mapa do Brasil, com outra leitura, a verdadeira; percebam o delineamento, o Sul é estreito e curto. A expansão esta no Norte. Por que é assim? Porque o nordestino não via o Tratado de Tordesilhas. Movidos pelo Sol, cearenses desbravavam o inferno verde. A raça cabeça chata (raça de ouro: náufragos de Atlântida que aportaram nesta esquina do mundo) buscando construir o El Dourado do Equador, um país de dois oceanos, como Canadá, EUA, México...Por que o Brasil não tem os dois oceanos? Por causa da frouxidão dos sulistas, deixaram as forças de Solano Lopes ocupar até o Mato Grosso!

Suspendemos a ocupação no norte para garantir a integridade nacional, os expulsamos e ocupamos o Paraguai matando todos os brancos, hoje, a língua lá é o guarani; deixamos o Paraguai de mão beijada para o Sul. Não mantiveram o Paraguai nem a Cisplatina. Falta garra aos sulistas não expandiram o Brasil, fizeram a Farroupilha briga de oligarquias esfarrapadas brincadeira de pau de fita arremedo fajuto de combates medievais por moças prendadas.

Abram um compasso do extremo norte do Brasil até o Paraguai. Tirem a ponta do Paraguai e movam 180 graus, vão ter a ideia de quão grande poderia ser o Brasil! Se tivessem mantido as fronteiras no sul, os nordestinos estariam levando o Brasil além das ilhas Galápagos! A economia do Sul tem como pedra basilar o charque — a chamada carne do sul, que não passa mesmo da carne do Ceará, a carne do sol. José de Ribamar cearense juntou a família e o gado tangido pelo sol andou até o Rio Grande do Sul, fez uma cidade que vivia de fazer carne do Ceará. Uma enchente chamou a saudade, José e família voltaram ao Ceará. A cidade hoje vive de outro negócio chama-se Pelotas.

A importância do nordestino na Grande Guerra é maior que toda a FEB junta: participação não só na Itália mas em todas as batalhas contra o nazismo, morreram, nessa batalha, mais nordestinos que todos da FEB na Itália; foi a guerra pela borracha na Amazônia que movia as todas as forças aliadas contra Hitler.

Os nordestinos constroem uma das maiores cidade do mundo, São Paulo, que não passa, de fato, do maior bairro de Maranguape. No Sul a maior contribuição dos nordestinos é com o povoamento. É que a gente gosta, minha teoria secreta: a gente gosta tanto que, se um quinto de nós sobrevivesse à seca, teria mais cearense que japonês. Portanto, muito cuidado antes de afogar um cearense, podes estar matando um parente!

Sulistas pensam em separação, eu ainda com a ideia de Pacifico para o Brasil, mar para a Bolívia e Paraguai. Redesenham com sangue inútil o mapa da velha Europa. Retalharam no milênio passado as sagradas areias do oriente delimitando fronteiras à povos nômades. Foi o Rei Leopoldo da Bélgica com uma régua entre um uísque e um chá, trocando um pelo outro, traçou fronteiras no novo mundo e no velho oriente: dividir mal para governar sempre.

Na biblioteca pessoal da presidência de Lula a ideia posta por mim a anos não dorme. É hora de reacendê-la. A bola esta agora também com Dilma.
Muito cuidado antes de afogar um cearense, podes estar matando um parente!
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Fonte:http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2010/11/15/noticiaopiniaojornal,2065081/antinordestinos-obtusos.shtml

Imprensa do mundo destaca Dilma e ignora Serra

15.11.10

Do "Blog da Dilma"
Por Celso Jardim

Imprensa internacional sobre Serra, quem é você........?

Nos EUA, a “ex-guerrilheira”, a “mulher de trajetória radical” foi a imagem que saltou aos olhos na primeira leitura dos grandes jornais quando citaram a eleição brasileira. Na Europa, a cobertura privilegiou a transformação social do Brasil e falou da quase certeza de vitória da “herdeira de Lula”. Espanhóis e franceses se depararam com o drama da “grande transformação social”; os britânicos, com a comparação engraçada com a “Thatcher de esquerda”; e os alemães leram mais sobre Lula do que sobre os candidatos à sucessão. Mas uma coisa se destacou sem exceção: nenhum jornal americano ou europeu levou realmente a sério a possibilidade de o candidato José Serra ou mesmo Marina Silva ganharem a eleição. Quando citados, eles assumiram uma posição de coadjuvantes tanto nos jornais que exploraram os temas sociais quanto entre os que acharam o lado guerrilheiro de Dilma mais interessante para destacar.

Outro ponto é que, ao comparar alguns dos principais jornais dos dois lados do Atlântico Norte, os europeus pareceram ter acesso a uma cobertura mais ampla.
Os espanhóis que compraram jornais ontem se depararam com reportagens sobre a “nova classe média brasileira” e a “revolução social”. Independente da linha editorial, a imprensa escrita do país chama mais a atenção para as mudanças sociais dos últimos anos do que para o perfil dos candidatos – o de Dilma, já que poucos mostraram dúvidas quanto à sua eleição.

Tanto o “ABC” quanto o “El Mundo”, jornais tidos como mais conservadores, falam da “nova classe média” que garantiu a escolha da herdeira de Lula. O “El Mundo” reclama da falta de projetos a serem discutidos na eleição: “O que não está escrito não pode ser cobrado”, replica o repórter, com tom desconsolado.

O jornal “El País”, que tem um perfil mais identificado com a esquerda espanhola, destaca também a ascensão social de parcela da população como o fenômeno mais importante a influenciar o pleito. “A classe C decide o futuro do Brasil”, afirma o título da reportagem do diário madrilenhoO “La Vanguardia”, de Barcelona, dava desde anteontem a disputa como já definida a favor de Dilma, graças sobretudo à “revolução social” no Brasil.

Na França, “Le Monde” destacou a “herdeira designada por Lula”, mas também foi atrás da mudança social. Seu correspondente visitou favelas na Rio de Janeiro, destacando as desigualdades ainda existentes. Em Jacarepaguá, compara uma comunidade carente com a riqueza da Barra da Tijuca, ali do lado.O “Libération”, mais à esquerda, foi a São Paulo e falou dos avanços em Heliópolis.

O destaque dado pelos países de língua latina às mudanças sociais contrasta com os anglo-saxões, que preferiram se centrar na figura de Dilma e na “continuidade” do governo LulaNo Reino Unido, um meio termo entre o interesse pelas questões sociais e o interesse pelo perfil da “ex-guerrilheiraO “Daily Telegraph” compara a imagem da candidata à dureza da baronesa Margaret Thatcher, o que chega a ser engraçado, dada a disparidade da trajetória das duasO “Guardian” vai ao Hotel Fasano no Rio de Janeiro para falar da “riqueza” do Brasil e fala de passagem sobre a candidata do PT. O correspondente mostra um certo deslumbramento com a noite passada no bar do hotel, o Londra. Um deslumbramento com o que chama de alta sociedade e gente bonita e descolada – não foi bem isso o que ele disse, mas como tradução livre o espírito foi esseO tom entretanto destoa mais quando se compara a cobertura europeia com a americana. Em dia no qual o Departamento de Estado dos EUA emitiu um alerta de risco de ataques terroristas para os americanos viajando pela Europa, a linha da grande imprensa se mostrou mais voltada para mostrar a “ex-guerrilheira.

Mesmo no mais liberal “New York Times” a primeira menção à candidata brasileira dizia que “na América Latina, líderes mulheres não causam estranheza, mas poucas podem igualar a trajetória radical de Dilma Rousseff, a ex-líder guerrilheira marxista de 62 anos que deve se tornar a primeira mulher presidente do Brasil.

Pelo resto da reportagem, o “Times” apresenta a situação política e econômica do país sem grandes temores de radicalismo, mas quem leu só o início da matéria poderia até mesmo ter ficado com essa impressão.

Essa impressão poderia ser reforçada se leitor passasse aos serviços de notícia pela internet. O MSNBC, um dos maiores do setor, apresenta Dilma também como a “ex-líder rebelde marxista” que agora promete continuar as políticas pró-mercado de LulaAlguns jornais entretanto se descolam dessa linha. O enviado especial do “Miami Herald” cita apenas de passagem a vida guerrilheira de Dilma e se centra na continuidade do governo LulaNesse caso, a cobertura do “Miami Herald” se aproximou muito mais da feita pelos jornais latino-americanos.

