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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A revolução russa e a imprensa brasileira

SEGUNDA-FEIRA, 8 DE NOVEMBRO DE 2010

Na comemoração do aniversário da revolução russa, reproduzo artigo enviado pelo historiador Augusto Buonicore:

As notícias da queda do tzarismo na Rússia foram recebidas com festa no Brasil. Nas comemorações que se seguiram, congraçaram-se burgueses e proletários, liberal-conservadores e anarquistas. Tal qual o fevereiro de 1848 na França, o fevereiro russo de 1917 foi a "revolução bela, a revolução da simpatia universal".

Nos dois casos o povo havia se unido à burguesia para derrubar uma monarquia indesejável. Alguns meses depois a concórdia universal foi quebrada com a radicalização da luta de classes e a explosão de rebeliões operárias. No caso francês os operários foram derrotados "e a rebelião afogada em sangue"; no russo, a luta de classes terminou com a vitória dos operários sobre os seus oponentes, burgueses e latifundiários.

No Brasil, entre fevereiro e outubro de 1917, os primeiros sinais das graves desavenças futuras podiam ser observados nas interpretações dadas em relação aos fatos e principais personagens da revolução ainda em curso. Kerenski, o chefe social-revolucionário de direita que participou desde o primeiro governo provisório, pouco a pouco, foi se tornando o ídolo dos nossos republicanos burgueses. Estes o chamavam de Danton russo e herói da Nova Rússia democrática.

A burguesia e os setores oligárquicos nada entenderam dos reais motivos que levaram àquele grande movimento revolucionário. Chegaram mesmo a afirmar que se tratava de uma rebelião contra as vacilações do tzarismo em relação a continuidade de sua participação na guerra imperialista. Ela teria sido a afirmação do espírito patriótico do povo russo, interessado em levar a guerra até o final sem nenhum acordo com a Alemanha. Assim, segundo eles, a queda do Tzar havia liberado energias para que o país continuasse no conflito mundial ao lado dos seus aliados da Entente, capitaneada pela Inglaterra, França e Estados Unidos.

O liberal-conservador Rui Barbosa emprestou seu prestígio a essa tese infundada. Num discurso afirmou: "O Kaiser tem colaboradores no seio da nobreza russa, da dinastia russa, do exército russo. Generais, ministros, príncipes, trabalham envolvidos nessa teia, pela paz em separado e pelo abandono da aliança (com a Entente). A ação militar claudica, atravessam-se as operações, desastres inexplicáveis anulam o poder gigantesco das massas moscovitas (...) Até que um dia a sensibilidade nacional, advertida pelos rumores subterrâneos da traição, acorda a súbitos, uma força imprevista ergue da gleba o titão esmagado, o trono imperial desaparece e as prisões do Estado se fecham sobre os administradores, os magnatas, os generais amigos dos inimigos". Ele, como toda a imprensa burguesa e oligárquica apenas tagarelava o que era reproduzido pelas agências noticiosas estrangeiras.

O Evening Standart, por exemplo, estampou: "Essa revolução não foi nem anti-dinástica, nem anti-aristocrática. Foi puramente anti-alemã". O italiano Corriere della Sera por sua vez disse: "Os aliados, portanto, só tem a se alegrar com esse golpe desferido contra a Alemanha, o mais forte depois de Marne". Na mesma linha ia O Clarion do social-democrata inglês Hyndman: "A despeito das intrigas alemãs, não houve nenhuma tentativa de contra-revolução. A despeito de ofertas financeiras (...) nenhuma greve eclodiu nas fábricas de munição (...) os soldados não estão, como esperavam os inimigos da Rússia, amotinados contra seus oficiais. Os tolstoianos (entendidos com pacifistas) fracassaram completamente em sua tentativa de levar a Revolução a uma capitulação sem resistência ao inimigo".

Num primeiro momento, homens como Rui Barbosa e Hyndman pareciam estar certos, pois o governo provisório dirigido pela burguesia liberal - e com participação minoritária dos socialistas reformistas - manteve todos os compromissos militares assumidos pelo tzarismo. Mas isto estava longe de representar os verdadeiros interesses das massas populares que haviam posto abaixo a dinastia dos Romanov. Os trabalhadores queriam que a Rússia saísse o quanto antes daquela guerra desastrosa. Uma das principais palavras de ordem dos revoltosos de fevereiro era, justamente, Paz! Os porta-vozes da guerra imperialista desconheciam - ou fingiam desconhecer - este fato.

Em abril, poucas semanas após a eclosão da revolução, uma nota do ministro de relações exteriores, afirmando o desejo governamental de manter a Rússia na guerra, levou a realização de grandes mobilizações populares. O resultado da crise de abril foi a renúncia do ministro e a constituição de um governo composto por uma maioria socialista reformista, dirigido pelo próprio Kerenski. Ele, apesar da crise, continuou conduzindo uma guerra cada dia mais impopular.

Em julho o governo provisório resolveu realizar uma grande ofensiva militar, buscando insuflar o espírito patriótico e calar a oposição bolchevique. O tiro saiu pela culatra e os exércitos russos sofreram uma fragorosa derrota. Logo em seguida ocorreram grandes manifestações de rua e choques armados com as forças governistas. Os operários foram derrotados e se iniciou um breve período de recuo da revolução. Os líderes bolcheviques se exilaram ou foram presos.

Lênin, um agente alemão?

O nome de Lênin começou a aparecer na imprensa mundial - e brasileira - apenas depois da divulgação de suas Teses de Abril. Nelas ele conclamava o não-apoio ao governo provisório e defendia que o todo poder fosse entregue aos sovietes, um embrião do poder operário e popular formado na revolução de fevereiro. O Partido Bolchevique, chefiado por Lênin, era o principal defensor da idéia de que a Rússia deveria se retirar imediatamente da guerra. Tal proposta irritava profundamente os governos e as classes dominantes dos países aliados, entre os quais se incluía o Brasil.

Em maio de 1917 já se podia se ler nos jornais brasileiros matérias como essas: "Em certos pontos trabalhadores dirigidos por agentes alemães, quiseram fazer demonstrações contra a guerra, os demais operários protestaram, travando-se conflitos de certa importância que exigiram a intervenção da polícia (...) O correspondente de um jornal norueguês (...) anunciou também que foi assassinado em Petrogrado, ontem de manhã, o socialista Lênin, apontado como agente alemão". (A Noite, 02/05/1017).

Alguns dias depois o mesmo jornal reafirmaria a morte de Lênin "durante uma rusga entre operários e soldados". Possivelmente os jornais se referissem, de maneira distorcida, às grandes manifestações de massas contra o ministro de relações exteriores e à manutenção da guerra. A imprensa invertia os fatos.

Depois dos acontecimentos de julho, um jornal brasileiro dava esta interessante descrição do líder dos bolcheviques: "Dizem (...) que o verdadeiro nome de Lênin é Leão Ulianov e que ele pode ser considerado como chefe da espionagem alemã na Rússia, tendo gasto nos últimos meses vários milhões de rubros" (O combate, – 25/07/1917).

Os bolcheviques eram chamados pela imprensa brasileira e latino-americana, inclusive anarquista, de maximalistas. Alguns diziam que era porque defendiam o programa máximo, outros porque era maioria (bolchevique) no Partido Social-Democrata. Existiam ainda aqueles que, mal informados, acreditavam que o termo se devia ao fato de serem discípulos do famoso escritor russo Maximo Gorki.

Jornais importantes, como o Correio da Manhã, não se furtavam de publicar coisas hilariantes como essa: "O célebre agitador Lênin faleceu em 1916 na Suíça e o falso Lênin que ultimamente tem agitado a Rússia não é outro senão um certo Zaberlun, antigo amigo de Lênin". Era comum referência a Lênin como sendo judeu - uma clara tentativa de relacionar a revolução russa com um suposto complô judaico internacional para conquistar o mundo.

Em primeiro de outubro o jornal Época anunciou solenemente que Lênin finalmente havia sido preso pelo governo provisório. O mesmo artigo chamava o partido bolchevique de “partido anarquista. Sobre Lênin também podia se ler: "Seu modo de vestir é dos mais descuidados (...) o que não impede de por, desde a revolução, diamantes nos botões de punho das camisas".

A imprensa liberal lastimou profundamente a vitória dos bolcheviques, mas foi obrigada a anunciá-la. Nos primeiros dias que se seguiram a queda do governo provisório, as notícias começaram novamente a serem distorcidas. No dia 11 de novembro o jornal A noite anunciava prazeroso: "Os cossacos, ajudados pelos minimalistas, estão prestes a dominarem os leninistas, com os quais têm travado batalhas nas ruas da capital".

