sábado, 13 de novembro de 2010

Mitsuko Uchida - Mozart Piano Concerto no.13 & 20- 3/7

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A esgrima tucana 2011-2014

05.11.10
Beto Richa, Aécio e Serra em Curitiba (2008)

Por João Villaverde

A eleição de 2010 enterrou o projeto de endireitização do PSDB.

Quando se viu na oposição, a partir de 2003, o PSDB ainda manteve um posicionamento coeso como partido político — entenda-se: um agrupamento de pessoas que compartilha ideias muito próximas e ambiciona tomar o poder do Estado para implementá-las. Com a crise do mensalão, em 2005, e as pesquisas ainda favoráveis à Lula, no início de 2006, o PSDB colocou aquelas ideias num saco, e partiu para o abraço conservador.

Geraldo Alckmin, candidato tucano em 2006, apostou todas as fichas no discurso moralista. “Eu não compactuo com corrupção”, dizia sempre, em meio a outros tantos “vou implementar o choque de gestão”.

Quatro anos depois, continuamos todos esperando uma explicação razoável do que seja o tal “choque de gestão” de Alckmin — algo que nunca ocorreu em São Paulo, onde ele governou entre 2001 e 2006, mas em Minas Gerais, com a equipe de Anastasia, que tocava os programas de Vicente Falconi, contratado por Aécio Neves para reformular a gestão do governo mineiro.

O PSDB perdeu as eleições presidenciais de 2006, como já havia perdido em 2002, mas com um diferencial: a apelação ao moralismo, em 2006.

Quando perdeu em 2002, quando havia, de fato, um choque entre projetos distintos, o PSDB fez uma coisa sensata, mas virou para o lado errado. Mudou o discurso, o que era sensato, uma vez que aquele se saiu derrotado, mas ao invés de olhar para suas ideias de origem – o embasamento social-democrata europeu, muito abraçado pelo PT de Lula, quando no poder – o PSDB resolveu olhar à direita. Mas, diferente do que poderia imaginar o incauto, não se tratou de olhar e pender à uma direita inteligente, mas a uma direita tacanha, que apela aos “bons costumes” da família e a clichês de “o exemplo que vem de cima”.

Quando perdeu em 2006, deveria ter estacionado o barco e refletido sobre o rumo, já que as águas estavam aceleradas em outro sentido. “Fazia sentido continuar adiante daquele jeito?”, deveriam ter se perguntado. Afinal, se o projeto vencedor em 2002 se renovou em 2006 é porque, e não é muito difícil perceber, “alguma coisa tinha”. Se soubesse responder o quê, saberia como derrotá-lo. É assim que funciona em política e é assim que funciona em qualquer relação humana.

Se assim tivesse feito, o PSDB perceberia que a despolitização do debate, promovida por Geraldo Alckmin, não chegaria a lugar algum quatro anos depois. A própria Marina Silva (PV), candidata sensação de 2010, não bateu nesta velha tecla porque sabe que em seu partido também há uma série de buracos e imbróglios. Todos os partidos têm. Vale lembrar que o único governador preso pela Polícia Federal em toda a história nacional foi José Roberto Arruda, que era filiado ao DEM, partido satélite do PSDB.

Além disso, o caso do mensalão, que explodiu em 2005, foi primeiro colocado em prática em Minas Gerais, nos anos 1990, durante o governo de Eduardo Azeredo… filiado ao PSDB. Lá estava o modelo de financiamento de parlamentares para que votassem a favor do governo, com dinheiro sendo bombeado das agências de publicidade de Marcos Valério, que tomava empréstimos em bancos públicos regionais. Tudo, literalmente, que pegou o governo federal do PT em 2005.

Por que, então, alguém, em sã consciência, bateria na tecla da ética e bons costumes em 2006, um ano depois de toda a exposição do lamaçal, que atingia igualmente todos os partidos?
Eu não sei.
Não contente com a derrota em 2006, o PSDB entrou de cabeça e alma no moralismo em 2010. Foi uma aposta errada, e essa bola já tinha sido cantada muito antes da campanha eleitoral esquentar, quando escrevi “Sobre o futuro do PSDB“. O candidato tucano de 2010, o mesmo de 2002, José Serra, trouxe a família, o aborto e beijou imagens de santas em missas ao longo da campanha. Tudo isso carregando uma figura da pior estirpe – seu vice, Índio da Costa (DEM).

No dia seguinte às eleições, na segunda-feira, fiz uma breve análise, afirmando que o jogo, para o PSDB, está em revigorar seu passado – que começou com as articulações de FHC no apagar de luzes do governo Collor, em 1992, e acabou em 2005 — e apontar para o futuro, que está em figuras como Aécio Neves, ex-governador de Minas (2003-2010) e senador da República, e em Beto Richa, bem-avaliado prefeito de Curitiba que se elegeu governador do Paraná no primeiro turno.

Na longa entrevista de Maria Cristina Frias e Vinícius Mota, da Folha, com Fernando Henrique, publicada na edição de terça-feira do jornal, a primeira bola foi levantada. Ao dizer que não endossa um PSDB que o renega, FHC lança as bases para os futuros cardeais do partido. Nas entrelinhas, diz o seguinte: “O negócio não está em uma luta fraticida interna, como a que ocorreu entre Alckmin e Serra, em 2006, nem na individualização total da campanha, como vimos em 2010. É preciso olhar para o passado se você quiser perseverar”.

Uma das respostas de FHC é uma bela sacada, que serve não só ao PSDB, mas também ao PT e qualquer outro partido que já foi ou quer ser hegemônico, como o PSB. Cá está:
A dose dos chamados marqueteiros nas campanhas tucanas está exagerada?

Sim, em todas as campanhas. Nós entramos num marquetismo perigoso, que despolitiza. Hoje a campanha faz pesquisas e vê o que a população quer naquele momento. A população sempre quer educação, saúde e segurança, e então você organiza tudo em termos de educação, saúde e segurança. Sem perceber que a verdadeira questão é como você transforma em problema uma coisa que a população não percebeu ainda como problema. Liderar é isso. Aí você abre um caminho. A pesquisa é útil não para você repetir o que ela disse, mas para você tentar influenciar no comportamento, a partir de seus valores. Suponha uma pesquisa sobre privatização em que a maioria é contra. A posição do líder político é tentar convencer a população [do contrário]. O que nós temos na campanha é a reafirmação dos clichês colhidos nas pesquisas. Onde é que está a liderança política, que é justamente você propor valor novo? O líder muda, não segue.
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A endireitização do PSDB acabou em 2010. Resta agora saber se o consenso entre os diferentes grupos e correntes, como desenhei em agosto, ocorrerá de maneira suave ou na marra.
Mas podem apostar que esses movimentos já começaram.
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Fonte:http://www.amalgama.blog.br/11/2010/a-esgrima-tucana-2011-2014/

Uma crítica a “Tropa de Elite 2″

21.10.10
Por Bruno Cava

José Padilha absorveu a crítica. Embora rico em bilheteria e vencedor do Urso de Ouro (Berlim), Tropa de Elite (2007) fora duramente castigado pela crítica de esquerda. Exaltação da violência, apologia policial, achatamento maniqueísta, pulsão de morte, — tais imputações irritaram o diretor, então conhecido por sua sensibilidade social em Ônibus 174 (2002). Nesse sentido, Tropa de Elite 2 esforça-se conscientemente em responder às acusações e redimir o diretor.

Ao contrário do primeiro, Tropa de Elite 2 empreende uma abrangente analítica do poder. Analisam-se as relações íntimas entre comércio de drogas, milícia, mídia, polícia e política. Menos que operações policiais e sua dinâmica de guerra, trata-se de esquadrinhar os vínculos ocultos das instituições, a realidade além da ideologia, as operações moleculares que sustentam o funcionamento do “Sistema”: as negociatas, os conchavos, as alianças políticas, o tráfico de influência, as propinas, as manipulações televisivas, o financiamento das campanhas eleitorais, os passeios de iate regados a uísque e mulatas de programa.

Mais do que sociológico, o filme galga dimensão antropológica. A “preparação do elenco” faz de tudo para rechear os diálogos de trejeitos e linguagem coloquiais, quiçá cafajestes, como mais um signo da fusão entre polícia e bandido. Na linha dos filmes de ação americanos dos anos 1980, os personagens expressam-se por frases de efeito, pontuadas por caras, bocas e armas em punho. Personagens rodriguianos sem qualquer escrúpulo moral, que fazem disso a sua identidade mesma.

Em Tropa de Elite 2, o mal deixa de habitar o inferno. Não mais transcende este mundo, como o outro absoluto do humano, a quem só caberia exterminar. Neste filme, o mal passa a ser imanente e pervasivo. O funcionamento íntimo do “Sistema” depende dos circuitos da violência, que legitimam o discurso da paz e, logo, a dominação dos territórios pelo esquemão polícia-milícia-política. Sai o maniqueísmo religioso, entram as humanidades acadêmicas. Deixa o palco o anjo vingador de preto, entra o militante esquerdista vestido de “Human Rights”.

Findo o maniqueísmo, Nascimento não sabe mais para quê e por quem mata. Matar tornou-se um ato vazio, fútil, mecânico, um mero estalar de uma máquina autorreplicante e assustadora, chamada Sistema. A crise de consciência do protagonista é a descrença na polícia e na justiça, agora reimplicadas como válvulas da grande máquina.

