terça-feira, 2 de novembro de 2010

Mayara Petruso quer afogar nordestinos. Ela não é a única

A estudante de Direito Mayara Petruso atendendo ao chamado da campanha tucana que transformou a campanha numa guerra entre gente limpinha e a massa fedida, principalmente a que reside no Nordeste e vive do Bolsa Família, escreveu as mensagens reproduzidas acima na noite de domingo, logo após o anúncio da vitória de Dilma Roussef.

A estudante é uma típica paulistana de classe média alta. Um tipo que não gosta de estudar, adora consumir e que considera nordestino um ser inferior. Nada mais comum em almoços de domingo nos ambientes dessa elite branca paulistana do que ouvir gente falando coisas semelhantes ao que escreveu Mayara Petruso na sua conta no tuiter. Na cabeça da menina, ela não deve ter falado nada demais. Afinal, é isso que deve ouvir desde criança entre familiares e amigos.

Fui ao orkut de Mayara para checar minhas desconfianças. E confirmei tudo que imaginava. Ela deve morar na região Oeste de São Paulo, onde vive este blogueiro há muito tempo e onde este preconceito é ainda mais latente do que em outras bandas da cidade. Digo isto porque uma de suas comunidades é a do “Parque Villa Lobos”. Se morasse na Mooca provavelmente nem se lembraria de tal parque. Se vivesse nos Jardins, citaria o do Ibirapuera.

Mas há outras comunidades que revelam mais profundamente a alma da “artista” que escreveu o post mais famoso do pós-campanha. Um post que levou o debate sobre a questão do preconceito ao Nordeste ao TT mundial no tuiter.

A elas: “Perfume Hugo Boss, Eu acho sexy homens de terno, Rede Globo, CQC, MTV, Magoar te dá Tesão? e FMU Oficial”.

Não vou comentar suas comunidades “Eu acho sexy homens de terno” e nem “Magoar te dá tesão?” por considerar tais opções muito particulares. Mas em relação ao fato da moça estudar na FMU, a Faculdade Metropolitanas Unidas, queria fazer algumas considerações. Nada contra a instituição ou aos que nela estudam, mas pela situação social da garota, ela deve ter estudado em escola particular a vida inteira e se fosse um pouco mais esforçada teria entrado numa faculdade onde a relação candidato/vaga é um pouco mais dura.

Ou seja, como boa parte dessa classe média alta paulistana, Mayara é arrogante, mas não se garante. Muita garota da periferia, sem as mesmas condições econômicas que ela deve ter conseguido vôos mais altos, deve já ter obtido mais conquistas do que a de poder consumir o que bem entende por conta da boa situação financeira da família.

Ontem, Mayara pediu desculpas pelo “erro”. Disse que afinal de contas “errar é humano” e que “era algo pra atingir outro foco” e que “não tem problema com essas pessoas”. Não desceu do salto alto nem pra se penitenciar. Preferiu fazer de conta que era uma coisa menor, ao invés de pedir perdão, afirmar que era um erro injustificável e que entendia toda a revolta que seu post produzira.


“MINHAS SINCERAS DESCULPAS AO POST COLOCADO NO AR, O QUE ERA ALGO PRA ATINGIR OUTRO FOCO, ACABOU SAINDO FORA DE CONTROLE. NÃO TENHO PROBLEMAS COM ESSAS PESSOAS, PELO CONTRARIO, ERRAR É HUMANO, DESCULPA MAIS UMA VEZ.”


Ela foi criada para isso. Para dispensar esse tipo de tratamento a nordestinos e pobres e por isso a dificuldade de ser mais humilde. É difícil para esse grupo social entender que preconceito é crime por ensejar um tipo de xenofobia que coloca quem o pratica no mesmo patamar de um tipo como Hitler. Ela odeia nordestinos. Ele odiava judeus. A diferença é que ela não pode afogar de fato aqueles que vivem na parte de cima do mapa. Já o alemão pôde fazer o que bem entendia com aqueles que julgava ser um estorvo na sociedade que governava.

Mas Mayara é o produto de um tipo de discurso. Ela não merece ser responsabilizada sozinha por isso. Talvez seja o caso de alguma entidade vinculada à cultura nordestina mover um processo contra a estudante. Menos pra tirar dinheiro ou coisa do gênero, mais para utilizar o caso como exemplo. E fazer com que ela atue em espaços vinculados à cultura da região para aprender a ter mais respeito com a história e com o povo dessa parte do Brasil.

Os verdadeiros culpados são outros. São aqueles que com seus discursos preconceituosos têm alimentado esse separatismo brasileiro. E em boa medida isso se dá pela nossa “linda e bela” mídia comercial e mesmo pela manifestação de um certo setor da política que sempre que pode busca justificar a vitória da aliança liderada pelo PT como produto do “dinheiro dado a essa gente ignara e preguiçosa que vive no Nordeste a partir do Bolsa Família”. Ou Bolsa 171, nas palavras de Mayara.

Mas esse comportamente também é produto de um tipo de preconceito velhaco que nunca foi combatido de forma educativa e que é alimentado diariamente nos ambientes familiares dessa elite branca. Cláudio Lembo sabia do que estava falando quando usou essa expressão. Ou começamos a discutir esse preconceito com seriedade, tentando combatê-lo com leis claras, educação e cultura ou corremos o risco de mesmo avançando em aspectos econômicos, retroceder do ponto de vista de outras conquistas democráticas.

Afinal, ainda há quem ache que pregar a morte daqueles que pensam diferente é apenas um problema de foco.

Atualizando: A Juliana Freitas me envia um vídeo feito por ela que demonstra como Mayara é muitos. É um vídeo triste, mas merece ser visto.


***
Fotne:http://www.revistaforum.com.br/blog/2010/11/02/mayara-petruso-quer-afogar-nordestinos-ela-nao-e-a-unica/

Do Alabama à Guatemala - as temíveis experiências médicas do governo dos EUA

26.10.10
Entre 1932 e 1972, o governo dos EUA levou a cabo estudos sobre os efeitos da sífilis, infectando centenas de pessoas e não as tratando. Dois antigos projetos do governo norte-americano em Tuskegee, (Alabama) e Guatemala (igualmente nocivos) são espelho um do outro. Ambos mostram a que extremo se pode ignorar a ética a fim de obter conhecimentos médicos.

Por Amy Goodman

Há pouco mais de duas semanas foi publicamente revelado que o governo dos Estados Unidos infectou a sífilis em centenas de homens da Guatemala no marco de macabras experiências desenvolvidas durante a década de 1940. Mal veio à tona a notícia, o presidente Barack Obama telefonou ao presidente da Guatemala, Álvaro Colom, para se desculpar. Colom qualificou as experiências de “uma incrível violação dos direitos humanos”: “É uma violação de direitos humanos incrível, mas existiu e é preciso enfrentá-la... e vamos fazer todo o necessário para esclarecer o mais rápido possível que profundidade teve e que efeitos humanos teve, porque nos interessam fundamentalmente os afetados e nós como Estado, pois, estamos obviamente... indignados... e se houver autoridades do passado envolvidas também será revelado.” Colom afirmou além disso que o seu país avalia a possibilidade de levar o caso a um tribunal internacional.

As revelações surgiram devido a uma investigação levada a cabo pela historiadora médica Susan Reverby, do Wellesley College, a respeito dos tristemente célebres estudos de Tuskegee sobre a sífilis. Os dois antigos projetos de investigação do governo norte-americano em Tuskegee, (Alabama) e Guatemala (igualmente nocivos) são espelho um do outro. Ambos mostram a que extremo se pode ignorar a ética a fim de obter conhecimentos médicos, e ambos nos recordam que a investigação médica precisa constantemente de supervisão e regulação.

Reverby é autora do livro recentemente publicado “Examining Tuskegee,” (Examinando Tuskegee), uma exaustiva história da investigação sobre a sífilis conhecida como “Estudos de Tuskegee”.

Tuskegee, no estado de Alabama, encontra-se no coração do Sul Profundo (Deep South) dos EUA. Desde 1932, e até ser revelado pela imprensa em 1972, o governo dos Estados Unidos levou a cabo estudos de longo prazo sobre os efeitos da sífilis quando não é tratada. O estudo consistiu em dizer a quatrocentos homens com sífilis que receberiam um “tratamento especial” para o seu “sangue mau.” Sem que estes homens soubessem, recebiam placebos inúteis, mas não a cura prometida. E o enfraquecimento dos seus corpos, causado pela sífilis não tratada, foi estudado durante décadas. Em fases avançadas, a sífilis pode ocasionar desfiguração, demência, cegueira e dor aguda crônica. É uma maneira horrível de morrer. Durante os anos em que se desenvolviam estas experiências, foi descoberto que a penicilina curava a sífilis.

No entanto, estes homens infectados não foram informados da possível cura, e cada vez que algum deles pedia tratamento, era-lhe negado.

Em Tuskegee, os homens infectados não receberam tratamento. Na Guatemala ocorreu o contrário.

Lá, os pesquisadores do governo dos Estados Unidos infectavam com sífilis os prisioneiros e depois tratavam-nos com penicilina para medir os efeitos do antibiótico imediatamente após a exposição à doença. A sífilis é uma doença de transmissão sexual e era desta maneira como o médico que encabeçava as operações, o dr. John Cutler, do Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos, tentava infectar aos prisioneiros. A historiadora médica Susan Reverby descreveu as experiências da seguinte maneira: “Foram à Guatemala porque a prostituição era legal nesse país e também era legal levar prostitutas às prisões para serviços sexuais. Quando não puderam gerar a infecção ao nível esperado com a ida de prostitutas às cadeias, começaram as incubações... Há uma razão pela qual a sífilis é uma doença de transmissão sexual. Não é possível simplesmente extrair sangue de uma pessoa com sífilis e injetar noutra. De fato, é necessário criar uma vacina. A bactéria que causa a doença pode morrer ao ter contato com o ar, é por isso que deve passar através de líquidos e fluídos corporais e é por isso que se transmite sexualmente. Criaram uma vacina utilizando as provas de campo com coelhos que já tinham a doença. Raspavam ou rasgavam os braços de pessoas nas prisões, asilos psiquiátricos e instalações do exército. Utilizaram os seus braços, as suas bochechas, além disso buscaram homens, e francamente esta parte parece-me completamente incrível e faz que tudo se pareça parte de um filme classe B. Encontraram homens com prepúcios longos, tomavam os seus pênis, puxavam o prepúcio para trás, raspavam a glande e aplicavam-lhes a vacina usando um pequeno chumaço de algodão com gazes. Faziam isto durante uma hora e meia ou duas horas, com a esperança de que a infecção se transmitisse dessa maneira.”

Procedimentos similares foram utilizados com pacientes psiquiátricos e soldados.

