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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O projeto vira-lata desabilita o país para os Isaquias

24.08.2016
Do portal da Revista Carta Maior, 23.08.16
Por Saul Leblon

A ninguenzada preta, parda, favelada, periférica não cabe no olimpo dos mercados que o golpe quer impor ao Brasil. Daí a contrariedade com o êxito da Rio-2016.

Roberto Castro/ Brasil2016
Roberto Castro/ Brasil2016

Por trás do viralatismo há método  –e há teoria.

Se vingar seu projeto de país, o Brasil acaba enquanto possibilidade de um futuro ordenado pela democracia social.

A meta é fazer do país um frango desossado da sadia no cepo dos mercados.

E é esse o motor de um empenho que assumiu singular intensidade  nos dias que correm.


A engrenagem envolve uma lista robusta de alvos a desabilitar. 

Desde sediar uma Olimpíada a explorar o pré-sal, dispor de universidade pública e serviço digno de saúde ou resgatar a industrialização  --são variados os temas e princípios a compor  o sacramento de uma impossibilidade que se pretende tornar  inviolável.

O Brasil não sabe, não pode e, sobretudo, não deve mais afrontar os fundamentos de uma inabilitação essencial para o ajuste de virulência inédita, que deve ocorrer após o impeachment --sibila-se  nas entrelinhas e fora delas também.

Dissolver qualquer coágulo de nação como se dissolve os grumos do trigo na batedeira de bolo é a bússola de um golpe que não dispõe de estratégia alguma de desenvolvimento porque é justamente isso que se almeja eliminar.

Basta colar a inabilitação nacional aos mercados globais, esses que estrebucham sob o peso de uma desordem neoliberal irreversível.

As hélices cortantes  serão acionadas na velocidade máxima, assim que o Senado dê a derradeira cutelada no pescoço altivo da presidenta assertiva escolhida por 54,5 milhões de brasileiros, tão  teimosos quanto em rechaçar há quatro eleições o projeto que agora quer se impor com um golpe.

A advertência e as revogações encerram uma rígida contabilidade argentária: 70% a 80% do povaréu não cabe dentro da nação e precisa se convencer disso.

É incontida a contrariedade com a heresia levada às últimas consequências a partir da aposta feita há sete anos pelo então presidente Lula, de sediar os 31º Jogos Olímpicos na cidade do Rio de Janeiro.

A bizarra sucessão de dezesseis dias durante os quais emergiu  uma nação normal em seus acertos e falhas, mas predominantemente hospitaleira, aguerrida, criativa, admirada e capaz, abriu uma dissonância intolerável à narrativa de país capacho, cuja única opção consistiria em dobrar a espinha para sempre.

Garrafais e adversativas do dispositivo midiático conservador tentavam consertar o estrago nesta segunda-feira, mitigando o que deu certo para resgatar o bordão do fracasso:

Para ficar nas manchetes de quatros exemplares do canil, no day after do evento (22/08): 

‘Prazo, falta de foco e de base tiram o Brasil dos 10 mais’(Valor); ‘Brasil celebra sucesso dos jogos, mas não bate meta’ (Folha); ‘Brasil faz melhor campanha, mas não atinge meta’ (Estadão); ‘Mesmo com recorde de medalhas, meta do país não foi cumprida’ (O Globo).

Não foi, não será, nunca deveria ter sido tentado. 

O colunista da Folha que encarna um almanaque de faits divers, reclama nesta 3ª feira que os dezessete dias de jogos olímpicos custaram ao Tesouro R$ 17 bilhões -- R$ 1 bi ao dia, proclama. Depois de exibir a argúcia aritmética admite que metade disso foi em obras do metrô, que vieram para ficar. 

O artificioso empenho no desapreço pode ser medido pela atitude oposta de um concorrente estrangeiro na felicitação aos seus atletas.

O jornal El País, um dos mais importantes do mundo, longe de ser de esquerda,  saúda na delegação espanhola o feito épico capaz de sacudir o brio de um país necrosado pelo austericidio que se quer ministrar aqui: ‘España cierra los Juegos de Río con 17 medallas --7 de oro, 4 de plata y 6 de bronces. Los siete títulos olímpicos coronan a una generación que no se conforma con ser segunda y se sobrepone a la crisis economica’

Um detalhe ilustrativo: a campanha espanhola foi idêntica à do Brasil em ouros, (7 ) e ficou ligeiramente abaixo no computo total de medalhas (17, contra 19 dos brasileiros).

Com uma vantagem singular para o épico local.

O desempenho dos atletas anfitriões foi liderado predominantemente pela ‘ninguenzada’ de Darcy Ribeiro.

