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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

José Serra acaba de ser denunciado por calúnia e difamação em Porto Alegre

No dia 22 de julho do ano passado, José Serra deu uma entrevista à Rádio Gaúcha, na cidade de Porto Alegre. Ao invés de utilizar o espaço para debater idéias e propostas, o tucano preferiu lançar calúnias contra o Partido dos Trabalhadores – o PT.

Durante a entrevista, Serra afirmou com todas as letras que o PT é ligado às FARC – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.
O candidato demotucano parece não lembrar que existem Leis no Brasil e agora acaba de ser intimado para explicar as declarações desastrosas. abaixo e leia na íntegra a denúncia oferecida ao TRE gaúcho






Para que não restem dúvidas a respeito das acusações caluniosas de José Serra e seu vice, Índio da Costa, sobre a ligação FALSA entre o PT e as FARC, veja o que disse Dilma Rousseff a respeito no Jornal da Globo (10 min e 51 seg):

Mídia dispara seus últimos cartuchos

SEGUNDA-FEIRA, 27 DE SETEMBRO DE 2010
Reproduzo artigo de Umberto Martins, publicado no sítio Vermelho:

Na reta final da eleição, desesperada com a possibilidade de vitória definitiva de Dilma no próximo domingo, a mídia golpista “se comporta como um partido político”, conforme observou o presidente Lula, e recorre nesses dias aos últimos trunfos para evitar a derrota no primeiro turno.

Os dois maiores jornais de São Paulo (Estadão e Folha) dedicaram seus principais editoriais do último domingo (26) à crítica ácida contra Lula e Dilma. O veículo da família Mesquita resolveu abrir o jogo e declarou apoio ao candidato tucano, José Serra, no texto intitulado “O mal a evitar”, enquanto o diário da família Frias permaneceu no armário aparentando “independência, pluralidade e apartidarismo editoriais” num texto em que alerta contra supostas ameaças à democracia provenientes do presidente (“Todo poder tem limite”).

Forma e conteúdo

Apesar da diferença de estilo (a Folha sempre foi mais dissimulada, desde a época da “ditabranda”, quando emprestava peruas para a repressão transportar presos políticos), os dois artigos coincidem no conteúdo e no caráter. Ambos são inspirados pela ideologia da velha direita brasileira, recheados de preconceitos, e recorrem a argumentos falsos para encobrir os verdadeiros interesses da classe que representam e defendem.

O Estadão alega que existe uma diferença entre “tomar partido” e agir como partido político ao justificar o apoio à “candidatura de José Serra”, mas os fatos provam o contrário. Monopolizada por um pequeno grupo de famílias burguesas, a grande mídia não é mais nem menos que um instrumento a serviço da direita neoliberal, uma espécie de partido golpista, que manipula fatos, produz factóides, oculta denúncias e não poupa esforços para impedir a vitória das forças progressistas.

As ideias e interesses que orientam as manchetes desses veículos refletem o reacionarismo atávico de parte das classes dominantes brasileiras. Eles não toleram que um político originário da classe operária tenha chegado à Presidência da República, ancorado em forças sociais que sempre estiveram à esquerda do espectro político.

Retrocesso neoliberal

Eles também não se conformam com a postura altiva e soberana do Brasil na diplomacia internacional, que resultou na rejeição e derrota da Alca, no fortalecimento do Mercosul e na priorização das parcerias Sul-Sul em detrimento das relações subservientes com os países imperialistas (Estados Unidos, União Europeia e Japão).

Outros pontos de discórdia são a política de valorização do salário mínimo, o proveitoso diálogo que o governo Lula mantém com os movimentos sociais, o reforço do papel do Estado no desenvolvimento econômico e, mais recentemente, os senões em relação à própria mídia, que não admite críticas e se julga dona absoluta da verdade.

O que está em jogo, por trás do falso moralismo, dos factóides e da conduta do Partido da Imprensa Golpista (PIG), são os interesses de classe dos proprietários desses meios de comunicação, interesses que, em maior ou menor medida, foram ou se julgam contrariados pelo atual governo.

Golpismo

O PIG não quer menos que a restauração do neoliberalismo no Brasil; o retorno à política de privatizações e à diplomacia dos pés descalços; a ressurreição da Alca; a submissão ao FMI; o arrocho fiscal e a redução dos salários; o aumento do desemprego e a repressão e criminalização dos movimentos sindicais.

Com um programa desta natureza, servido ao distinto público numa embalagem enganosa que aparenta a “defesa da democracia e das liberdades”, a campanha insidiosa da mídia hegemônica foi rejeitada e derrotada em 2002 e em 2006. A mensagem das urnas em 3 de outubro não será diferente, a não ser pelo fato de que os prejuízos e as baixas nas fileiras da direita neoliberal, representada na chapa demo-tucano, tendem a ser bem maiores com a definição da peleja já no primeiro turno.

Ao contrário do que alardeia, a mídia golpista não tem apreço pela democracia, muito pelo contrário. A história da posição pró-golpe assumida pelos grandes meios de comunicação em 1964 é amplamente conhecida. O apelo desesperado contra Lula e Dilma também não tem sentido democrático, mas o povo parece mais calejado e vacinado contra a ofensiva midiática. Apesar da credibilidade em baixa, o poder do PIG não deve ser subestimado.

Os últimos cartuchos usados no pleito de 2006 (factóides como imagens com dinheiro apreendidos pela PF) impediram a vitória de Lula no primeiro turno e levaram a disputa a segundo escrutínio, mas a diferença de votos entre Lula e Alckmin foi ampliada. É pouco provável que a história se repita, mas fica para as forças progressistas e para o povo mais uma preciosa uma lição sobre o verdadeiro caráter da grande mídia e o desafio de redobrar os esforços para restringir seu poder e avançar no sentido de uma efetiva democratização dos meios de comunicação no Brasil.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2010/09/midia-dispara-seus-ultimos-cartuchos.html

Panfleto da direita reacionária Revista Veja ameaça a democracia. Boicote já!

SEGUNDA-FEIRA, 27 DE SETEMBRO DE 2010
Por Altamiro Borges

Na sua penúltima edição antes da eleição de domingo, dia 3, a revista Veja voltou à carga contra o governo Lula, com o objetivo de fustigar a candidata Dilma Rousseff e dar uma desesperada e derradeira forcinha ao tucano José Serra. Pela quarta semana consecutiva, a capa do panfleto teve tons terroristas. Ela mostra a estrela do PT rasgando os artigos da Constituição que tratam da liberdade de imprensa. Abaixo da forte imagem, a manchete garrafal: “Liberdade sob ataque”.

Nas três edições anteriores, ela repetiu à exaustão, nos títulos e “reporcagens”, a palavra polvo, acusando a esquerda de envolver o poder público com seus tentáculos - mas não disse nada sobre os fartos recursos públicos que recebeu do governo tucano de São Paulo. A revista destacou o caso do vazamento de sigilos fiscais, numa matéria requentada de setembro de 2009, e fez alarde com as denúncias contra a ministra Erenice Guerra. Nenhuma palavra sobre a quebra do sigilo de 60 milhões de brasileiros, patrocinada pelas filhas de José Serra e o do especulador Daniel Dantas.

O fantasma da “tentação autoritária”

Já na edição desta semana, a revista preferiu encarar a provável derrota do seu candidato para, de quebra, tentar deslegitimar um futuro governo Dilma. O editorial adverte que a democracia corre risco, devido à “concepção de mundo dos atuais governantes petistas em que não cabe o conceito de jornalismo independente. Essa deformação decorre das convicções de alguns que continuam ruminando a idéia totalitária do leninismo”. É o mesmo chavão repetido há oito anos, numa total falta de criatividade. Em 2004, a capa da Veja já rosnava contra a “tentação autoritária” de Lula.

Sem apresentar provas sobre os retrocessos na democracia, a “reporcagem” alardeia “os ataques que o exercício da imprensa livre vem sofrendo no Brasil”. Para ela, a tentação autoritária teria crescido nos últimos dias. “Na semana passada, a brasa voltou a ser atiçada pelo presidente Lula e pelos dirigentes do seu partido, secundados pelo vasto contingente de mercenários recrutados a preço de ouro nos porões da internet”. A famíglia Civita, que se acha acima do Estado de Direito e superior a Deus, não aceita críticas do presidente da República, muito menos dos blogueiros.

Arrogante, raivosa e mentirosa

Após oito anos de ataques raivosos – segundo estudo da PUC/SP, foram mais de quarenta capas contra o governo, muitas delas criminosas, como a que apresentou o presidente com a marca de um chute no traseiro –, a revistinha se faz de vítima. “Lula dedicou a semana a desferir ataques contra a imprensa com uma virulência inédita”. Coitadinha! Arrogante, ela se jacta de “alertar sobre os abusos perpetrados por quem está no poder”. Não faz autocrítica sobre seu apoio ao “caçador de marajás” ou à implantação do destrutivo modelo neoliberal no reinado de FHC.

Raivosa, ela garante que a esquerda já adentrou no “temível pântano da censura... Ao sujar suas botas nesse lodo, Lula se aproxima do que há de pior na política da América Latina. Ele trilha o caminho dos caudilhos e ombreia-se com tiranetes do porte de Hugo Chávez”. Mentirosa, Veja ainda afirma que “nos países democráticos, a liberdade de imprensa não é um assunto discutível, mas um dado da realidade”. Só não fala que nestes países, inclusive nos EUA, existem regras legais para restringir os monopólios no setor e para penalizar as manipulações midiáticas.

Urgência de uma campanha nacional

Com mais esta edição rancorosa, a revista Veja deixa explícito que não dará tréguas a um futuro governo Dilma. Tentará enquadrá-lo, impondo “gente confiável”, como o ex-ministro Antonio Palocci. Caso não consiga, ela jogará todas as suas fichas para desestabilizá-lo e, se possível, derrubá-lo. Este é seu instinto de escorpião. A publicação da famíglia Civita confirma mais uma vez que é avessa à democracia, ao voto popular. Ela sim coloca em risco a liberdade.

Numa democracia, esta revista tem todo o direito de arrotar suas baboseiras golpistas. Da mesma forma, a sociedade tem todo o direito de rejeitar a Veja. A cada dia que passa fica mais evidente a urgência de uma ampla campanha de esclarecimento à população propondo o boicote deste panfleto fascistóide. Aqui vale reproduzir o alerta do intelectual italiano Antonio Gramsci. No artigo “Os jornais e os operários”, escrito em 1916, ele conclamou os trabalhadores a boicotarem a imprensa burguesa. Seu texto poderia servir para a campanha atual de repúdio à revista Veja:

Boicote, boicote, boicote!


“A assinatura de jornal burguês é uma escolha cheia de insídias e de perigos que deveria ser feita com consciência, com critério e depois de amadurecida reflexão. Antes de mais, o operário deve negar decididamente qualquer solidariedade com o jornal burguês. Deveria recordar-se sempre, sempre, sempre, que o jornal burguês (qualquer que seja sua cor) é um instrumento de luta movido por idéias e interesses que estão em contraste com os seus. Tudo o que se publica é constantemente influenciado por uma idéia: servir à classe dominante, o que se traduz sem dúvida num fato: combater a classe trabalhadora. E, de fato, da primeira à última linha, o jornal burguês sente e revela esta preocupação”.