Ironicamente, o estudo na Guatemala começou a ser desenvolvido em 1946. Este foi o mesmo ano em que os tribunais de Nuremberg pela primeira vez julgaram médicos nazistas, acusando-os de levar a cabo experiências horríveis com prisioneiros em campos de concentração. A metade dos acusados foi condenada à morte. Durante o processo, criou-se o Código Nuremberg, que estabelece padrões éticos para a experiência médica com humanos e a obrigatoriedade do consentimento informado. Mas, ao que parece, os pesquisadores norte-americanos não se importaram com Nuremberg.

O Dr. Cutler, responsável pelo projeto na Guatemala, participou depois dos estudos de Tuskegee. Num documentário da PBS “NOVA” de 1993, chamado “Engano mortal”, ele afirmou: “Era importante que não recebessem tratamento, e não teria sido desejável seguir adiante e receitar-lhes grandes doses de penicilina para tratar a doença, já que isto poderia ter interferido no estudo.” O Dr. Cutler morreu no ano 2003.

O governo dos Estados Unidos com frequência tem levado a cabo experiências sem o consentimento informado dos sujeitos afetados. Nas mulheres de Porto Rico, foi injetado estrogênio em níveis de risco enquanto estavam a ser testadas as pílulas anticoncepcionais.

Noutras investigações, injetou-se plutônio, em pacientes hospitalizados que não se tinham oferecido como voluntários, para estudar os efeitos desse elemento no corpo humano. As corporações transnacionais da indústria farmacêutica, Dow Chemical e Johnson & Johnson, de comum acordo com as autoridades penitenciárias da Pensilvânia, expuseram os presos aos riscos de produtos químicos nocivos, entre eles dioxinas, com a intenção de testar os seus efeitos. Muitas das pessoas submetidas a este tipo de experiência têm morrido ou veem as suas vidas destruídas de forma permanente. Tudo isto em nome do progresso ou dos lucros.

Os pesquisadores apressadamente declararam que estas práticas são coisa do passado e que vêm dando lugar a orientações estritas para assegurar o consentimento informado dos sujeitos. No entanto, são feitos esforços para suavizar as restrições em casos de experiência médica em presídios. Seria necessário perguntar o que significa “consentimento informado” dentro de uma cadeia, ou numa comunidade pobre onde o dinheiro é utilizado como incentivo para “se oferecer” como voluntário para uma pesquisa. A investigação médica só deveria acontecer quando são respeitados padrões éticos humanitários, e conta com consentimento informado e supervisão independente. Isto no caso das lições de Nuremberga, Tuskegee e agora Guatemala terem tido algum significado.

Denis Moynihan colaborou na produção jornalística desta coluna.

Texto traduzido da versão em castelhano e revisto do original em inglês por Bruno Lima Rocha; originalmente publicado em português em Estratégia & Análise. Adaptado para Portugal pelo Esquerda.net.
****
Fonte:http://www.revistaforum.com.br/noticias/2010/10/26/do_alabama_a_guatemala_-_as_temiveis_experiencias_medicas_do_governo_dos_eua/

Revista francesa"Courrier" defende Lula

26.10.10
A revista francesa courrier defendeu Lula, em sua publicação, onde ele é a capa. A revista dedica a sua matéria ao fato da imprensa brasileira fazer tantos ataques ao presidente, que fez um governo voltado para os mais desfavorecidos.

Abaixo vai a matéria da revista Courrier:

Na reta final da campanha, as más relações entre os principais jornais e do governo. Esse fenômeno já ocorreu durante na reeleição de Lula em 2006, quando a classe média abastada tinha caído. Quatro famílias controlam a mídia social: o Marinho, dono do jornal do Rio O Globo ea toda-poderosa TV Globo, a Mesquita de O Estado de São Paulo , os Frias da Folha de São Paulo , e Civita da editora Abril, editora da revista semanal Veja. Estas grandes famílias nunca foram entregues para a eleição de Lula,que consideram o presidente mal educado, veio de um estado pobre e dos sindicatos.

Recentemente, a mídia tem desencadeado uma campanha contra Dilma Rousseff, candidata de Lula, na esperança de derrubar o presidente do Partido dos Trabalhadores, o que significa ter tido um monte de saldos negativos registrados por anos de forçar com Lula. Artigos sobre as empresas a corrupção que marcou os oito anos de governo do PT. É verdade que o próprio governo deu munição para seus adversários com uma sucessão de escândalos: O mais famoso deles, "Mensalão", em 2005, custou o cargo ao primeiro-ministro José Dirceu, então candidato natural para a sucessão.

Dilma Rousseff ,está enfrentando acusações de tráfico de influência, 16 de setembro, levou à demissão de seu braço direito, Erenice Guerra. Na semana passada vimos nas ruas de São Paulo eventos "em defesa da democracia", mas também outros "contra os abusos da imprensa".

A imprensa nunca foi cordial com o Presidente Lula. Em 2004, a Presidência tinha sequer ameaçou expulsar o correspondente do New York Times, Larry Rohter, que havia sugerido que Lula bebia demais . Na véspera da eleição, o presidente continua a queixar-se da atitude hostil da mídia com relação ao PT, o que aumenta as reações indignadas de tais meios. Muitos colunistas criticam demais por se dedicar à campanha de sua candidata em detrimento dos assuntos de Estado.

A carga de toras é por vezes caricatural. Assim, a Folha de São Paulo, em setembro, não hesitou em fazer Dilma Rousseff, responsável pela perda de 1.000 milhões de dólares por ter demorado demais para mudar uma Lei de Energia que foi aprovada no final do mandato de Fernando Henrique Cardoso (1994-2002). No entanto, o eleitorado não se deixa enganar: o resultado deste caso, as piadas têm circulado massivamente no Twitter, Dilma Rousseff, atribuindo todos os males do mundo. A imprensa também parece ter perdido a sua antiga influência. O fato de que seus leitores se limitam principalmente aos mais ricos do Sul agora limitar a sua influência.

A empresa agora tem acesso à informação através de milhares de ONGs e associações, sem esquecer o papel essencial da internet. E canais de televisão de acesso livre, que continuam, de longe, a maior fonte de notícias, adotaram uma postura cautelosa em suas críticas ao governo, supostamente para evitar a alienação de suas audiências compostos naturais do meio e classes pobres, que continuam a adular um presidente que se assemelha a eles.
***
Fonte: http://sandrodavidovitch.blogspot.com/

Dona Margarida vota Dilma 13!

27.10.10
Reproduzo um artigo bastante interessante extraído do blog do Ozaí.

Dona Margarida vota Dilma 13!

Antonio Ozaí da Silva

Dona Margarida, septuagenária, nem precisa comparecer à seção eleitoral, mas votou no 1º turno e está decidida a repetir o gesto neste final de semana. Ela acompanha a campanha eleitoral, assiste aos programas, debates e procura se manter bem-informada.

Fui visitá-la e, claro, ela logo puxou o assunto da eleição. Se depender dela, o Serra não se elege. Ela considera-o mentiroso e cínico. Minha mãe não se referia à escola filosófica de Diógenes Sínope (413-323 a. C.). Para esticar a conversa, brinquei: “A senhora quer dizer que ele tem mil caras?!” Ela reafirmou que o demo-tucano mente, se faz por bonzinho e é um sem-vergonha, além de arrogante. Já a Dilma… Bem, ela se desmanchou em elogios.

A opinião da minha mãe espelha bem o que os eleitores convictos da Dilma Rousseff pensam. Não há marqueteiro que consiga demovê-los da decisão de votar nela. Quanto mais a atacam, mas lhes parecem que são mentiras. E não adianta o Serra fazer cara de bom moço e de “presidente do bem”. A pecha de cinismo o acompanha!

Minha mãe não navega na internet. Imagino o quanto ela ficaria aborrecida com a boataria contra a Dilma! A rede reproduz e potencializa as fofocas da vida real. A Dona Margarida comentou que no grupo da terceira idade alguém disse que a Dilma era “sapatão”. Ela ficou irritadíssima com a boataria. E resumiu tudo na frase: “É preconceito!” Tive orgulho dela.

Não tentei demovê-la da decisão de votar na Dilma. Até porque também voto contra o Serra. Poderia, porém, argumentar que há a alternativa de votar nulo ou em branco; poderia listar uma série de razões políticas e ideológicas. Bem, estávamos apenas conversando e respeito as opiniões dela. De qualquer forma, ela me fez pensar.

Ao contrário da Dona Margarida, o meu amigo Walterego diz que vai anular o voto. Ele não milita no PSTU nem nos grupos de esquerda, organizados ou não em partidos, que defendem o voto nulo. Ele não faz campanha pelo voto nulo! Walterego também é esclarecido e tem título de doutor. Já a Dona Margarida não teve oportunidades de estudo e aprendeu a ler e fazer contas por esforço próprio, na escola da vida. Isto não desqualifica suas opiniões. Na verdade, ambos têm argumentos fortes para defender as posições políticas que consideram melhores.

O que os exemplos de Dona Margarida e Walterego mostram é que posição política nada tem a ver com educação formal e titulação acadêmica. O título universitário não indica, necessariamente, inteligência e capacidade política. Não obstante, há muito preconceito contra os pobres e pessoas humildes no que diz respeito à opção política. O preconceito é social e regional (contra os nordestinos). Ora, a atitude política não é determinada por um canudo universitário e o fato de tê-lo não torna ninguém politicamente melhor nem pior. Não é critério de avaliação política. Há muitos analfabetos políticos titulados por aí!

O meu amigo Walterego pode até votar nulo, mas duvido que ele se considere superior à Dona Margarida, aos pobres e nordestinos. Não é porque ele é doutor que sua posição política é qualitativamente melhor. Afinal, há muitos pobres e nordestinos que também votam no Serra. Os preconceituosos esquecem que ninguém se elege apenas com o voto da classe média e dos ricos. O governo Lula, aliás, foi um dos melhores para os ricos. Não estranho que muitos figurões o apóiem.

Por outro lado, boa parte da classe média divide-se entre a postura de tutela dos pobres e o preconceito social, racial e regional. A tutela também é uma forma invertida de preconceito, pois indica a desconfiança na capacidade política dos pobres. Dona Margarida, que vota em Dilma, diria: “É preconceito!” Decididamente, ela não é analfabeta política!
***
Fonte: http://antoniozai.wordpress.com/2010/10/27/dona-margarida-vota-dilma-13/

Liberdade de expressão e liberdade de calúnia

23.Dez.09

Correia da Fonseca*

“Quem de olhos abertos e ouvidos atentos há décadas acompanha estas coisas da informação e da desinformação, da notícia honesta e da invenção sem pudor, bem sabe como sobretudo no terreno da vida política e seus arredores, mas não apenas aí, tem sido abundantemente usada a liberdade de calúnia mascarada de liberdade de expressão.
Ao abrigo desse equívoco, vem a Esquerda sofrendo um permanente bombardeamento de imposturas que vêm de longe no tempo, que atravessaram a fronteira representada pelo derrubamento do fascismo e prosseguem nesta nossa democracia em velocidade de cruzeiro”.