Aí está a maior qualidade, mas também a maior impostura de Tropa de Elite 2. Depois de tantas seqüências destrinchando uma equação complexa e de múltiplas variáveis, o enredo converge em travelling na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Em off, o herói dá o veredito: “o Sistema é foda”. Todos estão implicados numa monstruosidade que não cessa de expandir seus tentáculos, para aprofundar seu domínio, para cooptar ou anular as resistências. De qualquer forma o Sistema é onisciente e onipotente, e está sempre um passo a sua frente.

Na lógica apocalíptica, em que o Anticristo triunfou sobre a Terra, sugere-se que o único caminho para a esquerda é uma intervenção de fora, um ato radicalmente diverso e antissistêmico. Eis a pureza revolucionária, incorporada por Fraga. Para combater o Sistema, é preciso um rasgo messiânico, de fora da história, como na cena do discurso indiscriminado de Nascimento, na assembléia legislativa, contra a PM e a classe política como um todo.

Com esse final, a sensação de assistir a Tropa de Elite 2 é semelhante à de ler algumas dissertações mais “radicais” das humanidades. Bem orientadas e escritas, reforçadas por referências consagradas, com insights e exercícios de estilo, tais dissertações amiúde concluem sem propostas concretas, reduzidas a ilações vagas contra o Sistema. Tem-se um pessimismo que nada tem de radical, mas de cômodo e sem inspiração. No filme, depois de uma analítica do poder tão consistente e cuidadosamente fundamentada, o trabalho perde força. Perde porque acusa-se a torto e a direito, põe a culpa abstratamente no Sistema e descarta-se a política como atividade indispensável da democracia. Quer como visão ingênua/purista de certo esquerdismo (PSOL etc), quer como ranço apolítico de certa classe-média, a crítica ao “Sistema” esvazia-se.

Filme de ação com elementos de melodrama e cinema político, Tropa de Elite 2 não choca como o antecessor, naquela exposição crua e vibrante do “trabalho sujo” feito em nome da sociedade, mas por sua vez aprofunda a análise e, apesar das limitações, atinge seus alvos.
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Fonte:http://www.amalgama.blog.br/10/2010/critica-tropa-de-elite-2/

Seul entre Keynes e Marx

12/11/2010
Enviado por: coisasdapolitica

Por Mauro Santayana

Os cenários mudam, envelhecem os tempos, a retórica ganha novos vocábulos, mas o problema real é sempre o mesmo: o do confronto entre o predador e a presa; entre a presunção de que a força faz o direito e a resistência das vítimas; entre os ricos e os pobres. O encontro de Seul anuncia o malogro: todos querem ampliar o seu mercado, seja para obter matérias primas, seja para vender os seus produtos. Retorna-se ao cínico axioma dos anos 30: “Beggar thy neighbor” – empobreça o seu vizinho. Nesse movimento, a moeda deixa de ser o que deveria ser, um instrumento de trocas justas (a convenção que torna iguais as coisas diferentes, no pensamento clássico grego), para se transformar em uma arma de guerra.

A moeda é uma construção mental, como todos os símbolos que o homem criou para fazer a sua história. Ao vê-la assim, ao lado da linguagem e da ciência, concluímos que a economia, ou seja, a organização e evolução do trabalho, foi uma astúcia da espécie. Chegou o momento em que o sistema de trocas foi substituído pela adoção da moeda. Mas o valor da moeda depende da credibilidade de quem a emite. Mais do que o peso do metal e da perfeição gráfica do papel-moeda, é essa confiança que garante o valor real do dinheiro. No passado, todas as moedas tinham lastro em bens tangíveis, fosse o ouro, fosse o trigo. A partir do encontro de Bretton Woods, em 1944, o dólar passou a ser a moeda de referência, garantida pelos estoques de ouro dos Estados Unidos. Com base nessa garantia, os norte-americanos passaram a comprar o mundo, com a moeda que emitiam sem que se comprovasse sua relação com as barras de ouro guardadas em seu cofre de Fort Knox. Vinte e sete anos depois de realizado o encontro de Bretton Woods e 25 anos depois de entrar em vigor, o presidente Nixon, dos Estados Unidos, revogou-o: o principal articulador e beneficiário da convenção de Bretton Woods não garantia mais o acordo. A razão era singela: De Gaulle havia anunciado que queria trocar os créditos franceses em dólar por ouro, ouro, mesmo. Outros países pretenderam seguir o seu exemplo: já previam o aumento dos preços do petróleo, diante da organização dos países produtores. Foi assim que, em um dia de agosto de 1971, o colunista pode assistir a uma situação insólita: nos bancos e casas de câmbio da Europa o dólar amanheceu sem cotação. Todas as moedas eram aceitas, em taxas arbitrárias e quase aleatórias – menos a moeda norte-americana. A partir de então, o dólar passou a valer o que queriam os norte-americanos. Fort Knox foi substituído pelos mísseis.

Desde a primeira crise do liberalismo de 1929 (que contribuiu para a 2ª Guerra Mundial) e outras delas menores, até a mais grave, de 2008, o mundo está em busca de uma solução permanente para a guerra cambial, para o controle do mercado financeiro pelos estados nacionais, e para a moralização de um sistema que, a cada nova revelação, mais se assemelha às gangs de Chicago e Nova Iorque. A comparação entre aqueles rapazes e os bandidos de Wall Street é moralmente favorável a Al Capone, Dillinger, Lucky Luciano e outros, que arriscavam a sua vida, e de vez em quando eram abatidos. Madoff nunca andou armado, nem teve que escapar de emboscadas.

Muitos se voltam para Keynes, a grande presença teórica de Bretton Woods, que foi vencido na ideia da criação da moeda mundial (“bancor”) e de um banco internacional de compensações; e outros desejam a volta ao padrão-ouro. A decisão do Fed em colocar mais US$ 600 bilhões em circulação, sem qualquer lastro sólido que os garantam, é mais um argumento para abandonar o dólar como moeda de referência mundial.

O capitalismo terá que inventar logo um novo Keynes, antes que os pobres descubram um novo Marx.
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Fonte:http://blogdeumsem-mdia.blogspot.com/2010/11/politica-os-poroes-da-privataria.html

Mitsuko Uchida - Mozart Piano Concerto no.13 & 20- 2/7


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Fonte:http://www.youtube.com/watch?v=bkv8SkRIMDM&feature=player_embedded

Você, leão sulista do Norte

04-11-2010 |
Por Eduardo Furbino *

Etrusco. A palavra não te diz nada, e se disser há boas chances de você ser um professor de história e saber de antemão onde quero chegar. Os etruscos dominaram parte da península itálica durante um bom tempo, conquistando Roma quando ela era apenas uma aglomerado de aldeias. Até o primeiro século antes de Cristo os romanos haviam anexado todo o território antes pertencente aos etruscos, mas sua cultura ainda vivia em meio a eles, permeando sua sociedade e contribuindo para dar forma a um dos maiores e mais poderosos impérios que esta Terra já abrigou.

Nordeste. Esse nome talvez te diga algo. O povo que habita o nordeste do Brasil não é bem um povo, é, quando muito, o povo: parte constituinte de um Brasil que encontra-se unido na diversidade (lema da civilizadíssima (ironia tangível) União Européia). Esse país de onde falo começou bem ali no Nordeste, em uma dobrinha de terra que ou é Porto Seguro ou Santa Cruz de Cabrália, já que falta consenso quanto ao local onde Cabral aportou. Lá conheceram-se os índios. Lá conheceu-se o sexo entre portugueses e índios, a transmissão de doenças, a pele parda. Foi bem ali, naquela porção nordeste repleta de árvores (as da extinta Mata Atlântica), gente e bichos que tudo começou. E foi de lá que você e eu viemos.

E aí decidiu-se explorar um pouco mais essas terras brasileiras, decidiu-se descer rumo ao Sul, movimento que se repetiu em igualmente sucessivas épocas de nossa História. E o povo nordestino originário, embriões do povo brasileiro atual, miscigenou-se ainda mais, se dividiu, ocupou partes distintas em porções de terra, capitanias e Estados. Tornou-se diferente, assulizando-se, verbo inventando para este texto cujo significado é “tornar-se do Sul”. O nordestino, brasileiro original (que, a bem da verdade, é originário de outros: os indígenas), perdeu suas características e diferenciou-se de seu estado primevo: mudou de sotaque, de tom de pele, mudou de traços culturais, ethos e gostos compartilhados.

E aí, quinhentos anos depois de nosso nascimento lá naquela dobrinha de terra situada em algum ponto do Norte, nós que vivemos no Sul passamos a nos considerar sulistas natos. Aqui, na porção meridional do país, as cidades são maiores, as indústrias mais desenvolvidas, os transportes de melhor qualidade — e chegamos mesmo a ter saneamento básico, esse oásis no meio de um deserto-nação insaneado. Então olhamos para cima, parcialmente esquecendo nossas origens, porque o umbigo que é nosso não quer saber dela, e maldizemos o ponto de partida, querendo reivindicar para boa parte desse povo uma outra parte de direitos e méritos que não lhe pertence.

Você pode discordar de mim, mas fui ensinado a pensar (pelas pessoas que assim me ensinaram e pelos livros que me educaram, alguns deles escritos por pós-doutores de grande saber) que a parcela de culpa referente a um fracasso pertence a todos que fracassaram juntos. E que, igualmente, a parcela de mérito do sucesso é de todos aqueles que a ele chegaram. Assim sendo, como ignorar que o alto IDH desse sudeste de meu Deus foi carregado nas costas, antes e hoje em dia, pelo baixo (mas em ascensão!) IDH desse norte-nordeste de meu Lula? E invoco Lula não contrapondo-o ao Todo Poderoso, mas elevando-o ao status de figura mítica praticamente responsável pela situação da região nacional à qual seu nome corriqueiramente é ligado.