Celso Jardim com informações do Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores
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Fonte:http://blogdadilma.blog.br/2010/11/imprensa-do-mundo-destaca-dilma-e-ignora-serra.html

O PiG reforça o preconceito contra o nordestino

15.11.10
Do "Conversa Afiada"
O professor Albuquerque acusa a mídia que toma partido. Como a Eliane

“Depois de uma campanha presidencial violenta e baseada na mistificação, o resultado não podia ser outro: xenofobia. Mas, quem ganha com a divisão do Brasil ?”


Esta pergunta assustadora foi extraída da reportagem da Cynara Menezes, na Carta Capital de 10 de novembro de 2010, em que analisa o “legado” da campanha de José Serra.

A obra com que José Serra se despedirá da política brasileira (no plano nacional): o ódio.

Clique aqui para ler sobre o que Mino Carta disse do ódio de Serra.

E aqui para ver como o Mino descobriu que Serra fala pela boca de certo Itagiba, um ex-policial obscuro, cinzento, que habita no Reino da Treva.

Nesta excelente reportagem de Cynara – ela demonstra que, mesmo sem todos os votos do Nordeste, a Dilma se elegeria, fácil – este ordinário blogueiro descobriu o professor Durval Albuquerque Jr, professor de História da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e autor do livro “Preconceito contra a Origem Geográfica e de Lugar (Editora Cortez).

A entrevista com o professor Albuquerque vai ao ar nesta terça feira, às 21h15, na RecordNews.

O professor Albuquerque também critica a campanha de ódio de José Serra.

Ele fala que a campanha abriu a caixa de Pandora e tirou de lá o preconceito.

A tentativa de dizer que o Brasil é bicolor: azul para os do Sul, limpinhos, cheirosos, com PhD em Harvard; e vermelho para os pobres, desdentados, famintos e analfabetos do Nordeste.

Foi o que tentou fazer a Folha (**), ao dizer, logo depois da eleição, que o Nordeste elegeu a Dilma.

O professor Albuquerque lembrou que mora numa cidade – Natal – em que Serra venceu.

E nasceu em Campina Grande, na Paraíba, onde Serra venceu.

Mas, a intolerância, como se sabe, não guarda relação com a racionalidade.

Albuquerque lembrou que há sete anos não se ouve falar em assalto a supermercado, nem invasão de feira nas áreas de estiagem do Nordeste.

Por que ?

Porque o Bolsa Família gera renda e gera emprego.

O Bolsa Família não é Bolsa Vagabundagem, como disse a Notável Estadista chileno-brasileira, Monica Serra.

O Bolsa Família não aliena; ao contrário, diz Albuquerque.

Conscientizou, fez com que as pessoas se sentissem gente e passassem a querer mais.

A propósito, o professor Albuquerque lembrou de artigo da professora Tânia Bacelar, da Universidade Federal de Pernambuco – “o nordestino não votou por miolo de pão”)

Por que Dilma teve 80% dos votos do Maranhão ?

Oitenta por cento dos maranhenses recebem o Bolsa Familia ?

Não, porque as políticas do Governo Lula beneficiaram todas as classes do Maranhão.

Também no Nordeste, lembra Albuquerque, a classe média e a elite estão chateadas porque não conseguem mais empregada doméstica por salário miserável.

Acabou a escravidão – diria este ordinário blogueiro.

(E vai acabar mais ainda com o ENEM; clique aqui para ler sobre a “Xenofobia e intolerância em SP – onde isso vai parar ?”)

Este ordinário blogueiro perguntou ao professor Albuquerque como se acaba com o preconceito, com essa intolerância.

Ele acusou a mídia, aqui chamada de PiG (*).

Mais especificamente falou de “comentaristas” e colonistas (***) da televisão que, logo após a eleição desqualificaram a eleição da Dilma com o argumento e que eram votos dos pobres ignorantes do Nordeste.

Ou seja, ele se referia – sem dar o nome – à GloboNews, que se tornou um viveiro de intolerantes (para usar uma palavra doce).

A mídia estimula, engrossa o preconceito, segundo o professor Albuquerque.

Nesse ambiente de mídia que toma partido – como é o caso do PiG (*) e da GloboNews – só o voto obrigatório garante a inclusão social.

É por isso que este ordinário blogueiro repete: ou a Dilma faz a Ley de Medios ou o PiG derruba ela .

Depois que o PiG a derrubar, comentaristas da GloboNews farão analises profundas sobre como o Azul superou o Vermelho; ou, como os cheirosos valem mais que os fedorentos.

Clique aqui para rever o vídeo inesquecível em que a colonista (***) Eliane Catanhêde descreve os tucanos como “cheirosos”, umas gracinhas.

Clique aqui para ler “Silvio Santos vai obrigar a Dilma a fazer a Ley de Medios”.


Paulo Henrique Amorim



Em tempo: o Conversa Afiada reproduz texto enviado pelo amigo blogueiro (sujo) Eduardo Guimarães:

No último dia 11, no Plenário da Câmara Municipal de São Paulo, sob iniciativa de parlamentares da Casa como o vereador Francisco Chas, da ONG Movimento dos Sem Mídia, do Centro de Tradições Nordestinas e outras entidades ligadas ao movimento negro, nordestino e de direitos humanos, foi feito um ato contra o racismo no Estado.

O plenário da Câmara, que comporta 500 pessoas sentadas, no auge do evento teve todos os assentos ocupados pelo público e algumas pessoas ainda tiveram que ficar em pé. Boa parte dos presentes era de membros do MSM, pelo que há que cumprimentar essas pessoas.

Devido ao fato de o signatário deste blog ter ocupado a mesa de debates ao lado de autoridades como os vereadores petistas Francisco Chagas e Ítalo Cardoso, e também do representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Centro de Tradições Nordestinas (CTE), faltam mais fotos inclusive da mesa. Quem tiver fotos do evento para enviar a este blog, elas serão publicadas.

Surpreendentemente, o presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D’Urso, enviou mensagem oficial da entidade de apoio ao ato. Além disso, a equipe do programa CQC, da tevê Bandeirantes, também cobriu o evento.

A fala deste blogueiro ao público presente foi no sentido de que a sociedade deve atentar para o fato de que o racismo anti-nordestinos não se resume à jovem estudante de Direito que veiculou mensagens ofensivas àquela parcela dos brasileiros oriunda do Nordeste, sendo uma postura generalizada entre as classes média-alta e alta de São Paulo.

O Movimento dos Sem Mídia também pediu punição exemplar dos praticantes de racismo e sugeriu ao vereador Francisco Chagas, autor de representação contra 94 pessoas que enviaram mensagens racistas por meio de redes sociais, que inclua na ação junto ao Ministério Público os signatários do manifesto racista “São Paulo para os paulistas”, que segue na internet.

Uma boa notícia: o Ministério Público Federal acolheu a representação do vereador Francisco Chagas e decretou segredo de Justiça nas investigações. Ou seja: todos os racistas que veicularam mensagens contra o povo nordestino na internet serão investigados pelo crime também em nível federal.

Apesar do boicote da imprensa em geral, o ato público contra o racismo teve um peso político bastante significativo porque mostrou que a sociedade dispõe de meios para reagir contra essa praga ideológica inclusive do ponto de vista legal, bem como em termos de mobilização de entidades que se mostram dispostas a atuar com firmeza contra esse tipo de crime.

Mais importante do que o ato, porém, será a fiscalização dos processos abertos contra os racistas. Não se aceitará que saiam impunes e haverá instrumentos para garantir que isso não ocorra, até porque as manifestações de intolerância e preconceito em São Paulo só fazem crescer.

Contudo, a indiferença da imprensa em relação ao racismo não é o mais grave. Veículos como a Folha de São Paulo chegaram a publicar textos de apologia ao racismo. Dois artigos foram publicados nesse sentido pelo jornal na 5ª e na 6ª feira da semana passada. O Movimento dos Sem Mídia estuda a possibilidade de tais textos terem infringido a lei.


