segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Viva o povo do Nordeste! Nos ajudou a derrotar Serra de forma humilhante!

01.10.10
A derrota humilhante de J. Serra está deixando os seguidores radicais do ex-quase-Führer mais extremados do que nunca, ao ponto de exporem suas entranhas mais pútridas em público sem qualquer medo.

Os alvos, é claro, não poderiam deixar de ser os Nordestinos, povo aguerrido e batalhador que ajudou o resto do Brasil a dar uma banana para Herr Serra de forma ainda mais humilhante.

Os racistas que votaram no candidato da extrema-direita não aceitam a derrota e culpam os nossos irmãos do Nordeste, ignorando mais uma vez a verdade factual: Dilma teria sido eleita mesmo se o Nordeste não existisse.

Vejam o levantamento feito pelo Maurício Ayer do Futepoca:

Total de votos válidos: 99.462.514

Total de votos de Dilma: 55.752.092
Total de votos de Serra: 43.710.422

Votos de Dilma no Nordeste: 18.380.942
Votos de Serra no Nordeste: 7.673.776

Votos de Dilma excluindo o Nordeste: 37.371.157
Votos de Serra excluindo o Nordeste: 36.036.646

Assim, excluindo o Nordeste, Dilma venceria por 51% a 49%. Uma vitória apertada, mas ainda assim incontestável, por mais de 1 milhão de votos. Como o Nordeste existe, Dilma abriu a ampla vantagem de 12 milhões de votos.

Mas, como sabemos, a verdade factual não importa nada para a moçada que se informa pela revista Veja e pelo Jornal Nacional. Assim, movidos pelo ódio e pela intolerância produzem coisas como a mostrada abaixo e dão um incontestável indício do que seria um governo liderado por J. Serra:
*****
Fonte:http://tudo-em-cima.blogspot.com/2010/11/viva-o-povo-do-nordeste-por-nos-ajudar.html

HOMENAGEM AO PRESIDENTE LULA

SEGUNDA-FEIRA, 1 DE NOVEMBRO DE 2010


***
Fonte:http://saraiva13.blogspot.com/2010/11/homenagem-ao-presidente-lula.html

A primeira presidenta e um inédito reencontro com o passado

Poder-se-iam elencar 13 sólidas razões no campo da política, ou um motivo mais fundamental, que aludisse à alma da nação, ou um incontável rosário de números, fatos e dados para explicar a eleição de Dilma Rousseff. Poderíamos recorrer às doutas palavras do Enéas de Souza, da Fundação de Economia de Estatística/ RS:


Ela foi uma espécie de Super-Ministro do Planejamento. Logo de saída, deu ordenação e coerência nas obras dos diversos ministérios. Deu unidade e tornou denso o trabalho do governo. Pois, antes de Dilma, as pernas estavam para um lado, os braços para outro, a cabeça jogada lá diante, e os calcanhares e os pés andavam sozinhos pela Esplanada dos Ministérios. Tudo existindo, mas, todas as partes dispersas.

Uma espécie de diáspora do governo Lula. Dilma fez como os mágicos: agregou um cenário ao conjunto e reuniu tudo num corpo só. E surgiu daí a envergadura do governo Lula. Era o que o político Lula precisava. Tinha que vir alguém que soubesse organizar as peças do governo numa cara de governo. Precisava de um ministro que planejasse e coordenasse as ações para que Lula se tornasse o estadista. E ele o foi. E é.

Assim, no final do Lula I, a população já tinha se dado conta que todo um projeto estava organizado: aumento de salário mínimo consistente, Bolsa Família, crédito consignado, ProUni. E Dilma, vindo do Ministério de Minas e Energia acrescentou o que faltava: Luz para Todos. [...]

O Luz para Todos. Se pensarmos bem foi um dos grandes projetos de Dilma. Pense o leitor e imagine. Na época, discutia com um amigo e lhe disse: “Ah, você acha que esse é um programa banal, é? Faça o seguinte, você que é classe média: apague as luzes da sua casa e fique uns 15 dias sem luz. Pense como será o seu dia; pense, sobretudo, como será a sua noite. Você está na Idade Média. São 15 milhões de pessoas que viajaram 500/600 anos”



Poderíamos seguir elencando razões e fundamentos, mas com esse rol não esgotaríamos o significado da eleição de Dilma Rousseff, posto que é por demais poderoso e simbólico o que acontece no Brasil neste 31 de outubro. Para além de toda política, para além de todos os números do Bolsa Família, do ProUni e da ascensão à classe média, essa potente simbologia repousa em dois ineditismos extraordinários de Dilma: ela é nossa primeira presidenta e nosso primeiro reencontro de cabeça erguida com o passado traumático da ditadura (ela também será nossa primeira presidente atleticana, mas o blogueiro concede que este fato é de importância ligeiramente menor que os outros dois).

O giro que descreve Enéas de Souza foi fruto, sem dúvida, da sintonia inaudita que se desenvolveu entre Lula e Dilma, já na época das Minas e Energia, mas especialmente depois que ela chega à Casa Civil em meio à tempestade de 2005, e arruma a casa no Ministério mais importante da Esplanada. O machismo com que foi representada essa sintonia na nossa mídia é mais um capítulo enlameado da história desta campanha (e razão pela qual nunca é demais recordar que os conglomerados midiáticos são os últimos a ter o direito de criticar a sujeira destas Presidenciais 2010).

Dilma Rousseff, mulher de classe média que, sem carecer, lançou-se a enfrentar a ditadura, foi barbaramente torturada e não delatou companheiros,levantou-se, sacudiu, deu a volta por cima, serviu como Secretária da Fazenda no mandato de Alceu Collares (PDT) que iniciou histórica hegemonia de esquerda em Porto Alegre, repetiu a dose como Secretária de Minas e Energia do Rio Grande do Sul, tanto sob Collares como sob Olívio Dutra (PT), ascendeu ao governo federal, consertou a calamitosa situação deixada pelos apagões de FHC nas Minas e Energia, assumiu a Casa Civil em meio à maior crise política desde o Collorgate e pilotou a maior redução da desigualdade da história da nação, essa, ninguém menos que essa mulher foi apresentada como “poste”, “desconhecida” ou, no máximo, “bem treinada”, quando surpreendia os preconceitos dos semiletrados jornalistas brasileiros com seu impressionante domínio dos números e dos mecanismos da máquina federal.

Para ir além do pobre sexismo das análises que vimos na mídia brasileira sobre a relação entre Lula e Dilma, há que se recordar a história do PT e o profundo incômodo que, com frequência, sentia Lula ante a atuação das alas “intelectuais” do partido, desde os seus economistas e sociólogos até os militantes de classe média oriundos da esquerda organizada. Dilma vem desse mundo, mas ela é, sobretudo, uma cabeça prática, executiva, que faz acontecer, com assombrosa capacidade de assimilação e processamento de dados. A combinação que realiza Dilma entre a paixão e a entrega militantes, por um lado e, por outro, o talento prático já desprovido das enrolações retóricas de tantos quadros da esquerda, absolutamente encantou e seduziu Lula, já antes da posse em 2003. Quando todos apostavam que Luis Pinguelli Rosa seria o escolhido para a pasta das Minas e Energia, surge Dilma, já destacando-se com seu laptop, domínio dos números e conhecimento prático da matéria. Lula encontrou ali uma alma gêmea, e é esse pé de igualdade na sintonia o que retrata esta foto, mais reveladora que todas as matérias e colunas:
Também é da ordem do verdadeiro dito mais profundamente pela imagem que pela palavra a fotografia tirada por Ricardo Stuckert nesta sexta-feira, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde Lula visitava José Alencar e prometia: Zé, nós subimos a rampa juntos, vamos descer juntos. O carinho demonstrado nesta foto diz mais que todas as análises do lulismo como recomposição da aliança de classes no Brasil. Lula e Zé:

As duas fotos não estão, evidentemente, desvinculadas. A capacidade de gestão de Dilma e a facilidade com que ela conversa com os vários setores da sociedade são parte integrante do pacto de classes que se arma no Brasil do lulismo de resultados, e que tem nesse gesto de amor no Sírio-Libanês o seu mais acabado emblema.

O blog deseja um bom voto a todos na Pátria Amada, promete comentários em vídeo, ao vivo, durante o dia, e parabeniza Carlos Drummond de Andrade e John Keats por fazerem aniversário no dia em que o Brasil elegerá sua primeira presidenta.

***
Fonte:http://www.idelberavelar.com/

Desafios para o governo Dilma

01/11/2010
Leonardo Boff

Celebramos alegremente a vitória de Dilma Rousseff. E não deixamos de folgar também pela derrota de José Serra que não mereceu ganhar esta eleição dado o nível indecente de sua campanha, embora os excessos tenham ocorrido nos dois lados. Os bispos conservadores que, à revelia da CNBB, se colocaram fora do jogo democrático e que manipularam a questão da descriminalização do aborto, mobilizando até o Papa em Roma, bem como os pastores evangélicos raivosamente partidizados, saíram desmoralizados.

Post festum, cabe uma reflexão distanciada do que poderá ser o governo de Dilma Rousseff. Esposamos a tese daqueles analistas que viram no governo Lula uma transição de paradigma: de um Estado privatizante, inspirado nos dogmas neoliberais para um Estado republicano que colocou o social em seu centro para atender as demandas da população mais destituída. Toda transição possui um lado de continuidade e outro de ruptura. A continuidade foi a manutenção do projeto macroeconômico para fornecer a base para a estabilidade política e exorcizar os fantasmas do sistema. E a ruptura foi a inauguração de substantivas políticas sociais destinadas à integração de milhões de brasileiros pobres, bem representadas pela Bolsa Família entre outras. Não se pode negar que, em parte, esta transição ocorreu pois, efetivamente, Lula incluiu socialmente uma França inteira dentro de uma situação de decência. Mas desde o começo, analistas apontavam a inadequação entre projeto econômico e o projeto social. Enquanto aquele recebe do Estado alguns bilhões de reais por ano, em forma de juros, este, o social, tem que se contentar com bem menos.

Não obstante esta disparidade, o fosso entre ricos e pobres diminuiu o que granjeou para Lula extraordinária aceitação.

Agora se coloca a questão: a Presidenta aprofundará a transição, deslocando o acento em favor do social onde estão as maiorias ou manterá a equação que preserva o econômico, de viés monetarista, com as contradições denunciadas pelos movimentos sociais e pelo melhor da inteligentzia brasileira?

Estimo que, Dilma deu sinais de que vai se vergar para o lado do social-popular. Mas alguns problemas novos como aquecimento global devem ser impreterivelmente enfrentados. Vejo que a novel Presidenta compreendeu a relevância da agenda ambiental, introduzida pela candidata Marina Silva. O PAC (Projeto de Aceleração do Crescimento) deve incorporar a nova consciência de que não seria responsável continuar as obras desconsiderando estes novos dados. E ainda no horizonte se anuncia nova crise econômica, pois os EUA resolveram exportar sua crise, desvalorizando o dólar e nos prejudicando sensivelmente.

Dilma Rousseff marcará seu governo com identidade própria se realizar mais fortemente a agenda que elegeu Lula: a ética e as reformas estruturais. A ética somente será resgatada se houver total transparência nas práticas políticas e não se repita a mercantilização das relações partidárias("mensalão").