“Todos os dias, pois, sucede a este mesmo operário a possibilidade de poder constatar pessoalmente que os jornais burgueses apresentam os fatos, mesmo os mais simples, de modo a favorecer a classe burguesa e a política burguesa em prejuízo da política e da classe operária. Rebenta uma greve! Para o jornal burguês os operários nunca têm razão. Há uma manifestação! Os manifestantes, apenas porque são operários, são sempre tumultuosos e malfeitores. E não falemos daqueles casos em que o jornal burguês ou cala, ou deturpa, ou falsifica para enganar, iludir e manter na ignorância o público trabalhador. Apesar disso, a aquiescência culposa do operário em relação ao jornal burguês é sem limites”.

“É preciso reagir contra ela e despertar o operário para a exata avaliação da realidade. É preciso dizer e repetir que a moeda atirada distraidamente é um projétil oferecido ao jornal burguês que o lançará depois, no momento oportuno, contra a massa operária. Se os operários se persuadirem desta elementar verdade, aprenderiam a boicotar a imprensa burguesa, em bloco e com a mesma disciplina com que a burguesia boicota os jornais operários, isto é, a imprensa socialista. Não contribuam com dinheiro para a imprensa burguesa que vos é adversária: eis qual deve ser o nosso grito de guerra neste momento, caracterizado pela campanha de assinatura de todos os jornais burgueses: Boicotem, boicotem, boicotem!”.

Fernando Ferro pergunta: Onde estavam os democratas?

27 de setembro de 2010 às 9:13

Onde estavam os supostos democratas na era FHC?

Por Fernando Ferro*

À medida que as possibilidades de vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno se tornam mais reais, a sensibilidade às “ameaças à democracia” fica crescentemente aguçada. E distorcida. No caso do Brasil de hoje, as ameaças, segundo grupos da oposição, provêm, paradoxalmente, do próprio voto popular.

Essa parece ser a tese dos chamados “formadores de opinião” que querem mobilizar o País em “defesa da democracia”. Inspirados por um neoudenismo opaco e alimentados por um mal disfarçado ressentimento político, esses autodenominados “democratas convictos” insurgem-se, agora, contra a “visão regressiva do processo político”, que transforma o “Legislativo em extensão do Executivo” e “viola a Constituição e as leis”. Temem, acima de tudo, que Lula não apenas consiga eleger a sua sucessora, mas também que a situação obtenha votos suficientes para fazer uma folgada maioria no Congresso. Tal perspectiva, se concretizada, abriria, segundo esses “democratas convictos”, o caminho para o “autoritarismo” baseado no “partido único” (qual deles?) e na definitiva “fragilização da oposição”.

Como parlamentar que viveu a experiência dos 8 anos de FHC na oposição, e hoje no governo, posso avaliar o comportamento dos atuais oposicionistas, cuja dificuldade de atuar fica evidente na tentativa de golpear de forma baixa o Governo Lula, e de, ao melhor estilo lacerdista, mas sem a mesma competência e brilho, ganhar o jogo a qualquer custo, tentando impedir a continuidade desse projeto, agora sob comando de Dilma Roussef.

Tal preocupação é deveras tocante é têm sólidas raízes na história recente do Brasil. De fato, na época do regime militar, havia também muitos “democratas convictos” que se insurgiam contra a perspectiva do destino do País ser entregue ao arbítrio das massas populares “que não sabiam votar” e que se constituíam em apenas “massa de manobra para interesses populistas”.

Posteriormente, já no regime democrático, houve casos em que o voto popular conduziu a situações em que as oposições se viram extremamente fragilizadas e o governo pode promover, a seu bel-prazer, profundas reformas constitucionais e legais, transformando o “Legislativo em mera extensão do Executivo”. Esse foi o caso, por exemplo, do governo Fernando Henrique Cardoso.

Com efeito, turbinado pelo Plano Real, que produziu efeitos distribuidores de renda no curto prazo e promoveu o chamado “populismo cambial”, o governo FHC conseguiu formar uma maioria parlamentar e política que faria corar o democrata mais convicto. Na Câmara dos Deputados, o que os atuais “defensores da democracia” chamam de “partido único” tinha apenas 49 parlamentares e a oposição como um todo reunia pouco mais que uma centena de deputados. Assim, o governo FHC tinha à disposição uma maioria acachapante de quase 400 parlamentares. No Senado, a situação era pior (ou melhor, para os “democratas convictos”), o PT tinha cinco senadores e a oposição como um todo menos do que 20.

Tal maioria permitiu que, do alto da presidência da Câmara, o deputado Luiz Eduardo Magalhães operasse, alegre e profusamente, o seu famoso “rolo compressor” para aprovar reformas constitucionais e legais bastante abrangentes, sempre a serviço “dos interesses maiores do País”, é claro, como a abertura, sem critérios, das portas da economia brasileira ao capital estrangeiro, e a antinacional privatização do patrimônio público, com regras benevolentes e muitas vezes com ajuda do BNDES. E as medidas provisórias, que naquela época podiam ser reeditadas, foram usadas com proverbial prodigalidade. Obviamente, tudo isso era obedientemente ratificado pelo Senado, sem nenhum questionamento expressivo. Já ao final do primeiro governo FHC, tal maioria inconteste permitiu, inclusive, que se aprovasse a emenda constitucional da reeleição, com os aplausos entusiásticos dos que hoje se dizem “democratas convictos”, que não levantaram suas vozes contra a denúncia de compra de votos para aprovar a medida que beneficiou o sociólogo tucano e sua turma.

É de conhecimento até do reino mineral que, comparado com aquele governo, o governo Lula teve e tem uma situação politicamente bem mais difícil, especialmente no Senado. Apesar disso, o nosso governo investiu bastante no aprimoramento das instituições republicanas e na articulação entre o Estado e os movimentos sociais, com o aprofundamento da democracia. Fizemos conferências setoriais, envolvendo, entre outras áreas, saúde, educação, segurança pública, e ainda criamos o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, com a participação de empresários e trabalhadores, para a definição de importantes políticas públicas. Ao mesmo tempo, as liberdades fundamentais, como a liberdade de expressão, foram inteiramente protegidas e promovidas. Essas iniciativas, a adoção de mais transparência e o fortalecimento das instituições de controle, como a Polícia Federal e a Controladoria Geral da União, “seriam ameaças à democracia”, na leitura desses “democratas”.

Saliente-se que a extrema fragilidade da oposição da época de FHC tinha dois sérios agravantes. Em primeiro lugar, vivíamos a hegemonia inconteste do paradigma neoliberal, do pensamento único. Assim, os parcos e débeis protestos da oposição eram sempre rapidamente desclassificados como manifestações “jurássicas” e “neobobas”. Em segundo, a grande mídia, hoje confessadamente um partido de oposição, era, naquela época, um dedicado partido da situação cujo alinhamento aos desígnios governamentais só pode ser definido, a posteriori, como espartano. Curiosa essa queixa da imprensa de hoje, que viveu, com honrosas exceções, sob o manto monolítico do pensamento único neoliberal defendido pelo PDSB e PFL (atual DEM) e agora vem dizer que é ameaçada pelo governo do PT. O PIG virou um verdadeiro PRI: não quer mudanças e julga ter todo o poder para não dar satisfações a ninguém.

Tudo isso é plenamente conhecido por quem tem um pouco de memória histórica. Contudo, há um mistério que permanece insolúvel. Onde estavam os “democratas convictos” naquela conjuntura de intensa “ameaça à democracia”, segundo seus próprios critérios? Por que aplaudiram as fáceis eleições de FHC em primeiro turno e agora dizem que a eventual eleição de Dilma na primeira rodada seria um “desastre para a democracia”? Por que não consideravam a amplíssima maioria política e parlamentar que FHC dispunha no Congresso como um limitador ao exercício da democracia? Por que não se preocuparam com o isolamento e a debilidade da oposição daquele período? Por que não se insurgiram contra a inoperância do “engavetador geral da República”? Por que aplaudiram e ajudaram a promover a criminalização dos movimentos sociais? Por que o pensamento único não foi contestado?

É difícil saber onde estavam os que hoje se dizem “democratas”. Talvez a principal pista nos seja revelada por Dante. É provável que eles estivessem na sexta vala do “Malebolge”, exibindo as suas incômodas vestes de chumbo. Hoje, sem dúvida, estão sintonizados com seus patrões donos das concessões de emissoras e outros meios de comunicação, e claramente comprometidos com uma visão política pequena e distorcida de oposição ao Governo Lula.

De qualquer modo, sua alegre e livre emergência, agora exibindo plumagem específica, talvez se constitua na principal evidência do caráter democrático do Brasil, sob o Governo Lula.

Fernando Ferro é eputado federal (PT-PE), líder do partido na Câmara Federal.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/politica/fernando-ferro-pergunta-onde-estavam-os-democratas.html

PSDB atenta contra a liberdade de imprensa no Paraná: Virado à paranaense

Por THEA TAVARES | Publicado:27 DE SETEMBRO DE 2010

Não se pode mais falar em “virada”. Beto Richa (PSDB), o grande censor paranaense, na contramão da história de luta pela redemocratização do país que seu sobrenome carrega, conseguiu ontem liminar que cobra retratação da revista Isto É (edições impressa e on-line) sobre divulgação de um parágrafo que informa a “virada” de Osmar Dias (PDT) sobre Beto aqui no estado. Além disso, veda a utilização do termo “virada” aos demais veículos que “se atreverem” a fazê-lo, sob pena de multa diária de R$ 200 mil. Em outras palavras, não se pode mais falar em “virada” de Osmar nem que a vaca tussa. Longe de nós, deste blog, nos referirmos à bendita da “virada”. Não queremos nem saber dessa abençoadinha, visto que o bolso humilde não sustenta tamanho engajamento. O que não descarta a possibilidade de sermos otimistas, intuitivos e de termos os ouvidos bem sintonizados ao clamor das ruas, que não mais sussurra… Já berra: VITÓRIA!

Também não podemos nos omitir de constatar que esse Zé Bonitinho Beto seja um poço de contradições e – por que não dizer? – de confusões. Proíbe a veiculação dos resultados de pesquisas devidamente registradas e não deixa que se fale do que já é público e notório, a menos que se baseie em pesquisas das quais não se pode falar. Hello??!! Outra contradição está estampada em forma de propaganda enganosa no slogan do site de campanha do Zé Bonitinho: “Saber ouvir! Saber Fazer” (Fazer calar, né? É o que ele sabe fazer de fato). Chega a ser piada pronta.

Enfim, vamos voltar no tempo e reeditar a alternativa encontrada pelos periódicos para cobrir os espaços censurados pelo pente-fino do regime militar. Em tempos de repressão e mordaça no Paraná, a sugestão do dia do blog Lado B é o “virado à paranaense”. Confira a receita abaixo!
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Fonte:http://blogladob.com.br/geral/virado-a-paranaense/

Mídia vira piada

publicada segunda-feira, 27/09/2010


Miguel do Rosário responde a Merval, o inspetor Clouseau do jornal “O Globo”

O Merval Pereira, com aquele bigodinho de inspetor da Pantera Cor de Rosa, perdeu o controle. Nunca escreveu muito bem, diga-se. Mas agora o problema não é mais o estilo. O articulista de “O Globo” partiu para a ignorância, para a agressividade desmedida. Deu para dizer – sem provas – que todos os blogueiros críticos da velha mídia são “patrocinados pelo governo”.