Sim, a ninguenzada preta, cafuza, parda, favelada, sertaneja, composta de pedreiros pobres, filhos de faxineiras, moleques da periferia, vidas que já nascem remando contra a corrente, dando murro em ponta de faca, chutando pedra, rebatendo o azar até um belo dia engancharem o país no olimpo do esporte mundial. 

Cruel é a palavra para uma elite que sonega esse orgulho às crianças de uma nação carentes de heróis que as livrem do traficante da comunidade.

Senhores senadores desta República que sucedeu ao regime escravocrata mais longevo da face da terra: essa é a natureza do golpe em curso.

Inabilitar o Brasil para a igualdade é o imperativo categórico de quem se propõe a regenerar o tecido econômico e político à imagem e semelhança dos interesses que secularmente barraram a ninguenzada  no  pódio da cidadania

Hoje, a maratona que verdadeiramente importa é fornecer aos mercados um substrato de país livre, leve e desimpedido de líderes, projetos, políticas, direitos, regulações e gastanças. 

Daí por que a conquista do ouro na modalidade em que o fracasso tido como certo trombou com o imprevisto brilho da organização deve ser esquecido.

‘Organização olímpica vence desorganização brasileira’, restringe a Folha sem dar chance a qualquer vínculo entre a nação e o evento irrealizável que deu certo.  

Para que não haja recidiva, o diário sangra a teimosia no subtítulo de misericórdia: ‘O melhor da Olimpíada deveria começar agora, mas não virá’ (Folha, 22/08/2016).

‘Não virá’.

O azedume reiterado em dezesseis dias de cobertura, segundo a ombudsman, gerou protestos até dos assinantes que escolheram o produto dos Frias como a sua janela para ver o país. 

Fosse mesmo para vituperar algo, seria preciso admitir que a tradição olímpica foi rompida justamente na vexatória descortesia do golpe apoiado pelo jornal, durante a cerimônia de transmissão simbólica da tocha ao Japão, sede dos jogos em 2020.

Shinzo Abe, o premiê japonês, viajou 18,5 mil quilômetros num túnel de animação compactado em vídeo – para irromper  no Maracanã, em meio à chuva que desabava na festa de encerramento, domingo.

Estava ali para erguer a ponte do espírito olímpico com seu homólogo brasileiro, como manda a tradição secular.

Só que não.

Ciente das vaias estocadas no Maracanã o golpista ficou em Brasília, para onde Abe se recusou a ir, demarcando a recusa no meio do gramado chuvoso, privado do respeito e da hospitalidade do anfitrião que encarna o espírito olímpico.

Nenhum jornal considerou esse fato mais grave do que o enfatizado fracasso de ‘não se atingir o objetivo olímpico’ –embora o 13º lugar destoe muito menos do almejado 10º posto do que deixar na mão um chefe de Estado em visita oficial. 

Desculpe o transtorno, premiê Shinzo Abe, estamos em fase de demolição.

Cai uma pátria em fraldas, para a instalação de um olimpo de capitais livres de encargos sociais. 

Breve, aqui.

Senhores senadores, olhem o rosto desses medalhistas antes de baixar o cutelo no pescoço da Presidenta impedida de recepcionar o premiê Abe no Maracanã. 

O do canoeiro Isaquias, talhado a machado, por exemplo.

Carrega-se ali um pedaço da história do Brasil  --essa que agora está em vossas mãos porque se estivesse de fato nas dele o barco não se renderia à correnteza regressiva.

Olhem o povo em nome do qual usurpadores querem estreitar mais uma vez o acesso às margens seguras da sociedade.

Fixem por um minuto os olhos em Isaquias. 

O canoeiro medalhista  traz na pele o saque ancestral a povos desse rincão reduzidos a legiões sem terra-sem floresta – sem teto-sem trabalho-sem direito.

Esse rosto guarda o horror das aldeias em chamas, da senzala claustrofóbica, da criança maltrapilha pasma pelo açoite a retalhar o lombo do pai feito toucinho cru.

Traz o rosto de Isaquias a noite insone do quilombo.

A meia liberdade sem acesso à terra está ali, assim como o estoque de gente banida pela lógica de batustões,  essa que agora os senhores estão prestes a consagrar mais uma vez como ‘sacrifício necessário’.

A prioridade do jornalismo passa ao largo da fuga ancestral dos isaquias  na contracorrente dos séculos até o pódio da Rio-2016.

Ao pauta é provar que o ocorrido é anômalo, descabido, irrepetível,  temerário -- inviável. 

Varrer a recidiva de autoconfiança e autoestima que possam inspirar esses dezesseis dias em que ‘a organização olímpica venceu a desorganização brasileira’ é imperativo para coibir paralelos com a vida real.

