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domingo, 14 de novembro de 2010

Movimentos sociais e religiosos hoje são objetos da política

12 de novembro de 2010
Paulo Cezar da Rosa

O final do século passado foi o melhor momento para os movimentos sociais no Brasil. Sindicatos e movimentos tinham bandeiras a defender e bases dispostas a lutar. Foi, também, o melhor momento da religiosidade popular. Comunidades eclesiais de base, pastorais operárias, e organizações que misturavam a fé com a luta contra a opressão e a esperança numa vida melhor, tinham larga audiência no Brasil pós-Ditadura Militar.

Os anos 80 e 90 também foram os da esquerda brasileira. Depois da luta armada, a esquerda se jogou na aventura da disputa da hegemonia na sociedade por meios pacíficos. Enraizada neste período nas universidades, as organizações que sucederam a guerrilha urbana se somaram aos trabalhadores organizados em sindicatos e aos movimentos eclesiais de base para fundar o PT.

Deu no que deu. Deu em Lula presidente por oito anos. De 2002 a 2010 vivemos a afirmação de um projeto de nação com espaço para todos. Foram os anos de glória da luta social no Brasil.

Hoje, contudo, além de reconhecer que o país mudou, é preciso identificar a abertura de um novo período. E perceber que a mudança em curso tem um lado negativo para os movimentos sociais, para a religiosidade popular, e até para a esquerda. Por quê? Porque o Estado brasileiro se fortalece e as demandas populares vem sendo atendidas, esvaziando a luta social e o cenário de injustiças. Ao mesmo tempo, não se vê uma renovação dos movimentos, dos sindicatos, das lutas sociais.

De sujeitos a objetos da política

Sim, sei que a afirmação de que a mudança é negativa para a esquerda é questionável. Mas vamos às duas anteriores, que são certeiras. Os movimentos sociais nos últimos anos, de sujeitos da política no Brasil, vem se tornando objetos das políticas governamentais. Não se trata aqui de condenar o Bolsa Família, a política do salário mínimo, o Pró-UNI, o Minha Casa-Minha Vida, etc. Todos os programas governamentais, que respondem às demandas históricas dos movimentos sociais, são conquistas e devem ser vistas como tais.

Todavia, estamos hoje vivendo uma mudança de relação de poder muito importante. Hoje, temos um Estado forte na questão social e uma sociedade fraca. Os movimentos sociais, que no final do século passado eram protagonistas políticos, apontavam novos caminhos para a sociedade, hoje são meros objetos das políticas governamentais. O mesmo ocorre com a religião.

A prova disso está na análise do perfil dos eleitos na última eleição. Também o debate se deu sob essa lógica. Mais do que ser objeto da política, a religiosidade do povo brasileiro foi objeto da pior política. O mesmo relativamente às demandas populares. O salário mínimo, o Bolsa família, o Pro-UNI – todos viraram pais da ideia e todos se tornaram seus defensores radicais.

Os sindicalistas em baixa

Procure no seu Estado a votação obtida por lideranças sindicais para o parlamento estadual ou federal. Com raras exceções, em geral explicadas por fatores externos ao sindicalismo, os líderes sindicais tiveram poucos votos. Procure também a votação de lideranças populares ou religiosas. A situação é parecida. Os líderes sociais e religiosos do final do século passado estão entrando a segunda década do século XXI em baixa.

Muito ainda será dito a respeito da genialidade de Lula ao indicar Dilma Roussef para sucedê-lo. Mas creio que poucos dirão o seguinte: Luiz Inácio Lula da Silva, tendo a opção de prolongar a liderança dos movimentos sociais no país, promovendo a candidatura de algum companheiro do movimento sindical (como Jacques Vagner, por exemplo, entre tantos outros), ou de revigorar sua aliança com os setores religiosos (as alternativas também eram variadas), fez a opção de colocar a frente do país uma militante de esquerda.

Os desafios da esquerda

Ou seja, hoje, passados quase trinta anos de desenvolvimento do movimento que mudou o Brasil para melhor, a sua principal liderança coloca nas mãos da esquerda brasileira – ou seja, nas mãos de Dilma Roussef – os destinos do país e do próprio movimento social.

Esta esquerda, formada no combate à ditadura e herdeira de combates históricos na sociedade, hoje está colocada diante de seu maior desafio. Se Dilma der certo, a esquerda será vitoriosa. Mas a esquerda brasileira precisa entender que, para Dilma dar certo, vai precisar como nunca nos próximos anos dos movimentos sociais e da fé do povo.

Ou seja, seus governos precisam fortalecer, e não enfraquecer, os movimentos sociais e associativos do povo. Precisam, como nunca, reinventar a esquerda no país. E para reinventar a esquerda, os elementos essenciais são a união dos de baixo (ou seja, sindicatos e associações fortes) e a fé no futuro.


Paulo Cezar da Rosa
é jornalista e publicitário. Publicou o livro O Marketing e a Comunicação da Esquerda. É diretor da Veraz Comunicação e da Red Marketing, ambas sediadas em Porto Alegre. paulocezar@veraz.com.br
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Fonte:http://www.cartacapital.com.br/politica/movimentos-sociais-e-religiosos-hoje-sao-objetos-da-politica

Governo quer proibir parlamentar de ser dono de rádio e TV

Sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Do blog "Oni Presente"

O anteprojeto de lei que o governo federal prepara para regulamentar as comunicações pode proibir explicitamente a propriedade de emissoras de rádio e televisão por parlamentares. O anúncio, feito pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, esta semana, no "Seminário Internacional Comunicações Eletrônicas e Convergências de Mídias", repercutiu na Câmara.

De acordo com a Constituição, deputados e senadores são proibidos de serem proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público. Como rádios e TVs são concessões públicas, alguns constitucionalistas acreditam que o impedimento já está suficientemente claro.

Segundo o relatório final da Subcomissão Especial de Outorgas e Concessões de Radiodifusão, que funcionou entre 2007 e 2008, esse não tem sido o entendimento das autoridades. A subcomissão propõe a criação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que proíba expressamente parlamentares e outros ocupantes de cargos públicos a ter empresas de radiodifusão. O texto também recomenda a adoção de medidas para tornar mais transparente o processo de outorga para canais de rádio e TV.

A deputada Luiza Erundina (PSB-SP), que presidiu a subcomissão, é favorável a essas medidas e acredita que, ao elaborar o anteprojeto, o governo deve levar em conta as sugestões do Congresso. “O governo deve estar atentos às discussões iniciadas no Legislativo”. Para ela, o anteprojeto deve contemplar também as diretrizes aprovadas na 1a Conferência Nacional de Comunicação, realizada em dezembro de 2009.

Proibição de monopólios

O anteprojeto vai propor uma lei geral para o setor de comunicações, incluindo rádio, televisão e telecomunicações. O texto, que está sendo escrito por grupo de trabalho interministerial, será finalizado ainda este ano e entregue à futura presidente da República, Dilma Rousseff. “Ela irá decidir se abre consulta pública ou se envia a proposta imediatamente ao Congresso Nacional”, explicou Franklin Martins.

Segundo ele, uma das prioridades da nova lei será regulamentar os dispositivos constitucionais referentes às comunicações, como o que prevê o estímulo à produção de conteúdo audiovisual nacional, regional e independente; e o que proíbe monopólios e oligopólios na mídia.

De Brasília
Com Agência Câmara
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Fonte:http://blogdoonipresente.blogspot.com/2010/11/governo-quer-proibir-parlamentar-de-ser.html

REGULAÇÃO DE CONTEÚDO É PRÁTICA CORRENTE EM PAÍSES DEMOCRÁTICOS

13.11.2010
Por Bia Barbosa

A história já está ficando repetitiva. Todas as vezes em que se fala de medidas para regular a veiculação de conteúdo audiovisual a reação de uma parcela da grande mídia é a mesma: o governo quer censurar a imprensa e a liberdade de expressão. O que ficou claro, no entanto, a partir de uma série de experiências reguladoras apresentadas no seminário “Comunicações eletrônicas e convergência de mídias”, encerrado nesta quarta (10) em Brasília, foi justamente o contrário. Especialistas da França, Inglaterra, Portugal, Espanha, Estados Unidos e Argentina e também de organismos como a Unesco e a União Européia reafirmaram a importância de regras para a exibição de conteúdos no rádio e na TV para a garantia da pluralidade e o respeito aos direitos humanos, pilares de sociedades democráticas.

Não se trata, portanto, de censura, porque não há em vigor nesses países a idéia de aprovação prévia para veiculação de um determinado conteúdo. O que existe – sobretudo para os concessionários de rádio e TV, ou seja, o conteúdo jornalístico da mídia impressa e a internet não respondem a essas regulamentações – são regras para a promoção da pluralidade, diversidade, cultura nacional e regional, e imparcialidade jornalística; para a proteção das crianças e adolescentes, e da privacidade; para o combate ao chamado “discurso do ódio” e à injúria e difamação; e para a garantia do direito de resposta dos ouvintes e telespectadores.

Coincidentemente, a grande maioria desses mecanismos está prevista na Constituição brasileira, mas até hoje não se tornou regras de fato aplicáveis justamente porque o setor da radiodifusão, com o apoio da mídia impressa, bloqueia o debate público sobre a questão, formando uma opinião pública contrária a essa visão na sociedade em geral e também em uma parte do Parlamento.

Como todas as experiências fizeram questão de destacar, o princípio por trás dessas regras é justamente o da liberdade de expressão, que não é considerada um valor absolutista – e, portanto, tem limites – simplesmente porque não pode ser permitida apenas para alguns, tampouco para violar demais direitos.

“A liberdade da expressão não pode ser usada para abusar da liberdade de outras pessoas. Incitar a violência contra outras pessoas, por exemplo, é algo que não pode existir nos meios de comunicação”, explicou Wijayananda Jayaweera, Diretor da Divisão de Desenvolvimento da Comunicação da Unesco. “O sistema regulatório existe para servir ao interesse público, e não necessariamente ao interesse dos radiodifusores. Deve garantir a pluralidade e promover a diversidade de idéias, de opiniões, de vozes numa sociedade”, acrescentou.

“Nas democracias, há mais obrigações de conteúdo para a radiodifusão porque são empresas que estão usando um espaço público e porque o que veiculam tem um impacto muito grande. Por isso, questões como imparcialidade jornalística, discurso de ódio, proteção de crianças no rádio e na TV precisam estar previstas em leis que vão além da legislação geral”, afirmou o canadense Toby Mendel, consultor da Unesco.

Diretiva européia

Foi para atender a esses princípios que a União Européia discute uma regulamentação comum para os países desde o final dos anos 80. Entre 2005 e 2007, por conta do cenário da convergência tecnológica, desenvolveu-se a construção de uma diretiva que definiu regras para todos os 27 países. A legislação foi colocada em consulta pública, recebeu centenas de contribuições e foi debatida em conferências regionais, até ser submetida e aprovada pelo Parlamento Europeu.