Um senhor polícia muito mediático que já não exerce voltou na passada semana a ser notícia na televisão. É aquele ex-inspector que, a julgar pelo que tem dito e escrito, teve a perspicácia bastante para descobrir que o casal McCain, tristemente célebre na sequência do desaparecimento da sua filha Maddie, tem graves responsabilidades no terrível caso. Não porque tenha assassinado a criança, o senhor ex-inspector não vai tão longe, mas sim porque terá feito desaparecer o corpo da filha morta. Não sei por que motivo ou com que objectivo o terá feito. Decerto por insuficiente vigilância minha, nunca assisti a que o senhor ex-inspector tenha explicado na TV, meio de informação que frequenta muito, os motivos raros e as circunstâncias macabras que levaram o casal McCain a um acto tão sinistro. Também não li o livro por ele escrito sobre o assunto e que, ao que consta, se vendeu muito bem até que uma decisão judicial suspendeu o negócio, com perdão desta palavra que neste caso não fica muito bem mas se utiliza à falta de outra mais suave.

Estou, portanto, completamente em branco quanto ao móbil do crime que os pais de Maddie terão praticado, crime que, repete-se, não terá sido o de assassínio, mas que não deixa de repugnar e de suscitar um punhadão de suspeitas. Se o livro do ex-inspector ainda estivesse à venda nas livrarias, iria eu a correr comprá-lo, lê-lo seguramente num fôlego, e ficaria esclarecido. Mas não está, pelo que me vejo forçado a tecer elucubrações que, garanto, nunca são lisonjeiras nem sequer generosas para com os pais da menina.

Como é sabido, os McCain negam tudo quanto o ex-inspector disse e escreveu sobre o assunto, consideram-se insultados e difamados, e por isso mesmo recorreram ao tribunal para que fosse sustada a circulação do livro que alegam ser difamatório. O tribunal acedeu; e por isso aí está o antigo investigador impedido de discorrer publicamente acerca do caso, pelo menos sob a forma de livro mas provavelmente também por qualquer outro meio, e portanto de explicar as raízes decerto sólidas do seu convencimento.

Perante esta situação, queixa-se o autor do já best-seller de que lhe está a ser coarctada a liberdade de expressão, o que é evidentemente inconstitucional. Aliás, na TV surgiram outras vozes que não a do ex-inspector a expressarem a mesma indignação e a repetirem o mesmo argumento. Assim, o caso alargou o seu âmbito: passou a ser a liberdade de expressão, alegadamente ofendida ou mutilada, a ser a matéria central do assunto, o que não é pouca coisa. E o que confere à questão um relevo ainda maior é o facto de, de há uns tempos a esta parte, a propósito de um ou outro assunto, surgirem na TV e não só queixas semelhantes que apontam para uma situação grave: a liberdade de expressão está a ser recusada.

Por mim, estou de acordo: a liberdade de expressão, designadamente a da expressão escrita, está mesmo a ser limitada.

Não, quero crer, por efeito de decisões judiciais, mas sim por outros meios que correspondem à existência de uma censura de facto no interior de pelo menos alguns dos mais poderosos órgãos de comunicação social.

Porém, o caso do ex-investigador que acusa os pais de Maddie McCain suscita uma outra questão cujo esclarecimento é fundamental para que nas nossas cabecinhas de cidadãos consumidores de informação não se estabeleçam confusões danosas da desejável lucidez: uma coisa é o fundamentalíssimo direito à liberdade de expressão e coisa diferente será um tácito direito à liberdade de calúnia.

Quem de olhos abertos e ouvidos atentos há décadas acompanha estas coisas da informação e da desinformação, da notícia honesta e da invenção sem pudor, bem sabe como sobretudo no terreno da vida política e seus arredores, mas não apenas aí, tem sido abundantemente usada a liberdade de calúnia mascarada de liberdade de expressão.

Ao abrigo desse equívoco, vem a Esquerda sofrendo um permanente bombardeamento de imposturas que vêm de longe no tempo, que atravessaram a fronteira representada pelo derrubamento do fascismo e prosseguem nesta nossa democracia em velocidade de cruzeiro. Com algum êxito, porque a calúnia é livre mas não o é a reposição da verdade: é a liberdade de expressão de sentido único, usada para tornar livre e eficaz a mentira.

E é claro que tudo isto tem a ver, dia após dia, com o televisor instalado em nossa casa.

* Correia da Fonseca é amigo e coloborador de odiario.info
***
Fonte: http://www.odiario.info/index.php?p=1416

José Serra admitindo a derrota: não tem preço !

02.11.10



***
Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/video/2010/11/02/jose-serra-admitindo-a-derrota-nao-tem-preco/

Mino descreve “o triste fim de FHC”. FHC toma o salva-vidas das crianças

FHC fez do Brasil quintal dos EUA (Bessinha, no dia dos Mortos)

Na excelente edição extra da Carta Capital que chegou ontem às bancas, há um artigo irretocável, excepcional de Mino Carta sobre o ocaso sombrio do “Príncipe dos Sociólogos”.

Se o Ciro Gomes conhece o fígado do Serra, Mino conhece as vísceras de Fernando Henrique.

“O triste fim de FHC – promotor e intérprete de uma ambição exagerada para um pássaro que não voa”.

“Até parece que na Presidência cuidou de provar a sua teoria da dependência, pela qual o Brasil está destinado a ser em definitivo quintal dos EUA.”

“Com Lula, uma rivalidade que vem de longe. Amizade sincera com Serjão. Já com Serra …”


Mino toca no nervo da relação Serjão-FHC e Serra, que um excelente repórter da Carta, Leandro Fortes, já desbravou, no livro “Cayman – o dossiê do medo”.

(Quem sabe a Fundação Ford não dá uma bolsa ao Leandro e ele conclui as investigações sobre esse furtivo dossiê ?)

Diz o Mino, com mortífera sutileza:

“Não duvido que a amizade de FHC por Serjão fosse autêntica, totalmente sincera. Pois Serjão era um ser amoitado, por natureza, provavelmente o mais sábio do terceto. Não tinha o menor interesse em sair à luz do sol para se exibir. Com Serra, parece-me fácil imaginar que a amizade de FHC seja agulhada pela rivalidade. Latejante.”

O artigo de Mino sobre FHC é o perfil de um fanático da ambição.

Como Serra.

E como Serra, FHC é hábil em “trabalhar à sombra, em manobrar por baixo dos panos. FHC, contudo, sabe como manter intacto esse fluxo subterrâneo… FHC faz questão de aparentar tolerância e bonomia, mesmo em relação a quem abomina …”

Serra, para Mino, não tem esse sutileza: é de “ódios precipitados, quando não daninhos para ele mesmo”.

A conclusão de Mino é genial.

Acompanhe amigo navegante.

Você não verá isso na imprensa brasileira, tão cedo:

“E nas suas últimas falas, FHC age no seu melhor estilo, é o náufrago que exige o lugar no bote salva-vidas, em lugar de crianças, mulheres e velhos. São estes, aliás, os culpados pelo naufrágio, donde o privilégio que lhe cabe. Quanto a José Serra, que afogue”.


Sensacional.

A propósito, amigo navegante, vá à Folha (*) de hoje, na pág. Especial 7 (ele não vai apoiar mais candidato do PSDB que não o defenda).

FHC toma o bote dos velhinhos e quer que o Serra morra afogado.

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
***
Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/politica/2010/11/02/mino-descreve-%E2%80%9Co-triste-fim-de-fhc%E2%80%9D-fhc-toma-o-salva-vidas-das-criancas/

Laurindo Leal Filho: Hora da verdade

02.11.10

O Brasil de Dilma: mãos à obra

O Brasil vive sob o descompasso existente entre os avanços econômicos e culturais alcançados nos últimos oito anos e um sistema político arcaico, perpetuador de privilégios. Governos comandados por presidentes populares sempre foram fustigados por essas estruturas arcaicas. Lula não foi exceção e só sobreviveu graças a sua incontestável habilidade política. Daí o seu empenho em, além de eleger a sucessora, dar a ela a possibilidade de governar com um Congresso menos hostil. O Brasil precisa de uma Reforma Política para a nossa democracia avançar. Mas ela não terá efeitos práticos se os meios de comunicação seguirem tendo o absurdo papel político-eleitoral de hoje.

Laurindo Leal Filho, na Carta Maior

A vitória de Dilma Roussef é um recado da sociedade às forças conservadoras que tentaram, por vários meios, impedir que isso acontecesse. Entre eles destaque-se os meios de comunicação, transformados em partido político, sem base social mas ainda com grande poder persuasivo.

Foram eles os responsáveis pela realização do segundo turno em 2006 e 2010. Sem mandato, julgam-se no direito absoluto de impor à sociedade suas visões de mundo, defendendo interesses restritos à classe social da qual são parte e porta-vozes. Trata-se de uma distorção incompatível com o jogo democrático. O presidente Lula disse, em excelente entrevista à Carta Maior (com Página 12, da Argentina e La Jornada, do México), estar decidido a se empenhar, fora do governo, no trabalho de “primeiro convencer o meu partido de que a reforma política é importante, (…) e depois, convencer os partidos aliados de que a reforma política é importante. Se tivermos maioria, poderemos votar a reforma política, eu diria, nos próximos dois anos”.

Tarefa imprescindível, sem dúvida. O Brasil vive sob o descompasso existente entre os avanços econômicos e culturais alcançados nos últimos oito anos e um sistema político arcaico, perpetuador de privilégios. Executivos comandados por presidentes populares, afinados com as aspirações maiores da sociedade, tiveram sempre a fustigá-los interesses mesquinhos articulados por máquinas políticas instaladas no legislativo, mais suscetível ao voto não-ideológico. Situações geradoras de crises históricas que levaram, por exemplo, Getúlio à morte e Jango ao exílio.

Lula não foi exceção e só sobreviveu graças a sua incontestável habilidade política. Daí o seu empenho em, além de eleger a sucessora, dar a ela a possibilidade de governar com um Congresso menos hostil. Talvez essa tenha sido a maior exasperação da mídia ao perceber que muitos dos seus aliados e representantes tradicionais não voltariam, como não voltarão, à Câmara e ao Senado no ano que vem.

No entanto, o país não pode mais ficar à mercê das circunstâncias de ter, como hoje, um presidente disposto a enfrentar nas urnas esses adversários. Para isso são necessárias novas formas, modernas e democráticas, de se fazer política no Brasil. Financiamento público de campanha, equilíbrio nas representações parlamentares estaduais na Câmara e voto em lista, distrital ou misto, são pontos de partida para a discussão proposta pelo presidente Lula.