As reformas estruturais é a dívida que o governo Lula nos deixou. Não teve condições, por falta de base parlamentar segura, de fazer nenhuma das reformas prometidas: a política, a fiscal e a agrária. Se quiser resgatar o perfil originário do PT, Dilma deverá implementar uma reforma política. Será difícil, devido os interesses corporativos dos partidos, em grande parte, vazios de ideologia e famintos de benefícios. A reforma fiscal deve estabelecer uma equidade mínima entre os contribuintes, pois até agora poupava os ricos e onerava pesadamente os assalariados. A reforma agrária não é satisfeita apenas com assentamentos. Deve ser integral e popular levando democracia para o campo e aliviando a favelização das cidades.

Estimo que o mais importante é o salto de consciência que a Presidenta deve dar, caso tomar a sério as consequências funestas e até letais da situação mudada da Terra em crise sócio-ecológica. O Brasil será chave na adaptação e no mitigamento pelo fato de deter os principais fatores ecológicos que podem equilibrar o sistema-Terra. Ele poderá ser a primeira potência mundial nos trópicos, não imperial mas cordial e corresponsável pelo destino comum. Esse pacote de questões constitui um desafio da maior gravidade, que a novel Presidenta irá enfrentar. Ela possui competência e coragem para estar à altura destes reptos. Que não lhe falte a iluminação e a força do Espírito Criador.

Leonardo Boff é Teólogo
****
Fonte:http://www.brasildefato.com.br/node/4541

Dilma Rousseff diz que anunciará ministério 'por blocos'

01/11/2010
Presidente eleita concedeu entrevista ao vivo ao 'Jornal Nacional'.
Segundo ela, critérios técnicos e políticos vão determinar o ministério
.
Do G1, em Brasília

A presidente eleita Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira (1º), em entrevista ao vivo ao "Jornal Nacional", que a composição do futuro ministério vai se definir por critérios técnicos e políticos.

Nós vamos ter de ver a composição do governo, que tem esses dois aspectos. Eu vou me esmerar para ter um governo em que o critério de escolha dos ministros e dos cargos da alta administração sejam providos por esses dois critérios", afirmou.

Ela disse que o anúncio dos integrantes do ministério não será "fragmentado". Segundo a presidente eleita, ainda não há nomes definidos.

“Não digo que vou anunciar um bloco inteiro, todo o governo, mas eu pretendo não fazer anúncios fragmentados, espalhados ou individualizados [e sim] fazer por blocos", declarou.

Dilma disse que nos primeiros dias de seu governo pretende fazer uma reunião com os governadores eleitos para tratar de saúde e segurança.
Economia

A presidente eleita afirmou que não pretende mexer no câmbio. “Eu acho que o câmbio é flutuante. No entanto, indícios de que há hoje no mundo uma guerra cambial são muito fortes. Acho que tem moedas subvalorizadas. Então, eu acredito que uma das coisas importantes são as reuniões multilaterais em que fique claro que nós, por exemplo, iremos usar de todas as armas para impedir o dumping, política de preço que prejudique as indústrias brasileiras e vou olhar com muito cuidado, porque não acredito que manipular câmbio resolva coisa alguma”, declarou.

Dilma afirmou ter compromisso com a estabilidade e disse trabalhar com a expectativa de um crescimento da economia mundial em nível menor que o atual.

“Eu tenho um compromisso forte com a questão dos pilares da estabilidade macroeconômica, com o câmbio flutuante, e nós temos hoje uma quantidade de reservas que permite que a gente se proteja em relação a qualquer tipo de guerra ou de manipulação internacional. Mas eu acredito também, Bonner, que nós iremos passar por um momento em que o mundo vai estar com um nível de crescimento menor.”

Segundo Dilma, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em telefonema a ela para dar os cumprimentos pela vitória na eleição, demonstrou preocupação com a recuperação da economia norte-americana.

“Hoje inclusive o presidente Obama me cumprimentou e externou a preocupação dele com as taxas de desemprego dos Estados Unidos. Ele, bastante preocupado com a economia americana no que se refere à sua recuperação. Agora, acredito também que os ajustes das economias internacionais não podem ser feitos com base em desvalorizações competitivas, em que você tenta ganhar seu ajuste nas costas do resto do mundo. Também não está certo isso.”

Anúncio da vitória

Dilma disse que levou um pouco de tempo para “absorver o impacto” da confirmação da vitória. “Na hora que vem a notícia, você está assim um pouco anestesiado e aí é preciso que o tempo passe para que você absorva todo o impacto duma notícia desse tamanho, que é uma notícia com a grandeza do Brasil, porque não é uma notícia qualquer. É uma notícia assim: daqui para frente você vai ser responsável por esse país continental, imenso e por 190 milhões.”

A presidente eleita afirmou que chorou várias vezes. “Eu chorei depois, eu fui chorando aos poucos. Não chorei assim, de uma vez só. Eu chorei lá, quando eu falei [em seu pronunciamento após a confirmação de que venceu o segundo turno], eu chorei um pouco. Eu chorei chegando em casa, bastante.”

Dilma afirmou que também chorou, “por dentro e por fora”, ao falar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu primeiro primeiro discurso. “Ali eu chorei. O pessoal disse que eu me contive; não, eu chorei por dentro e por fora um pouco.”

Escolha para a sucessão

A presidente eleita lembrou do processo de escolha de seu nome para suceder o presidente Lula. "Eu nunca imaginei ser presidente da República. Eu sempre fui uma servidora pública.

Acredito que ser servidora pública é uma coisa importante porque a relação que a gente tem que ter com o Estado não pode ser o Estado nos servindo, mas nós servindo o Estado e a sociedade."

Ela afirmou que começou a se convencer "aos poucos" de que deveria disputar as eleições, quando o presidente Lula passou a cogitar o nome dela para a suecessão dele. "Quando o presidente começou a dar sinais que ele queria que eu fosse a sua sucessora, a primeira reação que eu tive foi uma reação de não, de achar que não era muito por ali. E daí, aos poucos, eu fui me convencendo.

Segundo ela, ser presidente do Brasil "é um sonho que cada brasileiro esconde lá no fundo da alma". "É a maior realização que um a pessoa pode ter no seu próprio país, porque é o momento em que você pode provar que você vai de fato dar uma contribuição para os milhões de brasileiros e brasileiras que compartilham comigo essa aventura histórica de sermos brasileiros do ano de 2011 e de sermos capazes de dar aquele salto que a gente espera que o Brasil dê", disse.
***
Fonte:http://g1.globo.com/politica/noticia/2010/11/dilma-rousseff-diz-que-anunciara-ministerio-por-blocos.html?ref=nf

Folha de S. Paulo: não dá mais pra ler

05.10.10
ESCRITO POR GUILHERME SCALZILLI

Decido cancelar minha assinatura da Folha de São Paulo depois de quinze anos. Hesitei muito, porque ela foi um baluarte jornalístico para minha geração. Ali acompanhei, adolescente, o movimento Diretas-Já. Colecionava encartes, discutia editoriais. Sonhava em fazer parte do quadro de colunistas do jornal. A Folha era bacana, moderna, quase obrigatória.

Planejava o divórcio há algum tempo, mas o adiei porque estava curioso para conhecer a reforma gráfica e as mudanças prometidas pelo novo editor-executivo, o jovem e talentoso Sérgio Dávila. Dupla decepção.

A questão do design é comodamente subjetiva. Sempre haverá o cinismo "especializado" a bafejar que o objetivo era mesmo esse, qualquer que seja o resultado. E o leitor se acostuma a tudo. Inclusive à mancha horrorosa no alto das capas dos cadernos, ou à tipologia que parece colhida nas Publicações Acme dos desenhos animados. Convenhamos, foram muitos esforços humanos e financeiros para se chegar a resultado tão pífio. A Folha perdeu sua cara. Pior, ficou feia. Mesmo os raros acertos têm ar de cópia ou improviso. O tablóide Esportes remete a similares estrangeiros, como o argentino Olé. As redundantes artes explicativas ocupam espaço injustificável.

A reforma editorial trouxe verniz de imparcialidade à cobertura política. Mas o tratamento dispensado aos candidatos presidenciais de 2010 segue tendencioso, para dizer o mínimo. A Folha demonstraria mais respeito pela inteligência dos leitores se deixasse de lado a hipocrisia apartidária, assumindo suas evidentes preferências eleitorais. Assim não precisaria usar subterfúgios rasteiros para disfarçá-las.

Eu apurei que a divulgação de factóides sem o devido embasamento é o instrumento ideal para destruir reputações e favorecer projetos obscuros. Profissionais ouvidos no meio enxergam na indiscriminada ocultação de fontes um salvo-conduto para qualquer abuso difamatório.

Ao privilegiar diplomados, a Folha assimilou a baixa qualidade da formação universitária em jornalismo. Os equívocos gramaticais e técnicos são abundantes. A recente inserção de análises pontuais remenda mal os defeitos do noticiário, pois tenta impor vaticínios duvidosos de manjados profissionais que inevitavelmente possuem algum interesse nas questões abordadas. Os jargões de release escancaram o pendor publicitário dos cadernos de variedades, que repetem pautas convenientes à indústria do entretenimento (basta ver as matérias sobre canais pagos e leis de incentivo). Salvo honrosas exceções, os juízos estéticos de seus repórteres são risíveis.

Mas não existe decadência mais constrangedora que a dos espaços regulares de opinião. Abandonando qualquer ilusão de pluralidade, o jornal transformou-se em vitrine para um conservadorismo provinciano, medíocre e repetitivo.

Diante da riqueza de nosso mundo acadêmico, a opção por Demetrio Magnoli, Boris Fausto e Marco Antonio Villa chega a parecer acintosa. Os chiliques elitistas de Danusa Leão, o udenismo de Fernando de Barros e Silva, as interjeições antipetistas de Eliane Cantanhêde ("massa cheirosa", gente?), o neo-reacionarismo de Ferreira Gullar e os venenos de Josias de Souza envergonham a direita esclarecida e republicana que eles talvez julguem representar. Alguém realmente prefere João Pereira Coutinho a Jorge Coli? Luiz Carlos Mendonça de Barros a Paulo Nogueira Batista Jr? Quem faz contraponto ao serrismo de Elio Gaspari? A tolerante ombudsman Suzana Singer?

A presunção messiânica e uma lamentável falta de autocrítica impedem os editores de perceber que certas mesquinharias político-eleitorais destroem aos poucos os maiores patrimônios do jornal. Os editoriais são bobinhos, histéricos, esclerosados. As ameaças veladas ao presidente da República ("fique advertido"), em plena efervescência eleitoral, embutem um espírito autoritário e confrontador que só se viu nos piores momentos da história nacional. Nenhuma credibilidade sobrevive à responsabilização do governo federal por acidentes aéreos, à ficha apócrifa de Dilma Rousseff, à apologia da "ditabranda" ou à acusação de que os críticos da imprensa querem censurá-la. Defender tais absurdos em nome da liberdade de expressão não é apenas irresponsável: é ilegítimo e antidemocrático.