“Nosso objetivo era promover a diversidade cultural européia, garantir a circulação de conteúdo plural e estimular a competitividade da indústria audiovisual”, explicou Harald Trettenbein, diretor adjunto de Políticas de Audiovisual e Mídias da Comissão Européia. A indústria européia produz três vezes mais conteúdo que a americana, mas havia barreiras de idiomas que dificultavam essa difusão. Por isso, uma das regras cumpridas pelas emissoras de rádio e TV de todos os países hoje é a obrigação de veicular produção independente e conteúdo europeu.

A diretiva também define para todos limitações na veiculação de publicidade. O tempo máximo de publicidade permitido é de 20% da grade – no Brasil, apesar de não respeitada, a lei prevê 25% – e há regras específicas para a veiculação de anúncios de tabaco, medicamentos, álcool e comida gordurosa. Anúncios e conteúdos considerados violadores de direitos humanos podem ser sancionados. A proteção aos direitos das crianças é levada a sério e há a previsão para mecanismos de acessibilidade para pessoas com deficiência, como a audiodescrição.

Respondendo a essa diretiva, Portugal fez uma recente atualização da lei de audiovisual nacional. Hoje o país possui uma vasta regulamentação para a veiculação de conteúdo na radiodifusão, que inclui a definição de horários de difusão para proteção de crianças; cotas para veiculação de músicas portuguesas no rádio; direito de resposta; proteção de grupos minoritários, para evitar manifestações de preconceito regional, de gênero e étnico-racial; e para a promoção do pluralismo e da diversidade.

“O órgão regulador do audiovisual em Portugal faz uma apreciação permanente dos conteúdos. Prezamos pelo rigor, pelo contraditório, pelo cumprimento das obrigações legais. Para garantir a diversidade, fazemos o monitoramento de programas e publicamos um relatório anual sobre como as temáticas são tratadas”, explicou José Alberto Azeredo Lopes, presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social de Portugal (ERC) e professor de Direito Internacional. “A abordagem de mercado olha a população como consumidores. A abordagem para o regulador de conteúdos é uma abordagem de cidadania”, acrescentou.

A ERC é um organismo público criado por lei, de natureza administrativa, independente, não estatal. Além do monitoramento de conteúdo, é responsável pela concessão e renovação dos canais de TV aberta e da gestão de mecanismos como o direito de antena, garantido a partidos políticos, associações sindicais e patronais nas emissoras públicas. Suas ações estão sujeitas à fiscalização do Poder Judiciário. Em dois anos, 95% das decisões da ERC que foram questionadas na Justiça foram confirmadas pela corte suprema de Portugal.

Pluralismo político

Outro exemplo significativo de regulação de conteúdo vem do órgão francês, o Conselho Superior de Audiovisual. Uma das ações recorrentes do órgão é zelar pelo pluralismo político no rádio e na TV. Para isso, monitoram mês a mês o tempo de exposição dos dois grandes blocos partidários – situação e oposição – para que tenham um tempo de discurso equilibrado.

“O tempo de exibição da oposição deve ser pelo menos o da metade do governo. Isso é zelar pelo pluralismo, pela neutralidade da informação. E, nos períodos eleitorais, o tempo para cada candidato deve ser exatamente o mesmo”, contou Emmanuel Gabla, diretor adjunto do CSA. “A pluralidade na emissão é o que garante a riqueza e a prevalência do interesse público na nossa televisão”, “é uma escolha social promover a diversidade cultural para que não exista o monopólio da indústria cultural e a uniformização”.

Na França, os canais têm ainda a obrigação de estimular a produção independente, os conteúdos franceses e europeus e de respeitar rigorosamente os direitos humanos. “Sancionamos um canal que transmitia um reality show que atentava contra a dignidade humana. Colocaram no ar uma mulher que tinha que andar de coleira no chão, como se fosse uma cachorra”, exemplificou. “Estamos estudando medidas para decidir como agir em casos de veiculação deste mesmo conteúdo na internet. Na TV, por exemplo, temos classificação indicativa para os programas, para proteger as crianças. Mas muitos programas podem ser vistos, exatamente da mesma forma, depois na internet, sem nenhuma indicação. Por que num caso as crianças são protegidas e em outro, não?”, questionou Emmanuel Gabla.

Como o CSA também é responsável pela atribuição de freqüências, ele considera o conteúdo veiculado no momento de autorizar ou renovar outorgas – uma das principais reivindicações que organizações da sociedade civil brasileira buscam incluir nos procedimentos nacionais para as concessões de rádio e TV. “Quando abrimos concessões para novos canais na TV digital, o critério era o tipo de conteúdo que veiculariam, buscando ampliar o pluralismo”, relatou.

Tradição britânica

No Reino Unido, o tradicional OfCom regula o conteúdo com base no que prevê o Código de Radiodifusão e dispõe de mecanismos como limites à publicidade, cota de gênero, de produção independente, de acessibilidade, proteção da privacidade e contra conteúdo ofensivo, imparcialidade e precisão jornalística. O nível de regulação depende do tipo de plataforma utilizada e de quanto o próprio cidadão pode se responsabilizar pelo que está assistindo. Desta forma, a TV aberta, por exemplo, tem mais obrigações do que a TV por assinatura ou o Video Sob Demanda, já bastante difundido na Europa. Entre as prioridades do OfCom para o biênio 2010/2011 está justamente a atualização da regulação de conteúdo para atender às demandas do público.

“Se recebemos uma reclamação de um cidadão, tratamos com seriedade esta crítica, analisamos se a expectativa do usuário foi desrespeitada. Vamos estudar o caso específico e analisar se é o caso de impor sansões. Temos grupos que se reúnem com a audiência e analisam os conteúdos. Promovemos uma visão crítica da mídia por parte da população”, explicou Vincent Edward Affleck, Diretor Internacional da Ofcom.

“Estamos falando de concessões públicas, e a posição especial dos radiodifusores justifica isso. Nem sempre agradamos a toda a mídia, mas as regras que estabelecemos – centradas em como os meios devem respeitar os direitos fundamentais, sempre garantindo a liberdade de expressão – já são aceitas como algo necessário para a democracia”, analisou Affleck.

O que ficou claro no seminário promovido pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República é que a regulação de conteúdo não é nenhum bicho de sete cabeças, nenhuma ameaça à liberdade de expressão e algo muito distante da censura.

“É algo que todos fazem. O que se tem são obrigações de conteúdo, que estão nos contratos e devem ser cumpridas, e que se referem a questões gerais. Nada que diga o que pode e o que não pode se feito”, avaliou o ministro Franklin Martins. “Neste sentido, o seminário qualificou o debate público sobre este tema. Recolheu experiências que, sem copiar ninguém, vão nos ajudar a formular um novo marco regulatório para o Brasil”, concluiu. Oxalá o Brasil também avance neste sentido, para fazer valer a sua Constituição Federal, respeitando os direitos humanos e dando voz a toda a sua diversidade.

(*) Matéria publicada originalmente na Carta Maior.
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Fonte:http://www.fazendomedia.com/regulacao-de-conteudo-e-pratica-corrente-em-paises-democraticos/

Fátima Oliveira: Disputas ideológicas na mesa

09 de novembro de 2010

Fátima Oliveira, em O Tempo
Médica – fatimaoliveira@ig.com.br


Elegemos uma presidente 78 anos após a conquista do voto feminino. A manchete do “The Independent” foi significativa: “Brasil elege Dilma Rousseff para ser a mulher mais poderosa do mundo” e justificou: “A taxa de crescimento do Brasil, rivalizando com a China, é algo que Europa e Washington podem apenas invejar”. A matéria finaliza afirmando que a posse dela “Será uma celebração da decência política e do feminismo” (31.10).

A presidente eleita “catimbou”, com paciência de Jó, para fazer o primeiro pronunciamento à nação, esperando o candidato derrotado, como é de praxe em todas as democracias, falar antes, reconhecendo a derrota. E aqui cabe bem o “nunca antes” no mundo, algo similar aconteceu! Cansou de esperar o ritual e, para não deixar o país refém do tacão da espora machista, falou antes do derrotado.

Depois da campanha sebosa, não tendo como negar a vitória de Dilma, a demora do vencido em reconhecê-la nem precisa de Freud para explicar. O derrotado postulante a vice, numa versão tacanha de perdedor sem linha, disse que concorreu com Lula e, não, com Dilma! Para ele, a “poste” não era candidata e nem se elegeu! É uma lastimável tentativa de minimização da vitória da presidente eleita que insulta qualquer nesga de inteligência. É elementar que ela venceu porque teve mais votos!

Essa gente insiste em discordar de que na República todos os votos valem igualmente e toca a inventar versões estapafúrdias – decorrentes da falta de civilidade, com recheio de altas doses de machismo. São acenos que nos próximos quatro anos teremos muito mais do mesmo, a partir da misoginia, naturalizada pelo modo em que o serelepe opositor insistia em chamá-la de mentirosa, ao vivo e a cores, sem constrangimento – aquela antiga pouca vergonha que só machistas se permitem diante de uma mulher!

Para Marcos Coimbra, “na política, nem sempre os fatos e as versões coincidem… Nenhuma versão muda o resultado, mas pode fazer com que o interpretemos de forma equivocada. Como consequência a reduzir o seu significado e lhe diminuir a importância” (“Três mitos sobre a eleição de Dilma”, 31.10).

As intelectuais do feminismo brasileiro são instadas ao enfrentamento da batalha ideológica em curso, pois, mesmo Dilma não sendo feminista (nunca se declarou como tal), aos olhos do mundo, uma mulher com a sua história de vida é feminista. Em sua primeira fala ao país, disse que seu primeiro compromisso é honrar as brasileiras e que sua eleição repercutirá positivamente na vida das meninas. Falou. Fará o gesto?

As disputas ideológicas do governo Dilma, agora com vestes de busca de cargos, estão na mesa e serão cotidianas. A conjuntura é “Se correr, o bicho pega e se ficar, o bicho come”. Depois de vencida a batalha contra a transformação das eleições num “leilão de ovários”, cabe ou não ao feminismo dar o ar de sua graça, além do que é certo que qualquer insucesso será creditado à incapacidade das mulheres de governar?

Para além da cultura do gueto, é preciso estofo político para superar o estabelecido do “com pouca farinha, meu pirão primeiro”. Feministas petistas e dos partidos aliados, conjuntamente, não podem, diante do cordão masculino de isolamento no entorno da eleita, “amarelar” na disputa de espaços estratégicos, segundo uma ótica feminista, com duplo objetivo: dar sustentação ideológica feminista e impulsionar a concretização dos direitos das mulheres no governo.

