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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

LULA e o preconceito dos poderosos

Contra golpismo, coração quente e cabeça fria

O Serra mete medo em quem?

publicada quinta-feira, 02/09/2010 às 18:39

Serra em desespero

Desde o ano passado, tenho dito aqui que a campanha de 2010 seria a mais suja da história. Uma campanha pra quem tem estômago forte. Alguém achou que Serra ia despencar feito maçã podre, sem apelar? Se acreditou, não conhece Serra. E não sabe o que é a disputa pelo poder num país que pode se transformar na quinta economia do Mundo em poucos anos.

Os ataques de Serra, o apelo ao golpismo, e a campanha midiática orquestrada deixaram alguns leitores desse blog (e de muitos outros, pelo que vejo nos comentários por aí) um pouco tensos. Sei que mais gente por esse Brasil – gente séria, bem intencionada e que luta por um país mais justo – teme pelo pior. É bom mesmo ficar atento, afinal a história no nosso país e da América Latina mostra de que são capazes a direita e seus aliados midiáticos. Foram eles que clamaram pelo golpe em 64. Hoje, dariam tudo por um golpe em estilo hondurenho.

Mas será que têm forças pra isso?

Antes de sair atirando pra todo lado, é preciso fazer algo que era muito comum nos tempos pré-internet – quando a vida e a política seguiam um ritmo menos instantâneo: análise de conjuntura.

Modestamente, faço aqui a minha.

A eleição desenvolve-se com duas agendas opostas:

1) Agenda deLula/Dilma – o Brasil cresce, gera empregos, reduz desigualdades; não há porque mudar as coisas agora, é preciso fortalecer o bloco que está no governo, votando em Dilma e nos aliados nos Estado, para continuar o que Lula começou;

2) Agenda inicial de Serra/PSDB – o Brasil cresce graças ao FHC, que deixou tudo arrumado; mas como não é possível botar FHC em cena, é preciso mostrar que Serra (e não Dilma) é o mais preparado para continuar a obra de Lula (e que na verdade não é de Lula, mas de FHC).

A agenda de Serra (um pouco confusa, não acham?) naufragou, foi atropelada por Lula e Dilma. A estratégia serrista de se mostrar “confiável” para continuar a obra de Lula (que na verdade não é de Lula, segundo a turma que chama Lula de “Apedeuta”) era uma quimera – além de tudo, vendida de forma incompetente, com favela “fake” e uma militância tucana confusa (afinal, somos a favor ou contra o “Apedeuta” e o “Bolsa-Esmola”?).

O naufrágio levou Serra a menos da metade das intenções de voto de Dilma. Diante do desastre, Serra saiu atirando, agarrou-se a um escândalo mal-contado e tem o apoio midiático em sua nova estratégia de pancadaria e de flerte com o golpe. Não achei que ia ser diferente. Escrevi várias vezes aqui que a turma de Ratzinger/Frias/Civita estaria aí pra ajudar Serra a produzir confusão na reta final.

Acontece que o povão parece ignorar o bombardeio. A pesquisa diária do Vox/IG/Band mostra isso pelo segundo dia seguido: Dilma tem 51%, Serra 25% e Marina 9%. A Globo vai testar durante alguns dias os limites desse bombardeio. Se fizer algum efeito, os ataques serão intensificados. Do contrário, tudo será esquecido – menos nos editoriais da “Folha” e do “Estadão”.

O TSE acaba de negar pedido tucano de casar candidatura de Dilma. O golpismo não vai prosperar, vai só levar Serra para mais fundo, na lama.

Diante desse quadro, a pergunta é: será que vale a pena bater boca com os serristas desesperados? Ou o melhor é manter a cabeça fria e seguir em frente?

Inclino-me mais pela segunda hipótese. Sabendo, claro, que é preciso ter o coração quente e a firmeza necessária para resistir ao golpismo inato dessa gente. Se, na semana que vem, depois do feriado, eles aprofundarem as manobras golpistas, aí acho que vale a pena se preocupar.

Não podemos entrar no jogo deles, agora. Essa turma quer bate-boca. O brasileiro comum quer olhar para frente e seguir crescendo.

"Os escândalos dos dossiês": As impressões digitais de José Serra

Do Sanzio, comentarista no blog do Luís Nassif
2 de setembro de 2010 às 16:24

As impressões digitais de José Serra estão claramente estampadas em três dos quatro mais famosos “escândalos do dossiê”, desde que a imprensa passou a rotular assim ações e armações do grupo político ao qual o ex-governador pertence.