Talvez isso explique a necessidade de operar reformulações periódicas. Como ensinam as cartilhas publicitárias, o consumo inercial e o apelo das mudanças cosméticas inibem o abandono dos produtos de uso cotidiano. Só que a estratégia também pressupõe a satisfação de certas expectativas. A Folha se distanciou dos interesses de seu público a ponto de perder o mínimo papel utilitário que se espera de um veículo informativo. Ela virou um amontoado de páginas e seções descartáveis.

Imagine receber, toda manhã, a visita de alguém que tenta iludi-lo, repetindo bobagens e distorções. Agora imagine que você paga, e caro, para ser tratado como idiota. Demora, mas chega um momento em que o prejuízo deixa de compensar.

Guilherme Scalzilli é historiador e escritor.
Blog: http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com/
***
Fonte:http://www.correiocidadania.com.br/content/view/5085/174/

O Brasil de ontem e o de hoje

01.11.10
O Tijolaco é seu-5
Rafael Saldanha

O Brasil de ontem ficou marcado como um país que ignorou os seus aposentados. Um país do arrocho salarial. Um país que devia 20 bilhões de dólares ao FMI. Um país que privatizou diversos patrimônios energéticos e naturais e, ainda, os venderam a preço de “banana”! Um país que não aguentava nenhuma crise econômica vinda de países do exterior. Um país do “apagão”. Um país que abandonou os miseráveis e excluídos dessa nação. Um país da desigualdade social exacerbada. Esse foi o país de FHC/Serra e que quase privatizou a Petrobras.

O Brasil de hoje é o ver o filho de pedreiro formando em medicina graças ao ProUni. O Brasil de hoje é você ser livre para ter a sua crença em uma religião ou filosofia e saber que o Estado não pode interferir nela pois este é laico. O Brasil de hoje é o que concedeu emprego a mais de 15 milhões de brasileiros e brasileiras. O Brasil de hoje é ver motorista de ônibus fazendo churrasco no domingo. O Brasil de hoje é saber que mais de 20 milhões de brasileiros saíram da miséria. O Brasil de hoje é entender que a classe média cresceu, pois são mais de 30 milhões que adentraram nela. O Brasil de hoje deixou de dever o FMI para se tornar credor desta. O Brasil de hoje conseguiu enfrentar uma crise econômica mundial oriunda dos EUA e, ainda, teve a invejável maestria de ser o último a entrar nela e o primeiro a sair. O Brasil de hoje é respeitado no mundo todo e não abaixamos mais a cabeça para americanos e europeus dizendo: “Yes, sir”, pelo contrário, nós lideramos o G-20 e queremos mostrar ao mundo e, principalmente ao G-8, que todos os países tem liberdade e o direito de expressar as suas opiniões sobre questões ambientais, econômicas, políticas sem sofrerem sanções e invasões.

O Brasil de hoje é acreditar que existe um futuro ainda melhor. Entretanto, isso só irá se concretizar se você conhecer a dor do passado, perceber a alegria do presente e confiar que Dilma Rouseff fará um amanhã ainda de modo mais perfeito como nunca antes na história desse país.
***
Fonte:http://www2.tijolaco.com/29845

Não despolitizem a política

01.11.10
O Tijolaco é seu-4
Marcos Pessoa

Em um país em desenvolvimento, com grande desigualdade social como o nosso não se pode querer ocultar a face política e ideológica das mudanças que se fazem necessárias para reduzir essa desigualdade, não se pode despolitizar uma campanha presidencial, tirar da disputa as raízes populares que induziram as aspirações por melhorias sociais, não se pode querer se apresentar como os novos gerenciadores da economia nacional ao estilo da elite tradicional, como quem quer dizer para essa elite: “Olha, nós somos iguais a vocês, apenas com um viés levemente mais social”. Enfim, não se deve, na busca de apagar um passado de arrogância sectária, se entregar a conciliação com as elites, cometendo o erro mais comum dos reformadores latino-americanos.

A direita sempre age politicamente, a sua ideologia é o conservadorismo, os seus métodos de ação perante aos adversários reformistas sempre é o de espalhar o medo das mudanças e de demonizar seus opositores, sempre foi assim e sempre será. Houve muita ingenuidade se alguém chegou a pensar que no contexto da atual eleição presidencial eles, a direita, iriam se ater ao debate comparativo sobre quem fez mais pelos pobres do país, assim como causa surpresa a “surpresa” de alguns frente a virulência dos membros da direita política nacional, os mesmos que compararam a atual campanha com a de 1989, como se fossem anormalidades, ignorando que sempre que houver um confronto direto com a direita a disputa será conduzida por eles nestes termos.

O erro daqueles que conduziram o governo Lula, ao lado do próprio, foi estratégico e não tático, ao acreditarem e cultivarem a despolitização do seu governo e crerem que também conseguiriam fazer seu sucessor nesse ambiente. Esses, mesmo que sejam vencedores, serão também um pouco derrotados pois tiveram que recorrer a politização e a mobilização das entidades representativas para garantirem a vitória de sua candidata. Aliás, que fique bem marcado que quem reagiu e deu a tônica para o ressurgimento de uma candidatura que começou a derreter no primeiro turno e parecia naufragar no segundo turno foram as mobilizações populares, os sindicatos, as entidades de classe, os artistas, os militantes voluntários nas ruas e na internet, tudo que o comando da campanha ou pelo menos parte dele desprezou ou fez questão de ignorar no primeiro turno.

Que esta campanha fique como exemplo da necessidade da politização para os governos de esquerda, a qual nunca deva ser abandonada pois ela é o ante-mural que nos protege contra o avanço da direita medieval, cínica e reacionária sempre disposta a destroçar os que se portam como ovelhas perto deles.
***
Fonte:http://www2.tijolaco.com/29842

O povo escolheu um lado e um rumo

01.11.10
O Tijolaco é seu-3
Pedro Ayres

Neste 31 de outubro encerrou-se um processo político. Um processo que, ao invés de servir como um formidável e poderoso instrumento para a educação política do povo, foi transformado na mais imoral e indecente campanha de calúnias, infâmias e deslavadas mentiras contra a candidatura Dilma Rousseff, apoiada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo quando se sabe que essa é a natureza do sistema, onde o vale-tudo ganha foros de virtude, fica o gosto amargo que só a falta de ética é capaz de produzir. A questão não pode ser creditada só aos dirigentes partidários da aliança direitista, pois, infelizmente, teve o referendo e o apoio de parcela da população.

Uma parcela que, em nome de direitos e princípios morais normalmente violados em sua prática cotidiana, ousou ser o Catão da vida pública brasileira. Aquele cínico axioma de que “os amigos não têm defeitos, mas, se existem, merecem ser esquecidos, quanto aos adversários, se não os tiverem, então é bom inventá-los”, foi aplicado em toda linha. E assim foi, tal o desespero e o ódio que devotam aos que podem botar freios na secular espoliação que o nosso país agüenta há séculos.

Num certo sentido, até que a direita foi útil com essa campanha, pois, contrariamente ao que desejavam, que era a completa despolitização da atividade política e o conseqüente esquecimento sobre a essência de nossos problemas nacionais, forçou um debate mais sério e profundo sobre vários temas que eram bordões de sua “pregação” política – democracia, liberdade de expressão, liberdade de imprensa, liberdade religiosa, alternância no poder.

Ou seja, provocaram um repensar com mais profundidade, bem longe da monotonia que configura o pensamento político liberal. Isso quando esse liberalismo não descamba com toda pompa e circunstância para as ditaduras ou governos bem assemelhados a essa proposição de poder. Experiências que o Brasil e a América Latina tiveram de sobra.

Uma das mais comuns táticas para a propagação liberal é manter todas as suas proposições no campo das generalidades, tanto que consegue fazer confusão entre o que um direito de todos e o que é atividade comercial e concessão pública, como sói acontecer com a liberdade de expressão e a mídia nacional. Assim, sem querer somos forçados a defender propostas oligopolistas dos grupos que dominam a mídia, como se fosse a defesa de direito da cidadania, quando, na verdade, são propostas que violam e conspurcam o nosso legítimo direito de expressão e de opinião.

Assim, do mesmo modo que tentavam transformar interesses pessoais em direitos, no campo religioso tudo foi repetido, enquanto falsamente acusavam a candidata Dilma Rousseff de ser contra certos “dogmas e princípios” que fazem parte das ações políticas justificadoras de organizações como Ordens e Prelazias sempre vinculadas a um poder temporal autocrático, totalitário e de direita, faziam alianças com que havia de mais atrasado, nocivo e corrupto, fosse no campo confessional ou não. Isso tanto do lado católico, quanto do lado dos modernos pentecostais.

Ousavam até dizer que seria contra a liberdade de crença, quando fosse do lado católico, fosse do lado pentecostal, havia e há o projeto de ser a única crença. Ou seja, de hipocrisia em hipocrisia, gradual e decididamente houve o contínuo ato de demolição do que havia de ecumênico e universalista na generosa proposta de João XXIII, que através de suas encíclicas “Mater et Magistra” e “Pacem in Terris” tentava refazer o caminho do cristianismo primitivo, em que o Estado e a Religião tinham campos específicos de atuação.

Na realidade, de uma forma ou de outra, o objetivo era um só – evitar que o Brasil continuasse a trilhar as sendas da integração latino-americana e na ampliação de sua soberania como país. Como coroamento dessa falsidade política, com a senil ajuda de um antigo promotor público paulista, tentaram ressuscitar a ilusão liberal da alternância no poder como prova de plena e cabal democracia. Ora, é o típico sofisma político, pois, ao esconder a realidade do poder de um país capitalista, em que muito além dos famosos poderes constituídos, sobressaem as forças sociais e econômicas que conformam o país, falseia-se a essência real do poder. Um poder que transcende o formalismo constitucional das democracias liberais e que, via de regra, tem continuidade independentemente do partido ou pessoa que o exerça, como se pode ver nos EUA, Reino Unido, França, Espanha, Portugal, por exemplo.

O combate sofrido por Dilma, mais do que a simples oposição a uma candidatura do PT, teve muito da reação que o império e seus asseclas brasileiros têm quando se deparam com alguém cuja história é de coerente luta contra os seus objetivos e interesses. Assim, a eleição de Dilma Rousseff representa a clara opção popular por um Brasil nacionalista, forte, justo, solidário, mais democrático e integrado à América Latina. Aliás, o caminho que nos permitirá construir o Brasil de nossos mais radiosos sonhos.

Espero que a Presidenta eleita Dilma Rousseff jamais se deixe envolver pelos cantos de sereia das teses sobre governabilidade e consenso, pois, o povo brasileiro fez a escolha de um lado e de um rumo. Confiar no povo e em sua sabedoria são as chaves para o sucesso de sua administração e para a concreção do bem-estar, da felicidade e um belo futuro para nosso povo. É o que diria à nova Presidenta do Brasil.
***
Fonte:http://www2.tijolaco.com/29838

Não às lagartas, sim às borboletas

01.11.10
O Tijolaco é seu-2
Por Soraya F.

Ontem acabou o suplício de quatro meses com uma alegria indescritível. Depois de vibrar muito e acompanhar a nossa futura presidenta nos noticiários, fui dormir o sono dos justos. Há muito não dormia como ontem. Acordei ao meio dia, alma leve e coração tranquilo.

