quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Seria Portugal uma ditadura midiática?

09 de novembro de 2010

O primeiro dia do Seminário Internacional de Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, organizado pela Secretária de Comunicação do governo federal, e que acontece hoje e amanhã, está sendo interessante para colocar o debate sobre a regulação da mídia num outro patamar.

Todos os palestrantes que passaram pelo evento até o momento, contando experiências de outros países democráticos como Espanha, Portugal e Canadá, foram unânimes em dizer que construir regramentos claros para o setor não guarda relação direta com censura ou algo do gênero.

O depoimento mais impactante foi o de José Alberto de Azeredo Lopes, presidente da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social de Portugal. Ele iniciou sua fala dizendo que a “liberdade de imprensa não é ilimitada”. E que ela tem que levar em consideração os outros princípios que garantem as liberdades democráticas. Isso é óbvio, mas é importante que seja repetido como um mantra, já que nossos donos dos meios sempre dizem o contrário.

Azeredo Lopes também fez questão de frisar que num estado democrático a regulação se dá à posteriori e não á priori. Isso também é importante ser dito sempre que possível. Qualquer confusão nessa área pode ser fatal.

Há quatro anos e meio, Azeredo Lopes exerce o cargo de regulador dos meios de comunicação em seu país. O regulador no caso português é referendado pelo Congresso e precisa ter 2/3 dos votos dos parlamentares.

Também tem que ir ao menos uma vez por ano dar satisfação para o parlamento sobre o trabalho que está desenvolvendo. Em Portugal, as concessões de rádio e TV são para um período de 15 anos. E a cada 5 anos o uso da concessão a avaliado para que a empresa operadora possa corrigir, se necessário, seus rumos.

Não são apenas os meios eletrônicos que são submetidos à regulação em Portugal, a imprensa escrita também é regulada. Segundo Azeredo Lopes mais da metade dos casos analisados pela sua entidade nesses quatro anos e meio foram de matérias jornalísticas vinculadas à mídia impressa.

Ou os donos dos veículos de comunicação no Brasil passam a debater o tema com seriedade ou vão ter que aumentar a lista de países onde a liberdade de imprensa está ameaçada. Porque a legislação portuguesa, por exemplo, parece ser mais ousada e avançada do que as da Bolívia e da Venezuela.
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Fonte:http://www.revistaforum.com.br/blog/2010/11/09/seria-portugal-uma-ditadura-midiatica/

Serão esses europeus uns chavistas?

10 de novembro de 2010

Ontem foram os portugueses e o espanhóis. Hoje os franceses e os ingleses. Os depoimentos dos representantes dos governos europeus sobre a legislação nos seus países no Seminário Internacional Comunicações Eletrônicas e Convergências de Mídia devem estar deixando Hugo Chávez corado.

As legislações desses países são muito mais avançadas do ponto de vista democrático e podem também ser consideradas assustadoras se olhadas a partir do discurso dos donos dos meios de comunicação no Brasil.

O representante inglês, Vincent Edward Affeck, acaba de responder a uma pergunta de um representante da Abert sobre se a regulação da mídia na sua terra natal não significa algum controle da produção informativa dos meios. Com a maior naturalidade respondeu que sim, mas que na Inglaterra eles tratam dos meios eletrônicos e que há um entendimento de que esse controle é importante do ponto de vista democrático.

Emanuel Gabla, conselheiro do CSA, órgão que regula o setor do audiovisual, ao explicar para este blogueiro como se regula a cobertura política no seu país disse apenas duas coisas que se implantadas por essas bandas seriam uma verdadeira revolução.

Na França, os veículos de comunicação precisam oferecer à oposição ao menos metade do tempo de exposição que dão ao governo e aos parlamentares de situação. Imaginem se isso ocorresse em São Paulo.

Além disso, no processo eleitoral a exposição dos candidatos precisa ter paridade. Ninguém pode ser beneficiado.

Seriam esses europeus uns chavistas?
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Fonte:http://www.revistaforum.com.br/blog/

Fraude no PanAmericano? Sílvio Santos vem aí

11.11.10

Urariano Mota *

A realidade brasileira continua a surpreender, e de tal maneira, que a vista acostumada à vida de ontem não a reconhece mais. Diria Camões, se atualizado, que afora a mudança de todos os dias, outra mudança se faz de maior espanto: é que o mundo não muda mais como era seu costume antes. Ou como soía, brilhante rima do poeta para a palavra dia. Isso quer dizer, adaptando Camões para o Brasil mais recente: depois da espantosa edição da revista Veja para Dilma Roussef, eis que chegou a noite e a hora da sobrevivência para Sílvio Santos.

Pois desde ontem, o mundo na web ficou sabendo:

“Grupo Silvio Santos faz aporte de R$ 2,5 bi no PanAmericano

O PanAmericano informou nesta terça-feira que o Grupo Silvio Santos fará um aporte de R$ 2,5 bilhões no banco, do qual é o principal acionista. A empresa justifica a medida ao informar que foram "constatadas inconsistências contábeis...

‘O aporte destina-se a restabelecer o pleno equilíbrio patrimonial e ampliar a liquidez operacional da instituição, de modo a preservar o atual nível de capitalização, em virtude de terem sido constatadas inconsistências contábeis que não permitem que as demonstrações financeiras reflitam a real situação patrimonial da entidade. Assim, os ajustes que estão sendo realizados nesta data não resultarão em perda patrimonial, vez que estão sendo cobertos integralmente pelo citado aporte’, informou o banco.

O PanAmericano destacou ainda que ‘a decisão reflete o compromisso do controlador com a higidez da instituição, sua responsabilidade com o mercado e com a preservação dos interesses dos seus clientes, depositantes, fornecedores e colaboradores, além de preservar a integridade da atual participação dos demais acionistas’”.

A notícia acima, ainda assim, por espelhar o comunicado do Panamericano, reproduziu sem crítica a sua lábia: primeiro, o grupo Silvio Santos não fez “aporte” (contribuição financeira) nenhum, pois quem faz alguma coisa é agente, e no caso o “aportador” foi o FGC, Fundo Garantidor de Créditos, que reúne contribuições dos bancos, a grana para que não comam grama. Segundo, chamar de “inconsistências contábeis” o que os senhores panamericanos fizeram é o mesmo que chamar furtos sistemáticos de inconsciência cleptomaníaca. Ou seja: inconsistências aí significam apenas que o banco vendeu carteiras de crédito para cerca de dez grandes instituições bancárias, mas esqueceu de contabilizar essas vendas no seu balanço. Ou dizendo de outra maneira, o Panamericano vendeu seus créditos a terceiros, usou e gozou a grana, mas fez de conta, em suas “inconsistências”, que ainda tinha direitos a receber.

O interessante é que, diante do valor da fraude bilionária, do tamanho do aporte e da fama de Sílvio Santos, foi praticamente nula a repercussão da notícia na televisão. No Jornal Nacional, nada. No Bom dia Brasil, nada. Na Globo News, nada (quantos debates inteligentíssimos daria?). No Jornal da Globo, isto: “A Caixa Econômica Federal, por meio da Caixa Participações, fechou nesta terça-feira a compra de 35,5% do capital do Banco Panamericano. O valor do negócio é de pouco mais de R$ 739 milhões”. E fim. Querem notícia mais enigmática? Por que tal silêncio cortês, educado, ante rombo de tamanha magnitude? A hipótese mais provável é que a televisão de Sílvio Santos, o SBT, com esse “aporte” subiu o telhado. E vamos ter nova arrumação de emissoras. Em dúvida, acompanhem.

O empresário, maneira de dizer, Silvio Santos pôs as 44 empresas do grupo como garantia do empréstimo do FGC. Das 44 empresas, cinco – o banco, o SBT, a Jequiti, o Baú da Felicidade e a Liderança – foram colocadas como garantias diretas. O valor contábil de todas elas é de R$ 2,7 bilhões. E agora, por fim, adaptando uma pergunta de Groucho Marx, deveria ser perguntado aos credores do empresário: está certo, Sílvio Santos garante 2,5 bilhões com suas empresas, mas quem garante os bens de Sílvio Santos?

Silvio, que todos os domingos vinha aí, agora parece ir para sempre, com aquele sorriso fixo, incansável, que Aguinaldo Batista, humorista pernambucano, dizia que pelo número de horas exposto só podia ser câimbra. O Senhor Abravanel, perto dos oitenta anos, foi ali, e como todo camelô de boa lábia garante, promete, mas não volta.

* Autor de “Os Corações Futuristas” e de “Soledad no Recife”, que recria os últimos dias de Soledad Barrett, mulher do Cabo Anselmo, executada por Fleury com o auxílio do traidor.
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Fonte:http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=3621&id_coluna=93

Programa de Cinema: Um Passaporte Húngaro

Publicado em 01/11/2010
Do site da TV BRASIL

Documentário relata a busca de sua diretora por um passaporte húngaro e a sua luta para conquistar essa cidadania

A requisição de passaporte de uma família estrangeira é a chave para uma investigação sobre identidade, nacionalidade e herança cultural.

O documentário Um Passaporte Húngaro relata a busca de sua diretora, Sandra Kogut, por um passaporte húngaro e a sua luta para conquistar essa cidadania, já que seus avós são imigrantes da Hungria. Por meio dessa busca, o filme revela aspectos de uma família que, como muitas, foi dividida entre dois mundos e dois exílios: aquele dos que se foram e aquele dos que ficaram, guiando o telespectador a uma viagem às origens húngaras.

O processo administrativo de obter o passaporte constitui o fio principal do filme. A diretora cria uma espécie de diário privado das suas viagens entre o Brasil, a Hungria e a França, registrando a experiência quase kafkiana de suas frustradas e até engraçadas tentativas de ultrapassar todos os obstáculos burocráticos.

Um Passaporte Húngaro recebeu uma menção especial do júri no Festival É Tudo Verdade de São Paulo em 2002, e o prêmio especial do júri na Semana 33 de Cinema Húngaro, Budapeste 2002.

Ano: 2001. Gênero: Documentário. Direção e Roteiro: Sandra Kogut.

Livre
Horário: sexta, 23h.
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Fonte: http://www.tvbrasil.org.br/novidades/?p=6902

Bia Barbosa: Comunicação será “área estratégica” para Dilma

10 de novembro de 2010

Em seminário em Brasília, organizado para discutir experiências internacionais de regulação da mídia, o ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação da Presidência, deixou clara a urgência de um novo marco regulatório para o setor no país, que deve ser construído num debate público e transparente com toda a sociedade, deixando “fantasmas no porão”. Para Unesco, a legislação da radiodifusão brasileira é atrasada e pouco sustentada no interesse público.

Bia Barbosa, de Brasília, na Carta Maior

Num processo que envolveu mais de 30 mil pessoas em todo o país, a I Conferência Nacional de Comunicação teve como uma de suas principais resoluções, aprovada por representantes do governo, da sociedade civil e do empresariado, a necessidade da construção de um novo marco regulatório para o país. Ultrapassada – da década de 60 – e pouco democrática, a legislação que hoje rege o setor tem se mostrado um entrave não apenas para o desenvolvimento da própria mídia no país como também um obstáculo considerável para a consolidação da democracia brasileira. A um mês de completar o aniversário de um ano da I Confecom, o governo Lula dá um passo significativo para transformar essa realidade e sinaliza: o governo Dilma deve tratar as mudanças nessa área como prioritárias.