É isso, ou apaguemos nossas lamparinas.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/fatima-oliveira-disputas-ideologicas-na-mesa.html

Noam Chomsky: EUA, indignação mal orientada

14 de novembro de 2010

Por Noam Chomsky, Esquerda.net

As eleições intercalares nos EUA registaram um nível de raiva, medo e desilusão no país como não me lembro em toda a minha vida. Desde que estão no poder, os democratas carregam o peso da revolta contra a nossa actual situação socioeconómica e política.

Numa sondagem da Rasmussen, no mês passado, mais de metade dos americanos da corrente dominante disseram que encaram positivamente o movimento Tea Party, um reflexo do espírito de desencanto.

Os ressentimentos são legítimos. Há mais de 30 anos que os rendimentos reais da maioria da população estagnaram ou baixaram, enquanto que as horas de trabalho e a insegurança aumentaram, juntamente com a dívida. Foi acumulada riqueza, mas em muito poucos bolsos, conduzindo a uma desigualdade sem precedentes.

Estas consequências surgiram principalmente da financeirização da economia a partir dos anos 1970 e do correspondente esvaziamento da produção nacional. A impulsionar o processo está a obsessão pela desregulamentação apadrinhada por Wall Street e apoiada por economistas fascinados pelos mitos do mercado eficiente.

As pessoas assistem ao regozijo dos banqueiros, que foram em grande parte responsáveis pela crise financeira e que foram salvos da bancarrota pela comunidade, com os lucros recorde e os enormes bónus. Entretanto, o desemprego oficial permanece em cerca de 10 por cento. A indústria transformadora está nos níveis da Depressão: um em cada seis estão desempregados, os bons empregos têm poucas hipóteses de voltarem.

Os cidadãos querem justamente respostas e não as estão a obter, excepto de vozes que contam histórias com alguma coerência interna para quem suspenda o cepticismo e entre no mundo deles, de irracionalidade e mentira.

Contudo, ridicularizar o Tea Party é um erro grave. É muito mais útil perceber o que está por trás da atracção popular pelo movimento e perguntarmo-nos por que é que são precisamente as pessoas enraivecidas que estão a ser mobilizadas pela extrema-direita e não pelo tipo de activismo construtivo que cresceu durante a Depressão, como o CIO (Congresso das Organizações Industriais).

Agora, os simpatizantes do Tea Party estão a ouvir dizer que todas as instituições, o governo, as empresas e os sectores profissionais, estão podres e que nada funciona.

No meio do desemprego e das execuções de hipotecas, os democratas não se podem queixar das políticas que conduziram ao desastre. O presidente Ronald Reagan e os seus sucessores republicanos podem ter sido os maiores responsáveis, mas essas políticas começaram com o presidente Jimmy Carter e prosperaram sob a presidência de Bill Clinton. Durante a eleição presidencial, a base de apoio eleitoral de Barack Obama eram as instituições financeiras, que adquiriram notável supremacia sobre a economia na geração anterior.

O incorrigível radical do século XVIII Adam Smith, falando da Inglaterra, observou que os principais arquitectos do poder eram os donos da sociedade; na sua época, os comerciantes e os fabricantes, que se certificaram de que a política do governo atenderia escrupulosamente aos seus interesses, por mais “doloroso” que fosse o impacto sobre o povo de Inglaterra, e pior, sobre as vítimas da “injustiça selvagem dos europeus” no exterior.

Uma versão moderna e mais sofisticada da máxima de Smith é a “teoria do investimento na política” do economista político Thomas Ferguson, que encara as eleições como ocasiões em que grupos de investidores se juntam para controlar o estado, seleccionando os arquitectos das políticas que irão servir os seus interesses.

A teoria de Ferguson acaba por ser um indicador muito eficaz da política durante longos períodos. Dificilmente isto surpreende. As concentrações de poder económico procurarão naturalmente alargar a sua influência a todo o processo político. Acontece que a dinâmica é extrema nos EUA.

Pode ainda dizer-se que os grandes especuladores das empresas têm uma defesa válida contra as acusações de “ganância” e desrespeito pelo bem-estar da sociedade. A sua missão é maximizar o lucro e a quota de mercado; na verdade, é a sua obrigação legítima. Se não cumprirem essa função, serão substituídos por alguém que o faça. Eles ignoram também o risco sistémico: a probabilidade das suas operações prejudicarem a economia em geral. Essas “externalidades” não os preocupam, não por serem más pessoas, mas por razões institucionais.

Quando a bolha estoura, os que arriscaram podem fugir para o abrigo do Estado protector. Os resgates financeiros, uma espécie de apólice de seguro governamental, estão entre os muitos incentivos perversos que aumentam as ineficiências do mercado.

“Há um reconhecimento crescente de que o nosso sistema financeiro está a aproximar-se do dia do Juízo Final”, escreveram os economistas Peter Boone e Simon Johnson, no Financial Times, em Janeiro. “Sempre que ele falha, contamos com o dinheiro e as políticas fiscais negligentes para o resgatar. Esta resposta aconselha o sector financeiro: aposta em grande para seres pago regiamente, não te preocupes com os custos, que serão pagos pelos contribuintes” através de resgates e outros mecanismos, e o sistema financeiro “é, assim, ressuscitado para voltar a jogar e voltar a falhar”.

A metáfora do Juízo Final também se aplica fora do mundo financeiro. O Instituto Americano do Petróleo, apoiado pela Câmara de Comércio e outros lobbies empresariais, tem intensificado os seus esforços para persuadir o público a descartar as preocupações sobre o aquecimento global antropogénico, com considerável sucesso, como as sondagens indicam. Entre os candidatos republicanos ao Congresso nas eleições de 2010, praticamente todos rejeitam o aquecimento global.

Os executivos por trás da propaganda sabem que o aquecimento global é real e que as nossas perspectivas são sombrias. Mas o destino da espécie é uma externalidade que os executivos têm de ignorar, na medida em que prevalecem os sistemas de mercado. E o público não conseguirá caminhar para a salvação, quando se desenrola o pior cenário.

Tenho idade suficiente para me lembrar daqueles dias deprimentes e ameaçadores do declínio da Alemanha, da decência para a barbárie nazi, para usar as palavras de Fritz Stern, o ilustre estudioso da história alemã. Num artigo de 2005, Stern refere que tinha o futuro dos Estados Unidos em mente quando reviu “um processo histórico em que o ressentimento contra um mundo secular desencantado encontra alívio no escape extático da irracionalidade.”

O mundo é demasiado complexo para que a história se repita, mas há, todavia, lições a reter à medida que notamos as consequências de mais um ciclo eleitoral. Não faltam tarefas aos que tentam apresentar uma alternativa à raiva e indignação mal orientadas, ajudando a organizar os inúmeros descontentamentos e a mostrar o caminho para um futuro melhor.

Tradução de Paula Coelho para o Esquerda.net
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/noam-chomsky-eua-indignacao-mal-orientada.html
Fonte:

Gilson Caroni: Olurun Eke e a república incompleta

14 de novembro de 2010

Gilson Caroni Filho, em Carta Maior

Ao incluir o Dia da Consciência Negra no calendário escolar, a lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, não propiciou apenas um resgate da história dos povos negros. Foi bem além. Ensejou a necessidade de um novo olhar sobre culturas que, ao contrário da postulação ocidental, não colocam a questão da Verdade, de conteúdos absolutos e inarredáveis, de essências escondidas atrás de formas ou aparências. Sua riqueza é de outra ordem. E talvez este seja o significado mais profundo do dia 20 de novembro: memória e resistência como possibilidades históricas.

Para os que estudam a cultura afro-brasileira, é importante registrar a dinâmica de suas origens. Nelas, observamos uma espécie de culto da forma pela forma, algo como a valorização das dimensões plásticas. Seus mitos, rituais, danças, jogos e orações não remetem a quaisquer referências que lhes sejam exteriores, não expressam “outra coisa”, não são aparências de uma essência. Portanto não podem ser “decifrados”, “interpretados” ou “descobertos”, como ainda pretendem algumas de nossas teorias da cultura, herdeiras do ranço etnocêntrico do velho colonizador.

É o que apreciamos na aparentemente inconciliável visão de mundo que parece existir em alguns poetas negros, como Solano Trindade (1908-1974). Em versos como “A minha bandeira/ É da cor de sangue/ Olurun Eke/ Da cor da revolução/ Olurun Eke“, há uma estranheza que parece apontar para ausência de sentido lógico. Pura ilusão. O que lemos são instantes culturais, sínteses de uma vida vivida, de um artista ao sentir a realidade trágica do que é ser negro, também no Brasil.

Na verdade, do ponto de vista dos afro-descendentes, as expressões artísticas são mais para serem percebidas sensorialmente, vistas com a Alma, do que para serem “entendidas”. Existe, portanto, uma defasagem entre aquilo que se quer dizer de um lado, e o que se consegue transmitir na realidade. É exatamente neste espaço que o negro brasileiro consegue criar as coisas mais bonitas de sua produção simbólica e de maior valor para sua negritude.

Ser negro no Brasil de 2010 é, culturalmente, assumir a Alma Popular: é pensar a partir do ponto de vista do povo. É, sobretudo, estabelecer sintonia ideológica com as classes sociais que foram exploradas durante nossos 510 anos de história. O grande saque que se iniciou com a invasão portuguesa, por causa do pau-brasil, continuou e prosperou até depois da Independência, sempre a beneficiar os brancos. Consolidou-se com a Abolição/Proclamação da República, e continua até os nossos dias.

No terceiro milênio, da perspectiva do negro, a paz, objetivo perseguido por toda a espécie humana, passa necessariamente pela resolução dos problemas que o grande saque, ocidental e cristão, criou para a negritude. No Dia da Consciência Negra, é preciso repudiar a História do Brasil como um suceder de arranjos, combinações, “jeitinhos” em que o conflito nunca aparece ou, se vem à tona, é considerado como “coisa externa à nossa gente”.

O processo de desestruturação do mito da “democracia racial” no campo teórico tem avançado muito nos últimos anos. Já no terreno social e da luta política, apesar das políticas públicas implementadas recentemente, o atraso ainda é considerável. Por isso, é necessário resgatar a memória histórica dos negros, em todos os tempos e sentidos. Olurun Eke, para que a República seja proclamada em definitivo.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador. do Jornal do Brasil.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/gilson-caroni-olurun-eke-e-a-republica-incompleta.html

Casal britânico é libertado por piratas depois de um ano em cativeiro

14.11.2010
Do Jc Online

O casal britânico Paul e Rachel Chandler, sequestrado por piratas há mais de um ano enquanto navegava com um iate perto de Seicheles, foi libertado hoje. Os dois participaram de uma pequena cerimônia na cidade de Adado, na Somália, e depois viajaram para Mogadíscio, a capital do país, onde se reuniram com o primeiro-ministro, Mohamed Abdullahi Mohamed. De lá, devem partir para Nairóbi, no Quênia.