A mão pesada denuncia a inexatidão daquilo que se quer traduzir como  ‘a ruína da corrupção lulopetista’.

O rosto de Isaquias nos diz que o que está em jogo trata de coisa mais abrangente e conhecida

Trata de uma encruzilhada clássica na história das nações –o que não inocenta os erros dos seus protagonistas.

Mas o que a caracteriza, sobretudo, é a crispação de conflitos permanentes em luta de classes aberta e sangrenta.

A tempestade engata uma transição de ciclo de desenvolvimento à deriva internacional que se estende desde 2008, com o esgotamento da ordem neoliberal.

Os noticiosos a reduziram  a uma desfrutável faxina da direita no quintal da esquerda. 

A meia verdade brandida à exaustão pelo meio-juiz dissipa o principal no secundário. 

Por exemplo, a intensificação da disputa pela riqueza corrente; a exacerbação dos conflitos pela destinação dos fundos públicos; o braço de ferro pela repartição dos sacrifícios da travessia; o confronto pelo acesso ao estoque da riqueza capaz de mitigar a transição; o escrutínio das políticas e arcabouços institucionais –entre os quais a desdenhada reforma política-- que pavimentarão o passo seguinte da história.

No centro de tudo late a tese da inabilitação do Brasil para comandar democraticamente o seu desenvolvimento.

Construir uma nação é um ato de ruptura política  que a usurpação golpista quer terceirizar ao mercado, escorraçando a urna e suas escolhas do centro das decisões.

Delimitar um território, fincar estacas, declarar e exercer soberania não é coisa que se faça impunemente em tempo algum e em qualquer latitude.

Sobretudo quando se trata, como é o caso, da sorte de um povo e do destino do desenvolvimento em um  dos maiores territórios do globo, dotado das maiores reservas de água, minérios, petróleo, terras férteis, potencial hidrelétrico e solar; ademais de florestas e biodiversidade, tudo isso arrematado por um gigantesco mercado de isaquias.

O que significa ser tudo isso em uma mudança de época em que a civilização terá que se apoiar em recursos escassos que o Brasil dispõe em abundância?

Significa o desafio de combinar articulação internacional com soberania intransigente e justamente por isso enfrentar uma colisão sem trégua com a lógica dos capitais sem lei.

São essas correntezas violentas que movem as raízes estruturais da conjura na qual a mídia se aliou à escória e ao dinheiro  para derrubar uma Presidenta honesta, acusada de pedaladas fiscais.

Quem melhor encarna o elo entre a superfície e as profundezas desse ardil  é o chefe oculto das operações , o tucano Fernando Henrique Cardoso

O  ideólogo age movido por uma antiga certeza: não há espaço para um povo de isaquias comandar o seu destino no capitalismo do nosso tempo.

Menos ainda –diz -- para o ‘voluntarismo lulopetista’ construir uma democracia social tardia no coração da América Latina.

Isaquias, negro e cafuzo, recolha seu remo voluntarioso, a rota de um timoneiro mais alto se alevanta.

Os acontecimentos recentes resgataram  --no entender do viralatismo--  a pertinência da análise do sociólogo de 1967, ‘Dependência e desenvolvimento na América Latina’,  sobre a inviabilidade de um modelo de desenvolvimento soberano na região.

Pobres isaquias de todo o Brasil,  adernem ou rendam-se.

A dependência é estrutural, avisa FH desde 1967 .

A dependência é bela, adicionaria o  presidente tucano à classe média nos anos 90.

A dependência é inexorável, diz agora o ideólogo do golpe institucional contra Dilma e o PT.

FH partiu de um diagnóstico correto, ao apontar o equívoco de uma parte da esquerda brasileira em1964, que via na burguesia nacional um aliado dos trabalhadores na luta pelo desenvolvimento.

Mas extraiu daí conclusões equivocadas no extremo oposto.

O tucano  enxergou na complementariedade entre o capital local e o estrangeiro o reinado definitivo das elites: o desenvolvimento associado e dependente, no qual o consumo da classe média forneceria o amortecedor político ao sistema --e o fluxo de capitais externos lubrificaria o conjunto em um equilíbrio dinâmico.

Não importa que o pião precisasse girar cada vez mais depressa para não desabar –desde que girasse, tudo bem.

Faltou abordar o essencial, porém.

Os conflitos inerentes à associação entre o capital local e o internacional  e o seu custo em libras de carne humana.

Com quantos isaquias jogados ao mar se faz essa canoa?

A ausência do olhar dialético magnificaria aquilo que FHC criticara na esquerda dos anos 60: a troca do materialismo histórico por um wishful thinking.