Mas a reforma não terá efeitos práticos se os meios de comunicação seguirem tendo o absurdo papel político-eleitoral de hoje. Não há democracia que resista por muito tempo ao poder que tem quatro famílias de estabelecer a agenda política nacional. Derrotadas, graças à força de um governo que as superou nas ruas e nas praças, nada garante que não voltem ainda mais dispostas a apoiar – como já fizerem em outras oportunidades – aventuras golpistas.

Não é tarefa fácil. Exige alta dose de competência e muito sangue frio. Qualquer ação corretiva nessa área é chamada de censura por aqueles que defendem seus privilégios com unhas e dentes. Se arvoram senhores da liberdade de expressão, de falarem o que querem, obrigando todos os demais ao mutismo.

Com a força das urnas, o novo governo pode acelerar algumas das iniciativas esboçadas na gestão que se encerra. A mais urgente é dar ordenação legal ao setor da radiodifusão, verdadeira terra de ninguém, sem lei e sem ordem. O governo Lula deixará para a presidente Dilma o embrião desse projeto calcado nas experiências mais avançadas existentes hoje em todo o mundo e, claro, sintonizadas com a realidade brasileira. Não é possível seguirmos, na era da digitalização e da crescente convergência dos meios, com leis que tratam separadamente as telecomunicações e a radiodifusão. E, esta, além disso datada de 1962, época da chegada do vídeo-tape e da TV em preto e branco.

Quando o mundo convergia suas legislações para adaptar os marcos legais a realidade tecnológica, o Brasil no governo tucano as separava para permitir a privatização das telefônicas e preservar os privilégios dos radiodifusores. Está mais do que na hora de acabar com isso.

Cabe lembrar que já em 2007, o documento final do 3º Congresso Nacional dos Partidos dos Trabalhadores propunha “a imediata revisão dos mecanismos de outorga de canais de rádio e TV, concessões públicas
que vêm sendo historicamente tratadas como propriedade absoluta por parte das emissoras de radiodifusão. Esta atualização passa pelo cumprimento da Lei, haja vista a flagrante ilegalidade em diversas
emissoras, por maior transparência e agilidade nos processos e pela criação de critérios e mecanismos para que a população possa avaliar e debater não somente a concessão, mas também a renovação de outorgas”.

O PT deve se juntar à luta da sociedade organizada para concretizar os preceitos da Constituição Federal de 1988 que estabelecem a proibição do monopólio na mídia e definem como finalidade do conteúdo veicular a educação, a cultura e a arte nacionais.

Que tal começar já, discutindo e aprofundando essas questões no período de transição do governo Lula para o governo Dilma? Passo fundamental nesse sentido é dotar o Ministério das Comunicações de transparência absoluta, aberto à sociedade e aos seus reclamos quanto, por exemplo, a qualidade dos serviços prestados pelas empresas de rádio, televisão e telefonia. Tornando-o partícipe da elaboração e encaminhamento de projetos de lei voltados para a democratização das comunicações, hoje restritos a outras àreas de governo, como as Secretarias Especiais de Direitos Humanos e de Comunicação da Presidência da República.

Mas um novo Ministério das Comunicações é apenas parte do enfrentamento do problema. Por se tratar de questão-chave para a democracia a empreitada deve ser vista como prioridade absoluta do governo como um todo. Só assim haverá massa crítica e força suficientes para avançarmos no projeto nacional de banda larga oferecido por sistema público, acabarmos com a propriedade cruzada dos meios de comunicação, ampliarmos a abrangência de cobertura da TV Brasil e das emissoras de rádio da EBC, garantirmos a aplicação do dispositivo constitucional referente a obrigatoriedade de um percentual de programas regionais na televisão, criarmos uma agência reguladora para os serviços de radiodifusão capaz de, por exemplo, coibir a violação constante dos direitos humanos cometidos no rádio e na TV, entre tantas outras tarefas urgentes.

Sem esquecer a necessidade, prioritária, de impulsionarmos a existência de um grande jornal diário nacional, capaz de oferecer ao brasileiro uma outra visão de mundo, comprometida com a solidariedade e a justiça social, como fazia a Última Hora na metade do século passado.

Vamos buscar aquilo que de melhor o século 20 nos legou para, com a distribuição mais justa e acessível das novas tecnologias, passarmos a oferecer melhor não só as nossas riquezas materiais, mas também nossos preciosos bens simbólicos, fundamentais para a elevação do grau de civilidade do nosso país.
***
Fonte:http://www.viomundo.com.br/politica/laurindo-leal-filho-hora-da-verdade.html

Dilma é a vitória da gente

31/10/2010

Uma vitória do PT, e bem ao estilo do PT

Artur Henrique

Dilma é a nova presidente do Brasil. A primeira mulher a ocupar o cargo, o que por si só representa um marco na história do Brasil. Se não bastasse, as origens de Dilma, sua história de luta pela democracia e justiça social e sua identidade com um projeto democrático e popular são razões de orgulho para todos os que sonham com um país justo.

É uma vitória do PT, e bem ao estilo do PT.

Foi também a vitória da verdade sobre a mentira, da unidade contra a divisão, do povo contra o cartel da mídia, da sabedoria popular contra as troças mal contadas.
Vivemos um momento que o futuro contará nos livros escolares. Como disse Marilena Chauí, somos uma “geração que viu Mandela ser eleito presidente da África do Sul, um índio ser eleito na Bolívia, um operário, no Brasil, e verá uma mulher na Presidência”.

A vitória de hoje é a aprovação da maioria do povo a um projeto que o Partido dos Trabalhadores e as forças de esquerda e progressistas vêm construindo há décadas. Projeto que sempre combinou ousadia nas propostas, democracia interna, firmeza na condução dos programas e políticas e capacidade de diálogo com todos os setores da sociedade.

É uma vitória do movimento social, do movimento social e popular, do movimento sindical do campo e da cidade, do setor público e do setor privado, dos jovens, dos aposentados, das mulheres, dos homens, do povo.

Mas principalmente é uma vitória da militância cutista, desses lutadores sociais que não aceitavam a possibilidade de retrocesso e que foram às ruas.

No primeiro turno, nossa base levou adiante o projeto CUT nas Ruas, percorrendo todas as regiões do País para divulgar nossa Plataforma para as Eleições 2010, debatendo com os trabalhadores em seus locais de trabalho, com os candidatos e com os partidos aliados.

No segundo turno, essa mesma militância foi às ruas com coragem e alegria, com iniciativa, tomando a frente do debate e encontrando soluções, argumentos e um rumo para a campanha, debatendo com a sociedade as razões de Dilma ser a melhor escolha para o Brasil continuar mudando.

Para seguir o processo de transformação iniciado no governo de Lula, operário, sindicalista e fundador da CUT e do PT. Para artingir o objetivo de erradicar a miséria até 2014.

Parabéns a todos, parabéns a toda a militância cutista, parabéns ao povo.
Nossa tarefa –e nossa paixão – é continuar mobilizados para as disputas que virão e para garantir que prevaleçam a justiça, a fraternidade e a igualdade de oportunidades e de direitos.

Artur Henrique, presidente da CUT
***
Fonte: http://www.cut.org.br/destaques/20137/dilma-e-a-vitoria-da-gente

DEM recusa ideia de fusão com o PSDB

02/11/2010
Estadao.com.br

SÃO PAULO - A ideia de fazer a fusão entre PSDB e DEM para criar um grande e fortalecido partido de oposição foi rechaçada ontem pelo presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). Para o dirigente, a proposta diminuiria o espaço político da oposição no Congresso e ainda abriria a possibilidade para uma onda de desfiliações.

Maia lembra que uma das brechas jurídicas permitidas hoje para que parlamentares troquem de partido sem perderem o mandato por conta da regra de fidelidade partidária é justamente a fusão com outra legenda.

'Num período pós-eleitoral, onde o governo federal conseguiu a reeleição, sempre pode ocorrer um oportunismo eleitoral com migrações para o lado que venceu. Uma fusão criaria um precedente legal para permitir uma debandada, por exemplo', afirma Maia.

Para o dirigente, entretanto, a questão não se resume a isso. Ele acredita que as eleições deixaram clara a existência de um eleitorado de centro-direita, que pode ser representado pelo DEM, mas que não encontra tanto conforto nas posições políticas assumidas pelo PSDB.

'A oposição tem que trabalhar unida na cobrança às propostas que serão apresentadas pelo governo. Mas isso não significa que precise haver uma fusão entre os partidos', avalia Maia. 'O DEM tem uma posição de centro-direita e o PSDB se enxerga mais como sendo de centro-esquerda. Há um espaço político para essas duas visões', diz.

Oficialmente, a proposta de fusão ainda não chegou à mesa dos dirigentes de DEM e PSDB. Na verdade, o movimento nasceu dentro do PSDB, especialmente na seção paulista do partido, que acredita que a união criaria automaticamente uma bancada bem mais robusta, capaz de fazer um contraponto mais claro ao PT no Congresso.

Na Câmara, o PSDB elegeu 53 deputados e o DEM garantiu uma bancada com 43. Ambos encolheram em relação às eleições 2006. Na ocasião, os tucanos tinham 66 deputados e o DEM, ainda como PFL, somava 65. Se juntarem suas bancadas, pulariam para 96, transformando-se no partido com maior representação na Câmara, já que o PT elegeu 88 deputados e o PMDB, 79.

No Senado, a fusão garantiria a segunda maior bancada. Em 2011, o PSDB terá 10 senadores e o DEM ficará com 6. Esses 16 parlamentares ainda representam um número menor que o de senadores do PMDB, que soma 21. Mas superaria a bancada petista, que conta com 14 senadores.

Além disso, pelo menos três senadores peemedebistas são hoje mais alinhados com a oposição do que o governo, como é o caso de Jarbas Vasconcellos (PE), Pedro Simon (RS) e Luiz Henrique da Silveira (SC).

Bagagem

A absorção do DEM também agrada a setores mais à esquerda do PSDB. Esse grupo reclama que o partido aliado ainda carrega na sua bagagem o peso do conservadorismo político, representado pelo PFL, PDS e Arena, legendas das quais se originou.

Tucanos dizem que a imagem do partido aliado ficou desgastada depois do chamado escândalo do mensalão do DEM, no Distrito Federal. A descoberta de um esquema de cobrança e pagamento de propina para políticos e autoridades locais acabou provocando o desmoronamento da administração do então governador José Roberto Arruda.

Vídeos com conversas comprometedoras, que incluíram o próprio Arruda, provocaram grande impacto na opinião pública. Único governador do DEM, Arruda foi preso e acabou se desfiliando antes de renunciar ao cargo. Seu vice, Paulo Octávio, também do DEM, assumiu, mas sem sustentação política também deixou o posto.

