terça-feira, 8 de setembro de 2009

EXTINGUIR O SENADO É A SOLUÇÃO?

Os escândalos que abalou a credibilidade do Senado Federal, fez com quem várias bradassem pela extinção da Câmara Alta. Sou contrário a esta tese oportunista e que demonstra desconhecimento do papel de Senado.

A Câmara Federal, com 513 deputados, representa o povo. o Senador representa cada Estado da Federação, garantindo assim um equilíbrio político. O estado de São Paulo, apesar de seus 23 milhões de habitantes tem a mesma quantidade de senadores que o estado de Pernambuco,com 7,5 milhões de habitantes. Ou seja, cada Estado, tem 03 senadores.

O ´Senado ´é composto de 81 senadores, sendo 03 por cada estado e 03 do Distrito Federal( 27x3 =81)

E neste momento de descoberta da camada do pré-sal, é extremamente necessário este equilíbrio político para que o debate da redistribuição dessa novel riqueza seja garantida para todos os estados brasileiros, e não apenas para São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, produtores de petróleo.

Portanto, defender a extinção do senado é desconhecer seu papel, que está claramente discriminado na Constituição brasileira. Devemos sim lutar para que o senado cumpra com suas prerrogativas constitucionais,entre as quais a de defender os interesses dos estados, e claro de todo povo brasileiro.

Ano que vem, 2010, acontecerão as eleições. Nelas os brasileiros e brasileiras, terão a oportunidade de renovar 2/3 dos senadores. Será a hora de fazermos uma grande limpeza moral no senado.

Aqui no meu estado, estarei atento e lutarei para não ver renovados os mandatos de Sergio Guerra e Marco Maciel. Tomara possa votar em Mauricio Rands ou Humberto Costa,ambos do PT, para uma das vagas e para a outra, quem sabe, Armando Monteiro(PTB) ou Fernando Bezerra Coelho(PSB). Estes nomes com certeza representarão bem melhor Pernambuco, no Senado Federal.

Infelizmente teremos que aturar o "pequeno senador", Jarbas Vasconcelos, por mais quatro anos. Ao invés de representar bem Pernambuco no Senado, ele também se fantasia de "paladino da moralidade".

PSDB e DEM: FALSOS "PALADINOS DA MORALIDADE"

Nos últimos meses, o Brasil todo assistiu a mídia deflagrar uma verdadeira campanha contra a corrupção e por uma nova moralidade no Senado Federal. O que me admirou muito foi o cinismo e a tentativa de fazer a nós todos de idiotas, escolhendo para protagonistas personalidades políticas igualmente envolvidas também nos escândalos do Senado Federal.

Claro que todos condenamos toda e qualquer atitude imoral no manejo da coisa pública. Mas para não se mostrar tendenciosa e parcial, a mídia deveria ser dura e implacável com todos os envolvidos e não apenas com alguns. Acusar apenas alguns e “defender” outros igualmente culpados, é também prestar um deserviço à ética e à moralidade. Acusar apenas alguns e se abster de ser contundente com todos os praticam atos de corrupção,é querer está do lado daqueles que defendem seus principios ideológicos de direita. E foi exatamente o que a mídia fez ao ser “boazinha” com os senadores do PSDB e do DEM, muitos deles, falsos ”paladinos da moralidade”.

O Senador Artur Vígilio, por exemplo, ele mesmo confessou que pagou com dinheiro do Senado, curso no exterior para um seu afilhado. Além de não explicar os 780 mil reais em despesas médicas para a senhora sua mãe. O limite de despesas médicas para cada senador é de 30 mil reais. A atitude do "paladino da moralidade, Artur Vigílio é tão reprovavel quanto ás ações do Senador Sarney. Há ainda a história do emprestimo que ele pediu a Agaciel Maia a quem tanto espinafrou nos seus discursos.

Contudo a grande imprensa deu pouca amplitude ao este caso de Artur Virgilio. Essas práticas reprováveis de Artur Virgilio só passou a ter destaque( não dava mais para abafar), quando o também senador Renan Calheiros - quase cassado por problemas semelhantes- resolveu denunciá-lo no Conselho de Ética. Antes ,porém, o Líder Virgiilio, todos os dias, aparecia na mídia, brandindo sua espada contra Sarney e companhia, mas esquecia de brandir contra si mesmo.

A grande mídia portanto, so comentava rapidamente a situação igualmente escandalosa de Virgílio, que foi forçado depois, de denunciado, a pagar o dinheiro que seu gabinete pagou para que seu afilhado, estudasse no exterior. Mas ainda teve o tal empréstimo que o senador pediu ao Agaciel Maia, quando estava de férias no exterior.

Além dele, tem também Sergio Guerra, que segundo a própria imprensa pagou com dinheiro do do senado, passagens para uma de suas filhas fazer turismo nos EUA. Tem ainda o Tasso Jereissati(PSDB/CE), que transformava suas cotas passagens em combustivel para vir com seu jatinho partIcular para Brasilia.