O Miguel do Rosário – ótimo blogueiro carioca – desceu o sarrafo no Merval. Confesso que, quando leio essa turma de “O Globo”, “Veja” e “Folha”, já nem me irrito. Sinto vontade de rir, ainda mais quando vejo a cara do Merval – com aquele olhar inteligente de Inspetor Clouseau.

De todo jeito, vale a pena ler o texto do Miguel.


Inspetor Clouseau é mais engraçado
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LAVE A BOCA ANTES DE FALAR DA BLOGOSFERA,

por Miguel do Rosário, no “Oléo do Diabo”

O principal colunista político das Organizações Globo, Merval Pereira, registrou em sua coluna a manifestação da juventude diante do Clube Militar. Mais uma vez, parabéns Monique Lemos, presidente da UJS-RJ e Theófilo Rodrigues, secretário de Formação da UJS. Também devo cumprimentar o candidato a deputado estadual, Igor Bruno, o mais importante quadro do movimento estudantil do Rio de Janeiro, que na verdade foi quem fez toda a articulação para que o protesto acontecesse.

O homem (Merval) sentiu o tranco. Eles todos (os golpistas) sentiram, de maneira que o protesto realmente teve importância política e histórica. Infelizmente, Merval não se conteve e fez acusações ofensivas e caluniosas a nós, os blogueiros; é uma honra, porém, sermos chamados, por esses golpistas, para a linha de frente da guerra.

(trecho de artigo do Merval)

“Na mesma quinta-feira em que se anunciava a manifestação de sindicatos “pelegos” contra a liberdade de expressão, participei no Clube Militar do Rio, em companhia de Reinaldo Azevedo e de um representante da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), de um painel sobre as ameaças à liberdade de expressão.

O único tumulto havido foi provocado por um pequeno grupo de manifestantes em frente ao Clube Militar, protestando contra o que classificavam de “hipocrisia” dos militares defendendo a democracia.

Na sala lotada, não houve uma só manifestação de radicalização política, e o consenso foi de que é preciso ficar atento permanentemente às tentativas do governo de controlar os meios de comunicação, seja através de projetos que criem conselhos cuja função específica seria tutelar a imprensa, seja através de constrangimentos comerciais que criem problemas financeiros às empresas jornalísticas independentes.

Ao mesmo tempo, o governo monta a sua sombra e à custa do erário público uma cadeia de blogs e de jornais e televisões, inclusive a estatal, para garantir um noticiário favorável a suas ações.”

Esse trecho, repleto de mentiras, merece alguns esclarecimentos:

Os sindicatos “pelegos” a que se refere Merval são simplesmente os maiores do país, os mais organizados, independentes e poderosos. Cumpre notar que praticamente todos os sindicatos do país, não patronais, apoiam Dilma Rousseff e, portanto, na visão partidária de Merval, todos são “pelegos”. Lembros que em 1964, os defensores do golpe também usavam o mesmo adjetivo contra os sindicatos que apoiavam Jango. O tempo passa, o tempo voa, e o golpismo do jornal Globo continua numa boa.

Evidentemente não foi um evento “contra a liberdade de expressão” e sim a favor dela. Volte para o sanduichinho da mamãe, Merval.
O governo não montou nenhuma “cadeia de blogs” à custa do erário público, Merval. Mas sabe que você está dando uma ótima idéia? Seria uma honra ser pago pelo governo que ajudei a eleger com meu voto e minhas idéias para atacar golpistas antidemocratas como você. Esse tipo de acusação tem como o objetivo fomentar em nós constrangimentos éticos que, eu sei, você não tem. Você pode receber dinheiro por esse trabalhinho sujo que você faz, para um jornal que defendeu o golpe de Estado de 1964 e ainda defende, através de sua voz, golpes de Estado na América Latina (não esqueço sua defesa do golpe em Honduras). Eu poderia muito bem receber para ser um contraponto a posições como a sua.

Mas não é o caso. Tenho blog há oito anos e nunca recebi um centavo. Nem conto com isso. Sou um pequeno empresário do setor privado, sustentado por meu trabalho independente, por minhas traduções, alguns freelancers (para o setor privado) e assinaturas da Carta Diária. Mas rechaço veementemente sua malignidade contra jornalistas ou blogueiros que porventura tenham contratos com o governo, porque você omite o fato do governo ser uma entidade democrática, cujo poder emana do povo. O que o governo faz, portanto, é também uma decisão soberana e democrática do povo brasileiro.

O presidente da República seria um patrão muito mais digno do que os golpistas – cujas botas você lambe – que se enriqueceram à custa da liberdade e do sangue dos brasileiros. Por isso, lave a boca antes de falar na blogosfera, e se for falar em liberdade de expressão aplique antes água sanitária.

Sei muito bem que você deseja que gente como eu morra de fome. Não será tão fácil, meu caro. Ainda estamos no comecinho de nossa luta e de nosso amadurecimento. As lutas de hoje são apenas um exercício. A roda do mundo girou, Merval, e se eu fosse você tomava cuidado para não ser esmagado.

Por outro lado, eu entendo como elogio o fato de você nos acusar de receber dinheiro público. É que você está tão impressionado com a qualidade de nosso trabalho que não concebe como podemos não sermos profissionais regiamente pagos. Pois é, Merval. Para você ver como blogueiro sofre. Mas eu não reclamo. Nunca me senti tão livre, tão feliz, tão forte. Quanto ao dinheiro, a gente está pensando nesse problema.

Não somos ascetas loucos nem ingênuos nem tolos nem masoquistas. Precisamos de dinheiro. Estamos nos organizando para isso. Eu estou me organizando para isso. Se já incomodamos tanto sendo essa legião de blogueiros duros, imagine quando tivermos algum recurso em mãos? Alguém (provavelmente bem empregado) poderia dizer que aí perderemos nosso elan libertário, ao que respondo que a falta de dinheiro não faz de ninguém libertário; ao contrário, somos independentes apesar da falta de recursos; com eles (recursos), seremos ainda mais. Viva a blogosfera!
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Fonte:http://www.escrevinhador.com.br/

Estadão foi mais honesto do que a Folha

Por Altamiro Borges

Os jornalões decadentes decidiram apostar todas as suas fichas na última semana da campanha eleitoral para ver se ainda conseguem levar seu candidato ao segundo turno. Neste esforço, o oligárquico Estadão foi até mais honesto do que a falsamente eclética Folha. Em editorial neste sábado, ele confessa o que apenas os ingênuos não sabiam. “Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apóia a candidatura de José Serra”.

Já o jornal da famíglia Frias fez estardalhaço com o seu editorial, publicado na capa do domingo, para novamente mentir. Após condenar o governo Lula, ele tem a caradura de afirmar que “esta Folha procura manter uma orientação de independência, pluralidade e apartidarismo editoriais, o que redunda em questionamentos incisivos durante períodos de polarização eleitoral”. Este falso ecletismo ainda engana muita gente, mas não contém mais a sua irreversível queda de tiragem.

Unidos no reacionarismo

Em ambos os editoriais, porém, fica explícito o reacionarismo destes jornais. Na forma de apoiar seu candidato, eles são diferentes; no conteúdo, eles estão solidamente unidos. O Estadão dedica só sete linhas para bajular o demotucano e nove parágrafos para atacar a gestão de Lula, avaliada como ótima e boa por 80% dos brasileiros. Para o jornal, que resistiu à abolição da escravatura e apoiou o golpe militar de 1964, Lula é “o mal a evitar”, como ele realça já no título do editorial.

O diário da oligarquia paulista, que sempre conspirou contra a democracia, afirma que Lula tem o “mau hábito de perder a compostura quando é contrariado”. Reflexo do que há de mais podre nas elites, ele acusa o operário de presidir um governo “moralmente deteriorado” e de ser “chefe de uma facção”. Ainda afirma que o atual governante “atropela as leis”, logo ele que até hoje se vangloria de ter apoiado o golpe de 1964, que derrubou um presidente democraticamente eleito.

Tentativa de ludibriar os tapados

Diante das críticas de Lula à partidarização da imprensa, o Estadão veste a carapuça. “Há uma enorme diferença entre ‘se comportar como um partido político’ e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à sobrevivência da democracia neste país”. Para o jornal, Dilma Rousseff é uma “invenção” de Lula para, “se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada”. Já o apoio a José Serra se deve à “convicção de que é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o país”.

A declaração de voto do Estadão, em frenética campanha, é escancarada. Já a Folha insiste em se travestir de “neutra e apartidária” para ludibriar os mais tapados. Para ela, a popularidade de Lula reflete “o ambiente internacional favorável aos países em desenvolvimento” e “os acertos do atual chefe do Estado..., que teve o discernimento de manter a política econômica sensata de seu antecessor”. Haja cinismo na leitura sobre a crise mundial e sobre o desastre do reinado de FHC!

O medo da "onda vermelha"

Após fingir reconhecer “os méritos” do atual governo, a Folha mostra suas garras e afirma que o maior perigo “é do enfraquecimento do sistema de freios e contrapesos que protege as liberdades públicas e o direito ao dissenso quando se formam ondas eleitorais avassaladoras, ainda que passageiras”. O jornal teme a vitória de Dilma e, mais ainda, a chamada “onda vermelha”, que pode alterar a correlação de forças no parlamento e nos governos estaduais, pavimentando o caminho para mudanças mais profundas no país.

Arrogante, a Folha se coloca como paladina da ética, que critica as sujeiras de todos os governos – só não explica a brutal diferença no tratamento das maracutaias dos governantes tucanos. Para quem já esteve envolvida em denúncias de corrupção, como no famoso caso da estação Júlio Prestes, é muita petulância. Já os seus discursos sobre os riscos à democracia, lembram muito os do finado Octávio Frias, patrono do jornal e dono da rodoviária, às vésperas do golpe de 1964.

Censores e golpistas falam em democracia

No final, o editorial rosna uma advertência. Ameaça os que tentarem “o controle da imprensa”. É pura bravata de um jornal decadente e decrépito. Serve apenas para atiçar os apetites golpistas de alguns saudosos da ditadura, como o general Renato César Tibau, que afirmou no seminário do Clube Militar, na semana passada, que “os militares de todos os tempos, da ativa e da reserva” estão preparados para “defender a democracia”. Como se observa, a democracia, palavra tão vilipendiada, está na boca dos censores, torturadores e de alguns golpistas da velha mídia.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/

Reinaldo Azevedo e a "oposição vagabunda"

Reproduzo artigo de Maurício Thuswohl, publicado na Rede Brasil Atual:

O colunista e blogueiro da revista Veja Reinaldo Azevedo afirmou que a imprensa se comporta como verdadeiro partido de oposição no país. A declaração ocorreu durante o debate "A Democracia ameaçada – Restrições à liberdade de expressão", promovido pelo Instituto Millenium no Clube Militar da capital fluminense, na quinta-feira (23). Ele concordou, assim, com a crítica formulada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mesmo dia, que criticou a cobertura da mídia às eleições.

Azevedo fez críticas aos partidos políticos de oposição e surpreendentemente concordou com o principal cabo eleitoral de Dilma Rousseff (PT), candidata à Presidência da República. "O Lula, quando diz que a imprensa é o verdadeiro partido de oposição no Brasil, tem razão a sua maneira porque a oposição nesse tempo foi tão mixuruca, tão despolitizada e tão vagabunda que sobrou para a imprensa, não fazer oposição, mas defender o Artigo 5º da Constituição", sustentou. "Não é que exista uma imprensa de direita para um governo de esquerda”, disse.