Defensores da fusão acham que isso serviria, por exemplo, para zerar os efeitos negativos que esse escândalo ainda possa provocar em futuras eleições.

Aliados do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, acham que a mudança poderia ser benéfica para ele. Apesar de filiado ao DEM, Kassab já tem hoje uma grande proximidade política com os tucanos, especialmente com José Serra.
***
Fonte:http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/artigo.aspx?cp-documentid=26202067

Dilma vai se reunir com todos os aliados, garante Cardozo

2/11/2010
estadao.com.br

BRASÍLIA - A presidente eleita, Dilma Rousseff, vai se reunir com todos os partidos aliados, disse nesta terça-feira, 2, o secretário-geral do PT, José Eduardo Martins Cardozo (SP), ao chegar à residência da ex-ministra-chefe da Casa Civil, em Brasília. Ele procurou por panos quentes no mal-estar gerado pela reunião de segunda-feira, 1º, da qual só participaram petistas. 'Foi uma reunião informal', minimizou. Dilma exclui PMDB da 1ª reunião para definir equipe de transição

O primeiro encontro entre os dois maiores partidos que irão compor o governo Dilma acontecerá nesta terça, às 21 horas, na casa do presidente do PMDB e vice eleito, Michel Temer. O comandante da equipe transição de Dilma e presidente do PT, José Eduardo Dutra, representará o partido no jantar.

Nesta tarde, Dilma se reúne com os principais coordenadores da campanha para discutir a transição. Segundo o Martins Cardozo, não há motivo para descontentamento entre os aliados. 'Mas, se houve, vamos esclarecer', disse.

Primeiros nomes. Na reunião de segunda-feira, realizada na casa de Dilma, no Lago Sul, um dos bairros nobres de Brasília, foram escolhidos os primeiros nomes da equipe de transição, que será comandada por Dutra e pelo ex-ministro Antonio Palocci.

Além de Palocci, Dutra e Cardozo, participaram da reunião Alessandro Teixeira, da Agência Brasileira de Promoção de Importações e Investimentos (Apex), cotado para ser ministro da Micro e Pequena Empresa, Giles Azevedo, que pode vir a ser o chefe de gabinete da presidente, o ex-prefeito de Beleo Horizonte Fernando Pimentel e Clara Ant, que foi secretária particular do presidente Lula e participou da coordenação da campanha de Dilma.

Está previsto uma nova reunião da equipe de transição na sexta-feira, 5, sem a presença da presidente eleita, que pretende tirar um curto período de férias até domingo.

Com informações de André Mascarenhas
***
Fonte: http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/artigo.aspx?cp-documentid=26197364

FOLHA DE PERNAMBUCO: João Paulo afirma que Dilma tem lealdade

02.11.10

DÉBORA DUQUE

Satisfeito com a eleição da ex-ministra Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República, João Paulo (PT), coordenador da campanha da petista no Estado, só tem motivos para comemorar. Ao lado do governador Eduardo Campos (PSB), o ex-prefeito é tido como um dos protagonistas para o desempenho de Dilma em Pernambuco, onde alcançou 75% dos votos. No Recife, que já foi governada pelo petista, a ex-ministra obteve 66,35%. Unindo esse trunfo à condição de terceiro deputado federal mais votado de Pernambuco (264.250) e campeão de votos no Recife (154.971), João Paulo se credencia para uma eventual volta à Prefeitura, em 2012. Em entrevista à Rádio Folha 96,7 FM, o ex-prefeito admitiu ter novos planos. Entretanto, diferentemente do que aconteceu entre ele e seu ex-afilhado político, o prefeito João da Costa (PT), o petista acredita que a presidente eleita manterá uma relação de lealdade e confiança com o presidente Lula, a quem irá procurar na “hora das dificuldades”.


VOTAÇÃO DE DILMA EM PE

Foi dentro do esperado. É importante registrar aqui o esforço do governador Eduardo Campos (PSB). Foram momentos difíceis após a ida para o segundo turno, mas contamos com o apoio e a participação muito grande do governador e de muitos militantes do PSB. Nosso Jorge Perez (presidente estadual do PT) teve um papel importante nesse processo, também. Após fazermos uma análise do resultado no primeiro turno, vimos que, em torno de 500 mil votos, a diferença era na Região Metropolitana do Recife, onde jogamos mais força, participação, e acredito que atingimos o resultado que estava dentro da nossa perspectiva, que era em torno de uma votação de 76%. Erramos por menos de um ponto.

VITÓRIA

Eu falo em três elementos. Talvez em quatro. Primeiro, foi o desempenho que ela teve nos programas eleitorais, inserções e debates. Esse é um momento difícil para um candidato. Eu que já tinha uma certa experiência quando enfrentei Roberto Magalhães (pela PCR no ano 2000), sei das dificuldades que um candidato pode ter. Todo mundo falando o que ela deveria dizer ou o que ela deveria ser. Então, ela ficou tentando encontrar uma forma de melhor se apresentar, e acho que foi justamente no segundo turno que ela se encontrou e foi ela mesma. Apresentou mais segurança, mais confiança, levando o telespectador a dar uma maior credibilidade ao que ela falava. O outro elemento que eu atribuo foi a força de Lula. No segundo turno, ele voltou com garra, firmeza, defendendo o projeto e falando da ameaça que o Brasil e o povo iam sofrer com a vitória de Serra. O último elemento que foi o decisivo e também o grande divisor de águas da campanha foi, sem sombra de dúvidas, a participação da militância, que voltou às ruas e teve um papel fundamental na vitoria de Dilma.

PERSONALIDADE

Dilma é uma pessoa forte, com uma larga experiência política e administrativa. Não é pelo fato de a pessoa nunca ter assumido um cargo executivo que você pode dizer que não tenha, essencialmente, experiência. Ela tem uma bagagem de luta política muito grande. Veio de organizações revolucionárias onde foi muito aplicada na disciplina, na correção, na transparência, mas, acima de tudo, na lealdade. Numa organização como essa, a lealdade é coisa fundamental até para a própria sobrevivência do grupo. Ela tem todas as condições, inclusive, porque assumiu cargos importantíssimos no Governo Lula: foi chefe da Casa Civil, assumindo o cargo num momento de crise e desempenhando um papel fundamental para superá-la. Dilma possui plenas condições de dar continuidade ao projeto iniciado pelo presidente Lula.

LULA

Eu acho que Dilma tem um amigo, um companheiro, uma pessoa que confiou nela e depositou na mão dela a maior responsabilidade deste Brasil, que é administrar o Pais. Lula trabalhou para elegê-la. Para falar da relação dela com o presidente é melhor utilizar o que a própria Dilma falou sobre lealdade e compromisso. Na hora das dificuldades, ela vai procurar o presidente Lula para ajudá-la com sua experiência e trajetória política.

PMDB

O PMDB foi muito importante para vitória de Dilma. O partido vai ter uma participação no Governo. Agora, como vai ser e quais vão ser as pessoas, temos até o final do ano para decidir. O PMDB é um partido muito importante para o equilíbrio da democracia no Brasil porque tem um poder de fogo grande do ponto de vista da representatividade no Congresso Nacional. Essa força que ele tem vai ser levada em consideração, até para garantir a governabilidade.

MINISTÉRIOS

Se você vai para o contexto histórico, durante o Governo Lula, Pernambuco já teve dois ministérios, que foi o da Ciência e Tecnologia, com Eduardo Campos, e o da Saúde, com Humberto Costa. Dilma é quem vai definir como é que vai ficar. Agora, eu acredito que o voto não é critério para você ter espaço. Acho que o que deve contar são outros elementos. Eu digo isso porque já fui prefeito e sei as dificuldades que você têm de conciliar a capacidade técnica com a capacidade política. Muitas vezes você tem alguém com uma excelente técnica, mas que não entende de política, e aí você tem que saber administrar isso dentro de uma correlação de forças. Acho que Dilma vai estar muito livre e em condições de juntar as forças políticas que podem dar uma contribuição maior ao seu governo.

DILMA E O PT

Dilma é uma grande liderança do partido. Ela contou com o apoio de toda a direção nacional, da qual eu sou membro, e da executiva nacional. Nós temos um ambiente de apoio integral do partido que confiou no presidente Lula. A escolha dela como candidata se deu junto com o partido. Ela pode contar com centenas de companheiros e quadros importantíssimos no Brasil inteiro. A meu ver, ela não terá nenhum dificuldade. O PT vai atender a todas as suas necessidades para que ela possa fazer um grande governado.

LIDERANÇAS NO CONGRESSO

Nós temos bastante quadros com uma habilidade política muito grande. Dentro do PT, há um grande número de companheiros que possuem esses atributos para ajudar a presidente Dilma no Senado e na Câmara federal. No que depender de mim, quero ajudar nesse processo e ser um militante no parlamento nas grandes questões do Brasil, como a as reformas política e tributária

REFORMA POLITICA

Eu acho que há um consenso entre todos os partidos e lideranças políticas sobre a necessidade de haver uma reforma política no Brasil. Todos estão conscientes disso. Lógico que há muitos interesses em jogo. Mas acho que temos uma chance grande de efetuar a reforma, que tem que ser já no primeiro ano. Acredito que a presidente Dilma está disposta a fazer isso, só que não adianta nada só ela querer, como o presidente Lula quis, e o Congresso não se posicionar sobre o assunto. Não é uma questão só da liderança do Palácio do Planalto. Lula queria uma reforma tributária, chegou a conversar com prefeitos e governadores, encaminhou a proposta e ela não foi colocada em votação. Mas, agora, o momento político do Brasil é outro. Não vai ser uma vontade só do presidente.

COORDENAÇÃO

Isso não tem nada a ver com uma gratificação. Eu estou aqui porque o presidente Lula me chamou em Brasília, assim como chamou Marta Suplicy, por ser ex-prefeita de São Paulo, a capital econômica do País, e chamou Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, pela sua experiência de gestão bem avaliada, assim como foi a minha. Lula usou o seguinte termo: “Eu quero que vocês sejam os artíficies da eleição de Dilma e quero que vocês ajudem nesse processo”. Esse negócio de dizer que a gente iria para um ministério A,B ou C, se aceitássemos ser coordenadores da campanha, foi uma mentira que inventaram. Lula nunca nos chamou para dizer que íamos ser ministros. Eu cumpri minha tarefa política.

PAPEL

Eu não tenho vergonha nenhuma de ser o deputado com a votação que tive, em 39 anos de militância política. Estou bem, trabalhando muito. Dei muito de mim nessa campanha. Não deixei de reconhecer o papel que o governador teve durante essa campanha, principalmente no segundo turno, quando muitos desanimaram e duvidaram até da possibilidade de Dilma ganhar. Nós seguramos a peteca. Estou extremamente cansado, esgotado, mas acho que cumpri meu papel revolucionário.