No DEM, do senador Marco Maciel, cujo partido mudou de nomes várias vezes( ex-Arena, ex-PDS, ex-PFL e agora DEM) para tentar ocultar seu passado de apoio á ditadura militar. Pois bem, os partidarios do DEM usou e abusou do aparelhamento da maquina publica, durante anos, beneficiando seus afilhados politicos, amigos e família, tal qual Sarney.
Os senadores do DEM, ocuparam durante 15 anos, a Primeira Secretária do Senado, se revezando com o PSDB. Os famosos atos secretos vinha sendo editados desde a época em que ACM foi presidente do senado. Ou seja, todos do DEM, PSBD e PMDB, sabiam da existência de tais atos. Porque criminalizar apenas o Sarney, se todos estãvam ,em maior ou menor escala, envolvidos na edição dos atos secretos ? Porque a imprensa não fez um grande alarde da posição do Senador Heráclito Forte,(DEM/PI), que se recusou ficar contra Sarney? Só lembrando, Heráclito Forte é o atual Primeiro Secretário do Senador, o segundo em poder , depois de Sarney.
Por tudo isso, concluimos uma coisa: nem a imprensa, muitos menos, o PSDB e o DEM estavam preocupados em moralizar o Senado, pois os integrantes destes partidos sabiam dos tais atos secretos há muito tempo! Não só dos atos secretos mas também de outros vícios que atingem o senado.

Na verdade o que estava – e ainda está - por trás disso tudo, era a tentativa do PSDB e DEM tomarem de assalto a presidência do senado, pois se o Sarney fosse cassado, Marcondes Perillo, senador pelo PSBD de Goiás,.como vice-presidente assumiria. Este era o verdadeiro pano de fundo da “ falsa cruzada pela moralidade” no senado!

De fato, o Senado Federal, precisa sanar seus próprios vícios que tanto nos envergonham. Mas não queremos apenas que se condene os vícios e erros de Sarney, mas de todo e qualquer senador que use mal os recursos públicos, seja ele de qualquer partido: DEM, PSBD, PT.

sábado, 5 de setembro de 2009

UNIÃO EM DEFESA DAS PRAIAS DO PAULISTA

No dia 04 de julho de 2009, na Paróquia Nossa Senhora do Ó,em Pau Amarelo, houve uma plenária de moradores da orla de Paulista. A plenária foi também promovida pelo Jornal À Beira Mar. O evento que contou com a participação de dois secretários municipais, os quais, infelizmente, nenhuma solução apresentaram sobre o problema que assola todos que moram na orla de Paulista, particularmente, aqueles que mora à beira da orla, atingidos pelo avanço do mar.

Na Plenária do dia 04.07.09, compareci, por ter tomado conhecimento pela imprensa.
Os moradores presentes demonstraram indignação pela falta de ações mais efetivas por parte da Prefeitura. O prefeito Ives, que de início participaria, mandou dizer que não iria por estar doente. Ninguém acreditou.

Durante o debate, bastante concorrido, fiz uma proposta de criação de um Fórum Municipal em Defesa da Orla do Paulista. Este fórum deveria contar com a participação de toda sociedade civil organizada. Minha proposta se justifica pelo fato de que a orla de Paulista, tem um potencial turítisco muito grande, se revitalizado, trará grande investimentos para Paulista. Ademais, toda política de desenvolvimento,hoje implementada nas cidades brasileiras, leva em consideração o potencial turístico como ferramenta alavancadora do desenvolvimento local e regional.

Um Fórum desta dimensão teria que contar com o apoio, claro, da própria Prefeitura, Câmara Municipal, Poder Judiciário, Ministério Público e a câmara de dirigentes lojistas. Todos estes atores sociais mais as associações de moradores, cooperariam num projeto conjunto com ações interligadas e articuladas,para dinamizar, proteger e desenvolver um dos maiores atrativos para o desenvolvimento econômico e social de nossa cidade, nossa orla.

No dia 15 de agosto de 2009, houve uma outra plenária ( a qual não fui, por não ter tomando ciência de sua realização), em que foi finalmente constituída a "União em Defesa das Praias" que teve como base a proposta por mim,apresentada.É verdade que, minha proposta original era a criação de um Fórum Municipal.Contudo, é louvável a criação da União, visto que algo mais organizado tinha quer ser criado.

Parabéns, para os responsáveis pelo Jornal À Beira Mar, e ao padre Domingos, da Paróquia Nossa Senhora do Ò, por sediar e promoverem eventos tão importantes para os moradores da orla, mas sobretudo para toda nossa cidade.

Registro também a participação e cooperação do Professor Cristiano, esposo de uma colega nossa de trabalho, um dos principais responsáveis em desenvolver um projeto de turismo sustentável e promovedor de desenvolvimento de nossa orla, apresentado no dia 04.07.09.

Estarei apoiando todas as iniciativas da "União em Defesa das Praias", por entender que só a força do povo é capaz de pressionar o poder públicos a desenvolver e implementar políticas públicas que atendam as necessidades da sociedade. Contem comigo.

IRINEU MESSIAS

Em tempo: Viva Paulista, pelos seus 74 anos de história. Salve 04 de setembro de 2009!

domingo, 30 de agosto de 2009

UMA QUESTÃO DE ATITUDE

A diferença entre os países pobres e os ricos não é a idade do país.
Isto pode ser demonstrado por países como Índia e Egito, que tem mais
de 2000 anos e são pobres.