No dia seguinte afirmava o mesmo jornal: "Kerenski, à frente de 200 mil homens dedicados e apoiados pela grande maioria da população, como também pelo Exército e pelas organizações conservadoras, luta a estas horas contra os maximalistas nos arrabaldes de Petrogrado ou, talvez, dentro da própria capital russa. De Lênin e seus comparsas não há notícias, acreditando-se mesmo que já tenham procurado asilo em lugar seguro (...) Esperemos, com otimismo, o resultado da luta que se está travando, porque dela deve sair triunfante a boa causa que é a que defende Kerenski".

Um dos principais jornais brasileiros, O País, afirmou: "O governo chefiado pelo Sr. Lênin reconheceu-se incapaz de deter as forças consideráveis de Kerenski". O Imparcial, por sua vez, estampou: "Já não há dúvidas sobre a situação da Rússia: o sr. Kerenski dominará integralmente a desordem leninista". Continua ele: "Comunicações de fontes autorizadas aqui recebidas anunciam que o Sr. Kerenski, à frente de importantíssimas tropas, marcha sobre Petrogrado".

No dia 13 de novembro, A Noite deu detalhes dos combates: "O Sr. Kerenski sai uma vez mais triunfante dos seus inimigos. Nos arrabaldes e dentro da própria capital (...) travou-se uma batalha que terminou (...) com a derrota dos maximalistas. Estes já reconhecem, aliás, a sua perdição e procuram agora chegar a um acordo, que Kerenski repele integralmente, declarando que maximalistas depuseram as armas, dominando a cidade um outro comitê, formado pelo ex-presidente da Duma".

O jornal anunciaria exultante que Kerenki havia entrado em Petrogrado e Lênin tinha sido preso. "É preciso que esta aventura seja exemplarmente castigada para que os comparsas de Lênin ou outros agitadores anarquistas, a serviço da Alemanha, não tenham vontade de repeti-la", pregava. Esses devaneios tomavam conta de toda imprensa oligárquico-burguesa.

Em março de 1919, referindo-se as revoluções russa e alemã que ainda se desencadeava, declarou Rui Barbosa: "Uma comoção tal, por mais horrenda que haja sido a guerra, vem a ser ainda cem vezes mais sinistra. Porque não é a fraternidade: é a inversão do ódio entre as classes. Não é o reconhecimento dos homens: é a sua exterminação mútua. Não arvora a bandeira do evangelho: bane Deus da alma e das reivindicações do povo. Não dá trégua à ordem. Não conhece a liberdade cristã. Dissolveria a sociedade. Extinguiria a religião. Desumanizaria a humanidade. Inverteria, subverteria a obra do Criador".

Naquele mesmo momento, a Rússia revolucionária estava resistindo bravamente aos ataques das potências imperialistas e dos exércitos brancos (contra-revolucionários). Estes seriam derrotados definitivamente em 1921.

Mesmo depois de consolidado o poder soviético, a imprensa liberal continuou a caluniar a Rússia levantando contra ela todo tipo de acusações. Quando da grande fome que se abateu sobre aquele país no início da década de 1920 - fruto da seca e da guerra civil imposta pelas potências capitalistas - um jornal escreveu: "Ali os famintos desenterravam cadáveres para comer. Os adultos, famintos, invejavam as crianças alimentadas pela American Relief Administration, provocando casos freqüentes de canibalismo. Ainda, em Sâmara, a polícia fechou um restaurante que servia aos fregueses carne de crianças". Surgia assim a lenda, repetidas por décadas a fio, que os comunistas comiam criancinhas.

Lima Barreto e Astrojildo Pereira

No Brasil também existiam aqueles, que ao contrário do conservador Rui Barbosa, admiravam a revolução russa e a obra dos bolcheviques. Um deles era o grande escritor negro Lima Barreto. Em novembro de 1918, ainda preso a um leito hospitalar, escreveu: "O que os jornais disseram (...) sobre o maximalismo e anarquismo, fez-me lembrar como os romanos resumiam, nos primeiros séculos da nossa era, o cristianismo nascente. Os cristãos, afirmavam eles categoricamente, devoram crianças e adoram um jumento. Mais ou menos isto, julgavam os senhores do mundo de uma religião que iria dominar todo aquele mundo por eles conhecidos e mais uma parte muito maior cuja existência nem suspeitavam (...) A teimosia dos burgueses só fará adiar a convulsão que será então pior: e que eles se lembrem, quando mandam cavilosamente atribuir propósitos iníquos aos seus inimigos, pelos jornais irresponsáveis; lembrem-se que, se dominam até hoje a sociedade, é às custas de muito sangue da nobreza que escorreu na guilhotina, em 1793, na Praça da Grève, em Paris. Atirem a primeira pedra".

Entre nós, seriam os dirigentes do movimento operário que melhor entenderiam os acontecimentos russos daqueles anos turbulentos. O instinto de classe lhe dizia de qual lado deveria combater. Escolheram o lado dos conselhos de operários, soldados e camponeses contra o governo provisório de Kerenski.

Naquele momento destacou-se a atuação do jornalista e, então, líder anarquista Astrojildo Pereira. Ele assumiu decididamente a defesa da revolução russa, enviando uma série de artigos para os principais jornais cariocas, assinando com o pseudônimo de Alex Pavel. A grande parte deles, é claro, não foi publicada e possivelmente acabou indo para o cesto de lixo de algum editor. Um pouco mais tarde, em 1918, estes artigos foram organizados e publicados sob o título "A Revolução Russa e a Imprensa". Este livreto cumpriu um papel importante no esclarecimento do movimento operário brasileiro.

Logo no seu primeiro artigo escreveu: "Jamais se viu na imprensa do Rio tão comovedora unanimidade de vistas e de palavras, como, neste instante, a respeito da revolução russa. Infelizmente, tão comovedora quanto deplorável, essa unanimidade, toda afinada pelas mesmíssimas cordas da ignorância, da mentira e da calúnia. Saudada quando rebentou (...) a revolução russa é hoje objeto das maldições da nossa imprensa, que nela só vê fantasmas de espionagem alemã, bicho perigoso de não sei quantos milhões de cabeças e garras. Provavelmente os nossos jornais desejariam que se constituísse, na Rússia, sobre as ruínas do Império, uma flamante democracia de bacharéis e de negociantes, (...) como esta nossa, presidida pela sabedoria inconfundível do Sr. Venceslau".

O anarquista Astrojildo Pereira defendeu o comunista Lênin das acusações que lhe eram feitas pela imprensa mundial. "Lênin, disse ele, é um velho socialista militante de mais de 20 anos, e como tal, ferozmente perseguido pela autocracia moscovita, mas sempre o mesmo homem de caráter indomável e intransigente (...) Como pode, pois entrar nos cascos de alguém que um homem destes, precisamente quando vê seus caros ideais em marcha, a concretizar-se, numa soberba floração de energia vital, vá vender-se a um governo estrangeiro? Lênin se quisesse vender-se algum dia, bastava esboçar o mais leve sinal e o governo de São Petersburgo rechear-lhe-ia os bolsos fartamente, vencendo pelo dinheiro o inimigo implacável (...) Os cascos do mais espesso jumento repelirão, por demasia, tais sandices".

Em outra carta afirmou ele: "Os maximalistas que formam uma fração dos socialistas russos são, por sua natureza, especificamente inimigos de todos os governos monárquicos e plutocráticos, da Rússia e de fora da Rússia, portanto inimigos naturais dos governos de Berlim e de Viena (...) Ora, se isso é verdade (...) como conceber que os maximalistas sejam agentes alemães, agindo por influxo do marco prussiano, traidores da pátria e outras coisas não menos feias?". Alguns meses depois, comprovando estas opiniões, os “maximalistas” alemães ajudariam a derrubar os impérios, prussiano e autro-húngaro.