É comum, muito comum — e igualmente triste –, pensar no sul-sudeste como lugar que deu certo por mérito de seus habitantes, pela força de seu trabalho ou — como eu disse acima, e muitos outros recentemente o fizeram — por intervenção divina. E é igualmente comum atribuir o fracasso socio-econômico de nossa porção mais setentrional à suposta preguiça de seu povo, ao assistencialismo coronelístico ou ao poder entorpecedor das bolsas-ajuda distribuídas pelo Governo. Deus e o labor seriam os criadores de um sul rico; o mau-caratismo populacional e um presidente operário (e pernambucano) o destruidor e potencial messias, respectivamente, do caricaturado paupérrimo norte.

Temos, então, uma fração de país que encontra-se em débito histórico com outra, que possui, por sua vez, crédito não só de dias anteriores como de dias recentes. Porque as origens desse povo que se diz dono do Brasil remontam à terra do Sol, macaxeira e sertão (antes mesmo dessas coisas existirem ou terem tal nome): eles são nordestinos stricto sensu, porque não dá para desobedecer as sagradas escrituras daquele mesmo Deus citado acima, quando essas disseram: não desonrarás a casa de teu pai. E o motivo da constante invocação de divindades no texto é tentar jogar com um dos elementos dos quais sulistas se valeram nas recentes eleições para cooptar votos ao seu projeto de Brasil, projeto esse que hoje se reflete em Trending Topics de Twitter por aí afora, em hashtags xenofóbicas e dizeres que embrulham o estômago e fazem arder esse umbigo que une todos nós a uma origem única e nortina.

Particularmente não vejo problema em continuar a insistir na argumentação de que o débito de Estados como São Paulo, Rio e Paraná têm para com Bahia, Pernambuco e Sergipe é fruto de uma necessária e urgente reparação histórica, mas me parece que esse argumento não agrada a muitos. Reparar a história é frequentemente entendido como desfazer erros que não são nossos, ou a assumir compromissos que nunca nos disseram respeito. Mas, bem, há alguns parágrafos atrás fiz entender que a culpa e o sucesso são ambos amplos, gerais e irrestritos sentimentos compartilhados por todos os membros de um time, grupo ou nação. Isso porque a habilidade de influenciar a História é uma soma de capacidades individuais, que se anulam ou reforçam-se. E o resultado dessa soma é a própria História, estando a ela sujeitos todos os que a rejeitaram como ela se mostrou e todos aqueles que acolheram-na de braços abertos. É impossível que não seja feito aqui paralelo com a democracia: as decisões da maioria são, por natureza, vinculantes se advindas de um processo democrático.

E é obrigação daqueles que fizeram oposição à decisão tomada aceitá-la e submeter-se a ela. Ou promover novo pleito para que uma alternativa seja — democraticamente — discutida.
Encaro o beco sem saída. Meu tempo se esgota e é preciso um desfecho de tudo o que foi dito, um porquê final que valide a idéia exposta de o Sul hoje ter uma dívida com o Norte, e não o contrário. O que invalidaria por si só os argumentos de que bolsas-família e outros auxílios seriam esmolas. Não são. Esses dois recortes de Brasil foram responsáveis por dar forma às suas atuais configurações: se antes as terras setentrionais abrigavam a maior concentração de renda e tecnologia desse país, hoje é o contrário, e essa dinâmica socio-econômica deu forma à realidade tal qual a conhecemos. Se agora há atraso no berço da pátria, não pode o túmulo dela proclamar uma suposta independência, nem agir como se não houvesse vínculo nenhum de dependência e obrigações a ligá-los.

E aí voltamos ao exemplo que abre este epopéico apanhado histórico, voltamos aos etruscos. Se nosso Sul fosse Roma, o Norte seria a Etrúria, que lhe deu forma através de processos diversos, destacadamente dois que terminam em -ão: migração e miscigenação. A influência da civilização etrusca na romana pode ser mensurada de diversas formas, segundo a cultura, a linguagem, a história ou as artes. E no que nos influenciou o povo brasileiro original? Em tudo, vale dizer, desde no motivo de chamarmos nossa casa de Brasil até no porquê de hoje sermos a oitava maior economia do mundo (a esse respeito: a economia possui lastro histórico; a partir disso, a recíproca é verdadeira). Mas, bem, diversas outras comparações entre povos poderiam ter sido usadas, só que escolhi essa por causa de seu valor pessoal para mim. Explico e concluo.

Aos doze anos tive um professor de História cujo primeiro nome tinha origens etruscas: Aulus. O segundo era visivelmente romano, cesário: Augustus. Muito da minha consciência político-cidadã-militante foi formada com e por esse professor, e me lembrei dele logo ao escrever o primeiro parágrafo deste texto, mais especificamente do modo como a memória de dois povos divergentemente iguais conviviam harmoniosamente em um único nome. Penso que também é assim com “Brasil”: há na palavra uma carregada carga histórica que remete ao povo que fomos e ao que somos, e também ao que queremos ser, e é a esse terceiro significado que quis me ater desde o princípio, e finalmente posso fazê-lo nessa despedida.

Pois bem, eu poderia encerrar este texto das mais variadas formas, mas nenhuma delas me pareceu mais objetiva que um último apontamento histórico: os romanos, essa citada população em parte descendente dos etruscos, que com eles conviveu e depois incorporou-os, foram dependentes deles para que sua civilização atingisse o apogeu. Mais: esses mesmos romanos, ao acolherem o povo que lhes deu origem dentro do seu próprio corpo social, tornaram-se maiores que a soma de suas partes. Se hoje nos enxergamos como pedaços partidos de uma mesma identidade, tratemos de colá-los. Caso contrário, não teremos nenhuma. Caso contrário, seremos o que não fomos: um povo que, ao apagar seu passado, desconstrói o presente e nega o futuro.
Voltar-se às origens, e não contra elas, é isso o que importa.

* Eduardo Furbino, Belo Horizonte/MG, é bacharelando em Ciências Sociais pela UFMG. Blog: eduardofurbino.com

Mitsuko Uchida - Mozart Piano Concerto no.13 & 20- 1/7


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Fonte:http://www.youtube.com/watch?v=dc8DtjV9DWs&feature=player_embedded#!

Eleições americanas: no final, Obama saiu vitorioso

12.11.10

Todo mundo sabe que Obama foi o grande derrotado nas eleições de 2 de novembro. Mas pouco se disse da movimentação vitoriosa de Obama nos últimos dias, que evitou um desastre maior para os Democratas. Curiosamente, fiquei sabendo através do mailing de um dos seus adversários mais ferozes, Dick Morris, estrategista Republicano (embora tenha sido consultor de Clinton). Baseado em pesquisa pós-eleitoral do Instituto Zogby, Morris concluiu que “os esforços de Obama funcionaram”.

Diz a pesquisa que entre as pessoas que decidiram o voto na última semana pré-eleitoral (ou seja, que receberam a influência dos esforços finais de Obama), 57% votaram nos Democratas e 31% votaram nos Republicanos. Os que decidiram com antecedência votaram 53% nos Republicanos e 44% nos Democratas. Para infelicidade dos Democratas, apenas 8% dos eleitores deixaram para decidir o voto no final. E mais: 46% votaram com antecedência.

Outros dados da pesquisa:

• 15% dos solteiros decidiram no final e votaram 64% nos Democratas.
• 14% com ganho anual abaixo de 25 mil dólares decidiram no final e votaram nos Democratas na base de 59% a 36%.
• 20% dos eleitores entre 18 e 29 anos decidiram no final e votaram nos Democratas na base de 56% a 37%.

Os Democratas novamente dominaram entre os mais jovens – mas esses também foram poucos na hora de votar. A pesquisa apresenta outras curiosidades eleitorais desse tipo (clique aqui). Mas o que realmente se destaca foi o sucesso da maratona final de Obama, capaz de derrubar previsões bem pessimistas – inclusive de Dick Morris.
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Fonte:http://blogdogadelha.blogspot.com/2010/11/eleicoes-americanas-no-final-obama-saiu.html

Somos muitos os “culpados” ou: Por que Mayara Petruso está errada

07-11-2010

Por Maria Ivonilda *

Não sei nem por onde começar a questão “Mayara Petruso”. Parece que todos os esforços realizados por diversos pensadores em torno da compreensão do espaço social e suas relações são insuficientes para dar conta de casos como esse.

Antes de tudo, quero dizer que acompanhei o desenrolar da coisa através do Twitter. Provavelmente eu não saberia que, em São Paulo, há uma estudante que deseja que outras pessoas afoguem nordestinos se não fosse um colega de curso insistindo em atacá-la depois de ela cometer o erro de tornar esse pensamento público. Mas não foi apenas o meu colega que fez isso, o Twitter é uma ferramenta de alcance nacional, logo, o erro cometido pela estudante não só se tornou público como se tornou o assunto do momento. E nesse ponto, faço uma consideração, estou de acordo com aquela que acabou de ser eleita presidenta do meu país e complemento: prefiro as besteiras, os erros e tudo o que mais vier da imprensa e de gente como Mayara Petruso à ditadura. Desculpem-me Foucault, Guy Debord e tantos outros, mas eu prefiro esse exato momento, ainda que vocês tentem me lembrar que o “controle”, a “violência” e a “ditadura” podem ter diversas facetas.

