sábado, 30 de outubro de 2010

Os tucanos gostam de ser quintal


O mundo celebra a diplomacia de Lula, mas no Brasil Celso Lafer e outros fernandistas pretendem que dependência é o que nos convém

O êxito da diplomacia brasileira é festejado em toda parte por governos estrangeiros e pela mídia internacional. Mas na mídia nacional só há espaço (nas páginas impressas e na TV) para opiniões de certos ex-diplomatas que serviram ao Itamaraty no governo FHC e obstinam-se em desacreditar a política externa e o país em artigos, entrevistas e debates. Revistas como Foreign Policy e Time, dos EUA, a alemãDer Spiegel, os jornais franceses Le Monde e Le Figaro, o espanholEl País, o britânico Financial Times e outros são pródigos em elogios ao novo papel do Brasil no mundo. Já as famílias Marinho, Civita, Frias e Mesquita, em O Globo, Veja, Folha e Estadão, abominam o “protagonismo” de Lula.

O pecado do “protagonismo” horroriza Celso Lafer (foto abaixo), ex-colega de FHC na USP. De família ilustre (filho de Horácio Lafer, empresário e político), ele foi feito ministro do Exterior por Collor às vésperas da renúncia e voltou ao cargo nos extertores do governo FHC. Ao atacar Lula em artigo recente, acusou a política externa de “busca de prestígio” e “voluntarismo”. Com Collor e FHC optava pela submissão silenciosa à vontade das potências. Só a elas caberia discutir o que fosse relevante. Como ensinou Juracy Magalhães: “se é bom para os EUA, é bom para o Brasil”.

Submissa foi ainda a conduta pessoal de Lafer como ministro quando ia aos EUA: tirava os sapatos para policiais no aeroporto. Submeteu-se, além disso, a uma autoridade de segundo escalão da diplomacia americana, John Bolton, que o mandou obrigar o diplomata brasileiro José Bustani a deixar o cargo para o qual fora eleito na ONU. Licenciado do Itamaraty, o embaixador Bustani era diretor da Organização para a Proibição de Armas Químicas. Pelo regulamento os EUA, se desejassem removê-lo, teriam de levar a proposta à votação dos países-membros. Lafer optou por capitular: retirou o apoio do Brasil ao diplomata e o isolou no Itamaraty. Bustani só foi reabilitado no governo Lula.

Será “protagonismo” preferir dignidade a capitulação? E liderar uma ação global contra a fome? Proposto pelo Brasil, este esforço, a que logo se somaram os presidentes da França, do Chile e o secretário geral da ONU, Kofi Annan, veio no primeiro ano de Lula. Reuniões em Roma e Nova York, adesões em toda parte. Metas foram fixadas para 2015. E o Brasil, como confirmou a ONU mês passado, cumpre sua parte: lidera o ranking mundial dos países que reduziram a pobreza. É performance, bem mais do que protagonismo. Nada a ver com o sugerido pelos ex-diplomatas nos veículos das famílias da mídia dominante.

Já a ofensiva enfurecida contra a política externa tem seus protagonistas: os ex-ministros Lafer e Luiz Felipe Lampreia (na foto abaixo, entre FHC e seu inspirador Carlos Menem) e ex-embaixadores como Roberto Abdenur, Sérgio Amaral, Carlos Azambuja e Rubens Ricúpero,além do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), criado por Lampreia quando ainda chanceler – e com recursos de embaixadas e entidades estrangeiras. O êxito atual da política externa humilha a turma aposentada, que transforma em alvo prioritário o ex-colega Celso Amorim, chamado por Foreign Policy “o melhor ministro do Exterior do mundo”. Ali David Rothkopf ainda escreveu que 2009 foi “o melhor ano para o Brasil desde o Tratado das Tordesilhas (1494)”.

Outros alvos dos ex-diplomatas, além de Amorim e do próprio Lula, são o assessor especial da presidência, Marco Aurélio Garcia (foto abaixo), e o secretário de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães. O bando tucano chega a extremos na ânsia de explicar o contraste entre a inércia passada e o dinamismo do momento atual vivido pelo Brasil. Na vertente diplomática da campanha eleitoral, manipula bordões, imagens e símbolos para desmerecer os triunfos. O diálogo com líderes cuja imagem é vilanizada na mídia – Chavez, Fidel, Ahmadinejad – é pintado como sabotagem da democracia, dos direitos humanos e da não-proliferação nuclear.

Aos olhos dos detratores a substância do diálogo, mérito em qualquer diplomacia, é menos relevante do que a imagem distorcida. Depois da visita de Lula a Teerã, por exemplo, uma cidadã americana, antes cumprindo pena no Irã, procurou na ONU o chanceler Amorim. Na conversa expressou agradecimento ao presidente Lula pelo que fizera em favor da libertação dela (veja no final deste post um recorte do Estadão sobre o assunto). Mas no Brasil a campanha obsessiva de oito anos parece destinada apenas a elevar ex-diplomatas fracassados ao status de estrelas de novela – tal a frequência com que aparecem na TV. A atividade deles exige ainda certa habilidade: têm de zelar por suas relações privilegiadas com a mídia que lhes reserva tão generoso espaço.

A má fé fica clara quando retratam o presidente como marionete de Chavez, Fidel e outros demonizados. A desproporção entre peso e potencial do Brasil e seu líder e os que supostamente o “controlam” basta para expor a ficção grotesca. A suspeita é de que nem quem dissemina as versões acredita nelas. Entendo a frustração dos aposentados: devia ser o ilustrado FHC, não o torneiro mecânico, a brilhar no palco do mundo. No continente é notório o fascínio exercido pelo atual presidente, capaz até de influir em eleições – na Bolívia, Equador, El Salvador, Uruguai, Paraguai. Observe-se ainda a atual presença da China no Brasil, como maior parceiro comercial – lugar que era dos EUA.

Apesar de ser em commodities o grosso das exportações para a China, já há esforço em andamento para mudar o quadro, reforçado ainda pela disposição de empresas chinesas para investir aqui. Este ano aquele país torna-se o que mais investe no Brasil (US$10 bilhões), especialmente em projetos de infraestrutura e telecomunicações – um desmentido irônico às alegações de que depois de FHC a política externa só aposta no fracasso, em países “pobres demais”. As apostas são no respeito à independência política e à autodeterminação, não em sistemas políticos, religiões ou costumes.

A democracia é outra aposta explícita. Em Honduras o Brasil apoiou a devolução do poder ao presidente legítimo, eleito pelo povo e deposto por militares que o arrancaram da cama, de pijama, e o enfiaram num avião para fora do país. Nossa diplomacia e o resto do continente rejeitaram a violência, apesar do recuo dos EUA – abrindo a porta a mais golpes na região. Der Spiegel, a mais importante revista semanal de informação da Alemanha, destacou em maio de 2010 – num longo artigo sobre nossa diplomacia, “Lula Superstar” – a ação do Brasil no exterior. Deu ainda a explicação do próprio Lula, de que está curando “antigo complexo de viralata” dos diplomatas frente aos EUA e Europa.

A revista também contou que em 2003, na grande estréia internacional de Lula na cúpula do G8 em Evian, França, todos estavam sentados no salão do hotel à espera de George W. Bush. Ao chegar o presidente dos EUA, os demais se levantaram – menos Lula. Para o brasileiro, o gesto não fazia sentido: antes ninguém se levantara à chegada dos outros. O que os Lafer, Lampreia & cia. parecem não entender, ao por em dúvida a atuação do Brasil – e na ilusão de uma marcha-a-ré para diplomacia igual à deles, do medo e da omissão – é que o mundo vive processo de mudança, acelerado por um reexame à luz da crise financeira global, da qual o país saiu bem, muito melhor do que a maioria.

Tradicionalmente encarada como profissional, competente e alheia às perturbações políticas sofridas pelo país, nossa diplomacia tem boa formação. Como outras no continente, ficou marcada pelo alinhamento automático com os EUA depois da II Guerra, ao surgir o confronto da guerra fria. A experiência de uma política externa independente só começou no curto período de Jânio Quadros (1961). Mantida pelo sucessor João Goulart, caiu com ele em 1964. Depois do golpe militar enviamos tropas à República Dominicana em 1965 para legitimar a invasão dos EUA e impedir o restabelecimento do governo constitucional deposto.

Foi um momento vergonhoso dessa política externa, atrelada pela ditadura militar aos EUA até 1977 – quando a meta de direitos humanos do governo Carter e as reservas sobre o acordo nuclear Brasil-Alemanha levaram o 4° dos cinco generais-ditadores, Ernesto Geisel, a denunciar o tratado militar com os EUA e aproximar-se do Terceiro Mundo. Antes o general Médici fora recebido (em 1971) pelo presidente Nixon (acima, o recorte doJornal do Brasil), numa visita oficial aos EUA para inaugurar “relações especiais”. A visita do ditador incluiu sessão especial na sede da OEA, Organização dos Estados Americanos, instrumento durante décadas da política externa dos EUA.

Criada em 1948, a OEA fora sempre passiva ante invasões dos EUA no continente (Guatemala, Cuba, República Dominicana, Granada e Panamá foram episódios recentes) e golpes militares instigados por Washington. Um ano e pouco depois da viagem de Médici, o renomado diplomata William D. Rogers sugeriu a seu próprio país sair da OEA e deixá-la ser apenas da América Latina. Na sua sede imponente, a curta distância da Casa Branca, ela foi palco dos rituais de submissão da diplomacia brasileira. Mas em junho de 2005 a história foi diferente. O ministro Amorim, apoiado por maioria esmagadora, derrotou em conferência da OEA na Flórida uma trama do governo Bush, decidido a impor “mecanismos intrusivos” para determinar se um país é ou não democrático.

O tema preocupava os EUA desde 2002, quando o lobista Otto Reich, no papel de sub-secretário de Estado, aliou-se ao golpe militar que depôs Hugo Chávez na Venezuela, dando o poder a um empresário. O povo foi para a rua e Chávez, refém dos golpistas por 48 horas, voltou. Nos EUA a assessora de Segurança Condoleezza Rice (futura secretária de Estado) avisou na TV: “Eleição não basta”. Seriam aqueles “mecanismos” repudiados na OEA o passo inicial para o projeto a ser imposto? O presidente Bush concluiu o mandato sem falar mais no tema. Mas Thomas Shannon, sucessor de Reich, e Hugo Llorens, embaixador em Tegucigalpa (vejam Llorens abraçado ao ditador Michelletti na foto ao lado), ambos nomeados por Bush, foram personagens centrais na crise de Honduras.