Astrojildo conseguiu, apesar das poucas informações que dispunha, descrever com precisão o que ocorria na longínqua Rússia em julho de 1917: "Os dois núcleos orientadores do movimento, a Duma e o Comitê de Operários e Soldados, este surgido da própria revolução, logo tomaram posições antagônicas, terminado o primeiro golpe demolidor. A Duma vinda do antigo regime, pode dizer-se representa, em maioria, a burguesia moderada e democrática, ao passo que o Comitê de Operários e Soldados, composto de operários, representa o proletariado avançado, democrata, socialista e anarquista. A Duma deu o governo provisório e o primeiro ministério; o Comitê de Operários e Soldados derrubou o primeiro ministério, influiu poderosamente na formação do segundo e tem anulado quase por completo, senão de todo, a ação da Duma (...) A qual das duas forças está destinada a preponderância na reorganização da vida russa? O que se pode afirmar com certeza é que essa preponderância tem cabido, até agora, ao proletariado. E como o proletariado, cuja capacidade política já anulou o papel da Duma burguesa, está também com as armas na mão, não encontrando, pois, resistência séria aos seus desígnios, não muito longe da certeza andará que prever a sua contínua preponderância, até completa absorção de todos os ramos da vida nacional, extinguindo-se, de tal modo, num prazo mais ou menos largo, a divisão do povo russo em castas diversas e inimigas. E inútil é insistir na influência que tais acontecimentos exercerão no resto do mundo, na obra de reconstrução dos povos, cujos alicerces estão sendo abalados pelo fragor inaudito dos grandes canhões destruidores".

Neste trecho magistral, ele demonstrou uma grande capacidade de análise política, – virtude que o conduziria a ser um dos principais responsáveis pela fundação do Partido Comunista do Brasil em março de 1922. Por esse motivo, o nome de Astrojildo Pereira estará sempre entrelaçado com o da Revolução Russa em nosso país.

Bibliografia

- Bandeira, Moniz e outros. "O Ano Vermelho", Ed. Civilização Brasileira, RJ, 1967.

- Buonicore, Augusto. "Astrojildo e a gênese do comunismo no Brasil", In Vermelho.

- Ferro, Marc. "O Ocidente diante da Revolução Soviética", ed. Brasiliense, SP, 1984.

- Koval, Boris. "A grande revolução de outubro e a América Latina", Ed. Alfa-Omega, SP, 1980.

- Oliveira, J. R. Guedes de. "Viva, Astrojildo Pereira", Fundação Astrojildo Pereira/Abaré, 2005.

- Pereira, Astrojildo. "A formação do PCB (1922/1928)". Ed Prelo, Lisboa, 1976.

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2010/11/revolucao-russa-e-imprensa-brasileira.html

Todo esse abjeto e asqueroso movimento fascistóide e discriminatório...

07.11.10

Do Blog da Cidadania,
Por DiFini,internauta, comentando sobre os ataques racistas contras os nordestinos.

Todo esse abjeto e asqueroso movimento fascistóide e discriminatório é mais uma obra do pífio e patético candidato DERROTADO à presidência. Com sua campanha eleitoral mentirosa, difamatória, enganadora e sustentada pelo que há de pior na política nacional, esse indivíduo, cujo nome me recuso até a pronunciar, mostrou definitivamente sua verdadeira face.

Trata-se de um reles pretendente a déspota, um politicozinho de meia tigela que, mesmo com o beneplácito de quase toda a mídia nacional, não teve sequer a competência necessária para elaborar uma campanha minimamente ética e dotada de conteúdo que fosse, pelo menos, digno de nota e respeitável.

Face a sua crônica inabilidade para apresentar algo digno de apreciação pelo eleitorado, esse indivíduo vil adotou como fundamento de campanha, entre outras coisas prófugas àquilo que realmente estava em jogo, o que há de mais baixo e retrógrado no íntimo das pessoas.

Eis aí o resultado: ele conseguiu despertar entre seus seguidores, emoções e sentimentos tão baixos e desprezíveis como ele mesmo; ímpetos racistas e discriminatórios que, desde sempre, estavam latentes no âmago da elite paulista e paulistana e que agora, despertos, precisam ser combatidos e sufocados a todo custo; sob pena de vermos crescer e tomar corpo um ideário dos mais imundos e desprezíveis que se possa adotar.

É lastimável que esse indivíduo tenha prestado mais esse desserviço a São Paulo; e acredito que isso, entre outros de seus comportamentos e atitudes, servirá para atirar seu nome definitivamente na fossa negra da história deste estado e do Brasil.
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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2010/11/movimento-sao-paulo-para-todos/

Movimento São Paulo para todos

07.11.10

Os casos de racismo na internet contra migrantes nordestinos no dia da eleição presidencial ganharam notoriedade mesmo com uma discretíssima cobertura na mídia e agora se encadeiam com outro caso da mesma natureza que também pode ser conhecido através da web.

Trata-se do impressionante movimento “São Paulo para os paulistas”, que conta com um manifesto na internet que, até a noite de domingo, obteve 1536 assinaturas virtuais. Na noite de sábado, eram 1516.

O texto começa com “denúncia” de “desrespeito” derivado de hábitos nordestinos que estariam sendo “impostos” aos paulistas, de “alta criminalidade” entre os migrantes, de “hospitais superlotados” que seriam resultado da “migração nordestina” para São Paulo.

O manifesto propõe “formas de encarar o problema da Migração”. E que formas são essas? Essa é a parte mais impressionante. São vários tópicos. Um mais chocante do que o outro. Ei o que o manifesto propõe, em linhas gerais:

1 – Que o acesso a serviços públicos como Saúde e Educação seja restrito a pessoas que comprovem residência e trabalho fixo no Estado de S Paulo há pelo menos dois anos.

2 – Que a cobrança de água, luz e IPTU nas favelas não seja feita mais através de taxas diferenciadas.

3 – Suspensão de distribuição de medicamentos gratuitos, de auxílio-aluguel, do programa mãe-paulistana, de quaisquer “bolsas por número de filhos”, de entrega de “casas populares”, de acesso ao “leve-leite”, de entrega de uniforme, material e transporte escolar, de cestas básicas.

4 – “Total proibição de camelôs e todo tipo de comércio ilegal, com apreensão e prisão em caso de reincindência”.

As “justificativas” desses dementes para essa insanidade são as de que “São Paulo deve cuidar dos SEUS pobres” e de que “ambulantes” têm o “total direito” de fazer “suas atividades”, mas só em suas “terras de origem”.

Se fosse só o caso daquela pobre coitada – digna de pena – daquela garota criada sabe-se lá como e seus amigos doentes que infestaram a internet com seu racismo na noite de 31 de outubro, não seria nada. Poder-se-ia atribuir tudo a um pequeno grupo de dementes. Mas não é o caso.

O tal manifesto fascista vem envolto em toda uma elaboração pseudo jurídica. Basta a sua mera leitura para constatar que o “documento” não foi redigido por jovens destrambelhados. Há menções a leis – absolutamente descabidas – e os autores tomam até alguns cuidados de se “diferenciarem” de grupos neonazistas e que tais.

Nesse contexto, os paulistas se vêem obrigados a dar uma resposta tanto às iniciativas desorganizadas quanto às organizadas de fazerem valer preconceitos criminosos, idéias condizentes com uma xenofobia e um racismo de inspiração legitimamente fascista.

Um movimento em sentido oposto que defenda uma São Paulo para todos cumpriria esse papel. E com a adesão de um bom número de pessoas ao post em que este blog fez essa proposta, agora só falta definir dia, hora, local e elaborar o manifesto anti-racista.

Sobre dia, hora e local o diretor jurídico do Movimento dos Sem Mídia, o doutor Antonio Donizeti, deu uma sugestão que me pareceu interessante e que submeto à apreciação dos leitores.

Eduardo,

parece que será feito um ato na próxima semana em protesto contra esse surto racista contra nordestinos, negros e índios na Câmara Municipal de São Paulo.

A princípio, será no Salão Nobre da Câmara, espaço nobre do Legislativo paulistano que comporta cerca de 500 pessoas. Deverá haver participação de entidades representativas de nordestinos, negros e índios também.

Todo esse pessoal que está disposto a participar do ato pode ir a esse evento da Câmara. Poderemos fazer faixas para colocar na rua em frente. Ficaria muito bacana, pois, além do apoio do povo paulista e paulistano ao ato de desagravo aos nordestinos, negros e índios, teriamos, também, a manifestação oficial do Poder Legislativo Municipal.

Uniria o povo e seus representantes no Legislativo ao ato de desagravo, daria repercussão na mídia e deixaria claro que a cidade e o Estado de São Paulo não têm nada a ver com essa minoria raivosa e irresponsável que praticou essas barbaridades preconceituosas contra nossos irmãos brasileiros.