Foi este o tom do discurso, corajoso, do ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, nesta terça (09) durante a abertura do Seminário Internacional Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, em Brasília. Para uma platéia repleta de empresários, organizações da sociedade civil, acadêmicos e convidados estrangeiros, Franklin colocou o dedo numa ferida que, pelo menos publicamente, já tinha sido reconhecida pelo Executivo Federal desde a Confecom, mas que até este momento deixava dúvidas sobre quando e o quanto seria de fato enfrentada. Depois de viajar por diversos países para conhecer como outras democracias estão lidando com o processo de convergência tecnológica, foi hora de trazer especialistas internacionais para Brasília e dar o pontapé público neste debate, “olhando pra frente”, como ele deixou claro.

“Cada vez mais as fronteiras entre radiodifusão e telecomunicação vão se diluindo. Em pouco tempo, para o cidadão será indiferente se o sinal que recebe no celular ou no computador vem da radiodifusão ou das teles. A convergência de mídia é um processo que está em curso e ninguém vai detê-lo. Por isso é bom olhar pra frente, este é o futuro. E regular esta questão será um desafio, porque sem isso não há segurança jurídica nem como a sociedade produzir um ambiente onde o interesse público prevaleça sobre os demais”, afirmou.

O governo reconheceu que, aqui, o desafio se mostra maior do que em outros países, porque, além da legislação atrasada, “acumularam-se problemas imensos, que foram sendo encostado ao longo do tempo”. Para o ministro, a legislação brasileira é um cipoal de gambiarras, que não enfrenta as questões de fundo, e que inclusive não responde aos princípios estabelecidos pela própria Constituição Federal.

“Criou-se, na área de comunicação, uma terra de ninguém. Todos sabemos, por exemplo, que deputados e senadores não podem ter concessões de rádio e TV. Mas todos sabemos que eles tem, através de subterfúgios, e ninguém faz nada. A discussão foi sendo evitada. E a oportunidade é discutir tudo isso agora, legislando de uma forma mais permanente, integradora, cidadã e democrática”, disse Franklin Martins.

Fantasmas no sótão

A pretensão do governo é fazer as mudanças no marco regulatório através de um processo público, aberto e transparente, para que a sociedade brasileira como um todo – e não apenas um grupo ou outro – decida seu caminho. Até o final da gestão Lula, um ante-projeto de lei, que vem sendo elaborado por um grupo de trabalho interministerial, será apresentado à equipe da presidente eleita Dilma Rousseff, que então decidirá quando e como apresentá-lo ao Congresso Nacional. É neste debate público que o grupo de trabalho deve basear suas proposições.

Um dos maiores desafios nessa jornada, no entanto, parece ir além da própria convergência tecnológica e suas inúmeras inovações. Trata-se de, exatamente, criar as condições para que o debate público de fato aconteça, de forma plural e participativa. Foi este o desejo da I Conferência de Comunicação, que agora parece contar com a vontade política do governo Lula para ser colocado em marcha.

“O problema é grande. Os fantasmas passeiam por aí arrastando correntes, impedindo que a gente ouça o que tem que ouvir. Se formos capazes de nos livrar dos fantasmas e não os deixarmos controlar nossa discussão, avançaremos. Isso interessa à sociedade como um todo, não é uma discussão apenas econômica. A comunicação diz respeito à cidadania, à participação política e à produção cultural, e por isso a sociedade deve participar diretamente”, afirmou Franklin Martins. E deu o recado: “convido a todos então a deixar seus fantasmas no sótão, que é onde eles se sentem melhor. Vamos nos desarmar dos preconceitos. Essa agenda está na mesa e será realizada, num clima de entendimento ou de enfrentamento”.

Dentre os fantasmas que precisam ser deixados no porão está a tese – tão difundida pelos grandes meios de comunicação – de que regulação é sinônimo de censura à imprensa. Na abertura do seminário internacional, foi necessário afirmar mais uma vez, para quem já deveria estar convencido disso, que o Brasil goza de absoluta liberdade de imprensa.

“Essa história de que a liberdade de imprensa está ameaça é uma bobagem, um truque, isso não está em jogo. A liberdade de imprensa significa a liberdade de imprimir, divulgar, de publicar. A essa não deve, não pode e não haverá qualquer tipo de restrição. Isso não significa que não pode haver regulação do setor. Vocês verão relatos neste evento de diversas democracias, e verão que em todas elas há regulação, o que não significa nada que haja censura”, repetiu.

Sem explicitar, o governo Lula acabou admitindo que deixou a desejar no campo das comunicações. E para os participantes da sociedade civil que vieram a Brasília conhecer as experiências de outros países, talvez esta tenha sido a mensagem mais alentadora: esta área deve ser tratada com prioridade no governo Dilma.

“Estou convencido de que a área de comunicação terá, no próximo governo, o mesmo tratamento que teve a energia no governo Lula. Algo estratégico para o crescimento. Ou se produz um novo marco regulatório ou vamos perder o bonde. Em 2008, a radiodifusão faturou R$ 11,5 bilhões; e as empresas de telecomunicações, R$ 130 bilhões. Em 2009, os números foram R$ 13 bilhões e R$ 180 bilhões respectivamente. É evidente que, se não houver regulação, a radiodifusão será atropelada por uma jamanta. E se não houver o debate, quem vai regular é o mercado. E quando o mercado regula, quem ganha é o mais forte”, avisou Franklin.
“É necessário regular, criar políticas públicas e gerar um ambiente para que a sociedade se sinta não só usuária dos serviços de comunicação, mas cidadã. Se formos capazes de entender isso, teremos mais vozes falando, mais opiniões se expressando no debate público. É “mais” e não “menos” o que está em jogo neste processo”, concluiu.

Mais interesse público

Também em sintonia com o que apontou a I Confecom e com a linha política manifestada pela Secretaria de Comunicação, uma das primeiras participações internacionais no seminário expôs objetivamente os pontos nevrálgicos da legislação brasileira que precisam avançar para que o setor, de fato, permita a expressão dessa multiplicidade de vozes. O canadense Toby Mendel, diretor executivo do Centro de Direito e Democracia, organização internacional de direitos humanos com foco no conhecimento legal sobre direitos fundamentais para a democracia, incluindo o direito à informação, a liberdade de expressão e o direito de participação, apresentou o resultado de um estudo encomendado pela Unesco sobre o marco regulatório em 10 grandes democracias, incluindo o Brasil. E, a partir de padrões internacionais, fez recomendações para o processo que se inicia em território nacional.

Uma delas é a de ampliar a transparência e garantir o interesse público nos processos de renovação das concessões de rádio e TV. “Em muitos países, este momento é uma oportunidade para avaliar mudanças que precisam ser feitas pelo concessionário, para apontar eventuais regras que não tenham sido respeitadas. No Brasil, esta avaliação não acontece”, disse Toby Mendel.

A prática reforça outros problemas da legislação não enfrentados pelo Estado brasileiro: a regulação da propriedade privada dos meios – com medidas como a proibição da propriedade cruzada – e a garantia da liberdade de expressão.

“A liberdade de expressão vai além do direito do emissor dizer o que pensa. É também o direito do receptor, do telespectador, do leitor, receber uma variedade de informações e de pontos de vista. Se a propriedade dos meios não é regulada, isso pode até ser ok do ponto de vista do emissor, mas o direito do receptor de receber idéias plurais começa a ser reduzido. Ou seja, o Estado não pode simplesmente deixar o mercado agir”, afirmou o consultor da Unesco.

Na mesma linha, Mendel apontou a importância de regras para a difusão de conteúdo na radiodifusão, como a proteção de crianças, o combate a discursos que violem os direitos humanos e a promoção do jornalismo imparcial. É preciso ainda regulamentar o artigo da Constituição que garante percentuais para a difusão de conteúdos regionais e independentes nas emissoras de rádio e TV e garantir o direito de resposta.

“Tudo isso está na Constituição, mas não é cumprido. Também é preciso haver um sistema que receba queixas neste sentido, um órgão regulador independente que pode aplicar sanções diante do descumprimento dessas regras”, explicou Mendel, que defendeu ainda a importância do fortalecimento do sistema público de comunicação e da comunicação comunitária brasileira.

A lista é grande, e foi sendo recheada com outras sugestões vindas dos representantes dos demais países presentes ao seminário – o que apenas reforça e confirma o tamanho do desafio que o Brasil tem pela frente se quiser mesmo mexer neste vespeiro.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/bia-barbosa-comunicacao-sera-area-estrategica-para-dilma.html

E agora, Zezinho?" Poema pós-eleições

10.11.10
E agora, Zezinho?

A campanha acabou,
a Globo perdeu,
Bob Jeff zarpou,
Bob Freire também,
Malafaia chorou,
e Merval se abateu.

E agora, Zé?
e agora, você?
que faz dossiê,
filhote de FHC,
e que disse: "Até!…"

Está sem aborto,
está sem o Papa,
casamento gay.
Sobrou-te a Folha,
e o Gilmar também.
E agora, Zezinho?

O Arruda partiu,
o Índio ficou,
Jabor é tristeza,
e o pobre Vereza
não psicografou.
E agora, "Coiso"?

Veja se esgoto(u),
o golpe ruiu,
o Lula sorriu,
Estadão encalhou,
e agora, Zé?

Você que é economista,
você que é engenheiro,
você que é competente,
você que é preparado…

Com O Globo na mão,
quer derrubar Lula,
a Soninha te ajuda,
se o ENEM vazar.
Quer Aécio de vice,
bolinha te "espanca",
quer vencer em Minas,
Minas não é Sampa.
Zezinho, e agora?

Sozinho na França,
por que não te calas?
E, sem ter o PiG
pra te coonestar,
sem Paulo nem Preto,
que fuja a galope
do Amaury Júnior;
Zezinho, pra onde?
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Fonte:http://www.sediscute.com/2010/11/agora-zezinho-poema-pos-eleicoes.html

Ocidente em pânico: uma voz norte-americana pró-Jihad

8 de novembro de 2010
Por Patrick Cockburn, The Independent, UK

Tradução de Caia Fittipaldi

Anwar al-Awlaki, o clérigo islamista militante, atualmente escondido no Iêmen, foi denunciado por EUA e Grã-Bretanha como arquiconspirador contra o Ocidente. Simultaneamente, centenas de vídeos em que aparece pregando e em entrevistas em inglês, foram removidos do YouTube.

Awlaki, pregador eloquente, está sendo acusado de radicalizar o discurso de Roshonara Choudhry, a estudante de teologia que esfaqueou o deputado inglês Stephen Timms por ter votado a favor da invasão ao Iraque. Awlaki teria tido contato também com militantes muçulmanos que depois atacaram alvos norte-americanos, como o estudante nigeriano preso com explosivos costurados às cuecas e o soldado dos EUA que matou a tiros 13 soldados de sua companhia no Forte Hood.