Abdi Mohamed Elmi, um médico somali que atendia regularmente o casal e esteve envolvido nos esforços para libertá-lo, disse que os Chandlers - casados há quase 30 anos - precisarão de cuidados especiais agora. "Eles precisarão de aconselhamento e descanso para se recuperarem da situação que viveram nos últimos treze meses. Mas agora eles parecem estar bem e felizes. Tomaram banho trocaram de roupa e nos acompanharam sorrindo durante o café da manhã."

Apesar da libertação dos britânicos, os piratas da Somália ainda mantêm cerca de 500 pessoas em cativeiro e possuem mais de 20 navios. Eles geralmente só libertam esses reféns após o pagamento de resgates milionários em dólares. As informações são da Associated Press.

Fonte: Agência Estado
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Fonte:http://jc.uol.com.br/canal/cotidiano/internacional/noticia/2010/11/14/casal-britanico-e-libertado-por-piratas-depois-de-um-ano-em-cativeiro-244411.php

Diário de Pernambuco: Diario Político

Edição de domingo, 14 de novembro de 2010

De olho em 2012

Na falta de uma cadeira no Senado ou na Camara dos Deputados, cai muito bem um assento no Parlasul, conselho que abrange os países membros do Mercosul e que funciona à semelhança do Parlamento Europeu, com as mesmas prerrogativas e imunidades, bons salários, estrutura de gabinete, enfim, tudo o que é bom. Por enquanto, o Brasil tem direito a 37 vagas de deputado nacional no Parlasul, mas a partir de 2014 serão 75 cadeiras dentro do critério da proporcionalidade cidadã. Daqui a dois anos, a escolha destes deputados será por eleição direta, mas para o mandato tampão que vai até 2012 será indireta seguindo a proporcionalidade dos partidos políticos na Câmara dos Deputados. Resumindo, serão 37 empregos para políticos derrotados nas eleições de 3 de outubro podendo abrigar também algumas figuras ilustres. Agora, a maioria dos indicados chegará ao Parlasul com as atenções direcionadas para seus respectivos estados. Quase todos querem mesmo é pontuar no cenário político com um mandato, seja majoritário ou proporcional. E antes do término do mandato tampão, muitos já serão candidatos às eleições municipais de 2012.

Na briga

Pra fazer valer seu discurso na campanha eleitoral ´mais emprego, menos impostos`, o deputado federal José Chaves (PTB) já se movimenta para aprovar projeto de lei de sua autoria que permite a dedução integral dos gastos com educação no Imposto de Renda. Não vai ser fácil, mas o assunto interessa a todos os brasileiros.

Hum...

O deputado Guilherme Uchoa, presidente da Assembeia Legislativa, disse a alguns deputados que o presidente Lula teria dito ao governador Eduardo Campos que gostaria de alugar uma casa em Pernambuco porque, provavelmente, virá muitas vezes ao estado.

Interesses

Inicialmente, os interesses de Lula no estado, segundo os mesmos deputados, seriam as eleições municipais no Recife, Olinda, Jaboatão e Petrolina. Os oposicionistas vão perder o sono.

Tranquilo

O democrata Augusto Coutinho (foto) chegará à Câmara dos Deputados já sabendo o caminho das pedras ao lado do também eleito Mendonça Filho (DEM), seu cunhado. Mas vai ter que trabalhar para aparecer. No seu primeiro mandato de deputado federal, Mendonça ganhou muitos holofotes com a emenda que permitiu a reeleição de FHC.

O outro

Jorge Côrte Real (PTB), presidente da Fiepe, é outro estreante que também chega bem na Câmara dos Deputados. Terá a ajuda do senador eleito Armando Monteiro Neto (PTB), que é ex-presidente da CNI.

Controle

Um dos temas do XX Congresso Nacional das Entidades de Servidores dos Tribunais de Contas na próxima semana, em Curitiba, é o aprimoramento dos instrumentos de controle externo para o combate à corrupção e eficiência dos serviços públicos. Mas Lula quer menos rigor.
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/11/14/politica1_0.asp

Collins é opção para Jaboatão

14.11.10
Deputado Cleiton Collins

O projeto majoritário dos partidos menos tradicionais não se restringe só à Prefeitura do Recife. Nos mesmos moldes da estratégia que está sendo traçada para a Capital, com o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) como o cabeça de chapa, esses partidos também se movimentam para viabilizar um nome para a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes.

A ideia é pavimentar o caminho para a postulação do deputado estadual Cleiton Collins (PSB). O social-cristão foi o mais votado, nas eleições deste ano, na corrida por vagas na Assembleia Legislativa. Collins obteve 137.157 votos. “É o que a gente está pensando. Ter bons candidatos no Recife e em Jaboatão”, revelou o deputado Eriberto Medeiros.

Cleiton Collins lançou-se pré-candidato ao mesmo cargo, em 2008, porém abriu mão da disputa em prol da postulação do também deputado André Campos (PT), que amargou a segunda colocação, ficando atrás do prefeito Elias Gomes (PSDB). Com a repetição do primeiro lugar entre os mais votados, o social-cristão espera reunir mais apoios para se garantir nessa disputa que se avizinha. Collins foi o candidato mais votado no município com 27.785.

A reportagem tentou, sem sucesso, contato com o deputado. Cleiton Collins também é pastor e possui grande penetração no segmento evangélico devido ao seu trabalho de missionário, sobretudo no combate às drogas. É justamente nesse ponto que o parlamentar demonstra a maior preocupação do seu mandato na Assembleia Legislativa.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-politica/603234-collins-e-opcao-para-jaboatao

Jurandir Liberal, Presidente eleito da Câmara do Recife: “Vereador tem que ser bem tratado”

14.11.10
GILBERTO PRAZERES

Recém-eleito presidente da Câmara Municipal do Recife, o vereador Jurandir Liberal (PT) promete dar sequência ao trabalho iniciado pelo correligionário Múcio Magalhães, para aumentar a transparência do Poder, além de tentar aproximar mais o Legislativo da sociedade com o empreendimento de ações que ajudem nessa integração. Nesta entrevista à Folha, o petista comentou sobre o processo de construção do consenso que assegurou a sua eleição e da sua expectativa em ver uma mudança na aceitação popular da gestão do prefeito João da Costa (PT). “Ele vem agora com todo o pique e, com os projetos que temos conhecimento, que começarão a sair do papel no próximo ano, as pesquisas vão apontar uma gestão bem avaliada. É o que eu estou percebendo”, cravou. Com o retorno do gestor, Liberal disse que os pleitos dos vereadores serão melhor atendidos pela Prefeitura.


Jurandir Liberal (PT)

Presidente eleito da Câmara do Recife




O que a população do Recife pode esperar da sua gestão à frente da Câmara Municipal?

Na realidade, nós vamos dar continuidade ao trabalho que vem sendo adotado pela Mesa Diretora atual, que é sempre discutir a questão da transparência (nos gastos e ações realizadas). O respeito à democracia interna, seja nas forças que compõem a base do Governo ou seja na oposição. E também fazer com que a gente possa melhorar os projetos que venham por parte do Executivo, apresentar medidas à gestão municipal e contribuir com esse projeto político que eu me incluo. Esse modelo de gestão que vem dando certo a dez anos no Recife. Procurar dar o máximo para que a população seja beneficiada com o nosso trabalho. Esse é o nosso objetivo.

O senhor não teve adversário na eleição que o sagrou presidente da Câmara. Como se construiu o consenso em torno da sua candidatura ao comando da Casa de José Mariano?

Primeiro, ao avanço dessa Casa, que demonstrou muita maturidade. A chapa da Mesa por todas as forças políticas que compõem a Casa. Esse é o primeiro ponto. O segundo é que o maior partido dentro da Câmara é o PT. Então, consequentemente o PT indicaria o presidente. Dentro do PT, se chegou ao consenso em torno do meu nome. Depois fomos construindo com os demais partidos as participações de cada componente na Mesa. Seja da oposição, seja da base do Governo. À medida que cada partido indicou seu representante, foi formada a chapa em comum acordo e levada aos demais companheiros vereadores. A partir daí, nós fomos trabalhando para fechar a chapa consensual. Um processo rico, baseado na eleição anterior (em 2009). Por isso, facilitou-se a construção desse consenso.

Demorou para chegar nesse consenso?

Eu acho que foi dentro do prazo certo.

E que prazo certo foi esse?

Em torno de uma semana. Foi o tempo para concluir o processo de ouvir todo mundo. Ouvir o próprio Poder Executivo, que referendou o nosso nome. A direção partidária, o Diretório Municipal do PT, o Diretório Estadual, os companheiros do próprio partido. Enfim, foi um processo dentro do prazo ideal. É tanto que antencipamos a eleição que seria realizada no dia 1º de dezembro e realizamos agora, em novembro. Tivemos sucesso na formação da chapa e não precisa estender mais a data para a eleição.

O seu nome foi cogitado para assumir a presidência da Casa no início da atual legislatura. Porém houve uma articulação que acabou com a indicação do partido ao nome do seu correligionário Múcio Magalhães. O senhor guarda alguma mágoa desse período?

O companheiro Múcio Magalhães é um grande militante do PT e, chegando aqui, ele fez uma gestão excelente. Elogiada por todos os vereadores. Ninguém faz críticas à gestão de Múcio. É uma pessoa que agiu com muito zelo na Casa, sobretudo na questão da transparência. A questão do uso da tecnologia... Está aí o novo plenário instalado. É um companheiro que eu já conheço há muito tempo. Ele trabalha com muita seriedade. E eu tive o privilégio de tê-lo aqui como a primeira pessoa que referendou o meu nome, sugerindo que eu fosse o presidente da Casa.

Recentemente, o atual presidente Múcio Magalhães afirmou que não representava, na Câmara, mais o projeto político que é encabeçado pelo prefeito João da Costa. Ele entende que alterações foram empreendidas, modificando esse projeto, principalmente, no que diz respeito a objetivos e às prioridades. O senhor também compartilha desse pensamento?

Eu entendo que é o mesmo projeto. Sou do PT, fui líder do Governo de João Paulo, fui líder da bancada do PT aqui, sempre contribuí com o Partido dos Trabalhadores e com essa administração. Espero que possa continuar contribuindo. Agora, o prefeito João da Costa vai retornar após esse seu problema de saúde. Acredito que ele vai vir com muito mais energia e com mais experiência, tanto na gestão anterior - como secretário - como nesses seus dois anos à frente da PCR. Vamos estar aqui para somar, para poder ajudar essa gestão no sucesso dela.