Durante o processo de campanha, com o ataque feroz e covarde da imprensa golpista e, especialmente no segundo turno, com o ataque da tropa de choque da calúnia eletrônica, nada me deixou tão triste como o pronunciamento da autora Ruth Rocha. A virulência desses meios era esperado, mas a dessa senhora, escritora de livros infantis, me chocou.
Sou professora de crianças pequenas por opção. Atualmente trabalho com duas turmas de 1º ano, isso aos 29 anos de profissão. Tenho uma pequena biblioteca em sala de aula, a grande maioria de livros infantis que eu comprei com o meu salário. Literatura infantil é parte do meu cotidiano e essa autora integrava a minha ‘best list”…Não mais.

Em um dos seus livros, A Primavera da Lagarta, a autora questiona o preconceito. Em outro intitulado As coisas que a gente fala, critica a mentira e a dificuldade que é juntar os cacos de uma calúnia. Há outros, a maioria nessa linha.

Imaginem qual não foi a minha surpresa em ver o vídeo onde afirma que sempre foi tucana? Que apoiava o Serra! Logo o Serra o representante encarnado de tudo o que ela questiona em seus livros?!! Meus olhos enxergaram, naquele momento, a bruxa da Branca de Neve que veste de boa velhinha para entregar a maça envenenada.

Esqueceu-se a sra. Ruth Rocha que os professores e professoras ouviram suas manifestações (espero que a maioria não tenham tido o desprazer de assistir o video)e que,certamente, se preocuparam com sua tão consciente escolha. Os professores não gostam de ser tratados com truculência, enganados e desrespeitados. Ah! E são os maiores consumidores de literatura infantil!

Gostaria de dizer em meu nome, pois não falo por outra pessoa além de mim, que a honestidade é um valor que não tem preço. Dizer uma coisa e fazer outra é o pior exemplo que se pode dar a uma criança. Ver uma autora que critica a calúnia participando ativamente da maior delas, me deu náuseas e profunda tristeza.

Ontem começou a Feira do Livro em Porto Alegre. Amanhã lá estarei com os meus pequenos, mostrando pelo exemplo a importância e o valor de um bom livro. Durante a semana, assim com a grande maioria dos professores, volto para comprar. Muitos autores estarão em minha lista, mas uma ausência é certa. O “faz o que eu digo ,mas não faz o que eu faço” é perverso e deseduca.

Quanto a campanha como um todo o saldo foi super positivo: vencemos o ódio, a calúnia e o medo; elegemos a primeira presidenta do Brasil; conquistamos parcerias e amizades virtuais; fortalecemos-nos como militância unida em suas proximidades e diferenças; conquistamos um espaço de livre expressão; tivemos acesso ao melhor da política e ao melhor do jornalismo; e a torpeza da campanha de nosso adversário, fez cair algumas máscaras.

Enfim, podemos apreciar mais uma vez a primavera, com borboletas multicoloridas. As formigas, o camaleão e louva-a-deus não conseguiram expulsar as lagartas.
***
Fonte:http://www2.tijolaco.com/29836

O Tijolaco é seu-1: Hoje, o leitor é o autor

01.11.10

Como prometi ontem – e cumpro com um certo atraso, porque o sono, esta noite, me conduziu como há muito tempo não fazia – começo a publicar uma série de depoimentos dos leitores do Tijolaço sobre como foi para eles esta longa batalha eleitoral.

Não selecionei o depoimento por critérios políticos convencionais. Não dei importância a grandes teses ou conceituaçõe: antes, procurei enxargar cada pessoa, com suas experiências e sentimentos, perceber a riqueza de cada vivência individual, dar valor ao fato de – tão diferentes – sermos iguais em humanidade e amor ao país,

Fazer política, segundo penso eu, é receber o melhor que cada um pode dar e devolver-lhes algo que sirva a todos.

Mas antes que eu fale demais, me corto e deixo que os leitores, hoje, tomem conta do espaço que lhes pertence, do qual são a razão de ser.

“De repente, não mais que de repente”. E para sempre
Por Carla M.

Antes de descrever o significado do processo eleitoral de 2010 para mim, é necessário que me apresente e conte um pouco sobre a minha relação com a política.

Meu nome é Carla, tenho 34 anos. Cresci numa família de classe média (mais baixa do que alta), estudei num dos melhores colégios de Belo Horizonte (apesar de ser carioca, cresci em BH) – meus pais sempre se esforçaram para que a educação de seus filhos fosse a melhor possível. Sempre convivi com pessoas ricas, de tradicionais famílias mineiras. Contudo, isso nunca fez de mim uma adolescente fútil (por ir na onda dos colegas) ou revoltada (por não poder ter o que os colegas tinham). Muito pelo contrário, meus pais, dentro de suas limitações, nunca me deixaram faltar nada e, desde que me entendo por gente, colocaram o chão bem firme sob meus pés. Eu sempre tive a noção do tamanho dos nossos passos.

Contudo, apesar de tanta realidade e consciência sempre me rondando, preciso confessar que o posicionamento deles sempre foi um tanto reacionário… Aquele do discurso aprendido, e sempre repetido, de que “O Brasil não tem jeito…”, “Nunca vai dar certo…”, “Político é tudo igual…” (E, na maioria das vezes, era assim mesmo. Bom, estou me adiantando. Deixa eu continuar a narração sem me atropelar…).

Portanto, lá estava eu, crescendo, tornando-me adolescente e ganhando ciência do mundo ao meu redor.

Quando o Collor foi “deposto”, lá fui eu pras ruas, com a cara pintada. A bem da verdade, eu queria mesmo matar aula. Mas, lá ia eu.

Depois, quando chegou o FHC e sua lábia sociológica, eu até cheguei a acreditar. Seria meu primeiro voto. A primeira oportunidade de votar para eleger o Presidente do meu país.

Minhas opções eram, basicamente, o sociólogo galã e o operário “comunista e analfabeto”. Nem era assim que eu o enxergava, até porque, nunca tinha olhado pra ele de fato.

Resultado: anulei meu voto. Meu primeiro voto como cidadã consciente e cumpridora de seus deveres civis foi um retrato da minha consciência política: NULO.

Confesso, sem nenhum orgulho, que mantive assim por mais um bom tempo. Mesmo sendo uma pessoa tão antenada e tão bem informada sobre tantos outros aspectos, política simplesmente não me interessava.

Mantive-me (não totalmente) alienada. Na verdade, mais alheia do que alienada. Escolhi não me aprofundar, não conhecer. Escolhi a ignorância.

Em 2006, a segunda eleição do Lula, não posso dizer que tenha acontecido por ajuda minha. Já de volta ao Rio, no dia da votação do segundo turno, a praia estava tão deliciosa, imagina se perderia meu tempo para exercer minha cidadania… Paguei a multa depois.

Mas as mudanças na vida da gente se passam em questão de segundos. Às vezes, reverberam por muito tempo depois, mas o “clic” é num ímpeto.

E, desta forma, deu-se a minha tomada de consciência política.

Uma pessoa muito querida, com quem tenho uma convivência diária, ajudou-me bastante neste processo. Ela me mostrou uma outra realidade. Uma realidade que me foi privada por anos (privada dos meus pais também, hoje compreendo isso).

E assim, “de repente, não mais que de repente”, tirei dos olhos o véu da ignorância, do desconhecimento, da desinformação. Enxerguei os fatos como são, não como sempre ouvi dizer que fossem.

Decidi entender o que foi que Lula fez em seus oito anos de governo. Sim, pois não era possível ver o mundo todo respeitando aquele operário “comunista e analfabeto”, ouvir da boca do Obama: “Ele é o cara”, assistir o Brasil atravessar a maior crise econômica mundial (desde 1929) e sair quase ileso, e continuar acreditando que ele fosse apenas um operário “comunista e analfabeto”.

Decidi conhecer, estudar, pesquisar: CONSCIENTIZAR-ME.

E a tomada de consciência política é um caminho sem volta. Uma vez que nos posicionamos politicamente, nos posicionamos perante a vida. Ideologicamente.

Não que eu não pudesse viver uma vida inteira sem esta consciência. Claro que poderia. Meus pais viveram. Muitas outras pessoas também. Outras ainda viverão. E isso não torna ninguém melhor ou pior. Apenas diferente.

E, a partir deste momento, em que se posiciona perante o mundo, perante a vida, não é mais possível apertar o “OFF” e voltar ao desconhecimento. Ter consciência política, seja sob qualquer orientação, é um processo definitivo.

E passei por isso a pouquíssimo tempo. Tenho 34 anos, como já disse, e só abri os olhos aos 33. Bom, como se diz por aí: “antes tarde do que nunca!”

É assim mesmo. Ao mesmo tempo que passamos a sofrer por questões que nem existiam há bem pouco tempo atrás, é uma sensação tão boa conseguir enxergar matizes e nuances onde, antes, só havia o preto e o branco. Às vezes, um cinza…

Dói passar a enxergar problemas e atitudes antes desconhecidos, mas é tão reconfortante saber buscar as soluções em discussões embasadas pelo conhecimento e a gama enorme de argumentos que o nosso cérebro aprende (tão rapidamente!) a construir.

Pensar na política é pensar o mundo. Isso muda (ou resgata) uma pessoa para sempre.

Sob este prisma, é bastante fácil prever que as eleições de 2010 foram para mim o oposto das eleições de 1998 (Graças a Deus! Em todos os sentidos…).

Perceber que o trabalho do Lula foi tão bonito. Perceber que o povo hoje tem vez (e voz!). Que as possibilidades, de fato, podem se tornar reais. Que os sonhos se concretizam.

Apesar de ter sido a mais sórdida das campanhas (pelo menos desde que eu nasci), apesar de todas as baixarias, apesar de toda a boataria, apesar da bolinha de papel, apesar de ver a Religião ganhando ares de Inquisição, apesar do medo de não ver a Dilma lá, apesar de tudo isso, as Eleições de 2010 foram um deleite pra mim. Um dèbut no melhor estilo.

Ter tomado minha consciência política, definitivamente, num ano em que se consagrou Lula como o mais democrático e humano Presidente da nossa História; no momento em que eu percebi que o operário “comunista e analfabeto” foi o homem que, verdadeiramente, olhou para o povo deste país e o respeitou, ajudou e lhe devolveu a possibilidade e o direito de sonhar; no ano em que elegemos a primeira mulher Presidente do Brasil, uma guerrilheira (no melhor sentido da palavra, para ter suportado tão bravamente os ataques da oposição).

Ter aberto os olhos durante este processo eleitoral me faz sentir orgulho de ser brasileira por, finalmente, enxergar o quanto somos grandes, o quanto somos fortes, o quanto somos bravos.

E, absolutamente sem medo de ser feliz, entrego meus sonhos nas mãos da Dilma. Desejo a ela e a todos nós força e sorte na caminhada que, por muitas vezes, terá percalços, mas, enquanto providos de garra e fé na Democracia, seguiremos de cabeça erguida rumo ao futuro que nos espera de braços abertos

***
Fonte:www.tijola.com

E Serra “morreu” no Haloween

31 de outubro de 2010 à
Por Luiz Carlos Azenha
*Com a colaboração do Paulo Henrique Amorim

José Serra promoveu uma campanha sórdida, extremista e mentirosa, sob os olhares complacentes da Globo, da Abril, da Folha e do Estadão.