Nos vídeos de Awlaki que permanecem no YouTube, quase todos excertos de seus discursos transmitidos pela televisão norte-americana, sua mensagem continua assustadoramente clara. Em voz suave e controlada, Awlaki conta que nasceu nos EUA onde viveu até os 21 anos e formou-se como pregador islâmico, sempre pregando a não-violência; até a invasão ao Iraque, em 2003. A invasão do Iraque o converteu em apóstolo da guerra jihadista contra os EUA: “Acabei por ter de concluir que, depois da invasão ao Iraque, a Jihad passou a ser dever de todos os muçulmanos.”

Awlaki foi denunciado como “terrorista assassino” e como um dos líderes da al-Qa’ida na Península Arábica, mas o motivo principal de sua significativa influência é que é hoje o único líder jihadista capaz de expor com clareza e racionalidade a ideologia de uma guerra jihadista, em perfeito inglês norte-americano. As falas de Osama bin Laden são quase incompreensíveis no ocidente, e as dos líderes da al-Qa’ida no Iraque e no Paquistão raramente passam de catilinária sectária.

Diferente de todos esses, Awlaki, nascido no Novo México e extremamente culto, jamais eleva o tom de voz, e fala em tom que os norte-americanos conhecem bem, por ser típico de outros pregadores religiosos que pregam pela televisão. Fala firme e dirige-se ‘pessoalmente’ a cada um dos que o ouçam, citando eventos políticos atualizados e incidentes da vida diária, como seus casos exemplares. Num dos vídeos, ilustrado com fotos de muçulmanos em guerra, no qual Awlaki argumenta para mostrar aos muçulmanos os riscos que o Islã enfrenta hoje, o pregador ainda é bem jovem. O Afeganistão e o Iêmen do Sul foram dominados pelos comunistas; e o Iraque e o movimento palestino por nacionalistas. Seu principal argumento é que esses inimigos do Islã também já foram derrotados por uma Jihad vencedora.

O que mais alarma os governos dos EUA e da Grã-Bretanha é que as palavras de Awlaki são dirigidas, sobretudo, aos muçulmanos falantes de inglês. Ele pergunta como os muçulmanos dos EUA podem ser leais a um país que está em guerra contra o Islã. Também soa alarmante, para os que estejam sob risco de converter-se em alvo dos jihadistas, que os que abracem a luta jihadista pregada por Awlaki podem chegar a isso sem qualquer contato anterior com movimentos militantes, o que cria o risco de ataques absolutamente imprevisíveis. Choudhry, que cumpre prisão perpétua depois do ataque ao deputado Timms, é filha de imigrados de Bangladesh e cidadã britânica. Jamais manifestara posições extremistas, até que passou a visitar websites islâmicos.

Awlaki é absolutamente diferente dos mais conhecidos líderes e porta-vozes da al-Qa’ida, cujas bases localizam-se nas áreas tribais do noroeste do Paquistão e em áreas de árabes sunitas no Iraque. Em claro contraste com a argumentação sofisticada de Awlaki, a favor da Jihad contra os EUA e seus aliados, os líderes, porta-vozes e combatentes da al-Qa’ida no Iraque sempre focam seus discursos em ataques contra a maioria xiita, que veem como infiéis. O Talibã paquistanês, fortemente influenciado pela al-Qa’ida, concentra seus ataques contra os que não professam o mesmo ramo do islamismo sunita.

Fontes da segurança saudita dizem que voluntários estrangeiros de todo o mundo muçulmano, sobretudo da Arábia Saudita e do Iêmen, que supõem que estejam imigrando para o Iraque para combater as tropas da ocupação norte-americana, acabam convertidos em homens-bomba, em ataques contra supermercados e mesquitas xiitas. Só essa semana, houve mais de 100 mortos em ataques coordenados contra áreas xiitas de Bagdá.

A Al-Qa’ida sobreviveu ao massacre coordenado contra ela pelos EUA e aliados desde 2003, em larga medida porque existe mais como uma ideologia e um conjunto de atitudes, do que como movimento organizado que possa ser localizado e dizimado. A política dos EUA, de assassinar sistematicamente os líderes da Al-Qa’ida, tem impacto limitado, porque a força do movimento está em sua estrutura de rede, pulverizada em inúmeras ‘franquias’ locais, para a maioria das quais a Jihad contra os EUA não é o objetivo imediato. Se fosse, seus ataques seriam ainda mais devastadores, porque no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão há milhares de quadros jihadistas treinados e experientes, tanto na fabricação de bombas quanto na logística de fazer as bombas chegarem aos alvos.

O governo e a mídia nos EUA estão agora em processo de demonizar Awlaki, e provavelmente exageram a influência que tenha, apontando-o como inspiração para os ataques no Iêmen, onde estaria localizada a nova base central da al-Qa’ida.

De fato, como também aconteceu no Iraque, a al-Qa’ida voltou a se reorganizar e fortaleceu-se no Iêmen, sobretudo, porque se associou a grupos que já faziam oposição ao governo central. No Iêmen, a oposição cresce no sul (ex República Popular Democrática do Iêmen) que se uniu ao norte (República Árabe do Iêmen), em 1990. O governo central, na capital Sanaa, tem todas as razões do mundo para persuadir os EUA a rotular todos os inimigos do governo como se fossem uma mesma “al-Qa’ida”, porque assim, obtém facilmente armas e ajuda financeira, além de apoio militar e político.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/ocidente-em-panico-uma-voz-norte-americana-pro-jihad.html

"Todo fascista e racista é um ser primário por natureza"

11.11.10

Extraído do Blog da Cidadania
Por Roberto Pereira

Todo fascista e racista é um ser primário por natureza.
Que não pensa, mas age por instinto e por ódio.
O ódio toma conta de todo direitista já perceberam?

Essas pessoas no fundo tem uma baixíssima altoestima e para se sentirem menos infelizes se valem de alardear o preconceito contra os outros para dessa forma se sentirem pelo menos nisso "superiores".

Leiam a biografia daquele aspirante à escola de belas-artes de Viena e vocês verão o retrato acabado e mais perfeito de todo racista ensandecido.

A frustração dói na alma de todo direitoide.
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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2010/11/quem-disse-que-o-pig-nao-serve-para-nada/

Quem disse que o PIG não serve para nada?

11.11.10Uma aflição insuspeita tem convulsionado a alma da sociedade brasileira: para que servem esses jornais e revistas padecentes da mais inclemente hidrofobia?

Durante os últimos anos, a maioria pensante – e votante – da sociedade vem se debruçando infrutiferamente sobre o enigma. Eis que, do nada e nada mais do que do nada, fez-se a luz.

Quem esclareceu o uso para tão relevante inutilidade como são os periódicos foi um desses neofascistas que recentemente decidiram sair das tocas em que se meteram na primeira metade do século XX, com a derrota do fascismo.

E que decidiu vir comentar neste blog:

lucas
abclucasvilalva@hotmail.com
187.92.195.26


Submitted on 2010/11/10 at 11:05 PM

Quem recebe Bolsa Família (preguiça) e as demais bolsas deste governo que se elegeu às custas deste povo humilde (…) e elege um presidente não é quem lê o jornal e sim quem limpa a bunda com ele…

Diante da lógica intrínseca contida em tal pensamento, o óbvio comparece à mente do blogueiro: com o jornalismo que se faz por estas bandas, jornal só tem servido mesmo para isso – para os que não são lá muito exigentes.

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PS: que cada paulista que ler este post não se esqueça de que hoje, 5ª feira, às 17 horas, na Câmara Municipal de São Paulo, a sociedade civil paulistana faz um ato de desagravo aos migrantes nordestinos covardemente atacados por bestas como essa à qual respondi acima.

Weissheimer: Os fantasmas no sótão da velha mídia

11 de novembro de 2010 à
Marco Aurélio Weissheimer: os fantasmas no sótão da velha mídia

Franklin Martins, ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, abriu o Seminário Internacional Comunicações Eletrônicas e Convergências de Mídias com uma observação que justificou o título do encontro. A convergência de mídias é um processo irreversível e já faz parte da vida cotidiana.

Por Marco Aurélio Weissheimer, na Carta Maior, via Vermelho

Um telefone celular não é mais meramente um telefone. Tornou-se também um meio para acessar internet, rádio e televisão. Essa convergência de tecnologias e meios de comunicação em um pequeno aparelho abre novas possibilidades para a comunicação humana, mas essas possibilidades vêm acompanhadas de problemas. Boa parte desses problemas é causada por conflitos de mercado entre os diferentes setores que fazem da comunicação seu bezerro de ouro.

No Brasil, alguns desses setores reagem fortemente ao debate sobre a necessidade de regular esse novo mundo tecnológico, social e econômico, que já é uma realidade. Essa reação aparece revestida por um verniz ideológico que vê na ideia da regulação uma tentativa de censurar e controlar a imprensa. Isso é uma bobagem, disse Franklin Martins. E é mesmo. Não é difícil mostrar.

O Brasil acaba de sair de um duro processo eleitoral onde, em um determinado momento, entidades empresariais do setor das comunicações e seus respectivos veículos ensaiaram uma mobilização nacional contra perigosíssimas ameaças à liberdade (de imprensa e outras) que estariam pairando sobre a vida democrática do país. O motivo? Uma crítica feita pelo presidente da República à cobertura sobre as eleições. Houve alguma censura por parte do governo? Nenhuma.

Houve, de fato, dois episódios de cerceamento à liberdade de expressão na campanha este ano: um praticado pelo jornal O Estado de São Paulo, que demitiu a colunista Maria Rita Kehl por não tolerar a opinião dela publicada em suas páginas; e o outro praticado pelo jornal Folha de S.Paulo que entrou na Justiça para tirar do ar o site Falha de São Paulo, que fazia uma paródia às capas e manchetes da publicação.

Esses jornais e outros veículos da chamada grande imprensa seguem repetindo mantras ultraconservadores contra um debate que já foi feito na imensa maioria dos países apontados por eles mesmos como exemplos de liberdade de modernidade. Mas por trás de todo esse conservadorismo, há uma razão mais pragmática: o avanço das empresas de telecomunicação sobre o mercado da radiodifusão.

Só esse dado mercadológico já justificaria um interesse mais positivo do setor de radiodifusão no debate da regulação. Franklin Martins falou sobre isso ao saudar os participantes do seminário. O faturamento das teles hoje é aproximadamente 13 ou 14 vezes maior que o da radiodifusão. Sem regulação, a radiodifusão vai ser atropelada por uma jamanta, resumiu o ministro. E as grandes empresas do setor sabem disso.

A Folha de S.Paulo publicou um editorial, dia 15 de novembro de 2009, defendendo a restrição, em 30%, da presença de capital estrangeiro nos portais de notícias no Brasil. A proposta também é defendida pelas principais entidades do setor: Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e Associação Nacional de Jornais (ANJ).

A posição defendida por essas entidades oferece, na verdade, argumentos em defesa da necessidade de um novo marco regulatório para o setor. Para elas, a restrição ao capital estrangeiro, previsto no artigo 222 da Constituição Federal, aplica-se a qualquer negócio que explore conteúdos, independentemente do meio utilizado, seja TV, rádio, jornais ou a internet.