Durante a atual legislatura, a Câmara registrou vários momentos nos quais segmentos da sociedade ocuparam as galerias para participar de muitas das discussões travadas no plenário. E, em alguns momentos, as manifestações populares colocaram em cheque as posições dos vereadores. Caso se repitam, como o senhor pretende lidar com esse tipo de comportamento?

Eu fui dirigente sindical. Tive uma experiência muito grande. São 17 anos de movimento sindical e sempre tratei com as pessoas qualquer tipo de processo, qualquer tipo de mobilização. Espero que o diálogo sempre ocorra e que nenhuma ação exagerada possa acontecer. Através do diálogo, buscaremos solucionar as diferenças. Esperamos a participação da população nas questões da Casa, porque são questões da sociedade.

Com o início das discussões sobre a corrida eleitoral de 2012, espera-se que a oposição aumente ainda mais sua atuação na Câmara do Recife. Nos anos anteriores, já assistimos a tentativas de instalação de CPI...

Eu vou esperar, porque, dependendo de cada caso, nós daremos um tipo de tratamento. Eu espero que a oposição seja sempre no sentido da construção para o melhor da cidade. Sempre tive um excelente relacionamento com os membros da oposição desta Casa. E a crítica sempre é importante, quando é algo nesse sentido... o de construir. A própria Priscila Krause (DEM), que será a líder da oposição, mantém um diálogo permanente comigo. É uma pessoa que contribuiu, que já contribuiu na construção do Plano Diretor da Cidade. Ela fez parte da comissão comigo. Ela ajudou não só a elaborar, mas também a melho rar o Plano Diretor. Vamos fazer, vamos buscar sempre ajudar

O senhor tem o conhecimento de algum projeto que pode ser enviado pelo Executivo no começo de sua gestão na Câmara?

Ainda não. Nós estamos esperando o prefeito João da Costa, quando ele voltar para a Prefeitura, para discutir o plano de mobilidade urbana e acessibilidade do Recife. Hoje, a cidade precisa discutir isso da forma mais urgente possível. É um complemento do Plano Diretor. É um dos pontos que a gente quer trazer para o debate, já no começo do próximo ano. Vamos aguardar outros projetos também. O prefeito prepara várias ações aqui na cidade e a gente espera que isso seja encaminhado para que possamos trabalhar para engrandecer esses projetos e, ao mesmo tempo, viabilizá-los perante à sociedade.

No início desta legislatura, vários vereadores da base governista - que acabaram formando um bloco independente na Casa - reclamaram de falta de comunicação com o Governo para a resolução de questões levantadas pelas comunidades que representam. O senhor pretende articular para diminuir ou mesmo dirimir esse problema?

O vereador, normalmente, quando vai à Prefeitura, leva um pleito de determinada comunidade. Uma necessidade localizada, porque o vereador é quem está mais próximo da população. Então, quando ele vai à Prefeitura, tem que ser bem tratado. E essa concepção, esse entendimento o prefeito tem. Ele foi coordenador do Orçamento Participativo (OP). É uma pessoa que conhece a fundo os problemas da cidade. Com certeza, quando ele voltar, vai atender a esses pleitos que estão sendo encaminhados. Mas nós vamos discutir um método para que, em conjunto, nós vereadores levemos esses pleitos junto as secretarias. Os secretários vão estar integrados, o líder do Governo que o prefeito escolher também vai estar integrado e nós vamos procurar ajudar ao máximo para alcançar sucesso. E esse sucesso vai beneficiar o Executivo e também ao Legislativo, porque as comunidades vão ver que estamos trabalhando por elas.

O senhor falou no líder que o prefeito vai escolher para comandar a bancada governista. Já existem nomes para substituir Josenildo Sinésio ou ele continuará?

Eu não tenho nenhuma informação sobre isso. A liderança quem escolhe é o prefeito. Tem que ser uma pessoa que o prefeito tenha essa afinidade, e acredito que ele escolherá bem. Ninguém pode interferir. É uma questão dele.

Dois vereadores de mandato - Inácio Neto (sem partido) e Jairo Britto (PHS) - querem ingressar no PT. Porém, o estatuto do PT coloca nas mãos da direção do partido no município o poder para analisar. Como o senhor vê os dois possíveis ingressos?

Pelo estatuto do PT, qualquer pessoa que tenha mandato precisa passar por um processo de discussão para que ingresse no partido. Uma discussão no diretório, mas também na bancada (de vereadores, no caso). Eu concordo com a vinda de qualquer companheiro de mandato que queira participar e construir conosco.

Jairo Britto e Inácio vão somar?

Acho que todos aqui, todo vereador pode dar sua contribuição, desde que siga as orientações do partido. O PT tem orientações a serem observadas pelos seus vereadores.

Nos corredores da Casa de José Mariano já se fala na fórmula que os partidos devem se organizar para disputar a eleição, inclusive, o próprio PT. Se discute a formação de chapinhas e de chapões. O senhor prefere concorrer à reeleição numa chapinha ou num chapão, em 2012?

Essa discussão ainda é muito prematura agora. Ainda vamos ver muitas pedras rolarem até 2012. A gente ainda vai ter que ver. Às vezes para os partidos apoiarem determinado candidato a prefeito precisam formar chapinhas e, em outros casos, chapões, como foi da última vez. Um mandato de vereador se submete a esse tipo de composição, de discussão partidária e de coligação. A gente não pode dizer o que é bom ou o que é ruim dois anos antes.

Para a PCR, fala-se que ex-prefeito e agora deputado federal João Paulo gostaria entrar na briga, caso João da Costa não seja confirmado pelo PT para a reeleição. Para o senhor, há dúvidas sobre quem concorrerá? Há a possibilidade de mudança no representante petista?

Acho que o prefeito é candidato à reeleição. Ele vem agora com todo o pique e, com os projetos que temos conhecimento, que começarão a sair do papel no próximo ano, as pesquisas vão apontar uma gestão bem avaliada. É o que eu estou percebendo. É o que eu acho que vai acontecer.

Na última pesquisa divulgada sobre a aceitação da gestão, o prefeito João da Costa apareceu com apenas 30% de aprovação. O senhor vê esse percentual aumentado paulatinamente?

Não tenho dúvidas que, pelo que está e o que ainda vai ser investido na cidade, no final de 2011, a avaliação será a melhor possível. Acho que a população vai reconhecer a eficiência e a competência que a gestão vai apresentar. Muita gente não sabe, mas o prefeito João da Costa passou por um período enfrentando um problema de saúde. Ele não pode estar à frente de muitas ações. Mas, agora, ele está completamente renovado e com toda a energia para operacionalizar aquilo que já está programado por ele.

Tem conversado com o prefeito?

Sim, nós temos mantido o contato. Conversando sempre possível com ele.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-politica/603230-vereador-tem-que-ser-bem-tratado

Grupo agride jovens na avenida Paulista em dois ataques diferentes

14/11/2010

GUILHERME REED
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


O grupo que agrediu três jovens na avenida Paulista na manhã deste domingo agiu em ataques diferentes, segundo relato das vítimas. A polícia investiga se os três rapazes agredidos foram vítimas de homofobia.

Primeiro, os cinco suspeitos atacaram dois amigos no início da avenida, na altura do número 459. Uma vítima conseguiu fugir em direção ao metrô, e a outra desmaiou com a agressão.

Em seguida o grupo seguiu pela avenida e, na altura do número 700, atacou um outro jovem, que foi ferido no rosto. Um vigia viu a agressão e chamou a Polícia Militar, que alcançou os cinco suspeitos, detidos em flagrante --deles, quatro são menores.

A PM identificou o grupo como skinheads. No entanto, em depoimento à reportagem, uma das vítimas disse que eles não tinham a aparência característica de skinheads, como cabeças raspadas, e estavam bem vestidos.

O jovem que desmaiou na avenida foi socorrido no pronto-socorro Vergueiro, muito machucado, e encaminhado ao hospital Oswaldo Cruz. As outras duas vítimas estão no 5º Distrito Policial (Aclimação), que investiga o caso.
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Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/830509-grupo-agride-jovens-na-avenida-paulista-em-dois-ataques-diferentes.shtml

Um retrato da desigualdade no Chile

DOMINGO, 14 DE NOVEMBRO DE 2010
Reproduzo artigo de Andrés Figueroa Cornejo, da Argenpress.info, publicado no sítio Carta Maior:

Enquanto Sebastián Piñera aproveita os últimos créditos político-midiáticos do espetacular resgate dos 33 mineiros da mina San José, Também em Copiapó, no dia 8 de novembro, Homero Aguirre e Daniel Lazcano, trabalhadores da mina de cobre Los Reyes, morreram em um novo acidente de trabalho. A exploração pertence à empresa Sociedad Legal Compañía Minera Del Sur.

Quando centenas de desempregados, dos milhares que ficaram na rua por ocasião do abrupto corte dos empregos emergenciais em Concepção - numa situação crítica logo após o terremoto e o maremoto de fevereiro de 2010 -, viajaram a Santiago e depois a Valparaíso para exigir a reabertura dos trabalhos emergenciais, o presidente Piñera anunciou as vigas mestras de sua agenda de governo batizada com pompa "Chile País Desenvolvido: Mais Oportunidades e Melhores Empregos". A fórmula piñerista simplesmente é uma extensão ampliada das políticas dos últimos governos da Concertação: aumentar o investimento no país, incentivos tributários para o reinvestimentos de pequenas e médias empresas e incentivo ao turismo.

A fantasia publicitária de converter o Chile em um país desenvolvido sobre pilares que intensificam a abertura econômica e o investimento transnacional sem travas nem impostos significativos só tornam o Chile mais dependente dos preços do cobre. Não é estranho que entre janeiro e outubro de 2010, o governo tenha autorizado um investimento histórico de capitais de mega corporações estrangeiras que chegou a 13,275 bilhões de dólares (mais de 200% em relação ao mesmo período de 2009), distribuídos assim: 83% para a exploração de cobre; 9,1% para serviços; 4% para os setores de eletricidade, gás e água; e 3,4% para comunicações.

Os preços do cobre estão em níveis extraordinariamente altos (como todas as matérias primas do continente) em função da demanda asiática, em especial da China. Isso, como já ocorreu em outros períodos, torna a economia chilena muito sensível ao destino das potências que hegemonizam o planeta. Neste contexto, aprofunda-se o perfil primário extrativista do país. Esses capitais estrangeiros migram segundo seu próprio capricho e de acordo com variáveis incontroláveis pelo Estado chileno. Além disso, geram pouco trabalho. Ou seja, se incrementa a natureza rentista do padrão de acumulação capitalista da classe no poder e se posterga a industrialização e a diversificação necessária ao país para impulsionar um projeto nacional e integral de desenvolvimento.

A classe dominante só persegue o lucro rápido e no curto prazo, hipotecando as bases genuínas de um país a caminho de um desenvolvimento democrático, alimentando uma estrutura econômica deformada, contra toda ideia de soberania, dramaticamente subordinada ao capital das economias centrais cujos objetivos estão muito longe de ser o bem estar e os interesses das maiorias nacionais.