Isso ajuda a entender o descompasso entre o presidente Obama, enfático contra o golpe de Honduras na primeira reação, e a secretária de Estado Clinton, ambígua desde a declaração inicial. De Shannon e Llorens ela recebeu e acolheu a versão golpista, à qual se ajustou sem sequer esperar um “intervalo decente”. Na mídia brasileira Honduras foi outra senha para a ex-diplomacia tucana. Ao investir de novo contra a política externa, ela abraçou o pretexto golpista de que o presidente Zelaya conspirou contra a Constituição. Mas a diplomacia brasileira de fato, ao invés de se omitir, consolidou a posição inequívoca contra golpes no continente.

Submetido na mídia a rigorosa dieta de opiniões de um único lado, o Brasil ficou privado nos oito anos de Lula, em especial nos últimos quatro, de um debate real sobre a política externa. As quatro famílias que controlam a mídia dominante optaram por usar os amigos tucanos e censurar a livre circulação de idéias – num momento em que isso seria muito produtivo, dada a relevância, graças ao governo Lula, do papel ampliado do país na cena internacional. (Publicado originalmente na edição 617 deCartaCapital. Com acréscimos.)

PUBLICADO EM: ON OUTUBRO 19, 2010. /

Justiça tem o dever de punir operadoras de telefonia

30.10.10

Passadas as eleições, e qualquer que seja o resultado, as operadoras de telefonia celular devem ser severamente punidas pela atitude que estão tomando, facilmente comprovável pelas denúncias que estão sendo feitas às duzias, ao mandar mensagens em favor de José Serra tanto para os usuários da Claro quanto para os da Vivo.

Além de sórdida, pois procura iludir o eleitor com a frase “para o Brasil seguir mudando”, usada por Dilma como slogan, é flagrantemente ilegal, além de imoral.
Embora não haja na lei previsão específica na lei eleitoral sobre telemensagens, há vários princípioos sendo feridos.

O primeiro é que as empresas de telefonia celular são concessionárias, como as rádios e televisão, de serviços públicos. Não podem, portanto, veicular propaganda, senão aquela autorizada em lei, na forma equilibrada e proporcional entre os partidos que ela prevê.
Segundo é o de que toda propaganda eleitoral deve ser claramente identificada com o nome da coligação ou partido, seu CNPJ e sua tiragem ou custo. No caso dos cadastros – o que é o caso da relação de números de celular – o seu uso ou cessão para propaganda é terminantemente proibido pela lei.

Terceiro, porque ela está sendo feita 48 horas depois de a Ministra Nancy Aldrighi ter expedido medida liminar suspendendo este tipo de abuso.

E há elementos na lei para enquadrar não apenas o candidato José Serra quanto as operadoras que são intrumentos desta transgressão.

Lamentavelmente, o nosso Ministério Público Eleitoral está mais preocupado com outra ordem de problemas.
***
Fonte:http://www2.tijolaco.com/29734

Serra e a entrega das estatais paulistas

SÁBADO, 30 DE OUTUBRO DE 2010
Reproduzo matéria publicada no sítio da CGTB:
Do blog de Altamiro Borges

A política tucana de privatização, comandada por José Serra a partir do Conselho Nacional de Desestatização (CND), compreendia a venda de estatais federais e estaduais. Assim, em 1996, foi instituído em São Paulo o Programa Estadual de Desestatização (PED) que resultou na entrega de 13 estatais, entre dez empresas de energia elétrica e gás, Nossa Caixa Seguros e Previdência, Banespa e Fepasa. Foram tantos leilões de privatização que os tucanos perderam a conta.

O principal método dos tucanos para levar a cabo as privatizações foi retalhar as estatais paulistas, sendo que no caso do banco e da ferrovia foi o de federalizar antes de levar a leilão. Das empresas de energia elétrica e distribuição de gás, apenas a CPFL, em leilão ocorrido em 1997, ficou sob controle de empresas brasileiras, com o consórcio VBC.

A Cesp foi divida em cinco: Elektro, açambarcada em 1999 pela Enron (EUA); Cesp Tietê, tomada pela AES (EUA), em 1999; Cesp Paranapanema, empalmada pela Duke Energy (EUA), em 1999; CTEEP, entregue à Interconexión Eléctrica S/A - ISA (Colômbia), em 2006; e Cesp Paraná, que os tucanos não conseguiram privatizar.

A Eletropaulo foi seccionada em quatro: Eletropaulo Metropolitana, vendida em 1999 à AES (EUA), que tomou emprestado dinheiro do BNDES para compra e ficou devendo ao banco; Bandeirante, que a EDP (Portugal) levou em 1999; EPTE, incorporada à CTEEP, antes da privatização; e EMAE, que continua estatal.

Comgás

A Comgás foi privatizada em 1999, em leilão vencido pela BG (Inglaterra) e Shell (Inglaterra/Holanda). Naquele ano, a Gás Noroeste-SP (Gás Brasiliano) foi entregue à Eni (Itália). No ano 2000, o leilão da Gás Sul foi vencido pela Gas Natural (Espanha).

Em maio de 2005, a espanhola Mapfre Vera Cruz Seguradora arrematou a Nossa Caixa Seguros e Previdência, subsidiária do banco Nossa Caixa constituída em 2002, em leilão na Bovespa. Um detalhe que mostra flagrante imoralidade tucana: Ruy Martins Altenfelder, ex-secretário de Ciência e Tecnologia do governo de São Paulo, era conselheiro Programa Estadual de Desestatização (PED) e também da Mapfre, isto é, privatizador e comprador ao mesmo tempo.

Banespa

No dia 30 de dezembro de 1994, o então presidente do Banco Central Pedro Malan - já convidado para ministro da Fazenda de Fernando Henrique, que assumiria o governo dois dias depois – determinou a intervenção do Banespa. Para preparar a privatização, os tucanos tramaram a falsificação do balanço do banco paulista, conforme comprovou a revista Carta Capital.

Em novembro de 2000, o governo Fernando Henrique/Serra entregou o Banespa para o espanhol Santander, por R$ 7 bilhões. Responsável pelo financiamento de quase toda a produção agrícola do Estado, o Banespa tinha na época um patrimônio líquido avaliado em mais de R$ 11 bilhões e ativos de mais de R$ 28 bilhões. O Santander ainda foi contemplado com isenção fiscal de R$ 5,15 bilhões, além de R$ 700 milhões em lucros de janeiro a setembro de 2000.

A Fepasa foi federalizada em 1998, passando a ser Malha Paulista da Rede Ferroviária Federal - RFFSA, que foi privatizada naquele mesmo ano.

Em 2007, ano em que assumiu o governo do Estado, Serra mostrou que sua índole é de privatizador. Abriu licitação para saber o valor de 18 empresas estatais que ainda não haviam sido vendidas: Cesp, Sabesp, Nossa Caixa, Metrô, CDHU, CPTM, Dersa, EMAE, Cosesp, CPP, Cetesb, Prodesp, Imesp, EMTU, CPOS, IPT, Codasp e Emplasa. Em outubro daquele ano o banco Fator foi escolhido para fazer a avaliação econômica e financeira das empresas e o Citibank, para fazer a modelagem de venda.

Inicialmente, Serra tentou privatizar a Cesp. A data do leilão foi marcada para 28 de março de 2008. Contudo, a mobilização popular e o veto federal a tarifas de escorcha impediram a privatização.
***
Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2010/10/serra-e-entrega-das-estatais-paulistas.html

O Globo se rói de ódio do sucesso da Petrobras

30.10.10
Da campanha que levou ao suicídio de Getúlio Vargas – quando os microfones da Rádio Globo foram entregues a Carlos Lacerra (ops, troquei uma letra) à eleição de Fernando Collor, passando, claro, pelo golpe de 64, o império Globo esteve metido até os ossos com tudo o que de mau se fez a este país.

Não é, portanto, de estranhar que o jornal esteja em campanha aberta contra a Petrobras, no momento em que esta empresa se afirma como instrumento da libertação econômica e social deste país.

Ontem, já chamava atenção para isso aqui no blog. Mas hoje o jornal superou o insuperável e “desceu aos píncaros” da imundície.

Sua manchete, simplesmente, “acusa” a Petrobras de achar e extrair petróleo.
Trata o início de operação de Tupi, a descoberta de petróleo em Sergipe e a definição das reservas gigantes da área de prospecção de Libra como sendo “eleitorais”.

Desculpem-me, mas só um energúmeno pode achar que atividades complexas como estas podem ser tratadas assim. “Fulano, na quarta-feira você acha petróleo no fundo do mar, a 2.400 metros lá em Sergipe, beltrano, na quinta você coloca um navio-plataforma com capacidade para 100 mil barris/dia em operação e sicreno, na sexta você termina os estudos geológicos lá em Libra e anuncia que são bilhões de barris”.

Só mesmo quem manipula a informação como faz o império Globo pode achar que as coisas podem ser feitas assim numa empresa gigantesca, onde o corpo técnico e os trabalhadores não podem, no caso de não se prestarem docilmente às ordens dos donos, podem ser convidados a passar no departamento de pessoal.

As Organizações Globo são as grandes deformadoras da consciência social desta Nação. São elas que fazem, com seu poderio, a escolha dos integrantes do próximo “Big Brother” ser mais importante nos meios de comunicação do que o país encontrar, em um úinico campo de petróleo, reservas que poderão, sozinhas, mais do que dobrar nosso potencial petrolífero.

O império Globo não quer que o Brasil seja um país livre, quer seguir a ser o feitor de uma colônia escrava.

Mas, se Deus quiser, o que não foi feito nos oito anos de Governo Lula, que viveu a ilusão de que serpentes podem ser domadas, entrou em marcha nestas eleições. Não é censura, não é perseguição. É luz, é fazer o Brasil entender quem são eles, o que desejam e perceber que a Globo não é mais a senhora dos nossos destinos, que estão nas mãos do povo brasileiro, seu único e legítimo dono.
***
Fonte:http://www2.tijolaco.com/29714

Campanha do jenio não tem limites para a baixaria

30.10.10

Montagem grosseira tenta iludir eleitores

Extraído do blog Os Amigos do Presidente Lula:

Trapaça e jogo sujo na carreata de Serra

José Serra fez carreata em São Bernardo do Campo hoje, cidade onde mora o presidente Lula, e Suzano. Suspeitaram que seria uma última tentativa de arrumar confusão, para tumultuar o quadro eleitoral.

O povo, esperto, não quis saber de provocação. E tudo correu tranquilo.

Eleitores de Dilma Rousseff (PT) se manifestaram junto às pessoas que seguravam bandeiras do tucano pelas calçadas, mas que não são necessariamente serristas. Um lojista, da porta de seu estabelecimento, gritou: “Só daqui a quatro anos. Desta vez não vão ganhar, não”. Uma outra eleitora, entre confusa e exaltada bradou: “é Dilma 45″, confundindo os números dos candidatos.