A princípio, a idéia parece boa. Será nesta semana. Os motivos apresentados parecem válidos. Que cada um dê a sua opinião para que tentemos chegar a um consenso mínimo no menor tempo possível. O que está acontecendo é extremamente preocupante. Não podemos ficar impassíveis diante dessa barbaridade.

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Polícia investigará responsáveis por manifesto

contra nordestinos

Com quase 1.500 assinaturas, texto liga “criminalidade” a migração

FERNANDO GALLO
FOLHA DE SÃO PAULO

Além da estudante de direito Mayara Petruso, acusada pela OAB-PE de racismo contra nordestinos no Twitter, a polícia de São Paulo vai investigar de quem é a responsabilidade por um manifesto virtual intitulado “São Paulo para os paulistas”.

No texto apócrifo, que circula há meses na internet, há a reivindicação do “fim da repressão ao paulista sobre o tema da migração em sua própria terra”.

O manifesto foi assinado por quase 1.500 pessoas, que também podem vir a responder, como a aluna de direito, pelo crime de incitação ao racismo. O texto relaciona a “alta criminalidade” e os “hospitais superlotados” à migração nordestina.

“Migrantes pretensiosamente julgam-se os responsáveis pela construção de S. Paulo [...] Julgam-se coproprietários e não subordinados na terra alheia. Afirmam de forma usurpadora que São Paulo é de todos. E assim negam a soberania do paulista”, diz um dos trechos.

Contraditoriamente, o manifesto afirma não compactuar com “ideias ilegais, clandestinas, desumanas ou intolerantes”.

Alguns dos signatários do movimento fazem comentários similares aos dos autores. “Foi o Nordeste o berço da sociedade colonial patriarcal e São Paulo a região que tirou o Brasil do atraso. Isso ninguém reconhece”, diz uma das mensagens.

INCITAÇÃO

Se condenados por incitação ao racismo, os investigados poderiam pegar de dois a cinco anos de prisão.

De acordo com a delegada Margarette Barreto, a apuração de autoria de crimes é mais complicada no mundo virtual porque os usuários costumam apagar seus perfis nas redes sociais quando casos polêmicos ganham notoriedade.

“Vamos fazer um trabalho sério dentro das possibilidades de prova”, disse.

A delegada afirma que os usuários das redes sociais podem contribuir com a polícia encaminhando a impressão de imagens de frases de outros usuários que incitem o preconceito ou o crime.

Segundo ela, as investigações de crimes virtuais geralmente demoram até que os registros eletrônicos dos autores -anônimos, muitas vezes- sejam rastreados.

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Comentário do editor do Blog: de sexta-feira (quando foi feita a matéria acima) para cá, dezenas de pessoas aderiram a um manifesto que incrimina seus signatários. Só para dar uma idéia do nível de inconsciência de parcela não mensurada da população paulista.

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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2010/11/movimento-sao-paulo-para-todos/

Por trás das ofensas ao Nordeste, ataque ao voto

Domingo, 7 de novembro de 2010

Comunidades de relacionamentos - como o Twitter e outras redes sociais - e blogs de apoio a direita, mais do que a troca de e-mails, são os principais caminhos para o crime de racismo pela internet.

É a avaliação do Grupo Especial de Combate aos Crimes de Ódio e Pornografia Infantil na Internet (Gecop), setor da Polícia Federal que investiga fatos como a onda de mensagens contra o Nordeste divulgadas no Twitter no domingo passado. As mensagens, em protesto contra a eleição de Dilma Rousseff, levaram a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Pernambuco a entrar com uma notícia-crime no Ministério Público Federal contra a estudante de Direito Mayara Petruso, de São Paulo.

Delegado do Gecop, Marcelo Fernando Borsio diz que o grupo ainda não recebeu denúncias sobre as mensagens no Twitter. Ele afirma que o grupo apura hoje o caso de um blog também com mensagens contra nordestinos: - Os crimes de ódio, onde entram os de preconceito, geralmente ocorrem de forma concentrada, com manifestações em blogs e comunidades de relacionamento.

Não é como a pedofilia, por exemplo, que está diluída em trocas de e-mails e imagens.

Para o sociólogo Gláucio Soares, o episódio no Twitter demonstra um pensamento que coloca a origem na frente do mérito, e se ligaria à própria formação da sociedade brasileira - que, da mesma forma, coloca o indivíduo na frente do mérito quando alguém diz "sabe com quem está falando?": - Ao fazer isso, deslegitima o voto de quem é do Nordeste, como se existissem votos mais racionais e qualificados que outros - diz Soares, para quem as "discriminações regionais" são comuns em várias partes do mundo; no Brasil, porém, ainda não seriam percebidas como crime, como o racismo contra negros.

Autora do movimento "Dia do orgulho nordestino" no Facebook (que ocorreu ontem e até a noite de sexta-feira já tinha 4.700 adesões), a cientista social paulista Mira Caetano diz que decidiu criar o ato para tentar acalmar ânimos nas redes sociais.

- Eu me senti profundamente desrespeitada e preocupada com o pensamento de uma parcela da juventude brasileira, que se mostrou ignorante e preconceituosa - afirma Mira, que morou na Paraíba por quatro anos.

Para ela, a campanha, no segundo turno, acabou propiciando as cenas de "ódio regional": - Acabou abrindo espaço a um pensamento tão reacionário e conservador como o que foi expresso nas redes sociais.
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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2010/11/por-tras-das-ofensas-ao-nordeste-ataque.html

MEC vai esclarecer sobre metodologia do Enem à justiça cearense

08/11/2010

Em nota publicada há pouco, ministério afirma que igualdade de condições de disputa é garantida pelo método.

iG Brasília

O Ministério da Educação acaba de divulgar uma nota oficial sobre a decisão da justiça cearense de suspender o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A nota afirma que dados sobre a metodologia utilizada para a elaboração das provas serão repassados para os magistrados.

Confira a íntegra:

"Informado pela imprensa sobre o teor da decisão da juíza Carla de Almeida Miranda Maia, da 7ª Vara Federal do Ceará, que determinou a suspensão das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010, o Ministério da Educação esclarece que a preocupação da magistrada referente à igualdade de condições dos concorrentes está assegurada pela utilização da Teoria de Resposta ao Item (TRI).

Desde o Enem do ano passado, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) aplica a TRI, que permite a comparabilidade no tempo. Em 2009, por exemplo, foram aplicadas duas provas distintas em momentos distintos, em virtude de inundações em duas cidades do Espírito Santo e as provas nos presídios.

A consultoria jurídica do MEC/Inep, neste momento, ultima ações de esclarecimento à Justiça Federal do Ceará.


Com a TRI, o conjunto de modelos matemáticos usados no Enem permite que os exames tenham o mesmo grau de dificuldade. Testadas antes da prova, as questões ganham um peso que varia de acordo com o desempenho dos estudantes nos pré-testes — quanto mais alunos acertam uma determinada pergunta, menor o peso que ela terá na prova porque o grau de dificuldade é supostamente menor.

A aplicação da teoria da resposta ao item é frequente nas avaliações em testes de múltipla escolha aplicados em diversos países. No Brasil, a TRI é usada desde 1995 nas provas do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que mede o desempenho de estudantes do ensino fundamental e médio. Em 2009, foi usada pelo Enem com o objetivo de garantir a comparação das notas do exame daquele ano com os seguintes."

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Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/enem/mec+vai+esclarecer+sobre+metodologia+do+enem+a+justica+cearense/n1237822364533.html

Emir Sader: civilização ou barbárie

08/11/201
Por Emir Sader, na Carta Maior

Esse é o lema predominante no capitalismo contemporâneo. Universalizado a partir da Europa ocidental, o capitalismo desqualificou a todas outras civilizações como ‘bárbaras”. A ponto que, como denuncia em um livro fundamental, Orientalismo, Edward Said, o Ocidente forjou uma noção de Oriente, que amalgama tudo o que não é Ocidente: mundo árabe, japonês, chinês, indiano, africano, etc. etc. Fizeram Ocidente sinônimo de civilização e Oriente, o resto, idêntico a barbárie.

No cinema, na literatura, nos discursos, civilização é identificada com a civilização da Europa ocidental – a que se acrescentou a dos EUA posteriormente. Brancos, cristãos, anglo-saxões, protestantes – sinônimo de civilizados. Foram o eixo da colonização da periferia, a quem queriam trazer sua “civilização”. Foram colonizadores e imperialistas.