Saiu desmoralizado pelo bom humor do brasileiro:



***
Fonte:http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/e-serra-morreu-no-haloween.html

Voto dos nordestinos e preconceito da elite

SEGUNDA-FEIRA, 1 DE NOVEMBRO DE 2010
Por Altamiro Borges

A elite brasileira realmente é asquerosa. Ela esbanja preconceitos - de gênero, étnico e, principalmente, de classe. Uma camada que "se acha" pertencente à elite burguesa - a classe "mérdia", que come mortadela, mas arrota caviar - ainda esbanja burrice. Parece que nem sabe fazer conta de somar. É preguiçosa e tacanha.

A partir do histórico resultado das eleições de domingo, alguns fascistas recalcados passaram a usar a internet para atacar o "voto dos nordestinos". Através das redes sociais, em especial do twitter, os frustrados com a derrota do candidato da elite, o demotucano José Serra, eles destilam ódio de classe e pregam o separatismo.

"Mate um nordestino afogado"

Para os novos fascistinhas, a vitória de Dilma Rousseff foi "culpa dos nordestinos". O ataque é tão violento que resultou na criação da hashtag #nordestisto, que ganhou os Trending Topics do Twitter e ficou no topo da lista de assuntos mais comentados durante toda a manhã desta segunda-feira.

A expressão “nordestisto” parece ter origem na mensagem de um internauta paulista, que pregou a violência contra os nordestinos que migraram para São Paulo. Ele rosnou: “Nordestisto não é gente, faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!“.

O covarde agora é "inexistente"

Diante do risco da abertura de um processo criminal por preconceito, a conta do covarde foi apagada e agora aparece como “inexistente” no Twitter. Perfis do mesmo usuário em outras redes sociais também foram bloqueados para acessos de pessoas que não fizessem parte de sua rede direta de "amigos".

Sua mensagem, porém, estimulou os piores instintos. Vários tweets com a hashtag #nordestisto reforçaram o ódio. Um deles esbravejou: "Só nordestinos fdp pra vota na Dilma! Nordestino num serve pra nada de util. Vem pra SP enche o saco e vota na merDilma". Outro rosnou: "Nodestisto. Porque nao criam um país próprio pra eles? Assim poderão eleger o bandido que quiserem".

Fascistas não sabem contar

A baixaria fascista gerou rápida resposta na internet. Muitos nordestinos reagiram indignados. "O Brasil nasceu aqui e tenho orgulho de ser nordestina", afirmou uma internauta. Outro lamentou: "Cada gota de ódio destilada na tag #nordestisto só faz aumentar o orgulho de ser o que sou. Tenho pena de vocês". A reação não se deu apenas no Nordeste. Paulistas civilizados também rechaçaram o ódio racista.

Rápida leitura no mapa da pleito prova que os fascistinhas, além de preconceituosos, são burrros. Dilma Rousseff não ganhou apenas por causa dos votos do Nordeste. Os nordestinos apenas aumentaram a vantagem que a futura presidente obteve no resto do País. Considerando o Norte, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, ela somou 1.873.507 votos a mais do que o tucano José Serra. Dilma venceria sem os votos do Nordeste.

Mesmo no Sudeste, que a elite racista pensa ser dona, a petista teve 1.630.614 de votos a mais do que o demotucano. Embora Serra tenha obtido 1.846.036 de votos a mais em São Paulo, ele perdeu no segundo e no terceiro maiores colégios eleitorais do país, Minas Gerais e Rio de Janeiro, respectivamente com saldo negativo de 1.797.831 e 1.710.186.
****
Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2010/11/voto-dos-nordestinos-e-preconceito-da.html

RESCALDO DAS URNAS: A imprensa perdeu

01.11.10
Por Luciano Martins Costa
Comentário para o programa radiofônico do OI, 1/11/2010

Os principais jornais do país anunciam a vitória da candidata petista Dilma Rousseff como a última obra do presidente Lula da Silva.

O Estado de S.Paulo é o mais explícito: "A vitória de Lula", diz a manchete. O Globo se arrisca em adivinhações: "Lula elege Dilma e aliados já articulam sua volta em 2014", diz o jornal carioca. A intenção é claramente minimizar o cacife político da presidente eleita. Já a Folha de S.Paulo destaca o fato de o Brasil ter escolhido a primeira mulher "e primeira ex-guerrilheira" para a Presidência da República.

Lendo as edições do domingo e de segunda-feira (1/11), alguém que estivesse desembarcando no Brasil depois de três meses de viagem nem chegaria a desconfiar que a imprensa havia sido, até a véspera, protagonista das mais ativas na campanha eleitoral.

Desejo manifesto

Os jornais inauguram a semana pós-eleitoral com cara de jornais, não dos panfletos em que se transformaram nos últimos meses. Cada um conforme seus recursos, os diários tentam interpretar a vontade das urnas e adivinhar o que virá a ser o futuro governo. No entanto, alguns pontos em comum podem ser ressaltados.

A chamada grande imprensa procura afirmar que a oposição, apesar de derrotada na eleição principal, cresceu em número de eleitores, mesmo perdendo na maioria dos estados. A maioria feita pela candidata governista no Congresso Nacional seria equilibrada pela eleição de governadores oposicionistas nos estados mais populosos, segundo interpretam os jornais.

Como sempre, o viés ideológico direciona as escolhas da imprensa, que perdeu a disposição para arriscar opiniões fora da sua própria caixinha de convicções. Basta lembrar como foi a manada de adesões ao governo central nas duas eleições do presidente Lula da Silva para colocar em dúvida as afirmações dos jornais sobre a suposta solidez do bloco oposicionista.

Com o histórico do adesismo que marca a República desde a redemocratização, parece arriscado demais apostar em configurações de forças políticas com base no resultado quente das urnas. No caso, essas análises representam muito mais a manifestação dos desejos da imprensa, de não parecer assim tão derrotada pela realidade da votação, do que a expressão de uma visão realista do resultado eleitoral.

Dissimulando a derrota

Os jornais citam o desgaste que foi produzido nas bases da oposição por conta de divergências entre o candidato derrotado José Serra e o senador eleito de Minas Gerais Aécio Neves, considerado por analistas do próprio PSDB como o grande trunfo desperdiçado pela campanha oposicionista.

Sobram indícios de que os dois personagens criaram um fosso intransponível entre si, e que daqui para frente a consolidação da carreira de Aécio Neves implica a diminuição do papel a ser exercido por Serra.

Some-se a isso o fato de que Serra também tem divergências com o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, para se construir uma análise muito menos animadora sobre o seu futuro como líder da oposição. Além disso, ainda resta dentro do armário o esqueleto do suposto dossiê que teria sido montado no período da escolha do candidato do PSDB, e que teve como objetos de bisbilhotices pessoas ligadas a José Serra.

Serra perdeu em Minas Gerais e ninguém sabe quanto desses votos foram para a candidata oposicionista como vingança dos mineiros pela maneira como ele passou por cima das ambições políticas de Aécio Neves.

A imprensa também destaca que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, anda fazendo planos para se descolar de seus padrinhos políticos e prepara o lançamento de um novo partido, montado com os restos da liderança do peemedebista Orestes Quércia no estado.

Assim, em poucas linhas, pode-se observar que os principais jornais do país, que tiveram praticamente todo o final de semana para preparar suas análises pós-eleitorais, perderam a oportunidade de surpreender o eleitor explorando as amplas possibilidades que se armam nas relações políticas com a vitória de uma candidata que nunca havia disputado uma eleição, cuja biografia tinha tudo para reduzir suas chances de vitória – dado o conhecido conservadorismo da imprensa e de grande parte do eleitorado – e que foi vítima de uma campanha sórdida e preconceituosa.

Não há como dissimular o papel da imprensa tradicional no jogo sujo que termina. Também fica difícil disfarçar o ressentimento da imprensa com o resultado das urnas. Não há análise, por mais que se pretenda distanciada, que esconda o fato de que a imprensa tradicional foi fragorosamente derrotada nestas eleições.
****
Fonte:http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=613JDB018

Globo e Veja: derrotados da eleição

SEGUNDA-FEIRA, 1 DE NOVEMBRO DE 2010
Reproduzo dois artigos de Marco Antonio Araujo, publicados no blog O provocador:
Do Blog de Altamiro Borges

Globo: o altar do sacrifício perdeu

As Organizações Globo agiram como um partido de oposição durante as eleições que levaram Dilma Rousseff à presidência da República.

Preferiam continuar aliados ao candidato das elites, como sempre estiveram durante a ditadura militar e os governos Collor, Itamar e FHC. Mas perdeu, playboy.

O jornal O Globo virou um panfleto diário. Sem nenhum pudor, estampou um ódio incontido ao governo Lula e à sua candidata. Mas foi na bancada do Jornal Nacional que se ergueu o altar do sacrifício petista.

O padrão Globo de qualidade é fácil de entender. Consiste em tratar escândalos conforme a coloração partidária e os interesses da firma.

O caso Erenice Guerra mereceu do JN 35 sangrentos minutos de reportagem só na primeira semana de repercussão. Já a denúncia envolvendo o aloprado tucano Paulo Preto teve uma única reportagem, quase nada.

Em sua entrevista de dez minutos ao vivo no JN, Dilma Rousseff ficou infinitos 4 minutos e 40 segundos respondendo sobre aborto. Mais 3 minutos e 25 segundos falando sobre a onipresente Erenice.

Ao final, teve tempo para responder a mais uma perguntinha. José Serra pode discorrer levemente sobre nove questões. Isso, sim, é tratamento diferenciado.

Com a vitória de Dilma, vai ser constrangedor o olhar de William Bonner e Fátima Bernardes. Cúmplices que são, nem vão tocar no assunto de como espremeram e destrataram a presidente eleita.

E tanta gentileza e profissionalismo com o candidato da família Marinho. Em vão.

São pagos pra isso, têm filhos para sustentar. Ok. Podem levar essa derrota pra casa. E convidar Arnaldo Jabor e Merval Pereira para jantar. Haja estômago. Mas amigos são fundamentais na hora da derrota.

*****

Veja não forma mais opinião

Das 42 capas da revista em 2010, até as vésperas do segundo turno, dezoito continham ataques a Lula, Dilma e o PT. Quase metade da existência da Veja é dedicada a montar palanque contra o governo federal e espalhar pânico e ódio.

Ainda reclamam que não há liberdade de imprensa neste país. Terrorismo jornalístico: é isso que faz a semanal da família Civita.

É uma publicação que poderia ter a honestidade de se assumir como oráculo do que há de mais reacionário e perverso na direita deste país.

Mas tem essa mania feia de se travestir de revista de informação. Só se for distorcida, tendenciosa. Não fazem reportagens; fazem editoriais. Por isso é que não forma mais opinião; causa tédio. E desprezo.

E há os soldados da Editora Abril. Ou capangas, a ver. Os rancorosos Diogo Mainardi, Lauro Jardim, Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes. Escribas a soldo que insinuam termos um presidente alcoólatra, menos interessante que um “vaso sanitário”.

E que chamam distribuição de renda de Esmola-Família. Logo eles, que devem fechar o vidro do carro quando veem um pobre.