Mas a baixaria e o jogo sujo se fez presente, como sempre tem ocorrido no rastro por onde passa José Serra.

Alguns carros cometiam estelionato eleitoral e exibiam adesivos do presidente Lula associado ao número 45 (o nº do tucano).
No fim da carreata, um militante tucano pegou o microfone do carro de som e, imitando de maneira grosseira o presidente Lula, pediu votos para Serra. (Com informações do Terra e da Folha tucana).
****
Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2010/10/30/campanha-do-jenio-nao-tem-limites-para-a-baixaria/

45 razões para não votar em Serra

SÁBADO, 30 DE OUTUBRO DE 2010
Reproduzo material didático que circula na internet:
Do blog de Altamiro Borges

1- Em 1995, quando o PSDB assumiu o governo do Estado de São Paulo, a participação paulista no PIB era de 37%. Em 2004, ela era apenas de 32,6% - ou seja, o Estado perdeu 12% de participação na riqueza nacional durante a Tucanagem. Isto significa menor crescimento econômico e menos geração de renda e empregos;

2- Segundo o Dieese, o declínio econômico explica a taxa de desemprego de 17,5% em 2004, que cresceu 33,6% ao longo do governo tucano. Ela é superior à média nacional - cerca de 10%. Para agravar o drama dos desempregos, os Gatucanos ainda reduziram em R$ 9 milhões o orçamento das frentes de trabalho;

3- Os Gatucanos conduziram todo processo de privatização das estatais, que arrecadou R$ 32,9 bilhões entre 1995-2000. Apesar da vultuosa soma arrecadada, o Balanço Geral do Estado mostra que a dívida paulista consolidada cresceu de R$ 34 bilhões, em 1994, para R$ 138 bilhões, em 2004;

4- No exercício financeiro de 2003, as contas do Estado atingiram um déficit (receita menos despesa) de mais de R$ 572 milhões. E os Gatucanos ainda se gabam de ser um “gerente competente”;

5- São Paulo perdeu R$ 5 bilhões na venda do Banespa, considerando o total da dívida do banco estatal com a União paga às pressas por Alckmin para viabilizar sua venda ao grupo espanhol Santander;

6- De 1998 a 2004, o orçamento estadual apresentou estimativas falsas de “excesso de arrecadação” no valor de R$ 20 bilhões. Boa parte deste dinheiro foi desviada para campanhas publicitárias;

7- Os Gatucanos isentaram os ricos de impostos. De 1998 a 2004, a arrecadação junto aos devedores de tributos caiu 52%, representando uma perda de quase R$ 1 bilhão que poderiam ser investidos nas áreas sociais;

8- Os investimentos também declinaram no desgoverno tucanalha. Sua participação percentual nos gastos totais caiu para 3,75%, em 2004 - bem inferior o montante de 1998, de 5,3% dos gastos;

9- Os tucanalhas arrocharam os salários dos servidores públicos. O gasto com ativos e inativos caiu de 42,51% das despesas totais do Estado, em 1998, para 40,95%, em 2004, resultado da política de arrocho e redução das contratações via concurso público. Já os cargos nomeados foram ampliados na gestão tucana;

10- Os Gatucanos não cumpriram a promessa do desenvolvimento regional do Estado. Das 40 agências previstas em 2003, nenhuma foi criada. Os R$ 5,8 bilhões orçados para o desenvolvimento não foram aplicados;

11- Os Gatucanos ainda cortaram os gastos nas áreas sociais. Apesar do excesso de arrecadação de R$ 12 bilhões, entre 2001-2004, o governo deixou de gastar os recursos previstos. No ano de 2004, a área de desenvolvimento social perdeu R$ 123 milhões;

12- Os Gatucanos concederam regime tributário especial às empresas, o que explica a fragilidade fiscalizatória na Daslu, que teve a sua proprietária presa por crimes de sonegação fiscal e evasão de divisas. Vale lembrar que José Serra esteve presente na abertura desta loja de luxo;

13- No desgoverno tucanalha, houve redução de 50% no orçamento do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que existe há 106 anos e é responsável por estudos sobre desenvolvimento econômico, geração de renda e fortalecimento da indústria paulista. Em julho passado, o IPT demitiu 10% dos seus funcionários;

14- Os Gatucanos extinguiram o cursinho pré-vestibular gratuito (Pró-Universitário), deixando de investir R$ 3 milhões, o que impediu a matrícula de 5 mil alunos interessados na formação superior;

15- Os tucanhalhas vetaram a dotação orçamentária de R$ 470 milhões para a educação. A “canetada” anulou a votação dos deputados estaduais. O ex-governador Alckmin mentiu ao afirmar que investia 33% do orçamento em educação, quando só aplicava o mínimo determinado pela Constituição Estadual – 30%;

16- O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais avaliou que a qualidade do ensino paulista é a pior do Brasil. Segundo esta fonte oficial, a porcentagem de alunos que se encontram nos estágios crítico e muito crítico representava 41,8% do total de alunos - 86,6% pior do que a média nacional;

17- O programa de transferência de renda tucanalha atendia 60 mil pessoas com um benefício médio de R$ 60. Durante a gestão da prefeita Marta Suplicy, o mesmo programa atendia 176 mil famílias com um complemento de renda de R$ 120;

18- Após 12 anos de reinado Gatucano, as escolas continuaram sem a distribuição gratuita de uniformes, material escolar e transporte, ao contrário da experiência na administração da prefeita Marta Suplicy;

19- Os tucanos, que dizem na mídia ser contra aumento de impostos, elevar a taxa de licenciamento dos veículos em mais de 200% (em valores reais) ao longo de seu desgoverno;

20- A Comissão de Fiscalização da Assembléia Legislativa rejeitou as contas Tucanas de 2004, após encontrar um saldo de R$ 209 milhões de recursos do Fundef que jamais foram investidos na educação e verificar que o aumento custo das internações hospitalares, apesar da diminuição do tempo de internação;

21- Os tucanos vetaram projeto de lei que instituía normas para democratizar a participação popular em audiências públicas e na elaboração do orçamento, o que revela seu caráter autoritário e antidemocrático;

22- O investimento em saúde no desgoverno tucanalha não atingiu sequer os 12% da receita de impostos, conforme determina a Lei. Para maquiar esta ilegalidade, o governo retirou da receita estadual os R$ 1,8 bilhão que o governo estadual recebeu pela lei Kandir, prejudicando a saúde pública;

23- Desafiando a Lei e o próprio Tribunal de Contas do Estado, os tucanos contabilizam nas contas da saúde programas que não guardam relação com o setor, como a assistência aos detentos nas penitenciárias;

24- A ausência de políticas públicas e a redução dos investimentos resultaram na flagrante precarização dos serviços de saúde. Muitos leitos ficaram desativados e desocupados por falta de pessoal e material. Só no Hospital Emílio Ribas, menos de 50% dos leitos ficaram desocupados e maioria deles foi desativada;

25- Devido à incompetência gerencial tucanalha o Hospital Sapopemba, que atende uma vasta parcela da população da periferia, ficou durante muito tempo com cerca de 90% dos seus leitos desocupados;

26- A média salarial dos servidores estaduais da saúde ficou 47% abaixo da rede municipal na gestão de Marta Suplicy. A ausência de contratações e os salários aviltados resultaram no aumento das filas, na demora para se marcar consultas e no abandono de postos de atendimento – como o de Várzea do Carmo;

27- O prometido Hospital da Mulher ficou mais de dez anos no papel. O desgoverno tucanalha ainda teve a desfaçatez de estender uma faixa no esqueleto do prédio com publicidade da inauguração da obra inacabada;

28- OS tucanos fizeram alarde das unidades de computadores do Acessa-SP. O saldo de doze anos de tucanato foi de um Acessa para cada 158.102 habitantes. Em apenas quatro anos de gestão de Marta, a proporção foi de um Telecentro para cada 83.333 habitantes;

29- Os tucanos foram responsáveis pelo maior déficit habitacional do Brasil, segundo a ONU. O déficit é de 1,2 milhão de moradias. Desde 2000, o governo não cumpria a lei estadual que determina, no mínimo, 1% do orçamento em investimentos na área de habitação. Os recursos não aplicados somaram R$ 548 milhões;

30- Os tucanos fizeram com que São Paulo declinasse no ranking nacional do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), o que atesta a brutal regressão social no Estado durante o reinado tucano.

31- Desde a construção do primeiro trecho do Metrô, em setembro de 1974, os tucanos foram os que menos investiram na ampliação das linhas - apenas 1,4 km de linhas/ano, abaixo da média de 1,9 km/ano da história da empresa. O Metrô de São Paulo é o mais caro do Brasil e um dos mais caros do mundo;

32- Ao final de seu Governo, o tucano Alckmin voltou a atacar a educação ao vetar o aumento em 1% no orçamento, aprovado pela Assembléia Legislativa. Numa fraude contábil, ele ainda transferiu parte da receita do setor para a área de transporte, o que representou um corte de R$ 32 milhões na educação;

33- Apesar do silêncio da mídia, o desgoverno tucanalha esteve envolvido em várias suspeitas de corrupção. Um diálogo telefônico entre os deputados estaduais Romeu Tuma Jr. e Paschoal Thomeu revelou o flagrante esquema de compra de votos na eleição do presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo;

34- Durante 12 anos de governo do PSDB, cerca de 60 mil professores foram demitidos. O valor da hora aula no Estado é uma vergonha; não passa de R$ 5,30! Os Tucanos também tem inaugurado Fatecs (escolas técnicas) de “fachada”, sem as mínimas condições de funcionamento;

35- O desgoverno tucano expulsou mais do que assentou famílias no campo. Da promessa de assentar 8 mil famílias, apenas 557 foram contempladas. Outro descaso aconteceu na habitação: os tucanos prometeram construir 250 mil casas, mas, desde 1999, só foram erguidas 37.665 unidades;

36- O tucano Alckmista impôs a maior operação-abafa de Comissões Parlamentares de Inquérito no país para evitar a apuração das denúncias de corrupção. Ao todo, 65 pedidos de CPIs foram engavetados. Entre elas, as que investigariam ilícitos na Febem, nas obras de rebaixamento da Calha do Tietê, na CDHU e no Rodoanel;

37- Somente na obra de rebaixamento da calha do rio Tietê foram registrados aditivos que ultrapassaram o limite legal de 25%. O valor inicial da obra era de R$ 700 milhões, mas o custo efetivo ultrapassou R$ 1 bilhão. Além disso, o valor inicial do contrato de gerenciamento saltou de R$ 18,6 para R$ 59,3 milhões;