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(***) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (*) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/pig/2010/11/15/o-pig-reforca-o-preconceito-contra-o-nordestino/

BREVE RETRATO DA COLÔMBIA

Sábado, 13 de Novembro de 2010
Por Fernando Samuel nno Cravo de Abril

Eis um breve retrato da Colômbia de Uribe & Santos Associados (USA) patrocinados por Obama:

Em 2010, até agora, foram assassinados 37 sindicalistas - o que quer dizer que 67% dos sindicalistas assassinados no mundo são colombianos.

O número de presos políticos ultrapassa os 7 500.

Nos últimos três anos, o total de desaparecidos em resultado do terrorismo de Estado, ultrapassa os 38 mil.

Nos últimos quinze anos, os paramilitares executaram mais de 30 mil pessoas.

O uso de fornos crematórios tornou-se prática corrente.

A maior vala comum da América Latina foi encontrada na Colômbia: muitos dos 2 mil cadáveres ali depositados são de jovens, aliciados e depois executados pelo exército e apresentados à comunicação social como guerrilheiros das FARC.

Há notícia de mais 4 000 valas comuns.

Nos últimos quinze anos, os paramilitares executaram mais de 30 mil pessoas.

28 milhões de colombianos - 68% da população do país - vivem na pobreza.

Todos os anos morrem, de desnutrição, mais de 20 mil crianças menores de cinco anos.

Sete bases militares dos EUA instaladas na Colômbia asseguram a paz, a ordem, a democracia, a liberdade - e, obviamente, o respeito pelos direitos humanos...

Fernando Samuel no Cravo de Abril
***
Fonte:http://resistirporummundomelhor.blogspot.com/2010/11/breve-retrato-da-colombia.html

Altamiro Borges: Sindicalismo, é hora de maior ousadia Desafios sindicais no governo Dilma (3)

15 de novembro de 2010 às 20:01
Por Altamiro Borges* , em Adital

A soma de vários fatores – crescimento econômico, relações democráticas com o novo governo e amadurecimento do sindicalismo – confirma que o cenário atual é bem mais favorável à luta dos trabalhadores por seus direitos. Durante os anos de hegemonia neoliberal, os sindicatos ficaram na acuados devido à explosão do desemprego e à regressão do trabalho, que fragmentou a classe e dificultou suas lutas. Hoje, é possível sair da retranca e adotar táticas mais ofensivas, ousadas.

As conquistas recentes na economia e na política não foram dádivas. O sindicalismo foi protagonista destes avanços e se cacifou para propor novas mudanças. Ele sempre defendeu o fortalecimento do mercado interno, o reforço do papel do estado, a valorização do trabalho, a prioridade aos programas sociais e a soberania. Nas 65 conferências promovidas pelo governo Lula, que reuniram 4,5 milhões de pessoas em debates democráticos sobre os rumos do país, o sindicalismo lutou por novo projeto nacional de desenvolvimento.

A militância na disputa eleitoral

Ele nunca aceitou a postura ortodoxa que impera no Banco Central, com o seu tripé de política monetária restritiva, política fiscal contracionista e política cambial entreguista. Sem abdicar da sua autonomia e independência, o sindicalismo reúne hoje melhores condições para interferir politicamente nos rumos do país.

No momento mais difícil da campanha eleitoral, quando Dilma Rousseff foi alvo de baixarias da direita e do bombardeio manipulador da mídia, ele foi às ruas, praças, portas de empresas, filas do transporte para alertar a sociedade sobre o risco do retrocesso. Sua militância foi decisiva para a continuidade do projeto político iniciado pelo presidente Lula. Não é para menos que José Serra, o candidato da direita, fez duros ataques ao movimento sindical, repetindo o coro dos golpistas de 1964 contra a “república sindicalista”.

Hora de maior ousadia

Agora é a hora de partir para ofensiva. De cobrar as promessas de campanha e exigir mudanças urgentes no país. O sindicalismo não pode se limitar à luta corporativa e econômica. Ele precisa politizar suas bases e interferir nos rumos nacionais. No campo político, é urgente defender as reformas estruturais – agrária, urbana, educacional, política, tributária e de democratização da mídia. Ainda na sua relação autônoma com o governo, ele necessita pressionar por mudanças na política macroeconômica, superando o tripé neoliberal que contém o desenvolvimento.

Já no terreno econômico, o quadro atual de retomada do crescimento também permite uma ação mais ousada. Se em plena crise capitalista, 93% das categorias conquistaram reajustes iguais ou superiores à inflação, num cenário de aquecimento é possível exigir muito mais das empresas. Elas estão auferindo lucros recordes e não têm do que choramingar. Fruto do crescimento, a arrecadação dos estados cresce em ritmo vertiginoso. O poder público não pode mais alegar problemas de caixa, não pode mais repetir a falácia da redução de gastos e do “ajuste fiscal”.

Este é o momento para exigir a distribuição dos lucros decorrentes do aumento da produtividade e da arrecadação. Esta é a melhor hora para enterrar os entulhos da regressão trabalhista imposta pelos neoliberais, em especial com suas medidas de precarização da jornada (banco de horas), da contratação (terceirização e outras formas de contratos precários) e da remuneração (salários variáveis). Já no âmbito federal, o fim do fator previdenciário, que arrocha as aposentadorias e pensões e alonga o tempo de trabalho, torna-se uma realidade palpável. Não há porque manter esta fórmula injusta e draconiana, imposta nos tempos neoliberais de FHC.

“Uma reforma revolucionária”

Na contramão da ofensiva mundial de desmonte dos direitos trabalhistas, o Brasil reúne hoje as melhores condições para conquistar a redução da jornada para 40 horas semanais – o que seria uma vitória histórica do sindicalismo brasileiro, uma autêntica “reforma revolucionária”.

No final de 2009, uma Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 231/95 que institui a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais. De autoria dos senadores Paulo Paim (PT/RS) e Inácio Arruda (PCdoB/CE), o texto prevê ainda o aumento do valor da hora-extra de 50% para 75% e veta qualquer redução dos salários. Naquela ocasião, mais de mil ativistas sindicais lotaram as galerias do Salão Nereu Ramos e festejaram a aprovação.

Na sequência, o projeto ficou congelado devido às pressões da bancada patronal. O projeto deve voltar à pauta no início da próxima legislatura. A bancada dos trabalhadores cresceu na última eleição e alguns deputados patronais não foram reeleitos. A correlação de forças no Congresso Nacional agora é mais favorável à aprovação desta medida. O sindicalismo deve colocar como prioridade máxima esta conquista.

Impactos da redução da jornada

Segundo o Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese), a redução da jornada “teria o impacto potencial de gerar em torno de 2.252.600 novos postos de trabalho”. Já o fim ou redução das horas extras e uma nova regulamentação do banco de horas, que não permitam aos empresários compensar os efeitos da jornada menor com a intensificação dos ritmos de trabalho, “teria potencial de geração de 1.2000.000 novos empregos”.

Além de gerar quase 3,5 milhões de novos postos de trabalho, a redução daria mais sentido à vida do trabalhador, permitindo maior convívio familiar, lazer e estudo. Ela democratizaria os ganhos de produtividade e impulsionaria o crescimento da economia como fruto da geração de mais emprego, renda e consumo.

Ainda no âmbito do Poder Legislativo, urge retomar a pressão pela ratificação da Convenção 158 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que limita as demissões imotivadas e daria um impulso à ação sindical, contrapondo-se à alta rotatividade no emprego por razões econômicas e políticas. Também avança o debate legislativo sobre os efeitos da terceirização, que rebaixa os salários, retira direitos trabalhistas, aumenta os acidentes de trabalho e, inclusive, gera prejuízos às contratantes devido à ineficiência das terceirizadas. A proposta é coibir esta chaga, garantindo aos terceirizados o mesmo reajuste salarial e os mesmos direitos dos trabalhadores da “empresa-mãe” e, o que é muito importante, que eles sejam representados pelo sindicato do setor.

Gargalos do sindicalismo

Para transformar o atual momento numa “janela de oportunidades”, o sindicalismo deverá ainda também enfrentar seus próprios gargalos. Há sintomas preocupantes de crise que ainda persistem da fase do tsunami neoliberal. Entre eles, quatro se destacam.