AUSÊNCIAS NO 2º TURNO

Como estava quase certo que iríamos ganhar no primeiro turno, as pessoas se programaram para viajar com a família e dar uma descansada. Isso teve um impacto muito grande no recomeço da campanha, mas depois esses companheiros voltaram e se engajaram. Tanto é que melhoramos o resultado aqui.

SAÍDA DA SECRETARIA

Já cansei de dizer que nunca fui pedir espaço para ninguém, nem ao presidente Lula, nem ao governador Eduardo Campos. Entrei no Governo do Estado no momento em que fui convencido de que podia dar uma contribuição, inclusive, para a unidade das nossas forças, que estava um pouco ameaçada. A minha entrada junto com a de Luciana Santos se deu em função disso. Mas, lá, nós tivemos uma questão administrativa, e eu já deixei isso muito claro. Saí de cabeça erguida, olhando nos olhos, e por isso não houve nenhum abalo na minha relação com o governador. Eu entreguei o cargo e ainda pedi a exoneração de cinco ou dez pessoas que haviam entrado comigo lá.

FRENTE POPULAR

Eu acredito, sinceramente, que, pela capacidade trabalho e dedicação de Dilma e por tudo que está a aflorar do Governo Lula, vai reinar um clima de unidade das nossas forças. O desejo individual não pode atrapalhar o projeto geral, tanto de Dilma na Presidência, como o de Eduardo Campos aqui no Estado. Não pode haver uma divisão das nossas forças. Essa é uma conjuntura que eu não acredito. Na eleição do meu sucessor, nós tivemos 17 partidos na frente. Eu acho que se não houver uma mudança muito radical na conjuntura, não tem como quebrar essa unidade.

GOVERNO EDUARDO

Se ele achar que eu posso contribuir indicando alguém, eu vou apresentar as pessoas em que eu tenho confança. Eu trabalho em função de um projeto político de ver um Brasil melhor, uma cidade melhor. Não é em função de um cargo ou de espaço político.

2012

Isso não está nem em discussão. Dentro do PT, eu não conheço nem um embrião de discussão nesse sentido. Temos ainda uma estrada grande para percorrer até o próximo ano. Caberá às forças analisar junto com o partido se o nome colocado vai representar a continuidade do projeto e a possibilidade de vitória. Hoje, o povo quer Dilma presidente, o resto vai depender do cenário que vai estar construído em 2012 em relação a candidatos, correlação de força e avaliação da gestão. Eu não tenho bola de cristal.

POPULARIDADE

Saí com uma aprovação de 88%. O Recife me deu a maior votação que um deputado federal já teve na historia da cidade. Eu ganhei em todas as zonas eleitorais. Não fiz esse estudo, mas a informação que me deram é que, entre todas as urnas na cidade, o mínimo que tive foi 34 votos, empatando com Raul Henry (PMDB). Eu ganhei em todas as urnas. Tive uma gestão bem avaliada, o povo gosta muito de mim e senti isso por onde passei durante toda a campanha. Saí com um resultado extremamente positivo. O povo pernambucano me deu a maior votação de um deputado federal (do PT), inclusive, em relação a parlamentares de estados como Rio de Janeiro e São Paulo, que têm uma população muito maior. Foi um resultado significativo.

PLANOS.

O sentido da vida é a realização dos desejos. Nós temos que meditar para refinar os desejos. Meu desejo já foi atendido, que foi o de eleger Dilma presidente. Meu próximo desejo não posso revelar, porque atrapalha (risos).

OPOSIÇÃO

Tivemos muita experiência em ser oposição e não governo. Tanto que apanhamos muito. Eles não se acostumaram a ser oposição. Erraram a mão e isso trouxe um preço. Vão ter que rever essa prática agora.

***

Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/edicao-de-hoje/600987-joao-paulo-afirma-que-dilma-tem-lealdade

MST: Stédile acredita que novo governo terá mais condições de fazer reforma agrária avançar

Stédile destaca conflito permanente entre agronegócio e agricultura familiar (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Por: Daniel Mello
Publicado em 02/11/2010


São Paulo - O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, disse acreditar que o governo de Dilma Rousseff terá mais condições políticas do que teve a administração atual de fazer a reforma agrária avançar e de atender a outras demandas do setor.

“O Lula ganhou as eleições em um quadro de composição de forças muito adversas. Agora, eu acho que há uma composição de forças mais favorável a um programa de centro-esquerda”, ressaltou Stédile em entrevista à Agência Brasil e à TV Brasil.

Para o MST, entre as questões emergenciais para as quais o MST espera atuação mais efetiva do futuro governo, está o das 100 mil famílias acampadas em beira de estrada, “passando todo tipo de dificuldade, que precisa ter solução imediata".

O fortalecimento da agricultura familiar é, segundo Stédile, outro ponto que merece atenção da presidente eleita. “Há o confronto permanente entre dois modelos de agricultura”, destacou. De acordo com ele, esse embate ocorre entre o agronegócio – “que expulsa mão de obra e usa venenos” – e a agricultura familiar – “que absorve mão de obra e produz alimentos sem venenos”.

Como medida que beneficiaria os pequenos agricultores, o líder do MST defendeu o fortalecimento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), “como uma empresa pública que garante a compra dos produtos alimentícios dos pequenos agricultores”. Além disso, ele cobrou fiscalização mais rigorosa do uso de defensivos agrícolas. “A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) precisa ser fortalecida e ter uma política mais rigorosa sobre o uso de venenos”.

Caso as expectativas dos movimentos sociais não encontrem eco no novo governo, Stédile acredita que os trabalhadores rurais irão se organizar para reivindicar avanços. “As lutas sociais vão se desenvolvendo em função dos problemas".

O MST manifestou esperança em relação aos governos eleitos nos estados. Segundo o líder do movimento, em breve os novos governadores serão procurados para tratar das demandas da população do campo. “Nós vamos iniciar um processo de apresentação de propostas, de debate de ideias e, evidentemente, esperamos que os governos atendam a essa expectativa”, adiantou.

Fonte: Agência Brasil
***
Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/stedile-acredita-que-novo-governo-tera-mais-condicoes-de-fazer-reforma-agraria-avancar

Após derrota, analista vê PSDB caminhar à direita


Para especialista, Aécio não tem espaço para ser líder no PSDB e Serra terá um caminho difícil porque cargos seriam humilhantes


Por: Suzana Vier, Rede Brasil Atual
Publicado em 01/11/2010, 21:09


São Paulo - O PSDB deve assumir-se como partido de direita depois de perder a corrida presidencial com o ex-governador de Sâo Paulo, José Serra, segundo o professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Roberto Veras, em entrevista à Rede Brasil Atual. Para ele, Aécio Neves terá de enfrentar os tucanos paulistas e é possível até que ele deixe o partido. Serra tem poucas chances dentro do PSDB de São Paulo, diante das pretensões de Geraldo Alckmin, governador eleito dos paulistas.

Veras acredita que, após a campanha eleitoral, o PSDB vai se reestruturar para sua nova condição de "desaguadouro" de segmentos de extrema direita. "O Serra fez esse papel. Acolheu essas possibilidades. Ontem, no discurso, (ele) deixa nas entrelinhas que vai continuar reforçando essa perspectiva", situa. E embora esteja fragilizado com a segunda derrota para a Presidência diante de candidatos do PT, os tucanos ganham fôlego com a eleição de oito governadores, o partido que mais elegeu governadores.

Nesse cenário, o PSDB se tornaria um partido mais à direita, reunindo forças políticas, sociais e religiosas consideradas adormecidas desde o fim da ditadura militar. "No discurso depois da derrota, Serra manteve o tom agressivo, como se continuasse no palanque", analisa o pesquisador. "Certos segmentos vão assumir isso como condição de expressão de uma direita, junto com segmentos de classe média, que estão com muito ódio do que acontece no Brasil", descreve.

O sociólogo afirma que convive, a partir de agora no PSDB, uma convergência entre política neoliberal e fascismo. "A política neoliberal dos anos 1990, defendendo privatização abertamente, eixo no ajuste fiscal, reforma do Estado não se sustenta mais politicamente", resume. "Como o neoliberalismo no final do século passado sucumbiu com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ou (o PSDB) mobiliza um discurso de ultradireita que fala de aborto, religião, demônio ou não tem como mobilizar o povo e se legitimar. É disso que resulta a convergência entre neoliberalismo e fascismo", aponta o sociólogo.

A nova direita que se aproximou do PSDB seria movida, na visão de Veras, pelo preconceito de classes. "Eles estão mobilizados pelo preconceito contra Lula, agora contra a mulher, contra tudo que significa algum tipo de avanço social, moral, ético, político no Brasil", alerta. Segundo o pesquisador, esse segmento encontrou, no ninho tucano, "uma expressão explícita de suas posições que estavam nas sombras".

Para lidar com a reestruturação da direita, Veras avisa que a própria esquerda precisa se reorganizar e recuperar um discurso um pouco mais articulado. Ele considera emblemática a manifestação do cantor e compositor Chico Buarque no Rio de Janeiro, em outubro, bem como os manifestos de professores, artistas, e intelectuais. "É gente se mobilizando e mostrando o que (a esquerda) precisa defender", pontua.

Desgaste

José Serra deve enfrentar dias desgastantes, suscita Veras. Como ele já passou pela prefeitura de São Paulo e deixou o cargo para assumir o governo do estado, do qual se afastou para ser candidato à Presidência, seria "humilhante" voltar a disputar desses mesmos postos. O mesmo valeria para secretarias do governo paulista. "(Aceitar) qualquer cargo seria humilhante. Todas as saídas que ele tentar serão desgastantes", diz. A melhor alternativa a Serra seria se manter como quadro médio na oposição, "mas não mais de ponta". No melhor cenário, ele poderia pleitear uma vaga ao Senado daqui quatro anos.

Apesar disso, Veras aposta que Serra voltará a ser candidato à Presidência. "Ele sugeriu ontem (31/10) que vai continuar e é só o começo. Serra é muito orgulhoso para abrir mão da possibilidade de ser presidente ainda. Ele vai tentar mas vai ser muito difícil. Em São Paulo ele tem o Alckmin que não vai dar moleza pra ele", conjectura. "Aqueles abraços de ontem acabaram. O PSDB é especialista em afagos em público. Mas (vive) uma guerra desenfreada por dentro", cita o sociólogo.

Um exemplo dessa briga, foi a manifestação do coordenador de campanha de Serra, Xico Graziano. Pelo Twitter, ele ironizou a derrota em Minas. "Perdemos feio em Minas Gerais. Por que será!?" Coube ao presidente nacional do PSDB, Sergio Guerra, sair em defesa de Aécio sobre uma suposta traição. "Ele não tem autorização do partido para falar uma coisa dessas e está completamente equivocado", garantiu Guerra, em entrevista à Rádio CBN.