38- O Tribunal de Contas da União (TCU) também detectou irregularidades em 120 contratos da CDHU, que recebe 1% do ICMS arrecadado pelo Estado, ou seja, cerca de R$ 400 milhões. Mais uma evidência dos atos ilícitos cometidos pelo PSDB paulista de José Serra;

39- Os gatucanos também devem explicações sobre a privatização da Eletropaulo, ocorrida em 1998. A empresa acumulou uma dívida superior a R$ 5,5 bilhões, incluindo mais de R$ 1 bilhão com o BNDES, que foi bancado pelo Estado. Entre 1998-2001, a empresa privatizada remeteu US$ 318 milhões ao exterior;

40- Já na privatização dos pedágios, os Tucanos doaram à empresa Ecovias R$ 2,6 milhões ao reajustar a tarifa do sistema Anchieta-Imigrantes acima da inflação, o que feriu o Código de Proteção ao Consumidor. Em apenas um ano, a empresa privatizada arrecadou nas tarifas excorchantes R$ 2.675.808,00;

41- José Serra vetou o estacionamento gratuito nos shoppings de São Paulo e o projeto de lei que garantia a liberação das vagas nos hipermercados, tudo para beneficiar os poderosos conglomerados comerciais;

42- Os tucanalhas da repressão no seu governo. Ele usou a tropa de choque da PM para reprimir os 500 estudantes e docentes que protestaram contra o veto às verbas para educação na Assembléia Legislativa, transformada numa praça de guerra. Estudantes e Funcionários da USP foram reprimidas violentamente, PMs e Policiais Civis se enfrentaram armados nas ruas e a Favela de Heliópolis foi palco de uma ataque despropositado onde muitos perdram sua vida. A PM também reprimiu duramente as ocupações de terra do MST;

43- Os tucanos, primados do Choque de indiGestão, gastaram R$ 5,5 milhões nas obras do aeroporto “fantasma” em Itanhaém, no litoral sul. Ele tem capacidade para receber um Boeing 737, com cem passageiros, mas até o ano passado foi usado, em média, por cinco pessoas ao dia. O aeroporto é motivo de justificadas suspeitas de irregularidades;

44- Os tucanalhas reduziram os investimentos públicos, apesar dos excedentes de arrecadação entre 2001-2004. O Estado deixou de gastar cerca de R$ 1,5 bilhões na saúde; R$ 4 bilhões na educação; R$ 705 milhões na habitação; R$ 1,8 bilhão na segurança pública; e R$ 163 milhões na área de emprego e trabalho;

45- Em 2004, a Secretaria de Agricultura e Desabastecimento tucana deixou de aplicar R$ 51 milhões previstos no orçamento. Programas nas áreas de alimentação e nutrição devolveram a verba. Os recursos poderiam ser convertidos em 53.346 cestas básicas, 780.981 refeições e 670.730 litros de leite por mês.
****
Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2010/10/45-razoes-para-nao-votar-em-serra.html

E AGORA MARINA?: 15 dos 27 dos diretórios do PV apoia Dilma

29 de outubro de 2010

No segundo turno da disputa presidencial, o PV, seus dirigentes e os eleitores de Marina Silva se dividiram. O partido e a candidata que recebeu 19,6 milhões de votos nas urnas assumiram uma posição independente e não se engajaram na campanha do PT nem do PSDB. Livres para escolher um candidato, 15 dos 27 diretórios do PV optaram pela candidatura petista, de Dilma Rousseff, e 7 pelo tucano José Serra. Já os eleitores de Marina tendem a aderir majoritariamente à candidatura tucana, de José Serra, segundo o Datafolha. De acordo com o instituto de pesquisa, 60% dos eleitores que votaram no PV no primeiro turno disseram que votarão no tucano no domingo, na contagem das intenções de votos válidos.

Marina e seu partido levaram duas semanas após o primeiro turno para definir não declarar apoio a nenhum dos candidatos no segundo turno. A candidata entregou a Dilma e Serra um documento com 43 propostas e obteve acenos tanto do PT quanto do PSDB, mas não recebeu garantias de compromisso com os pedidos. O programa de governo de Dilma passou ao largo das propostas do PV e Serra ainda não apresentou oficialmente seu programa.

Com a decisão do comando nacional do PV de manter-se independente, dirigentes em todo o país fizeram suas escolhas. O apoio da máquina partidária a Dilma e a Serra segue a tendência de voto dos candidatos no primeiro turno. A petista tem a preferência de quase todos os diretórios do Nordeste, enquanto a maior adesão ao tucano está no Centro-Oeste.

O Valor ouviu presidentes, coordenadores regionais e lideranças do PV em todos os 26 diretórios estaduais e o no Distrito Federal. O balanço do apoio às candidaturas revela a predileção por Dilma.

O primeiro diretório a declarar apoio a um dos candidatos foi o do Paraná, que optou por Dilma. Historicamente sempre estivemos do lado do PT. Não tem como apoiar Serra, diz o presidente do PV estadual, Antonio Jorge Melo Viana. No Estado o partido tem cerca de 20 mil filiados. No Rio Grande do Norte, a presidente do PV e prefeita da capital, Micarla de Sousa, que apoiou Rosalba Ciarlini (DEM) na disputa estadual e Agripino Maia (DEM) na campanha pelo Senado no primeiro turno, está agora com o PT na corrida presidencial. No Distrito Federal, o PV optou por apoiar o candidato Agnelo Queiroz (PT) na disputa pelo governo e, assim, decidiu aderir à campanha de Dilma. Marina venceu Dilma e Serra no DF no primeiro turno.

As condições impostas pelo diretório nacional do PV aos estaduais foram a de não usar símbolos partidários na campanha presidencial do segundo turno, nem declarar voto em nome da sigla. No Espírito Santo, o diretório achou uma forma de driblar as proibições ao engajar-se na campanha de Dilma. Os dirigentes fizeram adesivos verdes com a frase Agora é 13, sem citar o PV, e a presidente do estadual, Cidineia Maria Fontana, pediu licença do cargo para ir às ruas defender a petista.

Em Rondônia, os dirigentes decidiram por apoiar Serra. Segundo o presidente do diretório estadual, Antenor Kloch, o partido não tem boa relação com o PT no Estado. Não é um voto ideológico, mas sim de rejeição ao PT, diz. O país está no rumo certo, afirma. O tucano foi vitorioso no primeiro turno em Rondônia e Marina obteve uma de suas menores votações percentuais no país , 12%. Nossa cultura é pelo desmatamento e há muitas críticas sobre a política ambiental, comenta Kloch.

No Rio e em São Paulo, dois expoentes do PV, o deputado Fernando Gabeira (RJ) e Fabio Feldman, candidato derrotado ao governo paulista, declararam voto em Serra. A tendência dos dirigentes dos dois Estados é seguir esse apoio. Os dois diretórios são representativos tanto pelo número de filiados, como pela força política.

Em cinco Estados, não houve consenso. Nesses casos, o comando partidário estadual declarou-se neutro ou está dividido entre os candidatos. No Amazonas, o presidente do diretório estadual, prefeito Angelo Figueira, e seu grupo político apoiam Serra, mas o restante do diretório está com Dilma. No Mato Grosso do Sul e no Rio Grande do Sul, a decisão foi de seguir a orientação do nacional e mantiveram-se independentes. O partido está dividido e escolhemos não declarar voto, diz Marivaine Alencastro, presidente do PV-RS.

A exemplo dos diretórios estaduais, a bancada do partido na Câmara, apoia a petista, apesar de ter também apoiadores de Serra. Majoritariamente governista, tem nomes de peso ao lado de Dilma, como o deputado José Sarney Filho (MA). A divisão das preferências, no entanto, pode ser exemplificada com dois parlamentares da Bahia: o líder do partido na Câmara, Edson Duarte, está com a candidata do PT, mas Luiz Bassuma, derrotado na disputa deste ano pelo governo baiano, deve votar em Serra.

O apoio dos eleitores que votaram em Marina no primeiro turno parece seguir um rumo diferente. De acordo com o Datafolha de 26 de outubro, 44% disseram que preferem o tucano e 30% a petista. O número de indecisos e dos que declararam voto nulo ou em branco ainda é grande e corresponde a 26% dos eleitores. Nos votos válidos, isto é, sem as intenções de voto em branco, nulo e os indecisos, o placar fica 60% para Serra e 40% para Dilma.

Entre os eleitores que declararam que o PV é o seu partido de preferência, 55% disseram votar em Serra no segundo turno e 19% em Dilma. Outros 19% que preferem o partido declararam voto em branco ou nulo e 7% não sabe em quem votar. Nas intenções de votos válidos, o percentual chega a 75% a Serra e 25% a Dilma.Valor Econômico
****
Fonte:http://osamigosdapresidentedilma.blogspot.com/2010/10/15-dos-27-dos-diretorios-do-pv-apoia.html

Governos de esquerda da AL torcem por Dilma

29 de outubro de 2010

Eleições: Argentina, Bolívia, Paraguai e Venezuela acompanham a disputa presidencial com mais ansiedade

Com receio de ver seus interesses com o Brasil afetados, quatro governos esquerdistas da América do Sul preferem uma vitória da candidata do PT, Dilma Rousseff. Para esses países, a eleição do tucano José Serra é associada, em maior ou menor grau, a possíveis atrasos ou reversões na agenda bilateral com o Brasil.

O Valor ouviu parlamentares dos partidos que estão no governo em nove nações da região, além de diplomatas e outras autoridades, a respeito das expectativas sobre as relações de cada país com o Brasil a partir de 2011. Os governos que parecem acompanhar o resultado da disputa com mais expectativa são os da Argentina, Bolívia, Paraguai e Venezuela. Nos quatro, a preferência é por Dilma.

No Uruguai e no Equador - ambos também com presidentes de esquerda - integrantes dos governos não têm manifestado publicamente ou a interlocutores brasileiros interesses específicos na vitória do PT ou do PSDB.

O mesmo vale para os governos da Colômbia, Peru e Chile, que embora sejam comandados por presidentes de centro-direita não revelam claramente preferências por uma ou outra candidatura.

No caso do governo da Bolívia, o país mais pobre da América do Sul, as reservas a Serra foram tornadas públicas antes do primeiro turno, quando o tucano acusou a gestão do presidente Evo Morales de ser cúmplice do tráfico de cocaína para o Brasil.

Em maio, Serra declarou durante uma entrevista: Você acha que a Bolívia iria exportar 90% da cocaína consumida no Brasil sem que o governo de lá fosse cúmplice? Impossível. O governo boliviano é cúmplice disso. Quem tem que enfrentar essa questão é o governo federal. O candidato completou dizendo que se o governo [da Bolívia] não fizesse ao menos corpo mole, o fluxo de cocaína que cruza a fronteira seria menor.