Pois bem, voltando ao caso Mayara Petruso. Como eu tive acesso às mensagens da estudante assim que elas começaram a ser disseminadas na internet, me chamou atenção também a seguinte mensagem que ela tinha postado: “Pra que ser bonzinho? Vamos ser terroristas e sem grau de escolaridade, são os requisitos necessários para ser presidente dessa merda de Brasil.” Então eu tentei imaginar o que gente como Mayara Petruso entende por escolaridade (aliás, essa é outra questão que rende muita discussão), pois esse tema é recorrente nas críticas que são feitas ao governo do Lula por parte dessa turma que lê Olavo de Carvalho e Reinaldo de Azevedo (estou sendo bem específica).

E é aqui que eu gostaria de chegar. Não sei se estou falando o óbvio, não sei se estou sendo ingênua, ou qualquer coisa semelhante. Concordo parcialmente com a tese do blogueiro Renato Rovai, quando ele sugere que a estudante é retrato fiel de sua classe social. Concordo parcialmente com o amigo Raphael Douglas, quando ele afirma aqui no Amálgama que há um certo Nordeste e nordestinos pintados de forma diferente daquela que ele, enquanto nordestino, conhece. Mas o problema se coloca, pelo menos para mim, como mais complexo.

Para quem me conhece ou me acompanha nas redes sociais, sabe como eu vibro com o trabalho de gente como Miguel Nicolelis, que é uma dessas pessoas que luta por um Brasil melhor, pois acredita na capacidade do seu povo. O doutor Nicolelis tem um trabalho fantástico na área da neurociência e, bem, ele poderia continuar trabalhando apenas fora do Brasil, pois é reconhecido internacionalmente por suas pesquisas. Mas o que ele fez? Criou um Instituto Internacional de Neurociências em Natal (RN). Com quais objetivos? Oferecer a oportunidade de crianças e jovens terem acesso à educação especializada, à ciência de ponta, mudar a realidade sócio-econômica, entre outros. Um sonhador, um sonhador das causas impossíveis como alguém bem disse.

O que eu quero dizer é que há uma diferença entre ter/não ter escolaridade e obter sucesso enquanto indivíduo que se compromete com a realidade social. E incluo também a categoria daquele que tem excelência naquilo que realiza – só para encaixar o Nicolelis nessa história. Melhor dizendo, o que essa gente como Mayara Petruso é incapaz de entender sozinha é que podemos até existir isolados, sem contato social, mas que não construímos nem mudamos nada sem a ajuda de outras pessoas. Alguém como Miguel Nicolelis sabe disso, mas Mayara Petruso e muitos outros não.

Entretanto, Mayara não precisa ser um dos neurocientistas mais respeitados do mundo para saber disso. Um indivíduo com escolaridade pode ter consciência disso. E um indivíduo sem escolaridade também, aliás, não só é capaz de tomar consciência disso, como pode ter uma visão muito mais ampla do que a visão de muitos “instruídos” em diversos aspectos. E só para deixar claro o quanto Mayara está errada acerca dessas projeções, os indivíduos que têm essa consciência, e aqui falo de todas essas definições acima, podem se encontrar e tornar cada vez mais real o Brasil que é sonhado por muitos de nós: democrático, justo, livre. O que está em jogo é o país daquele operário que sempre fez e ainda faz tudo para que lutemos pelos mesmos objetivos, é o país daquela que foi contra e lutou contra a ditadura, é o país do cientista de renome internacional que acredita que o acesso à educação pode mudar a realidade, é o país de um tanto de alfabetizados e, claro, de outro tanto de não-alfabetizados.

É isso. A estudante Mayara Petruso não está errada somente pelo fato de querer afogar nordestinos em SP, está errada também em sua tese principal, que é considerar “culpada” apenas uma parte desse povo que é sonhador, sonhador de causas impossíveis, mas que também tem os pés no chão. Somos todos nós os “culpados”, não apenas os que votaram em Dilma, mas também os que, independente do voto depositado na urna, sonham com e agem em virtude de um país cada vez mais digno, que ganhamos. E somos muitos, muito mais do que Mayara – e quem quiser apoiá-la, inclusive – pode afogar.

* Maria Ivonilda, Fortaleza-CE, mestranda em Filosofia pela UFCE.
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Fonte:http://www.amalgama.blog.br/11/2010/por-que-mayara-petruso-esta-errada/

Breves Comentários Pós-Eleitorais

DOMINGO, 7 DE NOVEMBRO DE 2010

Depois de votarem no ungido de Adolf Ratzinger para a presidência do Brasil e de lançarem a campanha “Afogue um Nordestino”, os filhotes da “classe mérdia” do Sulmaravilha estão articulando o movimento “Eu sou brancão” que terá como pontas-de-lança o grupo de pagode mauricinho “Raça Ariana” e o Bloco Carnavalesco “Mama Áustria”...

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Silas Malafaia, pastor de almas e de grandes negócios, foi - sem sombra de dúvidas - o Zico destas eleições presidenciais. No primeiro turno, foi só ele abandonar a campanha da Marina, a uma semana das eleições, que a candidata verde decolou, surpreendendo a todos os institutos de pesquisa; no segundo turno, bastou que ele declarasse apoio oficial ao Serra, para que a Dilma superasse a frustração de não ter vencido as eleições em 03 de outubro e começasse a arrancada para a vitória. Vai ser pé-frio assim lá em Quintino!

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O convívio com FHC fez com que Serra adquirisse alguns dos hábitos do ex-sociólogo, dentre eles o de falar merda em várias línguas. Uma das pérolas ditas em Biarritz pelo famoso alvo de bolinhas de papel foi a de que a política econômica de Lula está desindustrializando o Brasil. Isto na mesma semana em que foi anunciado que, no acumulado do ano, a produção industrial brasileira já supera em quase 7% a do ano passado. Ele deve estar fumando o mesmo bagulho malhado com bosta de vaca que o FHC fuma. Para o bem da nação - e, agora, do mundo - é fundamental que eles troquem de vapor!
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Fonte:http://abobrinhaspsicodelicas.blogspot.com/2010/11/breves-comentarios-pos-eleitorais.html

Choradeira no Instituto Millenium: Direção do PSDB tem de fazer um ‘mea culpa”

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O Valor Econômico de sexta-feira, dia 12, publica um texto de Alberto Carlos Almeida espinafrando do PSDB e sua diretoria nacional por ter escolhido José Serra para presidente. No “minicurrículo” de Alberto, o Valor coloca: sociólogo e professor universitário, é autor de A cabeça do brasileiro e O dedo na ferida: menos imposto, mais consumo. O que o jornal esqueceu de dizer foi o seguinte: Alberto Carlos Almeida é colaborador do Instituto Millenium. Esquecimento bobo, né?! Leia a matéria abaixo.

O PSDB precisa ser renovado

Para ter sucesso em 2014, partido deveria eliminar os serristas e dar a direção a políticos jovens alinhados com Aécio Neves e Beto Richa.
Alberto Carlos Almeida
A derrota precisa ter consequências. É inacreditável a discussão corrente sobre quem é responsável pela terceira derrota consecutiva do PSDB para presidente e a segunda derrota de José Serra. Uns dizem que o responsável é Aécio Neves, outros dizem que não. Só não vê quem não quer: os responsáveis pela derrota são os dirigentes nacionais do PSDB, a executiva nacional do partido. Nada é mais simples do que essa constatação. Foi a direção nacional do partido que decidiu escolher Serra candidato a presidente, foi a mesma direção que decidiu dar carta branca para Serra e seu exército de Brancaleone fazer a campanha como melhor lhe conviessem. O tempo de TV é do partido, mas Serra o utilizou da forma que quis. O responsável por isso foi o partido.

O desempenho eleitoral de Serra foi pífio: ele teve somente 44% dos votos válidos, isto é, apenas 2,4% a mais de votos do que Geraldo Alckmin teve no primeiro turno de 2006 (41,6%). Alckmin disputou a eleição contra Lula, que disputava uma reeleição. No linguajar político tradicional, Serra perdeu para um poste, o poste que Lula resolveu apoiar. Em 2009 foram inúmeras as vezes que Aécio afirmou que estava à disposição do partido para ser candidato. O partido se dobrou a Serra e deixou o ex-governador de São Paulo anunciar a sua candidatura quando considerasse mais adequado.

O desempenho do PSDB em eleição nacional não foi fracassado apenas para presidente. Desde 2002, o partido só perde deputados federais. Em 1998, o PSDB elegeu 99 deputados; em 2002, esse número caiu para 71, continuou caindo nos anos seguintes, foi para 66 deputados federais em 2006 e somente 53 em 2010. Suponho que não seja possível colocar a responsabilidade de mais essa derrota nas costas de Aécio. Porém, o resultado negativo também se aplica ao Senado. A bancada do PSDB em 1998 era de 16 senadores, foi para 14 em 2002, aumentou um pouco em 2006 indo para 15 senadores e agora o PSDB sofreu um revés histórico: tem apenas 10 senadores. Aliás, destes 10, dois foram eleitos por Minas, ao passo que em São Paulo foi eleito só um senador. Suponho, mais uma vez, que Aécio não possa ser responsabilizado por isso.

Meu sonho, que, lamento de antemão, não será realizado, é ver publicada na próxima semana uma breve carta dos dirigentes nacionais do PSDB assim redigida: “Nós que defendemos a candidatura de Serra em 2010, nós que aprovamos a estratégia eleitoral do PSDB na última eleição estamos vindo a público para reconhecer que fomos derrotados. O desempenho de nosso partido ficou muito aquém do esperado. Diante desse fato, apresentamos aqui a renúncia de nossos cargos de direção partidária. Com isso esperamos que o partido se renove. Desejamos também que outros políticos possam ocupar os nossos lugares e levar o partido a voltar a crescer nas eleições de 2014.