Devido ao desemprego e à precarização, os sindicatos reduziram seu enraizamento nas empresas. É urgente investir todas as energias na organização sindical nos locais de trabalho. O sindicato só é forte quando está presente no coração da exploração, quando conta com ativistas dispostos a mobilizar os trabalhadores na luta por seus direitos, contra qualquer tipo de injustiça e opressão.

Outro sinal preocupante é o do afastamento da juventude. Com uma formação individualista e tecnicista, os jovens não se sentem representados nos sindicatos, não possuem uma cultura de valorização da ação coletiva e desconhecem que seus direitos derivam da luta de outras gerações. Para atingir esta juventude, ainda tão distante, é preciso repensar a linguagem do sindicalismo, que está envelhecida, e as formas de atuação. Só a luta economicista não motiva os jovens, que procuram outras formas para se expressar — como a cultura e o lazer.

A estratégica luta de ideias

Um terceiro desafio é o de investir na formação político-sindical, o que ajuda a reciclar antigas lideranças e a forjar novos líderes. A luta de idéias na sociedade é cada dia mais complexa e dura. A mídia manipula informações e deforma comportamentos. As empresas também investem na luta de ideias para seduzir os trabalhadores. Sem um trabalho permanente de formação, que municie as lideranças e estimule o senso crítico, o sindicalismo ficará sempre em desvantagem no embate ideológico – o que dificultará sua capacidade de mobilização e organização.

Por último, ainda no terreno da luta de ideias, o sindicalismo necessita aprimorar seus meios de comunicação, seu contato diário com as bases. Sem repensar sua linguagem e sem utilizar todas as ferramentas hoje disponíveis (jornais, revistas, programas de rádio e televisão, internet) será difícil enfrentar a alienação e o ceticismo reinantes no meio dos trabalhadores, que prejudica a ação coletiva por seus direitos.

Leia também:

O sindicalismo no governo Dilma (1)
O sindicalismo no governo Lula (2)


* Altamiro Borges é jornalista, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa “Barão de Itararé” e membro do Comitê Central do PCdoB
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/altamiro-borges-sindicalismo-e-hora-de-maior-ousadia.html

Após 8 anos, irmãos de Lula mantêm vida modesta

Segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Genival Inácio da Silva, o Vavá, um dos seis irmãos vivos de Lula,
no terraço de sua casa, em São Bernardo

A Folha, jornal dos tucanos, foi xeretar a vida dos irmãos do Presidente Lula,diferente do tucano José Serra, ninguém ficou rico na política. Veja a matéria para os assinantes...

Vavá tinha 108 canários do reino, hoje não resta nenhum. O motivo: os ratos de telhado que invadiam o viveiro do seu sobrado na periferia de São Bernardo do Campo, Grande São Paulo.

A casa simples onde mora Vavá, ou Genival Inácio da Silva, irmão do presidente Lula, é a mesma há 36 anos.

Às vésperas do segundo turno da eleição, ele conversou por uma hora com a Folha. De início, gritou para a mulher, que atendeu o portão, que não queria papo. Mas logo cedeu e convidou a reportagem a entrar.

Primeiro falou na apertada sala (5 m2), decorada com móveis tipo Casas Bahia, azulejo barato, uma TV grande e três quadros: uma foto oficial do presidente (com o autógrafo "Para o meu querido irmão Vavá, um abraço do Lula"); um retrato em preto e branco da mãe, dona Lindu, e um quadro bordado de uma mulher-anjo.

Depois, no terraço do primeiro andar nos fundos da casa, onde havia a criação, contou que os ratos arruinaram os canários e ele foi forçado a dar os que restaram.
Personagem do noticiário em 2007, quando foi indiciado pela Polícia Federal por tráfico de influência e exploração de prestígio na Operação Xeque-Mate (que investigou máfia de caça-níqueis), Vavá foi excluído da denúncia do Ministério Público.

"Os caras pensam que a gente é milionário. Quebraram a cara. Desmoralizam você, te jogam no lixo. Se não tiver cabeça, acabou."

Aposentado como supervisor de transporte da Prefeitura de São Bernardo, pouco sai de casa. Ainda se ressente de seis cirurgias nos últimos anos (no fêmur e na coluna).

DUREZA

A poucos dias de Lula deixar a Presidência, após oito anos no cargo, os seus seis irmãos vivos moram em situação semelhante à de Vavá, alguns com maior dureza.
O primogênito, Jaime, 73, vive numa periferia pobre de São Bernardo, acorda diariamente às 4h30 e vai de ônibus para o trabalho, numa metalúrgica na Vila das Mercês, zona sul de São Paulo.

Marinete, 72, a mais velha das mulheres, que foi doméstica na juventude e hoje não trabalha, é vizinha de Vavá.

Quando a Folha o entrevistava, ela surgiu no terraço dos fundos do seu sobrado, colado ao dele, para checar um contratempo. "Não tem água. Acabou a água da rua e estou sem água", queixou-se. "Marinete do céu, nenhuma das duas [da rua ou da caixa]?", questionou Vavá.

O fotógrafo da Folha subiu no muro para checar o registro da caixa d'água. "Ó o sujeito... Ah, você não vai subir, não. Filhinho de papai, não sabe subir em muro", gracejou Marinete.

Vavá, 71, é o terceiro. É seguido por Frei Chico (José Ferreira da Silva), 68, o responsável por introduzir Lula no sindicalismo. Metalúrgico aposentado, Frei Chico recebe ainda uma indenização mensal de R$ 4.000 por ter sido preso e torturado na ditadura. Presta assessoria sindical e mora em São Caetano.

Maria, a Baixinha, 67, e Tiana (cujo nome de batismo é Ruth), 60, a caçula -Lula, 65, está entre as duas-, completam a família. A primeira vive no mesmo bairro que Vavá e Marinete e não trabalha; Tiana, merendeira numa escola pública, mora na zona leste de São Paulo.

Esses são os sobreviventes dos 11 filhos de dona Lindu com o pai de Lula, Aristides -que teve vários outros filhos com outras mulheres.

SAÚDE

Todos os irmãos do presidente Lula têm problemas de saúde. Jaime e Maria enfrentaram cânceres. Frei Chico é cardíaco. Vavá tem complicações ósseas. Marinete está com uma doença grave que os irmãos não revelam."Só tem o Lula bom ainda", afirma Frei Chico.

Os parentes dizem não receber auxílio financeiro do presidente e não se queixam disso. "Ele não foi eleito presidente para ajudar a família. Seria ridículo se desse dinheiro", declara Vavá.

"Não tem o que dizer. O Lula tem a vida dele, temos a nossa. Ainda posso trabalhar, trabalho", diz Jaime.

Frei Chico conta estar aliviado com o fim do mandato de Lula na Presidência. Ele acredita que vai cessar o assédio aos irmãos em busca de atalhos até o Planalto."Para nós, só tem a melhorar. Vamos ficar mais tranquilos em relação à paparicagem. É muita gente enchendo o saco, gente que achava que a gente podia fazer alguma coisa", afirma.

Os irmãos não têm ilusão de que, ao deixar Brasília, Lula seja assíduo nas reuniões familiares. "Estamos envelhecendo, a família vai chegando ao fim e assumem os filhos e sobrinhos, a família lateral", diz Vavá.O consolo é pensar que o irmão famoso estará mais perto. "Ele disse que não vê a hora de voltar [para São Bernardo] para descansar um pouco. Ele está muito cansado. O Lula tem trabalhado muito", afirma Marinete.
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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2010/11/apos-8-anos-irmaos-de-lula-mantem-vida.html

Congresso Nacional discute mais de 250 projetos de novas disciplinas no currículo escolar

15/11/2010
Do site do Jornal Nacional/Rede Globo

Entre as novas disciplinas obrigatórias, estão: xadrez, educação no trânsito, males da dependência química, gravidez na adolescência, educação financeira e direito do consumidor.

Estão em discussão no Congresso mais de 250 projetos para mudar o currículo escolar brasileiro. Veja na reportagem de Lília Teles.

Um grupo de adolescentes escolheu estudar esperanto, uma das matérias eletivas oferecidas pela escola. E os alunos sabem que fazem parte de uma minoria: “Normalmente, a gente só fala em sala”, conta um dos alunos.