“Práticas desleais na internet colocam em risco as bases que permitem o exercício da imprensa independente no país”, protestou a Folha no editorial, acrescentando: “Quando um país como o Brasil admite um oligopólio irrestrito na banda larga – a via para a qual converge a transmissão de múltiplos conteúdos, como TVs, revistas e jornais – alimenta um Leviatã capaz de bloquear ou dificultar a passagem de dados atores que não lhe sejam convenientes”.

“Nossa legislação é um cipoal de gambiarras”

Do ponto de vista dessas empresas, portanto, o debate sobre um novo marco regulatório para o setor envolve, sobretudo, uma disputa de mercado com as grandes corporações do setor de telecomunicações. Mas essa agenda não se resume a uma questão de mercado. Há interesses públicos em jogo – como o direito à uma informação de qualidade que contemple a diversidade cultural e política do país – que vem sendo bloqueados pela intransigência do grande capital privado do setor.

Para quem ainda tinha alguma dúvida, a dimensão pública do tema ficou evidenciada nos relatos das experiências de países como França, Inglaterra, Espanha, Portugal, Argentina e Estados Unidos. A existência de um marco regulador na área da comunicação é hoje um indicador da qualidade da democracia de um país.

O Brasil ainda engatinha nessa área. A nossa legislação de telecomunicações, lembrou Franklin Martins, é absolutamente ultrapassada, remontando a 1962, “quando havia mais televizinho do que televisão”. Essa legislação é hoje um “cipoal de gambiarras”, ilustrou o ministro. Ele deu outro exemplo: “Todos nós sabemos que deputados e senadores não podem ter canal de televisão. E todos sabemos que têm. O que vamos fazer?”

Os conferencistas internacionais contaram o que seus países fizeram e seguem fazendo para proteger e incentivar a produção independente nacional e regional, para evitar a concentração de propriedade ou para defender crianças e adolescentes de publicidades de bebidas e medicamentos, apenas para citar alguns conteúdos. Propostas estas que seguem enfrentando forte resistência no Brasil.

Uma resistência alimentada por preconceitos e fantasmas arrastando correntes, na imagem adotada pelo titular da Secretaria de Comunicação Social do governo brasileiro. “Só um debate público transparente afasta os fantasmas. Queria convidar todos a deixar os fantasmas no sótão. É lá que devem ficar”. Trata-se de um debate irreversível, repetiu, fazendo uma previsão: “Estou convencido que a área da comunicação no governo Dilma terá o mesmo tratamento que a área de energia teve no primeiro governo Lula”.

Os primeiros meses de 2010 dirão se a previsão poderá ser realizar ou não. O que parece certo é que dificilmente a velha imprensa conseguirá bloquear esse debate usando seus fantasmas empoeirados a acenar com a ameaça da censura, ameaça esta que só vem se materializando nas suas próprias redações.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/weissheimer-os-fantasmas-no-sotao-da-velha-midia.html

Tiririca soube ler e escrever em teste de alfabetização, diz presidente do TRE-SP

11.11.10
Donizeti Costa

SÃO PAULO - O presidente do TRE-SP, Walter de Almeida Guilherme, relatou nesta quinta-feira o que está ocorrendo a portas fechadas no processo que questiona se o deputado eleito Francisco Everardo Oliveira Silva, nome de batismo do palhaço Tiririca, é ou não alfabetizado. Guilherme, além de falar dos procedimentos, divulgou alguns dos textos que o réu teve que ler para provar sua alfabetização. Segundo ele, o juiz aplicou um ditado retirado do livro "60 anos de Justiça Eleitoral", na página 51. Tiririca leu em voz alta a frase 'a promulgação do Código Eleitoral, em fevereiro de 1932, trazendo como grandes novidades a criação da Justiça Eleitoral'. Almeida Guilherme revelou que Tiririca escreveu o texto lido. O comediante teve quer ler também duas manchetes de um jornal do dia.

- Hoje está se realizando a audiência do processo criminal, por objeto da denúncia do Ministério Público Eleitoral. O deputado eleito veio de manhã para fazer eventualmente uma perícia (escrita). Ele se recusou a fazer a perícia, como permite a lei, no sentido de ninguém ter que fornecer dados de autoincriminação. Mas o juiz na sua prerrogativa, como está fixado na lei, pediu a ele que se submetesse a um teste justamente para avaliar a sua alfabetização.

No entanto, Guilherme de Almeida enfatizou que não seria dele a sentença sobre o processo envolvendo o deputado eleito pelo PR.
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Fonte:http://extra.globo.com/pais/plantao/2010/11/11/tiririca-soube-ler-escrever-em-teste-de-alfabetizacao-diz-presidente-do-tre-sp-923003771.asp

Roberto Freire capanga de José Serra propõe Adin contra trem-bala

11 de novembro de 2010
O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu, ontem, uma ação direta de inconstitucionalidade contra o projeto de construção do trem-bala entre São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro.

A ação foi proposta pelo PPS. O partido de oposição pediu a concessão de liminar para derrubar a Medida Provisória nº 511, que liberou R$ 20 bilhões para as obras.

O PPS argumentou que a MP é inconstitucional, pois autorizou a liberação de um financiamento sem prévia aprovação no Orçamento da União. Além disso, o partido sustentou que não há urgência para as obras e, por isso, o dinheiro não poderia ser liberado por MP.

O leilão para as obras do trem-bala está previsto para 16 de dezembro. Mas, o processo de escolha de uma empresa concessionária terá início no próximo dia 29, com a entrega dos envelopes para qualificação no leilão. A empresa vencedora deverá assinar o contrato em 11 de maio de 2011. Esse processo de escolha da concessionária poderá sofrer atrasos, caso o STF conceda a liminar pedida pelo PPS.

Ao todo, o projeto do trem-bala foi estimado em R$ 34,6 bilhões. Vinte bilhões serão financiados pelo BNDES e o restante será dividido entre duas empresas - uma concessionária e outra estatal. O partido de oposição contesta esses valores.

"Antes mesmo se sair do papel esse trem-bala já mostra uma alta velocidade para abocanhar o dinheiro público de forma irresponsável", disse o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE). Ele questionou o fato de o governo assumir riscos, caso o trem-bala não se mostre viável no futuro. Nessa hipótese, o Tesouro Nacional teria de arcar com R$ 5 bilhões. "Esse projeto tem retorno duvidoso, já que o financiamento não tem garantia firme", completou Jungmann.
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Fonte:http://osamigosdapresidentedilma.blogspot.com/2010/11/roberto-freire-capanga-de-jose-serra.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+blogspot/yPsQ+(Os+Amigos+da+Presidente+Dilma)

Os desafios de uma potência ambiental



01/11/2010 -

O PARQUE EÓLICO de Osório, no Rio Grande do Sul, foi o primeiro do Brasil e responde por 20% do total de energia produzida por ventos no país. A energia eólica é a fonte que mais cresce no mundo. A capacidade instalada do mercado global cresceu, em média, 28% ao ano, na última década. No Brasil, após o leilão realizado no final de 2009, estamos próximos de uma geração de 1,8 GW.

Agostinho VieiraO GLOBO

oglobo.com.br/blogs/ecoverde

Existem pelo menos três boas razões para que o novo governo que toma posse em janeiro ponha o Brasil, de uma vez por todas, no caminho do desenvolvimento sustentável. A primeira delas é ética. Tem a ver com deixar de fazer as coisas de uma certa maneira para fazer da maneira certa.

Considerando a escala de tempo, somos apenas visitas num planeta que tem mais de 3,5 bilhões de anos. Portanto, já está mais do que na hora de parar de botar os pés em cima da mesa e sujar a casa.

O segundo argumento está relacionado com o instinto de sobrevivência que todos nós temos ou deveríamos ter. Se nada for feito, alertam nove em cada dez cientistas, podemos ser incluídos na triste lista dos animais ameaçados de extinção. A diferença é que os outros são irracionais. O terceiro motivo, menos nobre que o primeiro e menos assustador que o segundo, é porque, simplesmente, pode ser um ótimo negócio.

A expressão “potência ambiental tropical” foi criada pelo cientista Carlos Nobre, do INPE, inspirado no embaixador Rubens Ricupero, e mostra o tamanho da oportunidade que o Brasil tem pela frente nos próximos dez anos. Nobre vai além e diz que podemos ser o país “mais economicamente limpo do mundo”. A nossa matriz energética já tem 46% de fontes renováveis, mas não podemos nos acomodar com o binômio etanol e energia hídrica. Ele defende a criação de uma meta para que em 2020 o Brasil tenha 55% de energia limpa.

— A China tem 92% de energia fóssil (poluente), mas investe muito mais em alternativas do que o Brasil. Eles estão chegando a uma produção de 30 GW de energia eólica, o que é quase metade de toda a energia produzida por nós, que gira em torno de 75 GW. Enquanto isso, após o leilão de 2009, estamos próximos de produzir 1,8 GW de eólica.

Fábio Barbosa, presidente do Grupo Santander Brasil, acha que é preciso acabar com a ideia de que um país para ser sustentável precisa abrir mão do desenvolvimento econômico. Ele cita o exemplo da indústria da cana, e empresas como a Natura, que ganharam o mercado internacional levando a bandeira da sustentabilidade. Mas o executivo defende também a eficiência como parte fundamental nesse caminho em direção a uma potência ambiental.

— O Brasil hoje cria um boi por hectare, o que é um completo absurdo. Temos uma oportunidade enorme de ganho de produtividade na agricultura, nos transportes, na geração de energia. Sem derrubar florestas, mas aproveitando melhor o solo, a água e o sol abundante que temos.

Mas na opinião de Carlos Nobre, o grande potencial brasileiro está na indústria da biodiversidade, que a Ministra do Meio Ambiente, Isabella Teixeira, chamou de o novo pré-sal. O cientista acha que o potencial é maior do que o pré-sal e não considera exageradas as estimativas que falam em US$ 4 trilhões.

— Uma potência tem que ser capaz de criar soluções inovadoras. Um país grande é um país industrializado. Portanto, precisamos criar indústrias de biodiversidade em todas as regiões e não só no Sudeste. Hoje usamos apenas 0,1% do potencial que a biodiversidade tem no Brasil. Existem mercados na indústria química, farmacêutica etc. Precisamos aproveitá-los, mas com um modelo socialmente justo e ambientalmente sustentável.

350

Cientistas acreditam que 350 partes por milhão (ppm) seria o limite seguro de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Hoje já estamos na casa de 400 ppm e subindo. Com uma concentração de 500 ppm, as chances de que a temperatura média mundial suba mais de 2 graus são de 95%.

Recuo dos EUA

A vitória dos republicanos na eleição americana da semana passada representou muito mais que uma derrota do democrata Barack Obama. Analistas acreditam que ela marca o fim da Agenda Verde do presidente.