Reconhecemos que foi um erro não realizar prévias, assim como também foi um erro dar a legenda novamente para a candidatura Serra. Mais uma vez o partido perdeu a eleição presidencial e viu suas bancadas no Senado e na Câmara ser reduzidas. Desejamos aos futuros dirigentes de nosso partido boa sorte”.

Não adianta tapar o sol com a peneira. É assim que acontece em todo lugar: a derrota eleitoral tem consequências. É assim na Alemanha, na França, nos Estados Unidos e em muitos outros países. Existem responsáveis pela derrota. Se aqueles na direção nacional do PSDB que apoiaram a escolha de Serra não fizerem isso, eles deveriam aproveitar o ensejo e mudar o nome do órgão máximo do comando do partido de executiva nacional para oligarquia nacional. Somente a oligarquização de um partido pode explicar a falta de renovação diante de três derrotas nacionais consecutivas.

É preciso mudar de rumo. Para que isso seja feito, é preciso mudar os dirigentes, em particular os dirigentes serristas. Aliás, a derrota e o fracasso no Brasil têm consequências sempre que se trata da iniciativa privada, sempre que se trata das empresas. É justamente por isso que elas sobrevivem. Se o PSDB não se renovar profundamente agora, corre o sério risco de continuar perdendo terreno eleitoral em 2014.

Fico estarrecido quando vejo logo após a eleição vários deputados serristas de carteirinha falando na mídia com enorme desenvoltura, dizendo o que o partido deveria fazer ou deixar de fazer no futuro, como se eles não tivessem nada a ver com a terceira derrota consecutiva. Eles deveriam ter a mesma dignidade que teve Barack Obama no dia seguinte às eleições legislativas dos EUA e irem para a mídia dizer que fracassaram, se equivocaram, tomaram a decisão errada ao escolher Serra e dar a ele carta branca para fazer a campanha eleitoral que fez. Obama é presidente em meio de mandato, eles não são. Assim, deveriam abrir mão de seus cargos de dirigentes partidários e dar a vez para os mais jovens.

Aqueles que quiserem objetar os argumentos acima com o fato de Lula ter disputado e perdido três vezes a eleição presidencial eu contra-argumento afirmando que o PT não tinha outra opção naquelas eleições que não fosse Lula. Agora em 2010 o PSDB pode escolher entre Serra e Aécio. Além disso, nas três eleições em que Lula foi derrotado o PT cresceu na Câmara e no Senado.

Há ainda a objeção de que o PSDB tem agora mais governadores do que tinha há quatro anos. Mais uma vez se trata de uma objeção falaciosa: a direção nacional do partido não tem influência sobre as disputas regionais. Serra e seus dirigentes preferiam que Álvaro Dias tivesse sido o candidato no Paraná, Beto Richa se impôs e venceu (cabe aqui a observação que mesmo depois de o PSDB do Paraná não ter dado a candidatura a governo para Álvaro Dias, mesmo assim Serra o quis como seu candidato a vice). Geraldo Alckmin nunca foi do mesmo grupo político de Serra. Serra preferia ganhar com Kassab, como fez na eleição para prefeito de 2008. Alckmin se impôs e venceu. Em Minas nem se fala: a direção nacional do partido não teve nenhuma influência na estratégia de sucesso de Aécio, que foi coroada com a eleição de Antônio Anastasia com 28 pontos percentuais de vantagem sobre Hélio Costa, sem falar dos dois senadores.

Mudando de partido, duvido que alguém considere que o bom desempenho eleitoral do PSB ao eleger um número recorde de governadores possa ser atribuído à direção nacional do partido. Foi a lógica regional que regeu o sucesso dos governadores do PSB. A lógica partidária no Brasil respeita a lógica da federação, com exceção do PT. A estratégia nacional do PT foi abrir mão de candidaturas aos governos estaduais em troca de eleger senadores. Ao que tudo indica, funcionou. Os senadores eleitos agora serão candidatos ao governo de seu Estado daqui a quatro anos. Não há o que corrigir quando se vence, mas é preciso mudar a rota quando se perde.

Façamos uma caricatura e proponhamos que a direção nacional do PSDB seja a mesma que é hoje em 2014. Além disso, sugiro que Serra seja novamente candidato com o mesmo marqueteiro. Pode ser que assim o PSDB venha a vencer Dilma, Lula e um PT mais forte.

Alguns dirão “nem tanto ao mar nem tanto à terra”. Ora, mas não vem sendo justamente essa, do nem tanto ao mar nem tanto à terra, a estratégia do PSDB nos últimos anos? Não me consta que ela tenha funcionado. A direção do PSDB não tem se renovado ou tem se renovado de maneira insuficiente. Passadas duas eleições, por exemplo, esta mesma direção que não se renova de forma adequada não se preparou para lidar com o tema das privatizações.

Pode ser que para a executiva nacional do PSDB tenha sido uma surpresa o fato de o PT ter utilizado o tema das privatizações na eleição de 2010. A propósito, vale aqui um aviso baseado no mais tosco senso comum: em 2014 o PT utilizará novamente o tema das privatizações na eleição presidencial. O PT fez isso uma vez no segundo turno de 2002, fez isso a segunda vez no segundo turno de 2006 e agora repetiu a fórmula de sucesso. Onde estavam os dirigentes nacionais do partido que não o prepararam para esse embate? Eles vão dizer que estavam dirigindo o partido. Hei de concordar: dirigindo o partido rumo a mais uma derrota eleitoral.

Lutar é preciso, diriam os militantes de esquerda. Navegar é preciso, diria Ulisses Guimarães. A necessidade depende das circunstâncias. Neste momento, renovar é preciso. É preciso coragem com C maiúsculo ao PSDB. A direção partidária não é patrimônio, em que pese nossa tradição patrimonialista, deste ou daquele dirigente. Aliás, quanto a isso, valeria a pena ver que dirigentes nunca perderam assento nos cargos de direção nos últimos oito anos de derrotas consecutivas. O PSDB precisa mostrar para a sociedade, precisa mostrar para aqueles que se preocupam com o seu destino, que ele não é dominado por uma oligarquia partidária. Precisa mostrar de fato e não ficar simplesmente falando que não é.

Vão se os nomes, ficam as instituições. Vão se os derrotados, ficam os vencedores. Em algum momento o PSDB derrotará o PT. Para tornar isso mais tangível, para antecipar no tempo esse desfecho, seria fundamental que o PSDB fizesse a mais profunda possível renovação em sua direção partidária, uma renovação que eliminasse todos os serristas e desse a direção do partido a políticos jovens alinhados com Aécio Neves e Beto Richa. Não custa repetir, Aécio não é o responsável pela derrota para presidente, para deputados e senadores. O grande responsável pela derrota é a direção nacional do PSDB, que deu a legenda a Serra e não utilizou uma estratégia adequada para enfrentar Lula, Dilma e o PT.

Alberto Carlos Almeida, sociólogo e professor universitário, é autor de A cabeça do brasileiro e O dedo na Ferida: menos imposto, mais consumo.

E-mail: alberto.almeida@institutoanalise.com.
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Fonte:http://contextolivre.blogspot.com/2010/11/choradeira-no-instituto-millenium.html

E LULA ENGOLIU A OPOSIÇÃO...

13.11.10

A política brasileira produziu um fenômeno único na América Latina e talvez no mundo: o carismático presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua administração, que gozam de 84% de popularidade depois de seis anos de governo, engoliram a oposição. E não o fizeram com métodos antidemocráticos, mas sim apropriando-se de suas bandeiras. Já se sabia que Lula é um gênio político, que soube vencer as reticências no núcleo do seu próprio partido, o Partido dos Trabalhadores. De fato, dispõe-se a eleger uma mulher, a ministra Dilma Rousseff, como sua sucessora na candidatura à Presidência em 2010, apesar de ela nunca ter disputado eleições e não ser um personagem excessivamente grato ao PT. Mas o que ninguém jamais imaginou é que ele seria capaz de eliminar democraticamente a oposição. Tanto a de direita como a de esquerda.


Como conseguiu? Com uma política que, pouco a pouco, foi escavando o chão sob os pés dos seus opositores.

Cortou as asas da direita mediante uma política macroeconômica neoliberal que está lhe proporcionando bons resultados nestes momentos de crise financeira mundial graças às reservas acumuladas.

Ao mesmo tempo, pôs rédea curta nas pretensões de alguns dos movimentos sociais mais radicais, como o dos Sem Terra (MST), cujas ações têm criticado tachando-as de ilegais e instando-os a respeitar a lei em vigor.

E manteve uma política de meio ambiente das mais conservadoras, algo que agrada aos latifundiários e aos grandes exportadores, que formam o núcleo mais direitista do Congresso.

Também freou as esquerdas. Conseguiu fazer calar a esquerda minoritária com uma política voltada para os estratos mais pobres do país, o que fez com que seis milhões de famílias passassem às fileiras da classe média baixa, abandonando seu estado de miséria atávica.

Abriu o crédito aos pobres, que agora, com pouco dinheiro, podem abrir uma conta no banco e ter um cartão de crédito - o que os converte em partícipes da roda da economia nacional.

Para a outra esquerda, a moderada, também tornou as coisas difíceis. Hoje em dia, para o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), a agremiação oposicionista com maiores possibilidades de ganhar as próximas eleições porque conta com dois grandes candidatos (os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves), é mais difícil fazer oposição. Os dois aspirantes do PSDB sabem que não poderão ser eleitos contra Lula. Por isso, só falam, como acaba de fazer Aécio Neves, de uma era "pós-Lula", com um projeto de nação que aporte algo novo ao projeto do presidente, que já goza do consenso da grande maioria do país.