A figura do senador eleito Aécio Neves é vista por Veras como um líder da oposição que ambiciona a vaga de candidato à Presidência. Mas isso pode ser um problema para o ex-governador mineiro. "A dificuldade é articular o PSDB de Minas e o de São Paulo. É difícil Aécio ficar com as pretensões que ele tem", diz. Outro ponto nevrálgico do mineiro são as revelações sobre o dossiê contra Serra, que poderia ter origem em tucanos de Minas Gerais.
***
Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/apos-derrota-psdb-caminha-para-posicao-mais-a-direita

Hora de muito silêncio e pouca intriga. O resto é “lobby”

02.11.10
Por Brizola Neto

Ao contrário dos jornalistas, eu tenho o dever de falar pouco, neste momento, sobre a montagem do novo Governo.

Não é correto, no regime presidencialista, indicar nomes, embora seja legítimo que os partidos aliados tenham o desejo de participar do Governo, desde que a escolha de quem irá representá-los não seja impositiva, mas apenas indicativa.

A confiança pessoal, ao lado do significado político, é indispensável.

Ao contrário, os nomeados não seriam ministros da Presidente, mas dos partidos.

Mas posso e devo falar sobre as especulações que enchem os jornais. Não aposto um tostão furado no que está sendo dito sobre Lula defender – e aos montes – a continuidade de certos nomes nos ministérios.

Lula vai – e com toda a razão – e espera ser consultado sobre decisões de Dilma na composição do primeiro escalão do Governo. Vai – e deve – opinar.

Mas só quem não conhece política pode achar que ele iria defender por terceiros – e muito menos de forma que vazasse para a imprensa – a manutenção deste ou daquele ministro, mesmo que a deseje.

Lula sabe que isso criaria uma “cota” sua no Ministério. Ministros que, politicamente, deveriam sua indicação a Lula e colocariam Dilma numa posição de pouca ou nenhuma autoridade sobre seus atos.

Em relação a alguns nomes, como o do Ministro Nélson Jobim, não é novidade este lobby. Ele, que já se ofereceu nos jornais para ser ministro de um eventual Governo Serra, conta com a assessoria de imprensa informal da jornalista Eliane catanhêde para que a Folha publique que Lula teria sugerido sua continuidade, com o argumento de que o “passado guerilheiro” de Dilma poderia criar abalos no setor militar.

Balela. Puro lobby “ficacionista”. Se Jobim ficar – o que seria péssimo – será por causa, apenas, das negociações complexas do programa de modernização das Forças Armadas, sobretudo a questão da compra dos caças.

Lula – eu volto a apostar – está, a esta altura, rindo destas pressões. Ele não precisa de intermediários para falar com Dilma e falará, para sugerir nomes, o mínimo essencial.

Estamos vivendo um tempo de guerra intestina pela ocupação de cargos no novo Governo. E, como diz o ditado gaúcho, em tempo de guerra, boato é como terra.

o Governo Dilma é um governo de continuidade. O mais natural é que as mudanças vão ocorrendo, portanto, aos poucos, a começar das áreas que estão preenchidas com substitutos e por aquelas onde, na avaliação dela própria – que tem, como ex-chefe da Casa Civil todas as condições de julgar a afinidade e a operacionalidade de cada setor – novas nomeações possam resolver problemas crônicos. E, ainda, na acomodação de um quadro de forças saído da eleição que não estava posto no final do Governo Lula.

Portanto, eu diria aos que fazem este lobby que, se não é inútil, mais provavelmente é contraproducente.

Lula só intervirá na escolha a pedido da própria Dilma, ou se houver alguma situação aguda.
***
Fonte:http://www2.tijolaco.com/29859

José Dirceu no Roda Viva

02.11.10
Às vésperas do ano em que será julgado pelo STF no âmbito do processo do mensalão, vale a pena assistir à entrevista que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu concedeu ao programa Roda Viva na última segunda-feira. O blog agradecerá ao leitor que deixar sua opinião sobre o que assistir nos 4 blocos do programa, reproduzidos abaixo:

Bloco 1



Bloco 2



Bloco 3



bloco 4


****
Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2010/11/jose-dirceu-no-roda-viva/

Dilma e o controle remoto

02.11.10

Para quem gosta de acreditar que cada primeiro ato público de um governante eleito dá pistas sobre seu comportamento futuro, a concessão por Dilma Rousseff à Record de sua primeira entrevista oficial é um prato cheio. O fato pode indicar desdobramentos de relevo no futuro próximo.

Curiosamente, devido à maior audiência da Globo, leitores não souberam do fato imediatamente e, assim, vieram reclamar, no primeiro dia útil após a eleição de Dilma, de que ela teria concedido a sua primeira entrevista ao Jornal Nacional, da mesma Globo que tantas armou contra si e contra o presidente Lula.

Dilma afirmou, sem meias palavras, que considera o controle remoto como o único que pode ser usado para controlar o comportamento de uma concessão pública de televisão.

O ato estudado de escolha da Record como primeira emissora a que concederia entrevista, e a postura que adotou na entrevista à segunda emissora, a Globo, insinuam que a nova presidente será menos veemente do que Lula contra posturas agressivas da imprensa contra si, ao menos do ponto de vista retórico, mas que talvez seja menos passiva.

Se não assistiu, assista, abaixo, a primeira entrevista da presidente eleita, Dilma Rousseff, à imprensa brasileira.


***
Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2010/11/dilma-e-o-controle-remoto/

Será que a imprensa condenará França e Inglaterra?

02.11.10
O que Brasil e Turquia fizeram nas negociações com o governo iraniano foi encontrar uma saída pacífica para a questão nuclear, com o enriquecimento do urânio iraniano sendo feito fora do país. Mas o Ocidente preferiu apostar nas sanções e no conflito e desprezou uma solução diplomática conquistada por quem está interessado na paz.

O curioso é que os críticos do Irã jamais levantam a voz contra Israel ou qualquer país que tenha ou desenvolva armas nucleares. São porta-vozes de Washington. Se os EUA são contra o Irã, eles também o são. Assim como fazem em relação a Cuba e Venezuela.

Gostaria de saber se irão criticar Inglaterra e França por terem assinado hoje um tratado de cooperação militar, que inclui o teste de ogivas nucleares. Como conta a BBC, um centro será criado na Inglaterra para desenvolver a tecnologia de testes nucleares, e a França se encarregará de realizar os testes propriamente ditos. Os dois países juntos possuem mais de 500 ogivas nucleares, mas eles podem tê-las e até ampliá-las, mas o Irã não.

A posição brasileira não é a de defender bombas para todos, mas igualdade para todos. O Brasil é signatário do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares e o cumpre. A aposta do país é na redução do atual arsenal. E no caso do Irã, emprestou seu prestígio internacional para permitir que o país desenvolvesse a tecnologia para fins pacíficos, já que o enriquecimento do urânio seria feito fora de seu território e a 20% de pureza, um nível insuficiente para a produção de armas. Dizer que o Brasil se meteu onde não devia e que contribuiu para fortalecer Ahmadinejad é subordinação e má fé.

Aliás, em matéria de Defesa, é muito importante que o Brasil trabalhe de forma incisiva. A modernização de nossas forças militares, uma imposição para qualquer governante, não prescinde da política de fortalecimento do bloco sul-americano, de forma a banir, de uma vez por todas, qualquer presença militar exógena no continente. As nações sul-americanas, que só investem – e pouco – em armamento defensivo, não podem ser compelidas a elevar seus gastos militares pela pressão de bases norte americanas ou de outras potências num raio que permita ações agressivas.
***
Fonte:http://www2.tijolaco.com/29850

Fúria da mídia contra os Kirchner

TERÇA-FEIRA, 2 DE NOVEMBRO DE 2010
Reproduzo artigo de Mário Augusto Jakobskind, publicado no sítio Direto da Redação:

A Argentina e a América Latina estão de luto com a perda de Néstor Kirchner, o líder político que acabou com a impunidade de assassinos e torturadores da época da ditadura e conseguiu enfrentar a herança maldita do neoliberalismo de Menem e da terra arrasada dos militares que tomaram o país com o golpe de 1976. Néstor Kirchner fez o que pôde nas circunstâncias em que encontrou o país.

A mídia de mercado, na Argentina bastante vinculada ao setor dos produtores rurais, nunca aceitou Néstor, da mesma forma que a atual Presidente Cristina Fernández Kirchner, esta sobretudo pelo fato de sancionar a lei dos meios de comunicação, amplamente discutida pela sociedade argentina e aprovada pelo Congresso.

Os proprietários dos jornais Clarín e La Nación estavam em guerra com Néstor e Cristina, o mesmo acontecendo com os demais jornalões e telejornalões da Argentina e de outros países da América Latina. Diariamente, a mídia hegemônica brasileira também demoniza os Kirchner com mentiras primárias.

Teve até uma jornalista argentina que escreveu um livro afirmando que Néstor tinha dado um soco em Cristina que a fez cair, ao se desentenderem durante uma crise fabricada pelos produtores rurais. Jornais brasileiros – O Globo, por exemplo –, passando pelos de sempre, deram destaque ao fato sem o menor fundamento, claro, que se insere no contexto da queima de imagem do casal.

É o que se pode denominar de baixo jornalismo. Este gênero encontra muito espaço na mídia de mercado, que nos últimos tempos aqui no Brasil está agindo como um partido político de direita. Com a morte de Néstor, os mesmos jornais que o combatiam seguem agora desqualificando Cristina Kirchner. A presidente argentina é apresentada como uma mera marionete de Néstor, como se ela nem sequer pensasse.

Analistas de sempre e o noticiário de um modo geral demonstram grande preconceito pelo fato de ser ela uma mulher. É visível pelo tipo de colocações que são feitas. É inegável que a morte de Nestor Kirchner terá consequências na política argentina, mas daí a se afirmar, como fazem os analistas da mídia de mercado, que Cristina desde já vai entregar os pontos ou não terá condições de governar sem o marido, é realmente desqualificá-la.

Cristina em vários momentos, inclusive como senadora, demonstrou ter vida própria e posições de destaque, o que não pode ser negado ou esquecido nas análises políticas sobre a Argentina. O tempo dará a resposta aos que hoje, de forma preconceituosa, colocam em dúvida se Cristina continuará a levar adiante a proposta do peronismo sem a influência perniciosa dos setores conservadores.

Possivelmente Cristina continuará enfrentando a ira dos barões da mídia, que não se conformam com o fato de os meios de comunicação estarem agora sujeitos a uma legislação democrática, amplamente discutida pelos movimentos sociais argentinos.