Mas se depender do Congresso Nacional, não só o esperanto, mas outras 250 novas disciplinas vão se tornar obrigatórias no currículo escolar. Um levantamento feito nos projetos de lei relacionados à educação revelou muitas propostas curiosas.

Deputados e senadores querem que sejam obrigatórios: xadrez; educação no trânsito; males da dependência química; gravidez na adolescência; educação financeira; direito do consumidor; a volta de educação moral e cívica, matéria que era obrigatória durante os anos da ditadura; e cultura cigana.

Os alunos que já têm doze matérias obrigatórias no currículo acham que os novos temas poderiam ser tratados dentro de disciplinas que já existem: “A gente tem que levar em consideração o tempo que a gente tem. Não cabe 256 novas disciplinas no nosso currículo”, diz um aluno.

“O conhecimento na vida é um conhecimento entrelaçado. De fato, dificilmente, a escola consegue fazer esse entrelaçamento do conhecimento. É isso que é necessário”,explica a professora Teresa Tedesco.

O professor Sérgio Haddad, coordenador da organização não governamental que fez o levantamento, diz que a criação dessas novas disciplinas desvia o que deveria ser o verdadeiro foco do Congresso Nacional: estabelecer e fiscalizar metas para o Plano Nacional de Diretrizes Básicas da Educação.

“Estabelecer os Planos Nacionais de Educação significa uma responsabilidade a cada dez anos e, portanto, ao longo de cada novo plano: acompanhar, ver se as metas estão sendo atingidas, cobrar para que isso possa se realizar de maneira suficiente”, explica.
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Fonte:http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2010/11/congresso-nacional-discute-mais-de-250-projetos-de-novas-disciplinas-no-curriculo-escolar.html

Comissão de juristas trabalha em novo Código Eleitoral brasileiro

15/11/2010
Agência Estado
O ministro do STF, José Antonio Dias Toffoli, que participa da comissão que trabalha na reforma do Código Eleitoral Brasileiro

Datado de 1965, em plena ditadura militar, o Código Eleitoral Brasileiro deve passar por uma profunda reforma que prevê atualizá-lo e torná-lo mais ágil e eficaz. Os exemplos negativos recentes da atual legislação, considerada ultrapassada por especialistas, foram a cassação, no ano passado, dos governadores da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), e do Maranhão, Jackson Lago (PDT), no meio do mandato por infrações cometidas ainda na campanha eleitoral.

Uma comissão de juristas indicada pelo Senado trabalha, desde junho, para mudar o código por leis ordinárias, sem mexer na Constituição. Até meados de dezembro, a comissão, presidida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), José Antonio Dias Toffoli, deve apresentar um anteprojeto ao Legislativo.

Alguns temas em discussão, segundo o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, Walter de Almeida Guilherme, que integra a comissão, são a criação de mecanismos para acelerar decisões judiciais, unificar recursos e estabelecer novas formas de prestação de contas e divulgação de pesquisas eleitorais. "Sem dúvida, o Código precisa ser atualizado. Todos concordamos que ele está absolutamente defasado", afirmou Guilherme.

O ministro Dias Toffoli destacou que há consenso em estabelecer um teto de gastos para campanhas eleitorais. "Como está hoje em dia, os próprios candidatos estabelecem um teto, o que atenta contra a igualdade de oportunidades e encarece demais as campanhas", disse. A comissão, porém, não vai discutir temas como voto distrital e em listas, fidelidade partidária e formas de inelegibilidade, por serem temas de uma reforma política. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/comissao+de+juristas+trabalha+em+novo+codigo+eleitoral+brasileiro/n1237827467751.html

Força Sindical aciona STF contra subsídios ilegais de PR e SC

15/11/2010
Agência Estado

Segundo a central sindical, os dois Estados estão fornecendo subsídios ilegais a importadores, prejudicando a indústria nacional

A Força Sindical ingressará amanhã, às 11 horas, no Supremo Tribunal Federal (STF), com duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (Adin) contra os Estados do Paraná e Santa Catarina. Os dois Estados, segundo a central sindical, estariam concedendo subsídios ilegais à importação, o que estaria acarretando prejuízos para a indústria nacional e, consequentemente, à geração de empregos.

As ações serão impetradas por intermédio da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM), setor que estaria sendo mais afetado pela guerra fiscal deflagrada por Paraná e Santa Catarina, que teriam zerado ou diminuído significativamente impostos de suas competências, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

A apresentação das Adins será feita pelo presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, e representantes da CNTM, no setor de protocolos do STF, em Brasília. De acordo com a central sindical, a ilegalidade dos subsídios ocorreria porque os incentivos não teriam a autorização do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), órgão que reúne os secretários estaduais de Fazenda e tem como missão elaborar e harmonizar procedimentos e normas inerentes ao exercício da competência tributária dos Estados e Distrito Federal (DF). Na próxima semana, a Força Sindical entrará com Adins também contra os Estados de Pernambuco, Ceará, Alagoas e Goiás.

"Incentivos à importação por Estados com portos queima empregos no Brasil e cria postos de trabalho na China e em outros países. Só no setor siderúrgico deixaram de serem criados 15.400 empregos diretos e 61.600 empregos indiretos neste ano. O problema afeta também máquinas, equipamentos e têxteis", afirma Paulinho.

De acordo com ele, a operação ilegal se dá da seguinte forma: enquanto no porto de Santos (SP) o ICMS cobrado na importação é de 18%, nos portos de Itajaí (SC) e Suape (PE) é de zero. Quando os produtos são transportados dessas cidades para São Paulo, cobra-se do importador de 3% a 5%. A redução do ICMS para 3%, no caso de Santa Catarina, significa uma vantagem tributária de 19,6% no preço, considerando a inclusão do PIS (Programa de Integração Social) e da COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social). O importador acaba pagando mais por logística - o custo do transporte, mas economiza no imposto.
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Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/forca+sindical+aciona+stf+contra+subsidios+ilegais+de+pr+e+sc/n1237827768754.html?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

OPERAÇÃO BANDEIRANTE: MPF-SP move ação contra militares identificados como torturadores

04/11/2010
Da Redação do "Última Instância"
Postado por Irineu Messias,em 15.11.2010

O MPF-SP (Ministério Público Federal em São Paulo) ajuizou ação civil pública visando à declaração da responsabilidade civil de quatro militares reformados sobre mortes ou desaparecimentos forçados de pelo menos seis pessoas, além de tortura contra outras 19 pessoas. Os crimes teriam sido praticados durante a Oban (Operação Bandeirante), criada e coordenada pelo Comando do II Exército no auge da repressão, em 1969 e 1970.

A ação pede ainda que os acusados sejam condenados a pagar indenização à sociedade, tenham as aposentadorias cassadas e ajudem a cobrir os gastos da União com indenizações para as vítimas.

São demandados na ação os militares reformados das Forças Armadas Homero Cesar Machado, Innocencio Fabricio de Mattos Beltrão e Maurício Lopes Lima e o capitão reformado da PM de São Paulo, João Thomaz.

A Oban pretendia agrupar num único destacamento o trabalho de repressão política estadual e federal, até então disperso entre as Forças Armadas e as polícias civis, militares e federal. Criado em São Paulo após a edição do AI-5 (Ato Institucional nº 5/68) e sob o comando do Exército, o projeto ficou conhecido pelo uso da tortura como meio rotineiro de investigação e de punição de dissidentes políticos.

A ação narra 15 episódios de violência estatal que vitimaram fatalmente pelo menos seis militantes políticos, entre eles Virgílio Gomes da Silva, o Jonas, apontado como líder do sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick. O trabalho do MPF se baseou em depoimentos dados a tribunais militares por diversas vítimas da Oban (compilados no Projeto Brasil Nunca Mais) e informações mantidas em arquivos públicos, além de testemunhos de algumas vítimas. São citados os casos de Frei Tito, que se suicidaria quatro anos depois por sequelas da tortura, e da presidente eleita Dilma Rousseff, presa e torturada em 1970.