O debate contou tambem com a presença de Merval Pereira, da Rede Globo, e de Rodolfo Machado Moura, diretor de Assuntos Legais da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Diante de uma plateia predominantemente composta por militares da reserva, a tônica das exposições foi a necessidade de prudência e vigilância em relação a um eventual terceiro governo consecutivo de esquerda no Brasil.

As principais "ameaças" à democracia e à liberdade de imprensa apontadas pelos debatedores foram o terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos (III PNDH), as mudanças na produção cultural e as conferências setoriais realizadas pelo governo Lula.

Azevedo afirmou ainda que "há risco de mexicanização" da política brasileira. “É evidente que se tem hoje no Brasil a contaminação do processo democrático por teses autoritárias. Se o PNDH for aprovado no governo Dilma, estará instaurada a ditadura no Brasil, é simples", sentenciou.

Uma das preocupações do jornalista é com a possibilidade de a base governista ser ampliada na Câmara dos Deputados e conquistada no Senado. "Ainda mais com um Congresso eventualmente encabrestado, e Lula não esconde que seu objetivo é fazer uma maioria no Senado porque foi o Senado que o impediu de fazer certas coisas. Em tese, ele pode conseguir o que quer, apesar de o PMDB ser muito contraditório", apostou.

O Instituto Millenium foi o organizador, em 1º de março deste ano, do 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, um encontro para debater temas semelhantes em São Paulo. Na ocasião, diferentes expoentes da mídia conservadora apresentaram acusações contra o governo Lula, o PT e outros atores sociais. O encontro, na visão de analistas, serviu para organizar a mídia para a cobertura das eleições.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/

A falsa neutralidade da imprensa

SEGUNDA-FEIRA, 27 DE SETEMBRO DE 2010

Reproduzo artigo de Emerson Gabardo, advogado e doutor em Direito, publicado no sítio Carta Maior:


Volta e meia retorna à pauta a questão da “liberdade de imprensa” no Brasil, mesmo quando ela de modo algum está sendo verdadeiramente contestada. O período de eleições fomenta tal discussão, pois qualquer assertiva não elogiosa torna-se digna de uma refutação cuja essência em geral é meramente retórica e desprovida de fundamento. Por um lado, comentários negativos da imprensa ao governo e aos candidatos; por outro, os governantes e candidatos acusam-na de “tendenciosa” ou “ideologicamente comprometida”.

Crítica e crítica da crítica. Nada mais adequado ao espírito republicano, cujo princípio maior é a transparência. Nada mais adequado ao espírito democrático, cujo princípio maior é o debate político. Todavia, o caráter brasileiro é apegado em demasia aos elogios, o que sempre o torna resistente (às vezes agressivamente) a uma postura mais rigorosa e não complacente. É peculiar a manifesta repulsa que um e outro “lado” (mais acentuadamente os próprios órgãos e profissionais da informação, para surpresa geral) demonstram quando criticados – e pior, acusados de “parciais”.

Esta situação é surreal. Imaginar que a imprensa é neutra e axiologicamente independente é algo desejável. Defender que ela assim o seja é uma necessidade imprescindível à democracia. Acreditar nisso, só por ingenuidade ou interesse. Não existe neutralidade de pensamento em qualquer que seja a atividade humana. Já faz algum tempo que os filósofos do Direito desmitificaram a pretensa “neutralidade” dos juízes; todavia, a chamada “imprensa” (e só esta expressão já é carregada de sentido valorativo) resiste de forma peremptória mediante a afirmação de sua condição de superioridade ética e “técnica”.

Bem se sabe, e a história demonstra de forma exemplar, que os meios de comunicação em geral não são, nunca foram, e nunca serão, neutros. E isso em si mesmo não é um defeito, pois onde há humanidade, há também uma identidade forjada entre razão e sensibilidade. O homem não é um “ser cindido”. Sua condição é estar inserido num contexto que o influencia, que o condiciona e que o faz refém de suas preferências, para além de sua vontade.

O problema é quando a falta de auto-crítica e a “sensação de centralidade” faz com que todos os demais setores tornem-se objeto de uma moralidade formalmente estabelecida como a “mais adequada”, haja vista a legitimidade apriorística de um dos mais fortes poderes do Estado e da sociedade civil: a “imprensa”. É ilustrativa a demonstração prosaica da verdadeira aversão que os órgãos de imprensa possuem de terem suas “informações” refutadas. Basta ser feito um teste: é só observar o destaque que se dá à notícia e a ênfase que se confere à correção da notícia quando ela demonstra-se inverídica.

As auto-correções da imprensa são midiaticamente pífias, no geral. Neste sentido, não muito diferentes que aquelas dos governos e políticos em geral. A demonstração do erro é sempre algo doloroso. Para a imprensa é uma situação comumente marginal e desprovida de importância. De todo modo, as situações mais tormentosas ocorrem quando não há efetivamente um erro, mas apenas uma opção por este ou aquele enfoque, por esta ou aquela reportagem, por esta ou aquela expressão, entre esta ou aquela manchete, por este ou aquele editorial.

O tom de manifesto de alguns editoriais, que chegam a usar de verborragia imperativa para repudiar possíveis tentativas de “controle da imprensa”, que na realidade decorrem apenas de factóides típicos de momentos burlescos, chega a ser tão engraçado quanto o tom usual de seus destinatários. Exagero e exagero do exagero: governos, candidatos e imprensa no Brasil padecem do mesmo auto-engano: a certeza de que uns são melhores que os outros e que os limites nunca são destinados para si.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/

Vídeo: por que a Dilma ganhou o debate da Record

Publicado em 27/09/2010

Extraído do blog Os Amigos do Presidente Lula:

O compacto acima mostra como foi a participação de Dilma no Debate. Reparem no quanto tem de conteúdo. Nenhum outro candidato chegou perto dela neste quesito.

Tente fazer um compacto com os “melhores momentos” do Serra. Dali não sai nada, ou é ele atacando os adversários ou contrariado com perguntas sobre FHC e sobre apagões na educação e outras áreas de seu governo em São Paulo.

De Marina também não se consegue extrair um compacto com conteúdo. Se espremer fica só a pregação genérica do desenvolvimento sustentável, permeada com críticas udenistas que não correspondem aos fatos, sem conseguir dizer a que veio.

A verdade é que o discurso de Marina desperta desconfiança em todos que votam consciente, porque ela fica em cima do muro, como quando foi perguntada sobre Belo Monte.

Desperta desconfiança quando ela “importa” para o pré-sal os problemas ambientais do golfo do México, causado lá por políticas neoliberais de deixar empresas privadas fazerem tudo por dinheiro. Lá nem foi vazamento em profundidades do pré-sal, e sim em profundidade que a Petrobras já explora há anos, sem qualquer problema.

Desperta desconfiança também quando age de forma oportunista, com o discurso udenista, quando todos sabem que o PV é uma frente partidária com muitos candidatos fisiológicos, aparelhados em prefeituras do DEMos, com Kassab (e já foram aliados de Cesar Maia no Rio quando o DEMo estava no poder), em governos tucanos de São Paulo. Que moral ela tem para criticar o PT, sendo filiada ao PV? E ela sabe como ex-ministra do meio-ambiente que qualquer órgão público ou privado está sujeito a um ou outro mau funcionário desviar sua conduta, e só será descoberto, ou quando uma fraude aparece, ou quando é denunciado antes da fraude aparecer.

Quanto a Marina, fica sempre aquela pergunta: qual é exatamente a posição dela? A gente vai conviver com apagões energéticos por ficar discutindo por décadas um projeto de hidrelétrica? O respeito ao meio-ambiente é fundamental. Ninguém abre mão da boa engenharia que respeita o meio-ambiente neste século XXI, mas quem é responsável por licenças ambientais precisa também aprender a respeitar a ecologia humana, e se empenhar para trabalhar na velocidade que a população pobre do Brasil precisa para sair da pobreza. Que exija as adequações necessárias, mas que não obstrua eternamente.

O discurso da Marina passa a impressão de que a senzala tem que esperar na fila para entrar na classe média, enquanto não se resolve o problema do lixo e da poluição produzidos na casa grande (sobretudo dos países ricos).

Plínio também não rende um bom compacto do debate. Independente de concordar ou não com as idéias dele, não foram passadas com a clareza com que usou no primeiro debate. Plínio conseguiu atacar as políticas dos outros 3 candidatos (e é papel de quem é oposição), mas saiu com a imagem de quem irá desmontar um monte de coisas boas que estão dando certo, como o ProUni, o Reuni, a política de aumento real garantido do salário mínimo; para colocar no lugar algo inatingível a curto prazo: uma suposta política perfeita para um futuro que sabe-se lá quando iria chegar. Por fim, foi desonesto ao sucumbir ao discurso udenista e falso, para exploração eleitoral.

Quando não há um “nocaute” durante o debate, vence quem consegue encaixar mensagens com melhor repercussão nos dias seguintes, e que fixam na cabeça do eleitor.

Ninguém venceu por nocaute (e seria difícil com as regras rígidas, a menos que alguém cometesse algum grande deslize). Mas para o cidadão que se preocupa com emprego, o mais importante foi ouvir Dilma falar dos 14,5 milhões de empregos. Para o estudante que está no ProUni ou quer entrar na universidade, o importante foi ouvir Dilma defendendo o programa. Para quem tem más lembranças do governo FHC, importante foi ver Serra se atrapalhar para defendê-lo. Para quem tem boas lembranças do governo Lula, importante foi ver Dilma defendendo este governo do ataque dos outros.

Por isso que reitero: Dilma conquistou mais votos do eleitor consciente que viu o debate, porque conversou com o eleitor sobre os problemas dele. Dilma fez um discurso politizado para a nova classe média que emergiu no governo Lula.
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/video/2010/09/27/video-por-que-a-dilma-ganhou-o-debate-da-record/

PIG gaúcho silencia sobre violência de Rigotto contra jornalista

Publicado em 22/09/2010
Este não é o jornal que Rigotto quer fechar

O Conversa Afiada reproduz artigo de Luiz Claudio Cunha, publicado no Observatório da Imprensa.



RIGOTTO vs. JORNAL JÁ


Desculpa para calar a opinião

Por Luiz Cláudio Cunha

“Eu não frequento clubes que me aceitem como sócio.”
(Groucho Marx, 1890-1977, comediante, EUA)


O respeitado Clube de Editores e Jornalistas de Opinião do Rio Grande do Sul, que reúne duas dezenas dos mais importantes colunistas e blogueiros do Estado, tomou uma grave decisão na semana passada. Por escassa maioria, numa reunião virtual feita pela internet, o Clube de Opinião decidiu “não opinar” sobre o inclemente processo que a família do ex-governador gaúcho Germano Rigotto move contra um pequeno jornal de Porto Alegre, o JÁ.

A ação judicial, que completa dez anos, está matando financeiramente o jornal de cinco mil exemplares editado há 25 anos pelo jornalista Elmar Bones, que em agosto passado teve suas contas pessoais bloqueadas pelos advogados dos Rigotto. A valente opção não opinativa do Clube de Opinião teve uma bela desculpa: “evitar qualquer conotação política-eleitoral” antes do pleito de 3 de outubro, já que Germano Rigotto é candidato ao Senado pelo PMDB gaúcho. Num sereno, mas contundente editorial publicado no domingo (19) no site do jornal e reproduzido neste OI, Elmar Bones respondeu, batendo no osso da questão:

“Pode ser uma maneira cômoda de contornar uma situação espinhosa, mas essa interpretação não encontra base nos fatos e contraria a lógica da democracia. O processo eleitoral, que exige verdade e cobra opinião do eleitor, não pode ser usado como pretexto para a omissão, o silêncio e a desinformação”.