No seu caso, um autoengano de cosmopolita provinciano, traduzido macroeconomicamente em uma ‘âncora cambial’ que se revelou desastrosa quando o pião parou de girar, os capitais inverteram o curso e a maré baixa revelou uma nação de industrialização destruída, reservas cambiais à míngua, refém do capital especulativo e de seu capitão do mato: as cartas de arrocho do FMI.

Enquanto durou, a aparente consagração da teoria deu estofo ao  projeto político do sociólogo, que a personificou  na Presidência como se não houvesse amanhã.

Sobretudo na sôfrega  dilapidação do patrimônio nacional.

O surgimento do PT e a vitória desconcertante do líder operário em 2002 e 2006 –que fez  a sucessora em 2010, reeleita em 2014--  introduziria um ruído insuportável no escopo desse conformismo estratégico.

Para revalidar a teoria  e os interesses aos quais ela consagra uma dominância perpétua era necessário desqualificar a heresia de forma exemplar.

Eis a essência da vendeta que hoje dá base teórica ao viralatismo e ressuscita como farsa a tragédia dos anos 90, adicionalmente comprometida pela inexistência das condições externas momentaneamente favoráveis então.

Para isso dar certo é necessário derreter e refundir o país como um corredor de vento dos capitais globalizados.

A aposta extremada explica a contrariedade com qualquer deslize que sugira a existência de vida fora da renúncia absoluta ao comando do desenvolvimento. 

Derrota-la, por sua vez, requer um grau de ousadia maior do que tem sido a disposição de libertar a democracia da passividade a que foi submetida pelo modelo político das últimas décadas.

É uma corrida contra o tempo.

O golpe espera cortar a cabeça de Dilma, e aleijar o seu entorno, antes que as contradições disseminem uma resistência para a qual não se preparou.

Assim como não contava com o sucesso improvável das Olimpíadas. 

E tampouco com a ameaça silenciosa do remo infatigável de Isaquias, que parece determinado a seguir em alta velocidade --e só parar quando atingir a margem firme do país secularmente sonegado à ninguenzada --da qual é parte e ruptura.
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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editorial/O-projeto-vira-lata-desabilita-o-pais-para-os-Isaquias/36673

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O Uruguai não está à venda: Serra precisa ser demitido antes que provoque um incidente diplomático insolúvel

18.08.2016
Do blog DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO, 17.08.16
FHC e Serra com o presidente do Uruguai Tabaré Vásquez
FHC e Serra cercam o presidente do Uruguai Tabaré Vásquez
De todas as barbeiragens que o interino cometeu na montagem de sua equipe, a nomeação de José Serra deve lhe provocar as maiores urticárias.
Serra é uma bomba relógio de proporções continentais. A chamada liabilty.
Dias depois de ser citado na delação da Odebrecht, acusado de receber 23 milhões de reais em caixa 2, o chanceler se meteu — ou nos meteu — num incidente diplomático vergonhoso.
Seu homólogo uruguaio, Rodolfo Novoa, conta que ele tentou “comprar o voto” do Uruguai para impedir que a Venezuela assumisse a presidência pro tempore do Mercosul.
Serra, segundo ele, se ofereceu para levá-lo a negociações comerciais com países da África subsaariana e o Irã. Irrecusável.
A história foi publicada no jornal El Pais, que teve acesso ao conteúdo de uma reunião de Novoa com deputados. Novoa ainda reafirmou a posição de seu governo, de que a Venezuela ocupa legitimamente a presidência do Mercosul, e acusou Brasil e Paraguai de fazer “bullying” com aquele país.
O suborno teria sido proposto numa visita de Serra e Fernando Henrique Cardoso a Montevidéu no dia 5 de julho, quando a dupla foi se encontrar com o presidente Tabaré Vásquez.
Apanhado em flagrante, acusado por um colega que, provavelmente, considerava mais um mané, Serra reagiu atacando: convocou o embaixador uruguaio, Carlos Daniel Amorín-Tenconi, a dar explicações.
Mas ele também terá que se explicar. Na Câmara, o líder do PT, Afonso Florence, protocolou um requerimento para que JS fale “pessoalmente”, no plenário, sobre o imbroglio.
Serra é um elemento desagradável e desagregador que sobrevive apenas graças a uma blindagem calamitosa da mídia e do Judiciário.
O absurdo do posto que ele ocupa pode ser resumido da seguinte maneira: como é que um sujeito que não tem amigos e não conhece seus vizinhos ocupa um cargo na diplomacia dessa magnitude?
Serra dividiu o PSDB com sua estratégia do tudo ou nada. Preparou dossiês, por exemplo, contra seu arqui inimigo Aécio Neves. É o mentor de um artigo clássico contra Aécio publicado no Estadão, chamado “Pó Pará, Governador”.
Um ex-assessor dele conta que, em campanha, Serra se recusava a pagar uma pizza para os motoristas que aguardavam os figurões nos comitês.
Montado na ilegitimidade do golpe e de quem o financia, Serra procura mostrar serviço cantando de galo com os “bolivarianos”. Enquanto late com eles, com a desculpa de realinhamento geopolítico ou uma idiotice do gênero, distribui passaportes diplomáticos para pastores evangélicos.
É inacreditável e, ao mesmo tempo, sintomático que esse bando desmoralizado internacionalmente ache que pode dar uma de gigante imperialista.
Serra e FHC quiseram usar o método que consagraram: a compra de votos. O Uruguai, infelizmente para eles, não está à venda.
Requião resumiu bem a palhaçada em discurso no Senado. “Quero pedir desculpas ao Uruguai pelo comportamento absolutamente indevido do chanceler e da chancelaria brasileira. Está transformando a política externa do Brasil em chacota com uma intervenção absolutamente sem sentido”, disse.
“É uma proeza. José Serra é um gênio: conseguiu brigar com o Uruguai. O Brasil não merece o que estamos vendo hoje na nossa política externa”.
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Fonte:http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-uruguai-nao-esta-a-venda-serra-precisa-ser-demitido-antes-que-provoque-um-incidente-diplomatico-insoluvel-por-kiko-nogueira/