Ou, no mínimo, um grande recuo no combate ao aquecimento global. Um levantamento do Centre for American Progress mostra que metade dos mais de 100 novos congressistas republicanos sequer acredita em mudanças climáticas. Já 86% são contrários a qualquer lei que imponha taxas ou limites para indústrias poluidoras. Na Cop 15, Obama prometera cortar 17% das emissões dos EUA.

Praias certificadas

A ISO (International Organization for Standardization), mais tradicional certificadora do mundo, está discutindo a criação de uma norma ISO para as praias. Os critérios para essa certificação ainda não estão definidos, mas é certo que ela vai considerar balneabilidade, qualidade da areia, sinalização, infraestrutura e a preservação da biodiversidade. Atualmente, a única certificação de praias é a Bandeira Azul. A praia de Jurerê Internacional, em Florianópolis, é a única que tem esse título na América do Sul. O ISO Praias deve ser lançado antes do verão de 2012.

E-mail para esta coluna: ecoverde@oglobo.com.br

siga a coluna: twitter.com/blogecoverde

Postado por Luis Favre
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Fonte:http://blogdofavre.ig.com.br/2010/11/os-desafios-de-uma-potencia-ambiental/

Quem gostava do Silvio era a Globo

A situação já esteve melhor para Globo, não é, Galvão ?

11/11/2010

Como se sabe, o Silvio fazia questão de dizer que estava muito feliz com o segundo lugar.

Silvio transformou uma concessão pública de televisão num instrumento de venda de seus produtos fora da televisão.

Clique aqui para ler “Política social do Lula quebrou o Silvio”.

Silvio não estava preocupado em tirar o lugar da Globo.

Ele não queria ser o primeiro.

Não era o modelo de negócio dele.

Por isso, Silvio nunca investiu muito dinheiro na televisão.

Silvio não se notabilizou por novelas, minisséries, esporte, e muito menos por jornalismo.

Dizem que Silvio tem pavor de jornalismo.

Ou seja, Silvio gostava de programas baratos, de auditório, como os dele, da Hebe e do Gugu.

Programas de custo reduzido, controlável e com muita mão-de-obra avulsa.

Isso não dava uma rede de televisão que pudesse enfrentar a hegemonia da Globo.

No Governo Figueiredo, quando a Tupi quebrou, Roberto Marinho foi tão esperto que conseguiu escolher até os concorrentes.

E o Governo Figueiredo dividiu a Tupi em duas:

Uma, a Manchete, quebrou.

A outra, o SBT, vai ter que trocar de mãos.

Roberto Marinho pretendia interromper o movimento da Terra em torno do Sol.

Manter o Regime Militar e o Silvio no segundo lugar.

Aí, apareceu a Record, que quer ser a primeira.

Aí, apareceu o Lula, que reduziu de 90% no Governo FHC para 50% a participação da Globo na publicidade oficial.

Aí, veio a Dilma, que, se não fizer a Ley de Medios, a Globo derruba ela.

Agora, o Silvio sofreu esse baque irremediável.

Como diria o Cala Boca Galvão, quando a Holanda empatou:

A situação já esteve melhor para a Globo.


Paulo Henrique Amorim
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/pig/2010/11/11/quem-gostava-do-silvio-era-a-globo/

Economias emergidas

11.11.10

Brasileiros, considerem-se no futuro. Diziam-lhes antes serem o eterno país do futuro, sem nunca lá chegar. Eis, enfim, a inserção do Brasil no futuro. O presidente Lula conseguiu, dentre outras inúmeras coisas, pôr o povo brasileiro em um lugar merecido no cenário internacional. O Brasil não é mais considerado “emergente”, pode-se concluir já como emergido. Muitas tarefas ainda por fazer, sem dúvida. Lula e sua equipe nunca negaram isto. Os anos de desmandos e falta de rumo cobram seu preço. Milhões viviam à margem do mercado, sem oportunidades de entrada, apenas saídas. Entravam e deixavam este mundo sem rastro. Todo este atraso precisou de um freio e, empós, uma guinada rumo ao desenvolvimento e evolução social. Enfim, na espera do fim de seu mandato, o operário conseguiu: o Brasil é um dos timoneiros do atual cenário internacional, junto aos seus demais parceiros no BRIC, que por sua vez capitaneia o G-20.

Parabéns Presidente Lula!

Leia em(aperte em “translate” para ler a tradução do artigo):

Emerged Economies – By Otaviano Canuto and Marcelo Giugale | Foreign Policy


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Fonte:http://blogdadilma.blog.br/2010/11/economias-emergidas.html

Críticas são de quem 'não se conforma com sucesso do Enem', diz Lula

08 de novembro de 2010
Presidente desembarca em Moçambique e mostra irritação com perguntas sobre exame

Tânia Monteiro, enviada especial à Moçambique

Irritado com as críticas ao Enem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou ontem à noite (8), ao desembarcar em Maputo, Moçambique, que não está preocupado com as denúncias sobre os novos problemas com a aplicação da prova.

Na avaliação do presidente, que conversou no Alvorada, domingo à noite, com o ministro Fernando Haddad (Educação, os erros “não afetam” o exame. Ele considerou “um sucesso”, o Enem. "Tem muita gente que quer que afete porque até hoje tem gente que não se conforma com o Enem, mas, de qualquer forma, ele provou que é extraordinariamente bem sucedido", disse o presidente da República. Ele garantiu que o exame continuará a ser aplicado.

Lula disse que a Polícia Federal está investigando a atuação do jornalista de Pernambuco que, nas palavras do presidente, "tentou demonstrar que havia uma fraude ou uma fragilidade do sistema". Para o presidente,"não vai ser um ou outro caso que vai impedir o sucesso do Enem". Na opinião dele, o jornalista "não agiu com seriedade". Questionado sobre erros que também ocorreram em relação à redação e à
qualificação técnica das perguntas, o presidente desdenhou: "Mas nada que tenha causado nenhum problema no resultado nem na prova. Nada".

O presidente contou que o ministro Fernando Haddad pediu para não embarcar para Moçambique com ele, para que pudesse "conversar muito com o MEC”. Encerrando a conversa, Lula afirmou: “O Enem foi um sucesso extraordinário, já que foram mais de 3 milhões de jovens que participaram da prova. O dado concreto é que na conversa que eu tive com o ministro Haddad ontem (anteontem), o sucesso do Enem foi total e absoluto".
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Fonte:Estadão

Maria Inês Nassif: A resistência à mobilidade social

11 de novembro de 2010

Voto do nordestino vale o mesmo que o do paulista

Maria Inês Nassif, no Valor Econômico

O Brasil elegeu, por dois mandatos, um ex-metalúrgico como presidente da República. Agora elege uma mulher. Ambos de centro-esquerda. Para quem assistiu de fora a eleição de Dilma Rousseff e os dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pode parecer que o país avança celeremente para uma civilizada socialdemocracia e busca com ardor o Estado de bem-estar social. Para quem assistiu de dentro, todavia, é impossível deixar de registrar a feroz resistência conservadora à ascensão de uma imensa massa de miseráveis à cidadania.

Ocorre hoje um grande descompasso entre classes em movimento e as que mantêm o status quo; e, em consequência de uma realidade anterior, onde a concentração de renda pessoal se refletia em forte concentração da renda federativa, há também um descompasso entre regiões em movimento, tiradas da miséria junto com a massa de beneficiados pelo Bolsa Família ou por outros programas sociais com efeito de distribuição de renda, e outras que pretendem manter a hegemonia. A redução da desigualdade tem trazido à tona os piores preconceitos das classes médias tradicionais e das elites do país não apenas em relação às pessoas que ascendem da mais baixa escala da pirâmide social, mas preconceitos que transbordam para as regiões que, tradicionalmente miseráveis, hoje crescem a taxas chinesas.

A onda de preconceito contra os nordestinos, por exemplo, é semelhante ao preconceito em estado puro jogado pelos setores tradicionais no presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na própria eleita, Dilma Rousseff, durante a campanha eleitoral. É a expressão do temor de que os “de baixo”, embora ainda em condições inferiores às das classes tradicionais, possam ameaçar uma estabilidade que não apenas é econômica, mas que no imaginário social é também de poder e status.

Há resistências à mobilidade social e regional

São Paulo foi a expressão mais acabada da polarização eleitoral entre pobres de um lado, e classe média e ricos de outro. Os primeiros aderiram a Dilma; os últimos, mesmo uma parcela de classe média paulista que foi PT na origem, reforçaram José Serra (PSDB). A partir de agora, pode também polarizar a mudança política que fatalmente será descortinada, à medida que avança o processo de distribuição regional de renda e de aumento do poder aquisitivo das classes mais pobres. A hegemonia política paulista está em questão desde as eleições de 2006 – e Lula foi poupado do desgaste de ter origem política em São Paulo porque era também destinatário do preconceito de ter nascido no Nordeste; e, principalmente, porque foi o responsável pela desconcentração regional de renda.

Com a expansão do eleitorado petista no Norte e no Nordeste do país, houve uma natural perda de força dos petistas paulistas, diante do PT nacional. Do ponto de vista regional, o voto está procedendo a mudanças na formação histórica do PT, em que São Paulo era o centro do poder político do partido. Isso não apenas pelo que ganha no Nordeste, mas pelo que não ganha em São Paulo: o partido estadual tem dificuldade de romper o bloqueio tucano e também de atrair de novos quadros, que possam vencer a resistência do eleitorado paulista ao petismo.

No caso do PSDB, todavia, a quebra da hegemonia paulista será mais complicada. Os tucanos continuam fortes no Estado, têm representação expressiva na bancada federal e há cinco eleições vencem a disputa pelo governo do Estado. No resto no do país, têm perdido espaço. Parte do PSDB concorda com o diagnóstico de que a excessiva paulistização do partido, se consolida seu poder no Estado mais rico da Federação, tem sido um dos responsáveis pelo seu encolhimento no resto do Brasil. Mas é difícil colocar essa disputa interna no nível da racionalidade, até porque o partido nacional não pode abrir mão do trunfo de estar estabelecido em território paulista; e, de outro lado, o partido de Serra tem uma grande dificuldade de debate interno – como disse o governador Alberto Goldman em entrevista ao Valor, é um partido com cabeça e sem corpo, isto é, tem mais caciques do que base. Não há experiência anterior de agregação de todos os setores do partido para discutir uma “refundação” e diretrizes que permitam sair do enclave paulista. Não há experiência de debate programático. E aí o presidente Fernando Henrique Cardoso tem toda razão: o PSDB assumiu substância ideológica apenas ao longo de seu governo. É essa a história do PSDB. A política de abertura do país à globalização, a privatização de estatais e a redução do Estado foram princípios que se incorporaram ao partido conforme foram sendo assumidos como políticas de Estado pelo governo tucano.

Todos os partidos, sem exceção, estão diante de um quadro de profundas mudanças no país e terão que se adaptar a isso. Fora a mobilidade social e regional que ocorreu no período, houve nas últimas décadas um grande avanço de escolaridade. A isso, os programas de transferência de renda agregaram consciência de direitos de cidadania. O país é outro. Não se ganha mais eleição com preconceito – até porque o voto do alvo do preconceito tem o mesmo valor que o voto da velha elite. Se os grandes partidos não se assumirem ideologicamente, outros, menores, tomarão o seu espaço.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/maria-ines-nassif-a-resistencia-a-mobilidade-social.html

Eliane convoca o terceiro turno


A Eliane ressuscitou Dom Sebastião

11.11.10

O Vasco deve ser um dos últimos assinantes da Folha (*).