Bem feito. Foram derrotados por essa gentinha que não assina Veja.
****
Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2010/11/globo-e-veja-derrotados-da-eleicao.html

Partidos demarcam espaço face ao futuro governo

01.11.10
Palácio do Planalto depois de reformado (Foto: José Cruz/ABr)

Integrantes de partidos da base governista e de oposição traçam próximos passos

Por: Maurício Thuswohl, especial para a Rede Brasil Atual

Rio de Janeiro – A vitória da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, provocou distintas reações entre lideranças dos partidos da base governista e da oposição no Rio de Janeiro. De um lado, os partidos que comporão a base de sustentação do governo Dilma já se movimentam para garantir a continuidade – e, se possível, a ampliação – de seus espaços na máquina federal. De outro lado, os partidos de oposição de direita e de esquerda ajustam seus discursos frente ao futuro governo.

Presidente do PDT e ministro do Trabalho no governo Lula, Carlos Lupi comemorou o que considera ser um "grande avanço" com a vitória da candidata petista. Além de ser a primeira vez em que uma mulher chega ao cargo, ele destaca a origem da nossa nova presidente. "A Dilma representa a mulher que conseguiu travar a luta política e ideológica. Ela resistiu à ditadura, foi presa e já mostrou sua competência nesses oito anos de governo do presidente Lula. Ou seja, é a mulher assumindo de vez o seu lugar de vanguarda na política nacional", disse, em conversa exclusiva com a Rede Brasil Atual.

Lupi avalia "que o PDT foi bem" nestas eleições. "Aumentamos nossa bancada de 21 para 28 deputados e, com os quatro senadores, temos uma bancada forte no Congresso", calcula. Sobre a participação do partido no próximo governo Dilma, o ministro afirma que agora é hora de aguardar o tempo de decisão de Dilma. "Quanto à permanência do partido no governo, acho que temos que deixar a presidente muito à vontade porque ela já conhece como é o PDT. A Dilma militou com a gente durante 20 anos. Ela conhece bem o partido e seus quadros, e no futuro a gente vai, quando ela achar conveniente, conversar e avaliar o que ela acha melhor sobre a participação do partido em seu governo".

Outro partido aliado que pretende manter – ou aumentar – sua participação no governo federal é o PSB, turbinado pela eleição de seis governadores. Os socialistas comandam desde o início do governo Lula o Ministério da Ciência e Tecnologia, primeiro com Roberto Amaral e depois com Sérgio Rezende. Responsável pela indicação de Amaral para o ministério em 2003, o deputado federal reeleito Alexandre Cardoso (PSB-RJ) estará na linha de frente da negociação sobre a manutenção dos rumos da pasta. Procurado pela reportagem, o deputado – que, ao lado do ex-jogador e deputado federal eleito Romário Farias (PSB-RJ), foi ao Piauí ajudar na vitória do governador eleito Wilson Martins – não foi encontrado.

Cobranças

Maior partido da base aliada de Dilma, o PMDB tem como principal líder no Rio de Janeiro o governador reeleito Sérgio Cabral. Uma das pessoas mais próximas à candidata petista durante a campanha, Cabral demonstrou, logo no dia seguinte à vitória da aliada, que o tempo da cobrança já começou.

Em questão não estão cargos, mas a polêmica sobre os recursos do petróleo extraído das reservas de camadas do pré-sal. "A Dilma garantiu que vai honrar o que está combinado entre mim, ela e o presidente Lula, que é a mudança do regime, sendo implantada a lei da partilha, estabelecendo um percentual de royalties que gera receitas e dá ao Rio uma grande tranquilidade", afirmou a jornalistas, fazendo referência aos projetos relativos ao pré-sal ainda em trâmite no Congresso Nacional.

Logo após a confirmação da vitória de Dilma pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no entanto, Cabral tornou pública sua alegria por intermédio do Twitter: "Pela primeira vez vamos ter uma mulher presidente do Brasil. Mais que uma questão de gênero, temos a confirmação de um trabalho”, escreveu o governador.

Briga com a economia

Entre os partidos de oposição, a reação à vitória de Dilma Rousseff já busca balizar a relação política com o futuro governo. Líder nacional do PSOL, o ex-deputado federal Milton Temer, que obteve 536,1 mil votos na disputa pelo Senado no Rio de Janeiro, lembra que "o partido teve uma posição clara de nenhum voto ao Serra", já que uma eventual vitória do candidato do PSDB era considerada um retrocesso pela grande maioria dos militantes do partido.

Ele disse à Rede Brasil Atual respeitar os militantes que votaram nulo, mas revela ter encaminhado apoio a Dilma. "Entendo que é melhor fazer oposição e lutar contra essa política econômica atual", sustenta. Uma vitória de José Serra (PSDB) poderia representar, na visão dele, o risco de volta de Paulo Renato Souza para o Ministério da Educação e de Luiz Felipe Lampreia para o Ministério das Relações Exteriores. O risco de "entrega" da Base de Alcântara no Pará para os Estados Unidos também foi citada pelo membro do PSOL.

"Essas são coisas que certamente não acontecerão no governo Dilma. Com a Dilma, a gente briga só com a economia”, afirma, bem-humorado, Temer. Apesar da posição, o dirigente ressalta que o partido "não dará nem apoio crítico" à próxima presidente. "Somos uma oposição de esquerda que tem claramente como alvo o lado conservador do governo Dilma, não o lado bom", detalha.

A parte defendida por Temer está relacionada à política externa e a integração latinoamericana. Os aspectos negativos são autonomia do Banco Central "em relação ao governo", mas subordinado aos bancos privados. "Se fazemos oposição à Dilma, fazemos oposição mais ainda a essa direita reacionária e golpista que se juntou a Serra”, afirma Temer.

À direita, coube ao ex-prefeito Cesar Maia, do DEM, tornar públicas as primeiras impressões sobre a vitória de Dilma. Em seu ex-blog na internet, Cesar afirma que o fim do governo Lula “encerra um longo ciclo de democratização no Brasil” e alerta que Dilma terá de ir “além da mera continuidade” se quiser governar com sucesso. “Dilma terá que liderar este novo ciclo sob pena de frustrar expectativas implícitas no imaginário popular e transformar a euforia da vitória em quatro anos perdidos, na plataforma de lançamento deste novo período que as instituições democráticas brasileiras, as instituições econômicas e as instituições sociais exigem para seu aprofundamento”.

Procurado pela reportagem, o vice-presidente nacional do PV e deputado federal eleito, Alfredo Sirkis, não foi encontrado. Entretanto, a julgar pelas declarações da senadora Marina Silva, candidata derrotada do partido nas eleições presidenciais, o PV não descarta uma aproximação com o governo Dilma desde que esta “se dê sob bases programáticas”.
***
Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/aliados-ou-de-oposicao-partidos-demarcam-espaco-face-ao-futuro-governo

O preconceito que se esconde por trás do mapa vermelho e azul

01.11.10
Por Luiz Carlos Azenha

Nem de longe é uma tentativa majoritária. E a imensa maioria dos analistas tem dito isso: o mapa que divide o Brasil entre azul e vermelho não conta toda a história da escolha de Dilma Rousseff.

Mas o mapinha simplório e simplista serve aos que pretendem ligar Dilma Rousseff ao suposto “atraso” das regiões Norte e Nordeste. O preconceito sempre dá um jeito de reaparecer, sob outros disfarces.

Dilma teve 58% dos votos de Minas Gerais, mais de 60% dos votos do Rio de Janeiro, quase 50% dos votos no Rio Grande do Sul e quase 46% dos votos em São Paulo.

Se todos os votos dos dois candidatos no Nordeste fossem descartados, ainda assim Dilma venceria a eleição, mas dizer isso assim pode soar — ao gosto dos que semeiam preconceitos — como desqualificação do voto do nordestino.

Individualmente, os governadores Eduardo Campos, Jacques Vagner, Sergio Cabral, Cid Gomes, a família Sarney e o vice-presidente José Alencar foram os grandes cabos eleitorais de Dilma.

Quanto ao preconceito, foi o alimento de uma das candidaturas e não há de desaparecer assim, por encanto. Neste momento, serve às tentativas de “deslegitimar” o resultado das eleições.
***
Fonte:http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/o-preconceito-que-se-esconde-por-tras-do-mapa-vermelho-e-azul.html

Presidente búlgaro convida Dilma para visitar o país de seu pai

01/11/2010
DA FRANCE PRESSE, EM SÓFIA

O presidente búlgaro, Gueorgui Parvanov, convidou nesta segunda-feira a presidente eleita brasileira, Dilma Rousseff, a visitar a Bulgária, o país de origem de seu pai. Parvanov destacou, em sua mensagem de felicitação, que a campanha e a eleição no Brasil foram acompanhadas com "um enorme interesse na Bulgária".

"A vitória de Dilma Rousseff encheu de orgulho o povo búlgaro", afirmou.

Parvanov também avaliou que Dilma Rousseff "não abandonará as amplas reformas começadas e empreenderá outras (...) para o interesse de toda a sociedade brasileira".

Em Gabrovo (centro), cidade natal do pai da petista, o prefeito Nikolaï Sirakov declarou acreditar que a "vitória de Dilma Rousseff inspirará orgulho e ânimo aos búlgaros". "Demonstra que quem luta consegue o que quer", enfatizou.

O pai de Dilma, Petar Roussev, deixou a Bulgária em 1929 e inicialmente migrou para a França, depois para a Argentina e, por fim, se instalou no Brasil com o nome de Pedro Rousseff. A família que ficou para trás, incluindo sua esposa grávida, acreditava que ele havia morrido.
***
Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/poder/823764-presidente-bulgaro-convida-dilma-para-visitar-o-pais-de-seu-pai.shtml

Dilma afirma que pretende anunciar em blocos os nomes de seu governo

01/11/2010 - 21h20
DE SÃO PAULO
A presidente eleita Dilma Rousseff disse que pretende fazer em blocos o anúncio dos nomes que comporão seu governo.

"Não digo que vou anunciar em [um único] bloco, mas pretendo não fazer anúncios fragmentados, espalhados. Fazer por blocos", disse, em entrevista no estúdio do "Jornal Nacional" em Brasília.

Dilma afirmou que fará uma transição de dois tipos nos próximos dois meses: a técnica e a política.

"Vamos fazer uma transição técnica, ou seja, avaliando todos os aspectos técnicos que serão aqueles que a gente vai encaminhar primeiro. Por exemplo: nos primeiros dias eu pretendo fazer uma reunião com os governadores sobre saúde e segurança. E em seguida, ou em paralelamente, nós faremos a transição política, nós temos que ter a composição de governo. Vou me esmerar para ter um governo em que o critério de escolha dos ministros e dos cargos da alta administração".

CÂMBIO

Dilma disse ver indícios de uma guerra fiscal em todo o mundo, e afirmou que o Estado brasileiro lutará em reuniões multilaterais para impedir que o país seja prejudicado.

"Os indícios de que há hoje uma guerra cambial são muito fortes. Acho que tem moedas subvalorizadas. Uma das coisas importantes são as reuniões multilaterais. Nós iremos usar todas as armas pra impedir o dumping e políticas de preço que prejudiquem as empresas brasileiras".

IMPRENSA

Como fez em seu discurso após a vitórias nas urnas e também em entrevista ao "Jornal da Record", Dilma assegurou que a imprensa no Brasil é livre e afirmou que terá com ela uma relação respeitosa.