Bones, que como Groucho não é sócio do clube, poderia usar o raciocínio que o comediante Marx usava para definir “inteligência militar”: “Clube de Opinião sem opinião é uma contradição em termos”. A infeliz decisão da entidade gaúcha carteliza e uniformiza, por baixo, o que deveria ser livre e múltiplo: o pensamento. É o fundo do poço de uma incômoda questão que constrange, envergonha e deprime a imprensa do Rio Grande do Sul, um celeiro de bravos profissionais que iluminaram o jornalismo brasileiro nos momentos mais duros de sua história, quando era necessária muita opinião, muita coragem, muita resistência. Elmar Bones é um sobrevivente daqueles tempos, quando então comandava o CooJornal, uma das legendas da valente imprensa nanica que afrontava os generais da ditadura de 1964.

A omissão

A candente questão que o clube gaúcho tangencia é que o JÁ não está sendo punido por sua opinião, mas pela embaraçosa informação que publicou em 2001: o envolvimento de Lindomar Rigotto numa licitação fraudulenta na CEEE, a estatal de energia elétrica. Enxertado na diretoria financeira pelo irmão Germano, então o poderoso líder do governo do PMDB na Assembléia Legislativa, o mano Lindomar fez uma mistureba financeira tão grande que acabou sendo o personagem central de um CPI que indiciou ele, outras onze pessoas e onze empresas. O cabeça da quadrilha, que montou a operação na CEEE, era o irmão menos famoso de Rigotto, segundo o relatório final da CPI: “De tudo o que se apurou, tem-se como comprovada a prática de corrupção passiva e enriquecimento ilícito de Lindomar Vargas Rigotto”, escreveu corajosamente o relator e deputado Pepe Vargas (PT), apesar de ser primo de Lindomar e Germano.

Essa era a reportagem de capa que o JÁ publicou há dez anos, sob o título “Caso Rigotto – um golpe de US$ 65 milhões e duas mortes não esclarecidas”. Não tinha nada de opinião. Era pura informação, matéria prima do bom jornalismo, baseado em peças do Ministério Público e nos autos da CPI, agregando detalhes sobre a vida turbulenta de Lindomar, que acabou assassinado por assaltantes de sua casa noturna, no litoral gaúcho, em 1999. A matéria do jornal arrebatou em 2001 os principais troféus de jornalismo do sul do país – o Esso Regional e o ARI, da Associação Riograndense de Imprensa. E acabou premiada, também, com o processo da família Rigotto.

O Clube de Opinião achou por bem não opinar nada sobre este vergonhoso, continuado ataque ao primado da liberdade de expressão no país. Se levassem a sério seu pretexto para este mutismo – “evitar qualquer conotação político-eleitoral” –, os bravos formadores de opinião do Rio Grande do Sul deveriam se esquivar de gastar tinta e tempo com assuntos constrangedores como a bolsa-família da ex-ministra Erenice Guerra, que empregou a parentada em órgãos públicos e tinha no coração do governo Lula um filho tão empreendedor quanto o irmão de Germano Rigotto. A intermediação de Israel Guerra, conforme a capa da revista Veja da semana passada, arrumou para um empresário aflito um contrato camarada de R$ 84 milhões nas entranhas dos Correios. A lambança de Lindomar Rigotto, segundo a manchete do JÁ, lesou os cofres públicos gaúchos, em valores corrigidos, numa soma dez vezes maior: R$ 840 milhões, a maior fraude da história do Rio Grande.

Serra agride mulher (jornalista), de novo

Publicado em 27/09/2010
A coisa tá feia

Serra tem o hábito de agredir mulher (jornalista).

Clique aqui para ver nesse vídeo uma antologia dos melhores momentos dele, como um cavalheiro.


Hoje, no caderno Especial, pág. 13, a Folha (*) descreve outra manifestação de fúria, contra uma mulher (jornalista). abaixo a matéria:

São Paulo, segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Serra nega que FHC tenha admitido vitória de petista na eleição
Candidato tucano voltou a dizer que a imprensa no Brasil tem sido "assediada"

DO RIO

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não admitiu a vitória da petista Dilma Rousseff, em entrevista ao jornal britânico "Financial Times".
"Não, não foi assim", disse Serra, ao ser questionado sobre o tema por uma repórter portuguesa, ao desembarcar no Rio para participar do debate da TV Record.
Quando a jornalista quis saber como interpretava a declaração de FHC, Serra cortou o assunto de modo brusco, imitando o sotaque de Portugal: "Não sei, pergunte a ele, pergunte a ele".

Segundo a reportagem do "FT", publicada no sábado, quando o repórter disse, há cerca de duas semanas, que já se sabia quem ganhará as eleições, FHC concordou com um "sim", e completou, sobre as consequências de uma vitória de Dilma.
"Isso vai nos impedir de desenvolver mais rapidamente. Mas não vai levar o Brasil para trás. A sociedade é muito forte para isso."

Na entrevista, Serra voltou a prometer aumento das aposentadorias do INSS maior do que a reposição da inflação, como quer o governo. Ele falou do Dia do Idoso.
"No Brasil os idosos ficaram para trás no que se refere a suas aposentadorias. Muitos deles sustentam suas famílias. Defendo um aumento do INSS de 10%, que é o dobro do que o governo quer."

"Vou investir em saúde, como fiz no passado, continuando uma política de medicamentos e vacinas novas", completou o tucano.
Serra também comentou as críticas do presidente Lula à imprensa e as acusações de que o governo pretende controlar os meios de comunicação. "A imprensa no Brasil tem sido assediada, a liberdade de imprensa tem sido atacada. Todos os democratas devem defender a liberdade de imprensa."

O tucano foi o único dos três principais candidatos que não fez campanha no Rio no fim de semana. Ele havia marcado evento às 17h na filial de Ipanema da Livraria da Travessa, mas cancelou.
Segundo o Datafolha, Serra tem 23% dos votos no Estado, em empate técnico com Marina (22%). Dilma lidera, com 45% no

“… Serra afirmou que o FHC não admitiu a vitória da Dilma em entrevista ao Financial Times” – clique aqui para ler “FHC corta os pulsos em inglês também”.


O que é, no mínimo, patético.

O Farol disse isso com todas as letras. Veja abaixo a matéria do FINANCIAL TIMES:

"O Farol de Alexandria, conhecido como o Salieri brasileiro, almoçou com o correspondente do Financial Times.

Trata-se de um perfil/entrevista que, aqui, no Brasil, Paulo Totti faz com maestria no jornal Valor.

O noticiário brasileiro se impressionou com a punhalada que o FHC deu no Serra, pelas costas.

(Eles se amam.)

FHC admitiu que a Dilma vá ganhar.

Isso já é o conhecimento do mundo mineral, diria o Mino Carta.

(A menos que o Ali Kamel use da prerrogativa de “ter o Brasil em suas mãos”)

O fascinante é que, em inglês, a inveja e o ressentimento do Farol se manifestam em estado bruto, natural, espontâneo.

Ele diz que Lula anestesiou o Brasil.

“Esquecemos que o Brasil precisa continuar avançando” (sic).

Quem se esqueceu ?

Provavelmente ele, que governou o Brasil sem crescimento econômico.

“Mas, parou. Simplesmente parou”.

Parou o quê ?

O crescimento econômico ?

Do poder aquisitivo dos pobres ?

Da renda ?

Do emprego com carteira assinada ?

O que parou de crescer ?

O Serra ?

Quando o Salieri admite que o Serra já perdeu, prevê: a Dilma vai fazer o Brasil andar mais devagar.

Mais devagar, como ?

Como no governo Serra/FHC ?

O Salieri, ao se esvair em sangue, diz corroído pela inveja: “Eu fiz as reformas. Lula surfou na onda”.

Eu fiz o Don Giovanni.

Mozart surfou na onda.

Lá vai o Salieri: a oposição se enganou e permitiu a “mitificação do Lula”.

Esse é o problema dele.

É assim que a inveja o corrói por dentro.

Porque Lula é um mito.

E não foi a oposição quem deixou o Lula se tornar um mito.

Lula se tornou um mito por ele próprio, com as próprias mãos, onde falta um dedo – e sem falar inglês.

O Salieri, do alto de sua ilimitada arrogância, acha que ele e o Serra, juntos, num convescote em Higienópolis, seriam capazes de desmitificar e mitificar o Lula.

Erraram a mão (*) e mitificaram o Lula.

A oposição não tem nada com isso.

O Lula passou com um trator por cima do Salieri.

E da Oposição.

O Salieri termina por dizer que o Lula é o Lech Walessa que deu certo.

Poderia ter dito que ele, o Salieri, é o Fujimori que deu errado.


Mas, vamos ao que interessa: à agressão.

“Não, não foi assim, disse Serra ao ser questionado sobre o tema por uma repórter portuguesa …”

“ ‘Quando a jornalista quis saber como interpretava a declaração de FHC, Serra cortou o assunto de modo brusco, imitando o sotaque de Portugal: ‘Não sei, pergunte a ele, pergunte a ele’.”
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Fonte:www.conversaafiada.com.br
Edição das matérias : Irineu Messias

Marina sai do muro e diz que Serra persegue jornalistas

Publicado hoje no O Globo online:

A preferência dele é por mulheres jornalistas

Publicado hoje no O Globo online:

Em Guarulhos, Marina diz que Serra intimida jornalistas
GUARULHOS (SP) – A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, afirmou nesta segunda-feira em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, que o tucano José Serra “constrange jornalistas”. Na véspera, em debate da Rede Record, a verde já havia feito ataques mais duros aos seus adversários.

- Existem duas formas de tentar intimidar a imprensa: uma é aquela que vem a público e coloca de forma infeliz uma série de críticas, e outras são aquelas que, de forma velada, tentam agredir jornalistas, pedir cabeça de jornalista, o que dá na mesma coisa, porque o respeito pela democracia e pela liberdade de imprensa é permitir que a informação circule – afirmou a candidata.

Perguntada a quem estava se referindo, Marina respondeu:

- Vocês têm reclamado que o governador Serra nos últimos tempos, tem ficado nervoso quando fazem perguntas que ele não gosta.

A verde foi questionada, em seguida, de que forma Serra intimidaria o trabalho dos jornalistas.

- Tenho visto relatos de algumas pessoas que cobrem as campanhas de que existem momentos que, quando são feitas perguntas que não são consideradas agradáveis, há uma atitude às vezes de intimidação dos jornalistas – afirmou a candidata do PV.

(…)

Clique aqui para ler: “Serra agride mulher (jornalista), de novo”.


E aqui para ver o vídeo com os “melhores momentos” dos ataques do jenio à imprensa.

ISALTINO NASCIMENTO 13500, DEPUTADO ESTADUAL


Reunião em Jardim Paulista Baixo,Paulista, em 21.09.10

José Dirceu e o "vale tudo da imprensa"

Domingo, 26 de setembro de 2010

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Liberdade de imprensa e imprensa liberta


Reprodução artigo de Sylvio Micelli, publicado em seu blog:


A chamada grande mídia está com medo. Vê, paulatinamente, ruir seus alicerces antiquados, nepotistas e reacionários. Prova disso, é a capa da Revista Veja desta semana, a mais conservadora delas. Com o título "A Liberdade sob ataque" chega até a reproduzir artigos da Constituição Federal que só são cumpridos quando há o interesse de fazê-lo.