A afirmação foi rebatida por La Paz. Na ocasião, o senador Fidel Surco, presidente da Comissão de Política Internacional do Senado, disse à reportagem que Serra é um candidato da direita que repete o que diz os EUA contra Evo. Surco é do MAS, o partido de Morales. Para ele, a relação entre Bolívia e Brasil com Dilma seria mais fácil. por haver mais proximidade ideológica entre os partidos.

Segundo uma autoridade brasileira que mantém contatos frequentes com parlamentares e membros do Executivo boliviano, eles deixaram de se mostrar preocupados quando as pesquisas mostraram que Dilma teria uma vitória na primeira rodada. Depois do primeiro turno, ficaram mais receosos com a possível eleição de Serra e principalmente sobre como seriam as relações bilaterais em torno de três pontos, diz a fonte. A questão do narcotráfico, o financiamento e os estímulos dados a empresas brasileiras para investirem na Bolívia e a questão do pagamento das chamadas partes nobres do gás [aceita pelo governo Lula e que eleva o valor pago pelo Brasil ao gás boliviano].

Assim como na Bolívia, a sensação manifesta no Paraguai por integrantes do governo do presidente Fernando Lugo e por parlamentares dos partidos que estão no poder, é que o governo Lula atendeu e aceitou negociar algumas demandas sensíveis ao país. E que com um governo de José Serra, a situação seria outra.

No Paraguai, há uma visão de que o acordo firmado pelos dois governos sobre o preço da energia de Itaipu só foi possível porque o presidente Lula tem uma empatia com o Lugo, disse um diplomata brasileiro ouvido sob a condição de não ter seu nome publicado.

Em julho de 2009, Brasil e Paraguai firmaram um acordo que prevê, entre outros pontos, o aumento do preço pago pelo Brasil à energia de Itaipu que adquire do Paraguai. O acordo precisa da aprovação do Congresso. Uma das preocupações deles é como será essa votação caso Serra seja eleito.

Ricardo Canese, parlamentar paraguaio do Mercosul e coordenador da comissão de negociação sobre Itaipu do Ministério das Relações Exteriores paraguaio, disse ao Valor que crê que iniciativas de integração são políticas de Estado e que quem quer que seja eleito, não ignorará o acordo.

Talvez haja maior ou menor vontade política. Entendemos que Dilma terá mais vontade política de fazer avançar o acordo. Num governo Dilma há ainda uma questão filosófica, de integração regional mais ampla.

Entre os sul-americanos talvez o único presidente que tenha dito textualmente que torce pela vitória da candidata do PT foi o venezuelano Hugo Chávez. Ele não sugeriu, mas disse diretamente que queria que a companheira Dilma ganhasse, disse à reportagem o deputado Roy Daza, presidente da Comissão de Exterior da Assembleia Nacional venezuelana. Daza é do PSUV, partido de Chávez.

Toda nossa expectativa é quem vai ganhar as eleições, disse, acrescentando, que apesar das preferências e das identidades entre o PT e Chávez, a Venezuela tem relações externas excelentes com a esquerda e com direita. Há que não se ideologizar tanto as relações internacionais. A Venezuela não tem pendência importante a ser aprovada pelo Congresso brasileiro. A proposta de adesão da Venezuela ao Mercosul - criticada pela oposição - já foi aprovada.

Daza lembra que as relações de Chávez com o Brasil começaram com o Fernando Henrique Cardoso. Com Lula e se aprofundaram e hoje são excelentes. Uma eventual vitória da oposição não deve mudar a intensidade das relações, diz. Mas a preferência é clara: Temos há anos vínculos com o PT. Prefiro um partido de esquerda, como o PT. Seríamos hipócritas se disséssemos o contrário.Valor Econômico
***
Fonte:http://osamigosdapresidentedilma.blogspot.com/2010/10/governos-de-esquerda-da-al-torcem-por.html

Dilma Rousseff deve ser eleita 1ª mulher presidente do Brasil, aponta Datafolha

30.10.10Dilma Rousseff (PT) chega ao dia da eleição com 55% dos votos válidos, segundo pesquisa Datafolha realizada ontem e hoje. Está dez pontos à frente de José Serra (PSDB), que pontuou 45%. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais.

O Datafolha entrevistou 6.554 pessoas neste sábado, um número maior do que o de outras sondagens recentes. A pesquisa foi encomendada pela Folha e pela Rede Globo e está registrada no TSE sob o número 37903/2010.

Se confirmar nas urnas o resultado do Datafolha, Dilma será eleita a 40ª presidente do Brasil. A corrida eleitoral tem se mantido estável nos últimos 15 dias, com os dois candidatos variando apenas dentro da margem de erro do levantamento.

Na última quinta-feira, Dilma tinha 56% e oscilou negativamente um ponto. Serra estava com 44% e deslizou um ponto para cima. Do ponto de vista estatístico, é impossível afirmar se houve ou não variação no período.

Quando se consideram os votos totais, Dilma tem 51% contra 41% de Serra. Ambos oscilaram positivamente um ponto cada de quinta-feira até ontem. O percentual de indecisos continua em 4%. E há também 4% de eleitores decididos a votar em branco, nulo ou nenhum.

A campanha de segundo turno agora em outubro mostrou uma recuperação de Dilma em todos os segmentos analisados ontem pelo Datafolha, com exceção de dois grupos: os eleitores da região Sul e os do interior do país.

No Sul, a petista começou o mês com 43% contra 48% de seu adversário tucano. Ontem, Dilma estava com 42% e ainda perdia para Serra, que pontuou 50%.

Entre os eleitores do interior, a candidata do PT ficou no mesmo lugar. Começou outubro com 50% e ontem tinha o mesmo percentual. Mesmo assim, está sete pontos à frente de Serra (43%).

A arrancada mais significativa de Dilma se deu nas regiões metropolitanas (de 44% para 52% neste mês) e no Sudeste (de 41% para 48%). O Sudeste concentra 45% dos eleitores do país. Serra, que é paulista e fez sua carreira política na região, tem 44%, o mesmo percentual do início do mês.

No Nordeste (25% dos eleitores brasileiros), a petista manteve neste mês sua liderança sobre o tucano. No início de outubro, tinha 62%. Ontem, segundo o Datafolha, Dilma estava com 63% e uma frente de 33 pontos sobre Serra, cuja pontuação na região foi de 30%.

O principal reduto do tucano é o Sul. Mas ele avançou pouco durante o mês, de 48% para 50%. Dilma, cuja carreira se deu no Rio Grande do Sul, não conseguiu se recuperar entre os sulistas _16% do eleitorado.

Nas regiões Norte e Centro-Oeste, os dos candidatos a presidente começaram o mês empatados tecnicamente: Serra com 46% e Dilma com 44%. Ao longo da campanha, a curva se inverteu. Ontem, a petista estava com 50% e o tucano com 42%.

A pesquisa Datafolha confirma a força de Dilma entre os eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos (44% do total do país). A petista tem 56% nesse segmento contra 36% de Serra.
***
Fonte:http://osamigosdapresidentedilma.blogspot.com/2010/10/dilma-rousseff-deve-ser-eleita-1-mulher.html

DILMA: Como foi a carreata em Belo Horizonte

sábado, 30 de outubro de 2010

***
Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2010/10/como-foi-carreata-em-belo-horizonte.html

“Lula é um gênio do povo”

29 de outubro de 2010 às 23:52h
Amiga de Dilma e Serra, a economista portuguesa Maria da Conceição Tavares, figura nacional no Brasil, vota em Dilma. E explica porque acha que Lula é um líder sem par.

Foto: Marcelo Carnaval

Por Alexandra Lucas Coelho*

Maria da Conceição Tavares é daquelas figuras “maiores que a vida”. Aos 80 anos, a fumar ininterruptamente na sua casa do bairro carioca Cosme Velho, tem algo de Indira Gandhi ou Churchill. Voz e riso de trovão, olhar agudo, resposta incisiva. Respeitada em todo o espectro político como economista e pensadora, é uma das grandes conselheiras do PT. Nunca quis ser ministra porque diz tudo o que pensa.

Portuguesa, nascida em Anadia, crescida em Lisboa, filha de um anarquista que alojava refugiados da Guerra Civil de Espanha, veio casada e grávida para o Brasil, aos 21 anos, por causa de Salazar. Desde então, ao longo de 60 anos, formou gerações de economistas e líderes políticos, incluindo Lula.

A senhora deve ser a única pessoa no Brasil que consegue juntar no aniversário dos seus 80 anos….

Os dois candidatos à presidência da República! [ri-se]

… Dilma Rousseff e José Serra.

Mas o clima estava muito bom. Eles nunca se trataram mal, nem nada. Eram pessoas civilizadas, que se tratavam bem. A campanha é que despertou essa trapalhada. A noite [do aniversário, 24 de Abril] correu perfeita. Nem se discutiu política. Foi uma festa.

Eles sempre tiveram boa relação?

Não que sejam amigos pessoais, como eu sou amiga dos dois. Mas sempre tiveram boa relação. O Serra era um sujeito civilizado. Não sei o que deu na cabeça dele agora.

Conhece-o muito bem…

Desde 1968.

… se tivesse de explicar quem é José Serra, o que diria?

Um bom economista. Ambos éramos do PMDB, a frente democrática contra a ditadura. E ele saiu para fundar, com o [Mário] Covas e o Fernando Henrique [Cardoso], o PSDB, uma espécie de ala esquerda. Muita gente não acompanhou isso. Eu, por exemplo, não fui porque não faço muita fé no Fernando Henrique, que sempre foi meio dúbio, trapalhão. O Covas é que era o homem importante. Morreu. E aí… A partir do momento em que Fernando Henrique foi para o poder, o Serra manteve a posição dele como economista contra a política neoliberal.

Porque é que acha o Fernando Henrique “meio dúbio”?

Diz uma coisa para agradar a uns e outra para agradar a outros. Não fazia política, mas era um político na academia. E o Serra não, sempre foi muito “straight”, muito direito.

Confiaria mais no Serra que no Fernando Henrique?

Sem dúvida [ri]. E o primeiro governo [de Fernando Henrique] mostrou isso. Porque aí o Serra foi ministro de Planejamento contra a política neo-liberal do Fernando Henrique. Depois foi um bom ministro da saúde. Não havia nada nele que demonstrasse que ia ter uma mudança assim tão brusca. Mesmo quando foi candidato contra o Lula foi uma campanha normal. Ele sempre respeitou o Lula.

Mas acha que Serra mudou?

Mudou. Por razões de interesse político.

Como é que essa mudança se manifesta?

Na arrogância, na agressão. Ele não era assim.