"Acho que o Brasil pode dar uma demonstração de muita vitalidade coma a imprensa livre que nós temos. As críticas existem e acredito que elas cumprem um papel. Pode ter certeza que da minha parte a minha relação com imprensa vai ser muito respeitosa".

CHORO

A petista disse que chorou aos poucos depois do anúncio de sua vitória e que foi efetivamente às lágrimas quando chegou em casa.

"Na hora que vem a notícia você está, assim, um pouco anestesiada. É preciso que o tempo passe pra que você absorva todo o impacto desse tamanho. Daqui pra frente você vai ser responsável por esse país continental. Eu chorei aos poucos. Não chorei uma vez só. Eu chorei chegando em casa, bastante. Ali eu chorei."

CONVENCIMENTO

Dilma disse que "achava que não era muito por ali" quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a dar os primeiros sinais de que queria vê-la como sua sucessora.

"Sendo muito honesta, eu nunca imaginei ser presidente da República. Sempre fui uma servidora pública. Quando o presidente começou a dar os sinais que queria que eu fosse sua sucessora, a primeira reação que tive foi de achar que não era muito por ali. E daí aos poucos fui me convencendo. É algo muito interessante. Servir ao país, chegar a ser presidente, é um sonho que cada brasileiro esconde lá no fundo da alma. É a maior realização que uma pessoa pode ter no seu pais".
***
Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/poder/824133-dilma-afirma-que-pretende-anunciar-em-blocos-os-nomes-de-seu-governo.shtml

Quando os pais transmitem seus ódios aos filhos contra Dilma, não estamos mais numa sociedade democrática rompem-se os laço

01.11.10
Do blog de Maria Flô

Eu sou amiga do Arnóbio Rocha, o autor do post que reproduzirei abaixo. Conheço sua esposa e suas duas filhas.

Sua filha mais velha, Letícia, 12 anos, está em tratamento, recebendo seções de quimioterapia, a menor que foi agredida na escola, já bastante fragilizada com a saúde e sofrimento da irmã mais velha, foi exposta a uma profunda violência. Neste caso, os pais das crianças agressoras deveriam para bem da sociedade fazer uma profunda reflexão sobre a sua responsabilidade em criar seus filhos no manto da ignorância, do ódio, do preconceito.

Toda minha solidariedade ao meu amigo e à sua família, na esperança que este episódio possa fazer a escola parar, refletir e usar o episódio para esclarecer a maior rede de boataria que já vi em toda a minha existência. A sociedade democrática agradece.

#BulliyngEleitoral: Quando os pais ensinam o ódio

Por: Arnóbio Rocha, em seu Blog
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!

Mário Quintana

Bullying

Segundo a Wikipedia Bullying “é um termo em inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully – «tiranete» ou «valentão») ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender. Também existem as vítimas/agressoras, ou autores/alvos, que em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de bullying pela turma.

Cena de uma escola de classe média de orientação católica de SP

1) Minha filha de 9 anos estuda numa escola cristã classe média de SP, hoje foi vítima de bulliyng pesado porque defendeu Dilma;

2) Ela foi importunada por coleguinhas cujos pais votaram no Serra. Começaram zoando que Dilma perdeu;

3) Minha filha revidou dizendo que tinha mais eleição, eles começaram a gritar “Dilma Assassina”, que ela foi presa, que roubava que mata crianças;

4) Minha filha tentando fugir desta turminha e sendo caçada, levou soco, chutaram e pisaram na mochila dela não paravam de gritar;

Ao chegar no carro ela contou para sua mãe e ainda estava em prantos, não por ter recebido soco, mas porque não conseguia se livrar da malta selvagem que lhe atacavam. Cheguei em casa ela me contou o caso fique assustado com este ódio, com esta campanha infame e pelos pais EDUCADOS, que no caso da escola têm curso superior, ganham em média de R$12 a 15 mil por mês, mas ensinam aos filhos pequenos que Dilma é BANDIDA, onde vamos parar?

Nem 1989 Collor ousou pregar o ódio de forma tão aberta. No meio das coisas diziam a minha Dilma ia matar crianças com aborto, criança repetindo Dilma ” Bandida”, “Assassina”, “que mata crianças”.

Pior tive que explicar porque Dilma foi presa, em que condições o país vivia na ditadura, o que é uma ditadura, o que é o aborto. Imagem desoladora, vontade de chorar diante deste ódio. Eles transformaram as eleições num inferno, em SP, classe média, perdeu a noção. Não dar mais para ficar calado. Reflete o que os pais falam em casa, criança não cria estas coisas da cabeça, onde estamos?

Da classe dela de 21 alunos, 4 dizem que os pais votaram na Dilma…a í são vítimas dos demais. Coisa raivosa.Vou preservar nome da escola.

Isto é um desabafo, estou absolutamente revoltado. Os pais sabem que somos de esquerda, nos respeitem. Entendam o que relatei é um alerta para campanha de ódio que estamos sendo vítimas, não existe limite ético, é fascismo aberto.

Quando os pais transmitem seus ódios aos filhos contra Dilma, não estamos mais numa sociedade democrática rompem-se os laços.Vamos criar nossos filhos com amor, não com ódio. Eleições passam, marcas ficam.

A Gênese do Neo-Fascismo

No espaço Wilhelm Reich encontrei esta definição sobre a natureza psicológica do Fascismo:

“Na história da humanidade não é difícil encontrar inúmeros exemplos de processos de praga emocional em ação. O surgimento do fascismo na Alemanha nazista seria um excelente exemplo. O termo praga se refere à natureza contagiosa da histeria social e à dificuldade de se resistir a ela. Em seu livro A Psicologia de Massas do Fascismo, Reich já havia tentado compreender o surgimento do nazismo. Para ele o fascismo político seria a expressão social de um fascismo básico, emocional e individual. Poderia ser encontrado em todos os credos religiosos, podendo ocorrer mesmo em grupos de pessoas cujos objetivos conscientes tivessem um caráter extremamente positivo.”

Além disto, revejo como didaticamente, os meios de comunicações vão degradando o espaço da informação, substituindo pela corrosiva luta política apelativa, sem noção do mal que carrega para sociedade, na tentativa de atingir o Governo atual e sua candidata não se negaram a publicar falsas notícias com o intuito claro de macular a imagem dela:

1) Ficha falsa da Dilma na Folha de SP, sem jamais se retratar;

2) Chamada de capa para artigo de Cesar Benjamin dizendo que Lula tentou violar um preso quando se encontrava preso (Menino do MEP);

3) Revista Época publica a imagem da Dilma “guerrilheira”;

4) Várias capas da Veja com os “radicais” do PT em forma de demônios;

5) Estadão publica editorial apoiando Serra, em que nomeia Dilma como o “Mal a evitar”;

6) Questão do aborto tratada sem a devida posição real do que Dilma pensa;

As centenas de emails falsos sobre a vida pessoal da Dilma, seu “lesbianismo”, sobre querer “matar as criancinhas” (Palavras de Mônica Serra em Nova Iguaçu-RJ) Vejam a lista no link. Isto combinado com os vídeos que o PSDB produziu e postou no Youtube e não teve coragem suficiente de pôr na TV. Os trolls que atacam sem a menor capacidade de debate político, que apenas reforçam o ódio, atacam a honra e a imagem de cada um de nós.

Por tudo isto vejo de onde vem todo este ódio, o Fascismo redivivo, que é protegido por uma mídia cada vez mais ardente por SANGUE e ÓDIO. Mas não dobrarão nossa vontade indômita de lutar por um mundo melhor e um Brasil mais justo.
***
Fonte:http://mariafro.com.br/wordpress/?p=20009

Obrigada, José Serra, por trazer Latuff para a campanha

01.11.2010
Do blog de Maria Flô


Meu querido amigo Carlos Latuff é um anarquista. Ele sempre esteve ao lado dos movimentos sociais, das lutas mais justas. É reconhecido internacionalmente na defesa da luta ampla pelos direitos humanos, está sempre ao lado do MST, dos palestinos, denunciando o sionismo, a violência policial, o racismo, o sexismo e todo preconceito cretino.
Latuff sempre votou nulo, mas a campanha nojenta e asquerosa de José Serra fez com que Latuff escolhesse um lado, o lado mais democrático e progressista que fazia oposição a tantos desmandos, à tanta exclusão e ao reacionaismo desta extrema-direita endoidecida pela perda de poder e revoltada com as conquistas sociais dos mais pobres durante o governo Lula.
Ganhamos nós com a arte e o combate de Latuff. Obrigada José Serra, a exposição de seu extremo reacionarismo, seu sexismo, seu chauvinismo, sua misoginia, seu totalitarismo expresso em afirmações como: ‘governarei acima dos partidos, no meu governo não terá boné do MST, nos trouxe Latuff para a luta :P
Aos eleitores equivocados por darem seu voto ao candidato da campanha mais suja da história meus pêsames.
A tal da ‘vanguarda’ de esquerda (só gostaria de saber vanguarda de quê, representando quem, já que todos os movimentos sociais saíram às ruas pra defender a candidatura de Dilma) que defendeu o voto nulo nestas eleições fica a lição de Carlos Latuff: esquerda que é esquerda de verdade sabe sempre se posicionar. Ficamos do lado dos movimento sociais, contra a barbárie de um projeto político ultra-direitista. #ficaadica.
Abaixo, algumas das charges produzidas por Latuff, ele fez muitas outras, igualmente geniais.
Assim que o TSE anunciou a vitória de Dilma Rousseff, Latuff republicou sua charge: Nota de Falecimento
Quando os trolleiros oficiais ou oficiosos da campanha de Serra invadiram a tag #voude13, numa demonstração medieval do que foi a campanha suja de Serra definindo a tag como “dia de queimar a bruxa”, em referência ao dia 31 de outubro, dia das eleições do segundo turno, Latuff encheu a sua timeline de sugestões de imagens de 13 como número da sorte e fez esta fantástica charge.
<

Sobre as plataformas representadas pelos dois projetos políticos em disputa nestas eleições, Latuff fez a charge acima para o jornal Contraponto do Sisejufe-RJ.
E para encerrar, escolhi esta fantástica charge que mostra que a democracia, o povo brasileiro sabe votar, soube dizer não à baixaria da campanha mais suja da história.
***
Fonte:http://mariafro.com.br/wordpress/?p=21281

Aos preconceituosos que não sabem fazer conta

01.11.10
Do blog de Maria Flô,

É compreensível que a elite reacionária dos grandes centros urbanos seja analfabeta política, seus preconceitos cegam, impedem que vejam como este país mudou para melhor nos últimos oito anos. Seus medos de perder seculares privilégios fazem com que lutem contra toda e qualquer política pública de inclusão e se encastelem em seus ódios.

Infelizmente esta elite existe com diferentes colorações, inclusive no Nordeste (lá se manifesta de outras formas). Mas em alguns estados, especialmente, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, ela parece ser ainda mais perniciosa.

A de São Paulo é, com raríssimas exceções dentro da elite ilustrada, uma das mais perniciosas porque, muitas vezes, seu discurso atinge a classe média baixa, incluindo aí muitos filhos de nordestinos que se desvincularam de suas raízes e incorporaram o discurso xenofóbico.

São Paulo tem jovens de classe média que têm a ousadia de fazer um manifesto xenófobo que pede a expulsão dos nordestinos do estado: o preconceituoso manifesto São Paulo para os paulistas.