Dos gravíssimos episódios narrados na ação, destaca-se a violência sofrida pela família de Virgílio Gomes da Silva. Sua esposa Ilda, seu irmão Francisco e três dos quatro filhos do casal foram presos pela Oban. Ilda não só foi torturada como obrigada a assistir a aplicação de choques elétricos em sua filha Isabel, então com quatro meses de idade.

Lei de Anistia

O MPF esclarece na ação que a Lei de Anistia e o julgamento da ADPF 153 pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que reafirmou a validade da lei, não inviabilizam medidas de responsabilização civil como as propostas na nova ação.

Primeiro, porque a Lei de Anistia não faz menção a obrigações cíveis decorrentes de atos ilícitos anistiados pela lei. No julgamento, os ministros do STF que julgaram procedente a ADPF destacaram a importância de se buscar medidas visando à reparação, ao esclarecimento da verdade e a outras providências relacionadas ao que se passou no período abrangido pela lei, ainda que a punição criminal esteja vedada.

Os procuradores lembram, ainda, que o caso está sujeito às obrigações internacionais assumidas pelo Estado brasileiro de apuração de graves violações aos direitos humanos. Em especial, a Justiça brasileira deverá seguir o que vier a ser decidido pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que está julgando a ação apresentada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA contra o Brasil no caso Julia Lund – Guerrilha do Araguaia. Estima-se que a CIDH decidirá a matéria ainda neste ano.

Os episódios de tortura e morte narrados, assinalam os autores da ação, configuram crimes contra a humanidade, considerados imprescritíveis, tanto no campo cível, como no penal.
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Fonte:http://ultimainstancia.uol.com.br/noticia/MPFSP+MOVE+ACAO+CONTRA+MILITARES+IDENTIFICADOS+COMO+TORTURADORES+_71824.shtml

Aprovação da Comissão da Verdade deve ficar para o governo Dilma

15/11/2010
Agência Brasil

A aprovação do Projeto de Lei 7.376/2010 que cria a Comissão Nacional da Verdade ficará para a próxima legislatura, durante o governo da presidenta eleita, Dilma Rousseff. O intuito da comissão é examinar e esclarecer as “graves violações de direitos humanos” praticadas entre a promulgação da Constituição de 1946 e a promulgação da atual Constituição (de 1988) – período que abrange a ditadura militar (1964-1985), quando houve perseguições a militantes políticos de oposição, entre eles a própria presidenta eleita.

O PL, enviado à Câmara dos Deputados às vésperas da campanha eleitoral, aguarda desde 25 de maio a indicação, feita pelos líderes de partido, dos nomes dos 17 deputados titulares e 17 suplentes que deverão compor a comissão especial. Farão parte do grupo parlamentares das comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; Relações Exteriores e de Defesa Nacional; Direitos Humanos e Minorias; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para o deputado José Genoino (PT-SP), a aprovação do PL da Comissão da Verdade este ano “seria ideal”, mas só deveria ser votado “se houvesse unanimidade”. O deputado reconhece que o projeto ficará para o próximo ano e recomenda que o texto seja aprovado como está. “Mexer no texto é provocar um enxame de abelhas”, alerta. Segundo ele, a proposta é equilibrada, pois foi feita com a participação da Secretaria de Direitos Humanos e do Ministério da Defesa.

O atual governo desistiu da aprovação do PL este ano. De acordo com o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), “não há nenhuma condição de tratar essa matéria. Só temos 11 dias de sessões deliberativas até o final do ano”, calculou. Segundo ele, terão prioridade para o governo a aprovação da Lei Orçamentária 2011, o marco regulatório para a exploração das reservas de petróleo do pré-sal, além das medidas provisórias que estão na pauta do Congresso.

Prioridades

De acordo com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, “não há consenso em torno do PL da Comissão da Verdade”. Além das matérias indicadas por Vacarezza, Padilha disse que o governo tem como prioridade a aprovação, na Câmara, do Vale Cultura, da mudança no Super Simples, da redução de impostos para inovação tecnológica, da isenção de imposto para a construção de estádios de futebol e da alteração da Lei Pelé. No Senado, o governo pretende até o final do ano ver aprovado o Cadastro Positivo (para correntistas), a atualização de Lei de Licitações, a reformulação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e as mudanças no sistema de licenciamento ambiental.
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Fonte:http://ultimainstancia.uol.com.br/noticia/APROVACAO+DA+COMISSAO+DA+VERDADE+DEVE+FICAR+PARA+O+GOVERNO+DILMA_71966.shtml

Coisas Inúteis que Aprendi na Escola

Publicado originalmente em 22.08.2010, no site "Caldeirão de Ideias"
Postado por Irineu Messias, em 15.11.2010


Olá Amigos

Por intermédio de minha amiga e parceira de NTE Vina ela me apresentou a tira dos Bichinhos de Jardim onde falava das coisas inúteis que aprendemos na nossa vida escolar. Ai li um twittie da Revista Veja em falavam sobre o inchaço do conteúdo escolar. O artigo falava do inchaço do curriculo e a tirinha falava dessas coisas inúteis que aprendemos na escola (é duvido que alguém possa provar que o ensino delas sejam relevantes ou necessárias), são frutos de um currículo escolar inchado e que não para de crescer (ou procriar igual aos bichinhos do filme Gremlins) .

Atentem que no curtíssimo espaço de 2007 até agora, foram incluídos, por emendas, nada menos do que seis novos conteúdos na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da educação. Isso mesmo seis novos conteúdos e ainda pode crescer mais( filosofia, sociologia, artes, música, cultura afro-brasileira, cultura indígena, direitos de crianças e adolescentes, educação para o trânsito, direitos do idoso e meio ambiente.), pois há mais emendas no congresso nacional. Tramitam ainda no Congresso centenas de projetos propondo a criação de mais "conteúdos". No levantamento que fez para sua tese de doutorado, a professora Fátima Oliveira, da Universidade Federal de Minas Gerais, constatou que só a Câmara dos Deputados recebeu 545 propostas desse tipo, entre 1995 e 2003.

Não bastasse a dificuldade que já enfrentamos para ensinar aos alunos as disciplinas básicas, como português, matemática e ciências, o inchaço de conteúdos faz com que muitos professores acabem perdendo o controle dos seus cursos. Outra ótica cruel é a que os conteúdos adicionais representam um desafio para gestores, particularmente os de escolas públicas, que normalmente já se veem às voltas com questões como falta de professor e de material didático. Isso sem falar no problema constituído por alunos com dificuldade para aprender operações matemáticas elementares ou a interpretar um texto de conteúdo compatível com as suas idades.

A ideia é que as novas disciplinas sejam lecionadas como parte das disciplinas básicas, sem necessidade de aulas exclusivas para os chamados temas sociais. Em São Paulo, por exemplo, a Secretaria da Educação teve de cortar aulas de história no ensino médio em 2008 para cumprir a lei e aumentar as de filosofia e incluir sociologia na grade. Na época, os estudantes do período diurno tiveram uma redução de cerca de 80 aulas de história, na soma dos três anos letivos do ensino médio.

Mas será que resolve?

A questão não é discutir se inovações como filosofia, sociologia, artes e música, além de temas como educação para o trânsito, direitos do idoso e meio ambiente são ou não relevantes. O problema ocorre quando esses conteúdos são incluídos de forma aleatória, na maioria das vezes pela pressão do corporativismo. Por mais que essas disciplinas sejam importantes, o fato é que acabam ocupando as atenções dos gestores de escola, que precisam despender ainda mais energia na contratação de professores ou em busca de material didático e mudança dos currículos. O ideal seria que o país se concentrasse no essencial nessa área e, a partir daí, pudesse se empenhar, de fato, em fazer o melhor para assegurar educação de qualidade para todos.

É um tema que merece a nossa atenção é um debate mais profundo.

Bem então mãos a obra.

Comente, Opine

Abraços

Equipe NTE Itaperuna
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Fonte:http://nteitaperuna.blogspot.com/2010/08/coisas-inuteis-que-aprendi-na-escola.html

Equipe de Dilma prepara reajuste do Bolsa-Família acima da inflação

15 de novembro de 2010

Marta Salomon - O Estado de S.Paulo

Na avaliação do principal programa social do governo, prevalece a visão de que a simples reposição dos cerca de 9% da inflação acumulada desde o último reajuste é pouco

A equipe de transição da presidente eleita, Dilma Rousseff, avalia a concessão de um reajuste acima da inflação para os benefícios do Bolsa-Família. De acordo com análise feita no governo, a reposição de pouco mais de 9% da inflação acumulada pelo INPC desde o último reajuste não seria suficiente para começar a tirar do papel a promessa de erradicar a pobreza extrema no País, feita durante a campanha ao Planalto.