Pela ordem: Caso Lunus (março de 2002), Aloprados (setembro de 2006) e este agora envolvendo sua filha. O único no qual a digital de Serra não aparece de forma clara é o tal dossiê contra FHC e D. Ruth, vazado para a imprensa pelo senador Álvaro Dias e que, posteriormente, descobriu-se ter sido fabricado com por um assessor do senador, André Eduardo Fernandes.

Não é uma casualidade a recorrência deste tipo de “escândalo” às vésperas de eleições presidenciais. Conforme disse José Sarney, em seu famoso discurso de 20 de março de 2002, Serra havia criado dentro do Ministério da Saúde um verdadeiro aparato de espionagem e fabricação de dossiês contra potenciais adversários políticos. Sob o comando de seu assessor especial, delegado da PF Marcelo Itagiba, foram produzidos dossiês contra Paulo Renato, Tasso Jereissati e Pedro Malan.

O delegado Itagiba, o delegado Paulo de Tarso Gomes, ambos subordinados ao Superintendente da PF Agílio Monteiro Filho, este filiado ao PSDB, mais o Sub-Procurador da República Roberto Santoro, foram os principais agentes da operação que implodiu a candidatura de Roseana Sarney, no conhecido episódio da Lunus.

Em seu discurso, Sarney fez pesadas acusações a respeito da truculência do então Ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, o qual ameaçou o jornalista Paulo Francis de espancamento e o então governador do Ceará, Tasso Jereissati, de espancamento e morte, cena esta presenciada por Sarney e protagonizada em frente de FHC.

Se o episódio Lunus e os dossiês contra correligionários visavam apenas demolir a candidatura ou as pretensões de potenciais adversários, os dois episódios seguintes têm, claramente, outro componente, talvez mais importante que o eleitoral. Em comum, ambos estão associados ao envolvimento de Serra em graves atos de corrupção.

Não que isso seja novidade. Tanto no episódio dos aloprados quanto no atual, as denúncias já eram de conhecimento público, tendo sido até matérias de jornais e revistas. A novidade era, e é, a ameaça de tornar públicas as provas dessas denúncias.

No caso dos aloprados, o tal dossiê era um conjunto de documentos amealhados por um dos lados envolvidos no “Escândalo dos Sanguessugas”, os Vedoin, pai e filho, que atuavam como intermediários junto ao Ministério da Saúde para a liberação de verbas para a aquisição de ambulâncias superfaturadas ou mesmo fantasmas. No caso atual é o ataque preventivo ao livro do Amauri Ribeiro sobre a corrupção na época das privatizações.

Em ambos os casos, o objetivo é tirar o foco do essencial, transformando o conteúdo das acusações em “falsos dossiês” com objetivos eleitorais. Se, no caso dos Sanguessugas, a operação foi bem sucedida, por causa da atuação desastrada de petistas que caíram feito patos, no caso presente não há nada que justifique as acusações de Serra à Dilma ou ao PT.

Não sei se todos notaram, mas Serra cometeu um lapso quando afirmou ao JN que sua filha teria lhe dito: “olha, eu acho que devem ter andado espionando os meus dados, porque aí são só coisas que estão no Imposto de Renda”. A pergunta que não lhe foi feita é: onde ela viu esses dados? Foi a Folha, que diz ter recebido cópias das declarações, quem as repassou à Verônica? Por que ela não tomou providências legais?

A Folha é cúmplice dessa armação, já que afirma ter recebido as cópias do suposto dossiê e tampouco tomou a providência de encaminhar esses documentos para as autoridades policiais. Usou-os apenas para criar o escândalo, o factóide eleitoral. Cabe ao PT e à campanha da ministra Dilma partir para cima desse grupo de criminosos que, há anos, trabalha para desestabilizar o país.

O ovo da serpente está chocando, não me surpreenderei se houver uma tentativa de golpe à lá Honduras. A resistência se dará pela ação da mídia independente, como este blog, de sindicatos e de movimentos sociais organizados. Por isso, sugiro aos blogueiros independentes que mantenham diariamente um post fixo no topo do blog para alertar sobre o golpismo em andamento.

Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/sanzio-as-impressoes-digitais-de-jose-serra.html