E telefona assustadíssimo.

- O que foi que aconteceu, Vasco ?

- Uma tragédia, meu filho !

- O Serra voltou ?

- Não, pior do que isso. Vamos ter um terceiro turno.

- Mas, isso não está previsto na Lei…

- Não importa, a Eliane convocou o terceiro turno.

- Que Eliane ?

- A Eliane dos caças suecos. Clique aquipara ler na página 2 da Folha (*).

- E como é que ela convocou esse terceiro turno ?

- Convocou, não. O terceiro turno já está em curso.

- Já está em andamento ?

- Sim ! A Dra Cureau, o Gilmar e o Marco Aurélio já mandaram descarregar as urnas.

- Mas, por que ?

- A Eliane deu três motivos indiscutíveis para a convocação imediata do terceiro turno. Primeiro, o desastre do ENEM. Segundo, o Silvio Santos combinou com o Lula para inventar a crise da bolinha de papel. E, terceiro, há uma rachadura em Itaipu que, como temiam os argentinos, já inundou a Casa Rosada – diz o Vasco.

- Mas, quanta tragédia !

- E tudo isso o Lula escondeu do Serra, segundo a Eliane. Foi uma trapaça.

- Trapaça é uma palavra muito forte, Vasco.

- É o que justifica o terceiro turno, meu filho. Como D. Sebastião, o Serra voltará para nos salvar – profetizou o Vasco, o último assinante da Folha (*).


Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/politica/2010/11/11/eliane-convoca-o-terceiro-turno/

Lula diz que países ricos podem aprender com as medidas adotadas pelo Brasil

10/11/2010

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na noite de terça-feira (9) que os países ricos podem aprender com as medidas adotadas pelo Brasil para sair da crise financeira global.

"Como os países ricos habitualmente tentavam dar lições ao Brasil de como a gente fazer, seria importante que, humildemente, agora eles fossem aprender o que nós fazemos para que eles pudessem fazer políticas iguais", disse Lula após participar de jantar oferecido pelo presidente de Moçambique, Armando Guebuza, em Maputo.

Lula afirmou que, quando ocorriam crises econômicas no Brasi e em outros países pobres ou em desenvolvimento, sempre havia alguém do mundo desenvolvido para "dar palpite". Segundo o presidente, no entanto, com a crise econômica iniciada em 2008 nos países riscos "ninguém deu palpite".

"Eu estou dando o palpite. Façam como se fez no Brasil que a coisa fica mais fácil", defendeu o presidente, segundo o site da Presidência da República. Lula disse que a solução da crise financeira passa pelo aumento do comércio entre os países e pela elevação do consumo e da produção.

Ele voltou a criticar China e Estados Unidos por estarem com suas moedas desvalorizadas, o que aumenta a competitividade desses países. "É preciso que o câmbio seja flutuante, mas que haja um equilíbrio entre as políticas cambiais". disse.

Obama

Lula também respondeu declaração do presidente norte-americano, Barack Obama, de que "o que é bom para os Estados Unidos é bom para o mundo".

Segundo Lula, a lógica faz sentido, já que "o que é ruim para os Estados Unidos é ruim para todo o mundo". O presidente não gostou da frase e disse que seria mais soberano se Obama justificasse as medidas de seu governo dizendo que são boas apenas para os americanos.

"A verdade é que o que é bom para os Estados Unidos, é bom para os Estados Unidos e o que é bom para o Brasil, é bom para o Brasil. Se a gente entender assim, melhor, mais claro, e mais soberano [será] o comportamento de cada país", declarou.

Segundo o presidente brasileiro, erros cometidos pelos EUA "podem causar transtornos em vários países."

Com agências
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Fonte:http://www.pt.org.br/portalpt/noticias/internacional-1/lula-diz-que-paises-ricos-podem-aprender-com-as-medidas-adotadas-pelo-brasil-29261.html

Brasil sobe 4 posições na ciência

11.11.10

Ranking mundial revela país em 13º lugar; patentes ainda são poucas

Catarina Alencastro – O GLOBO

BRASÍLIA. O Brasil é o 13º maior produtor de ciência do mundo, segundo o Relatório Unesco sobre Ciência 2010, divulgado ontem.

Em oito anos o país subiu quatro posições no ranking de países que mais publicam artigos científicos, passando de 10.521 artigos publicados em 2000 para 26.482 em 2008. O documento elogia a evolução da pesquisa no país, mas aponta também problemas como o baixo número de patentes e a fuga de cérebros: pesquisadores que só encontram no exterior boas oportunidades de emprego.

— As possibilidades de carreiras profissionais para pesquisadores dentro do Brasil são limitadas, o que leva os melhores a aceitarem ofertas fora do país — afirma Vincent Defourny, representante da Unesco no Brasil.

O relatório aponta que o país investe 1,1% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou de cumprir a promessa feita em 2003 de aumentar os recursos para o setor, chegando a 2% até o fim de seu primeiro mandato.

Ainda assim, o investimento proporcional ao PIB que o Brasil faz supera o de seus vizinhos da América do Sul, mas está aquém da média aplicada por países desenvolvidos e por outros emergentes, como a China, que repassa 1,4% de seu PIB para pesquisa e desenvolvimento, e caminha para ter o maior número de pesquisadores do globo.

Em 2008, o Brasil investiu R$ 32,8 bilhões no setor, mais do que a Espanha e a Itália. O montante representa um aumento de 28% em oito anos, mas os recursos estão concentrados em São Paulo, Rio e Minas Gerais. Segundo a Unesco, o governo deve adotar políticas para diminuir as disparidades entre as regiões.

— Nos tornaremos potência em Ciência e Tecnologia quando fazer ciência na Amazônia for tão habitual quanto fazê-lo em Campinas ou Rio — avalia Hernan Chaimovich, um dos autores do relatório.

Setor privado investe pouco em tecnologia

Além disso, a participação do setor privado nos investimentos tecnológicos ainda é tímida. Parte do governo mais da metade (55%) do dinheiro para o setor, característica comum entre os países em desenvolvimento, segundo a Unesco.

— Nos últimos três anos as empresas perderam 10% dos pesquisadores. É um dado preocupante — afirmou Defourny.

No Brasil, 57% dos pesquisadores estão nas universidades, e somente 6% em institutos de pesquisa. O relatório é publicado a cada cinco anos, e esta foi a primeira vez que a Unesco dedicou ao Brasil um capítulo inteiro. Para Defourny, o país “começa a existir” no mapa mundial da Ciência e Tecnologia.

O relatório destaca ainda o fato de as pesquisas terem progredido mais lentamente do que a economia. Em 2009, o Brasil só registrou 103 patentes, enquanto a Índia teve reconhecidas 679, e a Rússia, 196.

Para a Unesco, um dos principais problemas que o país tem de resolver, se quiser ser referência em inovação, é a qualidade da educação. Embora o número de doutores formados venha aumentando, o ritmo diminuiu bastante nos últimos anos. E apenas 16% dos jovens de 18 a 24 anos estavam matriculados no ensino superior em 2008, segundo o documento.
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Fonte:http://blogdofavre.ig.com.br/2010/11/brasil-sobe-4-posicoes-na-ciencia/

Encontro com presidente coreano

11.11.10

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Fonte:http://www.youtube.com/watch?v=jXCEV7K2F6M

Anistia Internacional quer processo contra Bush por autorização de tortura

11/11/2010

Os Estados Unidos devem processar o ex-presidente George W. Bush por tortura caso a admissão em sua autobiografia de que autorizou o uso de técnicas de afogamento seja comprovada, defendeu nesta quarta-feira (10) a organização Anistia Internacional.

No livro "Decision Points", publicado nesta semana nos Estados Unidos, Bush afirma em uma passagem de que autorizou o uso de tortura contra prisioneiros em Guantânamo, ao ser questionado por uma das autoridades de seu governo.

Bush disse que a tortura foi imposta contra três prisioneiros. O ex-presidente alega que a tortura teria "evitado ataques" e "salvado vidas". Em entrevista à rede de TV NBC para promover o livro, ele disse que seu assessor o aconselhou para "não cair no ato antitortura".

O diretor sênior da Anistia Internacional, Claudio Cordone, disse em comunicado: "Sob a lei internacional, qualquer um envolvido em tortura deve ser levado à Justiça, e isso não exclui o ex-presidente George W. Bush."

"Se sua admissão for substanciada, os EUA têm a obrigação de processá-lo", disse ele. "Na falta de uma investigação dos EUA, outros Estados devem atuar e realizar tal investigação por eles mesmos".
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Fonte:http://www.pt.org.br/portalpt/noticias/internacional-1/anistia-internacional-quer-processo-contra-bush-por-autorizacao-de-tortura-29401.html

Dilma: Crise gerada pelo dólar fraco causa um grave problema para o mundo

11/11/2010

A presidenta eleita Dilma Rousseff afirmou ontem (10) que a desvalorização do dólar causa um grave problema para o mundo inteiro. Como convidada da Cúpula do G20 (que reúne as maiores economias mundiais), ela disse que não terá direito a voz nas discussões, mas que pretende manter a mesma posição defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O governo brasileiro condena ações isoladas, que geram o protecionismo, como as que têm feito os Estados Unidos e a China, por acreditar que essas decisões podem causar desequilíbrio na economia mundial. Lula e as demais autoridades brasileiras querem que seja firmado um compromisso das nações do G20 em favor de ações globais e não individuais para preservação do equilíbrio econômico mundial.

Para Dilma, a adoção de medidas como a anunciada recentemente pelos Estados Unidos, de comprar US$ 600 bilhões do Tesouro para estimular a economia interna – gerando empregos e impulsionando o consumo, por exemplo - representa protecionismo. “Acho que gera um protecionismo camuflado, como forma de se proteger”, disse ela depois de um rápido passeio por Seul.

“Acho que é grave para o mundo inteiro a política do dólar fraco. Essa é uma questão que sempre causou problemas. A política do dólar fraco faz com que o ajuste americano fique na conta das outras economias”.

Convidada da reunião

À pergunta se pretende tratar do tema durante as reuniões em Seul, Dilma respondeu que está como “convidada” do G20 e não participante. Segundo ela, o papel de representar o Brasil é do presidente Lula e no caso do fórum dos ministros de Estado, do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

“Eu não tenho voz aqui ainda [no G20]. Não vou falar. É um fórum entre países, então a representação é do presidente Lula. Mas é muito provável que acompanhe toda a agenda [do presidente Lula], pois já tive alguns encontros bilaterais”, disse.

De acordo com a presidente eleita, a ideia sugerida ontem pelo ministro Guido Mantega de adotar outras moedas, além do dólar, nas transações comerciais e como reserva, depende não só do desejo, mas de uma conjuntura mais complexa.