VOLTEMOS AO EVANGELHO: Confusão sexual

18.08.2016
Do blog VOLTEMOS AO EVANGELHO, 16.08.16
Por  Peter Leithart *

confusao-sexual

Levítico 18.23 descreve a bestialidade, quer praticada por homem ou mulher, como tebel, um substantivo usado para descrever a confusão das línguas em Babel. Tebel é frequentemente traduzido como “confusão”. Isso faz sentido. A bestialidade cruza os limites criados entre animais e seres humanos. É, reconhecidamente, uma “confusão”.
A palavra é usada em Levítico 20.12, que trata da pena para quem se deitar com a sua nora. Isso também é “confusão”. Esses são os dois únicos usos da palavra na legislação sexual de Levítico 18 e 20.
Por que fazer sexo com uma nora é tebel não é tão óbvio. Devemos entender que um homem se deitar com sua nora é, de algum modo, análogo à bestialidade? Como? Isso é mais parecido com a bestialidade do que outras formas de incesto? De que maneira? O que torna um incesto com uma nora “confusão”, e dormir com sua mãe, tia ou irmã não confusão? Por que descobrir a nudez de uma nora é confusão, ao passo que o sexo entre dois homens não é? Este último é descrito como to’evah (“abominação” – Levítico 18.22; 20.13).
Podemos começar observando que os termos usados para avaliar diferentes formas de pecado sexual podem não ser exclusivos. A bestialidade é tebel e os atos homossexuais são to’evah, mas no final de Levítico 18, to’evah cobre todas as formas de sexo proibido: “nenhuma destas abominações fareis, nem o natural, nem o estrangeiro que peregrina entre vós” (Levítico 18.26; cf. vv. 27, 29, 30). Embora o incesto materno e os atos homossexuais não sejam explicitamente descritos como tebel, a palavra pode, todavia, ser aplicada.
As leis sexuais de Levítico pressupõem uma ordem da criação e uma ordem do casamento. Há uma ordem da criação porque Deus fez categorias naturais, e estabeleceu limites separando essas categorias. Animais são animais e homens são homens, e eles não devem formar uma só carne. Gênesis 2, onde Adão fracassa em encontrar uma parceira entre os animais, é o pano de fundo. Semelhantemente, a diferenciação que Deus faz do ser humano entre macho e fêmea é a raiz da proibição dos atos homossexuais. Deus construiu Eva em um procedimento “sacrificial” de divisão e reunião; a homossexualidade envolve atos de “descriação”, assim como fazem as águas das enchentes quando anulam a divisão de terra e mar.
A linguagem das leis para bestialidade tanto no capítulo 18 como no 20 lançam mais luz. Em Levítico 18.23, homens são proibidos de “deitar-se” com um animal, e mulheres são proibidas de “pôr-se perante” um animal para “ajuntar-se” com ele. “Pôr-se perante” é linguagem sacerdotal (Deuteronômio 10.18). Semelhantemente, em 20.16, a mulher “achega-se” (qarab) a um animal, um verbo que, em Levítico, normalmente traz uma conotação litúrgica (Levítico 1.1-3). “Achegar-se” a um parceiro sexual proibido é análogo, se não idêntico, ao sacrilégio, uma violação do “lugar santo”.
Essas analogias litúrgicas/sexuais sugerem a lógica dessas leis. As categorias criadas e diferenciações manifestam a diferença entre o Criador e a criatura, por trás da qual está a diferença trinitariana entre o Pai, o Filho e o Espírito, a causa última da diferenciação na ordem criada. A tebel envolvida na bestialidade não é apenas uma confusão das categorias naturais, mas a confusão última: adorar a criatura no lugar do Criador.
Os limites sociais e culturais não estão incorporados na criação. Um pai possui uma relação biológica com seu filho, mas nenhum relacionamento biológico com sua nora. Se a considerarmos como um ser natural, a nora não está fora de cogitação. Provavelmente ela é mais nova que o homem, mas não há nada na Torá que proíba Outubro de casar-se com Maio[1]. O que a deixa fora de cogitação é o fato de que existe um vínculo conjugal entre seu marido, o filho do homem, e ela. Como uma instituição, o casamento é de Deus; é uma instituição divina. Cada casamento específico também é uma criação de Deus: “O que Deus criou, não separe o homem”. Mas esse ato divino de criar um matrimônio é mediado por uma ação humana. Um ministro, não o próprio Deus, declara o casal “marido e mulher”. Violar este limite divino-humano é uma confusão de tipos e categorias tanto quanto o é a confusão de um homem ou mulher que se deita com um animal.