Por outro lado, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, que há 150 anos
eram inexpressivos, hoje são países desenvolvidos e ricos.

A diferença entre países pobres e ricos também não reside nos recursos
naturais disponíveis.

O Japão possui um território limitado, 80% montanhoso, inadequado para
a agricultura e a criação de gado. Mas é a segunda economia mundial.

O país é como uma imensa fábrica flutuante, importando matéria–prima
do mundo todo e exportando produtos manufaturados.

Outro exemplo é a Suíça, que não planta cacau mas tem o melhor
chocolate do mundo.
Em seu pequeno território, cria animais e cultiva o solo durante
apenas quatro meses no ano. Não obstante, fabrica laticínios da melhor
qualidade.
É um país pequeno que passa uma imagem de segurança, ordem e trabalho,
o que o transformou no caixa forte do mundo.
Executivos de países ricos que se relacionam com seus pares de países
pobres mostram que não há diferença intelectual significativa.
A raça ou a cor da pele, também não são importantes: imigrantes
rotulados de preguiçosos em seus países de origem são a força
produtiva de países europeus ricos.
Qual será então a diferença?
A diferença é a atitude das pessoas, moldada ao longo dos anos pela
educação e pela cultura.
Ao analisarmos a conduta das pessoas nos países ricos e desenvolvidos,
constatamos que a grande maioria segue os seguintes princípios de
vida:
A ética, como princípio básico. A integridade. A responsabilidade. O
respeito às leis e regulamentos. O respeito pelo direito dos demais
cidadãos. O amor ao trabalho. O esforço pela poupança e pelo
investimento. O desejo de superação. A pontualidade.
Nos países pobres, apenas uma minoria segue esses princípios básicos
em sua vida diária.
Não somos pobres porque nos faltam recursos naturais ou porque a
natureza foi cruel conosco.
Somos pobres porque nos falta atitude. Falta-nos vontade para cumprir
e ensinar esses princípios de funcionamento das sociedades ricas e
desenvolvidas.
Está em nossas mãos tornar o nosso país um lugar melhor para viver.
Deus já nos deu um clima tropical, belezas naturais em abundância, um
solo rico e uma imensa criatividade.
Basta somente que acionemos os nossos esforços para colocar em prática
os itens relacionados.
Por isso, comece cumprindo todos os seus deveres, com pontualidade e zelo.
Trabalhe com entusiasmo, vencendo as horas.
Conheça e respeite as leis, não as utilizando para usufruir vantagens pessoais.
Cuide do patrimônio público, consciente de que o que mantém o
município, o estado e o país somos nós.
Quando se destroem ônibus, quando se picham monumentos públicos,
quando se roubam livros nas bibliotecas públicas, lembremos que somos
nós que pagamos a conta.
São os nossos impostos que mantêm a cidade limpa, as praças em
condições de serem usufruídas pelos nossos filhos, as escolas e os
hospitais funcionando.
Também não esqueçamos que os homens públicos, do vereador de nossa
cidade ao presidente da república estão a nosso serviço.
Contudo, e muito importante, lembremos que somos exatamente nós os que
devemos ter olhos e ouvidos atentos à administração pública, cobrando
resultados, sim, mas colaborando, eficazmente. Porque ninguém consegue
fazer nada sozinho.
Mas, uma nação unida vence a fome, a guerra, as condições adversas.
Nós precisamos vencer o descaso e investir na educação individual,
objetivando um cidadão consciente e atuante. E a educação inicia, em
princípio, em nós mesmos.

É assim que o Brasil será melhor: quando nós quisermos!

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Com base texto do poeta Avaniel Marinho, intitulado "A riqueza e a
pobreza das nações", encontrável no site:
http://www.avanielmarinho.com.br/artigos/artigo2.htm

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Joaquim Benedito Barbosa Gomes é o nome dele

Joaquim Benedito Barbosa Gomes é o nome dele.

Conhecido como Joaquim Barbosa, ele é ministro do Supremo Tribunal Federal desde 25 de junho de 2003, quando foi nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É o único negro entre os atuais ministros do STF.

Joaquim Barbosa nasceu no município mineiro de Paracatu em 7 de outubro de 1954, noroeste de Minas Gerais. É o primogênito de oito filhos.

Pai pedreiro e mãe dona de casa, passou a ser arrimo de família quando estes se separaram. Aos 16 anos foi sozinho para Brasília, arranjou emprego na gráfica do Correio Braziliense e terminou o segundo grau, sempre estudando em colégio público. Obteve seu bacharelado em Direito na Universidade de Brasília, onde, em seguida, obteve seu mestrado em Direito do Estado.

Prestou concurso público para Procurador da República e foi aprovado. Licenciou-se do cargo e foi estudar na França por quatro anos, tendo obtido seu Mestrado em Direito Público pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas) em 1990 e seu Doutorado em Direito Público pela Universidade de Paris II (Panthéon-Assas) em 1993.