Os EUA se encarregaram de globalizar a visão racista do mundo, através de Hollywood. Os filmes de far west contavam como gesto de civilização as campanhas de extermínio das populações nativas nos EUA, em que o cow boy era chamado de “mocinho” e, automaticamente, os indígenas eram “bandidos, gestos que tiveram em John Wayne o “americano indômito”, na realidade a expressão do massacre das populações originárias.

Os filmes de guerra foram sempre contra outras etnias: asiáticos, árabes, negros, latinos. O país que protagonizou o mais massacre do século passado – a Alemanha nazista -, com o holocausto de judeus, comunistas, ciganos, foi sempre poupada pelos nortemamericanos, porque são iguais a eles – brancos, anglo-saxões, capitalistas, protestantes. O único grande filme sobre o nazismo foi feito pelo britânico Charles Chaplin – O grande ditador -, que teve que sair dos EUA antes mesmo do filme estrear, pelo clima insuportável que criaram contra ele.

Os países que supostamente encarnavam a “civilização” se engalfinharam nas duas guerras mundiais do século XX, pela repartição das colônias – do mundo bárbaro – entre si, em selvagens guerras interimperialistas.

Essa ideologia foi importada pela direita paulista, aquela que se expressou no “A questão social é questão de polícia”, do Washington Luis – como o FHC, carioca importado pela elite paulista -, derrubada pelo Getúlio e que passou a representar o anti-getulismo na politica brasileira. Tentaram retomar o poder em 1932 – como bem caracterizou o Lula, nada de revolução, um golpe, uma tentativa de contrarrevolução -, perderam e foram sucessivamente derrotados nas eleições de 1945, 1950, 1955. Quando ganharam, foi apelando para uma figura caricata de moralista, Jânio, que não durou meses na presidência.

Aí apelaram aos militares, para implantar sua civilização ao resto do país, a ferro e fogo. Foi o governo por excelência dessa elite. Paz sem povo – como o Serra prometia no campo: paz sem o MST.

Veio a redemocratização e essa direita se travestiu de neoliberal, de apologista da civilização do mercado, aquela em que, quem tem dinheiro tem acesso a bens, quem não tem, fica excluído. O reino do direito contra os direitos para todos.

Essa elite paulista nunca digeriu Getúlio, os direitos dos trabalhadores e seus sindicatos, se considerava a locomotiva do país, que arrastava vagões preguiçosos – como era a ideologia de 1932. Os trabalhadores nordestinos, expulsados dos seus estados pelo domínio dos latifundiários e dos coronéis, foi para construir a riqueza de São Paulo. Humilhados e ofendidos, aqueles “cabeças chatas” foram os heróis do progresso da industrialização paulista. Mas foram sempre discriminados, ridicularizados, excluídos, marginalizados.

Essa “raça” inferior a que aludiu Jorge Bornhausen, são os pobres, os negros, os nordestinos, os indígenas, como na Europa “civilizada” são os trabalhadores imigrantes. Massa que quando fica subordinada a eles, é explorada brutalmente, tornava invisível socialmente.

Mas quando se revela, elege e reelege seus lideres, se liberta dos coronéis, conquista direitos, com o avança da democratização – ai são diabolizadas, espezinhadas, tornadas culpadas pela derrota das elites brancas. Como agora, quando a candidatura da elite supostamente civilizada apelou para as explorações mais obscurantistas, para tentar recuperar o governo, que o povo tomou das suas mãos e entregou para lideres populares.

É que eles são a barbárie. São os que chegaram a estas terras jorrando sangue mediante a exploração das nossas riquezas, a escravidão e o extermínio das populações indígenas. Civilizados são os que governam para todos, que buscam convencer as pessoas com argumentos e propostas, que garantem os direitos de todos, que praticam a democracia. São os que estão construindo uma democracia com alma social – que o Brasil nunca tinha tido nas mãos desses supostos defensores da civilização.
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Fonte:http://www.escrevinhador.com.br/

O futuro do PSDB

8 de novembro de 2010
Do blog "Amigos da presidenta Dilma"
Por: Helena

Apesar da derrota, ou por causa dela, José Serra alimenta a pretensão de se tornar presidente do PSDB na convenção que o partido realiza entre maio e junho de 2011. Seria a maneira de se manter vivo no jogo, contra a ameaça de se tornar um retrato na parede.

Ocorre que, desta vez, Serra vai encontrar resistência bem maior à sua pretensão. Está disseminada a percepção de que o futuro da tucanolândia passa pela capacidade de entender e sinalizar desde já que Serra pertence ao seu passado. Ou seja, de que a fila agora andou.

Na presidência do partido, o ex-governador representaria uma espécie de terceiro turno contra Dilma Rousseff, em prejuízo da construção de um consenso partidário em torno do nome de Aécio Neves.

Não é à toa que o mineiro acaba de propor uma "refundação" do PSDB, a fim de "atualizar o programa" e "recuperar sua identidade partidária". Como diria Serra, essa história de refundação não passa de trololó. Quando Aécio fala em "atualizar" e "recuperar a identidade", nos dois casos quer dizer: Serra, até logo, chegou a minha vez.

O candidato de Aécio para presidir o PSDB hoje é Tasso Jereissati. Ele e Serra nunca se bicaram, todos sabem. Mas imagina-se que Tasso seja o nome capaz de fazer a ponte entre Aécio e Geraldo Alckmin, evitando que a relação entre os PSDBs de Minas e de São Paulo caminhe para um esgarçamento perigoso.

Aécio, neste momento, movimenta-se para disputar a presidência do Senado, num esforço claro para demonstrar que tem bom trânsito entre os partidos, inclusive os da base aliada de Dilma. Foi Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro e governador do Ceará, quem defendeu em público o nome do mineiro para o comando da Casa.

A Alckmin, no entanto, pode interessar uma aliança tática com Serra para evitar que Aécio se projete desde já no horizonte como líder incontestável do novo PSDB. Apostar nisso é o que resta a Serra, às voltas com a ruína.Fernando de Barros.
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Fonte:http://osamigosdapresidentedilma.blogspot.com/2010/11/o-futuro-do-psdb.html

Justiça suspende prova do Enem em todo o país

8 de novembro de 2010
Redação Carta Capital

Mais uma vez, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) vira dor de cabeça para o Ministério da Educação e para os milhões de estudantes que se submetem à prova. Em 2009, a aplicação do exame teve de ser adiada porque as questões vazaram da gráfica Plural pouco antes do teste. Neste ano, o problema apareceu apenas durante a prova. Com erros de impressão e bagunça na ordem do caderno de respostas, o Enem foi suspenso pela Justiça nesta segunda-feira 8. Os estudantes fizeram as provas ontem e no sábado.

A liminar que suspende o exame foi concedida por uma juíza da 7ª Vara Federal do Ceará. O pedido de liminar partiu do Ministério Público Federal. Joaquim José Soares Neto, presidente do Inep – órgão do MEC que organiza o Enem – havia declarado, mais cedo, que, apesar dos erros comprovados na impressão da prova, não cogitava a anulação.

A gráfica responsável por imprimir o Enem em 2010, a RR Donnelley, enviou uma carta ao Ministério da Educação assumindo a responsabilidade pelos problemas de impressão. “Durante a aplicação do primeiro dia do exame, identificamos, fazendo a leitura dos quatro itens de caderno de provas que contêm as mesmas questões em quatro ordens distintas de diagramação, que em um dos lotes de produção tivemos um problema de processo, resultando na impressão de 33 mil cadernos de provas amarelas com um defeito de ordenação”, declarou a direção da gráfica.
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Fonte:http://www.cartacapital.com.br/politica/confusao-no-enem-justica-suspende-a-prova-em-todo-o-pais

Mensalão do DEM donimou até promotores

Domingo, 7 de novembro de 2010

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) estuda pedir, na próxima segunda-feira, o afastamento Bandarra e Deborah do cargo de promotores. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o ex-procurador-geral de Justiça do Distrito Federal, Leonardo Bandarra,seria o chefe de um grupo criminoso. Ele e a promotora de Justiça Deborah Guerner usariam informações sigilosas em troca de propina.

Segundo reportagem do jornal DFTV da Rede Globo, exibida ontem, o principal beneficiário do esquema seria o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, que denunciou o suposto esquema de corrupção no governo Arruda.

De acordo com a denúncia, o grupo era formado por Bandarra, Deborah Guerner e o marido dela, o empresário Jorge Guerner, e a ex-assessora de Arruda, Cláudia Marques. Caso o esquema seja comprovado, eles poderão responder por formação de quadrilha, extorsão praticada por servidor publico e quebra do sigilo funcional.