Afinal de contas, que imprensa a revista acredita que querem calar? Esta, embolorada e viciada que está aí e da qual Veja faz parte ou a nova imprensa, que nasceu com a liberdade dos blogues e das redes sociais?

Durante a faculdade (apenas para os diplomados, claro...) somos ensinados a crer que a prática do bom jornalismo passa, necessária e invariavelmente, pela isenção, pela ética e pela moral. Aprendemos que sempre devemos ouvir os dois ou mais lados da questão e que nossa missão é formar opiniões para salvaguardar o direito da sociedade em receber uma informação clara, pura, translúcida. Isso seria, ao menos em tese, bom para o cidadão e ótimo para o País.

Na prática, porém, como todos sabemos, a teoria é outra.

A revista Veja e os velhos jornalões - agora reduzidos a três (Folha de S.Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo) - insistem numa pseudo-liberdade de imprensa que eles não exercem. As notícias e opiniões sempre são dirigidas a interesses diversos que não são os mesmos da sociedade. Querem pautar a população com informações enviesadas que, sabidamente, tendem apenas a manter o establishment e nada oferecem de concreto para esta sociedade. Parecem que não aprenderam as lições com a ascenção e queda de Collor, e tantos outros "pés pelas mãos" cometidos ao longo da história.

Passei, recentemente, pela maior greve do funcionalismo público de São Paulo. A minha categoria - Judiciário Estadual - paralisou as atividades por 127 dias. As notícias (poucas) que saíram na tal da grande mídia eram ácidas, críticas e quando ouviam-nos, já vinham com a pauta pronta sequiosos pelas respostas que combinavam com o texto que necessitavam fazer. Registre-se, aqui, que houve uma ou outra exceção (até para justificar a regra).

Nesta semana, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo com seu histórico Auditório Vladimir Herzog, foi palco de um ato promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, entidade da qual sou membro do Conselho Consultivo (ainda que ausente por tantos compromissos). O ato, que reuniu quase mil pessoas, é prova irrefutável de que algo está errado com esta mídia em estado de obsolescência.

É óbvio, que a grande mídia não soube assimilar o golpe. Prefere um reducionismo tolo ao afirmar que o ato é político-partidário com infiltrações de diversas organizações sociais ou aquilo que a Veja acredita ser o "Petismo". E é, justamente aí, que as revistas e jornais anacrônicos erram. Politizam, partidariamente, o que não é para politizar. Defendem seus candidatos e interesses tratorando as lições do bom jornalismo.

Pois bem. Não sou petista. Nem mesmo sou alinhado a muitos dos dogmas do Partido dos Trabalhadores, em que pese reconhecer sua importância na política nacional. Meus candidatos, há mais de duas décadas, raramente são eleitos, porque voto em pessoas e não em partidos. Ou seja: nem de longe faço parte do "Petismo" e, além de mim, há milhares de colegas que analisam a mídia sob uma nova ótica.

Será Erenice Guerra corrupta? Seus parentes idem? Oras... todos foram dispensados e ponto final. Que a Receita Federal, Polícia Federal e todas as instituições envolvidas investiguem e apontem culpados. Mas este, e outros casos, são usados como moeda de troca no circo eleitoral. Ao tomar partido, a velha mídia erra e abre, cada vez mais espaço, para a mídia alternativa que tenho orgulho em pertencer.

Esta nova imprensa nasce liberta. E alguns, mais cáusticos, hão de dizer: "não é liberta... também defende seus interesses..." Pois bem. A mídia alternativa, amparada por blogues e redes e organizações sociais diversas, nasce para ser o contraponto, nasce para restabelecer o equilíbrio, nasce para mostrar o outro lado que a velha mídia esqueceu nas lições do jornalismo isento e imparcial.

Atenção, barões da mídia: a extinção da versão impressa do Jornal do Brasil (o quarto jornalão histórico de nosso País) não foi um caso isolado. Há ainda muita letra a passar pela rotativa. Quem viver, verá.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/

DILMA PRESIDENTA, GUIA ELEITORAL DE 25.09.10

Serra, enfadonho X Dilma, extraordinária


The Independent
Serra, enfadonho X Dilma, extraordinária
publicada domingo, 26/09/2010

Reproduzo o artigo do jornal inglês “The Independent”, originalmente publicado no Brasil pela “CartaMaior”.

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por Hugh O’Shaughnessy, no ”The Independent”

A mulher mais poderosa do mundo começará a andar com as próprias pernas no próximo fim de semana. Forte e vigorosa aos 63 anos, essa ex-líder da resistência a uma ditadura militar (que a torturou) se prepara para conquistar o seu lugar como Presidente do Brasil.

Como chefe de estado, a Presidente Dilma Rousseff irá se tornar mais poderosa que a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel e que a Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton: seu país enorme de 200 milhões de pessoas está comemorando seu novo tesouro petrolífero. A taxa de crescimento do Brasil, rivalizando com a China, é algo que a Europa e Washington podem apenas invejar.

Sua ampla vitória prevista para a próxima eleição presidencial será comemorada com encantamento por milhões. Marca a demolição final do “estado de segurança nacional”, um arranjo que os governos conservadores, nos EUA e na Europa uma vez tomaram como seu melhor artifício para limitar a democracia e a reforma. Ele sustenta um status quo corrompido que mantém a imensa maioria na pobreza na América Latina, enquanto favorece seus amigos ricos.

A senhora Rousseff, a filha de um imigrante búlgaro no Brasil e de sua esposa, professora primária, foi beneficiada por ser, de fato, a primeira ministra do imensamente popular Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ex-líder sindical. Mas com uma história de determinação e sucesso (que inclui ter se curado de um câncer linfático), essa companheira, mãe e avó será mulher por si mesma. As pesquisas mostram que ela construiu uma posição inexpugnável – de mais de 50%, comparado com menos de 30% – sobre o seu rival mais próximo, homem enfadonho de centro, chamado José Serra. Há pouca dúvida de que ela estará instalada no Palácio Presidencial Alvorada de Brasília, em janeiro.

Assim como o Presidente Jose Mujica do Uruguai, vizinho do Brasil, a senhora Rousseff não se constrange com um passado numa guerrilha urbana, que incluiu o combate a generais e um tempo na cadeia como prisioneira política.

Quando menina, na provinciana cidade de Belo Horizonte, ela diz que sonhava respectivamente em se tornar bailarina, bombeira e uma artista de trapézio. As freiras de sua escola levavam suas turmas para as áreas pobres para mostrá-las a grande desigualdade entre a minoria de classe média e a vasta maioria de pobres. Ela lembra que quando um menino pobre de olhos tristes chegou à porta da casa de sua família ela rasgou uma nota de dinheiro pela metade e dividiu com ele, sem saber que metade de uma nota não tinha valor.

Seu pai, Pedro, morreu quando ela tinha 14 anos, mas a essas alturas ele já tinha apresentado a Dilma os romances de Zola e Dostoiévski. Depois disso, ela e seus irmãos tiveram de batalhar duro com sua mãe para alcançar seus objetivos. Aos 16 anos ela estava na POLOP (Política Operária), um grupo organizado por fora do tradicional Partido Comunista Brasileiro que buscava trazer o socialismo para quem pouco sabia a seu respeito.

Os generais tomaram o poder em 1964 e instauraram um reino de terror para defender o que chamaram “segurança nacional”. Ela se juntou aos grupos radicais secretos que não viam nada de errado em pegar em armas para combater um regime militar ilegítimo. Além de agradarem aos ricos e esmagar sindicatos e classes baixas, os generais censuraram a imprensa, proibindo editores de deixarem espaços vazios nos jornais para mostrar onde as notícias tinham sido suprimidas.

A senhora Rousseff terminou na clandestina VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares). Nos anos 60 e 70, os membros dessas organizações sequestravam diplomatas estrangeiros para resgatar prisioneiros: um embaixador dos EUA foi trocado por uma dúzia de prisioneiros políticos; um embaixador alemão foi trocado por 40 militantes; um representante suíço, trocado por 70. Eles também balearam torturadores especialistas estrangeiros enviados para treinar os esquadrões da morte dos generais. Embora diga que nunca usou armas, ela chegou a ser capturada e torturada pela polícia secreta na equivalente brasileira de Abu Ghraib, o presídio Tiradentes, em São Paulo. Ela recebeu uma sentença de 25 meses por “subversão” e foi libertada depois de três anos. Hoje ela confessa abertamente ter “querido mudar o mundo”.

Em 1973 ela se mudou para o próspero estado do sul, o Rio Grande do Sul, onde seu segundo marido, um advogado, estava terminando de cumprir sua pena como prisioneiro político (seu primeiro casamento com um jovem militante de esquerda, Claudio Galeno, não sobreviveu às tensões de duas pessoas na correria, em cidades diferentes). Ela voltou à universidade, começou a trabalhar para o governo do estado em 1975, e teve uma filha, Paula.

Em 1986 ela foi nomeada secretária de finanças da cidade de Porto Alegre, a capital do estado, onde seus talentos políticos começaram a florescer. Os anos 1990 foram anos de bons ventos para ela. Em 1993 ela foi nomeada secretária de minas e energia do estado, e impulsionou amplamente o aumento da produção de energia, assegurando que o estado enfrentasse o racionamento de energia de que o resto do país padeceu.

Ela tinha mil quilômetros de novas linhas de energia elétrica, novas barragens e estações de energia térmica construídas, enquanto persuadia os cidadãos a desligarem as luzes sempre que pudessem. Sua estrela política começou a brilhar muito. Mas em 1994, depois de 24 anos juntos, ela se separou do Senhor Araújo, aparentemente de maneira amigável. Ao mesmo tempo ela se voltou à vida acadêmica e política, mas sua tentativa de concluir o doutorado em ciências sociais fracassou em 1998.

Em 2000 ela adquiriu seu espaço com Lula e seu Partido dos Trabalhadores, que se volta sucessivamente para a combinação de crescimento econômico com o ataque à pobreza. Os dois se deram bem imediatamente e ela se tornou sua primeira ministra de energia em 2003. Dois anos depois ele a tornou chefe da casa civil e desde então passou a apostar nela para a sua sucessão. Ela estava ao lado de Lula quando o Brasil encontrou uma vasta camada de petróleo, ajudando o líder que muitos da mídia européia e estadunidense denunciaram uma década atrás como um militante da extrema esquerda a retirar 24 milhões de brasileiros da pobreza. Lula estava com ela em abril do ano passado quando foi diagnosticada com um câncer linfático, uma condição declarada sob controle há um ano. Denúncias recentes de irregularidades financeiras entre membros de sua equipe quando estava no governo não parecem ter abalado a popularidade da candidata.

A Senhora Rousseff provavelmente convidará o Presidente Mujica do Uruguai para sua posse no Ano Novo. O Presidente Evo Morales, da Bolívia, o Presidente Hugo Chávez, da Venezuela e o Presidente Lugo, do Paraguai – outros líderes bem sucedidos da América do Sul que, como ela, têm sofrido ataques de campanhas impiedosas de degradação na mídia ocidental – certamente também estarão lá. Será uma celebração da decência política – e do feminismo.