Retornou ao cargo de procurador no Rio de Janeiro e professor concursado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Foi Visiting Scholar no Human Rights Institute da faculdade de direito da Universidade Columbia em Nova York (1999 a 2000), e Visiting Scholar na Universidade da California, Los Angeles School of Law (2002 a 2003). Fez estudos complementares de idiomas estrangeiros no Brasil, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Áustria e na Alemanha.

É fluente em francês, inglês e alemão.

O currículo do ministro do STF Joaquim Barbosa, que vocês acabam de ler, pode ser encontrado facilmente nos arquivos dos órgãos oficiais do Estado Brasileiro. "E o que mostra esse currículo?", perguntarão vocês. Antes de responder, quero dizer que o histórico de vida de Joaquim Barbosa pesa muito neste caso, porque mostra que ele, à diferença de seus pares, é alguém que chegou onde chegou lutando contra dificuldades imensas que os outros membros do STF nem sequer sonharam em enfrentar.

Não se quer aceitar, nesse debate - ou melhor, a mídia, a direita, o PSDB, o DEM (ex-PFL), os Frias, os Marinho, os Civita não querem aceitar -, que Joaquim Barbosa é um estranho no ninho racialmente elitista que é o Supremo Tribunal Federal, pois esse negro filho de pedreiro do interior de Minas é apenas o terceiro ministro negro da Corte em 102 anos, tendo sido precedido por Pedro Lessa (1907 a 1921) e por Hermenegildo de Barros (1919 a 1937).

E quem é o STF hoje no Brasil? Acabamos de ver recentemente nos casos do banqueiro Daniel Dantas (Banco Opportunity), e da empresária Eliana Tranchesi (Loja Daslu). É o que sempre foi: a porta por onde os ricos escapam de seus crimes.

Joaquim Barbosa é isolado por seus pares pelo que é: negro de origem pobre numa Corte quase que exclusivamente branca nos últimos mais de cem anos, que julga uma maioria descomunal de causas que beneficiam a elite branca e rica do país. Sobre o que ele disse ao presidente do STF, Gilmar Mendes, apenas repercutiu o que têm dito, em ampla maioria, juízes, advogados, jornalistas, acadêmicos de toda parte do Brasil e do mundo, que o atual presidente do Supremo, com suas polêmicas midiáticas, com denúncias de grampos ilegais que não se sustentam e que ele até já reconheceu que "podem" não ter existido - depois de toda palhaçada que fez -, desserve à instituição que preside e ao próprio conceito de Justiça.

Gilmar Mendes pareceu ter querido "pôr o negrinho em seu lugar", e este, altivo, enorme, colossal, respondeu-lhe, com todas as letras, que não o confundisse com "um dos capangas" do presidente do STF "em Mato Grosso". Falando nisso, a mídia poderia focar esse ponto, sobre "os capangas em Mato Grosso", mas preferiu o silêncio. Esperemos...

Finalmente, esse episódio revelou-se benigno para a Nação, pois mostrou que ainda resta esperança para a Justiça brasileira. Enquanto houver um só que enfrente uma luta aparentemente desigual para si simplesmente para dizer o que falam quase todos, porém sem que os poucos poderosos dêem ouvidos, haverá esperança. Enquanto um resistir, resistiremos todos.

Joaquim Barbosa é um estranho no ninho do STF, entre a elite branca do País, e está sendo combatido por isso e por simplesmente dizer a verdade em meio a um mar de hipocrisia.

Todos os brasileiros precisam saber disso.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

UM EX-FAXINEIRO NEGRO VENCE PRECONCEITO E QUER

UM EX-FAXINEIRO NEGRO VENCE PRECONCEITO E QUER

“LIMPAR” A IMAGEM DO STF



O "bate-boca" entre o presidente do STF, Gilmar Mendes (dono de uma biografia repleta de denúncias de corrupção) e o ministro Joaquim Barbosa (dono de uma biografia invejável) traz a necessidade de esclarecer quem é quem no Judiciário brasileiro.

Um ex-torneiro mecânico pernambucano indicou um ex-faxineiro mineiro para ocupar uma vaga entre os Ministros do Supremo Tribunal Federal. O presidente Lula escolheu o doutor da Universidade da Sorbonne e procurador do Ministério Público Federal, Joaquim Benedito Barbosa Gomes, para ocupar uma vaga entre os Ministros do Supremo Tribunal Federal. O jovem negro que cuidava da limpeza do Tribunal Regional Eleitoral de Brasília está prestes a chegar ao topo da carreira da Justiça após quatro décadas de vitórias contra desigualdades sociais e raciais.

A primeira foi em Paracatu, interior de Minas, onde nasceu numa família de sete irmãos, com a mãe dona-de-casa e o pai pedreiro e, mais tarde, dono de uma olaria. Lá, percebeu que só o estudo poderia mudar a sua história. Já aos 10 anos dividia o tempo entre o trabalho na microempresa da família e a escola. O saber era quase uma obsessão.

- Uma das piores lembranças da minha infância foi o ano em que fiquei longe da escola porque a diretora baixou uma norma cobrando mensalidade. No ano seguinte, a exigência caiu e voltei à sala de aula. Estudar era a minha vida e conhecer o mundo o meu sonho. Adorava aprender outras línguas – contou Joaquim Barbosa numa entrevista em agosto de 2002 para o projeto de um vídeo sobre a mobilidade social dos negros no Brasil.