Aqui, mais uma vez, fica evidente a analogia da vida sexual e litúrgica. O casamento é um mecanismo sacrificial criativo, uma separação (“deixar e unir-se”) que conduz a uma transformação (Adão tornou-se um ‘ish [varão] quando ele vê a ‘ishshah [varoa]) e união (“uma só carne”). Por causa da virtude do “sacrifício” do casamento, um homem e uma mulher compartilham uma só coberta. O sacrifício original externo ao Éden culminou em “cobertas” para Adão e Eva, que encobriram a vergonha de sua nudez. Como marido e mulher, eles foram cobertos por uma única coberta. “Encobrir a nudez” de alguém que não seja a pessoa que compartilha da mesma coberta sacrificial inverte o mecanismo sacrificial do casamento. Descobrir a nudez evidencia vergonha; é um ato de não-sacrifício. Apesar de realizadas por seres humanos, as cerimônias de casamento criam novos tipos e categorias. O próprio Deus realiza o ato sacrificial de separação e união que faz o casamento, e cria novas categorias para as pessoas envolvidas. Uma mulher torna-se “nora”, ao passo que um homem se torna “genro”. E esses tipos não devem ser misturados.
A “confusão” envolvida no incesto com uma nora está relacionada com a violação de limites geracionais. A sucessão geracional é natural, mas esses limites naturais tornam-se relevantes em Levítico por causa do casamento. Um homem que toma a esposa de seu pai confunde “filho” e “marido” e, talvez, intente apoderar-se da posição do seu pai (vide Absalão com as concubinas de Davi). Um homem que descobre a nudez de sua nora cruza um limite geracional na outra direção. Ele é potencialmente pai e avô de seus filhos. Ele não se apodera da autoridade do velho, mas do futuro do jovem. Ele confunde gerações no momento em que reivindica um futuro que não é seu. Há tebel em qualquer incesto intergeracional, mas, novamente, isto não é simplesmente uma questão de idade. O que faz com que essas relações sexuais se tornem “confusão” é a instituição social e divino-humana do casamento.
Levítico visa a “humanizar” Israel, para libertá-lo das estruturas bestiais do paganismo e da sexualidade indiferenciada dos animais. E é uma humanização que é altamente relevante para a nossa atual tebelsexual. Precisamos ser lembrados de que Deus considera invioláveis tanto os limites “naturais” como certos limites “culturais”. A relação “social” do casamento é uma construção do próprio Deus.
[1] Alusão jocosa do autor possivelmente às várias superstições populares no tocante ao mês bom para se casar e/ou à compatibilidade entre os signos do Zodíaco. (Nota do Tradutor.)

*Peter Leithart é presidente do Theopolis Institute, Birmigham, Alabama, e pesquisador sênior adjunto no New. St. Andrews College.

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Fonte:http://voltemosaoevangelho.com/blog/2016/08/confusao-sexual/?utm_source=inf-resumo-diario-ve&utm_medium=inf-resumo-diario-ve&utm_campaign=inf-resumo-diario-ve

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Pepe Escobar: Os EUA e o GOLPE do Impeachment de Dilma

16.08.2016
Do canal do Youtube pbitt2000, 26.05.16

Ótima explanação feita pelo correspondente internacional Pepe Escobar, em entrevista ao canal de mídia alternativo francês “Le Cercle des Volontaires”, sobre a queda da presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, o que está por trás do GOLPE e da LAVA JATO (que é o instrumento dos EUA para alçar o GOLPE) é o desejo norte-americano de tomar as riquezas do pré-sal e que tudo começou com os grampos da NSA contra a presidente Dilma Rousseff.