Desde o primeiro dia de sua chegada ao poder, Lula tem mantido Henrique Meirelles, do PSDB, como presidente do Banco Central. Conservou e ampliou o projeto social "Bolsa Escola", criado pelo PSDB, batizando-o como "Bolsa Família". Esse plano ajuda hoje 12 milhões de famílias e nenhum partido da oposição se atreveria a criticá-lo. Desde seu primeiro mandato, Lula não só demonstra ter sabido congregar apoios de 12 partidos ao seu governo, como até o momento logrou manter amizade com os candidatos opositores Serra e Neves.
Ambos, além disso, desfrutam de boas relações com o PT, e inclusive não descartam governar junto ao partido de Lula se chegarem ao poder.

Mas não há realmente espaço para a oposição no Brasil? Porque, se assim fosse, haveria quem considerasse isso um grave obstáculo para uma autêntica democracia. Poderia haver, segundo vários analistas políticos, como Merval Pereira, mas o problema está no fato de que a oposição se assustou com a popularidade de Lula. Há até políticos opositores, sobre tudo dos governos locais, que buscam uma foto junto a Lula para ganhar pontos com seu eleitorado.

Se a oposição desejasse, dizem os especialistas, poderia exigir de Lula que levasse a cabo as grandes reformas de que este país ainda necessita para decolar na cena mundial, como a reforma política (é possível governar com 30 partidos no Congresso?); a fiscal (Brasil é um dos países com maior carga tributária: roça os 40%); a de Segurança Social (Lula só a realizou em parte e, apesar de um escândalo de subornos a deputados para que votassem a favor, ficou pequena); a agrária (não saiu do papel); a da educação (no Brasil ainda não é obrigatório o ensino secundário e a qualidade deste é considerada como das piores no mundo); e, por último, a penitenciária (os suicídios dos presos aumentaram no ano passado em cerca de 40%).

Artigo publicado no jornal El Pais
JUAN ARIAS é jornalista.
© El País.
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SERRA ABRIU AS PORTAS DO INFERNO

QUINTA-FEIRA, 11 DE NOVEMBRO DE 2010
Do blog "Armarinho da Política"

Apesar de todas as baixarias praticadas e acabar a eleição como líder do esgoto da política brasileira, não se pode dizer que Serra não tenha feito nada digno de nota. Seu grande feito, no pleito de 2010, e que vai garantir-lhe um lugar especial na história, foi o de abrir as portas do inferno.

É que durante o transcurso do Governo Lula, de forma sensível e continuada, foram ocorrendo profundas transformações na sociedade brasileira. Milhões de pessoas que até então apenas assistiam a burguesia e a classe média verem seus sonhos e necessidades atendidas, passaram a vivenciar também a sensação da cidadania e ter acesso a coisas que jamais pensariam que um dia iriam experimentar.

A expectativa real da obtenção de um emprego, o acesso ao ensino superior, à casa própria, aos bens de consumo básicos e até mesmo a um automóvel, somente passou a ser realidade para estes milhões de brasileiros a partir das políticas certeiras de Lula, tanto no plano social como no econômico, a ponto do Brasil alçar, no cenário internacional, reconhecimento e respeito nunca dantes vistos por aqui.

No entanto, enquanto estas transformações virtuosas ocorriam, um bolsão de inconformidade se formava de forma sub-reptícia: a velha classe média burguesa passou a se sentir constrangida pelas hordas de pobretões que agora passaram a se arvorar em querer coisas que iam além das suas chinelas. Para aquela, as desigualdades sociais são naturais e, portanto, quem nasceu rico, tem o direito de nesta condição permanecer, mas quem nasceu pobre deve se resignar com a miséria e aguardar a redenção num paraíso futuro, mesmo que para obter o passaporte para o Éden seja necessário morrer antes.

Quem já não ouviu coisas do tipo "há engarrafamentos no trânsito porque agora qualquer um pode ter automóvel", "os aeroportos estão lotados porque agora qualquer um pode viajar". "As quotas tiraram vagas dos alunos que realmente estudam e podem passar no vestibular". Com referência ao Bolsa Família, é comum ouvir: "eu não pago impostos para sustentar vagabundos" e outras tantas barbaridades.

O prof. André Marenco, professor de Ciência Política da Universidade Federal do RS citando, em artigo recente publicado na imprensa gaúcha, o economista americano Albert Hirschmann, registrou com precisão que "períodos de grande mobilidade social costumam ser seguidos por ondas conservadoras, marcadas por uma retórica de intolerância em relação à mudança e à concessão de benefícios aos pobres."

Para a classe média tradicional, os pobres passaram a competir com os mais ricos, mas de forma "desleal": o governo Lula tomou partido de apenas uma parte da população e está dando um "empurrão" nestes segmentos sociais, ofendendo os adeptos da igualdade meramente formal, perante a lei, cunhada pelo liberalismo. Mas que não se envergonham em ver seus filhos ocupando vagas nas universidades públicas exatamente porque podem pagar uma educação preparatória que um jovem da periferia jamais poderá alcançar. Neste caso não há deslealdade. Os pobres que tratem de estudar como possam. Isto explica as ondas de ódio contra o governo Lula e contra os habitantes das regiões que seriam mais beneficiados pelo "paternalismo" do governo federal.

Assim, como bem observa o prof. Marenco, a questão do aborto não foi o elemento crucial na disputa eleitoral, nem deverá ganhar espaço no debate político que se seguirá. Segundo ele, "conflitos distributivos" é o nome do processo que separou os eleitores nas diversas regiões do País e isto poderá representar o combustível de um novo conservadorismo.

Nesta perspectiva, o grande feito de Serra nestas eleições, com sua agenda mesquinha e retrógrada, foi abrir as portas do inferno, deixando que saíssem para fora demônios e monstruosidades que estavam adormecidas. Mas não mortas. Faltava só alguém apertar o botão.
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Fonte:http://armarinhodapolitica.blogspot.com

Sátiro: O Barqueiro do Inferno

12 de novembro de 2010

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Fonte: http://www.viomundo.com.br/humor/o-barqueiro-do-inferno.html

SENADO - CCJ aprova a PEC da Felicidade

11.11.10

BRASÍLIA (Folhapress) - O Senado deu ontem o primeiro passo para aprovar proposta que inclui a “busca pela felicidade” entre os direitos dos cidadãos previstos pela Constituição Federal. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa aprovou proposta de emenda constitucional, conhecida como PEC da Felicidade, que considera como “essenciais” para a felicidade do brasileiro direitos básicos como educação, saúde, alimentação, trabalho e moradia. Para entrar em vigor, a proposta precisa ser aprovada nos plenários do Senado e da Câmara.

Autor da PEC, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) reconhece que não é possível garantir, em lei, que uma pessoa seja feliz. A ideia, segundo o parlamentar, é explicitar que os direitos mínimos são necessários para colaborar na busca pela felicidade dos brasileiros. “A gente quis explicitar isso, é bom explicitar o óbvio. Todos os direitos previstos pela Constituição convergem para a felicidade da sociedade”, argumentou.

Ape sar de ser um dos maiores defensores da PEC, Cristovam disse que o Senado também deveria se empenhar em aprovar projetos que colaborem para a “melhoria das condições de vida dos brasileiros’’. Quatro países já incluíram a busca pela felicidade em sua legislação: França, Japão, Coreia do Sul e Butão.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-politica/602679-ccj-aprova-a-pec-da-felicidade

Dilma Rousseff rouba a cena em Seul

13.11.10
Da Folha de Pernambuco

Petista foi assediada e recebeu presentes de chefes de Estado e de anônimos

SEUL (AE) - Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha dúvidas sobre o fim do ciclo de fama, assédio e gostinho do poder, não deve ter mais depois da reunião do G-20, que terminou ontem, em Seul. Ao seguir pelo tapete vermelho estendido até a saída do hotel onde estava, em companhia da presidente eleita, Dilma Rousseff, Lula não foi importunado uma única vez pelos repórteres de plantão; Dilma sim.

E a primeira pergunta foi exatamente sobre como ela vai se comportar daqui para a frente, sabendo que terá o assédio constante por parte da mídia e do público e falta de privacidade na nova vida que começa. Enquanto um acanhado Lula esperava pacientemente um pouco recuado, Dilma disse que não terá problemas em se acostumar com o aparato de seguranças e outros funcionários a serviço de quem está à frente do poder. “Vai ser o inexorável”, filosofou ela.

Em seguida, lembrou que tinha um tipo de vida e passou a ter outro no momento em que foi convidada para ser ministra de Lula, primeiro de Minas e Energia; depois, da Casa Civil. Embora tenha procurado ter uma atuação discreta no G-20 - o que conseguiu, visto que evitou enquanto pôde fazer sombra a Lula -, a vida de Dilma mudou. Ela ganhou tantos presentes de chefes de Estado e de pessoas anônimas que a Presidência da República teve de providenciar um caminhão para carregar os pacotes.

Dilma foi indagada sobre o que pensa todo dia depois de acordar. Sabendo que tinha ao lado o padrinho político que a transformou em presidente, ela respondeu: “Que eu tenho de desempenhar esse papel para o qual fui eleita. É uma missão que eu pretendo levar a bom ter­mo”. O tipo de resposta, mais rebuscada, é muito diferente da que era dada por Lula, muito menos contido.

Indagada se mais difícil é montar uma equipe ministerial ou resolver os problemas do País, Dilma respondeu prontamente: “Resolver os problemas da Nação”. E, ao se despedir, disse que pretende manter sua prática de leituras, misturando sempre grandes biografias com literatura.