Assim mesmo, com um desemprego estrutural "oficial" beirando os 10%, a simplificação na criação de microempresas - que, na maioria dos casos, são negócios familiares - é uma maneira desesperada de multiplicar o trabalho precário por conta própria em função da ausência de trabalho formal para absorver a força de trabalho desempregada. Aquelas pequenas e médias empresas que se dedicam a atividades produtivas, além disso, estão condenadas a vender seus produtos aos preços impostos por um mercado cada vez mais concentrado (a cadeia de supermercados Wal-Mart, que se chama Líder no Chile, é paradigmática neste sentido), com o agravante de ter que competir com mercadorias asiáticas cuja importação é livre.

E quando Piñera fala de "modernização do Estado", ele se refere simplesmente ao seu encolhimento, com o subsequente aumento do desemprego e menor fiscalização em todos os âmbitos. De fato, espera-se numerosas demissões para o final de novembro, no marco de uma dura negociação coletiva com os sindicatos do setor público que pedem um aumento salarial de 8,9%, sendo que, até agora, o governo só ofereceu um escasso 3,7% nominal.

A acumulação capitalista por meio do saqueio dos recursos naturais desta vez tem seu ponto duro no território do Lago Neltume, cujas comunidades mapuche resistem à construção do túnel de prospecção para a Central Neltume, propriedade da transnacional Endesa-Enel. Os mapuche denunciaram que a "Endesa-Enel invadiu nosso território, retirando-nos a água, apropriando-se dos direitos de aproveitamento contínuo dos bens de vários riachos que pertencem a famílias de nossa comunidade".

Entre as maldições da prospecção está o fato de que a companhia "nos deixará sem nossas ervas medicinais ao elevar o caudal do lago Neltume, ervas que usamos desde tempos ancestrais e que, sem as quais, morreremos". Os mapuche dizem ainda que a Endesa-Enel "deve compreender que os seres humanos não são donos da natureza, mas sim parte dela, e que o dinheiro e o lucro não podem ficar acima dos direitos coletivos dos povos".

Os trabalhadores da terceira corporação de cobre privada que explora o mineral no país, Doña Inés de Collahuasi, estão em greve desde o dia 5 de novembro. A 4.500 metros de altura na região norte, o presidente do sindicato, Manuel Muñoz informou que a companhia, em 2010, terá investimentos de 3 bilhões de dólares, enquanto os trabalhadores estão exigindo 50 milhões de dólares em três anos, somando todas as suas demandas.

Em outro setor, os trabalhadores da construção civil que edificam o Hospital de Puerto Montt, no sul do Chile, cujas empresas selecionadas para a obra são Besalco, Moller y Pérez Cotapos, associadas no Consórcio Hospital de Puerto Montt, mobilizaram-se contra as más condições de segurança e higiene no interior de uma obra estatal. Os operários agrupados na Federação de Trabalhadores da Construção (Fetracoma), foram desalojados da obra com extrema violência por Forças Especiais de Carabineiros, com a anuência do governador da zona, Francisco Muñoz, da secretária regional do Ministério da Saúde, Mônica Winkler, e da secretária do Trabalho, Andrea Rosmanich, que conheciam perfeitamente as péssimas condições de trabalho na construção. 23 trabalhadores e dirigentes sindicais foram detidos pela polícia.

Segundo a Pesquisa de Caracterização Socio-Econômica 2009 (Casen), realizada pelo Ministério do Planejamento a cada 3 anos, o Chile é hoje mais pobre que em 2006. De acordo com os dados oficiais, em 2006 a pobreza alcançava 13,7% da população nacional, enquanto hoje esse índice é de 15,1%. Por regiões, a pesquisa aponta como líderes do ranking da miséria a região de La Araucanía, com 27,1%, a de Bio Bío, com 21%, a de Maule, com 20,8%, a de Los Ríos, com 20,4%, Atacama, com 17,4% e Coquimbo com 16,6%. As mulheres são mais pobres do que os homens (15,7% x 14,5%); e a população originária (indígena) mais pobre que a mestiça (19,9% x 14,8%).

Agora vem o importante. O corte ou linha de pobreza fixado pelo Estado é de 64 mil pesos por mês (128 dólares) para os que vivem nas cidades e de 43 mil pesos mensais (86 dólares) para os que vivem em zonas rurais. Ou seja, se no momento da realização da pesquisa a pessoa obtém um peso a mais que os mínimos assinalados, para efeitos estatísticos já não é mais considerada pobre. E a linha de pobreza é fabricada mediante uma misteriosa cesta "básica de alimentos por pessoa cujo conteúdo calórico e proteico permita satisfazer um nível mínimo de exigências nutricionais". Isto é, um conjunto de produtos alimentícios - cuja qualidade e origem não interessa - que um ser humano precisa para não desfalecer de inanição.

E mais. Com uma suposição fundada no cinismo mais abjeto, o informe da Casen indica que "se assume que os lares que conseguem cobrir adequadamente suas necessidades de alimentação satisfazem, ao mesmo tempo, os padrões mínimos das outras necessidades básicas". Por que se supõe que alguém que mal tem recursos para comer conta com recursos para ter acesso aos serviços básicos (moradia, eletricidade, água, gás telefone), à saúde, à educação, à seguridade social, à recreação, a um emprego estável e a um larguíssimo etcétera?

Que ciência apóia essa hipótese?

O Estado fixa a linha de pobreza em 64 mil pesos, em um Chile onde duas viagens no transporte público custam mil pesos, um quilo de pão outros mil pesos, uma mensalidade universitária mais de 200 mil pesos em média e o aluguel de uma habitação ou quarto com banho compartilhado custa entre 60 e 80 mil pesos/mês. Quantos chilenos ganham com seu trabalho – considerando um desemprego estrutural que não sai de 8 a 10% - menos de 350 mil pesos (700 dólares). Cerca de 70 ou 80% da população?

Resulta óbvio que a pobreza ou o empobrecimento da população do país é muito maior que 15,1%, e que esse número não é mais que um indicador colocado na vitrine para as agências avaliadoras de risco multinacionais que orientam o grande capital investidor para benefício de uma minoria rentista e grande proprietária.

Em um micro-ônibus da Transantiago havia um aviso fixado por algum usuário que dizia: "Se pago a passagem, não como". Essa é uma verdade do tamanho do sol em um pequeno país cujo PIB cresce a cerca de 6%, ao custo da mais dura desigualdade social, concentração econômica e exploração sem limite nem regulação alguma de seres humanos e natureza.

Tradução: Katarina Peixoto.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2010/11/um-retrato-da-desigualdade-no-chile.html

PT pode ter de abrir espaço para maior participação do PSB

14/11/2010
O Estado de S. Paulo

Dentro da coligação que elegeu Dilma, socialistas cresceram na Câmara e no Senado e dobraram o número de governadores

Se a presidente eleita também recorrer à matemática e definir o recente desempenho de cada partido aliado nas urnas como critério para preenchimento dos cargos no governo, o PT encolherá na Esplanada.

Mesmo tendo passado à condição de maior bancada na Câmara dos Deputados - e apesar de aumentar o número de senadores e governadores - ainda assim o partido pode encolher.

Os dez partidos da coligação que garantiu a vitória de Dilma Rousseff elegeram 309 deputados, 50 senadores e 16 governadores. O cacife de cada um na formação do governo varia de acordo com a fatia nesse bolo.

O PMDB diminuiu seu número de deputados e de governadores, mas cresceu no Senado e tem cacife para pelo menos manter a atual representação na Esplanada. No conjunto, ainda está à frente dos demais partidos da coligação em número de votos no Congresso e de governadores, tudo somado.

E, se prevalecer a matemática da representação política, o PT terá de abrir espaço para uma maior participação do PSB, que ganhou mais deputados e senadores, além de dobrar o número de governadores. Os líderes do PSB, contudo, evitam demonstrar apetite por cargos. Eduardo Campos, governador reeleito de Pernambuco e presidente do partido, diz que "o interesse do PSB é ajudar Dilma".

Com a terceira maior bancada aliada na Câmara e no Senado, o PR, que detém hoje o super cobiçado Ministério dos Transportes, tem respaldo matemático para buscar manter o posto.

Composição. Embora não tenha anunciado o critério para o preenchimento das vagas, Dilma não poderá se limitar aos partidos que aderiram formalmente à sua chapa nas eleições.

O PP, por exemplo, que não integrou a coligação, detém atualmente a mais disputada das vagas na Esplanada, o Ministério das Cidades, e deverá compor com o novo governo. Com os votos do PP, a bancada pró-Dilma no Congresso iria a 351 deputados e 59 senadores.

Se o PV manterá presença no ministério - depois de a candidata derrotada Marina Silva ter declarado posição de independência do partido em relação ao novo governo - ainda não se sabe.

Estatais. A complicada composição do novo governo não se esgotará na indicação dos ministros e comandantes das empresas estatais. Há quase 22 mil cargos de confiança nos ministérios a serem preenchidos, com salários que variam atualmente de R$ 10,6 mil a R$ 21,2 mil.
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Fonte:http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/11/14/pt-pode-ter-de-abrir-espaco-para-maior-participacao-do-psb

DEBATE ABERTO: Crime, castigo e mídias

14.11.10

As mídias brasileiras em suas peças destinadas ao grande público tratam do problema da violência urbana de modo bastante irresponsável. Não raro usam de palavras chulas e preconceituosas para se referir à complexa relação entre as polícias e os criminosos.


Luís Carlos Lopes *

O drama da violência urbana continua pairando sobre as cabeças do Brasil, como algo compreendido de modo torto. Nas grandes mídias, predomina a espetacularização. Esta consiste em descrever, narrar e ‘mostrar’ os fatos sem qualquer compromisso maior com suas veracidades e sem um apetite analítico profundo apreciável. Há uma forma – um modo de divulgar – que é seguida melancolicamente.

As notícias, os comentários e as imagens divulgadas constroem versões que pretendem convencer a todos que nada mais deve ser dito. As grandes mídias se postam como oniscientes e onipresentes. Elas seriam capazes de saber exatamente o que ocorreu, para além da necessidade do exame político, social e jurídico que, em alguns casos, continua após a difusão.

As mídias escolhem – pautam – o que deve ser noticiado e comentado, insistem em alguns casos e abandonam outros. Suas versões, isto é, representações, seriam pretensamente as únicas confiáveis. O crime de grande impacto social é divulgado ad nausea. Aproveita-se da comoção social e as manifestações populares são estimuladas e incorporadas ao processo de espetacularização.