Excelente definição dele sobre Sergio Moro.



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Fonte:https://www.youtube.com/watch?v=JqLK6dD1_kU

terça-feira, 16 de agosto de 2016

DILMA: “A DEMOCRACIA É O ÚNICO CAMINHO”

16.08.2016
Do portal BRASIL247


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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/poder/250094/Dilma-%E2%80%9CA-democracia-%C3%A9-o-%C3%BAnico-caminho%E2%80%9D.htm

terça-feira, 9 de agosto de 2016

CNTSS/CUT solicita que PGR investigue denúncias contra gestão Michel Temer em plano de saúde dos servidores federais

09.08.2016 
Do portal da CNTSS/CUT
Por Assessoria de Imprensa da CNTSS/CUT
Confederação envia petição ao Ministério Público Federal tendo como base texto da Revista Carta Capital; GEAP representa 600 mil associados e movimenta cerca de R$ 4 bilhões ao ano
A CNTSS/CUT – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social encaminhou petição à Procuradoria Geral da República solicitando a apuração das graves denúncias de irregularidades na GEAP – Autogestão em Saúde apresentadas em matéria publicada na edição desta semana daRevista Carta Capital sob o título “A GEAP é uma bomba”. Trata-se de entidade de autogestão em saúde dos servidores públicos federais que representa mais de 600 mil associados e movimenta cerca de R$ 4 bilhões ao ano. O material jornalístico expõe uma trama orquestrada por representantes graúdos do governo interino de Michel Temer e de sua base aliada que envolve contrações suspeitas e até mesmo a destituição do presidente da entidade eleito a partir da representatividade dos trabalhadores (veja íntegra da matéria anexada abaixo).
A petição protocolada nesta segunda-feira, 08/08, no Ministério Público Federal é uma iniciativa do presidente da CNTSS/CUT, Sandro Alex de Oliveira Cezar, que tem atuando contra as medidas arbitrárias tomadas pelo governo federal interino e que colocam em risco o patrimônio dos servidores públicos federais. A Confederação tem dado assistência aos trabalhadores e dialogado com órgãos competentes para ver solucionada a crise institucional criada no governo Temer. De acordo com Sandro Cezar, a medida tomada por ele tem por objetivo “apurar a responsabilidade dos agentes que deram causa aos possíveis prejuízos a este patrimônio dos trabalhadores do serviço público federal e à União Federal”.
A CNTSS/CUT representa trabalhadores do Ramo da Seguridade Social – das áreas da Saúde, Assistência e Previdência Social – e tem em vários Estados sindicatos afiliados dos servidores públicos federais que estão sendo prejudicados pelas decisões tomadas contra a GEAP. A primeira medida adotada pelo atual governo, ainda em 18 de maio, foi a destituição do presidente da GEAP. O Ofício encaminhado pela Casa Civil, assinado por Eliseu Padilha, declarava nulos os atos praticados pelo Conselho Gestor da GEAP a partir de 27 de abril. Desta forma, Irineu Messias de Araújo, dirigente de Sindicato filiado à CNTSS/CUT, foi substituído no cargo de presidente ao mesmo tempo em que as mudanças estatutárias e tudo que foi aprovado pelo Conselho de Administração tornaram-se desconsiderados.
A partidarização da entidade pelo governo federal é considerada extremamente prejudicial pelos trabalhadores. Um trabalho de recuperação financeira vinha sendo realizado pelo Conselho da Entidade a partir da gestão dos trabalhadores. Este grupo havia se manifestado contrário aos contratos realizados em 2015, sob a gestão de aliados de Temer, por considerá-los prejudiciais aos interesses dos servidores e seu patrimônio. Trata-se da terceirização de serviços de assistência jurídica que vinha sendo desenhada desde 2014. Tentando reverter a sua destituição do cargo e demais medidas prejudiciais aos trabalhadores, Messias foi ao STJ – Superior Tribunal de Justiça, em 23 de junho, e entrou com um mandato de segurança contra o chefe da Casa Civil. Enquanto a decisão não é tomada pelo ministro do STJ Napoleão Nunes Maia Filho, Messias retomou seu posto no Conselho da GEAP.
Veja a petição enviada ao Ministério Público Federal:

domingo, 7 de agosto de 2016

Recife: uma cidade a ser destravada

07.08.2016
Do portal do DIARIO DE PERNAMBUCO

O futuro Plano de Mobilidade da capital pernambucana irá trazer diretrizes sobre a logística urbana. É o que mostra a última reportagem da série Cidade Inclusiva

O desafio de destravar o Recife (Nando Chiappetta/DP)A arrumação de uma casa começa deixando cada coisa em seu devido lugar. É mais ou menos isso que propõe o futuro Plano de Mobilidade do Recife com as diretrizes para uma logística urbana e de circulação viária que ajudará a destravar a cidade. Tirar veículos de grande porte das operações de carga e descarga nas áreas centrais da cidade, principalmente nos bairros históricos, é uma delas. O futuro plano deve propor a médio prazo a retirada da operação do Porto do Recife da área urbana. A circulação de veículos de carga, inclusive contêiners passando pelo bairro histórico é uma cena que não cabe mais na cidade para as pessoas.