“Não é uma questão de vontade, se fosse uma questão de vontade já teria sido feita. Pode ser uma questão de acordo, como foi em Bretton Woods, lá isso já foi colocado. Acho que essa é uma das posições, há várias na mesa. Acho que vai ser uma questão de negociação”, disse Dilma.

Trem de alta velocidade

A presidenta eleita afirmou ainda que conversou sobre a tecnologia do trem de alta velocidade com o ministro dos Transportes da Coreia do Sul, Jong-Hwan Chung, e que os coreanos têm interesse em investir no Brasil.

“Os coreanos têm todo interesse em participar [de licitações no Brasil]. [Ouvi sobre] as obras que estão fazendo, da capacidade deles de construção de aeroportos e do interesse em participar [de obras] no Brasil. E serão muito bem-vindos”, disse ela.

Agência Brasil
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Fonte:http://www.pt.org.br/portalpt/noticias/economia-5/dilma:-crise-gerada-pelo-dolar-fraco-causa-um-grave-problema-para-o-mundo-29381.html

Apóie o Ato de hoje contra o racismo em SP

11.11.10

Movimento São Paulo para todos

Na noite de 31 de outubro de 2010, após a confirmação da vitória da presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, redes sociais na internet foram tomadas por mensagens racistas que imputavam tal vitória ao povo nordestino. Nessas mensagens, pregaram até o assassinato de nordestinos por paulistas.

Como se não bastasse a exorbitância, corre, também na internet, um manifesto pregando segregação – e até expulsão – de migrantes – sobretudo nordestinos – em São Paulo. Tal manifesto cresce paulatinamente. Em uma semana, ganhou quase 100 adeptos. Já soma quase 1600 “assinaturas” virtuais.

O racismo resiste em São Paulo talvez como em nenhuma outra parte do Brasil. Ainda que seja um movimento minoritário, estatisticamente irrelevante, tem potencial para crescer. Diante disso, sob iniciativa da sociedade civil e do poder público, que tentam erradicar a praga racista, foi elaborado um ato de desagravo aos nordestinos a realizar-se hoje na capital paulista.

O Ato de desagravo ao povo nordestino terá lugar nesta quinta-feira, 11 de novembro de 2010, a partir das 17 horas, na Câmara Municipal de São Paulo, no Plenário da Casa Legislativa Municipal.

Foram convidados:

1 – Presidentes das Assembléias Legislativas de todos os Estados do Norte e do Nordeste.

2 – Toda a grande imprensa de todas as unidades federativas.

3 – O secretáriode Diretos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR), Paulo Vannuchi.

4 – Secretários de Direitos Humanos do Estado e do Município de São Paulo

5 – Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo – TJ-SP

6 – Procurador Geral de Justiça do Ministério Público de São Paulo – MP-SP

7 – Procurador Regional de Justiça do Ministério Público Federal em São Paulo – MPF-SP

8 – Representantes de associações de nordestinos, negros e índios

9 – Presidentes da CUT e da Força Sindical

10 – Presidente da Fiesp, Paulo Skaf

11 – Representantes de Movimentos de Direitos Humanos

12 – Todos os deputados estaduais e vereadores de São Paulo

13 – Presidente do Conselho Federal da OAB

14 – Presidente da Seccional São Paulo da OAB

Juntos, reafirmaremos que São Paulo é para todos e que não se admitirá proliferação de idéias de cunho fascista em relação a quaisquer grupos sociais, pois a difusão dessas idéias são ilegais, inconstitucionais e geradoras de eventuais processos penais contra os que as difundirem.

Será pedida investigação célere e profunda daqueles que desencadearam movimentos racistas em São Paulo e garantia do apoio do povo e das autoridades de São Paulo aos migrantes de qualquer parte deste país.

Não deixe de afirmar seu apoio a esta iniciativa, de divulgá-la e, se possível, de comparecer ao ato de hoje. Cada apoio de cada cidadão brasileiro é precioso. Sobretudo em um momento em que o manifesto racista na internet já caminha para o segundo milhar de adesões.
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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2010/11/apoie-o-ato-de-hoje-contra-o-racismo-em-sp/

MAPUTO – MOÇAMBIQUE: Em discurso Lula cita o empenho e a fidelidade do Senador Crivella

11.11.10
Autor: Sandra de Andrade

Discurso do presidente Lula em jantar oferecido pelo governo de Moçambique
Maputo, Moçambique, 9 de novembro de 2010


Meu caro companheiro e amigo Armando Guebuza, presidente da República de Moçambique,
Meu caro companheiro Aires Ali, primeiro-ministro de Moçambique,
Meu querido companheiro ex-presidente de Moçambique, companheiro Chissano,
Meu caro Oldemiro Marques Balói, ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, por intermédio de quem cumprimento todos os ministros moçambicanos aqui presentes,
Senhora presidente da Assembleia, Verónica Macamo.

Embaixador Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do Brasil, por intermédio de quem cumprimento todos os ministros que vieram comigo nesta delegação,
Meu caro companheiro Cid Gomes, governador do estado do Ceará, reeleito para governar por mais quatro anos o estado do Ceará. Ceará, estado em que na cidade de Redenção vai receber a Unilab, a Universidade Afro-Brasileira.

Meu querido companheiro senador Marcelo Crivella, companheiro que no Senado tem trabalhado muito para ajudar a fortalecer a integração África-Brasil,
Senhoras e senhores;

Amigos e amigas da imprensa de Moçambique e da imprensa brasileira,
É com imenso prazer que retorno a Moçambique. Não há como um brasileiro não se sentir em casa nesta terra, berço de parte importante da nossa nacionalidade. Este é um dos países que mais visitei na África. Aqui estive em minha primeira viagem ao continente como chefe de Estado. Aqui faço minha despedida, depois de oito anos de mandato.

Também tive o privilégio de receber três visitas de presidentes moçambicanos em Brasília. Esses encontros refletem o extraordinário desenvolvimento dos laços que nos unem.

Moçambique é hoje o maior parceiro da cooperação brasileira na África. São mais de 30 iniciativas em curso nas áreas de saúde, educação, formação profissional, esporte e ciência e tecnologia. Essas iniciativas simbolizam o perfil estratégico que temos dado às relações do Brasil com a África.

Com o início das atividades da fábrica de antirretrovirais, vamos contribuir para combater pandemias e salvar vidas. Estamos transferindo conhecimento e tecnologia que vão permitir a Moçambique formular uma política industrial farmacêutica, além de impulsionar as políticas públicas de combate à Aids. Moçambique poderá produzir remédios para outras regiões da África e tornar-se centro de capacitação e treinamento para o todo o continente africano.

A implantação de polos da Universidade Aberta do Brasil em Moçambique é outra iniciativa de grande alcance social, pois permitirá aos mais pobres o acesso à educação superior. A Universidade Aberta terá efeito multiplicador. Fomentará a educação de qualidade em todos os níveis, pois seu foco prioritário é a capacitação de professores da educação básica.

Outro campo em que já dispomos de parceria exemplar com o continente africano é a agricultura. Em colaboração com o Japão, vamos desenvolver, já a partir de 2011, uma iniciativa de grande impacto social e econômico: o Pró-Savana. Essa cooperação procura reproduzir, no Norte de Moçambique, o sucesso do Programa de Desenvolvimento do Cerrado, que transformou a região central do Brasil – antes, área improdutiva – num dos principais celeiros da agricultura brasileira.

Com a maior aproximação de ministérios e agências especializadas dos dois países, bem como a crescente interação entre a Eletrobras e a EDM, poderemos avançar nossa cooperação no setor elétrico.

O empresariado brasileiro compartilha do nosso entusiasmo e otimismo quanto às possibilidades de Moçambique. Além da participação da Vale no projeto de extração de carvão em Moatize, outras empresas brasileiras presentes em Moçambique contribuem para o desenvolvimento da infraestrutura do país. A Camargo Corrêa participa no projeto hidrelétrico de “Phanda-Ankua”, e a Odebrecht atua nas obras no Porto da Beira.

As linhas de crédito oferecidas pelo Brasil darão renovado impulso ao comércio e aos investimentos bilaterais. Dos US$ 300 milhões que acordamos como financiamento brasileiro a projetos de infraestrutura moçambicanos, os primeiros US$ 80 milhões já estão liberados para as obras do aeroporto de Nacala.
Mais investimento significa mais exportações, mais empregos, mais saúde e mais educação para nossos povos e nossas regiões. Significa também mais tecnologia de ponta.
Podemos avançar em direção a um padrão de TV digital comum, que colocará a América do Sul e a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral na vanguarda do acesso democrático à informação.

Meu caro companheiro Guebuza,

Moçambique e Brasil são dois países convencidos da necessidade de construir uma ordem internacional mais justa e equânime. A reforma das instituições globais não pode ignorar a crescente importância da África e da América do Sul. Nossas economias estão entre as mais dinâmicas do mundo e entre as que primeiro retomaram o crescimento após a crise financeira.

Na caminhada de Moçambique rumo à reconstrução nacional, seu melhor aliado será uma governança global democrática e equilibrada.

É preciso que o Banco Mundial e o Fundo Monetário abandonem, de uma vez por todas, seus dogmas obsoletos e condicionalidades absurdas. O desenvolvimento da América [África], da Ásia e da América Latina contribui para o crescimento global e para a diminuição do desequilíbrio entre ricos e pobres. Mas é preciso que as economias dos países ricos também retomem seu crescimento.

A experiência de décadas passadas – inclusive a brasileira – demonstra que ajustes recessivos acarretam recessão, desemprego e mais desigualdades sociais. A instabilidade cambial e as desvalorizações competitivas de moedas só alimentam o círculo vicioso da ação unilateral e estimulam o protecionismo em todo o mundo. É fundamental que os mecanismos de governança econômica global garantam a retomada do crescimento mundial forte e sustentável.

Essas são as mensagens que o Brasil levará à Cúpula do G-20 de Seul, nos próximos dias.
Caro amigo Guebuza.

Como nos diz o escritor moçambicano, Mia Couto – diz ele: “os lugares não se encontram, constroem-se”. Essas palavras devem inspirar nossas ações. Tenho certeza de que não pode haver paz e desenvolvimento no mundo se a comunidade internacional não se voltar para o continente africano.
O dinamismo da economia e o compromisso com a democracia e a melhoria da qualidade de vida da população são outros traços marcantes deste grande país em ascensão.

Nos últimos meses, missões bilaterais se reuniram aqui em Moçambique e no Brasil com o objetivo de encontrar alternativas de cooperação recíproca que tornassem possível ao BNDES financiar a construção de obras prioritárias para o desenvolvimento de Moçambique.

Hoje, tenho a grande satisfação de poder comunicar ao meu amigo presidente Guebuza que a diretoria do BNDES acaba de aprovar o financiamento para exportações de bens e serviços brasileiros, no valor de US$ 80 milhões, destinados à construção do Aeroporto de Nacala.