Em maio de 2009, quando ocorreu reajuste do Bolsa-Família, o benefício passou a variar de R$ 22 a R$ 200, dependendo do grau de pobreza e da quantidade de filhos da família. Neste ano, o valor ficou congelado, por causa da eleição. O projeto de lei do Orçamento da União enviado ao Congresso pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva tampouco prevê reajuste. A decisão ficará para a presidente eleita. Os gastos anuais do programa estão estimados em R$ 13,4 bilhões.

Hoje, o País tem 8,9 milhões de miseráveis, depois da queda de 12% para 4,8% do porcentual da pobreza extrema observada entre 2003 e 2008. Esses são dados usados pelo Ministério do Desenvolvimento Social, responsável pelo Bolsa-Família. O número de pobres varia porque não existe uma linha de pobreza única no Brasil.

Nordeste. Grande parte dos extremamente pobres já integra o Bolsa-Família. Eles correspondem a 85% da clientela do programa. Mas o benefício pago não é suficiente para fazer com que todas essas famílias superem a condição de pobreza mais aguda, com renda mensal de até R$ 70 por pessoa da família.

Levantamento do Ministério do Desenvolvimento Social mostra que a renda per capita média dos beneficiários do programa atingiu R$ 65,29 no Nordeste, depois do pagamento. O Nordeste concentra mais da metade dos beneficiários do programa de transferência de renda do governo (50,5%), que hoje atende a 12,7 milhões de famílias no País.

No Norte, a renda média dos beneficiários do programa também não alcança R$ 70, valor que serve de fronteira para os extremamente pobres, segundo os critérios usados atualmente pelo Bolsa-Família.

De acordo com análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a pobreza extrema persiste no Brasil por dois motivos, combinados. Primeiro, o valor do benefício pago pelo Bolsa-Família é baixo para superação da pobreza, embora represente melhoria significativa na situação das famílias atendidas. Outro fator é que nem todos os pobres do País são atendidos pelo programa. "Basicamente, há duas coisas a serem feitas: acabar com os problemas de cobertura do programa e aumentar o valor do benefício", resumiu Sergei Soares, pesquisador do Ipea.

Cenário. "O que está em jogo não é apenas o impacto financeiro do reajuste, é preciso eliminar a pobreza extrema", disse ao Estado a ministra Márcia Lopes (Desenvolvimento Social), que trabalha "cenários" para a concessão do próximo reajuste.

Segundo a ministra, a nova etapa do Bolsa-Família vai depender também dos resultados do censo, esperados para dezembro. Neles, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fará um retrato mais fiel da pobreza do País.

Márcia Lopes disse que a presidente eleita já encomendou solução para famílias que estão fora do programa apesar da baixa renda. A ministra citou como exemplo 750 mil famílias com renda per capita entre R$ 70 e R$ 140 e que não recebem o benefício por não terem filhos em idade escolar.

O Bolsa-Família concede um benefício básico de R$ 68 para famílias com renda per capita até R$ 70 e um extra de R$ 22 por filho entre 6 e 15 anos, até um limite de três filhos, e mais R$ 33 por jovem entre 15 e 17 anos, até o limite de dois.
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Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,equipe-de-dilma-prepara-reajuste-do-bolsa-familia-acima-da-inflacao,640431,0.htm

PSDB e PPS analisam hipótese de fundir as legendas

15 DE NOVEMBRO DE 2010
Do Blog de Josias de Souza

Sem alarde, PSDB e PPS analisam a viabilidade e a conveniência de fundir as duas legendas numa só.

As conversas, ainda embrionárias, começaram há duas semanas, nas pegadas da derrota do tucano José Serra para a petista Dilma Rousseff.

Coube ao senador eleito Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) procurar o deputado eleito Roberto Freire (SP), presidente do PPS federal.

Ex-chefe da Casa Civil do governo Serra em São Paulo, Aloysio propôs a fusão.

Escorou a ideia numa apreensão legislativa. Disse que, juntas, as legendas teriam maior poder de fogo no Congresso.

O PSDB saiu das urnas de 2010 com 53 deputados e 11 sedadores. O PPS, com 12 deputados e um senador.

Na cabeça de Aloysio, a nova legenda abrigaria os “descontestes” de outros partidos –do PMDB ao DEM, passando por PDT e PSB.

Citou-se o exemplo do senador Jarbas Vasconcelos (PE), um oposicionista aninhado no protogovernista PMDB.

O debate ocorre num instante em que o tucanato tenta fazer a digestão de sua terceira derrota presidencial.

O senador eleito Aécio Neves (MG) fala em “refundar” o PSDB. FHC cobra a defesa explícita do legado da era tucana no governo federal.

O repórter foi ouvir Roberto Freire. Ele confirmou o contato de Aloysio Nunes e admitiu que as conversas caminham.

Deu a entender que atribui ao PSDB, não ao seu PPS, a iniciativa dos próximos movimentos: “Ninguém faz fusão a partir de um partido minoritário”.

Disse: para que a articulação avance, o PSDB precisa, primeiro, se convencer de que precisa buscar reforço, incorporando setores da “esquerda democrática”.

Depois, seria necessário “ter clareza do que vai ser esse novo partido”. Como assim?

“Não pode ser um amontoado, um ajuntamento”, disse Freire. “O Brasil não precisa de outro PMDB”.

Para Freire, se o objetivo for apenas o de dar maior efetividade às ações da oposição no Congresso, a formação de um bloco oposicionista pode resolver o problema.

Na hipótese de evoluir para a fusão, PSDB e PPS flertam com um risco que seus dirigentes parecem desconsiderar.

Da fusão resultaria uma terceira legenda, com programa e estatuto novos. Algo que desobrigaria os congressistas dos dois partidos do compromisso da fildelidade.

Pela lei, os filiados do PSDB e do PPS estariam livres para buscar refúgio em outras legendas. Tornariam-se alvos automáticos da cooptação governamental.
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Fonte:http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2010/11/15/psdb_e_pps_analisam_hipotese_de_fundir_as_legendas_83680.php?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

A elite indignada

15.11.10
Do "Blog da Cidadania
Por Eduardo Guimarães
A elite branca finalmente desabafa. Assista, abaixo, ao vídeo definitivo para explicar essa tragédia popularesca. Uma obra que revela todas as agruras que têm levado os filhos dos Jardins e da Barra da Tijuca a tomarem uma atitude na internet – e até na porrada mesmo, na rua – contra a invasão negra, nordestina, gay e… petista.


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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2010/11/elite-indignada/

Cuidado, é tudo parte de um plano…

15.11.10
Do blog "Imprença"

Com a falência do banco Panamericano a folha de SP {{entenda porque não coloco maiúscula para este jornal}} começa série de insinuações a respeito da bolinha de papel, aquela, e o empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito.

Sim, polvilhos, a folha agora resolveu que a matéria sobre a bolinha de papel {{que desmentiu a alegação de José Serra e foi desmentida pela matéria da Globo, que usa um perito que foi desmentido pelo O Globo, não acredite em mim}}, continua rendendo.

Agora a folha quer justificar a matéria do SBT com o empréstimo que o banco do Sílvio recebeu do Fundo Garantidor de Crédito.

Como estão cansados de saber não gosto que acreditem em mim, portanto:

Objetivos
O FGC tem por objetivos prestar garantia de créditos contra instituições dele associadas, nas hipóteses de:
decretação da intervenção, liquidação extrajudicial ou falência da associada;
reconhecimento, pelo Banco Central do Brasil, do estado de insolvência da associada.


As informações são do próprio site do Fundo Garantidor de Crédito e podem ser conferidas clicando no link, as usual. A fAlha Folha folha de SP traz, hoje, duas matérias que insinuam que o empréstimo só saiu por conta da matéria da bolinha.