Mas na segunda volta quem passou ao ataque foi Dilma.

Mas não foi ataque pessoal, xingando ele. Foi atacando o governo anterior [de Fernando Henrique]. E ele não se defendeu.

Depois [a campanha] foi piorando. E agora piorou de vez.

Como vê o incidente em que Serra acusou o PT de ser nazi, ao agredirem-no com um rolo de papel?

Ah, são jovens na rua. Mesmo que sejam pêtistas não tem a ver com o partido em geral. Essa mania de chamar um partido de nazi, acho de maluco, num país democrático como é hoje o Brasil. A gente está extremando o argumento. O Serra está muito agressivo. É verdade que essa deve ser a última oportunidade, mas parece que lhe bateu o desespero.

Mas não acha que Dilma mudou de atitude também, ficou mais agressiva?

Claro. Mas é para responder. Defender a honra dela. Ele diz que ela é mentirosa, que disse isto e depois aquilo. Diz que ela abriga a corrupção, que é dela a culpa da Erenice [Guerra, ex-braço direito de Dilma, acusada de corrupção], que todos os problemas do Brasil são culpa dela. Ela está mais agressiva no tom, inclusive mais assertiva. Mas não está insultando, dizendo que ele é ladrão.

De qualquer maneira, [a campanha] degringolou. Passou a ser um debate agressivo e vazio. Conheceu Dilma nos anos 80, sua aluna na Unicamp. Como a pode apresentar?


É uma moça que sempre fez política, como o Serra. Fez política nos partidos radicais nos anos 70, ficou presa muitos anos, teve um comportamento fantástico na prisão, é uma mulher de muita coragem, de nervo. Ela não se desmorona à toa.

Em 80 veio para Campinas, para o doutoramento. Era brilhante. Brilhantes, eles são os dois.

Serra e Dilma?

É. Ambos são bons economistas. Isso é que irrita. Podiam estar falando de coisas importantes para o Brasil.

Portanto, em termos de economia, não fica preocupada com nenhum dos dois?

Não, não fico. Quero dizer, com o Serra fico, em termos de política. Porque ele virou muito conservador e é frontalmente contra a política externa do Brasil, essa política de autonomia. Ele não é a favor das relações Sul-Sul. Preferia que a gente mantivesse a relação Norte-Sul, mais estreita com os Estados Unidos, o que acho um erro. E ele é muito fiscalista. Tanto, que o que está dizendo é contraditório. É a favor do corte do gasto público, mas diz que vai dar não sei quantos mil de salário mínimo, e para os aposentados. Está fazendo promessas demagógicas, o que não é nada o estilo dele.

Existe a ideia de que a Dilma é uma construção do Lula, alguém que não tem personalidade própria.

Isso é uma bobagem. O que ela não tem é o conhecimento político do Lula. Mas foi ministra de Minas e Energias, um sector pesado, em plena crise de energia eléctrica — herança da política boba do Fernando Henrique —, e foi Chefe da Casa Civil, uma casa política. E está com ele [Lula] todos os dias. Tem aprendido com ele tudo o que há para aprender sobre o Brasil. É evidente que sem ele não teria chance. O Serra já foi candidato a várias coisas, ela não. Então, o facto de ser apoiada pelo Lula ajuda. Não bastava o PT. O PT não tem peso suficiente para fazê-la ganhar. Quem tem é o Lula, uma figura política como nunca ocorreu no país. Para dizer a verdade, pouco ocorreu no mundo.

No vídeo em que apoia à Dilma diz: não sigam a propaganda das grandes empresas, o Brasil tem de fazer as pazes com o povo, não pode ficar só votando para os 10 ou 20 por cento de cima, e a mulher do povo é a Dilma. Acha que existem dois Brasis, essa faixa de cima que é anti-Lula e o Brasil do povo?

Acho. Tranquilamente.

E isso está a manifestar-se de novo nesta eleição?

De novo. Agora, tem a classe média, que vai para cá ou para lá, conforme a conjuntura.

A classe média que ascendeu nos últimos anos?

A que ascendeu foi a média-baixa. A média-alta, não. E essa é que tem muita raiva do Lula e não vai votar na Dilma.

Nessa faixa média alta, o Lula é frequentemente descrito como um ignorante, ou um populista.

Primeiro, não é populista porque é do povo. Populista seria um cara da elite que estivesse manipulando o povo. Ele ascendeu do povo, e foi sendo feito pelo povo.

Depois, ignorante, coisa nenhuma. O Lula sabe mais do Brasil do que ninguém. E sabe mais de economia aplicada, prática, do que ninguém. Já é candidato desde 1989. Então, na primeira derrota fez o Instituto de Cidadania, uma espécie de ONG, e convidava todos os intelectuais. Eu conhecia-o de vista, mas aí passei a ser assessora dele. Eu, uma série de economistas progressistas, filósofos, sociólogos.

Era uma espécie de academia informal?Claro. De maneira que ele fez uma “universidade” que durou de 1989 a 2002.

Como “aluno”, como era?

Ah, brilhante, brilhante. Tem uma memória prodigiosa. E quando havia discussão académica e ele percebia que as questões estavam resvalando, não deixava. Ele vai no gume. Tem um sentido de oportunidade muito afiado, uma mente muito lógica. Isso é que é impressionante. Tem um coração popular, uma emoção popular, mas a cabeça dele é totalmente lógica. É dos homens mais inteligentes que conheci. Se não o mais.

Diria que o Lula é talvez o homem mais inteligente que conheceu?

Sem dúvida. E não apenas politicamente. É uma inteligência nata. É um génio do povo. Nós tivemos um génio do povo. Se não, não teria chegado lá. Você acha que alguém vindo de onde ele veio, com as dificuldades que teve, chega a presidente? Não. Ele é um génio do povo, mesmo, e impressiona qualquer um.

A senhora tem uma frase que é: “O Lula é o maior intelectual orgânico do Brasil.”

Os intelectuais como eu são clássicos. E ele é orgânico. Interpreta e representa organicamente o povo brasileiro.

Não tem nada a ver com um Hugo Chávez?

Não, imagina! O Chávez é de origem militar. Ao Chávez é que se podia chamar populista, embora eu o ache mais uma espécie de caudilho ilustrado.

E o Lula não tem nada de caudilho [líder carismático e autoritário]?

Não, que caudilho! Ele jamais faz apelos carismáticos. Ele fala com o povo, ou com quem quer que seja, de igual para igual. Faz piada, faz humor.

É um deles?

É um deles. Mas também quando se encontra com a classe média é como um de nós. Não tem complexo de inferioridade, nem de superioridade.

Não tem ressentimento, é isso?

De nenhuma espécie. E não gosta que fiquem elogiando ele de mais. É muito lúcido. Como a lucidez é uma característica da inteligência analítica, ele tem uma inteligência analítica poderosa. E como é do povo, eu digo que é orgânico.

A senhora escreveu que ele foi quem mais avançou na “republicanização do Brasil”. No sentido de democratização?

É. Porque está dando voz ao povo. A preocupação dele é tornar cidadãos os que estão à margem. E não com palavras, com factos. Indo até eles, dando-lhes direitos, com a preocupação de que as políticas sociais sejam para incorporação.

O Lula, entre as derrotas, fez várias viagens ao Brasil inteiro, chamadas Caravanas da Cidadania. A palavra que escolhe sempre é cidadania. Por isso digo que é republicanização. O que ele quer é que todos os brasileiros tenham cidadania, possam-se expressar, ter direitos. Quer acabar com os dois Brasis, em resumo. Quer fazer disto uma nação.

Quando chegou ao Brasil, o pensamento do antropólogo Darcy Ribeiro foi importante para si, a ideia de construir uma democracia multiracial nos trópicos. O Brasil está mais perto disso?

Está. Nunca julguei que chegasse. Mas agora acho que a democracia está consolidada no Brasil. A coisa multiracial está avançando, porque os direitos dos negros, dos índios, estão sendo reconhecidos. E os dois Brasis estão terminando. Essa nossa vergonha.

Lula é acusado de tentações autoritárias, de se apoderar da máquina do Estado, de se enfurecer com a imprensa. Há toda esta tensão.

Ele ironiza, ridiculariza, o que é outra coisa, porque é muito do estilo popular, rir dos defeitos do adversário.

Mas não há uma tentação autoritária? Quando se fala do inchaço da máquina do Estado…

Que inchaço da máquina do Estado, coisa nenhuma. Nós desmontámos o Estado do Fernando Henrique, que fez uma política neo-liberal durante oito anos, nunca fez concurso público e deixou que todo o Estado ficasse terciarizado, com gente que trabalhava sem contrato, sem carteira assinada. Isso é que inchaço. O Lula faz concurso público, a terciarização está diminuindo, está aumentando o pessoal com carteira assinada. Enfim, estão-se reconhecendo formalmente os direitos trabalhistas. E isto é autoritarismo?

É possível que em alguns cargos de confiança o Lula tenha errado, mas também o Fernando Henrique errou, botou vários em cargos de confiança que nas privatizações se revelaram pessoas sem escrúpulos. Errar em cargo de confiança acontece em qualquer governo. Agora, no Estado, não, porque o Lula fez concurso. Foi por mérito, não para inchar a máquina.

A corrupção foi o problema que prejudicou mais o governo Lula?

Foi o que prejudicou a imagem. Não propriamente dele, que tem 80 por cento de aprovação. Prejudicou os candidatos dele, como está prejudicando Dilma, prejudicou a imagem do governo.

Mas ele tirou, por exemplo, o José Dirceu [protagonista do escândalo Mensalão, em que o PT pagava a deputados uma mesada], de quem era amigo antiquíssimo. Não há nepotismo.

Todos os casos de corrupção declarada, ou objecto de inquérito público, foram demitidos.

Por exemplo, com o Berlusconi, não há dúvida nenhuma de que aquilo é um governo corrupto, porque ele é um corrupto. Agora, ninguém acusou o Lula directamente. Acusaram-no de ter fechado os olhos, mas ele não fechou olho nenhum. Podia ter mantido o José Dirceu, e dizer que era culpa de fulaninho e sicraninho, enfim daqueles que fizeram lá os “mal-feitos”.

Como podia ter mantido a Erenice, não tinha processo contra ela.

Agora, tem pêtistas que não gostaram que o PT não expulsasse esses quadros. Eu fazia parte da tendência chamada refundação. Achava que devíamos dar uma refundada e ter um código de ética mais pesado. O argumento dos outros era que seria injusto expulsar enquanto não ficasse provada a culpa.