O domínio de línguas estrangeiras foi a engrenagem para mobilidade social de Joaquim Barbosa. Aos 16 anos, deixou a família e a infância em Minas e foi atrás de emprego e educação em Brasília. Dividia o tempo entre os bancos escolares e a faxina no TRE do Distrito Federal. Um dia, o mineiro, na certeza da solidão, cantava uma canção em inglês enquanto limpava o banheiro do TRE. Naquele momento, um diretor do tribunal entrou e achou curioso uma pessoa da faxina ter fluência em outro idioma. A estranheza se transformou em admiração e, na prática, abriu caminho para outras funções. Primeiro como contínuo e, mais tarde, como compositor de máquina off set da gráfica do Correio Brasiliense. A conquista não sairia barato.

- Lembro de uma chefe que me humilhava na frente dos companheiros de trabalho e questionava minha capacidade. No início, foi difícil, mas acabei me estabilizando no emprego e mostrando o quanto era profissional.

A renda aumentou, mas ainda era pouca para ele e a família lá em Minas. Foi trabalhar também no Jornal de Brasília acumulando dois empregos e jornada de 12 horas. Mais tarde, trocou os dois por um. Foi para Gráfica do Senado trabalhar das 23h às 6h da manhã. Depois do trabalho, a Universidade de Brasília. O único aluno negro do curso de direito da UnB tinha que brigar contra o sono e a intolerância.

- Havia um professor que, ao me ver cochilando, me tirava da sala.

Joaquim Barbosa continuava sonhando acordado. Prestou prova para oficial da chancelaria do Itamaraty e passou. Trocou o bem remunerado emprego do Senado por um, que pagava bem menos. Mas o novo trabalho tinha uma vantagem incalculável: poder viajar para a Europa. Durante seis meses, conheceu países como Finlândia e Inglaterra. De volta ao Brasil, prestou concurso para carreira diplomática. Foi aprovado em todas as etapas e ficou na entrevista: a única na qual a cor de sua pele era identificada.

Após esse episódio, a consciência racial de Joaquim Barbosa, que começou a ser desenhada na adolescência, ganhou contornos mais fortes. Ganhou novas cores, quando, já como jurista do Serpro, conheceu o país, especialmente o Nordeste e, em particular, Salvador. Bahia foi uma paixão a primeira vista do mineiro. Foi lá onde Joaquim Barbosa teve um contato maior com o que ele chama de "Negritude".

A percepção de ser minoria entre as elites ficou ainda mais nítida fora do país. O jurista explica que o sentimento de isolamento e solidão é muito forte num "ambiente branco" da Europa. Ser uma exceção aqui e no além mar ficou ainda mais forte após o doutorado na Universidade de Sorbonne. Nessa época já acumulava títulos pouco comuns para maioria das pessoas com a mesma cor de pele: Procurador do Ministério Público e professor universitário. Antes, já tinha passado pela assessoria jurídica do Ministério da Saúde.

O exercício de vencer barreira, de alguma forma, está em sua tese de doutorado, publicada em francês. O doutor explica que o seu objeto de estudo foi o direito público em diferentes países, como os EUA e a França.

- A minha intenção foi ultrapassar limites geográficos, políticos e culturais. Quero um conhecimento que vá além da fronteiras dos países – disse.

"Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite", reagiu Barbosa.

Gilmar Mendes foi nomeado para o Supremo Tribunal Federal pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião, em artigo publicado na Folha de São Paulo, o professor da Faculdade de Direito da USP, Dalmo Dallari, professor catedrático da UNESCO na cadeira Educação para a paz, Direitos Humanos e Democracia e Tolerância, declarou:

“Se essa indicação (de Gilmar Mendes) vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. (...) o nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país.”

O empresário Gilmar Mendes carrega em sua biografia a denúncia de que foi favorecido com “incentivo” do poder executivo para fundar, em 1998, o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), uma escola privada que oferece cursos de graduação e pós-graduação em Brasília. Desde 2003, conforme consta das informações do "Portal da Transparência" da Controladoria Geral da União, esse Instituto faturou cerca de R$ 1,6 milhão em convênios com a União. De seus nove colegas no STF, seis são professores desse Instituto, além de outras figuras importantes nos poderes executivo e judiciário (não é à toa que ele contou com tanta “solidariedade” no episódio que envolveu a discussão com o ministro Joaquim Barbosa). O Instituto se localiza em terreno adquirido com 80% de desconto no seu valor graças a um programa do Distrito Federal de incentivo ao desenvolvimento do setor produtivo. O subsecretário do programa, Endels Rego, não sabe explicar como o IDP foi enquadrado no programa. O belíssimo prédio do Instituto foi erguido graças a um empréstimo conseguido junto ao Fundo Constitucional do Centro Oeste (FCO), gerido pelo Banco do Brasil, cuja prioridade de investimento é o meio rural. Entre os seus maiores clientes estão a União, o STJ e o Congresso Nacional.