A folha não se conforma que alguém noticie algo sem receber nada em troca, apenas pela tal isenção. No que faz muito bem, diga-se.

Sejamos justos, a folha traz oficialmente apenas uma matéria a respeito da tal conspiração, que, para mim, é hors concours {{viram como o blog é chique? Já falei em ingrêis e francêis só nesse neste nece post!}} por isso tratarei ao final deste post, aguenta aí!

Aliás, o escândalo da vez é no banco PanAmericano, do Sílvio Santos, que visitou Lula no meio da campanha e é dono também do SBT, a rede que reduziu o rolo de fita da agressão a José Serra no Rio a uma mera bolinha de papel.

Sacou a lógica? A matéria só teria existido porque o grande Sílvio Santos com sua grande audiência conseguiu um empréstimo em um fundo que existe para salvar bancos que estão falindo, que, por coincidência, foi o caso do PanAmericano.

A coisa toda é tão absurda que merecia uma trollada bem dada, certo? Pois, Sílvio Santos fez isso por você:

{{não acredite em mimsó para assinantes}}

Em outra entrevista, na própria folha um jornalista um pouco mais sério menos ridículo com o pé no chão fez as perguntas certas e teve uma resposta decente:

E a auditoria não pegou...
Mas quem é que arranja a auditoria? Não é o próprio executivo do banco? Que culpa tenho eu? Você vai publicar isso na Folha? A Folha fez uma matéria muito boa hoje. Ninguém sabia o que era Fundo Garantidor de Crédito. Pensavam que era um órgão do governo. Aquilo ali é praticamente uma companhia de seguros. Nem jornalista sabia. Aquilo ali realmente é para poder emprestar dinheiro, garantir o que você tem no banco. Se você tem até R$ 60 mil, garante.
Não é dinheiro público...
Mas claro que não é. O dinheiro é particular. É uma empresa sem fins lucrativos.


{{não acredite em mim só para assinantes}}

Como disse minha namorada:

"Na entrevista para ser jornalista da folha deve ter como pré-requisito sofrer de paranoia."
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Fonte:http://www.imprenca.com/2010/11/cuidado-e-tudo-parte-de-um-plano.html

Ferreira Gullar e a ira dos inconformados

SEGUNDA-FEIRA, 15 DE NOVEMBRO DE 2010
Do Blog de Altamiro Borges

Reproduzo artigo de Ricardo Kotscho, intitulado "Eleições 2010: o velho poeta e a ira dos inconformados", publicado no blog Balaio do Kotscho:

Eleição para presidente é bom por causa disso: só acontece de quatro em quatro anos, tem dia e hora para acabar. Em pouco tempo, fica-se sabendo quem ganhou e quem perdeu. No dia seguinte, a vida segue seu rumo. Os vencedores escolhem o time que vai governar e os perdedores reorganizam suas tropas para a próxima eleição. Por isso, como vocês sabem, nem pretendia voltar ao assunto.

Nas democracias costuma ser assim, mas não é bem o que está acontecendo no Brasil nestas duas semanas que se passaram desde que fomos às urnas. Em alguns “bolsões sinceros mas radicais”, como se dizia nos tempos dos militares, quando não se podia votar para presidente, nota-se um rancoroso inconformismo com o resultado, especialmente na imprensa e nas redes sociais.

Manifestações diárias deste sentimento podemos encontrar em mensagens e artigos carregados de ira, preconceitos e intolerância que circulam em colunas, editoriais, blogs, celulares, facebooks, twitters e que tais, nas velhas e nas novas mídias impressas e eletrônicas, por toda parte - hoje como ontem, os mais estridentes redutos do que sobrou da oposição radical. Não são tantos como pensam, mas fazem muito barulho.

Um exemplo patético do que pensa este tipo de eleitor derrotado é o inacreditável artigo publicado domingo na Folha de S. Paulo pelo poeta Ferreira Gullar, sob o título “Ah, se não fosse a realidade!”. De fato, se não fosse a realidade das urnas, ele talvez estivesse hoje mais feliz, menos amargo, escrevendo novos versinhos, mas o voto digitado não tem volta e os resultados oficiais já foram proclamados pelo TSE.

A começar pelo trecho destacado no texto - “Ninguém imagina que Lula deixe dona Marisa em São Bernardo para instalar-se na alcova de Dilma” -, Gullar destila sua bílis num panfleto carregado de ódio e desrespeito, que não deve fazer bem a quem o escreve, muito menos a quem o lê num final de tarde de domingo como aconteceu comigo.

Viúvo do comunismo de resultados de Roberto Freire, o octogenário poeta ganhou destaque na reta final da campanha eleitoral como uma espécie de líder dos intelectuais de oposição, encabeçando manifestos e abaixo-assinados “em defesa da democracia e da vida”, como se ambas estivessem ameaçadas.

Fez o que pode e o que não pode, como se pudesse, para impedir a vitória de Dilma Rousseff, candidata de um governo que ele abomina desde que tomou posse, em 2003. Por isso, ele até hoje simplesmente não aceita a derrota.

“De fato, como acreditar que uma mulher que nunca se candidatara a nada, destituída de carisma e até mesmo de simpatia, fosse capaz de derrotar um candidato como José Serra, dono de uma folha de serviços invejável, tanto como parlamentar quanto como ministro de Estado, prefeito e governador? Não obstante, aconteceu (…)”

Gullar faz parte do elenco fixo de intelectuais e “ólogos” em geral sempre requisitados pela imprensa para escrever artigos ou dar entrevistas contra o governo Lula, a presidente eleita e o PT. Até hoje, tem gente que não admite e não se conforma com as vitórias de Lula em 2002 e 2006, e muito menos com a de Dilma este ano.

Premiado porta-letras de um setor da sociedade que o venera nos saraus dos salões elegantes, o poeta é figurinha carimbada, mas agora é hora de renovar o plantel, pois ninguém vai conseguir ler sempre os mesmos lamentos e insultos por muito tempo.

Na semana passada, a mesma Folha recolheu do anonimato dois articulistas do melhor estilo “neocon”, que atribuem aos feios, sujos e malvados as razões de todas as nossas desgraças, e os abrigou em sua terceira página.

Primeiro, foi um rapaz chamado Leandro Narloch. Em seu breve currículo, ele informa já ter trabalhado na Veja e que é autor do livro “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”. Sob o título “Sim, eu tenho preconceito”, ele escreveu um texto em defesa da elite branca de Cláudio Lembo e da moça que culpou os nordestinos pela derrota e sugeriu o afogamento deles como solução. É mais um autor “neocon” em busca de um nicho de mercado dominado por “oldcons”.

Pouco importa que, mesmo sem os votos do Norte-Nordeste, Dilma tivesse vencido as eleições do mesmo jeito, com mais de 1,3 milhão de votos de vantagem. A tese dos neocons é que os pobres, doentes e iletrados das “regiões mais atrasadas” ganharam dos sábios, saudáveis e abonados do Sul-Sudeste maravilha, o que para eles é inconcebível.

A segunda a entrar em cena foi a professora doutora Janaina Conceição Paschoal, apresentada ao público como professora associada (de quem?) de Direito Penal na gloriosa Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Na mesma linha, ela publicou o artigo “Em defesa da estudante Mayara” e colocou a culpa pela explosão do “racismo regional” em Lula.

Enquanto a oposição procura juntar os cacos e entender o que aconteceu, sem a participação do seu líder derrotado, que sumiu do mapa e fez apenas uma fugaz e infeliz aparição no Sul da França, o noticiário pós-eleitoral se concentra nas muitas crises entre os partidos aliados na disputa por cargos no novo governo e no superdimensionamento de problemas administrativos enfrentados pela administração federal.

Pelo jeito, boa parcela do eleitorado mais conservador continua sem lideranças na representação político-partidária e no movimento social, embora tenha mostrado sua força na recente eleição, o que leva bispos, poetas, pastores e setores da imprensa a exercer este papel cada vez com maior furor.

Como dizia um velho jornalista dos meus tempos de Estadão, o mestre Frederico Branco, ainda nos anos 60 do século passado: eles não aprendem, não esquecem e não perdoam.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2010/11/ferreira-gullar-e-ira-dos-inconformados.html