Felicito a todos os envolvidos no esforço de viabilizar esse projeto do Aeroporto de Nacala, que dá início, assim, a uma nova etapa das relações Brasil-Moçambique.
Meu caro companheiro Guebuza,

Meus companheiros ministros de Moçambique,
Companheiros ministros brasileiros,

Falta só uma página do meu discurso, mas eu me sinto na obrigação de dizer algumas palavras de improviso ao meu amigo Guebuza e aos meus amigos de Moçambique.
Eu estou terminando um mandato de oito anos. Oito anos, Guebuza, parece muito para quem está na oposição à espera de uma eleição, mas é quase nada, é quase nada para quem está no governo. Eu nem vi passar os oito anos. Eu até me assustei quando disseram que ia ter eleições, de tão rápido que passou o meu mandato.

Certamente, isso acontece quando as coisas vão bem, quando o presidente é bem avaliado, quando o resultado das políticas públicas reproduz no seio e na alma de cada ser humano daquele país resultados concretos, e permite que eles vejam melhoria na qualidade de vida do seu povo. Se o governo vai mal, oito anos é um sacrifício, o presidente não dorme, não come, não fala com a imprensa, não anda na rua, e sequer faz comício.

Ele se tranca numa redoma de vidro, cheia de assessores, porque todos nós, presidentes, construímos em torno de nós um entourage, que quando está bom são eles que fazem, quando está ruim eles apenas nos comunicam que está ruim e nós temos que resolver.

Mas, de qualquer forma, nós estamos chegando ao final de um mandato numa situação altamente privilegiada. Primeiro, a relação do Brasil com a África. Eu sinto muito orgulho de ter sido no meu mandato – o presidente da República e também os meus ministros que, mais de dois séculos e mais… desde a Proclamação da República – o governo que mais atuou no continente africano. São 12 viagens à África, quase 30 países visitados, alguns três vezes, como Moçambique.

E faço isso, faço isso por interesse do Estado brasileiro. Faço isso para contrariar aqueles que, durante décadas e séculos, tentaram vender às gerações que os antecederam [sucederam], que o Brasil, por ser um país colonizado, era um país que não tinha direitos, era um país que tinha que estar sempre subordinado à orientação e às decisões das chamadas economias ricas da Europa e dos Estados Unidos.

Eu aprendi, desde muito pequeno, que ninguém respeita um ser humano que não se respeita, e muito menos alguém respeita um Estado que não se respeita. Nenhum país, nenhum país é grande pela sua capacidade tecnológica apenas, nenhum país é grande apenas pela sua população, nenhum país é grande apenas pelo seu PIB, nenhum país é grande apenas pela sua força armamentista. Nós somos maiores ou menores de acordo com o nível de consciência política que nós temos e de acordo com a autoestima e a visão de soberania do país que nós queremos construir.

Foi com essa visão que nós viemos ao continente africano pagar uma dívida que não pode ser paga financeiramente, pagar uma dívida que não pode ser mensurada do ponto de vista do valor monetário, mas pagar uma dívida que só pode ser paga com demonstrações de solidariedade, de compreensão e de política de compartilhamento das coisas boas que sejamos capazes de produzir.

O Brasil não tem dinheiro, mas o Brasil tem conhecimento que pode partilhar com o continente africano e que pode partilhar com Moçambique, seja do ponto de vista da política industrial, seja do ponto de vista da política agrícola, seja do ponto de vista da política industrial na área de alimentos, seja do ponto de vista da interligação científica e tecnológica, o Brasil tem muito para contribuir.

Acontece, meu caro Guebuza, que durante muito tempo nós fomos governados por gente que tinha a cabeça manipulada pela ideia de que nós éramos seres inferiores e que, portanto, nós deveríamos obedecer a quem tinha mais dinheiro, a quem tinha mais tecnologia, a quem tinha nos colonizado. Esse tempo acabou.

E hoje, é com muito orgulho, que eu termino a minha visita ao continente africano, porque esta será a última visita que eu faço ao continente africano enquanto presidente da República, aqui na nossa querida Maputo, no nosso querido país chamado Moçambique, país a que o Brasil deve muito da sua formação política, cultural e, por que não dizer, da cor e do jeito de ser de 185 milhões de brasileiros.

Nós temos muito, nós temos muito para fazer, porque também é verdade, Guebuza, que muitas vezes países africanos acharam que a solução dos seus problemas estava em aderir imediatamente à política dos nossos colonizadores. “Ah, como seria importante que Moçambique tivesse uma relação mais próxima com os Estados Unidos, que têm muito dinheiro e, portanto, viria o dinheiro de que Moçambique precisa. Ah, como seria bom se Moçambique tivesse muito mais proximidade com os países europeus, que têm muito dinheiro, e, portanto, virá para cá mais ajuda e tecnologia”.

Não é verdade, não é verdade porque nenhum país vai ajudar o outro a se desenvolver, se o país que necessita de desenvolvimento não tomar a iniciativa de dizer o que quer, como quer e para o que quer.
Quando nós viemos aqui instituir a Universidade Aberta, que eu tive o prazer de inaugurar os três primeiros polos hoje, os nossos educadores brasileiros tiveram como primeira missão, não vir aqui em Moçambique e dizer como é que no Brasil está dando certo a Universidade Aberta, mas viemos aqui, humildemente, perguntar aos educadores de Moçambique o que eles queriam e como queriam que nós pudéssemos ajudá-los a terem aqui o que nós temos no Brasil com 600 polos da Universidade Aberta.

A Universidade Aberta, meu querido Guebuza, chegará, em 2012, com 7.900 mil alunos aqui em Moçambique. Junto com a Universidade Aberta nós estaremos inaugurando, na cidade de Redenção, no estado do Ceará, em 2011 ou 2012, a Universidade Afro-Brasileira, onde nós queremos pelo menos 5 mil alunos africanos e 5 mil alunos brasileiros aprendendo aquilo que nós precisamos aprender para ajudar a desenvolver.

Eu disse hoje aos estudantes na aula magna – que eu nem sabia que ia dar aula magna –, eu disse aos estudantes que nós precisamos discutir com muito carinho como levar esses estudantes africanos dos países de língua portuguesa ao Brasil, e não, e não facilitar apenas o estudo deles, e não criar as condições para que eles, chegando ao Brasil, não queiram mais voltar para Moçambique. Se isso acontecer, será um fracasso do nosso projeto de ajudar a África a se desenvolver. É preciso que nós levemos esses jovens ao Brasil, mas, ao mesmo tempo, façamos com que eles não percam de vista que o curso que estamos fazendo, que o investimento que estamos fazendo só tem razão de ser se esse menino e essa menina puderem aprender o que tiverem que aprender e voltarem para a sua pátria para ajudarem essa pátria a se desenvolver, aplicar aqui os ensinamentos aproveitados nas nossas universidades. Aí, sim, nós estaremos criando quadros, criando gestores, criando os engenheiros, criando os médicos, criando os engenheiros agrícolas para, definitivamente, fazer com que o continente africano, e, dentro do continente africano, Moçambique, não jogue fora o século XXI como nós jogamos fora as oportunidades do século XX.

Como seria maravilhoso se depois da conquista da independência em Moçambique não houvesse a necessidade de uma guerra civil que, muitas vezes, foi mais sangrenta do que a luta pela independência. Como seria maravilhoso se depois da conquista da independência não tivesse havido a guerra civil em Angola. Como seria maravilhoso se os seres humanos compreendessem que só existe uma possibilidade de a gente se desenvolver, crescer e melhorar a vida das pessoas: é com democracia e com paz. Fora disso, nós gastaremos a nossa energia e a nossa inteligência para construir coisas que só destroem, e não construir coisas que signifiquem a melhoria do futuro de Moçambique.

Este país é um país maravilhoso. Eu não sei, ele já foi chamado de Princesa do Índico, de Rainha do Índico, ou seja, todos os adjetivos elogiosos possíveis Portugal fez a Moçambique quando aqui ele governava. Nós, agora, precisamos dizer o mesmo, com Moçambique livre e independente.

As empresas brasileiras, meu caro Guebuza, estão aqui, muitos empresários de empresas importantes, e não estão aqui apenas para aproveitar o potencial mineral de Moçambique. Eles sabem que, na filosofia do nosso governo, eles não podem ser empresários predadores, que queiram vir aqui apenas para tirar riqueza. Eles têm que vir aqui, sobretudo para ajudar a construir a riqueza que o povo de Moçambique precisa para se desenvolver e se transformar em uma nação forte economicamente e justa socialmente.

Por isso, meu querido companheiro Guebuza, quando viajar amanhã para Seul para discutir com o G-20 a crise econômica mundial, eu saio daqui com a convicção de que apenas estamos começando o nosso trabalho com o continente africano, de que a nossa futura presidenta da República, a companheira Dilma Rousseff, pode ter certeza disso, ela tem os mesmos compromissos que eu tenho com a África porque ela participou, junto comigo, da elaboração de muitas das políticas que nós fizemos na África. Portanto, estejam certos de que a política do Brasil para o continente africano e para Moçambique irá continuar e irá se fortalecer.

Os empresários brasileiros, os empresários brasileiros aprenderam, como dizia o nosso amigo Roger Agnelli ao Celso Amorim, em um desses encontros aí: “Eles sabem que eles não podem procurar minério na Quinta Avenida e, muito menos, petróleo na Torre Eiffel”. Eles têm que vir para o continente africano se quiserem discutir agricultura, se quiserem discutir a questão da produção de alimentos e se quiserem discutir desenvolvimento e exploração de minério. Não apenas explorar para levar, porque sabe o companheiro Roger, também, que é preciso que a gente possa construir fábricas aqui para que a gente possa gerar empregos aqui, para que eles possam exportar valor agregado também e atender as suas necessidades.

É com essa visão, meu querido companheiro Guebuza, meu querido companheiro de Moçambique, que eu, amanhã, deixo Moçambique, com a convicção de que nós fizemos muito, mas fizemos pouco diante daquilo que ainda precisa ser feito. Nós estamos apenas começando. Durante séculos nem vocês olhavam para nós, nem nós olhávamos para vocês. Durante séculos vocês olhavam para a Europa e nós olhávamos para a Europa. Vocês olhavam para os Estados Unidos e nós, para os Estados Unidos. Agora nós aprendemos.

Nós vamos continuar olhando para eles, mas nós precisamos olhar um pouco para nós. Nós precisamos saber o que nós temos a oferecer para nós mesmos. Nós não podemos abandonar quem tem similaridade, quem está próximo, do ponto de vista cultural, do ponto de vista político, do ponto de vista das raízes, e ficar procurando no diferente a solução para os problemas que juntos nós poderemos resolver.

É com essa convicção, meu querido companheiro Guebuza, meus companheiros moçambicanos, que eu faço – talvez amanhã tenha um pouquinho mais –, mas eu faço a minha despedida do continente africano, neste meu mandato de presidente da República, pedindo a todos os companheiros que possam levantar as suas taças em um brinde ao povo de Moçambique, ao presidente Guebuza, ao seu governo e, eu diria, a todo o continente africano.
Muito obrigado.

Agência Fiocruz
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Fonte:http://blogdadilma.blog.br/2010/11/maputo-mocambique-em-discurso-lula-o-empenho-e-a-fidelidade-do-senador-crivella.html