Outro fator que vai pesar na recomendação do futuro plano da retirada da operação do Porto é o que já está previsto para a Avenida Norte. Um dos projetos da Prefeitura do Recife é de um corredor de VLT na via. A avenida é hoje estratégica para as operações do Porto por causa da ligação com a BR-101. “A própria cidade irá limitar a capacidade de operação do Porto”, explicou o secretário executivo de Planejamento e Mobilidade do Instituto da Cidade Pelópidas Silveira (ICPS), Sideney Schreiner.

Na arrumação da casa, o plano irá avançar em relação ao que existe hoje de carga e descarga. Atualmente há limitação de horário em algumas vias das áreas centrais. O plano vai propor um planejamento dessa logística, que será baseado em uma pesquisa de Origem e Destino de cargas na cidade. Outro ponto é a definição de horários e o tipo de veículo. Empreendimentos de grande porte costumam receber mais de um fornecedor ao mesmo tempo. Na Rua Cosmópolis, por trás do Supermercado Trevo, em Boa Viagem, de dois a três caminhões fazem diariamente as operações de carga e descarga na via. “Pelo plano, os empreendimentos terão que disponibilizar baias para as operações e determinar os horários dos fornecedores para não coincidir vários caminhões ao mesmo tempo”, explicou Sideney Schreiner.

O futuro plano de mobilidade pretende definir os corredores que poderão ser usados para o abastecimento da cidade. “Não é possível fechar todos os acessos, aliás essa é uma tática de guerra para enfraquecer o inimigo. Nós queremos ajudar a fortalecer a economia”, ressaltou o secretário executivo do ICPS. Entre os corredores previstos estão as avenidas Mascarenhas de Morais, Recife e o entorno da BR-101. Já as avenidas Norte e Sul, que hoje funcionam como corredores de carga deverão ser proibidas para este tipo de operação. “A ideia é criar centros de distribuição, a exemplo da Ceasa, em vários pontos da cidade para permitir essa logística. E dependendo da via, essa operação tem que ser feita em carros menores e até mesmo de bicicleta”, disse.

Como é hoje

Lei de carga e descarga
Lei nº 18.133 (sancionada em 2015, mas o decreto ainda não foi publicado)

Determina a proibição da parada, estacionamento e operação de operações de carga e descarga em veículos de 6,50m de comprimento em vias urbanas
O horário e as vias específicas onde a lei irá valer dependem do decreto
Em caso de descumprimento, o condutor do veículo transportador está sujeito a multa por de R$ 127,69 e 5 pontos na CNH
Os responsáveis pela entrega e recebimento, em casos de pessoa jurídica, estão sujeitos a multa no valor de R$ 1,5 mil
A operação de carga e descarga é permitida, na Avenida Boa Viagem, das 5h às 6h e das 17h às 20h

DIRETRIZES DO PLANO

Logística urbana de carga e descarga

Modernização da operação:
Planejamento da logística urbana
Pesquisa de OD de carga
Pesquisa de percepção
Corredores logísticos
Centros de distribuição
Baias de carga de descarga nas vias e prédios
Vagas de carga e descarga em áreas comerciais

Gestão de impactos:
Horários de carga e descarga
Regulamentação de veículos
Zoneamento de grandes empreendimentos
Operação especial em áreas históricas

Logística para os estacionamentos

Fortalecimento do comércio/ serviços:
Expansão da Zona Azul, além da área central
Ajuste do preço e operação da Zona Azul
Regulação do Vallet
Concessão para edifícios garagens

Cidade para as pessoas:
Combate ao estacionamento irregular
Resgate das áreas públicas (ocupadas por carros)
Uso social do edifício garagem (oferta de serviços)

Estrutura de gestão de demanda:
Padrões de operação
Priorizar vaga na via para calçada, rede ciclável e faixa de ônibus
Estacionamento integrado (estações de integração)
Gestão de oferta de vagas por zonas
Licenciamento com ISS específico estacionamento
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/app/outros/ultimas-noticias/46,37,46,11/2016/08/07/interna_vidaurbana,658908/recife-uma-cidade-a-ser-destravada.shtml