Na primeira viagem ao exterior após eleita, Dilma acompanhou Lula durante toda a programação oficial do G20, mas não fez pronunciamentos oficiais.

DESPEDIDA

O presidente Lula aproveitou a sua participação no G20 para uma espécie de comício de encerramento de sua Presidência. Foi a quinta e última cúpula de que ele participou. “Sentiremos sua falta”, disse o anfitrião, o presidente sul-coreano Lee Myung-Bak. “O Brasil vive seu melhor momento desde 1961”, disse, para depois entrar no bordão da “herança maldita”, cunhado pelo então chefe da Casa Civil, José Dirceu, e usado recorrentemente depois. Disse Lula: “Dilma não vai fazer nenhum discurso dizendo que recebeu uma herança maldita porque ela ajudou a construir tudo o que nós construímos”. O presidente e Dilma embarcam de volta hoje pela manhã. A petista terá neste sábado um encontro com seus principais auxiliares de campanha, em São Paulo, para ouvir como foram as negociações com os partidos aliados por cargos no futuro governo.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-politica/603115-dilma-rousseff-rouba-a-cena-em-seul

Lula em Moçambique “queria ser professor de História” :)

11.11.10
Por mariafro

Lula passou no exame para professor

Do Jornal a Verdade, Maputo, Moçambique

Passavam pouco das 11,15 minutos quando o presidente da República Federativa do Brasil, Luíz Inácio Lula da Silva, chegou ao Instituto Nacional de Ensino à Distância (INED), em Maputo, para a dar a aula inaugural no âmbito de um acordo rubricado entre a Universidade Aberta do Brasil e a Universidade Pedagógica de Moçambique.

Depois dos cânticos de boas-vindas, interpretado por um grupo de crianças, o presidente brasileiro recebeu o tradicional colar de flores simbolizando a amizade entre os dois povos, enquanto era eram agitadas bandeirinhas de papel dos dois países. Após uma breve visita ao Laboratório de Biologia, seguiu-se as intervenções na aula magna.

Venâncio Massingue, ministro moçambicano da Ciência e Tecnologia foi o primeiro a tomar a palavra para dizer que se sentia muito honrado com a presença do chefe de Estado brasileiro, recordando em seguida o seu percurso desde a infância difícil e pobre até ao Palácio do Planalto em Brasília.

“Quero primeiro expressar aos nossos queridos representantes do governo de Moçambique, aos nossos alunos da Universidade Aberta e aos ministros brasileiros a minha alegria por estar em Moçambique pela terceira vez. É possível que tenha vindo a Moçambique mais vezes que todos os outros presidentes brasileiros juntos”, começou por dizer Lula, arrancando gargalhadas à assistência.

Depois, dividiu a intervenção em dois momentos: “primeiro vou ler o roteirinho que está aqui e depois vou falar um pouco das minhas emoções neste meu regresso a Moçambique”. No primeiro momento ressaltou a importância da educação.

“Hoje, com o lançamento dos primeiros pólos moçambicanos da Universidade Aberta do Brasil, estamos talvez a dar o passo mais firme com vista ao aprofundamento da cooperação entre os nossos dois povos. Nada é mais urgente que a capacitação de moçambicanos e brasileiros para construir sociedades cada vez mais democráticas e prósperas e assim firmar a nossa presença soberana no mundo. Isso só será possível com a melhoria da educação nos nossos países.”

No desenvolvimento informal, de improviso, Lula fez jus à fama de grande orador nato, arrebatando numerosas palmas e risos. “Só com a educação se pode disputar um emprego em pé de igualdade”, referiu, acrescentando que nunca o ensino se desenvolveu tanto no Brasil como nos seus oito anos de presidência. “É curioso porque sou o primeiro presidente que não tem diploma universitário. Eu gostava de ser professor de História para ser chamado contador de histórias (risos). Mas sou mecânico.”

Depois acrescentou: “Fomos nós [referindo-se a ele próprio e ao vice-presidente José de Alencar também ele ser qualquer diploma universitário] que mais universidades federais fizemos no Brasil, que mais escolas técnicas criámos.” Depois confirmou com números: “Em 100 anos o Brasil construiu 140 escolas técnicas. Nós, em oito anos, inaugurámos 214 escolas técnicas. Inaugurámos 14 universidades federais e muitos pólos nas províncias.”

Por fim, ressaltou uma vez mais a importância da educação.

“É a única coisa que proporciona igualdade de oportunidade. Quando decidimos privilegiar a cooperação com a África, e particularmente com os países africanos de língua portuguesa, quisemos reparar uma dívida histórica com o povo africano, do qual o povo brasileiro descende. Durante séculos, com a nossa cabeça colonizada, aprendemos que somos seres inferiores, aprendemos que qualquer um que enrola a língua é melhor do que nós e muitas vezes não percebemos que, para eles, também nós enrolamos a língua.

O que nós queremos com a opção por África é levantarmos a cabeça juntos e construirmos um futuro em que o Sul não seja mais fraco do que o Norte, em que o Sul não seja tão dependente do Norte, porque se nós acreditarmos em nós próprios poderemos ser tão importantes e sabidos como eles, poderemos produzir tanto como eles. O mundo vai precisar cada vez de mais alimentos e as terras aráveis, por explorar, estão no Sul, em África e na América Latina. Não explorámos ainda meio por cento da área da Savana africana! Queremos ver a África sair desta situação miserável, porque na hora em que os outros quiserem comer têm que falar com vocês, porque a comida está aqui, em África. Que esta Universidade Aberta, que hoje estamos a inaugurar, possa ser uma célula de consciência para que não permitamos mais ser tratados como se fossemos inferiores.”

Refira-se ainda que esta parceria de ensino à distância irá estender-se às cidades da Beira e Lichinga e os cursos, numa fase inicial, irão ser três: Pedagogia, Biologia e Matemática, cada um com 60 alunos.
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Fonte:http://mariafro.com.br/wordpress/?p=21645

A segregação nas leis brasileiras

12/11/2010
Enviado por luisnassif
Por Wandihkleysson Piragibe

Uma beleza do Brasil é que, apesar de tudo, nós nunca tivemos a legalização do racismo. As ideias de eugenia do início do sécula XX causaram o surgimento das Jim Crow Laws dos EUA.

As leis estaduais que proibiam casamentos entre negros e brancos foram declaradas constitucionais pela Corte Suprema dos EUA em 1883 e só foram declaradas ilegais em 1967. Neste ano, ainda havia 17 Estados que restringiam de alguma forma o casamento de brancos e negros (http://en.wikipedia.org/wiki/Anti-miscegenation_laws#Loving_v._Virginia). O Estado da Virginia proibia totalmente o casamento interracial em 1967, e para ser negro, bastava ser mulato claro...

Houve exceções no Brasil. A república começou com o marechal Deodoro decretando a proibição de imigração de africanos e orientais para o Brasil. A imigração de japoneses foi proibida até que se assinou um tratado com o governo japonês (por isto demorou tanto a começar).

O médico Miguel Couto (nome de hospital no Rio de Janeiro), quando deputado constituinte, tentou colocar a proibição de emigração de orientais na Constituição de 1934. Seu filho tentou o mesmo na Constituição de 1945.

Entretanto, a primeira Constituição do Brasil já reconhecia os direitos políticos dos negros forros. Eles podiam votar e ser votados, desde que, como qualquer branco, tivessem bens e rendimentos para serem considerados eleitores.
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Fonte:http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-segregacao-nas-leis-brasileiras

O documentário O Povo Brasileiro

12/11/2010
Enviado por luisnassif
Por Josaphat

Um dos trechos mais belos de um clássico documentário sobre a obra de Darci Ribeiro. Apesar dos preconceitos, vamos, sim, construir a tão sonhada civilização brasileira. Evoê!



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Fonte:http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-documentario-o-povo-brasileiro

A manipulação do preconceito

12/11/2010
Enviado por luisnassif

Janaína é professora de Direito da USP. Como é possível com esse nível de argumentação?


1. Atribui a rejeição à Serra ao fato de ser paulista. De onde tirou essa? Qual a relevância das manifestações pró-Aécio se o lobby em favor do Serra acabou impedindo até as prévias? Chamar o Serra de truculento, denunciar esquema de esgoto que montou na Internet, sua falta de preparo nos debates virou preconceito anti-paulista? Analisar o esgotamento do modelo político paulista virou manifestação anti-paulista? Se considera que críticas ao Serra são manifestações contra São Paulo, significa que considera Serra a cara de São Paulo? Isso é depor contra o estado. Só faltava agora o estado mais multi-regional do país, onde há a maior interação entre as culturas regionais ter a cara de Serra.

2. Atribuir o preconceito regional a Lula pelo fato de dividir o Brasil entre ricos e pobres é ignorar que em São Paulo também existem ricos e pobres. Ou não?

3. Com esse nível de argumentos, quem é a professora para se outorgar a procuração para falar em nome de "nós, brasileiros"?

Folha de S.Paulo - TENDÊNCIAS/DEBATES
Janaina Conceição Paschoal: Em defesa da estudante Mayara - 12/11/2010


JANAINA CONCEIÇÃO PASCHOAL

Não parece justo que Mayara seja demonizada como paulista racista, quando o mote da campanha eleitoral foi o da oposição entre as regiões

Sou neta de nordestinos, que vieram para São Paulo e trabalharam muito para que, hoje, eu e outros familiares da mesma geração sejamos profissionais felizes com sua vida neste grande Estado brasileiro.

É muito triste ler a frase da estudante de direito Mayara Petruso, supostamente convocando paulistas a afogar nordestinos.