No passo seguinte, as notícias vão rareando, os comentários se esvanecendo até serem sepultados. É verdade que esses podem voltar, se isto for necessário à lógica mercantil que preside o jornalismo. Isto se processa em suas imensas variações comunicacionais, proporcionadas pelo rádio, pela TV e pela imprensa escrita. Na Internet, ressoam ecos disto tudo e se podem encontrar notícias, comentários e análises que tentam ir além das superfícies.

A criminalidade e a ação policial são acompanhadas cotidianamente pelas audiências. O espetáculo da violência atrai o grande público e é explorado comercialmente por vários meios de comunicação, inclusive pelo cinema brasileiro. O cinema norte-americano criou uma matriz produtiva com inúmeros filmes e séries para TV que tratam do mesmo assunto. A indústria cultural de lá e, recentemente, a de cá, viram neste filão um meio de faturar audiências e bilheterias, ganhando somas fabulosas com o fenômeno da violência urbana.

O que a ação criminosa fatura é muito pouco comparável com os lucros estupendos auferidos pela difusão jornalística e ficcional. A diferença é que esta última ganha muito sem fazer jorrar uma gota de sangue real. A primeira, além de implicar em gastos estatais altíssimos para sua repressão, consiste em uma atividade humana das mais perigosas que ceifa vidas dos três lados do confronto. São vitimados lumpens, população civil e membros das forças repressivas.

Há quem compare isto a uma guerra, ou mesmo a uma guerra civil. Todavia, pelo menos no Brasil e nos EUA, não é exatamente isto o que ocorre. As guerras nacionais e civis têm bandeiras, interesses territoriais e seguem a lógica da violência entre populações e exércitos mobilizados para tal. O se tem no Brasil são operações sem maior sincronia, com casos contrários excepcionais, envolvendo os foras-da-lei e as forças policiais. Pequenos grupos enfrentam milhares de agentes das forças oficiais.

Nos EUA, ocorre algo similar. Mas, o policiamento ostensivo e menos corrupto de lá garante uma maior proteção dos populares. Os norte-americanos, tributários do puritanismo, vêem o crime como um pecado que precisa de punição exemplar. Acreditam no seu sistema judicial que é bastante duro, principalmente com os mais pobres. Nenhum país do mundo atual ostenta a incrível cifra de mais de dois milhões de prisioneiros sentenciados, muitos com penas altíssimas, alguns com a pena de morte.

No Brasil, a retórica da ressocialização entende o criminoso como alguém que pode ser recuperado, pelo menos em teoria. Isto se traduz em penas mais brandas e o no paradoxo de prisões imundas, próximas do que se pode chamar de inferno. Este é vivido por cerca de quatrocentos mil detentos.

O conceito da bala perdida, das execuções extrajudiciais e de inúmeros erros estratégicos das polícias e da justiça são bem mais respaldados na realidade brasileira. Estes fatos também estão presentes no gigante do norte, em outra escala e com outras conseqüências. Existem inúmeras diferenças e semelhanças de situação entre ambos países. Estas escapam ao objetivo deste pequeno artigo. Nos dois casos, a violência e sua repressão são maiores em determinadas zonas de concentração urbana.

No Brasil, os civis são vitimados fortemente por serem os mais fáceis alvos do crime. Eles são corriqueiramente atingidos nos confrontos entre os grupos armados. Dentre os civis, os mais pobres são estatisticamente os mais afetados. É possível viver décadas em uma grande cidade do Brasil sem jamais ser assaltado ou presenciar um tiroteio. Isto dependerá de onde se mora e de que lugares se freqüenta. Nas regiões mais pobres da cidade e em suas periferias, a violência torna quase impossível viver sem estar próximo de algum ato de barbárie. Ela chega, obviamente, às regiões mais ricas, onde há maior estardalhaço, quando tal acontece. Nos bairros pobres, o estupro, o furto, o assalto à mão armada e o assassinato entraram na normalidade social, tal é sua repetição.

As mídias brasileiras em suas peças destinadas ao grande público tratam do problema da violência urbana de modo bastante irresponsável. Não raro usam de palavras chulas e preconceituosas para se referir à complexa relação entre as polícias e os criminosos. Estes são chamados de ‘vagabundos’, como houvesse trabalho para todo mundo. Quando há tortura, se cunha a expressão ‘esculachar’, para se referir a esta ignomiosa prática. Copiam-se as gírias dos envolvidos. O assassinato puro e simples é chamado de ato de resistência ou de oportunidade e por aí em diante. O ainda mais grave é a demonização de quem invoca os direitos humanos. Estes são denominados como protetores dos criminosos, ironizados e vistos com imensa desconfiança.

O fascismo deste modo de ver o problema é escamoteado das mais diversas maneiras. Diz-se que há uma guerra civil e que cada um deve escolher o seu lado. O consumidor de drogas é visto, não como um doente, e sim como alguém que seria o verdadeiro responsável pelo tráfico. O criminoso, como quem estaria melhor se estivesse morto, justificando-se as inúmeras execuções extrajudiciais. A tal guerra de que falam seria a dos ‘cidadãos de bem’ contra os criminosos e qualquer expediente seria a princípio válido, incluindo-se os possíveis e corriqueiros efeitos colaterais. Defendem que o medo deveria se incutido de modo radical, esquecendo que isto é feito no Brasil desde a época da escravidão e que jamais funcionou. Seus partidários mais radicais não discutem com ninguém estas idéias, simplesmente as impõem com a ajuda das mídias e com apoio de forças políticas importantes.

O ainda mais grave é o desaparecimento da questão social e política. No Brasil, se está apreendendo rápido a lógica norte-americana do crime como fruto do livre-arbítrio bíblico. O criminoso ‘escolheria’ entre o mal e o bem e seria o único responsável por estas escolhas. As suas condições de vida desde do nascimento nada teriam a ver com seus atos. As políticas sociais de Estado em nada influenciariam suas decisões. As pressões midiáticas e publicitárias para que todos comprem de tudo não seriam responsáveis pelos seus atos. O indivíduo, visto como alguém isolado, é que escolheria livremente seu percurso na vida. Esta lenda fortemente defendida nas mídias degenera em efeitos catastróficos.

Os que defendem essas idéias ‘esquecem’ que as taxas de delinqüência são bem menores em países onde a renda nacional é mais dividida. O combate ao desemprego, o acesso à educação e aos bens culturais têm um papel muito significativo na luta contra a barbárie. Uma justiça que se importe com os problemas sociais, seja praticada de modo mais justo e possua o seu controle feito de fora do seu aparato seria de bom alvitre. Governos empenhados em melhorar o nível de vida da população ajudariam bastante.

Por fim, os inimigos de qualquer modernização no tratamento do problema da violência urbana fingem não saber que quando se fala em direitos humanos não se está defendendo criminosos, ao contrário. Estes direitos seriam para todos, incluindo os policiais que também são vítimas de políticas públicas equivocadas. As vítimas, que seriam mais respeitadas e protegidas. Seriam criados direitos de cidadania, no lugar de privilégios de classe, tão comuns no Brasil.

A defesa dos direitos humanos implica prender criminosos de qualquer origem social ou cor com base em uma legislação e uma estrutura prisional que os respeite como pessoas, sem deixar de puni-los exemplarmente por seus crimes. Significa melhorar a distribuição de renda para combater o crime na sua origem. Tem o fito de terminar de uma vez por todas com a tortura e com as execuções extrajudiciais que deveriam ser motivos de vergonha para um país que já está entre as dez nações mais ricas da face da Terra.

Luís Carlos Lopes* é professor e escritor.
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Fonte:http://cartamaior.com.br/templates/analiseMostrar.cfm?coluna_id=4875

Fusão entre PMDB e DEM no telhado

14/11/2010
Autor: Denise Rothenburg
Correio Braziliense




Como o rearranjo das legendas teria chance de gerar indisposições na aliança com o PT e influir de forma negativa na base de Dilma, união ficou improvável

O PMDB praticamente desistiu de levar adiante a ideia de incorporar o DEM às suas fileiras. Nas conversas que o vice-presidente eleito, Michel Temer, manteve nos últimos dias dentro do próprio PMDB, ele concluiu que a união é praticamente impossível, embora seja do desejo de Gilberto Kassab, o prefeito de São Paulo. A prioridade, no momento, diz ele, é a relação PT-PMDB. “Não pode haver traumas entre PT e PMDB”, diz Temer.

Como vice-presidente, ele vai defender no partido que todo e qualquer movimento de rearranjo partidário tenha por base este aspecto: preservar a política da boa vizinhança entre as duas principais legendas que sustentarão o governo de Dilma Rousseff e dele próprio. “Não pode haver desconfianças”, prega.

O problema é que Temer ainda não conseguiu avaliar se terá forças para levar adiante essa tarefa de aplainar suspeitas. Nos últimos dias, além dos entraves entre Aloízio Mercadante (PT) e Renan Calheiros (PMDB) no Senado, o governo viu o principal aliado no Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, entrar com uma ação judicial exigindo que o governo estadual seja compensado pelos recursos que deixará de arrecadar dentro da operação de capitalização da Petrobras.

Enquanto as rusgas no Senado e no pré-sal crescem, está aberta na Câmara a temporada de ensaios de fusão e/ou criação de novos partidos — hipóteses que, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, funcionam como um passaporte para troca de legendas sem que necessariamente haja punições por infidelidade partidária.

Na base governista, esses movimentos não têm tido segmento. Enquanto as conversas entre DEM e PMDB seguem aos tropeços — e estão em ritmo decrescente por causa da reação contrária dos atores envolvidos e do próprio governo — PTB, PR e PP ensaiam formas de ampliar o poder de fogo, no governo e no Congresso.

Fusão

Ocorre que, se esse trio seguir para uma fusão ou mesmo uma simples formação de bloco, PT e PMDB montam outra parceria e, com maior número de deputados, ocupam todos os principais cargos da Mesa Diretora, comissões no Parlamento e ainda postos importantes no governo Dilma.

“Fala-se muito em fusão, mas está muito difícil porque, quando morre um partido, morre junto toda uma gama de benfeitorias, fundo partidário, horário político. O DEM é uma máquina, tem força em Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Bahia. Não vai querer perder espaço”, avalia o cientista político Murilo Aragão. Ele entende que os deputados queriam mesmo era a janela para troca de partido, mas, como o projeto ficou na gaveta, sobraram apenas a fusão e a formação de novas legendas para o troca-troca sem risco de punição.