Parte do conteúdo do relatório de investigação, divulgado pela reportagem do jornal DFTV, mostra que as reuniões do grupo ocorriam na residência do casal Guerner, no Lago Sul. Eles usavam meios para não serem descobertos pela Justiça.

Para não ser reconhecido, o ex-procurador-geral chegava de moto à casa dos Guerner de moto e só o retirava o capacete quando entrava na residência. De acordo com a denúncia, sempre que ia ao local desligava o celular e retirava a bateria, pois assim não seria possível rastrear o telefone. Todas as operações teriam sido registradas pelas câmeras de segurança da residência do casal. As imagens depois foram apreendidas pela polícia. Pelas imagens das denúncias, Leonardo Bandarra e Deborah Guerner eram tão cautelosos que só conversavam ao pé do ou-vido, um do outro, para que o som não ficasse registrado.

De acordo com a reportagem do DFTV, a denúncia do MP mostra que o alvo do grupo era o ex-secretário Durval Barbosa. Leonardo Bandarra teria prometido a Durval atrasar os vários processos que ele respondia na Justiça e não denunciá-lo. Em troca, ele pediria dinheiro.

Segundo a denúncia, Durval Barbosa soube com antecedência da operação de busca e apreensão que foi feita na casa dele pela Polícia Federal em junho de 2008. O ex-procurador e Débora Guerner cobraram R$ 1,6 milhão pela informação.

Sabendo da operação, Barbosa teve tempo de retirar documentos da investigação sobre o suposto esquema de corrupção. Durval teria conseguido o dinheiro com Arruda.

Acusações contra Bandarra e Debora Guerner surgiram com a Caixa de Pandora

O ex-procurador-geral de Justiça do DF, Leonardo Bandarra, e a promotora Deborah Guerner foram citados no Inquérito n° 650, conhecido como Operação Caixa de Pandora. Segundo o delator do suposto esquema de corrupção, o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, Bandarra estaria envolvido nas denúncias.

Também conhecido como mensalão do DEM, a operação da Polícia Federal foi aberta para investigar o suposto pagamento de propina para deputados distritais e integrantes do governo.

Ao prestar depoimentos ao Ministério Público Federal, Durval contou que pagou R$ 1,6 milhão para a promotora. Em troca, ele teria tido conhecimento com antecedência da Operação Megabyte, ocorrida em junho de 2008, em sua casa, e em outras empresas de informática. Barbosa declarou ainda que o ex-procurador receberia mesada do ex-governador Arruda.

Após as denúncias, o procurador regional da República Ronaldo Albo abriu procedimento criminal contra Deborah Guerner e ela teve sigilo telefônico quebrado. Em junho deste ano, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em prestadoras de serviço ao GDF e na casa da promotora, no Lago Sul.

O marido de Deborah, o empresário Jorge Guerner, também estaria envolvido no esquema. O Ministério Público analisou possíveis ligações entre empresas que prestam serviço ao GDF e os negócios Jorge.

Os promotores de Justiça Leonardo Bandarra e Deborah Guerner são investigados na Procuradoria Regional da República da 1a Região por prática de corrupção passiva e de vazamento de informações. O caso está na Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 1a Região. Caso sejam condenados, podem pegar penas de detenção.

Ambos respondem também a processo administrativo disciplinar no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Promotores avaliarão a conduta funcional e atuação no exercício da função de Bandarra e Deborah.

SAIBA +

No DF, o Ministério Público tem como chefe o procurador-geral de Justiça. Entretanto, o MPDFT não integra a estrutura orgânica do Distrito Federal. O MPDFT é um dos ramos do MPU, organizado e mantido pela União, por isso, o seu chefe é escolhido pelo presidente da República e não pelo governador do DF.

Testemunha-Chave

Cláudia Alves Marques foi também assessora especial do ex-governador Joaquim Roriz e depois mantida no cargo pelo ex-governador José Roberto Arruda. Em dezembro de 2009, ela prestou depoimento na Polícia Federal e confirmou todas as denúncias contra a promotora Deborah Guerner feitas pelo ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa.

Cláudia teria sido incluída no Programa de Proteção a Testemunhas para ajudar nas investigações ligadas a Bandarra.

Além de constar na denúncia do Ministério Público Federal como integrante do grupo supostamente chefiado pelo ex-procu-rador-geral Leonardo Bandarra, a ex-assessora teve o nome envolvido na Máfia dos Concursos Públicos, deflagrada em 2005.

Cláudia e outras pessoas teriam comprado gabaritos das provas do certame do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF), realizado em 2003.

Segundo a Polícia Federal, o ex-técnico judiciário Hélio Ortiz seria o chefe da máfia que fraudava e vendia gabaritos de provas de concursos. Na época, Hélio e outras pessoas foram denunciadas à Justiça Federal por estelionato, falsidade ideológica e fraude em licitações. Servidores que confessaram ter comprado o gabarito foram afastados.

No auge das denúncias, Cláudia Marques e outros funcionários que teriam pagado pelo exame chegarem a ser afastados do cargo e ter a prisão preventiva decretada.

A ex-assessoria de Arruda foi acusada de ter ingressado no Tribunal de Justiça do Distrito Federal por meio de séria transgressão penal. Em dezembro de 2005, o desembargador José Jeronymo Bezerra de Souza anulou, por meio de uma portaria, a nomeação de Cláudia para o cargo efetivo de analista judiciário.

Após a anulação, o tribunal determinou que Cláudia Marques devolvesse aos cofres públicos R$ 81 mil referentes à remuneração paga pelo exercício do cargo. Ela hoje mora no exterior.
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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2010/11/mensalao-do-dem-donimou-ate-promotores.html

Presidente Dilma – entrevista para o Jornal da Record

1ª entrevista da Presidente eleita Dilma Rousseff; para o Jornal da Record da Rede Record de Televisão, tendo como entrevistadoras: Ana Paula Padrão e Adriana Araújo.


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Fonte:http://blogdadilma.blog.br/2010/11/presidente-dilma-entrevista-para-o-jornal-da-record.html

Livro de Amaury Junior desnuda a relação de Dantas com Serra, revela a ligação entre os dois e mais a IRMÃ de Dantas, a FILHA do ex-governador e o pró

07.11.10
Helio Fernandes – Tribuna da Imprensa

Um grande amigo, escritor, memorialista, com enorme arquivo, e mais do que tudo, independente, revendo papéis, encontrou um correio eletrônico de Paulo Henrique Amorim. Dizia que recebera do jornalista Amaury Ribeiro Junior a introdução do livro que iria lançar, “Os Porões da Privataria”.

(Interrupção para atualização. Essa mensagem foi enviada no final de setembro, alguns dias antes da eleição. Amaury não lançou o livro, encontrou dificuldades (chamemos de impecilhos). A eleição passou, mas o próprio Amaury considerou importantíssimo publicar o livro, mesmo depois da eleição e da derrota de Serra);

Continuando. O livro incluiria muita coisa apurada e comprovada por Amaury, e como sairia antes do primeiro turno (sem saber se haveria o segundo), derrubaria anda mais o ex-governador de São Paulo. Derrubaria seus votos, a empáfia e a incompetência travestida de experiência.

Amaury é repórter glorificado, começou no Globo, se aprofundou na IstoÉ com uma série de reportagens sobre a PRIVATIZAÇÃO do Banestado, um dos grandes escândalos da época. “Os Porões da Privataria”, é um trabalho de 10 anos, mesmo saindo agora, depois da eleição, fará tremendo estrago, e deixará muita gente de sobreaviso, com o lembrete: “Não posso esquecer de comprar esse livro”. (Mostraremos aqui quando estiver para sair).

Não são documentos surgidos com espionagem, como crer fazer crer o PIG (Partido da Imprensa Golpista, royalties para Paulo Henrique Amorim), na sua feroz defesa de Serra. São documentos oficiais, recolhidos em minucioso trabalho.

Deus protege quem trabalha. Uma parte muito grande da documentação, Amaury Ribeiro Jr. obteve por ter sofrido um processo, digamos logo, que ganhou na Justiça. Ricardo Sérgio de Oliveira, a grande potência do Banco do Brasil, processou-o. Amaury ganhou a exceção da verdade, um processo onde estavam muitos documentos chegou ao seu conhecimento.
Esse processo foi mandado à Justiça pelo notável e extraordinário tucano Antero Paes e Barros e pelo relator da CPI do Banestado, o petista também merecedor de elogios, José Mentor.