Nestas eleições e em outras, esse ranço paulista pôde ser visto em diferentes ocasiões e de diferentes maneiras na boca de políticos tucanos ou de seus aliados. Os políticos paulistanos, especialmente os de direita, são arrivistas, provincianos, voltados para si. Imagine um estado que não tem nenhuma avenida, nenhuma rua com o nome de Getúlio Vargas (segundo informações do jornalista Altamiro Borges).

Mas São Paulo tem também um grande número de pessoas que, além de morrerem de vergonha alheia destes adeptos do nosso Bush Tupiniquim, reagem bravamente contra os preconceitos. Por isso, queridos nordestinos de todos os estados da maravilhosa região Nordeste do país, saibam que nós amamos vocês; amamos a beleza de cada um dos estados do Nordeste; admiraramos a força dos baianos, pernambucanos, paraibanos, piauienses, sergipanos, maranhenses, alagoanos, potiguares, cearenses. Sabemos que o Brasil é rico e belo com a força de todas as suas regiões e continuaremos a mostrar ao mundo que nossa maior riqueza é a diversidade. Contem conosco na luta contra esta xenofobia ridícula e sem noção.

Contudo, gostariam que vissem como além de preconceituosos esta minoria que não nos representa são também deficitárias de educação matemática. Parece que o ensino formal não anda em risco apenas nas escolas estaduais governadas pela péssima administração tucana, a educação matemática anda muito ruim também nas escolas de elite. Só isso explica a reação no twitter dos reacionários preconceituosos imputando aos nordestinos ‘a culpa’ da vitória de Dilma Rousseff.

As demonstrações xenofóbicas dos reacionários contra os nordestinos estampadas no twitter, cuja denúncia e repúdio podem ser vistos em muitos posts da blogosfera como aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, mostram que além de analfabetos políticos os preconceituosos também não sabem fazer contas, não é mesmo?

Então, para vocês preconceituosos (de um Brasil que é bem maior que vocês) mando com carinho este post aqui. Ofereço também a trilha sonora dos derrotados, enjoy!

E, finalmente, energúmenos, arrivistas, preconceituosos, reproduzo duas matérias que mostram que sem os votos das regiões Nordeste e Norte, mesmo assim, Dilma Rousseff venceria. #Ficaadica para que vocês da próxima vez escolham um verdadeiro argumento para a derrota de vocês e não mostrem que o grande problema dos preconceituosos é a péssima educação matemática que tiveram

PS. Cuidado! Ao expressar o preconceito da forma virulenta como vocês fazem na rede, vocês podem ser processados e presos. Expressar o ódio regional como fizeram é crime. Vocês podem ser denunciados aqui.

Lembrem-se: o Brasil grande, bonito, rico em diversidade e vitorioso não permitirá que o Brasil feio, pequeno, minúsculo, preconceituoso e excludente de vocês vençam.
****

Dilma se elegeria sem contar com Norte e Nordeste


Por: Eliano Jorge, no Terra Magazine

01/11/2010

Pessoas descontentes com a eleição da petista Dilma Rousseff atribuíram aos eleitores da região Nordeste peso decisivo no resultado do segundo turno, neste domingo (31). Porém, os nordestinos apenas aumentaram a vantagem que a futura presidente obteve no resto do País. Considerando apenas Norte, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, ela somou 1.873.507 votos a mais do que o tucano José Serra.

E, antes que novos discursos discriminatórios – canalizados contra o Nordeste na internet – se direcionem a outro alvo fácil, o Norte, vale destacar que Dilma também ganharia a eleição sem o saldo positivo de 1.033.802 votos com que os nortistas lhe agraciaram.

O Sudeste, idealizado pelos críticos de nordestinos e nortistas como bastião do PSDB, deu à petista 1.630.614 eleitores a mais do que seu adversário. Esta quantidade supera em 839.695 votos a soma das vantagens que Serra teve no Sul, 656.485, e no Centro-Oeste, 134.434.

Embora o candidato tucano tenha acumulado 1.846.036 votos a mais do que Dilma em São Paulo, ele perdeu no segundo e no terceiro maiores colégios eleitorais do País, Minas Gerais e Rio de Janeiro, respectivamente com saldo negativo de 1.797.831 e 1.710.186.


Mesmo sem o Nordeste, Dilma venceria Serra

Por: Cristian Klein, no Valor Online, via blog do Marcelo

01/11/2010

SÃO PAULO – Depois de uma das campanhas mais acirradas à Presidência da República, a petista e ex-ministra chefe da Casa Civil, Dilma Vana Rousseff, 62 anos, se consagrou ontem como a primeira mulher a governar o Brasil. Com 99,94% das seções apuradas, Dilma Rousseff amealhava 55.724.713 de votos (56,05% do total de votos válidos) contra 43.699.232 (43,95%) de José Serra (PSDB), 68 anos.

Oito anos após a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro operário, os eleitores brasileiros deram a Dilma Rousseff uma vitória que a põe em restrito grupo. Apenas 7% dos chefes de Estado no mundo são mulheres.

A diferença da petista para o tucano foi de pouco mais de 12 milhões de votos. Essa vantagem ocorreu graças à enorme votação de Dilma no Nordeste, onde ganhou 10.717.434 de votos a mais do que Serra. Logo, mesmo se o Nordeste – maior reduto eleitoral do PT – fosse excluído dos cálculos, a candidata governista venceria a eleição por um saldo de 1,3 milhão de votos, ou 0,9 ponto percentual (50,9% a 49,1%).

Até o fechamento desta edição, Dilma alcançava uma votação 9,14 pontos percentuais superior à que obteve no primeiro turno. E Serra, 11,34 pontos acima. Isso indica que o espólio de 19.636.359 de votos (19,33%) de Marina Silva (PV), terceira colocada na primeira etapa, migrou mais para o candidato tucano.

A abstenção, de 21,39%, foi maior que no primeiro turno (18,12%). Mas os votos nulo e em branco, que foram respectivamente de 5,51% e 3,13%, caíram para 4,40% e 2,31%.

A geografia eleitoral do segundo turno mostra que José Serra avançou em três territórios que foram dominados por Dilma Rousseff. A petista, que na primeira rodada vencera em 18 Estados, levou a melhor em 16. O tucano, que tivera vitórias em oito, superou a adversária em 11: além dos Estados vencidos no primeiro turno – Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul , Acre, Rondônia e Roraima -, Serra conquistou mais três: Espírito Santo, Goiás e Rio Grande do Sul. O Distrito Federal, única unidade da Federação vencida por Marina Silva, foi conquistada desta vez por Dilma Rousseff.

Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, onde Serra vencera Dilma por 40,66% a 37,31% – tendo Marina alcançado 20,77% – o tucano ganhou de 54,1% a 45,9% e conseguiu uma vantagem de 1,8 milhão de votos sobre a adversária.

No Paraná e em Santa Catarina, Serra obteve cerca de 1,1 milhão de votos a mais que Dilma. Nestes três Estados o tucano extraiu uma boa margem absoluta, totalizando vantagem de quase 3 milhões de votos. Nos outros oito, Serra ganhou, mas ou a diferença foi pequena – como no Rio Grande do Sul, onde o placar de 51% a 49% significou pouco mais de 100 mil votos de vantagem – ou o colégio eleitoral era pequeno. Nos demais sete Estados vencidos, Serra pôs sobre Dilma uma diferença de apenas cerca de 330 mil votos.

Dilma Rousseff recuperou essa desvantagem de quase 3,5 milhões de votos nos 11 Estados perdidos e ainda pôs a diferença de 12 milhões de votos do resultado final ao obter votações maciças no Nordeste, no Amazonas, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.

Em Minas Gerais, onde Dilma já vencera por uma margem folgada (46,98% a 30,76%), o empenho do ex-governador e senador eleito Aécio Neves (PSDB) no segundo turno não foi suficiente para evitar uma derrota. Até o fechamento, a petista marcava 58,4% contra 41,6% de Serra.

No Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral, o tucano, com 22,53%, ficara em terceiro no primeiro turno, atrás dos 31,52% de Marina Silva. Subiu 17 pontos percentuais, para 39,5%, enquanto Dilma avançou praticamente o mesmo, 16,74 pontos. Antes fizera 43,76%, ontem marcou 60,5%.

Só com o resultado do Rio e de Minas, Dilma praticamente compensou a desvantagem nos 11 Estados perdidos para Serra. O lucro veio do Amazonas e do Nordeste, onde a petista alcançou votações arrasadoras, justamente nos maiores colégios eleitorais. No Maranhão, Dilma teve seu maior percentual da região (79,09%), seguido por Ceará (77,35%), Pernambuco (75,65%) e Bahia (70,85%). Nestes quatro Estados, Dilma pôs uma vantagem de 9 milhões de votos sobre o adversário.

O Estado onde a futura presidente alcançou o seu melhor desempenho percentual foi o Amazonas, com 80,57% (o que significou 865 mil votos a mais que Serra). O melhor desempenho do tucano foi no Acre, com 69,69%.

Dilma Rousseff teve uma votação inferior a de seu padrinho, o presidente Lula, nos segundos turnos de 2002 e 2006. A petista conseguiu o terceiro melhor desempenho de um presidenciável nesta rodada de votação, desde 1989. Sua performance contra Serra foi pouco superior ao de Collor (53,03%) contra Lula (46,97%), há 21 anos, que permance como a eleição mais apertada desde a redemocratização.

Desta vez, os institutos de pesquisa erraram menos que na primeira etapa, quando não captaram com precisão o crescimento de Marina Silva. Ibope e Datafolha, respectivamente, apontaram Dilma Rousseff com 51% e 50%. Mas a votação da petista, fora da margem de erro, foi de 46,91%. No sábado, o levantamento do Ibope apontou uma vantagem de 12 pontos da petista (56% a 44%), enquanto o Datafolha, feito na sexta-feira e no sábado, estimou em 10 pontos (55% a 45%) a diferença para o tucano. O resultado ficou mais próximo do previsto pelo Ibope.

Era esperada uma alta abstenção, devido ao feriado de Finados e ao término antecipado das corridas estaduais. Apenas 14% do eleitorado nacional, em nove Estados, precisaram voltar às urnas para definir o governador, o que contribuiu para uma menor mobilização no segundo turno. O percentual de eleitores que deixaram de votar foi de 21,39%, entre os 135.804.433 que estavam aptos. A abstenção no primeiro turno, como de costume, foi mais baixa, 18,12%. Em relação aos últimos segundos turnos, a ausência foi maior. Em 2006, foi de 18,99%, e, em 2002, de 20,47%.

Desconhecida da maior parte da população – nunca havia se candidatado a um cargo eletivo -Dilma Rousseff apareceu nas pesquisas durante muito tempo atrás de José Serra. Mas foi impulsionada pelo apoio do padrinho e fiador político. Lula conseguiu transferir para a candidata parte de sua enorme popularidade, a maior já registrada por um presidente da República.

José Serra vê frustrada pela segunda vez sua tentativa de ser presidente da República. O tucano teve diante da adversária um desempenho melhor do que o obtido contra Lula. No segundo turno de 2002, Serra fez 38,73%, contra 61,27% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

****
Fonte:http://mariafro.com.br/wordpress/?p=21285