Dr. Eduardo Diatahy B. de Menezes
Professor Emérito da Universidade Federal do Ceará
Professor Titular do Doutorado e Mestrado em Sociologia - UFC

sexta-feira, 22 de maio de 2009

MACIEL, GUERRA E JARBAS, "OS TRÊS MOSQUETEIROS"


A recente instalação da CPI da Petrobrás,contou com o apoio incondicional dos três senadores de Pernambuco, Marcos Maciel, Sérgio Guerra e Jarbas Vasconcelos. Tal como na famosa lenda dos três mosqueteiros, os três se uniram, não para defender uma boa causa, mas contra o interesse do estado que eles mesmos representam no Senado Federal.

Todos nós sabemos que, quando se inicia uma CPI não se sabe quando termina. E esta CPI da Petrobrás, como alertou o Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Fernando Bezerra Coelho,vai atrasar as obras da Refinaria Abreu e Lima que tantos investimentos vai trazer para Pernambuco.Além disso, milhares de postos de trabalho poderão ser perdidos para os pernambucanos, neste momento de crise econômica mundial em que os empregos estão cada vez mais escassos.

A atitude lamentável desses três senhores, demonstram que, vale tudo para fazer uma oposição mesquinha, inclusive para prejudicar não só os interesses de seu próprio estado, bem como uma empresa de dimensão internacional como é a Petrobrás. Se existe algum tipo de irregularidade, estão aí os órgãos competentes para averigua-las: TCU,Ministério Público Federal, Controladoria Geral da União e mesmo o próprio Congresso Nacional, através de audiências públicas, seja na Câmara Federal ou mesmo próprio no Senado Federal.

Infelizmente, os "três mosqueteiros", empunharam suas "espadas" contra os vilões errados: o Estado de Pernambuco(a quem deveriam defender), e a nossa gloriosa Petrobrás ,orgulho de todos nós brasileiros.

Em 2010, os pernambucanos saberão nas urnas, dar o devido troco eleitoral a estes três senhores, cassando pelo voto, ao menos dois deles: Maciel e Guerra. O outro, se candidato a governador, Sr. Jarbas, receba nas ruas o repúdio de todos os pernambucanos, que já poderia iniciar-se agora.
IRINEU MESSIAS

sábado, 28 de março de 2009

Notícias Gerais
Jarbas na Veja: crepúsculo de um vira-casaca
Fonte: www.diap.org.br – 19/02/2009



Em entrevista à revista Veja, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB/PE) desanca seu partido ao dizer que "boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção", e promete se "empenhar" na campanha do governador tucano José Serra (SP) (Por Bernardo Joffily, no Vermelho)

Numa semana pré-carnavalesca, magra em novidades políticas, a entrevista do senador Jarbas Vasconcelos (PE) na revista Veja pautou os comentários em Brasília. Peemedebista há 43 anos, Jarbas diz ao repórter Otávio Cabral que "boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção", e promete se "empenhar" na campanha do tucano Serra. A entrevista deixa saudades do jovem deputado Jarbas Vasconcelos de décadas atrás, antes de virar a casaca. Já a realidade de Pernambuco mostra que ao se bandear ele fez um mau negócio.

O panfletário órgão político dos Civita dedicou ao mesmo tema o seu editorial. Este compara o "conjunto de revelações" de Jarbas com uma entrevista célebre, de 17 anos atrás, com Pedro Collor, que acendeu o rastilho que levaria ao impeachment de seu irmão Fernando Collor. Não chega a propor o impeachment de Lula, mas deixa explícita sua diretiva aos peemedebistas: "mudar seu comportamento".

A chapa dos sonhos: Serra-Jarbas
Fica a indagação: qual comportamento? À primeira vista, a corrupção, a começar pelo título da entrevista: "O PMDB é um partido corrupto". Mas neste caso, por que o entrevistado solta a grave - embora genérica - acusação em fevereiro de 2009, quando já lá vão 43 anos que assinou a ficha de filiação, e pelo menos há um quarto de século não faltam denúncias de corrupção contra peemedebistas ilustres?

Não, o "comportamento" que a Veja quer mudar nos peemedebistas é outro: é a aproximação com o governo Lula e as sinalizações de aliança com este mesmo campo nas eleições de 2010. E neste caso faz todo sentido escolher Jarbas Vasconcelos como o entrevistado.

Jarbas já foi o candidato a vice dos sonhos de José Serra na chapa presidencial de 2002; não deu certo. Mas na entrevista ele diz que "acredita muito" em Serra e "se empenhará" em sua campanha. Não faltou quem o relançasse como parceiro de chapa do governador paulista, na hoje improvável hipótese de uma reviravolta que atire o PMDB nos braços dos tucanos, como planeja também o ex-governador Orestes Quércia.

Água fria na fervura do PMDB
Quanto às acusações de corrupção, comparece, mais uma vez, como em todas as ocasiões em que a direita conservadora e reacionária precisa de um estandarte minimamente bom de voto. As denúncias são todas genéricas - esta foi a primeira e evidente linha de defesa dos próceres peemedebistas - e nem de longe se aproximam às de Pedro Collor. Porém servem como tentativa de constranger o PMDB à defensiva em seu momento mais confortável em 20 anos.