É nesse sentido que as conversas estão ocorrendo. A tendência, diz Murilo, é que surja muita especulação e a maioria sem muito efeito prático. Pelo menos no que diz respeito à base governista, esse rearranjo só vai ocorrer se vier mesmo a tal reforma política sonhada pelo presidente Lula.
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Fonte:http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/11/14/fusao-entre-pmdb-e-dem-no-telhado

Recife é premiado por ter a melhor ação de marketing do Brasil

12 de Novembro de 2010
Postado por Valdecarlos Alves

O Recife foi o grande vencedor do prêmio “Melhores Práticas do Turismo” do Ministério do Turismo no quesito Marketing e Promoção do Destino. São premiadas as ações que servem de modelos de excelência para todo o Brasil. O Game Show Recife te Quer, da Prefeitura do Recife, considerado o maior e mais arrojado programa de fidelização de agentes de viagem e de venda de destino no Brasil foi o projeto responsável pela premiação.

“O destaque em ações de marketing já tem se comprovado através dos excelentes números do turismo no Recife. Esse prêmio vem coroar uma política criativa e inovadora de se vender um destino turístico.” afirma Samuel Oliveira, secretário de Turismo do Recife.

O Game Show é a grande apoteose do programa Recife te Quer, uma parceria da Prefeitura do Recife com a ABIH e com o apoio do Trade Turístico de Pernambuco. Esse programa incentiva a venda de pacotes turísticos, qualifica os agentes de viagem e dá um panorama de quem, quando e onde se vende o destino Recife.

O Game show em números:

Duas edições;
170 mil turistas a mais na cidade;

6 mil agentes de viagem concorrendo;

4 mil agências cadastradas;

Mais de 50 milhões de reais de movimentação na economia da cidade;

*Mais de 500 coleções Recife te Quer assinadas pelo artista plástico Francisco Brennand entregues;

*Dois carros, duas motos e duas TV´s de LCD entregues

*Prêmios oferecidos pelo Trade Turístico

Através da premiação, a ideia do Ministério do Turismo é fazer com que as experiências e as práticas bem sucedidas sejam multiplicadas para outros destinos que integram as regiões turísticas do País.

A cerimônia de premiação será em 7 de dezembro, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.Foram 240 projetos inscritos e selecionados conforme as 13 dimensões do Índice de Competitividade 2010. As práticas premiadas foram divididas e analisadas em capitais e não-capitais.
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Fonte:http://www.blogdafolha.com.br/index.php/materias/14634-recife-e-premiado-com-a-melhor-acao-de-marketing-do-brasil

Ipea debate o desenvolvimento nacional

DOMINGO, 14 DE NOVEMBRO DE 2010
Do blog de Altamiro Borges
Reproduzo entrevista concedida ao jornalista Umberto Martins, publicada no sítio Vermelho:

Cerca de 2 mil pessoas já estavam inscritas para a 1ª Conferência do Desenvolvimento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) até quinta-feira (11). O evento será realizado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, dias 24 a 26. Reunirá economistas como Maria da Conceição Tavares, autoridades, dirigentes das centrais sindicais e dos movimentos sociais. O economista Renaut Michel, diretor adjunto de Estudos Macroeconômicos do Ipea, falou ao Vermelho sobre o tema. Leia abaixo:

Quais os objetivos da conferência?

Em primeiro lugar, o Ipea pretende promover um grande debate nacional sobre desenvolvimento, envolvendo não só acadêmicos, mas a sociedade como um todo. O tema, considerado central nos anos 1950 a 1980, foi relegado ao esquecimento durante os anos 1990 e, mais tarde, retornou com força em toda a América Latina, sendo incorporado como o norte dos trabalhos do Ipea. Nossa grande expectativa é colocar na agenda brasileira as questões centrais associadas ao desenvolvimento, ao projeto de nação.

Qual a razão do esquecimento?

Vejo dois motivos, um deles ideológico, que foi o arcabouço teórico hegemônico nos anos 1990 hostil às ideias desenvolvimentistas. Outro é o pensamento que não vê a necessidade da participação do Estado no desenvolvimento econômico e advoga que a economia deve ser abandonada do livre jogo do mercado. O resultado das políticas fundadas nessas concepções foi medíocre e esta é também uma das razões pela qual o debate sobre desenvolvimento voltou à ordem do dia.

Ao convidar representantes das centrais e dos movimentos sociais para algumas mesas, a intenção do Ipea é ampliar o debate sobre o tema?

Com efeito, a questão do desenvolvimento ultrapassa a esfera acadêmica e até a esfera exclusivamente econômica. Temos a dimensão ambiental e social do desenvolvimento, a infra-estrutura, os problemas urbanos, a inserção internacional. Enfim, é uma questão multidisciplinar.

As centrais sindicais lutam, hoje, pela redução da jornada e concebem a valorização do trabalho como uma fonte de desenvolvimento, ao contrário do pensamento dominante, que aposta sempre na redução de custos trabalhistas. Qual sua opinião a este respeito?

Não tenho dúvidas de que o debate sobre o mundo do trabalho é central. As centrais sindicais têm um papel muito importante no debate e na definição de uma agenda desenvolvimentista. 2010 foi um ano interessante neste sentido, uma vez que foram registrados recordes mensais sucessivos na geração de empregos formais.

O comportamento do mercado de trabalho foi muito positivo, contribuindo para a ampliação da renda e do consumo. A política de valorização do salário mínimo também foi fundamental para aquecer a demanda doméstica, ao lado das políticas sociais do governo Lula. Considero importante a redução da jornada de trabalho para avançar no sentido de uma melhor distribuição funcional da renda, dada pela sua divisão entre capital e trabalho. Isto melhorou ligeiramente, mas é preciso avançar mais.

Hoje, o capital se apropria de cerca de 60% do PIB enquanto o trabalho participa com 40%, a relação anos atrás era de 62% contra 38%. Precisamos avançar mais e a redução da jornada, sem redução de salários, é um passo significativo nesta direção.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2010/11/ipea-debate-o-desenvolvimento-nacional.html

Confira os nomes cogitados para ministros no Governo Dilma

13.11.10
De acordo com o site do governo brasileiro, existem 34 ministérios e secretarias com status ministerial no Governo Lula.

Confira abaixo os 24 ministérios e dez secretarias com status ministerial no governo Lula. As 34 pastas são alvo de muito desejo por parte de aliados e de especulações por parte da mídia especializada. Abaixo, um levantamento feito pelo portal G1 com 30 nomes que surgem como favoritos para os diversos cargos.

ALESSANDRO TEIXEIRA - Presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações
Cotado para chefe de gabinete, ou para um eventual Ministério das Micro e Pequenas Empresas, que pode vir a ser criado.

ALOIZIO MERCADANTE - Senador pelo PT (mandato se encerra neste ano). Candidato derrotado ao governo do estado de São Paulo.
Cotado para o Ministério do Planejamento, segundo "O Globo".
ANTONIO PALOCCI - Ex-ministro da Fazenda, um dos coordenadores da campanha de Dilma.
Cotado para a Casa Civil, Ministério das Relações Institucionais, Secretaria-Geral da Presidência, Ministério da Saúde ou para a Petrobras.

CELSO AMORIM - Atual ministro das Relações Exteriores
Cotado para o Ministério da Cultura.

CIRO GOMES - Deputado federal pelo PSB e ex-ministro da Integração Nacional
Indicado pelo irmão Cid Gomes (PSB-CE), governador eleito, para ocupar um ministério. Também pode assumir a presidência do BNDES.

EDISON LOBÃO - Ex-ministro de Minas e Energia, foi reeleito senador pelo PMDB pelo Maranhão
Cotado para voltar ao Ministério das Minas e Energia, segundo a "Folha de S.Paulo" e "O Globo".
EMIR SADER - Sociólogo
Cotado para o Ministério da Cultura, por indicação do PT de São Paulo.

FERNANDO HADDAD - Atual ministro da Educação
Cotado para permanecer no Ministério da Educação.
FERNANDO PIMENTEL - Ex-prefeito de Belo Horizonte (PT)
Cotado para o Ministério das Cidades.

GABRIEL CHALITA - Deputado federal eleito pelo PSB em São Paulo
Cotado para o Ministério da Educação.

GRAÇA FOSTER - Diretora de Gás e Energia da Petrobras
Cotada para a Casa Civil e para a presidência da Petrobras.
GILES AZEVEDO - ex-assessor de Dilma na Casa Civil
Cotado por Dilma para Chefe de Gabinete.

GUIDO MANTEGA - Atual ministro da Fazenda
Cotado para permanecer no Ministério da Fazenda.

DR. HÉLIO - Prefeito de Campinas-SP pelo PDT
Cotado para assumir o Ministério da Saúde.

HENRIQUE MEIRELLES - Presidente do Banco Central
Cotado para o Ministério dos Transportes, embora Lula queira permanência no BC. Já o PMDB deseja que ele vá para o Ministério da Fazenda ou para a embaixada do Brasil em Washington.
IDELI SALVATTI - Senadora pelo PT de Santa Catarina
Cotada para o Ministério da Cultura ou para a Secretaria de Políticas para as Mulheres.

JOSÉ EDUARDO CARDOZO - Deputado federal pelo PT-SP, foi um dos coordenadores da campanha de Dilma
Cotado para o Ministério da Justiça.

JOSÉ SÉRGIO GABRIELLI - Presidente da Petrobras
Cotado para o Ministério da Integração Nacional.

JOSÉ VIEGAS - Embaixador na Itália
Cotado para o Ministério das Relações Exteriores.

LUCIANO COUTINHO - Atual presidente do BNDES
Cotado para o Ministério da Fazenda ou para a presidência do Banco Central. Também pode permanecer no cargo.

LUIZ FERNANDO PEZÃO - Atual vice-governador do Rio de Janeiro
Indicado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB) para o Ministério das Cidades.

MANUELA D'ÁVILA - Deputada federal no Rio Grande do Sul pelo PCdoB
Cotada para o Ministério dos Esportes ou para as secretarias das Mulheres, Igualdade Racial ou Juventude.

MARIA DO ROSÁRIO - Deputada federal no Rio Grande do Sul pelo PT
Indicada pelo PT gaúcho para ocupar o Ministério do Desenvolvimento Social ou a Secretaria Nacional de Direitos Humanos

MARILENA CHAUÍ - Filósofa
Indicada pelo PT paulista para o Ministério da Cultura.

MARTA SUPLICY - Senadora eleita pelo PT em São Paulo
Teria interesse na vaga do Ministério da Educação. É cotada pelo PT para o Ministério das Cidades.

NELSON JOBIM - Ministro da Defesa
Cotado para permanecer no Ministério da Defesa ou para comandar o Ministério das Relações Exteriores.
NEWTON LIMA - Deputado federal eleito em São Paulo pelo PT
Cotado para assumir o Ministério da Ciência e Tecnologia.

PAULO BERNARDO - Atual ministro do Planejamento
Cotado para a Casa Civil.

SÉRGIO CORTES - Atual secretário de Saúde do Rio de Janeiro
Seria o indicado por Sérgio Cabral (PMDB) para o Ministério da Saúde.
WAGNER ROSSI - Ministro da Agricultura
Cotado para permanecer no Ministério da Agricultura
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