Amaury mostra pela primeira vez a prova concreta de COMO, QUANDO, QUANTO e ONDE Ricardo Sérgio recebeu pela PRIVATIZAÇÃO.

Meus parabéns a Amaury Ribeiro Jr. pela coleção de documentos. Durante os 8 anos do RETROCESSO, da DOAÇÃO e da TRAIÇÃO de FHC (e de Serra), escrevi muito sobre o assunto e o ENRIQUECIMENTO dos membros dessa Comissão de DESESTATIZAÇÃO. Obtive documentos, mas apenas, digamos, 10 por cento do que Amaury obteve.

Nos últimos dois meses, muitos comentaristas deste blog me enviaram mensagens, pedindo que eu abordasse o assunto de “Os Porões da Privataria”. Assim, como homenagem a Amaury Junior e ao jornalismo de investigação, publico a seguir a introdução do livro dele, que circula na internet. Não sei quando sairá o livro (e acho que nem ele sabe). Mas vamos colocá-lo no AUGE antes mesmo da publicação. É preciso que todos os blogs da internet o divulguem.
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Fonte:http://blogdadilma.blog.br/2010/11/livro-de-amaury-junior-desnuda-a-relacao-de-dantas-com-serra-revela-a-ligacao-entre-os-dois-e-mais-a-irma-de-dantas-a-filha-do-ex-governador-e-o-proprio-genro-a-bomba-explodiu-no-seu-colo.html

Um debate necessário

07/11/2010
Por Mário Augusto Jakobskind

Terminada a eleição presidencial em que o povo optou por Dilma Rousseff, provocando um fenômeno cultural relevante, qual seja a escolha da primeira mulher Presidenta na história brasileira, antes de voltar à rotina é necessário refletir sobre o significado da vitória e o que nos espera daqui para frente.

Em essência. Dilma continuará a executar o projeto atual de governo, possivelmente com alguns ajustes ou correções de rota, como preferem alguns, visando à melhoria de qualidade de vida do povo brasileiro. A principal promessa, que deve ser cobrada, é retirar da miséria cerca de 30 milhões de brasileiros, bem como preservar para o povo o “bilhete premiado” do pré-sal avaliado em 30 trilhões de dólares ou mais.

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado, integrada por tucanos e democratas(?) aprovou parecer determinando a realização de eleição caso em dois anos de mandato o Presidente eleito deixe o governo por algum motivo. Nos dois anos restantes a eleição seria indireta. E o vice, para que serve então? Pois é, isso tem cara de golpismo parlamentar, já que golpes ao estilo clássico, como o de 64, estão descartados politicamente. Mas a natureza da proposta dos senadores derrotados em 3 e 31 de outubro é a mesma.

Os jornais e a oposição derrotada começaram a gritar contra o possível retorno do CPMF. Só que tanto os jornais como os parlamentares do DEM e PSDB estão omitindo um fato importante. Além de ser um imposto a ser destinado à área da saúde, em estado de calamidade, o CPMF serve também para controlar a movimentação financeira de muita gente que tem por hábito sonegar impostos e fazer lavagem de dinheiro.

Os assalariados e brasileiros que não sonegam e sabem que benefícios para qualquer área só podem ser colocados em prática através do pagamento de impostos, que geralmente os muitos ricos são os que mais protestam, aproveitando inclusive a ingenuidade de alguns bem intencionados, mas manipulados, não devem embarcar nessa canoa furada que esconde verdades. Se a CPMF ou outro imposto não foi bem aplicado é necessário fiscalização e cobrança. Mas de que adianta apenas resmungar que a área da saúde está calamitosa e não fazer nada?

A Presidenta terá muitos desafios pela frente, como, por exemplo, nas áreas de saúde e segurança. Um ponto que provavelmente vai dar muito pano para manga, que, aliás, já está, é a questão midiática.

Como hoje é consenso que a informação é um direito humano, torna-se absolutamente necessário colocar como tema de discussão prioritária a questão da mídia.
Nas últimas semanas, o setor conservador tem manipulado bastante a informação sobre o tema comunicação. Os barões da mídia têm misturado as bolas, como volta e meia assinalamos neste espaço democrático do Direto da Redação, ao utilizarem o conceito de liberdade de imprensa.

Estes senhores, que tentam evitar de todas as formas o debate com bases corretas de informações, confundem, possivelmente de forma deliberada, a liberdade de imprensa com liberdade de empresa. Eles estão preocupados com a ampliação do debate, que se for colocado em bases corretas os desmoralizará e poderá até afetar os lucros fáceis que conseguem.

Agora mesmo já podemos observar uma gritaria nervosa, utilizada inclusive na campanha eleitoral pelos apoiadores de José Serra, contra a formação de Conselhos Estaduais de Comunicação. É mentira dos barões e seus seguidores que isso resultará em restrições à liberdade de imprensa. Muito pelo contrário.

Como lembra o Juiz Federal em Mato Grosso, Fabio Henrique Fiorenza, a própria Constituição, em seu artigo 224, prevê a criação de um Conselho de Comunicação Social junto ao Congresso. Tal Conselho foi instituído em 2002 pela Lei 8.389/91, mas simplesmente não funcionou até hoje.

Agora, alguns Estados começam a propor a instalação do Conselho. E onde está a ilegalidade, a não ser na cabeça dos barões midiáticos e seus apoiadores incondicionais? Que história é essa de ilegalidade quando se quer a criação em âmbito estadual do que já existe em âmbito federal, mas está desativado?

O que se deseja com isso é exatamente o contrário do que dizem os defensores do status quo midiático que contempla algumas poucas famílias em um verdadeiro latifúndio do setor, ou seja, o aprofundamento da democracia no país com a participação de representantes da sociedade. Não está em questão o controle do conteúdo, como alegam os críticos à criação dos Conselhos Estaduais.

Vale mais uma vez apresentar um dos argumentos do Juiz Federal Fiorenza, a de que com os Conselhos Estaduais, a imprensa estaria inevitavelmente sujeita à crítica nos debates, pesquisas e conferências organizadas pelos conselhos. Então, por que se voltar de forma apoplética contra o Conselho, que poderá inclusive ampliar o espaço à cultura nacional e regional, de preferência a conteúdos educativos e culturais, por exemplo?
E tem mais: quem disse que abrir espaço nos Conselhos para que grupos representativos de diversos segmentos da sociedade e de variadas matizes ideológicos possam expor suas ideias é restringir a liberdade de imprensa?

Curioso, quando na ditadura autoridades censuravam diretamente os hoje muito ardorosos defensores da liberdade de imprensa eles acatavam passivamente as regras autoritárias do jogo, inclusive chegando até a instituir a autocensura, poucos foram os barões midiáticos que denunciavam as arbitrariedades.

É por aí que a banda toca. Ou seja, é absolutamente relevante aprofundar o debate da mídia no sentido exatamente do Brasil aprofundar a democracia. Não vale mentir ou manipular como fazem atualmente os barões detentores do controle da mídia.
O resto é conversa fiada de quem não quer perder privilégios acumulados de forma indevida e, aí sim, pouco democrática.

Enviado por Direto da Redação – Encaminhado ao Blog da Dilma pelo Marco Aurélio
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Fonte:http://blogdadilma.blog.br/2010/11/um-debate-necessario.html

As razões do medo

08.11.10

Por Mauro Santayana

É com amargura que somos obrigados a retomar o tema, mas o silêncio, nesse caso, é criminosa cumplicidade. Trata-se da estúpida e perigosa reação de jovens dos estados do Sul, sobretudo de São Paulo, contra os brasileiros do Nordeste, desta vez com relação aos resultados eleitorais. O racismo é abominável, ao não aceitar os seres humanos diferentes, mas é também incômodo ao revelar a profunda ignorância dos que o praticam. Todos os homens são iguais em sua essência, e a moderna biologia vai além: as diferenças entre os seres humanos e os demais mamíferos são insignificantes.

A vida é a aventura comum da matéria. Não conhecemos suas razões e provavelmente jamais as conheceremos. Os grandes aceleradores de partícula podem identificar o bóson de Higgs, em que, conforme a presunção de alguns físicos, Deus poderá ser encontrado. Mas, ainda que ali o encontrássemos, seria impossível com ele dialogar e conhecer as suas razões para criar o cosmo. Restará sempre a dúvida: por quê? Por que a vida, por que a morte, por que o ódio?