Obviamente, não tenho a menor simpatia pelos quadros que foram acusados. Quanto mais não seja por ineficácia política. De um homem da importância de José Dirceu, que foi presidente do partido anos, e deixa o tesoureiro nomeado por ele fazer o que fez, dele é que se pode dizer que como estava preocupado com o poder esqueceu essa parte [ter mão na corrupção]. Ele pode ser acusado disso. O Lula não. Não tinha nada que ver com a máquina do partido. Lançou a Dilma, e depois é que o partido referendou. O Lula sempre teve muita autonomia em relação ao partido. Tanto que o pessoal fala que há o pêtismo e o lulismo.

Acha que há?

Há mesmo. Porque o Lula é maior que o partido. Acha que essa malta pobre que vota nele é pêtista? Coisa nenhuma. São pentecostais, a maior parte não tem partido. Acreditam no Lula. O lulismo é um fenómeno de massas. O pêtismo é um fenómeno orgânico, de um partido de esquerda que foi andando para uma espécie de centro-esquerda, social-democrata, que hoje já não existe na Europa, porque a Europa está decadente.

A Europa está decadente?

Ah, está. Puxa vida. Bota decadência, não é? Até nós.

Até nós?

Nós, portugueses [risos].

Seguimos o exemplo dos outros. O único país que seguiu menos esse exemplo foi a Suécia, que teve um período neo-liberal muito curto. Nós virámos neo-liberais. Não somos social-democratas faz horas. Nem nós, nem a Europa inteira continental. Nem a Inglaterra, nem nada.

O Lula é um social-democrata?

É. Vamos ver: social-democrata é quando você representa organicamente os trabalhadores. Ora, se há social-democrata é o Lula. Jamais foi a favor da luta armada, jamais. Sempre ficava meio chateado entre a discussão dos intelectuais e dos que vinham da igreja. O PT tem três origens: a sindical, que é a dele, a da igreja, católica, e a dos intelectuais revolucionários. Perdiam um tempo danado a discutir e a vontade dele era mandar os padres rezar e os intelectuais para a academia, e não chatearem ele [ri]. Isso ele disse uma vez para mim, rindo: “Você não tem ideia do que era!” Quando eu entrei, [o PT] já estava manso.

Nunca quis ser ministra?

Não. Não tenho temperamento para ser executiva. Fui deputada porque me pediram.

O Lula nunca a convidou?

Não. Ele conhece-me, sabe que eu sou pêlo no vento. Eu sou muito mais agressiva do que a Dilma, muito mais. Ela consegue disfarçar a raiva dela, eu não. Quando fico com raiva, fico. Digo na cara das pessoas o que acho. Eu não seria uma boa ministra. Sou uma boa assessora.

Porque diz o que pensa.

Isso. O que é importante. Alguém que não fica puxando o saco do chefe. Eu não puxo saco de ninguém. Várias vezes disse ao Lula coisas com que ele não concordava.

Por exemplo?

Por exemplo, quando ele fez a aliança com o Garotinho [ex-governador do Rio, condenado por corrupção]. Eu não votei.

Já agora, Collor de Melo e Sarney [ex-presidentes envolvidos em escândalos, que também fazem parte da base de apoio de Lula]. Sente-se confortável com estas alianças?

Eu não sigo as instruções. Se a aliança for com alguém que considero indecoroso, não voto.

É o caso de Sarney ou Collor?

Collor, sim. Sarney, nem tanto. O Sarney que conheço é o da transição. Na primeira parte do governo fez o que pôde. Depois, degringolou. E nunca mais foi candidato a nada. Acho injusto confundir o Sarney com o Collor. O Collor é uma coisa desqualificada.

Há quem critique programas como o Bolsa Família como a criação de uma rede de dependência do governo, que pode ter o efeito contrário justamente a essa autonomia dos cidadãos. O que acha disto?

Acho que é mentira. O Lula tirou 28 milhões da pobreza. Esses não são mais dependentes da Bolsa Família, porque a Bolsa Família é para os pobres. Esses 28 milhões entraram no mercado de trabalho, são assalariados, ou têm os seus pequenos negócios. O que o Lula fez foi proteger os pobres, não deixar os caras morrer de fome. Mas uma vez que ficaram acima do salário mínimo, não. Ninguém que ganhe acima do salário mínimo tem Bolsa Família. Pode ter outras.

Como economista, como vê estes programas?

Acho que é o correcto. Ao tirar da pobreza, e meter no mercado de trabalho vinte e tantos milhões, você está consolidando o mercado interno. Por isso é que a crise internacional não nos atingiu duramente. Por isso, e porque o sector externo estava bem. Tínhamos pago a dívida externa.

E Lula investiu no consumo…

É, deu crédito, além de ter dado emprego. Deu muito emprego. Mais do que prometeu. Investiu no mercado interno e deu financiamento para aquisição de bens necessários, tipo geladeira [frigorífico]. As pessoas dizem: “Ah, fica financiando geladeira…” Mas neste país quente querem que não se financie geladeira? E as pessoas comem o quê? Carne podre? Evidentemente que o que ele fez está correcto. Passámos de uma taxa de crédito de 20 e tantos por cento para 40 e tantos. O que é bom. Não é como nos países ricos, que era 120, 130, o que deu na catástrofe que deu [crise de 2008]. Aqui não tem alavancagem do crédito. Não tem incumprimento alto, inclusive, ou seja, não pagar a prestação que deve. Os devedores pagam, e quem mais paga são os pobres, exactamente. Essa é outra ideia, que pobre não paga. É mentira. Quem não paga é a classe média-alta, que usa cartão de crédito, cheque especial, vai-se endividando e endividando. O povo não faz isso. Nem tem cartão de crédito nem cheque especial. Tem banco, isso sim. Foi uma coisa importante.

O Lula não fez só o Bolsa Família. Fez O Luz para Todos, fez a Bancarização, que é você ter direito, mesmo sem carteira de trabalho, a poder ir ao banco e ter crédito. Essas coisas que implicam integrar o cidadão na sociedade.

O que é está em jogo nesta eleição, de facto? É uma eleição importante?

É importante. É a continuidade deste esforço em todos os sentidos. Desde a política externa autónoma, que é fundamental. As pessoas não se dão conta, porque aqui ninguém sabe nada de política externa, então a classe média nem fala no assunto.

Uma das críticas maiores ao governo Lula é o facto dele falar no tom em que fala com Chávez, com o regime cubano, com Ahmadinejad.

Isso é tudo uma bobagem, porque tem de falar com todo o mundo. Lula também fala, e é amigo, do presidente dos Estados Unidos. Só que não se submete.

Mas a questão não é falar, é…

É falar sim, porque ele não fez nada que não fosse de acordo com as regras da nossa constituição e as regras internacionais.

A questão que algumas pessoas colocam é se faz sentido um presidente como Lula ir abraçar os irmãos Castro num momento em que estão dissidentes a morrer e a serem mortos.

Faz sentido como faz sentido ir abraçar qualquer um. Então eu pergunto: faz sentido o governo dos Estados Unidos ter sustentado com dinheiro, com apoio da CIA, todos os golpes de Estado da América Latina?! Isso ninguém critica! Aposto que essa gente da classe média nunca falou nos golpes latino-americanos financiados pelos Estados Unidos e pela CIA!

Certo. Mas a pergunta…

Então?! Nós não estamos financiando golpe de Estado! Só estamos indo a governos legítimos. Não estou falando democráticos, estou falando legítimos.

Como alguém que acredita profundamente da democracia não a incomoda…

Não me incomoda nada! O Oriente Médio não tem democracia nenhuma, e não terá tão cedo. Há tanta possibilidade de ter democracia no Irão, no Iraque, naquela república petroleira que sustenta tudo…

A Arábia Saudita. Mas eu não estava a falar do Oriente Médio…

Como não? Uma das críticas maiores foi ele ter falado com o Irão. Como não está falando no Oriente Médio, se foi aí que a imprensa espirrou? O Castro é periódico. Todo o mundo sabe que ele é amigo do Castro de Cuba.

Mas estou a perguntar-lhe a si.

Acho que ele tem todo o direito. Eu também não teria nenhum inconveniente se fosse a Cuba — não tenho nada que fazer lá, de momento, nem tive, no passado — em cumprimentar o velho Castro, imagina, que é uma figura histórica totalmente relevante. Agora de repente o Castro não tem importância nenhuma? Eu teria inconveniente era em cumprimentar o primeiro-ministro da Itália [Berlusconi], esse sim, que é um ladrão.

No caso da Itália, não é só por causa da corrupção. É por causa do neo-fascismo, que Berlusconi promoveu, e de que é aliado. O que está acontecendo na Itália é gravíssimo, voltar o fascismo à Itália como partido legal.

Mas se cumprimentasse Castro, provavelmente também lhe diria o que pensa, não?

Sem dúvida nenhuma. Ia dizer: “Sei que agora não é você quem manda, é o Raul, mas porque é que não libera logo esses caras, e pára de ter uma praga em cima de você?” Eu diria. E ele diria: “Porque não, nhim-nhim-nhim, nhim-nhim-nhim, lá os argumentos dele. Digo sempre o que penso. Nos Estados Unidos também dizia, quando estava lá.

A senhora acha que isso não teve custos políticos para Lula?

Custos políticos não teve, porque as pessoas que dizem isso nunca votaram no Lula.

Há pessoas que votaram nele e dizem isso.

Não senhora. Não é pela política externa. Não é verdade. Podem ter-te dito que votaram, mas é mentira. A política externa [de Lula] não é uma crítica da esquerda. Ao contrário. Isso é uma crítica da direita.

Concentrando-nos na América Latina, a minha questão era se faz sentido uma figura como o Lula, justamente pelo que transporta de inspiração, de exemplo…

Faz todo o sentido! Não é uma política de autonomia? É! Cuba está ou não cercada pelo boicote económico americano? Está. Um dos problemas económicos deles é esse.

Justamente. Uma palavra de Lula aí não teria força em relação à repressão política, dos prisioneiros?

O Lula não se vai meter nas decisões de cada país. Vai lá para mostrar simpatia pelo facto de que eles estão sendo cercados. E deve ter falado [na questão dos presos políticos]. Porque ele disse-me que isso foi tocado.

É?

Mas amigavelmente. Não vai agora se meter na política dos outros. Chama-se política de não intervenção. Ninguém se intromete. Se fosse à Itália provavelmente também cumprimentaria o Berlusconi. Só que não foi, graças a Deus. Acho que é um dos poucos países onde não foi. Não deve ter sido por acaso. Foi à Alemanha, a França, e também não deve morrer de amores pela Merkel, ou por aquele francês, que é um autoritário de direita, o Sarkozy. E daí? Por acaso ele critica o Sarkozy em público, ou vai lá peruar sobre os direitos dos franceses? Isso não se usa. Isso não é diplomacia. Eu faria, mas o Lula é um estadista, representa o estado brasileiro.