Antes do conflito com os produtores rurais, que queriam manter vantagens econômicas prejudiciais aos interesses da maioria do povo argentino e foram barrados pelo governo, ou mesmo antes da apresentação da legislação sobre os meios de comunicação, a então senadora Cristina chegou a ser apresentada por alguns veículos de imprensa como uma figura de destaque e mesmo com certa ascendência política sobre o então Presidente Nestor Kirchner.

Mas depois, Cristina passou a ser linchada pela mídia de mercado de forma visivelmente preconceituosa. Prevaleceu a cultura machista de que a mulher não tem luz própria. Trata-se de um preconceito secular que ainda se arrasta em alguns setores conservadores, mas pouco a pouco, felizmente, vem sendo superado.

A eleição presidencial no Brasil, por sinal, contribuiu nesse sentido, embora também os setores conservadores procurassem em suas campanhas apresentar a provável sucessora de Lula apenas como uma política fabricada pelo Presidente e sem vida própria. E na internet, o preconceito contra Dilma Rousseff seguiu a mesma linha machista e de baixo nível.

Alea jacta est. Nesta noite de domingo (31) quando esta reflexão estiver no ar, brasileiras e brasileiros saberão quem foi escolhido para governar o país por quatro anos a partir de 1 de janeiro de 2011. Os institutos de pesquisa DataFolha, Sensus, Ibope. Vox Populi apresentaram percentuais em favor da candidata Dilma Rousseff variando entre 10 e 14 pontos.

Se falharem em suas previsões ficarão queimados para sempre, só lhes restando fechar as portas e pedir desculpas públicas. Mas será que diante de tamanha diferença ainda há condições de alguma surpresa? Como eleição se decide mesmo na contagem do último voto resta aos mortais aguardar o desenrolar dos acontecimentos.

Em tempo: nem bem algumas assembleias legislativas colocaram na mesa de discussão a criação de um Conselho Estadual de Comunicação, no Estado do Rio apresentada pelo deputado Paulo Ramos (PDT), a mídia de mercado começou uma grita apoplética, como sempre misturando o conceito de liberdade de imprensa com liberdade de empresa. Até porque não está em jogo, como “informam” os jornalões e telejornalões, a liberdade de imprensa.

Está na hora de a sociedade brasileira colocar como prioritário para debate a questão dos meios de comunicação, pois sem a democratização do setor, o país continuará sob o domínio absoluto dos barões da mídia que não aceitam nenhum tipo de debate ou muito menos perder privilégios que na prática afetam o respeito ao direito humano da informação.

Em tempo 2: nem vale a pena perder tempo em analisar o debate da TV Globo, na última sexta-feira, mas só destacar que foi uma cópia mal feita do que fazem as TVs nos Estados Unidos. E cá entre nós, as câmaras manipularam as imagens favorecendo visivelmente ao candidato da casa, ou seja, Serra. E que indecisos foram os perguntadores? Um deles aplaudiu Serra.
***
Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2010/11/furia-da-midia-contra-os-kirchner.html

Emir Sader: o pós-Lula é Dilma

02.11.10

Os brasileiros decidiram que depois do Lula querem a continuação e o aprofundamento do seu governo. Preferiram a Dilma – a coordenadora e responsável central pelo desempenho ascendente dos últimos cinco anos do governo, que desemboca no recorde de 83% de apoio e 3% de rejeição – para sucedê-lo.

Por Emir Sader, em seu blog

O dilema colocado pelas eleições brasileiras era a definição sobre se o governo Lula seria um parêntese na longa história de dominação das elites no país ou se se constitui numa ponte para sair definitivamente do modelo
herdado e construir um Brasil solidário, justo e soberano.

Triunfou esta via, pelo voto majoritário dos brasileiros, prioritariamente os dos beneficiários das políticas sociais que caracterizam o governo de Lula: os mais pobres, os que vivem nas regiões tradicionalmente mais pobres – o norte e o nordeste do Brasil.

Foi um voto claramente direcionado pela prioridade do social que caracterizou centralmente o governo Lula. No país mais desigual do continente mais desigual, a maior transformação que o Brasil viveu nestes oito anos foi a diminuição da desigualdade, da injustiça, como resultado das políticas sociais do governo. Nunca havia acontecido, seja em democracia ou em ditadura, em ciclos expansivos ou recessivos da economia. Aconteceu agora, de forma contundente, transferindo para o centro da pirâmide de grupos na distribuição de renda, a maioria dos brasileiros.

Esse foi o fator decisivo para que, mesmo tendo praticamente toda a imprensa, em bloco, militantemente, contra seu governo e sua candidata, Lula e Dilma saíram vencedores.

A oposição, derrotada na comparação dos dois governos, buscou um atalho para chegar por outra via aos setores da população: a questão do aborto, valendo-se dos preconceitos reinantes e da ação de religiosos.

Conseguiram um sucesso efêmero, que levou a eleição para o segundo turno, mas, uma vez que a política voltou ao centro da campanha, a comparação entre os dois governos e a condenação das privatizações levaram à vitória da Dilma.

Que representa não apenas a eleição da primeira mulher presidente da República, mas também de uma militante da resistência contra a ditadura, presa e torturada pelo regime militar. Que representa o primeiro presidente que consegue eleger seu sucessor.

Depois da reeleição de Evo Morales e de Pepe Mujica sucedendo a Tabaré Vazquez, o Brasil se soma ao grupo de países que reafirmam o caminho da integração regional e não do TLC com os EUA, da prioridade das políticas sociais em relação ao ajuste fiscal, com Dilma sucedendo a Lula.

O povo brasileiro decidiu, em meio a fortes pressões do monopólio privado da mídia e de forças obscurantistas, que o pós-Lula terá na Presidência do Brasil aquela que Lula escolheu para sucedê-lo, para continuar e aprofundar as transformações que tem feito o Brasil ser um país mais justo, solidário e soberano.
***
Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2010/11/conselhos-inverdades-e-desinformacao.html

Discurso de Serra aliou deselegância e ressentimento

01.11.10

O discurso do candidato derrotado no domingo inovou: tardou para reconhecer a vitória de Dilma Rousseff e foi, numa hora imprópria, um canto de guerra contra a nova presidenta

Por José Carlos Ruy

Deselegância e ressentimento – estas foram as marcas da reação tucana à derrota eleitoral do dia de ontem, 31 de outubro. O grande cardeal peessedebista Fernando Henrique Cardoso respondeu aos acenos conciliatórios da nova presidenta Dilma Rousseff dizendo que as “pontes foram queimadas” entre seu partido e o PT. E foi petulante quando, referindo-se aos oito anos do governo Lula, reclamou por não ter sido consultado sobre questões nacionais, numa clara demonstração da pretensão descabida que manteve de monitorar seu sucessor e influir em seu governo!

A mais forte manifestação de deselegância e ressentimento foi dada, no entanto, pelo candidato derrotado José Serra. Ele não seguiu a tradição de reconhecer publicamente a derrota antes do discurso da vencedora – Serra falou, em seu comitê de campanha, em São Paulo, aos escassos correligionários que lá estavam, depois do emocionado e afirmativo discurso de Dilma Rousseff, a quem formalmente desejou no exercício da Presidência a partir do dia 1º de janeiro de 2011.

O discurso de Serra misturou o agradecimento aos que votaram nele, a gratidão à militância tucana, o desapontamento pela derrota e a proclamação da guerra aberta contra o governo de Dilma Rousseff, desmentindo todas as proclamações pela unidade dos brasileiros que os tucanos fizeram durante a campanha eleitoral. Eles levantaram contra Lula, Dilma, e as forças democráticas e populares a acusação falsa de dividirem o país. Mas o discurso de Serra e as reações de outros dirigentes tucanos trouxeram embutidos, eles sim, a cizânia e a pregação de um confronto que extrapola as disputas eleitorais.

Serra tem o direito de alimentar pretensões políticas. Sinalizou isso ao dizer “quis o povo que não fosse agora”, insinuando-se desde já como candidato para 2014. Ou quando se despediu com um “até logo” e não um mero adeus. Um político de seu porte e projeção não poderia fazer diferente.

O que causou estranheza em seu discurso foi o tom bélico e agressivo com que anunciou sua disposição futura. “Nós apenas estamos começando uma luta de verdade” para dar “dar a nossa contribuição ao país, em defesa da pátria, da liberdade e da democracia”, disse. Lembrou Jânio Quadros quando se referiu a “forças terríveis” enfrentadas nos meses “duríssimos” da campanha eleitoral, contra as quais vocês “formaram uma grande trincheira, construíram uma fortaleza e consolidaram um campo político de defesa da liberdade, da democracia e das grandes causas econômicas no Brasil”. E terminou com um “a luta continua”.

Serra demonstra a vontade de comandar uma oposição ao governo de Dilma Rousseff vestida com os mesmos trajes guerreiros usados durante a campanha de mentiras e calúnias da disputa eleitoral. Resta saber se terá meios para isso com a perda de força da direita nesta eleição. O DEM sai profundamente enfraquecido; o PPS com a perspectiva de liquidação enquanto força política independente e anexação a um PSDB rachado de alto a baixo e sem outro nome de expressão nacional além do ex-governador mineiro Aécio Neves, um inimigo íntimo de José Serra.

São partidos cuja força declina a nível nacional e que se acomodam, agora, à uma expressão estadual e mesmo municipal. Nem se diga, como repetem os jornalões neste day after eleitoral, que o PSDB vai governar mais da metade do eleitorado brasileiro, um argumento que serve mais de consolo para a derrota do que para compor um retrato efetivo do comportamento do eleitorado. Primeiro porque são estados onde, mesmo naqueles em que ficou atrás de Serra, Dilma teve expressiva votação. Os estados, aliás, não são feudos ou currais eleitorais controlados por seus dirigentes! Depois, porque nenhum deles será governado por figuras cuja influência extrapole seus limites locais e tenham forte expressão nacional: a direita está carente de figuras desta dimensão.

Além disso, como ficou cristalino ao longo da campanha eleitoral, a direita neoliberal não tem um projeto de nação que possa ostentar abertamente. Seu programa é a surrada ladainha neoliberal, privatizante e antinacional, rejeitada nas urnas depois de infelicitar a nação nos oito anos em que estiveram à frente do governo, com Fernando Henrique Cardoso.

A perspectiva que se abre para a oposição neoliberal é um rearranjo de forças e uma reorganização de suas lideranças. Esta talvez seja outra leitura possível do discurso de Serra – a pretensão de se capacitar para permanecer no comando de uma oposição que ameaça girar no vazio de lideranças nacionais. Não será uma tarefa fácil para José Serra dada a coleção de desafetos que seu estilo reconhecidamente desagregador acumulou mesmo entre aqueles que, no período eleitoral, estiveram a seu lado.
****
Fonte:http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=140644&id_secao=1