O partido elegeu no dia 2 os presidentes da Câmara e do Senado - este, José Sarney (AP), contra o voto de Jarbas, que por ironia apoiou o petista Tião Viana (AC). Nesta semana, abocanhou importantes presidências nas comissões das duas Casas do Congresso. Fez bonito nas eleições de outubro, elegendo mais de mil prefeitos. Não tem um nome para presidente em 2010, mas tornou-se a noiva cobiçada por todos, a começar pelo PT, que o corteja sem pudor enquanto esfria os contatos com seus também aliados do Bloco de Esquerda.

Só a fé ardente do editorialista da Veja pode levar à afirmação de que a entrevista com Jarbas "tem tudo para ser o motor de um profundo e histórico processo de limpeza da vida pública brasileira". Mas é fato que ela jogou água na fervura peemedebista num momento em que o grande partido de centro reforça suas posições na base do Governo Lula. O que basta para explicar o entusiasmo da revista.

Jarbas, quem te viu, quem te vê
Quanto a Jarbas Vasconcelos, deu com esta entrevista mais um passo para longe de suas posturas de juventude, quando atuou na como deputado e prefeito do Recife Ala Autêntica do MDB e no Bloco Popular do PMDB - tendências que aglutinavam os peemedebistas mais à esquerda. Já faz tempo que suas rebeldias e dissidências são todas pela direita.

Aparentemente a virada se produziu por volta da eleição de 1990, em que Jarbas perdeu o governo pernambucano para Joaquim Francisco, do PFL (hoje DEM). Depois disso, ele rompeu com Miguel Arraes, voltou à prefeitura do Recife vencendo Eduardo Campos, passou a alinhar o PMDB pernambucano com o PFL e o PSDB, nos planos local e nacional.

Numa primeira fase, a mudança de campo rendeu resultados: vivia-se o auge do Governo Fernando Henrique, em que ser vira-casaca era como um galardão. Mas os tempos mudaram. Hoje, Jarbas Vasconcelos em Pernambuco, como ACM Neto (DEM) na Bahia e Tasso Jereissati (PSDB), luta com enormes dificuldades para se manter à tona, diante da pequena revolução política que se produziu no Nordeste, com o Governo Lula e especialmente com as eleições de 2006.

O governador de Pernambuco é Eduardo Campos (PSB), neto de Miguel Arraes; na votação para o Palácio das Princesas, deixou o candidato de Jarbas, Raul Henry (PMDB), em terceiro lugar. No Recife (1,1 milhão de eleitores) o PT elegeu João Costa para a sua terceira gestão na Prefeitura. Em Olinda (290 mil eleitores) é Renildo Calheiros que encabeça a terceira gestão com o PCdoB à frente. Ao PMDB de Jarbas resta o consolo de participar da administração de Jaboatão (388 mil eleitores), cujo prefeito é o tucano Elias Gomes, eleito por uma coligação PSDB-PPS-DEM-PMDB.

Tiros na oposição: "Ninguém faz nada"
É patente na entrevista a amargura de Jarbas. Em nenhum momento ele se arrepende de ter virado a casaca, mas percebe que se deu mal.

Quando o repórter indaga "Por que o senhor continua no PMDB?" ele rebate com outra pergunta: "Se eu sair daqui irei para onde?" Sentencia que "a corrupção está impregnada em todos os partidos". Reclama que a oposição tem trinta senadores, mas "ninguém faz nada". E ainda concorda com o entrevistador que "o governo é medíocre e a oposição é medíocre": "Isso mesmo. A classe política hoje é totalmente medíocre", responde, agregando ainda que "não é só em Brasília", mas também prefeitos, vereadores, deputados estaduais.

A Veja publicou a entrevista na internet com acesso livre, e não apenas para assinantes como é o seu costume, em uma demonstração de seu entusiasmo por ela. O leitor atento, porém, saberá tirar dela outras conclusões que não as dos Civita.

sábado, 17 de janeiro de 2009

"A História Secreta do Império Americano"


"Assassinos Econômicos, Chacais e a verdade sobre a corrupção global"
Autor: John Perkins
Editora: Cultrix

O título acima é de um livro que denuncia a forma rasteira, cruel e anti-humana como as multinacionais fazem suas operações nos países do Terceiro Mundo. Seu autor, John Perkins, Autor de um outro best-seller CONFISSÕES DE UM ASSASSINO ECONÔMICO", ele mesmo se confessa um ex-assassino econômico e conta em detalhes tudo que fez em nome deste "império", a quem chama de "corporatocracia".

"A História Secreta do Império (norte) Americano” (acréscimo nosso), é um livro de leitura obrigatória para quem quer entender melhor como age o poder econômico e mundial e do que ele é capaz para alcançar seus objetivos: matam, roubam tudo e todos que se colocam contrário às suas pretensões.

O assunto tratado por John Perkins é, nada mais nada menos do que aquilo que todo mundo que é medianamente informado, sabe sobre o poderio dos Estados Unidos.