Outra coisa com que a direita não concorda é a política Sul-Sul, e é o caso do Serra, que hoje é um homem de direita.

Acha que ele é um homem de direita?

Hoje, virou. Porque o partido dele virou a direita possível. Dado que a direita clássica está encolhendo no Brasil, ele foi-se estendendo para a direita. Então o partido dele hoje, no máximo, pode-se chamar de centro-direita. Como, no máximo, o nosso pode ser chamado de centro-esquerda. Você tem o centro dominando o espectro ideológico. Ora vai para a esquerda, em certas eleições. Ora vai para a direita.

MEMÓRIAS DE PORTUGAL

Falemos um pouco do seu percurso antes de vir para o Brasil. O seu pai acolheu refugiados da Guerra Civil de Espanha.

É verdade [ri].

Era anarquista, o meu velho. Nasci em Anadia mas vim com um mês para Lisboa. Então sou alfacinha. Estive em Sacavém, nas Avenidas Novas, perto lá da Igreja de Fátima…

Avenida de Berna.

Isso. Estive em vários lugares.

O seu pai era comerciante.

Era. E essa frase de que me lembro [dos refugiados] era quando estávamos num bairro popular, de maneira que não se notava tanto. Se enfiasse anarquistas em bairro de classe média tinha-se ferrado. O pessoal estava saindo, estavam perdendo a guerra, e Lisboa era um lugar de passagem de todo o pessoal que estava sendo perseguido, judeu, anarquista. E tinha sempre vários segmentos da população que ajudavam. Aí cresci no meio do debate. O meu tio era comunista e o meu pai anarquista. Então, você imagina, no caso da Catalunha, em que a briga entre anarquistas e comunistas foi feroz, como é que se discutia.

Cresceu a ver esses refugiados em casa.

Quanto tinha sete, oito anos. Quando terminou a guerra, foram à vida deles. Depois teve a II Guerra Mundial. E aí é que eu cresci, no sentido em que aos 12 anos caiu Paris. Foi uma tristeza geral. Me lembro de nós todos em torno da BBC, ouvindo a notícia, chorando. Depois a fronteira russa, a queda de Leninegrado, que foi uma brutalidade. E finalmente no dia D, a gente começou a se animar. A guerra terminou quando eu tinha 15 anos. E venho para o Brasil em 1954. Vim casada, grávida da minha filha mais velha e matemática.

E veio porquê?

Ah, porque aquilo ali não dava.

Por razões políticas?

Ah, sim. Não havia emprego para gente como nós, por causa da ficha política.

Era comunista?

Não. Dado que tinha um pai anarquista, uma mãe da esquerda católica e um tio comunista, eu era progressista, digamos. Naquela altura até era mais de uma esquerda católica. Tinha amigos comunistas, anarquistas. Aqui, quando cheguei, também tinha trotskistas, mas isso não me lembro em Portugal. Aqui tinha muito intelectual ilustre que era trotskista. Tinha vários salões intelectuais: o dos comunistas, o dos trotskistas, e o da esquerda católica. E eu frequentava os três, para variar. Era muito estimulante.

Apesar de que, como morreu logo o Vargas, ficou um período meio brabo. Até me lembro de pensar: “Puxa, onde eu vim amarrar o meu cavalo. Fui em busca de democracia e pego um golpe pela cara.” Mas depois melhorou. E com JK [Juscelino Kubitschek] ficou aquela alegria. Aí, me naturalizei brasileira e fui fazer o curso de Economia. Já tinha 27 anos.

Depois atravessou toda a ditadura brasileira.

Menos um período de cinco anos, em que estive no Chile. Porque aqui estava muito difícil.

Não se cruzou com Serra [que esteve exilado no Chile]?

Claro que cruzei.

Então é lá que se encontram.

Claro. E foi lá que escrevemos o nosso artigo contra o “milagre económico” [brasileiro]. Depois eu voltei em 1973, fiz concurso para Campinas, e fiquei na ponte aérea Rio-Campinas. Dava parte das aulas lá e parte cá. Ajudei a formar o mestrado de Campinas, o doutoramento. Entrei pesado na vida académica. Foi bom ter feito matemática, porque o meu catedrático não tinha nenhuma noção de matemática. E foi assim que ele me indicou para auxiliar, depois fiz os concursos todos.

Houve um momento em que passou a sentir-se brasileira? Um clique?

Houve. O JK [Juscelino Kubitschek]. Trabalhei no Plano de Metas dele. Era uma tamanha alegria que você achava que o país estava indo para a frente. Paradoxalmente, eles não trataram da questão agrária, e também o salário mínimo não foi nenhuma maravilha, a partir de 1958 começou a cair, por causa da inflacção. A inflacção realmente é uma praga. Sou uma das poucas economistas de esquerda que é contra a inflacção. Os economistas de esquerda acham que a inflacção não faz diferença. Faz muita diferença. Para quem? Para os pobres. Para os ricos não faz diferença nenhuma.

Os brasileiros ficaram traumatizados com a inflacção, não é?

Foram décadas. É um país classicamente inflaccionário. Esta é a primeira vez que não. E isso começou, diga-se a verdade, no Fernando Henrique.

O que é que acha que o Brasil lhe deu?

Inicialmente, susto [ri]. Uma pessoa chegar aqui, mata-se o presidente e fica tudo imerso… Susto. E como aqui o pessoal é meio inconsciente, a esquerda, mesmo quando era ilegal, vivia batendo papo nos botequins. E eu dizia [sussurra]:

“Escuta, aqui não tem PIDE?”

“PIDE?”

“Sim, polícia política.”

“Ah, não sei, deve ter, mas a gente está aqui num bar.”

“Ué, mas um bar é uma coisa aberta!”

[risos] Eu ficava espantadíssima. Não tinha aquela clima português em que você olhava para a esquerda e para a direita até para ler um jornal. Então, essa foi a primeira coisa: relaxei mais. Em segundo lugar, a coisa da alegria, de ver uma civilização brotar, o que é muito bacana. Ver música, teatro… Culturalmente era muito rico. Aqui, essa parte, era liberal. Só na ditadura propriamente dita é que censuraram as manifestações culturais.

Na ditadura, fiquei no Brasil de 1964 a 68, quando ainda tinha muita crítica. Em 68 é que eles endureceram. E por sorte eu fui [para o exílio] antes. Aí caiu gente para burro, intervieram nas universidades. Se eu tivesse aqui teria sido expulsa.

Eu tava lá [Chile] e também foi uma alegria.

Conheceu Salvador Allende?

Conheci. Conheci todo o mundo. Até pedi uma licença — porque estava a fazer um doutoramento em Paris — e fui trabalhar com o governo. Eu e o Serra.

Com o governo Allende?

[Acena] Fomos os dois colegas no ministério da Economia. Como tinha de voltar para tomar posse na universidade, voltei em Março de 1973. E o golpe [de Pinochet] foi no Outono. Eu tinha deixado a minha filha e o meu filho, porque pretendia fazer outra licença. Mas aí vi que não dava, porque já tinha havido o diabo, trouxe o menino, e ela que tinha casado com um chileno ficou lá. Aí foi uma coisa muito angustiante. Depois quando ia para um seminário no México, prenderam-me no aeroporto aqui no Brasil e fiquei lá num desses aparelhos de repressão 48 horas. Assustador. Não teve tortura. Ameaça, ficar nua, fotografada de todos os lado, não poder comer, não poder beber, não poder fumar, e aquelas celas isoladas.

Sempre fumou assim sem parar?

Sempre, desde os 14 anos. Fumo dois maços. Claro, em entrevista fico nervosa e fumo mais [ri].

Então o Brasil me deu maturidade e uma experiência de vida rica.

E Portugal para si é o quê?

É remoto. Hoje não tenho mais nenhuma ligação íntima. Tenho uns primos vagos na Anadia. A Maria de Lourdes Pintasilgo, que era minha colega, morreu.

Foi sua colega onde?

No liceu Filipa de Lencastre, e depois No Instituto Superior Técnico, onde entrei com 16 anos. Estive com ela várias vezes, quando ela vinha aqui eu sempre a via. Essa era uma mulher fantástica. A verdade é que nós, as mulheres portuguesas, somos fantásticas. A coisa das Marias portuguesas é um facto. São mais lutadoras que os homens. Eu acho. Desde a Padeira de Aljubarrota para cá.

No tempo do Salazar era uma apagada e vil tristeza. Agora, como eu tinha sido presa aqui na véspera da revolução dos cravos e me disseram que me cortavam a nacionalidade se eu saísse, fiquei com medo e não saí do Brasil [nos dois anos a seguir ao 25 de Abril]. Depois fui, e talvez tenha ido numa das últimas marchas com os cravos, com os capitães e o velho comuna, que acho que já morreu…

Álvaro Cunhal.

O Álvaro já morreu, não já? O velho Cunhal. Descemos a Avenida da Liberdade com os cravos na mão. Foi simpático. Mas não é um país estimulante como o Brasil. O Brasil é um país imenso e muito diversificado. Lá é muito pequenininho.

Amanhã: Entrevista com Ferreira Gullar, Prémio Camões 2010, apoiante de José Serra: “Lula comprou o voto do povo”.

*Matéria originalmente publicada no site do jornal Público
***
Fonte:http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/%E2%80%9Clula-e-um-genio-do-povo%E2%80%9D
Fonte:

4 últimas pesquisas dão vitória para Dilma

Redação Carta Capital
30 de outubro de 2010

Ibope, Datafolha, Vox Populi e Sensus anunciam últimas pesquisas, diferença pró-Dilma oscila entre 10 e 14 pontos

O instituto Datafolha divulgou na noite deste sábado 30 sua última pesquisa eleitoral. Ela aponta vitória de Dilma Rousseff com 55% dos votos válidos, ante 45% de José Serra.

Para o Ibope, Dilma tem 56% e Serra 44%.

O Vox Populi mostra uma diferença maior, com 57% para Dilma e 43% para Serra.

A CNT/Sensus, divulgada no início da tarde, a petista registra 57,2% contra 42,8% do tucano.

Neste dia 31 de outubro, os primeiros dados das apurações devem começar a ser divulgados a partir das 19 horas e o resultado final das eleições presidenciais deve sair antes das 22 horas.

CartaCapital vai acompanhar a marcha da apuração, também das eleições nos estados, durante toda a noite de domingo. Acompanhe por aqui.

E na segunda-feira nas bancas a edição especial com as análises dos resultados finais, com Mino Carta, Leandro Fortes, Cynara Menezes, Maurício Dias e Sergio Lirio.
***
Fonte:http://www.cartacapital.com.br/politica/4-ultimas-pesquisas-dao-vitoria-para-dilma