Também é bastante triste constatar a reação de alguns nordestinos, que generalizam a frase de Mayara a todos os paulistas.

Igualmente triste a rejeição sofrida pelo candidato da oposição à Presidência da República, muito em função de ele ser paulista. Todos ouvimos manifestações no sentido de que, tivesse sido Aécio Neves o candidato, Dilma teria tido mais trabalho para se eleger.

Independentemente da tristeza que as manifestações ofensivas suscitam, e mais do que tentar verificar se a frase da jovem se "enquadraria" em qualquer crime, parece ser urgente denunciar que Mayara é um resultado da política separatista há anos incentivada pelo governo federal.

É o nosso presidente quem faz questão de separar o Brasil em Norte e Sul. É ele quem faz questão de cindir o povo brasileiro em pobres e ricos. Infelizmente, é o líder máximo da nação que continua utilizando o factoide elite, devendo-se destacar que faz parte da estigmatizada elite apenas quem está contra o governo.

Ultrapassado o processo eleitoral, que, infelizmente, aceitou todo tipo de promessas, muitas das quais, pelo que já se anuncia, não serão cumpridas, é hora de chamar o Brasil para uma reflexão.

Talvez o caso Mayara seja o catalisador para tanto.

O Brasil sempre foi exemplo de união. Apesar das dimensões continentais, falamos a mesma língua.

Por mais popular que seja um líder político, não é possível permitir que essa união, que a União, seja maculada sob o pretexto de se criarem falsos inimigos, falsas elites, pretensos descontentes com as benesses conferidas aos pobres e aos necessitados.

São Paulo, é fato, é fonte de grande parte dos benefícios distribuídos no restante do país. São Paulo, é fato, revela-se o Estado mais nordestino da Federação.

Nós, brasileiros, não podemos permitir que a desunião impere. Tal desunião finda por fomentar o populismo, tão deletério às instituições no país.

Não há que se falar em governo para pobres ou para ricos. Pouco após a eleição, a futura presidente já anunciou o antes negado retorno da CPMF e adiou o prometido aumento no salário mínimo. Não é exagero lembrar que Getulio Vargas era conhecido como pai dos pobres e mãe dos ricos.

Não precisamos de pais ou mães. Não precisamos de mais vitimização. Precisamos apenas de governantes com responsabilidade.

Se, para garantir a permanência no poder, foi necessário fomentar a cisão, é preciso ter a decência de governar pela e para a União.

Quanto a Mayara, entendo que errou, mas não parece justo que seja demonizada como paulista racista, quando o mote dado na campanha eleitoral foi justamente o da oposição entre as regiões.

Se não dermos um basta a esse estratagema para manutenção no poder, várias Mayaras surgirão, em São Paulo, em Pernambuco, por todo o Brasil, e corremos o risco de perder o que temos de mais característico, a tolerância. Em nome de meu saudoso avô pernambucano, peço aos brasileiros que se mantenham unidos e fortes!

JANAINA CONCEIÇÃO PASCHOAL, advogada, é professora associada de direito penal na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
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Fonte:http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-manipulacao-do-preconceito#more

ELITE NAZIFASCITA: "...Estes preconceituosos são a minoria das minorias..."

08.11.10
Extraído do "Blog do Bemvindo", 13.10.10
Por Luis Guilherme "Sguir" Burza

Bemvindo,

O pai da Adriana Caracciollo, minha namorada foi de Pernambuco para São Paulo de pau de arara. Lá trabalhou e venceu na vida, tornou-se dono de um pequeno negócio, um bar-restaurante em Pinheiros. Para dar um bom futuro aos três filhos ele trabalhava das 5h da manhã a meia noite. Isso mesmo, 19 horas de labuta diária.

O descanso era só aos domingos e só na parte da tarde. Pois bem, como disse ele teve 3 filhos paulistanos, todos conhecedores da história paulista, do MMDC, dos bandeirantes e tudo q faz parte de São Paulo. A irmã mais velha da Dri é advogada, o irmão mais novo estuda economia e é um gênio, daqueles q olha um problema matemático e dá a solução sem pegar num lápis para fazer contas.

A Dri, além de linda, e de ser uma atriz elogiada pelo diretor Wolney de Assis, está se preparando para fazer faculdade. Como pode alguém se meter a falar em "inferioridade" dos nordestinos? Um homem com pouco estudo tocou um negócio com inteligência e suor, criou mto bem seus filhos e morreu bem antes do que deveria para ajudar a engrandecer São Paulo é inferior a quem?

Estive em São Paulo no último fim de semana e pude ver que estes preconceituosos são a minoria das minorias. A grande maioria dos paulistanos e paulistas tem a certeza que nordestinos, assim como mineiros, goianos, matogrossenses, amazonenses, acreanos etc. que migram para Sampa são a maior riqueza que daquela cidade e daquele estado.
Sabem também que por acolherem bem os outros brasileiros que vão para lá, são bem acolhidos quando se mudam para outro estado.

Mas esta minoria idiota de preconceituosos não amam São Paulo como dizem. Eles não amam nada, pois por trás de todo preconceituoso existe uma pessoa frustrada, com auto-estima irrisória que como cura ao seu complexo de inferioridade se dizem superiores a outros, numa tentativa de auto-engano. Pena para eles q ao se olharem no espelho vêem um simples idiota, e provavelmente choram sinceramente diante da própria insignificância.
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Lula e Dilma colhem vitória política no encontro do G20, mesmo sem resolver 'guerra cambial'

13.11.10


A reunião de cúpula do G20 (grupo das 20 principais economias do planeta), terminou nesta sexta-feira em Seul, na Coreia do Sul, com uma carta consensual de boas intenções, mas sem compromissos efetivos que resolvam a 'guerra cambial'.

Mesmo assim, o Brasil saiu vitorioso em quatro pontos:

1) obteve o reconhecimento ao direito dos países emergentes, como o Brasil, de adotar políticas emergenciais para mitigar os efeitos de desvalorizações nas moedas dos demais países (o que pode incluir aumento de taxações de importados até os limites da OMC, e/ou algum tipo de controle de capitais);

2) a posição brasileira na última negociação da rodada de Doha voltou a despertar interesse dos países ricos diante na conjuntura da crise internacional.

3) novamente o Basil demarcou posição de liderança em defesa dos países emergentes, que sofrem consequências, sobretudo diante da desvalorização do dólar.

4) continuou conquistando corações e mentes na opinião pública dos países ricos, ao defender que eles adotem políticas voltadas ao mercado interno e preservação de empregos, como fez o Brasil e outros países sul-americanos, diante da crise.

O acordo apresentado pelos líderes ao final do encontro de dois dias reconhece as disputas cambiais e pede que os países se abstenham de promover as chamadas "desvalorizações competitivas" (perda do valor da moeda para favorecer os produtos de exportação do país).

Acordo ignorado

O acordo final da cúpula de Seul não difere substancialmente da resolução adotada após a reunião entre ministros de Finanças e presidentes dos Bancos Centrais do G20, no mês passado, também na Coreia do Sul.

Porém, o anúncio pelo FED (o banco central estadunidense) da injeção de US$ 600 bilhões para aquecer a economia dos EUA, vai na contra-mão da resolução tomada em Seul no mês passado, pois força a desvalorização do dólar em relação às demais moedas.

Com isso, os Estados Unidos ficaram na linha de tiro das críticas na guerra cambial, papel antes reservado à China, criticada por adotar uma política de câmbio controlado vinculado ao dólar.

Países como o Brasil criticam a decisão americana por entender que, sem uma política de investimentos e incentivo ao consumo interno, os US$ 600 bilhões levará ao aumento do fluxo de recursos para os países emergentes, que oferecem juros mais altos e rentabilidade maior nas bolsas, provocando pressões para a elevação do valor da moeda e da inflação.

Os emergentes, muitos dos quais possuem hoje grandes quantidades de reservas internacionais em dólar, reclamam também que uma desvalorização da moeda americana reduz por consequência o valor de suas reservas.

Fórmula brasileira contra crise

O Ministro da Fazenda Guido Mantega destacou como ponto positivo do documento assinado pelos líderes do G-20, o "Plano de Ação de Seul", uma série de sugestões de caminho para a retomada do crescimento da economia mundial.

Entre os pontos de ação sugeridos está o estímulo à demanda doméstica para o aumento do consumo interno.

A sugestão atende o desejo dos países emergentes, que argumentam terem conseguido resistir à crise global com essa receita e que mercados consumidores deprimidos nos países desenvolvidos podem levar a uma nova crise.

Rodada de Doha

Apesar do fracasso na questão cambial, houve mostras de consenso na cúpula sobre

Os líderes concordaram com a existência de uma "janela de oportunidade" para uma possível conclusão da rodada Doha para a liberalização do comércio internacional, paralisada desde 2008. O assunto passou a ser tratado como fator de superação da crise global por meio do aumento do comércio internacional.

O presidente Lula apontou que um acordo esteve muito próximo de ser fechado em 2008, mas acabou não acontecendo por causa das resistências da Índia e dos Estados Unidos.

Barack Obama afirmou que está pronto para fazer as concessões necessárias, que faltaram em 2008.

O premiê britânico, David Cameron, por sua vez, citou estudos que mostrariam um incremento anual de US$ 170 bilhões nas trocas internacionais com um possível acordo para afirmar que a rodada Doha deve ser concluída o quanto antes, se possível até mesmo antes do prazo colocado no comunicado do G20. (Com informações da BBC Brasil.
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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2010/11/lula-e-dilma-colhem-vitoria-politica-no.html