Barack Obama assume agora, dia 20, a presidência dos EUA. Contudo, a política norte-americana vai continuar exatamente a mesma: pilhar as outras nações para continuar seu imperialismo que tantas desgraças têm causado aos povos do Terceiro Mundo, e nosso país, infelizmente sempre foi e será um dos alvos.
Em suma, um bom livro.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Cartilha neoliberal para a crise: Tendência suicida

Autor: Leonardo Boff

Os principais comentaristas econômicos comentam a crise que irrompeu no centro do sistema e apontam o desmoronamento de suas teses mestras, mas continuam com a crença ilusória de que o mesmo modelo que nos trouxe a desgraça, ainda pode nos tirar dela.
Leio os principais comentaristas econômicos dos grandes jornais do Rio e de São Paulo. Aprendo muito com eles, porque venho de outra área do saber. Mas, na minha opinião, eles continuam aplicando a cartilha neoliberal, o que os impede de ter um pensamento mais crítico. Ainda utilizam a interpretação clássica dos ciclos do capitalismo depois da abundância, sem perceber a mudança substancial do estado da Terra ocorrida nos últimos tempos.
Por isso, noto neles uma certa cegueira em um nível profundo de seu paradigma. Comentam a crise que irrompeu no centro do sistema e apontam o desmoronamento de suas teses mestras, mas continuam com a crença ilusória de que o mesmo modelo que nos trouxe a desgraça, ainda pode nos tirar dela.

Esta visão míope impede que levem em consideração os limites da Terra, os quais impõem limites ao projeto do capital. Esses limites foram ultrapassados em 30%. A Terra dá claros sinais de que não agüenta mais. Ou seja, a sustentabilidade entrou em um processo de crise planetária. Cresce cada vez mais a convicção de que não basta com fazer acertos. Estamos obrigados a mudar de rumo se queremos evitar o pior, que seria ir em direção a um colapso sistêmico certo.

O sistema em crise, digamos seu nome, é, quanto ao seu modo de produção, o capitalismo. E sua expressão política é o neoliberalismo, que responde fundamentalmente às seguintes questões: como ganhar mais com o mínimo de investimento, no menor tempo possível e aumentando ainda mais seu poder? O sistema dá como óbvia a submissão total da natureza e a desconsideração das necessidades das gerações futuras.

Esse pretendido desenvolvimento tem se mostrado insustentável, porque em todos os lugares em que se instalou criou desigualdades sociais graves, devastou a natureza e consumiu seus recursos muito acima do nível de reposição. Na verdade, trata-se de um crescimento apenas material, que se mede em termos de benefícios econômicos, não de um desenvolvimento integral.

O grave disto é que a lógica deste sistema se opõe diretamente à lógica da vida. A primeira é linear, regida pela competição, tende à uniformização tecnológica, ao monocultivo e à acumulação privada. A outra, a da vida, é complexa, incentiva a diversidade, as interdependências, as complementaridades e reforça a cooperação na procura pelo bem de todos. Este modelo também produz, mas para servir à vida e não para servir exclusivamente ao lucro, e tem como objetivo o equilíbrio com a natureza, a harmonia com a comunidade da vida e a inclusão de todos os seres humanos. Opta por viver melhor com menos.

Paul Krugman, editorialista do New York Times, denunciou valentemente (Jornal do Brasil, 20/12/08) que não há diferença básica entre os procedimentos de B. Madoff, que fraudou 50 bilhões de dólares a muitas pessoas e instituições, e os especuladores de Wall Street, que enganaram milhares de investidores e pulverizaram, também, grandes fortunas. Ele conclui: “o que estamos vendo agora são as conseqüências de um mundo que enlouqueceu”. Esta loucura é conjuntural ou sistêmica? Penso que é sistêmica, porque pertence à própria dinâmica do capitalismo: para acumular, mantém grande parte da humanidade em situação de escravidão “pro tempore” e põe em perigo a base que o sustenta: a natureza com seus recursos e serviços.

Cabe a pergunta: será que não existe aí uma pulsão suicida, inerente ao capitalismo como projeto civilizatório, uma pulsão que tenta explorar de maneira ilimitada um planeta que sabemos que é limitado? É como se toda a humanidade sentisse que é empurrada para dentro de uma corrente violentíssima, e não conseguisse mais sair dela. Não há dúvida de que o destino seria a morte.
Será que é a marca inscrita em nosso atual DNA civilizatório, rascunhado há mais de dois milhões de anos, quando surgiu o homo habilis, aquela espécie de humanos que, pela primeira vez, começou a usar instrumentos em seu afã por dominar a natureza, que potencializou-se com a revolução agrária no neolítico e culminou no atual estágio de ânsia de dominação completa da natureza e da vida? Se continuarmos nesse caminho, onde iremos chegar?

Como somos seres inteligentes e com um imenso arsenal de meios de saber e de fazer, não é impossível que consigamos reorientar nosso curso civilizatório, dando maior centralidade à vida que ao lucro, ao bem comum em vez de ao benefício individual. Então, poderíamos salvar-nos in extremis e ainda teríamos pela frente um futuro que almejar.

Fonte: www.cartamaior.com.br – 14/01/2009