Como seres humanos, tivemos que lutar pela sobrevivência contra outros seres vivos, das feras pré-históricas aos vírus e bactérias identificados em nosso tempo, e contra seus vetores, como os ratos e os insetos. Como seres humanos, não temos sabido conviver uns com os outros, como provam as guerras, e o racismo – suprema manifestação da ignorância – não é só um sentimento dos homens primitivos, que sobrevive entre nós. É a exposição mais transparente da debilidade, do medo. Esses jovens de São Paulo e de outras cidades meridionais, no fundo, não desprezam os nordestinos. Temem, apenas, que eles os venham suplantar, o que já começa a ocorrer. O desempenho intelectual de moças e rapazes das universidades de Campina Grande, de Natal, de Recife – entre outras – está surpreendendo os observadores, principalmente no que se refere ao conhecimento científico.

As pessoas, quando aprendem a pensar, tornam-se poderosas – e riem dos preconceitos. Para aprender a pensar, basta duvidar das verdades tidas como absolutas. A única verdade absoluta é a morte. Temos que combater todos os racismos, mesmo quando eles se disfarçam na “defesa” da própria “raça”. Esse combate se inicia na constatação de que raça é substantivo abstrato. Não existem raças humanas. Houve, como confirma a ciência, durante a peregrinação da espécie, a partir da África, a adaptação dos seres humanos às condições próprias das latitudes, da alimentação, do clima, o que resultou na cor da pele e em outras alterações do corpo. Somos todos “afrodescendentes”, para fazer concessão a outra violação do bom-senso, que é o uso dos termos “politicamente corretos”. Se black is beautiful, por que rejeitar a palavra negro?

Mas, no caso dos nordestinos, não é o preconceito “racial” que atua. Eles são discriminados porque, em sua imensa maioria, são pobres. Sua pobreza secular é resultado de duas catástrofes: uma, natural, a da seca; outra, social, a da cruel opressão das oligarquias. Essas duas tragédias os tangeram à migração. Sendo-lhes negada a educação, viram-se, nos estados desenvolvidos, obrigados aos trabalhos mais penosos e mal remunerados. Da mesma forma que não há preconceito contra os negros ricos, tampouco há contra os nordestinos ricos; nem há no Nordeste mais mestiços do que no resto do Brasil.
Ao contrário: numerosas de suas famílias descendem dos holandeses e franceses que ocuparam a região, e deixaram sua marca genética, na cor da pele, dos cabelos, dos olhos. O que eles temem é a ascensão dos pobres ao poder, nordestinos ou não, como é o caso de Lula.

É necessário impedir que a infecção se alastre. Ela deve ser cauterizada logo, pela ação rápida e severa da Justiça.
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OBS: o Comentário abaixo foi extraído do mesmo blog sobre a matéria acima.

van cezar:

8 de novembro de 2010

A região sul – onde nasci e vivo – lamentavelmente ainda está permeada pelo pensamento da “estância” e os grandes fazendeiros ainda raciocinam como se estivessem no século XIX , com raras e notáveis exceções … Muitos dos votos contrários ao PT foram movidos puramente pelo preconceito e por razões que nem FREUD conseguiria explicar . O mesmo vale para essa xenofobia que , democraticamente, penso deva ser combatida mais no viés cultural do que em tribunais, mesmo porque o Judiciário brasileiro está tão estrangulado que fatalmente qualquer ação punitiva sempre periga acabar no desmoralizante ralo da prescrição .

O que considero, sim , muito mais grave e preocupante é justamente essa parcela da população que se mantém CONTRA o PT, contra todo e qualquer candidato popular , mesmo diante de notáveis constatações de avanços em suas próprias áreas de atuação. O governo LULA, por exemplo, implementou programas de facilitação de acesso às máquinas agrícolas, incentivou a produção primária, buscou pacificar o campo e , mesmo assim, os discursos de muitas pessoas tidas como “lideranças” do setor foram cáusticos e o apoio ao candidato adversário foi “ferrenho” . Essas são as nascentes desse sentimento de regionalismo, a meu ver …

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Fonte:http://blogdadilma.blog.br/2010/11/as-razoes-do-medo.html

FMI: Dilma governará 7ª maior economia mundial

08.11.10

Autor: Jussara Seixas

Segundo a mais recente projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI), a presidente eleita, Dilma Rousseff, vai governar a sétima maior economia mundial – posto que o Brasil alcançará em 2011.

Vermelho.org / Folha.com

Esta não será a primeira vez que o país terá chegado lá. A última foi em meados dos anos 90. Mas o Brasil só sustentou a sétima posição por dois anos, indo ladeira abaixo a partir de 1996 até baixar ao 12º lugar em 2002.

Desde então, a volatilidade do crescimento econômico do país diminuiu, dando lugar à maior estabilidade na trajetória de expansão econômica.

O resultado é que a projeção do FMI revisada em outubro indica que o país permanecerá no posto de sétima maior economia até, pelo menos, 2015, último ano para o qual há previsões.

Nos últimos anos, a economia brasileira ultrapassou em tamanho a canadense e a espanhola. Em 2010, quase empatou com a Itália.

“O Brasil está ocupando a posição de países desenvolvidos e, com isso, cresce seu prestígio nas negociações internacionais”, diz Ernesto Lozardo, professor de economia da Eaesp-FGV e autor do livro “Globalização – A Certeza Imprevisível das Nações”.

A contrapartida é resumida por Fernando Cardim, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro: “As responsabilidades do país continuarão aumentando e o novo governo terá de mostrar se está preparado para isso”.

De acordo com especialistas, para que o peso econômico do Brasil continue se traduzindo em crescente voz política, Dilma terá de consolidar os avanços alcançados pela política externa de Lula, como a posição de maior destaque nos fóruns globais.”

Fonte:http://nogueirajr.blogspot.com/

Repórter do JC (Recife) quebra Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros

08.11.10 Da editoria-geral do Terra Brasilis.
Autor: DiAfonso

Um jornalista se inscreve para o ENEM 2010. Segue todos os trâmites que lhe asseguram a participação no processo que testará seus conhecimentos e lhe pemitirá, caso obtenha êxito na resolução das questões, o ingresso numa determinada universidade ou uma pontuação que o auxiliará na conquista de uma vaga num curso superior. Até aí nada demais.

O que antes seria a participação no processo – seguindo todas as normas e pré-requisitos -, no entanto, transforma-se num ato de pura má-fé, mau-caratismo e nenhuma disposição para a lisura ético-profissional. Foi o que ocorreu ontem no Recife.

Um jornalista do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC) se utilizou de meios proibitivos para mostrar a fragilidade do processo. Ora, para expor esta fragilidade (constatada), o jornalista fez uso de mensagem de texto, a partir do celular, para vazar o tema da redação, além de afirmar ter usado lápis e borracha, o que também estava proibido. O que o tal repórter fez não foi outra coisa a não ser atentar contra as regras estabelecidas pelo INEP e infringindo o que determina os Art 7º – item 5 [1] e Art. 11 – item III [2] do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros [3].

Esse mau profissional, na verdade, prestou um enorme desserviço com sua ação. Fosse um candidato, estaria sumariamente eliminado. Sendo um jornalista, deve ser processado e punido por este atentado contra a lisura na divulgação de informações. Certamente, deverá se apoiar no Art. 6º, item II [4], contudo esse artigo não pode ser invocado em detrimento dos citados acima.

Divulguem as falhas ocorridas no ENEM, mas com seriedade e ética profissional.
É por essas e outras que o JC vem perdendo credibilidade entre os leitores pernambucanos e o jornalismo praticado por essa empresa passa a ser uma ameaça à convivência democrática por seu parcialismo e utilização de meios escusos para gerar “furos de reportagens”.
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[1] Art 7º – O jornalista não pode: item V – usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime.

[2] Art. 11. O jornalista não pode divulgar informações: item III – obtidas de maneira inadequada, por exemplo, com o uso de identidades falsas, câmeras escondidas ou microfones ocultos, salvo em casos de incontestável interesse público e quando esgotadas todas as outras possibilidades de apuração.

[3] Acesse o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros AQUI.
[4] Art. 6º. É dever do jornalista: item II – divulgar os fatos e as informações de interesse público.
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Agradecimentos ao jornalista e editor-geral do Com Texto Livre, ZCarlos, pelas informações preciosas sobre o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros.

Para saber mais sobre o episódio, clique AQUI..
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