Tradução: Katarina Peixoto
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Fonte:http://escrevinhador.com.br/

O que a direita norte-americana diz:"Obama, inimigo dos Estados Unidos, governa tomado por espírito de bêbado e polígamo"


26 de setembro de 2010

Para quem imagina que a mídia brasileira “pirou”, pense outra vez. Depois dos anos 80, quando houve uma espécie de coalizão entre os grandes grupos midiáticos e a sociedade civil brasileira — culta, limpinha e moradora no eixo Rio-São Paulo –, as empresas de mídia cresceram durante os dois mandatos de FHC, incorporaram novos negócios e transformaram o jornalismo, acima de tudo, em um veículo para defender seus próprios interesses políticos e econômicos, fazendo isso quase sempre sob o manto da defesa do “interesse público”.

A Folha de S. Paulo, neste momento, por exemplo, busca reconquistar legitimidade defendendo a liberdade de expressão que não foi ameaçada, em nosso nome!

Não é um fenômeno exclusivamente brasileiro. Vejam esse ataque a Barack Obama, na revista Forbes, que está causando grande polêmica nos Estados Unidos. É uma “formulação” intelectual calcada no preconceito, na ignorância e na xenofobia — três coisas nas quais a direita é especialista em qualquer parte do mundo. Uma coleção de anedotas que termina com uma espécie de ritual satânico:

Como Obama pensa

por Dinesh D’Souza, na revista Forbes

Barack Obama é o presidente mais anti-iniciativa privada em uma geração, talvez na história dos Estados Unidos. Graças a ele a era do grande governo está de volta. Obama acumula dívidas para o contribuinte não em bilhões, mas em trilhões. Ele expandiu o controle do governo federal sobre os financiamentos da casa própria, os bancos de investimentos, serviços de saúde, setor automobilístico e energia. O Weekly Standard (Nota do Viomundo: Bíblia dos neocons estadunidenses) resume o estilo Obama como onipotência em casa, impotência fora.

As ações do presidente são tão bizarras que elas confundem tantos os críticos quanto os apoiadores. Considerem esta manchete na edição de 18 de agosto de 2009 do Wall Street Journal:”"Obama apoia a exploração de petróleo no mar”. Você leu corretamente? Sim. O governo apoia a exploração no mar — mas no mar da costa do Brasil. Com o apoio de Obama, o Banco de Importações-Exportações dos Estados Unidos ofereceu empréstimos e garantias de 2 bilhões de dólares para a empresa estatal brasileira Petrobras financiar a exploração na bacia de Santos, perto do Rio de Janeiro — assim o petróleo não virá para os Estados Unidos. Ele está financiando a exploração brasileira para que o petróleo continue no Brasil.

Mais comportamento estranho: o discurso de Obama no dia 15 de junho de 2010 em resposta ao vazamento de petróleo no Golfo não focou as estratégias de limpeza mas o fato de que os estadunidenses “consomem mais de 20% do petróleo do mundo mas tem menos de 2% das reservas”. Obama continuou falando sobre “o vício de um século dos Estados Unidos em combustíveis fósseis”. Mas o que tem isso a ver com o vazamento de petróleo? Teria sido a calamidade um problema menor se os americanos consumissem meros 10% dos recursos do mundo?

As estranhezas vão em frente. O governo Obama declarou que mesmo os bancos que quiserem pagar tudo o que emprestaram do governo [durante a crise financeira] precisam pedir permissão para fazê-lo. Apenas depois que a equipe de Obama no Tesouro submeter o banco a um “teste de stress” ele pode devolver o dinheiro emprestado dos contribuintes. Mesmo assim, declarou o secretário do Tesouro Tim Geithner, o governo pode forçar os bancos a ficar [mais tempo] com o dinheiro.

O presidente continua a defender um pacote de estímulo ainda que centenas de bilhões de dólares em fundos utilizados tenham tido pouco efeito. A taxa de desemprego quando Obama assumiu o poder em janeiro de 2009 estava em 7,7%; agora, está em 9,5%. Ainda assim ele quer gastar mais e quer colocar a conta nas costas dos americanos que ganham mais de 250 mil dólares por ano. Os ricos, Obama insiste, não estão pagando a “fatia justa”. Isso parece estranho já que 1% dos americanos mais ricos pagam 40% de todos os impostos de renda federais; os próximos 9% pagam outros 30%. Os 10% de cima pagam 70% dos impostos; os 40% de baixo não pagam quase nada. Isso de fato nos parece injusto — para os ricos.

A política externa de Obama não é menos estranha. Ele apoia a construção de uma mesquita de 100 milhões de dólares que deve ser construída perto do lugar no qual terroristas derrubaram o World Trade Center em nome do islã. A razão de Obama, de que “nosso compromisso com a liberdade religiosa é inquebrantável” parece irrelevante para a proposta de construir a Cordoba House perto do Marco Zero.

Recentemente o Times de Londres informou que o governo Obama apoiou a liberdade condicional de Abdel Baset al-Megrahi, o terrorista de Lockerbie condenado pela morte de 270 pessoas, a maioria de americanos. Isso chamou a atenção porque quando a Escócia soltou Megrahi da prisão e o mandou de volta para a Líbia em agosto de 2009 o governo de Obama protestou pública e apropriadamente. O Times, no entanto, obteve um documento que o governo Obama mandou para a Escócia uma semana antes do evento, no qual disse que soltar Megrahi “por motivos de compaixão” era aceitável desde que ele fosse mantido na Escócia e que isso era “preferível” a mandá-lo de volta para a Líbia. As autoridades escocesas interpretaram como se as objeções dos Estados Unidos à soltura de Megrahi não fossem para valer. Elas soltaram Megrahi para seu país de origem, onde ele vive hoje como um homem livre.

Mais uma anomalia: alguns meses atrás o chefe da NASA Charles Bolden anunciou que de agora em diante a missão primária da agência espacial americana seria melhorar as relações com o mundo muçulmano. Como é que é? Bolden disse que recebeu ordem direta do presidente. “Ele queria que eu encontrasse uma forma de aproximação com o mundo muçulmano, para que nos engajássemos com as nações majoritariamente islâmicas e eles se sentissem bem quanto às contribuições históricas do islã à Ciência, à matemática e à engenharia”. Bolden acrescentou que a Estação Espacial Internacional era o modelo para o futuro da NASA, já que não era apenas uma operação dos Estados Unidos mas inclui russos e chineses. A nova direção dada por Obama causou consternação na agencia, de ex-astronautas como Neil Armstrong e John Glenn e mesmo entre apoiadores do presidente. A maioria das pessoas pensa que o papel da NASA é fazer pousos na lua e em Marte e explorar outros destinos longínquos. Com certeza todos nós somos pela autoestima dos muçulmanos, mas o que o Obama quer nesse caso?

Há muitas teorias para explicar as ações e os objetivos do presidente. Os críticos na comunidade de negócios — inclusive alguns eleitores de Obama que agora se arrependem de seus votos — tendem a focar em dois temas principais. O primeiro é que Obama nada sabe sobre o mundo dos negócios. O segundo é que Obama é socialista — não um marxista, mas um socialista do estilo europeu, com uma queda por redistribuição de renda governamental.

Essas teorias não estão erradas, mas inadequadas. Mesmo que pudessem dar conta da política doméstica de Obama, não explicam sua política externa. O problema real com Obama é pior — muito pior. Mas ficamos cegos sobre sobre sua agenda real porque, em todo o espectro político, procuramos enquadrá-lo em alguma versão da história dos Estados Unidos. No processo, ignoramos a própria história de Obama. Aqui está um homem que passou seus anos formativos — os primeiros 17 anos de vida — fora do território continental dos Estados Unidos, no Havaí, na Indonésia e Paquistão, como jornadas múltiplas subsequentes à África.

Uma forma simples de discernir o que motiva Obama é fazer uma pergunta simples: Qual é o sonho dele? É o sonho americano? É o sonho de Martin Luther King? Ou é outra coisa?

Não é certamente o sonho americano como concebido pelos fundadores [dos Estados Unidos]. Eles acreditavam em uma nação como “uma nova ordem para séculos”. Meio século depois Alexis de Tocqueville escreveu que os Estados Unidos criavam “uma espécie distinta da Humanidade”. Isso é conhecido como o excepcionalismo dos Estados Unidos. Mas quando perguntado sobre isso em uma entrevista coletiva em 2009, se ele acreditava neste ideal, Obama disse não. Os Estados Unidos, ele sugeriu, não são mais únicos ou excepcionais que o Reino Unido, a Grécia ou qualquer outro país.

Talvez, então, Obama tenha o mesmo sonho de Martin Luther King, de uma sociedade cega para a cor da pele. O presidente tirou proveito deste sonho; ele fez campanha como um candidato não-racial e muitos americanos votaram nele porque ele representa esse ideal. Mesmo assim, o sonho de King não é o de Obama: o presidente nunca defende a ideia de neutralidade racial. Essa falta de ação não é meramente tática; a questão racial simplesmente não é o que impulsiona Obama.

Qual é, então, o sonho de Obama? Não precisamos especular porque o presidente nos diz em sua autobiografia, Dreams From my Father. De acordo com Obama, o sonho dele é o sonho do pai dele. Notem que o título não diz “Sonhos de meu pai”, mas sonhos “Sonhos vindos de meu pai”. Obama não escreve sobre os sonhos do pais dele; ele escreve sobre os sonhos que recebeu do pai.

Então, quem era Barack Obama Sr.? Era um homem da tribo Luo que cresceu no Quênia e estudou em Harvard. Era um polígamo que, no curso de sua vida, teve quatro mulheres e oito filhos. Um de seus filhos, Mark Obama, acusou o pai de bater na mulher. Ele também era um alcoólatra que se envolveu em vários acidentes, matando um homem e fazendo com que suas próprias pernas fossem amputadas devido a ferimentos em outro acidente. Em 1982 ele se embebedou em um bar de Nairobi, bateu numa árvore e se matou.

Uma escolha estranha, certamente, para um herói. Mas para o filho, o velho Obama representava uma causa grande e nobre, a causa do anticolonialismo. Obama pai cresceu durante a luta da África para se tornar livre da colonização europeia e ele foi um dos integrantes da primeira geração de africanos escolhidos para estudar nos Estados Unidos e depois dar direção ao futuro do país [Quênia].

Sei muito sobre o anticolonialismo porque nasci em Mumbai, na Índia. Sou parte da primeira geração nascida depois da independência de meu país do Reino Unido. O anticolonialismo era a palavra de ordem da política no Terceiro Mundo pela maior parte da segunda metade do século 20. Para a maioria dos norte-americanos, no entanto, o anticolonialismo é uma ideia pouco familiar, assim deixem-me explicar.

Anticolonialismo é a doutrina pela qual os países ricos do Ocidente enriqueceram ao invadir, ocupar e pilhar os países pobres da Ásia, África e América do Sul. Como um dos que influenciaram intelectualmente Obama, Frantz Fanon, escreveu em The Wretched of the Earth, “o bem estar e o progresso da Europa foram construídos com o suor e os corpos de negros, árabes, hindus e gente das raças amarelas”.

Os anticolonialistas dizem que mesmo os países que garantem independência política podem se tornar economicamente dependentes de seus exploradores. Essa dependência é chamada neocolonialismo, um termo definido pelo estadista africano Kame Nkrumah (1909-72) em seu livro Neocolonialismo: O último estágio do imperialismo. Nkrumah, o primeiro presidente de Gana, escreveu que os países pobres são nominalmente livres, mas que continuam a ser manipulados de longe por poderes corporativos e elites plutocráticas. Essas forças do neocolonialismo oprimem não apenas o povo do Terceiro Mundo mas também cidadãos em seus próprios países. Obviamente a solução é resistir e derrubar os opresssores. Esta era a ideologia anticolonial de Barack Obama Sr. e de muitos de sua geração, incluindo muitos de meus parentes na Índia.

Obama pai era um economista e, em 1965, publicou um artigo importante no East Africa Journal chamado “Problemas diante de nosso socialismo”. Obama pai não era um socialista doutrinário; em vez disso, ele via a apropriação dos meios de produção pelo estado como uma forma necessária para atingir o objetivo anticolonial — tirar recursos dos estrangeiros e restaurá-los para o povo da África. Para Obama pai era uma questão de aut0nomia nacional. “É o africano que tem posse do país? Se sim, por que ele não deveria controlar os meios econômicos de crescimento deste país?”.

Como ele escreveu, “precisamos eliminar as estruturas de poder que foram construídas através da excessiva acumulação de riqueza, de forma que poucos indivíduos controlem a grande magnitude de recursos, como é o caso agora”. Obama pai propôs que o estado confiscasse terras privadas e aumentasse impostos para os mais ricos. Na verdade, ele insistiu que “teoricamente não há nada que possa evitar que o governo cobre 100% de impostos, desde que as pessoas recebam benefícios do governo equivalentes à renda taxada”.

Surpreendentemente, o presidente Obama, que conhece a história do país muito bem, nunca mencionou esse artigo dele. Ainda mais surpreendente é que não há virtualmente notícia de um documento que parece diretamente relevante ao que Obama junior está fazendo na Casa Branca.

Enquanto Obama pai pedia que a África se tornasse livre da influência neocolonial da Europa e especificamente do Reino Unido, ele sabia quando veio para os Estados Unidos em 1959 que o equilíbrio de poder estava mudando. Mesmo então, ele reconheceu o que se tornou um novo parâmetro da ideologia anticolonial: o líder neocolonial de hoje não é a Europa, mas os Estados Unidos. Como o teórico palestino Edward Said — ele foi um dos professores de Obama na Universidade de Columbia — escreveu sobre cultura e imperialismo, “os Estados Unidos substituiram os grandes impérios e são a força dominante”.

Da perspectiva anticolonial, o imperialismo americano está no ataque. Por um tempo, o poder dos Estados Unidos estava em cheque diante da União Soviética, mas desde o fim da guerra fria os Estados Unidos são o único superpoder. Além disso, o 11 de setembro forneceu a ocasião para que os Estados Unidos invadissem e ocupassem dois países, o Irã e o Afeganistão, além de buscar o mesmo domínio político que os impérios francês e britânico tiveram um dia. Na visão anticolonial, os Estados Unidos são o elefante que subjuga e pisa sobre os povos do mundo.

Pode parecer incrível sugerir que a ideologia anticolonial de Barack Obama pai é a mesma do filho, o presidente dos Estados Unidos. É o que estou dizendo. Desde os primeiros anos de vida e nos anos formativos, Obama aprendeu a ver os Estados Unidos como uma força da dominação e destruição global. Ele passou a ver os militares americanos como instrumento de ocupação neocolonial. Ele adotou as posições do pai de que o capitalismo e os mercados livres são palavras-código para a pilhagem econômica. Obama cresceu para entender os ricos como uma classe opressiva, uma espécie de poder neocolonial dentro dos Estados Unidos. Em sua visão de mundo, o lucro é uma medida de quanto eficaz você foi furtando o resto da sociedade e o poder dos Estados Unidos no mundo é a medida de quanto o país consome dos recursos do globo e como ameaça domina o resto do planeta.

Para Obama, as soluções são simples. Ele precisa trabalhar para acabar com o neocolonialismo nos Estados Unidos e no Ocidente. E aqui é onde nosso entendimento do anticolonialismo de Obama realmente decola, porque fornece uma chave vital para explicar não só suas principais ações políticas mas também os pequenos detalhes, de forma que nenhuma outra teoria consegue.

Por que apoiar a exploração de petróleo na costa do Brasil e não nos Estados Unidos? Obama acredita que o Ocidente usa uma fatia desproporcional dos recursos de energia do mundo, então ele quer que os Estados Unidos neocoloniais tenham menos e os países que foram colonizados tenham mais. Mais amplamente, sua proposta de impostos sobre o carbono tem pouco a ver com o fato do planeta se tornar mais frio ou quente; é mais uma forma de penalizar e, assim reduzir, o consumo de carbono dos Estados Unidos. Tanto quando era senador como agora, em seu discurso como presidente nas Nações Unidas, Obama propôs que o Ocidente subsidie maciçamente a produção de energia em países em desenvolvimento.

Rejeitando a fórmula socialista, Obama não demonstrou a intenção de nacionalizar os bancos de investimento ou o setor de saúde. Em vez disso, ele procura descolonizar essas instituições e isso significa colocá-las sob coleira governamental. É por isso que Obama retém o direito de se negar a receber os pagamentos dos bancos — para manter controle sobre eles. Para Obama, as companhias de seguro de saúde são golpistas opressivas, mas assim que elas se submeteram ao controle federal ele ficou feliz em fazer negócios com elas. Ele até prometeu expandir os negócios como resultado de uma lei que força todo americano a comprar apólices de seguro.

Se Obama é parte da mesma cruzada anticolonial de seu pai, isso explicaria porque ele quer que pessoas que já pagam perto de 50% de sua renda em impostos paguem ainda mais. O anticolonialista acredita que desde que os ricos prosperaram às custas dos outros, a riqueza deles na verdade não pertence a eles; desta forma o que quer que for extraído deles é automaticamente justo. Relembrem o que Obama pai disse em seu artigo de 1965: não há impostos muito altos, e mesmo uma taxa de 100% é justificada sob certas circunstâncias.

Obama apoia a mesquita no Marco Zero porque para ele o 11 de Setembro é um evento que libertou o monstro americano e nos levou ao Iraque e ao Afeganistão. Ele vê alguns dos muçulmanos que estão lutando contra os Estados Unidos como resistentes ao imperialismo americano. Certamente foi assim que o terrorista de Lockerbie Abel Baset al-Megrahi se via em seu julgamento. A percepção de Obama de Megrahi como um integrante da resistência anticolonial explicaria porque ele deu apoio tácito para que o assassino de centenas de americanos fosse libertado da prisão.

Finalmente, a NASA. Nenhuma explicação que não o anticolonialismo faz sentido para o curioso “mandato” que Obama deu para converter a agência espacial numa agência para relacionamento com os muçulmanos e o mundo. Podemos ver como nossa teoria está certa relembrando o pouso da Apollo 11 em 1969. “Um pequeno passo para o homem”, Neil Armstrong disse. “Um salto gigantesco para a Humanidade”.

Mas não foi o que o resto do mundo viu. Eu tinha 8 anos de idade então e vivia em minha Índia nativa. Eu relembro meu avô dizendo sobre a grande disputa entre os Estados Unidos e a Russia para colocar um homem na lua. Claramente, os Estados Unidos tinham vencido, e se tratou de um salto gigantesco não para a Humanidade, mas para os Estados Unidos. Se Obama tem essa mesma visão, não é de estranhar que ele queira detonar o programa espacial, tirando dele o papel de símbolo da grandeza dos Estados Unidos para transformá-lo em programa mais modesto de relações públicas.

Claramente a ideologia anticolonial de Barack Obama pai ajuda a explicar as ações e as políticas de seu filho no salão oval. E podemos ter dupla certeza da influência de seu pai porque aqueles que conhecem Obama bem testemunham sobre isso. Sua avó Sarah Obama (não é avó real mas uma das outras esposas do pai) disse à Nesweek, “eu olho para ele e vejo as mesmas coisas — ele tem tudo do pai. O filho está fazendo tudo o que o pai queria. Os sonhos do pais ainda estão vivos no filho”.

Em seus próprios escritos Obama enfatiza a centralidade de seu pai não apenas em suas crenças e valores mas em sua própria identidade. Ele chama o seu livro “o registro de uma jornada pessoal, interior — a busca de um filho pelo pai e através daquela busca um sentido para sua vida como um negro americano”. E, de novo, “foi na imagem do meu pai, um homem negro, filho da África, que eu carreguei todos os atributos que buscava para mim”. Embora o pai tenha ficado ausente virtualmente por toda a sua vida, Obama escreve, “a voz de meu pai ainda assim permaneceu límpida, inspiradora, dando ou segurando a aprovação. Você não trabalha suficientemente duro, Barry. Você precisa ajudar na luta de seu povo. Acorde, homem negro!”.

O climax da narrativa de Obama é quando ele vai para o Quênia e chora no túmulo do pai. É arrebatador: “Quando minhas lágrimas finalmente estavam gastas”, ele escreveu, “eu senti a calma sobre mim. Senti que o círculo tinha se fechado. Eu me dei conta que, quem eu era, as coisas que me preocupavam não eram mais uma questão de intelecto ou de obrigação, não mais uma construção de palavras. Vi minha vida nos Estados Unidos — a vida negra, a vida branca, o sentimento de abandono que senti quando criança, a frustração e a esperança que eu tinha testemunhado em Chicago — tudo isso estava conectado a este pequeno pedaço de terra, a um oceano de distância, conectado por mais que acidente de um nome ou cor de minha pele. A dor que senti era a dor de meu pai”.

Numa conclusão arrepiante, Obama escreve que “eu sentei no túmulo de meu pai e falei com ele através do solo vermelho africano”. Em certo sentido, através da terra em si, ele faz comunhão com o pai e recebe o espírito do pai. Obama adota a luta do pai, não pela recuperação do corpo, mas abraçando sua causa. Ele decide que, onde Obama pai fracassou, será bem sucedido. O ódio de Obama pai pelo sistema colonial se torna o ódio de Obama Jr.; as tentativas fracassadas do pai de endireitar o mundo definem o objetivo do filho. Através de um rito sacramental na tumba da família, a luta do pai se torna a marca de nascença do filho.

O colonialismo hoje é uma questão morta. Ninguém se preocupa com ele a não ser o homem na Casa Branca. Ele é o último anticolonialista. Economias de mercados emergentes como a China, Índia, Chile e Indonésia resolveram o problema do atraso; eles estão explorando a vantagem competitiva no trabalho e crescem muito mais rapidamente que os Estados Unidos. Se os Estados Unidos pretendem ficar no topo, precisamos competir num ambiente cada vez mais duro.

Mas em vez de nos preparar para o desafio, nosso presidente está preso na máquina de tempo do pai. Incrivelmente, os Estados Unidos estão sendo governados de acordo com os sonhos de um homem da tribo Luo dos anos 50. Este socialista africano, bêbado e promíscuo, que odiava o mundo por negar a realização de seus sonhos anticoloniais, agora define a agenda da Nação através da reencarnação de seus sonhos em seu filho. O filho faz acontecer, mas ele admite que está apenas vivendo os sonhos do pais. O pai invisível fornece inspiração e o filho diligentemente faz o trbalho. Os Estados Unidos hoje são governados por um fantasma.
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FONTE:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/obama-inimigo-dos-estados-unidos-governa-tomado-por-espirito-de-bebado-e-poligamo.html